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CARNAVAIS PODCAST CAFÉ BRASIL 550

CARNAVAIS

1.

Mais um carnaval. O programa de hoje é a regravação de outro que publicamos em 2010. Há um

compromisso de manter a história viva, e a história do carnaval brasileiro e suas músicas, é preciosa

2. O ouvinte Wagner pergunta qual a importância da cultura para um país, e Luciano Pires responde assim:

“Essa pergunta merece um programa inteiro. Uma hora farei um. Por enquanto fique com isto: a cultura de um país é importante porque ela transmite valores, histórias e objetivos de uma geração para outra. E são essas tradições que encorajam os vários grupos a compartilhar uma identidade coletiva, que termina por forjar a identidade individual. A cultura de um país reforça nosso senso de comunidade. Veja o exemplo do carnaval, quando milhões de brasileiros que não vão às ruas para reclamar por justiça, honestidade,

segurança ou saúde saem às ruas para celebrar um espírito brasileiro. Mas a cultura muda com o tempo, e

estamos assistindo com pesar uma onda de esquecimento do passado e a negligência em relação a nossa

herança cultural. Mas isso é papo para outro programa. Por hoje, vamos celebrar o carnaval

3. Nos anos 1920 surgiram as marchinhas, que Bruno Kiefer, no livro História da Música Brasileira dos

Primórdios ao Início do Século XX, define como "uma invenção da classe média, opondo-se ao samba, produto nitidamente proveniente de camadas mais humildes, com batidas de raízes negro-africanas. Descendente das marchas militares e das marchas populares portuguesas misturadas aos acordes das músicas one -steps americanas, ritmo musical que teve origem nos Estados Unidos em fins de 1800 e que

consistia em um único passo repetido inúmeras vezes sem haver troca rítmica, as marchinhas carnavalescas acabaram se consagrando como o gênero carnavalesco por excelência (prevalecendo até sobre o samba)

entre as décadas de 1920 e 1960, quando entraram em relativo declínio. Com compasso binário e

andamento acelerado, as melodias das marchinhas eram simples cativavam rapidamente o ouvinte, ao mesmo tempo em que as letras debochadas, irônicas, ambíguas ou sensuais eram fáceis de entender e memorizar.

4. E do site www.cifrantiga.hpg.ig.com.br vem um saboroso texto sobre as marchinhas de carnaval. O

samba, gênero musical que data de 1916, ano da gravação de Pelo Telefone, de Donga (https://www.youtube.com/watch?v=woLpDB4jjDU , passou a ser sinônimo de Brasil. Mas na disputa entre os dois gêneros, o samba e a marchinha, durante bom tempo, ao menos na época do carnaval, o segundo reinou soberano nos salões de baile. Por isso, contar a história das marchinhas é, de certa forma, narrar a história do Carnaval. Por baixo do pó-de-arroz, as marchinhas faziam sucesso desde os primeiros anos do século. Espécie de embrião das escolas de samba, os cordões de foliões agitavam as ruas do Rio de Janeiro.

E nas festas, eles cantavam e tocavam marchinhas. A fórmula de sucesso era razoavelmente fácil. Compasso binário, como a marcha militar, andamentos acelerados, melodias simples e de forte apelo popular, e lógico, letras irônicas, sensuais e engraçadas. As letras, aliás, agradavam demais os foliões.

Muitas das letras continuam atuais. Crônicas urbanas, elas tratam normalmente de temas cotidianos. Histórias do dia-a-dia dos subúrbios cariocas. Por muitas vezes, tinham conotação política. O ambíguo, o duplo-sentido, era muito explorado. Uma forma de dar leveza a temas que não eram assim tão "leves". "Elas têm uma vertente jornalística. Por exemplo, foram feitas marchinhas para Hitler, para as duas fases do Getúlio Vargas, a do Estado Novo e a de sua volta nos braços do povo.", explica Omar Jubran, vencedor do Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte. As marchinhas de carnaval tiveram seu auge nos anos 30, 40 e 50. Depois deles, muito foi produzido, pouco aproveitado. Algo que perdura até os nosso tempos: muita quantidade, pouca qualidade. Jubran arrisca

uma explicação: "O apogeu do gênero está relacionado à popularização do disco e do rádio." Nomes como

Almirante, Mário Reis, Dalva de Oliveira, Silvio Caldas e Carmen Miranda, os grandes cantores da época, gravaram marchinhas e com elas venceram muitos carnavais. Os principais compositores, que escreveram aclamadas músicas de festa, foram Noel Rosa, João de Barro (pseudônimo de Braguinha), Lamartine Babo e Ary Barroso.

Entre as muitas músicas, que até hoje estão no imaginário popular brasileiro, vale destacar Touradas em Madri (https://www.youtube.com/watch?v=PFE2UNSu5Hs) , de João de Barro e Alberto Ribeiro, composta para a Guerra Civil Espanhola, que teve início em 1936; Dos anos 60 em diante as marchinhas começaram a perder espaço para os sambas-enredo. As escolas de samba, agremiações de grandes sambistas, começavam a ditar quais eram os sucessos. Alguns compositores, como Chico Buarque, se arriscaram a escrever as suas marchinhas. Caetano Veloso também se arriscou (https://www.youtube.com/watch?v=D4rItqPCcAQ) , mas flertou com outro gênero, o frevo, que anima em Pernambuco, tal qual as marchinhas no Rio de Janeiro, a festa de carnaval. Mas ficou nisso.

Nos anos 80 algumas regravações chegaram a fazer sucesso, como Balancê, de João de Barro e Alberto

Ribeiro talvez a maior dupla de compositores de marchinhas -, lançada por Gal Costa ( https://www.youtube.com/watch?v=30Um0NzvzMs) em 1980 e Sassaricando (https://www.youtube.com/watch?v=asellmWZpVI ), de Luís Antônio, Jota Júnior e Oldemar Magalhães, gravada por Rita Lee para a trilha sonora da novela Ti, Ti, Ti Mas era muito pouco para um País que somente em 1952 produziu cerca de 400 músicas de carnaval, a maioria delas marchinhas alegres e divertidas.

5. Mamãe eu quero é um dos maiores sucessos do carnaval, e Almirante, amigo dos autores, cantor e

músico, conta no livro “História do Carnaval Carioca” que “Na hora de gravar verificamos que ela era pequena, não tinha a duração exigida para o disco. Seria impossível repetir uma parte da música. Que

fazer? Jararaca e eu completamos a música fazendo um diálogo improvisado na hora, sem nenhum

interesse. Durante a gravação, o banjoísta errou um acorde, mas a música era considerada tão ruim que ninguém pensou em refazer tudo. Pois bem, ’Mamãe eu quero’ foi um sucesso definitivo e enorme. A música é ruim mesmo, o disco é péssimo, mas pegou […]”.

6. De lá pra cá, contam-se nos dedos da mão esquerda do Lula as músicas que tornaram-se clássicos de

carnaval

que pena

7. Como escreveu Daniela Zupiroli no estudo BRINCADO COM VERSOS: "Não é à toa que se diz que 'no

Brasil, tudo acaba em festa'. Isto é compreensível, já que uma festa como o carnaval pode comemorar acontecimentos, reviver tradições, criar novas formas de expressão, afirmar identidades, preencher

espaços na vida dos grupos e dar voz aos assuntos interditos na vida popular. A festa concentra além dos

recursos econômicos, os recursos sociais e culturais dos grupos, os redistribui e, nesse caso, o carnaval deixa de ser a simples “válvula de escape”, como afirmaram muitos teóricos, para ser momento de auto avaliação dos grupos sociais. As marchinhas estão aí para provar tudo isso.”

8. Para quem quiser se aprofundar, acesse Brincando com versos: um estudo das marchinhas de carnaval

do período de 1920 a 1970, de Daniela Bonamigo Zupiroli, em

9. E para terminar, versos de Aldir Blanc e João Bosco:

Custei a compreender que a fantasia

É

um troço que o cara tira no carnaval

E

usa nos outros dias por toda a vida