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Jardim das Esculturas – Resumo do projeto

Em várias cidades do mundo, mulheres e homens adotam nas ruas e praças


públicas a
imobilidade de uma estátua. Vestem-se quase sempre de branco ou prata.
Seu corpo todo
é recoberto por uma pomada cuja extrema palidez faz lembrar a presença de
um espectro.
Eles não se mexem. Espera-se o menor gesto para revelar sua humanidade
mas ao longo
de muito tempo podemos apenas contemplar suas pálpebras piscando.
Estará neste
pequeno movimento parte de sua fraqueza ou seria de sua força?
Julgaríamos que
querem provocar admiração? O fato é que estão se tornando tão numerosos
e se
assemelham de tal modo que já fazem parte da paisagem urbana de cidades
como São
Paulo. Mas quem são eles? Artistas de rua? Corpos estátuas? Pseudo arte?
O seguinte projeto pretende desenvolver uma obra coreográfica criado no e
para o Jardim
das Esculturas do CCSP tendo como mote gerador a relação entre os
“corpos estátuas” e o
Jardim do Centro. A idéia é trabalhar com um grupo de 3 a 5 desses “artistas
de rua” com
intuito de revelar e entender suas buscas. Que corpos são esses? Quais são
seus medos,
desejos? Que qualidades de movimento se escondem por trás da
imobilidade? Como
começaram? O que os levaram às ruas? Que história nos contam sobre seus
dias de
corpos-estátuas? Como é o seu treinamento? O que escondem por trás de
tantas roupas e
tintas? Tais perguntas e respostas servirão como estímulo criativo para
concepção
coreográfica. O projeto não visa a narratividade ou uma mera representação
ou
reprodução das mesmas. Jardim das Esculturas é um projeto que tem por
objetivo
maior o encontro: entre a rua e o centro cultural; a imobilidade e o
movimento; o
ordinário e o extraordinário; o corpo e a escultura; a dança contemporânea e
a arte de
rua.

Objetivo geral: Criar uma obra coreográfica contemporânea no e para o


Jardim das
Esculturas do Centro Cultural de São Paulo tendo como elenco e mote
gerador 3 a 5 “artistas
de rua” que trabalham como “homens- estátuas” na cidade de São Paulo.
Objetivos Teóricos:
• Abordar possíveis construções do visível e invisível no cotidiano e na arte,
dando
ênfase para o que geralmente não enxergamos.
• Pesquisar a construção coreográfica criada através de corpos não formados
pelas
técnicas de dança.
• Discutir a questão da imagem do corpo como objeto social.
• Investigar questões como introspecção, autoconhecimento, desejo,
imaginação,
crença, intuição, questões ligadas aos sentidos em geral.
• Discutir a questão da identidade dentro das manifestações culturais
realizadas
nas ruas.
• Abordar a relação entre o popular e o erudito.

Objetivos Práticos:
• Desenvolver a obra entre os meses de setembro a novembro de 2009
• Entrevistar vários “corpos-estátuas” da cidade de São Paulo. Conviver um
tempo
com eles. Entender este universo para posteriormente convidar os que farão
parte
da obra.
• Trabalhar com no mínimo 3 e máximo 5 “corpos-estátuas”.
• Ensaiar entre 20 a 30 horas semanais no Jardim das Esculturas do CCSP.
• Apresentar a obra no Jardim das Esculturas do CCSP em novembro 2009

Justificativa do projeto:
A fascinação que o corpo em repouso pode provocar, concebe-se
também que essa atração liga-se à incrível presença do
movimento na imobilidade. (Henri-Pierre Jeudy).
A dança deve ser percebida em sua complexidade estrutural e social. Gestos,
ações e movimentos, simples ou complexos, atendendo a verticalidade ou
falta dela,
produzem diversas danças em diversas estéticas e épocas. Em uma
permanente atitude
de construção a dança amplia seus domínios estéticos aprendendo com a
inserção de
outras artes, filosofias e manifestações culturais. Quando o interprete dança,
que é
diferente de teorias sobre a dança ou sobre o desejo de dançar ou sobre os
ensaios, mas
quando ele dança tudo já está presente. Segundo a teórica francesa
Laurance Louppe:
“Na dança contemporânea o sujeito é diretamente seu movimento. Ele não
dispõe de um
instrumento que substitui a sua presença. A atitude do sujeito coincide com
ele mesmo”.
Ao nos depararmos com os “homens-estátuas” temos uma camada de tinta e
roupas que
escondem o sujeito, o movimento preso na imobilidade. Interessa a este
projeto discutir a
manifestação cultural, a identidade, a corporeidade vestida de rua, o que está
por trás
das roupas e tintas; não se trata de saber ou discutir se os “homens-estátuas”
devem ou
não ser considerados artistas, mas sim o sentido e os sujeitos que estão ali
presentes.
A dança pode ser sobre qualquer coisa mas é fundamentalmente e
primeiramente
sobre o corpo humano e seus movimentos, sejam eles oriundos de um
bailarino
tecnicamente treinado ou não. A experiência em criar dança com outros
corpos que não os
necessariamente formados por ela não é nada recente, podemos citar o
Judson Church
que experimentava também com leigos na busca pelo movimento
espontâneo. Eles
experimentaram tantos tipos diferentes de estruturas coreográficas que suas
mensagens
ficaram claras: não apenas qualquer movimento ou qualquer corpo mas
também qualquer
método será permitido.

Ao entender que nossos corpos são o resultado de uma co-evolução


biológico cultural, a
coreógrafa Vancllea Segtowich pretende mergulhar no universo desses
“homens-estátuas”
e construir cenas a partir de suas experiências reais, de suas expressões
individuais
camufladas e assim chamar a atenção para o invisível ou para o não
percebido no dia a
dia das ruas.
As artes de rua colocam o corpo em cena de uma maneira diferente do que
estamos acostumados a ver nos palcos. Corpos-objetos são oferecidos ao
olho pelo prazer
de um espetáculo sempre idêntico. Alguns críticos não deixarão de afirmar
que se trata de
arte barata, que esses pseudo-artistas da rua não praticam senão
cenografias antiquadas,
dedicando-se a repetir o mesmo modelo. Segundo o teórico francês Henri-
Pierre Jeudy,
O princípio dessa petrificação pública, aliás, acaba por instituir, não sem
ironia, uma referencia cultural além-fronteiras. No momento em que a
reivindicação das identidades mantém-se como um modo clássico de
resistência contra a homogeneização cultural, esses espectros imóveis
consagram a força de um modelo mundial de identificação.
Um princípio hierárquico subsiste e para tais práticas populares as portas dos
templos da
criação artística permanecem fechadas, essas “artes menores” de rua estão
em
permanente espera de requalificação estética, como se fosse necessário
convencer que a
percepção do corpo humano na vida quotidiana é condição prévia de uma
verdadeira
experiência estética. Ao trazer os “homens-estátuas” para o CCSP e criar um
verdadeiro
diálogo entre suas corporeidades e o espaço público Jardim das Esculturas,
a coreógrafa
Vancllea pretende também investir na relação entre o popular e o erudito já
que esse era
um dos intuitos de Mario Chamie para refletir "toda essa igualdade cultural
brasileira
que é feita justamente das diferenças". Com certeza trata-se não apenas de
uma vontade
de Chamie mas um dos interesses maiores do CCSP e da coreógrafa
Vancllea Segtowich.

Procedimentos metodológicos – explicitação dos métodos e técnicas de


investigação e sua adequação ao projeto

A diretora/coreógrafa Vancllea Segtowich trabalha de forma extremamente


colaborativa.
O elenco é estimulado a criar seus próprios movimentos e partituras,
oriundas de
conceitos, tarefas, exercícios de improvisação estruturada dados pela
coreógrafa. A obra é
criada em uma co-autoria onde elenco e direção se estimulam mutuamente.
Primeira Etapa:
• Vancllea sairá pelas ruas de São Paulo, especificamente ruas e praças
onde há
“homens-estátuas” trabalhando. Esses primeiros momentos servirão para
observação e recolhimento e de dados tais como fotografias, vídeos e na
medida do
possível pequenas entrevistas. Passada a primeira semana serão escolhidos
alguns homens-estátuas para serem seguidos, acompanhar seu dia-a-dia
desde o
momento em que se preparam para entrar em cena até sua saída. Serão
realizadas mais entrevistas e aos poucos Vancllea introduzirá a idéia do seu
projeto e convidará alguns para participar do mesmo.
Segunda Etapa:
• A coreógrafa continuará acompanhando o dia- a- dia dos “homens-
estátuas”porém
agora dos que farão parte da obra. Serão feitas perguntas mais especificas
para
eles (tais perguntas só serão formuladas após o contato com os mesmos,
pois será
essa experiência que gerará tais questões.). Pretende-se nesta segunda
etapa um
verdadeiro intercambio cultural: Os “homens-estátuas” contarão sobre seu
dia-adia
e seu treinamento para manter-se imóvel, como iniciaram este trabalho,
situações as quais já foram expostas, etc. Em contrapartida Vancllea
explicará
um pouco sobre o que faz, como é o seu trabalho, o que pensa sobre a
dança
contemporânea, etc.

Serão realizados, no Jardim das esculturas, exercícios de improvisação


estruturada e da técnica Viewpoints. Nos primeiros exercícios se vislumbra a
relação do corpo com este espaço, abordando questões como textura,
arquitetura,
forma, imagem, etc. Num segundo momento serão realizados exercícios de
improvisação estruturada formulados a partir das vivencias dos próprios
“homens-estátuas”. É provável que passemos por questões psicológicas e
até
mesmo pela representação de cenas que aconteceram com eles, o
importante é
frisar que se trata de um exercício para se criar a obra, de experimentação e
não a
obra em si.
• Investigação dos conceitos de ação, gesto e movimento através da técnica
Viewpoints.
• Exercícios que trabalhem com o micro-movimento. O sair e entrar na
imobilidade
e na mobilidade. Como é a mobilidade desses seres que a evitam tanto?
• Diálogos corporais entre os “homens-estátuas” através da técnica de
improvisação
de contato e Viewpoints.
• Conversas, entrevistas, gravações de vídeo de suas performances na rua.
Gravações de outros “homens-estátuas” e discussão sobre o trabalho que
fazem.
• Estruturação de pequenas cenas coreográficas no Jardim das Esculturas.
Terceira Etapa:
• Edição de vídeos e fotos que “talvez” sejam usados na obra.
• Estruturação da obra coreográfica e muitas experimentações no Jardim das
Esculturas.
• Apresentação da obra em novembro de 2009.

Viewpoints é uma técnica de improvisação e composição cênica


desenvolvida pela
diretora americana Anne Bogart. O treinamento com Viewpoints permite o
contato com
as sensações através do físico. Trata-se de um diálogo entre arquitetura
corporal e
arquitetura do espaço. A ação é baseada no tempo espaço, na ação, no
gesto, na palavra e
no movimento. A pratica proporciona ao artista uma criação coesiva e permite
que o
individual dialogue com o coletivo na linguagem da cena. A técnica
Viewpoints será
aplicada para construção coreográfica do projeto Jardim das Esculturas, por
tratar-se de
uma técnica que facilita a participação e o desenvolvimento coreográfico por
diferentes
corpos, sejam eles formados ou não pela dança. Seus exercícios visam
sempre explorar o
potencial de cada individuo frente aos espaços e/ou outros corpos permitindo
o diálogo
entre os singulares.
A diretora americana criou nove pontos que se dividem em Viewpoints do
tempo e
Viewpoints do espaço. Segue um resumo dos nove pontos que serão
trabalhados durante o
projeto Jardim das Esculturas de acordo com as necessidades do mesmo, ou
seja, não
necessariamente passaremos pelos 9 pontos:
Viewpoints do tempo:
1) Tempo:velocidade do movimento
2) Duração: Duração do movimento ou da seqüência do movimento.
3) Kinesthetic response: Refere-se à ação espontânea daquilo que
está externo à você, à percepção e resposta aos eventos externos
ou som. Movimento impulsivo que ocorre do estímulo das
sensações.
4) Repetição: Inclui repetição externa e interna, se repete forma,
tempo, gesto, etc
Viewpoints do espaço:
5) Shape (forma) : O contorno do corpo feito no espaço em linhas,
curvas e em combinações entre elas.
6) Gesto-ação: O movimento envolve uma parte ou partes do corpo.
Gesture é a forma com inicio, meio e fim. Aqui discute-se a
diferença entre gestos e ações comportamentais e expressivas.
7) Arquitetura: O ambiente físico com o qual você trabalha e como
tal afeta sua movimentação. São estudadas questões como
textura, cor, massa sólida, luz, som, etc
8) Relação espacial: Distancia entre duas coisas (um corpo e outro,
um grupo de pessoas e outro, um grupo e uma pessoa) Estuda a
dinâmica de distancia extrema e aproximação, separação e união,
dinâmica do movimento.
9) Topografia: O desenho, a paisagem criada no movimento com o
espaço. Cria qualidades de movimento e de espaço.
Material ilustrativo complementar:
O espaço Jardim das Esculturas será o cenário da obra.
O figurino serão as roupas e maquiagem usados pelos “homens-estátuas” no
seu dia-adia,
seja sua roupa estátua seja sua roupa normal do quotidiano.
Não há planta ou qualquer outro desenho que possa ser previamente
colocado aqui. Segue
apenas algumas imagens dos “homens- estátuas” como caráter ilustrativo.