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Ronan Silva Rodrigues

Agricultura familiar e sustentabilidade nos nichos agrícolas de Bom Jardim – município de Mário Campos – MG/2001

Belo Horizonte IGC / UFMG

2002

Ronan Silva Rodrigues

Agricultura familiar e sustentabilidade nos nichos agrícolas de Bom Jardim – município de Mário Campos – MG/2001

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Geografia do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Geografia. Área de concentração: Geografia e Organização Humana do Espaço. Orientadora: Professora Doutora Maria Aparecida dos Santos Tubaldini

Belo Horizonte IGC / UFMG

2002

II

Agradecimentos

A realização dessa dissertação de mestrado somente foi possível em decorrência da ajuda de muitas pessoas e instituições.

Agradeço minha orientadora, a Professora Doutora Maria Aparecida dos Santos Tubaldini por ter estado lado a lado comigo na grande caminhada que foi a realização dessa dissertação. Agradeço pela amizade, consideração e, sobretudo, pela rica troca de idéias que mantivemos ao longo dessa jornada que me fez crescer muito como pessoa e como profissional.

Agradeço ao IGC/UFMG e ao Programa de Pós-Graduação em Geografia pelo

apoio.

Agradeço ao técnico da EMATAR-MG em Mário Campos, Leandro Gomes, pela estimativa que fez a respeito do número de propriedades de agricultores horticultores familiares na área estudada.

Agradeço à prefeitura de Mário Campos pela disponibilização de material que contribuiu muito para a realização desse estudo.

Agradeço aos agricultores horticultores familiares da região de Bom Jardim – Mário Campos – MG, pela maneira atenciosa com que responderam os questionários.

Agradeço a Eustáquio, primeiro horticultor que conheci na região, que me ajudou a conhecer a região.

Agradeço aos coordenadores do Programa Direto da Roça da Secretaria de Políticas de Abastecimento da Prefeitura de Belo Horizonte, que passaram importantes informações a respeito do Programa.

Agradeço ao meu pai, Delvair, e a minha mãe, Ozilda, pela ajuda permanente; também aos meus irmãos, familiares, amigos e pessoas queridas que sempre estiveram a meu lado.

III

Resumo

Esse

estudo

trata

da

agricultura

familiar

e

sustentabilidade

na

periferia

metropolitana. Os objetivos desse estudo foram os seguintes: discutir a inserção da

agricultura familiar no espaço metropolitano onde se pratica agricultura; levantar pontos

de sustentabilidades social, econômica, ambiental e cultural a partir de características

encontradas nas unidades de produção familiar da área estudada; verificar como se dá a

interação entre os nichos agrícolas e loteamentos na área pesquisada. A área estudada é

a região de Bom Jardim – Mário Campos – MG, situada a sudoeste da Região

Metropolitana de Belo Horizonte, há apenas 36 Km da capital. É área especializada em

horticultura e toda a sua produção é voltada para atender ao mercado metropolitano de

Belo Horizonte. A coleta dos dados foi de forma direta com o agricultor, por meio de

entrevistas/questionários. Os entrevistados são proprietários e meeiros que cultivam

hortas. Embora o padrão tecnológico da área pesquisada seja o da Revolução Verde,

identificaram-se pontos de sustentabilidade ambiental, como o posicionamento do

plantio em sentido contrário à vertente, a forma de impedir perda de solo; pontos de

sustentabilidade social, como é o caso da forte presença do trabalho familiar, que é

importante para a manutenção das unidades de produção; pontos de sustentabilidade

econômica, como a entrada de renda quase diária em decorrência das características da

horticultura; pontos de sustentabilidade cultural como o fato comum da horticultura

passar de pai para filho na área estudada.

IV

Abstract

That study treats of the family agriculture and sustainability in the metropolitan

periphery. The objectives of that study were the following ones: to discuss the insert of

the family agriculture in the metropolitan space where the metropolitan agriculture is

practiced; to lift social, economical, environmental and cultural points of sustainabilities

starting from characteristics found in the units of family production of the studied area;

to verify how happens the interaction between the agricultural niches and divisions into

lots in the researched area. The studied range is the area of Bom Jardim – Mário

Campos – MG (Brazil), located to Southwest of the Metropolitan Area of Belo

Horizonte, only 36 Km of the capital. It is a specialized area in horticulture and all his

production is to the metropolitan market of Belo Horizonte. The collection of the data

was in a direct way with the farmer, through interviews and questionnaires. The

interviewees are proprietors and “meeiros” that cultivate vegetable gardens. Although

the technological pattern of the researched area is of the Green Revolution, they

identified points of environmental sustainability as the positioning of the planting in

contrary

sense

to

the

slope,

the

form

of

impeding

soil

loss;

points

of

social

sustainability, as the case of the strong presence of the family work, important for the

maintenance of the units of production; points of economical sustainability, as the

entrance of income almost daily rate due to the characteristics of the horticulture; points

of cultural sustainability as the fact common of the horticulture to pass of father for son

in the studied area.

V

Résumé

Cette étude traite de l’agriculture familier et des moyens de subsistance dans la

périphérie

métropolitaine.

Les

objectifs

étaient

les

suivants:

discuter

l’encart

de

l’agriculture familier dans l’espace métropolitain où l’agriculture est pratiquée; soulever

points sociaux, économiques, de l’environnement et culturels de subsistance qui

commence de caractéristiques trouvé dans les unités de production de la famille de la

région étudiée; vérifier comme se passe l’interaction entre les niches agricoles et les

divisions des terrains dans la région des recherches. La region étudiée est Bom Jardim –

Mário Campos – MG (Brezil), localisé à Sud-ouest de la Région Métropolitaine de Belo

Horizonte, seulement à 36 Km de la capital. C’est une région spécialisée dans

horticulture et toute sa production est destinée au marché métropolitain de Belo

Horizonte. La collection des données était prise directement avec les fermiers, à travers

des entrevues et questionnaires. Les interviewés sont propriétaires et "meeiros" qui

cultivent des potagers. Bien que le modèle technologique de la région faite des

recherches soit ce de la Revolution Verte, ils ont identifié des points de sustentation de

l’environnement,

comme

le

positionnement

du

planter

dans

le

sens

contraire

à

l’inclinaison du sol, la forme de mettre obstacle à la perte du sol; points de sustentation

social, comme le cas de la présence forte de la travail familier, important pour

l’entretien des unités de production; points de sustentation économique, comme l’entrée

de revenu taux presque journalier dû aux caractéristiques de l’horticulture; points de

sustentation culturel comme le fait commun de l’horticulture passer de père aux fils

dans la région étudiée.

VI

Sumário

Agradecimentos

II

Resumo

III

Abstract

IV

Résumé

V

Índice de Fotos

VIII

Índice de Mapas

X

Índice de Tabelas

XI

Lista de Siglas XII

1

1 Introdução

2

Bases Teórico-Metodológicas 7

2.1

O enfoque teórico da agricultura familiar 7

2.1.1 A visão Lamarchiana

8

2.1.2 O Trabalho nas Unidades de Produção Familiar

12

2.1.3 O Mercado e as Unidades de Produção Familiar

13

2.1.4 Os Modelos da Lógica Produtiva Familiar

16

2.2 O enfoque teórico da agricultura metropolitana

18

2.2.1 Conceito

18

2.2.2 Localização e escoamento da produção

19

2.2.3 Especificidade das áreas metropolitanas

20

2.2.4 A relação entre áreas metropolitanas e horticultura

22

2.2.5 A subutilização das áreas metropolitanas

22

2.2.6 A especialização produtiva

23

2.2.7 Horticultura e loteamentos

24

2.3 O enfoque teórico da sustentabilidade

24

2.3.1 Análise da Sustentabilidade

24

2.3.2 Tecnologia e sustentabilidade

28

2.3.3 As comunidades locais e as políticas sustentáveis

30

3

Aspectos Metodológicos 31

3.1

Etapas metodológicas

31

3.2

Amostragem

33

3.3

Dados

36

4

Contextualização da Área Pesquisada

38

4.1

O município de Mário Campos: espaço fruto do processo de

metropolização

38

4.1.1

Formação histórica 38

4.1.2

Especialização em hortaliças de folhas e moradia para populações de baixa

renda

39

4.1.3

A emancipação política

41

4.1.4

O crescimento populacional

42

4.1.5

Geração de empregos – setor terciário

43

4.2

A área pesquisada: espaço marcado pela convivência entre nichos

agrícolas e loteamentos populares

43

4.2.1 A Tradição agrícola

43

4.2.2 Área de loteamentos

46

4.2.3 Área afastada dos loteamentos

51

4.3 A metropolização em Belo Horizonte: as bases para a formação do

espaço em Mário Campos

51

VII

4.3.1 A criação de Belo Horizonte: o embrião do processo de metropolização

51

4.3.2 As colônias agrícolas

54

4.3.3 Primeiros sinais de integração: ferrovias e linhas de bonde

55

4.3.4 Década de 40: marco no processo de metropolização

55

4.3.5 O aglomerado metropolitano

57

4.3.6 Oeste e norte: as principais frentes de expansão urbana no período 1991-1996

59

5

A Organização dos Nichos Agrícolas na Área Estudada

61

5.1

Características gerais das propriedades amostradas

61

5.1.1 Condição dos horticultores

61

5.1.2 Tamanho dos estabelecimentos na área estudada

64

5.1.3 Policultivo das hortaliças

66

5.1.4 Etapas da produção nos nichos agrícolas

69

5.1.5 Escolaridade e fonte de informações

73

5.2 O trabalho nos nichos agrícolas

74

5.2.1 A importância do trabalho familiar

74

5.2.2 Evidências da pluriatividade no trabalho

78

5.2.3 A contribuição da migração para a formação da mão-de-obra hortícola

80

5.3 A influência das tecnologias agrícolas

85

5.3.1 As técnicas de manejo na horticultura

85

5.3.2 Preparo e conservação do solo

87

5.3.3 Sistema de irrigação

88

5.3.4 Mudas de estufas

90

5.3.5 As Adubações

92

5.4 O mercado e a Produção nas Unidades familiares da Agricultura

metropolitana

94

5.4.1 Destino da produção das hortaliças

94

5.4.2 Locais de origem dos compradores de hortaliças

95

5.4.3 Entrega das hortaliças: local, horário e periodicidade

97

5.4.4 Programa Direto da Roça

99

5.5 Interações rurais/urbanas

101

5.5.1 Proximidade do centro metropolitano e a horticultura

101

5.5.2 Convivência entre hortas e loteamentos

102

5.5.3 A moradia dos horticultores

104

6

Considerações Finais

109

7

Referências Bibliográficas

115

8

Anexos

119

8.1

Questionário

119

8.2

Imagens das unidades de produção familiares pesquisadas

137

8.2.1 Nichos agrícolas do bairro Bom Jardim

139

8.2.2 Nichos agrícolas do bairro Palmeiras

144

8.2.3 Nichos agrícolas do bairro Tangará

145

8.2.4 Nichos agrícolas na porção sul das Chácaras Maria Antonieta

148

8.2.5 Nichos agrícolas situados ao norte da região de Bom Jardim

150

8.2.6 Nichos agrícolas localizados a leste da região de Bom Jardim

152

8.3 Poema Sobre Bom Jardim e Tangará

154

8.4 Tabela de preços – programa direto da roça

156

VIII

Índice de Fotos

Foto 1 – Unidade de produção familiar – entrevista

 

139

Foto 2 – Unidade de produção familiar da entrevista

139

Foto

3

Unidade

de

produção

familiar

localizada

na

borda

oeste

do

loteamento Bom Jardim – entrevista

 

140

Foto 4 – A foto mostra uma horta no interior do loteamento, local da entrevista 6

140

Foto 5 – Unidade de produção familiar, onde se realizou a entrevista

 

141

Foto 6 – Unidade de produção na borda norte do loteamento – entrevista

 

141

Foto 7 – Unidade de produção familiar situada na borda norte do loteamento Bom Jardim, onde se realizou a entrevista 17

142

Foto 8 – Unidade de produção familiar situada na borda norte do loteamento Bom Jardim – entrevista

142

Foto 9 – Unidade de produção familiar locali-zada na borda norte do loteamento Bom Jardim, onde se realizou a entrevista

143

Foto 10 – Essa unidade de produção familiar está onde se realizou a entrevista

143

Foto 11 – Unidade de produção familiar do nicho agrícola do loteamento Bom Jardim – entrevista

144

Foto 12 – Estabelecimento do loteamento Palmeiras – entrevista 7

 

144

Foto 13 – Unidade de produção familiar locali-zada na borda oeste do loteamento Palmeiras – entrevista 8

145

Foto 14 – Unidade de produção familiar loca-lizada no loteamento Tangará, – entrevista 5

145

Foto 15 – Unidade de produção do loteamento Tangará – entrevista

 

146

Foto 16 – Unidade de produção familiar locali-zada em sítio na borda leste do loteamento Tangará – entrevista

146

Foto 17 – Estabelecimento no loteamento Tangará – entrevista

 

147

Foto 18 – Unidade de produção familiar onde se realizou a entrevista

 

147

Foto 19 – Unidade de produção familiar na borda leste da porção sul das Chácaras Maria Antonieta – entrevista 13

148

Foto 20 – Unidade de produção familiar locali-zada na porção sul das Chácaras Maria Antoni-eta – entrevista

148

Foto 21 – Estabelecimento na porção sul das Chácaras Maria Antoni-eta – entrevista 19

149

Foto 22 – Propriedade familiar situada na porção sul das Chácaras Maria Antonieta – entrevista 20

149

IX

Foto 23 – Unidade familiar localizada nas Chácaras Joaquina Maria – entrevista 12

150

Foto 24 – Unidade de produção familiar ao norte da região de Bom Jardim – entrevista 27

150

Foto 25 – Propriedade a norte de Bom Jardim, afastada dos loteamentos – entrevista 28

151

Foto 26 – Essa horta faz parte do nicho agrícola situado a leste da região de Bom Jardim, que é das duas regiões onde se realizou entrevistas e que ficam pouco afastadas dos loteamentos populares. Essa foto corresponde à entrevista

152

Foto 27 – Unidade de produção familiar situada no nicho agrícola a leste da região de Bom Jardim – entrevista

152

Foto 28 – Essa unidade de produção familiar integra o nicho agrícola situado

leste da região de Bom Jardim, afastados da área loteada, nela foi realizada a entrevista – 24

a

153

Foto 29 – Uma horta que integra o nicho agrícola localizado a leste da área pesquisada – entrevista 25

153

Foto 30 – A foto mostra estabelecimento que na porção leste da área estudada

entrevista 26

154

X

Índice de Mapas

Mapa 1 – Localização do município de Mário Campos na região metropolitana de Belo Horizonte – MG/1998

4

Mapa 2 – Localização dos estabelecimentos amostrados em Bom Jardim, município de Mário Campos – MG/2001

35

Mapa

3

Elementos

de

sustentabilidade

município de Mário Campos – MG/2001

sociocultural

em

Bom

Jardim,

44

Mapa 4 – A região metropolitana de Belo Horizonte em 1972

 

58

Mapa 5 – Condição dos horticultores – proprietários e meeiros – em Bom Jardim, município de Mário Campos –

62

Mapa 6 – Estabelecimentos amostrados segundo o tamanho, em Bom Jardim, município de Mário Campos – MG/2001

65

Mapa 7 – O trabalho diarista nos nichos agrícolas de Bom Jardim, município de Mário Campos – MG/2001

77

Mapa 8 – O espaço visual dos nichos agrícolas e dos loteamentos populares em bom jardim, município de Mário Campos –

138

XI

Índice de Tabelas

Tabela 1 – Tipos de hortaliças cultivadas pelos horticultores entrevistados na área pesquisada em Mario Campos –

68

Tabela 2 – As esposas dos horticultores e o trabalho nos nichos agrícolas pesquisados, em Mário Campos –

75

Tabela 3 – Horticultores que possuem fonte de renda fora das hortas na área de estudo em Mário Campos – MG

79

Tabela 4 – Local onde os horticultores moravam antes de migrar para Mario Campos – MG

81

Tabela 5 – Tempo que horticultores migrantes entrevistados estão na área pesquisada em Mário Campos – MG

84

Tabela 6 – Mudanças das técnicas de manejo nas

86

Tabela 7 – Medidas para prevenir erosão de solo utilizadas pelos horticultores entrevistados na área pesquisada em Mário Campos –

88

Tabela 8 – Técnicas de irrigação utilizadas pelos horticultores entrevistados na área pesquisada em Mário Campos –

89

Tabela 9 – Origem da água para irrigação na área pesquisada em Mário Campos – MG, segundo os horticultores

90

Tabela 10 – Tipos de estercos de origem animal utilizados nos nichos agrícolas pesquisados na área de estudo em Mário Campos –

93

Tabela 11 – Destino da produção de Bom Jardim – Mario Campos –

95

Tabela 12 – Locais de origem dos compradores de hortaliças dos horticultores pesquisados em Mário Campos –

96

Tabela 13 – Periodicidade de entrega das hortaliças na área pesquisada em Mário Campos – MG, segundo os horticultores entrevistados

98

Tabela 14 – Vantagens mencionadas pelos horticultores sobre o fato dos nichos agrícolas estarem situados próximos do

102

Tabela 15 – O comportamento do número de hortas na área pesquisada segundo os horticultores

103

Tabela 16 – Local de moradia dos horticultores na área pesquisada em Mário Campos – MG

104

Tabela 17 – Alguns equipamentos que os horticultores possuem na área pesquisada em Mário Campos – MG

107

Tabela 18 – Locais onde os horticultores de Mário Campos – MG buscam atendimento médico

108

XII

Lista de Siglas

APRBH: Associação dos Produtores Rurais que comercializam diretamente na Grande BH.

CEASA-MG: Centrais de Abastecimento de Minas Gerais.

EMATER-MG: Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais.

ONG: Organização Não-Governamental.

PRONAF: Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar.

PROGER: Programa de Geração de Emprego e Renda.

RMBH: Região Metropolitana de Belo Horizonte.

1

1

Introdução

Do ponto de vista teórico, o fio condutor deste estudo é a discussão sobre a

concepção de agricultura familiar praticada no espaço da agricultura metropolitana. Ao

pensar a agricultura familiar e metropolitana, emergem três questões: a primeira é

“quem faz a agricultura metropolitana?”; a segunda é “como as características dessa

agricultura insere-se no contexto da sustentabilidade?”, a terceira é “como o processo de

metropolização gerou um mosaico de atividades rurais/urbanas?”.

Tais perguntas foram formuladas porque o interesse pelo tema horticultura,

nasceu de contatos empíricos com a horticultura; a noção teórica de agricultura familiar,

metropolitana e sustentabilidades, trabalhada na graduação e no primeiro semestre da

pós-graduação, permitiu unir teórico e empírico e buscar respostas a indagações que o

próprio espaço nos coloca visualmente. Do ponto de vista prático, este estudo é análise

bastante detalhada sobre um ponto do que resta do cinturão verde na área metropolitana.

Em relação ao produto final obtido, deve haver algum retorno, em primeiro lugar, para

os órgãos de planejamento local e o público alvo quanto às questões relevantes do

planejamento rural/urbano, principalmente a EMATER-MG de Mário Campos, que

muito colaborou para o conhecimento da área e seus problemas.

Um aspecto de grande relevância são as ligações entre as características das

unidades familiares de produção estudadas e os modelos teóricos propostos por

LAMARCHE (1998). A concepção dos modelos lamarchianos foi elaborada a partir das

variáveis presentes nas noções de lógica familiar e nas noções de dependência. Essas

7 Referências Bibliográficas

115

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