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f

032f\-

FERNANDO ~IENRI('U:: CAI1DOSO

Arquivo

CU, fl~t'

A

DEMOCRACIA

NA

l\MtRICA

LATINA

 

F.H.

CARDOSO

* Versão

em português

da

conferência

"Marc

Bloch"

pronunciada

na

~cole des

Hautes

~tudes en

Sciences

Sociales,

em

Paris,

18

de

junho

de

1984.

 

Mil

novecentos

e

oitenta

e

quatro.

Data

orwelliana.

Faz

20

anos,

estrepitosamente,

ruía

na

América

Latina

o

primeiro

governo

to

-

o

do

Brasil.

 

Esta

queda

iniciou

a

série

de

golpes

militares

no

Continente.

Pouco

a

pouco,

como

num

jogo

de

dominó,

foram

caindo

goveE

nos

trás

governos:

o

de

Ilia,

na

Argentina,

o

de

Belaunde,

no

Peru,

o

do

Uruguai,

o

da

Bolivia,

até

que

-

suprema

humilhação

para

o

regime

que

era

a

quintessência

da

democracia

latinoamericana

-

deu-se

a

dia

de

Pinochet,

em

1973.

 
 

o Cone

Sul

inteiro,virava um grande Paraguai

(onde

Stroess

ner

já comemora mais de

trinta

anos

de

ditadura

militar) .

 

Daí

por

diante,

a

literatura

especializada

 

em

sociologia

política

foi

pródiga

na

descrição

dos

regimes

militares

e

no

vaticínio

sobre

seu

destino

à

durabilidade.

 
 

Houve,

por

certo,

acertos

razoáveis

na

análise.

Dois

foram

os

debates

que

apaixonaram

os

latinoamericanistas

e

os

nativos

com

tensões

teorizantes:

a

relação

entre

desenvolvimento

econômico

e

dura

militar

e

a

natureza

propriamente

política

dos

regimes

recém-ins

talados.

 
 

Neste

último

aspecto,

houve

avanços

consideráveis

na

anãli

se.

A surpresa

dos

primeiros

golpes,

unificou

as

perplexidades:

caudi

lhos militares outra vez, foi a primeira reação dos analistas qualifi- cando as ditaduras. Stroessner teria vingado o Paraguai derrotado pela

guerra

da

Tríplice

Aliança

(Argentina,

Brasil

e

Uruguai)

impondo,

aos

vencedores

de

antes

um

século

mais

tarde,

o

modelo

de

dominação

ver

nalístico-militar.

Durou

pouco

o

engano.

Se

fõra

certo

em Ongania

a

figura

do

chefe

personalista

e

se

no

Brasil

um

marechal

como

Castel

lo

Branco

-

entre

os

muitos

que

temos

-

deixara

sua

marca

no

novo

me,

os

uruguaios

mantiveram

a

aparência

civil do regime

e

os

brasilei

ros,

apesar

dos

chefes,

estavam

subordinados

antes

às

Forças

Armadas

como

corporaçao,

do

que

aos

caprichos

de

um

homem.

 

vou

~a sinuosa

referir-me

mais

ao

-2-

história

política

sul

do

Continente

latinoamericana

do

que

às

demais

-

e

eu

regiões

hoje

-

re

nascia

das

cinzas

do

caudilhismo

outro

fenõmeno,

talvez

menos

maléfico

quanto

as

aparências,

mas

mais

persistente

em

seus

efeitos:

a

burocra

tização

das

Forçar

Armadas

servindo

de

espinha

dorsal

ao

autoritarismo

do

estado.

 

Curioso

processo

este.Mais

curioso

ainda

porque

nasceu

sob

o incentivo

de

dois

outros

fenômenos

-

que

-se reciprocamente -

toritárias:

e

que

não

têm

origens

das

o

da

profissionalização

acabaram

por

estritamente

Forças

Armadas

corresponderem-

burocrático-au

e

o da guerr~

lha revolucionária.

flito

leste-oeste,

Ambos,

por

refletindo,

certo,

assim

com atraso,

o

por calor da Guerra

atuaram

efeito do con

Fria.

 

De

fato,

se

o

golpe

de

1964

no

Brasil

fez-se

"em

nome

da

democracia",

na

luta

contra

o

populismo

e

o

esquerdismo,

que

propunham

reformas

de

base

nas

estruturas

sociais

e

eram

acusados

de

violadores

da

Constituição,

fez-se

apoiado

no

setor

do

exército

que,

influenciado

pelos

ideais

democrático-liberais

reativados

na

luta contra o

nazi-fas

cismo

na

Itãlia

durante

a

Segunda

Grande

Guerra,

tornara-se,

também,

o

mais

"profissionalizante".

Tanto

assim

que

no

livro

famoso

"The

Military

in

Politcs",

Alfred

Stepan

ainda

esperava

dos

militares

fissionais

aquilo

que

Samuel

Huntington

considerara

como

sua

"missão":

ajudar

a

institucionalização da vida estatal e

política.

Ledo

engano.

Não

bastavam

as

proclamadas

intenções

"lib~

rais" e "institucionalizadoras" para nortear o caminho do novo milita rismo. Atormentados pela eventualidade da guerra revolucionária das

ticas guerrilhas do Che - a imaginação militar-obscurantista operava verdadeira multiplicação dos pães,fazendo-os sentir os 1,2,3 muitos Viet

nãs

por

toda

parte

-

os

militares

acentuaram

a

repressao,

valorizaram

a

ordem e,

se

algo

institucionalizaram

foi

o

espírito

corporativo.

param descaradamente

as

instituiçôes

estatais e

fizeram

do

solo

da

bu

-3-

rocracia

campo

próprio

de

manobras.

 

Nasciam

assim,

sob

o

incentivo

do

medo

-

por

toda

a

parte

sentiam

a

ameaça

do

comunismo

os

regimes

do

terror.

Não

que

tisse

a

ameaça.

des

(mais

do

que

Os

tupamaros,

dos

campos)

os

montoneros,

viviam

sua

saga,

os

guerrilheiros

das cid~

pagando

com

sangue

o

tr!

buto

à

possibilidade

que

acreditavam

existente

de

fundar

na

terra

o p~

raiso

sem

males

da

igualdade

social.

Mas

entre

o

visionarismo

armado

de

uns

e

a

bestialidade

de

repressão

estatal de outros,a distãncia

era

enorme.

A tortura

ganhou

dos

quixotes

modernos

a

batalha

plíitica.

E

tentou

fazer

das

sociedades

sanchos-pança

da

ordem,

quase

sem progre~

so.

 

Mas

que

ordem

era

esta?

E

foi

neste

ponto

que

houve

avanço

teórico

significativo.

Os

novos

regimes,

de

base

militar,eram,

na

expressão

consagrada

de

Gui

llermo

O'Donell,

burocrãtico-autoritários.

 
 

Não

se

tratava

mais

-

eu

notara

isto

no

caso

brasileiro

nos

anos

sessenta

-

do

caudilhismo

tradicional.

Mesmo

Pinochet,

que

veio

depois,

expressava

e

estava

submetido

a

um

enquadramento

da

Corporação

Armada.

O ditador,

podia,

como

no

Brasil,

dosfarçar-se

em

presidente

eleito

pelo

Congresso;

os

partidos

redefinidos

pela

nova

ordem,

funcio

nariam

e

o

Congresso

referendaria

a

escolha

do

Presidente.

 
 

Por

certo,

a

ambiguidade

entre

a

forma

democrática

e

a

subs

tància

autoritária

assegurada

pela

tropa

e

pela

rigidez

dos

controles

estatais,

desapareceria na

Argentina,

porque

nela

a

Junta

Militar

-

os

chefes

das

três

armas

-

silenciara

tudo

mais.

No

Uruguai,

mantinha-se

ora

um colegiado

civil,

ora

um

presidente

civil.

No

Peru,

militarizava-

-se

mais

ainda

na

aparência:

As

Forças

Armadas

assumiram

a

revolução

e

a

queriam

progressista.

E

na

Bolivia,

funcionava

a

gangorra

permanente

entre

personalismo

caudilhesco,

controle

corporativo

do

exército

e

nerais

democratizantes.

 

-4-

 

Mas,

a

despeito

da

forma

do

regime,

o

substrato

comum

era

claro:

ao

invés

da

competição

livre

do

poder

entre

partidos,

o

rígido

controle

dos

comandos

burocráticos

militares;

à

ideologia

esquerdista-

-progressista

que

era

mobilizadora,

contrapunha-se

a

rígida

noção

de

que

mais

vale

a

apatia

das

massas

e

a

clarividência dos

líderes

encas

telados

no

estado;

à

ideologia

democrático-liberal,

opunha-se

a

noção

de

um

certo

estatismo

dirigista,

baseado

em

Planos

de

Desenvolvimento

e

almejando

a

grandeza

da

pátria.

Regimes

desmobilizadores,

portanto.

Frios

quanto

ao cham~

mento

ideológico,mesmo

para

motivar

os

que

o

apoiavam.

Repressivos

até

ao

limite

da

tortura.

Controladores

até

à

supressão

da

liberdade

de

im

prensa

e

de

comunicação.

fissionalização

da

tropa

Híbridos,

muitas

vezes,

hesitando

entre

a pr~

e

a

ocupaçao

aberta

e

descarada

das

sinecuras

e

cargos

públicos

pelos

militares.

 
 

Mais

próximos

estiveram

estes

regimes

da

situação

 

la

pos

a

predominãncia

propriamente

fascista

da

Falange

ou

da

sa

do

salazarismo,do que

do

fascismo

italiano

que

fôra

mais

civil,mais

mobilizador

e

ávido

pelo

controle

partidário.

Na

América

Latina

dos

mi

litares

do

poder,

os

partidos

são

mais

ornamentos

do

regime

do

que

ça

de

sua

sustentação.

Quando

existem,

vivem

à mingua

 

do

poder,

sos

por

ele,

subservientes,

quase

sempre,

aos

verdadeiros

amos

e

senha

res.

 

Mas

quem

seriam

estes?

 

E

é

neste

ponto

que

passo

a

falar

sobre

a

relação

entre

a

ditadura

militar

e

o

desenvolvimento

econômico.

 

noamericano

De

início,

(fosse

ele

corno

os

golpes

populista,

corno

se

opuzeram

no

caso

de

ao

progressismo

lati

Goulart,

desenvolv~

mentista,como

no

caso

de

Ilia,

popular-desenvolvimentista,

corno

com os

peronistas ou corno Belaunde,

popular-socialista,

corno

no

caso

de

Allen

de)

imaginou-se

que

teriam

ocorrido

para

"impedir o

desenvolvimento

 

cional".

Não

foram

poucos

os

autores

que

viram no

militarismo

a

marca

do

colonial-fascismo.

-5-

A dependência

econômica

que

ele

reforçaria

fazia

renascer o

fantasma

da

volta

à

agricultura e

à

exportação;

da

morte

da

industrialização;

da

minimização

da

idéia

de

estado-nação

e

de

polít!

ca

externa

independente.

 

Fui

dos

poucos

a

opor-me

a

esta

tese

para

analisar o caso

brasileiro. Não que os

mo

desenvolvimentismo",

militares

pois

propuzessem

incentivos

na

ao

ocorrera o que

chamei

época,

"populari~

de

"inter

nacionalização

do

mercado

interno".

Em palavras

diretas:

as

corpora-

ções

multinacionais,desde

meados

dos

anos

cinquenta,

mais

aceleradamen

te

entre

1965/1975,

investiram

maciçamente

Brasil

especialmente.

Quizessem ou

não,

os

em

alguns

países

militares,neste

da

região,

caso,

foram

garantia de

internacionalização

da

economia

e

com

sua

ram a conter os

capitais

ímpetos

e

o

crescimento

redistributivistas,facilitando

econômico.

repressao

a

ajud~

de

acumulação

Entendamo-nos

bem.

Não

investiram capitais

e

desenvolveram

foram

os

a

base

militares

por

produtiva dos

sua

açao,que

países.

Foram

as

grandes

empresas.

Nem houve

sequer

(salvo

em modestíssima

escala

no

Peru)

um

esforço

para

dotar o estado-nação

de

capacidade

autônoma

de

produção.

Ao

contrário,

ciação

crescente

entre

o

multinacionais,

os

quais

volvimento" .

aceitou-se

a

ideologia

setor privado nacional,

predominante

de

o

setor estatal

constituiriam,

em conjunto,

o

"tripé

do

asso

e

as

desen

a

"nova direita" e a "nova economia" reforçaram a divisão internacional do trabalho em benefício dos ··países industrializados, os regimes mili

B certo

que

em

alguns

países

como

a

Argentina

e

o

Chile

tares não pregavam o

"imobilismo

econômico",

como

se

anunciara

e

teme

ra

na

década

de

1960.

 

Noutras

palavras:

a

dinãmica

da

economia mesmo

nos

países

dependentes,

não

obedece

a

ideologia.

Estas

se mesclam a

ela,

redefi

-6-

hem-a,às

vezes

dão-lhe

maior

ou

menor

velocidade

mas

a

dinâmica

da

eco

nomia

não

se

resume

ao

discurso

dos

que

mandam.

Na

Argentina

e

no

Chi

le,

se

te

houve,

de

haver

por

a

no

Brasil,

certo,

uma

desaceleração

do

crescimento,

sem

internacionalização

da

economia.

Mas

no

Peru

e

que

deixas

notadame~

os

militares

conviveram

com

o

crescimento

econômico,

sob

a

forma

do

que

eu

chamei

de

"desenvolvimento dependente-associado".

E~

pandia-se

a

base

produtiva

do

pais,

com

as

mento

corporações

multinacionais

que

ligava

umbilicalmente

as

e

incentivavam-se

as

"joint-ventures"

aceitava-se

o

estilo

de

desenvolvi

economias

locais

às

exteriores.

o ponto

importante

a

aspecto,

a

militarização

do

poder

nava.

A análise

comparativa das

assinalar diz

respeito

a

que,sob

este

jogou

um

papel

menor

do

que

se

imag~

politicas econômicas entre

paises

com

regimes

militares

 

e

destes

com

as

democracias

remanescentes

 

no

Conti

nente

mostra

que

o

estilo

do

desenvolvimento

deveu-se

menos

à

forma

do

regime,

do

que

ao

tipo

de

estado.

 
 

Que

quero

dizer

com

isto?

Apenas

que

se

é verdade

que

os

regimes

se

militarizaram,

o

novo

poder

não

alterou

as

bases

da

domina

ção

social.

O estado,

enquanto

sintese

das

relações

de

dominação,

co~

tinuou

respondendo

às

classes

e

nao,

estrito

senso,

ao

estamento

buro

crático-militar.

Assim,

a

resposta

à

pergunta

"quem manda",

é

so parc~

almente:

os

militares.

Mandam,

sim:

controlam

o

estado;

mas

não

defi

nem

neste

mandar

e

neste

controlar

as

politicas

centrais

do

governo.

vê-se

por

ai

a

consequência

imediata

da

inexistência de um

"partido

militar"

ou

de

um partido

reacionário

estruturado.

Desferido

o

golpe,

alijadas

do

governo

as

forças

politicas consideradas alvos pr~

ferenciais

-populares) os militares chamam ao governo os conservadores-liberais e

esquerdistas, nacionalistas e democrata-

(os

progressistas,

os

tecnocratas ou

são por

eles

cercados.

E,

paradoxalmente,

no

que

diz

respeito

à

politica

econômica,

comportam-se

corno

se

fossem

rainhas

da

Inglaterra:

assistem

à

"liberalização da economia",

às

vezes

com cal~

frios

nacionalistas

na

espinha,

e

terminam por

assumir,

na

prática,

a

-7-

posição

de

que

"o que

e

bom para

a

General

Motors

e

bom para

o

país"-.

 

Este

aspecto

híbrido

dos

regimes

militares

desconcertou

a

muitos

analistas.

Por

um

lado

a

repressão,

a

vontade

de

tudo

ordenar

para

imprimir

numa

sociedade

que

eles

consideram

senão

anárquica,

amoE

fa,

a

marca

de

uma

disciplina

capaz

de

suportar

os

atropelos

da

reivin

dicação

social.

Por

outro,

uma

condução

política-econõmica

orientada

pelos

velhos

ideais

de

laissez-faire,

mas

que,

pouco

a

pouco

se

trans

figura em dirigismo e

intervencionismo

estatal

para

assegurar o

cresci

mento

a

partir das grandes

empresas

oligopólicas.

E

à

margem

de

tudo

isto,pela voz dos conservadores,

o

eco

do

liberalismo

político,

tentan

do

contrapor-se

ao

mesmo

tempo

ao

corporativismo

e

às

medidas

mais

abertamente

fascistas

que

setores

da

sociedade

e

das

Forças

Armadas

nunca

deixam de

propor.

Não

desejo

discutir

hoje

os

aspectos

contraditórios

da

ologia dos

regimes

burocrático-autoritários.

quências

efetivas da relação

entre

este

tipo

Prefiro ater-me

de

regime

e

a

às

conse

sociedade

que

o

desenvolvimento

dependente-associado

criou.

 

Cabe,

desde

logo,

fazer

uma

distinção

entre

países.

No

ex

tremo

sul

do

Continente

(Argentina,

Chile

e

Uruguai)

as

políticas

in-

ternacionalizadoras

da

economia

operaram

sobre

uma

base

social e

tiva

que

desde

o

século

passado

havia

sido

formada

com

duas

caracterís

ticas marcantes:

exitosas

economias

primário-exportadoras

e

forte

cidade

integradora da

sociedade.

Trata-se de países

que,

de

certa

for

ma,

transplantam

na

América

Latina

populações

que

dizimam ou

concen

tram

regionalmente

as

populações

indígenas

pré-existentes

e

que,

ao s~

pro da

plementação

antiga

da

divisão

internacional do trabalho especializam-se

na co~

economia

européia. Socialmente

o

capitalismo

de

velho

e~

tilo

lança

raízes

neste tipo

de

sociedade.

As

classes

se fonnarn à européia,

com uma

burguesia ~titiva,uma pequena

burguesia

imigrada

recentemente

e

uma

massa

de

trabalhadores

assalariados,

tanto

no

campo

como

na

cida

-8-

de,

que

nao

sofrem a

concorrência de

ex-escravos,

de

indígenas

desen

raizados

ou

de

bolsões

de

miseráveis

e

marginais.

 

Os

golpes

militares

nestes

países,

destroçaram

de

fato,

instituições

democráticas:

partidos

arraigados

na

população

e

com

lon

ga

história,

parlamentos

respeitados

pela cidadania e,

numa

palavra,

uma

"sociedade

civil"

bastante

ativa.

Encontraram

estruturas

estatais

sólidas,

com

ampla

capacidade

de

coordenação econõmica,

porém

sem

uma

burocracia

isolada

dos

partidos.

Os

militares

tiveram,

portanto,

que

coibir duramente a

sociedade

e

encontraram

terreno

menos

fértil

na

bu

rocracia

e

no

estilo

de

desenvolvimento

econõmico

(menos

marcado

pela

presença

das

grandes

corporaçoes

oligopolísticas

internacionais)

para

servir de patamar ao

"salto para frente"

proposto pelas

ideologias

de

grandeza

nacional.

Outro é

o

panorama

da

sociedade

brasileira

e

mesmo

a

ruana,

se

como

ocorrido

outro

a

o militarização do estado.

seria

da

mexicana

e

se Os traços patrimonialistas da

tives

da

venezuelana

nelas

sociedade

sao

mais

fortes,

as

classes menos nítidas

à

luz

do

figurino

da

Europa

de

antes

da

Segunda

Grande

Guerra,os

bolsões

de

"marginais"

muito

grandes

não

regionalmente

(como

no

Nordeste

Brasileiro

ou

nas

Além disso, o impacto da "nova industrialização" posterior aos meados

"barriadas"

de

Lima)

como

também nas

áreas mais desenvolvidas.

da

década

de

cincoenta

criara

já nestes

países

um estado-empresarial

moderno

e

um

empresariado

internacionalizado.

 

Ocorreu

com

a

estrutura

social e

produtiva

destes

países

algo

semelhante

a

um

grande

corte

histórico.

Passaram da

economia

agro-exportadora

e

dos

bolsões

da

economia

de

subsistência

que

vam o

parque

industrial

relativamente

modesto,

para

o

estilo

de

desen

volvimento

baseado

nas

grandes

corporações

privadas

e

estatais

funcio

nando

no

quadro

da

atual

internacionalização do processo produtivo.

Correlatamente,

o

antigo

patrimonialismo

refez-se

no

setor

produtivo

estatal,

a

burocracia

-9-

modernizou-se,

sem

perder

força,

as

classes

tra

balhadoras

urbanas

e

as

classes

médias

modernas

(que

são

empregados

das

grandes

corporações

privadas

e

públicas,ou

que

exercem

profissões

de

base

técnica

e

no

terciário moderno -

educação,

saúde,

comunicação

social,

administração,

etc.)

passaram

a

viver ao

compasso

dades

de

massa".

E mesmo

no

campo

-

onde

permanecem

quase

segmentos

zação

e

da

da

antiga

estrutura

social

modernização

da

sociedade.

-

chegam

os

efeitos

das

"socie

intocados

da capital~

E

em qualquer

dos

casos

aqui mencionados

o

regime

burocrá

tico-militar,

no

aspecto

político,

se

assemelhou,

 

pelo

menos

quanto

às

ideologias,

quanto

à

forma

do

regime

e

quanto

à

voracidade

 

siva.

Isto

é

verdade,

mesmo

que

se

considerem

à

diferença

de

intensi

dade

da

recessão

em

cada

país,

conforme

a

resistência

das

classes

e

sua

disposição

de

luta.

Os

efeitos

do

impacto

do

crescimento

econõmi

co

dependente-associado

sobre

a

sociedade

foram,

entretanto,bem

diver

sos.

 
 

Com

efeito,

no

Chile

e

no

Uruguai

a

"nova

economia"

mais

nao

fez

do

que

diminuir

o

ímpeto

de

crescimento,privatizar

setores

da

atividade

econõmica

manter,

quando

não

e

social