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Este livro está disponível gratuitamente em versão eletrônica no endereço

http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/se/20141216022358/Atlas.pdf

Este projeto foi implementado pelo Laboratório de Análise Política Mundial (Labmundo) com a participação da seguinte equipe:

Assistente-bolsista de pesquisa:

Tássia Camila de Oliveira Carvalho

Cartógrafo:

Allan Medeiros Pessôa Isabela Ribeiro Nascimento Silva

Assistentes-bolsistas de iniciação cientí ca:

Niury Novacek Gonçalves de Faria Rafael Carneiro Fidalgo

Também contou com o apoio nanceiro das seguintes instituições:

FAPERJ - Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro

CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientí co e Tecnológico

FINEP - Financiadora de Estudos de Projetos

Atlas da política externa brasileira / Carlos R. S. Milani Aires : CLACSO; Rio de Janeiro : EDUerj, 2014.

E-Book.

ISBN 978-987-722-040-7

1. Política Exterior. 2. Brasil. I. Milani, Carlos R. S. CDD 327.1

[et. al.] - 1a ed. - Ciudad Autónoma de Buenos

Secretário Executivo Pablo Gentili Diretora Acadêmica Fernanda Saforcada Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales
Secretário Executivo Pablo Gentili Diretora Acadêmica Fernanda Saforcada Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales

Secretário Executivo Pablo Gentili

Diretora Acadêmica Fernanda Saforcada

Pablo Gentili Diretora Acadêmica Fernanda Saforcada Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales – Conselho

Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales – Conselho Latino-americano de Ciências Sociais EEUU 1168| C1101 AAX Ciudad de Buenos Aires | Argentina Tel [54 11] 4304 9145/9505 | Fax [54 11] 4305 0875| e-mail clacso@clacso.edu.ar | web www.clacso.org

CLACSO conta com o apoio da Agência Sueca de Desenvolvimento Internacional (ASDI)

da Agência Sueca de Desenvolvimento Internacional (ASDI) Este livro está disponível em texto completo na Rede

Este livro está disponível em texto completo na Rede de Bibliotecas Virtuais do CLACSO.

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Reitor Ricardo Vieralves de Castro Vice-reitor Paulo Roberto

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Reitor

Ricardo Vieralves de Castro

Vice-reitor

Paulo Roberto Volpato Dias

Vieralves de Castro Vice-reitor Paulo Roberto Volpato Dias EDITORA DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE

EDITORA DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Conselho Editorial Antonio Augusto Passos Videira Erick Felinto de Oliveira Flora Süssekind Italo Moriconi (presidente) Ivo Barbieri Lúcia Maria Bastos Pereira das Neves

A cartograia do Brasil no mundo

Prefácio por Maria Regina Soares de Lima

representações diplomáticas em anos

recentes, a sociedade brasileira tam- bém se internacionalizou, seja pela expansão dos investimentos no exte- rior; pela presença internacional das organizações e movimentos sociais

e

dos atores religiosos (com o Bra-

sil

igurando como o segundo maior

emissor de missionários no mundo); pelo número crescente de brasilei-

ros vivendo no exterior; pela nova di-

Por suas dimensões continentais, o Brasil tende a ser um país mais vol- tado para dentro. Em vista da grande

na

o

do em si mesmo. O Atlas da Política

atravessam os séculos e situam os eventos brasileiros em perspectiva temporal e espacial. Ao mesmo tem-

plomacia subnacional, e pelas mais diversas políticas públicas exporta- das para os países do Sul, em parti- cular América Latina e África. No contexto de consolidação da demo-

extensão territorial, o país apresen-

po, processos muitas vezes tratados

cracia brasileira, o desaio para a polí-

a

sociedade civil, desenvolver uma

ta uma relevante diversidade entre

atualidade como constantes são

tica externa é ampliar o diálogo com

suas regiões, o que torna o estudo

colocados em perspectiva história. É

das diferenças regionais em varia-

caso, por exemplo, das relações co-

robusta diplomacia pública, coorde-

das dimensões um atrativo objeto de estudo de um país que é um mun-

Externa Brasileira retira o Brasil de si

merciais com os EUA que desde o início da década de 1950 têm dimi- nuído sistematicamente, acompa- nhando a diversiicação do comércio

nar a negociação internacional das inúmeras políticas públicas que hoje frequentam as agendas da coopera- ção internacional brasileira. Na de-

o projeta no mundo em um duplo

e

sentido. Em primeiro lugar, pela es-

to

O

te?

exterior brasileiro. A implicação é que a velha oposição entre dois mo-

mocracia e no contexto da crescente demanda da sociedade civil por con-

colha da cartograia temática como a

delos de política externa, alinhamen-

sulta e participação, a política exter-

linguagem para representar graica-

versus diversiicação, deixou de

na

sai do insulamento e passa a fazer

mente as dimensões quantitativas e qualitativas de uma miríade impres-

fazer sentido.

parte do rol das políticas públicas.

sionante de dados, tendo como pa-

Brasil é uma potência emergen-

O

retrato do Brasil no mundo que

râmetro representações imagéticas

Com riqueza e variedade de ima-

emerge desta publicação é o de um

dos mesmos indicadores em diver-

gens desilam nossos ativos materiais

país diverso e complexo, uma demo-

sos outros territórios nacionais. Pela

e

ideativos. São diversos esses recur-

cracia de massa, com uma política

centralidade conferida ao espaço ter- ritorial, a cartograia temática prati-

sos, mas cada um deles represen- ta um desaio particular não apenas

externa diversiicada e com todas as credenciais para ser um modelo para

camente obriga ao uso da perspectiva

para a cooperação internacional,

os

países do Sul nas águas caudalo-

comparada. Ademais, a escolha de uma projeção cartográica especí- ica, colocando o país no centro do

mas para a sociedade, a política e a economia do país. Não se trata ape- nas de somar nossas capacidades na-

sas de uma economia globalizada e desigual; um ordenamento geopo- lítico estratiicado mas com alguns

globo, nos recorda que todas as pro- jeções cartográicas são arbitrárias

cionais e compará-las com outros emergentes. Temos alguns ativos

espaços multilaterais; e, particular- mente, uma enorme heterogeneida-

e

reletem as preferências subjetivas

de

cultural e de valores cujo manejo

de cada pesquisador. Em perspecti- va com outras realidades nacionais, o Atlas situa o Brasil no centro do pla- neta, mas relativiza nossas alegadas

à

o

que, explorados adequadamente, po- dem nos colocar na linha de frente

das discussões globais sobre questões como alimentos, água, megadiversi- dade, mas também riscos inerentes

exige atores internacionais que fa- çam da tolerância, da equidade e do respeito à diversidade e à plurali- dade o núcleo duro de sua inserção

especiicidades nacionais, equívoco de se tomar o caso brasileiro como

exploração predatória dos recursos aqui e em outros países, bem como

internacional.

único.

desaio de consolidar uma agenda

Parabéns à equipe do Labmundo do

colega Carlos R. S. Milani, compos-

Seu pioneirismo, além da narrati-

A

doméstica e de cooperação interna- cional comprometida com a dimi-

IESP-UERJ, coordenada por meu

va plástica da linguagem dos mapas,

nuição das desigualdades, a garantia

ta

por Enara Muñoz Echart, Rubens

também está reletido naquilo que

dos direitos humanos e a participa-

de

S. Duarte e Magno Klein, por nos

seus idealizadores decidiram mos-

ção democrática.

brindar com este esplêndido Atlas

trar e comparar. Não se trata de um

tão necessário nos turbulentos dias

Atlas convencional de política exter-

pluralidade, a diversidade e a he-

de

hoje.

na. Os seus cinco capítulos temáti- cos dão conta de eventos, processos, dimensões quantitativas e qualita- tivas que muitas vezes, como no ca-

terogeneidade de atores e agen- das que participam direta ou indiretamente das questões externas constituem talvez o retrato mais im-

Maria Regina Soares de Lima é Pes- quisadora Sênior do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uni-

pítulo sobre a formação nacional,

pressionante da nova cara do Brasil

versidade do Estado do Rio de Janei-

podem abarcar uma centena de anos,

no mundo. Acompanhando a uni-

ro

(IESP-UERJ) e Coordenadora do

mas cuja concisão é obtida pelo uso

versalização da política externa, cuja

Observatório Político Sul-America-

imaginativo de linhas de tempo que

evidência é o aumento expressivo das

no

(OPSA)

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Trajetória de uma parceria

Apresentação por Marie-Françoise Durand e Benoît Martin

É um grande prazer poder ver o resultado, tão rápido e obtido com tamanho proissionalismo, deste

ambicioso Atlas da Política Externa

Brasileira, iniciado a partir de uma cooperação frutífera e estimulante entre o Ateliê de Cartograia de Sciences Po e o Labmundo-Rio, grupo de pesquisa do IESP-UERJ.

História de uma cooperação

Este projeto de cooperação foi desen- volvido e aprofundado ao longo de vários anos, incluindo desde intercâm- bios acadêmicos clássicos, de professo- res e pesquisadores, até o trabalho em rede. O Ano da França no Brasil, em 2009, foi uma etapa importante nes- se processo, uma vez que propiciou apoios institucionais e inanceiros a vá- rias publicações (principalmente a tra-

e luido que alia intercâmbios cientíi-

cos, formação e implementação, reu- nindo parceiros de distintas disciplinas (ciência política e relações internacio- nais, geograia, história, sociologia) e tradições proissionais (pesquisadores, professores, doutorandos, cartógrafos) de dois países, Brasil e França. Assim, a equipe do Labmundo-Rio contou com uma diversidade de peris indi- viduais e, ao mesmo tempo, logrou produzir uma obra de considerável co- erência, apesar dos desaios organiza- cionais que um projeto dessa natureza envolvia.

Abordagem cientíica

Este trabalho retoma, aprofunda e aplica a um novo objeto (a política ex- terna brasileira) conceitos, noções e métodos já compartilhados pelas equi-

(pelo menos no modo como a política externa tende a ser compreendida no contexto francês).

O segundo exercício de mudanças nas

escalas diz respeito às temporalidades. Não se trata de uma concepção clássica

da história (originária, descritiva e

teleológica), mas de pesquisas que mobilizam elementos históricos dos

poderes, dos territórios, das trocas

e das sociedades que permitem

compreender o tempo presente.

Essa “re-historicização” possibilita evitar as armadilhas muito em voga

da valorização excessiva das causas

econômicas nas temporalidades muito curtas ou as explicações culturalistas dos fenômenos sociais, frequentemente alternadas ou empregadas concomitantemente. Ao método das articulações das escalas temporais e espaciais, que une os parceiros deste projeto, vem somar-se a novidade de associar uma

rigorosa démarche cientíica a uma

ambição didática que visa a difundir

o que foi acumulado em anos de

pesquisa e, assim, alimentar o debate público. A representação cartográica

é a ferramenta privilegiada nessa estratégia.

Pensar substância e forma

dução do Atlas da Mundialização e a

pes dos dois lados do Atlântico em tor-

e

Este Atlas é o testemunho de uma

organização do livro Relações inter-

no dos processos contemporâneos da

apropriação impressionante, rápida

nacionais: perspectivas francesas, por

mundialização. Entre eles salientamos

profunda, da linguagem gráica

Carlos Milani), que tiveram ampla

a

postura metodológica indispensável

e cartográica pela equipe do

imagens que facilitam a compreensão,

difusão no Brasil. No contexto dessa manifestação cultural e cientíica que

para a compreensão das dinâmicas in- ternacionais e “intersocietais”, qual

o

se

os

Labmundo. O resultado visibiliza

representou o Ano de 2009, nossa ex-

seja: considerar sistematicamente as

pensamento, o debate e a ação. Não

posição Os espaços tempos do Brasil,

mudanças de escala no espaço e no

trata, portanto, de uma cartograia

composta de 27 painéis, foi o primei- ro trabalho realizado em parceria em torno de mapas, gráicos, fotos e co- mentários curtos. Em síntese, os pai- néis apresentaram “imagens cientíicas”

tempo. Uma primeira mudança de escala consiste em identiicar e anali- sar as dimensões concomitantemen- te territoriais e reticulares do espaço das sociedades nas escalas local, nacio-

clássica em termos editoriais, ou seja, estreitamente ilustrativa de um argumento. Nem de uma cartograia muito contemporânea e por vezes “espetacular”, como podem facilitar

que mereciam ser visitadas.

nal, regional e mundial (e também no sentido inverso). Portanto, o Atlas da

softwares atualmente disponíveis – mas cuja função e resultados podem

conlitos, em abordagens culturalistas

A

publicação do Atlas da Política Ex-

Política Externa Brasileira é, ao mes-

não se distanciar muito da primeira

terna Brasileira, inicialmente em dois idiomas (português e espanhol), em versão impressa e disponibilizado gra- tuitamente na internet graças à parce-

mo tempo, uma obra sobre a inser- ção do Brasil no mundo, sua política externa no sentido abrangente e as di- mensões transnacionais dos atores não

e

mento gráico da informação, especia-

e

o

categoria de cartograia. Não se trata de uma cartograia geopolítica excessivamente fundamentada nos

ria entre a Editoria da Universidade do

e

o Conselho Latino-Americano de

estatais. Na qualidade de generalistas

nas relações interestatais (como

Estado do Rio de Janeiro (EdUERJ)

das relações internacionais e do trata-

tende a ocorrer particularmente no contexto francês), que não integre

atores. Essas duas maneiras de enxergar

Ciências Sociais (CLACSO), marca nova mudança de escala e de natureza

lizados no estudo sobre os processos de mundialização e suas recomposições

suicientemente a diversidade dos

na compreensão das dinâmicas de in-

espaciais, apreciamos o fato de que as

tornar visível o mundo, que reduzem

serção internacional do Brasil. Trata- se, com efeito, de um trabalho denso

questões tratadas neste Atlas vão mui- to além do que o seu título anuncia

campo das relações internacionais exclusivamente às relações entre

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os Estados, são ainda amplamente

difundidas, e isso apesar das evidentes transformações globais. Um dos grandes méritos deste Atlas da Política

Externa Brasileira é ter logrado se

demarcar tanto da cartograia clássica quanto da cartograia espetacular.

Na prática, o trabalho, por vezes longo,

consiste em operacionalizar uma série

de etapas desde a relexão sobre as

noções a serem explicadas, a pesquisa

em torno das informações consideradas

pertinentes, até o tratamento dos dados, para ao inal poder representá- los. Não comentamos no detalhe cada uma dessas etapas, mas constatamos que os autores deste Atlas foram ágeis e criativos na identiicação, na comparação, crítica e na seleção das fontes adequadas para os argumentos desenvolvidos. Isso conirma que uma base sólida de formação em pesquisa em ciências sociais resulta em bons relexos para encontrar as fontes e os dados relevantes, tornando secundários os “detalhes” estéticos.

O “exercício gráico” (la graphique),

pensado e desenvolvido por Jacques Bertin, apresentava dois componentes essenciais: a exploração dos dados e, a seguir, a comunicação luida desses da- dos. Isso signiica que o tempo que se pode passar no tratamento dos dados

em função do problema a ser aborda- do nas duas páginas de cada item dos capítulos e na articulação dos resulta- dos gráicos com os textos pode, em al- guns casos, conduzir ao abandono de algumas pistas ou à produção de docu- mentos aparentemente simples, mas que de fato resultam de muitas tentati- vas, modiicações e substituições.

Apesar dessa diiculdade, este Atlas apresenta grande variedade de repre- sentações gráicas, inclusive algumas que são originais (como as coleções de

curvas logarítmicas e as matrizes orde- nadas). Esses tipos de representação gráica, apesar de muito eicazes, ainda são pouco explorados pois os softwa- res atuais não os propõem automati- camente. Deve-se recorrer inclusive

a vários deles para produzir essas re-

presentações, em alguns casos traba- lhar manualmente. Ao mesmo tempo, os autores deste Atlas inspiraram-se, como no caso dos diagramas de lu- xos, em algumas inovações interessan- tes que emanam da atual explosão dos

dataminings e dataviz.

Portanto, o Atlas da Política Externa

Brasileira é o resultado inovador des-

sa série de operações, as quais, ademais

de sua publicação, permitem difun- dir formas de pensar e de savoir-faire muito úteis para a pesquisa. Apenas

uma parte dos dados coletados foi tra- tada, e novas bases de dados permane- cem inexploradas para novas pesquisas. Portanto, esta importante etapa con- quistada pela equipe do Labmundo é também um começo. Já pudemos ob- servar o uso e a apropriação dos mé- todos gráicos e cartográicos pelos diferentes pesquisadores do Labmun- do, a exemplo das diferentes apresenta- ções durante o IX Encontro da ABCP (Brasília, 4-7 de agosto de 2014). En- riquecidas graças à presença de vários documentos gráicos originais, essas demonstrações acabam por reforçar-se no plano cientíico e em termos de co- municação. O Labmundo torna-se, as- sim, um polo importante em matéria de uso e difusão do tratamento grái- co como “boa prática” da pesquisa, do ensino e da vulgarização cientíica no campo da Ciência Política e das Rela- ções Internacionais.

Marie-Françoise Durand é geógrafa e coordenadora do Ateliê de Cartograia de Sciences Po.

Benoît Martin é geógrafo, cartógrafo do Ateliê de Cartograia de Sciences

Po e doutorando no

Centre d’Études

et de Recherches Internationales de Sciences Po.

Enara Echart Muñoz
Enara Echart Muñoz

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Lista de siglas e abreviaturas

ABC – Agência Brasileira de Cooperação ACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados AIE – Agência Internacional da Energia AIEA – Agência Internacional da Energia Atômica AIDS – Síndrome da Imunodeiciência Adquirida (em

inglês: Acquired Immune Deiciency Syndrome)

ALADI – Associação Latino-Americana de Integração ALALC – Associação Latino-Americana de Livre Comércio ALBA – Aliança Bolivariana para as Américas ALCA – Área de Livre Comércio das Américas ALCSA – Área de Livre Comércio Sul-Americana ANA – Agência Nacional de Águas ANCINE – Agência Nacional do Cinema ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres AOD – Assistência Oicial para o Desenvolvimento ASA – Cúpula América do Sul-África ASPA – Cúpula América do Sul-Países Árabes BAD – Banco Africano do Desenvolvimento BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento Eco- nômico e Social BRIC – Grupo composto por Brasil, Rússia, Índia e China BRICS – Grupo composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul C40 – Grupo de Grandes Cidades para a Liderança Climática CAD – Comitê de Assistência ao Desenvolvimento da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico CAF – Cooperação Andina de Fomento CAFTA – Tratado Centro-Americano de Livre

Comércio (em inglês: Central America Free Trade Agreement)

CAN – Comunidade Andina CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CARICOM – Comunidade do Caribe CASA – Comunidade Sul-Americana de Nações CBERS – Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres CBF – Confederação Brasileira de Futebol CDIAC – Centro de Análise de Informações sobre o Dióxido de Carbono CDS – Conselho de Defesa Sul-Americano CEED – Centro de Estudos Estratégicos de Defesa CELAC – Comunidade dos Estados Latino-America- nos e Caribenhos CELADE – Centro Latino-Americano e Caribenho de Demograia CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina e Caribe

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CIA – Agência Central de Inteligência dos Estados

Unidos (em inglês: Central Intelligence Agency)

CICA – Conselho Indígena Centro-Americano CID – Cooperação Internacional para o Desenvolvimento CIJ – Corte Internacional de Justiça CLACSO – Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais CNI – Confederação Nacional da Indústria CNM – Confederação Nacional dos Municípios CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientíico e Tecnológico CNT – Confederação Nacional do Transporte COB – Comitê Olímpico Brasileiro COBRADI – Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional COI – Comitê Olímpico Internacional COMIGRAR – Conferência Nacional sobre Migrações e Refúgio COMINA – Conselho Missionário Nacional CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento CONARE – Comitê Nacional para os Refugiados COSIPLAN – Conselho Sul-Americano de Infraestru- tura e Planejamento COP – Conferência das Partes (em inglês: Conference of the Parties) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa CPS/FGV – Centro de Políticas Sociais / Fundação Getulio Vargas CS/ONU – Conselho de Segurança das Nações Unidas CSN – Comunidade Sul-americana de Nações CSS – Cooperação Sul-Sul DES – Direitos Especiais de Saque DFID – Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido DH – Direitos Humanos DJAI – Declaração Jurada Antecipada de Importação DJAS – Declaração Jurada Antecipada de Serviços DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral EAU – Emirados Árabes Unidos ECOMOG – Grupo de Monitoramento de Cessar- Fogo da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental ECOSOC – Conselho Econômico e Social das Nações Unidas EDUERJ – Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro EMBRAER – Empresa Brasileira Aeronáutica S/A EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

END – Estratégia Nacional de Defesa EPE – Empresa de Pesquisa Energética EUA – Estados Unidos da América FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (em inglês: Food and

Agriculture Organization)

FAPERJ – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro FGV – Fundação Getulio Vargas FHC – Fernando Henrique Cardoso FIESP – Federação das Indústrias de São Paulo FIFA – Federação Internacional de Futebol FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos FIOCRUZ – Fundação Oswaldo Cruz FIVB – Federação Internacional de Voleibol FMI – Fundo Monetário Internacional FOCAL – Fórum de Cooperação China-América Latina FOCALAL – Fórum de Cooperação América Latina- Ásia do Leste FOCEM – Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul FUNAG – Fundação Alexandre de Gusmão GATT – Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (em in-

glês: General Agreement on Tarifs and Trade)

GEF – Fundo Global para o Meio Ambiente (em inglês:

Global Environment Fund)

GR-RI – Grupo de Relexão sobre Relações Internacionais IBAS – Grupo composto por Índia, Brasil e África do Sul (também chamado de Fórum IBAS) IBGE – Instituto Brasileiro de Geograia e Estatística IBP – Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis ICCA – Associação Internacional de Congressos e

Convenções (em inglês: International Congress and Convention Association)

IDH – Índice de Desenvolvimento Humano IED – Investimento Estrangeiro Direto IEP de Paris – Instituto de Estudos Políticos de Paris

(em francês: Institut d’Etudes Politiques de Paris - Sciences Po)

IESP-UERJ – Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro IFAD – Fundo Internacional para o Desenvolvimento

Agrícola

(em

inglês:

International

Agricultural Development)

Fund

for

IIRSA – Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana INESC – Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais INFRAERO – Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária IOF – Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ISARM – Programa de Gestão de Recursos e Aquíferos Internacionais/Transfronteiriços da UNESCO IURD – Igreja Universal do Reino de Deus JICA – Agência de Cooperação Internacional do

Japão (em inglês: Japan International Cooperation Agency)

LABMUNDO

Mundial

Laboratório

de

Análise

Política

LC – Livre Comércio LNA – Licenciamento Não Automático LRF –Lei de Responsabilidade Fiscal MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens MAC – Mecanismo de Adaptação Competitiva MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MDIC – Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio MDS – Ministério do Desenvolvimento Social e Com- bate à Fome MEC – Ministério da Educação MERCOSUL – Mercado Comum do Sul MINURSO – Missão das Nações Unidas para o Referendo no Saara Ocidental MINUSTAH – Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti MMA – Ministério do Meio Ambiente MRE – Ministério das Relações Exteriores NAFTA – Tratado Norte-Americano de Livre Comércio

(em inglês: North American Free Trade Agreement)

NOEI – Nova Ordem Econômica Internacional NSA – Agência de Segurança dos Estados Unidos (em

inglês: National Security Agency)

NSP – Grupo de Fornecedores Nucleares (em inglês:

Nuclear Suppliers Group)

NYC – Cidade de Nova York (em inglês: New York

City)

OACI – Organização da Aviação Civil Internacional OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvi- mento Econômico OCMAL – Observatório de Conlitos Minerais da América Latina ODM – Objetivos de Desenvolvimento do Milênio OEA – Organização dos Estados Americanos OECS – Organização dos Estados do Caribe Orien-

tal (em inglês: Organisation of Eastern Caribbean States)

OIM – Organização Internacional para as Migrações OIT – Organização Internacional do Trabalho OLCA – Observatório Latino-Americano de Conlitos

Ambientais (em espanhol: Observatorio Latinoame- ricano de Conlictos Ambientales)

OMAL – Observatório de Multinacionais na América Latina OMC – Organização Mundial do Comércio OMT – Organização Mundial do Turismo ONG – Organização Não Governamental ONU – Organização das Nações Unidas OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo OSAL – Observatório Social da América Latina do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais OSCE – Organização para a Segurança e Cooperação na Europa OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte OTCA – Organização do Tratado de Cooperação Amazônica PAA – Programa de Aquisição de Alimentos PALOP – Países Africanos de Língua Oicial Portuguesa PARLASUL – Parlamento do Mercosul PARLATINO – Parlamento Latino-Americano PCN – Programa Calha Norte PDN – Política de Defesa Nacional PDVSA – Petróleo Venezuela S/A

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PEA – População Economicamente Ativa PEB – Política Externa Brasileira PEC-G – Programa de Estudantes-Convênio de Graduação PEC-PG – Programa de Estudantes-Convênio de Pós-Graduação PIB – Produto Interno Bruto PMA – Programa Mundial de Alimentos PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Estatística PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento QUAD – Grupo formado por Estados Unidos, União Europeia, Canadá e Japão REBRIP – Rede Brasileira pela Integração Regional REDLAR – Rede Latino-Americana contra as Represas e pelos Índios RENCTAS – Relatório Nacional sobre o Tráico da Fauna Silvestre SDP – Secretaria de Desenvolvimento de Produção SECEX – Secretaria de Comércio Exterior SEGIB – Secretaria Geral Ibero-Americana SEM – Setor Educacional do Mercosul SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SERE – Secretaria de Estado das Relações Exteriores do Itamaraty SESU – Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação SIPRI – Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz

de Estocolmo (em inglês: Stockholm International Peace Research Institute)

TFDD – Banco de Dados de Disputa de Água Doce

Transfronteiriça

(em

inglês:

Transboundary

Freshwater Dispute Database)

TIAR – Tratado Interamericano de Assistência Recíproca TNP – Tratado de Não Proliferação Nuclear TPI – Tribunal Penal Internacional UAB – Universidade Aberta do Brasil UE – União Europeia UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro UFFS – Universidade da Fronteira Sul UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRRJ – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina UNAMAZ – Associação de Universidades Amazônicas UNASUL – União das Nações Sul-Americanas UNComtrade – Banco de Dados e Estatísticas sobre Comércio das Nações Unidas UNCTAD – Conferência das Nações Unidas sobre Co- mércio e Desenvolvimento (em inglês: United Na-

tions Conference on Trade and Development)

UNESCO – Organização das Nações Unidas para Edu- cação, Ciência e Cultura (em inglês: United Nations

Educational, Scientiic and Cultural Organization)

UNESP – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” UNFCCC – Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (em inglês: United Na-

tions Framework Convention on Climate Change)

UNFICYP – Força das Nações Unidas para Manuten- ção da Paz no Chipre UNIAM – Universidade da Integração da Amazônia

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UNICA – União da Indústria de Cana-de-Açúcar UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância

(em inglês: United Nations Children’s Fund)

UNIDIR – Instituto das Nações Unidas para pesquisa sobre o Desarmamento (em inglês: United Nations

Institute for Disarmament Research)

UNIFIL – Força Interina das Nações Unidas no Líbano UNILA – Universidade Federal da Integração Latino-Americana UNILAB – Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira UNIRIO – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNISFA – Força Interina das Nações Unidas em Abyei

(em inglês, United Nations Interim Security Force for Abyei)

UNMIL – Missão das Nações Unidas na Libéria (em in-

glês, United Nations Mission in Liberia)

UNMISS – Missão das Nações Unidas na República do Sudão do Sul UNOCI – Missão das Nações Unidas na Costa do Marim UNODC – Escritório das Nações Unidas sobre Drogas

e Crime (em inglês: United Nations Oice on Dru- gs and Crime)

UNWTO – Organização Mundial do Turismo (em in-

glês: United Nations World Tourism Organization)

URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas USAID – Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento (em inglês: United States Agency

for International Development)

USP – Universidade de São Paulo ZOPACAS – Zona de Paz e da Cooperação do Atlântico Sul

Sumário

Introdução: Uso da cartograia temática

 

Capítulo 4: América do Sul, destino geográico do

Escolhas teóricas e metodológicas

4

Brasil?

Como interpretar as imagens?

6

Projetos de integração nas Américas

82

A

escolha da projeção

8

Da América Latina à América do Sul

84

O

mundo político

10

Integração na América do Sul

86

 

Argentina: parceria estratégica

88

Defesa e segurança na região

90

Energia e a busca da integração pela infraestrutura

92

Capítulo 1: Formação do Brasil

 

Assimetrias e desigualdades

94

Conquista e formação do Brasil colonial

14

Redes sociais: América Latina ou América do Sul?

96

Da sede do Império colonial ao Brasil imperial

16

A

República e a hegemonia dos Estados Unidos

18

Desenvolvimento e industrialização

20

Globalização e nova ordem

22

Capítulo 5: Novas coalizões, multilateralismo e coo-

Diversidade cultural e pluralismo étnico

24

peração Sul-Sul

 

O Brasil nas relações Norte-Sul

100

Sistema ONU: meio ambiente e direitos humanos .

102

Agências econômicas mundiais

104

Capítulo 2: Brasil, potência emergente?

 

Novos parceiros e coalizões

106

Agronegócio: celeiro do mundo?

28

Governança global mais democrática?

108

Parque industrial

30

Cooperação: de beneiciário a doador?

110

Logística e desaios ao desenvolvimento

32

Cooperação Sul-Sul: atores e agendas

112

Matriz energética e meio ambiente

34

Cooperação Sul-Sul em educação

114

Água: recurso vital e estratégico

36

Cooperação Sul-Sul: África

116

Minério e indústria extrativa

38

Cooperação Sul-Sul: América Latina

118

Riqueza genética e biodiversidade

40

População e diversidade

42

Pobreza e desigualdade

44

Segurança e política de defesa

46

Referências

120

Ameaças globais e transnacionais

48

Cultura como soft power

50

O

país do futebol, vôlei e talentos individuais

52

Turismo e imagem nacional

54

Pluralismo religioso

56

Capítulo 3: Atores e agendas

Itamaraty e diplomacia pública

60

Diplomacia presidencial

62

Congresso, ministérios e agências

64

Ação internacional dos estados

66

Ação internacional das cidades

68

Principais multinacionais brasileiras

70

Organizações e movimentos sociais

72

Atores religiosos

74

Brasileiros no exterior

76

Centros de pesquisa e universidades

78

Introdução:

Uso da cartograia temática

Enara Echart Muñoz
Enara Echart Muñoz
Enara Echart Muñoz
Enara Echart Muñoz

Escolhas teóricas e metodológicas

índice de Gini no Brasil, ilustram per- feitamente esse argumento.

No campo da Ciência Política e das Relações Internacionais no Brasil, este Atlas inova em matéria de represen- tação gráica, semiológica e estética, principalmente quando se conside-

ram os estudos sobre a política externa brasileira. O Atlas permite visualizar

 

de

maneira mais clara a internaciona-

Este é o primeiro Atlas da Política Ex-

terna Brasileira. Iniciado em 2012 e fruto da parceria concebida e imple- mentada entre o Ateliê de Cartogra-

a

da

os

político, social, cultural e ambiental. Pode ser de grande utilidade a profes- sores e estudantes de pós-graduação, graduação e ensino médio, bem como

lização das políticas públicas, a com- paração de uma ou mais variáveis em situações distintas, a presença (com- plementar, mas por vezes contraditó- ria) dos diferentes atores nacionais e internacionais nas agendas da política

calas espaciais: do local ao nacional, do

ia de Sciences Po e o Labmundo-Rio,

jornalistas e proissionais da comu-

externa, bem como a complexidade da

grupo de pesquisa do CNPq vincula- do ao IESP-UERJ, o projeto também contou com a participação da Escola

nicação, diplomatas, gestores da co- operação internacional atuando nos

setores público e privado, lideranças

superposição de dados nas distintas es-

regional ao global. A visualização dos

de Ciência Política da Unirio. O de-

sociedade civil e ativistas no campo

fenômenos da política internacional,

senvolvimento do Atlas foi inspirado

da política externa. As imagens (ma-

agora por meio da cartograia temáti-

em iniciativas anteriores entre Sciences

pas, gráicos, matrizes, cronologias) e

ca,

reitera a noção de que a fronteira

Po e o Labmundo, por exemplo, a tra-

textos (uma síntese de cada tema)

do

Estado nacional se encontra diluí-

dução para o português e publicação

constituem um conjunto: sempre

da

no cenário contemporâneo das re-

no Brasil do Atlas da Mundialização

apresentados em duas páginas, cobrem

lações internacionais - diluída mas não

no ano de 2009. Foi graças à coopera- ção institucional com o Ateliê de Car-

as

tir

mais variadas pautas, agências e di- mensões da inserção internacional do

apagada. A persistência da fronteira nacional ainda é marca das assimetrias

tograia do IEP de Paris e à parceria

Brasil. Essa organização deveria permi-

econômicas e das desigualdades polí-

acadêmica com os colegas Marie-Fran-

ao leitor que pouco acompanha os

ticas entre Estados e sociedades na re-

çoise Durand e Benoît Martin que este

debates internacionais uma introdu-

gião e no sistema internacional.

projeto logrou atingir seus resultados.

ção aos temas da política externa sem

A

ambos os queridos colegas os nossos

o

risco da supericialidade; aos mais in-

O

uso de imagens na cartograia da

mais sinceros agradecimentos.

formados ou que já atuam nessa área,

política externa brasileira nos reme-

deveria produzir questionamentos e

te

a uma segunda transformação im-

Tão importante quanto esse trabalho em rede internacional foi a ação co- letiva concebida no plano local, que mobilizou professores, pesquisadores, doutorandos, mestrandos e estudan- tes de graduação de duas instituições de ensino superior sediadas no Rio de Janeiro, além de dois geógrafos e car- tógrafos que se associaram ao projeto na qualidade de bolsistas. O trabalho em equipe, o contínuo treinamento presencial e virtual, o diálogo inter-

disciplinar da Ciência Política e Rela- ções Internacionais com a Geograia,

a renovação de suas perspectivas. Na

concepção de cada item dos capítulos,

os textos acompanham e complemen-

tam as imagens, podendo ser conside- rados um convite a que o leitor atente mais cuidadosamente para a semio- logia e a estética, gerando, assim, um diálogo com as diferentes formas de expressar o conteúdo e a mensagem desejados pelos autores.

O uso de imagens como ilustração de

argumentos em meio a textos escritos ou em apresentações não é novidade.

portante. As mudanças na sociedade e

na cultura fazem com que os leitores

tenham menos tempo para se debru- çar sobre textos. Cada vez mais se faz necessário que os autores encontrem meios de comunicação que tornem suas mensagens mais claras, dinâmicas, que prendam a atenção do público e que sejam, portanto, mais facilmente compreendidas e lembradas pelos lei- tores. A quantidade de dados disponí-

veis cresce cotidianamente, graças às novas tecnologias, ao dinamismo aca- dêmico e à busca por transparência de

a

valorização de pesquisas em curso

Atualmente, o recurso visual é ampla-

diversas instituições públicas e priva-

a realização de novos estudos são os

e

principais fatores que explicam o de-

mente empregado em apresentações com retroprojetores, em textos jorna-

das. Maior disponibilidade de dados não implica automaticamente melho-

senvolvimento deste projeto até o seu

lísticos (por exemplo, os infográicos),

ria

na qualidade e na compreensão das

resultado mais desejado: a publicação

em livros didáticos e em artigos aca-

informações. A cartograia temática

deste Atlas.

dêmicos. O emprego de imagens para

desempenha, portanto, função social

veicular dados é muito útil para faci-

de

tradução e de ponte entre mundos

De fato, o Atlas da Política Externa

litar o acesso a informações, esclarecer

distintos.

4

Brasileira tem como objetivo principal compartilhar novas leituras da política internacional e da política externa bra- sileira com pesquisadores e estudantes interessados nas mais diversas formas de inserção brasileira no cenário mun- dial, do ponto de vista econômico,

AT L A S

D A

P O L Í T I C A

E X T E R N A

B R A S I L E I R A

ideias e conceitos, ilustrar fatos históri- cos, realidades geográicas e estatísticas.

As imagens, como os textos, veiculam

mensagens, reletem visões de mundo

e interpretações. A escolha de classii-

cações e a deinição de recortes, nos ca- sos do mapa da América do Sul e do

Isso não signiica, é claro, que os tex-

tos devam ser abandonados ou sempre

preteridos a favor das imagens. Nada disso! O Atlas foi concebido por pes- quisadores, com base em leituras e in- terpretações críticas sobre o papel do

Brasil no mundo. Fundamentamos

a nossa concepção no uso cientíico e

acadêmico de mapas, gráicos e matri- zes, a partir de fontes publicadas por instituições internacionalmente re- conhecidas. Da mesma modo que as ferramentas da imagem estão sendo mais utilizadas em jornais impressos, revistas e outros tipos de documen- tos na mídia e redes sociais, acredita- mos que a academia pode apropriar-se dessa linguagem e desenvolver uma se- miologia com conteúdos próprios, que resultem de pesquisas muitas vezes de- senvolvidas ao longo de anos.

A cartograia temática pode ser con-

vertida, assim, em mais um dos ins- trumentos disponíveis ao contínuo processo de atualização e democrati-

zação do conhecimento cientíico, nes-

se caso em matéria de política externa.

Em uma sociedade que se torna pro- gressivamente mais acostumada com

a tecnologia da internet, a cartograia

temática permite uma linguagem mais moderna, dinâmica e interativa, facil- mente adaptável para e-books, portais

e sítios web, com o uso de cores, ob-

jetos geométricos e outros modos de apelo visual.

Democratizar o conhecimento sobre política externa é fundamental, ainda mais quando se parte da premissa de que a política externa é uma política pública sui generis. Sua singularidade resultaria de dois aspectos principais:

(i) a sua dupla inserção sistêmica (in- ternacional, regional, o “lado de fora” da fronteira) e doméstica (relativa a interesses e preferências em jogo na democracia); (ii) a preocupação ao mesmo tempo com temas constan- tes da agenda internacional (integri- dade territorial do Estado, soberania e proteção dos interesses nacionais) que

lhe assegurariam o caráter de “política de Estado”, mas também com orien- tações estratégicas, opções políticas e modelos de desenvolvimento que po- dem variar ao longo da história e de acordo com a conjuntura (sua faceta

de política governamental).

Foi com base nessa premissa que se or- ganizaram os capítulos do Atlas, sem pretensão de exaustividade temática. Buscamos trazer a dimensão histórica

e de formação da política externa bra-

sileira, embora o foco do Atlas seja a política contemporânea apresentada em torno dos recursos de poder (hard e soft) do Brasil, dos atores e agendas da política externa, da inserção regional e

INTRODUÇÃO

TIPOS DE CLASSIFICAÇÕES EM MAPAS

Dados hipotéticos usados como base para os mapas

 

Argentina

Bolívia

Brasil

Chile

Colômbia

Equador

Guiana

Paraguai

Peru

Suriname

Uruguai

Venezuela

Índice

0,46

0,93

0,53

0,49

0,31

0,21

0,11

0,40

0,56

0,13

0,42

0,24

Classi cação com base na média dos dados

Bolívia 0,93 Máximo - 0,93 (Bolívia) Peru 0,56 Mínimo - 0,11 (Guiana) Brasil 0,53 0,93
Bolívia
0,93
Máximo - 0,93 (Bolívia)
Peru
0,56
Mínimo - 0,11 (Guiana)
Brasil
0,53
0,93 - 0,11 = 0,82
Chile
0,49
0,82 ÷ 4 = 0,205
Argentina
0,46
0,93
Uruguai
0,42
+ 0,205
Paraguai
0,40
0,725
+ 0,205
Colômbia
0,31
0,52
+ 0,205
Venezuela
0,24
0,315
Equador
0,21
+ 0,205
Suriname
0,13
0,11
Guiana
0,11
0,93 0,725 0,52 0,315 0,11 Sem dados disponíveis
0,93
0,725
0,52
0,315
0,11
Sem dados
disponíveis

Classi cação com base na quantidade de unidades

Quantidade de países = 12

Quantidade de classes = 4

12 ÷ 4 = 3

Fonte: Elaboração própria.

Bolívia

0,93

Peru

0,56

Brasil

0,53

Chile

0,49

Argentina

0,46

Uruguai

0,42

Paraguai

0,40

Colômbia

0,31

Venezuela

0,24

Equador

0,21

Suriname

0,13

Guiana

0,11

0,93 0,53 0,42 0,24 0,11 Sem dados disponíveis
0,93
0,53
0,42
0,24
0,11
Sem dados
disponíveis

Exemplo concreto sobre o índice de Gini em municípios brasileiros, em 2010

Recorte por quantidade de municípios

Recorte por média da variável

1 1 0,54 0,75 0,5 0,49 0,45 0,25 0 0 Fonte: IBGE, 2010b 2014Labmundo,
1
1
0,54
0,75
0,5
0,49
0,45
0,25
0
0
Fonte: IBGE, 2010b
2014Labmundo,

inalmente das relações multilaterais, novas coalizões e cooperação Sul-Sul.

Nas duas próximas seções desta Intro- dução apresentaremos algumas no- tas técnicas e metodológicas relativas à cartograia temática que nos pare- cem instrumentais para a compreen- são dos nossos leitores. Desejamos a

todos excelente leitura e uso produtivo e profícuo de mapas, imagens e textos. Mais informações sobre o projeto e da- dos complementares sobre o Atlas da

Política Externa Brasileira podem ser

obtidos no www.labmundo.org/atlas, onde o leitor também encontrará um glossário para facilitar o entendimento de alguns tópicos aqui desenvolvidos.

AT L A S

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5

Como interpretar as imagens?

A cartograia temática é composta por técnicas de georreferenciamento e de transformação de dados em mapas, gráicos e matrizes, podendo ser usada para a representação de diversos temas sociais, políticos, históricos, econômi- cos e internacionais, muitos dos quais de difícil mensuração. Disso resulta a necessidade de técnicas que permitam tratar dados qualitativos e quantita- tivos. É com esse intuito de esclareci- mento que apresentamos, a seguir, as principais ferramentas de cartograia temática utilizadas neste Atlas.

As imagens apresentadas no Atlas re- sultam de extenso trabalho de pesquisa,

REPRESENTAÇÕES VISUAIS

Representação de uma variável no plano

Tamanho em uma dimensão para quantidades absolutas 6 5 4 3 2 6 5 4
Tamanho em uma dimensão para quantidades absolutas
6
5
4
3
2
6 5 4 3 2 1
1
1
2
3
4

Tamanho em duas dimensões para quantidades absolutas

16

4 1 16 4 1 Em escala de valor para quantidades relativas Mais Menos Valor
4
1
16
4
1
Em escala de valor para quantidades relativas
Mais
Menos
Valor
Valor
Representação de mais de uma variável no plano

Em cores para mostrar diferenças

de uma variável no plano Em cores para mostrar diferenças Em textura para mostrar diferenças Em
de uma variável no plano Em cores para mostrar diferenças Em textura para mostrar diferenças Em
de uma variável no plano Em cores para mostrar diferenças Em textura para mostrar diferenças Em
de uma variável no plano Em cores para mostrar diferenças Em textura para mostrar diferenças Em
de uma variável no plano Em cores para mostrar diferenças Em textura para mostrar diferenças Em
de uma variável no plano Em cores para mostrar diferenças Em textura para mostrar diferenças Em
de uma variável no plano Em cores para mostrar diferenças Em textura para mostrar diferenças Em
de uma variável no plano Em cores para mostrar diferenças Em textura para mostrar diferenças Em
Em textura para mostrar diferenças
Em textura para mostrar diferenças

Em formas geométricas para mostrar diferenças

Fonte: Durand et al., 2009 6 AT L A S D A P O L
Fonte: Durand et al., 2009
6 AT L A S
D A
P O L Í T I C A
E X T E R N A
B R A S I L E I R A
2014Labmundo,
2014Labmundo,

coleta e tratamento dos dados, esco- lhas de projeções, deinições semioló- gicas e estéticas. Todo esse processo deve ser conduzido com o máximo de rigor, pois impacta diretamente na in- terpretação de mapas, gráicos e ma-

trizes. Os tipos de escala, aritmética

e logarítmica, são usados em função

do que se pretende comparar ou de-

monstrar: a escala aritmética permite

a comparação de valores, ao passo que

a escala logarítmica enseja a compara-

ção da evolução de cada curva. No caso hipotético ilustrado nesta página, ica claro que a escala logarítmica permite enxergar uma taxa de crescimento do país “C” não evidenciado pela escala aritmética.

As representações visuais (de ma- pas, gráicos e matrizes) afetam as

percepções do leitor, podendo ser in-

luenciadas por variáveis referentes a

quantidades absolutas (em uma ou

duas dimensões) e quantidades rela- tivas (mais ou menos valor, com co-

res e representações visuais distintas).

Pode haver relações de proporciona-

lidade, ordem e diferença entre os da-

dos. No caso da proporcionalidade

e da ordem por hierarquias, usam-se

pontos, traços, quadrados ou círculos

de tamanhos diferentes: o maior re- presenta um valor evidentemente su- perior, devendo a legenda esclarecer a relação gráica com o dado quantitati- vo. Ou seja, para representar uma mes- ma variável no plano, usam-se barras, colunas e espessura de lechas para in- dicar a variação na quantidade dessa

única variável. A diferença, por sua vez,

é expressada pelo uso de cores, preen-

chimentos ou formatos geométricos distintos. A im de demonstrar variá- veis diferentes, é necessário mudar a cor ou a textura utilizada, evidencian- do a existência de duas ou mais variá- veis, que também podem ter escalas de valor dentro delas. Aplicam-se diferen- tes tons da mesma família de cor, em uma escala de tom escuro para outro mais claro.

TIPOS DE ESCALA EM GRÁFICOS

Dados usados como base para os grá cos

 

Ano 1

Ano 2

Ano 3

Ano 4

Ano 5

Ano 6

País A

9 000

7 000

9 000

11 000

13 000

16 000

País B

10 000

8 000

6 000

9 000

12 000

10 000

País C

10

40

100

140

200

300

Grá co com escala aritmética

16 000 País A 12 000 País B 8 000 4 000
16
000
País A
12
000
País B
8
000
4
000

País C

0 Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Ano 6 Uso da
0
Ano 1
Ano 2
Ano 3
Ano 4
Ano 5
Ano 6
Uso da escala logarítmica
País A
10
000
País B

1 000

100

10

País C

logarítmica País A 10 000 País B 1 000 100 10 País C 1 Ano 1
1 Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Ano 6 Grá co
1
Ano 1
Ano 2
Ano 3
Ano 4
Ano 5
Ano 6
Grá co com escala logarítmica
16 000
9 000
300
País C
País A
País B
x 0
x
1,778
Ano 1
Ano 6
Fonte: Elaboração própria.
x 30
2014Labmundo,

Lula Dilma** TOTAL

Sarney Collor Itamar FHC

2014Labmundo,

A escolha de como recortar as classes

também é importante. Não há um único método para criar classes; estas podem ser divididas de acordo com a quantidade de unidades, com a mé- dia da variável ou de modo discricio- nário. Cada um desses recortes resulta em uma imagem diferente, que pode levar a conclusões distintas. O recorte em classes pode induzir o leitor ao erro, caso não seja bem explicitado na legen- da. Por esse motivo, o leitor deve sem- pre atentar à legenda dos mapas, para entender qual o fenômeno representa- do e como está sendo apresentado.

No campo especíico da política ex- terna, o uso de cartograia temática apresenta diversas vantagens. Ao repre- sentarmos uma imagem, o território ica muito mais evidente para o leitor, principalmente em temas que sofrem inluência direta da geograia política.

Além das fronteiras (que indicam o ter- ritório dos Estados), podem ser visua- lizados os luxos (econômicos, sociais, culturais, ambientais). Por exemplo, em uma apresentação sobre migrações,

a proximidade territorial tem grande inluência sobre a movimentação do

luxo de pessoas; a espessura e a orien- tação das lechas, indicando um ponto de partida e outro de chegada, permi- tem vizualizar e compreender rapida- mente os principais luxos migratórios mundiais. Portanto, a representação cartográica permite veriicar quais são

as principais rotas escolhidas pelos mi-

grantes e como a geograia facilita ou cria obstáculos (a exemplo de mares e montanhas) para o luxo das pessoas.

Podemos argumentar no sentido de que imagens podem ser usadas para demonstrar números e facilitar a com-

paração de uma ou mais variáveis, en- tre diversos casos. Por exemplo, ao comparar a fonte de matriz energéti-

ca de diversos países, para demonstrar

que a matriz energética brasileira é ma- joritariamente limpa, um texto longo

e com muitos números pode diicul-

tar o entendimento rápido da com- paração que o autor quer comunicar

a seus destinatários. Além disso, o ex-

cesso de informações em um mesmo parágrafo pode tornar a leitura demo- rada, truncada e entediante, eventual- mente acarretando o desinteresse do leitor. Com o uso da imagem (seja por gráicos com círculos, seja por barras ou mapas), a comparação ica muito mais evidente. A leitura e a compre- ensão são imediatas, evitando ruí- dos na comunicação e facilitando o

INTRODUÇÃO

INTERPRETAÇÃO DE TABELAS EM CÍRCULOS PROPORCIONAIS

Dados usados como base para a tabela

 

Sarney

Collor

Am. do Sul

13

7

Am. Central e C.

0

0

Am. do Norte

5

3

Europa

3

9

África

2

4

O. Médio

0

0

Ásia

2

1

Oceania*

0

0

TOTAL

10

40

Itamar

14

0

1

0

1

0

0

0

100

FHC Lula Dilma** Dilma TOTAL 53 88 18 18 193 5 22 1 1 28
FHC
Lula
Dilma**
Dilma
TOTAL
53
88
18
18
193
5
22
1 1
28
14
19
5
5
47
31
54
16
10
000
107
4
34
10
7
000
52
0
10
300
0
10
8
16
16
4
000
31
0
0
10
0
000
0
140
200
300
300
Quantidades representadas
em círculos proporcionais
468 193 18 *Oceania não foi visitada no período
468
193
18
*Oceania não foi visitada no período

**Viagens de Dilma Rousse até dezembro de 2013

Quantidade absoluta de viagens presidenciais

Am. do

Am. do
Am. do
Am. do
Am. do
Am. do
Am. do

Sul

Europa

Europa
Europa
Europa
Europa
Europa
Europa

África

África

Am. do

Am. do
Am. do
Am. do
Am. do
Am. do
Am. do

Norte

Ásia

Ásia
Ásia
Ásia
Ásia
Ásia
Ásia

Am.

Am.
Am.
Am.
Am.
Am.
Am.

Central

Oriente

Oriente
Oriente
Oriente
Oriente
Oriente
Oriente

Médio

Oceania*

Oceania*
Oceania*
Oceania*
Oceania*
Oceania*
Oceania*

TOTAL

TOTAL
TOTAL
TOTAL
TOTAL

Fonte: Planalto, 2014

entendimento da mensagem que o emissor quer transmitir.

Finalmente, as fontes usadas para a co- leta dos dados são muito importantes no processo de confecção de imagens, como as aqui apresentadas. Algumas diiculdades podem surgir no caminho. Os serviços estatísticos dos Estados va- riam em qualidade, e no caso brasilei- ro a produção de dados e o acesso a eles têm-se aperfeiçoado e melhorado desde meados dos anos 1980. Os da- dos produzidos por organismos inter- nacionais (agências do sistema ONU, Banco Mundial, OCDE, etc.) e, fenô- meno cada vez mais importante, por organizações da sociedade civil e gran- des corporações podem complementar a construção de sentidos sobre a rea- lidade do mundo. Os dados, depen- dendo de suas fontes, podem revelar realidades nem sempre coincidentes.

Em muitos casos, torna-se funda- mental triangular os dados, sempre que possível diversiicar as fontes e

selecionar em função do tipo de men- sagem que o autor da imagem visa a construir. Portanto, visualizar e com- parar os mapas e as matrizes com base em dados diferentes também foi um exercício contínuo no desenvolvimen- to deste Atlas. Por exemplo, em ma- téria de energia, utilizamos os dados

da Central Intelligence Agency dos

EUA, porque a fonte mais completa além da CIA seria o Banco Mundial. Ocorre que o Banco não desagregava os dados por tipos de fontes de energia, incluindo o setor hidroenergético, que nos interessava apresentar em separa- do. Fizemos a opção pelos dados da CIA porque eles também são interna- cionalmente considerados de conian- ça, tendo sido usados na produção de outros Atlas na Europa, nos EUA e na América Latina. É importante esclare- cer que a coleta de dados foi conduzi- da ao longo de 2013 e 2014. Padronizar usos e referências também é essencial. Por exemplo, adotamos como padrão o termo “dólares” para indicar dólares dos Estados Unidos.

AT L A S

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P O L Í T I C A

E X T E R N A

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7

2014Labmundo,

A escolha da projeção

PROJEÇÃO DESCONTÍNUA DE GOODE

Projeção de Goode sem alterações

Áreas retiradas para a projeção padrão do Atlas

Projeção padrão do Atlas

Projeção cedida pelo Ateliê de Cartogra a de Sciences Po

8

AT L A S

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P O L Í T I C A

E X T E R N A

B R A S I L E I R A

Os mapas nunca são exaustivos ou completos, nem totalmente objetivos. Orientado ao Norte? A Europa no cen- tro? O Pacíico ou a África reduzidos? Uma das decisões mais importantes na concepção de um mapa diz respei- to à escolha da projeção. Projeções cartográicas podem ser entendidas como um instrumento de represen- tação do globo por meio de um dese- nho. É um exercício de transformação de um objeto tridimensional em uma representação plana, razão pela qual as projeções são objeto frequente de questões, críticas e debates. As proje- ções sempre geram distorções, mais ou menos acentuadas, de partes do terri- tório do planeta.

As distorções são perceptíveis mais fa- cilmente à medida que nos aproxima- mos dos polos. Em alguns casos, como

a projeção de Mercator, o estado es-

tadunidense do Alasca é representa-

do maior do que o território brasileiro. Outro exemplo das distorções presen- tes nesta projeção desenvolvida por Gerard de Kremer é a Groenlândia, re- presentada com território equivalente ao do continente africano, mas que de fato é 50 vezes menor. Além das distor- ções da imagem, há outros questiona- mentos frequentemente vinculados à confecção e ao uso de projeções carto- gráicas. O primeiro deles é quanto à disposição no plano: tradicionalmen- te, devido à inluência de cartógrafos europeus, a Europa é representada no centro da projeção. Também por in- luência das principais escolas de car- tograia na Europa e nos EUA, o Norte geográico é geralmente representa- do em cima do hemisfério Sul. Cabe ressaltar que, como o planeta Terra é um geoide, não há necessidade de re- presentar o Norte em cima; o Sul, o Leste ou o Oeste podem estar na par-

te superior.

Ou seja, a escolha da projeção não é neutra, mas resulta das opções feitas pelo cartógrafo, cabendo ao pesquisa- dor a decisão de qual modelo é mais adequado ao seus objetivos. Se o fenô- meno a ser estudado ocorre principal- mente no hemisfério Norte, é natural que o pesquisador dê preferência a projeções que destaquem essa região do globo, para deixar a imagem mais evidente ao leitor. Do mesmo modo, se o objetivo da imagem for represen- tar por setas algum fenômeno, deve-se dar preferência a projeções que deixem os continentes mais afastados (como a projeção de Fuller), para que a lecha

não passe “por cima” de territórios im-

portantes, deixando-os ocultos ou po- luindo a imagem.

O

Ateliê de Cartograia Labmun-

do

entende que a escolha da projeção

também deve considerar esse caráter político da representação. Evitamos projeções que superestimem a repre- sentação do hemisfério Norte em detrimento do hemisfério Sul. Preferi-

mos usar as projeções de Fuller, Bertin

e Goode. Além disso, também é ma-

nifesta a preferência por uma proje-

ção que não seja eurocêntrica, mas que

apresente o Brasil no centro.

As projeções usadas neste Atlas são, em

sua maioria, centradas no continente

americano e não apresentam distor-

ção relevante quanto ao tamanho do

hemisfério Norte. Optamos por man- ter a representação do Norte para cima – e isso em função da novidade talvez excessiva que poderia representar, aos olhos ainda pouco habituados dos lei- tores brasileiros, a utilização de pro- jeções com o Sul geopolítico na parte superior do planisfério. No sítio web

do Atlas os leitores poderão encontrar exemplos de mapas com essa projeção,

que também ilustra a nossa capa.

Este projeto somente foi factível por- que contou com o apoio de algumas instituições e a parceria de alguns pesquisadores, colegas e amigos. Os apoios inanceiros de Faperj, Finep e CNPq foram decisivos. Agradecemos

ao IESP-UERJ pelo amparo institu-

cional e pelo espaço físico destinado ao grupo de pesquisa Labmundo-Rio. Os nossos agradecimentos também se des- tinam aos colegas e pesquisadores que

nos ajudaram na obtenção de dados e

na produção de análises, na redação ou

revisão de itens dos diferentes capítu- los. Em particular, queremos agradecer

a Breno Marques Bringel, Henrique

Sartori, Cristiano A. Lopes, Bernabé Malacalza, Rafael C. Fidalgo, Renata Albuquerque Ribeiro, Danielle Costa

da Silva e Wallace da Silva Melo. Além disso, agradecemos aos colegas Da- niel Jatobá, Elsa Sousa Kraychete, Le- ticia Pinheiro, Maria Regina Soares de Lima e Miriam Gomes Saraiva por co- mentários, críticas e sugestões feitos durante o seminário acadêmico que organizamos no IESP-UERJ em se- tembro de 2014. É importante lembrar que as fotos que ilustram os capítu-

los do Atlas são todas de Enara Echart

Muñoz, que gentilmente as cedeu para

a publicação deste Atlas.

INTRODUÇÃO

DIFERENTES REPRESENTAÇÕES E SUAS DISTORÇÕES Projeção de Bertin Projeção de Fuller Projeção de Gall-Peters
DIFERENTES REPRESENTAÇÕES E SUAS DISTORÇÕES
Projeção de Bertin
Projeção de Fuller
Projeção de Gall-Peters
Projeção de Mercator
Projeção Miller Cylindrical
Projeção de Robinson
Projeção
Brasil
Alasca
Índia
Mercator
Miller
Cylindrical
Fuller
Bertin
Goode
Fonte: Elaboração própria. Projeções cedidas pelo Ateliê de Cartogra a de Sciences Po.
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2014Labmundo,

9

O mundo político

Canadá Quirguistão Quirguistão Mongólia Mongólia Tajiquistão Tajiquistão Estados Unidos Estados Unidos
Canadá
Quirguistão
Quirguistão
Mongólia
Mongólia
Tajiquistão
Tajiquistão
Estados Unidos
Estados Unidos
Afeganistão Afeganistão
China
China
Japão Japão
Paquistão Paquistão
Nepal
Nepal
Butão
Butão
Coreia do Sul
Coréia do Sul
Coreia Coréia do do Norte Norte
Índia
Índia
Taiwan
Taiwan
Myanmar Myanmar
Hong Kong
Hong Kong
México
Laos
Laos
Bangladesh
Bangladesh
Tailândia
Tailândia
Macau Macau
Marianas
Marianas
Vietnã
Vietnã
Guam Guam (EUA)
Micronésia
Micronésia
Filipinas
Filipinas
Palau
Palau
Ilhas Marshall
Ilhas Marshall
Nauru Nauru
Camboja Camboja
Brunei
Brunei
Kiribati Kiribati
Malásia
Malásia
Cingapura
Cingapura
Sri Lanka
Sri Lanka
Maldívias
Maldivas
Tuvalu
Tuvalu
Indonésia
Indonésia
Território Britânico
Território Britânico
Papua-Nova Guiné
Papua-Nova Guiné
Tokelau (Nova Zelândia)
Tokelau
do Oceano Índico
do Oceano Índico
Wallis e Futuna (França)
Wallis e Futuna
Timor Leste
Timor Leste
América Central:
América Central:
Samoa
Samoa
Ilhas Salomão
Ilhas Salomão
Samoa Americana
Samoa Americana
a- 1- Ilhas Ilhas Cayman Cayman
Vanuatu Vanuatu
Niue
Niue
b- 2- Turks Turks e e Caicos Caicos
Nova Caledónia
Nova Caledônia
3- Ilhas Virgens
c- Ilhas Virgens (EUA)
Polinésia Francesa
Polinésia Francesa
(França)
4- Ilhas Virgens Britânicas
d- Ilhas Virgens Britânicas
Ilhas Cook
Ilhas Cook
5- Anguilla
e- Anguilla (Reino Unido)
f- Ilha de San-Martin (França)
6- Ilha de São Martinho
Ilhas Pitcairn (Reino Unido)
Ilhas Pitcairn
Austrália
Austrália
7- Coletividade de São Bartolomeu
g- Coletividade de São Bartolomeu (França)
Tonga
Tonga
8- Ilha de São Martinho
h- Montserrat (Reino
Unido)
Ilhas Fiji
Ilhas Fiji
9- São Cristóvão e Nevis
i-
São Cristóvão e Nevis
j- Antigua e Barbuda
10- Antigua e Barbuda
11- Guadaloupe
k-
Guadalupe (França)
12- Dominica
l- Dominica
13- Martinica
m
- Martinica (França)
Nova Zelândia
Nova Zelândia
14- Santa Lúcia
n-
Santa Lúcia
15- Barbado
o-
Barbados
16- São Vicente e Granadinas
p-
São Vicente e Granadinas
17- Granada
q-
Granada
18- Países Baixos Caribenhos
r- Países Baixos Caribenhos
19- Curação
s- Curaçao
t- Aruba
20- Aruba

Fonte: Elaboração própria.

10

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INTRODUÇÃO

Europa Europa 1- Guernsey 1- Guernsey 21- Bósnia e Herzegovina 21- Bósnia e Herzegovina 2-
Europa
Europa
1- Guernsey
1- Guernsey
21- Bósnia e Herzegovina
21- Bósnia e Herzegovina
2- Jersey
2- Jersey (Reino Unido)
22- Montenegro
22- Montenegro
3- Andorra
3- Andorra
23- Albânia
23- Albânia
Groelândia
Jan Mayen
4- Bélgica
4- Bélgica
24- Macedônia
24- Macedônia
(Dinamarca)
Noruega Noruega
5- Luxemburgo
5- Luxemburgo
25- Kosovo
25- Kosovo
6- Holanda
6- Holanda
26- Sérvia
26- Sérvia
Suécia Suécia
7- Mônaco
7- Mônaco
27- Åland
27- Åland (Finlândia)
Finlândia
Finlândia
Islândia
Islândia
8- 8-
Suiça Suíça
28- Estónia
28- Estônia
27 27
28 28
9- 9-
Itália
Itália
29- Letónia
29- Letônia
Ilha de Man
Ilha de Man
29 29
10- Alemanha
10- Alemanha
30- Lituânia
30- Lituânia
(Reino Unido)
Rússia Rússia
12 12
30 30
11- Liechtenstein
11- Liechtenstein
31- Roménia
31- Romênia
6 6
34 34
12- Dinamarca
12- Dinamarca
32- Bulgária
32- Bulgária
Irlanda
Irlanda
10 10
Polônia
Polônia
4 4
13- Vaticano
13- Vaticano
33- Moldávia
33- Moldávia
Reino Unido
Reino Unido
5 5
1 1
2 2
17 17
Ucrânia
Ucrânia
14- San Marino
14- San Marino
34- Bielorrússia
34- Bielorrússia
18 18
11 11
Kasaquistão Kasaquistão
15 15
33 33
15- Áustria
15- Áustria
35- Chipre
35- Chipre
França
França
19 19
31 31
16- Eslovênia
16- Eslovênia
36- Chipre do Norte
36- Chipre do Norte
8
8 9
16 16
9
21 21
26 26
Azerbaijão Azerbaijão
3 3
20 20
17- República Checa
17- República Checa
14 14
25 25
32 32
7 7
22 22
Uzbequistão
Uzbequistão
24 24
Geórgia
Geórgia
18- Eslováquia
18- Eslováquia
Portugal
Portugal
Espanha
Espanha
13 13
23 23
19- Hungria
19- Hungria
Turquia
Turquia
Turcomenistão
Turcomenistão
Tunísia
Tunísia
20- Croácia
20- Croácia
Armênia
Armênia
Açores
Açores
Grécia
Grécia
36
35 36
35
Síria
Síria
Malta
Malta
Ilha da Madeira
Ilha da Madeira
Líbano
Líbano
Bermudas Bermudas
Marrocos
Iraque
Iraque
Irã
Irã
Palestina
Palestina
Israel
Israel
Jordânia
Jordânia
Kuwait
Kuwait
Argélia
Argélia
Líbia
Líbia
Bahrein
Bahrein
Bahamas
Bahamas
Rep. Dominicana
Rep. Dominicana
Saara
Saara
Egito
Egito
Cuba
Cuba
Catar
Catar
Arábia
Arábia
EAU
EAU
Belize
Belize
Porto Rico
Porto Rico
Ocidental
Ocidental
b 2
Saudita Saudita
4 d
a 1
3 c
5
e f 6
Mauritânia
g 7
Mali
Mali
Omã Omã
Jamaica
Jamaica
10 j
Senegal
Senegal
Níger
Honduras
Honduras
Haiti
Haiti
h 8
k
9 i
Sudão
11 12
l
Chade
Chade
Eritreia
Eritreia
Iêmen
Iêmen
19 s
m 13
14 n
20 t
18 r
15 o
Cabo Cabo Verde Verde
Burkina
Burkina
Nicaragua Nicarágua
16 p
q
Djibouti
Djibouti
Gambia Gambia
17 Trinidad
Trinidad
Guiné
Guiné
Guiné-Bissau
Guiné Bissau
Somália
Somália
Guatemala
Guatemala
Nigéria
Nigéria
e Tobago
e Tobago
Venezuela
Venezuela
Gana Gana
Sudão Sudão
Etiópia
Etiópia
Serra Leoa
Serra Leoa
República
República
do Sul
do Sul
Guiana Guiana
El Salvador
El Salvador
Libéria
Libéria
Centro-Africana
Centro-Africana
Suriname
Suriname
Costa Rica
Costa Rica
Colômbia
Colômbia
Camarões
Togo
Togo
Guiana Francesa
Guiana Francesa
Uganda
Uganda
Panamá Panamá
Benin
Bénin
Quênia
Quênia
Costa do Mar m
Costa do Mar n
Equador
Equador
República
República
Ruanda
Ruanda
Democrática Democrática
Burundi
Burundi
São Tomé e Príncipe
São Tomé e Príncipe
do do Congo Congo
Comores
Comores
Guiné Equatorial
Guiné Equatorial
Tanzânia
Tanzânia
Seychelles
Seychelles
Gabão
Gabão
Congo
Congo
Brasil
Brasil
Peru Peru
Angola
Zâmbia
Zâmbia
Moçambique
Moçambique
Rep. de
Bolívia Bolívia
Maurícia Maurício
Zimbábwe
Malaui
Malawi
Botswana Botswana
Madagascar
Madagascar
Namíbia Namíbia
Chile
Chile
Paraguai Paraguai
Suazilândia
Suazilândia
Reunião Reunião
Argentina Argentina
Uruguai
Uruguai
África do Sul
África do Sul
Lesoto
Lesoto
Ilhas Malvinas
Ilhas Malvinas
Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul
Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul
100 km
Labmundo, 2014

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11

Capítulo 1:

FORMAÇÃO DO BRASIL

Enara Echart Muñoz
Enara Echart Muñoz
Enara Echart Muñoz
Enara Echart Muñoz

O processo histórico de constituição e desenvolvimento do Estado-nação brasileiro legou características e potencialidades estruturais em suas for- mas de inserção internacional. É inescapável ao analista das relações inter- nacionais e da política externa brasileira (PEB) compreender o modo co- mo ocorreu a consolidação territorial do país, os ciclos econômicos atra- vessados e a importância dos uxos migratórios internacionais. Os mais de cinco séculos de história da inserção internacional do Brasil, primeiro como colônia do Império português, depois Reino Unido a Portugal e, en m, Estado independente, foram em boa parte marcados pelo paradig- ma agrário-exportador, que só seria modi cado em meados do século XX. As monoculturas da cana-de-açúcar, do café, da borracha e a explora- ção de minerais como ouro e diamantes de niram decisivamente as rela- ções exteriores do Brasil, além de reforçarem as características históricas de sua conformação social, política e produtiva. Neste capítulo, apresen- tamos as raízes históricas da PEB, fundamentais para a compreensão tem- poral dos vários temas que, nos capítulos seguintes, serão analisados em suas dinâmicas contemporâneas. Temas como migração, multilateralismo

e economia estão conectados com unidades subsequentes, e nos dois mo-

mentos o texto faz indicação expressa desta complementação (por meio do “Veja também”), sugerindo uma leitura não linear do conteúdo, o que

é uma característica do Atlas em geral. Nos itens nais deste capítulo se-

rão apresentadas, em perspectiva histórica, as grandes transformações que caracterizam a inserção internacional contemporânea do Brasil, por exem- plo, seu recente ativismo em questões globais ou, em um âmbito domés- tico, a demanda por maior participação social na formulação da política externa brasileira.

Labmundo, 2014

Conquista e formação do Brasil colonial

lados foi mais conlitivo do que amis- toso, com saldo negativo para os indí- genas. E foi deinido por apresamento,

aculturação, estímulo a rivalidades in- tertribais e pela difusão de doenças europeias entre indivíduos sem imu- nidade aos males europeus. A chegada

ao continente não desviou o interesse

europeu pelo caminho das Índias. No

Brasil, além do extrativismo, o proje-

to

de colonização iniciou-se só a partir

de

1530. Dividiu-se o território em ca-

pitanias e implantou-se a monocultura

A chegada dos europeus às Améri-

levaram à projeção mundial da Europa.

de

cana-de-açúcar. A mão de obra foi

cas resultou do processo de expansão

Os primeiros europeus a aportarem

inicialmente de indígenas capturados

marítima e comercial no início da in- ternacionalização do capitalismo. Fa-

nesta região encontraram populações indígenas divididas em mais de 2 mil

e

depois de escravos africanos.

tores culturais, políticos e econômicos

povos e tribos. O contato entre os dois

O

território era delimitado pelo Trata-

 

do

de Tordesilhas. Sua deinição nunca

CONTINENTE AMERICANO ÀS VÉSPERAS DA CONQUISTA EUROPEIA

Principais povos indígenas e áreas culturais T I U S N I As cores representam
Principais povos indígenas e áreas culturais
T
I
U
S
N
I
As cores representam áreas culturais,
de nidas por etnólogos e arqueólogos
que realizaram uma classi cação das
TS
UI
N
I
N
múltiplas sociedades aborígenes.
As áreas culturais compartilham modo
de subsistência, organização política e
S
OJ
social, sendo às vezes uni cadas pela
ÍB
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UAS
H
UI
difusão de línguas dominantes, como o
UR
Q
ÕES
nahuatl na Mesoamérica ou o quechua
N
C
nos Andes.
O
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São o produto de composições entre
NES
G
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I
E
C
indivíduos sedentários e nômades,
C
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HE
OM
N
ROK
SH
agricultores e guerreiros, cada grupo
L
América do Norte
ANC
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EES
S
HES,
CHE
conservando alguns de seus
NAVAJO
H
S
R
Ártico
S
A
S
-
APACHE
Sub-ártico
particularismos.
Não são, porém, mundos fechados;
ao contrário, as áreas culturais são
Costa noroeste
ES
NÁUATL
Planalto
OT
MAIAS
espaços de circulação, por terra e por
mar.
C
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O
S
Grande bacia
AR
UAQ
Califórnia
CA
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S
RAÍ
Sudoeste
BAS
A
AR
Grandes planícies
UAQ
H
UES
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Nordeste
TU
CHAS
TU
PIS
CHIB
PIS
Sudeste
H
AIM
Mesoamérica
TU
A
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PIS
S
Mesoamérica
U
C
América do Sul
J
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Caribe
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Savana Orinoco
UAS
É
A
-
Andes
R
Floresta tropical
1000 km
S
O
N
Atlântico
S
AL
Sul
AKA
LUF
E
U
U
Fontes: L’Histoire, 2012; Barraclough, 1991.
L
S
T
H
Q
S
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T
G
U
Ú
A
R
E
A
N
L
I
S
A
Labmundo, 2014

BRASIL COLÔNIA, 1500 - 1808

foi simples, nem levada rigorosamen-

te em consideração. A união das cortes

ibéricas também contribuiu para o es- praiamento da presença de portugue-

ses pelo território colonial espanhol. O

Tratado de Madri de 1750 consolidaria

a nova divisão espacial entre portugue-

ses e espanhóis. A soberania da Améri-

ca Portuguesa foi ameaçada por outros

reinos, como França e Inglaterra. Ho- landeses ocuparam o Nordeste por longo período, criando um sistema político e econômico de duradouro

EXPORTAÇÕES COLONIAIS

em milhões de libras esterlinas, 1500-1822

300

 

Açúcar

170

 

Ouro e diamantes

15

Couros

15

Pau-brasil e outras madeiras

 

12

Tabaco

12

Algodão

 

4,5

Arroz

4

Café

3,5

Cacau e especiarias diversas

 

Total: 536

Fonte: Simonsen, 2005.

1625 1492 1555-1567 Expedição de Colombo Franceses ocupam a baía de Guanabara Publicação de Do
1625
1492
1555-1567
Expedição de Colombo
Franceses ocupam a baía
de Guanabara
Publicação de
Do direito da guerra
chega ao continente americano
e da paz, de Hugo Grotius
1602
1494
Tratado de Tordesilhas
Holandeses criam a Companhia
das Índias Orientais e iniciam
atuação no delta amazônico
1500
Expedição de Cabral
chega a Porto Seguro, na Bahia
1612-1615
Franceses ocupam o Maranhão
1517
1580-1640
Lutero inicia Reforma
Protestante na Europa
1624-1625
União Ibérica
Holandeses ocupam
Salvador
1529
Eventos domésticos
Tratado de Saragoça
Golpes e mudanças de regime
1630-1654
1530
Eventos internacionais
Formação das capitanias hereditárias
Início da ocupação
holandesa no Nordeste
Relações internacionais do Brasil
1545
1598
14 AT L A S
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1492
1651

FORMAÇÃO DO BRASIL

EUROPEUS À CONQUISTA DO MUNDO Principais expedições nos séculos XV e XVI John Davis, 1587
EUROPEUS À CONQUISTA DO MUNDO
Principais expedições nos séculos XV e XVI
John Davis, 1587
(Inglaterra)
* as datas indicam a chegada aproximada
ao ponto mais distante da partida
Jacques Cartier, 1534
(França)
Império português no séc. XVI
Jean Cabot, 1497
(Inglaterra)
Territórios não conhecidos
pelos europeus
durante o séc. XVI
Áreas já alcançadas por
europeus no séc. XVI
Cristóvão
Colombo,
Vasco
1492
(Espanha)
da Gama,
1498
(Portugal)
Bartolomeu
Dias, 1488
(Portugal)
Américo
Vespúcio,
1497 (Espanha)
Fernão
de Magalhães,
1522
(Espanha)
Pedro A. Cabral,
1500 (Portugal)
1000 km
Território declarado como de in uência
portuguesa pela Igreja Católica (exceto Europa)
Fontes: Barraclough, 1991; Duby, 2003.
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sa
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o
T
e
d
.
T
Labmundo, 2014

impacto. Sua expulsão foi um dos pri- mórdios da formação da nacionalida-

para o avanço da urbanização, da inte- riorização e da diversiicação das pro-

de

brasileira.

issões liberais, além do surgimento de

O

Brasil colonial teve sua inserção in-

uma camada social média. Com a mi- neração, deslocou-se o eixo econômico

ternacional baseada na dependên- cia direta de sua metrópole e indireta da Inglaterra, com produção econô- mica marcada pela monocultura de exportação (gêneros agrícolas, princi- palmente a produção de cana-de-açú- car). A descoberta de ouro contribuiu

e político, contribuindo para a transfe- rência da sede política de Salvador para o Rio de Janeiro. A invasão de Portu- gal por Napoleão Bonaparte deu im ao período colonial. A vinda da família real, a ascensão do Brasil a Reino Uni- do e a presença de um de seus membros

na condução do Brasil independen- te ajudam a explicar a manutenção da unidade territorial e o processo de in- dependência relativamente pacíico.

VEJA TAMBÉM:

p. 16

Diversidade cultural

Integração na América do Sul

Relações Norte-Sul

Brasil Império

p. 24

p. 100

p. 86

1750 Portugal e Espanha 1789 1680 Revolução Francesa assinam Tratado de Madri Fundação da Colônia
1750
Portugal e Espanha
1789
1680
Revolução Francesa
assinam
Tratado de Madri
Fundação da Colônia do Sacramento
1648
1755
Esquadra portuguesa, armada
no Rio de Janeiro e com índios
1681
Terremoto em Lisboa destrói
Chega a um milhão o número
sede do Império Português
de escravos trazidos de Angola
brasileiros, reconquista
1759
Angola dos holandeses
1687
Fundação dos Sete Povos das Missões
1657
Companhia de Jesus é expulsa
do Brasil pelo Marquês de Pombal
Guerra entre Portugal e Holanda
por disputas ultramarinas.
Ao assinar Tratado de Paz (1661),
Portugal reconhece a perda
de territórios orientais
1763
1694
Descobertas
as primeiras
Transferência da capital de Salvador
para o Rio de Janeiro
jazidas de ouro em Minas Gerais
1773
1703
Portugal e Inglaterra
Escravidão abolida
no Reino de Portugal
1673
assinam Tratado de Methuen
Chegada dos primeiros
casais de colonos açoreanos
1782
Ingleses desocupam Ilha de Trindade
1704
1757
AT L A S
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B R A S I L E I R A
1651
1810

15

Da sede do Império colonial ao Brasil imperial

GUERRA DA TRÍPLICE ALIANÇA, 1864-1870 BOLÍVIA* Corumbá Coxim Albuquerque Forte Coimbra Miranda Nioaque Laguna
GUERRA DA TRÍPLICE ALIANÇA, 1864-1870
BOLÍVIA*
Corumbá
Coxim
Albuquerque
Forte Coimbra
Miranda
Nioaque
Laguna
Dourados
PARAGUAI
Cerro Corá
Fronteira
definida
BRASIL
à época não
da guerra
Assunção
Itororó
io
Avaí
165 km
R
P
Humaitá
Curupaiti
Tuiutí
a
Corrientes
Fronteiras atuais
Riachuelo
São Borja
Principais batalhas
Itaqui
r
Jataí
ARGENTINA
Uruguaiana
Máxima extensão
do controle paraguaio
durante a guerra
Avanço das tropas
paraguaias
URUGUAI
Área litigiosa entre
Paraguai e vizinhos
Morte de S. Lopes
e m da guerra
a
Montevidéu
Fontes: Albuquerque et al., 1977; Goes Filho, 1999;
Wehling e Wehling, 2002; Gurnak et al., 2010.
* A Bolívia não
participou da guerra
g
R
u
i
o
a
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á
P
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a
ara
r
a
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R
á
Labmundo, 2014

FORMAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO, 1808 - 1889

Com a chegada da Corte, o Brasil pas- sou a ser centro do Império português, apesar de cristalizar uma relação sub- missa à Inglaterra, como visto, em 1808, na abertura dos portos às nações amigas. Nem a independência alterou o caráter desigual e hierárquico das re- lações entre Brasil e Inglaterra, haja vista que a primeira dívida externa do Brasil independente, a im de pagar compensações à antiga metrópole, foi contraída junto à coroa britânica.

O Brasil independente contrastava

com o restante da América Latina: era

a única monarquia entre as repúblicas

da região. Esse fato, somado à unifor-

midade das elites e à estabilidade polí-

tica e social do Brasil Império, criou no

imaginário político doméstico da épo- ca a crença de um país civilizado em meio a repúblicas caudilhescas. Nas re-

lações regionais, sobressaía a rivalidade com a Argentina e o esforço por man- ter a região da bacia do Prata de modo

a não ameaçar as fronteiras e os interes-

ses do país, em um sistema regional de

balança de poder. Ao longo do século XIX, o país buscou manter sua hege-

monia nessa região. Entre 1821 e 1828, manteve a posse territorial da provín-

cia Cisplatina. Já com o Uruguai inde-

pendente, o Brasil buscou inluenciar a

vida política do novo país, fruto da ri- validade com Buenos Aires.

As intervenções brasileiras na região e a expansão econômica do Paraguai alte- raram a balança de poder regional e re- sultaram no maior conlito armado da história da América do Sul, envolven-

do Brasil, Argentina, Uruguai e Para-

guai. A Guerra da Tríplice Aliança teve

resultados signiicativos para o Brasil, como a consolidação de seu exército e

o aumento da dívida com a Inglater-

ra, além de contribuir indiretamente

para a abolição do regime escravocrata. As fronteiras dos países também foram

1801 1822 1835 Tratado de Badajoz Independência brasileira 1811 Rev. Farroupilha ( m 1845) Portugal
1801
1822
1835
Tratado de Badajoz
Independência brasileira
1811
Rev. Farroupilha ( m 1845)
Portugal intervém na Banda Oriental
1807
1843
1825
Fuga de Lisboa
Abertura do primeiro
1817
Início Guerra Cisplatina ( m em 1828)
Consulado do Brasil
1808
Rev. Pernambucana
1827
na China, em Cantão
Chegada da corte
Abertura dos portos
1820
Brasil e EUA rompem relações
Rev. Porto
1821
1844
1809-1814
Anexação da Província Cisplatina
Tarifa Alves Branco
D. João ordena ocupação
de Caiena com apoio britânico
1823
1845
Presidente dos EUA lança Doutrina Monroe
Parlamento
1824
1810
Confederação do Equador
Tratados entre Portugal
Primeiro empréstimo
público externo, junto à City londrina
britânico
sanciona o bill
Aberdeen
e
Grã-Bretânha de Comércio
e
Navegação e de Aliança e Amizade
D.
D.
Pedro I
Pedro I
Período Regencial
Período Regencial
D.
D.
Pedro II
Pedro II
1810
1820
1830
1840
16 AT L A S
D A
P O L Í T I C A
E X T E R N A
B R A S I L E I R A
1800
1850

reordenadas: o Paraguai, por exemplo, perdeu cerca de 40% de seu território.

Mais da metade das fronteiras brasilei-

ras foi deinida ao longo do século XIX.

Fazendo uso do uti possidetis, o Brasil realizou várias negociações fronteiriças com os vizinhos. A região Sul foi a de maior complexidade, em função dos receios dos vizinhos e da extensa fron- teira em litígio. Acordos internacionais sucederam-se a partir da segunda me- tade do século XIX, porém também aconteceram conlitos armados que vi- savam a garantir a soberania nacional sobre o território. Em geral, primou o uso pelo governo brasileiro da via di- plomática na solução das controvérsias territoriais.

A consolidação das fronteiras seria

completada, no começo do século XX, graças à liderança do Barão do Rio Branco, antes e durante o seu mandato

como Ministro das Relações Exterio- res. O Barão participou diretamente dos acordos que garantiram a sobe- rania brasileira sobre os territórios do

Acre, de Palmas (SC) e do Amapá.

A extensão e a unidade do território brasileiro também foram conseguidas à custa da repressão de movimentos in- ternos separatistas, tais como a Confe- deração do Equador, a Cabanagem, a Revolução Farroupilha, a República Juliana e a Inconidência Mineira.

Na economia, produtos como café, açúcar, borracha e algodão destina- ram-se à exportação. No caso do café, a tecnologia empregada evoluiu vagaro- samente, e ao inal do século novas téc- nicas aumentaram a produtividade das fazendas e uma nova forma de mão de obra passou a ser empregada: o escravo africano foi paulatinamente substituí- do pelo migrante europeu. Entre 1819

FRONTEIRAS BRASILEIRAS NA HISTÓRIA 1817 Venezuela Algumas disputas fronteiriças Inglaterra França 1859 1904
FRONTEIRAS BRASILEIRAS NA HISTÓRIA
1817
Venezuela
Algumas disputas fronteiriças
Inglaterra
França
1859
1904
Colômbia
1900
Tratado de
Tratado de
1907
Madrid, 1750
Madri, 1750
Peru
Tratado de Santo
Tratado de Santo
1851
Ildefonso, 1777
Ildefonso, 1777
Tratado de
Tratado de
Badajóz, 1801
Badajóz, 1801
Fronteiras atuais
Fronteiras atuais
Con Con itos itos resolvidos resolvidos
Bolívia
1867 e 1903
América
América
Disputas Áreas ainda perdidas
em disputa
Portuguesa
Portuguesa
Áreas ainda
em disputa
I. da Trindade
Paraguai
1872
250 km
Inglaterra
Argentina
1895
1895
*as datas indicam o momento
em que os dois Estados acordaram
Uruguai
fronteira em comum na região indicada
1851
Fontes: Goes Filho, 1999; Gurnak et al., 2010; Albuquerque et al., 1977.
.
T
or
de
sil
ha
s
(1
4
9
4)
Labmundo, 2014

FORMAÇÃO DO BRASIL

EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS

Total de cada década em porcentagem do total, entre 1821 e 1890 Café 50 30
Total de cada década em porcentagem do total, entre
1821 e 1890
Café
50
30
Borracha
Açúcar
Algodão
10
Couros e pele
Fumo
1830
1850
1870
1890
Fonte: Almeida, 2001.
Labmundo, 2014

e 1883, aportaram às terras brasileiras

cerca de 540 mil migrantes, dos quais 220 mil portugueses, 96 mil italianos, 70 mil alemães e 15 mil espanhóis.

O mercado consumidor internacional do café brasileiro se expandia à medi- da que novos centros urbanos se for- mavam e que ascendiam novas classes médias nos EUA e na Europa. Na vi- rada para o século XX, o café seria o mais importante produto da pauta de exportação e os EUA o seu maior consumidor.

Nas vésperas da República, o Brasil ti- nha pouco mais de 14 milhões de habi- tantes, já então bastante miscigenados

e no geral de baixa instrução. Essen-

cialmente agrícola e rural, tendo como único grande centro urbano o Rio de Janeiro, com 500 mil habitantes, o país era pouco integrado econômica e territorialmente.

VEJA TAMBÉM:

Integração na América do Sul

Argentina

p. 88

p. 86

Governança global

p.

108

Cooperação Sul-Sul

p.

112

1861 1889 1850 1867-1869 Questão Christie 1876 Proclamação Aprovação Brasil e Peru rompem entre Brasil
1861
1889
1850
1867-1869
Questão Christie
1876
Proclamação
Aprovação
Brasil e Peru rompem
entre Brasil
D. Pedro II
da República
da Lei Euzébio de Queirós
relações
e Grã-Bretanha
é
o primeiro monarca
e da Lei de Terras
a
visitar os EUA
1863-1865
1871
1853
Brasil e Grã-Bretanha
1884
Lei do Ventre Livre
1889
EUA pressionam
para ter direito
rompem relações
Início
da Conferência
EUA, Argentina e Uruguai
reconhecem o novo regime
à livre-circulação
1864
de Berlim
republicano brasileiro
ao
rio Amazonas
Tropas brasileiras
invadem o Uruguai
I Conferencia Internacional
1854
1879-1883
Americana, em Washington
Brasil
Intervém
Guerra do Pací co,
no Uruguai
Guerra Paraguai
entre Peru e Bolívia
1859
contra o Chile,
Prússia proíbe
1866
1888
emigração
O rio Amazonas é aberto
em
que o Brasil
Abolição da escravatura
para o Brasil
à navegação internacional
permanece neutro
Deodoro
F.
Peixoto
P. de Moraes
C. Sales
1860
1870
1880
1890
AT L A S
D A
P O L Í T I C A
E X T E R N A
B R A S I L E I R A
1850
1900

17

1901 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010

A República e a hegemonia dos Estados Unidos

RELAÇÕES COMERCIAIS

Comércio brasileiro, entre 1901 e 2010 (em milhões de dólares)* 100 000 10 000 1
Comércio brasileiro, entre 1901 e 2010 (em milhões
de dólares)*
100 000
10 000
1 000
100

O Império do Brasil (1822-1889) man-

teve laços de lealdade com as famílias reais e as monarquias da Europa, en- quanto assistia com distância crítica ao desenrolar da Doutrina Monroe.

As relações entre Brasil e EUA muda-

ram com o advento da República no Brasil, devido não apenas à proximi- dade ideológica dos regimes políticos e à airmação do ideal republicano no continente americano, mas também pelos interesses econômicos dos cafei- cultores ligados à exportação. As rela- ções do Brasil com os Estados Unidos passariam, ao longo do século XX, a constituir-se no elemento sistêmico mais relevante da PEB.

PACTO DO RIO

Participação no TIAR, entre 1947 e 2014

1 000 km Membros originários Estados que aderiram ao longo do tempo* Estados que se
1 000 km
Membros originários
Estados que aderiram
ao longo do tempo*
Estados que se retiraram**
*Datas de adesão: Nicarágua (1948),
Equador (1949), Trinidad e
Tobago (1967) e Bahamas (1982).
**O México (em 2004), assim como
Bolívia, Equador, Nicarágua e
Venezuela (em 2012) retiraram-se
do tratado.
Fontes: Itamaraty, 2013a; OEA, 2014
Labmundo, 2014

No começo do século XX, o fortaleci-

mento das relações Brasil-EUA visava

a “republicanizar” a PEB. Airmava o

Manifesto Republicano de 1870: nós somos americanos e queremos ser americanos. Resultado para a PEB:

posições menos favoráveis à Europa e aproximação com os EUA e vizinhos hispânicos. O Acordo de Cooperação Aduaneira, assinado em janeiro de 1891

com os Estados Unidos, o apoio esta- dunidense – ao lado de ingleses, por- tugueses, italianos e franceses – aos militares republicanos sob a liderança de Floriano Peixoto em 1893 e o Trata- do de Cooperação assinado com a Ar- gentina em 1896 são exemplos dessa aproximação.

* Foi adotada a escala logarítimica

Participação do comércio com os EUA, entre 1901 e 2010 (% do total) 50 40
Participação do comércio com os EUA, entre 1901
e 2010 (% do total)
50
40
30
20
10
0
Exportação do Brasil para os EUA
Importação dos EUA pelo Brasil
Fonte: MIDC, 2008.
1901/10
1911/20
1921/30
1931/40
1941/50
1951/60
1961/70
1971/80
1981/90
1991/2000
2001/10
Labmundo, 2014

XX pode ser explicado à luz dos em-

Na transição para o século XX, as rela- ções econômicas e políticas entre e Bra-

bates entre esses dois posicionamentos. Durante os primeiros trinta anos do século XX, o Brasil manteve sua posi-

sil e EUA passaram a ser fundamentais

ção

de país alinhado com os interesses

na deinição das prioridades e orienta-

dos

EUA, procurando tirar benefícios

ções estratégicas da PEB, provocando,

das

condições de segurança continen-

inclusive, o desenvolvimento de visões diferenciadas da diplomacia brasilei-

tal garantidas na América Latina pelo prestígio internacional da nova potên-

ra. Dois posicionamentos podem ser