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© desea egg, Boiempo, 2016 (© Stephen Gram e Veo (the imprint of New Left Book), 2011 “Tiel original ier Under Siege The New Mlitery Urbain inp editral van kings iyo ola Meat Condens de produao. Livia Campos ‘Acti elite Tie Baa Thudagto Alype Azuma Prarie Andet Albert Reino Cae Alter Cape Ronde Ales ‘Sie ft de San Led Py Saga ae - Urn ‘Shed Pla de Sngppers Des Uo, 2014 Dingnmepte Azonic Keb pipe opin ‘Allan Jones, Ava Yuri Kaji, Artur Reno, Bibiana Leme, Eduado Marques, line Ramos, Gil Porto, va Olivera, Kim Dol, Leonardo Fabs, Maslene Bp, ‘Maile Burbou, Renato Sous, Tals Banos, Tullo Candioa CCIP-BRASIL. CATALOGAGAO NA PUBLICAGAO SINDICATO NACIONAL. DOS EDITORES DE LIVROS, 8) G7 Gating (Cee hr ct eta iif Sees ans eh [Alyne Aasma~ ed S50 Pula: Bote, 2016 (Gs de So) Tradugo de: Cites unde sege the new aiary urbanism Incl indice gylios ISBN 978-45.7559-499-5, 1, Utbanismo, 2. Geog Til, I Sti 16.3595 cpp.7114 eu:7i4 edd a produ de qualquer pare deste livosem express autora d itor igo: goto de 206 BOITEMPO EDITORIAL ‘Thing Enesco Ld, Rea Pereira Let, 373. (05442000 Sie Paulo SP Teka: (1) 3875-7250 1 3875-7285 ctoraboitmpocitorial com br srorboiepostil tn bs | wir blegabosiemnpo comb srrrccbonccinl temp | wees roel edicts sreostube cial baienpo SUMARIO Apresentacio ~ Cidades e militarizagio, de “Norte” a “Si ‘Marcelo Lopes de Souza Agradecimentos Incroducio — “Alvo intercepeado. A guerra volta & cidade .. ‘Mundos maniquefstas novo urbanismo militar... Frontciras onipresentes Sonhos de um robé da guerra Argquipélago de parque temitico.. Ligdes de urbicidio.. Desligando cidades Guerras de carro 1. Contrageografas.. Fonte das imagens Indice remissivo.... Sobre o autor. Introdugao “ALVO INTERCEPTADO....” Hii 14 ce novembre de 2007, Jacqui Smith, entéo ministrado Interiordo Ji) Unido, anunciow uma das maisambiciosas tencativasjé empreendidas Wi) sto cle astrear evigiarsistemacicamente todas as pessoas que Wasp & sasem do teritério por ele controlado. O altamente contro- | jHotnma e-Borders procura fazer uso de sofisticados algoritmos de ior « encas de mineragdo de dados para idenifcar ind J ylides “ilegais” ou hosts antes que ameasassem as fronteiras do ver- Hi lo Reino Unido. O programa utiliza uma tecnologia desenvolvida 4 (oijOrvio Trusted Borders, liderado pela gigantesca corporagéo de bas Haythcon, () projet" e-Borders se baseia em-um sonho de onisciéncia tecno- Wier’ tustrear codos os que passem pelas frontciras do Reino Unido, Wile ieyisios de atividades-passadas e associagbes pata identificar Wg fiturasantes que se materializem. Smith promereu que, quando 4 finalmenteestivesz¢fimcionando, em 2014 ~ ainda que muitos ‘shiner que & impraticével -, 0 controle ea seguranga nas fronteras do Helin Unis seriam restabelecidos, em um mundo radi re mével € pe yin! “Tados os viajantes Que forem para a Inglavera passardo pela Tijajorn ce lists de pessoas barradas clistas de alvos a interceptar”, ela Wei. "Junto com vistos biométricos, isso vai ajudar a mancer os peo= bliin longe da nossa costa... Além da checagem dupla mais rigorosa na Inéro do Inetior do Reino Unido gatou pelo menos £ 890 millbes entre 10) © 2015. Mas as projetos foram um fracasso porque os sonhos de controle 1 eacesivamente ambiciosos ede fao,impraticives no contexto das W to complexase to tens ~ me Cidade siiadas fronteira, careiras de identidade para estrangeiros que vivem no pais logo fornecerio uma checagem tripla”, “vistos biomé- ‘A linguagem de Smith ~ “lista de alvos’, “filtragem tsicos” & assim por diante ~ € muito reveladora. A"gigantesca proliferagéo global de projetos de vigilincia governamental atamente tecnéfilos como © programa e-Borders € um sinal da impressionante milicatizagio da sociedade civil ~ a extensio das ideias militares de rastreamento, identi- ficagao ¢ selecao nos espagos & meios de-cireulacio da vida cotidiana, De fato, projetos como esse si mais do que Feagbes do Estado a ameagas & seguranga que esto em mutagio. Em um mundo marcado pela globaliza- «fo e pela crescente-urbanizagéo, eles representam tentativas dristicas de traduzir antigos sonhos militares de onisciénciae racionalidade altamente recnofégicas para o controle da sociedade civil urbana. Estando atualmente a seguranga ¢ a doutrina militar nos Estados ocidentais centradas na tarefa de entificar insurgentes, terroristas¢ uma vasta gama de ameacas ambientais no eaos da vida urbana, esse fato se toma ainda mais claro, Alm do mais, seja nas filas do aeroporto Hea- throw, nas estagées do metrd de Londres ou nas ruas de Cabul e Bagdé, adoutrina da vez enfatiza que 6 preciso encontrar maneiras de identficar cals pessa dado que elas hoje sio efetivamente impossiveis de distinguir em meio & populacao-trbana mais ampla. Portanto, hé um esforco nas cidades, tanto no coragko capitalista do Norte global quanto na periferia e nas frontciras coloniais do mundo, para estabelecer sistemas de monitora~ «¢ ameagas antes que seu. potencial letal seja concretizado, mento de alta tecnologia que vasculhem dados acumulados do passad™ para idencificar ameacas futuras. Nicole Kobe, “£650 million e borders contract to Raytheon group", JT Pro, 4 nox 2007. Dsponivel em: . Acesso em: 21 maio 2016, Em uma curios ron, out forma de vigilincia — um registro de farura de material pay-per-view ~ quate Forg Smich a renunciar 0 fin de margo de 2009, quando se descobriu que ela entou decara a despesas do hibito do marido de asistir a conteides pornogrSficos como um gasto parlamenta. No mesmo més, um excindalo posterior de membros do Paslamento busando desses gastos a colocou, erambbém a muitos de seus clegas, sob presi, ‘Sits acabou renunciando em janho de 2008, Introdugio ~“Alvo inereepead Os filhos deles contra 0 nosso silicio Na maiz dessas vsBes de guerra e seguranga no mundo pés-Guerra Fria ‘utio fantasias em que o Ocidente faz uso de seu incontestével poder tec- \voligico para estabelecer sua declinante supremacia militar, econdmica e Jpolltica, “Em nosso rerritério e ld fora’ escreveram os estudiosos de segu- {nga estado-unidenses Mark Mills e Peter Huber na publicagio de direita City Journal, um ano depois dos ataques de 11 de Setembro, “vio acabar endo os filhos deles contra o nosso silicio. Noss silicio vai ganhar™. Huber e Mills preveem um Futuro préximo saido diretamente do filme Minority Report— A nova lei. Para eles, toda uma sétie de sistemas de vigi Vincia erastreamento emerge na esteira de modos de consumo, comunic: > transporte de alta tecnologia para permear todos os aspectos da vida tus cidades ocidentais. Comparando constantemente o comportamento vival dos individuos com vastos bancos de dados que registram eventos «© asociagées passados, esses sistemas de rastreamento — de acordo com 0 vjyumento ~ vio sinalizar auromaticamente quando 0s corpos, espagos € sistemas de infraestrucura das cidades estiverem prestes a softer um araque \cirorista, Assim, © que Huber e Mills chamam de “alvos confidveis” ou ‘cooperativos”sio constancemente separados dos “no cooperativos” eseus «sforgos de usa sistemas postais, elétticos, de internet, financeitos, éreos ¢ dle transporte como meios de projetar resisténcia e violencia. Alissa visio ule Huber e Mills pede que sistemas de seguranca ¢ vigilancia em estilo ueroportudrio passem a abranger cidades € sociedades inteiras utilizando, «em sua base, 05 meias de consumo ¢ mobilidade de alta tecnologia que jé cstio estabelecidos nas cidades ocidentas Quanto sfronteiras coloniaisresistentes, os autores, como muitos tebricos nilcarese de seguranga éstado-unidenses, onham com um aparato de guerra contrainsurgente continuo;-auromatizado-e-robotizado, Usando sistemas semelhantes quele® empregados was cidades norte-amiericanas, mas desta vex.com 0 poder Soberano para matar com autonomia; eles imaginam que as Lwopas cstado-unidenses podem scr poupadas do trabalho sujo de lueare matar tcitigas em riprrurbaniagio- Eames de pequenos ados com sensors avangados ¢ em comunicagio uns cm solo nas zo hones amas, Mark Mills e Peer Huber, “How Technology Will Defeat Tetons’, Gi Journal, Nowa Yor 12. 1, 2002, +25 26 + Cidades sivas com 0s outros, serdo entéo empregados para vagar permanentemente sobre as ras, os desertos eas estrada. Huber ¢ Mills sonham com um faaro em aque esses enxames de guerreiros robotizados vio trabalhar sem descanso para “mitt poder de destruigio com precisi, critério ea patie de uma diseincia segura — semana apés semana, ano apés ano, enquanto for necessitio™: Essas fantasias de onipoténcia high-tech sio muito mais do que ficg0 cientifca, Além de desenvolver 0 programa e-Borders no Reino Unido, « Raytheon também é, por exemplo, lider na producio tanto de misseis de ‘ruzeito quanto de drones nao tripulados usados com regularidade pela CTA ‘para realizar incurs6es asassinas pelo Oriente Médio & pelo Paquistéo desde 2002, A Raytheon também esta no centro de uma série de projetosmilitates estado-unidenses bastante reais, nos quais softwares sio desenvolvides para programar armas robotizadas a mirar e mata inimigos de modo ausénomo, semi nenhum envolvimento huimano, Gomo Huber € Mills anceviram. O novo urbanismo militar A cransigao entre 0 uso militar ¢ civil de tecnologia avangada — entre a vigilincia eo controle da vida cotiiana nas cidades ocidentais eas agressivas sguciras de colonizagao e de recursos ~esté no cerme de um conjunto muito ‘mais amplo de tendéncias que caracterizao novo urbanismo milita. Claro, 0s efeitos observadas no cenério ocidental urbano sio muito diferentes daquiles vistos em zonas de guerra: Mas, fundamentalmente, seja qual for o ambiente, eSeratos-de-sioléncia de alta tcenologia tém por base um ‘mesmo conjunto de ideias: ‘A mudang-paradiginstica que torna os espacos comune privados das cidades, bem como sua infraestrutura = € suas populagées-civis ~, fonte de alvos e ameagas é fundamental para 0 ovo Urbanismo militar Isso se manifesta no uso da guerra como.metéfors-dominante para descrever a condicéo constante c irrestrita das sociedades-urbanas ~ em guerra contra as drogas, 0 crime, o terfor, contra a prépria inseguranca. Esse advento incorporwa militarizagio sub-tepticia de uma ampla gama de debates de politica interna, paisagens urbanase circuitos de infraestrurura urbana, além de universos inteiros de cultura popular e urbana. Leva & dfusio furtiva e Intradugio ~ “Alo itereeptado Invlliosa de debaces militarizados sobre “seguranga’ em todos os aspectos dh vida, Juntos, mais uma ver, eles lutam para trazer ideias essencialmente tnillares de guerra, e de sua preparacio, para 0 centro da vida citadina comum ¢ cotidiana, ‘ rnilcarizacéo insidiosa da vida nas cidades ocorre em uma época em jue bumanidade se rornou uma espécie predominantemente urbana pela Jvinieiea vez em seus 150 mil anos de historia. Ela gana forga a partir dos ‘iltiplos circuitos-de-miliearizagio-e-secusitizagio.que, até o momento, ho foram consderados em conjunto nem vicos como um todo, Fa esa Larefa que este livo se dedica ‘A guisa de intcoducio, e para oferecer uma amostra do impressionante leque de cieuicos politicos, sociais culuurais que atualmente esto endo ‘olonizados pelo novo urbanismo militar, vale a pena apresentar suas cinco ‘oractristicas principals Urbanizagao da seguranga Assim como as previsbes de Huber e Mills para 6 furuto, 0 novo ut- \nnisto militas em toda a sua complexidade e o seu alcance, se apoia em una ita central: técnicas miliarizadas de rastreamenco etriagem precisam colonizar permanentementea paisagem urbana e 0s espagos da vida cotidiana ‘unto na “patria”* quanto nas cidades do Ocidente, bem como nas fronteiras hpeseolorlals co mundo, Poracs mais echoes gurus reltancse de segicanca, \svo € considerado crucial, a nica maneira adequada de lidar com as novas realidades daquilo que chamam de guerra “assimeétria” ou “irregular” Essas guerra colocam terrorists ou insirgenTertnrernacTonais contra a « gutanga dealta tecnologia, as forgas militares ede inteligencia de Estados- nnagio e seus Teques cada vez maiores de aliados privados e corporativos. Sem Fardas, de modo geral indistinguiveis da populagio urbana, guerreiros ‘no catatais, milicianos, insurgentese terrorstasespreitam, invisiveis, gracas 10 anonimato oferecido peas cidades em desenvolvimento do mundo (em [Nooriginal homeland, que pode se tantoa terra naa de alguém quanto 0 testério 1 rea destimada ao povo de detcminada nagio, cultura, raga ou etna. Asim, ‘lependenda do contest, otermo foi traduzido ort como “pea ora como “in- ‘ctor, or come “interno”, ofa como “nacional” ou, quando nenhuma das opgbes ‘mm portugués diva conta da sentido completo, mantido no orginal. (N.T) 28 + Cidades sitiadas especial os distrtos informais em répido crescimento). Eles exploram ¢ ‘miram os condutos em espiral eas artéias que conectam as cidades moder- nas: a internet, 0 YouTube, a tecnologia de GPS, os celulares, as viagens de vito, 0 turismo global, a imigragéo internacional, os sistemas portuérios, as financas globais e até os servigos de correio ¢ as redes clétricas. (Os atentados tertoristas em Nova York, Washington, Madri, Londres ‘© Mumbai (para citar alguns alvos desses ataques), a0 lado das agressbes militares estatais a Bagdé, Gaza, Nablus, Beirute, Grozny, Mogadiscio Ossétia do Sul, demonstram que a guerra asimétrica & 0 vefculo para a violéncia politica que aeravessa espagos transnacionais. Cada vez mais, os conflits contemporineos ocorrem em supermercados, edificios, einets do rmetzb e distritos industiais, em ver de campos abertos, selvas ou desertos. “Tudo isso significa que, talvex pea primeira vez desde a Idade Médla, a sgeografialocalizada das cidades e os sistemas que as entrelagam comegam a dominar as discussbcs em torno da guerra, da geopolitica eda seguranca. Nanova doutrina militar da guerra assimétrica~ também rotulada de “con- flito de baixa intensidade”, “nenwar*, a “guerra longa” ou “guctra de quata geragio” -, locais prosaicos e cotidianos, éreas de circulacio e‘espagos da cidade esto se tornando o principal “campo de batalha tanto em teticério nacional quanto no exterior. Nesse contexto, a doutrina de seguranca ¢ militar ocidentalesté sendo rapidamente repensada de maneiras que obscurecem dramaticamente a se- paracio juridica eoperacional entre policiamento, inteligénciae miltarismos as distingSes entre guerra e paz; eentre operagées locas, nacionais e globais, Cada ver mais, guerase mobilizagées asociadas deixam de ser estrtas pelo tempo e pelo espaso e, em ver disso, se tornam, na mesma medida ilimitadas «¢ mais ou menos permanentes. Ao'mesmo tempo, centros de poder estatal ‘empregam cada vez mais recursos tentando separar figuras consideradas smalignas c ameasadoras daquelas consideradas valiosas ¢ ameagadas dentro dos espagos cotidianos ¢ das infraestruturas que as entrelagam. Em vex de direitos legais e humanos e de sistemas jutidicos bascados na cidadania universal, essas polticas de seguranca emergentes se fundamentam na elabo- ragfo de perfis de individuos, locas, comportamentos, associagées€ grupos. “Tais priticas atribuem a esses sujeitos eategorias de risco bascadas em suas Ver Tim Blackmore, Wir X: Hannan Extensions in Baslepace (Toronto, University of Toronto Press, 2005) Introdugio ~“Alvo interceprado. ty wsvociagies com violéncia, desordem ou resistencia contra as ordens Wiis dorninantes que sustentam o capitalismo neoliberal global. Wy Cuidence, essa mudanga ameaca reorganizar as concepgbes de Aiynine limites nacionais, fandamentais 20 conceito de Estado-nagio lil desule meados do século XVI. A obsessfo cada vez maior com fi ico pode usar as erramentas de seguranca nacional para desman Files que alimentam a concepeio de cidadania nacional universal. ‘eionplo, os norte-americanos jé estéo pressionando a Inglaterra para aulivir un novo sistema de vistos para cidadsos do Reino Unido com {los puiximos com o Paquistio que quiserem vistar os Estados Unidos twyiras palavras, esses Fatos ameagam estabelecer priticas de fronteira Jy ido espagos dos Estados-nacio ~ desafiando a definisso do “interior” Jl “exteriox” geogrdfico e social de comunidades politicas. O processo se Wulpur, por sua ver, & erupeao de pontos de frontera dentro dos Himes Jyoriais das nagbes, em aeroportos, portos de carga, terminais de internet W ioughcsFerovidrias de trens expressos. } mesino tempo, alcance dos bragos de policiamento, seguranga einte- Inca dos govenos também ests indo além dos limites terscorias nacionais, Flore sistemas de vigiléncia global si criados para monitorar os sistemas 0s, portudrios, comerciais, fnanceiros ¢ de comunicagio mundiais. Os joysannas eletronicos de frontiras, por exemplo ~ como o da Raytheon no lin Unido —, esto sendo integrados aos sistemas transnacionais para que Jinsagcros tenham seus dados de comportamento eassociagées minera- los nics mesmo de tentarem embarcar em avides para a Europa ¢ para 0s ualos Unidos. Os poderes de policiamento também estio se estendendo Jin al cas fronteias dos Estados-nacio. © Departamento de Policia de Nova York, por exemplo, estabeleceu recentemente uma rede de der escri- Lilos no exterior como parte de seus crescentes esforgos antitercorismo, O Julciamenco extranacional prolifera nos encontros de eipula politica eos fens esportvos internacionais. Em um movimento paralelo, campos de Joliiados ¢ exilados cada vez mais se constituem de forma “offhore", para Jjovoin mantides fora dos limits terrtorais das nagbes capitalistas ras, de Jhovlo que se armazene e lide de manera invsivel e a distancia com corpos Jnanos considerados malignos, indignos ou ameagadores. \ expansio dos poderes da policia para além das fronteiras nacionais sorte enquanto as forgas militares esto sendo alocadas com regularidade tua vex maior entre as nagbes ocidentas. Recentemente, os Estados Unidos on 30 + Cidadesstadas estabeleceram pela primeira ver um comando militar paraa América do Nor- te:0 Northern Command [Comando Norte. Antes disso, essa era. a tinica parte do mundo nao coberta dessa maneira. O governo estado-unidense tam- ‘bém reduziu de maneira gradual antigas barreras leais 20 posicionamento de militares dentro de cidades do pais. Hoje em dia, exercicios de treinamento de guerra urbanos ocorrem com regularidade em cidades dos Estados Unidos, simulando crises de “seguranga nacional”, bem como desafios de pacifcagio de rebelides nas cidades das periferias coloniais no Sul global. Além do mais, «em uma convergéncia expressiva de doutrina e tecnologia, satélites high-tech drones desenvolvidos para monitorar inimigos da distante Guerra Fria ou insurgentes estio sendo cada vez mais usados dentro das cidades ocidentas. © bumerangue de Foucault © novo urbanismo militar se alimenta de experiéncias com estilos de objetivos ¢ tecnologia em zonas de guerra coloniais, como Gaza ou Bagdé, ‘ow operages de seguranca em eventos esportives ou ciipulas paliticas inter nacionais. Essas operagées fancionam como um teste para a tecnologia eas, téenicas a serem vendidas pelos présperos mereados de seguranga nacional 20 redor do mundo. Por processos de imitagio, modelos explicitamente coloniais de pacificagio, militarizacéo e controle, aperfeicoados nas ruas do Sul do globo, se espalham pelas cidades dos centros capitalistas do Norte. ssa sinergia, entre operagoes de seguranga nacional e internacional, é a segunda caracteristica fundamental no novo urbanismo militar (O pesquisidor de estudos internacionis Lorenzo Veracini diagnosticou um dramético resurgimento contemporineo da importacio dealegoriaseténicas tipicamente coloniais para a administrago eo desenvolvimento de cidades nos centros metropolitanos da Europa e da América do Norte. Ele argumenta que esse process esta servindo para desfizer, de maneira gradual, uma “dist cléssica c antiga entre a faceta exterior ea interior da situagio de col6ni” , que o ressurgimento de estratégiase tfcni- entre Estados-nagio como os Estados Unidos, B importante destacay, et cas expliccamente colon ‘Ver ewwwwnorthcom mils. Acesso em: 21 malo 2016, Lorenzo Veracini, “Colonialism Brought Home: On the Colonization of the Met- ropoltan Space’, Borderlands 4, n. 1, 2005. Disponivel em: . Acesso em: 31 mar. 2016. Tarodusso —*Alvo interceprado, 1 vino Unido e Israel no periodo *pés-colonial” contemporinco* envolve {io apenas 0 uso de eéenicas do novo urbanismo militar em zonas de guerra iio esteior, mas sua difuséo e imitagéo por meio da securtizagio da vida ilenral. Assim como no séclo XIX as nagbes colonalistas europelas Ui)portaram o uso de impressbes digitais as prisdes panépticas ea construc th onievurds haussmannianos para implanta-los nos bait rebeldes de suas ‘lls depois de os terem experimentado em fronteirascolonizadas, as téc- Ica voloniais hoje funcionam por meio do que Michel Foucault chamou lp “cleito bumerangue™. “Jamais deve-se esquecer”, afirmou Foucault, «ques enquanco a colonizagéo, com suas tcnicase suas armas politicas¢ ju ridicas, obviamente ransportou modelos europeus para outros continentes, th também teve um considerivel efeico bumerangue nos mecanismos de pler do Ocidentee nos aparaos, nas insituigdes e nas tenicas de poder Tou uma série de modelos colons foi trzida de volta a0 Ocidente, 0 csultade foi que este pide praticaralgo que se parece com a colonizagio, ‘ow um colonialisma interno, em si mesmo." No periodo contemporineo,o novo urbanismo militar esté marcado por— «1a realidade, eonsiste em — uma mirade de chocantes casos de efeito bu- sncrangue foucaulkiano, elaborados detalhadamente em boa parce dest livro. Vor exemplo, drones istaelenses desenvolvidos para vericalmence subjugar «ter palestinos como alvo sio rotineiramente utilzados hoje em dia pelas forgas policiais na América do Norte, na Europa e na Asia Oriental. Opera- \lotes privados das prisbes de seguranca maxima nos Estados Unidos estio Instante envolvides na administragio do-arquipélago global que organiza 0 csicarceramentoe tortura, em franco crescimento desde o inicio da "Guerra Ver Derek Gregory, The Colonial Present (Oxford, Black, 2004); David Harvey, The New Inperation (Oxfon, Oxford University Press, 2005) [e. bras: O nove linprialiomo, cd, Adal Sobral e Mara Sicla Gonsalves, io Paul, Layole, 2005] Michel Foucaul,Soiny Must Be Defnded: Lecture athe Collie de ance, 1975-76 (Londres, Allen Lane, 2003), p. 103 fed. brass Fim def da sociedade: curso no Colige de France, ead. Maria Ermantna Galvio, io Pil, Martins Foates, 1999] Sobre panoptizagso, ver Tim Mitchel, “The Stage of Modernity”, em Tim Mitchell, (org), Question of Modernity (Minneapolis, University of Minnesota Press, 2000), . L34, Sobre planejamento haussmanaiano, ver Eyal Weiaman, entrevista com Phil Misslwita, "Miltary Operations ar Urban Planning", Mise Magazine, ago 2003, Disponivel em: . Acsso em: 22 maio 2016. F, sobre limpresiesdigtis, ver Chandak Sengoopta, print ofthe Raj: How Fingerprinting Was Born in Colonial Indie (Londes, Pan Books, 2003). Michel Foucault, Sociny Mus Be Defended ct. \ 32 + Cidades scadar 20’ Terror”. Cosporagdes militares privadascolonizam fortemente os contratos de reconstrusio tanto no Iraque quanto em Nova Orleans. A pericia istaclense zo controle populacional é buscada por aqueles que planejam operagées de seguranga para eventos internacionais no Ocidente. E politicas de “atirar para matar” desenvolvidas para combater homens-bomba em Tel-Aviv © Haifa foram adotadas por forgas poiciais na Europa e nos Estados Unidos — tum processo que resultou diretamente na morte de Jean Charles de Menezes pela polcia antterrorismo londrina em 22 de julho de 2005. Enquantoisso, 0 policiamento agressivo e militarizado em manifestagbes pablicas e mobilizagbes socais em Londres, Toronto, Pars e Nova York est comegando a usar as mesmas “armas ndo leis” que o Exército de Israel em Gaza ou Jenin, A construcio de “zonas de seguranca” a0 redot dos centros financeitos estratégicose distrcos governamentais de Londres e Nova York importa diretamente técnicas usadas em bases militares instaladas em outros pafses ccm dreas internacionais. Por fim, muitas das técnicas usadas para for- talecer enclaves em Bagd ou confinar permanentemente civis em Gaza ena CCsjordinia esti sendo vendidas mundo afora como “solug6es de seguranga* ‘de ponea, comprovadas em batalha, por coalizbes corporativas que conectam ‘empresas € governos israelenses, estado-unidenses ¢ de outros lugares. Essencialmente, esses casos de efeito bumerangue que fundem doutrinas de seguranga c militares nas cidades do Ocidente com aquelas das periferias coloniaissio reforgados pelas geografas culturais que sustentam a direita e extrema direita politica, junto com comentadores beligerantes dentro das préprias Forcas Armadas ocidentais. Eles tendem a considerar as cidades em siespagos intrinsecamente problemdticosos principais espasos de concen- tragio de atos de subversio, resistencia, mobilizagéo, dissenso e protestos, desafiando a seguranga nacional tanto dentro da pais quanto fora dele. Basties da politica etnonacionalsta, os movimentos da ascendente extrema dlireta em geral ttm forte representaco dentro da policiaedas Forgas Armadas statis, Eestendem a ver dreasruris ou os subirbios abastados como espagos auténticose puros de nacionalismo branco, asociados valores crstiosetradi- , Aceso em: 30 mat, 2016, ‘Ver Samaucl Huntington, Who Are We: The Challenges to Ameria National Identity (Nova York, Simon 8 Schuster, 2005)se, do mesmo aucor, The Clash of Cilizations and the Remain of World Onder, cit William Lind, “Understanding Fourth Generation Wat", Miltary Review, stout 2004, p. 16, Disponivel em: ewww. af mil/au/awelawcgatelilreview!lind pa ‘Acesso em 31 mar. 2016, 35 36 * Cidade siiadas alimentado pelo antiurbanismo instintivo dos Estados de seguranga na- cional, nao surpreende que cidades em ambos os dominios comecem a , Aceso em: 30 42» Cidadesstadas pPermitem que os usudtios matem terroristas em cidades ficticias e orienta- Tizadas usilizando estrururas baseadas diretamente naquelas dos sistemas de trsinamento das pprias Forgas Armadas estado-unidenses, Para fecha o ciclo entre cneretenimento virtual ¢assassinatos remotos, painéis de controle dos sistemas de armas norte-americanos mais recentes ~ como as mais modernas ‘stagées de controle para pilotos dos dronerarmados Predator, fibricados pelos ‘nossos velhos amigos da Raytheon —agora imitam os consoles do PlayStation, ‘que, afinal, so muito familiares para os soldados. Um tleime circuito veal de militarizagio conectando a cultura popular turban nas cidades nacionais& violencia colonial em cidades ocupadas se Concentra na bem estabelecida, mas cada vex. mais intensa, miliatizagdo da cultura do automével. O simbolo mais poderoso disso é a populatidade do explicitamente militar Sports Utility Vehicle, ou SUV, umm fendmeno notével nos Estados Unidos. A ascensio e queda do Hummer é um exen Plo especialmente marcante. Como veremos, veiculos para guerta urbana das Forgas Armadas estalo-unidenses foram convertidos em veiculos ci hiperagressivos, comercializados como a personificagio patriética da Guer- 3.0 Terror. SUVs modificados para civis, por sua ver, foramo vefculo cscolhido pelos mercendcios da Blackwater nas ruas do Iraque, bem como © foco recente das campanhas de recrutamento norte-americanas voltadas para minorias micas urbanas, Além disso, tendéncias experimentais em direcao a carros civis computadorizados se misturam intensamente com 0s impacientes esforgos militares dos Estados Unidos de construit veiculos desolo totalmente robotizados voltados para a guerra urbana, Claro, todas ¢ssas conex6es se elacionam com as insegurangas ea violéncia perpewuadas Pelo desregramento petrolifero norte-americano, que esti forgando as For. sas Armadas dos Estados Unidos a uma cortida espalhafatosa pelo acesso ¢ controle de reservas ¢ estoques em ripida diminuigo. Objetivos Esse ¢ 0 comtexto em que Cidadessiiadas pretende apresentar uma ampla explorasio e critica dos contornos do novo urbanismo militar. Ao contririo dos debates convencionais dentro da politica internacional, da ciéncia politica ¢ da histéria, esta obra néo vé os espagos, a infiaestrutura 0s apeetos cultuais da vida na cidade como mero pano de fundo para a Jmaginacto © a propagagéo da violéncia ou da construgio da “segutanga”. Introdugso ~ “Alo iverceptado." + 43, Em ver diso, considera que a mancira como as cidades eos espagos urbanos sio produsidos e reestruturados de fato ajuda a formar essas estratégias © fantasia, além de seus efeitos (c vice-versa). Para que isso sej alcangado, Cidades stiadas, de modo proposital, taba- Jha com uma gamaatipicamente vasta de escalas geogréficas. Olivro enfatiza ‘como o novo urbanismo militar opera estabelecendo a vida urbana tanto nos centros metropolitanos do Ocidente quanto nas cidades em desenvolvimento das froncciras coloniais do Sul global. Ademais, ele revela como isso € feito por meio de procesoseconexses que exigem a observacio simulinea dos Abita tone tame pet 717 «ca obra tem como objetivo, em particular, unir dois discusos bastante tinue cn pa tase caine nvidia cada vex maior dentro dos estudos sobre seguranca e politica internacional sobre urbanizagio da seguranca; eos debates em geral mais criticos dentro do urbanismo, da geografa, da arquitecura, da antropologia e dos estudos ceulturas sobre como essas mudangas estio desafiando a politica das cidades da vida urbana em uma época de ripida urbanizagio. A cscrita deste livro foi motivada em parte pela falta de uma andlise acessivel € critica que explorasse como 0 imperialismo ressurgente e as rafias coloniais caracteristicas da era contemporinea conectam, de ‘ancina umbileal, cidades nos centos mewopolitans ¢ nas pesfras coloniais®. Tal negligéncia & resultado da rigida divisio do trabalho dentro dda academia. Isso significa que, em termos mais amplos, pesquisadores de politica externa, dos assuntos militares, do direito © de relagies interna- cionais tém se ocupado da tarefa de abordar as novas guerras imperiais na escala internacional. Ao mesmo tempo, um corpo totalmente separado de académicos nas drcas de urbanism, direito eeigncias socais tém eal lo para explorar as novas politicas das cidades ocidentais que envolvem a poblnagi agg mao ne een ana cna ea das nagbes do Ocidence. Mas eses debates se mantiveram tcimosamente afastados por suas diferengas de tradigao tedrica, ¢ pelas orientagoes geo- srficase escalares de ambas. ™ Ver Michael Pete Smith, Transnational Urbanism: Locating Globalisation (Nova York, Blackwell, 2001). © Ver Desek Gregory, The Colonial Prem, cit. 44 + Cidadessvadas do ath analitia cm pares expica pela manciracomo invetignges lominantes, conservadoras realistas sobre aligacio entre globalizagto fica’ do Norte rico e modemno ea civilizasao distinta do Sul, caracterizada Emrgrande pre pelo araso, plo pergo, pela paologiae pla anarqua" ity ome Wren, ts ies Imnigusts do mundo si, ms zmesmas, uma forga motriz do novo urbanismo militar. ais perspectivas tendem demonizar um Sul orientalizao como fone de olvatoonne fancacontemporine. ls também traalham atvament para negara ‘maneiras pelas quais a vida urbana e econdmica do Norte global : mica do Norte global depende fandanenalmentdevineulas com oSulpér elon naan neocolonial~¢ ¢ formada por eles. No proceso, ese discursestém np papel-chave na produgio da violéncia simbélica necessiria para permitit que os Estados lancem mio da guerra e da violéncia de fato Além do mais, a obsessio com as rvalidades geopoliticas dos Estados- «#0 ou dos movimentos ndo estataistransnacionais faz com que essas etspectivas realists € conservadoras ignorem por comple or completo como as