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Comentário 1 - Família e Coronelismo no Brasil

A noção histórica do coronelismo, dos antigos grandes proprietários rurais, que, durante

a República Velha, detinham forte poder político sobre os municípios e controlavam os

eleitores pelo voto de cabresto, não está tão distante do coronelismo político ou do coronelismo eletrônico praticado atualmente no Brasil. Pelo contrário, o conceito introduzido por Vitor Nunes Leal diz respeito à adaptação desse sistema de poder frente às novas conjunturas políticas, que na forma do coronel eletrônico substitui a propriedade da terra pela concentração dos meios de comunicação, mantendo sua influência sobre a opinião pública. Desde o fim da ditadura militar, as relações de coronelismo e clientelismo se deram não

mais de forma autoritária, mas norteadas pelos benefícios e pelos interesses particulares. Deste modo, nos municípios e regiões mais isoladas, as parcerias entre o poder local e o poder estatal garantem a certos grupos ou famílias a concentração da propriedade de canais de rádio e televisão e, ao mesmo tempo, o controle político dessas áreas. A lógica privada do espectro radioelétrico e a política de outorgas de radiodifusão servem como bases para a construção dessas oligarquias, ao passo que dificultam o acesso à informação e possibilitam a dominação ideológica de tais populações, prejudicando, ainda mais, o exercício político do cidadão.

Enfim, citando um artigo da própria professora Suzy: "[

]

se, por um lado, a interrupção

da censura prévia dos conteúdos poderia configurar maior liberdade aos canais, o coronelismo eletrônico, por outro lado, esvaziou esta possibilidade, trazendo consigo uma disciplina mais flexível, pela qual a programação regional ou local passou a se vincular estreitamente aos interesses eleitorais dos proprietários de concessões e licenças de retransmissão televisivas."

Comentário 2 - Donos da Mídia: dados e impactos

O seminário Donos da mídia: dados e impactos trouxe ao público o debate sobre a

questão da concentração e propriedade dos meios de comunicação no Brasil - assim

como seus desdobramentos no campo do jornalismo -, reunindo diversos especialistas da área da comunicação, como membros do coletivo Intervozes e pesquisadores da PEIC/ UFRJ.

O projeto Donos da Mídia foi criado na década de 1980, no intuito de investigar a ampla

distribuição de outorgas promovidas durante o governo de José Sarney, sendo pioneira

nos estudos de propriedade das concessões de rádio e televisão brasileiras. Além disso, a partir de dados da Agência Nacional de Comunicações (ANATEL), de 1987 a 2008, levantou a relação de mais de 270 políticos com negócios de 324 empresas de comunicação e criou um ranking com os principais partidos envolvidos. Um dos destaques da apresentação foi o lançamento do site da pesquisa Coronelismo eletrônico: dinâmicas assimétricas de poder e negociação, realizada pelo Grupo de Pesquisa em Políticas e Economia da Informação e da Comunicação (PEIC). No portal estão disponíveis textos, documentos, mapas e imagens que demonstram as políticas de comunicação brasileiras, e que, organizadas sob uma interface intuitiva, contribuem para

a imersão no "manguezal do coronelismo eletrônico". Da mesma forma, a presença da jornalista Elvira Lobato foi um dos pontos altos do seminário, em razão não só da grandiosidade de suas reportagens relacionadas às redes de comunicação de massa da Amazônia Legal, mas principalmente por seu trabalho inspirador como jornalista, desbravando o oculto e buscando ao máximo se aproximar da verdade.