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Adr iano Vizoni/Folhapress D e s d e 1 9 2 1 ┆ ┆ ┆

Adr iano Vizoni/Folhapress

Desde 1921

U M J O R N A L A S E R V I Ç O D O B R A S I L

fol ha .co m. br

DIRETOR DE RED AÇÃO: OT AV IO FRIA S F ILHO

ANO 97 DOM INGO , 9 DE JU LH O D E 2 01 7 N O 32.23 9

EDIÇÃO SP/DF CON CL UÍD A À S 2 3H46 R$ 6,00

Lava Jato ignora em indenizações indício de crime de empreiteiras

Thais Alves, do restaurante Cór, em São Paulo Ke iny Andrade/Folhapress
Thais Alves, do
restaurante Cór,
em São Paulo
Ke iny Andrade/Folhapress

Temer tem margem estreita para aprovar reforma trabalhista

Levantamento da Folha indica que 42 dos 81 senadores são favoráveis às alterações, que devem ser votadas na terça (11)

Apesar de laudos da PF e do Tri bu nal de Cont as da União mostrarem superfatu- ra mento em ob ra s d e e m- preiteiras envolvidas na La- va Jato, a Procuradoria dei- xo u o ass unt o d e l ad o a o propor ações para cobrarin- denizações das empresas. Se o tema tivesse sido in- clu ído, os va lor es dos res - sarcime ntos poderiam ser maio res. A just if icativa da força-tarefaéque a aborda- gem le va ria a a tr asos no desfecho das causas. Poder A4

Indicada à chefia da Procuradoria-Geral, Raquel Dodge, 55, é obstinadaediscreta

Com margem apertada, o Senado tem a promessa de votos suficientes para apro- varareforma trabalhista do presidente Michel Temer. Se gu ndo le va nta men to feito pela Folha na última semana, 42 dos 81 senadores declar ar am apoio ao texto —sã o n ece ss ári os 41 pa ra que o governo vença. Contra a proposta estão 23 integran- tes da Casa,e16 não infor- maram seu posicionamento.

Vários parlamentares dis- ser am que aguardam um acordo com o p res idente. “[Voto a favor] desde que o governo tire o que não con- cor da mo s, com o t rabalho inter mit ent e”, af irmou Si - mone Tebet (PMDB-MS). Nessemodelo, o trabalha- dor pode ser contratado por hora. A reforma também traz a prevalência sobre alei, em alguns casos, de acordos en- tre patrões e empregados.

Na votação, marcada pa- ta terça-feira (11), o Planalto defende que a proposta en- viada pela Câmara seja apro- vada sem alterações. Assim, a matéria seguirá para a sanção de Michel Te- mer. Se houver mudança, o projeto re torna par a n ova análise dos deputados. Senadores contrários à re- forma dec lar ar am ap ost ar na aprovação de modifica- ções no texto. Mercado A19

Poder A7

   

SAÚDE

folhafartura

SAÚDE folha fartura ILUSTR ÍS SI MA PODE R

ILUSTR ÍS SI MA

PODE R

De castigos físicos à neurodiversidade, livro relata história do autismo B6

ESPECI AL TRAZ A P ROGRAMAÇÃO DO FES TIVAL GAS TRONÔ MIC O, PERFIS DE CHEFS E VARIE DA DE DE PRA TO S PÁG. 1

Novos projetos tentam revitalizar a região central de São Paulo Pág. 30

Audiolivro ganha impulso no Brasil; conheça vantagens e desvantagens Pág. 4

Revolução de 1932 gera gasto público de R$ 900 mil por mês em pensões A8

Universa l faz 40 anos com foco em fielempreendedor

Há 40 anos, no subúrbio do Rio, Edir Macedo lidera- va o primeiro culto da Igreja Universal do Reino de Deus. Hoje, a organização evan- gélica estima ter 320 bispos, 14 mil pastores e 10 mil tem- plos no Brasil e no exterior. Segundo especialistas, a atual estr atégia da Univer - sal inclui dissociaraidenti- ficação com classes sociais mais baix as e p rioriz ar te- mas como empreendedoris- mo e autoajuda. Poder A10

ELVI RA LO BATO

Ig reja moveu 111 ações contr a report agem se m contesta r dados

Opinião A3

EDIR MACE DO

Pa lavra de Deus é ra zão para ter mos chegado aqu i com relativo sucesso

Opinião A3

Segredos ce rc am as oper ações de líde r a nt i-Puti n

As operações na Rússia de Alexei Navalni, ativista que virou ícone da oposição aVla- dimir Putin, são cercadas de mistério. Detalhes sobre seu partido e como ele é financi- ado são obscuros,eapoiado- res fogem de entrevistas. Ex-partidários suspeitam que o advogado e blogueiro, que quer disputar aPresidên- cia em 2018, seja um peão na disputa de poder entre os ali- ados do Kremlin. Mundo A12

Enqu anto a e lite esescocorrr egaa nan mate mám átit ca, o P iauí
Enqu anto a e lite esescocorrr egaa nan mate mám átit ca,
o P iauí se salva
Co tidiano B1 e B 3

Alunos da escola Augustinho Brandão, em Cocal dos Alves (PI), que desde 2006 ganhou 131 medalhas na Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas

espor te B8

CIRCULAÇÃO

314.108 (impressos+digitais)

São Paulo visita Santos no 1º

jogo após demissão de Ceni

AUDIÊNCIA

24.015.093 visitantes únicos/mês

de Ceni AUDIÊNCIA 24.015.093 visitantes únicos/mês AT MOS FER A Cotidiano B2 Ar seco garante dia

AT MOS FER A Cotidiano B2 Ar seco garante dia de tempo firme

Mínima 12°C Máxima22°C

seco garante dia de tempo firme Mínima 12°C Máxima22°C Regra a tua l para aposentador ias

Regra atua l para aposentador ias piora desigua ldade

Criada em 2015, a fórmula 85/95 paraocálculo da apo- sentadoria agr avou a desi- gualdade de renda e custa ao men os R$ 200 milhõ es por mês aos cofres públicos. A regra elevou a diferença de benefícios entre os mais ricos, com trabalho formal, e os sujeitos a vagas com vín- culos precários, que se apo- sentam por idade. Mercado A24

VI NICI US TO RRE S F RE IR E

NE responde por 69% da perda de empregos no pa ís

Mercado A22

EDI TORIA IS Opinião A2

Leia “Cotas falhas”, so- bre critérios da reserva de vagas adotada na USP , e “Ameaça norte-corea- na”, acerca de programa nuclear de Kim Jong-un.

A2 opinião DOMI NGO, 9 D E J ULHO DE 201 7

ab

ab

U M J O R N A L A S E R V I Ç O D O B R A S I L

PUBLI CADO DES DE 192 1 - PROPRIED ADE DA EMPRE SA FO LH A D A M AN HÃ S.A.

Presidente: LU IZ FR IAS

Diretor Editorial: OTAV IO FRI AS F I LH O

Superintendentes: ANTON IO MA NUEL TEIXEIR A M ENDES E J UDITH BRI TO

Editor- executivo: SÉR GI O DÁV ILA

Conselho Editorial: RO GÉRIO CE ZAR DE CER QU EIR A L EI TE, MAR CELO C OE LH O, JA NIO DE FRE ITAS, C LÓVIS RO SS I, CARLOS HEI TO R C ONY, C ELSO PI NTO, AN TO NI O M AN UEL TEI XEI RA ME NDE S, LU IZ FRI AS E OTAVI O F RI AS FIL HO (secretá ri o)

Diretoria- executiva: MARCELO BENE Z (comercial), MURILO BUSSAB (circulação), MARCELO MACHADO GONÇALVES (financeiro) E E DUARD O ALCARO (planejamento e novos negócios)

EDITORIAIS

editoriais@grupofolha.com.br

Cotas fal has

USP e rr a ao i nc lu ir cr itér ios raci ais n a mer itór ia rese rv a de vagas a a lu nos d a rede públ ic a; se ri a justo, a inda , cobr ar dos m ais f avorec idos

Há muito de ilusório no que co- mumente se chama de meritocra- cia. Uma grande capacidade inte- lectual, por exemplo, pode estar mais associada à loteria genética do que a esforços pessoais. O de- cisivo entorno familiar e cultural também se subordina ao acaso. Tais noções,maiso valor da mul- tiplicidade culturalede experiên-

cias, reforçam a ideia de que é le- gítimo e desejável tornar as uni- versidades públicas mais diversas

é de 37%. Dessa maneira, 18,5%

dos alunos da USP serão selecio-

nados a partir dessemétodo, ao fi- nal do período de implementação. Esta Folha lamenta o modelo adotado. Aqui se defende há tem- pos que o critério paraingresso es- pecial nas universidades seja ex- clusivamente social. Renda, ao contrário de cor, é algo objetivamente mensurável. Além do mais, dada a estreita cor- relação entre pobreza e pele mais escura, os negros também estari- am dessa maneira contemplados. Tal política evitaria ainda a pro- liferação das infames comissões de classificação racial, que evo- cam alguns dos piores momen - tos da humanidade. Parece mera

e,

nesse processo, contribuir para

questão de tempo a demanda por

que estratos socialmente prejudi-

centual deve aumentar ano a ano,

co

le giad os de sse ti po na US P, pa -

cados se emancipem.

ra

combater “fraudes” na autode-

Mais importante instituição de ensino superior do país,aUSP por anos resistiu à adoção de ações afirmativas. Cedeu agor a às pres- sões e implantará cotas sociais e raciais, conforme deliberação de seu Conselho Universitário. Metade das vagas será destina- da à ampla concorrência; as de- mais serão reservadas aestudantes oriundos da escola pública, com

claração —como se isso fosselogi- camente possível. No mais, não faz sentido susten- tar que uma família branca tão ca- rente quanto uma negr a não deva receber o apoio do poder público apenas devido a sua cor. Paraameta de buscar uma soci- edade mais igualitária, há um de- bate relevante e infelizmente ne- gligenciado n a agen da pública.

critérios de diversidade r acial.

Tr

ata-se da cobr ança de mensa-

A introdução do sistema será paulatina. Neste ano, 37% dos in- gressantes na universidade paulis- ta vieram da rede pública. O per-

até 50% em 2021. Esse contingente deverá refletir

lidades dos alunos cujas famíli- as tenham condições de pagá-las. Hoje os impostos incidentes so- bre todos, incluindo os mais po- bres, financiam a formação de pes- soas que, se já não figuram entre as mais ricas, tenderão a alcançar

a

proporção de pretos, pardoseín-

renda acima da média apenas por

dios na população do Estado, que

conseguirem título universitário.

Ameaça norte-coreana

Híbrido arcaico e bizarro de dita- dura stalinistaedinastia familiar,

o regime da Coreia do Norteého-

je, ao lado do terrorismo, a maior ameaça à segurança internacional. Sobaliderança de Kim Jong- un, o país vem desenvolvendo um progr ama nuclear par aafabrica- ção de ogivas atômicaseodesen- volvimento de mísseis de médio e longo alcance, capazes de atingir, além dos vizinhos Coreia do Sul e Japão, o território norte-americano. Em que pesem as pressõesinter- nacionais lideradas pelo governo dos EUA, os testes com artefatos nucleares prosseguem em segui- das demonstrações de irresponsa- bilidade e provocação. É como se olíder local, tomado por algum ti- po de demência, não conseguisse discernir entre realidade e delírio, repetindo a caricatura clássica de ditadores embriagados pelo poder. “Esse car a não tem nada me- lhor para fazer da vida?”, pergun- touopresidente americano, Do- nald Trump, numa rede social, lo- go depois do mais recente exercí- cio bélicodeKim Jong-un, no início da semana passada —quando os norte-coreanos testaram um míssil que supostamente poderia alcan- çar “qualquer lugar do mundo”. Há dúvidas, porém, sobre a efe- tiva capacidade de o país lançar, neste momento, ogivasàlongadis-

tância. Segundo especialistas, há grande diferença entreoteste rea-

lizado pela Coreia do Norte eodo-

mínio da capacidade de usar mís- seis balísticos em situações reais.

A questão que se apresenta ao

mundoécomo evitar que aquele país venha a desenvolver tal pe- rícia. Embora o fantasma de um conflito armado ronde as relações entreWashingtonePyongyang, é pouco provável que os EUA façam algum movimento nesse sentido.

Um ataquenorte-americano cer- tamente provocaria reações extre- madas eviolentas,com consequên- cias imprevisíveis.

O caminho a ser trilhado éoda

pressão diplomática —e sobretudo comercial. Os EUA têm constran- gido governo e empresas da Chi- na a interromper negócios com a Coreia do Norte. Os chineses, além da influência como potência regi-

onal, são os principais parceiros econômicos dos norte-coreanos. Isso não significa, contudo, que

os EUAeseus aliados devam aban-

donar o terreno militar. Exercíci-

os conjuntos com vistas a demons-

trar forçaseainstalação de siste- mas antimísseis na Coreia do Sul

e no Japão se fazem necessários.

São parte das ações que estão ao alcance do Ocidente par a tentar conter a saga nuclear de Kim Jong- un e seu reino de tempos remotos.

saga nuclear de Kim Jong- un e seu reino de tempos remotos. HÉLI O S CHW

HÉLI O S CHW ART SMAN

Desolaç ão

SÃO PAULO - A bioética, como já disse aqui, é a mais depressiva das especialidades filosóficas. Seus ma- nuais são uma coleção de situações médicas trágicas que geram dilemas sem solução. O caso do bebê Char- lie Gard ilustra isso com perfeição. Charlie tem 11 meses e está inter- nadonoGreat Ormond Street Hospi- tal, em Londres. Respiracom a ajuda de aparelhos. Ele sofre de uma sín- drome genética rara que afetaoDNA mitocondrial, de modo que suas cé- lulas não conseguem produzir ener- gia suficiente para funcionar bem. Os médicos do hospital julgam que estender a vida do bebê seria desu- mano. Comoospais não concordam,

a decisão foi para as mãos da Justi-

ça, que deu razão aos médicos, au- torizando odesligamento dos apare-

lhos. Houve recursos, mas a senten-

ça foi confirmada pela Corte de Ape-

lações,aSuprema Corte britânica e a

CorteEuropeiadeDireitos Humanos.

Ocaso, porém,ganhoudimensões

políticas. Os pais insistemnapossibi- lidade de um tratamento experimen-

tal e receberam o apoio de Donald Trumpedo Vaticano, que se ofere- ceram para tentar salvarobebê. The- resa May se pôs ao lado da Justiça, que não permite uma transferência. Não haverá final feliz aqui. Os mé- dicos e as cortes estão certos ao defi- nir que esforços terapêuticos preci- sam parar em algum ponto. Não dá para insistir em tratamentos fúteis. Por cruel que seja dizê-lo, é preciso pensar também em custos. Creio,en- tretanto, que os juízes avançaram o sinal ao vetar uma transferência sem ônus para o sistema. Ainda que ela possa prolongar o sofrimento do be- bê, essa é uma esfera da intimidade em que a Justiça sabiamente evitaen-

trar.Éraro cortes determinarem que pacientes/responsáveis desistam de um tratamento de câncer com míni- ma chance de sucesso, por exemplo.

Se existe um princípio heurístico

na sempre triste bioética, éode que

o respeito à autonomia do paciente

e seus familiareséquase sempre a resposta menos ruim.

helio@uol.com.br

BERNARDO MELL O F RANC O

O Temer de Te me r

BRASÍLIA - O derretimento de Mi- chel Temer começa a confirmar a máxima de que não existe espaço

vazio na política. À medida que o

presidente encolhe, abatido por no- vas prisões e delações, crescem a apostas no deputado Rodrigo Maia para ocupar o seu lugar.

A articulação saiu da sombra nes-

ta quinta, quando o senador Tasso

Jereissati declarou que Maia pode garantir “estabilidade paraopaís”.

Outro tucano, o senador Cássio Cu- nha Lima, disse ainvestidores que o governo “já caiu”eque o Brasil te-

rá um novo presidente “em 15 dias”.

Os holofotes se voltaram para o presidente da Câmara, que é o pri- meiro na linha sucessória da Repú-

blica. Ele pode retardar ou acelerar

a derrocada de Temer, do qual será beneficiário direto e imediato.

O deputado tem a confortável op-

ção de jogar parado. Se a Câmara

aceitaradenúncia, aPresidência cai-

rá em seu colo por 180dias, sem elei-

ção direta ou indireta. Isso oliberade

fazer campanha aberta pelo cargo.

No entanto, só haverá 342 votos par a afastar o presidente se Maia usar sua influência sobre o plená- rio. Ele terá que se tornaroTemer de Temer, reeditando a conspiração li- derada pelo peemedebista para to- mar a cadeira de Dilma Rousseff.

O deputado se movimenta com

discrição. Ele tem recebido agentes

de bancos e corretoras para repetir que seguirá a cartilha do mercado. Na sexta, tuitou uma espécie de pro- grama resumido de governo, no qual se comprometeu com a agenda das reformas. Foi uma versão em 140 ca-

racteres da “Ponte para o Futuro”, a plataformaliberal usada pelo ex-vice para atrair apoio do empresariado. Enquanto Temer cometia novas gafes na Alemanha, Maia passou os

últimos dias na Argentina, onde só se falou na sucessão no Brasil. Sua

comitiva incluiu o líder do centrão

e metade do “G8”, um grupo de de-

putados veteranos que conhecem to-

dososatalhos da Câmara.Em2016,o grupo atuou em conjunto para asse- gurar a aprovação do impeachment.

CARL O S H E I T O R C O N Y

O loboeocorde iro

RIO DE JANEIRO - Muita gente não sabe que a literatura começou com as fábulas. O próprio Cristo usou e até abusou ao transmitir seus ensi-

namentos por meio de parábolas,

que, no fundo, são fábulas com en- sinamentos ou advertências morais. Antes dele, Homero e Vírgílio, em

menor es cal a, tam bém f iz er am o mesmo. Fedro, grego, e, mais tarde, La Fontaine, francês, foram mestres em criar fábulas que ainda hoje per- tencem às prateleiras mais nobres da literatura universal. Uma das mais famosas é a do lo- bo e o cordeiro.Ambos estavam com

sede e for am ao mesmo rio (“Ad ri- vum eundem”). O lobo estava na

parte superior do rio, e o cordeiro,

na parte de baixo. Depois de algum tempo, o lobo foi reclamar com o

cordeiro que estava sujando a água

que bebia.

O cordeiro respondeu que não

podia sujar a água que o lobo be- bia. Indignado, o lobo retrucou, di-

zendo que o pai do cordeiro, tem-

pos atrás, havia sujadoaágua que era dele. Avançou sobre o cordeiro

e devorou-o. Essa fábula está sendo repetida nos dias atuais. Um ministro ou ou- tra autoridade qualquer faz uma vi- sita de pêsames à viúvadeum tesou- reiro qualquer, que era suspeito de

ter roubado o dinheiro da nação. Es- se simples fato é uma prova de que

o visitante era sócio da viúva, que é preso e obrigado a devolver um di- nheiro que não roubou. Juízes, policiais eamídia repe- temafábula, tão antiga que se tor- nou atual. Um funcionário honesto toma um ônibus, onde também via-

ja um suspeito de ter roubado o erá-

rio. Éobastante para ser acusado de

ser sócio do ladrão, é condenado e trancafiado na Papuda.

O suspeito alega inocência, mas a

polícia eaJustiça descobrem que o

pai dele, 20 anos atrás, foi padrinho de batizado do filho de um ladrão verdadeiro.Domesmo jeito, vai aca- bar na Papuda.

FÁBI O Z ANINI

O lado bom da vida

Um de meus maiores defei- toséootimismo. Consigo ver vantagem, por exemplo, em termos um boçalnaCasaBran- ca.Eum denunciado no Palá- cio do Planalto. Explico-me. Primeiro, sobre os Estados Unidos. Há muito

a figura do presidente precisa-

va ser desvalorizada. A reve- rência com que os americanos

tr atam se u c om andant e e m

chefe beira a que os egípcios de posi tava m n o f ar aó . I sso não combina com um sistema

democrático.

O l ado bom de Donald

Trump é que ele convida ao es- cárnio. B asta ler um de seus tuítes que a santidade dessa

figura que conhecemos como

líder do mundo livre, a rodar

o

planetaem seu Air ForceOne

e

ser personagem de blockbus-

ter ou série de TV, se esvai ra- pidamente.Éalgo saudável. Todos os presidentes ame-

ri ca no s t êm pro blemas. Ri-

chardNixon era o canalha, Ro- nald Reagan, o senil, Bill Clin- ton, o mentiroso. Nenhum de- lesera ridículo, no entanto. Es- sa pode ser a grande contribu- ição de Trump paraademo- cracia de seu país. Ridículo não quer dizerino- fensivo, obviamente. Em seis meses no cargo, Trump au -

mentou o estigma para muçul- manos, rasgou o melhor acor-

do ambiental da história e es-

tá sedento por uma guerra.

É provável que conservado-

res mais respeitáveis,como Ge- orge W. Bush (olheaque pon-

to chegamos), tivessem feito o mesmo. A diferença de Trump éaembalagem, não o conteú- do, mas nãoépouca coisa.

No Brasil, estamos àbeirado

terceiro presidente em dois anos emeio.Aderrocada de Mi- chel Temer temagrande van- tagem de mostrar os limites des- ta panaceia chamada parla- mentarismo. É assim queopre-

sidente se define, afinal: semi-

parlamentarista, com governo formado por congressistas em troca de apoioareformas. Isso vai muito bem em mo- mentos de tranquilidade, mas

se torna um inferno em uma crise. Fôssemos parlamenta-

ristas, talvez estivéssemos ca- minhando par aoquinto ou sexto primeiro-ministro da era Lava Jato. Seríamoscomo a Itá- lia, com seus 42 chefes de go- verno desde o pós-guerra, ou

o Japão da memorável frase de

Lula, onde se dá bom dia para

um primeiro-mini stro e b oa tarde para outro.

Se Temer cair, o que começa

aparecer ocenário mais prová-

vel, haverá um coro por conti- nuidadee estabilidadenum go- verno Rodrigo Maia, com o ar-

gumento de que o país não

aguenta mais solavancos.

É certo que Botafogo, às vol-

ta s c om suas próp rias men -

ções em delações, repetiria es-

te modelo semiparlamentar de

governo. E mais certo ainda

que novamente ficaria expos-

to a ser vitimado pela Lava Ja- to, reiniciando um ciclo inter- minável.

Ao menos no Brasil não cor-

remos o menor risco de endeu-

sar governantes como os ame- ricanos sempre fizeram. Veja pelo lado bom.

FÁBIO ZANINI é editor de “Poder”

a b

DOM INGO, 9 D E J UL HO DE 2 01 7 opinião A3

TENDÊNCIAS / DEBAT ES

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileirosemundiaisede refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

debates@grupofolha.com.br www.folha.com/tendencias

O A SSUNTO É UNIVERS AL , 4 0 A NOS

De z a nos se passa ra m

E L VIRA L O B A T O

Há dez anos, fiz uma reportagem sobre o patrimônio empresarial de

dirigente s d a I greja Unive rs al do Reino de Deus, que havia comple- tado naquela ocasião 30 anos de

ex istên cia. For am dois meses de

apuração, que me valeram o prêmio

Esso de jornalismo em 2008.

A reportagem, intitulada “Univer-

sal chega aos 30 anos com império empresarial”, foi um divisor de águas na minha vida profissional.

A igreja —por meio de alguns fi-

eisepastores— moveu 111 ações ju- diciais contra mim e contra a Folha, comaalegação de danos mor ais, sem, no entanto, contestar nenhu- ma informação contida no texto. Resta uma ação no Juizado Espe-

cial de Santa Maria da Vitória, na Ba- hia. Todas as demais tiveram senten- ças favoráveis a mim e ao jornal. Nesses dez anos, tornei-me, invo- luntariamente, referência para es- tudiosos e jornalistas que pesqui- sam a atuação da Universal no Bra- sil e no mundo. A igreja se tornou, como se sabe, instituição com pre- sença internacional cada vezmaior. Dei entrevistas a TVs e jornais de vários países e ainda sou procurada para relatar como o episódio repre- sentou uma ameaça à liberdade de imprensa. A Folha foi obrigada a se defender em ações simultâneas em localidades remotas,oque tornava

a defesa mais difícil e onerosa.

Co mo jo rn alista es pec ia li zada

em assuntos econômicos, acompa -

nhei a expans ão da Universal sob

a ótica econômica, não religiosa.

De 1992 a 2011, dediquei-me à co- ber tur a de t elecomunicações e r a- diodifusão pela Folha , da qual fui repórter por 27 anos. Noticiei, com exclusividade, os bastidores das aquisições da maior parte das emissoras que formam a Rede Record de televisão. Em 1999, fizarepor tagem que considero a mais importante daquela cobertu- ra, revelando que aUniversal finan- ciou a compra de emissoras de TV pormeio de empréstimos de empre- sas registradas em paraísos fiscais. Ao comprar aRecord, o bispo Edir Macedo, fundador da Universal, es- tabeleceu um novo paradigma na atuação das igrejas na radiodifusão. Elas iniciaram corrida não só pa-

ra conseguir suas próprias TVs, mas

para arrendar canais e alugar espa-

ços de emissoras comerciais. Quem se detiver na cober tur a da

Fi do Nesti
Fi do Nesti

A Unive rs al moveu 1 11 ações

jud ic ia is cont ra mi mecontr a

a Fol ha, se m, no enta nto, contesta r nen hu m d ado da mi nh a report agem

mídia efetuada p ela Folha a p ar tir dos anos 1990 verá que houve um esforço par a d ar tr ans parên ci a à propriedade da radiodifusão como um todo. For am inúmer as repor ta - gens sobre a c onc ent ração empre- sarial no setor e os avanços de to- das as denominações reli giosas nesse segmento. Mas só a Univer- sal retaliou.

O que a reportagem de 2007 reve-

lou que desagradou tanto à Univer- sal? Ela identificou o império em-

presarial erguido em nome de inte- grantes da cúpula da igreja: 23 emis- soras de TV e 40 rádios, além de 19 empresas de segmentos diversos,

como agência de turismo, jornais,

editora, imobiliária e até uma em- presa de táxi-aéreo, a Alliance Jet.

Vários juízes condenaram auto- res das ações por litigância de má- fé. Os principais veículos de comu-

ni ca çã o d o p aí s s ol id ari za ra m-se

com a Folha e comigo por entende-

rem que as ações judiciais tinham

o propósito de intimidar a impren-

sa e de desestimular a publicação

de novas reportagens sobre o tema.

O que mais me impactou naque-

le episódio foi o fato de o ataque ju-

dicial ter partido de uma instituição ligada a um grupo de comunicação, com jornais, rádiosetelevisão. Nesses últimos dez anos, não vi

nenhuma autocrítica de dirigentes da Universal sobre o que aconteceu, mas espero que tenham feito uma re- flexão e o caso nunca mais se repita.

ELVIRA LOBATO é jornalista e escr itora. Lança em outubro, pela editora Objetiva, livro sobre as televisões da Amazônia

O seg redo da Un iver sa l

E D I R M A CEDO B E ZERRA

Qualéo segredo do sucesso da Igreja Universal do Reino de Deus? Essa é uma das perguntas que mais ouvi nos últimos 40 anos. Em 9 d e julh o d e 197 7, de den tro de uma antiga funerária no subúr- bio do Rio de Janeiro, quando pre- gava para algumas poucas pessoas que ali compareciam, ninguém po- deria imaginar que estávamos ini- ciando um dos maiores movimen- tos de fé e de solidariedade que, r a- pidamente, ganharia o Br asil e se espalharia pelo mundo. Enfrentamos preconceitos e in- justiças. Lutamos contra tentativas de ce rc eam ent o p ra tica das por quem não aceita que é o homem que escolhe a fé que atendeasuas aspi- rações, não a fé ou igreja que esco- lhem o homem. Por outro lado, parte dos nossos agressores talvez não conheça o ver- dadeiro trabalho da Universal e o resultado dele na vida das pessoas.

Po r exemplo , n o e stímu lo aos

nossos 9 milhões de fiéis para que busquem o sucesso profissional e o conforto material que merecem. Nossos 7.157 templos e catedrais instalados em todos os Estados e no Distrito Federalenossas 2.857 igre- jas no exterior são campo fértil pa- ra encontrar gente que se reencon- trou com a vida e hoje prospera. Na união de homens e mulheres solitários, ajudamos na busca do verdadeiro amor que estabelece ca- sais e forma famílias, por intermé- dio da Terapia do Amor. Resgatamos dependentes do in- ferno do vício. Somente em 2016, fo-

A Pa lavr a de Deu s é a ra zão

pa ra te rmos cheg ado até

aqui .Eépor caus a del a

que temos a cer te za de que

va mos ati ng ir mu ito m ais

ram mais de 55 mil auxiliados por nosso programa Vício Tem Cura. Acolhemos moradores de rua, em um totalde560 mil atendimentos por ano, em nossos “Anjos da Madruga- da”. Ressocializamos detentos em to- do o Brasil. Entre os presos e seus fa- miliares, fazemos mais de 837 mil atendimentos por ano pelo progra- ma social Universal nos Presídios. Amparamos 56 mil mulheres ví- timas da violência doméstica com nosso programa Raabe. Mobilizamos milhões de jovens carentes ou sem perspectiva na bus- ca de um futuro como cidadãos de bem com a Força Jovem Universal.

Ofertamos afeto e atençãoa386 mil idosos abandonados por suas famílias com o programa Calebe.

A força para realizar tanto vem

de uma só fonte: da Palavra. Os professores, verdadeiros estei- os de nossa sociedad e, sabe m o quanto suas palavr as e ações po- dem afetar seus alunos. Assim formam médicos, que exer- cem a arte da cura; forjam engenhei- ros nas mais variadas vertentes; ar- quitetos que projetam casas, pon- tes e cidades. As palavras dos professores tam- bém concebem políticos e governan- tes que criam, fiscalizame executam

leis para beneficiar a população.

Mas seapalavra de um professor forma aqueles que desenvolverão na- ções e feitos incríveis, o que dizer da Palavra deDeus, do que Ela pode fa-

zer na vida daquelesque Apraticam? Essa Palavra nunca volta vazia. Ela se cumpre, exatamente como está escrito, independentemente da passagem do tempo. Ela é eficaz. Pois bem: é por causa d’Ela que

a Universal tr abalha. E é por isso que tem superado todo tipo de ad- versidade e chegou até aqui com re- lativo sucesso. Sucesso por ter atravessado fron- teiras, superando barreiras de dife- rentes línguas, costumes, cultur as, religiões, sociedades ultr aconser- vadoras e muito mais.

O êxito, no entanto, é relativo.

Ainda há muitooque se fazer para divulgar essa Palavra mundo afora.

E esse éonosso principal foco.

Essa Palavra é o poder das Sagra- das Escrituras fluindo comooven-

to do Espírito na transformação de

vidas recuperadas em todos os sen-

tidos. A Palavra de Deus éarazão para termos chegado até aqui. E é por causa dela que temos a certeza de que vamos atingir muito mais. Aos 40 anos de existência, nós, da Universal, dedicamos tudo isso

a Deus eàSua Palavr a. Estamos firmes na certeza, abso- luta, de que o Céu e a Terra passa- rão, mas as Palavras do Altíssimo não hão de passar (Mateus 24:35).

BISPO EDIR MACEDO BEZERRA é líder espir itual e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus

PAINEL DO LEITOR

A seção recebe mensagens pelo e-mail leitor@grupofolha.com.br, pelo fax (11) 3223-1644 e no endereço al. Barão de Limeira, 425, São Paulo, CEP 01202-900. A Folha se reserva o direito de publicar trechos.

Delação

O bangue-bangue entre An-

tonio Palocci e Guido Mantega tem um viés interessante (“Pa-

locci diz que Mantega fez cen-

ASSUNTOS MAIS

COMENTADOS DA SEMANA

MICHEL TEMERdiz que Mantega fez cen- ASSUNTOS MAIS COMENTADOS DA SEMANA 17 % tr al de venda

17% %

tr al de venda para bancos”, “Po-

der”, 8/7). É sabido que minis- tros da Fazenda, do Planejamen- to, diretores do B anco Central, entre outros, sempre se utiliza- ram de informações privilegia- das para beneficiar setores e em- presas específicas. Foram muitos

os que saíram da iniciativa priva- da, com salários milionários, pa-

CORRUPÇ ÃOe em- presas específicas. Foram muitos os que saíram da iniciativa priva- da, com salários milionários,

8% %

LULA6 %

6 % 6%

TOTAL*: 788 mensagens

Total de comentários no site da Folha de 1º.jul. a 7.jul: 3.873

ra fazer parte de governos, rece-

bendo valores infinitamente me- nores. Quanto amoràpátria!

ARLINDO CARNEIRO NETO (São Paulo, SP)

*Soma das mensagens env iadas para a Folha

Cotas na USP

Sempre que se discuteaques-

tão de cotas nas universida-

O

PT sempre acusou os go-

des públicas aborda-se a ques- tão no topo, e não na base. Assu-

vernos anteriores de benefici-

ar

os banqueiros. Se de fato for

me ares demagógicos a preten- são de equalizar os desníveis so- ciais comasimples adoção de re- servas de vagas, quando o pro- blema de acesso à universidade não está na condição social ou

esse o conteúdo de uma possí- vel delação de Palocci, a ima- gem do partido irá sofrer mais

um forte baque. As pessoas es- clarecidas sabem muito bem que

o

discurso do PTéuma farsa.

étnica do candidato, mas na bai- xa qualidade do ensino básico

oferecido pelo próprio governo.

OTÁVIO CARVALHO (Petrolina, PE)

Caso tudo seja verdade, o com- portamento de Guido Mante- ga foi asqueroso. Como conse- quência, formou-se um cartel no sistema bancário. Sem concor- rência verdadeira, o consumi- dor fica exposto a maiores pre- ços pelos serviços prestados, os quais tendem a piorar de quali- dade, pois certamente existe fi- xação de preço entre os atores.

CLOVES OLIVEIRA (Valinhos, SP)

São muito estranhas essas de-

lações. Segundo a reportagem, para aceitar fazer acordo, os in-

vestigadores exigem que o pre-

so confirme informações feitas em outras delações. E tudo ocor-

re sem apresentação de prova al-

guma. É forte o cheiro de perse-

guição política. Não éàtoa que

Lula cresceacada pesquisa.

BIANCA MIRANDA (Viçosa, MG)

G20

Ninguém deuamínima impor- tânciaaMichel Temer na reuni- ão das principais economias do

mundo, na Alemanha (“Com cri- se política, Temer deixa cúpu-

la do G20 antes do fim”, “Mun-

do”, folha.com/no1899571). Os líderes mundiais sabem que ele não representaoBrasil, já que está prestesaser apeado do car- go e de prestar contas à Justiça.

ANTONIO RIBEIRO (São Paulo, SP)

Governo encurr alado

Centrar a defesa na desquali- ficação da gravação feita por Jo- esley Batista não representa uma confissão de culpa do presidente Temer? Até agora ninguém ofe- receu uma explicação crível pa-

ra

da por Rodrigo Rocha Loures, ho-

mem de confiança do presidente.

ALEX STRUM (São Paulo, SP)

a mala com R$ 500 mil recebi-

Emagrecedores

FRANCISCO MANOEL DE SOUZA (Rio Claro, SP)

Fiquei impressionada com os malabarismos retóricos utiliza- dos pelo professor Sérgio Almei-

da para disfarçar seu preconcei-

to contra pobres em geral,ene-

gros em particular, ao combater

a política de cotas da USP (“B o-

as intenções, maus resultados”, “Tendências / Debates”, 8/7). Ar-

gumentar que a presença de pes-

soas pobres de escolas públicas

vai afastar “ bons alunosebons professores” é a forma mais des- carada de dizer que lugar de po- bre não é na Casa Grande.

MACER NERY FILHO (Campinas, SP)

Colunistas

Em sua coluna, Reinaldo Aze- vedo escreveu uma série de bar- baridades contra o procurador- geral da República, Rodrigo Ja- not (“O vomitador-geral da Re- pública”, “Poder”, 7/8). Pare- ceu-me uma totaledesneces- sária falta de respeito para com uma alta autoridade do país, le- galmente constituída, por mais que Reinaldo não concorde com seus métodos de atuação.

MARIA ELISA AMARAL (São Paulo, SP)

Acompanhoacoluna de Lu-

iz Felipe Pondé com atenção.

Ele sempre aborda temas ins- tigantes com muita propri- edade. Foi o que aconteceu com “O Pai” (“Ilustrada”, 3/7). Após sua leitura, não podemos mais ficar indiferentes ao as- sunto ali abordadoenem dei- xar de refletir sobre a questão.

ANTÔNIO DÍLSON PEREIRA (Curitiba, PR)

Para exemplificar sua decep- ção com o país, Alexandre Sch- wartsman ataca a defesa que a senadora Vanessa Gr azziotin (PC do B-AM) faz da Zona Fr an- ca de Manaus, na região Norte,

Em que país estamos? A Anvi-

a

mais carente da nação (“Dei-

sa, responsável pela liberação de medicamentos, proíbe, com to-

xai aqui todaaesperança”, “mer- cado”, 5/7). Quanto à zona (na-

da a razão, inibidores de apeti- te, e políticos aprovam lei permi- tindo a sua produção e comér-

da franca) de São Paulo, o Esta- do mais próspero, sobodomínio das falcatruas do tucanato, nada

cio?AAnvisa, de todas as manei-

a

declarar. Éaética de quem de-

ras possíveis, precisa impedir o uso dessas substâncias nocivas.

fende justiça na casa dos outros, mas pede misericórdia na nossa.

WERNER ZIMMERMANN (Florianópolis, SC)

ADEMAR G. FEITEIRO (São Paulo, SP)

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ERRAMOS

erramos@grupofolha.com.br

SAÚDE+CIÊNCIA (3.JUL , PÁG. B6) A

linha do tempo que acompanha a reportagem “Uma Vida Positiva” informouerroneamente que houve quebra de patente de medicamen- tos anti-HIV em 2001. O ano corre - to é 2 007, qua ndo houve lic en ci- amento compulsório do remédio

Efavirenz, da farmacêutica MSD.

ILUST RADA (C2, 27.JUN) Na no ta “Na pista”,orelógio Hublot Ayr- ton Senna foi identificado incorre- tamente como Rolex Hublot Ayr- ton Senna.RolexeHublot sãomar- cas diferentes.

Danilo Verpa/Folhapress

C CELEBRAÇÃO O b ispo Edir Macedo comanda culto no coreto da praça Jardim do Méier, no Rio, neste sábado (8); o evento faz parte da comemoração dos 40 anos da Igreja Universal do Reino de Deus, completados neste domingo Pág. A10

EF DOMING O, 9 D E J ULHO DE 201 7 A4
EF
DOMING O, 9 D E J ULHO DE 201 7 A4
domingo Pág. A10 EF DOMING O, 9 D E J ULHO DE 201 7 A4 poder

poder

PAINEL

DA NIEL A L IMA

painel@grupofolha.com.br

Fato s te i mo sos

Michel Temer tem sido aconselhado a reorganizar o plano do governo paraaeconomia, adaptando-o ao no- vo tamanho de sua base no Legislativo.Dentro do pos- sível, iniciativas que requeiram o aval de dois terços do Congresso, como a PEC da Previdência, seriam substi- tuídaspor projetos de lei, que podem ser aprovados por maioria simples. O presidente mostraria que, caso so- breviva às denúncias de Rodrigo Janot, ainda teriacapi- tal político suficiente para tocar a agenda de reformas.

tal político suficiente para tocar a agenda de reformas. De AaZ Com as informa-   Me

De AaZ Com as informa-

 

Me mó ri a v iva Em s eu

ções de que a proposta de de- lação de Eduardo Cunha im- plicará não só o presidente, mas a cúpula do Congresso,

périplo pelo Senado, Raquel Dodge, indicada par a a che- fia da PGR , afirmou a parla- mentares que, caso assuma o

ga

nho u f orça entr e a liados

cargo, quer provocar o Supre-

de

Temer a tese de que, se in-

mo a reabrir o debate sobre

sistir em rifar o presidente, a

a

revisão da Lei da Anistia.

Câmara caminhará par a um “haraquiri político”, dando o

 

Agora vai Em 2010,acor-

controle do país à L ava Jato.

te

manteveavalidade da lei

No duro? No Congresso, peemedebistas têm dito que

que perdoou crimes políticos da ditadura. Em 2014, o PSOL entrou com novo pedido de

o

P SDB er ra ao ac har que ,

revisão, mas o processo pa-

abraçando o nome de Rodri- go Ma ia, criará um a p ont e

rou. Dodge disse a senado- res ter a expectativa de que

segura par a 2018. Lembr am

a

atual composição do STF

que, se vingar, Maia será can- didato à reeleição, dividindo

seja mais sensível ao tema.

Procuradoria deixa

superfaturamentos

de lado na Lava Jato

Força-tarefa em Curitiba não usou laudos da Polícia

Federaledo TCU que registravam sobrepreço em obras

grupo que dá sustentação a presidenciáveis tucanos. o Meupessoal Dodge sina- perfaturamento no âmbito do
grupo que dá sustentação a
presidenciáveis tucanos.
o
Meupessoal Dodge sina-
perfaturamento no âmbito do
Fênix Em meio à expec-
tativa de que R odrigo Maia
(DE M-RJ) se viabilize como
sucessor de Temer, o DE M to-
lizou a integr antes do Minis-
tério Público Federal ainten-
ção de colocar os procurado-
res Raquel Branquinho e José
Alfredo de Paula Silva na co-
ordenação da força-tarefa da
Um dos argumentos
para que o tema tenha
sido escanteado foi o de
não atrasar ações cíveis
para cobrar empresas
ca
um processo de refunda-
Lava Jato. Eles atuar am com
possível, reconstituição. Por
isso é que o TCU eaPF fize-
ram cálculos do tipo econo-
métrico ou estimado sobre os
pote nciais prej uízos”, de
acordo com a Procuradoria.
Mas o Ministério Público
não descartaapossibilidade
próprio TCU. Após uma me-
lhor definição desses valores,
poderão ser propostas novas
ações”, dizaforça-tarefa.
Nos processos de improbi-
dade adm inistra tiva contra
empreiteiras já apresentados
ção da sigla. Quer dobr ar a
bancada na Câmara em 2018.
o
ex-procurador-geral Rober-
de usar as apurações a respei-
à
Justiça Federal no Paraná,
FLÁVIO FERREIRA
to
Gurgel no mensalão.
os pedidos de indenização fo-
MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO
Moder ados Hoje com 29
Foco e fé A colegas o ju -
to de sobrepreços em proces-
sos futuros.“Estrategicamen-
te, optou-se por aguardar o
dep ut a dos em ex er cíc io , o
iz
Sergio Moro tem dito que
Ap esar da ex ist ênci a d e
amadurecimento dos cálcu-
ram feitos com base no per-
centual de propinas delatado
em colabor ações premiadas,
DE
M f ler ta com nomes do
o
t rabalho sobre a a ção do
laudos da Polícia Federal e do
los e discussões sobreosu-
PSB e do PSD. Par a conquis-
ex
-p res id en te Lu la no caso
tar novos integr antes, admi-
TCU (Tribunal de Contas da
União) mostrando superfatu-
como a do ex-diretor de Abas-
tecimento da Petrobras, Pau-
do trí plex n o G uarujá (S P)
lo
Roberto Costa.
te
até reformular o progr ama
tem exig ido bastante tempo
ramento em obras de emprei-
OUTR O L ADO
do partido, colocando-o co-
mo de centro-direita.
e
dedicaç ão.
Fique onde está A ero-
são da base política de Temer
coincidiu, novamente, com
viagem do presidente ao ex-
terior, desta vez ao G20. Ali-
ados recomendar am não re-
petir mais a aventura.
Aguardai O magistr ado,
resp on sável pe la Lava Ja to
em Curitiba, não dá, porém,
estim ativa de qua nd o d eve
Meta é ace le ra r
processos,
Segundo os delatores, o su-
borno correspondia a 3% do
valor das contratações,etal
critério foi usado pela Procu-
radoria para pedir as indeni-
zações às empresas.
zforça-t arefa
proferir seu veredito. Petistas
esperam uma decisão do juiz
teir as envolvidas na Opera-
ção Lava Ja to, o M inistéri o
Púb lico Feder al op tou por
não tratar do assunto ao pro-
por ações para cobrarindeni-
zações das construtoras.
No acordo da delação assi-
nada pela Procuradoria com
di
a
qualquer momento.
a
Odebrecht, em dezembro,
DE S ÃO PAULO
Porém, em muitos dos ca-
sos analisados pelos peritos
da PF e do TCU, os percentu-
ais de superfaturamento são
tema de sobrepreços tam-
bém não aparece.
o
muito mais elevados que os
Promess aédívida Na
O
M inistério Públi co
das propinas.
Rússia, Temer anunciou que
havia promulgado acordo pa-
ra evitar a dupla tributação.
Os empresários, porém, con-
tinuam esperando a publica-
ção do decreto. Sem ele, di-
zem, as multinacionais brasi-
leir as concorrem em desvan-
tagem naquele país.
O
principal motivo alegado
pela força-tarefa par a n ão
usar as auditorias foi a neces-
sidade de evitar atrasos nas
causas cíveis de improbidade.
Porém, caso o superfatura-
mento tivesse sido levado em
afirma que adota a estraté-
gia de não incluir laudos
da PF e do TCU nas ações
de indenização para agili-
zar os processoseque es-
Um dos levantamentos do
TCU, por exemplo, indica que
no projeto do Comperj (Com-
plexo Petroquímico do Rio de
Janeiro),oprédio construído
sa
conduta tem se mostra-
do eficaz na Lava Jato.
pa ra ab riga r o s f is cais da
obra, no valor de R$ 70 mi-
conta, as indenizações cobra-
das das empresas poderiam
ter sido maiores.
Sobre a ausência do tema
A
Odebrecht diz que co-
labora com as apur ações.
lhõe s, te ve so bre preç o d e
R$ 17 milhões, ou seja, 24,2%
A
P roc ur ad or i a r el ata
Millen nial O p res id en -
Siga o mestre O já aque-
te
fr ancês, E mmanuel Ma-
cido mercado de acordos de
leniência ganhou um player
na colaboração premiada da
Odebr ec ht ,aP rocu ra doria
diz que a empreiteira reco-
que aoiniciar os processos
“jáhavia elementosdepro-
do total do contrato.
Indaga da també m s ob re
sobre o fato de a Odebrecht
cron, chamou atenção pela
inform alidade. Pe ndurou o
terno no espaldar da cadei-
va
muito consistentes” so-
de peso. Após a quarentena,
bre propinas e fraudes, que
não ter reconhecido superfa-
turamentos nos depoimentos
o
ex-ministro Va ldir Simã o
ra, falou com camisa br anca,
chamou Trump, dos EUA, de
“Donald”. Honrou os 39 anos
(Planejamento e CGU), que
regulamentoualei que pre-
vê o mecanismo, começou a
nheceu “implicitamente” ter
inflado preços quando admi-
tiu ter participado de um car-
tel para fraudar as licitações.
er am su ficientes par a
pedir condenações.
dos acordo de delação premi-
ada, a Procuradoria respon-
Se
gu nd ooM ini st ério
Público, órgãos como aAd-
deu que “o reconhecimento
da prática do cartel é, impli-
de
idade, o caçula do G20.
captar clientes no mercado.
A
posição da Odebrecht é
vocacia-Geral da União ou
citamente, um reconhec i-
a
de
que as propinas delata-
p ró pr ia Pe trobr as ta m-
bém podem propor ações
relacionadas ao superfatu-
ramento, com base em le-
vantamentos próprios.
Ainstituição diz que sua
conduta não traz prejuízo
aos cofres públicos, pois as
a
d com THAIS ARBEX e JULIA CHAIB
das às autoridades do Brasil,
EUA e Suíça não foram pagas
para superfaturar valores de
projetos, mas apenas para ga-
mento da fixação artificial e
inflada de preços fora de um
ambiente competitivo”.
MU DA NÇ A DE V ER SÃO
Eles são altamente qualificados, da a cademia
e do mercado, mas ten ho excesso de
alternat iva s para substituí-los no banco.
rantir as vitórias nas licita-
ções eocumprimento regu-
lar dos contratos.
Em relação ao tema dos su-
perfaturamentos, Costa mu-
dou de versões na Lava Jato.
A
Procur adoria diz que o
não uso das auditorias da PF
ações de ressarcimento ao
erário não prescrevem.
Em depoimento no dia2de
setembro de 2014, ele disse
DE PAULO RABELLO DE CASTRO, presidente do BNDES, sobre a saída de dois
diretores da instituição por divergências com medidas anuncias por ele.
do TCU nos processos de in-
denização é uma estratégia
para permitirodesfecho rá-
pido das causas judiciais.
“Caso o superfaturamento
e
De
acordo com a força-
tarefa, o valor das propinas
que “empresas fixavamemsu-
as propostas uma margem de
“é
líquido e certo”, e os su-
bornos “fazem parte do su-
perf atur amento , e mb or a
sobrepreço de cerca de 3% em
média, a fim de gerarem um
excedente de recursos aserem
fo
ss
e i ncluí do nas mesmas
nãooesgotem”.
repassados aos políticos”.
ações, i sso po deria leva r a
uma discussão sobre a neces-
sidade de perícia dentro do
processo, o que poderia atra-
sar em muitos anos a conclu-
“M
esmo nos cas os em
Po rém, em 9 d e abr il d e
Zona de turbulência
que o TCU já terminou seu
2015, adefesa do delator apre-
No início da semana, um dirigente petista embarcou
em um voo saindo de São Paulo para Brasília.
Enquanto a tripulação se preparava paraadecolagem,
ju
lg amen to, a c ob ra nç a
desse valor por via judici-
sentouàJustiça uma petição
na qual negou a ocorrência
al
é demorada, pois os réus
a
comissária se apresentou e anunciou que ela eraares-
são dessas ações”, segundo
terão o direito de questio-
de superfaturamentos, posi-
ção alinhada à da Odebrecht
ponsável pela equipe a bordo. Como de praxe, disse que
a
força-tarefa.
nar os cálculos”, afirma.
e
de outras empresas.

o comandante tinhaoprazer em receber os passageiros

daquele voo e desejouatodos uma boa viagem. Acostumado com os deslocamentos semanais à capi- tal feder al,opolítico só prestou atenção em duas partes

da fala e, rindo, cutucou o passageiro ao lado:

— Quando os sobrenomes do piloto e da aeromoça são SerraeMercadante, é sinal que estamos em risco.

O Ministério Público Fede-

ral também levanta dúvidas sobre aprecisão dos laudosda PF e do TCU. Os preços reais de produ- tos e serviços de obras “são fatores de difícil, se não im-

A Odebrecht diz que es-

tá ajudando a Justiça do Brasiledos países em que atua e assinou acordos de leniência para elucidar os fatos sob investigação.

Ao apresentar sua nova po- sição, a alegação do ex-dire- tor da Petrobras foi a de que os subornos “eram retirados da margem [delucro] das em- presas” e que “não se pode dizer que houve sobrepreço”.

REGRA DE 3%

EMPREITEIRAS

Odebrecht e OAS

sobrepreço”. REGRA DE 3% EMPREITEIRAS Odebrecht e OAS VALOR DO CONTRATO dez.2009 R$ 3,2 bi 2015

VALOR DO CONTRATO

dez.2009

R$ 3,2 bi

2015

R$ 3,7 bi

e OAS VALOR DO CONTRATO dez.2009 R$ 3,2 bi 2015 R$ 3,7 bi O QUE DIZ

O QUE DIZ A

AUDITORIA DO TCU?

R$ 700 mi

de sobrepreço no contrato, em valores atualizados

O QUE O MINISTÉRIO PÚBLICO CONSIDEROU?
O QUE O MINISTÉRIO
PÚBLICO CONSIDEROU?

R$ 95 mi

de indenização,

correspondente a 3% do valor do contrato

de indenização, correspondente a 3% do valor do contrato Os 3% sãooporcentual de propina delatado por

Os 3% sãooporcentual

de propina delatado

por colaboradores

da Lava Jato

a b

DOMING O, 9 D E J UL HO DE 2017 poder A5

GOVERNO EN CURRAL ADO

Meirelles já discute cenário Maia e quermais autonomia

Uma das condições estudadas éocontrole maior sobreapauta econômica

Um dos pontos em que ele pretende ampliar sua influência em um novo governo é sobre a cúpula do BNDES

BRUNO BOGHOSSIAN

MARINA DIAS

DE BR ASÍL IA

de aperto fiscal. Aliados apontam que uma das principais condições pa- ra a permanência de Meirel- les no Ministério da Fazenda seriaagarantia de que ele po- deria nomear uma nova cú- pula para a instituição. A disposição do ministro diante de uma mudança de governoécomedida porque

a dificuldade de recuperação econômica criou obstáculos para seus planos políticos. Me ir el le s p ro je tava uma

bém é u ma ex pectativa de parte da classe política que acena com apoio a Maia. Em uma conversa nesta semana,

candidatura ao Planalto em

o

presidente do PSDB, Tasso

2018, ancorada no discurso

Jereissati, que defende o de-

de que ele teria sido o ideali- zador de medidas que tirari- am o país da recessão.

sembarque do partido do go- verno Temer, disse ao presi- dente da Câmara que Meirel-

A manutenção do coman-

les é essencial para garantir

do da equipe econômica tam-

a

estabilidade do país.

Edu ardo Anizelli/Folha press

a estabilidade do país. Edu ardo Anizelli/Folha press Henrique Meirelles, durante reunião na semana passada Co

Henrique Meirelles, durante reunião na semana passada

Co ns id er ado peça-c have

em uma eventual mudança de co mand o n o g overn o, Henrique Meirelles já discu- tiu, reservadamente, a possi- bilidade de permanec er n o Ministério da Fazenda caso Michel Temer seja substituí- do por Rodrigo Maia. Em conversas com aliados

e investidores sobre a deteri-

oração do cenário político, o

ministro apontou que a equi- pe ec onômica só acei taria

permanecer sobumnovo pre- sidente caso haja gar antias de au to nomi a a mpli ada —principalmente sobre a es- colha da cúpula do BNDES. Ao longo da semana, Mei- relles se reuniu com represen- tantes do setor financeiro que

o questionaram sobre o futu-

ro da política econômica ca- so Maia assuma a Presidên- cia da República. Ouviu ape- los para que fique no minis- tério nessa hipótese.

O mercado quer atualizar

suas previsões sobre a conti- nuidade da agenda de refor-

mas proposta por Temer, tra- vada com a crise política pro- vo ca da pel as acusaç ões de corrupção contra o presiden- te. Pondera se Maia, que tem relação direta comoplenário da Câmara, teria capacidade de retomar esses planos.

A principal preocupação é

a r ea lizaçã o d a r ef orma da

Pr ev idência. Inve stidores e

banqueiros acreditam que Te- mer perdeu capital político e não será capaz de conduzir mudanças nas regras de apo-

sentadoria na dimensão que julgam necessária. Maia ten-

ta convencer o setor financei-

ro de que pode ser um novo

fiador dessa agenda. Na avaliação da equipe de Meirelles, uma reorganização do núcle o d o Planalt o e m uma mudança de presidente poderia gerar dúvidas sobre

a manutenção dessa pauta.

Uma das incógnitas seria a permanência de Eliseu Padi- lha na Casa Civil.

O ministro foi o principal

articulador da proposta de re- forma da Previdência de Te- mer. Apesar de embates en- tre as equipes política e eco- nômica, Meirelles considerou Padilha um ator importante no avanço do projeto. Um possível deslocamen- to do atual chefe da Casa Ci-

vi l p ar a u ma pasta for a d o

Planalto, num eventual go-

ve rno Maia, enfr aque ceria,

na visão desses auxiliares de Meirelles, as negociações po- líticas da reforma. Por enquanto, Meirelles só trata timidamente da possi- bilidade de permanecer em uma equipe de Maia. Lembra que, quando aceitou ser omi- nistro da Fazenda de Temer, em maio de 2016, negociou cláusulas que lhe dariam li- berdade para escolher seu ti- me e estabelecer os rumos da política econômica. Sob Maia, dizem auxilia-

res, seria necessária uma re- negociação dos termos, com uma ampliação de seu poder.

Me irelles já de mo n strou

incômodo com interferênci- as da ala política do governo

Temer sobre aspectos que im- pactam diretamente as con-

tas públicas. Reclamou tam- bém da escolha de Paulo Ra- bello de Castro para presidir

o BNDES, por considerar que

o economista abriu os cofres do banco em um momento

de Paulo Ra- bello de Castro para presidir o BNDES, por considerar que o economista abriu

A6 poder DOMING O, 9 D E J UL HO DE 20 17

ab

OM BUDSMAN

PAUL A CESARINO COSTA

ombudsman@grupofolha.com.br

folha.com.br/ombudsman

De frente para o crime, de costas para afavela

Contra a própria história, Folha derrapa ao assumir posição da políciaereforça a criminalização da pobreza

NA MI RA. É como se sentem mi- lhões de morador es das fa ve las brasileiras, personagens de notíci-

as diárias que en volvem tráfico de

drogas, violência, miséria e pobre- za. Na mira da polícia e na mira da imprensa, que insiste em manter

quase indissolúvel o vínculo entre

os termos favela e crime.

“Na mira” eraaexpressão que estava na primeira página da Fo- lha de 4 de julho, abaixo da foto aérea de uma favela e antes da se-

guinte legenda: “Projeto do prefei-

to de São Paulo, João Doria, pre-

tende acabar comafavela do Mo- inho, apontada pela polícia como

fornecedora de drogas paraacra- colân dia a1km d ali ; morad ore s seriam le vados para outro local”. O título da reportagem interna afirmava: “Doria quer remover fa- vela fonte de drogas para cracolân- dia de São Paulo”.Otexto começa-

va assim: “A Prefeitura de São Pau-

lo pretende remover as famílias que

moram na favela do Moinho, apon- tada pela polícia como a principal

fornecedora de drogas paraacra- colândia do centro de São Paulo. O projeto se tornou uma das priorida- des da gestão João Doria (PSDB).

O obj etiv oés ufoc ar o f luxo d e

usuários localizado a cerca de 1km”.

A generalização éimprecisa e cri-

minaliza todos os moradores.Alei-

tora Margarida Gorecki resumiu o problema com proficiência: “A co- meçar pelo título _ele parte de uma afirmação da polícia de que a favela éatal ‘fonte de drogas’,oque pas- sa a ideia de responsabilização do

território e seus moradores, e não de uma cadeia complexa de tráfi- co. Na matéria, falam apenas que

a favela é ‘apontada pela polícia’

como fonte de drogas, sem expli-

car exatamente como esse le vanta- mento foi feito. Dá a entender que a comunidade é responsável e se for deslocada, mesmo que para áreas

próximas ,op rob lema aca ba rá.

O

P CC não é mencionado”.

Pouco tenhoaacrescentar. A fa-

vela pode abrigar traficantes, pode conter locais com drogasearmas escondidas,mas a comunidade não éafornecedora de drogas.

O editor do núcleo de Cidades,

Eduardo Scolese, defende a opção

editorial. “A afirmação da reporta- gem é baseada em investigações po- liciaisejornalísticas. O movimen-

to de drogas da favela em direção

à cracolândia é de conhecimento

das polícias Civil e Militar de SP e dos repórteres que acompanham o

dia a dia da cracolândia e dessa co- munidade. Por issootítulo assume, sim, que a favelaéfonte de drogas paraacracolândia. Estamos falan-

do de um local,enão dos moradores

Car vall

Estamos falan- do de um local,enão dos moradores Car vall de forma generalizada.” A resposta do

de forma generalizada.”

A resposta do editor não escon-

de que a reportagem padece tam-

bém do mal de limitar-se exclusi- vamente a fontes oficiais —no caso, PM, Polícia Civil, prefeitura e órgãos públicos de habitaçãoetrânsito.

É e vidente que uma das formas

de evitar _ou diminuir_acrimina-

lização das favelas no noticiário é a diversificação das fontes das repor- tagens. Ouvir moradores com mais frequência ajudaria a quebrar o es- tigma de que favelas são apenas territórios de medo, controlados

por facções criminosas.

No caso específico, a Folha de- mo nstrou ina petência para c riar narrativa mais plural e menos pre- conceituosa. Ao menos por precisão, cabe aos jornalistas fazeradistin- ção clara entre trabalhadores que moram em favela —reconhecidos co mo a m aioria da popula ção—

e grupos com atitudes criminosas. Em sua história, a Folha demons- trou-se sensível ao tema. Em 2007, após o então governador fluminense Sérgio Cabral Filho (PMDB) referir- se à Rocinha como “fábrica de pro- duzir marginal”, o jornal publicou editorial em que definia o episódio como “lamentável insulto” e alerta- va para infeliz correlação automáti-

ca entre favela e crime feita pelo go- vernador. Afirmava o texto: “Tal cor- relação,épreciso ressaltar, se ma- nifesta no pensamento de conside- rável fatia da população”. E conti- nuava: “Das planejadas ações de ‘higienismo urbano’, visando a var- rer os mendigos das ruas, aos bár- baros ataques de jovens que incen- deiam indigentes durante a noite, parecem surgir na sociedade brasi- leira sinais de uma perigosa fanta- sia:ada eliminação sumária de to- dos os contingentes que, mergulha- dos na miséria ou no crime, atestam

o fracasso histórico das políticas

de segurança públicaede inclusão social empreendidas no país”. A editoria de Cotidiano derrapou numa causa que o jornal historica- mente abraçou. Como alerta Jail- son de SouzaeSil va, do Obser vató- rio das Favelas, “a mídia contribui, mais do que qualquer outra institu- ição, paraaconsolidaçãoeadifu- são de conceitos estereotipados”. A Folha precisa estar atenta, desafiar preconceitos e estimular amudança de olhares conformados.

Ombudsman tem mandato de 1 ano, renovável por mais 3, para criticarojornal, ouvir os leitores e comentar, aos domingos, o noticiário da mídia. Fale com a Ombudsman: ombudsman@grupofolha.com.br / tel.: 0800 015 9000 (2ª fa6ª f, das 14h às 18h) / Fax: (11) 3224-3895

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a b

DOM INGO, 9 D E J UL HO DE 20 17 poder A7

Indicada à PGR, Dodge é rígida e reser vada

Procur ador a, que deve substituir Janot em setembro, nunca gargalha e é definida por colega como ‘tr ator ’ no trabalho

Ela se destacou em 2010, em operação que prendeuogovernador do DF; ambição seria outra característica

BEL A M EGALE MARINA DIAS

DE BR ASÍL IA

Naquele fevereiro de 2010, Raquel Dodge entrou na sa-

la do então procurador-geral

da República, R ober to Gur- gel, sem alarde. À época, a

subprocur ador aeresponsá- vel p ela Oper ação Caixa d e Pandor a d aria uma notícia inéd ita: pela prim eir a vez, um governador, J osé Rober-

to Arruda (DE M), do Distrito

Federal, seria preso no exer - cício do cargo. Paraochefe, Dodge disse que não havia alternativas. Detalhou cada elemento que baseou sua decisão emostrou que o político tentava atrapa- lhar as investigações. Acompanhada de Gurgel, levou pessoalmente o pedido ao Superior Tribunal de Jus- tiça, que autorizou a prisão de Arruda em poucas horas. “Mesmo no momento tenso, em que pela primeir a vez a gente pedia a prisão de um governador no cargo, ela es- tava absolutamente tranqui- la”, contou Gurgel à Folha. Obstinada, ambiciosa, dis- ciplinadaediscreta.Éessa a imagem da primeira mulher que pode comandar,apartir

de 17 de sete mb ro , a PGR (Pro cur adori a-G er al da Re - pública), órgão máximo de acusação de operações como

a Lava Jato. Nascida em Mor-

rinhos (GO), Dodge, 55, é fi- lha do procur ador aposenta- do José Ferreir a. Indicada porMichel Temer para substituir Rodrigo Janot, Dodge chama a atenção pelo

perfil antagônico ao do atual chefe dos procuradores, que se destaca pela informalida- de e exibicionismo. Procurada pela Folha, pre- feriu não se manifestar. A re- portagem falou com 20 pes- soas ligadas a ela. Se aprovada pelo Senado, deve imprimir sua personali- dade marcante na gestão do órgão, como vem sinalizan- do em seu périplo pelo Con- gresso em busca de votos. Aos parlamentares, Dodge tem dito que agirá de forma mais reservada e tem evita- do entr ar nos debates sobre

a d is put a t rava da entre a

classe política e os procura- do res , q ue se tor nou uma bandeir a de Janot. O discurso está agradando tanto aos senadores,incomo- dados com o que chamam de “espetacularização” das in - vestigações, como aos cole- gas da categoria que são crí- ticos ao procurador-geral. “Ela continuará as ações contra corrupção, mas sem o estr elismo e vazam entos”, dis se o p ro cur ado r r ecé m- aposentado e ex-ministro da Justiça Eugênio Ar agão. Ele alerta, porém, que Dodge tem outra característica que a de- fine e lhe rendeu desafetos entre os colegas: a ambição. “O projeto pes soal dela sempre esteve à frente e ela atropela quem se coloca em seu caminho. Procur adores que trabalharam investigan- do violência dur ante a dita- dura, por exemplo, se abor- receram porque ela se apro- priou intelectualmente de vá- rias ações desenvolvidas por eles”, disse Aragão. “Essa ati- tude de acotovelar os outros ger ou muita s i ncompr een - sões, mas isso não ofusca su- as grandes virtudes”, diz. Dodge é também um “tra- tor” na hor a d e t rabalh ar, conta o procurador Mário Lú- cioAvelar. Nos anos 90, quan- do a conheceu, foi logo apre- sentado ao estilo da jovem in- vestigadora: “Você vai conhe- cer a Raquel. Essa menina é um tr ator par a t raba lhar”, disse a ele um colega.

Segundo amigos,oritmo

mingos Savio da Silveira.

a campanha que a deixou em

de Dodge não diminuiu nem

A

dedicaçãoàfamília é ou-

se gu ndo luga r n a l is ta da

mesmo quando engravidou e amamentou os filhos, Sophia e Eduardo. Cole ga s s e l embr am da procuradora saindo de reuni- ões no Pará para tirar leite pa- ra a caçula. “Estávamos em Santarém, no encontro da 6ª Câmara do Ministério Públi- co [responsável por temas so- bre população indígena], e ela saía de tempos em tem-

tra marca de Dodge. Fecha- da, porém, fala pouco de sua vida pessoal. Na campanha par a a PGR , foi colocadaàprova. Perdeu par a o câncer, em cerca de três mes es, u m d e s eu s i r- mãos.Anotícia veio no pior momento da disputa, quan- do seu nome foi associado a caciques do PMDB, como Re- nan CalheiroseJosé Sarney

ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da Repúbli- ca) . E ra só no fim do dia, quando os amigos mais pró- ximos iam até seu gabinete, que ela conseguia desabafar e chorar um pouco. O raro momento de baixar gu ar da ap ar ec e t ambém quando o assunto são os fi- lhos, que hoje estudam emo- ram nos EUA.

pos para tirar leite e congelar

—o que sempre negou.

Mas nem quando fala de-

as garrafinhas. Quando vol-

A

rig idez se man teve em

les a procuradora consegue

tou a Brasília, levou tudo”,

destaque. A procuradora não

descontrair entre amigos. Um

diz o procurador regional Do-

desmarcou agendas e seguiu

dos mais íntimos costuma di-

zer que ela não deve nem sa- ber como se gargalha.

VI DA FORA

melhores alunas. O título ren- deuaela um convite para tra- balhar no Supremo.

A dedicação de Dodge é re-

Há mais de duas décadas,

de direi to o ex-m in is tr o d o

fletida também em seus há-

ela se casou com Br adle y Dodge. Conheceram-se quan- do ela buscava um professor de inglês para prepará-la pa-

bitos de católica praticante. Não perde nenhuma mis- sa aos domingos.Omarido, por sua vez, é mórmon.

ra o mestr ado em Harvard,

A

rotina dura emetódica já

uma das mais conceituadas unive rs id ad es americanas. Foi ele quem a ajudou com o idioma para ser aprovada. Dodge teve como professor

STF Francisco Rezek, que a descreve como uma de suas

vem sendo temida pelos ser- vidores que ficarão sob sua gestão a partir de setembro. Na PGR , há quem diga que ela controla de horários de chegada e saída dos funcio- nários até o consumo de pa- pel nos gabinetes.

quem diga que ela controla de horários de chegada e saída dos funcio- nários até o

A8 poder DOM INGO, 9 D E J UL HO DE 2017

ab

DEPOIS DE tantas ideias frustradas no Congresso contra investigações de deputados e senadores, a Lava Jato implodiu sozinha. Com pretex- to proveniente da menos pressentida origem: o Supremo Tribunal Fede- ral. Entre as causas reais,adisputa de poder pre valeceu. Mas a mão do governo Temer agiu sobamesa do novo ministro da Justiça, Torquato Jardim. Como complemento, não é a única alteração esperável nos órgãos e leis do ataque à corrupção. A difícil convivência de Procura- doria da República e Polícia Fede- ral vem de longe, decorrente de cer- ta sobreposição de funções. Come- çou a agravar-se comareivindica- ção dos delegados da PF de equi- valência salarial a procuradores e ju íze s. No conv ívio da La va Jato, as diferenças ficaram face a face. Acentuadas por justo ressentimen- to dos policiais: na sua ânsia pro- mocional, o juiz Sergio Moro e os procuradores faturam com exclusi- vidade todo o prestígio da Lava Ja- to, mal restando referência senão ao “japonês da federal”, no con- tingente ativo de uma centena de

Lavagem a seco

J A N I O D E F R E I T A S

delegados, agentes e técnicos da PF. Ano passado, já governo Temer, começouaredução do número de delegados. Os quatro restantes dei- xam agora a Lava Jato e passam à Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas (Dele- cor),àqual fica atribuída a parte po- licial da Lava Jato e da Carne Fra- ca,ados frigoríficos. Incumbido de explicar a modificação,opolêmi- co delegado Igor Romário de Pau- la, um dos quatro transferidos, ne- gou tanto a influência da escassez de verbas da PF, como determina- ção de Brasília. Não lhe cabem, po- rém, nem a qualquer outro em Cu- ritiba, poderes para dissol ver um Grupo de Trabalho da PF. E, me- nos ainda, para lotar delegados em tal ou qual delegacia. Esse poder é de Brasília. Do Ministério da Jus- tiça, pela direção da PF posta em

com sua dramatização habitual: “a Lava Jato deixa de existir”.Oh, céus! Haverá alguma perda de experiên- cia, se na tal Delecor designarem no-

vos delegados para casos em curso. Não é tão mau o afastamento, po- rém: todos juntos formaram uma panelinha política, que já le vou até

risco sob o recém-ministro Jardim. A alegada “redução de ser viço” também não se sustenta. Além de dezenas de inquéritos em marcha

a delegados tornarem pública sua

adesão a Aécio Ne ves. Eoque im-

lenta, só as delações da Odebrech t porta não é lotação de delgados,

esperam no mínimo três de zenas de inquéritos nem iniciados ainda. Se m fala r n os es toq ue s q ue Edu- ardo Cunha e Lúcio Funaro, do is grandes armaz éns de biograf ias alheias, estariam na iminência de dar como pa gamento da liberda - de. Não a proclamada pelo direito, de ir e vir. Sóade ir. Vozes da Lava Jato, Carlos Fer- nan do do s S antos Lima e Deltan Dallagnol reagiram à partida da PF

é que a PF cumpra sua função com

A difícil convivência de Procuradoria e PF vem de longe, decorrente de certa sobreposição de funções

a competência comprovada. A versão carioca da Lava Jato não tem ou te ve força-tarefa. O nosso pas mo co m S érgio Cabral se de - ve à associação eficiente de Polí- cia Federal, Ministério Públicoea coragem do ameaçado juiz Marce-

lo Bretas. Simples, quase silencio-

sa, uma forma de ação que ocorre, com menor escala, também em Bra- sília, comojuiz Vallisney Oliveira,

da prisão de Geddel Vieira Lima. Ao desligar-se da Lava Jato, a PF dá sua resposta à decisão do Supre- mo, sem aparente ligação com os policiais, de que os acordos de de- lação premiada não são reconside- ráveis por tribunais, exceto em des- cumprimento pelo delator.Com isso, reconheceu aos procuradores o po- der exclusivo de negociar benefícios com por delação. Poder que os dele- gados pretendiam possuir também. Masacelebrada exclusividade dos procuradores é precipitada. Ain- da sem projeto,eno entanto con-

versada, é bem recebida entre se- nadores a presença obrigatória de um ma gistrad o na cond ução dos

acordos com delatores. Faz senti-

do, porque os acordos incluem ne- gociação de penas,esentenças são um poder estrito des magistrados. Agora mesmo, Renato Duque fez acordo para cumprir apenas cinco anos de oito décadas de condena- ção, por devolver R$ 76 milhões. De-

em o nome que derem, o que Rena- to Duque fazécomprar e pagar li- berdade com dinheiro que não lhe pertence e embolsou em corrupção.

COLUNISTAS DA SEMANA segunda: Celso Rocha de Barros, terça: Joel Pinheiro da Fonseca, quarta: Elio Gaspari, quinta: Janio de Freitas, sexta: Reinaldo Azevedo, sábado: Demétrio Magnoli, domingo: Elio Gaspari e Janio de Freitas

São Paulo gasta R$ 900 mil por mês com pensão aos veteranos de 1932

Benefício vitalício é concedido a 1.400 combatentes e parentes; movimento completa 85 anos

SP vs. VARGAS

Cronologia da revolta

3.out.1930completa 85 anos SP vs. VARGAS Cronologia da revolta 9.jul 22.ago 12.set 2.out 3.mai.1933 É deflagrado

85 anos SP vs. VARGAS Cronologia da revolta 3.out.1930 9.jul 22.ago 12.set 2.out 3.mai.1933 É deflagrado

85 anos SP vs. VARGAS Cronologia da revolta 3.out.1930 9.jul 22.ago 12.set 2.out 3.mai.1933 É deflagrado

9.jul85 anos SP vs. VARGAS Cronologia da revolta 3.out.1930 22.ago 12.set 2.out 3.mai.1933 É deflagrado o

22.ago85 anos SP vs. VARGAS Cronologia da revolta 3.out.1930 9.jul 12.set 2.out 3.mai.1933 É deflagrado o

12.setSP vs. VARGAS Cronologia da revolta 3.out.1930 9.jul 22.ago 2.out 3.mai.1933 É deflagrado o movimento que

2.outVARGAS Cronologia da revolta 3.out.1930 9.jul 22.ago 12.set 3.mai.1933 É deflagrado o movimento que levou o

3.mai.1933Cronologia da revolta 3.out.1930 9.jul 22.ago 12.set 2.out É deflagrado o movimento que levou o gaúcho

É deflagrado o

movimento que levou o gaúcho Getúlio Vargas ao poder. Ele assume um governo provisório depondo Washington Luís da Presidência da República

17.fev.1932

Os grandes partidos de São Paulo criam a Frente Única Paulista, que exigia nova Constituição paraopaís

23.mai

Quatro estudantes são mortos durante

um protesto contra

Vargas em São Paulo; de suas iniciais surge

a sigla MMDC

Militares antecipam

a deflagração da

mobilização, marcada

para 14 de julho, pegando aliados de surpresa

Primeiro combate aéreo no país, em Cruzeiro: dois aviões paulistas enfrentam

dois aviões federais

O governo ocupa

o porto de Santos,

sob bloqueio desde

o início da revolta,

mas os combates seguem até dia 24

As tropas paulistas se rendem ao governo Vargas; líderes do movimento vão

para o exílio

São realizadas eleições

no país para a escolha da Assembleia Nacional Constituinte, demanda dos paulistas

Maioria das pensões é de R$ 720 mensais; levante contra Vargas queria forçar redação de nova Constituição

FELIPE BÄCHTOLD

DE S ÃO PAULO

A Revolução Constitucio- nalista completa 85 anos nes- te domingo (9), eoEstado de São Paulo recebe até hoje pe- didos de reparação. Mais de 1.400 pessoas ga- nham atualmente pensão vi- talícia do governo de São Pau- lo em decorrência da revolta. Uma lei de 1978 determina

o

pensão a “participantes civis da revolução”, que soma des- pesas ao Estado de cerca de R$ 900 mil ao mês —em 2016 foram pagos R$ 13,2 milhões.

A

maioria dos benefícios pa-

pagamento pelo Estado da

gos pelo Estado tem o valor de R$ 720 mensais. Segu ndo a S ecretaria da

Fazenda, entre os beneficiá- rios, h á 62 c ombatentes e 1.377 viúvas e dependentes

dois anos antes,elevaràcon- vocação de uma Assembleia Constituinte.

dos veter anos que atuar am

A

revolta acabou depois de

na revolução. Em caso de morte do bene-

três meses, com a rendição das tropas paulistas.

ficiário, a pensão é repassa-

da à viúva. Filhas solteiras de

CONC ES SÃO DE T ER RA S

par ticipantes da Revolução

A

política do governo do

que morrer am até 1992 tam- bém recebem.

Estado de conceder benefíci- os aos veteranos de 1932 vem

A

sociedade Veteranos de

de longe.

32/M MD C, que pro mov e eventos em memória ao mo-

Em 1948, já tinha sido edi- tada uma lei prevendo a do-

vimento, contabiliza 1 8 ex- par ticipantes da Revolução ainda vivos.

ação de lotes de terras públi- ca s a os ex -com bat ente s e também para integrantes da

O

presidente da entidade,

Força Expedicionária Br asi-

Mário Ventur a, diz que são idosos de saúde muito frágil.

leira, de São Paulo, na Segun- da Guerra.

e ntidade, funda da em

1954, atualmente éintegrada em sua maioria por descen-

A

analisa os pedidos de pensão

Os mu til ado s gan ha ra m prefer ência par a e ntr a r n o serviço público.

dentes dos combatentes.

O

texto dizia que era obri-

Hoje, es sa associaçã o é

gatório comprovar a partici-

uma das principais fontes de informações para umacomis- são do governo estadual que

pação na revolução e vetava casos em que tenha havido

“capitulação propositada” ou “adesão ao inimigo”.

encaminhados. Amais recen-

A

lei dos anos 1970 foi re-

te

solicitação foi protocolada

gu lamentada ab ra ngendo

na “retaguarda”, em serviços

em maio deste ano. Integr antes da comissão, que incluem uma procurado- ra da Procuradoria-Geral do Estado, checam documentos

“voluntários de serviços de guerra”ecivis que atuaram

como abastecimento de tro- pa ou propaganda.

históricos, como os do Arqui-

A

Constituição Estadual re-

vo Público, de museus e bi-

afirma o direito.

bliotecas pelo Estado, para

O

último reajuste no bene-

identificar seapessoa foi in- cluída em relações de parti- cipantes da revolução. Com base nessas informa- ções,acomissão, hoje ligada

fício foi concedido em 2012, quando o governador disse que ainiciativa era uma “me- recida h omenagem aos h e- róis paulistas”.

à Secretaria da Fazenda, dá

O deputado estadual Ro-

um parecer deferindo ou não

berto Massafera (PSDB) pro-

o

pedido. Em fevereiro e março des-

pôs em 2014 um novo aumen- to, que não foi levado adian-

te

ano, despachos do próprio

governador Geraldo Alckmin (PSDB), com base nesses re- latórios, reconheceram cinco pedidos de pensão especial e negaram outros quatro. Um dos casos deferidos foi

te pelo Estado. “É uma questão simbólica,

do heroísmo de quem acredi- tava em São Paulo”, diz Mas- safera.

o de Margaret Simões, 69, cu-

jo pai lutou em Santos. Ela disse que o trâmite pelo reco- nh ec im en to demor ou doi s anos e q ue foi necessá rio ap resent ar do cumen tos de alistamento do pai da época. “Eu tinha muita coisa. Mi- nha mãe guardava tudo, en-

tão não foi difícil de providen- ciar”, conta. Um a d ete rm in aç ão de 2009 estabeleceorecadastra- mento anual do beneficiário, sob pena de perda da pensão. As forças de São Paulo na revolução reuniram cerca de 35 mil combatentes.

O movimento estourou em

9 de julho de 1932, com o ob- jetivo de derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas, que havia chegado ao poder

provisório de Getúlio Vargas, que havia chegado ao poder Bruno Santos / Folhapress Evento da Sociedade
Bruno Santos / Folhapress
Bruno Santos / Folhapress

Evento da Sociedade de Veteranos da Revolução de 1932

a b

DOMINGO, 9 D E J UL HO DE 2017 poder A9

HÁ 80 ANOS COLOCANDO PESSOAS EM PRIMEIRO LUGAR.
HÁ 80 ANOS COLOCANDO
PESSOAS EM PRIMEIRO LUGAR.

Uma emp resa só chega aos 80 ano s

Uma emp resa só chega aos 80 ano s olha ndo par aaf ren te, mas

olha ndo par aaf ren te, mas sem nunca esquece r o hoje e o s a pre ndizado s d o pass ado. Foi ass im que a U ltraga z chegou até aqui .Es erá assim que chegare mos aos próximos 80 anos.

z chegou até aqui .Es erá assim que chegare mos aos próximos 80 anos. HÁ 80

HÁ 80 ANOS LE VA NDO O G ÁS AT ÉOFUTURO

A10 poder DOMING O, 9 D E J UL HO DE 2017

ab

UNIVERSO EM EXPANSÃO

Ao completar 40 anos,aIgreja Universal do Reino de Deus envereda pela autoajuda e pelo empreendedorismo e finalmente realiza o sonho de colocar um pé na classe média alta

SAGA UNIVERSAL

A igreja em 40 anos

1977

1977

Universal abre seu primeiro templo, num galpão onde funcionava uma antiga funerária, no subúrbio carioca

1980

1980

Lança ‘Orixás, Caboclos

e

Guias: Deus ou

Demônios?’. O livro chegou a ter a venda suspensa por ordem judicial, acusado de degradar religiões afro, mas um tribunal superior reverteuoveto. Segundo Edir, traz ‘apenas traz a verdade cristalina’ sobre ‘os espíritos malignos’

1989

1989

Compra a Record, que tinha Silvio Santos como um dos donos

1992

1992

Passou 11 dias na prisão, acusado de ser

‘charlatão, curandeiro

e

estelionatário’,

como narra em sua autobiografia. ‘Para quem me odiava, bispo Macedo era sinônimo de bandido’

1995

1995

Em programa da Record, um bispo da igreja polemiza ao chutar

a

imagem de Nossa

Senhora Aparecida

(evangélicos não cultuam santos). Macedo criticou

o

ato 20 anos depois,

no SBT: ‘Foi um chute no estômago, para não dizer

num lugar mais baixo’

1998

1998

Surge a Igreja Mundial do Poder de Deus, de Valdemiro Santiago, ex-bispo da Universal que virou concorrente direto da igreja

2005

2005

Criação do Partido Republicano Brasileiro (que ganhou este nome em 2006, por sugestão do ex-vice-

presidente José Alencar).

sigla é tida como braço político da Universal

A

2014

2014

Com Dilma e Temer, inauguraoTemplo de Salomão, com 74 mil m² de área construída (3,2 vezes maior que a Basílica de Aparecida)

2016

2016

 

Sobrinho de Macedo,

Marcelo Crivella (PRB)

é

eleito prefeito do Rio

ANNA V IRGINIA BALLOUSSIER

empregadoreseempregados”. “Historicamente, as igrejas evangélicas atingir am mais significativamente as classes DeE. Com a ascensão social

DE SÃO PAULO

Edir Macedo Bezerra colo- couseu melhor terno.Cabelei-

ra

e barba suavam “com o ca-

dosúltimosanos, boa parte do público da Universal é a clas- se C”, diz o pesquisador da Unicamp CarlosGutierrez, au- tor de uma tese sobre aigreja. “Muitos atribuem a trans- formação em suas vidas à fé evangélica. Diversas igrejas têm adotado linguagem não necess aria mente religiosa, mas sim pautada em saberes como motivação empresarial,

lor do abafado salão” —o gal- pão de uma antiga funerária no subúrbio do Rio, preenchi- do por bancos de madeir a “comprados em prestações a

perder de vista”. Há 40 anos, um sábado, opastor de 32 anos liderava o primeiro culto da Igreja Universal do Reino de Deus,como rememorou na au- tobiografia “Nada a Perder”.

 

A

perder de vista, nas déca-

manuais de administração etc. Assim, cultos tornam-se ‘pa-

das seguintes, era o empenho

da

Universalemerguerseu im-

lestras’ e ‘terapias’”, afirma. Em “Deus, o Demônio e o Homem: A Igreja Universal do Reino de Deus”, coescrito com

pério num país onde a expan- são evangélica veio a galope.

Naquele 1977, nove em dez brasileiros se diziamcatólicos,

o

teólogo sueco Anders Ru-

e

cerca de 6%, evangélicos.

uth, o antropólogo Donizete

Corta par a 2017: o primeiro

Rodrigues vale-se do concei-

grupo despencou para 50%,

to

de “igreja de supermerca-

enquanto o segmento de Ma-

do”,extraído da sociologia do

cedo quintuplicou para 30%,

fr

ancês Pierre B ourdieu. “A

segundo pesquisa Datafolha.

religião é bem de consumo

 

A

Universal percorreu um

num altamente competitivo

Universal”, afirma Rodrigues.

longo caminho do suado co- meço na periferiaàchegada ao metro quadrado mais caro

mercado simbólico-religioso, daíoeficiente marketing da

do país, com a abertura em

 

O

poder da igreja tem dois

abril de uma sede no Leblon

poderosos troncos. Um deles

—“lugar onde sempre sonha-

é

o midiático, com a compra

mos entrarenunca consegui- mos, mas para o nosso Deus

da Record em 1989. Macedo lembrou da transação em seu

nada é impossível!!!”, como definiu um convite virtual pa-

blog: “O representante de Sil- vio [Santos, então sócio da

ra

ainauguração (leia abaixo).

emissora] disse o valor. Res-

O

Reino de Deus hoje, em

pondi na fé: ‘Não tem proble-

estimativas da igreja: 320 bis-

ma. Negócio fechado!’”.

pos e 14 mil pastores em ação

 

“Mais recentemente, as no-

(para comparar, há 24 mil pa- dres assessorando 103milhões

velas bíblicas da Record têm criado um espaço que visam

de católicos). Essa trupe con-

se

opor à dramaturgia de ou-

duz 7.157 templos para 7 mi- lhões de seguidores no Brasil.

tros canais”, diz a professora da UFPR Karina Belloti, que

Outros 2.857 estãoàdisposi- çãodedoismilhões de fiéisem mais de cem nações, da Rús- sia aos Emirados Árabes.

estuda evangélicos e mídia. Campeã de audiência, “Dez Mandamentos” virou filme ho- môni mo, que ultr ap as sou

 

O

que também multiplicou

“Tropa de Elite 2” como maior

foi a vontade interna de “des- construir a imagem caricata do cristão associada à pessoa fanática, imersa em dogmas e preconceitos”, dizoprofessor de sociologia da USP Ricardo

xa renda e escolaridade, por

bilheteria do cinema nacional. Outro br açoéo político, com o PRB. A Universal nega vínculo com o partido, que contudo tem vários bispos li- cenciados em seu altoescalão

Mariano. “A Universal tem se

e

emplacou na Prefeitura do

reinventado como organiza- ção cristã focada na autoaju- da e no empreendedorismo.” Vide olançamento,em2013, da campanha “Eu Sou a Uni-

Rio um deles, Marcelo Crivel- la, sobrinho de Macedo e ex- ministro de Dilma Rousseff. Em “P lano de Po der” (2008), Macedo diz que “a po-

versal”,que “representa ocris- tão batalhador e confiante,

tencialidade numérica dos evangélicos como eleitores po-

uma ‘pessoa independente’ e

de

decidir qualquer pleito ele-

com ‘opinião própria’”, afirma

tivo”. No livro, o bispo defen-

Mariano sobre a peça publici-

de

que apenas um presidente

tária que traz do sushi chef Matsumoto ao surfista Piruca.

evangélico poderia criar um Estado laico, “sem privilégios

Para Mariano, “a campanha

à

Igreja Católica”, destaca o

procurou dissociar a imagem da igreja à dos estratos de bai-

meiode fiéis com perfis de clas-

pesquisador Carlos Gutierrez. Paraaigreja, a expansão assustae faz dela alvo de uma campanha difamatória ampli-

se

média bem-sucedidos pro-

ficada pelas redes sociais. A

fissionalmente, ocupando va-

Universal chegou a criar um

riadas posições na sociedade”.

blog paradesbaratar “fraudes

 

A

autoajuda transbordaem

sórdidas”. Algumas: pastores

projetos como Godlly wood. Sobguarda de Cris Cardoso, fi-

ungem vassouras para ven- der, uma campanha ataca a

lha de Macedo, ogrupo de mu- lheres evangélicas se insurge contra “os valores errados que

crença dos católicos na hós- tia, o “pão domal”, eaprefei- tura de Crivella financiaaci-

a

nossa sociedade tem adqui-

nebiografia do tio Macedo.

rido através de Hollywood”. Oempreendedorismo àmo- da Universal norteia a “pales- tramotivacional paraosuces- so financeiro”, tema dos cul-

tos de segunda-feira no Tem- plo de Salomão, réplica paulis-

ta da construção bíblica (há um

mote para cada dia, como a

“terapia do amor” àsquintas).

A Folha foi à reunião das

22h da última segunda (3), quase lotada (a capacidade no templo épara 10mil pessoas). Ouviu propostas de ter o“cur- rículo abençoado” e ganhar, em troca do dízimo,aunção com um “azeite consagrado na Praça dos Três Poderes”. “Os piores demônios estão

lá”, disse o bispo sobre o perí- metro em Brasília que reúne

as sedes do Executivo, do Ju-

diciário e do Legislativo. “Vo-

cê sabe que a crise maior não

éaeconômica, mas a dos três

poderes.” Um panfleto prega-

va a“grandeconsagração dos

VE RS ÃO LIGH T

No censo de 2010,apresen-

Fr eder ico Rozár io - 17. set.1995/Folha pres s

O bispo Edir Macedo durante culto no estádio do Maracanã, no Rio, em 1995
O bispo
Edir Macedo
durante culto
no estádio do
Maracanã, no
Rio, em 1995

Igreja estreia nometro quadrado mais caro do país

MARILIZ PEREIRA JORGE

prefeito Marcelo Crivella fe- chou negócio num valor esti- mado em R$ 50 mil mensais. Oespaço tem 630 m² e ocu- pa loja e sobreloja de um pré-

que os presentes desliguem celulares. No andar superior, auditório e escola bíblica. Não fossemoterno, a ver- ve religiosa eofato de condu-

CO LU NI STA DA FO LH A

 

Foram 15 minutos de pre-

gação paraque odemônio fos-

se

embora da vida dos dez fi-

dio na avenida Ataulfo de Pai- va. No piso inferior, o cheiro é de obra fresquinha, com ca-

zir um culto dentro de uma igreja, o jovem em frente à au- diência poderia ser confundi-

éis que erguiam as mãos em louvor na altura dos ombros

e

depois sobre a cabeça, na

deiras perfiladas que devem acomodar até 200 pessoas. Tem ar condicionado, filtrode água e placa que pede para

do com qualquer outro filho de família tradicional do Le- blon, daqueles que batem ponto no Brigite’s para tomar

quinta (6). Vemopedido de

dízimo. Então, o pastor fala por cerca de 40 minutos sobre

a importância do sacrifício. Ele mostraovídeo de uma

Ricardo Bor ge s/Folha pres s
Ricardo Bor ge s/Folha pres s

Fachada da primeira I greja Universal aberta no Leblon

dry martinis, vereser visto. Na plateia, apenas dois ho- mens. A maioria das mulhe- res édesenhorinhas com rou- pas muito simples, cabelos presos em coques com gram- pos ou piranhas, bolsas sur- radas nos ombros. Elas sen- tam espalhadas,oque au - menta a sensação de vazio. Na primeir a fila, uma jo- vem loira de salão, bem ves- tida, ostenta uma bolsa da marca francesa Goyard (cer- ca de R$ 4.500). Longe do pal- co, um casal com caraefigu- rino de quem deixou as pran- chas de surf do lado de fora. Assim que ocontrato foi fir- mado a vizinhança torceu o nariz, principalmente os mo- radores do prédio My Rose, que abriga o imóvel da Uni- versal. Diziam: vai descarac- terizar o bairro, vai ter multi- dão na porta, vai ter gritaria. Por enquanto reina a paz. Os cultos seguem sem mo- vimento, com exceção dos do- mingos, quando chegam ôni- bus com fiéis trazidos da pe- riferia da cidade, segundo o porteiro do My Rose, José So- ares Lima, 65. Ele diz que os novos vizinhos não têm inco- modado, que nunca teve na- da contra, mas frequenta ou- traigreja, a católica,localiza- da auma quadradedistância.

ça

nacional da igrejaémais tí-

fiel que doou o ouro rouba-

mida do que os autocomputa- dos 7 milhões de fiéis: 1,9 mi- lhão de adeptos, 228 mil me-

do do próprio filho, que er a traficante e estava preso. Omoço se regenerou. Seria

nos do que umadécada antes.

mais um culto na Igreja Uni-

 

A

contr ação pode ser em

versal do Reino de Deus, não

parte explicada pelo contin-

fosse onovoendereço um dos

gente que, ao IBGE, não espe- cifica que congregação segue,

metros quadrados mais caros do Brasil, o Leblon.

se

diz evangélico. Há ainda

Nem o bairro escapou da

se

evende-seque tomou oRio.

aconcorrência de “igrejas clo- nes” formadas por ex-bispos

profusão de placas de aluga-

da Universal —como a Mun- dial do Poder de Deus, do apóstolo que usa chapéu de caubói, Valdemiro Santiago. Por isso a necessidade de

Mas isso não parece ter sido problema quando aUniversal decidiu que erahoradeexpan- dir seus domínios na região mais glamourosa da cidade.

explorar novos nichos, diz o professor da UFRJ Eduardo

Oantigo inquilino erao res- taurante Fronteira, que não

Refkalefsky, autor de uma te-

conseguiu renovar o contrato

se

sobre marketing religioso.

de aluguel (R$ 80 mil, mais

“A Universal hoje está mais

R$ 2.000 de condomínio e R$

light, falando em prosperida- de. Adeantigamente podemos

8.000 de IPTU). Após seis me- ses de portas fechadas,aigre-

chamar de Universal raiz.”

ja

do bispo Edir Macedo e do

a b

DOMINGO, 9 D E J ULHO DE 2017 poder A11

CHÂTEAU BNDE S

Um conh eced or de pal ác ios e castelos foi a um e vento na pre- sidência do BNDE Ses aiu co m uma lastimável estatística.

Da garagem ao salão, entre gua-

ritas, porteiros, seguranças e re- cepcionistas ele contou 11 bípedes. Essa marca supera a das peni-

tenciárias americanas que guar- dam presos condenados à morte.

TEN SÃO

São mui tos os ce nár ios para um eventua l d esfecho do go ver- no de Michel Temer. Um deles, es- timulado pelas últimas rachadu- ras da política econômica é mais ou menos o seguinte:

Numa segunda-feira, alguns jo- vens colaboradores de Henrique Meirelles vão ao seu gabineteein- formam que, pelo andar da carrua- gem, decidiram desembarcar. Na terça-feira, Me irelles vai a Temer e d iz que, d iante desses fatos, ele também prefere saltar. Na quarta, Temer salta.

A c arrua gem está tão desen -

go nçada que o depu ta do Ro dri- go Maia, um paladino da política de Meirelles, tornou-se um discre- to defensor de alguns aspectos da farra tributária de Dilma Rousseff.

RE CORDAR É V IVE R

Durante o consulado petista al- guns comissários da área econô- mica e de sua periferia le varam a Joesley Batista uma ideia para que entrasse no ramo da comunicação. Ele co ntava q ue pulo u f ora e não deixouoassunto prosperar.

RODRIGO X T EM ER

Seja qual for a opinião que se tenh aar esp eito da condu ta do dep ut ado Ro drigo Maia em re- lação a Michel Temer, até agora não há sinal público de que o pre- sidente da Câmara esteja se me- xendo para ocupar sua cadeira, comaintensidade com que o en- tão vice-presidente se mexeu para derrubar a doutora Dilma.

Juliana Fr eire
Juliana Fr eire

O “mercado” abandonou Temer

E L I O G A S P A R I

A agenda do ex-vice- presidente não passou pelas urnas, agora o pessoal vê o que consegue salvar

A primeira ideia foi a de se ele-

ger Aéc io Ne ve s. Fa ltaram 3 m i- lhões de votos (3%). Então veio a

segunda chance,ade se derrubar Dilma Rousseff. Deu certo e Michel Temer foi paraoPlanalto com uma plataforma opostaàda campanha de Dilma, mas com uma base de apoio parlamentar quase idêntica.

O c hama do “merca do ” e ncan -

tou- se comar esta uração de Te - mer e s eu pr oje to de re fo rmas. Agora que o governo esfacela-se,

a mesma turma que contribuiu pa-

ra a queda de Dilma sonha com o que seriam as reformas de Rodri-

go Maia. Sabem que a da Pre vidên-

cia sobre vive só no essencial: a cri-

ação de um limite mínimo de ida- de para a maioria das aposenta- dorias. A trabalhista está vendida às centrais sindicais que não vivem

geraTemers,AécioseRodrigos. Bas-

ta que exponham seus quadros. Em

2014, só Armínio Fraga (com Aécio Ne ves) e Neca Setúbal (com Mari- na Sil va) puseram a cara na vitrine. Até o ano passado,aFrança pare- cia presa no dilema da falta de can- didatos. Apareceu o meteoro E m- manuel Macron, fundou um movi- mento, elegeu-se e arrastou as fi - chas formando uma sólida maio - ria parlamentar. Antes de militar profissionalmente no Partido Soci- alista, Macron trabalhou no ban - co Rothschild. Nos últimos 50 anos

a Maison Rothschild produziu dois

presidentes da França. O outro foi Georges Pompidou (1969-1974). O andar de cima francês faz política na vitrine. O brasileiro passa férias na Françaefala mal de Pindorama.

sem a unicidadeeo imposto de um dia de trabalho da choldra. O “mercado” começou a vender

Temer, comprando Rodrigo Maia. Jogo jogado. A Lava Jato ensinou muit as co isa set al ve zap rin ci - pal tenha sido a exposição de co-

mo o a ndar de cima fa z p ol ítica comocaixa dois. Deixando-se 2017 de lado, vem

aí 20 18 e será precis o s urgir um candidato capaz de enfrentar Lu- la (ou seu poste). Seoandar de ci- ma parar de reclamar do Brasil, de seus políticos e da falta de quadros, poder-se-á sair da gramática que

O D RI BLE DE TA SSO

Tasso Jereissati deu um magnífi- co drible na banda tucana que es- tava aferrada ao governo Temer. Enquanto parecia medir as pala-

vras, dizendo que havia uma “ten- dência” para abandonar a carrua- gem, cabeceou apoiando Rodrigo Maia, em nome da “estabilidade”.

Fa lt a d efinir “estab ilid ade” e

combinar com os russos de Curitiba e da Procuradoria Geral.

SINAL DADO

O deputado Sergio Zveiter, re-

lat or do proc esso de Mic hel Te-

mer na Comissão de Constituição de Justiça, apresenta-se e chega a ser saudado como um parlamentar independente. Está no PMDB, mas este ve no PSDeno PDT. Foi secretário de Habi ta çã o do p refeito Edu ardo Paes e de Justiça dos governado- res Anthony Garotinho e Sérgio Ca- bral. Foi também secretário de De- fesa do Consumidor de Rosinha Garotinho e do Trabalho de Pezão.

Sa lvo Cab ra l, vão to dos bem,

obrigado. Zveiter é filho de um ministro do Superior Tribunal de Justiça que se aposentou em 2001eseu irmão, Lu-

iz, presidiu o Tribunal de Justiça do

Rio de2009 a 2010.Reeleito no ano passado, teve sua posse impedida pelo Supremo Tribunal Federal. Um parecer de Zveiter montan- do a guilhotina para Temer mos- trar á para onde sopram os ven- tos da independência dos gover- nist as crônic os e d o Judi ci ário do Rio de Janeiro.

EM CASA

Sergio Zveiter mora num dos bo- nitos edifícios da praia da São Con- rado e tem como vizinho o ex-pre-

feito Cesar Maia, pai de Rodrigo,

herdeiro presuntivo de Temer.

Já o presidente da Câmara mo-

ra no prédio ao lado e t em co - mo vizinho o a tual minist ro e ex -gov ernador Mo reira F ra nc o,

marido de sua sogra.

A MISTERIOSA SEGURANÇA DOS MAGISTRADOS

Eremildo é um idiota e acha que qualquer crítica aos benefícios,mor- domias ou férias de juízes, procu- ra dores, d esembarga dores e m i- nistros do tribunais de Bras íl ia é um atentado ao Estado de Direito.

O cretino entende que a notável

sabedoria dos magistrados justifica

o fato de alguns deles receberem

de R$ 10 mil a R$ 40 mil por pales-

tras. Ele concorda comoministro Ri- cardo Lewandowski, que desossou uma decisão do Conselho Nacional

de Justiça que os obrigavaadivulgar

quanto recebiam por tão exaustiva atividade. O ministro explicou que

quis defender a integ ridade físi- ca dos doutores, porque “quando nós divulgamos valores econômi- cos, nós estamos sujeitos, num país em crise, num país onde infelizmen-

te a nossa segurança pública ainda não atingiu os níveis desejados ” Tudo bem, mas Er emil do não

entende por que há magistrados pro- testando contraadecisão do Conse- lho Nacional de Justiça que mandou acabar com as placas especiais dos carros oficiais dos 365 desembarga-

dores de São Paulo. Elas informam que o carro (pago pela Viúva) serve

a ummagistrado. Se os doutores de-

vem ter a excelência de seu ganhos

resguardada, não deveriam andar por aí com placas especiais. Mas o

negócio parece ser outro, pois na re- clamação,informou-se que com pla- casiguais às da patuleia os doutores “estarão sujeitos a toda uma série de insegurançasemumtrânsitocaótico”. O idiota desconfia que a seguran- ça dos magistrados está no mundo

do pós-verdade. Na hora de reve- lar ganhos, con vém omitir. Na ho- ra de andar na rua, onde vigoram as leis do trânsito, con vém exibir.

CAMPOS DO JORDÃO FÉRIAS DE JULHO CVC Qu em diz que o m el hor
CAMPOS DO JORDÃO
FÉRIAS DE JULHO CVC
Qu em diz que o m el hor do inve rno é f icar embaixo
da co berta não co nhec e C am pos do Jo rd ão.
TUDO EM AT É 10X SE M J UROS
A cidade de Campos do Jordão, em São Paulo,
RE SE RV E S EU HOTE L
VI AG EM RO DOVIÁR IA
é conhe cida como a S uíça Brasileira por
O
p ac ote de 4 d ias in cl ui tr ansp or te ro doviá ri o
HOTE L DAN IN N
id
aevolt a s ain do de Sã o P au lo,3d iá ri as de
Noví ssim o h otel qua tro e st re la s l oc al iz ado a5m inu to s d o bada la do
se
u clim aearquitetura marc ante s.
ho
sp ed agem no Hote l D an In n, qu at ro es trela s,
ce
nt ro de Ca pi var i, em Ca mpo s d o J ordão, com diver so s b ares
Em julho, re ce be o festival de inve rno
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VENE ZUEL A
DOMINGO ,9D E J ULHO DE 20 17 A1 2
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Opositor Leopoldo
López vai à p risão
domiciliar
folha. co m/n o189958 6

Mistério cerca operação de líder anti-Putin

Ex-aliados suspeitam que blogueiro Alexei Navalni possa ser peão em disputa de poder entre aliados do Kremlin

Detalhes sobre o partido e como ele é financiado são opacos, e partidários fogem de entrevistas na Rússia

IGOR GIELOW

EN VIA DO ESPECI AL A M OS CO U

“Não vou falar com você.

Te doumeu telefone, masnão

atenderei. Me procure no Fa- cebook”, disse amoça de uns

30 anos, cabelo ruivo algo de- sarrumado e olhar assustado.

Er a K ir a Yarmis h, ex pul-

sando o repórter da sala co- mercial 21, no quinto andar

do centro OmegaPlaza, ao sul

do centro de Moscou.

Olocal, na rua de nome su- gestivamente revolucionário Assent ame nto Lên in ,éo quartel-general de operações de Alexei Anatolievitch Na- valni, o ativista que virou íco-

ne da oposição ao Kremlin do

presidente Vladimir Putin.

A Folha buscou escrutinar

a o rgan iza çã o d e N avalni,

que quer disputar a Presidên- cia em 2018. Encontrou mais dúvidas do que respostas, a começar pela negativa de Ki-

ra , s ua por ta-voz, que não

mais atendeuareportagem. Aos 41 anos, o advogado e

blogueir o a nt icorr upç ão é uma estrela fora da Rússia e está em toda roda de conver- sas sobre política no país. Afinal, diferentemente dos antecessores no cargo de es- per ança do Ocidente contra Putin, ele logrou levar cerca

de 250 mil pessoas às ruas pe-

país, em dois protestos nes-

ano contraacorrupção, os

lo

te

maiores atos desde 1991. Foi chamado pela revista britânica “The Economist” de

maior ameaça a Putin”, e

“a

um longo perfil na america-

na “The New Yorker” o defi-

u c omo “um ho mem tã o

ni

forte, ou tão perigoso, ou tão livre —talvez todas essas coi- sas— que as ferramentas usu-

s d o K rem li n n ão funcio-

ai

nam contra ele”.

ra antigos ali ado s, ele

está mais para uma peça au-

torizada a participar do jogo. “Não podemos dar apoio a ele, embor a não negue que ele seja muito carismático e

agenda contr a corr up ção

seja boa.Digo osmotivos. Pri-

a

Pa

meiro, ele usa métodos ile- gais, com convocações pro-

cativa s, que co locam jo -

vens em risco. Isso não é de-

moc rático . S egund o, estão usando ele numa guerra in- terna”, afirma Emilia Slabu- nova, presidente do primeiro partidoaque Navalni foi fili- ado, o Iabloko. Ela relembra que Navalni

nca acu sa Putin diret a-

nu

vo

mente pela corrupção. Seu al- vo no mina l m ai s v istoso é Dmitri Medvedev, o premiê e ex-presidente (2008-12), ob- jeto de um webdocumentário em que o blogueirooacusa

enriquecimento ilícito.

q ue m o mani pul ari a?

“Pode ser algum oligarca. Tal-

de

E

vez Setchin, mas não tenho como provar”, diz, em refe-

rência ao presidente da Ros- neft (a Petrobras russa), Igor Setchin, visto como possível sucessor de Putin no sistema

e

desafeto do premiê.

RE DE DE DOAÇÕE S

Segundo a Folha apurou junto a pessoas com acesso

empresa, a teoria pode não

ser exatamente conspir ató- ria, mas de dificílima com- provação:odinheiro que ir- riga o banido Partido do Pro- gresso eaFundação Anticor-

à

rupção de Navalni vem todo

de

Ond e m uito s veem um “crowdfunding” à la Barack

doações via internet.

Alexander Ze mlian ichenko - 12.jun .2017/Assoc iated Pre ss

Alexander Ze mlian ichenko - 12.jun .2017/Assoc iated Pre ss Manifestantes em Moscou erguem cartaz a

Manifestantes em Moscou erguem cartaz a favor do líder oposicionista Alexei Navalni, cuja rede de apoio tem crescido

Obama, outros suspeitam de um modo simples de escon- der a origem do dinheiro.

Com efeito, quando con - correu com sucesso à Prefei- tura de Moscou em 2013, Na- valni amealhou o equivalen-

te a US$ 3 milhões pela web.

Ficou num segundo lugar ro-

busto, com 27%, contra 51% do prefeito putinista. Para se ter ideia, a campa- nha de Putin à Presidência

declarou ter gasto o teto de US$ 12 milhões em todo o ter- ritório russo um ano antes. Os

valores estão corrigidos. Seria então Nava lni um “proiekt” ( projeto, em russo), gíria local par a políticos de

oposição, mas que servempa- ra dar um verniz democráti-

co ao jogo e acabam usados em disputas palacianas? Talvez. Por outro lado, Na- valni organizou sua rede de apoio em 60 das 85 regiões russas, com declar ados 120

mil voluntários. Elevou mul- tidões à rua que, incidental- mente ou não, gritaram pala- vras de ordem também con-

traopróprio Putin. “Os protestos só ocorreram porqu e h á i nsati sfação. Se fosse pelo Navalni, ele nem iria tentar ser candidato. A posição de líder informal é muito mais vantajosa”, pon- dera Alexei Levinson, diretor do Centro Levada, principal

inst ituto ind epend ente de opinião pública russo. Nos levantamentos do Le- vada, Navalni tem só 1% de intenção de voto para presi- dente —Putin tem 63%. De to- do modo, em junhoaComis-

são Eleitor al o i mpe di u d e

concorrer por ter uma conde- nação a cinco anos de prisão. A sentença, que está estra- nhamente suspensa, é sufici- ente para deixá-lo de fora da disputa. Navalni acusa uma armação no caso, queoapon- ta como beneficiário de um

desvio de madeira enquanto dava consultoria num gover- no local em Kirov. “Navalniéum homem co- rajoso, e estão perseguindo

ele”, disseram quase em unís- sono as estudantes Vera, 18,

e

Masha, 20. Os nomes são

fictícios,apedido delas, que não se recusaram a serem fo- tografadas, contudo. As duas trocavam mensa-

gens eletrônicas com amigos na pracinha em frente à esta- ção Tertiakovskaia do metrô

Igor Gielo w/ Fo lhapres s

ção Tertiakovskaia do metrô Igor Gielo w/ Fo lhapres s Interior do centro Omega Plaz a,

Interior do centro Omega Plaz a, onde fica o escritório de Alexei Navalni, em Moscou

ELE IÇ ÕE S N A R ÚS SIA

Entenda como se vota no país de Putin

C A Z A Q CIDADES RUSSAS COM MAIOR POPUL AÇ ÃO M C U
C
A
Z
A
Q
CIDADES RUSSAS COM MAIOR POPUL AÇ ÃO
M
C
U
LE TÔNI A
LITUÂNIA
FINL
ES TÔNI
ÂN DI A
A
I
O
São Petersburgo
PO LÔ NIA
BELA RUS
J
H
Moscou
S
MOL DOVA
Nijni Novgorod
N
UCR ÂNIA
A
Iekaterinburgo
R
T
Cr imeia
(em disputa
Novosibir sk
comaUcrânia)
GEÓRG IA
P
G
Ú
ARMÊNI A AZER BA IJ ÃO
Ã
I
Rússia*
PA RTID OS 74 (4 dominantes)
HABI TANTE S 147 milhões
ELEITORE S 111 milhões
Ã
O
Ó
S
O
REGR AS PARA CANDIDATUR A EM 2018
N
S
L
I
I
A
A
A

Partidos dominantes

Se for filiado a um dos partidos representados na Duma (Câmara),eeste representar ao menos 1/3 das 89 regiões russas, basta apresentar o

nome e tê-lo aprovado

Partidos menores

Se for filiado a par tido sem representação, são neces- sárias 111 mil assinaturas (1% do eleitorado), de todas as regiões, e ter o nome aprovado

Independentes

Se for independente, são necessárias 333 mil assinaturas (3%) do eleitorado, de todas as regiões, e ter o nome aprovado

QUANTIDADE DE CADEIRAS POR PARTIDOS NA DUMA

TOTAL 450 cadeiras 343 42 39 23 3
TOTAL
450 cadeiras
343
42 39
23 3

Rússia

Unida

*Inclui população da Crimeia, anexada em 2014

Partido

Comunista

Par tido

Liberal-

Democrata

Uma

Rússia

Justa

Outros

moscovita em 26 de junho e relutaram em falar de políti- ca. “Tivemos amigos presos no protesto de março, eu mes-

ma quase fui levada”, diz Ve- ra, citando os cerca de mil de- tidos então em Moscou. Essa atr ação à ger ação que cres- ceu já na era Putin, iniciada em 2000,échave para a es-

tr atégia de Navalni.

Mesmo com itens como a abertura da economia em seu programa resumido na inter-

net ,éaluta contra a impres- são de que o Estado é corrup-

to que motiva esses jovens —7

milhões deles que não vota-

ram no pleito de 2012 estarão aptos agora, por terem com- pletado 18 anos. “Mas isso éinsuficiente pa-

ra eleger alguém, só essa pla-

taforma”, afirma Levinson, que relativiza ao falar de ou- tros grupos sociais importan- te. Entre eles, os mais velhos e, principalmente, aqu el es que viveram o trauma do fim da União Soviética e da ba- gunça dos anos 1990, bem ou mal controlada por Putin.

O próprio Navalni sabe dis-

so , a o mante r u m d is cur so

nacionalista eivado ocasio- nalmente por chauvinismo. Quer “paz com a Ucrânia”,

mas disse que não devolveria

a Crimeia anexada por Putin

em 2014 —ativo que ajuda a mante r o pr esi den te co m mais de 80% de aprovação, mas que vem cedendo lugar

à insatisfação econômica. Além de outros dois conta- tos malsucedidos no escritó- rio e, depois, no Facebook, a Folha buscou falar com os lí- dere s r eg io nais li st ad os na página do partido. De 60 con-

tatos, 20 distribuídos pelo pa- ís fo ra m p roc ur ados po r e-mail. Ninguém respondeu. Chefe do partido em Mos- cou, Nikolai Ialskin não res- pondeu a cinco ligações, a quatro mensagens por Whats Appea contato no Facebook. “Aqui é a ss im , t emo s d e manter tudo meio em sigilo por que a p olíc ia est á d e olho” , d efendeu um jovem chamado Iuri, voluntário no escritório de Navalni que des- cera para tomar um café no térreo do centro empresarial, que cobra entre R$ 22 mil e R$ 31 mil mensais de aluguel em salas comoado QG.

É uma argumentação váli-

da, usada pelamulher de Na- valni, Iulia, vista como o cé- rebro político do casal. Além do rumoroso caso ju- dicialeoutros secundários,

que já lhe valeram uma tor-

nozeleira eletrônica, Navalni

encerrou na sexta (7) sua se- gunda prisão temporária no ano por protestos ilegais. Alguns de seus escritórios,

inclusive o visitado pela Fo-

lha, for am vistoriados pela

polícia na quinta (6) sob ale-

gação de locação irregular. Neste ano, Navalni foi ata- cad o c om uma subs tânc ia verde e teve de fazer um tra- tamento na Espanha para re- cuperar a visão de um olho. “Normalmente, ele estaria preso por um bom tempo”, diz Emilia, lembrando dos menos bem-sucedidos opositores Garry Kasparov (exilado nos EUA) e Mikhail Khodorkovs-

ki (exilado na Suíça após dez

anos de cadeia). Sem falar em

Boris Nemtsov, crítico de Pu- tin assassinado a poucos me- tros do Kremlin, em 2015.

O jovem voluntário de Na-

valni pode ter razão, mas, se

a revolução do chefe se am-

para na transparência por ele pregada, ela falta quando o

assunto é seu modo de ope-

ração. A opacidade de sua au-

se torna mais intensa àme-

dida que se aproxima dela.

ra

» LEIA MAI S n a p ág. A13

a b

DOMING O, 9 D E J UL HO DE 2017 mundo A13

Revolução tem de ser na urna, dizopositora

Líder do partido oposicionista Iabloko critica Navalni e afirma que Putin só pode ser derrotado em eleições livres

Oriunda do interior, Emilia Slabunova éaprimeira mulher a presidir agremiação política na Rússia

“Só tem dois jeitos de mu- dar as coisas na política. Ou pela via militar ou pela elei- ção. Nós acreditamos, no sé- culo 21, que a revolução tem de acontecer nas seções elei- torais, nas urnas”, afirma.

 

O Iabloko (acrônimo para

DO EN VIA DO A M OS CO U

o

nome de seus fundadores

Emilia Slabunovaéuma fi- gura rara na política russa. Primeira mulher a comandar um partido no país,ela defen- de que o regime de Vladimir Putin só poderá ser desafia-

que significa maçã em russo, que éosímbolo da agremia-

ção) tem insistido na via de- mocrática, apesar de denun- ciar os pleitos russos como “injustos e fraudados”, como diz Slabunova.

 

O

partido está sem repre-

do e eventualmente derrota- do dentro da lei, em proces- sos eleitorais.

“O mais importanteéga- rantir que as eleições sejam

livres”, afirmou ela, líder da sigla liber al Iablo ko de sd e 2015. Com isso, Slabunova se diferencia dos opositores tra- dicionais do Kremlin putinis- ta, que apostam em ativismo

sentação na Duma (equiva- lente russaàCâmara dos De- pu tado s) há três el eiç ões

(20 07, 2 011 e 2 016 ), tendo 12 assentos em Parlamentos regionais. “Insistimos. Porisso traba- lhamos para aumentar ocom- parecimento às urnas, que é muito baixo [48% nas elei-

e protestos de rua.

çõ es legi sl at ivas de 201 6] e

Igor Gielow/Folh apres s

justamente ao Iabloko, agre- miação que tem como líder históricooeconomista Grigo- te o bastião de
justamente ao Iabloko, agre-
miação que tem como líder
históricooeconomista Grigo-
te
o
bastião de um misto de li-
be ra lis mo co m E stado de
bem-estar social. Seu progra-
ri
Iavlinski —que quer con -
correr à Presidência em 2018,
ma inclui abertura econômi-
ca, alinhamentoàUnião Eu-
como fez em 1996 (quarto lu-
gar) e 2000 (terceiro).
“Nós apoiamos a agenda
ro
peia, f im das gu er ra s n a
contra a corrupção no país,
sem dúvida. Boaparte das de-
núncias de Navalni contra o
premiê Dmitri Medvedev foi
elabor ada por nosso centro
Ucrânia e na Síria eliberdade
de imprensa e no Judiciário.
Slabunova começou a car-
reira como deputada munici-
pal em Petrozavodsk, capital
da República da Karelia, em
2001. Em 2013, deixou a fun-
an
tico rr upç ão ,éapur açã o
nossa. Ele não pede a saída
de Putin. Isso é estranho. E
há a questão de seu financi-
amento.”
Além de suspeitar que Na-
Emilia Slabunova na sede do Iabloko em Moscou
facilita as fr audes”, diz ela.
A reportagem pediu, sem
sucesso, entrevista com um
representante do partido de
Putin, o R ússia Unida. O
acusações de fr audes como
choro de maus perdedores.
Aos 58 anos, ela evita se
alinhar ao líder oposicionis-
ta Alexei Navalni, que come-
valni esteja a serviço de algu-
ma figura poderosa da políti-
ca, como Igor Setchin (presi-
dente da petroleira Rosneft),
ela consideraoopositor co-
mo “irresponsável” por levar
jovens a se expor a riscos con-
vocando protestos ilegais.
ção de diretora de escola pa-
ra se dedicar sóàpolítica.
Ela diz não sofrer precon-
ceitos num meio tradicional-
mente machista.
“Não sinto não. Acho que
ser mulher é uma vantagem,
até porque venho de uma po-
lítica dura, regional. Eu co -
nheço a vida real das provín-
cias. Os outr os líderes não
sabem bem como lidar com
isso, e me respeitam”, disse
Slabunova, que é c as ad a e
Kremlin usualmente rejeita
ço u n a p olític a f ilian do-se
O
Iabloko é historicamen-
tem dois filhos. (I GOR GIEL OW )
Dmitr y Lovetsky - 1 2.jun.17/Associated Press
Dmitr y Lovetsky - 1 2.jun.17/Associated Press

Manifestantes em São Petersburgo carregam pato que simboliza acusações de corrupção contra premiê Dmitri Medvedev

c FO CO

Como no Brasil, patoésímbolo em ato a nt icor rupção na Rússia

DO EN VIA DO A M OS CO U

 

Por essa Paulo Skaf não es- perava: o pato amarelo é tam- bém o símbolo dos protestos anticorrupção na Rússia. Aqui e ali os patos apare- ceram nos atos. No mais re-

50 minutos e com imagens feitas por drone do local, vi- rou febre na internet , tendo 23,5milhões de visualizações desde que foi lançado, no dia 2 de março. Vinte e quatro dias depois,

o vídeo alimentou o primeiro

ce

nte, em 12 de ju nho, um

dos mega-atos contr a o go- verno.Medvedevnega as acu- sações, feitas pela Fundação Anticorrupção, do oposicio- nista Alexei Navalni.

modelo inflável gigante foi fu- rado e confiscado pela polí- cia em São Petersburgo.

Mas não, não se tr ata de que os russos “não vão pagar

O

vídeo aposta mais em ila-

o

pato” com mais impostos,

ções do que em provas. A par-

como defendiaopresidente da Federação das Indústrias

tir de hábitos de consumo do premiê, desfia uma trama e

de São Paulo na campanha pelo impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

levanta suspeitas de que ele teria desviado US$ 1,2 bilhão por meio de laranjas. Até a

 

A

explicação é mais singe-

casa de patos é apenas sus-

ram assim numa pergunta,

la: no we bdocumen tário “Não o chame de Dimon”, o premi ê D mi tri Me dve dev é acusado de possuir, entre ou- tras coisas, uma enorme pro- priedade rural de 80 hectares que teria uma casa exclusiva

para patos em um lago.

peita de ser isso, admite o próprio Navalni na narração. Em tempo, Dimon é um di- minut ivo d ep rec iativo par a Dmitri. Sua porta-voz repre- endeu repórteres que o trata-

dizendo a frase-título do do-

 

O

documentário, de quase

cumentário. (I G)

PRIN CIPAIS PA RT IDOS RUSSO S

Forças políticas se movimentam para eleição de 2018 OPOSIÇ ÃO NÃO CONSENTIDA Rússia Unida Par
Forças políticas se movimentam para eleição de 2018
OPOSIÇ ÃO NÃO CONSENTIDA
Rússia Unida
Par tido Comunista
Partido Liberal-Democrata
Uma RússiaJusta
Partido do Progresso
Rússia Aberta
O PARTIDO
Partido criado por Putin em
2007 para consolidar seu
poder institucionalmente
Ente sucessor do partido que
comandava a União Soviética,
oposição retórica a Putin
Sigla do ultranacionalista
Vladimir Jirinovski,oposição
mais retór ica
Sigla de centro-esquerda
liderada por Sergei Mironov
Sigla comandada pelo advoga-
do e blogueiro Alexei Navalni,
queinspirou dois mega-atos
contra corrupção este ano
Liderado do exílio pelo milioná-
rio Mikhail Khodorkovski. Não é
um partido, mas um grupo que
apoia nomes avulsos
CANDIDATO
tin deverá serocandidato à
reeleição
O eterno candidato ennadi
i anov deve concorrer
irinovs i pode ser o candidato
ironov deve concorrer
avalni diz ser candidato, mas
está impedido por condenação
criminal que diz ser armação
Tenderiaaapoiar avalni

CR ÍTI CA

An ál ise geopolítica ampl ia nova biog ra fia de St ál in

mo os do britânico Simon Se- bagMontefiori, dos russosDi- mitri Vo lkog onov e d os ir - mãos Zhorese Roy Medvedev,

JAIME SPITZCOVSKY

fado, produzir densa contex-

da etapa marcada pela cole-

ao massacre de milhões— é pouco convincente.”

 

Problemas de saúde, como

a

pesquisa de Kotkin não des-

CO LU NI STA DA FO LH A

tualização histórica e inves-

tivização forçada, o regime de

a

arriscada cirurgia de apen-

ponta como tratado definiti- vo sobreaditadura de Stálin.

tir

na análise geopolítica, de-

terror, o fracassado pacto de não agressão com o alemão Adolf Hitler,aSegunda Guer-

Kotkin, portanto, busca di- ferenciar sua abordagem com doses maciças de história da

dicite em 1921, e ameaças de assassinatos rondavamoco- tidian o d o r evolucionár io

Nos últimos anos, após a debacle da URSS em 1991 e a abertura de arquivos históri- cos antes selados pela censu-

senhando de desafios da Rús-

Mas, com foco geopolítico, abre novas lentes para anali- sar a tragédia do stalinismo

sia imperial a paralelos com,

po

r e xem plo ,oi ra quia no

ra

Mundial (1939-45), os pri-

virada do século 19 ao 20 e aponta para convicções ide- ológicas de Stálin como fator decisivo para impulsionar a tragédia do stalinismo. Temperaaextensa pesqui- sa com conjecturas sobre ca- minhos daUnião Soviética no

oriundo da Geórgia, na peri- feria do império russo, que vi- rou peça-chave da engrena- gem bolchevique. “Se Stálin tivesse morrido,

Saddam Hussein.

mórdios da Guerr a Friaea

e

suas consequências para o

soviética, proliferaramim-

portantes e densas pesquisas sobre a vida do ditador Josef Stálin (1878-1953), figura cen- tral no desenho do sangren- to século 20. Livro do professor ameri-

ra

Kotk in inve stiu cerca de dez anos em pesquisas para iniciaratrilogia com o volu- me “Stálin – Par adoxos do Poder 1878-1928”, voltado a

esq uadrinhar a i nfância, a

morte de Stálin, em 1953. “Stálin parece bem conhe- cido por nós”, dizohistoria- dor e professor da Universi- dade de Princeton. “Há mui- to tempo que uma imagem

cenário global eaRússia atu- al. Afinal, como escreve Kot- kin, a história mundial é im-

a

probabilidade de coletivi-

pulsionada pela geopolítica.

zação total forçada —o único tipo— teria sido perto de ze-

ST ÁLI N — PA RA DOXOS D O

at

iv idade revo luci on ária, a

antiga—o pai batia nele; o se- minário ortodoxo o oprimiu; desenvolveu um complexo de Lênin para ultrapassar o seu

caso da morte de Stálin, por exemplo, ao longo da cami- nhada para suceder Vladimir Lênin, morto em 1924, e da

ro

eaprobabilidade de que o

POD ER , 1 87 8-1 928

cano Stephen Kotkin, recém- lançado no Brasil, destaca-se no acervo sobre a tirania sta-

participação na revolução de 1917 e a chegada ao poder do dirigente soviético.

regime soviético viesse a se

AU TO R Stephen Kotkin

ansformar em outra coisa

ou se desintegrado teria sido alta”, sustenta Kotkin.