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LISE Laboratório do Imaginário Social e Educação/Faculdade de Educação/UFRJ GEM Grupo de Educação Multimídia/Faculdade de Letras/UFRJ Curva Espaço de encontros e pensamento

ARTE E DEVIR, ARTE DO DEVIR Poéticas e Políticas do Movimento

De 07/08 a 16/10/2017 (segundas-feiras)

Curva Espaço de encontros e pensamento Rua Cardoso Junior, 174 Laranjeiras - RJ

Coordenação:

Bernardo Carvalho Oliveira (Educação/UFRJ)

Professores:

Mauro Sá Rego Costa (Faculdade Angel Vianna) Juliana Fausto (Doutoranda em Filosofia/PUC-Rio) Miguel Jost (Letras/PUC-Rio/Capes) Renato Noguera (Filosofia/UFRRJ) Raïssa de Góes (artista plástica e escritora)

Artistas:

Maria Baderna Cecília Cavalieri Negro Leo Sanannda Acácia

20 Vagas Inscrições entre os dias 17/07 e 04/08 através do email:

artedodevir@gmail.com Curso de extensão de 60h Certificado com 70% da presença Maiores informações: artedodevir.wordpress.com

ARTE E DEVIR, ARTE DO DEVIR Poéticas e Políticas do Movimento

Coordenação: Prof. Dr. Bernardo Carvalho Oliveira

De um outro ponto de vista, a questão da separação das artes, de sua autonomia respectiva, de sua hierarquia eventual, perde toda a importância. Pois há uma comunidade das artes, um problema comum. Em arte, tanto em pintura quanto em música, não se trata de reproduzir ou inventar formas, mas de captar forças. É por isso que nenhuma arte é figurativa. A célebre fórmula de Klee, “não apresentar o visível, mas tornar visível”, não significa outra coisa. A tarefa da pintura é definida como a

tentativa de tornar visíveis as forças que não são visíveis.

Isso é evidente. A força tem uma relação estreita com a

] [

sensação: é preciso que uma força se exerça sobre um corpo, ou seja, sobre um ponto da onda, para que haja sensação. (Deleuze, Francis Bacon: lógica da sensação. Rio de Janeiro: Zahar, 2007, p. 62)

Apresentação

É notória a frase de Paul Klee, segundo a qual a arte “não é uma

reprodução do visível, ela torna visível.” Parafraseando Klee, Deleuze afirma que a música do século XX buscaria “tornar audíveis as forças não-audíveis”: tornar audíveis o tempo, o espaço, a gravidade, os afetos, e até mesmo “a cor do tempo”, como Olivier Messiaen em sua Chronochromie. “Não existe um ouvido absoluto, o problema é o de ter um ouvido impossível”. O mesmo se aplicaria ao cinema, à literatura e às demais práticas artísticas: tornar visíveis as forças invisíveis, tornar visíveis os devires irrepresentáveis, que convocam o espectador a

embarcar numa experimentação contínua através da qual já não se pode reconhecer sujeito e objeto, sons e imagens, apenas potências e devires. Uma arte que, sobretudo, “intensifica zonas do real” ao invés de representá-las “para” um espectador imaginário, concentrando-se mais em “experiências de tempo, de atmosfera e de clima” que abalam as estruturas das ideias e das práticas consolidadas no processo de constituição do que conhecemos por modernidade.

Um arte do devir implicaria em abordar a questão da arte na contemporaneidade não mais em termos de “som”, “imagens”, “palavras”, bem como de seus modos e representações consolidadas —

o “ver”, o “ouvir”, o “inteligir” e o “imaginar” —, mas em relação à

potência própria da experiência. Uma experiência que já não se articula pela remissão à estabilidade da forma, mas por um conteúdo expressivo que se dá no próprio acontecimento, no próprio percurso, influindo decisivamente sobre nossas concepções da realidade, do humano e da política. Vivemos a era do improviso, do acaso e da captação na arte, o improviso que sonda o desconhecido visando não uma descoberta, mas uma experimentação. Um acontecimento que se desprende da universalidade do “ser-ai” e é como que maquinado pelos múltiplos agenciamentos que constituem, atravessam e

modificam os dispositivos e agentes. Na medida em que a prática artística contemporânea opera sobre um tempo-espaço flexível, que resguarda do mundo um estatuto aleatório, produz também o embaralhamento da percepção e o favorecimento de uma ampliação do próprio espaço-tempo.

O “experimental” na cultura do século XX tem por base a palavra “experiência”, o fundamento da ideia de experimental. Na palavra experiência temos a palavra em latim experiri, contendo a palavra ex (estranho, exílio, transe), o per (percurso, de trajetória, de trajeto), quer dizer, lançar-se a uma experiência estranha, lançar-se ao desconhecido. E tem o periri, que vem do periculum, o perigo. Talvez neste momento em que a arte se oferece como campo de convergências de experiências desconhecidas e perigosas, é preciso perguntar: de que modo estas práticas artísticas influem e interferem no modo como concebemos a antropogênese e todo o seu campo de problemas, isto é, o humano? Como interfere na ideia de educação, formação e autoformação? Como essa interferência se desdobra nas práticas políticas? De que forma estas ideias converge na produção artística e cultural do século XXI? As técnica e processos de convergência, vertidos em dispositivos de captação do irrepresentável, também se apresentam como motores dessa situação de baralhamento da percepção? Política, educação e antropogênese são afetadas por essas novas condições? Como esta alteração dos estados de consciência e experiência afetam a própria ideia do “humano”, influenciando a ideia de educação? Qual o papel do pensamento e da educação nesse contexto? Essas serão algumas das questões a serem maquinadas por esta proposta de curso de extensão. (Bernardo Oliveira)

Objetivos

Problematizar o campo de experiências contemporâneas nas

convergências entre arte, técnica e política, e suas ressonâncias na produção de subjetividades/antropogênese, tomando como eixo as relações entre do tempo e espaço, entre representação e expressão, entre estética e experiência.

No âmbito da Antropogênse, circunscrever uma problematização

geral do “humano” no campo da arte que repercute no problema do corpo, da educação, da política e do “cuidado de si”.

No contexto político, sondar as aberturas no campo de experiências

ante a axiomática do capital e a traçar a resistência enquanto linhas de fuga que se exprimem nas práticas artísticas, políticas, culturais,

educativas.

No campo das experiências possíveis, o campo da experimentação, da vivência, da técnica, das renovação das formas de vida e da invenção.

No campo da convergência entre arte e técnica, sondar o campo das

lutas que circunscreve os sentidos da relação entre arte e política, avaliando os cruzamentos entre as práticas artísticas e o pensamento, que trazem a dimensão virtual da experiência, as poéticas híbridas, as políticas do movimento: a arte do devir.

— Encetar investigações acerca dos sentidos do “experimental” na arte contemporânea, modificados ante ao perecimento dos mitos futuristas e progressistas.

Balanço da experiência anterior (2016/2)

Diante do tema e das atividades propostas, julgamos ter obtido

grande parte dos objetivos planejados, sem contudo esgotar o campo de possibilidades. Os encontros nos levaram à percepção da necessidade de transformar este curso de extensão em um Fórum permanente de diálogo e experimentação acerca das convergências entre arte, política, educação e técnica na contemporaneidade.

O primeiro módulo, com o professor Maurício Rocha (Direito/PUC-

Rio), manteve o foco na antropologia de Espinosa como fundamento de uma antropogênese capaz de produzir a superação dos paradigmas da modernidade, uma concepção aberta da subjetividade circunscrita pelo devir, pelo movimento e pela experiência.

Na sequência, dois módulos com Bernardo Oliveira (Educação-

UFRJ), acerca das relações entre desejo e percepção e, na sequência, técnica e invenção. Propondo uma investigação acerca dos modos

como o desejo e a técnica atravessam as perspectivas dos artistas e da política nos dias de hoje, descarta as concepções “estéticas” e concebe

a arte como a elaboração de dispositivos de captação e disparação de forças irrepresentáveis.

Frederico Coelho (Letras/PUC-Rio) trouxe como contribuição para

o debate sua percepção singular das obras de Hélio Oiticica e Tunga, expondo seus respectivos métodos de produzir encontros entre vivência, delírio, pensamento radical e prática artística.

J-p Caron (Filosofia/UFRJ) abordou a obra de John Cage e artistas contemporâneos como Lucas Pires e Henrique Iwao em articulação com o pensamento de Wilfrid Sellars, com o intuito de explorar os limites da prática artística.

Juliano Gomes (Doutorando/ECO) abordou a obra cinematográfica

de Apichatpong Weerasethakul como um dispositivo verbívocovisual capaz de substituir a experiência passiva do espectador, por uma possibilidade interpretativa atravessada pelo desejo.

Bernardo Oliveira (Educação-UFRJ) encerrou o curso com uma aula

sobre o 'pensamento musical de Deleuze e Guattari em Mil Platôs', seguida de um encontro de confraternização com duas atrações: a poeta Maria Bogado e o músico Bernardo Girauta fizeram uma

intervenção poético-sonora em torno da poesia “Baba” (Maria Bogado). E Lucas Pires apresentou seu projeto aka Mortuário.

MÓDULOS

07/08 14h Curva

APRESENTAÇÃO (4h)

Com a presença dos professores colaboradores apresentando o programa do curso.

Professores:

Mauro Sá Rego Costa (Faculdade Angel Vianna) Juliana Fausto (Doutoranda em Filosofia/PUC-Rio) Miguel Jost (Letras/PUC-Rio/Capes) Renato Noguera (Filosofia/UFRRJ) Raïssa de Góes (artista plástica e escritora)

Exibição do filme Serras da Desordem, de Andrea Tonacci

Raïssa de Góes (artista plástica e escritora) Exibição do filme Serras da Desordem , de Andrea

14 e 21/08 14h Curva

MÓDULO I (8h)

14 e 21/08 – 14h – Curva MÓDULO I (8h) Xamanismo, Nomadismo e Arte como Máquina

Xamanismo, Nomadismo e Arte como Máquina de Guerra

Professor:

Prof. Dr. Mauro Sá Rego Costa (Faculdade Angel Vianna)

Graduação em Filosofia, mestrado em Comunicação e doutorado em Educação, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor Associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Filosofia da Educação; Rádio e Educação, Rádio Experimental, Rádio Arte), aposentado. É hoje professor da Faculdade de Dança Angel Vianna (Estética; Pensamento e Processos de Subjetivação). Autor de Rádio, Arte e Política, EdUERJ, 2013.

Pensar o xamanismo na trilha de Eduardo Viveiros de Castro, como o agente principal no pensamento nômade e animista ameríndio. O mesmo nomadismo das Sociedades contra o Estado e da Nomadologia de Deleuze & Guattari. Os nômades criadores de máquinas de guerra são retomados no fazer das artes ativistas contemporâneas. Exemplos e discussão da obra coletiva ativista e das ações pessoais de Maria Baderna. Arte inseparável da vida e da política linhagem que continua hoje o sopro de Dada, dos Surrealistas e Situacionistas. “O animismo é uma ontologia de sociedades sem Estado e contra o Estado” (Eduardo Viveiros de Castro).

Bibliografia

- Eduardo Viveiros de Castro. “Perspectivismo e multinaturalismo na América

indígena”. O que nos faz pensar, n. 18, setembro de 2004.

- Deleuze, G e Guattari, F. “Tratado de Nomadologia”, in Mil Platôs. Capitalismo e Esquizofrenia, vol. 4, Ed. 34, São Paulo, 1997.

- Pierre Clastres. A Sociedade contra o Estado. Ubu, 2017.

- Angela Melitopoulos e Maurizio Lazzarato. “O animismo maquínico”. Cadernos de Subjetividade. São Paulo, ano 8, n. 13, outubro de 2011.

- Eleonora Fabião. “Performance e teatro: poéticas e políticas da cena

contemporânea”. In:

- Maria Baderna. Performance: “Massa Ré, Bunda de Fora Temer!”, Teatro pela Democracia. In:

21/08, 18h Performance: Maria Baderna

Pornomarxista, terrorista, esquerdopata, ideóloga de gênero, amante do vermelho, Fora Temer convicta, baderneira de berço, doutrinadora de criancinhas inocentes, destruidora de famílias estruturadas, membro fundador do grupo de extrema esquerda festiva Youtubers Vermelhos, recém-convertida à comunidade religiosa com partido "Congregação Marxista Foucaultiana da Renovação Pós-Moderna Carismática”, devota fervorosa de Saint Michel Foucault do Collège de France. Autora do grito revolucionário "Viva o Cu".

devota fervorosa de Saint Michel Foucault do Collège de France. Autora do grito revolucionário "Viva o

28/08 e 04/09 14h Curva

MÓDULO II (8h)

28/08 e 04/09 – 14h – Curva MÓDULO II (8h) Antropoceno e seus outros da arte
28/08 e 04/09 – 14h – Curva MÓDULO II (8h) Antropoceno e seus outros da arte

Antropoceno e seus outros da arte de compor bolsas impróprias gênero e multiespecificidade no Chthuluceno.

Professora:

Juliana Fausto (doutoranda/PUC-Rio)

Graduou-se em Filosofia pela UFRJ (2001) e possui Mestrado em Letras pela PUC-Rio (2012). Atualmente Doutorado em Filosofia na PUC-Rio, onde desenvolve pesquisa sobre a relação entre os animais outros que humanos e a política. Pesquisadora do SPECIES Núcleo de Antropologia Especulativa

Em “The Carrier Bag Theory of Fiction”, a escritora Ursula K. Le Guin propõe, como espécie de saída ao mito do herói, invariavelmente “triunfante (o Homem conquista a Terra, o espaço, alienígenas, a morte, o futuro etc.) e trágico (apocalipse, holocausto, no passado ou agora)”, uma teoria da ficção baseada na bolsa, talvez o primeiro “dispositivo cultural” – a narrativa como “bolsa/barriga/caixa/casa/bolsa medicinal xamânica”, na qual os elementos não estão em conflito, mas em relação tensa e contingente uns com os outros em processos não-teleológicos. A tecnologia e a ciência, assim, seriam compreendidas nessa literatura não mais como “armas de dominação”, atuais ou futuristas, do ponto de vista do destino da espécie humana, mas como arranjos possíveis e provisórios dos componentes de uma bolsa sempre sujeita a novas configurações, usos e apropriações. Le Guin é uma das principais informantes daquilo que a filósofa Donna Haraway chama de Chthuluceno, não um nome alternativo para o Antropoceno a história real de como um certo homem, o anthropos, tornou-se uma força geológica capaz de destruir as condições materiais de possibilidade de sua sobrevivência, além da de muitos outros , mas o conjunto de histórias múltiplas, relações transformativas e mundificações tentaculares e subterrâneas composta por entes terrenos que não deixa de traçar continuidades e criar novos modos de habitar mundos danificados. O Chthuluceno, assim, se encontraria na irrupção, pelo meio e pelas bordas das narrativas do Antropoceno, de “inappropriate/d others” (outros inapropriados/ impróprios), termo de Trinh T. Min-ha que Haraway deposita em sua bolsa. Trata-se de povoar o imaginário e, por conseguinte, os mundos nos quais hoje vivemos, com possibilidades outras que os contingenciem; acessar o que se nos apresenta como presente por suas alteridades impróprias, seus outros lados, passados e futuros. Propõe- se a partir daí uma aventura de composição, recomposição e

descomposição de bolsas por meio da obra de autoras de ficção científica feminista como Le Guin, Octavia Butler, James Tiptree Jr. (Alice Sheldon) e Karen Joy Fowler com foco em questões de mundificações e co-habitações diversificadas e multiespecíficas.

Bibliografia

- HARAWAY, Donna. “Sowing Worlds. A Seed Bag for Terraforming with Earth Others.” In: GREBOWICZ, Margret; MERRICK, Helen. In - Beyond the Cyborg:

Adventures with Donna Haraway. New York: Columbia University Press, 2013. “Antropoceno, Capitaloceno, Chthuluceno: fazendo parentes.” In: Climacom, ano 3, n. 5, 2016. Disponível em http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/?p=5258 LE GUIN, Ursula K. A rosa-dos-ventos. Tradução de Maria Teresa da Costa Pinto Pereira. Sintra: Publicações Europa-América, 1986. “A Non-Euclidian View of California as a Cold Place to Be”; “The Carrier Bag Theory of Fiction.” In: Dancing at the Edge of the World: Thoughts on Worlds, Women, Places. New York: Harper Perennial, 1990. “A teoria bolseira da ficção”. Tradução inédita*: Juliana Fausto.

“The

Critics, the Monsters and the Fantasists.” In: Cheek by Jowl. Seattle:

Aqueduct Press. “Os críticos, os monstros e os fantasistas”. Tradução inédita*: Juliana Fausto

Repertório

BUTLER, Octavia. Parable of the Sower. New York: Open Road, 1993.

“Bloodchild.”

In Bloodchild and Other Stories. New

York/London/Melbourne/Toronto: Seven Stories Press, 2005. JOY FOWLER, Karen. “What I Didn’t See.” In: What I Didn’t See and Other Stories. Easthampton: Small Beer Press, 2010. We are Completely Beside Ourselves. New York: A Marion Wood Book/Putnan,

2013.

Estamos todos completamente fora de nós. Lisboa: Clube do autor, 2015. LE GUIN, Ursula. “Buffalo Gals Won’t You Come Out Tonight”; “The Author of the Acacia Seeds and Other Extracts of the Journal of Therolinguistics.” In The Real and the Unreal: The Selected Short Stories of Ursula K. Le Guin. New York: Saga Press,

2014.

“Vaster than Empires and More Slow.” In: The Found and the Lost: The Collected Novellas of Ursula K. Le Guin. New York: Saga Press, 2016. TIPTREE Jr., James. “The Last Flight of Dr. Ain”; “The Screwfly Solution”; “The Women Men Don’t See”; “With Delicate Mad Hands.” In: Her Smoke Rose Up Forever. London: Gollancz, 1990. “As mulheres que os homens não veem.” Tradução inédita*: Juliana Fausto. As traduções inéditas serão disponibilizadas aos inscritos em formato eletrônico

04/09, 18h Performance: Cecilia Cavalieri

Artista visual natural de São Paulo e moradora do Rio de Janeiro. Possui mestrado em Artes Visuais pela UERJ e é doutoranda em Linguagens Visuais na EBA/UFRJ. Seu trabalho reúne prática artística com pesquisa teórica relacionando arte, natureza e a economia/ecologia de algumas crises com o arruinado projeto do sujeito moderno. Tenta investigar e desenvolver, em cada trabalho, uma ecologia desse sujeito em um exercício cosmopoético em instalações, fotos, esculturas, textos e vídeos. www.ceciliacavalieri.com.br

em um exercício cosmo p oético em instalações, fotos, esculturas, textos e vídeos. www.ceciliacavalieri.com.br

11/09 e 18/09 14h Curva

MÓDULO III (8h)

11/09 e 18/09 – 14h – Curva MÓDULO III (8h) Cinema Fome Zero Professor: Prof. Dr.

Cinema Fome Zero

Professor:

Prof. Dr. Miguel Jost (Letras/PUC-Rio/Capes)

Professor colaborador dos cursos de Letras da PUC-Rio, é mestre e doutor em Estudos de Literatura por esta mesma instituição onde atualmente conduz a pesquisa de Pós- Doutorado (CAPES/PNPD): "Coletivos de Cultura: Uma experiência de políticas do comum na cidade do Rio de Janeiro" com duração total de cinco anos. Pesquisador musical, organizou e assinou os prefácios dos livros Samba Falado: Crônicas musicais de Vinicius de Moraes e Entrevistas do Bondinho, ambos lançados pela Azougue Editorial. É Pesquisador Titular do Núcleo de Estudos em Literatura e Música (NELIM) da PUC-Rio desde 2008 e membro do Grupo de pesquisa Textualidades Contemporâneas: Processos de Hibridação da Universidade de Brasília. Têm experiência e atua nas áreas de Literatura e Sociologia, com ênfase em Cultura Brasileira, Música Popular, Políticas Públicas de Cultura e Produção Cultural Contemporânea.

A proposta desses dois encontros é apresentar um estudo de caso que inclui três produções audiovisuais contemporâneas do cinema brasileiro. Estes filmes se conectam diretamente com as mudanças de paradigma nas políticas culturais a partir de 2002 e que foram apontadas por Gilberto Gil, ministro entre 2002 e 2008, já no discurso de posse que inaugurou sua gestão. Quando incluiu em seu discurso a curiosa expressão “do-in antropológico”, Gilberto Gil falava em ativar territórios com alta vocação para produção cultural, mas que não encontravam condições de desenvolver e fazer circular seu produtos. Nesse sentido, minha proposta é analisar especificamente o caso das políticas propostas para área do audiovisual entre 2002 e 2010 e que, de alguma forma, operaram uma transformação da lógica que historicamente centralizou a produção do campo cinematográfico em determinadas regiões, em especial no eixo Rio de Janeiro São Paulo. Para além disso debater como, a partir destas políticas, surgem no cenário dessa produção audiovisual novas experiências a partir dos

olhares de agentes (produtores, diretores, roteiristas) que foram beneficiados por esse novo paradigma da relação entre o estado a produção no campo cultural. Os filmes são Branco sai preto fica de Adirley Queirós (Brasília, 2014), Ela volta na quinta (Contagem, 2015)

e A vizinhança do tigre (Contagem, 2016). A ideia é analisar estes

filmes a partir de suas propostas estéticas, sua circulação dentro da cena contemporânea do cinema brasileiro e sob a luz de textos e outros filmes que nas últimas décadas abordaram a relação entre o cinema brasileiro e as noções de periferia, fome e pobreza. A título de exemplo, pretendo colocar em discussão conceitos que determinaram

importantes noções sobre este debate como o de “cosmética da fome” da professora e pesquisadora Ivana Bentes (UFRJ) e “dialética da marginalidade” do professor e pesquisador João Cezar de Castro

Rocha (UERJ). O principal objetivo é esboçar uma reflexão sobre como

o surgimento de agentes, que provém de uma experiência mais

conectada a esses temas, reconfiguram o olhar sobre eles dentro da produção cinematográfica brasileira atual. Dessa forma, invertem a

lógica representativa que norteou e balizou a relação do cinema brasileiro com a noção de “subdesenvolvimento” nos anos 1960 e com a noção de “periferia” nos anos 1990 e início dos anos 2000.

Bibliografia

- BENTES, Ivana. "Sertões e favelas no cinema brasileiro contemporâneo: estética e

cosmética da fome”. In: Revista Alceu, v.8, n. 15, p. 242 a 255, jul/dez 2007.

- Foster, Hal. O retorno do real: a vanguarda no final do século XX. São Paulo: Cosac naify, 2014.

- Castro Rocha, João Cezar de. "A dialética da marginalidade (caracterização da

cultura brasileira contemporânea)”. In: Por uma esquizofrenia produtiva (da prática à teoria). Chapecó - SC: Argos, 2015.

Repertório:

- Filmes de Plástico, Adirley Queirós, etc.

- Vizinhança do Tigre, de Affonso Uchoa

- Ela volta na quinta, André Novais Oliveira

- Fantasmas, de André Novais Oliveira

- Branco sai, preto fica, de Adirley Queirós

- A cidade é uma só, de Adirley Queirós

- Quintal, André Novais Oliveira

- Baronesa, de Juliana Antunes

18/09, 18h Cinema: Ela Volta na Quinta, de André Novais Oliveira

André Novais Oliveira - Baronesa, de Juliana Antunes 18/09, 18h Cinema: Ela Volta na Quinta, de

25/09 e 02/10 14h Curva

MÓDULO IV (8h)

25/09 e 02/10 – 14h – Curva MÓDULO IV (8h) Abu Bakarr Mansaray (Serra Leoa) Infânciarte:

Abu Bakarr Mansaray (Serra Leoa)

Infânciarte: Artes e Infâncias/Infâncias e Artes em Afroperspectiva

Professor:

Renato Noguera (Filosofia/UFRRJ)

Doutor em Filosofia, professor do Departamento de Educação e Sociedade do Programa de Pós-Graduação em Educação, Demandas Populares e Contextos Contemporâneos e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFRRJ. Noguera é autor de literatura infantil, roteirista de desenho animado e compositor de músicas voltadas para o público infantil.

Considerando a noção do poeta europeu Rainer Maria Rilke, a infância guarda uma afinidade radical com a arte. Toda/o artista viveria, habitaria uma infância intermitente, alguns momentos latentes e outros pujantes. Nosso percurso pretende pensar o conceito de infânciarte, a afectoesfera da arte-infância por meio de figuras estéticas como Kiriku. Para cumprir esse objetivo vamos percorrer o tema por meio da “metodologia” da roda, criando cirandas dramáticas para delimitar a consistência da infância como heterônimo da fazer/experimentar arte. A base Afroperspectiva pretende enegrecer os conceitos para construir possibilidades de produção de imagens:

pretendemos desenvolver brincadeiras durante o percurso, especialmente pedir que as pessoas venham municiadas do material para fazermos pin hole. A nossa ideia é afroperspectivizar as questões para um encaminhamento que descolonize a educação, sustentando que educar é sempre uma proposta de resistir ao esquecimento da nossa própria infância.

Bibliografia

- DELEUZE, G.; GUATTARI, F. O que é a filosofia? Trad. Bento Prado Jr. e Alberto Alonso Muñoz. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992.

- NASCIMENTO, Abdias. Teatro Experimental do Negro: Testemunhos. Rio de Janeiro: GRD, 1966.

Dramas para Negros e Prólogo para Brancos. Rio de

Janeiro: TEN, 1961.

Relações de Raça no Brasil. Rio de Janeiro: Quilombo,

1950.

O Quilombismo: os documentos de uma militância pan-africanista. Petrópolis: Vozes, 1980.

- SANTOS, Juana Elbein dos. Os Nagô e a Morte. Petrópolis: Vozes, 1986.

- SOMÉ, Sobonfu. O espírito da intimidade: ensinamentos ancestrais africanos sobre relacionamentos. Tradução Deborah Weinberg. 2ed. São Paulo: Odysseus Editora,

2007.

Repertório

- Monólogo “Vaga carne”, de Grace Passô (diretora e atriz)

- Branco sai, preto fica, de Adirley Queirós (Brasil, 2014).

- Animação Kiriku e a feiticeira, de Michel Ocelot (França/Luxemburgo/Bélgica,

1998).

- Música: “Por que eu não pensei nisso antes”, de Itamar Assumpção

02/10, 18h Performance: Negro Leo

Maranhense radicado primeiramente no Rio de Janeiro e, atualmente, em São Paulo, Negro Leo é cantor, compositor e instrumentistas dos mais representativos de sua geração. Lançou seis discos solo, alguns independentes (The Newspeak, Ideal Primitivo e Tara), outros pelo selo QTV (Ilhas de Calor e Niños Heroes) e, o último, Água Batizada, pelo selo Rock It! do Rio de Janeiro. Participa também de projetos paralelos como Baby Hitler e Meu Reino não é desse mundo. Já tocou na Europa e no México.

também de projetos paralelos como Baby Hitler e Meu Reino não é desse mundo. Já tocou

09/10 e 16/10 14h Curva

MÓDULO V (8h)

09/10 e 16/10 – 14h – Curva MÓDULO V (8h) Lygia Clark (Brasil) Superfícies — A

Lygia Clark (Brasil)

Superfícies A Fita de Möbius e corpos em movimento

Professora:

Raïssa de Góes (artista plástica e escritora)

Doutora em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio, artista visual e escritora. Publicou Malhada Vermelha, autorretrato e Volta, os três pela 7Letras. Realizou exposições coletivas tais como “Cadernos do corpo”, “Da escrita delas”. E individuas, “Honorato” no CEDIM e “Memória/Esquecimento”, no Espaço Cultural Sergio Porto.

A proposta é discutir a ideia de corpo como uma superfície torcida. Uma torção como a da Fita de Möbius, onde dentro e fora não se excluem. Ocupam o mesmo espaço em um constante deslizamento ou movimento. Para isso, utilizarei os textos de Jean-Luc Nancy: Dentro fora e Corpos estranhos estrangeiros; e o conceito trazido pelo mesmo autor em O intruso. Também trabalharei com a obra e o texto de Lygia Clark, Caminhnado, além de trechos do filme Beau Travaille, de Claire Dennis, do documentário Zidane, um retrato do século XX e de momentos das lutas do boxeador Muhammad Ali. A ideia é criar um escopo de referências para pensar corpos em extensão; um corpo atento que vê com um toque, as costas que escutam. Corpos que se transformam e se remodelam para permanecer em movimento.

Bibliografia:

CLARK, Lygia. Caminhando. Três Rios: Associação cultural O mundo de Lygia Clark. 1964. Disponível em:

NANCY, Jean-Luc. Corpo fora. Rio de Janeiro: 7Letras, 2015. NANCY, Jean-Luc. El intruso. Buenos Aires: Amorrortu, 2007. SERRES, Michel. Variaciones sobre el cuerpo. Buenos Aires, Fondo de Cultura Econômica. 2011

16/10, 18h Performance: Sannanda Acácia

Sanannda Acácia trabalha com som e artes visuais. Produz música usando de ferramentas diversas para obter seu material, como: gravações de campo, apropriação e adulteração de materiais alheios, além de produzir seus próprios sons usando sintetizadores e instrumentos variados. Sua criação faz uso de efeitos psicoacústicos e analogias visuais para ilustrar ambientes ficcionais inspirados em ciência e práticas mágickas. É membro integrante do selo Seminal Records.

ilustrar ambientes ficcionais inspirados em ciência e práticas mágickas. É membro integrante do selo Seminal Records.