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AULA: MONTAIGNE

Michel de Montaigne (1533 1592) foi um filósofo francês conhecido por sua obra denominada Ensaios (1580). Com seus Ensaios, Montaigne criou um novo gênero literário. O objetivo da obra não é solucionar um problema, nem ensinar, nem conferir a seu autor algum título de especialista em um determinado assunto. A obra apresenta-se como um conjunto de experiências ou testes e buscam registrar o movimento do pensamento do autor. Diz Montaigne:

Aqui estão minhas fantasias, pelas quais não procuro dar a conhecer as coisas, e sim a mim mesmo. Não se trata de uma autobiografia. Os acontecimentos de minha vida, e mesmo minhas ações, são menos importantes para a constituição de minha identidade do que o modo de pensar, e isso porque muitos dos acontecimentos e oportunidades de agir se devem a fatores contingentes como a compleição física ou a posição social (ou à ‘fortuna’). O que é mais próprio de mim, constitutivo de minha ‘essência’ ou identidade, tem que ter sido ‘apropriado’ por mim ou tornado meu de alguma forma, e isso só ocorre com as opiniões e pensamentos. O mais apropriado seria concebê-lo como um autorretrato, uma pintura de si.

Ao procurar pintar-se a si mesmo, Montaigne se depara com a “questão da identidade pessoal”. O que constitui o “eu”? Há algo que permaneça o mesmo e que caracterizaria o “eu”? Ora, os traços de minha pintura não se extraviam, embora mudem e se diversifiquem. O mundo

Não consigo fixar meu objeto. Ele vai confuso e

] É preciso

ajustar minha história ao momento. Daqui a pouco poderei mudar, não só de fortuna, mas também de intenção. Esse [livro] é um registro de acontecimentos diversos e mutáveis e de pensamentos indecisos e, se calhar, opostos: ou porque eu seja outro eu, ou porque capte os objetos por outras circunstâncias e considerações. Seja como for, talvez me contradiga; mas, como dizia Dêmades, não contradigo a verdade. Por isso, Montaigne escreve e reescreve, durante cerca de vinte anos, o mesmo livro. E a cada reescrita do livro, Montaigne saía diferente, pois, efetuava uma crítica de si, o que o levava a um autoaperfeiçoamento. Nesse caso, há um movimento circular entre livro e autor: Não fiz meu livro mais que meu livro me fez.

não é mais do que uma balança perene [

]

cambaleante, com uma embriaguez natural. Não pinto o ser. Pinto a passagem [

Esse tema do conhecimento de si nos faz lembrar Sócrates. E a influência socrática em Montaigne vai além e abarca o reconhecimento da própria ignorância. Que sais-je? (Que sei eu?) é a frase gravada em uma das faces de uma medalha que o próprio Montaigne mandou cunhar. Na outra face figurava o par de pratos de uma balança em equilíbrio, símbolo da suspensão do juízo e da equipolência (igual peso dos diferentes pontos de vista). Sim, é muito frequente considerar Montaigne um cético devido ao capítulo XII do Livro Segundo intitulado Apologia de Raymond Sebond. Raymond Sebond foi um médico espanhol e escreveu uma obra

intitulada Teologia Natural ou Livro das Criaturas. Nesse livro, Sebond se propôs a estabelecer

e provar, contra os ateus, todos os artigos de fé da religião cristã, baseando-se unicamente em razões humanas e naturais. Contudo, tal intento foi alvo de duras críticas. Uma delas é que defender a religião sem recorrer à fé, favoreceria os ateus devido à utilização exclusiva de ‘armas humanas’. Montaigne responderá a essa objeção humilhando e espezinhando o orgulho e

a arrogância do homem, arrancando de suas mãos as armas mesquinhas que lhe fornece a razão.

Para tanto, Montaigne defende que a razão pode ser exercida de outras maneiras e por outras criaturas que não apenas os seres humanos, subvertendo, desse modo, a concepção hierárquica

da natureza pautada na ideia do homem como animal racional e, portanto, superior aos demais. Outro argumento a favor do ceticismo é o da diversidade de juízos e costumes humanos. Montaigne se afasta das narrativas sobre o Novo Mundo que difamam o indígena

apresentando-o como bárbaro sem bondade nem civilização por não ter o conhecimento das letras ou das ciências dos números.

É esse saber livresco tão cultuado pela sociedade de seu tempo que Montaigne irá recusar. O processo formativo deve ocorrer menos pela dedicação aos livros e mais na interação com o grande livro do mundo. A nova maneira de ensinar vai na direção de uma dupla metamorfose pedagógica: converter a sabedoria reunida nos livros em letra viva e tornar experiência instrutiva a vivência de cada um. Anuncia-se a passagem necessária de um ‘saber muito’ para um ‘saber melhor’: melhor para a vida ativa, melhor na capacidade de discernir,

as peças emprestadas de outrem, ele [o aluno] irá transformar e

misturar, para construir uma obra só sua: ou seja, seu julgamento.”

moralmente melhor. “[

]

Essa preparação para a vida passa pela preparação para a morte. Ao pré-meditar a morte, o indíviduo tem sua alma traquilizada e sua ação potencializa-se. “A premeditação da morte é premeditação da liberdade. Quem aprendeu a morrer desaprendeu de servir. Saber morrer liberta-nos de toda sujeição e imposição”.