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Tai Chi

Saúde do Ser

Tai Chi

Saúde do Ser

Prefácio de Mestre Woo

Tai Chi Saúde do Ser Prefácio de Mestre Woo Brasília, DF Edição do Autor 2009

Brasília, DF

Edição do Autor

2009

Copyright 2009, José Milton de Oliveira (j1000tao@gmail.com)

Capa Cassius Desconsi (cedida pela União Planetária www.uniaoplanetaria.org.br); foto com integrantes do Núcleo de Tai Chi Chuan, capa da revista guia sUPren, outubro 2005 – arte final, com inclusão de três fotos na área central, por Walter Aman- téa. Nome dos integrantes a partir do topo, no sentido horário: Inês Sarti, Sieg- fried Elsner, Helena Fukuta, Dada Inocalla, Tânia Carmo, Mestre Woo, Eutenir Braga, Geraldo Oliveira, o autor, Sônia Lado Cês, Ofélia Rabelo, Marcus Evan- dro, Magno Bueno, Eliane Marília e Luciano Oliveira. Na área central do círculo, Profªs Alice Uchida (D), Shizue Naka (E) e o autor.

Revisão: Maria do Rosário de Fátima Bicalho (Zazá), Olindina Evangelista de Sousa (Dina), José Humberto Fagundes, o autor.

Diagramação: Maria da Conceição da Silva

DVD anexo: produzido pela TV Supren – União Planetária, direção de Janaína Vieira e produção de Shizue Naka. Selo, criação de Walter Amantéa. Cessão de imagens do cerrado da Chapada dos Veadeiros, Sérgio Campos.

Edição e Arte José Humberto Fagundes e Mauro Barbosa

Impressão Starprint Gráfica e Editora Ltda. (61) 3344-0555

Tiragem

1000 exemplares

Oliveira, José Milton de Tai Chi – Saúde do Ser / José Milton de Oliveira, prefácio de Mestre Woo. –– Brasília, DF, Brasil: Ed. do Autor, 2009

192 p., il.

Bibliografia. Registro Autoral nº 388.236, livro 721, folha 396

IBSN 978-85-909024-0-9 – Biblioteca Nacional.

1. Artes marciais – Aspectos da saúde. 2. Exercícios terapêuticos. 3. Ginástica. 4. Saúde – Promoção. 5. Tai Chi. 6. Tai Chi Chuan. I. Woo. II. Título.

08-11536

CDD-615.8240951

A edição impressa deste livro contou com o incentivo do Fundo de Apoio à Cultura – FAC, instituído pela Secretaria de Estado da Cul- tura, do Governo do Distrito Federal. A produção do DVD teve o apoio integral da TV Supren – União Planetária. Arte final da obra, cores e reprodução da mídia complementadas com recursos do autor.

Supren – União Planetária. Arte final da obra, cores e reprodução da mídia complementadas com recursos
Supren – União Planetária. Arte final da obra, cores e reprodução da mídia complementadas com recursos
Supren – União Planetária. Arte final da obra, cores e reprodução da mídia complementadas com recursos
Supren – União Planetária. Arte final da obra, cores e reprodução da mídia complementadas com recursos
Dedicado ao ¹Tao – expressão do Criador – manifesto no amor que respira vida nos
Dedicado ao ¹Tao – expressão do Criador – manifesto no amor que respira vida nos
Dedicado ao ¹Tao – expressão do Criador – manifesto no amor que respira vida nos
Dedicado ao ¹Tao – expressão do Criador – manifesto no amor que respira vida nos

Dedicado ao ¹Tao – expressão do Criador – manifesto no amor que respira vida nos mundos, nas criaturas e em todas as coisas criadas.

¹Tao – referido como a Inteligência Infinita, Deus, a Verdade, o Caminho, o Absoluto, a Causa

Primeira, o Vazio

intuição – “o Tao que se pode discorrer não é o eterno Tao” – Lao-Tsé, em Tao Te King).

(o conceito de Tao, entretanto, é algo que só pode ser compreendido pela

S umário Dedicatória 07 Apresentação 11 Prefácio   13 Introdução 15 O começo,

Sumário

Dedicatória

07

Apresentação

11

Prefácio

 

13

Introdução

15

O

começo, a mudança

21

Manifestos Tai Chi & Chi Kung

23

 

– Tai Chi Chuan

33

– Chi Kung (Qi Gong)

35

– Os benefícios

36

Através dos tempos

 

Histórico

39

A teoria dos cinco elementos Até o dia mundial

42

 

– Um encontro nos jardins

45

– Woo e a Praça da Harmonia

53

A

Dança da Energia

– Energia

61

– Yin e Yang

63

Respiração, posturas, movimentos

 

– Respirando com o universo

73

– Posturas

76

Música, silêncio

– O Tao do silêncio

89

– O som da música

91

Exercitar o corpo e meditar

– Exercícios: Terapias Lian Gong

95

– Meditando na Circulação da Órbita

Microcósmica

97

Inspiração

101

Sentimentos, emoções

103

A lição das águas e outras lições

– H 2 O

111

– O cheiro da água

112

– Aforismos e lições da natureza

114

Natureza

– Vaidosa e bela

121

– A natureza e você

122

– A semente é que conta

127

– Natureza é poesia

129

– Hino à natureza

130

– Fogo do céu

131

– Filha do Sol

133

Liberdade Mística

135

Epílogo

141

Homenagens

153

Apêndice – Dez Séries de Tai Chi & Chi Kung

155

Fontes práticas e literárias do autor

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C hi – S aúde do S er J oSé m ilTon de o liveira a

apreSenTação

Dois em Um

Dois sopros distintos, opostos mas sempre juntos. Como pólos de imã, indivisíveis, multiplicáveis, no bailado suave da expansão e do recolhimento. No meio, o Silêncio, o Vazio, o Tao.

O Tao e o Vazio nas suas entranhas, e por toda parte, ao derredor e além. Mistério e segredo do ilimitado que a um só tempo, oscilante, é Uno e é Par.

Não visível nos mundos concretos e invisíveis. Reais e palpáveis como a sensação tátil, mais até, possível fosse comparar o incomparável, mensurar o imensurável, definir o indefinível

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T ai C hi – S aúde do S er J oSé m ilTon de o

JoSé milTon de oliveira

Guerreiros pacíficos na dança pelo Equilíbrio, ora um engolfando o outro sem lhe tomar todo o espaço. Alternância de um recuar enquanto o outro avança, movendo a vida no eterno aqui e no eterno agora, com gosto e aroma da pureza do simples na divindade, do divino na simplicidade.

Eis o abraço ondulante e incessante do Yin e do Yang. O beijo sem fim e sem fôlego que respira sereno harmonia no ar. Brinde dos céus à Saúde do Ser, que explode beleza no milagre da vida e dá à luz ao Tai Chi!

Brasília, 10 de janeiro de 2006

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prefáCio

Este livro do professor José Milton traz uma importante contribuição para o desenvolvimento do Tai Chi Chuan no Brasil. O Tai Chi do século XXI deve ser acessível a toda hu- manidade, fácil de aprender e de praticar, e deve conduzir o indivíduo e a sociedade para a saúde e paz mundial. Essa prática não é simples ginástica, que vise somente a promover a circulação sanguínea, prevenção de doenças osteomusculares, aumentar a longevidade, combater o es- tresse etc. É também uma prática para desenvolvimento mental e espiritual. Não basta apenas decorar os movi- mentos mostrando a beleza exterior das formas ou parti- cipar vaidosamente de campeonatos. É preciso cultivar a saúde física interior (dos órgãos, sangue, ossos, pressão arterial etc), a mente, o espírito, ser humilde e persistente. No Tai Chi é necessário persistir na prática e no conheci- mento teórico para ter o mais alto nível de saúde. Desde o início do Tai Chi surgiram muitos estilos e es- colas. Mas todos eles são baseados nos 13 movimentos (Peng, Lu, Ji, An, Tsai, Lie, Zhou, Kao, Jin, Tui, You, Tzuo, Ting). Para difundir a saúde, felicidade e paz para toda humanidade, formas mais curtas foram desenvolvidas por mestres e pesquisadores em Taiwan (a forma de 13 postu- ras) e na China Continental (a forma de 24 posturas), faci- litando o aprendizado da forma solo e da forma para duas pessoas. Na prática do Tai Chi, para ser benéfica, deve haver uma preparação da mente (meditação em pé). Usar a men- te para inspirar e expirar (controle do Chi) e utilizar o Chi movimento para seu corpo, como “nadar no seco”, o inter-

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câmbio com a Energia do Universo, assim é uma medita- ção em movimento. Todos os estilos de Tai Chi são ótimos, porém, sem essa preparação, os praticantes tornam-se ro- bôs, macacos ou bonecos e não sentirão grandes benefí- cios em suas vidas. Os conhecimentos superficiais ou apenas para matar a curiosidade não proporcionam benefícios para as pessoas, portanto, é necessário praticar, pesquisar e se aprofundar diariamente nos estudos de Tai Chi. Se a sequência for apenas decorada, a pessoa vai se transformar em um robô que executa movimentos. É ne- cessário e muito importante ter o alicerce, praticar todos os dias, criando força mental, cultivando e alcançando Fraternidade, Saúde e Paz. Desejamos que cada um pratique o Tai Chi com muita sinceridade e seriedade, e possa um dia visitar a Praça da Harmonia Universal, berço do Tai Chi em Brasília – Distri- to Federal, oferecendo sua gentil opinião e sugestão para nosso trabalho.

Mestre Moo-Shong Woo

Brasília, outubro de 2006

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inTrodução

Num momento de quietude, inspirado pelo silêncio e

pelos ventos da noite, escrevi alguns versos de exaltação ao Tai Chi. Eis que então ganhara forma o poema titulado ¹Dois em Um.

E assim, de modo despretensioso, nasceu o desejo de

compartilhar experiências, aprendizados e sentimentos oriundos dessa prática corporal para a saúde e longe- vidade.

A saúde não meramente como expressão de vitalida-

de, de equilíbrio, de vida longa, de excelência das funções biológicas e metabólicas. Mas a saúde num contexto mais amplo, global, que alcança todo o nosso universo físico, mental, psicológico, emocional. E, consequentemente, um movimento natural evolui para a transcendência sobre es- ses aspectos, daí avançando num primeiro passo rumo ao crescimento espiritual, independentemente de qualquer credo ou religião professada. Tudo isso, em uníssono, se revela na Saúde do Ser.

¹Férias em Natal-RN, réveillon de 2005. Minha esposa Helena Ângela me presenteou com o CD TAI CHI – Gestos de Equilíbrio, da musicista Priscilla Ermel. No verso da capa, uma foto do Mestre Liu Pai Lin e sua ode ao Tai Chi, que reproduzo neste livro. Fui profundamente tocado pela beleza dos versos, expressão de uma sensibilida- de encantadora, e fiquei pensando no “milagre” da inspiração. Alguns dias depois, experimentei o abraço deste “milagre”, a me ver escrevendo Dois em Um. Pode ser o começo de um livro, pensei. Há muito meu filho Estêvão sempre me sugeria: – Pai, escreve sobre Tai Chi. Eu respondia para esperar, precisava algum tempo para aprender um pouco mais. Até que minha esposa abrira a porta, meu filho me em- purrara, a inspiração me abraçara, a paixão pela arte me estimulara. Então, resolvi ousar. Assim é que foi nascendo Tai Chi – Saúde do Ser.

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Desde já, coloco-me na posição simples de praticante apaixonado e instrutor dedicado, também um curioso e

incansável aprendiz da arte do Tai Chi Chuan. Por isso,

o que mais se pretende explorar nas páginas adiante não

são técnicas, nem instruções específicas de exercícios, mas uma abordagem sobre os benefícios dessa arte chinesa, a partir de uma perspectiva e de uma vivência pessoal. Logo, este não pretende ser um livro de auto-ajuda, nem um documentário de caráter histórico. Tampouco um manual de instruções ou um guia de procedimentos, entre tantos fartamente disponíveis. O seu escopo é trazer à luz, numa linguagem simples, objetiva e de forma sintética, al- gumas considerações, informes, idéias, reflexões, obser- vações e sentimentos. Impelido por um desejo maior, pela vontade de compartilhar impressões e descobertas, ei-lo realizado, pronto, simples, afagado também pelas energias do entusiasmo criador, manifestadas em versos. Versos que despertam a percepção do sagrado àqueles que se dis- puserem a sentir, a se deixar alcançar pela profundidade

e conteúdo das mensagens; estas fluem como cascatas de

luz, ondas poéticas banhando o espírito no tépido calor do sol matinal que sucede ao frescor da noite. Aos leitores (as), que ressoem como estímulo o carinho

e a alegria interior que alimentaram a inspiração, mate-

rializaram as idéias e moveram minhas mãos para tentar selar, em forma escrita, o inexprimível, aquilo que, na ver- dade, não tem forma. É também meu propósito, ao mesmo

tempo ambicioso e carinhoso, que esta leitura seja, no mí- nimo, quase tão leve e amena quanto aprazível é observar uma performance de Tai Chi Chuan. E, ainda, que desper- te a curiosidade e o interesse sobre essa arte. A todos vocês, a energia da alegria e a alegria do abra- ço do Tao!

O autor

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C hi – S aúde do S er J oSé m ilTon de o liveira www.draconian.com

www.draconian.com

dragão Símbolo de força e poder

Os lendários dragões chineses encerrariam nove diferentes tipos de animais e os seus poderes:

(cabeça de) camelo (escamas de peixe) carpa (chifres de) cervo (olhos de) coelho (orelhas de) touro (pescoço de) serpente (barriga de) molusco (patas de) tigre (garras de) águia

* * *

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Tai Chi – Saúde do Ser JoSé milTon de oliveira
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o Começo, a mudança

Um dia, lá pelos idos de 1997, meu amigo Edom me falou assim:

– Minha vida se divide em duas partes, o antes e o de- pois do Tai Chi. Será? Conjeturei com meus botões. Não duvidei, mas

achei a assertiva um tanto quanto exagerada. Fiquei curio- so. Demorou pouco, somente passaram alguns meses e, quando a oportunidade surgiu, decidi experimentar algu- mas aulas. Daí, então, não parei mais.

Mergu-

lhara na seara mística, passara à superfície por alguns credos, comparara filosofias, realizara rituais bizarros. Tudo com muito boa intenção, porém credulidade demais e discernimento de menos, ou seja, ingênua e inconscien- temente camuflando a vaidade que até de nós sabe tão bem se esconder. Até descobrir que o sectarismo nas crenças não nos torna, de nenhuma forma, seres especiais, nem melhores que ninguém; muito pelo contrário, somente nos separa uns dos outros. É que não precisamos empreender nenhuma busca, ansiar por qualquer caminho, porque no

seguir não há nenhum surto criador. Como disse o poeta sevilhano Antonio Machado (1875/1939):

Estava eu, até então, como se diz, buscando

“Caminhante, são tuas pegadas o caminho e nada mais; caminhante, não há caminho, se faz caminho ao andar. Ao andar se faz caminho e ao voltar a vista atrás, se vê a senda que nunca se há de voltar a pisar. Caminhante, não há caminho, somente estrelas no mar.”

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Foi assim na minha rota de andarilho pelas vias da exis- tência, o Tai Chi Chuan vindo ao meu encontro, que come- cei a enxergar a simplicidade de todas as coisas. E quando expandimos a nossa visão pelo universo que nos cerca e que pulsa também dentro de nós, percepções novas vêm à tona, ampliamos nossa faculdade de discernimento, re- formulamos valores, revemos conceitos, nos abrimos para pequenas revelações que fulguram grandiosas e nos des- grudamos de crendices e dogmatismos para simplesmente respirar, viver, aprendendo, a cada passo, a nos tornar- mos seres cada vez melhores, física e espiritualmente mais saudáveis. Nos identificamos com diferenças, com uma biografia, com um passado, com uma história, ruminando intenções,

impressões e invenções no pretérito e no futuro, para fugir

do agora

na verdade, embora aparentando muito diferentes, somos, nas profundezas do ímo, todos muito iguais. Precisamos retornar à fonte, às nossas origens, para que os nossos olhos readquiram colorido e o mundo intei- ro, então, todos os dias, se vista de domingo. Ainda que nuvens escuras possam vez por outra tapar o sol e escon- der a sua luz, sabemos que além dos nimbos e dos cirrus ele está lá com todo o seu brilho e todo o seu calor. A cons- ciência disso é o começo do desprendimento. Tal qual uma águia que se liberta e alça vôo, vamos deixando a estagna- ção em que nos mantinham as imagens, as criações men- tais e os apegos, fermentadores das ilusões, suprimentos do ego. Passados mais de dez anos desse encontro e descober- tas, que de mansinho foram se me revelando, também pos- so dizer, como aquele meu amigo, que o Tai Chi representa um marco, um ponto de tomada de consciência nesse meu passeio pela vida. Hoje, nada me encanta e surpreende mais que a espontaneidade natural – o pleonasmo é pro- posital – manifesta na natureza, onde a beleza e a simplici-

trocando o ser pelo ter e/ou parecer. Quando,

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dade revelam uma espiritualidade sem garras, sem apelos, sem promessas, sem barganhas. A maioria de nós desconhece a geografia dos órgãos do próprio corpo, o sistema endócrino e como funciona esse

maravilhoso micro-universo, verdadeiro laboratório vivo que é o organismo humano. Os cientistas admitem que es- tão muito longe de decifrar os insondáveis poderes, misté- rios e manifestações da mente. Como pretender desvendar

a alma? Como compreender tantos segredos se sequer en-

tendemos algumas das maravilhas que o mundo físico nos apresenta? Nosso ser guarda e contém todos os milagres

e mistérios do universo, enquanto a mente imprudente e

ansiosa pode, inocentemente, se perder na embriaguez de livros, da fome afetiva, das projeções mentais, da ingenui- dade, das fantasias e do sagaz egocentrismo que não se revela nem a si próprio. Eis o que me leva a ressaltar o Tai Chi Chuan como uma prática de exercícios físicos para a saúde e a longevidade, caracterizado como método intei- ramente natural que atua no desenvolvimento mental e alimenta com simplicidade e clareza a conduta espiritual,

de uma forma completamente livre, espontânea, simples. Eventos misteriosos, inusitados, inexplicáveis, ou di-

tos sobrenaturais

continuam a merecer o meu grande

respeito. Consciente, todavia, de que não podemos tudo

entender, prefiro passar ao largo das inferências da mente

e me render à evidência de que todos os fenômenos, em

todos os mundos, têm seu encontro com uma grandeza maior que todos os mistérios: a simplicidade. Por que se

afligir com aquela questão reconhecidamente inquietante:

“Qual a missão do homem no universo?” A resposta que hoje me fala o coração é tão pragmática quanto simples e profunda: se tornar um humano cada vez mais humano.

A transcendência, seguida a cada passo na eternidade da

existência, será pura consequência.

* * *

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Tai Chi – Saúde do Ser
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manifeSToS

Minha atuação como instrutor de Tai Chi Chuan se ini- ciou em abril de 2003, com um encontro semanal no pátio do Templo Budista da Terra Pura – EQS 315/316, Brasília –, para uma atividade gratuita aberta ao público, todos os sábados, das 17 horas às 18 horas, com exercícios chineses de alongamento, relaxamento, Lian Gong, Tai Ji Qi Gong e sequências simplificadas (5 e 9 movimentos). No primeiro domingo de cada mês, das 7h30min às 8h30min, no pe- ríodo de 2003 a 2007, tivemos essa atividade aberta con- duzida pela Professora Alice Setsuko Uchida, de quem fui aluno e que me privilegiou com a sua paciência e dedicação no aprendizado e prática dessa arte (de junho de 1998 até dezembro de 2005). Pudesse eu prestar-lhe uma grande homenagem, esta seria pequena ante os sentidos desper- tos pela sua presença, cujos valores de praticante e mestra se inserem e encontram expressão no seu próprio nome:

arte leveza interiorização Competência espontaneidade

Logo no início de 2004, surgiram interessados em au- las regulares duas vezes por semana, onde desenvolvemos outras sequências, até dezembro de 2008. Recentemente, tive que suspender, por um tempo, as atividades no Tem- plo, para me dedicar ao estudo da Acupuntura, movido pela vontade de melhor compreender o processo energético, o trajeto e as funções dos meridianos, seus pontos de força e principais circuitos no nosso organismo, que considero fundamentais para melhor entendimento das técnicas e dos resultados da prática do Tai Chi e Chi Kung. Aproveito esse espaço para registrar minha satisfação em trabalhar com um grupo que tem demonstrado sempre muita dedicação e interesse. Com muita alegria eu constatei quão rica é a tro-

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ca na dinâmica aluno/professor, e como este último tam- bém aprende com aquele. Foi também o começo de uma relação amistosa entre todos. O bom humor, a solicitude, o respeito, a animação sempre presentes, enfim, a energia alto astral do grupo é como uma “ilha de tranquilidade”. Nos parágrafos seguintes cada um manifesta sua opinião, seu sentimento a respeito da inserção da prática do Tai Chi Chuan nas suas rotinas, ou simplesmente Tai Chi, como na maioria das vezes é referido. Por essa razão, considero este capítulo dos mais interessantes. Embora comumente teste- munhos e opiniões sejam apostos ao final dos livros, vejo-os merecedores de destaque nas páginas iniciais deste. É relevante notar, preliminarmente, que são vários os motivos pelos quais se procura o Tai Chi: ora a simples von- tade de experimentar algo novo, ora para o alívio de dores ou a cura de enfermidades, ou com o objetivo de relaxar ou se exercitar a faculdade meditativa. O fato é que se observa, pelos testemunhos, que essas diferentes rotas conduzem cada um, no seu devido momento, após determinado tempo de prática continuada, a um reencontro com as suas ener- gias internas, à percepção e experimentação da calma. Eu mesmo conheci uma pessoa que se dizia impaciente, exalta- da, do tipo “pavio curto”, ou “sem pavio”, para usar as suas palavras. Com a prática do Tai Chi, gradativamente foi se tornando uma pessoa mais doce, mais suave, tranquila.

se tornando uma pessoa mais doce, mais suave, tranquila. “Pratico Tai Chi há pouco mais de

“Pratico Tai Chi há pouco mais de um ano,

o

que não é muito, pois se trata de um treino contínuo para

vida inteira, é assumir uma nova postura de vida. Para mim, o Tai Chi é um momento de encontro comigo mesma, um momento em que tento, nem sempre com sucesso, ad- mito, me concentrar na respiração e movimentos corretos, deixando de fora os meus pensamentos e preocupações.

a

É

como se fosse uma faxina mental. Além disso, sinto que

o

Tai Chi proporciona um abastecimento de energia, o que

me é fundamental, já que absorvo energias exteriores com

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muita facilidade. É um momento, portanto, também de revi- goração, revitalização. Quando consigo ir a todas as aulas, me sinto mais em paz, tranquila e serena. Só a perspectiva de que terei aula de Tai Chi já me tranquiliza, porque sei que terei um momento de paz ao final do dia. Acho que o Tai Chi é o que me traz de volta para meu centro, quando começo a me desviar. Enfim, é o que me equilibra.” Brasília, 13 de julho de 2006. (Rafaela Egg – Psicóloga, atuando na Organização Internacional do Trabalho – OIT – como assistente de projeto na área de políticas do trabalho para promoção da igualdade de gênero e raça).

trabalho para promoção da igualdade de gênero e raça). “Embora pratique Tai Chi há pouco tempo,
trabalho para promoção da igualdade de gênero e raça). “Embora pratique Tai Chi há pouco tempo,
trabalho para promoção da igualdade de gênero e raça). “Embora pratique Tai Chi há pouco tempo,

“Embora pratique Tai Chi há pouco tempo, cerca de dois anos, já é possível sentir e antever os muitos benefícios que ele proporciona. Sinto-o como um mecanis- mo capaz de trazer saúde ao praticante, equilíbrio físico e emocional. Um poderoso instrumento que favorece a nossa atenção. Penso menos durante o fluxo dos exercícios, prin- cipalmente quando lembro de combinar a respiração com os movimentos – é uma forma de meditar.” Brasília, 20 de ju- lho de 2006. (Nildenor Gomes – Jornalista e Paisagista).

lho de 2006. ( Nildenor Gomes – Jornalista e Paisagista). “O Tai Chi me traz uma
lho de 2006. ( Nildenor Gomes – Jornalista e Paisagista). “O Tai Chi me traz uma
lho de 2006. ( Nildenor Gomes – Jornalista e Paisagista). “O Tai Chi me traz uma

“O Tai Chi me traz uma linha de boas ações, equilíbrio e cuidados com o meu eu, que reflete tam- bém a todas as demais pessoas que estão ao meu lado.” Brasília, 25 de julho de 2006. (Carlos Denucci – Adminis- trador de Empresas).

2006. ( Carlos Denucci – Adminis- trador de Empresas). “Tai Chi, por que? É difícil descrever
2006. ( Carlos Denucci – Adminis- trador de Empresas). “Tai Chi, por que? É difícil descrever
2006. ( Carlos Denucci – Adminis- trador de Empresas). “Tai Chi, por que? É difícil descrever

“Tai Chi, por que? É difícil descrever o me- canismo e os objetivos da prática do Tai Chi. Primeiro, por- que essa atividade aparentemente “suave” esconde o rigor do aprendizado e, na linguagem dos gestos lentos, a sua origem oriental. Acredito que os verdadeiros seguidores do Tai Chi no Ocidente buscam absorver, em uma larga medi-

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da, além do próprio exercício para a saúde e bem-estar físi- cos, o pensamento da psicologia e filosofia da cultura orien- tal, embutida aí a busca pela disciplina espiritual. Despido o significado religioso, será a vida nos seus vários aspectos:

moral, prático, estético e, certamente, intelectual. Interfere na mente submetida às solicitações estressantes, muitas vezes fonte de tormentos; restaura a paz de uma maneira funcional e ensina a abandonar o pensamento egocêntrico. Aí está a original criatividade dessa arte, ao mesmo tempo marcial e plácida. Em contato com a essência do Tai Chi absorve-se também alguma parte desse mistério. E isto não se explica.” Brasília, 29 de julho de 2006. (Maria Christi- na de Baena Fernandes – Professora de História das Ar- tes, aposentada).

– Professora de História das Ar - tes, aposentada). “Gostaria de ressaltar o Tai Chi como
– Professora de História das Ar - tes, aposentada). “Gostaria de ressaltar o Tai Chi como
– Professora de História das Ar - tes, aposentada). “Gostaria de ressaltar o Tai Chi como

“Gostaria de ressaltar o Tai Chi como uma prática coletiva. Praticar sozinho é bom, mas em conjunto é muito melhor. Ficamos todos ali, sincronizando movimentos e respirações, unidos num silêncio terno, mentes tranquilas, almas enlevadas num balé sublime. Nos sentimos um todo orgânico e etéreo, em harmonia plena, em verdadeira paz.” Brasília, 31 de julho de 2006. (Flávia Beleza – Advogada e Mediadora Social).

2006. ( Flávia Beleza – Advogada e Mediadora Social). “Acho o Tai Chi simplesmente divino. Em
2006. ( Flávia Beleza – Advogada e Mediadora Social). “Acho o Tai Chi simplesmente divino. Em
2006. ( Flávia Beleza – Advogada e Mediadora Social). “Acho o Tai Chi simplesmente divino. Em

“Acho o Tai Chi simplesmente divino. Em um mundo de altas velocidades, todo mundo tem pressa. Eu não sou exceção. Sou uma pessoa dinâmica, ansiosa, nervosa e acelerada. Vítima de insônia e pressão alta. As- sim, quando me aposentei saí à procura de atividades que preenchessem meu tempo. Nessa busca encontrei o Tai Chi, há uns três anos. Hoje ele faz parte da minha vida. Estou bem mais calma e em forma. Sinto-me alegre e cheia de energia. O simples gesto de olhar o sol tem agora um novo significado para mim. Parece que o fluir da energia que dele emana passou a fazer parte de meu cotidiano.

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Os movimentos leves e ritmados trazem paz e harmonia ao meu ser. Além disso, senti uma melhora no meu conví- vio diário com as pessoas, pois a diminuição da pressa e da ansiedade torna tudo mais fácil. Agora, abro os braços para a vida e deixo a luz entrar como uma onda de energia que me alimenta por inteiro. No Tai Chi encontrei um espa- ço para voltar-me para dentro e refletir. Juntar-me a essa energia do céu e da terra e misturar-me nessa misteriosa força do universo.” Brasília, 1 de agosto de 2006. (Mirtes Vasques – funcionária do Tribunal de Contas da União, aposentada).

funcionária do Tribunal de Contas da União, aposentada). “O Tai Chi, para mim, é meditação em
funcionária do Tribunal de Contas da União, aposentada). “O Tai Chi, para mim, é meditação em
funcionária do Tribunal de Contas da União, aposentada). “O Tai Chi, para mim, é meditação em

“O Tai Chi, para mim, é meditação em mo- vimento. De terapia para redução do estresse, tornou-se fi- losofia de vida e incorporou-se de tal forma a meu ser que hoje não consigo me imaginar sem praticá-lo. Vinte e qua- tro, trinta e seis, cento e oito movimentos; o Chi (a energia) flui, corpo e mente se harmonizam, e o ser e a natureza, em equilíbrio dinâmico e complexo, tornam-se uno.” Brasília, 3 de agosto de 2006. (Márcio Dias de Almeida – Engenheiro Eletricista, atua em Consultoria em Projetos).

Engenheiro Eletricista, atua em Consultoria em Projetos). “Na prática do Tai Chi, sinto uma harmo- nização
Engenheiro Eletricista, atua em Consultoria em Projetos). “Na prática do Tai Chi, sinto uma harmo- nização
Engenheiro Eletricista, atua em Consultoria em Projetos). “Na prática do Tai Chi, sinto uma harmo- nização

“Na prática do Tai Chi, sinto uma harmo- nização das energias por meio da coordenação dos movi- mentos e da respiração, liberando as tensões corporais, e seu efeito terapêutico se faz sentir tanto sobre a saúde fí- sica como sobre a saúde mental. Eu vejo o Tai Chi como a arte da meditação em movimentos.” Brasília, 4 de agosto de 2006. (Ivan Lúcio Ribeiro – Empresário).

de agosto de 2006. ( Ivan Lúcio Ribeiro – Empresário). “Depois de várias tentativas visando “ad-
de agosto de 2006. ( Ivan Lúcio Ribeiro – Empresário). “Depois de várias tentativas visando “ad-
de agosto de 2006. ( Ivan Lúcio Ribeiro – Empresário). “Depois de várias tentativas visando “ad-

“Depois de várias tentativas visando “ad- ministrar” uma ciática de longa data, parti para experimen- tar o Tai Chi, o Lian Gong, na verdade, e me dei muito bem.

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Tem mais movimento, mexe com quase todos os músculos do corpo, você se mantém de pé o tempo todo, o alongamen-

to parece completo e muito benéfico à tal da ciática do lado

esquerdo. Ainda não estou curado dela, mas uma coisa é

certa: quebrei a homeostase da dor na perna esquerda, ou seja, agora ela dói só um pouquinho (quando dói) em di- versas partes da perna, no calcanhar, na batata da perna, na coxa, em cima, em baixo etc. Considero isso um benefí- cio, pois demonstra a vitalidade da musculatura afetada

e

que a tal da dor está se sentindo cercada, perseguida,

e

vai acabar desistindo de lutar, morrendo asfixiada; é o

que espero, sem pressa. Como diria o Drummond: “que dor se sabe dor e não se extingue?” Brasília, 4 de agosto de 2006. (Agostinho Bezerra – Funcionário aposentado da Receita Federal, Economista em atividade).

“O Tai Chi é uma atividade rica, aprazívelaposentado da Receita Federal, Economista em atividade). e eficiente. Os exercícios de ordem física, onde movimen

e eficiente. Os exercícios de ordem física, onde movimen-

tamos e alongamos nosso corpo, também atuam no nosso campo mental. Como vivemos em um mundo agitado e ba- rulhento, ele nos dá a oportunidade de entrarmos em con- tato conosco, com nossas emoções e, ao mesmo tempo, em sintonia com o universo. O resultado é uma vivência de paz, de harmonia e de integração corpo, mente e universo.” Bra- sília, 8 de agosto de 2006. (Maria Fátima Castelo Maga-

lhães – Psicóloga e Psicanalista).

Castelo Maga- lhães – Psicóloga e Psicanalista). “Quando pratico o Tai Chi Chuan, sinto a respiração

“Quando pratico o Tai Chi Chuan, sintoCastelo Maga- lhães – Psicóloga e Psicanalista). a respiração em movimento reciclando a energia vital e

a respiração em movimento reciclando a energia vital e ao

mesmo tempo em que descansa a mente, torna mais claros os pensamentos.” Brasília, 27 de agosto de 2006. (Rodrigo Andrade – Funcionário do Banco do Brasil, Gerente de Nú- cleo de Informática na Área de Data Warehouse/Analista de Sistemas).

do Banco do Brasil, Gerente de Nú- cleo de Informática na Área de Data Warehouse/Analista de
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C hi – S aúde do S er J oSé m ilTon de o liveira “Trabalho
C hi – S aúde do S er J oSé m ilTon de o liveira “Trabalho
C hi – S aúde do S er J oSé m ilTon de o liveira “Trabalho

“Trabalho em uma empresa onde procurá- vamos algo para melhorar a Qualidade de Vida. Uma delas

(e com bastante votos), foi a prática do Tai Chi Chuan. “Dei

a maior força”. Procuramos, pesquisamos e contratamos um

professor. Incentivei para que todos praticassem. Eu mes- ma achava que não combinava muito comigo, pois sou uma pessoa bem agitada. Depois de muitas insistências, resolvi

participar de algumas aulas, apenas para me livrar dos rei- terados pedidos de amigos. Estas pequenas participações já fazem quase quatro anos. Com a prática e com o passar do tempo, estou aprendendo a relaxar o corpo e a mente, o que é fundamental hoje em dia, devido ao ritmo de nossas correrias, algo bastante comum nas grandes cidades. Che- guei à conclusão de que a capacidade de relaxar, quando desenvolvida, auxilia inclusive na prevenção de doenças. Uma prática que se baseia na natureza, na observação de comportamentos e posturas dos animais, por exemplo, só pode ser benéfica ao corpo, à alma, à mente, ajudando-nos

a ter uma vida com mais disciplina, a praticar o respeito com os colegas, enfim, ajudando-nos a extravasar ansiedades, angústias e estresses acumulados no dia a dia, fortalecen- do-nos a cada momento.” Brasília, 19 de setembro de 2006. (Regina Sbampato – Bancária, além de mãe, mulher, filha e irmã preferida de sua única irmã. Assim é que se apre- senta Regina, transbordando espontaneidade e simpatia).

- senta Regina, transbordando espontaneidade e simpatia). “ Tai Chi : minha experiência. Iniciei a prá
- senta Regina, transbordando espontaneidade e simpatia). “ Tai Chi : minha experiência. Iniciei a prá
- senta Regina, transbordando espontaneidade e simpatia). “ Tai Chi : minha experiência. Iniciei a prá

Tai Chi: minha experiência. Iniciei a prá- tica do Tai Chi quase por acaso: procurava algo “diferente” para me exercitar, pensava que seria como as outras ativida- des físicas que conhecia, mas não foi bem assim. No começo achei difícil, senti desconfortos musculares, achava que não

e ad-

quirindo melhor performance. Treinei alguns anos e quanto mais treinava mais fácil ficava e, progressivamente, sentia que o Tai Chi não era apenas uma forma de atividade física,

tinha boa coordenação, mas aos poucos fui treinando

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mas algo que fazia me sentir melhor. O ganho de flexibilidade e coordenação dos movimentos ao longo dos anos foi eviden- te. Além disso, a prática do Tai Chi me traz “quietude”; deixe- me explicar melhor. Normalmente os meus dias de trabalho são de intensa atividade, com grande responsabilidade e muito estresse. Trabalho com a parte difícil da vida: doenças, limitações, perdas, resgate da auto-estima e independência das pessoas com as quais lido é o meu desafio diário. Com isso, ao fim do dia sinto-me desgastada, e agitada, como se eu estivesse num ritmo mais rápido que todos à minha volta. Essa situação não me deixava descansar. Hoje, no fim do dia, quando pratico Tai Chi, sinto-me em sintonia com o res- to do mundo. Encontro comigo mesma, relaxo e me aquieto. Assim descanso melhor, e posso ser mais produtiva ao reali- zar trabalhos que demandem concentração e memória. Além disso, a convivência em grupo e o aprendizado contínuo de novos movimentos é algo que me agrada muito.” Brasília, 14 de setembro de 2006. (pseudônimo: Leila Rossini – Fisio- terapeuta, trabalha com Análise do Movimento).

– Fisio- terapeuta, trabalha com Análise do Movimento). to “O Tai Chi para mim é vida

to

Fisio- terapeuta, trabalha com Análise do Movimento). to “O Tai Chi para mim é vida em
Fisio- terapeuta, trabalha com Análise do Movimento). to “O Tai Chi para mim é vida em

“O Tai Chi para mim é vida em movimen- é suavidade, sabedoria e saúde; da junção dessas três

palavras torno o Tai Chi sagrado! E sendo assim, compre- endo que este caminho, esta prática, me eleva em todos os prismas de minha vida!” Brasília, 10 de outubro de 2008.

(Luanda Iida de Carvalho – Professora de Educação Físi- ca, de Yoga e Massoterapeuta).

Encerradas essas manifestações, gostaria de resumir neste parágrafo a minha experiência, revelada ao longo des- tas páginas, transcendente aos benefícios físicos. A curio- sidade me levou ao Tai Chi Chuan. Através da prática per- sistente, me dirijo ao reencontro do meu centro, fazendo da harmonia interna que vou conquistando a âncora para me manter em equilíbrio com os movimentos de fora; aprenden-

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do a observar os pensamentos, ao invés de sempre segui-los ou por eles me deixar arrastar; a render grande respeito por todos os sistemas de crenças, mas prudente quanto às mui- tas ilusões à espreita existência afora; consciente de que a Simplicidade é que abriga a Beleza, a Verdade e o Sagrado de toda Criação. De pronto, a título informativo, merece atenção o fato de que geralmente os filmes, fotos e vídeos ocidentais mostram pessoas maduras ou já idosas praticando Tai Chi Chuan, o que passa a idéia de que seus exercícios são para os mais velhos. Isso está completamente errado, porque não há limitação nem recomendação etária para realizá- los. É bem notável o “combustível” de energia que armaze- nam os corpos infantis e adolescentes, por isso a valoriza- ção da velocidade, da ligeireza, dos saltos, dos pulos, das cambalhotas e acrobacias. Mas por que somente gastar energia ao invés de também procurar gerá-la, transformá- la e sabiamente utilizá-la? Na China e nos Estados Unidos, pesquisas médicas já comprovaram as influências e os be- nefícios da prática do Tai Chi no comportamento de crian- ças hiper-ativas e adolescentes impulsivos, reduzindo-lhes os níveis de ansiedade e ativando-lhes o poder de atenção. É que seus exercícios também atuam como alternativa aos tranquilizantes, o que é notável principalmente nas pesso- as de natureza ansiosa e agitada. Por outro lado, há adultos que depois de ver a demons- tração de uma série de Tai Chi ficam fascinados pela be- leza dos movimentos, pensam se tratar de uma sequência de exercícios físicos e, após algumas aulas, acabam desis- tindo. É porque para cada um e para tudo há o seu mo- mentum. Para a prática dessa arte oriental, há que se estar disposto a se voltar para dentro de si mesmo, abrir-se sem resistência à atitude introspectiva. Há que se desapegar de carências e necessidades criadas pela mente egocêntrica, que aprisionam muitos nos mundos quixotescos, frutos da proliferação de idéias fantasiosas. Muito mais do que um

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exercício físico, estamos falando de uma ginástica men- tal, de exercitar energias (que maravilhoso!), de se ir mais fundo dentro de si mesmo para que se possa ir além, sem nenhuma pressa, alcançando, passo a passo, a Saúde do Ser. É tudo um movimento de dentro para fora, tal qual a claridade que se expande e incendeia a escuridão a partir de um ponto luminoso. Fiquei gratamente surpreso quando um aluno falou que numa ocasião sentiu necessidade de praticar alguns exercícios, mas as circunstâncias e o local não eram apro- priados. Então, em alguns minutos, realizou mentalmen- te uma sequência de movimentos, ouvindo uma gravação que eu preparara para a turma. E se sentiu melhor, bem relaxado. O poder da imaginação pode mudar nosso hu- mor, nossa disposição, e nos suprir das forças que sempre precisamos para empreender os nossos propósitos e se- guir, em paz, sempre adiante.

Cervo

precisão

e suavidade

no salto

veloz às

alturas

se - guir, em paz, sempre adiante. Cervo – precisão e suavidade no salto veloz às
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C hi – S aúde do S er J oSé m ilTon de o liveira T

Tai Chi & Chi Kung

I – Tai Chi Chuan (Taiji quan)

Tai o supremo, infinito Chi cumeeira, energia Chuan punho em movimento

O Tai Chi Chuan é uma prática corporal chinesa para a saúde e a longevidade. Suas raízes estão fundadas no Tao- ísmo, nos conhecimentos milenares sobre o funcionamen- to da rede de meridianos invisíveis (ciência da acupuntu- ra) e nas artes marciais. Dentre as grandes civilizações, a civilização chinesa se destaca por ser a única a preservar intactas suas principais características culturais. O Taoísmo, a mais antiga tradição religiosa e filosófica do oriente, considera que a terra, nos seus limites, e o céu, na sua infinitude, abrigam o homem, limitado na sua fisi- calidade e eterno na sua essência, constituindo uma uni- dade. Terra, homem, céu formam a tríade taoísta. Como a gota d’água que encerra um oceano, o homem traz todo um universo – o microcosmo e o macrocosmo – dentro de si. Nos seus aspectos filosóficos, tanto o ¹I Ching quanto o Tao Te King representam os pilares do Tai Chi. Primeiro os movimentos nascem, depois ganham força, formas, a se- guir se desenvolvem, crescem e nunca param, cedendo lu- gar a outros movimentos, que percorrem esse mesmo ciclo num continuum, e dessa maneira estão sempre mudando, sempre se renovando. Tal qual o ciclo da vida.

¹I Ching – ou o Livro das Mutações, é dos mais antigos escritos chineses que alcançaram os nossos tempos, estudado como oráculo ou como livro de sabedoria.

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Escrito por Lao-Tsé, que teria vivido na corte imperial da China, no século VI antes de Cristo, o Tao Te King se revela como o livro da essência da vida, ao abordar com simplici- dade e profundeza os aspectos da existência. Em oitenta e um ²aforismos que apontam para as mais diversas situa- ções com as quais se defronta o ser humano, o Tao Te King está para os chineses como a Bíblia está para os ocidentais. Vejo-o como um verdadeiro presente à humanidade. Seu autor foi laureado de sublime inspiração cósmica. Nesse universo de tão vastas pesquisas na área da me- tafísica, o Tai Chi Chuan pode ser compreendido, ante as diferentes traduções que lhe são aplicáveis, como o equilí- brio por meio do movimento, ou simplesmente como uma jornada para a Saúde do Ser. Como prática sistematizada, surgiu há cerca de oito séculos, mas os conhecimentos que o sustentam, as bases filosóficas em que se consoli- dou datam de milênios que antecederam a era cristã.

O Tao do Tai Chi

Num encaixe mais que estreito, às facções côncavas de um se colam, se fundem as partes convexas do outro. Eis o ponto, ei-Lo, o círculo:

Fecundo Equilíbrio!

O Duo se torna Uno, faz-se o Vazio que preenche o Todo. Qual deles é Yin? Qual será o Yang? Existirá abraço mais perfeito?

Brasília, 21 de novembro de 2006

²aforismo – máxima ou sentença para exprimir norma ou princípio moral.

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II – Chi Kung (Qi gong)

A origem do Chi Kung se perde nos primórdios da his- tória da China. Chi Kung significa, literalmente, trabalho com energia vital ou energia universal. É a força vital que permeia todo o universo, também chamada de energia cósmica. No homem, essa energia flui por uma rede de condutos ou canais invisíveis – os meridianos. Esses canais formam uma teia com ramificações por todo o corpo, de uma forma ordenada e apresentando em seu trajeto pontos de força, os chamados pontos de acupuntura. Os taoístas descobriram que essa energia pode ser ati- vada e harmonizada por meio da respiração. Na prática, a atividade de Chi Kung utiliza a respiração para promover o equilíbrio do fluxo energético, propiciando o acesso à nos- sa energia interior. Ou seja, mais que um exercício de res- piração orientado, com técnicas diversas, é um trabalho de interiorização, um mergulho nas profundezas do ser, do oceano da paz espiritual. Assim, os exercícios de Tai Chi não estão dissociados dos exercícios de Chi Kung, pelo simples fato de que não existe movimento sem respiração. Por outro lado, o Chi Kung pode existir sem as técnicas do Tai Chi Chuan. Se este último aos olhos se revela mais pelos movimentos, aquele se reflete pela quietude, pela experimentação da energia vital. De algum modo, entretanto, podemos con- siderar que, juntos, o Tai Chi e o Chi Kung são como dois em um, como o yin e o yang de que se falará adiante. Exercícios de Chi Kung sempre estiveram presentes não só no Taoísmo chinês, mas também no sistema de práticas do Budismo e da Yoga indianos.

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Tartaruga – saúde e longevidade na lentidão

o liveira Tartaruga – saúde e longevidade na lentidão www.saberweb.com.br III – Os benefícios É comum

www.saberweb.com.br

III – Os benefícios

É comum algumas pessoas perguntarem – e até mes- mo desacreditarem – como exercícios tão lentos e sua-

ves podem resultar em efeitos tão poderosos e salutares

à saúde. A resposta está na respiração coordenada com

movimentos que obedecem a um padrão rítmico, no poder que dela emana. Os movimentos de puxar, empurrar, tor- cer, flexionar, erguer, abaixar, chutar, saltar, caminhar,

esticar, dobrar, apertar, arrastar, curvar, girar, rodopiar,

, nantemente executados de forma suave, atuam como au- têntica e poderosa massagem nos principais pontos de acupuntura e circuitos de meridianos. Esses estímulos resultam em alongamento e desbloqueio dos canais, li-

berando o fluxo natural do chi (energia vital). Diz-se que

ainda que predomi-

abrir, fechar, contrair, expandir

o Tai Chi Chuan é a Yoga em movimento, ou também

a meditação em movimento. Poder-se-ia, de certa forma,

também dizer: é acupuntura sem agulhas. O fato é que os movimentos do Tai Chi Chuan, pela sua beleza, leveza e circularidade, têm o poder de atrair nossa

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atenção de forma extraordinária. Esses movimentos nas- cem no cérebro (com a intenção em realizá-los), as forças que os sustentam e animam fluem de baixo, avançando dos pés para as pernas até alcançar o baixo ventre, e da cintura – o grande “eixo” do nosso organismo – partem os comandos de movimentação de todo o corpo, para afinal serem expressos principalmente pelas mãos. Começamos, então, acompanhando com os olhos (“os espelhos da alma”, “aonde vai o olhar, lá estará nossa energia”) a movimen- tação das mãos, sentindo as flexões do tronco, a rotação

dos quadris, o giro suave da cintura, a lentidão, firmeza e suavidade dos passos, a leveza do corpo, a respiração de-

Aí, como se fechassem todas as comportas

mentais, só existindo uma janela para um pensamento, um foco: a realização de cada movimento. Nesse nível de relaxamento, os meridianos são alongados, os bloqueios energéticos vão lentamente se dissipando. Entra-se lite- ralmente num estágio de meditação, porque meditamos exclusivamente no movimento, na construção de cada for- ma, cada gestual, tão intimamente abstraídos no silêncio que os ruídos externos quase passam despercebidos. E, naturalmente, com o chi circulando mais livre, os meca- nismos internos de funcionamento do corpo são realizados de forma mais completa. A sensação de equilíbrio e sere- nidade não se perde. Como em conta gotas, nós a vamos acumulando a cada prática, a cada exercício. E em pouco tempo poderemos observar como nos sentimos mais dis- postos, mais calmos, mais conscientes, mais prontos para enfrentar as rotinas e as novidades de cada dia. Somos

sacelerando

beneficiados física, mental e espiritualmente. No parágrafo seguinte, são enumerados os principais benefícios. Benefícios no plano físico:

– aumento da flexibilidade dos músculos e das articu-

lações, notadamente da coluna;

– mais equilíbrio e força muscular, principalmente nas pernas;

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– aprimoramento da postura e coordenação motora;

– melhora no funcionamento do sistema imunológico;

– aumento da capacidade respiratória, produzindo maior oxigenação dos órgãos e tecidos;

– equilíbrio da pressão sanguínea;

– redução de dores musculares;

– desenvolvimento de habilidades marciais. Benefícios no plano mental:

– controle do estresse;

– relaxamento;

– aumento do poder de concentração;

– bem-estar e sensação de paz interior;

– habilidade para estar no “aqui e agora”.

A percepção da calma, da paz interna e a habilidade para se situar no momento presente, no “aqui e agora”, são conquistas que transcendem o aspecto emocional, mental, e nos induzem ao contato com a nossa energia interna. É o início da nossa conscientização como inteli- gência eterna, partícula do Tao, o ponto inicial da longa jornada que vai nos transformar, dia após dia, em seres espirituais melhores.

A técnica da suavidade pode se sobrepor à força

melhores. A técnica da suavidade pode se sobrepor à força ilustrador:Thomas Pinheiro –

ilustrador:Thomas Pinheiro – br.geocities.com/pinheirowingchun

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Tai Chi – Saúde do Ser JoSé milTon de oliveira
Tai Chi – Saúde do Ser
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aTravéS doS TempoS

I – Histórico

Entre as muitas lendas a respeito do surgimento do Tai Chi Chuan, a mais difundida e aceita popularmente é a do monge taoísta de nome Chang San Feng, que teria vivido por cerca de 150 anos entre os séculos XII e XIII da nossa era. Conta-se que um dia, nas suas meditações contempla- tivas, chamou-lhe a atenção a luta entre um grande pássa- ro (grou) e uma serpente. E ficou ele à espreita, admirado com a elegância, elasticidade, fluidez e harmonia dos mo- vimentos precisos de ataque e defesa. Movimentos ora di- retos, ora sinuosos, ora lentos, ora abruptos, porém como que cuidadosamente guiados por uma inteligência além do puro e simples instinto de preservação. Ali, o avançar, o esquivar-se, o lançar-se sobre o outro, o bote feroz, o pou- so suave e cauteloso, o bater de asas, o arfar dos respiros, os olhos seguindo atentos cada movimento do adversário muito mais do que uma dança selvagem, era um combate ao vivo pela preservação da vida. Aplicando às suas ob- servações os conhecimentos que detinha sobre o circuito dos meridianos e sobre Chi Kung, desenvolveu os primei- ros exercícios de Tai Chi Chuan, a cujos movimentos fo- ram incorporados atributos de diferentes animais. O tigre, por exemplo, que precisa ser atacado, golpeado, cavalgado, montado, conduzido, simboliza o ego humano. É também com base nesse universo de sabedoria que se sustentam os fundamentos, princípios e técnicas das artes marciais. Para falar da origem do Tai Chi, retrocedemos ao pas- sado histórico para considerar o crescimento das artes marciais chinesas no curso dos séculos. Não existe mui- ta coisa escrita a respeito, porque o universo maior dos conhecimentos, resguardados no ambiente familiar, nos

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limites dos clãs, foi transmitido oralmente dos ascenden- tes para os descendentes. Assim, de pai para filho, de avô para neto, treinavam-se os golpes de ataque e as técnicas de defesa que tornaram os exércitos chineses imbatíveis por muitos séculos. Escrito há 2600 anos, “A Arte da Guerra”, do general chinês Sun Tzu, ainda hoje permanece atual e seus con- ceitos se renovam a cada dia. Em 13 capítulos, é das mais fascinantes e antigas compilações de teoria militar. Há que lê-los com os olhos da alma e permitir ao coração com- preender as suas mensagens. São elas de extrema impor- tância para enfrentarmos situações de estresse, tensão, desafio ou incerteza, que são, na verdade, momentos de conflito e confronto. Tanto com os inimigos de fora quanto com o inimigo interno, o nosso adversário maior: o asso- berbado e soturno ego. Há registros de que esse livro foi consultado por importantes estrategistas ao longo do tem- po, como Napoleão Bonaparte, para citar um deles. Isso explica a invencibilidade militar da China, reinante até a invenção da pólvora, no começo do século XIV, à qual se seguiu a introdução da arma de fogo, revolucionando todos os métodos de guerra. A partir de então, as táticas de lutas e os segredos das artes marciais foram perdendo o seu propósito bélico. Aliando-se às práticas taoístas, os conhecimentos marciais foram direcionados para usufruto da saúde e longevidade. Os movimentos foram se tornando lentos, harmoniosos, meditativos, consolidando a marcha e o crescimento do Tai Chi Chuan, com suas diferentes escolas ou estilos. Tais estilos receberam o nome dos seus respeitáveis pa- triarcas. Foi assim que em diferentes épocas do século XVIII, tiveram origem os estilos Chen, Wu, Sun e Wu/Hao. No sé- culo XIX, surgiu o estilo Yang. Embora existam vários outros, esses são tidos como os mais tradicionais. O estilo Chen se- ria a forma mais antiga e é muito praticado no Brasil. O que diferencia os estilos entre si são características específicas dos movimentos, tais como velocidade, amplitu-

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de, força empreendida, alternância, inclinação, ritmo, entre outros aspectos particulares do desenvolvimento de suas coreografias. Todos, contudo, preservam uma estrutura e postulados básicos. O estilo Yang, pelos seus objetivos mais estreitamente relacionados ao relaxamento como caminho para a saúde, tornou-se o de maior popularidade. Na segunda metade do século passado, com a China abrindo-se para o mundo, o Tai Chi Chuan atravessa as fronteiras do ocidente e hoje é conhecido em todo o pla- neta. Pela sua importância e resultados comprovados na melhoria da saúde e bem-estar, o Comitê Olímpico Chi- nês, em 1956, consagrou algumas séries, estabelecendo padrões nas sequências mais praticadas – Tai Chi Simpli- ficado (24 movimentos), o Grande Encadeamento (88 mo- vimentos, também conhecidos como os 108 movimentos), Espada (32 movimentos), para citar os mais conhecidos. Desde então, esse Comitê vem divulgando para o mundo orientações e normas relacionadas ao assunto. As formas por ele padronizadas são também referidas como formas de Pequim. Tai Chi Pai Lin – Merece também destacar, no Bra- sil, os ensinamentos do Mestre Liu Pai Lin (China, Tian- jin, 8.12.1907 – Brasil, São Paulo, 3.2.2000) transmitidos oralmente por mais de 20 anos até o ano 2000: massagens chinesas (Tui-ná), meditação taoísta (Tao-in) e Tai Chi Chuan, sob a denominação peculiar de Tai Chi Pai Lin. Reproduzo aqui sua ode ao Tai Chi:

Existe na natureza uma energia criativa, dois sopros distintos: o yin e o yang, que num movimento pulsante se unem fazendo surgir todas as coisas, inclusive o ser humano. Este sopro de energia vital doado pelo céu e pela terra constitui-se no que possuímos de verdadeiro e original. Não dar atenção a essa energia é não dar importância à vida.

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No macrocosmos, a energia do céu e da terra se unem diariamente.

O

homem é o microcosmos,

o

céu fica na nossa cabeça

e o baixo ventre é a nossa terra.

Quando relaxamos, o sol na nossa cabeça desce

e ilumina a nossa terra:

Isso é a união do yin e do yang no homem. Essa união gera em nosso corpo nova energia.

O Tai Chi Chuan é uma prática do sentimento de amor,

pois segue os princípios da natureza.

Observe o movimento de rotação da terra.

É como se a terra estivesse fazendo o Tai Chi Chuan,

renovando o ar, impregnando novo frescor a todas as coisas, pois a maior virtude da natureza é fazer nascer vida nova.

O ser humano pertence à natureza.

Se praticarmos o Tai Chi Chuan diariamente, cultivamos a nossa energia criadora.”

II – A teoria dos cinco elementos

Existe uma teoria dos quatro elementos incluída nas tradições mitológicas, filosóficas e religiosas de muitas culturas. Cada elemento está ligado à realidade manifesta no planeta. Na Grécia Antiga, eles correspondiam às fa- culdades latentes do ser humano: física (terra), emocional (água), intelectual (ar) e espiritual (fogo). Na cultura oriental, da mesma forma que o Tai Chi nos remete ao taoísmo e à alquimia chinesa, as forças yin e yang, a serem abordadas no capítulo sobre energia, nos conduzem a cinco elementos da natureza. De acordo com o pensamento taoísta chinês, são eles: metal, madeira, terra, água e fogo. Tal classificação não se relaciona somente com as substâncias às quais os nomes se referem, mas também com metáforas e símbolos e, principalmente, com a essên-

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cia dos seus significados, para revelar como todas as coisas interagem e estão conectadas entre si. Assim como é nosso corpo, um todo, uma cadeia de incontáveis conexões.

A filosofia taoísta se utiliza da simbologia desses cin-

co elementos para descrever dois ciclos: um de produção (yang) e outro de dominância ou controle (yin). Tudo que conhecemos ou pensamos como realidade é um reflexo dos céus – “Assim no alto como em baixo” –, de maneira que, se nós compreendermos o aspecto macrocósmico das coisas, poderemos entender esse mesmo relacionamento numa escala menor: no nosso organismo, por exemplo.

A referência original desses elementos recai sobre as

estações do ano, descrevendo-se as cinco fases nos circui- tos da produção e do controle:

– no ciclo da produção, a madeira (lenha) produz o fogo, o fogo produz a terra (cinzas), a terra produz o metal (mi- nério); o metal produz a água (fusão, oxidação), a água (chuva) produz a madeira (vegetação); – no ciclo de controle, a madeira (raiz) controla (sus- tenta) a terra, a terra controla (absorve) a água, a água

controla (apaga) o fogo, o fogo controla (derrete) o metal, o metal (machado) controla (corta, dá forma) a madeira.

O metal produzindo a água é certamente e, a princípio,

uma assertiva que se distancia da nossa compreensão objetiva. Entretanto, vale lembrar que as nascentes dos

rios e riachos estão em regiões altas, montanhosas, onde

o subsolo é rico em minério; ao ser derretido (fusão), o

metal libera partículas de hidrogênio, que combinadas ao oxigênio formam a água; e ainda, no processo de oxida- ção, o metal libera gótículas na sua superfície.

O que os cinco elementos têm a ver com o Tai Chi? É

por meio de um instante de introspecção e calma interior (água) que nos enraizamos (madeira) para iniciar os pri- meiros movimentos (fogo), intimamente ligados ao nosso

habitat (terra) e respiramos com ritmo e harmonia (metal).

A partir daí, iniciamos a nossa jornada no Tai Chi Chuan.

* * *

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aTé o dia mundial

I – Um encontro nos jardins

Como as águas que mansamente se espalham do leito para os braços do rio, as Artes Taoístas – A Arte da Guerra,

o

¹Feng Shui, a ²Medicina Tradicional Chinesa, o I Ching,

a

³Astrologia Chinesa –, entre as quais o Tai Chi Chuan e

o

Chi Kung, destacadamente, foram conquistando simpa-

tizantes em cada canto do globo. Até que numa manhã ensolarada de um sábado de abril do ano de 1999, um grupo de duas centenas de pessoas, sob a liderança do casal Bill Douglas e Ângela Wong Dou- glas, reuniu-se nos jardins do Nelson Atkins Museum of Art, em Kansas City, Missouri – EUA, para celebrar e dis-

cutir sobre a influência, os benefícios e o mérito do Tai Chi no cenário mundial. O encontro foi rapidamente noticiado pelos mais conceituados veículos da mídia – jornal, rádio e tv –, tais como:

– CNN

– Reader’s Digest

– Fox News

– German International Radio

– The New York Times

– Xinhua News Agency

¹Feng Shui – arte chinesa que busca nos oferecer a harmonia e o sucesso dos ambientes por meio da combinação dos cinco elementos e do equilíbrio das forças yin e yang. ² Medicina Tradicional Chinesa (MTC) – ciência milenar para a saúde e lon- gevidade, que incorpora sabedoria e tradições taoístas (acupuntura, maxo- bustão, fitoterapia, técnicas de massagens, exercícios, dieta alimentar, ) relacionadas ao homem e suas reações e relações com as energias que per- meiam todo o universo. ³Astrologia Chinesa – ciência tradicional que remonta há mais de 2.600 anos da nossa era; a principal de suas características é a sua minudência interpretativa, que chega a utilizar até 180 estrelas na elaboração do mapa astral.

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– The South China Morning Post – The Wall Street Journal. Daquele encontro nasceu o Dia Mundial do Tai Chi & Chi Kung, que passaria a ser celebrado nos sábados de abril dos anos seguintes – 8 de abril de 2000, 7 de abril de 2001, 6 de abril de 2002, 12 de abril de 2003, 24 de abril de 2004, 30 de abril de 2005, 29 de abril de 2006, 28 de abril de 2007, 26 de abril de 2008 e 25 de abril 2009, fe- chando o ciclo do seu primeiro decanato – com o incentivo e participação das mais tradicionais escolas, instituições e federações de artes marciais da China e do mundo inteiro. Já no ano de 2003, as Nações Unidas emprestaram seu apoio ao evento, reconhecendo sua importância ímpar ao incluí-lo no calendário oficial da Organização Mundial de Saúde. A partir de 2004, ficou estabelecido o último sába- do de abril de cada ano para marcar os festejos comemo- rativos da data. Desde lá, o acontecimento vem ganhando cada vez mais o apoio da comunidade, inclusive dos governos locais de vários países, principalmente dos Estados Unidos, por meio de proclamações oficiais firmadas por prefeitos, go- vernadores, senadores. Vale ressaltar, nesse crescendo, o pioneirismo no Brasil da Prefeitura de Osasco – SP, ao editar instrumento legal decretando a “Semana do Tai Chi Chuan” no Município, como se transcreve a seguir:

“LEI Nº 3827, de 15 de janeiro de 2004. INSTITUI A SEMANA DO TAI CHI CHUAN NO MUNICÍPIO DE OSAS- CO E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

CELSO ANTONIO GIGLIO, Prefeito do Município de Osasco, usando das atribuições que lhe são conferidas por lei, FAZ SABER que a Câmara Municipal aprovou e ele sanciona a seguinte Lei:

Art. 1º Fica instituída a “Semana do Tai Chi Chuan” no Muni- cípio de Osasco a última semana de abril de cada ano, que antece- de o último sábado de abril, Dia Mundial do Tai Chi, comemorado anualmente.

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Parágrafo único. O evento de que trata este artigo ficará fa- zendo parte integrante do calendário oficial do Município. Art. 2º As despesas decorrentes com a execução da presente Lei correrão por conta das dotações próprias, suplementadas se necessário. Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Osasco, 15 de janeiro de 2004

Celso Antonio Giglio Prefeito.”

Nesse contexto, Brasília também se insere entre as ci- dades pioneiras, conforme ato normativo publicado no Di- ário Oficial do Distrito Federal em 17 de janeiro de 2007, seção 1, página 4:

“LEI Nº 3.951, DE 16 DE JANEIRO DE 2007 (Autoria do Projeto: Deputado Distrital Odilon Aires)

Dispõe sobre a “Praça da Harmonia Universal” e dá outras provi- dências.

O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, FAÇO SABER QUE A

CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL DECRETA E EU

SANCIONO A SEGUINTE LEI:

Art. 1º Para fins de proteção e preservação do pleno exercício das manifestações culturais, nos termos que dispõem os artigos

246 e 247 da Lei Orgânica do Distrito Federal, é declarada patri- mônio cultural de Brasília a manifestação cultural popular desen- volvida na Praça da Harmonia Universal, movimento que conta com mais de trinta anos, tendo seus praticantes a orientação do Mestre Woo, com a prática de Tai Chi Chuan e Being Tao, concei- tuado bem de natureza imaterial relacionado com a identidade, ação e memória do grupo comunitário Associação Cultural Brasil- China – ACBC. Art. 2º Dá-se a denominação de Praça da Harmonia Universal ao espaço utilizado para a prática de Tai Chi Chuan e Being Tao, pelo grupo comunitário Associação Cultural Brasil-China — ACBC, na EQN 104/105. Parágrafo único. A Praça da Harmonia Universal permanece-

rá integrada ao interior da área destinada ao Clube de Vizinhança

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da EQN 104/105, devendo o Governo do Distrito Federal definir com a comunidade a área de tutela. Art. 3º Fica incluída no calendário de eventos oficiais do Dis- trito Federal a data de comemoração da origem do movimento em Brasília. Art. 4º Qualquer ato que acarrete destruição, mutilação ou alteração do bem de que trata esta Lei será considerado crime contra o Patrimônio do Distrito Federal. Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 6º Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 16 de janeiro de 2007

119º da República e 47º de Brasília José Roberto Arruda.”

Certamente, num futuro próximo, esses exemplos se- rão seguidos e espalhar-se-ão por muitas localidades Brasil afora, partindo das principais cidades que estão na vanguarda da mobilização e difusão do Tai Chi, como Niterói, Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, Natal, Ribeirão Preto, Campinas, Florianópolis, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre – somente para citar algumas en- tre tantas outras. Como os resultados dessa mobilização em prol da saúde vêm se mostrando cada vez mais efeti- vos, animadores e inquestionáveis, em algum tempo essa prática se espraiará como uma onda por todos os cantos. Cite-se, como exemplo, a iniciativa da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, que já oferece curso de capacitação de facilitadores de Tai Chi Chuan. É assim que, em cada ano, um evento global de saúde

e bem-estar sem precedentes se revela através do plane- ta, como na celebração do sábado, 25 de abril de 2009, marco da décima primeira comemoração anual. Sempre às 10 horas, começando na zona de tempo mais cedo – Nova Zelândia – e culminando à passagem pela zona de tempo mais tarde – Havaí –, um sopro vital se espalha por todo

o globo terrestre por meio dos fusos horários, passando

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por mais de 1700 cidades de mais de 60 países nos 5 con-

tinentes

circundando todo o planeta, é sempre visualmente muito espetacular, mas também promove a calma, o bem-estar e

a união entre os povos. As expectativas já se direcionam para o sábado 24 de abril de 2010, que marcará a décima segunda celebração mundial desse evento que festeja a marcha gradual e cres- cente pela saúde do planeta, pela fraternidade, pela paz. Em Brasília, no espaço da entrequadra EQN 104/105, denominado Praça da Harmonia Universal – nome agora oficial –, uma pequena multidão se irmana a cada come- moração anual para assistir as apresentações das escolas

e associações e participar das atividades programadas para

o dia. O evento é promovido pelo International Institute of

Being Tao (IIBT) e pela Associação Cultural Brasil – Chi- na (ACBC), agora sob a denominação de Associação Being Tao (ABT), representados pelo Mestre Joseph Moo-Shong Woo, com o apoio da Secretaria de Saúde do Governo do Distrito Federal e diversas entidades e federações locais.

Esta onda saudável, que num crescendo vai

locais. Esta onda saudável, que num crescendo vai Praticantes de Tai Chi Chuan, Praça dos Três

Praticantes de Tai Chi Chuan, Praça dos Três Poderes, Brasília

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Outra atividade que vem se consolidando reúne em Brasí- lia, no segundo domingo de cada mês, na Praça dos Três Poderes, dezenas de pessoas, entre instrutores e adeptos do Tai Chi, para uma prática junto com o público ali pre- sente. Além de ser um evento de divulgação, é excelente oportunidade para aqueles que não conhecem experimen- tar os exercícios. Ainda no Distrito Federal, na cidade de Brazlândia, há que se destacar o excelente trabalho de divulgação pelos professores Antônio Cabral e Tânia Carmo naquela comu- nidade, de reconhecida grandeza pela experiência, dedi- cação e interesse pelas artes orientais, que de longa data vêm atuando nesta capital.

One World

One Breath

Brasília, Brasil

que de longa data vêm atuando nesta capital. One World One Breath Brasília, Brasil Um mundo

Um mundo

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Uma respiração

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C hi – S aúde do S er J oSé m ilTon de o liveira Abril

Abril de 2005 – Evento do “Dia Mundial do Tai Chi & Chi Kung” na Praça da Harmonia Universal, organizado pela então ACBC e outras escolas e professores, tais como Academia Makga-Isa, Centro Cultural Chinês de Brasília, Núcleo de Estudos, Pesquisas e Práticas Taoístas, Helena Fukuta, Alice Uchida e José Milton.

Núcleo de Estudos, Pesquisas e Práticas Taoístas, Helena Fukuta, Alice Uchida e José Milton. 51 ww.worldtaichiday.org
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ww.worldtaichiday.org

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Transcreve-se, adiante, versão em português da comu- nicação oficial da World Tai Chi & Chi Kung Day Interna- tional Organization, a qual é divulgada mundialmente por ocasião da abertura das solenidades:

mundialmente por ocasião da abertura das solenidades: “MENSAGEM DA ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO DIA MUN- DIAL

“MENSAGEM DA ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO DIA MUN- DIAL DO TAI CHI & CHI KUNG PARA CADA UM DE VOCÊS E PARA TODOS AQUELES QUE, NAS DIFERENTES CIDADES DESTE PLA- NETA, HOJE SE REÚNEM PARA UMA CELEBRAÇÃO MUNDIAL:

Esta onda global de boa vontade e otimismo induz a uma visão de esperança, bem-estar e paz para um mundo caren- te desses valores. A cada ano, paramos um pouquinho para

olhar as imagens dos povos das mais diferentes religiões

e culturas, que se encontram nos mais diversos cantos da

terra

isso tem um profundo

num movimento universal de

energia do Tai Chi & Chi Kung significado de Unidade.

respirando juntos

Quando você olha as fotos e os vídeos, vê estampado nas faces das pessoas um sorriso interior e um brilho no olhar que transmitem o sentimento daquilo que todos nós expe- rimentamos: o sabor do Chi, o bem-estar que essa ener- gia vital proporciona ao se expandir pelas nossas mentes

e

nos entregamos à quietude e à calma, e toda vitalidade se expande a partir do nosso interior. Quando você observa olhares tão diferentes, em rostos tão diferentes, de terras tão diferentes, comungando um êxtase de tranquilidade e harmonia, saiba que você pode

concretamente realizar o que todos com certeza sonhamos:

e corpos quando nos dispomos a simplesmente respirar

“um mundo

uma respiração”.

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JoSé m ilTon de o liveira oSé milTon de oliveira

Estamos todos conectados, interligados por uma inco- mensurável onda energética, um campo de energia da vida que a física quântica agora confirma que permeia toda a

existência. Emergindo seguidamente nesse campo vibra- cional da energia vital, nos tornamos mais e mais convic-

tos dessa realidade absoluta

como elos de uma corrente ou como todas as partes da cadeia receptora da vida. E cultivando as sementes da nossa realização pessoal, ajudamos também num cresci- mento global, de uma forma equilibrada, participando da construção de um futuro mais alegre e saudável que nos nutrirá a todos de uma maneira que jamais, ainda, pode- mos imaginar.”

nós todos somos ligados

II – Woo e a Praça da Harmonia

Num merecido tributo às atividades do Mestre Woo, marcadas por mais de três décadas de dedicação à saúde

do brasiliense, a Câmara Legislativa do Distrito Federal, em sessão de 5 de junho de 2006, decidiu consagrar-lhe, unani- memente, o título de Cidadão Honorário de Brasília, graças à nobilíssima e feliz iniciativa do então deputado distrital Odilon Aires. Ao lerem esta informação, já terá ele recebido essa digna comenda em solenidade do dia 11 de agosto de

2006.

Praticante de Tai Chi, a jornalista do senado federal e poe- tisa Maria Maia se inspirou na antologia clássica chinesa com- pilada por Confúcio – Ode 274 – que faz referência ao Rei Wu, e em versos compôs sua carinhosa homenagem ao Mestre Woo. Em recital na referida solenidade na Câmara Legislativa do Dis- trito Federal, ela nos brindou com as duas poesias. Ei-las:

Ode 274 Mão de rei Wu não cai só sua não faz qual sol luz só de dia

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T ai C hi – S aúde do S er Shang Ti (no céu) fez reis

Shang Ti (no céu) fez reis Cheng e Kang moldou-os reis talhou-lhes luz.

Gongo flauta soam tam tam no tom som do bom grão se ouve então.

Quem faz faz bem quem não tem fim um dom do chão vem com o grão.

JoSé milTon de oliveira

Compilada por Confúcio, a Ode 274 está no “ABC da Li- teratura”, do poeta Ezra Pound, com tradução de Augusto de Campos (Editora Cultrix).

Woo de graça, Woo na praça, Woo todo dia sorrindo

poetisa Maria Maia

Viva Woo cidadão honorário de Brasília oriente transcendente eixo, quadras e entrequadras leste oeste norte e sul

todo dia louva a vida todo dia um mundo novo todo dia diferente todo dia o dia brilha em fraternidade, saúde e paz

Woo de sol, Woo de alvorada Woo da gente, Woo de Tao

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Woo tão cedo, energia:

mestre, guia, condutor Woo leveza de algodão Woo de nuvem, coração wooando na praça da paz pés e mãos pisam no dia

Woo de luz e de poesia movimento ágil e certo Lao Tsé é nosso guia palavras do coração

manhãzinha pura e fresca todo o dia o dia nasce todo dia o sol se espanta tantas cores tingem o céu

a lua crescente vem

minguante ela quase se esvai

a lua cheia desponta

crescente minguante ou cheia

todo o dia o dia nasce todo dia o sol levanta todo dia se incendeia tinge o céu pra celebrar

todo o dia a praça sente os pés de Woo e da gente

o giro de tao e chi

acariciando as nuvens

viva a alvorada em Brasília ipê amarelo agosto amoras vermelhas, dezembro ipê roxo, flamboyants tantas flores vêem Woo

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tantas dores que nem lembro quando os pés pisam no chão quando o rosto gira ao céu o mal pela terra sumindo luz mais forte no horizonte paz na fronte, sol luzindo

chi kung tai chi chá fé fonte celebrando um dia a mais chega o dia em paz na praça cada graça o dia traz

Woo de graça Woo na praça Woo todo dia sorrindo.

O Mestre Woo chegou ao Brasil em 1961, trazendo ci- ência e cultura milenares com a Medicina Tradicional Chi- nesa, o Tai Chi e o Chi Kung. Aqui, tornou-se o precursor nos atendimentos com as suas técnicas. Além da formação em Medicina Tradicional Chinesa, Mestre Woo é graduado em medicina ocidental pela Uni- versidade de Auburn, Alabama, EUA. Nascido em Taiwan, naturalizou-se brasileiro em 2000, por ocasião dos 500 anos do descobrimento. Ao longo de sua vida, recebeu as seguintes condecorações:

– Láurea Pero Vaz de Caminha (no grau de Comenda-

dor), Insígnia do Mérito Cívico e Colar José de Anchieta –

Apóstolo do Brasil;

E mais os títulos:

– Conselheiro da Corporação Editorial de Medicina e

Acupuntura Chinesa (Advisor of The Chinese Acupuncture

Medical Publishing Incorporation);

– Reitor Honorário da Faculdade e do Instituto de Espe-

cialistas Médicos Chineses (Honorary Dean of The Chinese Medical Speciality College and Institute); e

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– Presidente Honorário da Associação Geral da União Mundial de Médicos Herbalistas Chineses (Honorary Presi- dent of World Wide Chinese Herbalists Union General Asso- ciation). Foi também indicado ao prêmio espanhol Príncipe de Astúrias, pelo trabalho cultural e humano desenvolvido no âmbito internacional. Destaque-se também a sua atuação como professor de Língua Japonesa e Chinesa do Instituto Rio Branco – Mi- nistério das Relações Exteriores do Brasil. Continua o Dr. Woo, hoje aos 78 anos, em plena ativida- de como médico acupunturista, ensinando Tai Chi Chuan diária e gratuitamente, há quase 35 anos (a completar em outubro de 2009), na Praça da Harmonia Universal. É na- quele espaço que o encontramos todas as manhãs, depois que acorda com o sol, ensinando a Harmonia do Ser. Woo louvando a saúde! Woo compartindo alegria! Woo sempre sorriso! Woo, Mestre da Harmonia!

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A ele, rendo minha homenagem em versos:

Dualidade

O outro lado,

a outra face,

é a mesma face,

mesmo lado, do ponto de vista da relatividade.

Divisão

existe somente

na mente

do homem.

Nem Oriente, nem Ocidente, Norte ou Sul, sequer. Tudo é igual na casa redonda dos filhos do Tao.

Esta é uma casa muito engraçada, sem janelas, sem portas, mora-se nos seus jardins, bem do lado de fora, sob o sol e as estrelas.

O

sim não extingue o não,

o

não não extingue o sim.

Antes, perdem-se em infinitas possibilidades

na aparente diversidade que às vistas se desenham,

coração não se engana tudo é Um!

,

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Isso aprendi ontem com Mestre Woo. Woo, simplicidade, brilho nos olhos, rosto sorrindo, mansuetude na voz, mãos ao alto em concha uterina acariciando o planeta, gestual que revela a Preponderância do Pequeno ao abraçar e suster o Grande, alma falante a dizer:

“Não importa o lugar, a Terra é a nossa casa!”

Então percebi mais claramente, quanto duais são as asas da mente.

* * *

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Brasília, 29 de março de 2008

Tai Chi – Saúde do Ser JoSé milTon de oliveira
Tai Chi – Saúde do Ser
JoSé milTon de oliveira

a dança da energia

I – Energia

Neste universo, tudo é feito de uma mesma matéria- prima: energia. Como não dá para definir, vamos tentar, por meio de algumas observações, compreender o que é energia e um pouco do que ela representa na nossa vida. Contemplando o céu numa noite cheia de estrelas, o que se observa? Uma vastidão de espaço incomensurável que separa cada uma delas. Enquanto do lado oposto do globo, o sol brilha iluminando a outra metade. Astros, as- teróides, luas e planetas gravitando ao redor da estrela maior, o sol. É neste espaço que se move uma força inte- ligente, que produz toda harmonia, equilíbrio e sincronis- mo de todas as órbitas dentro do sistema solar. Como os planetas em torno do sol, no átomo giram os elétrons ao redor do núcleo: a energia em movimento. A energia que tudo move. “Assim no alto como em baixo”, já dizia Hermes Trimegistro, um dos maiores pensadores do antigo Egito; em cima (no macrocosmos, no sistema solar), em baixo (no microcosmos, no átomo da matéria). Simplificando, assim na terra como no céu. Da mesma forma, pode-se tomar como exemplo uma célula de tecido humano ampliada pelas lentes do micros- cópio, e o que se vai observar são os vastos, vastíssimos espaços a separar átomo de átomo, e em cada átomo, o núcleo dos elétrons. É neste espaço também que se move a mesma força inteligente, produzindo toda harmonia, equi- líbrio e sincronismo do pulsar da vida. Constata-se, pois, que toda nossa massa corpórea

concreta, palpável, visível – sangue, ossos, tendões, mús-

culos, nervos, cabelos, pele,

mente de muitíssimos espaços vazios. Isto é, somos li-

– é constituída principal-

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teralmente pura energia. Tanto como compreendemos a energia invisível do nosso ser como consciência, alma, espírito, divindade.

E lembrando Einstein e a Teoria da Relatividade, sen-

do no universo tudo relativo, fica a interrogação sobre

o conceito de infinito. Se a infinitude eclode macrocos-

mo afora, essa mesma infinitude não explodiria (ou im-

plodiria) microcosmo adentro? Mas paremos por aqui. As limitações da nossa racionalidade não nos permitem responder ao quesito proposto. É tão somente para nos lembrar que há mistérios insondáveis, que não podemos desvendar todos os segredos, nem obter respostas para todas as perguntas. Todavia, sendo mais observadores, temos a capacida- de de refletir e entender o conceito de energia, de que for- ma ela está presente na nossa existência, de formar um juízo mais objetivo e concreto a respeito, do que pura e simplesmente aceitar que somos energia porque estamos vivos e nos movemos e ponto final. Isso seria muito pou- co. Há coisas sobre as quais, mais que compreender, é preciso sentir. Em se tratando de energia, não vejo graça em tentar definir ou formular um conceito, como vejo em senti-la, em constatar a sua ação sobre todos os seres e todas as coisas.

A cultura oriental faz referência a essa energia como

sendo de três tipos, chamando-os de Três Tesouros: (1) Jing – essência, energia primordial ou pré-natal, que herdamos dos nossos pais no instante da concepção, é a energia responsável pelo nosso nascimento, nosso exis-

tir; (2) Chi – energia vital, que cultivamos durante toda a existência, realimentada com suprimentos de ar, água e comida, é a energia que conduz todo nosso crescimento

e transformações físicas; e (3) Shen – é a energia espiri- tual, que guia e constrói nosso conhecimento, valores e atitudes, pavimentando nossa conduta na seara da espi- ritualidade.

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Uma observação ou reflexão sobre um aspecto curio- so. Além dos quatro principais pontos cardeais, a cultura

e a sabedoria chinesa consideram um quinto: o centro. Na

China, cinco montanhas sagradas estão localizadas nesses cinco pontos cardeais, nas quais foram erigidos magníficos templos. O centro é o ponto de encontro e também de onde partem as linhas rumo às cardeais norte-sul-leste-oeste,

noroeste-nordeste-sudeste-sudoeste, e todas as outras di- reções intermediárias. No átomo, os elétrons giram ao redor de um núcleo (o centro). No ser humano, o vórtice central seria o coração? A mente? Ou o ¹dan tien? Cada planeta é como o ponto central das órbitas de suas luas. Por sua vez, os planetas gravitam ao redor do astro-rei, o sol. O sistema solar desenvolve a sua órbita dentro da nossa galáxia, junto com outros sistemas estelares. Incomensurável galáxia, en- tre bilhões (infinitude) de incontáveis outras, descrevendo suas órbitas próprias no universo, onde tudo é movimento em torno de um centro. Não estaria o centro da criação em toda parte? Será que em parte alguma? Todo o universo é o centro dele próprio? Ou será que centro nem existe? Obviamente, mais questões que não podemos respon- der, mas que têm o condão de nos maravilhar de êxtase, de nos incutir um profundo sentido de unicidade, de que tudo

é uno. O todo afeta a parte e esta afeta o todo. Quando nos dói a cabeça, ou a unha encravada no dedão do pé, não é o corpo todo que padece? Então cuidemos do nosso corpo, da Saúde do Ser. Cuidemos com amor do nosso planeta, desse Generoso Coração da Terra, por muitos batizada de Gaia.

II – Yin e Yang Todos os fenômenos que ocorrem nos mundos visíveis e invisíveis são resultados da interação de duas forças: yin (centrípeta, negativa, feminina, delicada, dócil, pacífica) e yang (centrífuga, positiva, masculina, firme, ativa, criadora).

¹ Dan tien – repositório ou fonte de energia vital, situa-se no interior do baixo abdômen, cerca de dois a três dedos abaixo do umbigo.

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São forças ou energias opostas, mas na realidade muito amigas, porque inseparáveis. Não se lhes aplica a qualida-

de de ruim (negativa) ou boa (positiva). O negativo e o po- sitivo são designações para destacar as duas polaridades de energia. O gênero que se lhes atribui não tem qualquer conotação com sexo; quer referir-se às suas característi- cas predominantes: intuitiva (feminina) e racional (mascu- lina). Diversamente do ocidente, onde o oposto é referido como contrário, o conceito oriental de oposto é comple- mentar. Isso responde à observação de que tudo no uni- verso parece dividido, de modo que cada coisa se constitui de uma metade que deve ser completada por outra, como matéria – espírito, interno – externo, objetividade – sub- jetividade, movimento – repouso, realidade – ideal, cons-

os pólos

se complementando entre si para daí surgir um equilíbrio dinâmico. Na tradição taoísta, do caos original nasceu o yin e o yang. O yin, o princípio negativo (a contração que tudo harmoniza, o feminino, a noite, a terra, a lua, a morte,

O yang, o princípio positivo (a

expansão que tudo revigora, o masculino, o dia, o céu, o

O yang, mais leve

– como fumaça – subiu para formar o céu. O yin, mais

denso – como chuva – despencou para materializar a terra. Essas duas forças refletem também a dualidade que rege

ciência – inconsciência, inspiração – expiração

a água, o frio, o úmido

).

sol, a vida, o fogo, o quente, o seco

).

o

mundo, como referido no parágrafo anterior. Sabemos

o

que é treva porque conhecemos a luz. Sabemos o que é

alegria porque conhecemos a tristeza. Sabemos o que é ser saudável quando as doenças nos atacam. Desde a antiguidade, o homem aprendeu a utilizar sím- bolos para possibilitar uma racionalização, uma compre- ensão melhor do abstrato, das coisas que não são visíveis, não são palpáveis, mas são perceptíveis e reais. O diagra-

ma do Tai Chi é um dos símbolos mais representativos das forças que regem o universo. Podemos imaginá-lo como

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sendo o desenho de uma montanha, onde o lado escuro é a porção yin e o lado claro é a parte yang.

Diagrama do Tai Chi

yin e o lado claro é a parte yang. Diagrama do Tai Chi No vazio (o

No vazio (o círculo), as forças yin e yang se movem para formar o Tai Chi, símbolo do perfeito equilíbrio, da harmo- nia dos opostos A energia que tudo move, a energia vital que nos anima, é constituída dessas duas forças que nunca se dissociam. Quando uma delas se expande ao máximo, ainda assim deixa espaço para a outra, como podemos observar no dia- grama pelos pontos ou círculos menores. Num mar de yang resta ao menos um pingo de yin e vice-versa. Às áreas de expansão de uma se contrapõem as áreas de contração da outra, ou seja, o aberto é seguido do fechado e o fechado é seguido do aberto. As linhas que as limitam representam “uma força neutralizante”, que mantém o equilíbrio entre as duas energias, como o instante de vacuidade que “sepa- ra” a inspiração da expiração. Ou como o “ponto” determi- nante do movimento de vai e vem (ou seria vem e vai?) do pêndulo. Vejamos as fases da lua. Com uma de suas faces intei- ramente iluminada pelo sol (yang) e a outra na escuridão

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(yin), ela lança os seus raios (energias) sobre a terra. À me- dida que se move nas suas órbitas em torno do planeta, que também gira nas suas órbitas em redor de si mesmo e em volta do sol, vai mostrando sua luminosidade num cres- cendo que culmina com a lua cheia, daí volta a decrescer até que não mais enxergamos o seu brilho (lua nova). E as influências dessa alternância yin-yang se revelam na ter-

no vicejar das plantas, no ciclo das marés, no compor- tamento dos animais, nos humores dos humanos. É como

o Tai Chi realizando os seus movimentos nos corpos, nas

mentes, nos espíritos dos seres. É o Tao agindo por meio das forças sagradas yin e yang. É só sentir. Tentar explicá- las é arriscar a nos perdermos em elucubrações mentais. Um dos axiomas do Tai Chi, descrito no Tao Te King, diz que o rígido se parte, se quebra, se extingue, enquanto

o flexível permanece, inteiro, duradouro. Em outras pala-

vras, a solidez e a rigidez acompanham a morte. A flexibi- lidade e a fraqueza acompanham a vida. Que maravilhosa filosofia e doutrina, que evidencia a fraqueza da força e a força da fraqueza e demonstra que ambas são aspectos

de uma realidade única e não se pode conceber uma sem

a outra. Tentar isolá-las é como querer dividir um imã ao

meio para separar os seus pólos. O resultado é que se ob- tém dois imãs menores, mas inteiros, cada metade preser- vando as mesmas propriedades de suas polaridades posi- tiva e negativa. E assim sucessivamente, se as dividirmos quantas vezes possível. Podemos inferir que nada é yin ou yang todo o tempo. Nada é absoluto. Mesmo quando dizemos que o interior do corpo é yin, o seu exterior é yang; que o seu lado direito é yin e o esquerdo é yang; que a sua frente é yin, as costas, yang; que da cintura para baixo somos yin, e para cima yang; que a existência física é yin, e a espiritual, yang. Essa divisão serve apenas para enfatizar a predominância de uma polaridade de energia em relação à outra. Analoga- mente, os nossos órgãos internos – segundo suas funções,

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características e natureza – também são classificados em órgãos yin ou yang. Importante é deixar bem claro que a conceituação de yin e yang não é estanque, que sua abor- dagem se sujeita a fundamentos e interpretações quanto aos aspectos relatividade e lateralidade que regem o pro- cesso energético. Essa uma questão merecedora de estudo mais acurado. Todas as forças do universo, portanto, são manifesta- ções do Tai Chi. Quando um movimento atinge sua ex- pressão máxima, sua plenitude, logo se transforma no ou-

tro. Como o sol que parece subindo no céu até ficar a pino,

e depois começa sua descida. Ou ainda como uma onda

no mar, que se forma devagarzinho, vai crescendo, mostra sua força e finalmente, atinge o seu ápice, para em segui- da se quebrar, despencando em montes de água e espuma impelidas pelos ventos, sons festivos se anunciando. Um poeta já falou que o barulho das ondas eram gritos de alegria das águas ao alcançar as terras depois de longa viagem por tantos mares. Claro que isso é só uma moldura poética, porque as vagas não falam. Mas se falassem, não

é o que diriam? Não é esse mesmo júbilo e alegria que sen- timos nos reencontros e no retorno à casa depois de longa viagem? Não é essa energia que nos renova e nos revigora, sempre que nos banhamos ao sol, pisamos na areia e nos lavamos no sal do mar? O poeta captou deveras a mensa- gem da natureza, suas vozes, sua linguagem. A trilha das realizações se faz sempre entre dois opos-

tos: o ir e o vir, o subir e o descer, o abrir e o fechar, o sim e

o não, a inspiração e a expiração, o nascer e o morrer, o yin

e o yang. Estes e outros incontáveis pares de opostos estão bem evidenciados na célebre interrogação shakespearia- na “Ser ou não ser? Eis a questão”. Idealizamos, fazemos, desfazemos, refazemos e recriamos, para nesse processo dinâmico aprendermos pela abstração, intenção e percep-

ção. Sobre os sentimentos novos que surgem passamos a agir, desenvolvendo padrões de atitude.

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O yin e o yang refletem as mutações contínuas na vida, no planeta e no próprio universo e nos dão a chave para compreendermos uma realidade sempre relativa, sem- pre em mutação, com suas novidades e surpresas. É de Thomas Edson o aforismo “Ciência sem Espiritualidade é loucura, Espiritualidade sem Ciência é fanatismo”. Ou se- ja, são inseparáveis como o yin (espiritualidade) e o yang (ciência). Os dois poemas que seguem são homenagens singelas a essas forças extraordinárias que impulsionam a vida no seu desabrochar eterno, onde sopram, entre mui- tos ventos, as brisas da inspiração.

* * *

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Y i n

Minha sinfonia inteira

é pra você.

Nela, todas as canções.

Bilhões de anos a compor com Amor cada canto, cada coisa, cada amigo do ar, silvestre e das águas, arrumando a festa pra receber, entre os meteoros que aqui pousaram, o mais brilhante, o mais ilustre:

Você!

Minha alegria é lhe aconchegar ao colo, no frescor dos banhos em minhas fontes, meus seios fartos de leite e mel, renascendo o verde para a sua cura.

A minha canção de amor para você

é o meu corpo, a minh’alma.

Eu sou a Terra! Cante a minha canção, dance os gestos de equilíbrio. Dance, como se ninguém estivesse olhando Brinque comigo, e você será sagrado!

Brasília, 20 de agosto de 2006

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Y a n g

Nunca estive tão perto de ti, embora parecendo longínquo,

inexplorado,

inacessível,

intocável.

Como criança vaidosa, eu me visto todo de azul para que sintas a beleza e tua mente e coração flutuem na serenidade aonde deságua a calma.

As músicas das esferas eu as danço para ti. Me orno com abóbadas luminosas

e nuvens muito brancas.

Meu abraço viaja através dos raios de sol. Te banho com o brilho cálido das estrelas e luas,

o meu ventre estufando de poeira cósmica para te nutrir.

Sempre!

Falam que pareço com a felicidade;

eu digo que a minha infinitude cabe no teu seio.

E na expressão mais simples

do amor mais puro, te cubro com a alegria que tece a Criação.

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Eu sou o Céu para onde todos querem voar, mas nem é preciso. Te protejo como útero em gestação permanente, minha semente germinando em tua alma, cujos olhos fazem festa quando dos horizontes às alturas, cingido em cores muito vivas, meu arco-íris debruça-se sobre ti.

Macaco

esperteza,

astúcia e

bom humor

Brasília, 15 de julho de 2006

debruça-se sobre ti. Macaco – esperteza, astúcia e bom humor Brasília, 15 de julho de 2006
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reSpiração, poSTuraS, movimenToS

I – Respirando com o universo

“A respiração do universo chama-se vento. Às vezes, ela é inativa. Mas quando ela age, todas as fendas reagem a seu sopro.”

¹Chuang Tsé

Respiração é o sopro da vida. Nossa existência física começa com uma inspiração e finaliza com uma expira- ção. Nesse interregno entre o nascer e o morrer, respira- mos ininterruptamente. O ato de respirar é tão natural, tão automático e inconsciente que não nos damos conta da sua importância, da sua real dimensão no preservar e alimentar a vida de todas as espécies, em suas mais vastas formas de manifestação. A respiração é a ponte de ligação entre o nosso corpo físico e a nossa essência espiritual. Como uma janela do eu para a alma. Podemos suportar alguns dias de fome, resistir a outros tantos dias com sede, mas, se nos faltar o ar vital por um intervalo muito curto de tempo, sucumbimos. Você con- segue ficar um minuto sem respirar? Um minuto e meio? Dois? Três? Quase impossível, inimaginável até. O inalar e o exalar o ar é um exercício instintivo. Dos instintos de sobrevivência, o mais forte. Ninguém consegue parar de respirar. Se o tentar, o organismo dispara mecanismo in- continente para a imediata retomada da respiração. Precisamos reaprender a respirar e fazê-lo com cons- ciência, atentos ao movimento de entrada e saída do ar, de expansão e de contração abdominal. Se nos dedicar- mos alguns minutos por dia a essa tarefa, com o tempo retomaremos o hábito da respiração correta, consciente.

¹Chuang Tsé – famoso filósofo da China antiga (século IV, antes de Cristo). Chuang Tsé está para Lao Tsé assim como o apóstolo Paulo está para Cristo.

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Vamos deixar de utilizar um meio ou um terço da capaci- dade pulmonar, parar de respirar pela metade. É preciso renovar todo o ar viciado e estagnado, para que cada uma das nossas células também respire melhor. E essa troca não se processa num único movimento de inalação e exa- lação do ar, porque boa parte dele não chega aos alvéolos pulmonares e apenas preenche as cavidades e vias respi-

ratórias. Respirar profundo, suave, sereno, pausado, num ritmo regular, como o faz um bebê, cujos movimentos de expansão e contração abdominal tão bem acentuados, são também muito serenos. Quando se fala em inspirar profundamente, parar (pren- der o ar rapidamente) e exalar, na verdade o que se quer não é interromper o fluxo, mas permitir, em cada intervalo entre a inspiração e a expiração, que o ar se expanda e se comprima, naturalmente, sem nenhum esforço. Observe. Sinta. Respirar bem oxigena o cérebro, regula a circulação, acalma, relaxa e nos põe em contato com a nossa energia interna. Faz bem para o corpo, para as emoções e para o espírito. Respirar é meditar, mergulhando cada vez mais fundo no nosso silêncio. Sem pressa, lembrando que a respiração

é muito mais do que um mecanismo de ação e reação do

aparelho respiratório, do que um fenômeno físico, e princi- palmente que ela não é algo de nosso, não é nossa proprie- dade, não nos pertence. Referimo-nos à “sua” respiração,

à “minha” respiração, mas de fato sobre ela não exerce-

mos controle absoluto. No máximo, apenas comandamos

o seu ritmo utilizando os movimentos do diafragma. Para-

mos de respirar enquanto dormimos? Ou seja, a respira- ção não está em nós. Não somos o seu dono. Entre ela e nós, nenhuma relação de propriedade, somente a usamos e dela usufruímos. Ao máximo, sobre ela podemos exer- cer, conscientemente, mero controle rítmico. A respiração

é um presente da natureza, disponível como a luz do sol e das estrelas, como o abraço das águas, como as sombras

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das árvores. Nós é que estamos nela. É ela que nos anima,

é com sua força que nos movemos na espontaneidade de

sua dança yin e yang, no giro continuado do Tao. Ao enchermos os pulmões na inspiração, inflamos o abdômen; isso é resultado da ação do diafragma, que em- purra para baixo e para os lados os órgãos internos logo abaixo, fazendo-os se comprimirem ainda mais entre si. Na expiração, eles relaxam e retornam às suas posições. Esses movimentos produzem uma massagem carinhosa em todos os órgãos, mas sobretudo muito poderosa, inten-

sa e vigorosa. O fluxo sanguíneo é ativado, as células mais oxigenadas, os músculos mais irrigados e lubrificados, as

Tudo isso vai produ-

glândulas endócrinas estimuladas

zindo prazerosa sensação de relaxamento. A cada instante – por tão espontâneo e natural, não obstante o mistério não captado pela nossa compreen-

são – passa-nos despercebido diante dos nossos sentidos

o maior fenômeno da Criação, o maior milagre da vida: o

ato de inspirar e expirar. Existe milagre maior do que a respiração? Respiração é movimento da ordem cósmica, é mistério sagrado. Respiração é Amor vestido de Vida! Res- piração é sopro de Deus! Simplesmente acontece! Os sábios chineses já diziam para não medirmos a longevidade contando o número de anos, meses e dias vividos, mas pela qualidade e quantidade de respirações, nessa ordem.

Respiração da Vida Junto com todo o universo,

o nosso planeta azul também respira. Respira vida em abastança

através das larvas que ardem nas suas profundezas, através das rochas

e das areias escaldantes dos seus desertos,

através do solo, das chuvas, da relva e das plantas, respira ainda mais pelos seus pulmões

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vestidos das amazônias verdes, através das suas fontes fecundas e abundantes, através dos seus oceanos,

e de todos os seus movimentos,

descrevendo a sua órbita com os sopros Chi Kung

e nos passos dançantes do Tai Chi Chuan,

em uníssono com todos os outros mundos.

Mundos visíveis, mundos desconhecidos e invisíveis, na sua alegre e sagrada reverência ao Tao,

à respiração do Amor e da Vida

no coração de Deus!

II – Posturas

Brasília,15 de agosto de 2006

Um dos importantes resultados da prática do Tai Chi é a correção da postura corporal. Ela é como uma fotografia da nossa atitude perante a vida. A postura da depressão se revela por meio da cabeça baixa, olhos dirigidos ao chão, ombros encurvados ou ca- ídos para frente, ares de melancolia ou desânimo, como se a pessoa carregasse o fardo das preocupações, eviden- ciando o estado de desolação, de cansaço, de mau-humor e até de pessimismo. Esse tema é abordado com bastante propriedade pela bioenergética e psicoterapia corporais. O que ocorre é que a insegurança, a instabilidade e o desequilíbrio provocados pelas emoções negativas se re- fletem no comportamento, nas atitudes e reações, e vão se sedimentando, de uma forma ou de outra, na conduta postural. No extremo, há pessoas que parecem claudican- tes muito antes de a idade avançar. Os exercícios de Tai Chi contribuem de forma extra- ordinária para a reversão desse quadro, promovendo o alinhamento das estruturas internas, do esqueleto à musculatura. Essa mudança, consequentemente, vai se mostrando externamente na exibição de uma postura

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que exprime alegria, vigor, confiança, firmeza, tranquili- dade, paz. Wu Chi, ou a postura do vazio, é a primeira posição en- sinada no treinamento inicial dos exercícios, e representa

o equilíbrio do Tai Chi. Pés paralelos distando cerca da

largura dos ombros, com os dedos um pouco voltados para dentro, as laterais dos pés como que seguindo duas linhas

paralelas. Nove pontos devem tocar o chão: os cinco de- dos, os dois montículos da sola do pé, a lateral e a sola do calcanhar. Isso é extremamente importante para manter o equilíbrio. Se um dos pontos não toca o solo, por exemplo,

é como uma mesa com três pernas, cujo equilíbrio fica

comprometido, embora possa ser mantida de pé. A ener- gia da terra é assimilada pela planta do pé e também pelo ponto chamado fonte borbulhante, que não toca o solo e se situa logo abaixo da curvatura do peito do pé, num ponto mais ou menos equivalente ao centro da palma da mão. Os joelhos levemente flexionados, quadris encaixados, pélvis ligeiramente à frente e cintura relaxada. Costas esticadas, ou seja, ombros bem relaxados, o peito sutilmente arre-

dondando-se para dentro. Deixar cair os ombros, braços soltos e pendentes ao longo do corpo. Mãos bem relaxadas, com as palmas vira- das para trás, permitindo aos nossos dedos (como antenas) captarem energia da terra. Encaixar o queixo, movendo a mandíbula um pouquinho para trás, alongando a área cer- vical, de modo que o cocuruto fica apontando para o céu. A idéia é se sentir como um boneco pendurado pelo topo da cabeça, com o tronco sendo atraído para cima, enquanto os membros inferiores puxados para baixo pela ação da gravidade, dando a sensação de enraizamento. Manter a respiração suave, ritmada e profunda, concentrando-se no dan tien. Nessa postura relaxada, os joelhos “destravados”

e a coluna vertebral quase reta pelo encaixar dos quadris

e do queixo, desfazem-se os bloqueios e a energia vital flui mais livremente, ativando as funções dos órgãos internos

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com suprimento maior de oxigênio e sangue. Quando de- vidamente relaxado e estimulado, o cérebro produz hor- mônios (endorfinas e dopaminas) ligados diretamente às sensações de alegria, prazer e transcendência. Essa postura Wu Chi, assim como outras bases estáti-

cas – do abraço da árvore, do tigre, do cavalo, do arqueiro,

– é utilizada

como exercício de meditação e entre outras finalidades, para desenvolver a força interior e exterior, desbloque- ar os meridianos e aprimorar o equilíbrio. A prática das bases jamais deve ser negligenciada, por conferir ao Tai Chi Chuan estabilidade e representar um dos seus fun- damentos. A partir do instante em que se vai saindo da postura Wu Chi, através do deslocamento gradual do peso de uma perna à outra flexionando-se o joelho, entra em ação a al- ternância, de maneira mais evidente, das forças yin e yang, orientando todos os movimentos, inclusive a respiração.

do gato ou universal, da árvore, da garça,

Serpente

humildade no

deslocamento,

contração

rápida na

defesa,

sagacidade no

ataque veloz

– humildade no deslocamento, contração rápida na defesa, sagacidade no ataque veloz 78 pentcha.br.tripod.com
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III – Os movimentos

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Se, até para o mero observador, as evoluções de uma sequência de Tai Chi Chuan são um exercício relaxante, imagine o que experimenta quem as executa! Treze são as posturas ou movimentos básicos a partir dos quais nasceram todas as inúmeras sequências hoje praticadas em todo o mundo. Oito deles são executados com as mãos e têm relação com o Ba Gua, ou oito trigra- mas do I Ching,

relação com o Ba Gua, ou oito trigra - mas do I Ching, Terra Montanha Água

Terra

Montanha

Água

Vento

Trovão

Fogo

Lago

Céu

enquanto os outros cinco, realizados com as pernas, estão relacionados aos cinco elementos – metal, madeira, terra, água e fogo. São eles:

1.

Peng – aparar

2.

Lu – desviar

3.

Ji – pressionar

4.

An – empurrar

5.

Tsai – colher e puxar

6.

Lie – colher e quebrar

7.

Zhou – golpe com o cotovelo

8.

Kao – golpe com o ombro

9.

Jin – avançar

10. Tui – recuar

11. You – virar-se (olhar) para a esquerda

12. Tzuo – virar-se (olhar) para a direita

13. Ting – equilíbrio sobre o eixo central

As características mais marcantes dos movimentos do Tai Chi Chuan são a leveza, a lentidão, a harmonia das formas circulares, a variância do “cheio” para o “vazio” no deslocar o corpo ou mover-lhe o peso. Um dos aspectos in-

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teressantes é que são exercícios que não causam exaustão muscular. Quando a força repousa mais sobre uma perna, por exemplo, dizemos que ela está “cheia” (mais yang), en- quanto a outra vai ficando “vazia” (mais yin). Essa oscila- ção contínua yin-yang é coordenada com a inspiração e a expiração. Num primeiro momento, ou melhor, na fase inicial de treinamento dos exercícios, a preocupação com a respi- ração deve ser deixada de lado, priorizando-se a execu- ção correta dos movimentos. Nessa fase, a recomendação é simplesmente respirar profundo, suave e pausadamente, do modo mais natural possível. Com o tempo, expandindo- se a capacidade pulmonar, a respiração vai se ajustando à cadência dos movimentos. Ela é como a água que vai vestindo as formas dos veios por onde vertem ou dos reci- pientes que a contêm. Lembremos que a respiração, por si só, é inteligente. É muito mais um processo da natureza. Paulatinamente, o inspirar e o expirar vão se encaixando com perfeição no seu próprio espaço dentro de cada mo- vimento e das suas nuanças. Confesso que não sei bem como expressar em palavras, mas a respiração acabará nos ensinando muito mais do que se ficarmos tentando acomodá-la neste ou naquele intervalo. É deixar fluir, sem tensões. Evidentemente, a respiração merecerá uma aten- ção muito especial no estágio em que o aprendiz dominar com segurança algumas técnicas, à medida que seus mo- vimentos se aproximarem mais da precisão. É importante enfatizar que embora cada movimento de uma série tenha um começo e um fim, ele não é estanque, isto é, não existe quebra entre o final de um movimento e o início do seguinte. Entre o expandir e o contrair não existe ruptura, mas um “intervalo de continuidade” que une os dois movimentos como sendo um só. Assim, os movimen- tos que compõem uma sequência são desenvolvidos como sendo partes do todo, como se fora um só movimento.

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O aspecto de unicidade nos movimentos de uma cadeia

é tão sólido que, quando um aluno questiona sobre deter-

minada postura, não raro o instrutor pode se “atrapalhar” um pouco até se situar naquela postura dentro de uma se- quência. É mais ou menos como responder a uma pergun- ta específica sobre procedimentos para guiar um veículo. Daí a importância de sabermos os seus nomes. Os nomes dos diferentes movimentos resultam da ob- servação do comportamento e luta entre os animais, bem como de fenômenos relacionados à natureza. É fundamen- tal conhecer o nome de cada movimento. Primeiro, porque cada um tem uma designação própria, uma razão particu-

lar de ser, um significado à luz do I Ching. Cada movimen- to transmite sua essência. Segundo, porque efetivamente facilita o trabalho de memorização. O praticante exercita o seu instinto de proteção (ao “es-

covar o joelho”)

utiliza a

estratégia do recuo necessário (em “repelindo o macaco”) amansa o ego (ao “acossar o tigre e trazê-lo de volta à mon-

exerce

a modéstia (no “soco para baixo”)

nômade (em “separando a crina do cavalo à esquerda e à

direita”)

São es-

sas – somente para mencionar algumas – as energias que se fazem presentes, vivas, e que são cultivadas, realimen- tadas, ainda que o praticante disso não tenha consciên- cia, por desconhecer nomes de movimentos e seus signi- ficados. Está aí revelada parte da magia que se atribui à arte. Mas, de fato, não há nenhuma mágica, mistério ou segredo, porquanto a energia é uma matéria-prima real e concreta, como real e concreta é a existência do amor (que sentimos) e do vento (que não se consegue agarrar entre os dedos). Os significados são revelados pela filosofia e sim- bologia que encerram os oito trigramas do I Ching e estão

livra-se de

embaraços (ao “mover as mãos como nuvens”)

tanha”)

dá asas ao seu espírito

fortalece a sua capacidade de desafio

(quando “a serpente branca dardeja a língua”)

vence obstáculos (no “vôo em diagonal”)

transmite alegria (no “tocar pipa”)

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descritos no Apêndice deste livro, em “O Grande Encadea- mento” – 108 movimentos, que deu origem a outras séries do Tai Chi. É de se ressaltar a estreita relação do Tai Chi com o I Ching, merecedora de estudo mais aprofundado, uma vez que em geral essa referência, quando citada, é feita de modo superficial. É oportuno esclarecer para não considerar com rigor a contagem de movimentos de uma sequência. Exemplo:

os “108 movimentos” – a sequência tradicional, da família Yang – também são conhecidos como “88 movimentos”, como padronizada pelo Comitê Olímpico chinês. Essas sé- ries são praticamente idênticas, diferindo apenas a forma de contar os seus movimentos, em particular os que mais se repetem ao longo da execução. Essa e outras divergências, que podemos constatar em fontes de informações diferen- tes, se devem ao fato de que há movimento que é constru- ído por segmentos de dois ou mais movimentos. Há outras variantes que trazem influência de padrões praticados em diferentes clãs ou dinastias. O que importa consignar, o que se faz essencial, é a execução dos movimentos da ma-

neira mais precisa possível, de forma a se auferir o máxi- mo de benefícios. Há um leque imenso de variedades de exercícios. A ênfase, como em qualquer trabalho, é a quali- dade, que nunca deve ser sobreposta pela ânsia por quan- tidade. À qualidade, naturalmente, alia-se a constância. “Agarrar a cauda do pássaro”, “vôo em diagonal”, “a cego- nha abre as asas”, “agitar as mãos como nuvens”, “acossar

o tigre e trazê-lo de volta à montanha”,

quaisquer que se-

jam os movimentos que realizar, há que se colocar a inten- ção, o sentir em cada postura desenvolvida. É uma questão de atitude introspectiva, de permitir que o sorriso interior de alguma forma aflore no semblante, no olhar. Ao cerrar os punhos, por exemplo, não se deve tensionar nem crispar os dedos, mas somente imaginar o curso da força em ação. Ter

consciência de que em todo instante estamos trabalhando a energia, de que somos energia movendo mais energia. Ain-

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da que de leve e vagarosamente, nossos gestos, nosso corpo produz um deslocamento do ar. Os braços nunca se erguem frouxamente, nem descem como algo pendurado que des- penca desgarrado. Se eles se movem contra ou a favor da gravidade, é importante a percepção da energia que move- mos junto, como se estivéssemos flutuando, nadando no ar. Pensar que estamos submersos, que nossas mãos brincam

com a água, por exemplo, ajuda muito na flexibilidade. Se nos imaginarmos nadando na água ou no ar, que sintamos a densidade e a resistência da água ou do ar. Os movimen- tos têm que parecer e ser bem naturais, como o balanço das ondas. O caminhar, como o deslizar suave de um barco em águas tranquilas. Permito-me aqui sugerir, pois, que ao executar os mo- vimentos, imagine-se submerso, como realizando os exer- cícios em habitat aquático; ou, então, como uma ave “na- dando” no ar, planando ágil, lenta e suavemente em todas as direções. Procure absorver essas sensações, sinta-as, e em pouquíssimo tempo vai incorporá-las às suas práticas sem precisar pensar nelas, quase sem nenhum esforço, como uma ação automática. Isso vai proporcionar aos seus movimentos a fluidez das águas e a leveza do algodão. No começo de cada prática, é muito importante dedi- car alguns instantes ao aquecimento e alongamento. Essa preparação desperta cada uma das nossas células, os- sos, tendões e músculos para que a energia interior possa emergir mais livremente. Todo o corpo em alerta, a consci- ência corporal se faz mais presente para aproveitarmos ao máximo todos os benefícios da sessão. Para não dispersar rapidamente a energia gerada, recomenda-se não se ali- mentar, beber ou banhar-se até que se complete uma hora após os exercícios, ou pelo menos, na meia hora seguinte.

O mesmo vale para antes: nada de estimular o processo

digestivo antes da prática dos exercícios.

Pode parecer complicado, mas os movimentos são mui-

to fáceis de aprender, desde que haja muita dedicação e

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nenhuma pressa. Difícil é descrever uma postura na qual o corpo realiza vários movimentos de forma simultânea. Explicar passo a passo como mexer a cintura, as pernas,

e somar todos os detalhes num mo-

vimento coordenado pode parecer a muitos, principalmen- te aos leigos, senão um pouco enfadonha, uma descrição por demais detalhada. Tome-se, como exemplo, a descrição da postura Wu Chi. O que é perfeitamente compreensível, porque a memória visual capta com muito mais facilidade

a simultaneidade dos movimentos. Por isso, é muito im-

portante e aconselhável dispor de um bom instrutor para se iniciar nos exercícios. A prática em grupo também deve ser incentivada, por possibilitar a troca de idéias, percep- ções e experiências. É uma oportunidade de exercitar ha- bilidades relacionadas à observação, ao sentido da união, à homogeneização de energias, à harmonia de grupo, o que acelera notadamente o aprendizado. Considere-se, ainda, um aspecto ritualístico muito im- portante, observável no começo e ao término de uma ses- são. Há muitas formas diferentes, por isso farei referên-

cia às duas mais comumente utilizadas. Ao iniciar cada

prática, como na posição de sentido, em atitude intros- pectiva, elevam-se os braços em semicírculo, unindo as palmas das mãos frente ao peito e inclina-se levemente

a cabeça â frente, como numa postura de oração. Essas

ações sinalizam um recolhimento, um desligamento dos ruídos e movimentos de fora, uma reverência e atenção ao momento presente, para sintonizar com o silêncio e com as energias internas e nos concentrarmos nos exercícios. No encerramento, uma saudação aos mestres do Tai Chi. Os chineses a chamam de cumprimento ou abraço uni- versal. Na mesma posição de sentido, elevar os braços até fechá-los em círculo na altura do peito, com um punho fechado sendo enlaçado pela palma aberta da outra mão. Inclinamos o tronco à frente, ao tempo em que vamos vi- rando para fora esse “laço”, desfazendo-o lentamente ao

os braços, as mãos,

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