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CMU sre U0) wes ney Ta DO DIREITO ‘ich Miller mel. /TURANTE IREITO ua EDITORA| Ts Pen KT is ae Wole ns BLT) Teoria Estruturante do Direite + Facowcis Mosk 9026 Tuto original Sirukcurerende Rechsichre © Duncker & Kumble: Bertin Traduca Price Navnanes~CaptlasaVi Eyators Avan De Souza —Capitlos vila XIV Direito de taducioreservado pra a Editra Revista dos Tribunals, ‘Sia Pavlo, mediante coma como Auer Revsioe dngrmiciockebnica servo Com. Ek Hedin Uda CRP 05.392 4644000 Inpoeio eencadena;eo ora nia Grea Era Us, OND 67.639.761001-76 ‘© desta edigao (2008), Eprrora Revista Dos TRIsuNAIS LTDA. Cantos Haweique of Cava Fito. Diretor responsive! Rus do Bosque, 820- Bane Fund Tel 11 3613,6400 Fax 11 3613.2450 ‘CEPO1136-000-- Sie Paulo, SP ras Tonos stro Fre a epoca ao pi eso, execin mente por sams bean icrflniea, lor ftcen, preg icon ogo idrgratcos eds emorengo wou arsupeagio wal ou pre bem ‘arts incl deal qonpatodats corer slqaorstemace procenamentoded Esa presigoesaslcatsctandasctataicas eas da ava e1 suc ekoreto. A bile desdiretbs ugar panic comaerimclot 184parsyiondaC sx Mnalleom penadepristoemala, buscaenpreensaneindoizagbes eran 018 1104.69.60, 4199031998 ei cos vetoes. (Cevrea. of Re-acignnwento RT Aatendimente, om dis es, das B25 17 horas Tel. og 702.2433 ‘emaildeatencimento 30 corsumidor sacs come Visite nesso site were. combr Impcosso no Brasil 107-2008) Profsional 186978 85-203-3204-9 Colegso) ISBN 978-85-203-3265-6 (Volume SUMARIO Nora én. Estruture da norma e normatividade....e meme 7 112 Secdo. Discussio de concepcbes teéricas tradicionais 9 |. introdugio~ Sobrea diferenga entre as ciéncias naturais eas ciéncias humanas.. tastes 9 Ml. Objetividade nos termos da ciéncia da norma, 16 I. Tipos da compreensio tradicional da norma... 24 IV. Sobre légica da ci8ncia jurfdica as V._ Aplicagio e pré-compreensio tépica e teoria estruturante danorma.. 95. VI. Racionalidade e metécica relativa. 83 VIL. Direito e reatidade como posigdes abstratas na teoria do direito. 95 Vill, Sobrea *natureza das coisas semen 1B 22'Segao. Fundamentos da teoria estruturante (da norma) jurfdica wwe 145 IX. Enfoques metodolégicos para a apreensio de norma e realidade na Jurisprudéncia da Corte Constitucional Federal 145 X. Texto normative norma ve 192 XI, Anaema coma madelo de ordenamento materiaimente determinado... 222 XIl._ Delimitago da concepgao normativa estruturante da “natureza das coisas” ¢ do pensamento juridico institucional e hisiérico. 232 Xill. Programa normativo, ambito normative e concretizac3o prética..... 244 XIV. Sobre a concretizagio ¢ sobre a tecria constitucional dos direitos fun- damentais 269 ‘Ones 20 AUTOR NO Bras. 301 Nota Previa Estrutura da norma e normatividade Opresenteestudosobrea teoria da norma juridica, documentado sobretudo com exemplos do direito constiwuctonal e da teoria consti- tucional, pressupde oconhecimento elementardo debate maisrecente sobre questdes de método e empenha-se no desenvolvimentade pontos de vista subsidiaries, racionalmente verificaveis, fundamentados na teoria constitucional eadequadosa praxis juridicaparaa concretizacao de prescricées constitucionais. Empreende essa tentativa mediante restricdo ao problema da relacio entre direito e realidade, tao carente de embasamento quao incontornavel, Nao elege pata tal fim pontos de partida omtologicos, fenomenclogicos, normologicos, positivistas, decisionistas ow sociologistas nem envereda por vias médias de um sincretismo harmonizador de métodos, de mediagio dialética, polar, oucorrelativa. A propostasquiapresentada objetivaaracionalidadena ‘medida em que transmuda a pergunta por “normna fato” na pergunta pela normatividade e pela estrutura da norma, tratando-aassim como questio de teoria da norma,em vez de traté-lncomo questio de floso- fia geral do direito. Coma redefinicag do conceito de norma, dessarte esbogada,a proposta tem por objetivo fazer com que as descobertasda discussdo realizada atéo momento sobre questoes de métodoadquiram. ‘mator serventia para adogmatica e praxis juridicas. Opresente entoque de elaboragio esta enderecado ao direito constitueional; a pergunta basicapelaleicomo ordem materialmente determinada [sachbestimmte Anordnung] & comumm as diseiplinas juridicas. Em beneficio da nor- matividade da normae davigncia juridica como ciéncia normativa, os contetidas materiais normativos devem serracionalizados como partes ‘ntegrantesda “interpretagio” eda “aplica¢ao” de prescrigoes do diteito publico, bem como do diteito civil edo direito penal. Discute-se aqui num primeiro momento, menos os detalhes das regras de metodo do que—nointeresse de uma prixisrefletida—as condicoes fundamentais da concretizacao de normas juridicas ¢ as possibilidades os limites da cigncia juridica diante dessa tarefa, DiscussAo DE CONCEPGOES TEORICAS TRADICIONAIS 1. Segio LINTRODUGAO Sobre a diferenca entre as ciéncias naturais e as ciéncias humanas A ciencia juridica se descobre em situacao particnlarmente em- baracada quanto ao sen objeto. Se ela for concebida, como acorte freqdentemente, como uma ciéncia humana*" normativa,’ referida& ** © autor ain o temo Gristestssonschaf aealmente: “cienciado espsito"), ‘ules origens remonzam ao conceito hegeliano do Espirito Objetvo, Naclissica formulasto de Wilhelm Dilhey as “clencias do espirito" compreendem se ‘eieacles que tm por objeto arealidade historio-socil” (Einfetung in dle Geisteswissenschaften, 1983), Seguindo a tradigco brasileita, proxima da dos Dates ce lingua ingles (Iuonanites), optel pela exptessto“elaneia humane Clovg. Vielorcs, Zur Getsteswissenschallckeit der Rechtsdiseplin,Stndham Generate, 2958, p. 334, 338, 340; enriermos gerais, vg. Gadatner, verbere Geisteswissenschalten, RGG.3.ed,¥.2,co1.1 304 Wilirhieund Method. Gnundzage einer philosophischen Herraeneuilk, 1980: Rombach, verbetg Geisteswissencchaften,Sioaslexihon. 0.06.3, p. Gb Sobre interpretagas Juridica em termos geras, vg, Betti, Zur Grundlegung cinerallgemetnen Auslegungsletre, Festschrif far Rabel, 1954.2, p. 79 ess. —— Di una teortagenerate deltnterpretacione Bari 1957;Zweiget juristischcinieipreation, ‘Sum Generate, 1954p. 323 es8;Engisch Einjthmangindasjuristisehe Denker: 2a 1956;Klug,jerslché oth, 3. ed, 1956; Wienke, GosetcundRicherhune, 1258: Coing,Dicjuristischen Ausiegingsmethodensind dicLchren der allgeminen ‘Hermencaik, 1959, Laren Methodentchre der Rechsuisserscht 1591: Viehweg, Repl wid furispruden, 3. ed, 1965, com documentagto adicional sobretade, lim dso, c.g. Boenmer, Grandiagen der bargerlichen Redtsondnung..2 parte Siu 1991-2952: Bartholomeyezit, Die Kunst der Gesetzeseuslegung, 1951; Scheuerl, Recltsanwendung, 1952; Esser, Gnundsaicund Norm der ichtrlchen firbildwngdesPrivairechts 1956, seonmodifcacdes na2.ed-de 1964, —— Zur thodenlehredesZivikechs Studi General, 1059.9 97 ex; Wert, onseraleton ned Azrgumet tm Ziilrtel, 1965. Docsmentagto aaicoral ee oo 10 Teorisestuterante do dito * Frenecs Mies vealidade, entao as perguntas pela objetividade ¢ validade universal, pela sua referéncia 4 realidade e pela estrutuca da normatividade ju. ridica colocar-se-The-ao de forma especifica, Sua matéria “historia” separa-a da “objetividade” das cigncias naturais, sua vinculagto a normas juridicas “vigentes” separa-ado modo de trabalho das ciéncias humanas “compreendentes"."” Esse encaminhamento corrente da questio mostra quao facilmente problemas epistemol6gicos podem servi de fundo a discussoes dogmuiticas e hermenéuticas? na teoria € praxis do diteito, Nesse tocante algumas abstragdes, caracteristicas do positivismo na ciéncia juridica, evidenciam ser particularmente duradouras; assim a separacso de norma e realidade, a qual corres. ponde metodologicamente a equiparacdo de norma. texto da norma. Ocorre que “norma ¢ realidade” nao so a Unica formulacao possivel da pergunta fundamental da cieneia juridica. Aquém da universalida- de da filosofia do direito, a estrutura da norma e a normatividade no direito deveriam passar a0 primeito plano como pontos de vista da concretizacao do direito, Isso resultaria em uma inferéncia necessatia a partir de novas descobertas da teoria da ciéncia. Critérios correntes de delimitacio Ehime, rinzipen der Verfssungsoterpretation, WDSIRL 20, 1963, p. 53 En alemao: verstehende Gelsteswissenschafien, O neologismo procra tiadusir com maior fidelidadeesem dar margem a equivocoso sertida do clasico term conn gemacqnivocos.o sentido do chissic terme Diferentemanie de Esser, Grandsatz and Norm elt. p. 116 (-supen. nota desodapé 2, ena sua esteta, Lerche, Sul, Methode, Ansicht. Polemische Bemerkungen zum Methodenproblem, DVBI. 1961, p.90ess, 692 ess, nla entendemos al ‘por “ermeneutics” a radiconat disciplinada arte retoriea;enuito pelo contr. centendenies por “hermengatica”o procedimento de concretizaga juridien dale {(constiueional) com vincsla¢ao, porpanespio.anorma, emvirtde desespecicas txigtuclasde vinculaividede noditeitoconstiucional. quise rauanumpnmeing Momento mencsdedetalhes de metodo dasregrisexcgéucasdo que—igualiente a servigo da prix juridica ~ dc condicbes de eoria da norma da coneretisagdo $rdia. Em coerespondneia com esse entendimenta de “lermenculiea",o pen. saimento jurtdicoorientado segundo problemasnao écompreendida aqui nosenio a retrica, Sobre um novo conceito de hermenutica as cincias humanas, cl sobretudo, Gadamer, Wabrit cit. (v supra, note de redaps 1}: nesea publcacio. of arespeito do carter paradigmatic da hermenenticayuridica sobretudop 307 8. Sobre oabalho de Esser, 6. Wiescker,JZ,1937,p.701 ese odugia~PemmNauvson 11 entre as ciéncias naturais ¢ as ciéncias humanas, tais como absolutoe relativo, objetivo subjettvo, quantificadore qualificador, evidenciaram set simplificacdes prosseiras insustentaveis por ambasas partes, Tam béma “natureza” ea “hist6ria” perderam a univocidadeaparentemente auto-suficiente da mera contraposicao. Distingoes racionais nao se tornaram assim supérfluas, mas apenas mais dificeis, Segundo uma opinido tradicional, as ciéncias naturais logram deixar a pessoa do sujeito cognoscente fora do processo de conhe- cimento, gracas a uma objetividade especifica, $6 por issa é possivel contrapor, A guisa de distingt0, ométodo da explanagio,*" aoperaglo com “causa e efeito”, a necessidade ea evidencia, admitidas como definidoras das cigncias naturais, aos critérios das ciéncias humanas, como, e.g., a0 método da compreensio, a concatenacao de “funda- mento € conseq@éncia”, a constituicao fundamental da liberdade ea certezasempre sé relativa.' Pode-se, porém, considerar provado o fato de que tambémas ciéncias naturais exatas ndo conseguem operarsem. determinacbes de ordem qualitativa? Nao é s6 nas ciéncias humanas queaconceitualizacio dependeda formulaci dos problemas, nioés6 nelas quea qualidade de um processo estudado ou de um conjuntode fatosinvestigado ¢ condicionada pelo direcionamento do imteresse de comhecimento.s Naturalistas também pré-projetamn necessariamenteo 3 Documentacio,e.g.,emHollerback, Aullosung derrechisstastlichen Vetlassung? QRS, 1960,p.241 ess. ,esp.p.260, Cl em contrapartida,atentativa presents ‘onde Nalarnura, DiemethodologizcheBesichimgawizchen Rechtwissenschafe ‘ond Naturwissensebalt. Entwuel einer von der Naturwissensehattangeregien ‘neuen Ordmung, im System der Rechiswissenschali, Z2P 68, 1955, p. 401 ess, CL genericamente sobre a tcoria do conhecimento das ciéncias naturals, .g., Popper, The logic of scienifie discovery, 1959; em alemngo sab o titulo Die Logit der Forschung, 1966, Otermoexplanagdofoiusado pars traduziro trmoalemdo Erkfaren,emaralogia ao consagrado equivalente ings explanation. 4+ Hollerbaci, AaR 85, p. 241 ess. € 260 (nota de rode 3), 5 Cl. #respeito ja Max Weber, Die “Objektiviti” sczialwissenschafillcher und sozialpoliischer Erkemnenis, GesammelteAufsztge zur Wissenschafistheorie, ed J.Winckelmenn,2.04.,1951,p. 145-241, e5p.p. 173 6 Cf.nesse rocante Max Webber, Die"Onjcltivitt” cit, p. 146.55, (nota de rodape 5), 161; tambem 166 ¢ parstcularmente 207, 12. Teoria estrtwanted dita « Farcncn Mou seu objetocientifico.” Ainda que nose trabalho os resultados possam ser descolados da experiéncia do individuo® como um conhecimento experimental, que pode, em principio, ser verificado de forma segura econfiavel, orespectivo campo de investigacao do naturalista também € co-definido pelas operagdes da consciéncia cognoscente. A selecao do segmento de realidade a ser analisado, a determinacao do direcio- namento da indagacio, a interpretacao dos dados individuais cons- tatados com referencia a pergunta néo modificam apenas 0 objeto do conhecimento, muito pelo contrario, sé por meld da esquematizacdo conceitual quantitativa, bem como qualltativaestesetorna um “objeto” das ciéncias naturaise sé chega aser efetivamente constituido como tal pelo trabalho do pesquisador.* Osdetalhesdo conhecimento empirico sto correlacionados 6 posteriormente ao modelo pré-projetado de um segmentodarealidade, noambito dosconceitosutilizados. Conseqden- temente, nema ciencia exata consegue objetivar integralmente o seu “objeto”, Ja como ial, a medicao intervem no seu objeto. Alem disso, a relacao de indeterminacao de Heisenberg ¢ 0s esforcos em prol de ‘uma teoria da preparagaio da medi¢ao mostram que as transformagoes _geradas pela medicdo em principio nao séo abarcaveis," O objeto em si tambént nao é acessivel a cigncia natural, A ine fluénciada formulacao da ‘pergunta, bem como das condigdesdoensaio nna medigao relativiza a corregio dos achadlos ao esquema conceittial, correlacionado a eles. So nesse sentido as leis da natureza sdo enun- ciados objetivos, abstraindo-se aqui das dificuldades priticas ¢ das imperfeicoes da observagio."" Nao se faz mister discutir aqui opiniges extremadas, segundo as quais na fisiea nuclear a particula ow a onda 36 seriam geradas como objetos por meio da medligao interveniente, Recomenda-se, outrossim, cautela diante de afirmagées referentes a 7 Gadamaer, Wahrheit und Method ep. 428 (x supra, nota de rodapé 1). 8 Idem, p. 208, na esteirade Dilthey. 8 CL Bechert, Objekt und Objekiviac in der Natuewissenschafs, Objekt und Objekuivitae in der Wissenschafi, Protakolle der Mainzer Universivatsgesprche, 1959-1960,. 3ess 10 lean, p, 7, Sobre a relagao de indeterminacao de Heisenberg, cl eg.. Popper, Logik der Forschung ct, sobretuda p, 167 ess, (notade rodape 3). 1s Bechert, Objekt und Objektiviat eit, p, 9 (nota derodapé 9, Irvrodugie~PrueNwnvan 13 ‘um colapso da visto mecanicista do mundo e diante de inferencias filosoficas ou teoldgicas apressadas.”” De qualquer modo a pertinéneia das abstragdes convencionais também se tornou questionavel nas ciéncias nararais. Determinacdes dapeculiaridade da clenciajurtdica diante do pano de fundo do racioci- rio separatista abstrato nao mais seafiguram apropriadas, Reduziu-se, ademais, a distancia entre a historicidade do mundo social e da mera repetigao no amblto da navureza.!” Nas clénciasnaturais, ocomponente temporal nao admite mais considerar que um experiment possa set repetido de forma absolutamente idéntica. Apesar de tais descober- tas, que diante de simplificagses tradicionais poderao parecer uma dissolucao de diferencas fundamentais, as diferencas materiais entre as disciplinas permanecem consideriveis, Genericamente,a busca de critérios absohutos é uma questao sem sentido na ciéncia. Decisivaéa formulacao precisa das diferengas e distingoes graduais. Nessa pers- pectiva, interessa menos & ciéncia juridica a delimitacao tradicional das ciéneias naturaisdo que, muito pelo contrério, a peculiaridade de normas juridicase da sua normatividade especifica. Isso também nao toma dispensavel o olhar para a discussio sobre os fundamentos da teoria da cigncia, A simples configuragio lingtlistica de prescrigdes juridicas e a necessidade da sua concretizagao na praxis juridica es- tabelecem uma ligagao com o problema mais geral da compreensio nas ciéncias humanas. A prépria objetividade da pesquisa exata, agora relativizada, também nio pode ser conlundida com a objetivi- dade especifica da linguagem;'* nesta o comportamento do homem no mundo necessariamente ¢ afetado na sua toralidade, Experiencia continue significando duas coisas distintas nas duas teas, ainda que as formulas utilizadas até o momento tenham evidenciado ser insufi- 12 C. Fr. won Weizsacker, Besichungen der thearctischen Physil zum Denken Heideggers, Martin Heideygers Einflu8 auf diewisseaschaften, 1949, esp. p-172; W Heisenberg, Wandlungen in den Grundlagen der Naturwissenschaft, 7... 1947, p. 36; respeita desse 1dpico, ef. Fechner, Rechtsphilsophie, Seziologic und Metapiysile des Reckes, 1956, p. 191, Cf também a2 ed, de 1962. 13 CL arespeito, com vistas 4 worla do estado, eg., Georg Jellinck, Allgemeine ‘Staatslelue,3-ed.,7-reimpr..1960,p.27 €5s.,esp.p. 29, 14 Gadamer, Withrheitund Methede cit,.p.428e, (nota de rodapé 1) 14 Teoria extaturante de crea «Frese Mines cientes. Numerosos problemas funcamentsis do direito, de natureza logratica bem como metédica, nf podem ser discutidos sein que se faca a pergunta previa pelo que, afinal, a ciencia juridica e aaplicacao do direito podem razoavelmente realizar. Comoseu objeto, as ciencias naturais podem indicar ao menos em ermos ideals 0 comtetido do conhecimento perfeito da natureza;}* masa pretensao de win conheci- mento perfeito, quer dizer também coneluide do direita nao € menos questionavel do que o critério dla experiencia definitiva da historia, Nao basta fazer deslocat as raizes das dicotomias da escola neokan- tiana do sudoeste da Alemanha para o pensamento arcaica.'* Muito pelo contratio, as linhas de fronteira “idograficas” e “nomoteticas”™"* deverdo ceder o seu lugar a0 conglometado de elementos normazivos ¢ factuais, distintivo do dircito. Com isso retornaa pergunta por uma objetividade possivel para acténcia juridica. E certo que ela nao ¢ identicaa uma normatividade conereta que conforma vida."” Masessaexigencia,relativizada depots da ciéncia juridica ter abandonado o ideal da objetividade matema- tica absoluta, pode agora ser compreendida no duplo sentido: como acionalidade verificavel e diseuttvel da discussao jurdica, também como determinicade pelo objeto, como justiga material.'* Nos capitu- los subseqtentes seza0 examinados os enfaques até agora existentes 15 Gadamer, Wahrheit und Methade i. p. 269 (notade rodapé 1). 16 Comoprocede Toptscn Das Verhalen'sswischen Sazit-und Naturwisseaschalen, inemethodologisctvieologetischeUniersechumg, Logue: Socidwissnschafien, ed. B Topitsch, 1965,p.57 ess. 62,645 SY Na woria da cifneia de Wilhelm Windelband (1842-1913), expoemte da citada ‘scala, ¢ "nomsaidtico” (iteralmente: esiabelacenc les, to €, eneralizante) 9 procedinenta dascienctasnaturais,adifeencado procedimento "isiogralico” tia. dlividualiconve hterslmente: queescceve peculiarment) chs eSéneias humans, 217 Ci, Heller, Bemerkungen zur staats- und reckustheoretischen Probleimatsk der Gegenwart, AdR Nova Sétie 16, p. 321 ¢s5., que cuida na p. 322 de mancira ‘exagerada de uma “acninoraia", mas eqyipara an mesmo tempo aabjedvidade e avalidade universal. 18 CLatespeite genericamenteBallwveg,2ueluer Lehre vonderNatw dev Suche,1960, p.44,e6, Husserl, Reckt und Zeit, 1955, p. 87 es. TOL. CF. Heller ¢ Kelsen acereadaspossibililadesdecompreenszo de "normatividade” queseafasiam do testossobre esses autores, infrazc. ainda Georg Jellies Aligenicine Staatsllue, 3,ed., 1914, 7, rvionpr, 1860, p. 33955. Intodkagio—PrriaNunes 15 na teoria juridica, que ainda concebem como opostos ser e dever ser, suporte fatico e consequencia juridica, norma e realidade. Emseguida sedesenvalvea pactirde uma analise da urispmudencia uma concepcao de tipo nove da efetivacae do diveito. Essa concepgdo de concretizagao abrange simultaneamente os fatores da realidade e da norma, sé e5* truturados segundo o ambite danarmaea idéia normativa orientadora (programa da norma). Deve-se chamar a atenco ao fato de que estrutura da norma de- signa como conceito operacional o nexo entre as pattes conceituais. integrantes de uma norma {programa da norma — ambito da norma) e nao, €.g., as Telacdes entre os pontos de referencia da teoria tradi- ional do direito (como ser ¢ dever ser, suporte fético e conseqitencia, juridica, norma e conjunto de fatos). Os elementos estruturais men- clonadosatuam conjuntamenteno trabalho efetivo dos juristas de um modo ao qual se atribui normatividade. Normatividade nao significa aqui nenhuma forca notmativa do fatico, tampoucoa vigencia de um texto juridico ow de uma ordem juridica, Ela pressupde a concepcio ~a er explicitada mais tarde~da norma como um modelo ordenador materialmente caracterizado ¢ estruturado. Normatividade designa a qualidade dinamica de uma norma assim compreendida, tanto de ordenara realidade que Ihe subjaz — normatividade concreta—quanto de ser condicionada e estruturada por essa realidade — normatividade ‘materialmente determinada. Com isso a pergunta pela relagio entre direito e realidade ja esta dinamizada no enfoque tedtico e a concreti- -aedo prética é concebica como processo real de decisao. I OBJETIVIDADE NOS TERMOS DA CIENCIA DA NORMA O tema da ciéncia juridica é a norma juridica. Assim a ciéncia juridica, justo como uma disciplina necessariamente pratica,” € tradicionalmente caracterizada como ciéncia ‘ormativa, mas nisso simultaneamente maisou menos marcada com oestigma deabstraces ultrapassadas, Muitasvezesa insuficiénciade uma compreensiomate- rialmente vazia da norma é estendida aos fundamientos metddicos do tatamento do diteito. A premissade um dos erros mais fundamentals do positivismo na ciencia juridica, a compreensio ¢ 0 tratamento da norma juridica como algo que repousaem sie preexiste, éa separagao da norma ¢ dos fatos, do direito ¢ da realidade. Nesse tocante, nio queremos cometer também aqui o erro de generalizar a pletora dos diferentes tipos de prescrigdes legais na “nica” norma juridica, para depois derivar inferencias desse abstractum pré-concebido. Mas a normatividade comum a todas as prescricdes juridicas € um critério de afericao legitimamente aplicavel as diferentes posturas referentes ‘a questdes de método, Com sua insisténcia na mera positividade do direito, subtraida a realidade efetiva da vida, 0 positivismo aceitou o Prego da reduedo ota perda da normatividade juridica. As condigoes peculiares dessa normatividade e, genericamente, a especificidade do direito desapareciam do campo de visio, a medida que o ideal de mérodo de uma cigncia natural, queainda nao se tornara questionavel para si mesina, era tansferido ucriticamente a prescricoes juridicas, Positivismo juridico nesse sentido nao ¢apenasa teoria do direito, que se restringe consciemementeao direito positivoe bane do conceito de direito todas as ordens sociais restantes, ainda que tradicfonalmente 1 Esse pontode vista ¢enfatizada porautores ds posicdes malsdistinias te tocante aquestiodo metodo; yeja-se como exemplosdessadescobertaemque peset a& Dosiedesfundamentais muito distantes=Lask, Rechisphilosaphie, Gesamnmette Schriften, 1923,v, 1, p.275 ess. esp. 326: tarela pritica do diceito coma lator formador do sistema, e Ehmike, Grenzen der Verfassungsanderang, 1953, p61: ——~ VWDSIRL 20 cit, p. 33 e55,.e8p. p. 54, com dacumentagao Cw stipra, nots de rodapé 1), ‘Objetividade nos temas da cigncia da norma Pers Nawwnne 47. percebidas como “direito”.* Com esse termo $6 se compreende o direito objetivo vigente como sistema perfeito de normas juridicas, caractetiza-se a decisto juridica concreta como aplicacao logica de uma norma Juridica abstrata a um tipo concreto “a ser subsumido”, iguala-se arelevancia juridica’construtibilidade em termosde logica juridica, ea aca comunitéria dos homensa “aplicacao” e“execugao” de normas juridicas abstratas ou a uma infragao das mesmas.** ‘Ofundamento propriamente dito dessa compreensio do diteito, ainda que nem sempre seja enunciado de forma tao clara como em. Laband, ¢ a reificacao de prescrigoes legais e conceitos juridicos em ‘mera preexisténcia, que facilmente abandona o chao de positividade historicamente fixada ¢ se converte em metafisica de ma qualidade Assim uma nova constituicio nao deve apenas ser reconhecida na sua peculiaridade concreta, mas ser retrorreferida também a elementos juridicos pré-positivos quealegadamenteacompéem., Nessa perspec- tiva, sfo peculiares nao 6 a uma constituigso, mas a cada formagao juridica concreta tao-somente a utilizacao ecombinacao efetivas dos conceitos juridicos gerais”.”* Qualquer instituigdo juridica possivel pode ser subordinada com necessidade absoluta “a um conceito juri- dico hierarquicamente superior e mais genérico”. Com wm otimismo em questdes de método, que entrementes também as ciéncias naturais. perderam hd muito tempo, as prescrigdes legais e os estatutos ainda sao tratados aqui como dados imediatos no sentido de fendmenos da natureza; isso estaria claro mesmo se nao tivesse sido formulado expressamente por Laband.? Essa imputagéo cripto-jusnaturalista de elementos conceituais juridicos gerais praticamente nao tem nada a ver coma funcito hist6- rica do positivismo na ciéncia juridiea, com a necessidade inalterada de elementos racional-positivistas em toda ¢ qualquer compreensio do direito, Mas ela mostra, também a partir da sua perspectiva, onexo 240 Fssa conceituagao aparece novaments em Kelsen, Was stjumistscher Postvie ras? JZ, 1965, p.465¢s. 21 Cf. ness tocante, Max Weber, Recissozoiogie, 1960, p. 103 2 Laband, Das Staatsrcch des Deutschen Reiches,5-ed.,1911;prelécioa L.edp.V 5 e5p-p. VI 28 ldem,p.VL. 18 Teoria esrraurante do dieito« Feconen mors estreito entre questoes juridicas, relativas ao objeto e ao método, ea reflexdo sobreas possibilidades eoslimites da ciéncia juridica. Laband apdia a sta compreensao biisica na area da dogmética juridica e res- tringe-aa mesma area, concebida como umaatividade de pensamento puramente légico. Ainda em Kelsen* fica claro que o positivism jurtdico procura determinar menosa peculiaridade da jurisprudéncia partir da do direito, do que transfere sem maior exame sua concep- sto de ciemtificidade para 0 universo do direito, que é compreendido erroneamente como um ser que repousa em sie deve ser relacionado, por assim dizer, 6 ex post facto com as relagées da realidade social. A ‘norma juridicaé compreendida erroneamente comoordem, comojuizo hipotético, como vontade materialmente vazia. Direito e realidade, norma e segmento normatizado da realidade aparece justapostos “em si” sem se relacionarem; um nao carece do outro, ambos 56 se encontram.no caminho da subsun¢io do suporte fitico,de uma aplica- ‘cao da prescrigdo. Nao vamos discutir aquia origem desse raciocinio, ambientada sobretudo na separacao neokantiana de ser e dever ser. Para a compreensao da norma ¢ de importancia decisiva que a vigen- cia de uma prescricdo juridica como imperativo pratico ea vigéncia de verdade de uma constatagio de fatos empiricos devem estar “em niveis absolutamente heterogéneos da problematica”; unir essas duas esferas& forca implicaria prejudicar-Ihes a peculiaridade *O simples Tigorismo dessa separagio jal a evidencia como uma petitio principii, corretapor definigao, mas também apenas pordefinicdo. Nemaanalise logica nem a observacao empirica podem constatar que a norma e a realidade devem em principio ser tratadas separadamente.”® 24 EmJZ cit, 1965, p. 465 ess. (supra, nara de radape 20), passagem citada era Laband, Stazistect cit, precios 2, ed, XT. (v.stpra, nota de todapé 2. 25, Formutado de manetrarepresentativaem Max Weber, Det Siender "Wertreheit”, Whsenschaftslehre,p. 475 ess.esp. p. 487;el também Rechussoziologie cit, p. 33 (@ supra, nota derodape 21). 26 Correspondendo a separacao de valores e fates, objetivos e meios nas elena socials: Streeten,rtrodugdoa: Myrdal, Das Wertproblam in derSozialissenschaft, 1955, p. 13 6, © 40. ‘Objetividace res termes da cigneia da norma — Pere Navies 19) Nessecaminho o positivismo consegue fugir da metafisica tanto menos, quanto ele substancializa os conceitos juridicos 0s compo- nentes de normas, tratados & maneira de fatos da natureza e inade- quadamente reificados. O exame de palavras ¢ figuras de logica deve conduzir sem mediacoes a informacoes acerca da esséncia juridica dos objetos nomeadas ¢ do nexo entre eles. Justo no interesse da racionalidade positivista seria juridicamente mais correto pesquisa os modos especificamente juridicos de utilizagao dos conceitos e des componentes de normas, em vez de lhes pesquisar essencias juridicas imisteriosamente inerentes."” No entanto, ver-se-ia entdo que a per gunta pelo papel da realidade no direito ndo pode ser solucionada pela sua eliminagdo. Nao s6 os fatos sto inderivaveis de formagoes lingaisticas; o mesmo vale para decisoes juridicas, se nao quisermos introduzirimplicacées ndo-explicitadas, que como fontesincontro- laveis de erros questionam nao s6a pretendida inexisténcia formalista de pressupostos do tratamento positivista do direito,» mas também a racionalidadeediscwibilidadedaciencia juridicaem suatotalidade, Para ‘opositivistaesse problema nosentidodiscutidomaosemanifesta também por outrarazo, pois ele igualaa norma, concebida como independente arealidade, simultaneamente comasuaformalinguistica. Jaconsidera ‘metajuridica o que pode ser apreendido como sentido juridico fora do textodanorma.* Emcontrapartida, umolharapenassobreométodode interpretagio gramatical mostra que esta ultima ja aponta—com a sua costumeira distingao ce sentido entre significados juridicose significa- dos homonimos da linguagem do cotidiano -, para além do texto da norma, necessariamente a norma, nao importa como esta deve ser de- terminada, Emboradescobertasmetodolégicasha muito cempo tenbam abalado a concepcao basilar do positivismo ¢ a tenham superado em ‘numerosas questdes individuais, a compreensio da norma ainda esta 27 A respeito ds problematica correspondente na clencia politica ef. Weldon, The Vocabwtary of Politics, na tradugao alems Kriik der polsishen Sprache, 1962, sobretdo p.30, 3665, ¢38 passim. 28 Crpara al, Smend,Verfassung ind Verfassungsrecht, Staatsrechliche Abhandluagen unl andere Aujstize, 1955, . 119 ss. e234, contra Laband, 29 Contra essa posicao, eg., URmke, Grenzen der Vefossingsdening cit, p. 13-¢ 5.618 (v, supra, note de rodape 19). 20 Teoriaesmturante co dota « Faunce MOLLER Jargamente salpicada de elementos positivistas, 0 dogma vohuntarista” também se conserya ainda, a0 menos metaforicamente, no ambito de ‘concepedes ndo-positivistas do dircito, Na jurisprudénciado Tribunal Constitucional Federal se afirma® com razéo quea vontade subjetiva do legislador (constituinte) historico néo € decisiva, ao passo que a sua “vontade objetivada” éconsideradaa medida da interpretacdo (da constituicio). Abstraindo da falta de coerénciadessajurisprudéncia,2? oconceita de vontade foirevisto pelo proprio Tribunal Constitucional Federal. Muitas vezes as normas, justamente as constitucionais, nao fornecem nada mais do que pontos de referéncia de concretizagéies ossiveis. Sobretudo a “vontade objetivada” nao em principio, nada mais do que o teor material normatizado de uma prescricio relativa a questio juridica pendente, a ser concretizado do modo mais racional possivet. Por fim, odiscurso da “vontade” do legislador (constituinte) 1a prtica serve ndo raras vezes de substitutivo postulatsrio de argu: mentos, como férmula aparentemente normativa. A “yontade” do legislador deveria, caso invocada, ser verificada de modo fendamentado. Se, porém, o recurso a psicologia historicizante esta impossibilitado or bons motivos, a fundamentacdo somente podera advir do teor normativo materialmente determinado, tornando dessarte super- {ua a metafora da vontade. Cedo a sociologia do diteito ja chamou. Aatencao para o fato de que a compreensao do enunctado de direito como vontade do legislador desconlaece a parcela de facticidadesocial presente no teor da norma.» Deresto naosenecessita, para abandonaradoutrina voluntarists, considerar como Ehrlicha prescricao juridica detetminada pornormas socialmente vigentes ¢ restringir o jurista essencialmente a selecio a 30 Eg.,ainda em P. Schneider, Prinzipien der Verlassungsinterpretation, VVDSiRL, 2cit, p. 1 eos, € 26a inerpretagzo da constituigo teri por objetivo a “efeti ‘agio de uma vontade real de ura conatituinte, que se explicitaria no espago © notempo". 31 Destie BUEr{GE 1, p.299 es. e312, 32 Devisdes com base na historia da formact.e.g,,em BVer{GE 2, p. 266.085, e2%6 4.p.29¢ss.¢304es, 33 Ehrlich, Grundlegung der Soziologie des Rechts, 1913 (reimpressto 1929), sobre. tudop. 172, | | i i (Objetvidade nostermosdaci8ncia da norma—Peret NaLswnn 21 partir da matéria social. Chama a atengio que Savigny declarou ser a tarela da interpretacao a reconstrugao do pensamento ou do sentido contidos na lei, nao, porém, « reconstrucdo da “intencao”, ambigua- ‘mente vizinha da “vontade” > Ainda que hoje aidéia da interpretagto como meta reconstrueao nao pareca mais ser suficiente, inrporta aqui enfatizar 0 teor objetivo da norma come objeto de concretizacio da norma. O dogina voluntarista, de origem relativamente recente, re- ‘montaaciéncia das Pandectas da fase tardia, ia qual foi retomtado pelo direito pubtico do positivismo incipiente. Reproduziu-se na idéia da norma como ordem ¢ privou, com a separagao de direito e realidade, esse imperativo hipotético da relacao material com a sua rea de vi- gencia, Essa concepedo pode conduzir a dela de que a juridificagto suprema, aparentemente efetnada na constituicio, converter-se-ia no ambito da interpretaciolinguisticaantiteticamente em desjuridificagio [Entrechilichng] e “em uma dominagao extraordinaria do extraju- ridico [des Auferrechtlichen]", 0 que de resto reconquistaria para 0 conceitode constituigdoa conexao coma democracia. Nao sdoapenas essas inferéncias que recomendam um novo exame da compreensfio da norma, que se dispetsou sob variadas formas, desde o positivismo jurisprudencial até a discussao sob a égide da Lei Fundamental de Bonn. Nao em tiltimo lugar, essa compreensio continua produzindo efeitos na opinito de queas questoes da concretizacdodo direito pode- riam ser resolvidas por meio da “aplicagao" das prescri¢des, pot meio da “subsuncio” e da inferencia silogistica com ajuda dos cananes de Savigny De qualquer modo, ¢ inegavel que Savigny nao pensou com 4 ‘System des heutigenromischer Rechts, 1840.v.1,p.212¢ss, esp.p.213com nore de codape (a; cf. ambeim; ___.Juritische Methodentohre, ed, Wesenberg, 1951, p.18ess, esp.p. 19. 35 Em Leisuer, Betrachrongen zur Verfassungsauslegung, DOY, 1961, p. 641 ess. esp. p.044€55 sobre anorma como vontade e ordem, idem, p. 642 647 36 Assim sobrevedo Forsthoif desde: Die Umbildung des Verlassungspesetzes, Festschrift fir Carl Schmit, 1959, p, 35 ess ;outrossim: 2ur Problematit der Verfassungsauslegung, 1961. Contra as teses de Forsthoffy, sobretdo, Hol- Texbach,AdR&S,p, 241 ess, (x supea, nota de redapé 3); Ehmke, Wirtschaft und Verfassung, 1961, p. 450353 WDSiRL.20, 1963,p. 33ess,e64 (y supra, hotade rodapé1); Lerche, DVI, cit. p.690 ess (supra, notadevodapé 2). Em favor damanutensio da concepeao de “aplicagio", “subsungao”, slogismo", x 22 Teoria esuerurame do dzeto + Fexence Mcues relaclo a essas regras no direito publico..” Tanto menos se pode, e.g., ver nos direitos fundamentais instituigoes constitucionais técnicas, ccuja realizacao nao deve suscitar nenhum problema que transcenda © organon silopistico.*® A maioria quase absoluta dos emuciados juridicos, multo mais aindaa totalidade das normas constitucionaisde direitos fundamentais, nao satisfazemnem de longe as exigéncias quea légica das inferéncias deve formular com relagio a premissas maiares. Por conseguinte, a compreenséo falha da norma juridica como juize hipotético trans- formado em proposicao de légica formal, como ordem a ser igualada 20 seu texto lingitistico, como premissa maior a ser tratada segundo as regras silogisticas, propde, a parti da concretizagio do direito em formulagto mais aguda, aquestio de uma definicao mais adequadada relacio eniredireito realidade ecom isso simultaneamente squestao de uma compreensao sustentével da norma, bem come da ciéncia ju- ridica como ciéncia de normas. Essa tentativa aleta necessariamente a compreensio do ordenamento juridieo positive como um sistema. No positivismo, “sistema” nao ¢ compreendido mais apenas como 0 desenvolvimento das norms juridicas e dos seus conceitos por meio de definigdes ¢ distincdes redutiveis a elas, como em Savigny2” mas como uma preexisténcia coerente ¢ sem lacunas de carater também abstratamente reificado, da qual ele pode ser deduzido sem problemas por via da légica. De qualquer modo para o direito constitucional da atualidade, a insuficiéncia dessa compreensio da norma e do nexo ‘ambein Fume, Richterrecht im Scenerreche, Steuerberater Jahrbuch, 1964-1965, p.55ess,,noqualaparece sidets problematica do“ ordenamento urtdicoglobal” Gnclusiveurispradeneta edoutrina) como «premissa maior “aseraplicada” no silogismo,sobretnde tap. 62 ess. 37 CL Savigny Juristische Methodentelve (x supra, notade rodape 34),p. 13; axbérn System, (0. supra, nota de rodape 3), p.2.23,39; a este respeito sobretudo Ehmke, Wirtschaft und Verfassung . supra, nota de rodapé 36). p. 49, ambém ollerbach, AoR8>, 2415s. (e supra, noiade rodape3),p, 258, contra Forisholf, eg. Problenatk (¥.supra, now de rodspe 38), p. 39s. 38 Assim entreanto Forstholl,Problzmatik cit, p. 22x supra, nota de rodapé 36), 39 Savigny Juristische Methodentehre cit, sobretudo p. 37 (x supra,nota derodape 34). ‘Objetivicade mos terms da ciéncia da nota = PereNauswos 23, | danorma se esclarece implicitamente na jurisprudéncia do Tribunal | Constitucionat Federal. Apesar de multiplas manifestacdesde adeséo | aos “métodos” convencionais da interpretacao,” o tribunal utiliza ‘em larga escala pontos de vista que nao sao compativeis nem com os caniones individuais nem coma concepcao de norma, que Thes subjaz; assimanecessidade de umresultadoadequado ao objeto [sachgemag|, 0 significado do conjunto de fatos a ser regulado pela norma e pela decisao, a consideracao de nexos iistoricos, politicos, sociologicos ‘como aspectos que em tltima insténcia fundamentam a decisio."* 40 CL. Apenas, e.g, BUDGE 1, p. 299 ess. € 312: “teoria objetiva; a esse respelto também F 6p. 35 ess. 10, p. 234 es. ¢244; outrossim sobremdo E LI, p. 126 55, 230: os merodas gramatial, sistomatico,teleclogico historico se apoiam, complementam reciprocamente 41 CL Apenas, eg, BNeGE 1, p. 208 es, esp. p. 209; 12, p. #5 ess. esp. p. 56; 3,p. 38 ess. €85; 6,p. 132 e559, p. 305 ess.¢323 e512, p. 205e55. Asse ‘espelto, cf. ira, emp. 1X IIL TIPOS DA COMPREENSAQ TRADICIONAL DA NORMA Quanto aos pressupostos, & abrangencia e aos limites da apli- cabilidade, as regras da sua execugao e a sua relagdo com os pontos de vista convencionais da concretizagao da norma, esses recursos & facticidade normatizada ou nao-normatizada na jurisprudéncia ndo estao hermeneuticamente elucidados. Tanto mais eles se expdem. = abstraindo da defensabilidade dos sens resultados individuais —& censurade estrangeirar metajuridicamente questdesde ciénciajuridica com ponderagaes genericamente Biloséficas, historicas, juspoliticas, de abandonar a pureza da metédica da ciencia do direito, de colocar valotagdes subjetivas no lugar da delimitacao racional. Nessa censtra fundem-se a preocupacio pela racionalidade ¢ controlabilidade da discussao e decisao juridicas, como elementos po- sitivistas imprescindiveis na ciénciadodireito,"eumaideiade pureza, que agudiza, com coeréncia na dimensio do método, o positivisme no sentido de Laband e Anschtitz. Em meio a isso sao despidos, com coeréncia nada menor, o direito da sua forca materialmente motiva- dota,anorma juridica da stua normatividade,a ciéncia juridica da sua especificidade de ciéncia de normas. Na sua transformagio radical do ireito a imager da logica formal, Kelsen levou ao apice da absttacao a separagao e contraposicao de norma e realidade, ser e dever ser. A tese de que nao se poderia inferir do ser nenhum dever ser e desse dever ser nenhum ser, essa separagao de fundamento e condigio de vigéncia do direito" mostra que Kelsen se interessa no tratamento de problemas jurfdicos mais pelo conceito de citneia do que pelo con- cello de direito. De acordo coma sua doutrina, normas juridicas nao so fatos, mas o senticlo destes, a saber, o sentido de atos de vontade direcionades para 0 comportamento humano. O fato do direito ter 42 Nesse sentido a oritica de Forstholl éjustificada (supra, nota de rodapé 36), 48. Emépoca mais recente novamente em Kelgen, JZ cit, p. 465 ¢88.,e5p. p.467 (v, supra, nota de rodapé 20). Cf, também Kelsen, On the pure theory af law, Israel Law Review 1966,p. Less “Tipes da compovensio tradicional da norma Pere Nawwasss 25 sido positivado ¢ a realidade s4o 0s tinicos fatos que condicionam a vigencia do direito e com isso a sua positividade. Por outro lado, 0 fato dessa redugio voluntarista nao sero unico angulo, sob o qual a relagio entre norma ¢ realidade estatal e social pode ser visualizada, écontornado como problema com a separacao estrita de dever ser € ser. Ademais, tal sepatacdo conduz a de eficdcia do direito como uma condicio da sua vigencia ¢ dessa propria vigéncia como um dever ser, Nessa perspectiva, um tratamento distinto do direito aparenta ser nio-cientifico, Ocorre que essa doutrina notavelmente coerente |jése extravia do direito nos seus proprios pressupostos. A questao da ‘vigencia nao pode ser formulada razoavelmente em termos puramente soclologicos, nem puramente normativistas, nem ainda por meio da distingao dessas areas aparentemente autonomas. Tamlbém as opera- ées ndo-refletidas da praxis juridica evidenciam sempre de novo que avigencia do direito éum fendmeno muito complexo, que odever ser no se refere apenas a questoes materiais, mas que ele mesmo € ma- terialmente caracterizado, A denominacio usual da teoria kelseniana de “normativismo” é excessivamente otimista; ordens isoladas sem releréncia material carecem de acesso a normatividade. E verdade que Relsen concebesomente na segunda edicéo dasua Teoriapuradodircito norma juridica, °agoradistinguida do enunciado juridico,como um imperativoa maneira de um quadro referencial;**na primeira edi¢a0”” ela fora igualada ao enunciado juridico (que apresenta a forma funda- mental da lei) ¢ caracterizada como juizo hipotético. Mas em ambos ‘05 casos esta expurgada da norma juridica a perguata pela corregao do seu contendo.* “47 Sobre aratodenominagao dessa espécie de positivismo justdico como volunta- Ystuo ef. Kelsen,J2 cit, p. 466 (2 supra, nota de rodapé 20). 43 Kelsen, Reine Rechslehre;miteinem Anhang: Das Problem der Gerechtgheit,2.ed., 1960, p.59, 73ess.¢347. . 46 Em esos individuais tambem como licenca ot! autorizagno. AT Keleon, Reine Rechislehve,Eimlitung indie rechiswissenschafetiche Problemnatih, 2.ed.,1934,p.21e5, 48 Clergs Reine Rechtslehre cit. 1. ed. p. 21 (supra, nota de rodeps 47); a respeito do que segue». p. 35-36, Quanto a incongruencla Juridtea entre ums norma pura, desprovida de situacie ede tipo,cf.C. Schmit, Uberdiedrel Arten des vechtswlssenschaftlichen Denkens, 1934, p. 23. Sobre Kelse, v. também de 26 Teoria estuturantedo dita» Freon Mure De acorde com a intencao da teoria pura do direito, a norma Juridica como jutzo hipotético nao deve mais apresentar nenharna semelhanga deologica coma norma moralimperativa, O dever ser do direito positive remanesceapenas ‘comoexpresstodonexode condicao © conseqncia no enunciado juridico. Na nova versto dessa teoria da norma juridlica, o caraterjuridico-cientfico também de umaauto-sn, ficlenciaextremamente formalist; fica exchuida outrossim, junto com tudo o que € “metajuridico” toda equaiquer normatividade concen resulta extremadla a medida da objetividade, de acordo com um ideal extajuridicode égica formal, A distingdo entre interpretacteaulénticne ndio-auténtica corresponde a distincao entre: normajuridicaeemunciado Huridico* Flaborados em interpretacdo ndo-auténticapelacieaciajut. dicana forma de jutzos hipotéticos, os enunciados, juridieos descrevem asrelacoes constituids pelas norinasjurtdicasentre es suportesfaticos Por elas determinados sem vistas a valores ou valoragées, que podem Ser considerados metajuridicos, Com isso a citncia jurtdtea fornece enunciados, que devern conter "assim como as leis da natureza das iéncias naturais —uma descricao do seu objeto, isenta de valores” * Jafoiexplanado que também nas ciénciasnaturaisa ingenuidade, Hotocanteaométodo, de uma contraposicaoabstratadesujeitoc obj, do conhecimento deve ser considerada ultrapassada hi bom tempo Tanto mais questionvel~c irracional no seu resultado —ela se rere lg Barea clencia juridica,queem Kelsen,assimncomo osenunciadosjurt- dicos (também geraveis por outras pessoas} privadas), écomprometida comvistasa uma logica imaginéria sem quaisquer eitérios de correcao normativo-conteudistica, Na area dessa interpretacdo nao-autentica, um possivel cor material (Sachhaliigket} das notmas, uma possivel Vinculagao 4 matéria [Sachgebundenheit] do dever ser normative nao ‘sdo propostas nem come perguntas. A alternativa rigotosa: Logica formal cognoscente ou politica jurdica subjctivamentefasificadora, pone de vista da tori da Unguagem F Moller, Esssis zur Theorie von Recht lund Verfassung, 1990, 9. 98 ess Be aber. Reine Rechisicve,2. ed, p. 46.ss. (supra, nota de rodape 45), 50 Idem, p. 8, ‘pose compreensio wadicianal da norma ~ Pets Nauins 27° que pergunta pela correcto quanto ao contettdo,” erra de alvo tanto no que respeitaa func&o de prescricdes legais quanto no que respeitaa capacidade de rendimento da objetividade juridica. A mesma tedugao do conceito de norma encontra-se na interpreta¢doauténtica por parte dos érgios aplicadores do direito. A norma como orem nao oferece mais do que um quadto para uma série de possibilidades decisorias logicamente equivalentes. Cada ato, que preenche esse quadro em qualquer sentido logicamente posstvel, esta em conformidade com o direito, ficando eliminada aqui a pergunta pela correcao quanto 20 conterido. Conhecimento e decisso s40 tambera rigorosamente separades no ambito da interpretagio auténtica, A interptetagdo nao vai além da constatagao, por assim dizer, do descobrimento de varias normas individuais equivalentes no quadro da norma geral. Nem a ponderacao de interesses nem os convencionais recursos auxiliares de método comoaanalogia ou oargumentum econtrariofornecem critérios objetivos.** O que é reconhecido na hermeneutica moderna como a coexisténcia, prenhede tensdes, de elementos cognitivose volitivos de uma coneretizagao do direito por meto da jurisprudénciae da doutri- zna,* permanece separado com toda a pureza em Kelsen. A discussao cientifica éatribuida a érea do conhecimento [ogico na interpretacao nao-auténtica; a interpretacdo autentica (e.g, na sentenca judicial) & concluida pormeio de umato de gera¢ao da norma, que aparece como meroatode vontade, cujas medidas nao propdem nenhum problema de tcoria juridica ou genericamente de direito positive, mas apenas um problema de politica juridica.* Excluem-se aqui liminarmente @ racionalizacao de teores materiais normativos, a descoberta de elementos de politica juridica na interpretagao. Nao se consegue ‘compreender como a geracao judicial do direito no quadro logico da norma genérica deva continuar sendo ao mesmo tempo a “aplicacdo” da lei, por meio de atos de vontade de tear juspolitico.” 1 Idem, p.352.e5s.,esp.p. 353; com relagdo ao quié segue, p. 46€56. ‘52 Adem, p.350, 33 Cf.,eg., Wleacker, Zur rechistheoretischen Praxisienung des §242 BGB, 1956, 14; Rschneider, VWDSIRL 20 cit.,p. 1ess.e40 es. (x supra, nota de rodape 30), 5+ Raine Rechisteheecit.,2. ed, p.35Des (v, supra, nota de rodape 45), 35 Assim, porem, dem, p.351 (« supra, notadezodapé-45):nessapassagem também arespeito do que segue, 26 Teorls esvuturamte do clrsito« Fexoweusaiun Esta nao € vista apenas como resultado, mas tanbém como alavanca do desenvolvimento social. Masela¢feita de materia social. Namaio- ria dos casos, a moldagem por parte do jurista restringe-se & selegao das normas socialmente vigentes, que devem ser universalizadas ou unificadas.”* Em todo 0 easo, as normas prescritas pelo enunciado Rehbjinder); Ballweg, Zu elnerLehrevon der Natur der Sache it..p. 13 (supra, nota de rodapé 18), 71 Cobn,Existentiatismnsund Rechtswissenschaft,1955,p. 155essconcrariamente, eg. A. Kaufmann, Gesetz wd Rech, Existenz‘und Ordrung,Festschrf fr Evie Wo, 1982, p. 357 ess.0373, 12 Issondo € necessetiamente um argemento contra 9 existencalismo, mas contra ‘sua transference a questoes fundementais de ordenamentojuriic, 73 Ehlich, Grundtegung der Sociologle des Rechts ei, p. 138¢.,e5p.p. M40. supra, snotade rodape 33). 74 Adem, p. 171; cf. tambemp. 1638, 34. Teoria esruturante do direto * Freo¥e Mourn juridico podem também modificar oneliminaraquelas normas sociais, resultantes dos fatos juridicos.”* Nesse enfoque reside a possibilidade de examinar a relacao entre realidadee direito numa direcao, que 1ta0 contornaanormatividade do ordensmento juridico; masesse enfoque nao logra explicitar-se em Ehrlich, pois o autor contrapée as normas Juridicas como ordensnormatizadasaos meros fatosdo direito, Ocaré- ter abstrato do ponto de partida impede aimplementagao da pergunta em uma metédica juridica © mesmo vale para tentativas de apreender o direito no quadro de uma teoria sociolégica do Estado por meio de um método exclusi- vamente sociolégico.”* Embora se pretenda maater com isso a auto- nomia do direito ¢ da sua concretizucio,” ela s6 pode ser examinada funcionalmente, nao quanto ao seu contetido, Uma teoria do Estado assim concebida, que nfo se iguala a sociologia do direito, vé odireito sobretudo como fator socialmente eficaz;*com buse na concretizacao do direito pela doutrina e pela praxis, ela pesquisa o lugar social do direito, nao a estrutura individual ¢ a sua referencia a normatividade juridica. Dessarte também essa visio fecha para si mesma o acesso a uma indagacio hermenéutica. Assim o ordenamento juridico ¢ a or dem social extrajuridicas podem tomar-se objeto da teoriado Estado bem genericamente, “no tocanteao fato delas estarem reciprocamente referidas e entretecidas” Na realidade, o ordenamento juridicamente isolado nao existe; juntamente com outros elementos da “ordem real global”, cle se integta nesta ittima e cumpre a sua fungao ordenadora ssomente passando pela orclem global. A issodeve corresponder no nivel clo métado » enfoque sociolégico, igualmente abrangente.” Embora 4 impossibilidade de imeerpretar e aplicar o direito com métados ex- clusivamente juridicos seja documentada aqui com uma referencia a0 neexo de sentido entreo ordenamento global earealidade social e com 75 Arespeito disso edo que segue v hitch, Grandlegung der Sogiotogie des Rechts cle, p. 13588, sabretude p. 159. (x supra, nota de todape 33). 7 C{.Drath, ZurSozialichre und Rechtslehrevom Saat, bren Gebieten ind Methoden, echtsprobleme in Staat und Kirche, Festgabe far Smend, 1952, p.#1 ess. 7 dem, p. 5555. 78 Idem, esp. p.47:a respeito do que segues. p. 45055, 70 Adem, p. 48, ‘T)pos ea compresnso vadicional da norma PEiRNALMNSY 35 ‘uma referencia unidade de sentido dos elementos da ordem juridica e das ordens extrajuridicas,” a serventia dessa perspectiva para a concretizaeio cientifica do direito deve permanecer expressamente emaberto." Para tal nao basta uma linha de indagacao, que se deixa impor a forca uma distingao epistemolégica entre conceitualizacdo segundo a ciencia juridica e conceitualizagao segundo o tipo ideal da sociologia." A questdo: até que ponto a interprelagao eaplicacao do direito podem no caso individual apoiar-se na facticidade social eem resultados da pesquisa sociolégica, sem errar oalvo da normatividade do diteito, deve, porém, ser vista como problema da metodologia, a saber, de uma metodologia juridica. Com isso a compreensao da norma se evidencia novamente como ponto de partida propriamen- te dito da tarefa de libertar a pergunta pelo direito e pela realidade de abstracoes herdadas da tradicio. Aspectos da realidade social s6 podem entrar na dogmatica ¢ metodica juridicas no interesse da normatividade juridica, a servico da racionalidade especificamente juridica em vinculagto & norma. A elucidacao da problematica dos fundamentos da ciéncia juridica € uma tarefa dessa propria cléncia, No seu cumprimento, tanto a realidade quanto a estrutura da nor- matividade juridica devem receber um tratamento diferenciado no tocante a teoria das normas. S6 nesse caminho a compreensao da