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Por Akira Hokusai

Foo Fighters - Saint Cecilia Duas décadas atrás, quando Dave Grohl recusou o convite de seu ídolo, Tom Petty, para assumir

as baquetas dos Heartbreakers e resolveu que formaria sua própria banda, desta vez como vocalista

e guitarrista, o mundo o conhecia apenas como ex-membro do Nirvana. Não demorou, no entanto,

para que ele se provasse muito mais que um baterista habilidoso. Grohl era multi-instrumentista e sabia cantar e compor; o primeiro disco do Foo Fighters foi gravado por ele sozinho e dava sinais claros de que o novo projeto não era uma continuação do grupo liderado por Kurt Cobain. Ainda em

seu primeiro ano, os Foos - que já contavam com dois integrantes de sua formação atual, o baixista Nate Mendel, ex-Sunny Day Real Estate, e Pat Smear, guitarrista com quem Grohl tocou diversas vezes no Nirvana - começavam a chamar a atenção, chegando a se apresentar no Reading Festival e no Late Show with Letterman. A consolidação e o sucesso comercial da banda viria com os dois trabalhos seguintes: The Colour and the Shape, que chegou ao topo das paradas pelo mundo todo, e There Is Nothing Left to Lose, premiado como "Melhor Álbum de Rock" pelo Grammy Award de

2001.

De volta ao presente, o Foo Fighters tornou-se uma das bandas mais importantes do rock, encabeçando os principais festivais do mundo e dono de uma discografia repleta de sucessos. Dave

Grohl passou a ser considerado "o cara mais legal do rock": além do Foo Fighters, ele se envolveu em diversos projetos musicais paralelos, como o Them Crooked Vultures e o Probot; produziu e dirigiu um documentário sobre o Sound City Studios; interpretou o diabo na comédia Tenacious D:

Uma Dupla Infernal; foi introduzido ao Rock and Roll Hall of Fame pelo seu trabalho com o Nirvana e, recentemente, após fraturar uma perna em um show na Europa, tocou uma turnê inteira sentado em um trono feito de partes de guitarras e amplificadores ao invés de usar uma cadeira de rodas. Seus últimos discos ao lado do Foo Fighters, Wasting Light (2011) e Sonic Highways (2015), compartilhavam o objetivo de inovar no processo de criação e gravação de suas músicas. Produzido por Butch Vig, responsável pelas mixagens de Nevermind, do Nirvana, o aclamado Wasting Light foi gravado na garagem da casa de Grohl, na Califórnia, de forma totalmente analógica e os registros das gravações viraram um documentário, Back and Forth, lançado quase simultaneamente ao álbum. Seu sucessor, Sonic Highways, era um projeto muito mais ambicioso. Oito músicas gravadas e inspiradas em 8 cidades americanas diferentes, tudo isso documentado para uma série homônima na HBO. O resultado, desta vez, não correspondeu a hype criada pelos fãs. Assim, sem criar grandes expectativas, é lançado o Saint Cecilia EP. Após promover uma misteriosa contagem regressiva em seu site, o Foo Fighters lança uma coletânea de cinco faixas inéditas que tem em comum com os trabalhos anteriores a forma inusitada de sua gravação. O nome do EP remete à Santa Cecília, a padroeira dos músicos, e ao nome do hotel em Austin, no Texas, onde as gravações ocorreram. As 5 canções foram gravadas em menos de duas semanas, durante o festival Austin City Limits, e foram concebidas inicialmente como uma forma de presentear os fãs pelos 2 últimos anos do grupo. Porém, os atentados à boate Bataclan, em Paris, deram um novo significado ao disco, como revela Dave Grohl em sua carta lançada junto com o álbum: "Há a nova

e esperançosa intenção de que, mesmo que um pouco, essas canções tragam alguma luz a este

mundo, por vezes sombrio. Que nos lembrem que música é vida, e que a esperança e a cura andam de mãos dadas com as canções. Isso nunca poderá ser tirado de nós." Independentemente da produção descompromissada e do atentado terrorista em Paris, o produto final é um disco nostálgico, que a cada música revisita algum momento da carreira da banda, ao passo que foram resgatadas algumas canções incompletas ou engavetadas de outros trabalhos. E isso não deve ser visto de maneira negativa; o que Saint Cecilia EP tem de mais interessante é

justamente essa mistura do passado consagrado com o presente experimental de Dave Grohl e companhia. A faixa-título poderia perfeitamente ter feito parte de One by One, de 2002, ou de Wasting Light, tamanha a coesão entre os elementos de diferentes fases da banda presentes na canção. Com participação de Ben Kweller nos backing vocals e referências óbvias à fratura do vocalista, "Saint Cecilia" é um ótimo exemplo do quê o Foo Fighters sabe fazer de melhor, ou seja, músicas com uma pegada mais pop, com crescimento rítmico progressivo e com melodias que tendem a se prender nas mentes daqueles que as ouvem. "Sean", a segunda faixa do disco, apresenta similaridades com "The Feast and The Famine", do último disco, ao mesmo tempo que sua sonoridade aponta para os primeiros trabalhos dos Foos, declaradamente influenciados pela banda de rock alternativo Hüsker Dü. A música é a mais curta do álbum (apenas 2 minutos e 11 segundos) e sua letra é uma contagem regressiva para um tema recorrente na discografia do grupo: o retorno para casa. A música mais pesada do álbum, "Savior Breath", traz lembranças de "White Limo", quarta faixa de Wasting Light, visto que a influência de Lemmy Kilmister e sua banda são perceptíveis desde os primeiros acordes. O riff à la Motörhead, os solos de guitarra no estilo metal dos anos 80 e o som da bateria sendo espancada por Taylor Hawkins são acompanhados pelo vocal berrado de Grohl durante os três minutos da canção. Como não poderia faltar em um disco do Foo Fighters, Saint Cecilia EP tem "Iron Rooster" como sua balada que, por sua vez, soa como "Old Man", do "padrinho do grunge", Neil Young. A participação especial de Gary Clark Jr., soma ao tom contemplativo ditado pela levada de violão e pelos teclados de Rami Jaffee, dos Wallflowers, um toque de psicodelia à penúltima canção do álbum. "The Neverending Sigh" é, sem dúvidas, a melhor faixa do EP. Guardada por 20 anos, chegou a ser listadas algumas vezes em outros trabalhos como "7 Corners", entretanto, nunca chegou a ser gravada. Apesar de ter nascido nos anos 90, a canção envelheceu muito bem. O esquema de produção atual aplicado à uma composição feita numa das melhores fases da banda, tem como consequência, uma música no nível de grandes sucessos como "Best of You" e "Learn to Fly", encerrando o disco em seu ponto mais alto. Ao final do disco, Saint Cecilia EP é uma despedida digna da banda antes do hiato anunciado na carta de Grohl, além de ser uma prévia dos trabalhos que poderão a vir. A busca de por novas inspirações e novidades conciliadas com o retorno às suas raízes foram o maior acerto do EP e parecem ser um bom caminho para o futuro do grupo. O álbum, que em seus dezoito minutos se mostra mais energético que Sonic Highways, não consegue repetir o primor de Wasting Light, contudo, funciona como memento de que o Foo Fighters ainda sabe fazer bons discos.