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A tirania da magreza feminina   Discente em formação do curso de Licenciatura Plena em
A tirania da magreza feminina   Discente em formação do curso de Licenciatura Plena em

A tirania da magreza feminina  Discente em formação do curso de Licenciatura Plena em Educação Física, da Universidade Estadual

A tirania da magreza feminina
 

Discente em formação do curso de Licenciatura Plena em Educação Física, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB, Campus Jequié (Brasil)

Mônica Oliveira Silva dos Santos

mulicrinha@yahoo.com.br

 

Resumo Este estudo procura analisar e compreender como a obsessão por um corpo feminino magro vem afetando as mulheres na atualidade, e caracterizar a mídia como a grande formadora da idéia de que para se ter beleza a mulher precisar ser bastante magra. Para isso, foi aplicado um questionário a 40 a mulheres com idade entre 18 a 50 anos, moradoras do Distrito Stela de Dubois no município de Jaguaquara-Ba, este questionário levanta questões sobre a concepção de beleza, a influência da mídia nesta concepção e os sacrifícios realizados para se conquistar beleza atravéz de um corpo magro. A metodologia utilizada foi pesquisa exploratória de abordagem qualitativa e a amostragem foi não-probabilística. Os resultados da análise do questionário permitiram afirmar que as mulheres já percebem a mídia como grande influenciadora dá forma como classificam sua beleza e também que uma porcentagem considerável delas sofreram ou vêem sofrendo para se enquadrar neste padrão estereotipado que a mídia, principalmente a televisiva, impõe. A conclusão aponta o efeito da alienação social produzida pelos meios de comunicação e também afirmar que beleza todas as mulheres tem, desde que se permitam enxergar seu corpo fora da ótica estereotipada dos meios de comunicação social. Unitermos: Beleza. Corpo Magro. Mídia. Mulher.

 

http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 13 - N°119 - Abril de 2008 Revista Digital - Buenos Aires - Año 13 - N°119 - Abril de 2008

http://www.efdeportes.com/ Revista Digital - Buenos Aires - Año 13 - N°119 - Abril de 2008

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Introdução

Na última década, um ideal de beleza feminina vem ganhando cada vez mais força, o ideal da magreza ou do corpo muito magro. Propagado e fortalecido pela mídia, este concepção de corpo belo vem mexendo com o imaginário de muitas mulheres, que mediante alienação, tem arriscado cada vez mais sua saúde em função de atingir um padrão estético fora da realidade genótipo da maioria dos seres humanos.

As mulheres que se submetem a tentar atingir o corpo magro das modelos de passarela, propagado pela TV como corpo ideal, são as principais vítimas de transtornos alimentares como anorexia, bulimia e até transtornos psicológicos como a depressão. A maioria das modelos brasileiras e internacionais possui um Índice de Massa Corpórea abaixo do número 18, ou seja, possuem um percentual de gordura abaixo do que é considerado pela organização mundial da saúde como normal. Contudo, existem mulheres que possuem uma carga genética que favorece a possuírem baixos índices de gordura corporal, mas esta realidade só favorece a uma minoria de mulheres no mundo, o restante deviria se preocupar em ter um percentual de gordura dentro dos padrões normais e saudáveis.

Segundo Bourdieu ,

“É fácil perceber que as mulheres de maior sucesso, nos dias de hoje, são as atrizes e as modelos. Antes desconhecidas ou desprestigiadas, as modelos adquiriram status de celebridade na última década e passaram a ter uma carreira invejada (e desejada) pelas adolescentes brasileiras. Ganharam um "nome."” (Bourdieu, 1990).

Além disso, Pereira coloca que:

“Uma das causas sociais atribuídas à anorexia é o padrão de beleza estabelecido pela indústria da moda. Afirma-se que as medidas corporais das modelos servem de meta para as adolescentes conquistarem o "corpo ideal". Considerando o IMC das modelos mais famosas, e que servem de thinspiration para as "pró-anas", conclui-se que, de fato, o resultado está muito próximo daquele atribuído, pela medicina, ao da anorexia. Um exemplo é Gisele Bündchen: seu IMC é 16, considerado na faixa da "subnutrição". (Pereira,

2007).

Contudo, ser magra não é uma coisa ruim, já que sobrepeso e obesidade está

longe de ser sinônimo de saúde, em função principalmente de entupimentos de veias

e artérias por acúmulo de gordura nas mesmas (Gobatto at all,2003), contudo o problema reside em ser excessivamente magra, ou os caminhos que se possam percorrer para emagrecer a qualquer custo,vomitando a comida (bulimia) ou deixando de comer (anorexia).

Além disso, nesse mundo da beleza magra merece destaque o ‘fabuloso’ e cada

vez mais expansivo mercado das dietas. A cada dia, suje dietas novas e cada vez mais inusitadas, que propagam receitas mágicas de emagrecimento rápido, quase que instantâneo, para quem quer dormir gordo e acordar magro. Mas o que acontece

é que a grande parte das pessoas que se submetem a estes métodos ‘instantâneos

de emagrecimento’ além de colocar em risco a saúde, na maioria das vezes ficam frustrados com os resultados, ou por não conseguir manter estas dietas, ou por não perder o peso desejado, ou por depois recuperarem todo o peso que perderam.(Vieira, 2007)

Sobre dietas altamente restritivas (DAR), Maduro et all, alega que:

“Efeitos clínicos adversos das DAR incluem fadiga, fraqueza, constipação, queda de cabelos, pele seca, unhas quebradiças, náuseas, diarréia, alterações menstruais, edema e intolerância ao frio Além destes, podem surgir também outros efeitos adversos considerados mais graves, como:

distúrbios cardíacos, incluindo risco de morte súbita e arritmias; colelitíase; hiperuricemia e gota”. (Maduro, 2003).

Conforme estabelecido em estudos científicos, emagrecer com saúde, seria atravéz de reeducação alimentar acompanhado de dieta recomendada por nutricionistas e exercícios físicos orientados por profissionais de educação física. Emagrecer desta forma não é tão rápido quando o almejado por pessoas apressadas, mas além de mais saudável e o mais recomendado para quem quer manter um peso e deixar de sofrer com o efeito sanfona. (Vieira, 2007).

Mas a questão aqui levantada não é ser magra suficiente para ter saúde, mas é ser magra o suficiente para se enquadrar em padrões estéticos alheios. A beleza é um fenômeno mundial que se propaga ao longo dos tempos, mas a beleza feminina magra é coisa atual, e a mídia tem muito a ver com isso, é ela que exige que suas atrizes e apresentadoras emagreçam cada vez mais e se equiparem em corpo com as modelos de passarela, difundindo subliminarmente para as telespectadoras de plantão que elas só serão bonitas se forem muito magras.

Apesar de grande propagadora dessa magreza excessiva, a mídia apresenta um paradoxo, noticia dia após dia histórias de modelos e outras mulheres que morreram ou tiveram sua saúde debilitada, pela anorexia e pela bulimia, contudo, e sem menor pudor, se isentando dá culpar e de qualquer responsabilidade sobre isso.

A pesquisa de campo

Buscando legitimar o estudo, foi feita uma pesquisa exploratória de campo, no Distrito Stela Dubois na cidade de Jaguaquara-Ba, onde foi aplicado um questionário a 40 mulheres de 18 a 50 anos, o modelo do questionário esta no anexo. Nele podemos visualizar claramente a intenção de descobrir se foram feitos sacrifícios para emagrecer a qualquer custo, qual a visão que elas têm do próprio corpo e se a mídia influenciou nesta visão.

Os resultados da pesquisa

Diante dos resultados do questionário aplicado a mulheres de 18 a 50 anos de idade, foi levantado os seguintes dados:

40% responderam que já fizeram alguma dieta sem antes consultar um nutricionista. Um número alto se levarmos em consideração os riscos oferecidos por certas dietas rigorosas. Lembremos do caso de Terri Schiavo, que ficou conhecida mundialmente depois que sue marido Michael Schiavo entrou com um processo na justiça pedindo que fossem desligados os aparelhos que à mantiam viva. Terri estava há 15 anos em estado vegetativo após uma queda súbita de potássio, causado por uma dieta rigorosa, que parou por alguns instantes seu coração lhe causando danos cerebrais irreversíveis (UOL, 2005).

15% responderam que já passaram mais de 8 horas sem comer para emagrecer. Apesar de não ser um número alto, demonstrar claramente falta de informação já que passar horas sem comer faz com que o organismo reduza o metabolismo e reserve energia, tudo isso por que em situações de inanição por tempo prolongado o organismo para sobreviver reduz os seus gastos calóricos.

95% afirmaram jamais terem vomitado algum alimento que comeram com medo de engordar. Um dado positivo, já que a bulimia é uma doença grave, capaz de matar. O mecanismo da bulimia funciona da seguinte forma: ao ingerir um alimento, o mesmo passa pelo esôfago antes de chegar ao estomago, no estomago o alimento é banhado pelos ácidos gástricos que irão promover a digestão. Ao forçar um vômito o alimento que já estava no estômago, volta pelo caminho do esôfago repleto de ácidos estomacais, estes ácidos queimam o canal do esôfago, já que o estomago possui uma superfície própria que o protege dos ácidos gástricos mas o esôfago não possui esta proteção, por isso, forçar o vômito por varias vezes ao longo de muito tempo pode chegar a causar úceras no esôfago.

42,5 % das mulheres afirmaram que já sofreram por se achar gorda e 52,5% afirmaram que seriam mais bonitas se fossem mais magras. Isso demonstrar claramente que uma boa porcentagem das mulheres questionadas associa beleza com percentual de gordura corporal. Ser mais bonita é ser mais magra. Isto é intrinsecamente acreditar que pessoas obesas não seriam bonitas. E o sofrimento causado por se acharem gordas é dá percepção de que a massa adiposa acumulada estaria lhe roubando a beleza.

25% responderam que gostariam de ser magras como uma modelo de passarela. Lembrando que se a pessoa não possui uma carga genética que favoreça a este tipo de magreza, chegar a ter um corpo de modelo ou manter um corpo de modelo, pode sim oferecer riscos à saúde, pois contrariaria a

natureza do funcionamento do próprio corpo e requererei sacrifícios significativos.

Em relação à forma como as mulheres questionadas enxergam sua própria beleza, 67,5% afirmaram ser regularmente bonitas, contra 25% que afirmaram ser muito bonitas e 7,5% que afirmaram não serem bonitas. Além disso, 60% destas mulheres questionadas, afirmaram que a mídia influenciou na forma como classificarão sua beleza. Isso imprimiu que para identificar sua própria beleza a maioria já percebeu a influência que a mídia teve sobre esta visão, talvez por isso 67,5% alegaram ser regularmente bonitas, pois a grande beleza ou ser muito bonita residiria em um estereotipo alheio, onde 60% já reconhecem o grande construtor deste estereotipo, e 75% (67,5% regularmente bonita + 7,5% não bonitas) não se percebem dentro deste padrão.

Conclusão

Para se estabelecer o que é bonito ou o que é feio, é necessário ser ter uma determinada visão de mundo, que é construído socialmente. Esta construção social de beleza vem desde a antiguidade, mas nunca foi tão fortalecida do que na atualidade com o advento dos meios de comunicação, principalmente a televisão, grande divulgadora da ideologia do corpo perfeito.

Neste contexto, muitas mulheres vêem fazendo sacrifícios incalculáveis para obter um corpo magro, que seria atravéz do discurso da TV, o corpo esbelto ou bonito, para isso põem em risco sua saúde mental e física, e se submetem a acreditar que para serem realmente muito bonitas teriam que se enquadra em um padrão fruto da vontade alheia.

Isto pode ser visualizado com mais clareza atravéz desta pesquisa, cujos dados encontrados revelaram que na comunidade pesquisa, a maioria das mulheres não se reconhecem como sendo inteiramente belas, tendo um número considerável delas que já sofreram por se sentirem gordas e já fizeram algum sacrifício, não recomendado pela medicina, para emagrecer. O mais interessante revelado pela pesquisa, é que a maioria das mulheres pesquisadas já tem consciência de que vêem sua própria beleza a partir de uma ótica alheia.

Sendo assim, é necessário além de abrir os olhos para a alienação que a mídia possa oferecer, tomar uma postura crítica em relação a isto, criando seu próprio conceito de verdade e beleza ao invéz de tentar a qualquer custo imitar manequins de TV. Passando desta forma, a entender que todos os seres humanos são belos simplesmente por possuírem vida, e beleza nada mais é do que um pensamento

esquematizado sobre algo, portanto para ser bonita não precisar ser magra, mas precisar deixar de seguir os desejos alheios.

Vocabulário

1. Thinspiration: expressão usada para designar fotografias de pessoas magras,

com um "corpo ideal", em geral, modelos e atrizes. Os blogs e páginas pessoais exibem muitas dessas imagens, além de outras com corpos exageradamente magros, muito possivelmente de pessoas com anorexia.

2. Pró-anas: comunidades da Internet formado, em sua maioria, por adolescentes

do sexo feminino que defendem as práticas da anorexia como um "estilo de vida".

Referências bibliográficas

BOURDIEU, P. (1990). Coisas ditas. São Paulo: Brasiliense.

GOBATTO, Cláudio Alexandre, et all. Caracterização da obesidade em pacientes com infarto do miocárdio. 2003.

MADURO, Isolda P.N.N. et all. Hiperuricemia em Obesas Sob Dieta Altamente Restritiva. 2003.

PEREIRA, Cláudia da Silva. Os wannabees e suas tribos: adolescência e distinção na Internet. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Revista Estudos Feministas. 2007.

UOL. Terri Schiavo morre de inanição após longa batalha judicial. 2005. Disponível em: http://noticias.uol.com.br. Acesso em: 01/04/08.

VIEIRA, Mabel. Como Emagrecer com Saúde? 2007. SONNAR – Centro de Medicina Especializada.

Anexo

Questionário de Aplicação

Idade:

1. Você já fez alguma dieta sem antes consultar um nutricionista?

( ) Sim ( )Não

2. Você já passou mais de 6 horas sem comer para emagrecer?

( ) Sim ( )Não

(

) Sim ( ) Não

4. Você já sofreu por se achar gorda?

( ) Sim ( ) Não

5. Você acha que seria mais bonita se fosse mais magra?

( ) Sim ( ) Não

6. Você gostaria de ser magra como uma modelo de passarela?

( ) Sim ( ) Não

7. Em relação a sua beleza como você se vê?

(

) Sou muito bonita

(

) Sou regularmente bonita

(

) Não sou bonita.

8.Você acha que a mídia influencia na forma como você se vê?

(

(

) Sim

) Não