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CAPÍTULO 7

OUTRAS GRAMÍNEAS FORRAGEIRAS

1 - INTRODUÇÃO

Dilermando Miranda da Fonseca Janaina Azevedo Martuscello Manoel Eduardo Rozalino Santos Dawson José Guimarães Faria

Nas últimas décadas, no Brasil, têm ocorrido substituições freqüentes de pastagens nativas ou naturais por pastagens cultivadas. Esse processo é resultado, principalmente da tecnificação da pecuária, que vêm demandando forrageiras mais produtivas e de melhor qualidade. Com o lançamento de novas cultivares forrageiras no mercado, a substituição de espécies e, ou cultivares vem ocorrendo de forma acelerada. Entre as principais causas dessa substituição destaca-se a má utilização dessas forrageiras, principalmente no diz respeito ao manejo da pastagem e do pastejo. Ademais, as subestimativas de exigências nutricionais das cultivares “antigas” antecipa ainda mais esse processo. Muito embora, gramíneas como capim-andrópogon, capim-gordura e capim- jaraguá, entre outros, não representem uma porção significativa das pastagens brasileiras nos tempos atuais, esses gramíneas tiveram por algum tempo sua importância no contexto da pecuária brasileira, sendo inclusive utilizadas em muitas propriedades atualmente. Algumas dessas forrageiras apresentam adaptações edafoclimáticas específicas o que faz com que em muitas condições a área de pastagem cultivada com essas plantas prevaleça. Neste contexto, o capim- andropógon destaca-se como uma forrageira adaptada a região do Cerrado, com

predominância de solos de baixa fertilidade, além de ser bastante cultivado em regiões com baixa precipitação. O capim-setária constitui-se outro exemplo de gramínea forrageira adaptada a nichos específicos de cultivo: tolerância a alagamento temporário e baixas temperaturas. Forrageiras como o capim-gordura e o capim-jaraguá foram introduzidas no Brasil desde o período colonial e constituem recurso forrageiro interessante na medida em que se adaptaram satisfatoriamente às condições edafoclimáticas do país. Dessa forma, quando existente numa propriedade, podem contribuir para a manutenção da diversidade genética e, assim, minimizar riscos inerentes ao monocultivo. Em muitas situações, a simples substituição dessas forrageiras “tradicionais” por forrageiras lançadas mais recentemente não constitui ação de manejo eficaz. Modificações na forma de utilização da forrageira no sistema de produção poderiam resultar em efeitos mais efetivos e, possivelmente, de melhor relação custo/benefício. E a forma adequada de utilização dos recursos forrageiros passa, necessariamente, pelo conhecimento de suas aptidões e, ou limitações. Assim, serão caracterizadas em seguida, algumas gramíneas forrageiras que vêm sendo cultivadas no Brasil por longos períodos, embora com menor percentual de áreas em relação as outras que foram lançadas mais recentemente.

2 - CAPIM-ANDROPÓGON – Andropogon gayanus

2.1 - Origem

O gênero Andropogon contém cerca de 100 espécies anuais e perenes dispersas nos trópicos, principalmente na África e Américas (Clayton & Renvoize, 1982). No Brasil, existem duas variedades botânicas bastante conhecidas, a

bisquamulatus e a squamulatus, sendo esta última variedade inicialmente introduzida no Brasil, conhecida como capim-gamba (Otero, 1961). Entretanto, devido aos problemas de reduzida produção de sementes, não despertou interesse dos produtores (Thomas et al., 1981). Por outro lado, o genótipo Andropogon gayanus CIAT 621 ou BRA-000019, originário da Nigéria, foi liberado comercialmente como cultivar Planaltina pela Embrapa Cerrados em 1980, com boa adaptação ao ecossistema Cerrado e a outros. Essa cultivar é pertencente à variedade bisquamulatus. Posteriormente, a fim de obter uma cultivar com estabelecimento mais rápido do que a Planaltina, pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste lançaram, em 1993, a cultivar Baetí (Leite et al., 2000), que apresenta características morfológicas semelhantes a da cultivar Planaltina.

  • 2.2 - Caracterização morfológica

O Andropogon gayanus Kunth var. bisquamulatus cv. Planaltina é uma planta perene, cespitosa, podendo formar grandes e densas touceiras e atingir, dependendo do manejo adotado, até 3 metros de altura. As lâminas foliares são longas e apresentam um estreitamento na sua base. A folha é bastante pilosa, com pêlos esbranquiçados, o que lhe confere aspecto aveludado. Sua lígula é membranácea e truncada. O sistema radicular do capim-andropógon é fasciculado e profundo. Sua inflorescência é do tipo espiciforme. As diferenças entre as cultivares Planaltina e Baetí são de natureza exclusivamente agronômica, especificamente no tocante à rapidez de estabelecimento.

  • 2.3 - Caracterização agronômica

O capim-andropógon é bem adaptado às regiões com altitudes variando entre 12 e 1.500 m, embora seja encontrado em regiões com altitudes de até 2.000 m. Apresenta melhores resultados de produção de forragem quando cultivado em locais com temperaturas variando entre 18 e 28°C (Leite et al., 2000). Mesmo possuindo relativa tolerância às geadas, não se adapta às regiões muito frias (Paulino, 1979). É bem adaptado às condições do Cerrado. Essa forrageira apresenta relativa resistência à seca, já que possui sistema radicular profundo, capaz de absorver água de camadas profundas do perfil do solo e manter seu metabolismo ativo em condições desfavoráveis (Bogdan, 1977). Apesar de tolerante ao estresse hídrico, sua produção é reduzida na estação seca do ano. Realmente, dependendo do manejo adotado, o capim-andropógon pode produzir cerca de 35 % da sua produção anual durante o inverno. Devido ao crescimento cespitoso, com perfilhos eretos, o capim-andropógon possui baixa capacidade de cobertura de solo, sendo mais indicado para áreas planas e, ou ligeiramente onduladas, onde ocorre menor risco de erosão. O capim-andropógon é adaptado aos solos de textura arenosa ou argilosa e aos solos de baixa fertilidade e com alto teor de alumínio (Couto et al., 1985). Apresenta baixa exigência em fósforo e pequenas doses de nitrogênio são suficientes para produções satisfatórias (Thomas et al., 1981). A espécie A. gayanus propaga-se por sementes, que são pequenas, com aproximadamente 360 sementes.g -1 (Sousa, 1993) e com pouca reserva de nutrientes, tornando necessária a semeadura em menor profundidade. A taxa de semeadura, em média, é de 8 a 10 kg de sementes, com 20 % de valor cultural, para a formação de um hectare de pastagem. As espiguetas do capim-andropógon possuem pêlos, semelhantemente aos que ocorrem no capim-jaraguá, o que pode dificultar sua semeadura mecanizada. O capim-andropógon também pode ser propagado vegetativamente, utilizando-se seções de sua touceira.

O estabelecimento do pasto é lento, porém uma vez estabelecido, pode apresentar altos índices produtivos, desde que sejam respeitadas as mínimas exigências de manejo dessa forrageira. De fato, essa gramínea produz entre 20 e 30 t.ha -1 .ano de MS (Thomas et al., 1981). De acordo com Toledo & Fischer (1989), a cultivar Planaltina é relativamente tolerante ao sombreamento, pois níveis de sombreamento de até 50 % não reduzem a produção de forragem. Em geral, plantas de capim-andropógon apresentam rebrotação vigorosa após a realização de queimada (CIAT, 1984). O capim- andropógon também é resistente à cigarrinha-das-pastagens e não há relatos de que apresente problemas devido à fotossensibilização nos animais.

2.4 - Formas de utilização

Devido à sua alta capacidade produtiva, sua excelente adaptação aos solos de baixa fertilidade e à ausência de problemas com pragas e doenças, o capim- andropógon é bastante utilizado em sistemas de pastejo, sendo bem aceito por bovinos e equinos. É uma excelente opção para sistemas de produção marginais e, ou com baixo nível de insumos. Como o capim-andropógon possui crescimento cespitoso, porte alto e eleva precocemente o meristema apical, principalmente quando passa do estádio vegetativo para o reprodutivo, a recomendação de manejo do pastejo mais indicada consiste no emprego do método de pastejo em lotação intermitente. Quando manejado sob lotação contínua, é possível que ocorra grande variabilidade na utilização do pasto, sendo este caracterizado por áreas sub e super pastejadas. O capim-andropógon não é indicado para diferimento, pois apresenta alongamento de colmo no fim da estação chuvosa, principalmente devido ao florescimento nesta época. Zúñiga (1985) recomenda que o capim-andropógon deve ser pastejado quando estiver com 60 a 80 cm de altura, sendo rebaixado para cerca de 15 a 25 cm.

Ainda segundo este autor, não se deve permitir que o pasto permaneça muito alto, condição em que seu valor nutritivo é inferior e há necessidade de roçadas periódicas. Recomendações de manejo do pastejo racionais e embasadas em resultados científicos ainda não estão disponíveis para o capim-andropógon. Na Universidade Federal de Viçosa, o capim-andropógon vem sendo avaliado com base em características morfogênicas sob desfolhação intermitente e, futuramente, esses resultados poderão nortear o manejo eficaz e otimizado do pastejo. O capim-andropógon também pode ser utilizado para a produção de feno, desde que seja colhido em estádio de desenvolvimento adequado, de forma a manter maior relação lâmina foliar:colmo na forragem. Por outro lado, a silagem de capim- adropógon, em geral, não apresenta boa qualidade (Leite et al. 2000). Alguns resultados de pesquisa têm mostrado que o capim-andropógon se consorcia bem com soja perene (Neonotonia wightii). Em condições de cerrado, pastos consorciados podem manter taxa de lotação de até 1,2 UA.ha -1 (EMBRAPA,

1991).

2.5 - Resultados de pesquisa

Carvalho & Cruz (1985) avaliaram 16 gramíneas quanto à tolerância à seca e apenas o capim-buffel (Cenchrus ciliaris) foi classificado como de “muito boa” tolerância ao déficit hídrico, sendo este seguido pelo capim-andropógon, que apresentou “boa” tolerância à seca. De acordo com Batista & Godoy (1995), existe semelhança na qualidade das cultivares Planaltina e Baetí. Segundo esses autores, a cultivar Baetí apresentou 6,2 % de PB, 75 % de fibra em detergente neutro (FDN) e 56,6 % de digestibilidade in vitro da MS com 120 dias de crescimento. Pelos resultados apresentados, constata-se que a porcentagem da fração fibrosa é elevado quando comparado ao de outras gramíneas forrageiras tropicais. Além disso, durante o período de seca o capim-

andropógon apresentou o mais alto teor de FDN (Leite et al., 1988). No Quadro 1, são apresentadas características de valor nutritivo do capim-andropógon em função da idade.

Quadro 1 – Características de valor nutritivo do capim-andropógon em função da idade

Idade (dia)

PB

FDN

LIG

DMS

0 – 30

14,27

64,94

2,52

58,49

31

– 45

10,55

66,28

3,19

52,08

46

– 60

9,53

72,86

3,56

54,59

61

- 90

6,51

71,84

5,11

42,95

91

- 120

6,24

73,88

4,48

49,30

PB- proteína bruta; FDN- fibra em detergente neutro; LIG- lignina; DMS- digestibilidade da matéria seca; Fonte: Valadares Filho et al. (2006).

Em experimento conduzido em Planaltina, DF, num latossolo vermelho de textura arenosa, a pastagem de capim-andropógon foi manejada com duas taxas de lotação, quais sejam, 1 e 2 novilhos por hectare (Euclides, 1995). Na pastagem sob menor taxa de lotação, obteve-se desempenho animal de 560 gramas diários e produção anual por hectare de 174 kg de peso animal. Já na pastagem sob maior taxa de lotação os níveis de produção foram: 500 gramas diários por animal e 310 kg de peso animal por hectare em um ano. Atualmente, a venda de sementes de capim-andropógon é reduzida quando comparada às vendas ocorridas no passado, após o lançamento da cultivar Planaltina. Em 2005, a venda de sementes dessa forrageira no Brasil atingiu somente 0,3 % do total de sementes comercializadas, o que evidencia o preterimento dessa forrageira pelos pecuaristas.

O capim-andropógon possui reprodução sexuada, o que facilita trabalhos de melhoramento genético na espécie, uma vez que se permite a recombinação gênica. Entretanto, segundo Jank (1994), o programa de melhoramento genético de Andropogon está baseado somente na variabilidade existente dentro da cultivar Planaltina. E, ainda assim, a cultivar Baetí foi lançada e bastante aceita pelos produtores, principalmente pelo menor período de tempo para o estabelecimento.

3 - CAPIM-DE-RHODES (Chloris gayana Kunth)

  • 3.1 - Origem

A espécie Chloris gayana é nativa de Tanganica, na África, e ficou mundialmente conhecida como capim-de-rhodes, devido a Cecil Rhodes, que o introduziu e cultivou na Rodésia (África do Sul) em 1895 (Alcântara & Bufarah, 1979). Em 1902, o capim-de-rhodes foi levado para os Estados Unidos e, em 1953, para a Austrália. Hoje, é cultivado em grande parte do mundo, como na América do Sul e Central, Sul da Ásia, Japão, Itália, entre outros (Mattos & Mattos, 2000).

  • 3.2 - Caracterização morfológica

O capim-de-rhodes é uma gramínea perene que possui forma de crescimento particular, cespitoso e com grande capacidade de enraizamento de colmos em contato com a superfície do solo, levando à descrição de gramínea cespitosa e estolonífera. A denominação cespitosa é apropriada porque o capim-de-rhodes forma touceiras. Já a denominação estolonífera, à luz do conceito de estolão, não parece adequada. Estes colmos podem ocupar os espaços existentes entre as touceiras, o que confere ao capim-de-rhodes uma boa capacidade de cobertura do solo.

O pasto de capim-de-rhodes pode atingir 1,50 m de altura, de acordo com o manejo adotado. Entretanto, quanto maior for a altura de manejo, mais baixa será a qualidade. Suas folhas são glabras, finas e longas, com comprimento entre 40 e 50 cm e largura de aproximadamente 6 a 7 mm (Mitidieri, 1992). As lígulas apresentam pêlos finos e longos. A inflorescência é formada por rácemos subdigitados, com 6 a 15 ráquis unilaterais. Apresenta sistema radicular bastante profundo e pode absorver água no solo em profundidade de até 4,5 m. Em alguns casos observa-se a presença de rizomas. Mattos & Mattos (2000) fizeram algumas considerações sobre a espécie C. gayana. Segundo os autores, esta é uma espécie que apresenta grande variação genética e são várias as cultivares naturais, que diferem em vigor, tamanho da folha e diâmetro do colmo. Os “estolões” podem ter entrenós curtos ou longos, bem como crescimento lento ou acelerado. Algumas raras cultivares não apresentam estolões. As cultivares mais conhecidas são: Rhodes Gigante, um tipo natural; Katambora, que apresenta bastante folhas e boa produção de semente; Masaba, também bastante folhoso, mas com baixa produção de semente; Mbarara, bastante produtivo e de fácil estabelecimento; Nzoia, de baixa persistência; Rongai, resistente à seca; Pionner, de florescimento precoce; Pokot, bastante vigoroso e produtivo; Samford, vigoroso, de florescimento tardio e com produção de sementes em quantidade e qualidade.

3.3 - Caracterização agronômica

O capim-de-rhodes é encontrado desde o nível do mar até altitudes de 2.000 m. É caracterizado como um capim resistente à seca, sendo que a precipitação mínima para seu cultivo, sem a utilização de irrigação, deve ser de 600 mm (Mattos & Mattos, 2000). Além de suportar altas temperaturas do ar e do solo, essa forrageira tolera bem frio e geada, sobrevivendo em condições de temperaturas inferiores a zero grau por certo período de tempo. Tolera também, ocasionalmente, solos com

deficiência de drenagem, contudo o excesso de umidade é prejudicial. Possui satisfatória tolerância à salinidade do solo, mas não tolera o sombreamento. Com relação à fertilidade de solo, o capim-de-rhodes exige solos de média a alta fertilidade e não tolera alta saturação por alumínio. Seu desenvolvimento é adequado em solos de distintas texturas, mas vegeta melhor em solos de textura média, bem drenados e com bom teor de matéria orgânica. A produtividade é incrementada pela adubação nitrogenada. Em pastos já estabelecidos, o efeito do fósforo parece ser menos pronunciado do que o do nitrogênio, porém vale salientar que na ocasião da semeadura o fósforo possui função primordial para o adequado estabelecimento do pasto de capim-de-rhodes. Essa forrageira pode ser estabelecida por sementes, bem como vegetativamente, a partir de mudas ou “estolões”. Na prática, o sistema de propagação mais usual é por sementes, devido à maior rapidez no estabelecimento, além do menor custo de implantação. A polinização cruzada parece ser normal, tendo entre 1 e 4 % de autocompatibilidade. O seu florescimento é indeterminado, porém mais freqüente em dias curtos. As sementes são muito leves e, para se obter sementes de qualidade, estas devem ser colhidas quando maduras. A maturação das sementes ocorre em temperatura de 23 a 25 ºC. Para a formação do pasto de capim-de-rhodes são necessários cerca de 8 a 12 kg.ha -1 de sementes, com valor cultural entre 20 a 30 %. Como estas são muito pequenas, é necessário bom preparo do solo e realização da semeadura em reduzida profundidade. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, os meses de setembro e outubro correspondem à melhor época para semear o capim-de-rhodes. Existem relatos de semeaduras realizadas mais tardiamente no ano com relativo sucesso, porém, neste caso, os riscos são grandes, porque pode ocorrer seca temporária que resultaria em perda total ou parcial das sementes por desidratação. De acordo com Mitidieri (1992), a formação do pasto após semeadura leva cerca de quatro a cinco meses,

entretanto, se as condições de estabelecimento ou semeadura forem adequadas, é possível utilizar o pasto após cerca de 90 dias da semeadura. O capim-de-rhodes tem sido acometido por pragas e doenças causadas por vírus, mas sem grandes prejuízos. Nos Estados Unidos, o Helminthosporuim victoriae tem sido encontrado na cultura dessa forrageira e, no Quênia, uma espécie de Cochiliobolus tem causado a morte de plantas (Mattos & Mattos, 2000).

  • 3.4 - Formas de utilização

O capim-de-rhodes é bem aceito pelos animais, especialmente por cavalos, e bastante flexível quanto à forma de utilização, podendo ser utilizado sob pastejo, para fenação e ensilagem. A sua adequação à fenação se deve aos seus colmos e folhas finos que, além de garantir bom valor nutritivo ao feno, também facilita sua desidratação durante a fenação. Salienta-se que a produção de feno de boa qualidade com o capim-de-rhodes é possível, desde que este seja colhido antes do período de florescimento. Poucos são os relatos de sua utilização para ensilagem. Há relatos de que o capim-de-rhodes, quando utilizado sob pastejo, é pouco tolerante à altas intensidades de desfolhação. Provavelmente, esta assertiva decorre do fato de não haver pesquisas sobre manejo do pastejo planejadas com o objetivo de estabelecer recomendações de manejo apropriadas para o capim-de-rhodes, quer seja sob lotação contínua ou lotação intermitente. Com base nas características morfológicas do capim-de-rhodes, tais como colmo e folhas delgados, pode-se recomendá-lo para utilização no diferimento do uso da pastagem. Segundo Mitidieri (1992), as leguminosas, como siratro, alfafa e soja perene, são apropriadas para o consórcio com o capim-de-rhodes.

  • 3.5 - Resultados de pesquisa

Segundo Pedreira & Mattos (1981), o capim-de-rhodes possui acentuada estacionalidade produtiva, com 87 % da produção ocorrendo no verão e 13 % na estação seca do ano. Estudos de adaptação de plantas forrageiras conduzidos em diversas regiões do Estado de Minas Gerais revelaram baixa taxa de crescimento do capim-de-rhodes, que situou-se entre as espécies de menor persistência e produção de forragem, notadamente durante a estação seca do ano, onde ocorreu apenas 5 % da produção anual (Botrel et al., 1998). A produção de forragem do capim-de-rhodes é variável em função das condições de meio, tais como solo, clima e manejo. O capim-de-rhodes pode produzir cerca de 11,5 a 17,2 t.ha -1 de MS anualmente. Em alguns casos, produções superiores podem ser obtidas quando, por exemplo, o capim-de-rhodes é estabelecido com espaçamento de 25 cm entre fileiras e adubado com 150 kg.ha- 1 de N (Farnsworth, 1977). De acordo com Tamassia (2000), a idade da planta de capim-de-rhodes tem grande influência nos teores de minerais, principalmente após 40 dias de crescimento, quando os teores de N são de 11,31 g.kg -1 , comparados com 21,38 g.kg - 1 aos 20 dias. Ainda segundo o autor, os teores de P são de 3,82 e 2,96 g.kg -1 , respectivamente para plantas com 20 e 40 dias de idade. No quadro 2, são apresentadas características de valor nutritivo do capim-de-rhodes em função da idade, fator que mais influencia a qualidade do pasto.

Quadro 2 – Características de valor nutritivo do capim-de-rhodes em função da idade

Idade (dia)

PB

FDN

LIG

DMS

0

– 30

10,86

71,20

3,42

47,10

31

– 45

9,34

77,37

5,03

48,40

46

– 60

5,76

77,10

5,55

45,10

61

- 90

4,53

75,97

6,08

-

PB- proteína bruta; FDN- fibra em detergente neutro; LIG- lignina; DMS- digestibilidade da matéria seca; Fonte: Valadares Filho et al. (2006).

Tamassia (2000) avaliou as características de valor nutritivo, a produção e a composição morfológica em plantas de capim-de-rhodes em seis idades. O autor relatou que, com o avanço da maturidade da forrageira, ocorre aumento nos percentuais de colmo e material morto, frações com maiores teores de fibra e menos digestíveis do que a folha verde. Neste sentido, plantas em maior estádio de desenvolvimento possuem qualidade inferior. Segundo os autores, o melhor intervalo para corte ou pastejo do capim-de-rhodes é de 30 a 40 dias. É importante salientar que esta recomendação de manejo do capim-de-rhodes não deve ser generaliza, pois é sabido que as condições de ambiente, incluindo o manejo, alteram a taxa de crescimento do pasto e, sendo assim, podem modificar a produção e as características da forragem produzida em um mesmo intervalo de tempo. Devido ao baixo uso nos sistemas de produção nacionais, a comercialização de sementes do capim-de-rhodes praticamente não é realizada pelas grandes empresas de sementes forrageiras no Brasil.

  • 4 - CAPIM-GORDURA (Melinis minutiflora, Beauv.)

  • 4.1 - Origem

A espécie Melinis minutiflora é de origem Africana, sendo seu habitat o Leste da África. No Brasil, foi introduzida na época da colonização através dos navios negreiros. Apresentou excelente adaptação às condições locais, sendo encontrado desde o extremo Norte ao extremo Sul do país. Assim, o Brasil pode ser considerado como centro de origem secundário da espécie, onde é considerada naturalizada (Mitidieri, 1992). A espécie M. minutiflora é conhecida, dependendo da região, como capim- gordura, capim-meloso, capim-melado, capim-catingudo, capim-catingueiro e capim- cabelo-de-negro.

  • 4.2 - Caracterização morfológica

O capim-gordura é uma planta perene e possui forma de crescimento cespitosa. O seu colmo, revestido pela bainha pilosa, é geniculado, ou seja, dobra e, ou curva próximo ao solo, a partir do qual o crescimento torna-se ereto. As plantas emitem raízes nos entrenós em contato com o solo e podem crescer alcançando 1,20 m de altura. Suas lâminas foliares medem até 15 cm de comprimento, possuem base arredondada e mais larga, que se estreita progressivamente até o ápice. Suas folhas também são cobertas por pêlos que exsudam uma substância viscosa e de cheiro característico, justificando a denominação de alguns nomes vulgares dessa espécie. As folhas possuem manchas roxas ou púrpuras dispersas na bainha ou localizada desde o ápice da lâmina, estendendo-se pelas margens desta até a base, onde se alarga continuando, em seguida pelas duas margens da bainha (Mitidieri, 1992). As lígulas são curtas com pêlos longos na parte superior. A inflorescência da espécie M. minutiflora é uma panícula arroxeada e fechada na parte terminal, com até 15 cm de comprimento. As sementes de capim-

gordura são muito leves e providas de apêndices (aristas, glumas), que facilitam sua disseminação através de pêlo dos animais e do vento (Aronovich & Rocha, 1985). Durante o período de florescimento, devido à grande emergência de panículas, o pasto de capim-gordura apresenta um aspecto roxo-avermelhado bem característico. Existem, pelo menos, três variedades distintas de capim-gordura: Roxo, Francano e Cabelo-de-negro. A última variedade apresenta entrenós mais curtos, é de porte menor e mais resistente ao pastejo, enquanto que a Francano se assemelha à variedade Roxo, sendo de porte mais vigoroso e com touceiras mais abertas (Botrel et al., 1998). A variedade mais adequada ao pastejo é a Cabelo-de-negro devido à sua maior capacidade de perfilhamento, boa cobertura do solo e melhor resistência ao pastejo, quando comparado às outras.

4.3 - Caracterização agronômica

A espécie é adaptada às condições tropicais e subtropicais, com temperatura entre 18 e 27ºC e precipitação entre 800 e 4.000 mm anuais. Pode ser encontrada em regiões com altitudes de até 1.500 m. O capim-gordura não tolera seca excessiva e é sensível à geada e ao fogo. Essa forrageira vegeta bem nos mais variados tipos de solo, mesmo nos de menor fertilidade. De acordo com Saraiva et al. (1993), o fósforo é o nutriente que mais limita o crescimento dessa forrageira, principalmente em latossolo vermelho- amarelo. Adapta-se melhor aos solos bem drenados, não resistindo à inundação. Embora apresente resposta à adubação nitrogenada e fosfatada, esta é limitada. Mesmo sendo classificado como uma planta de crescimento cespitoso, o capim-gordura cobre bem o solo, protegendo-o da erosão em regiões de relevo acidentado. Isso ocorre, dentre outros fatores, em razão da presença de colmos geniculados.

O capim-gordura propaga-se tanto por sementes quanto por mudas. Quando se utiliza sementes, são necessários cerca de 15 a 20 kg.ha -1 de semente para o estabelecimento, que geralmente é rápido. O capim-gordura floresce predominantemente em maio e produz cerca de 150 a 250 kg.ha -1 de sementes (Bodgan, 1977). Dentre as características agronômicas do capim-gordura, sublinha-se sua melhor distribuição anual da produção de forragem (Pedreira, 1973), o que pode permitir o prolongamento do período de pastejo até os meses de outono. O capim-gordura é atacado por cochonilhas e tido como moderadamente tolerante às cigarrinhas-das-pastagens (Botrel et al., 1998). Também pode ser atacado ocasionalmente por lagartas, mas normalmente isso não compromete demasiadamente a produtividade do pasto. Segundo Alcântara & Bufarah (1979), o capim-gordura produz de 4 a 4,5 t.ha.ano -1 de MS em quatro cortes. Em muitas regiões do país, o potencial forrageiro do capim-gordura é limitado por práticas inadequadas de manejo, principalmente o superpastejo. Outro fator que contribui para a baixa produtividade e persistência dessa espécie é a realização de queimadas, o que pode resultar em problemas de erosão e incidência de plantas daninhas, causando a degradação da pastagem.

4.4 - Formas de utilização

O capim-gordura é predominantemente utilizado no Brasil para pastejo. Poucos são os relatos na literatura técnica e científica da sua utilização para ensilagem. O capim-gordura dominava vasta área do Brasil Central, onde os pastos, em sistema de exploração extensiva, constituíam, praticamente, a única fonte de alimento para os bovinos. O capim-gordura tem boa aceitabilidade pelos animais, mas não suporta pastejo intenso e freqüente devido à elevação precoce do seu meristema apical, que é

facilmente eliminado durante o pastejo. Dessa forma, a rebrotação após o pastejo é lenta porque a emissão de perfilhos de gemas basilares, nesta forrageira, é demorada. A rebrotação via perfilhos aéreos parece que também não contribui para a rápida produção de forragem. Nesse sentido, recomenda-se a realização de um período de descanso cíclico nas pastagens de capim-gordura a fim de possibilitar a ressemeadura natural da área e, dessa forma, garantir sua sustentabilidade. Embora não existam estudos científicos que permitam recomendar, de forma segura, referenciais de manejo do pastejo para o capim-gordura, Humpheys (1974) recomenda a altura de corte de 15 a 20 cm e um período de descanso de 40 a 60 dias para a recuperação adequada do pasto de capim-gordura. Ademais, no período de florescimento, o diferimento do pasto é benéfico para a sua sustentabilidade. O diferimento do pasto de capim-gordura também pode ser adotado com o objetivo de garantir estoque de forragem durante o período de escassez de recurso forrageiro. Nesse sentido, Costa et al. (1981), com base em experimento realizado em Viçosa, MG, recomendam a utilização em junho dos pastos de capim-gordura diferidos em janeiro, deixando aqueles diferidos em março para utilização no fim do período de seca. Essa gramínea, em geral, aceita bem a consorciação com várias espécies de leguminosas forrageiras existentes, tais como centrosema, siratro e soja perene. O capim-gordura, quando submetido ao corte, não possui boa rebrotação, o que dificulta sua utilização em colheitas sucessivas para o fornecimento sob a forma de feno ou forragem verde no cocho. Além disso, a substância oleosa secretada nos pêlos que recobrem as folhas dificulta sua desidratação, embora isso não impossibilite sua utilização no processo de fenação (Curado & Costa, 1980). Devido à sua adaptação às condições de solo e clima do cerrado, em muitos parques nacionais e áreas de conservação ambiental, o capim-gordura é tido como planta invasora, que compete com espécies herbáceas presentes na vegetação nativa. Existem relatos também de que, quando ocorrem queimadas nessas áreas de conservação ambiental, as temperaturas são mais altas nas áreas com capim-gordura

quando comparado à queima da vegetação nativa. Isso pode ter efeito negativo no banco de sementes de espécies nativas presente no solo.

4.5 - Resultados de pesquisas

Pedreira (1973) constatou que o capim-gordura possui maior taxa de crescimento durante o outono, quando comparado aos capins colonião, jaraguá e pangola. Isso demonstra melhor distribuição da produção anual de forragem do capim-gordura. Em experimento conduzido em Coronel Pacheco, MG, sob cortes, verificou- se que o capim-gordura respondeu a aplicações anuais de nitrogênio de até 250 kg.ha -1 , na forma de uréia (Carvalho et al., 1989), indicando ser este o potencial de resposta do capim-gordura à adubação com nitrogênio. Uma das grandes vantagens do capim-gordura é sua alta aceitabilidade pelos animais. Sanches et al. (1993) avaliaram a seletividade de bovinos em pastagem natural e constataram que essa gramínea foi a mais aceita pelos animais, constituindo 45 % da dieta no período chuvoso e 37 % no período da seca. O valor nutritivo do capim-gordura depende das condições de ambiente, de manejo e da forma como a forragem é produzida e colhida. No Quadro 3, encontram- se algumas características de valor nutritivo do capim-gordura, que servem como informações de referência, quando não for possível determinar o valor nutritivo deste capim para as condições específicas em que é utilizado. Com relação aos teores de extrato etério, Valadares Filho et al. (2006) compilaram vários resultados obtidos de pesquisas com o capim-gordura e constataram valores entre 1,30 a 5,62 %, com base na matéria seca, variando principalmente em função da idade do capim. Esses valores são considerados normais quando comparados aos de outras gramíneas tropicais e, assim,

desmistificam a afirmação de que o capim-gordura possui alto percentual de gordura, conforme sugere o nome comum dessa gramínea.

Quadro 3 - Características de valor nutritivo do capim-gordura em função da idade e de seus componentes morfológicos

Capim-gordura

PB

FDN

LIG

DMS

0 – 30 dias

13,32

82,25

4,30

61,27

31

– 45 dias

11,73

-

3,70

58,57

46

– 60 dias

9,74

83,49

5,54

52,16

61

– 90 dias

9,08

84,04

4,84

57,29

91

– 120 dias

6,40

90,19

7,27

40,61

121

– 150 dias

5,19

92,46

7,12

-

151

– 180 dias

4,20

-

9,30

40,39

181

– 240 dias

3,45

-

9,50

36,77

Colmo

6,05

82,25

7,20

-

Folha

13,34

71,00

5,14

52,49

PB- proteína bruta; FDN- fibra em detergente neutro; LIG- lignina; DMS- digestibilidade da matéria seca; Fonte: Valadares Filho et al. (2006).

A capacidade de suporte do pasto de capim-gordura é baixa, conforme experimentos conduzidos na Embrapa Gado de Leite, na Zona da Mata de Minas Gerais, onde foram avaliados os efeitos da taxa de lotação e da suplementação volumosa sobre o ganho de peso de animais na fase de recria e a persistência da pastagem de capim-gordura (Botrel et al., 1998). De acordo com os resultados, em ausência de suplementação volumosa, taxas de lotação a partir de 0,8 UA.ha -1 .ano causaram rápida degradação da pastagem de capim-gordura. Adicionalmente, a

capacidade de resposta à adubação nitrogenada para essa forrageira ocorreu até a dose de 150 kg.ha -1 .ano de N. Em trabalho realizado por Vilela et al. (1980), na Zona da Mata do estado de Minas Gerais, vacas mestiças mantidas em pastos de capim-gordura, sem fornecimento de ração suplementar, produziram, em média, 12 kg.vaca.dia -1 , produção bastante satisfatória em condições de pastos de gramíneas tropicais. Sementes de capim-gordura também não são encontradas nas principais empresas que comercializam sementes de forrageiras. Todavia, se o produtor tiver interesse em colher sementes de capim-gordura, Garcia et al. (1989) recomendam que esta operação seja realizada quando as plantas estiverem com as panículas fechadas e de coloração marrom-escura. Devido à sua baixa capacidade de suporte, rebrotação pouco vigorosa e elevação precoce do meristema apical, o capim-gordura está sendo largamente substituído por outras espécies forrageiras, principalmente pela Brachiaria decumbens. O melhoramento genético do capim-gordura não têm sido significativo no Brasil, já que não existe banco de germoplasma da espécie em nenhum órgão de pesquisa ou universidade brasileira. Assim, a diversidade existente no país não é suficiente para que se inicie um programa de melhoramento genético, ainda mais quando se considera o fato da espécie se reproduzir por apomixia.

5 - CAPIM-JARAGUÁ - Hyparrhenia rufa (Ness) Stapf.

5.1 - Origem

O gênero Hyparrhenia possui 52 espécies, sendo 40 perenes e 12 anuais. A maioria dessas espécies é nativa da África Tropical e algumas da região mediterrânea, Índia, Indonésia, Austrália e Américas (Clayton, 1969). No Brasil,

predomina a espécie Hyparrhenia rufa, que foi denominada capim-jaraguá ou capim- provisório, sendo originária do continente africano. Essa espécie chegou ao Brasil acidentalmente, quando os navios que comercializavam escravos aportaram no país (Parsons, 1972), como a maioria das forrageiras utilizadas no país. Apresentando grande capacidade de multiplicação e ocupação de áreas, a espécie foi amplamente explorada com interesse forrageiro, principalmente nas regiões de Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso de Sul, Tocantins e Maranhão. Devido a sua ampla ocorrência, é considerada naturalizada em vários locais do país (Leite et al., 2000). O nome capim-jaraguá é de origem tupi e significa ”senhor do campo”, o que poderia ser atribuído ao seu caráter dominante. Sua ocorrência próxima à cidade de Jaraguá, em Goiás, também pode explicar essa designação (Aronovich & Rocha,

1985).

5.2 - Caracterização morfológica

O capim-jaraguá é uma planta perene, cespitosa, não rizomatosa, com colmos finos e glabros. Apresenta grande capacidade de perfilhamento basal e pode atingir até três metros de altura quando cultivada em solos férteis. Em condições de pastejo mais intenso e freqüente pode formar um denso gramado (Otero, 1961). Apresenta lâmina foliar bastante longa e estreita, com pouca pilosidade. A lígula é bastante desenvolvida, com grande presença de pêlos e de coloração verde-clara. O pasto de capim-jaraguá forma densas touceiras. Quando em estádio reprodutivo, os perfilhos com inflorescência possuem colmos lignificados e poucas folhas. A inflorescência do capim-jaraguá é de tamanho variável e do tipo panícula espiciforme. As sementes são providas de aristas (cerdas) geniculadas, formadas por dois elementos contorcidos, como os de uma corda, muito sensíveis às variações de

temperatura, o que imprimi movimentos de rotação, fazendo com as sementes penetrem e aumentem seu contato com o solo. O capim-jaraguá tem crescimento inicial bastante lento, alongando o colmo muito tardiamente. É pequena a diferenciação morfológica das plantas de capim- jaraguá durante os primeiros três meses de idade, isto é, toda a planta é praticamente constituída por folhas nesta fase.

5.3 - Caracterização Agronômica

O capim-jaraguá desenvolve-se bem desde o nível do mar até altitude de

  • 2.000 m. Adapta-se às regiões com precipitação média anual variando entre 400 e

  • 4.000 mm (Alcântara & Bufarah, 1988). Também é bastante adaptado às regiões de

clima quente e, geralmente, possui boa capacidade de rebrotação após a queima. Essa gramínea não tolera solos sujeitos ao alagamento ou com lençol freático superficial

(Bogdan,1977).

O capim-jaraguá desenvolve-se melhor em solos arenosos (Mitidieri, 1992) e é considerado medianamente exigente em fertilidade do solo, respondendo bem à calagem (Skerman & Riveros, 1990). Em geral, essa forrageira mantém-se em estádio vegetativo por período relativamente curto, apresentando grande estacionalidade de produção de forragem e concentrando maior produção no período das águas, onde o alongamento do colmo é bastante visível ao final desse período. Aliás, essa é a justificativa da denominação capim-provisório, pois durante a época da seca a utilização do pasto de capim- jaraguá fica limitada em função da redução no seu crescimento, bem como à sua baixíssima qualidade conferida pela presença de perfilhos em estádio reprodutivo no pasto. A produção de sementes do capim-jaraguá é alta (200 a 300 kg.ha -1 ), porém a percentagem de germinação é baixa (Curado & Costa, 1980). A propagação do

capim-jaraguá é feita por sementes, embora seja possível o plantio por mudas. No primeiro caso, utiliza-se aproximadamente de 15 a 20 kg de sementes por hectare, enquanto que na segunda condição pode-se adotar o espaçamento entre as mudas de 80 cm. Como as sementes de capim-jaraguá possuem cerdas, a semeadura de forma mecanizada é dificultada. Principalmente durante a fase de estabelecimento, o capim- jaraguá pode ser atacado por formigas. O capim-jaraguá é bem aceito pelos animais e possui bom valor nutritivo quando em estádio vegetativo. Durante e após o florescimento, a estrutura do pasto torna-se não predisponente ao consumo e desempenho animal. De fato, acredita-se que o menor desempenho animal constatado em pastos de capim-jaraguá decorre de seu menor consumo pelos animais (Gomide et al., 1980).

5.4 - Formas de utilização

O capim-jaraguá é bastante utilizado sob pastejo e há poucos relatos de seu uso para produção de feno. Segundo Skerman & Riveros (1990) sua utilização como silagem é viável, embora de baixa qualidade, devido ao lento processo de fermentação. O método de pastejo mais adequado para o capim-jaraguá, é o de lotação intermitente, em razão do crescimento cespitoso e do porte alto dessa forrageira, principalmente no estádio reprodutivo. Neste método de pastejo, recomenda-se que o início do período de ocupação ocorra quando o pasto atingir 60 a 70 cm e o seu término, quando o mesmo for rebaixado para 15 a 30 cm (Curado & Costa, 1980). Salienta-se que as recomendações para o manejo do pastejo do capim-jaraguá são basicamente norteadas pelo conhecimento empírico. O capim-jaraguá não é indicado para o pastejo diferido, devido à baixa qualidade da forragem produzida, que poderia apenas atender as exigências de manutenção dos animais.

O manejo do capim-jaraguá inclui ainda roçadas periódicas feitas, preferencialmente, no fim do período de seca com a finalidade de combater plantas daninhas e remover colmos velhos remanescentes para, assim, garantir melhores condições de rebrotação no início da primavera (Curado & Costa, 1980). Outra alternativa muito utilizada, quando o pasto de capim-jaraguá encontra-se alto, foi a realização de queimadas para eliminar o excesso de forragem de baixa qualidade na pastagem. Essa estratégia foi um dos motivos da degradação da pastagem de capim- jaraguá no Brasil, principalmente quando realizada frequentemente. Alguns trabalhos sugerem sucesso da consorciação do capim-jaraguá com a maioria das leguminosas forrageiras existentes. Todavia é importante ressaltar que a ocorrência de sucessos nos consórcios entre gramíneas e leguminosas tropicais tem sido, via de regra, muito difícil. A produção de feno de capim-jaraguá, embora pouco realizada, é possível devido à sua forma de crescimento cespitosa, que facilita o corte mecânico, e aos seus colmos finos, que favorecem a desidratação no campo (Aronovich & Rocha,

1985).

5.5 - Resultados de pesquisas

Uma das principais características do capim-jaraguá é a sua estacionalidade produtiva. Pedreira (1973) quantificou a taxa de acúmulo de forragem do capim- jaraguá, que correspondeu a 56,1 e 1,7 kg.ha -1 .dia durante o verão e o inverno, respectivamente. Na região de Sete Lagoas, MG, Mozzer et al. (1973) obtiveram produção de forragem de capim-jaraguá variando entre 6 e 10 t.ha -1 .ano num total de quatro cortes. Moore & Mott (1973) registraram teor de proteína bruta (PB) de 15 % e percentuais de digestibilidade da massa seca de 43 a 67 % em pastos de capim- jaraguá. Contudo, segundo os autores, ocorre rápido decréscimo no seu valor

nutritivo com a mudança do estádio vegetativo para o reprodutivo, o que reduz o período ótimo de utilização do pasto. Nascimento Jr & Pinheiro (1975) observaram que, após 60 e 70 dias de crescimento, houve elevação no teor de lignina e redução nas percentagens de digestibilidade da MS e PB, tanto nas lâminas quanto nos colmos do capim-jaraguá. Daubenmire (1972) encontrou 7,4 % de PB na MS no período das águas e apenas 1,4 % na estação seca. Durante dois anos agrícolas, Gomide et al. (1984) avaliaram a produção de bovinos em pastagens de capim-jaraguá manejas em lotação contínua com taxa de lotação variável, de acordo com a combinação entre alturas de pastejo (pasto alto e pasto baixo) e adubação nitrogenada (0 e 60 kg.ha -1 de N). A taxa de lotação das pastagens sem e com adubação nitrogenada foram 266 e 293 dia.UA -1 .ha. O desempenho animal na pastagem adubada foi superior (858 g.novilho.dia -1 ) ao obtido na pastagem não adubada (792 g.dia -1 .novilho), embora sem diferença estatística. A produção por área foi significativamente incrementada, de 183 para 248 kg.ha -1 , pela adubação com nitrogênio. Não foram observados efeitos das alturas de pastejo a que o capim-jaraguá foi submetido. Nos últimos anos, a importância relativa do capim-jaraguá frente às gramíneas lançadas no mercado nacional têm diminuído rapidamente, não sendo, inclusive, incluída na relação das forrageiras comercializadas na maioria dos catálogos das empresas produtoras de sementes. De fato, a venda de sementes dessa forrageira vêm diminuindo a cada ano. No estado de São Paulo, em 1995/1996 um estudo com 217.791 propriedades (10,27 milhões de hectares de pastagens) mostrou que as gramíneas dos gêneros Brachiaria, Panicum, Pennisetum e Hyparrhenia, ocorriam, respectivamente em 67,8 %, 2,0 %, 12,7 % e 1,2 % dos estabelecimentos (Lupa, 2000). Mediante essa realidade, não se tem encontrado muitos estudos ou pesquisas com capim-jaraguá nos últimos anos.

Uma das restrições para o melhoramento genético da espécie tem sido a pequena variabilidade genética dessa forrageira no Brasil, não havendo um banco de germoplasma para que se possa realizar futuros trabalhos de melhoramento. A reprodução do capim-jaraguá é por apomixia, havendo assim, uma grande uniformidade na população de plantas cultivadas. Valarini et al. (1996) utilizaram radiação gama para indução de mutações em sementes e gemas objetivando aumento da variabilidade genética, entretanto foram obtidas plantas com baixo crescimento e pouco vigor e sem variação no ciclo vegetativo (Veasey et al., 1996).

6 - CAPIM-PANGOLA (Digitaria decumbens Stent.)

6.1 - Origem

O capim-pangola (Digitaria decumbens) é originário da província de Transvala, na África do Sul. O nome capim-pangola é devido ao fato desse capim ter sido encontrado, primeiramente, vegetando as margens do rio Pangola, na África. A espécie foi introduzida no Brasil por volta de 1952, constituindo-se opção ao uso do capim-colonião, cujos pastos encontravam-se pouco produtivos. Ademais, a adaptação do capim-pangola aos solos de baixa fertilidade também foi uma característica relevante para justificar sua introdução no Brasil. Assim, quando as primeiras mudas chegaram ao Brasil, ocorreu o que se denominou “febre do Pangola”, devido à grande demanda e interesse dos pecuaristas por esta forrageira. Infelizmente, o manejo conferido ao capim-pangola não foi condizente com suas características morfológicas e agronômicas, o que ocasionou, ao longo dos anos, a diminuição de sua utilização para formação de pastagens. No Brasil, são utilizadas duas cultivares: Pangola e Transvala.

  • 6.2 - Caracterização morfológica

Ambas cultivares de D. decumbens são gramíneas perenes e estoloníferas, com folhas finas e abundantes. Os estolões emitem brotações e raízes a partir de cada nó em contato com o solo, formando densas touceiras, das quais partem numerosos estolões que enraízam facilmente, originando novas touceiras que protegem eficientemente o solo contra erosão. Sua altura varia em função do manejo, mas pode atingir 1,20 m. A inflorescência é do tipo rácemo e composta por três a doze ráquis arranjados digitadamente. Morfologicamente, as diferenças entre as cultivares Pangola e Transvala são pouco perceptíveis. A cultivar Pangola apresenta estolões mais superficiais, que cobrem todo o solo, e possui colmos eretos que podem alcançar até 60 cm de altura. As folhas também apresentam pouca pilosidade. A inflorescência é racemosa, digitada e subdigitada com três a nove rácemos. A cultivar Transvala possui folhas finas e numerosas. As folhas são pouco pilosas, e os pêlos se concentram, principalmente próximo à lígula, que é membranácea, e ao colar, sendo o restante glabro. Essa quantidade de pêlos é variável durante as estações do ano. O colmo do estolão apresenta pubescência nos nós. As brotações que saem dos estolões podem atingir de 0,60 a 1,20 m de altura.

  • 6.3 - Caracterização agronômica

O capim-pangola pode ser cultivada desde o nível do mar até 600 a 800 m de altitude, desde que a precipitação pluvial esteja acima de 700 mm. Essa forrageira apresenta certa resistência à seca e a geada, além de possuir, em geral, boa rebrotação após a queimada do pasto. O seu desenvolvimento é prejudicado em temperaturas abaixo de 16ºC e acima de 41ºC, sendo otimizado na faixa de temperatura entre 27 e

30ºC.

Vegeta bem em solos úmidos, sendo uma excelente opção para regiões de baixadas. Apresenta produtividade satisfatória em solos de distintas texturas, porém se desenvolvendo melhor naqueles arenosos. Tolera solos de baixa fertilidade natural, mas quando cultivado em solos férteis, a produção de forragem aumenta significativamente (Pupo, 1973). Em geral, responde favoravelmente à adubação, principalmente a nitrogenada, e é sensível à deficiência de cobre. Geralmente, o maior percentual das raízes do capim-pangola encontra-se nos primeiros 30 cm de profundidade no solo, mas estas podem se encontradas em maiores profundidades. Entretanto, em solos pesados e úmidos há limitação ao desenvolvimento radicular. Em situação de pastejo intenso, o solo cultivado com D. decumbens apresenta pouco problema de compactação. A forma de crescimento estolonífera garante ao capim-pangola boa capacidade competitiva e de cobertura do solo, conferindo-lhe a capacidade de vencer a competição com plantas invasoras eficazmente. Isso também o torna difícil de ser erradicado. O capim-pangola propaga-se por mudas, pois embora a emissão de inflorescências seja bastante elevada, poucas sementes são formadas e, quando essas são produzidas, reduzido percentual é viável. As mudas podem ser plantadas em covas, sulcos ou em solo totalmente arado e gradeado. Neste último caso, após a aração, as mudas são espalhadas na área e, depois, é realizada a gradagem para o enterrio de parte das mudas. Ainda é recomendável a utilização do rolo compactador para assegurar maior contato do solo com as mudas e, assim, assegurar o melhor enraizamento das mesmas. O estabelecimento do capim-pangola é rápido. Acredita-se que a forma de propagação vegetativa contribui para a baixa variabilidade genética da espécie e, por conseguinte, aumente a susceptibilidade do mesmo às pragas e doenças (Maraschin, 1988). A cultivar Transvala possui resistência ao nematóide Belonolaimus longicaudatus e ao vírus do enfezamento do Pangola, que é comum na América do Sul (Alcântara e Bufarah,1992). No Brasil, a

utilização do capim-pangola é bastante limitada, principalmente devido a sua susceptibilidade à cochonilhas e às cigarrinhas-das-pastagens. Quando manejado adequadamente, possui bom valor nutritivo. Essa característica se deve ao seu colmo delgado e suas folhas abundantes. Apresenta período prolongado de florescimento e, ainda assim, mantém um bom valor nutritivo. Em regime de cortes, o capim-pangola apresenta produção anual de aproximadamente 15 t.ha -1 .ano. A cultivar Transvala é mais produtiva do que a cultivar Pangola, principalmente em solos mais férteis.

6.4 - Forma de utilização

O capim-pangola tem boa aceitabilidade pelos animais e pode ser utilizado sob pastejo, para produção de feno e de silagem. O capim-pangola pode ser manejado sob lotação intermitente ou lotação contínua. Alguns autores recomendam o manejo em lotação rotativa para a manutenção do adequado estande de plantas no pasto. Neste caso, as recomendações de manejo do pastejo consistem no emprego de um período de descanso variável em função da taxa de crescimento da planta, bem como a adoção de altura de resíduo pós-pastejo de cerca de 10 a 15 cm. Vale destacar que não existem pesquisas realizadas com o capim-pangola para recomendações adequadas de manejo do pastejo para essa forrageira. Dessa forma, muitas recomendações são feitas com base no conhecimento empírico. Com relação à consorciação com leguminosas forrageiras, o capim-pangola apresenta baixa compatibilidade devido à sua grande competitividade. De acordo com Aronovich & Rocha (1985), pasto de capim-pangola também é bem aceito por cavalos, apresentando boa resistência ao pisoteio e à desfolhação por esses animais. A produção de feno é de cerca de 10 t.ha -1 .ano com adubação de 300 kg.ha -1 de N (Mitidieri, 1992). Poucos são os relatos na literatura quanto à utilização dessa

gramínea forrageira para ensilagem, entretanto Semple (1966) considerou a silagem dessa forrageira como deficiente em proteína. Devido à sua capacidade de cobertura do solo o capim-pangola tem se mostrado muito adequado para revegetação de áreas de mineração e de áreas decapeadas. Também se desenvolve bem em taludes e cortes de estrada.

6.5 - Resultados de pesquisa

O capim-pangola é bastante responsivo à adubação nitrogenada. Werner et al (1967) adubaram pastos de capim-pangola com até 800 kg.ha -1 de N, parcelado em duas aplicações, e obtiveram produção de forragem de até 34 t.ha -1 de MS.ano. Esses autores também verificaram que o parcelamento mantém os níveis de PB na forragem mais altos. Em outro experimento, Lima et al. (1968) obtiveram taxas de lotação de 2,92 novilhos.dia -1 em pastagem adubada com 200 kg.ha -1 de N e 2,64 novilhos.dia -1 quando a pastagem não recebeu a adubação nitrogenada. O ganho médio diário por animal foi de 545 e 585 g para a pastagem adubada e não adubada, respectivamente. Em relação à fonte de N, parece não haver muitas diferenças, mas Werner et al. (1974) verificaram melhor resposta do capim-pangola quando amônia anidra foi aplicada em comparação à aplicação de uréia. Outro aspecto interessante e importante no capim-pangola diz respeito à fixação biológica de N por associação entre essa gramínea e bactérias, especialmente na cultivar Transvala, em que ocorre uma das mais ativas formas de associação. Nesse sentido, o gênero Digitaria, apesar do melhoramento e seleção a que foi submetido, manteve a característica associativa com Aspirillum brasiliense, cuja ocorrência no solo é dependente do pH próximo a 7,0 (Weier, 1980). Na Austrália, foram estimados valores de 0,076 e 0,186 kg.ha -1 .dia de N, como média em dois

verões consecutivos. Infere-se, portanto, que o capim-pangola poderia contribuir para a manutenção da sustentabilidade em sistemas de produção mais extensivos. O capim-pangola foi avaliado por Pringolato et al. (1983) durante o período de seca, onde foi manejado em regime de cortes com freqüências de 30 e 60 dias, apresentando 11,8 e 8,9 % de proteína bruta, respectivamente. O intervalo entre cortes determina a idade do pasto no momento de sua colheita, fator que influencia sobremaneira o valor nutritivo da gramínea (Quadro 4).

Quadro 4 - Características de valor nutritivo do capim-pangola em função da idade

Idade (dia)

MS

PB

LIG

DMS

46-60

21,60

6,15

5,20

52,43

91 – 120

30,20

3,90

5,80

47,77

151

– 180

38,50

3,10

8,10

44,22

181

- 240

46,20

3,10

9,40

43,08

MS- matéria seca; PB- proteína bruta; LIG- lignina; DMS- digestibilidade da matéria seca; Fonte: Valadares Filho et al. (2006).

Segundo Botrel et al. (1998), ganhos em peso de até 760 kg.ha.ano -1 foram obtidos em pastagens de capim-pangola intensivamente manejada (irrigadas e fertilizadas com 670 kg.ha -1 .ano de N) e pelo menos dois fatores são atribuídos ao bom desempenho dos animais mantidos nessas pastagens: altos percentuais de lâminas foliares e de açúcares nos colmos. Em um sistema de produção de leite em regime exclusivo de pasto de capim-pangola cv. Transvala, localizado em Pinheral, RJ, os índices de produtividade obtidos foram de 10 kg.dia -1 .vaca e 17 kg.dia -1 .ha. Esses resultados corresponderam à média de 33 meses de avaliação (Aronovich & Rocha, 1985).

7 - CAPIM-SETÁRIA – Setaria anceps Stapf. ex. Massey

  • 7.1 - Origem

A maior parte das espécies do genêro Setaria são de origem africana, mas são encontradas também em outras regiões subtropicais e mediterrâneas (Bodgan, 1977), sendo possível encontrar, inclusive, algumas espécies no Rio Grande do Sul, consideradas nativas do Brasil (Mattos & Mattos, 2000). No pantanal do Mato Grosso existe uma espécie nativa, a Setaria geniculata, conhecida como capim- mimoso-vermelho. As cultivares de Setaria anceps mais utilizadas são: Nandi, Kazungula e Narok. A cultivar Nandi foi selecionada a partir de material encontrado no Quênia, num local chamado Nandi (Mattos & Mattos, 2002). A cultivar Kazungula foi primeiramente lançado comercialmente na Austrália, a partir de plantas selecionadas no Zâmbia. A cultivar Narok é oriunda da mesma região da cultivar Nandi, tendo advindo, porém, de regiões com mais de 2.000 m de altitude. No Brasil, as cultivares são denominadas vulgarmente de capim-setária, capim-congo, capim-rabo-de-raposa e capim-de-cachorro.

  • 7.2 - Caracterização morfológica

As cultivares da espécie Setaria anceps utilizadas no Brasil são perenes, cespitosas, com rizomas pouco desenvolvidos e de porte alto, com plantas podendo atingir até 2 m de altura. As folhas são glabras e as bainhas são comprimidas em forma de quilhas dispostas em leque na base do colmo, que é achatado. As lígulas são bastante visíveis e desenvolvidas com a parte superior coberta de pêlos. As inflorescências são do tipo panículas contraídas, delgadas e compactas, com tonalidades que variam de acordo com a cultivar.

A cultivar Nandi possui touceiras que podem atingir até 1,5 m de altura no estádio de florescimento, com colmos eretos e rizomas curtos. As inflorescência são de cor amarronzada, com cerca de 30 cm de comprimento. Uma das grandes vantagens dessa cultivar é seu florescimento tardio, o que implica na manutenção do pasto de capim-setária com melhor valor nutritivo durante maior período de tempo. A caracterização morfológica da cultivar Kazungula assemelha-se bastante a da cultivar Nandi, com diferenças mais proeminentes na coloração da inflorescência, que na cultivar Kazungula possui tom mais claro e a cor das folhas é verde-azulado. Apresenta também porte maior do que a cultivar Nandi, podendo atingir até 2 m de altura quando em florescimento. A cultivar Kazungula se caracteriza também por intenso florescimento e, segundo Alcântara & Bufarah (1988), este pode ser reduzido com pastejo intenso. As plantas da cultivar Narok podem atingir até 1,8 m na época do florescimento e são considerada por Mattos & Mattos (2000) como intermediárias entre as cultivares Nandi e Kazungula no tocante ao vigor. Poucas são as diferenças morfológicas dessa cultivar em relação às outras, principalmente em relação à cultivar Nandi.

7.3 - Caracterização Agronômica

Chama a atenção no capim-setária a sua capacidade de adaptação aos distintos tipos de solos, desde os arenosos aos argilosos. Além de tolerar bem a seca, também suportam solos mal drenados, inclusive sujeitos aos períodos de alagamento temporários. Dessa forma, o capim-setária consiste em opção adequada para as áreas de várzea. O capim-setária é encontrado desde o nível do mar até altitudes de 3.000 m (Bogdan, 1977). Plantas da cultivar Nandi são adaptadas a locais com precipitação superior a 250 mm.ano -1 , toleram bem secas e geadas e, segundo Luck (1979), são

mais indicadas para solos profundos. O capim-setária tem sido recomendado para regiões com precipitação pluvial anual mínima de 750 mm. De modo geral, o capim-setária é tolerante ao frio, mas o máximo de produtividade dessas plantas em regiões subtropicais ocorre nas estações de primavera, verão e outono. Em regiões livres de geadas, se o pasto for devidamente adubado, o capim-setária pode apresentar bom crescimento durante o inverno. Esta é a razão para as recomendações de que o capim-setária poderia substituir algumas gramíneas de inverno para produção de forragem durante o período de escassez. As cultivares Kazungula e Narok são consideradas mais tolerantes às condições de seca e de baixa temperatura, respectivamente. A cultivar Kazungula adapta-se melhor aos solos rasos, suporta melhor condições de alagamento prolongado e possui mais rápido estabelecimento do que a cultivar Nandi. Em geral, as três cultivares citadas anteriormente se desenvolvem bem em solos de média fertilidade. Essas gramíneas, são bastante responsivas à adubação fosfatada, havendo aumentos significativos em produção de forragem e, segundo Pimentel & Zimmer (1983), apresentam boa produção de sementes em solos com elevada acidez. O capim-setária também não é adaptado aos solos salinos. O capim-setária se propaga predominantemente por sementes, mas também pode ser propagado vegetativamente (Jones & Rees, 1973), com mudas enraizadas. O estabelecimento do pasto é lento e irregular, com conseqüente demora para utilização inicial da pastagem. As sementes do capim-setária são de reduzido tamanho e, na cultivar Kuzungula, estima-se que existam cerca de 1.490 sementes em um grama (Souza, 1993). Em geral, são necessários de 6 a 8 kg de sementes, com cerca de 30 % de valor cultural, para a formação de um hectare de pastagem. As cultivares, em geral, são bastante susceptíveis ao ataque de cigarrinhas-das- pastagens. A cultivar Kazungula é considerada tolerante à cigarrinha-das-pastagens devido à rigidez dos tecidos na base do seu colmo.

Talvez a maior limitação nutricional do capim-setária seja sua concentração elevada de oxalato, que é nocivo à saúde dos animais, pois reage com o cálcio, tornando-o indisponível e, assim, ocasionando deficiência induzida deste mineral (Martines, 1993). Muitos autores consideram como níveis tóxicos de oxalatos valores entre 4 e 7 % (Jones & Ford, 1972) e, nestas condições, intoxicação de bovinos pode ocorrer quando animais com estado nutricional precário e não adaptados ao consumo destas substâncias são introduzidos na pastagem (Pimentel & Zimmer, 1983). Em geral, quando comparadas em mesmo estádio de desenvolvimento, a cultivar Nandi possui menor teor de oxalato do que a cultivar Kazungula.

7.4 - Formas de utilização

O capim-setária é bem aceito pelos animais e as cultivares utilizadas no Brasil são, em sua maioria, utilizadas para pastejo, mas com potencial para serem exploradas sob corte. Alguns trabalhos de pesquisa mostram sucesso na utilização dessa forrageira sob a forma de feno e silagem (Hassan, 1990). Entretanto, a conservação dessa gramínea forrageira sob a forma de feno apresenta restrições devido à baixa relação lâmina:colmo e à maior espessura do colmo, que dificultam o processo de desidratação da forragem, além de piorar o valor nutritivo do feno, principalmente quando a planta encontra-se em estádio fisiológico mais avançado. A ensilagem desta gramínea também apresenta restrições em função do baixo teor de matéria seca na planta na época ideal de colheita, dificultando a ocorrência de um processo adequado de fermentação láctica. As recomendações disponíveis de manejo do pastejo para o capim-setária são pouco objetivas. Recomenda-se, após o primeiro ano de estabelecimento do pasto, manter uma taxa de lotação na pastagem que minimize o florescimento intenso dos perfilhos a fim de manter o melhor valor nutritivo do pasto.

7.5 - Resultados de pesquisa

Em estudo sobre eficiência de cobertura do solo por gramíneas tropical, Botrel et al. (1987) indicaram que, apesar do crescimento cespitoso, o capim-setária proporcionou 72 % de cobertura de solo quando submetido ao pastejo, valor este superior aos das espécies de mesma forma de crescimento, como Andropogon gayanus e algumas cultivares de Panicum maximum. A produção máxima de forragem para o capim-setária é atingida após o segundo ou terceiro ano de estabelecimento (Bodgan, 1977). Humphreys (1974) afirma que na Austrália a produção de MS é de 10 t.ha -1 atingindo até 27 t.ha -1 com irrigação. No Brasil, estudos com setária para corte, com e sem adubação, mostraram produção de até 176 t.ha -1 de matéria verde, avaliados em treze meses (Zuñiga,

1967).

O capim-setária apresenta alta tolerância ao alumínio trocável no solo, sendo comparável à tolerância de gramíneas como a B. decumbens e B. humidicola (Cantarutti et al., 1994). Respostas à adubação nitrogenada têm variado de 8 a 65 kg de MS por kg de N aplicado e, aparentemente, a maior eficiência tem sido obtida com aplicações próximas de 200 kg.ha -1 de N (Leite et al., 1995). Schenk et al. (1982) encontraram concentração de oxalato em plantas verde de 62 g.kg -1 . A percentagem de oxalato aumenta com a aplicação de nitrogênio e decresce com a idade da planta (Gomide et al., 1992). Aparentemente, qualquer categoria animal em boas condições orgânicas não apresentaria problemas (Schenk et al., 1982), o que foi constatado em trabalhos utilizando a cultivar Kazungula para vacas em lactação (Alvin et al., 1995). Outras características de composição química do capim-setária são apresentadas na Quadro 5. De acordo com Pimentel & Zimmer (1983), foram obtidos ganhos de peso animal satisfatórios em pastos de capim-setária durante a época de seca, em Campo

Grande, MS, adotando-se taxa de lotação correspondente a uma vaca por hectare. Durante o período chuvoso, a capacidade de suporte da pastagem foi de 2,4 vacas.ha - .

1

Quadro 5 - Características de valor nutritivo do capim-setária em função da idade e de componentes morfológicos

Idade (dia)

MS

PB

FDN

LIG

0

– 30

13,88

16,26

55,02

5,22

31

– 45

13,38

13,24

61,60

7,38

46

– 60

18,81

8,65

67,12

4,92

Bainha foliar

-

7,30

73,13

7,00

Folha

-

15,50

71,95

6,63

 

Colmo

-

9,06

82,98

8,65

MS- matéria seca; PB- proteína bruta; FDN- fibra em detergente neutro; LIG- lignina; Fonte: Valadares Filho et al. (2006).

Alguns programas de melhoramento com essa espécie, já foram ou vêm sendo conduzidos, visando principalmente aumento de produtividade, incremento na produção de sementes e tolerância à geada. Assim como o capim-jaraguá, o capim-setária já teve maior importância na pecuária, caindo em desuso nos últimos anos e, atualmente, nem sequer figura na lista de relação de sementes forrageiras vendidas no Brasil. Devido a esse fato, pesquisas com esta forrageira vêm diminuindo ao longo dos anos.

  • 8 - CAPIM-QUICUIO – Pennisetum clandestinum Hochst. Ex Chiov

8.1 - Origem

O capim-quicuio é originário da África Central e Oriental, principalmente do Zaire e Quênia e, ainda, de regiões da Etiópia, Uganda, Tanzânia, Congo e Ruanda. O nome quicuio provém de uma tribo de nativos do Quênia, um dos principais locais em que esta gramínea é originária (Araújo, 1978). Constitui uma das espécies forrageiras mais difundidas e cultivadas em regiões tropicais do mundo, com destaque para regiões da Costa Rica, Colômbia, Hawai e Sul da África. Essa forrageira foi introduzida no Brasil, em 1924, pelo engenheiro agrônomo Jorge Villares e disseminada para vários estados do país. Além do capim-quicuio comum, existem duas outras cultivares, a Whittet e a Breakwell.

8.2 - Caracterização morfológica

O capim-quicuio é uma gramínea perene e de grande capacidade de alastramento devido aos numerosos rizomas e estolões que emitem brotações e raízes na região dos nós. É considerada uma gramínea de porte baixo, variando de 40 a 60 cm de altura (Mitidieri, 1992), que forma um denso relvado e boa cobertura do solo. Um dos fatores que influenciam positivamente a altura do pasto de capim-quicuio é a fertilidade do solo. Os estolões emitem colmos curtos, mas com elevado número de folhas. Estas apresentam bainha pubescente e lígula de 1 a 2 mm, com pêlos brancos e sedosos. A lâmina foliar é inteiramente dobrada quando em expansão, tornando se plana quando completamente expandida. Os colmos reprodutivos são curtos, apresentando folhas com 3,5 a 5 cm de comprimento e 6,5 mm de largura. O sistema radicular do capim-quicuio é bastante profundo, podendo penetrar no solo até cerca de 5,5 m, embora 90 % do peso total das raízes encontrem-se nos primeiros 60 cm de profundidade. A inflorescência é do tipo panícula, bastante reduzida, com somente 2 a 4 espiguetas que se forma entre o colmo e a base do limbo filiar. Os estames são esbranquiçados, brilhantes e efêmeros, aparecendo pela manhã e desaparecendo nas horas mais quentes do dia. A razão do nome “clandestinum” se deve à sua

inflorescência, que é localizada na base do limbo foliar junto ao colmo e, dessa forma, fica normalmente oculta. A cultivar Breakwell possui menor capacidade de perfilhamento, crescimento mais prostrado, entrenós mais curtos e forma pastos mais densos do que a cultivar Whittet.

8.3 - Caracterização agronômica

O capim-quicuio vegeta bem em locais onde a precipitação máxima é próxima de 660 mm anuais, apesar de alguns autores sugerirem necessidade de, em média, 800 mm anuais. A faixa ótima de temperatura para essa forrageira situa-se entre 16 e 21ºC, não tolerando temperaturas elevadas. É relativamente resistente ao frio, porém pode secar em condições de baixa temperatura nos meses de inverno e, principalmente, se ocorrer geadas. Tolera sombreamento moderado, por curtos períodos de tempo. A espécie P. clandestinum tolera relativamente bem condições de seca devido a seu profundo sistema radicular. É uma gramínea altamente exigente em fertilidade do solo, razão pela qual é comum sua ocorrência próximo aos currais, em solos férteis e com alto teor de matéria orgânica. Sua ocorrência natural é, principalmente, em latossolos roxos profundos e de boa fertilidade. Tolera solos pobremente drenados, além de solos moderadamente alcalinos até alcalinos. Propaga-se por mudas, que podem ser plantadas a lanço, em sulcos ou em covas. A produção de sementes existe, porém sua colheita é dificultada em razão da sua formação muito rente ao solo. Esse é um dos motivos pelos quais a comercialização de sementes de capim-quicuio é praticamente inexistente no Brasil. Em solos de baixa fertilidade o capim-quicuio pode ser atacado por fungos, como o que causa a ferrugem, e outros insetos. Também é susceptível à cigarrinha- das-pastagens e pode ser atacado por lagartas.

A produção de forragem da cultivar Breakwell é menor quando comparada à da cultivar Whittet. Por outro lado, a capacidade de cobertura do solo e de competição com plantas daninhas e à resistência ao pisoteio é maior na cultivar Breakwell.

  • 8.4 - Formas de utilização

O capim-quicuio é utilizado basicamente sob pastejo e mais comumente para gado de leite do que para bovinos de corte. Segundo Read & Fulkerson (2003), vacas de leite em pasto de capim-quicuio bem manejado, sem suplementação com concentrado, podem produzir até 12 L.dia -1 . Devido ao seu porte reduzido, o capim- quicuio é de fácil manejo. Além disso, é flexível quanto à forma de utilização, podendo ser manejado sob lotação contínua ou no sistema rotativo. O capim-quicuio é resistente ao pastejo e ao pisoteio devido, dentre outros fatores, à sua forma de crescimento estolonífera. Essa característica o torna apropriado para formação de pastagens para ovinos, que pastejam mais baixo, próximo ao solo. Sob pastejo, recomenda-se a manutenção do pasto numa altura entre 15 a 25 cm. O pasto de capim-quicuio pode ser estabelecido em consórcio com leguminosas forrageiras, como os trevos, centrosema e siratro. É também utilizado como forragem verde picada para fornecimento aos animais no cocho. A fenação e a ensilagem são utilizadas em menor escala, devido ao custo elevado, às grandes perdas de massa seca e à menor digestibilidade do feno ou da silagem quando comparado ao capim picado. O capim-quicuio é também utilizado em piquetes paras suínos e aves, em jardins como planta ornamental e para fins de controle de erosão em áreas marginais.

  • 8.5 - Resultados de pesquisa

A produção de forragem do capim-quicuio é variável com as condições de ambiente e manejo. No Brasil, Otero (1961) relatou a produtividade anual de 60 t.ha - 1 de massa verde nos pastos de capim-quicuio, em seis cortes. O capim-quicuio responde bem à adubação nitrogenada, o que lhe confere vantagem competitiva em relação às espécies menos responsivas à adubação. Colman & Kayser (1974), avaliando os efeitos de adubação do capim-quicuio, obtiveram eficiência de resposta de 17 a 24 kg de MS por kg.ha -1 de N aplicado. Em geral, dentre as gramíneas de crescimento estolonífero, o capim-quicuio não é uma das mais produtivas, principalmente quando comparado às gramíneas do gênero Cynodon. Neste contexto, Basso et al. (2004) compararam a dinâmica de alocação de massa seca em Tifton 85 e capim-quicuio e observaram maior acúmulo de biomassa para o capim-tifton (6,6 t.ha -1 ) em relação ao capim-quicuio (2,3 t.ha -1 ). Além disso, o Tifton acumulou proporcionalmente mais matéria seca em estolões (60 %) em relação ao capim-quicuio (40 %), o que lhe conferiu maior capacidade de competição. Quando bem manejado, o pasto de capim-quicuio possui e mantém bom valor nutritivo durante longo período. Porém a idade do pasto é fator preponderante, modificando o valor nutritivo do pasto de capim-quicuio (Quadro 6).

Quadro 6- Características de valor nutritivo do capim-quicuio em função da idade

Idade (dia)

MS

PB

FB

MM

P

0 - 30

21,66

10,06

35,05

5,30

0,17

46 – 60

22,15

9,62

36,15

4,82

0,15

61 - 90

28,80

7,43

38,48

4,14

0,10

MS- matéria seca; PB- proteína bruta; FB- fibra bruta; MM- matéria mineral; P- fósforo; Fonte: Valadares Filho et al. (2006).

9 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 - INTRODUÇÃO

CAPITULO 8

GÊNERO Arachis

Allan Kardec Braga Ramos Alexandre de Oliveira Barcellos Francisco Duarte Fernandes

Plantas forrageiras do gênero Arachis L. têm histórico relativamente recente de avaliação e de adoção nos sistemas de produção animal baseados em pastagens no Brasil, quando comparadas com outras espécies de leguminosas tropicais herbáceas. No entanto, o interesse é crescente e já consolidado em várias regiões pastoris, pois as cultivares desenvolvidas para uso forrageiro têm-se revelado persistentes e com elevado valor alimentício nos locais com melhor oferta ambiental para o cultivo, com impactos positivos sobre a produtividade animal e das pastagens (Cook et al., 1994; French et al., 1994; Argel e Villarreal, 1998; Pereira, 2000; Perez, 2004; Valentim, 2005; Pizarro, 2004). Esta associação entre dois atributos forrageiros (longevidade produtiva e valor nutritivo) amplamente desejados nas leguminosas tropicais tem quebrado paradigmas acerca da estabilidade e da intensificação da produção animal em pastos consorciados. Ademais, as cultivares têm-se mostrado plantas versáteis e plásticas, com múltiplos usos e funções ambientais para o sistema solo-planta- animal-atmosfera (Argel e Villarreal, 1998; Argel e Pizarro, 1992; Andrade et al.,

2002).

As leguminosas, por serem perenes e apresentarem características morfológicas que conferem maior adaptação ao pastejo, pisoteio e corte, e com base nos registros da utilização por herbívoros em seu ambiente original. As espécies A pintoi Krap. et W.C.Greg. nom. nud., A. repens Handro e A. glabrata Benth. têm sido as mais coletadas e avaliadas quando o enfoque é a produção de forragem (Otero, 1941;

Valls e Simpson, 1994; Valls e Pizarro, 1994). A denominação comum para estas plantas é amendoim-forrageiro perene (pinto peanut, forage peanut, maní forrajero perenne), amendoim-do-campo, amendoim-rasteiro ou amendoim-bravo (rhizoma peanut). A espécie A. pintoi é a mais utilizada no mundo, sendo a única com registro formal de cultivares para uso em pastagens no Brasil (MAPA, 2006). Também é objeto de um programa de melhoramento genético que visa ao desenvolvimento de novas cultivares de forrageiras para uso em diferentes biomas brasileiros. Assim, esta espécie será contemplada preferencialmente neste texto. A espécie A. repens tem sido utilizada predominantemente para fins paisagísticos e na proteção de taludes. Por sua vez, ainda que expressivo, o cultivo da espécie A. glabrata ainda está praticamente restrito ao Estado da Flórida (EUA).

2- CARACTERIZAÇÃO BOTÂNICA, ORIGEM E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA

O gênero Arachis pertence à família Fabaceae Lindl. (=Leguminosae ou Papilionaceae), subfamília Faboideae (=Papilionoideae), tribo Aeschynomeneae e à subtribe Stylosanthinae. Possui aproximadamente 81 espécies distribuídas em oito seções, sendo a América do Sul o centro de origem e de diversidade. Cerca de 60 espécies selvagens ocorrem no Brasil, sendo que 47 são exclusivas. O amendoim comum (Arachis hypogaea L.), a primeira espécie domesticada e amplamente cultivada em vários países, pertence à seção Arachis. As espécies com uso atual e potencial para a produção de forragem pertencem à seção Caulorrhizae (A. pintoi e A. repens) e Rhizomatosae (A. glabrata) (Valls e Simpson, 1994; Lima et al., 2004). As espécies A. pintoi e A. repens são exclusivas do Brasil (13-19º latitude Sul; 42-47º longitude Oeste), ocorrendo nas bacias dos rios Jequitinhonha (Minas Gerais),

São Francisco (Bahia) e Paranã (Goiás) (Figura 1). A espécie A. pintoi também ocorre, de forma adventícia, em relvados de grama-batatais (Paspalum notatum Flügge) em Brasília-DF. Estas plantas foram involuntariamente introduzidas com as placas de grama usadas na urbanização da nova capital, tendo como origem mais provável os municípios mineiros de Unaí, Paracatu e João Pinheiro (Valls, 1992). Arachis glabrata (13-28º latitude Sul; 48-58º longitude Oeste) ocorre no Paraguai, na Argentina e mais amplamente no Brasil (Estados de Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) (Figura 1), registrada em publicações sobre a flora brasileira desde o século XIX (Valls e Simpson, 1994; ICRISAT, 2006). O primeiro genótipo da espécie A. pintoi foi coletado na Bahia no ano de 1954 por Geraldo Pinto, então pesquisador da CEPLAC (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira), ao qual foi rendida a homenagem, nominando a espécie, até então desconhecida. Até o ano de 1981, foi o único acesso de A. pintoi a figurar nas coleções do gênero Arachis, o qual foi compartilhado e avaliado por várias instituições. Posteriormente, na busca de novas fontes de genes para o melhoramento de A. hypogaea, várias expedições de coleta de Arachis spp. foram realizadas pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen) e instituições parceiras. Ampliou-se, felizmente, o número de espécies, a diversidade e a variabilidade nos bancos de germoplasma de Arachis spp., bem como o conhecimento acerca dos limites geográficos daquelas espécies já conhecidas. A. pintoi e A. glabrata passaram a ser as espécies melhor representadas na coleção mundial de espécies silvestres de Arachis (Valls e Pizarro, 1994). Mais recentemente, já foi superada a marca de 150 acessos de A.pintoi catalogados (Paganella, 2001; Valls, 2004). A ampliação, relativamente recente, da base genética de A. pintoi, A. repens e A. glabrata tem favorecido enormemente a avaliação do germoplasma visando seu uso em pastagens. Atualmente, num universo com mais de 4.000 acessos de Arachis spp. catalogados pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), existem mais de 200 acessos de Arachis spp. pertencentes às seções Caulorrhizae e

Rhizomatosae que são o maior repositório de genes para os programas de melhoramento genético de Arachis para a produção animal em pastagens. Na seção Caulorrhizae, A. pintoi representa mais de 80 % dos acessos, prevalecendo no programa de melhoramento genético de forrageiras da Embrapa. Até 1996, cerca de 110 acessos de Arachis spp. já haviam sido introduzidos e avaliados na Embrapa Cerrados (Karia e Andrade, 1996) e parte deles (promissores) compartilhados com outras instituições para a experimentação em rede. Mais recentemente, novos acessos e híbridos produzidos no CENARGEN foram introduzidos e compartilhados com outras unidades de pesquisa (Embrapa Acre e Embrapa Gado de Leite) para avaliação agronômica noutros ambientes (Oliveira, 1997; Castro, 2003; Souza Sobrinho, 2005; Balzon et al., 2006;) Da América do Sul, o germoplasma de espécies selvagens de Arachis spp., desde a primeira metade do século passado, já foi distribuído, introduzido e,ou avaliado para fins pastoris em mais de 60 países dos cinco continentes, com destaque para o primeiro acesso de A. pintoi (CIAT 17434; BRA-013251) (Carvalho, 1996). A. glabrata foi introduzido principalmente nos Estados Unidos (Flórida e Texas), na Austrália, na Índia e em alguns países da África, enquanto que A. pintoi, graças ao Programa de Pastos Tropicais do CIAT (Centro Internacional de Agricultura Tropical), foi mais avaliado na América Central (e.g. Costa Rica), na América do Sul (e.g. Colômbia) e, mais recentemente, no Sudeste da Ásia (e.g. Indonésia e Tailândia). Como resultado de vários esforços e o engajamento de várias institucionais, cinco acessos de A. glabrata e quatro de A. pintoi resultaram em cultivares de forrageiras oficialmente lançadas em vários países (Quadros 1 e 2), com a perspectiva de novos e iminentes lançamentos.

Figura 1- Áreas de ocorrência natural de Arachis pintoi , A. repens e A. glabrata .

Figura 1- Áreas de ocorrência natural de Arachis pintoi, A. repens e A. glabrata. Limites aproximados definidos pelos extremos de latitude e longitude dos dados de passaporte dos acessos já coletados.

Mapa elaborado em SIG por Marina de Fátima Vilela.

Quadro 1 - Cultivares de A. glabrata oficialmente lançados em vários países até o ano de 2006.

 

País (ano de

Genótip

Cultivar

registro/lançamento)

o a

Arb

EUA (Florida, 1960)

PI

Reclaim

África do Sul (1987)

118457

   

PI

Arblick

EUA (Flórida, 1960)

262839

   

PI

Florigraze

EUA (Flórida, 1978)

421707

   

PI

Arbrook

EUA (Flórida, 1986)

262817

Prine

Austrália (Queensland,

PI

1995)

231318

   

PI

Ecoturf

EUA (Flórida, 1992)

262840

Brooksville

 

PI

67

EUA (Flórida, 2002)

262801

Brooksville

EUA (Flórida, 2002)

?

68

9056068

Origem geográfica e usos recomendado

Brasil, Mato Grosso do Sul

Forragem e planta para cobertura (fruticultura) Paraguai, Amambay . Forragem e planta para

cobertura Híbrido natural derivado do cv. ‘Arb’

Forragem. Genótipo mais cultivado na Flórida Paraguai, Itapúa Forragem em ambientes mais secos e de solos arenosos

Origem desconhecida. Forragem

Brasil, Mato Grosso do Sul

Paisagismo, ornamental e planta de cobertura Argentina, Corrientes, Argentina

Paisagismo, ornamental e planta de cobertura Brasil Paisagismo, ornamental e planta para cobertura (fruticultura).

a. PI – Plant Introduction - Número no ARS-USDA Fonte: Cook et al. (2005); FAO (2006) – www.fao.org/ag/agp; NSW (2006) – http://www.agric.nsw.gov.au;.

53

Quadro 2 - Cultivares de A. pintoi oficialmente lançados em vários países até o ano de 2006.

Cultivar

País (ano de registro/lançamen to)

Genótipo a

Amarillo Maní Forrajero Perenne

Austrália (1987) Colômbia (1992)

BRA-013251,

Pico Bonito Amarillo MG-100 Maní Mejorador

Honduras (1993) Brasil (SP, 1995) Costa Rica (1994)

CIAT 17434

   

BRA-

Maní Forrajero

Panamá (1997)

013251+12122

(Multilinha)

CIAT

 

17434+18744

Golden Glory

Havaí (1996)

Desconhecido

Alqueire-1

Brasil (RS, 1998)

BRA-037036

Porvenir b

 

BRA-012122,

Costa Rica (1998)

CIAT 18744

 

Brasil (Bahia,

 

Belmonte

1999)

BRA-031828

Origem e usos recomendados

Brasil, Bahia, Belmonte (Boca do Córrego). Forragem e planta de cobertura

Brasil, Bahia, Belmonte +Minas Gerais, Unaí Forragem e planta para cobertura

Brasil. Ornamental e planta de cobertura sob árvores Brasil. Origem múltipla. Seleção de plantas tolerantes ao frio/geada de várias procedências introduzidas no Rio Grande do Sul. Forragem Brasil, Minas Gerais, Unaí. Forragem, ornamental e planta para cobertura (café, fruticultura) Brasil, Bahia, Itabuna (ex-situ, como ornamental), introduzido do município d Belmonte Pastejo/Forragem

a. BRA / CIAT- Número de identificação na coleção de forrageiras da Embrapa e do CIAT; b. Questionada por Paganella (2001) e Paganella e Valls (2002); Fonte: CIAT (2006) – www.ciat.cgiar.org; Cook et al. (2005); FAO (2006) – www.fao.org/ag/agp; NSW (2006) –http://www.agric.nsw.gov.au; Perez (2004).

54

3- CARACTERIZAÇÃO MORFOLÓGICA DE ESPÉCIES E DIFERENCIAÇÃO DE CULTIVARES DE AMENDOIM-FORRAGEIRO

A caracterização típica das plantas do gênero Arachis é o desenvolvimento de frutos subterrâneos (geocarpismo) a partir de flores localizadas na parte aérea. As espécies A. glabrata, A. pintoi e A. repens são herbáceas e perenes, de porte baixo (<40 cm), com alta capacidade de propagação vegetativa. A raiz é do tipo pivotante (axonomorfa), formando uma densa coroa, nas plantas originadas por sementes. Possui caules cilíndricos ou levemente achatados. As folhas são alternas e compostas de quatro folíolos elípticos, obovados ou oblongos. O florescimento é indeterminado (resposta neutra ao fotoperíodo). As flores são sésseis, axilares, e têm corola do tipo papilionada na cor amarela ou laranja (em A. pintoi também há flores com pétalas na cor branca e creme), com oito dos dez estames funcionais com anteras globosas e oblongas. O hipâncio ou tubo do cálice é filiforme, com o ovário unilocular basal, em geral com dois óvulos. Frutos lisos, rígidos, com dois segmentos ovóides (10 a15 mm comprimento; 5,5 a 8,0 mm largura; 4 a10 segmentos de frutos.g -1 ) distanciados ou separados pelo istmo. Estes segmentos de frutos com uma semente (raramente duas) são indeiscentes e se destacam da planta por ocasião do arranquio da parte aérea ou com a idade ou maturidade do fruto. Não há mecanismo efetivo de dispersão das sementes (frutos), por conta do geocarpismo. As sementes têm 8 a12 mm de comprimento e 4,5 a 6,5 mm de largura. As plantas são autógamas preferenciais (A. glabrata 2n=40; A. pintoi 2n=20 e A. repens 2n=20), mas há registros de híbridos naturais e artificiais, inclusive interespecíficos (estéreis) entre e dentro de seções (Peñaloza, 1995; Teixeira et al., 1998; Paganella, 2001; Bertozzo e Valls, 2001; Oliveira e Valls, 2002; Cook et al., 2005). [Foto 1] A presença de rizomas (caules subterrâneos) e a ausência de estolões (=estolhos) diferenciam A. glabrata (seção Rhizomatosae) de A. pintoi e de A. repens (seção Caulorrhizae). Assim, A. glabrata possui hábito de crescimento mais ereto e caules

sem ramificações. A. pintoi e A. repens, por conta dos estolões, têm prevalência do crescimento prostrado, não obstante a presença de um eixo central (principal) ascendente nas plantas propagadas por sementes, do qual partem os primeiros estolões que se ramificam e emitem raízes em cada nó. As folhas de A.glabrata não apresentam cerdas e são levemente pubescentes ou sem pêlos, além de mais rígidas ou subcoriáceas quando maduras. Também a produção de sementes é nula ou irrisória em A. glabrata. [Foto 1]

Estas características morfológicas e a presença de estruturas de regeneração (coroa, rizomas, estolões e, ou sementes), abundantes e bem localizadas, são determinantes para a sobrevivência e persistência do amendoim-forrageiro em pastagens. Paradoxalmente, como não há um eficiente mecanismo de dispersão das sementes, é muito lento o crescimento e a expansão das populações de espécies perenes de Arachis spp. em seu ambiente natural. Desse modo, com a antropização, as pequenas e confinadas populações destas espécies estão sob permanente ameaça na natureza.

A distinção entre plantas típicas de A. pintoi e de A. repens originalmente dava-se pelo tamanho e a forma do folíolo e a presença/ausência, densidade e localização de cerdas (Valls e Simpson, 1994, Paganella, 2001). Também, em geral, A. pintoi produz mais sementes que A. repens, tanto que esta última tem sido multiplicada e intercambiada predominantemente por via vegetativa. Com o maior número de acessos nas coleções de A. pintoi e de A. repens, verificou-se que há tipos morfológicos intermediários e com produção de sementes extremas (baixa a alta), o que dificulta a diferenciação com base nestes caracteres (Maass et al., 1993; Valls e Simpson, 1994; Monçato, 1995; Carvalho, 1996). Em geral, A. repens possui folíolos mais longos e,ou estreitos, com a relação comprimento/largura quase sempre superior a 2,5, enquanto que em A. pintoi esta relação é quase sempre menor que 2,0 (Foto 2). A. repens geralmente não apresenta cerdas foliares e se presentes são em

pequeno número e restritas ao pecíolo. Em A. pintoi as cerdas podem ocorrer ou não, em densidades variáveis, no caule, na estípula, no pecíolo, na ráquis e,ou na superfície inferior dos folíolos (hipófilo ou porção dorsal). O primeiro acesso de A. pintoi, coletado na Bahia em 1954 e que serviu para caracterizar e descrever morfologicamente a espécie, foi exatamente o mesmo que originou em 1987 a primeira cultivar (cultivar Amarillo) de A. pintoi no mundo. Esta cultivar foi repatriada comercialmente como cv. Amarillo MG-100 em 1995, a partir de sementes importadas da Bolívia. Todavia, esta cultivar guarda semelhanças e diferenças morfológicas das demais cultivares lançadas posteriormente no Brasil e no mundo (Quadro 2). Apesar de sua origem genética múltipla (mistura de vários acessos, inclusive da cultivar Amarillo), a cultivar Alqueire-1 apresenta o fenótipo (tamanho e forma de folhas, ramos e frutos) que mais se assemelha ao da cv. Amarillo (Paganella, 2001). Há, porém, variabilidade fenotípica dentro da cultivar Alqueire-1, o que permite diferenciá-la da cultivar Amarillo. Em geral, por conta de indivíduos bastante contrastantes, numa amostra com folhas de várias plantas da cultivar Alqueire-1 teremos, em média, folíolos levemente mais estreitos, bem como mais que o dobro do número e da densidade de cerdas registradas nos pecíolos da cultivar Amarillo. Todavia, é a cultivar Porvenir, que mesmo apresentando pecíolos de comprimento similar aos das cultivares Amarillo e Alqueire-1, possui maior número e densidade de cerdas no pecíolo. No entanto, na cultivar Porvenir inexistem ou são raras as cerdas na face inferior dos folíolos (assemelhando-se a um A. repens típico), ao contrário as cultivares Amarillo e Alqueire-1, nos quais as cerdas abundam. Numa condição de monocultivo, as plantas da cultivar Alqueire-1 apresentam-se mais altas, eretas e com os folíolos (expandidos) numa coloração verde mais intensa. Por sinal, a cultivar Amarillo apresenta sempre folíolos mais claros quando comparado com todos os demais cultivares de A. pintoi. A cultivar Porvenir apresenta folhas bem menores e mais estreitas que as da cultivar Amarillo e, por extensão, da cultivar Alqueire-1. No entanto, as flores e frutos (4 a 5 vs. 6 a 7 por

grama) são maiores na cultivar Porvenir. Já a cultivar Belmonte, é a mais facilmente diferenciada das demais, pois praticamente não produz sementes e tem o folíolo distal ou apical com formato tipicamente elíptico e bastante estreito. Tanto que a relação comprimento/largura do folíolo varia de 1,9 a 2,2 na cultivar Belmonte, enquanto que na cultivar Amarillo varia de 1,2 a 1,4. Nas cultivares. Porvenir e Alqueire-1 esta relação é intermediária (1,5 a 1,7). Os folíolos da cultivar Belmonte têm tamanho intermediário, em relação aos das cultivares Amarillo e Porvenir. Apresenta o menor pecíolo de todas as atuais cultivares. A cultivar Belmonte também possui caules mais estreitos que os da cultivar Amarillo e menor emissão de flores (Cook et al., 2005; Paganella e Valls, 2002; Paganella, 2001; Argel e Villarreal, 1998; Monçato, 1995; Maass et al., 1993). Vale salientar que estas comparações entre cultivares são possíveis apenas quando as plantas são cultivadas numa mesma condição de ambiente e de manejo. Os valores absolutos aqui reportados para as cultivares poderão variar numa outra condição, mas a distância relativa entre acessos e a capacidade de discriminação das características mencionadas não mudarão. Nesse sentido, o trabalho de Paganella e Valls (2002) pôs em dúvida a verdadeira origem da cultivar Porvenir. Plantas desta cultivar, cujas características foram apresentadas anteriormente, divergiram morfologicamente das plantas do acesso BRA-012122, tido nos bancos de germoplasma como aquele que originou a cultivar lançado na Costa Rica (Maass et al., 1993; Argel e Villarreal, 1998; CIAT, 2006). Na literatura sobre A. pintoi também encontramos relatos que mencionam dois acessos (BRA-031143 e BRA-040550=Ap.65=Ap01 Acre) em posição de destaque nas avaliações. O acesso BRA-031143 (W34b ou CIAT 22160) foi amplamente avaliado no Brasil na década de 90 e suas sementes e estolões vêm sendo multiplicados na Bolívia e na Ásia (CIAT, 2006; Cook et al., 2005; Pizarro, 2004), onde tem recebido a denominação de Salvador e de cultivar Itacambira, respectivamente. Este acesso tem sido divulgado na Ásia como planta forrageira e

planta de cobertura em pomares, taludes e estradas (Horne e Stür, 1999; Stür e Horne, 2001). No Brasil, caracterizou-se por apresentar plantas vigorosas e de porte mais alto que a cultivar Amarillo, mas desuniformes, com folíolos de vários tamanhos e de formato mais alongado. A análise molecular de plantas propagadas por sementes apontou que tratava-se de um híbrido natural em segregação. Como a segregação não permitiria atender ao quesito estabilidade, necessário a uma cultivar, suas avaliações não prosseguiram no Brasil. Imagina-se que fora do Brasil, com o avanço de gerações e multiplicações sucessivas das sementes, a estabilidade já tenha sido alcançada. Já o acesso BRA-040550, encontra-se em fase de validação e será a primeira cultivar (ainda não nominado) de amendoim-forrageiro obtido e lançado pela Embrapa. Na Região Centro-Oeste tem-se mostrado mais prolífico que os demais cultivares e diferencia-se, principalmente, pelo tamanho e o formato dos folíolos. Apresenta folíolos maiores que os da cultivar Belmonte, com mais pêlos no pecíolo e na face inferior do folíolo basal. Possui menos pêlos na ráquis que a cultivar Belmonte. O folíolo distal ou terminal tem o formato mais arredondado e com a menor relação comprimento/largura das cultivares. Também floresce mais abundantemente que a cultivar Belmonte.

Figura 2 - Arachis pintoi em pleno florescimento na estação chuvosa. Imagens internas, em sentido horário:
Figura 2 - Arachis pintoi em pleno florescimento na estação chuvosa. Imagens internas, em sentido horário: Folha típica
de Arachis glabrata (1); Arachis repens (2) e Arachis pintoi (3); Detalhe do caule e do hábito de crescimento
de Arachis glabrata (centro); Estolões característicos das espécies A .pintoi e A. repens.
Figura 3. Folíolos superiores de A. pintoi [acesso Ap65-Acre (1), cultivar Amarillo (2), cultivar Alqueire-1 (3),
Figura 3. Folíolos superiores de A. pintoi [acesso Ap65-Acre (1), cultivar Amarillo (2), cultivar Alqueire-1 (3), cultivar
Belmonte (4)] e de um acesso de A. glabrata. À direita A. pintoi Ap65 Acre na estação chuvosa (imagem
superior) e em plena estação seca (inferior) em cultivo na Embrapa Cerrados (Planaltina-DF).
  • 4- CARACTERIZAÇÃO AGRONÔMICA

As espécies A. pintoi e A. glabrata têm demonstrado grande plasticidade agronômica. O cultivo ocorre tanto em ambientes homólogos (climáticos e edáficos) aos de ocorrência natural das espécies como em ambientes contrastantes, principalmente em relação aos extremos de temperatura. Têm influência dos locais de cultivo por conta da qualidade da forragem, da persistência e pela economia de energia que proporcionam com a fixação simbiótica de nitrogênio. Generalidades ou particularidades sobre o comportamento agronômico do amendoim-forrrageiro baseiam-se na produção de cultivares (genótipos) em vários ambientes. Há acentuada interação genótipo-ambiente nas cultivares atuais, altamente especializadas. Em razão de um o número de países em que o amendoim- forrageiro foi lançado, a cultivar Amarillo mostrou-se, inicialmente, com amplo espectro de adaptação e estabilidade. Todavia, a partir do melhor conhecimento e exploração da variabilidade existente na espécie A. pintoi, surgiram novas cultivares e candidatas a cultivar para nichos ecológicos melhor segmentados no Brasil (cultivares. Belmonte, Alqueire-1; BRA-40550=Ap65=Ap01Acre) e no exterior (cultivares Porvenir, Itacambira), o mesmo ocorrendo com a espécie A. glabrata (cvs. Arbrook; Prine). Algumas informações sobre as duas espécies são apresentadas a seguir, salientando que o ambiente (clima, solo, pressões bióticas e manejo) em que a cultivar foi desenvolvida, selecionada, validada ou recomendada ainda constitui o principal, e por vezes único, referencial ecológico e de manejo a ser considerado na predição e na diminuição dos riscos e incertezas acerca da produtividade. Por conta da maior expressão e da existência de cultivares registradas no Brasil, prevalecerão as informações sobre a espécie A. pintoi.

4.1 - Arachis glabrata

4.1.1- Cultivares As três cultivares mais importantes (Florigraze, Arbrook, Prine) foram desenvolvidos fora do Brasil (Quadro 1). A cultivar Prine, desenvolvido na Austrália, destacou-se naquele país pela maior produtividade e valor nutritivo da forragem, bem como pela capacidade de colonização e de competição com gramíneas mais prostradas, superando a cultivar Amarillo em alguns ambientes. Nos Estados Unidos, a mais utilizada é a cultivar Florigraze, um híbrido natural, que se destaca pela maior produção de forragem, menor tempo para estabelecimento, capacidade de colonização e maior tolerância ao frio que a cultivar Arbrook, que é mais tolerante à seca e a solos mais arenosos (Cook et al., 2005; FAO, 2006; French et al., 2006). Naqueles países, além da excepcional persistência em regimes de pastejo mais intensivos e da capacidade de competir com gramíneas, as cultivares de A. glabrata destacam-se pela elevada produção de forragem de alta qualidade e pela multiplicidade de usos que apresentam, em relação a outras opções de leguminosas de estação quente.

4.1.2- Clima e solo Por sua origem e distribuição, as cultivares são adaptadas à faixa tropical e às maiores latitudes (0-32º). Toleram o frio (< 0º C) e sobrevivem à geadas severas, graças aos seus rizomas (caules subterrâneos) que também conferem tolerância à seca e ao fogo (Cook et al., 1994; French et al., 1994; French et al., 2006). A tolerância ao frio, numa leguminosa perene de estação quente, combinada com outros atributos, faz do A. glabrata uma planta singular na Flórida e na Geórgia (EUA). O crescimento vegetativo é favorecido em locais com estação quente (>20 ºC) e chuvosa mais prolongada (>1.000 mm.ano -1 ). De crescimento estacional, as cultivares apresentam maior produção de forragem no início da estação chuvosa. A

espécie tem-se mostrado mais tolerantes à seca que o A. pintoi (de baixíssima tolerância), adaptando-se melhor a regimes hídricos mais restritivos (750-1.000 mm.ano -1 ao longo de 5-6 meses) e aos solos de textura mais arenosa, com menor capacidade de armazenamento de água, especialmente a cultivar Arbrook. Apesar disso, seu cultivo deve ser evitado em áreas com pouca chuva quando o propósito é o acúmulo de forragem para pastejo ou corte na época seca. A. glabrata também pode ser cultivada sem restrições em solos argilosos, desde que bem drenados (French et al., 2006). As atuais cultivares não toleram encharcamento ou alagamento, embora plantas de A.glabrata ocorram naturalmente em solos muito úmidos. Nesse sentido, A. pintoi é mais adaptada a solos mal-drenados. A. glabrata tem sido cultivada numa condição de baixa altitude, mas também se desenvolve em locais de maior altitude (600-1.000 m). Outro atributo de destaque das atuais cultivares de A. glabrata é a tolerância ou a adaptação a solos ácidos e de baixa fertilidade, sendo pouco responsivas a incrementos na fertilidade, mediante aplicações de fósforo e,ou de potássio em solos arenosos nas pastagens da Flórida. Este comportamento é atribuído à distribuição em profundidade do robusto sistema radicular e aos rizomas, que exploram mais eficientemente o perfil do solo (French et al., 1994; French et al., 2006; FAO, 2006). Porém, deve-se levar em conta a referência local para um solo de baixa fertilidade e para uma espécie tolerante, além de não prescindir da análise de solo. As cultivares atuais de A. glabrata certamente tem menor adaptação ou tolerância a solos de baixa fertilidade do que as cultivares de Stylosanthes. Assim, quantidades mínimas de fósforo, calcário e micronutrientes são necessários, até mesmo como um suporte nutricional para a fixação simbiótica de nitrogênio. Para áreas manejadas sob cortes, com expressiva exportação de nutrientes, as exigências nutricionais serão bem maiores e a fertilidade do solo deve ser monitorada mais freqüentemente.

  • 4.1.3- Propagação e estabelecimento

A principal limitação agronômica das cultivares de A. glabrata é a lentidão no estabelecimento, com as áreas levando até três anos para atingirem o patamar mais alto de produtividade de forragem. No primeiro ano, a produtividade de forragem não alcança 50 % da máxima possível para a espécie. Embora floresça, A. glabrata praticamente não produz sementes (<100 kg.ha -1 ) e aquelas que são produzidas têm baixo vigor. Assim, sua propagação ocorre de forma vegetativa (taxa de multiplicação de 1 ha : 30 ha), mediante o enterrio e compactação de rizomas (4-9 m 3 de rizomas/ha) provenientes de plantas dormentes no inverno, naturalmente infectadas por rizóbio, com elevada concentração e estoque de reservas orgânicas, ou seja, que não sofreram desfolhação ou pastejos intensos e severos recentemente (French et al., 1994; French e Prine, 2006. Cook et al., 1994; 2005). A colonização da área dá-se pelo crescimento dos rizomas, que são bem menos efetivos que os estolões de A. pintoi. Na Colômbia, em dois locais e em cultivo com B. humidicola, mudas de acessos de A. glabrata apresentaram um taxa de expansão lateral de 0,04-0,12 cm.dia -1 na fase de estabelecimento, enquanto que A. pintoi cultivar Amarillo apresentou taxa de 0,26-0,35 cm.dia -1 , o que levou a uma menor cobertura do solo (10-14% vs. 42-53%) e menor massa de forragem (31-147 kg.ha -1 vs. 261-446 kg.ha -1 após seis meses) para os acessos de A. glabrata (Peters et al., 2000), a despeito de A. pintoi também ser uma planta de estabelecimento lento, em relação a outras leguminosas herbáceas. Desse modo, além de mudas vigorosas, o adequado preparo do solo e o controle de invasoras (pré e pós-plantio) são necessários à implantação do A. glabrata. Por sua vez, a irrigação antecipa o estabelecimento da pastagem, o mesmo não ocorrendo com a adubação (mineral) nitrogenada. A propagação vegetativa de A. glabrata, com rizomas de crescimento muito lento (5-200 cm.ano -1 ), e a maior demanda por mão-de-obra, elevam o custo de formação da pastagem, em relação a outras espécies de leguminosas propagadas por sementes. Tal fato tem limitado, mas não impedido, a utilização gradativa das cultivares (Cook

et al., 1994; Cook et al., 2005; French et al., 1994; French e Prine, 2006; Williams, 1993). Como atenuantes aos maiores custos de implantação, as pastagens com A. glabrata têm a perspectiva de um horizonte de amortização maior e de retornos relativamente mais rápidos por conta da longevidade produtiva, do menor custo de manutenção das áreas e do maior valor alimentício da forragem produzida.

  • 4.1.4- Compatibilidade e persistência

Apesar do crescimento lento, as cultivares de A. glabrata têm elevada capacidade de estabelecer combinações estáveis (desequilibradas inicialmente) com gramíneas e leguminosas de portes, formas de crescimento e padrões de estacionalidade da produção diversos, tais como: Paspalum, Cynodon, Digitaria, Axonopus, Brachiaria, Pennisetum, Medicago e Aeschynomene. As combinações visam melhorar a produtividade, a distribuição ao longo dos meses, o valor nutritivo e a estabilidade da produção de forragem ou estabelecer uma sucessão até a consolidação do A. glabrata como planta dominante na área. As combinações mais freqüentes são com Paspalum notatum cultivar Pensacola e com a alfafa (Medicago sativa). As áreas de A.glabrata também se prestam ao cultivo integrado com azevém (Lolium multiflorum L.) e de centeio (Secale cereale L.) no inverno (Cook et al., 2005; French et al., 1994). Nos locais ou ambientes com recomendação formal de uso, a persistência e a produtividade das cultivares de A .glabrata não são questionadas, suportando extremos de temperatura, de competição e de manejo (pastejo ou desfolhação). O hábito de crescimento e a morfologia de A. glabrata possibilitam respostas estáveis a variados regimes de manejo do pastejo, suportando desde lotação contínua à rotativa intensiva (resíduos baixos). Em sistemas de pastejo rotativo, a persistência não é afetada se estabelecida a compensação entre a intensidade do pastejo (uso) e a duração (bastante flexível) do período de descanso (Ortega-S et al., 1992). Já em pastos sob lotação contínua, utilizam-se menores taxas de lotação e pastos mantidos mais altos.

Por vezes, a capacidade de competição desta leguminosa é apontada como responsável pela baixa produtividade da cultivar Pensacola em pastos consorciados na Flórida. Neste caso, para elevar a produtividade e o valor nutritivo da forragem da gramínea, a adubação com nitrogênio tem sido preconizada, não interferindo na estabilidade da consorciação (French et al., 1994; Williams, 1994). Na Flórida, há registro de áreas com mais de 20 anos de cultivo. Esta longevidade produtiva é apontada como atenuante ao lento estabelecimento das cultivares. No Brasil, os registros recentes acerca de A. glabrata como forrageira referem-se apenas à condição de monocultivo em nível experimental. Avaliado sob cortes, as cultivares Florigraze e Arbrook não sobreviveram em Planaltina-DF, enquanto que a cultivar Arbrook persistiu no Acre (Pizarro et al., 1992; Sales et al., 2002). No Paraná, persistiu como planta para cobertura no mínimo por 9 anos (Neves et al., 1998).

  • 4.1.5- Pragas, doenças e invasoras

A ausência de pragas e doenças críticas ao cultivo de A. glabrata é apontada como mais um fator relacionado à persistência das cultivares nas pastagens nos

Estados Unidos. Não há registros de insetos ocasionando danos aos cultivos de A. glabrata, provavelmente pela pequena extensão de cultivo, em relação a outras forrageiras. Em relação às doenças, Cook et al. (2005) e French et al. (2006) apontaram as cultivares de A. glabrata como resistentes ou tolerantes às manchas foliares causadas por raças locais de Cercospora arachidicola (mancha castanho), de Cercosporidium personatum (mancha ou pinta preta), bem como de ferrugem (Puccinia arachidis), sendo susceptíveis, apesar de não critico ao cultivo, à Leptosphaerulina arachidicola (queima das folhas), Phyllosticta, Stemphylium e Sclerotium rolfsii (mofo branco). Também têm-se mostrado resistentes a várias raças dos nematóides-das-galhas Meloidogyne javanica, M. arenaria e M. incognita que ocorrem nos Estados Unidos (French et al., 1994; French e Prine, 2006).

Kelemu et al. (1994) reportaram a incidência de mancha castanho, pinta preta, ferrugem, antracnose (Colletotrichum gloeosporioides), requeima (Rhizoctonia solani) e de verrugose ou sarna (Sphaceloma arachidis ) em A. glabrata no Brasil. E foi a severidade do ataque de algumas destas doenças e de outras, que ainda não eram relatadas para A. glabrata, que inviabilizaram o cultivo e a intensificação da experimentação com esta espécie no Centro-Oeste do Brasil, fazendo recair, de vez, o foco da seleção para a produção de forragem nas duas espécies selvagens de Arachis da seção Caulorrhizae. Isto porque numa coleção de Arachis spp. com 22 acessos de A. glabrata (cvs. Florigraze e Arbrook presentes), apenas um acesso de A. glabrata (BRA-017531) sobreviveu ao cultivo numa várzea úmida, enquanto que os demais acessos (A. pintoi, A. repens e Arachis sp.) sobreviveram e puderam se destacar pela produção de forragem (Pizarro et al., 1992). Charchar e Pizarro (1995) apontaram uma baixa incidência de Ascochyta sp. e de antracnose na coleção de A. glabrata avaliada em Planaltina-DF, porém uma alta incidência de mancha castanho (Cercospora spp.), de queima das folhas (Leptosphaerulina arachidicola) e, sobretudo, de ferrugem (Puccinia arachidis), que dizimaram a referida coleção. Diferentemente, o germoplasma de A. pintoi e de A. repens disponível na coleção não foi atacado pela ferrugem e teve baixa incidência de Ascochyta sp., de antracnose e da queima das folhas. A mancha castanho (Cercospora spp.) prevaleceu, porém sem ocasionar mortes. Desta forma, apesar das perspectivas de desempenho agronômico superior, a espécie nativa A. glabrata, que também ocorre no Cerrado, teve que ser preterida nas avaliações para a produção de forragem neste bioma, após sucumbir aos estresses bióticos locais. Sobressaiu-se, neste caso, a importância da avaliação da interação genótipo-ambiente para o maior conjunto possível de atributos da planta forrageira e não somente para aqueles de natureza morfofisiológica, que sugeriam alta aptidão para o pastejo e adaptação ao clima e ao solo do Cerrado. Tornou-se evidente a necessidade de, oportunamente, ser acessado o germoplasma ainda disponível noutras coleções de A. glabrata para fins de avaliação agronômica

num outro ambiente, pois quando introduzido no Paraná e no Acre, A. glabrata sobreviveu e persistiu (Neves et al., 1998; Sales et al., 2002). Também cabe mais uma vez o alerta para o risco, em potencial, de insucessos associados à mera repatriação ou introdução de cultivares desenvolvidas em outras condições ecológicas. Em relação às invasoras, é pequena a capacidade de competição da A. glabrata na fase de estabelecimento da pastagem ou do campo de fenação, por conta do lento crescimento e desenvolvimento dos rizomas e do sistema radicular. O plantio deve ser precedido de um bom preparo do solo e do controle manual ou químico das invasoras na fase de pré-plantio e,ou de pré-emergência. Como são poucos os herbicidas registrados para uso em pastagens, é recomendado, quando possível, o cultivo prévio da área com espécies cujos tratos culturais previstos permitam reduzir a presença de invasoras para o cultivo da leguminosa em sucessão. Outra alternativa é o estabelecimento de A. glabrata associada com outra planta forrageira anual ou menos competitiva para que gradativamente se estabeleça a sucessão da cultura acompanhante pelo A. glabrata. Mudas vigorosas, pastejo ou corte precoce e, se possível, irrigação ampliam a capacidade de competição da leguminosa. (French e Prine, 2006). Cook et al. (2005) apontaram que nas aplicações em pré-emergência A. glabrata é tolerante aos herbicidas trifluralina (=trifluralin) e vernolate (sem registro no Brasil), e em pós-emergência ao alacloro (=alachlor), dinoseb (sem registro no Brasil), bentazona (=bentazone), 2,4-D, 2,4-DB (sem registro no Brasil), setoxidim (=sethoxydim) e fluazifope-P-butílico (=fluazifop-P-butyl), sendo susceptível ao metsulfurom metílico (=metsulfuron-methyl) e ao glufosinato(=glifosinate). Bentazona controla as invasoras de folhas largas (dicotiledôneas) e setoxidim e fluazifope-P-butílico controlam aquelas de folhas estreitas (monocotiledôneas). Desta relação, apenas os herbicidas 2,4-D e o metsulfurom metílico têm registro para

uso em pastagens e a trifluralina, o alacloro e a bentazona para uso no amendoim comum (A. hypogeae). (MAPA, 2006) ..

4.2- Arachis pintoi

4.2.1- Cultivares Para uma espécie com histórico de avaliação relativamente recente, a existência de várias cultivares de A. pintoi à disposição dos produtores, além da iminente chegada de novas opções, é um aspecto bastante favorável para um país como o Brasil, que possui uma grande diversidade de condições climáticas, de solo, de sistemas de produção e até mesmo de paisagens dentro de uma propriedade. As cultivares de A. pintoi registradas no Brasil (Quadro 2) originalmente tiveram recomendação de uso para condições ecológicas ou sistemas de exploração bastante específicos, por conta da forma como foram introduzidas, selecionadas e validadas para produção animal. Assim, a cultivar Amarillo MG-100 foi lançada inicialmente no Estado de São Paulo, a cultivar Alqueire-1 no Estado do Rio Grande do Sul e a cultivar Belmonte para o Sul da Bahia. Com a ampliação do estoque de conhecimento e de experiências de pecuaristas inovadores, ampliaram-se os domínios ecológicos, as modalidades de uso das cultivares e até mesmo a forma como alguns profissionais da pesquisa e produtores passaram a tratar o tema das leguminosas em pastos consorciados. Além do Sul da Bahia, a cultivar Belmonte é a mais recomendada e disseminada na Região Norte, graças ao trabalho de validação tecnológica realizado pela Embrapa Acre (Valentim et al., 2001). Da Região Sul, onde foi selecionada pela tolerância ao frio, a cultivar Alqueire-1 já foi introduzida por pecuaristas no Sudeste e no Centro- Oeste do Brasil (Perez, 2004). Por sua vez, a cultivar Amarillo MG-100 tem sido a mais disseminada nas diversas regiões, favorecida pelo pioneirismo de seu lançamento, pela recomendação regionalizada das demais cultivares e pela facilidade

que as sementes proporcionam para a logística de distribuição e para o estabelecimento e persistência das pastagens em alguns locais. Além disso, é a cultivar com maior estoque de conhecimento gerado fora do Brasil, o qual foi adaptado ou transferido aos pecuaristas. No entanto, o desenvolvimento desse cultivar tem sido bastante errático ou instável, podendo ser suplantado por outras cultivares, a exemplo do ocorrido na Costa Rica com a cultivar Porvenir. Numa rede de ensaios (10 acessos pré-selecionados em parcelas sob cortes) coordenada pela Embrapa Cerrados em 11 locais na faixa tropical (Estados do AC, AP, RR, TO, MT, MS, SP, DF, BA), a cultivar Belmonte esteve entre os destaques em 8 locais e a cultivar Amarillo em dois locais, coincidentes com aqueles em que a cultivar Belmonte se destacou. Detectou-se, assim, maior adaptação e estabilidade para a produção de forragem na cultivar Belmonte em monocultivo. Nesta rede de ensaios, a cultivar Alqueire-1 não participou porque estava em fase de avaliação e era desconhecida. A cultivar Porvenir não foi incluído porque, ainda na condição de acesso, não fora apontado como promissora nas avaliações iniciais realizadas por Carvalho (1996) na Embrapa Cerrados. Saliente-se ainda que na fase de implementação da rede de ensaios, a cultivar Belmonte (acesso promissor BRA- 031828) foi lançada pela CEPLAC, uma vez que já havia sido detectada sua superioridade agronômica em relação aa cultivar Amarillo nas condições do Sul da Bahia. Não há nenhuma leguminosa tropical herbácea que possa ocupar o nicho que as cultivares de A. pintoi se propõem, aliando persistência e alto valor alimentício da forragem. Da mesma forma, por questões intrínsecas à espécie, A. pintoi não ocupará espaço algum para um grande número de situações mais desafiadoras. Até mesmo a futura cultivar, de lançamento iminente pela Embrapa, terá abrangência ecológica bem definida.

4.2.2- Clima

A. pintoi vem sendo cultivada em várias latitudes (0-30º) e altitudes (0-2.000 m) na faixa tropical e subtropical, superando os limites de sua ocorrência (13-19º S; 300- 1.100m). Deve, porém, ser cultivada preferencialmente em locais chuvosos (>1.500 mm.ano -1 ), com precipitações bem distribuídas e com estação seca de curta duração (<4 meses), pois quanto maior a estação chuvosa, maior tem sido a estação de pastejo e a produtividade de forragem. Todavia, se as chuvas forem bem distribuídas, pode sobreviver em ambientes menos chuvosos (1.000–1.200 mm.ano -1 ) ou com seca prolongada (seis meses), graças ao banco de sementes (reconstituído na estação chuvosa) e às reservas orgânicas da coroa e do sistema radicular, que também asseguram tolerância ao frio, sobrevivência após geadas e o cultivo em regiões frias ou secas de maior altitude. Com base na retenção e emissão de folhas, A. pintoi é menos tolerante à seca do que A. glabrata e muitas outras leguminosas como Stylosanthes guianensis, S. capitata e Desmodium ovalifolium. Porém, equipara-se a outras leguminosas como, Centrosema spp. quando o sistema radicular está bem desenvolvido e distribuído (Cook et al., 2005; Fisher e Cruz, 1994). Com elevada estacionalidade na produção de forragem na faixa tropical, é uma planta para uso intensivo nas águas, não sendo recomendada para diferimento da pastagem em locais com estação seca bem definida. No Centro-Oeste do Brasil praticamente cessa o crescimento a partir de abril-maio, quando escasseiam as chuvas e a água armazenada no solo. As madrugadas frias (<15-17ºC de temperatura mínima) limitam o seu crescimento e inviabilizam a resposta à irrigação no inverno. Nas áreas mais altas, perde totalmente as folhas e há morte acentuada de estolões em meados da estação seca (julho). Daí, ser cultivada em maior escala em locais do ecossistema de Mata Atlântica e na região Norte, nos quais a temperatura média situa-se acima de 22º C e o balanço hídrico anual apresenta pequeno déficit. Noutros locais, tem sido recomendado o cultivo preferencial em baixadas úmidas.

Para o inverno frio e chuvoso do Sul do Brasil, a cultivar Alqueire-1 é a mais especializada, uma vez que sua seleção e desenvolvimento enfatizaram a tolerância ao frio/geada. Nestes locais mais frios, com risco de geadas, o banco de sementes no solo é de fundamental importância para posterior regeneração do pasto, daí a cultivar Amarillo também ser utilizada no Paraná.

4.2.3- Solo

  • A. pintoi pode ser cultivada em solos de qualquer textura. Todavia, desenvolve-se

melhor em solos de textura média. Em locais com chuvas escassas ou mal

distribuídas, deve-se preferir os solos com maior capacidade de armazenamento de água (argilosos; maior teor de matéria orgânica; várzeas) para prolongar a estação de pastejo. Quando bem estabelecida, sobrevive a curtos períodos de alagamento, sendo mais tolerante a solos mal drenados que o A. glabrata e a maioria das leguminosas herbáceas (Cook et al., 2005), porém sem a mesma adaptação que a gramínea Brachiaria humidicola. Em geral, A. pintoi é muito mais sensível ao alagamento do que à déficits hídricos temporários, com reflexos mais acentuados sobre o sistema radicular (Fisher e Cruz, 1994).

  • A. pintoi é considerada uma planta adaptada a solos de baixa fertilidade (Vilela et

al., 2000; Rao e Kerridge,1994). No entanto, é mais exigente que as leguminosas dos gêneros Stylosanthes e bem menos exigente que leguminosas dos gêneros Neonotonia, Macroptilium e Medicago. Estes referenciais de adaptação devem ser considerados por ocasião do uso das diversas recomendações (regionais ou estaduais) de calagem e adubação de pastagens. Também levar em conta que mesmo tolerante a solos ácidos (pH 4,0-7,0) e a altas concentrações de alumínio (70%), A. pintoi deve ser cultivada em solos com pH (H 2 O) próximo a 5,5 ou com saturação por bases (V %) de no mínimo 30-35%. E que, em geral, responde menos à calagem e à adubação potássica do que à aplicação localizada de fósforo no sulco de plantio (Góis et al., 1996; Vasconcelos et al., 1998). Também é uma planta eficiente na aquisição de

fósforo em solos com baixos teores deste nutriente e a partir de fontes pouco solúveis (Rao e Kerridge, 1994). Estabelece associação com micorrizas, sendo apontada como pequena ou, por vezes, grande a dependência das mesmas para a aquisição de P do solo e para incrementos na produção de forragem. Tem ainda menor exigência de cobre e molibdênio quando comparada com outras leguminosas como Stylosanthes e Macroptilium, e demanda similar de zinco. Mesmo assim, zinco e cobre estão entre os micronutrientes mais demandados (Rao e Kerridge, 1994, Vasconcelos et al., 1996; Santos et al., 2001; 2002). Assim como o A. glabrata, A. pintoi tem baixa tolerância a solos salinos (FAO, 2006). Para ajustar a fertilidade do solo para o cultivo inicial, convencionalmente a calagem deve ser prévia, em área total, e no plantio aplica-se o fósforo (principalmente), o potássio, o enxofre e os micronutrientes na cova ou no sulco. Sempre que possível, o potássio deve ser aplicado em cobertura, quando os estolões e o sistema radicular estiverem melhor desenvolvidos. As adubações de manutenção, geralmente com menores quantidades que as utilizadas no plantio ou semeadura, podem ocorrer numa freqüência anual ou bienal, conforme diagnóstico da necessidade. A adubação de plantio, sobretudo com fósforo, tem proporcionado incrementos de mais de 100% na massa de forragem acumulada na fase de estabelecimento. Deve-se salientar, porém, que as exigências nutricionais de Arachis pintoi dependerão da modalidade de uso, sendo mais elevadas nos sistemas mais intensivos de produção animal, bastante freqüentes nesta espécie. Nestes casos, o cultivo em solos de média a alta fertilidade ou a elevação gradual da fertilidade, mediante adubações de manutenção, devem ser adotados. Ademais, uma maior atenção deve recair sobre o monitoramento da produtividade e a composição botânica na área.

  • 4.2.4- Fixação simbiótica de nitrogênio e reciclagem de nutrientes

A. pintoi tem capacidade de estabelecer, de forma promíscua, a simbiose com bactérias fixadoras de nitrogênio (N) atmosférico dos gêneros Rhizobium e Bradyrhizobium, que ocorrem naturalmente em diversos tipos de solos. Este aporte de N dispensa a necessidade da adubação nitrogenada e contribui para a sustentabilidade e produtividade do sistema solo-planta-animal, sendo este o maior apelo ao seu uso em pastagens. Numa estimativa otimista de Argel e Villarreal (1998), A. pintoi cultivar Porvenir pode fixar até 300 kg.ha -1 .ano o de N. Para a cultivar Belmonte, estima-se a fixação de 80-120 kg.ha -1 .ano de N em pastagens no sul da Bahia (Pereira, s.d.). No Mato Grosso do Sul, Miranda et al. (2003) estimaram fixação de 99 kg.ha -1 de N em estandes puros da cultivar Belmonte com cerca de dois anos de idade. Outros acessos da mesma espécie fixaram de 26 a 86 kg.ha -1 de N. Estas variações dependem do genótipo e do ambiente (em sentido amplo) de cultivo. Todavia, guardam correlação direta e estreita com a produtividade de forragem ou, por extensão, com adaptação agronômica e o manejo da cultivar. Na parte aérea de A. pintoi, a proporção de N que é derivado da fixação simbiótica varia de 40 a 90 %. Nas plantas mais adaptadas é superior a 80% seja na condição de monocultivo (Miranda et al., 2003) ou de consórcio (Thomas, 1994). No sistema radicular, que tem grande influência na fitomassa de A. pintoi, Argel e Villarreal (1998) relataram trabalhos em que a proporção de N derivado da fixação simbiótica situa-se acima de 50%. Estes números evidenciam o papel que as cultivares bem adaptadas de A. pintoi podem desempenhar em prol da recuperação de áreas degradadas e na sustentabilidade e produtividade das pastagens em regiões onde o acesso a fertilizantes nitrogenados ainda é inviável ou restrito. Por ser considerada promíscua, A. pintoi tem sido rotineiramente cultivada com sementes ou mudas não inoculadas. No entanto, nas áreas em que A. pintoi ainda não foi cultivada, as populações infectantes de rizóbio podem estar em níveis muito baixos, o que pode levar a uma baixa capacidade de infecção natural e de fixação de

N (Sá et al., 2001). Este fato pode até explicar o lento estabelecimento e o fraco ou instável desenvolvimento de alguns genótipos em vários locais no Brasil. É reconhecida a interação estirpe – hospedeiro em A.pintoi. Após processo de seleção, Purcino et al. (2000) recomendaram as estirpes SEMIA 6439 e 6440 para a inoculação de A. pintoi em cultivos no Cerrado. Estas estirpes proporcionaram, a curto e longo prazo, em condição de campo, aumentos na produtividade de forragem (6-52%) e nos teores de nitrogênio (3-74%) na parte aérea, principalmente em solos de áreas degradadas, ou pobres em N ou sem histórico de cultivo com a leguminosa A. pintoi. Noutras condições, os benefícios ocorrerão a longo prazo. Já a estirpe de Bradyrhizobium CIAT 3101, recomendada na Austrália, Costa Rica e Colômbia (Argel e Villarreal, 1998; Thomas, 1994) para as cultivares Amarillo e Porvenir, não se mostrou efetiva no Brasil (Purcino et al., 2003). A imobilização de estoques expressivos e a baixa taxa de reciclagem de N nas pastagens tropicais é apontada como uma das causas de declínio na produtividade de forragem. Nesse sentido, numa dada composição botânica, a reciclagem de N nos pastos consorciados de A. pintoi é maior e mais rápida que a registrada em pastagens exclusivas de gramínea ou naqueles pastos consorciados com outras leguminosas herbáceas tropicais (e.g. Desmodium; Stylosanthes). Isto porque a melhor composição (teores e conteúdos de C, N, taninos) da forragem e da serapilheira favorecem a atividade biológica e a mineralização do N. Da mesma forma, as maiores taxas de lotação registradas em pastagens com A. pintoi, cuja forragem é bastante aceita pelos animais, favorecem a ingestão de N pelos animais, o que amplia e acelera a reciclagem de N via excreta, principalmente na estação chuvosa. Assim, o aporte diferenciado de N oriundo da serapilheira ou das excretas modulará a produtividade de forragem em patamares mais elevados. No entanto, caso não haja o monitoramento e o controle da condição da pastagem, o maior aporte de N poderá até afetar a estabilidade da consorciação, por favorecer o crescimento da gramínea acompanhante (Oliveira et al., 2003; Pereira, 2002; Thomas, 1995).

  • 4.2.5- Propagação e estabelecimento

A propagação do A. pintoi ocorre por sementes (a rigor segmentos de frutos) ou por via vegetativa, a partir de segmentos de raízes, de ramos eretos (=aéreos), de ramos prostrados (=estolhos), ou propágulos enraizados. Tanto a cultivar Belmonte (estolões) como a cultivar Alqueire-1 (estolões; ramos aéreos e raízes) têm sido propagados somente por via vegetativa. O primeiro por ser um péssimo produtor de sementes (<50 kg.ha -1 ) e o último por ser ofertado para a comercialização apenas a parte vegetativa, apesar de sua capacidade de produzir sementes. Já a cultivar Amarillo tem sido comercializada e propagada apenas por meio de sementes, embora possam ser propagadas vegetativamente. O mesmo ocorrerá com a futura cultivar da Embrapa. Os estolões de A. pintoi apresentam maior capacidade de colonização que os rizomas de A. glabrata. Mesmo assim, o seu estabelecimento pode ser considerado muito lento, constituindo-se numa das principais limitações da espécie, sendo objeto de investigação nas coleções (Carvalho, 1996; Pizarro, 2001; Valentim et al., 2003) e nos programas de melhoramento da espécie (Castro, 2003). Dependendo da fertilidade do solo, do regime hídrico, do modo de propagação e da densidade de propágulos, na maioria das vezes somente na segunda estação chuvosa (pós-plantio) é que ocorrerá a estabilidade na cobertura do solo, na produção de forragem e na composição botânica. Apenas em curto prazo (< 3-5 meses), a propagação por sementes propicia maior cobertura do solo, menor tempo de crescimento das plantas e maior tolerância aos veranicos, por conta do sistema radicular mais robusto. A longo prazo (>10-12 meses; estação chuvosa seguinte), as diferenças tendem a ser mínimas. No entanto, a propagação por sementes tem propiciado, para alguns genótipos, o estabelecimento de um banco de sementes significativamente maior em curto prazo, o que praticamente elimina o risco de insucesso no estabelecimento (Balzon et al., 2005), mesmo que lentamente.

Para atenuar o lento estabelecimento são necessários um bom preparo do solo, um bom controle da competição por luz com a forrageira acompanhante e as invasoras (via pastejo, roçada, herbicidas, preparo do solo, manejo da adubação), a adubação, o plantio na época chuvosa (sem veranicos) ou sob irrigação e o uso de quantidades adequadas de propágulos vigorosos (sementes sadias não-dormentes e “mudas” maduras ou estolões com 4-5 gemas maduras). O uso de maiores quantidades de propágulos e até mesmo a maior utilização das cultivares no estabelecimento de pastagens têm sido limitados pelo alto custo das operações de plantio e/ou de aquisição dos mesmos (Sementes US$ > 30.kg -1 ; Mudas US$ 10.kg -1 via correios). Isto porque os propágulos são importados e produzidos com uso intensivo de mão-de-obra (sementes) ou são perecíveis e volumosos (“mudas”). Tal fato, tem levado a recomendações de plantio em taxas ou densidades próximas do limiar de risco para um rápido estabelecimento de pastagens e, certamente, distante do ideal (>15 kg sementes.ha -1 ; 250-600 kg.ha -1 de mudas) que atualmente é impraticável em muitos locais e em maior escala. Apesar da praticidade que as sementes propiciam para o estabelecimento e da maior mão-de-obra envolvida na propagação vegetativa, uma alternativa para os altos custos dos propágulos tem sido a aquisição de uma quantidade inicial dos mesmos para a formação de pequenas áreas de multiplicação no âmbito da propriedade que, posteriormente, fornecerão as mudas para a expansão do cultivo, graças à capacidade de propagação vegetativa de todas as cultivares. Esta fase inicial de multiplicação na fazenda é até oportuna, pois possibilita um primeiro contato do produtor com a cultivar antes da utilização em maior escala e oferece um indicativo inicial de adaptação da planta ao local de cultivo. A taxa de multiplicação vegetativa (1ha:20-100ha) varia com a produtividade de massa no local, o número de colheitas possíveis numa mesma área, a modalidade de estabelecimento (sulco, cova, superfície+enterrio) e se o uso da pasto será em consórcio com gramíneas ou puro. Maiores taxas (1ha:50-100 ha) têm sido

registradas no Estado do Acre por conta da maior produtividade e do tamanho da estação chuvosa e da modalidade de cultivo mais recomendada (sulco ou cova) (Valentim et al., 2001; 2002). No sul da Bahia (1ha:20ha) (Pereira, s.d.) e na porção oeste do Cerrado (1ha:10ha) as taxas são menores. Em locais mais altos do Cerrado (>1.000 m), por conta da queda das folhas e da morte dos estolões com a seca e o frio do inverno, é maior o tempo necessário para a obtenção de mudas vigorosas na estação chuvosa seguinte, implicando plantios mais tardios das novas áreas de expansão. Estes plantios mais tardios e o crescimento lento das plantas atrasam o pleno estabelecimento das pastagens, que rotineiramente ocorre na segunda estação chuvosa, com a ajuda do banco de sementes. As mudas devem ser provenientes de plantas em crescimento livre de pastejo ou desfolhação recentes, com caules eretos e prostrados, grandes, maduros, de áreas livres de invasoras, pragas e doenças severas. No Cerrado seriam áreas com plantas de no mínimo 12 meses de idade. As mudas são obtidas pelo corte (mecânico ou manual) e remoção de toda a parte aérea e de estolões, preservando-se as coroas das plantas, que eventualmente poderão ser utilizadas, o que implicará maior mão-de- obra na coleta e atrasos na regeneração da área. O propágulo deve ser usado o mais rápido possível, embora tolere transporte e armazenamento por curto período (7-10 dias), sem compactação excessiva, sempre em abrigo, na ausência de sol e vento e com umedecimento freqüente dos caules cortados (Valentim et al., 2002; Perez, 2004). Para maior rendimento, numa situação com baixa oferta de mudas, os estolões devem ser divididos em segmentos de 20-40 cm (=mudas com + 4 gemas) que poderão ser menores se a área a ser plantada possibilitar a irrigação. Pequenas quantidades de mudas já divididas podem ser transportadas parcialmente desfolhadas, envoltas em papel umedecido ou parcialmente imersas em água (Valls e Pizarro, 1994). As sementes (segmentos de frutos; 4-7 por grama) são comercializadas ainda com o pericarpo, não havendo necessidade de debulha ou de rompimento do mesmo

para a semeadura (Pereira et al., 1996). Pureza de 70 % e germinação de 60 % são os padrões mínimos para comercialização das sementes de A. pintoi no Brasil (MAPA,

2006).

No plantio, para evitar o dessecamento e acelerar a formação de novas raízes, a maior proporção (50-75%) da muda deve ser enterrada inclinada para que a porção mais externa da muda também possa rapidamente tocar a superfície do solo e também enraizar. A semente também deve ser coberta (2-4 cm) para evitar predação por aves e roedores. Qualquer que seja a modalidade de estabelecimento (muda ou semente), a compactação do solo após a repicagem, transplantação ou semeadura é imprescindível para assegurar maior pegamento das mudas e menos tempo para germinação das sementes e emergência das plântulas. A eficiência de pegamento das mudas (estolões) varia até mesmo com o genótipo. Valores na faixa de 70-90% são considerados satisfatórios para mudas vigorosas, com plantio na época oportuna, sem ocorrência de veranicos, e tomados os cuidados já descritos. A coroa da planta com raiz assegura maior pegamento, mas demanda maior mão-de-obra para obtenção e a taxa de multiplicação da área cai bastante, não sendo a forma de propagação mais utilizada. Na formação de áreas ou faixas exclusivas de A. pintoi, os espaçamentos recomendados mais freqüentemente têm sido de 0,5 a 1,0 m entre as linhas (2-4 cm de profundidade) ou sulcos (10-15 cm profundidade), respectivamente, para o plantio de sementes (>8 sementes.m -1 ) ou mudas (>4-8 estolões.m -1 ; ideal >16 estolões.m -2 ). Na formação de pastos consorciados, reduz-se pela metade a necessidade de propágulos da leguminosa. Assim, em plantio simultâneo ou defasado da gramínea, adota-se a proporção 1:1 de linhas ou sulcos da leguminosa e da gramínea, num espaçamento final de 0,5 m entre a gramínea e a leguminosa. Se a gramínea for semeada a lanço, a leguminosa deve ser plantada no espaçamento de 1,0 m. Em locais mais chuvosos, para redução de custos, também pode ser utilizado o plantio das mudas em covas (15 cm profundidade) no espaçamento de 1,0 x 0,5 m e de 0,5 x

0,5 m, utilizando-se de 2 a 6 mudas por cova. Nas áreas com gramíneas já estabelecidas a introdução de A. pintoi deve ser precedida de rebaixamento intenso do pasto (pastejo ou roçada), com ou sem revolvimento do solo ou a aplicação de dessecantes nos locais (faixas, linhas, sulcos ou covas) de introdução das sementes ou mudas. Nestas áreas, o plantio das mudas em sulcos ou em covas tem-se mostrado mais adequado porque apresenta menor custo e não afeta significativamente a cobertura e a produtividade da gramínea já estabelecida. No plantio manual em covas, deve-se priorizar os espaços com solo descoberto por causa da maior facilidade para o coveamento e para atenuar a competição por luz e espaço, sendo bastante factível em áreas em processo de degradação ou com declínio na produtividade. Na introdução de A. pintoi em pastagens já estabelecidas, as áreas não devem ser pastejadas ou adubadas (em área total) após o plantio até que as plantas da leguminosa (mais aceitáveis) estejam firmemente enraizadas e emitindo folhas novas. Eventualmente, o pastejo por bovinos pode ocorrer de forma rápida para redizir a competição. Deve ser evitado ou bem monitorado o acesso de caprinos e ovinos nos primeiros pastejos. Já naquelas situações em que há abundância de mudas, o plantio pode ser simplificado. Após o preparo convencional do solo, as mudas são distribuídas a lanço na superfície do solo, seguida da fragmentação e incorporação das mesmas com grade niveladora e posterior passagem do rolo compactador. Dependendo da forma de obtenção das mudas, da modalidade e da densidade de plantio, serão necessário de 10 a 20 dias-homem.ha -1 (Fonseca et al., 1996; Valentim et al., 2001, 2002; 2003; Perez, 2004; Perin et al., 2003; Machado et al., 2005). Aumentar a taxa de semeadura ou a quantidade de mudas na área traz repercussões diretas sobre a produtividade em curto prazo (primeira estação chuvosa) e antecipa a utilização da pastagem. Porém, acarreta aumentos significativos nos custos de implantação, mesmo no plantio com mudas produzidas na propriedade. Em longo prazo (12-24 meses) é possível que áreas estabelecidas com menores

quantidades ou densidades de propágulos se equipararem em produtividade àquelas formadas com maiores densidades. Para tanto, se usadas baixas densidades de propágulos, as áreas devem ser precedidas ou acompanhadas de um bom controle de invasoras, de um adequado manejo do pastejo e, principalmente, as plantas terem a capacidade e a possibilidade de constituírem um banco de sementes razoável já na primeira estação chuvosa. Caso haja a possibilidade ou a necessidade de ajustes na densidade de propágulos para formação de pastagens com A. pintoi, isso deve ocorrer preferencialmente com o aumento da densidade dentro das linhas ou sulcos de plantio e não com o aumento do número de linhas ou sulcos de plantio na área. Por outro lado, se forem necessárias reduções, que elas ocorram no número de linhas ou de sulcos de plantio (Fonseca et al., 1996; Perin et al., 2003; Machado et al., 2005). A. pintoi tem mais atenuantes para o alto custo de implantação do que A. glabrata (horizonte de amortização e retornos mais rápidos), pois se estabelece mais rapidamente e os propágulos têm menor custo de multiplicação na propriedade.

  • 4.2.6- Compatibilidade e persistência

A. pintoi tem-se mostrado compatível e estável com várias gramíneas reconhecidamente competitivas e adaptadas a pastejos intensos e freqüentes, tendo ainda a capacidade de compor significativamente a dieta animal na estação chuvosa, graças à alta aceitabilidade de sua forragem, diferentemente de outras leguminosas tropicais (Stylosanthes, Desmodium) que dependem da baixa seletividade nas águas para se tornarem competitivas quando em consórcio. O grande número e a localização próxima ao solo dos pontos de crescimento, o crescimento prostrado, com estolões que enraízam facilmente, o significativo banco de sementes que algumas cultivares estabelecem, bem como a tolerância ao sombreamento são determinantes para o êxito de consorciações com B. brizantha (cv. Marandu e MG- 4), B. decumbens (cv. Basilisk), B. humidicola (cv. Llanero, cultivar Tully), Panicum

maximum x P. infestum (cv. Massai), Panicum maximum cv. Tanzânia-1, Paspalum atratum (cv. Pojuca), Cynodon (Coast Cross, Estrela Africana, Tifton-85), Pennisetum purpureum (anã cultivar Mott), Paspalum notatum (cv. Pensacola), Paspalum maritimum, espécies de Digitaria e Axonopus, além de forrageiras de inverno (perenes e anuais) e pastagens nativas (Lascano, 1994; Argel e Villarreal, 1998; Barcellos et al., 1997; Pizarro et al., 1997; Andrade et al., 2006; Cook et al., 2005; Perin et al., 2006). São combinações com plantas contrastantes quanto à morfologia, fenologia e referenciais de manejo, evidenciando uma grande versatilidade da leguminosa. Para tanto, além da morfologia, a tolerância ao sombreamento, a capacidade de colonização e, ou agressividade e a constituição de banco de sementes são diferenciais presentes em cultivares de A. pintoi. Apesar do estabelecimento lento, seu crescimento é mais rápido que o da A. glabrata o que contribui para uma maior participação inicial na composição botânica dos pastos. Participação que aumenta com o tempo, se bem gerenciada a competição, via manejo do pastejo e da adubação (Lascano, 1994; Pereira, s.d.), como em outros pastos consorciados. Há grande variação entre genótipos para a capacidade de colonização inicial (Carvalho, 1996). Inicialmente, A. pintoi prioriza o crescimento horizontal, colonizando os espaços vazios, para posteriormente adquirir hábito de crescimento mais ereto, em particular a cultivar Belmonte cujo esforço reprodutivo é mínimo, pela baixíssima produção de sementes. A tolerância ao sombreamento é crítica para o sucesso de leguminosas herbáceas em pastos consorciados. A. pintoi é mais tolerante ao sombreamento que A. glabrata e até mesmo algumas gramíneas. Sob forte competição por luz, A. pintoi aumenta substancialmente o tamanho dos folíolos como mecanismo de compensação. Por vezes, experimenta redução na produção de massa proporcional ou não à redução na radiação incidente (Andrade e Karia, 2002; Andrade et al., 2004). Em ambientes mais secos, o sombreamento diminui a evapotranspiração, retardando a manifestação do déficit hídrico em relação à uma condição de pleno sol, o que favorece as atuais

cultivares de A. pintoi que têm baixa tolerância à seca. Em locais chuvosos, em que a restrição hídrica é mínima, o principal modulador da resposta tende a ser a radiação e a temperatura nas áreas sombreadas. Outra característica decisiva para a persistência de algumas cultivares é o tamanho do banco de sementes que essas são capazes de constituir. Há relatos de bancos de sementes variando de até 3.700 kg.ha -1 , dependendo da gramínea acompanhante, da idade do consórcio, do acesso de A. pintoi (cultivar Amarillo 300 a 1.200 kg.ha -1 ; cultivar Belmonte <10 kg.ha -1 ) e do ambiente de cultivo (Carvalho, 1996; Barcellos et al., 1997; Pizarro et al., 1997). Nas cultivares que produzem sementes, o banco de sementes de A. pintoi em monocultivo é superior a 300 kg.ha -1 com pouco mais de 5-6 meses do estabelecimento (mudas ou por sementes). Numa condição de pastejo e de consórcio este banco de sementes no solo poderá ser menor, porém suficiente para assegurar uma nova geração de plantas na estação chuvosa seguinte e consolidar o estabelecimento da leguminosa ou ainda recompor a população de plantas no caso da ocorrência de fogo, geadas, seca severa ou superpastejo. A ativação deste banco de sementes pode afetar substancialmente a disponibilidade de forragem e a composição botânica da pasto consorciado no início da estação chuvosa (Andrade et al., 2006). Por isso, em situações muito desafiadoras (e.g. frio extremo), cautelarmente, a preferência deve recair sobre as cultivares e manejos na fase de estabelecimento que permitam formar este banco de sementes inicial. Para tanto, mais uma vez a competição entre gramínea e leguminosa acompanhante deve ser minimizada. Por sua morfologia e hábito de crescimento, A. pintoi pode ser pastejada muito baixa (5 cm) sem afetar sua persistência. O que de fato ocorre na maioria das vezes pela alta seletividade exercida pelos animais em pastejo. Todavia, a altura de manejo da planta acompanhante interfere na produção e na forma de crescimento do A. pintoi, expondo um pouco mais os pontos de crescimento da leguminosa ao pastejo seletivo. Assim, mesmo plantas de porte alto, como Panicum maximum, Paspalum

atratum e algumas cultivares de Brachiaria brizantha devem ser manejados mais baixos do que o habitual, quando consorciadas com A. pintoi para não induzir ao crescimento mais ereto em detrimento do prostrado. Nos pastos consorciados de A. pintoi há, comumente, uma relação inversa entre a oferta de forragem ou altura do pasto com a massa de A. pintoi e a participação da mesma na composição botânica. Todavia, no caso do plantio ou semeadura de A. pintoi em faixas na pastagem, se por um lado favorece o estabelecimento da leguminosa, por outro, acentua a seletividade dos animais em pastejo, o que tem afetado a persistência e a produtividade do A. pintoi sempre pastejado intensivamente. Tal fato é mais freqüente quando há um contraste muito acentuado entre o valor nutritivo da forragem da gramínea (e.g. B. humidicola, Paspalum atratum) e do A. pintoi. Constraste que acentua-se com os ciclos de pastejo. Para atenuar, estabelecer faixas mais estreitas e em maior número, em vez de poucas faixas largas por piquete. Em áreas experimentais e em propriedades particulares há registros de situações em que A. pintoi foi ou vem sendo pastejado há mais de 10 anos (Pereira, 2002). Plantas de A. pintoi vêm sendo expostas a regimes de manejo desafiadores em vários ambientes. A persistência, muito além da mera sobrevivência, tem sido algo peculiar aas cultivares de A. pintoi.

  • 4.2.7- Pragas, doenças e invasoras

A. pintoi tem sido atacada por formigas cortadeiras (Atta, Acromyrmex) na fase de estabelecimento. Os estolões de plantas adultas também podem ser atacados por cochonilhas. No entanto, a ocorrência mais freqüente é o ataque do ácaro Tetranychus ogmophallos, de cor vermelha e que tece uma teia branca na folhagem, principalmente no período do outono-inverno em plantas pouco desfolhadas. Ferreira e Flechtmann (1997) registraram uma nova espécie de ácaro (Aceria pintoi), que ocorre em A. pintoi cultivada em Planaltina-DF.

Várias doenças podem incidir em A. pintoi, porém sem ocasionar grandes danos, principalmente nas áreas pastejadas freqüentemente, que têm menor quantidade de inóculo. Diferentemente do A. glabrata, o germoplasma de uma grande coleção não foi atacado pela ferrugem (Puccinia arachidis) e teve baixa incidência de Ascochyta sp., de antracnose e da queima das folhas (Leptosphaerulina arachidicola). A mancha castanho (Cercospora spp.) tem prevalecido, porém sem ocasionar mortes (Charchar e Pizarro, 1995). Mais recentemente, Charchar et al. (2004) relataram novamente a ausência de ferrugem, porém numa maior incidência das demais doenças numa outra coleção de A. pintoi avaliada em Planaltina-DF. As doenças mais severas foram a antracnose e a queima das folhas, que também não ocasionaram mortalidade de plantas. A podridão do colo Sclerotium rolfsii não ocorreu na cultivar Belmonte, mas Fusarium ocorreu em todos os acessos (cultivar Belmonte e Amarillo), podendo ser transmitida pelas sementes. Da mesma forma, a mancha castanho (Cercospora spp.) ocorreu em todos os acessos, mas sem causar mortalidade. Além das doenças mais comuns em Arachis, outras doenças como Phaeoisariopsis personata, Phomopsis sp., Periconia sp., Cylindrocladium sp., Sphaceloma arachidis e Rhizoctonia solani têm sido relatadas em outros países sem causar grandes danos ao cultivo da leguminosa em pastagens. No entanto, por conta de ser hospedeiro, o uso de A. pintoi como planta para cobertura tem sido evitado em algumas situações para impedir a transmissão à culturas mais susceptíveis (e,g. Anonáceas). Também tem sido evitado o cultivo em algumas situações porque tem atraído roedores que predam suas sementes e também provocam danos a cultura principal. A cultivar Amarillo tem-se mostrado resistente ou tolerante a vários nematóides do gênero Meloidogyne spp. e susceptível a Pratylenchus brachyurus (Cook et al., 2005). Também há o registro da ocorrência natural de Peanut mottle Potyvirus em A. pintoi cultivado no Cerrado (Anjos et al., 1998). Apesar do crescimento inicial mais rápido que o do A .glabrata, A. pintoi pode ser bastante afetada em áreas de cultivo exclusivo (banco de proteína, produção de

sementes) nas quais o preparo do solo e o controle de invasoras na fase pré-plantio não ocorreram adequadamente. Nesse caso, o controle químico de invasores pode ser necessário. Em trabalhos conduzidos na Costa Rica, Argel e Villarreal (1998) apontaram o alacloro (=alachlor) como seletivo ao A. pintoi cultivar Porvenir, quando aplicado em pré-emergência (2.500 g.ha -1 i.a. - ingrediente ativo ). Já Fergunson et al. (1999) apontaram A.pintoi como tolerante em pós-emergência ao acifluorfem (=acifluorfen – 448 g.ha -1 de i.a., sem registro no Brasil. Acifluorfem- sódico com registro), bentazona (=bentazone; 1.440 g.ha -1 i.a.), 2,4-D (500 g.ha -1 i.a.), 2,4-DB (sem registro no Brasil, 1.600 g.ha -1 i.a.), setoxidim (=sethoxydim, 372 g.ha -1 i.a.) e fluazifope-P-butílico (=fluazifop-P-butyl, 212 g.ha -1 i.a.). Cook et al. (2005) descreveram A. pintoi como sendo susceptível ao metsulfurom metílico (=metsulfuron-methyl) e ao glufosinato (=glifosinate). No Brasil, apenas os herbicidas 2,4-D e o metsulfurom metílico têm registro para uso em pastagens e a bentazona e o alacloro para uso no amendoim comum (A. hypogeae). Bentazona controla folhas largas e setoxidim e fluazifope-P-butílico controlam folhas estreitas. (MAPA, 2006). Como são poucos os herbicidas registrados para uso em pastagens, numa condição muito crítica é recomendado o cultivo prévio da área com espécies cujos tratos culturais previstos permitam reduzir invasoras para o cultivo da leguminosa em sucessão.

5-USOS

5.1-Arachis glabrata Nos Estados Unidos, tem prevalecido o cultivo puro de A. glabrata em sistemas intensivamente manejados para produção de forragem de qualidade na estação quente e chuvosa. Predominam as áreas, muitas delas irrigadas, destinadas à produção de feno, silagem e pré-secado (haylage) para eqüinos, bovinos de leite e bovinos de corte. O feno também pode ser utilizado na alimentação de caprinos,

suínos e aves (fonte de xantofila). Os pastos consorciados são mais usados na engorda de bovinos de corte, mas sem restrições para as demais categorias animal. Pastagens de A. glabrata também são utilizadas de forma integrada, no mesmo

espaço, para o cultivo de cereais e forrageiras no inverno (Cook et al., 2005; Rich et al., 1995; French et al., 1994).

  • A. glabrata também pode ser cultivada como planta para cobertura na fruticultura

(EUA, Brasil, Austrália e Indonésia) e na silvicultura, estando associada ou não à produção animal. Além do uso na proteção de taludes e em paisagismo (FAO, 2006; Neves et al., 1998; French et al., 1994; Cook et al., 1994). Dependendo da modalidade de cultivo alternativo e do ambiente, a A. pintoi tende a ser mais efetiva e adaptada que a A. glabrata, por conta do estabelecimento mais rápido e da relativa maior tolerância ao sombreamento. Ademais, sob sombreamento artificial, a forragem de A. glabrata cv. Florigraze diminui o seu valor nutritivo (Johnson et al., 2002).

5.2-Arachis pintoi

  • A. pintoi tem sido mais utilizada no estabelecimento de pastos consorciados com

diversas gramíneas em sistemas de produção de bovinos de corte e de leite que são intensificados pela maior taxa de lotação e a maior qualidade da forragem. Outros herbívoros, como eqüinos, ovinos e caprinos também podem consumir sua forragem sem restrições, pois não há fatores anti-nutricionais em níveis críticos. Também há relato de usos em sistemas alternativos de criação de suínos e aves (criados ao ar livre) e bovinos (fazendas orgânicas), bem como na alimentação de coelhos e avestruzes. Na produção de bovinos as pastagens são manejadas intensivamente nas águas, principalmente em locais com estação seca bem definida. Para alongar a estação de pastejo tem-se recomendado o plantio ou semeadura nas baixadas úmidas e em regiões com estação chuvosa mais longa. Nos locais mais chuvosos, também vem

sendo utilizado como banco de proteína de modo a reduzir a suplementação concentrada na alimentação de bovinos de leite (Argel e Villarreal, 1998). Todavia, fora do trópico úmido não é recomendada a utilização em pastagens diferidas ou bancos de proteína para a época seca, por conta da baixa tolerância à seca e da forte competição por luz com as gramíneas de porte alto. No sul do Brasil, com inverno chuvoso, o diferimento do pastejo é utilizado para o suprimento de forragem no outono-inverno até o momento em que as forrageiras de inverno restabelecem o equilíbrio no balanço forrageiro (Perez, 2004). Por conta de seu porte baixo, A. pintoi não vem sendo utilizada para a produção de feno, silagem ou volumoso verde para corte, embora não seja inviável. Como planta forrageira, seu uso deve estar integrado ao de outras forrageiras e de estratégias de alimentação dos rebanhos. Ademais, o alto valor alimentício, tem compensado o menor valor nutritivo de gramíneas (p.ex. B. humidicola e P. atratum), com aumentos expressivos no desempenho animal nos consórcios. Tem tido papel fundamental na diversificação, na recuperação e na intensificação de pastagens, sobretudo na Amazônia brasileira. Nesta Região, vem sendo utilizada na recuperação de pastagens de B. brizantha com declínio produtivo, graças ao aporte de nitrogênio, à maior tolerância ao pastejo que a Pueraria e à tolerância aos solos com problemas de permeabilidade/drenagem (Andrade e Valentim, 2006). Embora ainda não seja realidade no Brasil, é apontada como adequada para a produção animal em sistemas silvopastoris pela alta tolerância ao sombreamento (Andrade et al., 1999 ; Andrade e Karia, 2002). Também apresenta potencial para integração de lavoura com pecuária, no espaço e no tempo, por causa de sua plantabilidade, tolerância ao sombreamento, cobertura do solo e qualidade da forragem. Neste caso, o controle mecânico e,ou, químico é necessário e factível (Ayarza et al., 1997). Como planta multipropósito, vem sendo utilizada para cobertura verde permanente e, por extensão, como condicionadora do solo e controladora de invasoras e alguns fitonematóides. No mundo há registros do cultivo em escala

experimental e comercial em plantações de citros (Citrus), café (Coffea), maracujá (Passiflora), banana (Musa), noz macadâmia (Macadamia), tomate (Lycopersicum) e palma (Elaeis). Apesar do crescimento inicial lento, em relação a outras plantas para cobertura como Mucuna, Pueraria, Calopogonium e Crotalaria, destaca-se pela ciclagem de nutrientes, tolerância ao sombreamento, porte baixo e hábito de crescimento não volúvel (sem necessidade de roçadas ou coroamento), perenidade e grande partição de biomassa para o sistema radicular. Os estolões, a tolerância ao fogo (aceiro verde), o vigoroso sistema radicular e o caráter perene também possibilitam o uso na conservação do solo (e.g. taludes, rodovias). Por fim, bela beleza de sua folhagem, porte baixo, tolerância ao sombreamento e longo período com emissão de flores de colorido ímpar, pode ser utilizado como ornamental, a exemplo do que ocorria com as atuais cultivares Amarillo e Belmonte antes da espécie se tornar mais uma opção forrageira (Cruz et al., 1994; Argel e Villarreal, 1998; Neves et al., 1998; Andrade et al., 2002; Valentim, 2005; Espíndola et al.,

2006).

6-PRODUÇÃO DE FORRAGEM, VALOR NUTRITIVO E PRODUÇÃO ANIMAL

6.1- Produtividade de forragem

A produtividade de forragem de A. pintoi e de A. glabrata é variável com o clima, tipo de solo, gramínea acompanhante e o manejo da desfolhação. Em condição de monocultivo (Quadro 3), há registro de produtividades elevadíssimas da A. pintoi, comparáveis às registradas por gramíneas, e de produtividades muito baixas (Quadro 3). As maiores produtividades são registradas em solos férteis no trópico úmido, com altas temperaturas médias e estação de crescimento longa, na ausência de problemas fitossanitários. No mundo, as maiores produtividades em monocultivo são registradas no Brasil, no Estado do Acre. A estacionalidade é acentuada fora do trópico úmido,

mas é rápida a retomada do crescimento no início das chuvas. Baixas produtividades, inclusive em regiões chuvosas da Colômbia e do Brasil (Tocantins e Mato Grosso), decorrem sobretudo de problemas na fase de estabelecimento, com plantas de baixo vigor e capacidade de colonização. Há variações acentuadas na produtividade num mesmo local em decorrência do solo e suas relações com a planta (água, microbiologia). Geralmente são realizados de três a cinco cortes baixos (5 cm) na estação chuvosa. Na condição de pastejo, as desfolhações são muito mais freqüentes e não menos intensas. A cultivar Belmonte é, freqüentemente, a mais produtiva e com maior espectro de adaptação conhecido. Ademais, a sua produtividade é mais estável nos diversos locais, apesar de não constituir banco de sementes no solo. Sob regime de corte em monocultivo, são comuns produtividades de forragem acima de 6.000 kg.ha -1 .ano nos locais em que as cultivares de A. pintoi se mostram mais adaptadas. Raros experimentos confrontando A. pintoi com outras leguminosas herbáceas apontam para menores produtividades da A. pintoi no curto prazo (0-12 semanas na estação chuvosa), por sua lentidão no estabelecimento. Atualmente essa comparação quase sempre é impossível porque as coleções de plantas forrageiras avaliadas são monogenéricas ou mono-específicas. Ademais, impertinente na maioria das vezes porque envolvem plantas com propostas diferentes. Em A. pintoi a produção animal é priorizada na estação chuvosa pelo seu potencial produtivo e sua aceitabilidade. E um dos maiores apelos das cultivares de A. pintoi bem adaptados são os benefícios a longo prazo. A complementaridade de atributos da A. pintoi com aqueles de outras leguminosas e gramíneas forrageiras é que deve ser explorada no âmbito da propriedade.

Quadro 3 - Produtividade ou acúmulo de forragem (kg.ha -1 ) de A. pintoi e de A. glabrata em crescimento livre em diversos locais nas estações chuvosa e seca/fria

 

Cultivar

Estação

Estação

Total

 

Chuvosa

Seca/fria

Fonte

Local

ou acesso

anual

 

A. pintoi - Brasil

Acre

Amarillo

11.970

3.820

15.790

1

Acre

Belmonte

14.870

5.130

20.000

1

Acre

AP65-Acre

12.600

5.680

18.280

1

Acre

BRA-

   

23.700-

2

031143

37.800

   

5.650

4.200

   

Acre

Amarillo

(16 semanas)

(16 semanas)

-

3

   

5.200

     

Acre

AP65-Acre

(5 meses)

-

4

Amapá

Amarillo

3.258

1.533

4.791

1

Amapá

Belmonte

2.890

1.007

3.896

1

Amazonas

Amarillo

 
  • - 1.300

-

 

5

Bahia

Amarillo

616

111

727

1

Bahia

Belmonte

1.353

574

1.927

1

Distrito Federal

         

Amarillo

  • - 9.450

-

6

(Glei)

Distrito Federal

         

(Glei)

Amarillo

603

-

603

1

Quadro 3- continuação ...

 

Cultivar

Estação

Estação

Total

 

Chuvosa

Seca/fria

Fonte

Local

ou acesso

anual

 

A. pintoi - Brasil

Distrito Federal

Amarillo

-

-

6.490

1

Distrito Federal

         

(Glei)

Belmonte

6.825

-

6.825

1

Distrito Federal

Belmonte

   

8.450

1

Mato Grosso

Amarillo

0

-

0

1

Mato Grosso

Belmonte

2.340

-

2.340

1

Mato Grosso do Sul

Amarillo

-

-

2.080

1

Mato Grosso do Sul

Belmonte

-

-

7.800

1

   

1.200

     

Minas Gerais

Amarillo

(7 meses)

-

-

7

Rio Grande do Sul

Amarillo

-

-

11.200

8

       

8.000-

 

Rio Grande do Sul

Alqueire-1

-

-

12.000

9

   

1.790

     

Roraima

Amarillo

(início chuvas)

-

-

1

Roraima

 

6.870

     

Belmonte

(início chuvas)

-

-

1

São Paulo

Amarillo

2.644

-

-

1

São Paulo

Belmonte

8.472

-

-

1

Tocantins

Amarillo

854

-

854

1

Quadro 3 - continuação ...

 

Cultivar

Estação

Estação

Total

 

Chuvosa

Seca/fria

Fonte

Local

ou acesso

anual

 

A. pintoi - Brasil

Tocantins

Belmonte

965

-

965

1

 

A. pintoi - Exterior

Austrália, Sub-

         

trópico

Amarillo

-

-

6.500

10

Austrália, Trópico

Amarillo

-

-

5.200-9.600

10

Bolívia

Amarillo

180-1.820

190-2.560

-

6

(12 semanas)

(12 semanas)

   

540-2.770

330-2.830

   

Colômbia

Amarillo

(12 semanas)

(12 semanas)

-

6

Costa Rica

Amarillo

-

-

1.800-6.600

6

Costa Rica

Porvenir

-

-

2.000-7.100

6

   

2.600-4.100

     

Costa Rica

Amarillo

(12 semanas)

-

-

11

   

2.100

1.100

   

El Salvador

Amarillo

(12 semanas)

(12 semanas)

-

11

   

530-2.360

330-2.310

   

Equador

Amarillo

(12 semanas)

(12 semanas)

-

6

   

1.200

1.600

   

México

Amarillo

(12 semanas)

(12 semanas)

-

11

   

1.300

     

Panamá

Amarillo

(12 semanas)

-

-

11

Brasil, Acre

Arbrook

7.000

2.580

9.580

1

Quadro 3 - continuação ...

 

Cultivar

Estação

Estação

Total

 

Chuvosa

Seca/fria

Fonte

Local

ou acesso

anual

 

A. glabrata - Exterior

 

Brasil, Acre

Arbrook

7.000

2.580

9.580

1

       

3.000-

 

Austrália

Diversos

-

-

11.900

12

 

Florigraze,

       

EUA, Flórida

Arbrook

-

-

5.800-7.200

13

       

9.000-

 

EUA, Flórida

Arbrook

-

-

11.000

14

1- Rede Nacional de Avaliação de Arachis - 1999-2002; 2- Wendling et al. (1999); 3- Valentim et al. (1994); 4 - Balzon et al. (2005); 5 - Perin et al. (1996); 6- Pizarro e Rincón (1994); 7- Purcino e Viana (1994); 8-Dame et al. (1998); 9- Perez (2004); 10 - Cook et al. (1990); 11-Argel (1994); 12-Cook et al. (1994); 13-French et al. (1994); 14-Prine et al. (1990).

Em consórcio, a produtividade da A. pintoi diminui bastante por conta da competição. Tanto que em locais com maior produtividade animal, a massa de A. pintoi é próxima de 2.000 kg.ha -1 . Todavia, o efeito da competição é compensado na conversão alimentar pelo sinergismo proporcionado por dietas nutricionalmente mais ricas e equilibradas. A. glabrata tem seu nicho (funcional e ecológico) bem definido nos sistemas de produção animal nos Estados Unidos. Nestes e na Austrália a produtividade de forragem é restrita à estação de crescimento com valores acima de 5.000 kg.ha -1 no período. Novamente, o mais importante nesses sistemas de produção é o papel (quantidade-qualidade-momento-desempenho) que esta forragem (feno ou pastejo) proporcionará, de forma integrada e, ou complementar com outras espécies, na estação de crescimento e ao longo do ano. Diferentemente da forma de uso e manejo da A. pintoi, a participação da A. glabrata na composição botânica das pastos

consorciados é maior nos Estados Unidos. Logo, a sua produtividade de forragem em consórcio não é tão diminuída. No Brasil, o registro mais recente apontou menor produtividade da cultivar Florigraze em relação às cultivares Belmonte e Amarillo de A. pintoi em monocultivo, com estacionalidade similar (Quadro 3).

6.2 - Valor nutritivo da forragem e produtividade animal

Dois codinomes sintetizam bem o valor alimentício do amendoim-forrageiro perene para a produção animal no trópico e sub-trópico: “trevo tropical” para Arachis pintoi e “alfafa da Flórida” para A. glabrata. Em especial, a dupla A. pintoi cv. Amarillo + B. brizantha cv. Marandu detém o título de ser o pasto consorciado com leguminosa herbácea tropical campeã em produtividade animal (937 kg.ha -1 .ano de peso corporal). Tal feito só foi superado por uma arbustiva (Leucaena leucocephala, sob irrigação; 2.000 kg.ha -1 peso corporal) (Mannetje, 1997; Hernandez et al., 1995). A forragem do amendoim-forrageiro tem grande aceitação por várias espécies e categorias animais de herbívoros. Não apresenta fatores anti-nutricionais ou tóxicos aos ruminantes e eqüídeos, mesmo em dietas exclusivas de amendoim-forrageiro verde ou fenado não foram registrados problemas de timpanismo. O amendoim-forrageiro, além de altos teores de proteína, inerentes às leguminosas, apresenta baixo teor de fibras (FDN, FDA) com alta digestibilidade, com pequena variação com a idade e entre as frações folha e caule, quando comparado com outras forrageiras tropicais, principalmente as gramíneas (Quadro 4). Pela alta digestibilidade, sua forragem assegura grande aporte de energia e de proteína aos animais, além de ser rica em cálcio. Ladeira et al. (2002) estimaram em 66% a concentração de nutrientes digestíveis totais (NDT) para o feno de A. pintoi. Este teor de NDT é muito alto se comparado com o registrado por outras leguminosas e gramíneas tropicais bem manejadas (50-54%). Os teores de lignina

não são baixos (11%) que é comparável ao de outras leguminosas (Stylosanthes 12%, Leucaena 10-14% Medicago 13%) e inferior ao registrado em muitas gramíneas (B.brizantha 6%) (Valadares Filho et al., 2006). Mesmo assim, o consumo e a digestibilidade da forragem são altos. A forragem do amendoim-forrageiro tem baixa concentração (<5,5%) de taninos condensados (Jackson et al., 1996), bem abaixo da registrada para Leucaena e Desmodium, não sendo suficiente para afetar positivamente a degradação no rúmen ou negativamente o suprimento de proteína pós-rúmen (Lascano, 1994). Villarreal et al. (2005) obtiveram valores de proteína degradável no rúmen (PDR) variando de

590 a 700 g.kg -1 de proteína bruta (PB) (115 g.kg -1 matéria seca). Como referência, o farelo de soja com 48% de proteína bruta, apresenta PDR de 654 g.kg -1 de PB (Valadares et al., 2006). As informações acerca do desempenho e da produtividade animal em pastagens com amendoim-forrageiro são altamente diferenciadas e surpreendem pela magnitude e consistência (no tempo) das respostas (Quadros 5 e 6), que levou à superação de quase um mito ou corolário no universo da produção animal: a baixa persistência sob pastejo das leguminosas tropicais. No Brasil, foram poucos os experimentos que avaliaram a produção animal (Quadro 5) e poucas são as comparações com pastagens exclusivas de gramínea, tendo sido mais contemplada a avaliação de variantes no manejo do pastejo. Como a produção animal varia com o local, o ano, a estação, as cultivares envolvidas, o manejo da leguminosa, raça e categoria animal, apenas algumas generalizações ou tendências são apresentadas a partir dos quadros 5 e 6 e de outros registros na literatura sobre A. pintoi e A. glabrata.

Os registros de experimentos, principalmente em consórcio com gramíneas do gênero Brachiaria, apontam para aumentos médios na faixa de 30-40% para o desempenho e a produtividade animal anuais em relação às pastagens somente com gramíneas. Esse diferencial geralmente é maior nas situações em que o desempenho

animal é baixo nos pastos exclusivos de gramínea, com o amendoim-forrageiro estabelecendo uma forte compensação ao baixo valor nutritivo da forragem das mesmas. Também, observa-se que com A. pintoi são possíveis muitas variantes de manejo do pastejo, sendo mais comum ciclos de pastejo curtos (21 dias) como forma de gerenciar a competição no consórcio e a queda no valor nutritivo da forragem das gramíneas. As taxas de lotação mais freqüentes são de 1,4 UA.ha -1 (UA=unidade- anima=450 kg peso animal) no início da estação chuvosa ou de crescimento. Todavia, há registros de taxas de lotações médias acima de 2,5 UA.ha -1 na estação chuvosa (Quadro 5). Verifica-se também que as maiores produtividades (kg.ha -1 ) ocorrem em ambientes mais chuvosos, que possibilitam maiores taxas de lotação e maior número de dias de pastejo por causa da ausência de restrições hídricas ao crescimento da leguminosa e da gramínea. Mesmo assim, Lascano (1994) chamou a atenção para a superioridade no desempenho animal em pastos consorciados com A. pintoi mesmo na época seca, apesar de praticamente a leguminosa não compor a dieta animal pela baixa tolerância à seca (Quadro 5). Também observou que o sistema de pastejo afeta menos a produção animal do que a taxa de lotação e que à medida que se eleva a taxa de lotação, a redução no desempenho animal (ganho.animal -1 ) é menor proporcionalmente à registrada nas pastagens exclusivas de gramíneas, Genericamente, para leguminosas tropicais a literatura registra valores de 20 a 40% de participação da leguminosa na composição botânica da pastagem visando a conciliar produção animal e sustentabilidade, via reciclagem (Thomas, 1995; Pereira, 2002). Todavia, em razão do alto valor nutritivo e da seletividade dos bovinos, A. pintoi é capaz de afetar positivamente a produção animal mesmo quando a sua participação é pequena na forragem disponível (1.000kg.ha -1 ) ou na composição botânica (>15%). No entanto, práticas de manejo devem favorecer o aumento da participação da leguminosa nas situações em que a gramínea acompanhante é de baixa qualidade (P. atratum cv. Pojuca, B. humidicola) ou a exigência dos animais é

maior, principalmente por proteína, (e.g. bovinos leiteiros). Assim, como todo pasto consorciado, a composição botânica deve ser monitorada, sobretudo, até que as plantas consolidem seu estabelecimento na área. Pela sua plasticidade fenotípica e os vários mecanismos de persistência, A. pintoi e A. glabrata apresentam maior tolerância ao superpastejo ocasional, pois sua morfologia é favorável. No entanto, o compromisso em monitorar e gerenciar a competição por luz (subpastejo ou mosaicos) deve ser maior com as gramíneas de porte alto, pois variações sutis no manejo têm seus impactos amplificados e cumulativos sobre a leguminosa. Por isso, as gramíneas cespitosas de porte alto (Panicum, Pojuca, Marandu, Xaraés), em consórcio com Arachis, devem ser manejadas mais baixas do que na condição de monocultivo. Como a leguminosa é bem aceita pelos animais, a rebrotação da mesma não deve ser afetada pelo sombreamento precocemente. Andrade et al. (2006a,b,c) registraram redução de aproximadamente 50% e 70%, respectivamente, na massa de forragem e na participação da cultivar Belmonte numa pastagem com a cultivar Massai quando elevaram a altura de entrada e saída dos animais em pouco mais de 20 cm. Uma vez gerenciada a competição por luz, A. pintoi geralmente aumenta sua participação na composição botânica do pasto e na dieta animal com o aumento da taxa de lotação ou adotando-se menor massa ou altura de forragem residual na rotação de pastos (Andrade et al., 2006c). Na Bahia, após quatro anos de pastejo com lotação fixa, Santana et al. (1998) verificaram que a participação da cultivar Belmonte no consórcio com B. dyctioneura variou de 8 para 12-15% nas maiores taxas de lotação (2,4-4,0 cabeças.ha -1 ), com aumento expressivo na produtividade animal (517-709 kg.ha -1 ), e manteve-se estável na menor taxa de lotação (1,6 cabeças.ha -1 ) (313 kg.ha -1 ). A amostra de resultados com desempenho animal em A. glabrata restringe-se aos Estados Unidos (Flórida), pois não foram conduzidos trabalhos com avaliação do desempenho animal no Brasil. São valores de desempenho animal elevados quando comparados com os registrados em pastos

exclusivos de Paspalum notatum ou Cynodon na primavera-verão. Vale salientar, porém que nestas pastagens a participação da leguminosa é bastante elevada, diferentemente daquelas pastagens com A. pintoi na América Latina. Logo, são pastagens que permitem maior ingestão de nutrientes digestíveis. Informações sobre o desempenho de bovinos leiteiros pastejando amendoim- forrageiro são escassas. Nenhum trabalho foi conduzido no Brasil. O impacto direto sobre a produção diária é variável e depende do patamar de produção dos animais. Lascano (1994) mencionou incrementos de até 17% na produção diária em pastos consorciados com Cynodon. Gonzalez et al. (1996) registraram aumentos de 14%, também em pastagens de Cynodon. Como banco de proteína, tem permitido a redução de 1 a 2 kg.animal -1 .dia no fornecimento de concentrado (Argel e Villarreal,

1998).

Quadro 4 - Composição químico-bromatológica, digestibilidade e energia digestível (EDg) de A. pintoi e A. glabrata e forrageiras de referência (negrito). PB=Proteína bruta; FDN/FDA=Fibra em detergente neutro/ácido; D=Digestibilidade (- aparente); IVMS=in vitro da matéria seca; IVMO=in vitro da matéria orgânica; Ca=cálcio; P=fósforo

Local

Espécie/cultivar

PB

FDN

FDA

DIVMO*

D-PB

D-FDN

D-FDA

EDg

Ca

P

Fonte

Fração/idade

%

%

%

D-MS** (%)

%

%

%

(Mcal/kg)

%

%

Minas Gerais

S.

guianensis feno

9,8

63,7

50,1

49,2**

61,2

42,0

42,7

1.980

   

1

Brasil

Alfafa – Verde

21,1

38,6

30,6

75,0**-78,9

       

1,44

0,29

2

EUA-Flórida

Alfafa - feno

19,7

42,8

24,7

62,0**

79,0

45,0

54,0

2.800

   

3

-

Alfafa - feno

17,0

53,4

 

59,9**

70,9

         

1

Brasil

Leucaena

16,3-19,9

38,6-43,3

35,2

55,6**-61,3

45,3

51,0

 

2.620

   

1,2

 

Brachiaria

                     

Brasil

brizantha

7,0

75,0

41,5

56,9-53,3**

0,49

0,24

2

 

A.

pintoi feno 100

                     

Minas Gerais

dias

14,3

52,5

35,8

64,4**

70,0

53,6

47,2

2.450

1

Distrito

Amarillo (caule-

14,4-17,5

   

47,0-60,0

           

4

Federal

 

folha)

Distrito