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+ Aulas práticas de Direito Romano Assistente Marta Costa Santos 1
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Aulas práticas de Direito Romano Assistente Marta Costa Santos

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+ A, B e C acordaram entre si explorar um estabelecimento de vinhos e petiscos sito em Ravena.

A cedeu o prédio de que era proprietário, onde o estabelecimento foi aberto.

B contribuiu com os utensílios de cozinha e algum dinheiro.

C ficou encarregue de cozinhar e atender os clientes.

Convencionaram que todos os ganhos alcançados seriam repartidos em 50 % para A, 30% para B

e

20% para C, mas que eventuais perdas seriam partilhadas na proporção de ¼ para A; ¼ para B

e

metade para C.

1.

Perante as perdas de enorme montante, B pretende que todos respondam por elas na

mesma medida.

2.

A comprou 10 galinhas a D para consumo dos clientes, mas nunca chegou a pagar o preço. D

pretende responsabilizar os três empresários.

a D para consumo dos clientes, mas nunca chegou a pagar o preço. D pretende responsabilizar

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+ Sociedade

nA sociedade (societas) é o contrato consensual em que duas ou mais pessoas

(socii) se obrigam reciprocamente a pôr em comum determinados

ou trabalho com vista à obtenção de um fim patrimonial comum. Trata-se dum contrato de boa fé e inspira-se na fraternidade (fraternitas) que justifica a incomunicabilidade da sociedade; revogabilidade por qualquer sócio; extinção por morte de um sócio,

bens

nO seu objecto pode ser constituído:

npor coisas,

npela actividade laboral, manual ou intelectual

nou por ambas

pela actividade laboral, manual ou intelectual n   ou por ambas e as contribuições dos sócios

e as contribuições dos sócios podem ser diferentes.

+ nSociedades podem ser:

n

de

coisas

(societas

rerum)

-

4

os

sócios contribuam só com coisas

nde trabalho (societas operarum) - os sócios contribuam só com trabalho

nmistas (societas mixtae) - os sócios contribuam com coisas e trabalho

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uma

+ nSobre

as

coisas

que

os

sócios

entreguem

estabelece-se

relação de condomínio.

nBastava o consentimento das partes, sendo desnecessária a

entrega (traditio) ou outra forma de transmissão de propriedade.

nA finalidade é o interesse comum que as partes se propõem realizar.

nDeve

ser

lícita

e

susceptível

de

constituir

uma

utilidade

ou

vantagem patrimonial para todos os sócios.

! n   Não produz efeitos o acordo para a constituição duma sociedade que reserve

!

nNão produz efeitos o acordo para a constituição duma sociedade que reserve os ganhos para um ou alguns dos sócios e as perdas para os outros = proibição do pacto leonino (art. 994.º C. Civil)

os outros = proibição do pacto leonino (art. 994.º C. Civil) Participação desigual nos ganhos e

Participação desigual nos ganhos e perdas admite-se

6

+

7

+ Quanto ao seu regime jurídico, destacamos:

nObrigações: cada sócio é obrigado a contribuir com o que foi acordado - coisa ou

trabalho.

nÉ responsável por evicção e pelos vícios ocultos da coisa entregue.

nO risco onera os sócios desde a conclusão do contrato

nCada sócio é ainda obrigado a gerir os negócios sociais segundo os fins da

sociedade

nA sua responsabilidade depende de culpa in concreto: deve empregar a diligência

que lhe é própria.

nSe o sócio não contribuir para a sociedade com aquilo que foi acordado?

nOs outros sócios podiam recorrer ao pretor para que lhes fosse concedida uma actio pro socio.

+ n

-

-

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-

-

n

n

O contrato de sociedade extingue-se por:

cumprimento do acordado;

realização do fim;

perda do património social;

acordo de todos os sócios;

renúncia de um dos sócios;

morte ou capitis deminutio de um dos sócios;

má condição económica de um sócio;

exercício da actio pro socio.

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Com a extinção da sociedade, o condomínio dissolve-se, seguindo a liquidação e divisão dos bens sociais.

E, para cumprimento das obrigações assumidas no contrato de sociedade, cada sócio goza da actio pro socio que é de boa fé.

+ nNo direito romano o contrato de sociedade não criava uma pessoa jurídica diferente dos sócios, só havendo relações obrigacionais entre o sócio em causa e terceiros

relações obrigacionais entre o sócio em causa e terceiros 9 n   Se um dos sócios

9

nSe um dos sócios celebrar um contrato com terceiros, a relação obrigacional é apenas entre eles

nNo nosso caso o D apenas poderia responsabilizar o sócio A.

No nosso caso o D apenas poderia responsabilizar o sócio A. n   Na época justinianeia

nNa época justinianeia foi possível demandar os outros sócios se estes obtivessem um enriquecimento

nSe todos se tivessem obrigado = responsabilidade solidária. Se se exigisse o pagamento do preço apenas a um dos sócios, este era obrigado a pagar-lhe a totalidade e em sede de direito de regresso pode exigir a outros sócios o pagamento proporcional.

+ nNegócio jurídico abstracto = a causa não é um elemento essencial. Pode ser utilizado para vários fins.

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nNão é preciso determinar a causa do contrato para que este

produzisse efeitos.

nMuito utilizada porque permitia acautelar as situações não

previstas nas categoriais contratuais plasmadas no direito civil (actualmente há liberdade de criação e fixação do conteúdo dos

contratos – art. 405.º, n.º 1 C.C.)