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Arlindo Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2

FAMENE NETTO, Arlindo Ugulino.

IMUNOLOGIA I (DESATUALIZADO)

Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2 FAMENE NETTO, Arlindo Ugulino. IMUNOLOGIA I

INTRODUÇÃO AO SISTEMA IMUNOLÓGICO (Profª Karina Carla)

O sistema imunológico (do latim: imuunis = insento de pagamento de impostos; logos = estudo, conhecimento), tambÄm conhecido como sistema imunitário, compreende todos os mecanismos pelos quais um organismo multicelular se defende de invasores internos, como bactÄrias, vÅrus ou parasitas. Por tanto, a imunologia Ä a ciÇncia que estuda o sistema imunitÉrio: suas cÄlulas e ÑrgÖos, sua fisiologia e patologia e suas reaÜáes com os demais sistemas orgànicos. Existem dois tipos de mecanismos de defesa: os inatos ou nÖo especÅficos (imunidade inata), como a proteÜÖo da pele, a acidez gÉstrica, as cÄlulas fagocitÉrias ou a secreÜÖo de lÉgrimas; e o sistema imunitÉrio adaptativo (imunidade adquirida), como a aÜÖo direcionada dos linfÑcitos e a sua produÜÖo de anticorpos especÅficos.

Imunidade Inata: primeira linha de defesa do nosso organismo, com a qual, jÉ nascemos. Como exemplo de um dos integrantes desse sistema tem-se os macrófagos e neutrófilos, cÄlulas fagocitÉrias com receptores de baixa especificidade (MHC – Complexo Principal de Histocompatibilidade – Ä um complexo protÄico da cÄlula fagocitÉria responsÉvel por apresentar o antÅgeno ao linfÑcito).

Imunidade Adquirida: sistema imunitÉrio que se potencializa a partir da exposiÜÖo ä antÅgenos, sendo ela mais especÅfica. Como exemplo de integrantes, tem-se os linfócitos com receptores CD (Classes de DiferenciaÜáes) muito mais especÅficos e seletivos. Esses receptores tambÄm determinam o grau de maturidade da cÄlula.

tambÄm determinam o grau de maturidade da cÄlula. OBS: Antígeno Ä toda p artÅcula ou molÄcula

OBS: Antígeno Ä toda partÅcula ou molÄcula capaz de iniciar uma resposta imune, a qual comeÜa pelo reconhecimento pelos linfÑcitos e cumula com a produÜÖo de um anticorpo especÅfico. Anticorpo (imunoglobulinas) sÖo glicoproteÅnas sintetizadas e excretadas por cÄlulas plasmÉticas derivadas dos linfÑcitos B, os plasmÑcitos, presentes no plasma, tecidos e secreÜáes que atacam proteÅnas estranhas ao corpo ( antÅgenos), realizando assim a defesa do organismo (imunidade humoral). Depois que o sistema imunolÑgico entra em contato com um antÅgeno (proveniente de bactÄrias, fungos, etc.), sÖo produzidos anticorpos especÅficos contra ele. OBS²: Epítopo (determinante antigenico) sÖo sequÇncias de aminoÉcidos presentes na estrutura protÄica do antÅgeno que Ä reconhecida por receptores especÅficos nos anticorpos.

HistÅrico

SÄculo XV: Chineses e turcos tentam induzir imunidade atravÄs da variolaÜÖo.

1546: Girolamo Fracastoro, Univ. PÉdua, diz "O contÉgio Ä uma infecÜÖo que passa de um para

outro

a

infecÜÖo se origina de partÅculas muito pequenas - imperceptÅveis"

1798: Sir Edward Jenner, vacinaÜÖo, o pai da imunologia, observou que os fazendeiros que contraÅram varÅola bovina ficavam protegidas da varÅola humana. Inoculou entÖo um menino de 8 anos com a varÅola bovina e obteve resultados satisfatÑrios. A tÄcnica foi denominada de “vacinaÜÖo” (de vaca).

1879-1881: Louis Pasteur, vacinas atenuadas. Estava estudando a bactÄria que causa a cÑlera, cultivando-a e injetando em galinhas. Ao voltar de fÄrias, ele usou uma cultura velha para injetar e, surpreendentemente, as galinhas adoeceram mas melhoraram. Pasteur concluiu: cultura velha, e fez uma cultura fresca. Desta vez, como ele tinha poucas galinhas, resolveu usar algumas do experimento anterior. Resultado: as galinhas do experimento anterior sobreviveram e as nÖo inoculadas previamente morreram. Pasteur reconheceu que o envelhecimento da cultura tinha enfraquecido a bactÄria, a ponto de tornÉ-la nÖo letal, e aplicou este conhecimento para proteger outras doenÜas. Ele chamou a linhagem atenuada de VACINA, de vaca. Pasteur entÖo produz vacinas para cólera, anthrax, e raiva.

Ele chamou a linhagem atenuada de VACINA, de vaca. Pasteur entÖo produz vacinas para cólera ,

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Elie Metchnikoff, teoria dos fagÑcitos. Observou a fagocitose de esporos de fungos por leucÑcitos e

antecipou a idÄia de que a imunidade era devido äs cÄlulas brancas do sangue. Partiu daÅ a definiÜÖo

de imunidade celular.

1890: Emil von Behring e Kitasato, antitoxina da difteria. Demonstram que o soro de animais imunes ä difteria pode transferir a proteÜÖo. Esse componente, antitoxina, era capaz de neutralizar, precipitar toxinas, aglutinar e lisar bactÄrias. Partiu daÅ a definiÜÖo de imunidade humoral.

1974: Peter Doherty e Rolf Zinkernagel, descoberta da especificidade das respostas imunes mediadas por cÄlulas T (restriÜÖo das cÄlulas T).

1989: Tim Mosmann e Robert Kopfman, descoberta dos subtipos de cÄlulas Th1/Th2, atravÄs do perfil de citocinas que produzem.

Sistema Imune e Homeostasia

de citocinas que produzem. Sistema Imune e Homeostasia Os sistemas imune, nervoso e endÑcrino sÖo considerados

Os sistemas imune, nervoso e endÑcrino sÖo considerados os trÇs principais sistemas de contato entre o indivÅduo e seu meio ambiente.

Sistema Nervoso origem embrionÉria: ectoderma; cÄlulas: neurçnios; substàncias:

neurotransmissores.

Sistema EndÑcrino origem embrionÉria: endoderma; substàncias: hormçnios

Sistema ImunolÑgico origem embrionÉria: mesoderma; cÄlulas: leucÑcitos; substàncias: citocinas.

As cÄlulas do sistema imune, diferentemente das cÄlulas desses outros dois sistemas, exercem suas funÜáes circulando pelas mucosas e tecidos internos e identificando a entrada de molÄculas prÑprias. Essas cÄlulas utilizam como principais vias de entrada as mucosas e tecidos os vasos sanguÅneos e linfÉticos, que seriam como estradas de acesso aos tecidos. As respostas imunes adquiridas podem ser divididas em trÇs fases: o reconhecimento do antÅgeno, a ativaÜÖo dos linfÑcitos e a fase efetora. Todas as respostas imunes sÖo iniciadas pelo reconhecimento do antÅgeno especÅfico. Isso induz a ativaÜÖo do linfÑcito que reconhece o antÅgeno e culmina na instalaÜÖo de mecanismo efetores que medeiam a funÜÖo fisiolÑgica da resposta, ou seja, a eliminaÜÖo do antÅgeno. Depois de eliminado o antÅgeno, a reaÜÖo imune Ä atenuada e a homeostase Ä restaurada.

Reconhecimento dos Antígenos: todo indivÅduo possui numerosos linfÑcitos derivados clonalmente. Cada clone origina-se de um precursor énico e Ä capaz de reconhecer e responder a um determinante antigÇnico distinto e, quanto o antÅgeno entra, seleciona um clone especÅfico prÄ-existente, ativando-o. Em um primeiro momento, a linha primordial de defesa imune – imunidade inata – entra em cena por meio de cÄlulas apresentadoras de antÅgenos (macrÑfagos), que fagocitam e “digerem” o antÅgeno patogÇnico, degradando-o a nÅvel de peptÅdeo (epÅtopo). Esse mesmo macrÑfago apresenta o epÅtopo aos linfÑcitos por meio do seu MHC.

Ativação dos Linfócitos: a ativaÜÖo dos linfÑcitos requer dois sinais distintos: o primeiro Ä o antÅgeno

e o segundo, os produtos microbianos ou os componentes das respostas imunes inatas aos

microorganismos. A exigÇncia do antÅgeno (sinal 1) assegura que a resposta imune a seguir seja

especÅfica. A exigÇncia de um estÅmulo adicional, desencadeado pelos microorganismos ou por

imune a seguir seja especÅfica. A exigÇncia de um estÅmulo adicional, desencadeado pelos microorganismos ou por

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reaÜáes imunes inatas (sinal 2), assegura que as respostas imunes sejam induzidas quando necessÉrias (isto Ä, contra microorganismos e outras substàncias nocivas), e nÖo contra substàncias inÑcuas, incluindo os antÅgenos prÑprios. As respostas dos linfÑcitos aos antÅgenos e aos segundos sinais constituem da sÅntese de novas proteÅnas, proliferaÜÖo celular e diferenciaÜÖo em cÄlulas efetoras e de memÑria.

o

SÅntese de Novas proteÅnas: os linfÑcitos comeÜam a transcrever os genes que anteriormente estavam silenciosos e a sintetizar uma variedade de novas proteÅnas (citocinas secretadas que estimulam o crescimento e a diferenciaÜÖo dos prÑprios linfÑcitos e de outras cÄlulas efetoras; receptores de citocinas; e outras proteÅnas envolvidas na transcriÜÖo dos genes e na divisÖo das cÄlulas).

o

ProliferaÜÖo celular: em resposta ao antÅgeno e aos fatores de crescimento formados pelos linfÑcitos estimulados pelos antÅgenos e por outras cÄlulas, os linfÑcitos antÅgeno-especÅfico sofrem divisÖo mitÑtica. Isso resulta em proliferaÜÖo e aumento de tamanho do clone antÅgeno- especÅfico, a chamada expansÖo clonal.

o

DiferenciaÜÖo em cÄlulas efetoras: parte da progÇnie de linfÑcitos estimulados por antÅgenos diferenciam-se em cÄlulas efetoras, cuja funÜÖo Ä a de eliminar o antÅgeno. As cÄlulas T auxiliares diferenciadas secretam citocinas que ativam outras cÄlulas.

o

Homeostase – declÅnio das respostas imunes: ao final de uma resposta imune, o sistema imune retorna ao seu estado basal, em grande parte porque a maioria da progÇnie de linfÑcitos estimulados por antÅgenos morre por apoptose (morte celular limpa, fisiolÑgica e regulada). Uma grande fraÜÖo dos linfÑcitos estimulados por antÅgenos sofrem apoptose, provavelmente porque a sobrevivÇncia desses linfÑcitos Ä dependente do antÅgeno, e dos fatores de crescimento induzidos pelo antÅgeno e, como a resposta imune elimina o antÅgeno que a iniciou, o linfÑcito fica privado do estimulo essencial para a sobrevivÇncia.

o

DiferenciaÜÖo em cÄlulas de memÑria: parte da progÇnie dos linfÑcitos B e T estimulados por antÅgenos nÖo se diferenciam em cÄlulas efetoras. Em vez disso, tornam-se linfÄcitos de memÄria funcionalmente quiescentes, que sÖo capazes de viver por longos perÅodos, aparentemente na ausÇncia de antÅgenos.

Fase Efetora das Respostas Imunes – eliminaÇÉo de antÑgenos: Durante a fase efetora das respostas imunes, os linfÑcitos que foram ativados especificamente por antÅgenos executam as funÜáes efetoras que induzem a eliminaÜÖo dos antÅgenos. Os anticorpos e os linfÑcitos T eliminam,

respectivamente, os microorganismos extracelulares e os intracelulares. Essas funÜáes dos anticorpos

e das cÄlulas T exigem, muitas vezes, a participaÜÖo de outras cÄlulas nÖo-efetoras e de mecanismos

de defesa que tambÄm operam na imunidade inata. Assim, os mesmos mecanismos inatos que proporcionam as linhas de defesa iniciais contra agentes infecciosos podem ser usados pela resposta adquirida subseqèente para eliminar microorganismo. De fato, como mencionado anteriormente, uma funÜÖo geral importante das respostas imunes adquiridas Ä a de facilitar os mecanismos efetores da

imunidade inata e de focalizar esses mecanismos efetores sobre os tecidos e cÄlulas que contenham antÅgenos estranhos. A fase efetora, por tanto, necessita da participaÜÖo de vÉrios mecanismos de defesa, incluindo o sistema do complemento e os fagÑcitos, que tambÄm atuam na imunidade inata. As respostas adquiridas facilitam os mecanismos de defesa da imunidade inata.

Mecanismos Inatos (NÇo-EspecÉficos)

O sistema inato Ä composto por todos os mecanismos que defendem o organismo de forma nÖo especÅfica, contra um invasor, respondendo da mesma forma, qualquer que ele seja. Constituem as estratÄgias de defesa mais antigas, sendo algumas destas formas encontradas nos seres multicelulares mais primitivos, nas plantas e fungos.

BARREIRAS FÖSICAS

A

pele Ä a principal barreira fÅsica. A sua superfÅcie lipofÅlica Ä constituÅda de cÄlulas mortas ricas em

queratina, uma proteÅna fibrilar, que impede a entrada de microorganismos. As secreÜáes ligeiramente Écidas e lÅpidicas das glàndulas sebÉcea e sudorÅpara criam um microambiente cutàneo hostil ao crescimento excessivo de bactÄrias.

 

O

Ücido gÜstrico Ä uma poderosa defesa contra a invasÖo por bactÄrias do intestino. Poucas espÄcies

sÖo capazes de resistir ao baixo pH e enzimas destruidoras que existem no estçmago.

 

A

saliva e as lÜgrimas contÇm enzimas bactericidas, como a lisozima, que destroem a parede celular

das bactÄrias.

 

No intestino, as numerosas bactárias da flora normal competem com potenciais patogÄnios por comida e locais de fixaÜÖo, diminuindo a probabilidade de estes éltimos se multiplicarem em némero suficiente para causar uma doenÜa. ê por isso que o consumo de demasiados antibiÑticos orais pode

em némero suficiente para causar uma doenÜa. ê por isso que o consumo de demasiados antibiÑticos

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levar à depleção da flora benigna normal do intestino. Com cessação do tratamento, espécies perigosas podem multiplicar-se sem competição, causando, posteriomente, diversas doenças.

O muco é outra defesa, revestindo as mucosas. Ele sequestra e inibe a mobilidade dos corpos invasores, sendo a sua composição hostil para muitos microorganismos. Além disso, contém anticorpos do tipo IgA.

FAGÓCITOS Os fagócitos são as células, como neutrófilos e macrófagos, que têm a capacidade de estender porções celulares (pseudópodes) de forma direcionada, englobando uma partícula ou microorganismo estranho. Este microrganismo é contido num vacúolo, o fagossoma, que depois é fundido com lisossomas, vacúolos ricos em enzimas e ácidos, que digerem a particula ou organismo. Os fagócitos reagem a citocinas produzidas pelos linfócitos, mas também fagocitam, ainda que menos eficazmente, de forma autónoma sem qualquer estimulação. Naturalmente esta forma de defesa é importante contra infecções bactérianas, já que virus são demasiado pequenos e a maioria dos parasitas demasiado grandes para serem fagocitados. A fagocitose também é importante na limpeza dos detritos celulares após infecção ou outro processo que leve a morte celular nos tecidos. No entanto os fagocitos morrem após algumas fagocitoses, e se o numero de invasores e de detritos for grande, poderão ambos, fagocitos e bactérias, ficarem presos num liquido pastoso e rico em proteínas estruturais, que se denomina pús. Além disso estas células produzem radicais livres, formas altamente reativas de oxigénio, que danificam as bactérias e outros invasores além dos tecidos a sua volta.

Neutrófilos: são granulócitos, fagocíticos móveis, o mais abundante e é sempre o primeiro a chegar ao local da invasão e sua morte no local da infecção forma o pus. Eles ingerem, matam e digerem patógenos microbianos. São derivados dos mastócitos e basófilos.

Macrófago: célula gigante, sendo forma madura do monócito, tem capacidade de fagocitar e destruir microorganismos intracelulares. A sua diferenciação é estimulada por citocinas. É mais eficaz na destruição dos microorganismos , tem vida longa ao contrário do neutrófilo. São móveis e altamene aderentes quando em atividade fagocítica.Macrófagos especializados incluem: células de Kupffer (figado), células de Langerhans (pele) e micróglias (Sistema Nervoso Central).

Basófilo e Mastócito: são granulócitos polimorfonucleados que produzem citocinas em defesa contra parasitas, também são responsáveis pela inflamação alégica mediadas por IgE.

Eosinófilo: São granulócitos polimorfonucleados que participam na defesa contra parasitas também participando de reações de hipersensibilidade via mecanismo de citotoxidade. Envolvido em manifestações de alergia e asma, via espeficidade por antígeno IgE.

de alergia e asma, via espeficidade por antígeno IgE. SISTEMA COMPLEMENTO O sistema complemento é um

SISTEMA COMPLEMENTO

O sistema complemento é um grupo de proteínas produzidas pelo fígado, presentes no sangue. Elas

reconhecem e ligam-se a algumas moléculas presentes em bactérias(via alternativa), ou são ativados por anticorpos ligados a bactérias (via clássica). Então inserem-se na membrana celular do invasor e criam um

poro (chamdo de MAC, ou Complexo de Ataque a Membrana), pelo qual entra água excessiva, levando à lise (rebentamento osmótico da célula). Outras proteínas não especificas incluem a proteína c-reactiva, que também é produzida no fígado e se liga a algumas moléculas comuns nas bactérias mas inexistentes nos humanos, ativando o complemento e a fagocitose.

RESPOSTA INFLAMATÓRIA

A resposta inflamatória é fundamentalmente uma reação inespecífica, apesar de ser na prática

controlada pelos mecanismos específicos (pelos linfócitos). Caracteriza-se por cinco sintomas e sinais, definidos na antiguidade greco-romana: calor, rubor, tumor (edema), dor e em último caso (crôcicos) perda da função.

A inflamação é desencadeada por fatores libertados pelas células danificadas, mesmo se por danos

mecânicos. Esses mediadores (bradicinina, histamina) sensibilizam os receptores da dor, e produzem vasodilatação local (rubor e tumor), mas também atraem os fagócitos, principalmente neutrófilos (quimiotaxia). Os neutrofilos que chegam primeiro fagocitam invasores presentes e produzem mais mediadores que chamam linfócitos e mais fagócitos. Entre as citocinas produzidas, as principais sao InterLeucina 1 (IL-1) e TNF (Fator de necrose Tumoral).

mais fagócitos. Entre as citocinas produzidas, as principais sao InterLeucina 1 (IL-1) e TNF (Fator de

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Mecanismos Adaptativos ou Adquiridos (EspecÉficos)

Todo o sistema específico se concentra na capacidade das células imunitárias distinguirem proteínas produzidas pelas células do próprio corpo (antigénio "self" - ou seja do próprio organismo), e proteínas produzidas por invasores ou pelas células humanas sob o controle de vírus (antigénio "non-self" - ou seja, que não é reconhecido como sendo do próprio organismo). Esta distinção é feita através de receptores, os TCR (T- cell receptors) ou BCR (B cell receptors que são anticorpos presos à membrana). Estes receptores, TCR ou BCR, para serem eficazes têm de ser produzidos com milhões de conformações. De outro modo não se ligariam a muitos tipos de proteínas de invasores, e não os reconheceriam. Muitos dos TCR e BCR assim gerados vão reagir com péptidos próprios. Uma das funções do Timo e Medula óssea é manter os jovens linfócitos sequestrados até que seja possivel determinar quais reagem com moléculas do próprio organismo. Essa função é feita por células especializadas desses orgãos que apresentam aos linfócitos jovens moléculas produzidas por elas (e portanto próprias). Todos os linfócitos que reagem a elas são destruidos, e apenas aqueles indiferentes a própria (mais possivelmente reativos a não-próprios) são largados na corrente sanguinea. Os linfocitos que não reagem a própria são milhões, cada um com milhões de configurações possiveis de receptores e haverá inclusive vários, cada um com receptor para zonas diferentes de cada proteína microbiana possivel. A esmagadora maioria dos linfócitos nunca encontra uma proteina para a qual o seu receptor seja específico. Aqueles poucos que a encontram, são estimulados e multiplicam-se. São geradas células efetoras com o receptor específico (produtoras de anticorpos ou citotóxicas, ou ainda coordenadoras) e células memória. As células de memória são quiescentes, têm vida longa e são capazes de reconhecer esse antígeno mesmo muito depois, multiplicando-se em maior numero e respondendo mais rapidamente a infecções futuras.

LINFÓCITOS B E PRODUÇÃO DE ANTICORPOS Os linfócitos B possuem um BCR (IgD e IgM), que é em tudo semelhante ao anticorpo, mas está preso na membrana. Os linfócitos B concentram-se nos ganglios linfáticos, onde filtram a linfa, à espera de uma molécula que seja não-self e reaja especificamente com o seu receptor aleatório. Para cada molécula possivel há vários linfócitos específicos. Logo assim que haja uma ligação específica antigênio-receptor e se o linfócito for estimulado simultaneamente por citocinas produzidas pelos linfócitos T CD4 + (reguladores,ou Helper), eles multiplicam-se e diferenciam-se em plasmócitos e em células-memória. Estas, se a infecção se repetir muitos anos depois, podem iniciar a reposta mais rapidamente. Os plasmócitos produzem então grandes quantidades BCR solúvel e não preso à membrana, ou seja, anticorpos específicos para aquela molécula. Os anticorpos são assim proteinas receptoras livres no sangue, que são especificas e se ligam à molecula não-self e possivelmente invasora. Os anticorpos podem assim ligar-se a antígenos na superfície de bactérias, virus ou parasitas. Eles os eliminam de várias formas. Podem neutralizar o invasor diretamente (cobrindo a superficie de um virus e impedindo-o de se ligar aos seus receptores nas células por exemplo); atrair fagócitos (que reconhecem e são estimulados por eles); ativar o sistema complemento de forma a lisa- los; ou ainda estimular as células citotóxicas (assassinas) para destruirem as células identificadas pelo anticorpo. Há vários tipos de anticorpos: IgM é sempre o primeiro tipo a ser produzido; IgG é o principal grupo de anticorpos sangüíneos e há vários subtipos, aparece mais tarde que IgMs, e têm maior afinidade após hipermutação; os IgAs são anticorpos secretados para as mucosas, como intestino, genitais e bronquios; as IgE têm funções de luta contra parasitoses; os IgD estimula o sistema imunitário.

LINFÓCITO T E CITOTOXICIDADE Os Linfócitos T CD8 + são os linfócitos citotóxicos ou também chamado de Killers. Eles têm cada um, um tipo de receptor especifico nas suas membranas, gerado aleatóriamente numa fase de recombinação genética do seu desenvolvimento, denominado de TCR (T-cell receptor, semelhante aos anticorpos da célula B, mas de localização membranar). Esses receptores ligam-se a outros que todas as células humanas possuem (complexo MHC I), e que apresentam peptídios (fragmentos de proteínas) que elas estejam a produzir à superficie da célula. No caso que os complexos MHC I (Complexo de Histocompatibilidade) - péptido seja reconhecidos por uma célula T CD8 + , esta última desencadeará a morte da célula que apresenta o péptido atravéz de enzimas citoliticas chamadas de perfurinas e granzimas que induzem a apoptose da célula alvo por desequilíbrio osmótico. Todos os linfócitos T CD8 + que têm receptores que reagem a substâncias do próprio corpo morrem durante o seu "estágio" no timo. Quando o linfócito T CD8 + reconhece um antígeno não-self com o seu receptor numa molécula MHC classe I de uma célula do organismo, ele liberta substâncias (perforina) que criam um poro na membrana, lisando (rompendo osmoticamente) a célula, ou então libertam mediadores (granzima) que induzem a célula a iniciar a apoptose (morte celular programada). Há milhões de linfócitos CD8 + em circulação no organismo, cada um com receptores aleatórios para todos os péptidos possiveis não-self. Normalmente o

circulação no organismo, cada um com receptores aleatórios para todos os péptidos possiveis não-self. Normalmente o

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linfócito T CD8 + só destrói as células se for estimulado por citocinas dos linfócitos T CD4 + (reguladores). Se um linfócito T CD8 + com determinado receptor for estimulado dessa forma, ele divide-se em mais células citotóxicas e um pequeno grupo de células quiescentes e de longa esperança de vida, as células memória, manter-se-ão em circulação (entre o sangue e os gânglios linfáticos). Estas células de memória podem ser ativadas mais tarde de uma forma mais eficiente, mais rápida e independentemente da presença de citocinas produzidas pelos linfócitos CD4 + , após reconhecimento do péptido para o qual são específicas apresentado por uma molécula de MHC classe I.

FAGÓCITOS Apesar de os fagócitos serem um mecanismo inato, já que respondem a qualquer corpo estranho, eles também são efetores de primeira linha das decisões dos linfócitos. Os fagócitos, especialmente os macrófagos, respondem a citocinas geradas pelos linfócitos (IL-1). Os monócitos são os precursores dos macrófagos e eles transformam-se em macrófagos se estimulados por citocinas dos T4. Além disso são atraidos por outras citocinas e fatores libertados de células em locais de infecção activa. Se estimulados apropriadamente pelas citocinas libertadas de forma localizada e controlada pelos linfócitos T4, os macrófagos libertam suficientes quantidades de enzimas e radicais livres para destruir totalmente uma região localizada, matando ambos invasores e células humanas. Além disso, sob controle dos linfócitos, os macrófagos são responsáveis por algumas reações imunológicas especificas como o granuloma e o abcesso. O granuloma ocorre na invasão por micobactérias e fungos, sendo o exemplo mais célebre a tuberculose. É uma reação ordenada por citocinas dos T4, quando há infecção intracelular dos próprios fagocitos. De forma a impedir a disseminação pelo sangue do invasor dentro dessas células móveis, os linfócitos T4 secretam citocinas que chamam mais macrófagos, e os tornam mais resistentes à infecção ("alerta de bactéria endocelular"). Além disso as citocinas provocam a adaptação pelos macrofagos de morfologia epitelial em volta do nucleo da invasão, com numerosas camadas de células imobilizadas ligadas por conexões impermeáveis, de forma a sequestrar o invasor.

Filogenia do Sistema Imune

Em nível da escala evolutiva, o Sistema Imune Inato (sistema fagocitário) é muito mais antigo que o Sistema Imune Adquirido (sistema linfóide). A grosso modo, desde o surgimento dos invertebrados, já apresentavam células fagocitárias. A partir do surgimento de peixes cartilaginosos, viu-se o surgimento do sistema linfóide e dos órgãos linfóides.

A partir do surgimento de peixes cartilaginosos, viu-se o surgimento do sistema linfóide e dos órgãos

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CÉLULAS DO SISTEMA IMUNE (Profª Karina Carla)

As cÄlulas que estÖo envolvidas nas respostas imunes adquiridas sÖo os linfÑcitos antÅgeno- especÅficos, cÄlulas acessÑrias especializadas que participam na ativaÜÖo dos linfÑcitos, e cÄlulas efetoras que atuam na eliminaÜÖo de antÅgenos. As cÄlulas do sistema imune estÖo, normalmente, circulando no sangue e na linfa, como coleÜáes definidas anatomicamente nos ÑrgÖos linfÑides e como cÄlulas dispersas em virtualmente todos os tecidos. A organizaÜÖo anatçmica dessas cÄlulas e sua capacidade para circular e permutar entre sangue, linfa e tecidos tÇm importància essencial para a geraÜÖo das respostas imunes.

Hematopoiese

Hematopoiese Ä o processo de formaÜÖo, desenvolvimento e maturaÜÖo dos elementos do sangue (eritrÑcitos, plaquetas e leucÑcitos) a partir de um precursor celular comum e indiferenciado conhecido como cÄlula hematopoiÄtica pluripotente, ou cÄlula-tronco, unidade formadora de colçnias (UFC), hemocitoblasto ou stem-cell. As cÄlulas-tronco que no adulto encontram-se na medula Ñssea sÖo as responsÉveis por formar todas as cÄlulas e derivados celulares que circulam no sangue. A hematopoiese Ä funÜÖo do tecido hematopoiÄtico, que aporta a celularidade e o microambiente tissular necessÉrios para gerar os diferentes constituintes do sangue. No adulto, o tecido hematopoiÄtico forma parte da medula Ñssea e ali Ä onde ocorre a hematopoiese normal. A medula Ñssea Ä o ÑrgÖo mais importante da gÇnese das mais diversas cÄlulas sanguÅneas pois lÉ estÖo as cÄlulas-tronco que dÖo origem a cÄlulas progenitoras de linhagens mielocÅticas, linfocÅtica, megacariÑcitos e eritroblastos.

linfocÅtica, megacariÑcitos e eritroblastos. As células-tronco sÖo as cÄlulas menos diferenciadas

As células-tronco sÖo as cÄlulas menos diferenciadas responsÉveis pela formaÜÖo dos elementos figurados do sangue; as cÄlulas-tronco dÖo origem as células progenitoras cuja progÇnie sÖo as células precursoras.

Todas as cÄlulas do sangue originam-se das células-tronco hematopoéticas pluripotentes (CTHP), ou stem cell, que passarÉ a sofrer sucessivas mitoses e participarÉ de um processo de diferenciaÜÖo para dar origem as duas principais linhagens: a mielÑide e a linfÑide.

Depois de sucessivas divisáes celulares, originam-se mais CTHPs e dois tipos de células-tronco hematopoéticas multipotentes (CTHM): a unidade formadora de colçnias do baÜo (CFU-S) – antecessoras das linhagens de células mielóides (hemÉcias, granulÑcitos, monÑcitos e plaquetas) – e a unidade formadora de colçnia-linfÑcito (CFU-Ly) – antecessoras das linhagens de células linfóides (linfÑcitos T e linfÑcitos B). Estas unidades formarÖo as cÄlulas progenitoras.

As células progenitoras sÖo unipotentes (estÖo comprometidas a formaÜÖo de uma énica linhagem celular) e tÇm uma capacidade limitada de auto-renovaÜÖo.

As células precursoras originam-se das cÄlulas progenitoras e nÖo tem capacidade de auto-renovaÜÖo. Com o avanÜo da maturaÜÖo e diferenciaÜÖo celular, passando por estÉgios intermediÉrios em que cÄlulas sucessivamente tornam-se menores, os nuclÄolos desaparecem, a malha da cromatina fica mais densa, e as caracterÅsticas citoplasmÉticas aproximam-se mais de cÄlulas maduras (induzidos por citocinas). Estas cÄlulas passam por uma sÄrie de divisáes e diferenciaÜáes atÄ se transformarem em uma cÄlula madura. Todas as cÄlulas amadurecem na medula e sÖo lanÜadas na corrente, com exceÜÖo dos linfÑcitos T, que se originam na medula, mas amadurecem e se diferenciam no timo, para sÑ depois cair na circulaÜÖo.

linfÑcitos T, que se originam na medula, mas amadurecem e se diferenciam no timo, para sÑ

Citocinas

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As citocinas sÖo mediadores celulares do sistema imunitÉrio que permitem äs cÄlulas comunicar entre si e com outras de outros orgÖos. SÖo um sistema incrivelmente complexo e inteligente ainda pouco conhecido. Algumas citocinas mais importantes:

IL-1: libertadas aquando de infecÜáes. Produzem nos centros cerebrais regulatÑrios febres, tremores, calafrios e mal-estar; promovem a inflamaÜÖo, estimulam os linfÑcitos T. A sua aÜÖo Ä responsÉvel por estes sintomas comuns na maioria das doenÜas. No cÄrebro hÉ libertaÜÖo de prostaglandina E2, que estimula o centro da temperatura, aumentando a sua configuraÜÖo. A aspirina inibe a formaÜÖo da prostaglandina (bloqueia a enzima que a produz) e Ä por isso que diminui a febre e mal estar nas afecÜáes virais.

IL-2: Estimula a multiplicaÜÖo dos linfÑcitos T e B. Antes chamada de Fator de proliferacao de Linfocitos

IL-3: Estimula o crescimento e a secreÜÖo de histamina.

IL-4: Estimula multiplicaÜÖo dos linfÑcitos B; produÜÖo de anticorpos, resposta do tipo TH2.

IL-5: Estimula multiplicaÜÖo e diferenciaÜÖo de linfÑcitos B; produÜÖo de IgA e IgE, alergias.

IL-6: Estimula a secreÜÖo de anticorpos.

IL-7: Induz a diferenciaÜÖo em cÄlulas B e T progenitoras.

IL-8: Quimiocina;induz a adesÖo ao endotÄlio vascular e o extravazamentoaos tecidos.

IFN-alfa: Interferon. Ativa as cÄlulas em estado de "alerta viral". ProduÜÖo diminuida de proteÅnas, aumento de enzimas anti-virais (como as que digerem a dupla hÄlice de RNA tipica dos virus) e aumentam tambÄm a apresentaÜÖo de pÄptidos internos nos MHC I aos linfÑcitos. Estimula os linfÑcitos NK e T8.

IFN-gama: Ativa os macrÑfagos, tornando-os mais eficientes e agressivos; promove a inflamaÜÖo, e estimula a resposta TH1, inibindo a TH2.

TNF-alfa: Induz a secreÜÖo da citocina e Ä responsÉvel pela perda extensiva de peso associada com inflamaÜÖo crçnica.

TNF-beta: Ativa os fagocitos. Estimula a resposta citotoxica (TH1).

CÑlulas do Sistema ImunolÅgico

CÄlulas do sistema imune sÖo altamente organizadas como um exÄrcito. Cada tipo de cÄlula age de acordo com sua funÜÖo. Algumas sÖo encarregadas de receber ou enviar mensagens de ataque, ou mensagens de supressÖo (inibiÜÖo), outras apresentam o “inimigo” ao exÄrcito do sistema imune, outras sÑ

atacam para matar, outras constroem substàncias que neutralizam os “invasores” ou neutralizam substàncias liberadas por eles. As cÄlulas estÖo organizadas nos seguintes grupos:

Sistema FagocitÉrio Mononuclear

Sistema GranulÑcito Polimorfonucleares

Sistema LinfocitÉrio

Sistema de CÄlulas DendrÅticas (CÄlulas Apresentadoras Profissionais)

SISTEMA FAGOCITÁRIO MONONUCLEAR Dessa famÅlia fazem parte cÄlulas (monócitos e macrófagos) cujas caracterÅsticas sÖo: nécleo de

morfologia énica e capacidade de fagocitar partÅculas, degradÉ-las e expressÉ-las, na membrana, na forma de pequenos peptÅdios associados a molÄculas do complexo principal de histocompatibilidade (MHC do inglÇs, major histocompatibility complex). AlÄm de realizar fagocitose e opsonizaÜÖo, os macrÑfagos podem apresentar efeito citotÑxico sobre cÄlulas tumorais mediado pelo mecanismo de ADCC.

1. Monócitos: Os monÑcitos estÖo presentes no sangue, constituindo-se de 3 a 8 % dos leucÑcitos circulantes. Participam da formaÜÖo dos granulomas (turbeculose, lepra, filariose). O granuloma Ä o antÅgeno rodeado por uma barreira de monÑcitos no processo de defesa. Realizam um mecanismo denominado citotoxicidade celular dependente de anticorpos (ADCC), que Ä um mecanismo da imunidade inata.

2. Macrófagos: SÖo cÄlulas teciduais e de grande poder fagocÅtico derivadas dos monÑcitos. Dentre suas principais funÜáes na imunidade destaca-se: ApresentaÜÖo de antÅgenos (MHC-II); CÄlulas de limpeza; ProduÜÖo de citocinas inflamatÑrias e regulatÑrias. Podem ser encontradas: no SNC (MicrÑglia); no FÅgado (CÄlulas de Kupppfer); na pele (CÄlulas de Langehans); no PulmÖo (MacrÑfagos Pulmonares).

SISTEMA GRANULÓCITO POLIMORFONUCLEARES Fazem parte dessa famÅlia as cÄlulas que tÇm como caracterÅsticas comuns: a presenÜa de grànulos no citoplasma, que apresentam diferentes afinidades por corantes Écidos e bÉsicos, e um nécleo multilobulado (2-4 lÑbulos) ou segmentado. Essas cÄlulas, presentes sobretudo no sangue e nas mucosas, sÖo os neutrófilos, os eosinófilos e os basófilos. 1. Basófilos: apresentam nécleo em forma irregular sem a divisÖo em lÑbulos e grànulos com afinidade por corantes bÉsicos (se coram em azul-violeta). Sua principal funÜÖo Ä a liberaÜÖo de diferentes mediadores, como a histamina (associada ä heparina), os leucotrienos, as

funÜÖo Ä a liberaÜÖo de diferentes mediadores, como a histamina (associada ä heparina), os leucotrienos, as

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prostaglandinas e serotonina. O basófilo é uma célula típica do sangue, sendo o mastóctio a célula que exerce funções similares às do basófilo nas mucosas e no tecido conjuntivo.

2. Neutrófilos: apresentam núcleo segmentado em 2 a 5 lóbulos e grânulos que não tem afinidade seletiva para corantes básicos ou ácidos. São, portanto, células inflamatórias que chegam mais rapidamente ao local da injúria. É a classificação leucocitária mais populosa (65%). Têm como funções: Fagocitose; Liberação de Mediadores (mieloperoxidase, fosfatase ácida e alcalina, colagenase e citocinas).

3. Eosinófilos: apresentam núcleo bilobulado e grânulos que tem afinidade por corantes ácidos, como a eosina, apresentando coloração avermelhada. O seu percentual entre os leucócitos no sangue é de 3%. Apresentam diminuída atividade fagocitária e como têm como principal função: Proteína Básica Principal (MBP); Peroxidase Eosinofílica; muito presentes em processos alérgicos em infecções parasitárias. Sua função principal é a realização de mecanismo denominado citotoxicidade celular dependente de anticorpos (ADCC), que é um mecanismo da imunidade inata.

SISTEMA LINFOCITÁRIO

Há dois tipos principais de linfócitos clássicos: os linfócitos T (LT) e os linfócitos B (LB). Os linfócitos T podem ser de dois tipos: linfócitos T auxiliares (LTh CD4) e linfócitos T citotóxicos (LTc CD8). Os LTh atuam ativando outras células para exercer suas funções:

Os macrófagos ativam a capacidade fagocítica e a produção de moléculas (monocinas e outras);

Os LB induzem a maturação fazendo que se tornem plasmócitos, secretando anticorpos, ou LB de memória;

Os LTc induzem a atividade citotóxica contra células tumorais e infectadas por vírus e outros parasitas intracelulares.

Por tanto, tem-se como células do sistema linfocitário:

1. Linfócitos T (LT): Apresentam um mecanismo de ativação onde fazem parte os receptores de células T (TCR), responsável por reconhecer o complexo MHC-peptídeo, expresso nas células apresentadoras de antígenos. Podem ser do tipo T citotóxico (CD8) ou T auxiliar (CD4, também chamado de helper).

2. Linfócitos B (LB): Apresentam receptores de células B (BCR). Quando produzem imunoglobulinas ou anticorpos são chamadas de plasmócitos (principal produtor de anticorpos, em que há uma diferenciação e amadurecimento do LB, com o aumento e desenvolvimento de suas organelas). O antígeno tem a função de se ligar e neutralizar o anticorpo ou a função de facilitar a fagocitose desse anticorpo (opsonização).

de facilitar a fagocitose desse anticorpo (opsonização). OBS: O TCR é um receptor altamente específico com

OBS: O TCR é um receptor altamente específico com função de reconhecer o complexo peptídeo MHC, por meio da resposta adquirida. Além do TCR, há moléculas presentes na membrana do linfócito que tem com função permitir uma co-estimulação, que são do tipo CD (grupo de diferenciação), sendo elas CD8 ou CD4. Essas moléculas servem como característicos marcadores fenotípicos de cada respectivo linfócito: O LTc está marcado com CD8 e o LTh com o CD4. Quando uma célula APC (Célula Apresentadora de Peptídeo), como uma célula dendrítica, fagocita um antígeno, esta metaboliza o mesmo até degradá-lo a moléculas de peptídeo. Para degradá-lo totalmente, a APC necessita da ação de um linfócito. Simultaneamente à degradação do antígeno, outra organela sintetiza um receptor de membrana (MHC) e o une ao peptídeo. Em sua membrana, a APC expõe o complexo peptídeo-MHC aos linfócitos T, que por meio de seu receptor TCR, reconhece o peptídeo antigênico via MHC. Outras moléculas, como o CD8 ou CD4 (em outra célula), amplia essa avidez de reconhecimento da célula. OBS²: De um modo geral, o linfócito T citotóxico (com CD8 na membrana) tem a capacidade de promover ação sobre peptídeos intracelulares, uma vez que ele libera enzimas chamadas perfurinas que perfuram a membrana da APC para liberar nela outras enzimas presentes em seu citoplasma chamadas de granzimas, que penetram pelo poro produzidos pela perfurina para desempenhar uma citotoxicidade. Quando células estão infectadas por proteínas estranhas (como as tumorais), é necessária a sua morte completa, sendo importante a ação direta do LTc e de suas enzimas. Já os LTh reconhecem o complexo MHC-peptídeo vindo da APC, mas respondem a ameaças de naturezas extra-celulares: parasitose, bactérias extra-celulares, etc. OBS³: Na resposta imune adaptativa, em alguns casos, ao reconhecer o complexo MHC-peptídeo, o linfócito T libera citocinas que ativa o LB, o qual

em alguns casos, ao reconhecer o complexo MHC-peptídeo, o linfócito T libera citocinas que ativa o
em alguns casos, ao reconhecer o complexo MHC-peptídeo, o linfócito T libera citocinas que ativa o

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se diferencia em plasmÑcito, capaz de produzir imunoglobulinas (anticorpo) que neutralizam antÅgenos. OBS 4 : Opsonina Ä qualquer fator que auxilia a fagocitose de antÅgenos por cÄlulas fagocitÉrias, como o prÑprio anticorpo funciona. Esse processo de facilitaÜÖo Ä chamado de opsonização.

3. Células Natural Killers (NK Cells): As cÄlulas assassinas naturas (NK – de, natural killer), sÖo semelhantes aos linfÑcitos, mas nÖo apresentam TCR. SÖo de natureza linfÑide mas nÖo tem a especificidade dos linfÑcitos T e B, nÖo fazendo parte entÖo da resposta imune adiquirida, mas sim, da resposta inata. Tem como funÜáes a lise de cÄlulas infectadas por vÅrus, de cÄlulas tumorais; citotoxicidade celular dependente do anticorpo. Essa citotoxicidade se dÉ por meio do mecanismo da ADCC em que, devido a sua baixa capacidade de fagocitose, hÉ a liberaÜÖo de mediadores celulares, ocorrendo uma fagocitose frustrada (uma vez que ela tenta fagocitar, mas por nÖo conseguir, libera esses mediadores quÅmicos). Esse processo ocorre quando o antÅgeno se liga ao anticorpo.

SISTEMA DE CÉLULAS DENDRÍTICAS Essas cÄlulas sÖo assim chamadas porque apresentam expansáes citoplasmÉticas em forma de dendritos, assim como os neurçnios. Apresentam como principal funÜÖo a fagocitose e a apresentaÜÖo de antÅgenos na sua membrana. As primeiras cÄlulas dendrÅticas identificadas foram as cÄlulas de Langerhans da epiderme. Acredita-se que essas cÄlula migram da pele para os linfonodos regionais e baÜo, onde ocupam locais diferentes e desempenham funÜáes distintas. As cÄlulas dendrÅticas que ficam nos folÅculos linfÑides, onde as cÄlulas predominantes sÖo LB, sÖo encontradas sob o epitÄlio da maioria dos ÑrgÖos. Sua funÜÖo Ä a captura de antÅgenos estranhos e seu transporte para os ÑrgÖos linfÑides secundÉrios.

OBS: ADCC: quando ocorre a infecÜÖo por microrganismos, jÉ sabemos que ocorrerÉ um processo de reaÜÖo em que anticorpos serÖo liberados para realizar a opsonizaÜÖo, ocorrendo assim maior facilidade de fagocitose do agente invasor. Contudo, se este for muito grande, as cÄlulas efetoras como os macrÑfagos produzirÖo fatores de morte intra-celular (como o NO, O 2 - , OCl - : intermediÉrios reativos do O 2 e N 2 ). Ocorre, assim, um processo de morte do microrganismo. As cÄlulas NK passam a secretar substancias como perfurimas e granzimas, causando a morte do microrganismo por apoptose.

As cÄlulas NK passam a secretar substancias como perfurimas e granzimas, causando a morte do microrganismo

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FAMENE NETTO, Arlindo Ugulino.

IMUNOLOGIA I (DESATUALIZADO)

Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2 FAMENE NETTO, Arlindo Ugulino. IMUNOLOGIA I
NETTO, Arlindo Ugulino. IMUNOLOGIA I (DESATUALIZADO) ÓRGÃOS DO SISTEMA IMUNE (Profª Karina Carla) As células

ÓRGÃOS DO SISTEMA IMUNE (Profª Karina Carla)

As células do sistema imune estão organizadas em tecidos ou órgãos linfóides. Essas estruturas são denominadas linfóides porque as células que predominam no estroma são linfócitos; no entanto, outras células do sistema imune (macrófagos, células dendriticas e polomorfonucleares) e de outros sistemas (células epiteliais, endoteliais, fibroblastos) estão presentes, nesses órgãos, em menor proporção. Os órgãos linfóides, de acordo com sua função, podem ser classificados em primários (geram e amadurecem células do sistema imune) ou secundários (local onde ocorre a reposta imune: encontro do antígeno com o anticorpo). Vale ressaltar que, uma célula é caracterizada fenotipicamente amadurecida quando apresenta seus marcadores celulares (como o TCH para o LT e BCH para o LB). Para isso, essas células precisam ser amadurecidos nos órgãos linfóides primários.

Órgãos linfóides primários: os linfócitos passam por processos de maturação e diferenciação. Os principais órgãos linfóides primários nos mamíferos são: a medula óssea e o timo.

Órgãos linfóides secundários: são os linfonodos (ou gânglios linfáticos), o baço, a própria medula óssea e os tecidos linfóides associados à mucosa (MALT, mucosal-associated lymphoid tissue).

ÖrgÇos LinfÅides PrimÜrios

MEDULA ÓSSEA A medula óssea, popularmente conhecida como "tutano", é um tecido gelatinoso que preenche a cavidade interna de vários ossos e fabrica os elementos figurados do sangue periférico como:

hemácias, leucócitos e plaquetas. A medula óssea é constituída por um tecido esponjoso mole localizado no interior dos ossos longos. É nela que o organismo produz praticamente todas as células do sangue:

glóbulos vermelhos (Eritrócitos), glóbulos brancos (Leucócitos) e plaquetas (Trombócitos). Estes componentes do sangue são renovados continuamente e a medula óssea é quem se encarrega desta renovação. Trata-se portanto de um tecido de grande atividade evidenciada pelo grande número de multiplicações celulares. No início da gestação, a hematopoiese é função do saco vitelínico. Semanas depois, o processo de geração das células do sangue passa a ser função do baço e fígado, para só depois, assumir a medula óssea repleta de steam cells. Ao nascer, a hematopoise acontece predominantemente na medula óssea.

assumir a medula óssea repleta de steam cells . Ao nascer, a hematopoise acontece predominantemente na
assumir a medula óssea repleta de steam cells . Ao nascer, a hematopoise acontece predominantemente na

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Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2 TIMO O timo Ä um ÑrgÖo

TIMO

O timo Ä um ÑrgÖo linfÉtico bilobulado que estÉ localizado na porÜÖo antero-superior da cavidade torÉcica. Limita-se, superiormente pela traquÄia, a veia jugular interna e a artÄria carÑtida comum, lateralmente pelos pulmáes e inferior e posteriormente pelo coraÜÖo. Os lobos timicos sÖo revestidos por uma cÉpsula de colÉgeno frouxo, que invade o interior do ÑrgÖo, delimitando estruturas denominadas lÑbulos. Esses lÑbulos sÖo formados por duas regiáes distintas: a cortical e a medular. Na intersecÜÖo entre essas duas regiáes, delimita-se a junÜÖo corticomedular. No ambiente lobular, pelo contato com cÄlulas do epitÄlio tÅmico, macrÑfagos e cÄlulas dendrÅticas interdigitantes, percusores dos linfÑcitos T oriundos da medula Ñssea (denominados timócitos) sÖo submetidos aos processos de maturaÜÖo, seleÜÖo e diferenciaÜÖo. Durante o processo de maturaÜÖo, os timocitos passam a expressar receptores especÅficos de antÅgenos (TCR, do inglÇs, T cell receptor) e outras molÄculas, denominadas co-estimuladoras (CD3, CD4 e CD8), importantes nos mecanismos de ativaÜÖo dessas cÄlulas. O timo, que apresenta como funÜÖo principal a maturaÜÖo do LT, possui uma cÉpsula de tecido conjuntivo denso nÖo modelado que dele partem septos que dividem os lobos em lÑbulos. Cada lÑbulo do timo

Ä constituÅdo por cÑrtex e medula.

o

Córtex: Ä composto por um grande numero de linfócitos T (timÑcitos) que migram da medula Ñssea para a periferia do cÑrtex, onde proliferam-se intensamente e tornam-se imunocompetentes. AlÄm disso, o cÑrtex possui macrÑfagos e cÄlulas reticulares epiteliais.

o

Medula: caracteriza-se pela presenÜa dos corpúsculos de Hassall (tímicos), que consiste no conjunto de cÄlulas dendrÅticas e epiteliais dispostas de forma espiral. Todos os timÑcitos da medula sÖo cÄlulas T imunocompetentes. A funÜÖo dos corpésculos tÅmicos pode ser associada ao local de morte dos linfÑcitos T da medula. Encontra-se tambÄm, nessa regiÖo, vasos linfÉticos e sanguÅneos.

A partir do momento em que os timÑcitos expressam os receptores de antÅgenos na membrana, esses sÖo selecionados de acordo com a afinidade e o tipo de molÄculas que reconhecem. Durante o processo de

seleÜÖo, os timÑcitos passam pelo processo de diferenciaÜÖo e se tornam LT auxiliares (LTh) ou LT citotÑxico (LTc). OBS: O linfÑcito T imaturo Ä marcado com CD44+. ê por meio desse marcador que o mesmo Ä reconhecido para entrar no timo. Vale ressaltar tambÄm que todo LT, quando maduro, apresenta o CD3, ou seja, quando ele

Ä citotÑxico, apresenta CD3 e CD8, e quando ele Ä auxiliar, CD3 e CD4.

1. Mecanismo de maturação do LT

Os precursores dos linfÑcitos T (cÄlulas CD44+), provenientes da medula Ñssea, chegam ao timo e, sob a influencia de fatores quimiotÉticos derivados do epitÄlio tÅmico, instalam-se na regiÖo logo abaixo da cÉpsula (regiÖo subcapsular) e ä medida que se tornam maduros, migram do cÑrtex para a medula. A transiÜÖo atravÄs dos vasos ocorre provavelmente pela associaÜÖo da molÄcula CD44, presente nos precursores de LT, a molÄculas de hialuronato.

Durante a migraÜÖo no timo, as cÄlulas sÖo submetidas aos efeitos de hormçnios tÅmicos (timopoetina,

tomisina-α1 e timosina-β4, timulina e fator tÅmico humoral) e citocinas (IL-1, IL-2, IL-4 e IL-7) produzidos por cÄlulas epiteliais tÅmicas e passam a proliferar e expressar molÄculas de membrana. Quando chegam da medula Ñssea, essas cÄlulas precursoras nÖo apresentam molÄculas de membrana tÅpicas de LT, ou sejam CD3- CD4- CD8- (triplo negativas). As citocinas IL-7 e IL-2 parecem ser importantes na proliferaÜÖo dessa populaÜÖo de timÑcitos imaturos, que dÖo origem a cÄlulas CD3+ CD4+ CD8+ (triplo- positivas). Durante o progresso de maturaÜÖo, as cÄlulas CD3- CD4- CD8- deixam de expressar CD44 e passam a expressar CD25, o que as leva a proliferar sob estÅmulo da IL-2 (fator de crescimento LT). AlÄm disso, temos dois tipos de TCR conhedicos:

TCR-1: apresenta uma cadeia gama (γ) e outra delta (δ)

TCR-2: apresenta uma cadeia alfa (α) e outra beta (β), mais comum no sistema linfÉtico.

As cÄlulas que expressam TCRγδ maturam antes das que expressam TCRαβ e sÖo menos dependente do timo, podendo maturar em locais extratÅmicos. O TCR, como sabemos, Ä o receptor de LT que reconhece molÄculas do complexo de histocompatibilidade (MHC) de classe I ou II associadas a antÅgenos peptÅdicos. No entanto, enquanto o TCR-2 reconhece o MHC-peptÅdio, o TCR-1, alÄm destes complexos, reconhece fosfoaÜécares, fosfoÄsteres e outros antÅgenos nÖo protÄicos. De acordo com a capacidade dos linfÑticos T

reconhece fosfoaÜécares, fosfoÄsteres e outros antÅgenos nÖo protÄicos. De acordo com a capacidade dos linfÑticos T

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(expressam TCR-2) em reconhecer complexos MHC-peptídios, eles são selecionados e essa seleção é realizada em duas fazes: seleção positiva e seleção negativa.

Seleção positiva: à medida que os timócitos entram em contato com células epiteliais do córtex tímico (que sintetizam moléculas do MHC próprias associadas com peptídeos próprios oriundos das membranas celulares ou dos liquidos corporais), eles são selecionados com a avidez dos seus TCRs pelos complexos MHC-peptídeo. Os timócitos que apresentam TCR com um limite mínimo de avidez por esses peptídeos próprios são selecionados positivamente, ou seja, sobrevivem. Os que apresentam uma avidez alta morrem por apoptose para que, ao chegarem ao sistema, não ataquem células do próprio organismo. Durante a seleção positiva, os LT CD3+ CD4+ CD8+ cujos TCR reconhecem o complexo MHC classe I-peptídeo passam a expressar CD8 porque essa molécula adere à molécula de classe I e um sinal é emitido nos sentidos do CD4 deixar de ser expresso e essas células tornam-se linfócitos T citotóxicos (CD3+CD8+). Da mesma forma, nos LT cujos TCRs reconhecem MHC classe II-peptídeo, a molécula CD4 adere à molécula de classe II e um sinal é emitido para que a CD8 deixa de ser expressa, e essas células tornam-se linfócitos T auxiliares

(CD3+CD4+).

Seleção Negativa: os linfócitos que sobrevivem na fase de seleção positiva passam pela seleção negativa. Esse tipo de seleção pode ocorrer pelo contato dos TCRs dos timocitos com peptídeos apresentados tanto pelas células epiteliais tímicas quanto pelos macrófagos e células dendríticas interdigitantes. Nessa seleção, os TCRs que reconhecem com alta afinidade os complexos MHC classe I ou II e peptídeos morrem por apoptose; os que reconhecem com média afinidade, sobrevivem. Por tanto, os timocitos CD4+CD8+ selecionados apresentam TCR que reconhece com média afinidade complexos formados pelas proteínas MHC classe I ou II associadas com peptídeos. Após o processo seletivo, essas células migram, pelos vasos sanguíneos e linfáticos presentes na região medular, para os órgãos linfóides secundários onde ocuparão regiões especificas de linfócitos T, denominadas regiões timo-dependetes ou T-dependentes.

T, denominadas regiões timo-dependetes ou T-dependentes. No timo, portanto, há também um ensinamento ao linfócito

No timo, portanto, há também um ensinamento ao linfócito T quanto à composição de peptídeos estranhos e próprios do organismo, de modo que o LT, ao sair do timo, seja treinado a diferenciar proteínas estranhas das produzidas pelo próprio organismo.

ÖrgÇos LinfÅides SecundÜrios

Os tecidos linfóides secundários são os que efetivamente participam da resposta imune, seja ela humoral ou celular. As células presentes nesses tecidos secundários tiveram origem nos tecidos primários, que migraram pela circulação e atingiram o tecido. Neles estão presentes os nodos linfáticos difusos, ou encapsulados como os linfonodos, as placas de Peyer, tonsilas baço e medula óssea. Devemos aqui destacar a medula óssea, que é órgão primário e secundário ao mesmo tempo.

baço e medula óssea. Devemos aqui destacar a medula óssea, que é órgão primário e secundário

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LINFONODO

Linfonodos sÖo ÑrgÖos pequenos em forma de feijÖo que aparecem no meio do trajeto de vasos linfÉticos. Normalmente estÖo agrupados na superfÅcie e na profundidade nas partes proximais dos membros, como nas axilas, na regiÖo inguinal, no pescoÜo, regiÖo estenal, etc. TambÄm encontramos linfonodo ao redor de grandes vasos do organismo. Eles “filtram” a linfa que chega atÄ eles, e removem bactÄrias, vÅrus, restos celulares, etc. SÖo caracterizados por concentrar os folículos linfóides (LB) e as regiões intefoliculares (LT) ao longo dos vasos linfÉticos, exercendo a funÜÖo de filtraÜÖo da linfa. Os linfonodos apesentam uma cÉpsula de colÉgeno que se estende em forma de trabÄculas para o interior do ÑrgÖo e äs quais se associam fibras reticulares. A linfa entra nos linfonodos pelos vasos linfÉticos aferentes, percola pelos seios subcapsulares, corticais e medulares e sai do linfonodo pelo vaso linfÉtico eferente. Ao longo dos seios, hÉ um grande numero de macrÑfagos responsÉveis pela fagocitose das

partÅculas que entram no linfonodo com a linfa. Carreados pela linfa, tambÄm chegam aos linfonodos cÄlulas dendriticas ou macrÑfagos que capturam antÅgenos na pele e nas mucosas.

O parÇnquima do linfonodo Ä constituÅdo pelas regiões cortical (concentrado de LB) e medular

(concentrado de LT). A regiÖo cortical Ä subdividida em cÑrtex superficial, onde estÖo os folÅculos linfÑides,

constituÅdos de LB e de cÄlulas dendriticas foliculares, e em cÑrtex profundo ou paracÑrtex (linfÑcitos T e cÄlulas dendriticas interdigitantes). Na regiÖo medular estÖo presentes macrÑfagos, linfÑcitos, cÄlulas dendrÅticas e, quando o linfonodo foi recentemente ativado, sÖo encontrados os plasmÑcitos, linfÑcitos B secretores de anticorpos.

os plasmÑcitos, linfÑcitos B secretores de anticorpos. BAÇO Diferentemente dos linfonodos (que captam antÅgenos
os plasmÑcitos, linfÑcitos B secretores de anticorpos. BAÇO Diferentemente dos linfonodos (que captam antÅgenos

BAÇO

Diferentemente dos linfonodos (que captam antÅgenos da linfa), o baÜo capta antÅgenos do prÑprio sangue. O baÜo Ä um ÑrgÖo linfÑide secundÉrio presente no quadrante superior esquerdo do abdome e responsÉvel pela remoÜÖo tanto de partÅculas estranhas do sangue como de hemÉcias e plaquetas envelhecidas.

O baÜo Ä revestido por uma cÉpsula de colÉgeno da

qual se estendem fibras reticulares que formam o arcabouÜo do parÇnquima esplÇnico. A maior parte do parÇnquima Ä composta por cordáes esplÇnicos celulares e uma rede de sinusÑides/seios vasculares, preenchidos de sangue. Essa regiÖo Ä denominada de polpa vermelha. A outra parte do parÇnquima, que corresponde a 5-20% de massa esplÇnica, e estÉ presente ao redor das artÄrias e arterÅolas centrais, Ä a porÜÖo linfÑide denominada de polpa branca. A polpa branca estÉ disposta ao redor das arterÅolas formando o que se chama de bainha periarteriolar (PALS), composta de linfÑcitos T e cÄlulas dendriticas interdigitantes; entre os LT estÖo presentes os folÅculos linfÑides primÉrios e secundÉrios, compostos, como jÉ mencionado, de LB e cÄlulas dendrÅticas foliculares. Entre a polpa vermelha e a polpa branca, encontra-se uma regiÖo denominada zona marginal, onde estÖo os macrÑfagos e os linfÑcitos. Os macrÑfagos presentes na zona marginal sÖo importantes na resposta a antÅgenos T-independentes, que sÖo na sua maioria polissacarÅdeos complexos.

TECIDOS LINFÁTICOS ASSOCIADOS A MUCOSAS (MALT) SÖo constituÅdos por infiltraÜáes de linfÑcitos e nÑdulos

linfÉticos do trato gastrointestinal, respiratÑrio e urinÉrio.

GALT: estÉ localizado no Åleo (onde formam agregados linfÉticos denominados Placa de Peyer), sendo constituÅdos por cÄlulas B e T.

NALT: localizado na mucosa nasal.

SALT: localizado na pele.

DALT: localizados no ductos associados aos ganglios linfÉticos.

BALT: localizados na parede dos brçnquios.

 DALT: localizados no ductos associados aos ganglios linfÉticos.  BALT: localizados na parede dos brçnquios.
Arlindo Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2 OBS: Em resumo, temos:

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OBS: Em resumo, temos: ao entrar no epitélio, o antígeno é fagocitado por células fagocíticas e o levam em direção a vasos linfáticos. Esses vasos se encarregam de levar o antígeno fagocitado em direção ao vaso aferente do linfonodo mais próximo. Neste linfonodo, por meio da apresentação antigênica, se inicia a reposta imune: reconhecimento, proliferação das células, síntese de proteínas como citocinas (que ativam e potencializam ainda mais a resposta para deletar o antíngeno) e a formação de células de memória (que não reagiram à resposta, mas que obtiveram outros marcadores para responder futuras agressões).

de memória (que não reagiram à resposta, mas que obtiveram outros marcadores para responder futuras agressões).

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FAMENE NETTO, Arlindo Ugulino.

IMUNOLOGIA I (DESATUALIZADO)

Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2 FAMENE NETTO, Arlindo Ugulino. IMUNOLOGIA I

IMUNIDADE INATA (Profª Karina Carla)

Como já sabemos, a resposta imune é divida em resposta imune inata e resposta imune adquirida que, embora ambas aconteçam simultaneamente, cada uma apresenta células específicas para cada tipo de resposta. O sistema imune inato é a forma de imunidade que nasce com a pessoa, sem precisar de substâncias ou estruturas exteriores, ou seja, é a primeira resposta de defesa do organismo. É a imunidade fornecida pelos macrófagos (células fagocitárias); pela pele, que é uma barreira de proteção contra microorganismos invasores; por substâncias químicas presentes no corpo (na pele principalmente); pelo sistema complemento (um complexo de proteínas que atuam na imunidade). Portanto, é uma imunidade nativa, natural e inespecífica, ou seja, não tem preferencia de qual microorganismo invasor esse tipo de sistema atua. Ele apenas defende o organismo de forma rápida, inespecífica e aguda. Apesar de ser inespecífica e rápida (respostas agudas), a resposta imune inata ativa a imunidade adaptativa. Podemos indentificar, por tanto, algumas diferenças entre esses dois tipos de resposta imune:

diferenças entre esses dois tipos de resposta imune:  Es p ecificidade: Os microorganismos apresentam

Especificidade: Os microorganismos apresentam estruturas comuns entre eles denominadas de padrões moleculares associados a patógenos (PAMPs), de modo que é por meio desses padrões que as células da resposta imune inata os reconhece. É por isso que não há diferença de especificidade pelo sistema imune inato, uma vez que os PAMPs são estruturas em comum a todos os microorganismos. Diferentemente da imunidade adaptativa, que reconhece peptídios específicos dos microorganismos, que serão degradados e apresentados, para serem reconhecidos especificamente por receptores dos linfócitos (TCR e BCR).

Receptores: os receptores das células dos dois tipos de respostas são codificadas de maneira diferente. Os receptores da imunidade inata são representados por receptores da linhagem germinativa (lipopolissacarídeos, resíduos de N-formil metionina, receptores de manose e de scavenger), com uma diversidade limitada. Já a produção dos receptores da resposta imune adaptativa são sintetizados por recombinação somática de genes para que haja uma alta especificidade de receptores.

Distribuição dos receptores: células do sistema imune inato apresentam receptores não-clonais (receptores idênticos em todas as células de uma mesma linhagem). Já as células do sistema imune

não-clonais (receptores idênticos em todas as células de uma mesma linhagem). Já as células do sistema

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adpatativo sÖo da sÄrie clonal (clones de linfÑcitos com especificidades distintas expressam receptores diferentes).

DiscriminaÇÉo entre peptÑdeos prÄprios e nÉo-prÄprios: a imunidade inata Ä capaz de diferenciar as cÄlulas do hospedeiro das do agente invasor, de modo que as cÄlulas do primeiro nÖo sÖo reconhecidas. Bem como ocorre no sistema imune adaptativo, sendo que nesta, a diferenciaÜÖo Ä baseada na seleÜÖo contra-linfÑcitos auto-reativos (que quando falha, dÉ origem a auto-imunidade).

Componentes da Imunidade Inata

BARREIRAS

Camadas epiteliais: impedem a entrada de microrganismos, atuando como barreira para entrada de componentes estranhos para o organismo.

Defensinas: enzimas com funÜÖo microbicida (morte microbiana).

LinfÄcitos intra-epiteliais: linfÑcitos presentes no epitÄlio (que nÖo tÇm caracterÅsticas de resposta adquirida) que causam a morte microbiana.

CàLULAS EFETORAS CIRCULANTES

NeutrÄfilos: fagocitose inicial e morte de microrganismos.

MacrÄfagos: fagocitose eficiente de microrganismos, secreÜÖo de citocinas que estimulam a inflamaÜÖo. Caso seja necessÉrio, ele serve como um apresentador de antÅgeno, solicitando um outro tipo de resposta imune.

Cálulas NK: responsÉvel pela lise de cÄlulas infectadas e ativaÜÖo de macrÑfagos. ê um tipo de linfÑcito que, como exceÜÖo, nÖo participa da reposta imune adquirida por nÖo possuir TCR ou BCR (receptores de alta especificidade).

PROTEÖNAS EFETORAS CIRCULANTES

Complemento: causam a morte de microrganismos, opsonizaÜÖo (facilitaÜÖo da fagocitose) e ativaÜÖo de leucÑcitos. Quando as cÄlulas do complemento sÖo ativadas, geram uma cascata de ativaÜáes que terminam na formaÜÖo de um complexo de ataque ä membrana, que se liga ao microrganismo, na tentativa de causar lise no mesmo.

Lectina de ligaÇÉo â manose (colectina): opsonizaÜÖo de microrganismos, ativaÜÖo do complemento (via da lectina).

ProteÑna C-reativa (pentraxina):

(via da lectina).  ProteÑna C-reativa (pentraxina): opsonizaÜÖo de microrganismos e ativaÜÖo do complemento.

opsonizaÜÖo de microrganismos e ativaÜÖo do complemento. A presenÜa da bactÄria ativa a PCR, servindo como um fator facilitador da fagocitose, se ligando a bactÄria e eliminando cargas que repelem a bactÄria e o macrÑfago. A PCR Ä mensurada em processos de inflamaÜÖo aguda.

Fatores da coagulaÇÉo: bloqueio dos tecidos infectados.

CITOCINAS

TNF, IL-1, quimiocinas: inflamaÜÖo

IFN-α, IFN-β: resistÇncia ä infecÜÖo viral

IFN-γ: ativaÜÖo de macrÑfagos

IL-12: produÜÖo de IFN-γ pelas cÄlulas NK e pelas cÄlulas T

IL-15: proliferaÜÖo de cÄlulas NK

IL-10, TGF-β: controle da inflamaÜÖo.

Resistáncia Natural Externa

PELE

A pele Ä a principal barreira externa do sistema imune inato. A sua superfÅcie lipofÅlica Ä constituÅda de cÄlulas mortas ricas em queratina, uma proteÅna fibrilar, que impede a entrada de microorganismos. As secreÜáes ligeiramente Écidas e lÅpidicas das glàndulas sebÉcea e sudorÅpara criam um microambiente

As secreÜáes ligeiramente Écidas e lÅpidicas das glàndulas sebÉcea e sudorÅpara criam um microambiente

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cutâneo hostil ao crescimento excessivo de bactérias. Podemos destacar alguns componentes da mesma, como:

Queratinócitos: células que formam uma placa protetora impedindo a entrada de agentes estranhos no organismo por meio da pele.

Pelo: função de controlar e limitar a entrada e contato de microrganismos com a superfície epitelial.

Glandulas sebácias e sebo

Enzimas como defensinas, catalecidinas e lisosimas.

Microbiota da pele

EPITÉLIO RESPIRATÓRIO Está em contato com o meio externo por meio da boca e nariz. Tem como mecanismos de resistencias

naurais:

Microbiota

Cílios

Muco

Enzimas (amilase, lisozima)

EPITÉLIO GASTRO-INTESTINAL

Microbiota

Peristaltismo

Ác. Clorídrico

Saliva/ Enzimas (amilase, lisozima)

SISTEMA UROGENITAL

Microbiota

Urina (pH e fluidez)

Muco (canal endocervical)

Enzimas (esperminas e espermidinas)

Resistáncia Natural Interna – CÑlulas do Sistema Imune Inato

A resistência natural interna do sistema imune inato reúne aquelas células que, sem uma avidez específica por antígenos, têm capacidade de fagocitá-los, produzir citocinas (e outros mediadores), além de apresentar esses antígenos, ativando o sistema imune adaptativo.

MACRÓFAGOS (MØ) São células de grandes dimensões do tecido conjuntivo, ricos em lisossomos, que fagocitam elementos estranhos ao corpo. Os macrófagos derivam dos monócitos do sangue (que se direcionam aos tecidos e se denominam como macrófagos) e de

células conjuntivas ou endoteliais. Intervêm na defesa do organismo contra infecções. Possuem duas grandes funções na resposta imunitária: fagocitose e destruição do microrganismo; e apresentação de antigénios a linfócitos T. Suas funções mais relevantes são:

Fagocitose

APC (apresentação do antígenos para os linfócitos)

Secreção de citocinas e mediadores

os linfócitos)  Secreção de citocinas e mediadores NEUTRÓFILOS Os neutrófilos são uma classe de células

NEUTRÓFILOS Os neutrófilos são uma classe de células sanguíneas leucocitárias, que fazem parte do sistema imunitário do corpo humano. São leucócitos polimorfonucleados, têm um tempo de vida médio de 6h no sangue e 1-2 dias nos tecidos e são os primeiros a chegar às áreas de inflamação, tendo uma grande capacidade de fagocitose. Estão envolvidos na defesa contra bactérias e fungos. Os neutrófilos possuem receptores na sua superfície como os receptores de proteínas do complemento, receptores do fragmento Fc das imunoglobulinas e moléculas de adesão. Tem como funções:

e moléculas de adesão. Tem como funções:  Fagocitose: Ao fagocitar forma-se o fa g ossomo

Fagocitose: Ao fagocitar forma-se o fagossomo onde os microrganismos serão mortos pela liberação de enzimas hidrolíticas e de espécie reativa de oxigénio. O consumo de oxigênio durante a reação de espécies de oxigênio é chamado de queima respiratória que nada tem a ver com respiração celular ou produção de energia.

Secreção de Citocinas e Mediadores

que nada tem a ver com respiração celular ou produção de energia.  Secreção de Citocinas

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Degranulação: liberam grânulos específicos ou "secundários" (Lactoferrina e Catelicidina); Grânulos azurófilos ou "primários" (Mieloperoxidase, Proteína de aumento da permeabilidade /bactericida (BPI), Defensina e Serino protease neutrófilo elastase e Catepsina G); Grânulos terciários (Catepsina, Gelatinase)

CàLULAS NK As cálulas exterminadoras naturais ou cálulas NK (do inglês Natural Killer Cell) são um tipo de linfócito (glóbulos brancos do sangue) e naturais do sistema imunológico de defesa. Elas são activadas em resposta a vários diferentes estímulos, nomeadamente por citocina produzidos por outros elementos do sistema imunitário, por estimulação dos receptores FcR, presentes na sua membrana celular, que reconhecem a porção Fc das imunoglobulinas e pelos receptores de ativação ou inibição, específicos das células NK. As células NK são citotóxicas (tóxicas para a célula) e identificam as células que estão com vírus (consequentemente comprometidas) e as destroem. As células NK são componentes importantes na defesa imunitária não especifica. Partilham um progenitor comum com os linfócitos T. São originárias da medula óssea e são descritos como grandes e granulares. Estas células não destroem os microorganismos patogénicos diretamente, tendo uma função mais relacionada com a destruição de células infectadas ou que possam ser cancerígenas. Não são células fagocíticas. Destroem as outras células através do enfraquecimento da membrana plasmática, causando difusão de água e íons para o interior da célula e aumentando o seu volume interno até um ponto de ruptura no qual ocorre a lise. São quimicamente caracterizadas pela presença de CD56 e ausência de CD3. Podemos destacar as seguintes funções:

Vigilância

Apoptose

OBS: PAMPs e PRRs. Os patógenos possuem moléculas altamente conservadas presentes em suas células. Essas moléculas são chamadas de PAMPs (padrões moleculares associados aos patógenos). O S.I. Inato reconhece esses PAMPs por meio dos PRRs (receptores de reconhecimento de padrões; Ex: receptores Toll-like ou TLRs).

Receptor Toll-like LPS, RAS, bactérias GRAM negativas;

Receptor Manose manose presente nos microrganismos.

Receptor Transmembrana 7 α- hálice peptídeos N-formil metionil.

7 α- hálice  peptídeos N-formil metionil. OBSç: FunÇÉo microbicida dos fagÄcitos - Fagocitose 1.

OBSç: FunÇÉo microbicida dos fagÄcitos - Fagocitose

1. Reconhecimento: reconhecimento dos padrões (PAMPs) pelos PRRs.

2. Emissão dos pseudópodes para que ocorra o envolvimento do microrganismos

3. Formação da vesícula endocítica (fagossoma) ou engolfamento.

4. Fusão do lisossomo com o fagossoma, formando o fagolisossomo, no qual ocorre a liberação de enzimas lisossômicas

5. Morte do microrganismos: os mecanismos de morte interacelular, induzidos nos neutrofilos e nos macrófagos, podem ser de dois tipos:

os mecanismos de morte interacelular, induzidos nos neutrofilos e nos macrófagos, podem ser de dois tipos:

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Mecanismo de morte intracelular independente de oxigÇnio: o microrganismo morre devido ao acémulo de Écido lÉctico produzido pela prÑpria cÄlula hospedeira, proveniente do metabolismo anaerÑbio da glicose. O acumulo desse acido causa diminuiÜÖo do pH intracelular, criando um abiente bactericida ou bacteriostÉtico, dependendo da bactÄria em questÖo.

Mecanismos de morte intracelular dependente de oxigÇnio: a endocitose de microrganismos aumenta o consumo de oxigenio nas cÄlulas fagocÅticas, o que desencadeia o chamado desvio da hexose monofosfato (“explosÖo respiratÑria”) e a formaÜÖo de intermediÉrios reativos de oxigÇnio (ROI, reactive oxygen intermediates). A ativaÜÖo desses mecanismos envolve a participaÜÖo de duas enzimas principais:

o A NADPH oxidase (fagÑcito oxidase), que remove um hidrogenio do NADPH para formar NADP+, convertendo simultaneamente o O 2 e, radical superÑxido. O radical superÑxido, pela presenÜa de um elÄtron nÖo partilhado, torna-se extremamente reativo e Ä toxico para vÉrias espÄcies bacterianas. o A superóxido dismutase (SOD), que catalisa a reaÜÖo na qual radicais de superÑxidos sÖo convertidos em perÑxido de hidrogÇnio (H 2 O 2 ) e O 2 . O H 2 O 2 , produzido pela aÜÖo superÑxido dismutase, Ä degradado pela mieloperoxidase, na presenÜa de Åons cloro e iodo para produzir hipoclorito ou hipoiodeto, tambÄm tÑxicos para espÄcies bacterianas. Esses produtos gerados pela aÜÖo da mieloperoxidase sÖo tÑxicos para uma sÄrie de microrganismos incluindo bactÄrias, vÅrus, fungos, Mycoplasma, Chlamydia, Leishmania donovani e Schistossoma mansoni.

Mecanismo de morte intracelular dependente de nitrogÇnio (RNI): uma via de morte intracelular dependente de oxigenio leva a produÜÖo de intermediÉrios reativos de nitrogÇnio. A principal molÄcula produzida por esta via Ä o oxido nÅtrico (NO), uma molÄcula diatomica sintetizada e a partir do aminoÉcido L- arginina, tÑxica para bactÄrias, protozoÉrios e cÄlulas tumorais. A produÜÖo de NO por macrÑfagos depende da expressÖo da enzima iNOS (sintase induzida de Ñxido nÅtrico), cuja a produÜÖo Ä estimulada por molÄculas como o LPS (em bactÄrias gram- negativas). O iNOS catalisa a reaÜÖo que remove de forma oxidativa o Étomo de nitrogenio guanidino terminal da L-arginina para formar o NO e L-citrulina. O NO, em meio lÅquido, Ä altamente reativo e instÉvel. Essa alta instabilidade faz essas molÄculas reagirem entre si, com Égua e oxigenio, gerando outro radial, o diÑxido de nitrogenio (NO 2 ), nitrito e nitrato.

OBS³: Função das células NK. As NK cells sÖo responsÉveis por eliminar cÄlulas infectadas com vÅrus e cÄlulas tumorais. O macrÑfago infectado produz citocinas (como a IL-12) que servem como mediadores para as cÄlulas NK (que possuem receptores para a IL-12), que, quando estimuladas por esta interleucina, passam a produzir o IFN-γ, que tem a funÜÖo de estimular a lise do macrÑfago. De forma mais detalhada, hÉ duas formas de as cÄlulas NK reconhecerem macrÑfagos infectados e macrÑfagos normais:

Os macrÑfagos normais expressam um MHC de receptor de cÄlulas prÑprias. A cÄlula NK apresenta dois receptores: um receptor que ativa e outro que inativa a sua aÜÖo. Quando ocorre a ligaÜÖo NK- macrÑfago, o receptor ativante se liga com o MHC especÅfico do macrÑfago e o receptor inativante se liga com o MHC da classe I prÑprio (presente em organelas prÑprias do organismo). Agindo simultaneamente, o receptor inibitÑrio predomina, realizando a remoÜÖo de fosfatos da NK, induzindo a sua inibiÜÖo. MacrÑfagos infectados apresentam o seu MHC da classe I inativado, o que impede o reconhecimento inibitÑrio pela NK, ativando a aÜÖo citotÑxica da NK.

o seu MHC da classe I inativado, o que impede o reconhecimento inibitÑrio pela NK, ativando

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ProteÉnas

PROTEÍNAS DO SISTEMA COMPLEMENTO São proteases que se tornam ativas na presença do microorganismo, e passam a atuar em cascata e culminam com a lise do mesmo, formando uma estrutura protéica chamada de MAC (complexo de ataque á membrana). Em síntese, o sistema complemento é formado por um conjunto de proteínas ativadas em cascata, sendo suas funções: lise celular, a opsonização, o desenvolvimento do processo inflamatório e a retirada de complexos imunes (complexos antígeno- anticorpo) da circulação. As moléculas desse sistema, produzidas na sua grande maioria no fígado, estão presentes no plasma sanguíneo na forma ativa ou em baixo nível de ativação espontânea. A ativação das moléculas do sistema complemento pode ocorrer pela via clássica (ativada pela associação de antígenos a molécula de IgG ou IgM), via alternativa (ativada diretamente por alguns tipos de antígenos sem a participação de moléculas de imunoglobulinas) e via da lectina. Com a presença do anticorpo, a via clássica, de maneira específica, é ativada (por tanto, faz parte do sistema imune adaptativo). Já a

via alternativa se inicia sem ser necessária a presença do anticorpo (inespecífica). O modo de como se inicia a ativação de cada via é a única diferença entre elas. Cabe a nós iniciarmos a cascata de ativações do sistema complemento a partir da via alternativa, que está enquadrada no sistema imune inato, que é mais antiga, em termos evolucionários, que a via clássica. Na ativação do complemento pela via alternativa, há algumas moléculas comuns à via clássica, como C3, C4, C5, C6, C7, C8 e C9.

A ativação da via alternativa ocorre porque, no sangue, há sempre uma concentração de C3, protease

que na forma íntegra, fica inativa, sendo classificada como uma pró-enzima. Ao dar-se início na via alternativa, ocorre hidrólise da C3, quebrando-a em duas proteases: C3b e C3a. A primeira é responsável por se depositar na membrana da bactéria, com função de opsonização e fagocitose. A segunda, está envolvida no processo de inflamação. Quando a C3b se dissocia da membrana do microorganismo, esta se liga e ativa a enzima C5 convertase, que cliva outra protease C5 em C5a (também relacionada com o processo inflamatório) e C5b (associa-se às moléculas C6, C7, C8 e C9, formando um poro na membrana celular chamado de MAC,

levando-a à lise, de forma similar ao que ocorre na ativação pela via clássica).

similar ao que ocorre na ativação pela via clássica ). PROTEÍNAS DE FASE AGUDA São proteínas

PROTEÍNAS DE FASE AGUDA São proteínas que se ativam na presença de microrganismo (principalmente de bactérias, que possuem em sua parede estruturas que ativam as mesmas), aumentando a sua concentração na corrente sanguínea. São sintetizadas normalmente pelo fígado, determinando uma concentração basal no sangue. Mas na presença do microrganismo, o fígado intensifica a produção das mesmas. Todas elas servem como opsoninas que facilitam a fagocitose.

Proteína C Reativa: se liga, principalmente,

à fosforilcolina presente na membrana das

bactérias, facilitando a fagocitose das mesmas.

se liga, principalmente, à fosforilcolina presente na membrana das bactérias, facilitando a fagocitose das mesmas.

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Lectina (proteínas que se ligam a manose): realizam a mesma função da PCR, mas se ligam a manose da membrana bacteriana.

Fibrinogênio

Proteína amilóide do soro

OBS: As estruturas com as quais as proteínas de fase aguda se ligam são classificadas como PAMPs, uma vez que são estruturas comuns nas bactérias patogênicas.

CITOCINAS

IFN- α: infecção viral

IFN- β: infecção viral

TNF- α: inflamação; atua no hipotálamo para desencadear a febre.

IL-1: inflamação; atua no hipotálamo para desencadear a febre.

IL-6: estimula o fígado a produzir mais citocinas

IL-12: + NK

IFN- γ: + macrófagos; estimula o fígado a produzir mais citocinas; induz o macrófago à lise; estimula a medula óssea para produzir mais células.

IL-6: + Proteinas C Reativa, PMN

IL-10: controle

 IL-6: + Proteinas C Reativa, PMN  IL-10: controle OBS: Corticoides inibem a secreção de

OBS: Corticoides inibem a secreção de algumas citocinas, diminuindo a sintomatologia do processo inflamatório.

diminuindo a sintomatologia do processo inflamatório. InflamaàÇo É um mecanismo de defesa da imunidade inata,

InflamaàÇo

É um mecanismo de defesa da imunidade inata, em que há o recrutamento de células e síntese de mediadores sempre no intuito de proteger o organismo contra a invasão. Frente a uma agressão ao organismo, esta pode ser do tipo infecciosa (causada por elementos biológicos) e não-infecciosa, que danificam o tecido íntegro. É esse dano que desencadeia um processo inflamatório como resposta de defesa do organismo, em que as células do sistema imune participam ativamente para reparar o tecido danificado (cicatrização). A inflamaÇÉo (do Latim inflammatio, atear fogo) ou processo inflamatÄrio é uma resposta dos organismos vivos homeotérmicos a uma agressão sofrida. Entende-se como agressão qualquer processo capaz de causar lesão celular ou tecidual. Esta resposta padrão é comum a vários tipos de tecidos e é mediada por diversas substâncias produzidas pelas células danificadas e células do sistema imunitário que se encontram eventualmente nas proximidades da lesão. Como sabemos, a inflamação pode também ser considerada como parte do sistema imunitário, o chamado sistema imune inato, assim denominado por sua capacidade para deflagar uma resposta inespecífica contra padrões de agressão previamente e geneticamente definidos pelo organismo agredido. Esta definição se contrapõe à da imunidade adquirida, ou aquela onde o sistema imune identifica agentes agressores específicos segundo seu potencial antigênico. Neste último caso o organismo precisa entrar em contato com o agressor, identificá-lo como estranho e potencialmente nocivo e só então produzir uma resposta.

entrar em contato com o agressor, identificá-lo como estranho e potencialmente nocivo e só então produzir

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FISIOPATOLOGIA (MECANISMO DE INSTALAÇÃO) À agressão tecidual se seguem imediatamente fenômenos vasculares mediados principalmente pela histamina. O resultado é um aumento localizado e imediato da irrigação sangüínea, que se traduz em

um halo avermelhado em torno da lesão (hiperemia ou rubor). Em seguida

tem início a produção local de mediadores inflamatórios que promovem

um aumento da permeabilidade capilar e também quimiotaxia, processo

químico pelo qual células polimorfonucleares, neutrófilos e macrófagos são atraídos para o foco da lesão. Estas células, por sua vez, realizam a fagocitose dos elementos que estão na origem da inflamação e produzem mais mediadores químicos, dentre os quais estão as citocinas (como, por exemplo, o fator de necrose tumoral e as interleucinas), quimiocinas, bradicinina, prostaglandinas e leucotrienos. Também as plaquetas e o sistema de coagulação do sangue são ativados visando conter possíveis sangramentos. Fatores de adesão são expressos na superfície das células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos internamente. Estes fatores irão mediar a adesão e a diapedese de monócitos circulantes e outras células inflamatórias para o local da lesão. Em resumo, todos estes fatores atuam em conjunto, levando aos eventos celulares e vasculares da inflamação. Resulta em um aumento do calibre de capilares responsáveis pela irrigação sanguínea local, produzindo mais hiperemia e aumento da temperatura local (calor). O edema ou inchaço ocorre a partir do aumento da permeabilidade vascular aos componentes do sangue, o que leva ao extravassamento do líquido intravascular para o espaço intersticial extra-celular. A dor, outro sintoma característico da inflamação, é causada primariamente pela estimulação das terminações nervosas por algumas destas substâncias liberadas durante o processo inflamatório, por hiperalgesia (aumento da sensibilidade dolorosa) promovida pelas prostaglandinas, mas também em parte por compressão relacionada ao edema.

mas também em parte por compressão relacionada ao edema. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Classicamente, a inflamação é

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

Classicamente, a inflamação é constituída pelos seguintes sinais e sintomas:

é constituída pelos seguintes sinais e sintomas: 1. Calor : aumento da temperatura no local devido

1. Calor: aumento da temperatura no local devido a atuação de citocinas no hipotálamo

2. Rubor (hiperemia): causado por uma alteração vascular local, aumentando o fluxo sanguíneo na região para atender a demanda de células.

3. Edema (inchaço): desencadeado pelo aumento do espaçamento entre as células endoteliais dos vasos, causando o extravasamento de células e líquido para o espaço intesticial, aumentando o volume extracelular no local.

4. Dor: compressão de nervos pelo edema e pela liberação de alguns mediadores responsáveis pela sensação de dor (como a bradicinina)

5. Perda da função

sensação de dor (como a bradicinina) 5. Perda da função OBS: No processo inflamatório, é secretado

OBS: No processo inflamatório, é secretado o Fator

XII (de Hangeman), que estimula vários sistemas e

cascatas relacionados com o processo inflamatório:

cascata da coagulação, sistema fibrinolítico e sistema das cininas.

Cascata da coagulação: é ativado no intuito de formar um coágulo no objetivo de estancar o sangue e evitar uma consequente perda de sangue no local. Há também a liberação de mediadores como peptídeios quimiotáticos, que atraem, quimicamente, polimorfonucleares.

Sistema fibrinolítico: degrada o coágulo para que o sangue flua normalmente e para que haja reparo tecidual, ativando, simultaneamente, o sistema complemento.

as

Sistema das cininas: dá origem

o sistema complemento. as  Sistema das cininas: dá origem bradicininas, que autam estimulando a sensação

bradicininas, que autam estimulando a sensação de dor.

ETAPAS DA MIGRAÇÂO CELULAR

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Fase de rolamento: primeiramente, o macrÑfago, dentro dos tecidos, fagocita o agente invasor e inicia

a secreÜÖo de mediadores (como o TNF-α e IL-1) que, alÄm de aumentar a viscosidade do sangue no

local fazendo com que as celulas fluam mais lentamente, estimulam cÄlulas epiteliais e cÄlulas do sistema imune a expressar molÄculas de adesÖo. AtÄ a cÄlula do sistema imune encontrar o local pprio de adesÖo e penetraÜÖo no tecido, ela realiza um rolamento sobre o endotelio. No endotÄlio, sob o efeito do TNF-α, Ä induzida a expressÖo de E-selectina (E=endotÄlio) e L-selectina (L=leucÑcito), permitindo que estas cÄlulas passem pelo rolamento sobre o endotÄlio. Esse tipo de associaÜÖo, de fraca afinidade, propicia um tipo de adesÖo temporÉria entre o endotÄlio e a cÄlula, fazendo-a rolar sobre o mesmo.

Fase de adesão celular: molÄculas que propiciam forte adesÖo, como as integrinas, entre o endotÄlio

e as cÄlulas sanguineas sÖo expressas. AlÄm dessas molÄculas, citocinas quimiotÉticas (quimiocinas)

sÖo produzidas por macrÑfagos ativados e outras cÄlulas e se associam ao endotÄlio vascular.

Fase de diapedese (transmigração): as cÄlulas aderidas ao endotÄlio por meio dessas interaÜáes fazem a diapedese ou a transmigraÜÖo para o tecido por interaÜÖo homÑloga entre as molÄculas CD31 (expressas pelo neutrofilo) e a cÄlula endotelial. Durante esse processo, hÉ a secreÜÖo intensa de quimiocinas, fazendo com que haja uma mudanÜa na conformaÜÖo do citoesqueleto do leucÑcito e este penetre em direÜÖo aos tecidos, por meio das fenestraÜáes dos vasos.

aos tecidos, por meio das fenestraÜáes dos vasos. OBS: Inicialmente, em uma resposta inflamatÑria, os
aos tecidos, por meio das fenestraÜáes dos vasos. OBS: Inicialmente, em uma resposta inflamatÑria, os

OBS: Inicialmente, em uma resposta inflamatÑria, os neutrÑfilos sÖo os primeiros a aumentar em concetraÜÖo no local, aumentando o pico em 6h apÑs o inÅcio da inflamaÜÖo. Por isso que em uma inflamaÜÖo crçnica, nÖo hÉ presenÜa de neutrÑfilo (como na asma), pois os neutrÑfilos sÖo cÄlulas que respondem apenas no inÅcio. ApÑs algumas horas, porÄm, cai a concentraÜÖo de neutrÑfilos para aumentar de concentraÜÖo outras cÄlulas como eosinÑfilos e monÑcitos. OBS²: ProteÅnas relacionadas no processo de migraÜÖo celular:

Selectina: carboidratos que se ligam entre si, presente tanto nos leucÑcitos quando no endotÄlio. PorÄm, essa ligaÜÖo se dÉ de maneira fraca, o que permite que o leucÑcito circule ao longo da parede endotelial ä procura de interaÜáes mais firmes.

Integrinas: confere a adesÖo da segunda fase da migraÜÖo. Esta presente nos monÑcitos, macrÑfagos, cÄlulas dendrÅticas e neutrÑfios, ligando-as ao epitÄlio, que apresenta ICAMs (molÄcula de adesÖo intercelular).

Imunoglobulinas: apresentam-se lateralemnte nas cÄlula do SI e no endotÄlio.

(molÄcula de adesÖo intercelular ).  Imunoglobulinas: apresentam-se lateralemnte nas cÄlula do SI e no endotÄlio.

Arlindo Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2

ColaboraàÇo – Imunidade Inata x Imunidade Adquirida

A resposta imune inata se comunica com a resposta adquirida, de forma que um componente de uma resposta auxilia os componentes da outra. O macrófago, por exemplo, quando não consegue por si só destruir agentes invasores, ele libera citocinas e coestimuladores que solicitam o auxílio de células da resposta imune adquirida. A própria ativação do sistema complemento, quando há a presença de microrganismo, há a ativação simultânea de linfócitos B, que apresentam receptores que reconhecem proteínas do sistema complemento, estabelecendo uma integração das duas respostas.

apresentam receptores que reconhecem proteínas do sistema complemento, estabelecendo uma integração das duas respostas.

Arlindo Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2

FAMENE NETTO, Arlindo Ugulino.

IMUNOLOGIA I (DESATUALIZADO)

Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2 FAMENE NETTO, Arlindo Ugulino. IMUNOLOGIA I

ANTÍGENO E ANTICORPOS (Profª Karina Carla)

AntÉgeno

Antígenos (Ag) são substâcias particuladas (células, bactérias, esporos de fungos e vírus, entre outras) ou moléculas solúveis (proteínas, glicoproteínas, lipoproteínas, polissacarídios) que apresentam duas características principais: imunogenicidade (capacidade de ativar linfócitos T e/ou B) e antigenicidade (capacidade de reagir com os produtos específicos dessas celulas, no caso os anticorpos (Acs) produzidos por linfócitos B ou receptores de LT).

CARACTERÍSTICAS DA IMUNOGENICIDADE

O elemento deve ser estranho;

Peso molecular acima de 10 mil daltons;

Ter configuração espacial que propicie a resposta imune;

Ter determinantes antigênicos acessíveis;

Ser administrados em doses adequadas;

Ter um bom estado nutricional;

Idade funcional do sistema imune

Pelas suas caracterísitcas fisico-quimicas, as proteinas e alguns polissacarídios complexos são as principais moléculas que apresentam essas duas propriedades (imunogenicidade e antigenicidade). Essa definição é utilizada porque há moléculas que, apesar de terem antigenicidade, não são imunogênicas; essas moléculas são denominadas de haptenos. Haptenos são portanto moleculas de baixo peso molecular que não tem poder imunogênico, apesar de ter antigenicidade. As características físico-quimicas de lipídios, carboidratos simples e ácidos nucléicos propiciam que estas moléculas atuem como haptenos.

OBS: Os haptenos (como a insulina, penicilina, anilina) podem até serem fagocitados por macrófagos e apresentados aos linfócitos, mas por já serem pequenos e ainda degradados (ficarem menor ainda), não são capazes de apresentar imunogenicidade. Já quando um hapteno se liga a uma proteína carreadora, ao ser fagocitado, degradado e apresentado, pode sim, de maneira sucinta, desencadear uma resposta imune.

DETERMINANTE ANTIGÊNICO Determinantes antigênicos (epítopos) são seqüências específicas de aminoácidos capazes de desencadear uma resposta imune. Quando ocorre a degradação de microrganismos pela APC, esta apresenta apenas essa seqüência específica chamada de epítopo ao linfócito, que inicia, por sua vez, a resposta imune. Um anticorpo não apenas reconhece a seqüência dos aminoácidos (estrutura primária) como também a sua conformação espacial (estruturas secundária e terciária). Cada estrutura pode formar diferentes determinantes antigênicos, as estruturas reconhecidas pelos anticorpos. Tem proteínas que, por exemplo, precisam ser desnaturadas ou clivadas para desvendarem seu determinante antigênico, uma vez que este estava inacessível. Outro caso importante são aquelas proteínas que apresentam um epítopo específico e quando elas são desnaturadas, perdem essa afinidade com o anticorpo.

OBS: Determinantes neoantigênicos são aquelas proteínas que apresentam sequencias típicas que poderiam desencadear uma resposta imune, mas estão inacessíveis na molécula peptídica. Daí, ao entrar em ação uma protease, o peptídeo é clivado dando origem a um novo determinante.

molécula peptídica. Daí, ao entrar em ação uma protease, o peptídeo é clivado dando origem a
molécula peptídica. Daí, ao entrar em ação uma protease, o peptídeo é clivado dando origem a

Arlindo Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2

REAÇÃO CRUZADA

O reconhecimento dos determinantes antigÇnicos por anticorpos, apesar de especÅfico, nÖo Ä tÖo

rigoroso, podendo ocorrer reaÜáes de maior ou menor avidez com diferentes antÅgenos. Quando o anticorpo reage com outros antÅgenos, alem daquele que induziu a resposta imune, ocorre o que chamamos de reação cruzada. A reaÜÖo cruzada, no entanto, sÑ ocorre quando os determinantes antigÇnicos sÖo similares äqueles que induziram ä produÜÖo do anticorpo. Por exemplo, uma gripe pode ser causada por um vÅrus “A” e a partir dele, sÖo produzidos anticorpos contra ele. No entanto, ao entrar em contato com um vÅrus B, com determinantes antigÇnicos similares aos dos vÅrus A, propicia-se que os anticorpos contra o vÅrus A associem-se ao vÅrus B. Isso Ä uma das explicaÜáes de que as gripes serem tÖo comuns. Outro exemplo de reaÜÖo cruzada Ä o que ocorre com transfusáes sanguÅneas com grupos ABO. Observe a tabela abaixo que mostra a relaÜÖo dos antÅgenos de cada grupo sanguÅneo e anticorpos presentes no seu plasma:

TIPO

   

ESTRUTURA

AGLUTINOGÊNIO

AGLUTININA

SANGUÍNEO

GENÓTIPO

DO GLICOCÁLIX

(antÅgenos na

(anticorpos

no

 

membrana das

plasma)

hemÉcias)

   

R

Glc – Gal – NacGal – Gal - NacGal

   

A

I A I A ou I A i

 

|

A Anti-B

Fuc

     

R

– Glc – Gal – NacGal – Gal - Gal

   

B

I B I B ou I B i

 

|

B Anti-A

 

Fuc

   

R

Glc – Gal – NacGal – Gal - NacGal

   
 

|

AB

I A I B

Fuc

AB

-

 

R

– Glc – Gal – NacGal – Gal - Gal

 

|

 

Fuc

     

R – Glc – Gal – NacGal – Gal

   

O

ii

 

|

-

Anti-A e Anti-B

Fuc

As

transfusáes desejadas sÖo aquelas que acontecem entre o prÑprio grupo sanguÅneo, ou atÄ mesmo

do grupo O para os outros grupos sanguÅneos (como a doaÜÖo Ä feita de apenas por concentrados de hemÉcia, ou seja, sem o conteédo plasmÉtico, o que significa que os anticorpos do O nÖo entram na transfusÖo), sendo assim determinado de doador universal. JÉ quando se doa sangue do grupo B para o grupo A, por exemplo, ocorre reação cruzada, aglutinando o sangue. A questÖo Ä: onde os grupos sanguÅneos obtiveram seus anticorpos se nunca entraram em contato com sangue de um grupo diferente? A resposta Ä baseada em bactÄrias existentes no trato gastro-intestinal, que apresentam em sua membrana carboidratos semelhantes ao da membrana das hemÉcias do sistema ABO, o que determina a primeira exposiÜÖo das hemÉcias a esses antÅgenos, que formaram o fenÑtipo do sangue. ê essa similaridade dos carboidratos da microbiota do TGI que caracterizam a reaÜÖo cruzada dos anticorpos do sangue do receptor para com as hemÉcias do doador, quando estes sÖo de grupos sanguÅneos diferentes.

INTERAÇÃO ANTÍGENO x ANTICORPO Todas as ligaÜáes entre o antÅgeno e o anticorpo sÖo do tipo nÖo-covalentes (pontes de hidrogÇnio, eletrostÉtica, forÜa de Van der Waals, interaÜáes hidrofÑbicas), ou seja, a interaÜÖo intermolecular antÅngenoXanticorpo se dÉ por uma atraÜÖo de forma fraca.

hidrofÑbicas ) , ou se j a, a interaÜÖo intermolecular antÅngenoXanticorpo se dÉ por uma atraÜÖo

Arlindo Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2

Anticorpos

Anticorpos (Ac), ou imunoglobulinas (Ig), sÖo glicoproteÅnas sintetizadas e excretadas por cÄlulas plasmÉticas derivadas dos linfÑcitos B, os plasmÑcitos, presentes no plasma, tecidos e secreÜáes que atacam proteÅnas estranhas ao corpo, chamadas de antÅgenos, realizando assim a defesa do organismo (imunidade humoral). Depois que o sistema imunolÑgico entra em contato com um antÅgeno (proveniente de bactÄrias, fungos, etc.), sÖo produzidos anticorpos especÅficos contra ele. Apresentam como caracterÅsticas:

especÅficos contra ele. Apresentam como caracterÅsticas:  Maior variedade de estruturas antigÇnicas;  Maior

Maior variedade de estruturas antigÇnicas;

Maior habilidade de discriminaÜao;

Maior forÜa de ligaÜÖo com o antÅgeno

OBS: A descoberta da presenÜa de imunoglobulinas no sangue se deu a partir da injeÜÖo de antÅgenos no soro de camundongos fazendo, logo depois, eletroforese do mesmo. Observou-se que, alÄm do pico eminente de albumina, picos na fraÜÖo γ de proteÅnas. Concluiu-se que γ-proteÅnas (γ-globulinas) corriam no plasma sanguÅneo e aumentavam de concentraÜÖo diante de respostas imunes.

A maioria das imunoglobulinas sÄricas apresenta migraÜÖo do tipo gama (na eletroforese) e por isso

sÖo consideradas imunoglobulinas. O termo anticorpo Ä utilizado quando estamos nos referindo a molÄculas da famÅlia das Igs que tÇm capacidade de reagir especificamente com um determinado antÅgeno.

LOCALIZAÇÃO DAS IMUNOGLOBULINAS As imunoglobulinas podem ser de dois tipos: membranar (presentes na membrana do LB) ou secretoras (livres no plasma). As Ig membranares sÖo o prÑprio BCR, complexo receptor presente na mebrana do LB. Os anticorpos presentes no fluido sanguÅneo sÖo aqueles sintetizados pelos plasmÑcitos (uma verdadeira industria de anticorpos), que Ä a diferenciaÜÖo do LB. Os anticorpos membranares se diferenciam dos secretores por possuir uma cauda bem maior em sua estrutura, responsÉvel por fixÉ-lo firmemente ä membrana do LB. Quando ocorre a ligaÜÖo antÅgenoXanticorpo, pode-se diferenciar duas fases:

Fase inicial (reconhecimento): realizado pelos Ig membranares (que apresenta AA hidrofÑbicos).

Fase efetora: funÜÖo dos Ig secretores presentes no plasma (com AA hidrofÅlicos).

MECANISMO DE AÇÃO (DE MORTE)

O anticorpo, ao reconhecer o antÅgeno, passado a fase incial, tem inÅcio a fase efetora, passando,

entÖo, pelos seguintes passos:

AtivaÜÖo do sistema complemento atravÄs da interaÜÖo antÅgenoXanticorpo. Esse sistema Ä responsÉvel por lisar o microrganismo por meio do MAC.

OpsonizaÜÖo: o anticorpo se liga ao antÅgeno para facilitar a fagocitose.

NeutralizaÜÖo espacial: o anticorpo se liga ao antÅgeno, fazendo com que aquele, ao ser modificado estruturalmente, perca sua funÜÖo patogÇnica.

Citotoxicidade dependente de anticorpo (ADCC): liberaÜÖo de citocinas (principalmente pelas cÄlulas

NK) se houver interaÜÖo anticorpoXantÅgeno.

ESTRUTURA DAS IMUNOGLOBULINAS

A estrutura das Igs sÑ foi estudada na dÄcada de 1970, com o uso das enzimas proteolÅticas pepsina e

papaÅna. Esses experimentos levaram ä conclusÖo de que as Igs sÖo formadas por quatro cadeias polipeptÅdicas de diferentes pesos molÄculares. Duas dessas cadeias possuem PM mais alto, sendo compostas de 450 AA e denominadas cadeias pesadas (H). As outras duas cadeias, as leves (L), apresentam PM menor e 212 resÅduos de aminoÉcidos. Estas cadeias estÖo associadas entre si por pontes de dissulfeto (ligaÜÖo forte, de natureza covalente) que ocorrem quando existem duas cisteÅnas prÑximas, formando um tipo de estrutura globular caracterÅstico das Igs. Essa estrutura tem forma globular porque cada ligaÜÖo dissulfeto intracadeia forma uma alÜa peptÅdica de 60 a 70 AA.

Essa estrutura tem forma globular porque cada ligaÜÖo dissulfeto intracadeia forma uma alÜa peptÅdica de 60

Arlindo Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2

Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2 As pontes dissulfeto intracadeia dividem as

As pontes dissulfeto intracadeia dividem as regiões variáveis e constantes pertencenteas äs cadeias pesadas e leves em domÅnios especÅficos a cada tipo de Ig. No Épice de das cadeias leve e pesada (na regiÖo N- terminal), tem-se a regiÖo variÉvel (V) que determina a alta especificidade de cada tipo de Ig. Em outras palavras, as regiáes contantes apresentam funÜÖo meramente estrutural, enquanto as regiáes variÉveis sÖo as responsÉveis pelas caracterÅsticas especÅficas de cada Ig, sendo seus genes produtores muito mais aleatÑrios que as outras regiáes.

Nos ensaios utilizando a papaÅna ocorre clivagem da molÄcula de Ig em regiáes acima da ponte de dissulfeto que associa as duas cadeias pesadas originando trÇs fragmentos: dois que se unem ao antÅgeno e sÖo denominados de fragmentos Fab (estÖo sempre associados) e um que se cristaliza quando quebram, o Fc. SÖo as Fab que entram em contato com os antÅgenos (e em sua extremidade variÉvel estÉ a associaÜÖo especÅfica do antÅgeno com os anticorpos) e a Fc, completamente composta de regiÖo constante, Ä responsÉvel pela fixaÜÖo da Ig.

OBS: Em relaÜÖo ä regiÖo variÉvel das Igs, hÉ sequencias de aminoÉcidos hipervariÉveis complementares ä sequencia de aminoÉcidos dos determinantes atigÇnicos presentes nos antigenos. As regiões hipervariáveis da cadeia pesada estÖo

presentes entre resÅduos de 30-35, 50-62 e 94-102 aminoÉcidos, formando o que se chama de CDR1 (complementarity determining regions 1 = regiÖo determinante de complementariedade), CDR2

e CDR3, respectivamente. Os domínios das imunoglobulinas

sÖo duas camadas β-laminadas pregueadas distribuÅdas em 3 a 5 camadas de cadeias polipeptÅdicas antiparalelas. Essas regiáes conferem ao anticorpo:

antiparalelas. Essas regiáes conferem ao anticorpo:  SuperfÅcie especÅfica de ligaÜÖo com o antÅgeno;

SuperfÅcie especÅfica de ligaÜÖo com o antÅgeno;

Méltiplos contatos com o antÅgeno;

SuperfÅcie complementar a estrutura tridimensional do antÅgeno

TIPOS DE IMUNOGLOBULINAS (ISOTIPOS) Os anticorpos podem existir em diferentes formas conhecidas como isotipos ou classes. Nos mamÅferos existem cinco isotipos diferentes de anticorpos, conhecidos como IgA, IgD, IgE,IgG e IgM. Eles possuem o prefixo "Ig" que significa imunoglobulina, um outro nome utilizado para anticorpo. Os diferentes tipos se diferenciam pela suas propriedades biolÑgicas, localizaÜáes funcionais e habilidade para lidar com diferentes antÅgenos, como mostrado na tabela ao lado. O fragmento Fab (mais especificamente,

a sua regiÖo variÉvel) das Igs confere a essas molÄculas o reconhecimento especÅfico dos determinantes antigÇnicos enquanto o fragmento Fc, que distingue as classes de Igs, confere funÜáes efetoras distintas, de acordo com a capacidade dessas regiáes em se associar a

as classes de Igs, confere funÜáes efetoras distintas, de acordo com a capacidade dessas regiáes em

Arlindo Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2

diferentes receptores ou outras molÄculas do sistema imune.

IgA (IgA1, IgA2): imunoglobulina dimÄrica (mais comum, podendo ser monomÄrica e trimÄrica) encontrado em grandes concentraÜáes nas mucosas e em secreÜáes externas (saliva, colostro,

lÉgrimas, secreÜáes urogenitais). Sua meia vida Ä em torno de 6 dias. Tem como funÜÖo a imunidade

das mucosas; ativa o sistema complemento pela via alternativa.

IgD: Ä encontrada apenas na BCR, nÖo estando presente nos lÅquidos sanguÅneos. ResponsÉvel apenas por servir como receptor de antÅgenos das cÄlulas B. Tem meia vida de 3 dias.

IgE: imunoglobulina presente nos liquidos internos do corpo em concentraÜáes inferiores a 1%. Tem meia vida de 2 dias. Esta relacionado com as reaÜáes de hipersensibilidade; combate a helmintos; estimula a secreÜÖo de histamina pelos basÑfilos e monÑcitos.

IgG (IgG1, IgG2, IgG3, IgG4): imunoglobulina monomÄrica (uma énica unidade bÉsica) presente nos liquidos internos do corpo, correspondendo a 70-75% do total das Igs sÄricas. Sua meia vida Ä longa:

23 dias. As molÄculas das subclasses da IgGs apresentam capacidade de interagir com antÅgenos de diversos tipos de estruturas quimicas e ativam diferentes mecanismos de eliminaÜÖo antigÇnica. Tem como funÜáes: opsonizaÜÖo, ativaÜÖo do complemento, citotoxicidade celular dependente de anticorpo, imunidade neonatal, inibiÜÖo por feedback das cÄlulas B (tem capacidade de atravessas a barreira placentÉria).

IgM: imunoglobulina pentamÄrica (cinco unidades bÉsicas) presente nos liquidos internos do corpo e

nas secreÜáes externas. Suas cadeias (como em todos os Ig polimÄricos) sÖo ligados pela cadeia J.

Tem media vida de 5 dias. Tem como funÜáes: receptor de antÅgenos das cÄlulas B inativas, ativaÜÖo do complemento pela via clÉssica.

OBS: A IgG faz parte de respostas secundÉrias (respostas de memÑria muito mais rÉpida e eficiente), jÉ a IgM estÉ relacionada a respostas primÉrias (fase aguda). Caso a crianÜa tenha IgG sem nunca ter contato com uma infecÜÖo, por exemplo, a explicaÜÖo Ä o fato da IgG da mÖe ter atravessado a barreira placentÉria e imunizado a crianÜa. Mas se for identificado IgM na crianÜa, significa que a mesma estÉ desenvolvento imunidade para uma doenÜa que estÉ se iniciando ainda. OBS²: O que classifica a imunoglobulina ser IgA, IgD, IgE, IgG ou IgM Ä o gene que codificou a cadeia Fc de cada uma: α, δ, ε, γ, μ. Com isso, a Fc das Ig nÖo sÑ tem carater estrutural, mas classificatÑrio.

Ig nÖo sÑ tem carater estrutural, mas classificatÑrio. SÍNTESE E EXPRESSÃO DA IMUNOGLOBULINA A cÄlula tronco

SÍNTESE E EXPRESSÃO DA IMUNOGLOBULINA

A cÄlula tronco (precursora

linfÑide) na medula Ñssea dÉ origem a uma cÄlula prÄ-B, que apÑs completa a

sÅntese de suas Ig, darÉ origem a cÄlula B madura. Essa, ao se diferenciar em plasmÑcito, secreta os Igs.

SÅntese: Ribossomos do R.E.R.

Montagem: Chaperonas (Calnexinas)

se diferenciar em plasmÑcito, secreta os Igs.  SÅntese: Ribossomos do R.E.R.  Montagem: Chaperonas (Calnexinas)

Arlindo Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2

Expressão: Via Complexo de Golgi

CARACTERISTICAS DAS IMUNOGLOBULINAS

Especificidade: Capacidade de distinguir pequenas diferenças na estrutura química do antígeno.

Afinidade/ Avidez: Capacidade de se ligar ao antígeno.

Diversidade: grande número de imunoglobulinas que se ligam a diferentes antígenos, dando origem ao repertório de anticorpos.

Repertório de Anticorpos: Coleção de anticorpos com especificidade diferente (recombinação genética aleatória).

ANTICORPOS MONOCLONAIS

Coleção de anticorpos com especificidade diferente (recombinação genética aleatória ). ANTICORPOS MONOCLONAIS
Coleção de anticorpos com especificidade diferente (recombinação genética aleatória ). ANTICORPOS MONOCLONAIS

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FAMENE NETTO, Arlindo Ugulino.

IMUNOLOGIA I (DESATUALIZADO)

Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2 FAMENE NETTO, Arlindo Ugulino. IMUNOLOGIA I

IMUNIDADE ADQUIRIDA – RESPOSTA IMUNE HUMORAL (Profª Karina Carla)

A resposta imune Ä didaticamente dividida em

resposta imune inata (resposta mais ampla e abrangente, sendo, portanto, inespecÅfica) e resposta imune adquirida. Esta, por sua vez, Ä mediada por anticorpos secretados e sua funÜÖo fisiolÑgica Ä a defesa contra

microrganismos extracelulares e toxinas microbianas, sendo por tanto, solicitada previamente para agir de maneira mais especÅfica.

A resposta imune adquirida Ä dividida ainda em

dois subtipos de resposta: resposta imune adquirida humoral (o conteédo da resposta – os anticorpos – localizam-se livres no plasma) e celular. Este capÅtulo trata-se de enfatizar o primeiro subtipo.

. Este capÅtulo trata-se de enfatizar o primeiro subtipo. A resposta imune adquirida (adaptativa), como jÉ

A resposta imune adquirida (adaptativa), como jÉ foi visto, Ä mediada pelos linfÑcitos T e linfÑcitos B,

sendo este responsÉvel pela produÜÖo de anticorpos e aquele, apÑs ser apresentado ao antÅgeno por uma

APC, se prolifera e desempenha a sua funÜÖo (produÜÖo de citocinas). As funÜáes efetoras dos anticorpos sÖo

de neutralizaÜÖo e eliminaÜÖo dos microrganismos infecciosos e das toxinas microbianas. Esta resposta imune adquirida apresenta algumas particularidades que a difere da resposta imune inata:

especificidade (devido ä presenÜa de receptores especÅficos dos linfÑcitos como o TCR e o BCR), diversidade (presenÜa de inémeros tipos de anticorpos), toleréncia (capacidade da resposta imune de nÖo responder contra proteÅnas do prÑprio), autolimitaÇÉo (todas as respostas imunes desaparecem com o decorrer do tempo apÑs cada estimulaÜÖo antigÇnica), especializaÇÉo e memÄria (presenÜa de cÄlulas que foram expostas ao peptÅdeo antigÇnico, mas nÖo respondem a ele, deixando a fase madura para serem classificadas como cÄlulas de memÑria).

as

para serem classificadas como cÄlulas de memÑria). as ê importante lembrar tambÄm que a resposta imune

ê importante lembrar tambÄm que a resposta imune adquirida Ä divida em fases: fase de

reconhecimento, fase de ativaÜÖo (proliferaÜÖo dos linfÑcitos), fase efetora (diferenciaÜÖo dos linfÑcitos B e produÜÖo de anticorpos pelos mesmos; auxÅlio dos linfÑcitos T com a produÜÖo de citocinas) e o fim da resposta (declÅnio ou homeostase), na qual resta apenas cÄlulas de memÑria. Na fase efetora da imunidade adquirida divide-se, como jÉ vimos, as repostas imune humoral e celular.

A imunidade humoral acontece, por tanto, quando o microrganismo apresenta uma natureza de aÜÖo

extracelular (microrganismos extracelulares), sendo esta resposta mediada pelos linfÑcitos B. JÉ a resposta imune celular, a qual apresenta uma participaÜÖo muito intensa dos linfÑcitos T com a secreÜÖo de citocinas, estÉ relacionada com a defesa do corpo contra microrganismos intracelulares (vÅrus e bactÄrias).

de citocinas, estÉ relacionada com a defesa do corpo contra microrganismos intracelulares (vÅrus e bactÄrias).

Arlindo Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2

A funÜÖo, por tanto, da resposta imune

humoral Ä a mesma funÜÖo desempenhada pelos

anticorpos: neutralizaÜÖo do antÅgenos (ligaÜÖo Åntima

do anticorpo com o antÅgeno fazendo com que este

perca sua constituiÜÖo espacial elementar, eliminando

a sua antiga afinidade por um receptor alvo),

opsonizaÜÖo (facilitaÜÖo da fagocitose), citotoxicidade dependente de anticorpo e ativaÜÖo do sistema complemento (responsÉvel por realizar a lise de microrganismos, fagocitose de microrganismos opsonizados com fragmentos do complemento e inflamaÜÖo), sendo este ativado mediante o anticorpo

ou nÖo.

sendo este ativado mediante o anticorpo ou nÖo. Neutraliza à Ço dos Micror g anismos e

NeutralizaàÇo dos Microrganismos e das Toxinas Microbianas

Os anticorpos contra microrganismo e toxinas microbianas bloqueiam a ligaÜÖo destes aos receptores

celulares, impedindo a aÜÖo patogÇnica dos mesmos. Dessa forma, os anticorpos inibem ou neutralizam a

infecciosidade dos microrganismos, bem como os efeitos lesivos potenciais da infecÜÖo. Os anticorpos se ligam a estruturas especÅficas microbianas e interferem com a sua capacidade de interagir com os receptores celulares: desse ponto de vista, as anticorpos agem como obstáculo estérico. Em alguns casos, poucas molÄculas do anticorpo podem se ligar a um microrganismo e induzir alteraÜáes de conformaÜÖo nas molÄculas de superfÅcie que impedem o microrganismo de interagir com os receptores celulares; essas interaÜáes sÖo exemplos de efeitos alóstéricos.

essas interaÜáes sÖo exemplos de efeitos alóstéricos . OpsonizaàÇo e Fagocitose Mediada por Anticorpo ê por

OpsonizaàÇo e Fagocitose Mediada por Anticorpo

ê por meio da ligaÜÖo do

Fagocitose Mediada por Anticorpo ê por meio da ligaÜÖo do microrganismo ao anticorpo que os receptores

microrganismo ao anticorpo que os receptores Fc dos fagÑcitos sÖo capazes de reconhecÇ-los e destruÅ-

los.

Os anticorpos do isotipo IgG

revestem (osponizam), por exemplo,

os microrganismos e promovem a sua fagocitose pela ligaÜÖo aos receptores Fc nos fagÑcitos. Os microrganismos podem tambÄm ser opsonizados por um produto da ativaÜÖo do sistema complemento

chamado C3b e sÖo fagocitados pela ligaÜÖo a um receptor leucocitÉrio para o C3b.

Os receptores Fc dos leucÑcitos promovem a fagocitose das partÅculas opsonizadas e liberam sinais

que estimulam as atividades microbicidas dos leucÑcitos. Dentre esses receptores Fc, os que sÖo mais importantes para a fagocitose das partÅculas opsonizadas sÖo os receptores para as cadeias pesadas dos anticorpos IgG, designados receptores Fcγ. O principal receptor Fcγ de fagÑcito de alta afinidade Ä chamado FcγRI (CD64). A fagocitose das partÅculas revestidas de IgG Ä mediada pela ligaÜÖo das porÜáes Fc dos anticorpos opsonizantes aos receptores Fcγ nos fagÑcitos. JÉ os microrganismos opsonizados com IgE, sÖo

Fc dos anticorpos opsonizantes aos receptores Fcγ nos fagÑcitos. JÉ os microrganismos opsonizados com IgE, sÖo

Arlindo Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2

facilmente fagocitados pelo FcεRI, presente nos mastÑcitos, basÑfilos e eosinÑfilos, com a funÜÖo principal de ativaÜÖo celular (degranulaÜÖo). Em resumo, temos:

FcεRI (reconhece microrganismo opsonizado por IgE): presente nos eosinofilos, mastÑcitos, basÑfilos. Tem a funÜÖo de ativaÜÖo celular (degranulaÜÖo).

FcγRI (reconhece microrganismo opsonizado por IgG): presente nos neutrÑfilos e macrÑfagos. Tem a funÜÖo de estabelecer a fagocitose e ativaÜÖo de fagÑcitos.

CITOTOXICIDADE CELULAR DEPENDENTE DE ANTICORPOS – ADCC

O receptor Fc das cÄlulas NK,

DE ANTICORPOS – ADCC O receptor Fc das cÄlulas NK, chamado FcγRIII (CD16), liga-se aos anticorpos

chamado FcγRIII (CD16), liga-se aos anticorpos IgG ligados äs cÄlulas, e o resultado Ä a lise das cÄlulas revestidas do anticorpo. Esse processo Ä desiginado citotoxicidade celular dependente de anticorpo (ADCC). O fato da FcγRIII ser um receptor de baixa afinidade que se liga a molÄculas de IgG, a ADCC sÑ ocorre quando a cÄlula-alvo estÉ revestida de anticorpo, e a IgG livre do plasma nÖo ativa as cÄlulas NK, nem compete efetivamente com a IgG ligada ä cÄlula pela ligaÜÖo com o FcγRIII. A incorporaÜÖo do FcγRIII por cÄlulas alvo revestidas de anticorpos, ativa as cÄlulas NK para sintetizarem e secretarem citocinas, tais como o IFN-γ, bem como descarregarem o conteédo dos

seus grànulos, que sÖo mediadores da funÜÖo citotÑxica desse tipo de cÄlulas. Essa funÜÖo citotÑxica destrÑi as cÄlulas previamente infectadas (por vÅrus ou tumorais) por apoptose.

Os eosinÑfilos medeiam um tipo especial de ADCC dirigido contra alguns parasitas helmÅnticos. Os

helmintos sÖo muito grandes para serem engolfados pelos fagÑcitos, e seu tegumento Ä relativamente resistente aos produtos microbicidas dos neutrÑfilos e dos macrÑfagos, mas eles podem ser mortos por uma proteÑna bÜsica principal presente nos grànulos dos eosinÑfilos. A IgE reveste os helmintos, e os eosinÑfilos podem entÖo se ligar ä IgE pelo seu FcεRI. Os eosinÑfilos sÖo ativados por sinais emitidos pelo FcγRI e liberam o conteédo de seus grànulos, o que resulta na mortes dos helmintos.

Sistema Complemento

O sistema complemento Ä um dos principais efetores da imunidade humoral e Ä tambÄm um importante mecanismo efetor da imunidade inata. Consiste em um grupo de proteÅnas plasmÉticas que quando ativadas atuam como enzimas (proteases) de uma maneira altamente regulada. Estas proteÅnas interagem entre si e com outras cÄlulas do sistema imune de modo balanceado.

O sistema complemento, em resumo, Ä responsÉvel pelas seguintes funÜáes: opsonizaÜÖo e

fagocitose; lise do microorganismo; participaÜÖo na inflamaÜÖo. VÉrias caracterÅsticas da ativaÜÖo do complemento sÖo essenciais para sua funÜÖo normal:

A

ativaÜÖo do complemento envolve a proteÑlise seqèencial de proteÅnas para gerar enzimas com

atividade proteolÅtica.

Os produtos de ativaÜÖo do complemento inserem-se covalentemente äs superfÅcies celulares dos

microrganismos e a outros antÅgenos.

A

ativaÜÖo do complemento Ä inibida pelas proteÅnas regulatÑrias que estÖo presentes nas cÄlulas

normais do hospedeiro e ausentes nos microrganismos.

As duas principais vias de ativaÜÖo do complemento sÖo via clÜssica (necessita da presenÜa do

antÅgeno e do anticorpo), que Ä ativada por certos isÑtipos de anticorpos ligados a antÅgenos, e a via alternativa (necessita apenas da presenÜa do antÅgeno), que Ä ativada nas superfÅcies das cÄlulas dos microrganismos na ausÇncia de anticorpo. Outra via menos conhecida Ä a via da lectina, ativada quando a

lectina presente no plasma se liga ä manose da membrana do microrganismo. As vias alternativas (e a da lectina) sÖo mecanismos efetores da imunidade inata, enquanto que a via clÉssica Ä um mecanismo da imunidade humoral.

O evento central na ativaÜÖo do complemento Ä a proteÑlise da proteÅna C3 para gerar produtos

biologicamente ativos e a subseqèente inserÜÖo covalente de um produto da C3, chamado C3b, äs superfÅcies das cÄlulas microbianas ou de um anticorpo ligado a um antÅgeno. Os passos iniciais da ativaÜÖo, que diferem

das cÄlulas microbianas ou de um anticorpo ligado a um antÅgeno. Os passos iniciais da ativaÜÖo,

Arlindo Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2

entre as vias, geram uma enzima chamada C3 convertase, que cliva a C3 e dá origem a dois produtos proteolíticos, C3a (a=fragmento menor) e C3b (b=fragmento maior). A reunião das proteínas do complemento na C3b resulta na formação de outra enzima chamada C5 convertase, que cliva C5 e inicia os passos tardios da ativação do complemento. As vias clássica e alternativa diferem no modo pelo qual a C3b é produzida, isto é, nos primeiros passos, porém compartilham os mesmo passos tardios. Os componentes terminais do sistema complemento, cuja ativação é dependente da C3b, geram um complexo protéico lipossolúvel macromolecular, designado complexo de ataque à membrana (MAC), que causa lise osmótica das células. Os peptídeos produzidos pela proteólise de C3 (e de outras proteínas do complemento) estimulam a inflamação.

outras proteínas do complemento) estimulam a inflamação. VIA ALTERNATIVA A via alternativa de ativação do

VIA ALTERNATIVA

A via alternativa de ativação do complemento resulta na

proteólise de C3 e na inserção estável do seu produto de degradação C3b às superfícies microbianas, sem um papel para o anticorpo. Normalmente, a C3 no plasma esta inativa quando apresenta um grupo tioéster oculto em sua estrutura. Na presença

do microrganismo, o C3 é clivado em dois fragmentos: C3a (com menor peso molecular) e C3b (com um maior peso molecular), de modo que este apresentará a exposição do grupo tioéster, o qual é instável. O C3b, por tanto, torna-se ativo quando esse grupo tioéster se liga à hidroxilas ou grupos amino expostas na membrana de microrganismos (pois essas moléculas não estão disponíveis nas membranas das células do hospedeiro) para formar pontes de amido ou de éster. Caso essas pontes não se formarem, o C3b persiste na fase fluida, seu tioéster é rapidamente hidrolisado, tornando-se inativo e detém a ativação do complemento. O C3a parte para o fluido plasmático para participar do processo inflamatório, funcionando como a primeira anáfilo toxina.

O C3b ligado une-se a uma proteína plasmática chamada

Fator B e, depois que está ligado, o fator B é clivado por uma protease de serina do plasma, o fator D, para gerar um fragmento, o Bb, que permanece inserido ao C3b (e libera um pequeno fragmento chamado Ba). O complexo formado C3bBb é a convertase C3 da via alternativa, responsável por clivar mais moléculas C3, desse modo determinando uma ampliação da seqüência. Assim, a convertase C3 da via alternativa aumenta a ativação do complemento quando inciada pela via alternativa ou pela via clássica. Ocorre ativação estável da via alternativa apenas nas superfícies celulares microbianas e não nas do hospedeiro. Algumas das moléculas C3b geradas pela convertase C3 da via alternativa ligam-se à própria convertase. Isto resulta na formação de um complexo C3bBb3b, que atua como a convertase C5 da via alternativa, que cliva a C5 e iniciar os passos tardios do complemento.

C3bBb3b, que atua como a convertase C5 da via alternativa, que cliva a C5 e iniciar
C3bBb3b, que atua como a convertase C5 da via alternativa, que cliva a C5 e iniciar

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Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2 VIA CLÁSSICA A via clÉssica Ä

VIA CLÁSSICA

A via clÉssica Ä inciada pela ligaÜÖo da proteÅna C1 do complemento

aos domÅnios constantes C H 2 das molÄculas IgG ou dos domÅnios C H 3 das

molÄculas IgM que fixaram antÅgenos. C1 Ä um grande complexo protÄico multimÄrico, que consiste de seis subunidades idÇnticas arranjadas formando um nécleo central com braÜos radiais projetados simetricamente, sendo composto das subunidades C1q,

C1r e C1s: C1q liga-se ao anticorpo, e C1r e C1s sÖo as proteases. Esse hexàmero executa a funÜÖo de reconhecimento da molÄcula

e liga-se especificamente com as regiáes Fc das cadeias

pesadas μ e com algumas da γ. Cada regiÖo Fc da imunoglobulina tem um énico sÅtio de ligaÜÖo de C1q, e cada molÄcula C1q deve ligar-se a duas cadeias pesadas adjacentes de Ig para ativar a C1r e C1s, ativando, assim, a parte funcional da molÄcula. C1r e C1s sÖo esterases da serina que funcionam como um tetràmero contendo duas molÄculas de cada. A ligaÜÖo de duas ou mais cabeÜas globulosas da C1q äs regiáes Fc da IgG ou da IgM induz ativaÜÖo enzimÉtica da

C1r associada, que cliva e ativa a C1s. Esta ativada cliva a prÑxima proteÅna da cascata, a C4, para formar C4b e C4a (este Ä liberado e tem atividades biolÑgicas que serÖo descritas mais adiante). A C4 Ä homÑloga de C3, e C4b tambÄm tem uma ponte tioÄster interna, assim como na C3b, que forma ligaÜáes covalentes com amidas ou Ästeres com o complexo antÅgeno-anticorpo ou com a superfÅcie adjacente de uma cÄlula ä qual estÉ ligado o anticorpo. Essa ligaÜÖo de C4b assegura que a via clÉssica de ativaÜÖo processa-se em uma superfÅcie celular ou em um complexo imune.

A prÑxima proteÅna do complemento, C2, forma entÖo

um complexo com C4b ligada ä superfÅcie celular e Ä clivada por uma molÄcula C1s da vizinhanÜa, para gerar um fragmento C2b solével de importància desconhecida, e um fragmento maior, C2a, que permanece fisicamente associado ä C4b na superfÅcie da cÄlula (note que, por motivos

histÑricos, na C2, o fragmento menor Ä chamado de C2b e o

maior de C2a – uma exceÜÖo a regra). O complexo resultante C4b2a Ä a convertase C3 da via clássica e tem a capacidade de se ligar e de clivar proteoliticamente a C3.

a capacidade de se ligar e de clivar proteoliticamente a C3. A clivagem de C3 resulta
a capacidade de se ligar e de clivar proteoliticamente a C3. A clivagem de C3 resulta

A clivagem de C3 resulta na remoÜÖo de um pequeno fragmento C3a, que sai de C3b; a C3b Ä entÖo

hidrolisada ou forma pontes covalentes com as superfÅcies celulares ou com o anticorpo na qual foi iniciada a aÜÖo do complemento. Uma vez depositada a C3b, poderÉ ligar-se ao Fator B e gerar mais convertase C3 pela via alternativa. O efeito final desses méltiplos passos enzimÉticos e de amplificaÜÖo Ä que uma énica molÄcula de convertase C3 poderÉ induzir a deposiÜÖo de centenas ou milhares de molÄculas de C3b na superfÅcie celular onde o complemento Ä ativado. Os passos-chaves iniciais da via alternativa e da clÉssica sÖo anÉlogos:

C3 da via alternativa Ä homÑloga ä C4 da via clÉssica, e o fator B Ä homÑlogo a C2. Algumas das molÄculas C3b geradas pela convertase C3 da via clÉssica ligam-se ä convertase (como na via alternativa) e formam um complexo C4b2a3b. Esse complexo funciona como a convertase C5 da via clÉssica, que cliva C5 e inicia os passos tardios da ativaÜÖo do complemento.

OBS: A via da lectina de ativaÜÖo do complemento Ä desencadeada na ausÇncia de anticorpo pela ligaÜÖo dos polissacarÅdeos microbianos äs lectinas circulantes, tais como a MBL plasmÉtica. A MBL liga-se aos resÅduos de manose dos polissacarÅdeos e, como Ä estruturalmente semelhante ao C1q, desencadeia o

sistema complemento pela ativaÜÖo do complexo enzimÉtico C1r-C1s (tal como o C1q) ou pela associaÜÖo com

a serina esterase associada ä proteÅna de ligaÜÖo de manose, que cliva C4. Fora o fato de ser ativada na ausÇncia de anticorpo, o restante dessa via Ä o mesmo que o da via clÉssica.

cliva C4. Fora o fato de ser ativada na ausÇncia de anticorpo, o restante dessa via

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PASSOS TARDIOS DA ATIVAÇÃO DO COMPLEMENTO As convertases C5 geradas pela via alternativa ou pela clÉssica iniciam a ativaÜÖo dos componentes tardios do sistema complemento, que culmina na formaÜÖo da MAC citorcida. As convertases C5 clivam a C5 em um pequeno fragmento C5a (exerce potentes efeitos biolÑgicos em vÉrias cÄlulas), que Ä liberado, e um fragmento C5b de duas cadeias que permanece ligado ä superfÅcie celular. O C5b, gradativamente, atrai outras proteÅnas do complemento: C6, C7, C8 e C9, de modo que C5b se une a C6 (formando o complexo inicial C5b,6), para se ligar, em seguida, a C7 e a C8, em que

estas duas éltimas se inserem na bicamada lipÅdica da membrana. Forma-se o complexo C5b,6,7,8 (C5b-8) estavelmente inserido na membrana, com capacidade ainda limitada para lisar cÄlulas.

A formaÜÖo de uma MAC (complexo de ataque a membrana) completamente ativa Ä obtida pela ligaÜÖo

de C9, componente final da cascata do complemento, ao complexo C5b-8. Esta proteÅna C9 Ä uma proteÅna

sÄrica que se polimeriza no local da C5b-8 formando poros nas membranas plasmÉticas que permitem a entrada de Égua (resultando na tumefaÜÖo osmÑtica) e Åons (causando apoptose) no microrganismo.

osmÑtica) e Åons (causando apoptose) no microrganismo. FUNÇÃO DO SISTEMA COMPLEMENTO ApÑs ativado, o sistema

FUNÇÃO DO SISTEMA COMPLEMENTO

ApÑs ativado, o sistema complemento exerce funÜáes complexas como:

o sistema complemento exerce funÜáes complexas como:  OpsonizaÜÖo e fagocitose do microrganismo 

OpsonizaÜÖo e fagocitose do microrganismo

EstimulaÜÖo das reaÜáes inflamatÑrias: as anÉfilotoxinas liberadas nas reaÜáes durante a ativaÜÖo do complemento vÖo se ligar a cÄlulas polimorfonucleares participando do processo inflamatÑrio ativando estas cÄlulas (as quais passam a exercer a degranulaÜÖo).

CitÑlise mediada pelo complemento: formaÜÖo do MAC e apoptose direta do microrganismo.

REGULAÇÃO DA ATIVAÇÃO DO COMPLEMENTO

A ativaÜÖo da cascata do complemento e a estabilidade dos produtos ativos do complemento sÖo

rigidamente regulados para evitar a ativaÜÖo do complemento nas cÄlulas normais do hospedeiro e limitar a duraÜÖo da ativaÜÖo do complemento mesmo nas cÄlulas microbianas e nos complexos antÅgeno-anticorpo.

A regulaÜÖo do complemento Ä mediada por diversas proteÅnas circulantes e de membrana celular

pertencentes a uma famÅlia chamada “reguladores da atividade do complemento” (RCA) e sÖo codificadas por genes homÑlogos adjacentes. Paciente com inibiÜÖo desses inibidores podem desenvolver certas patologias.

atividade proteolÅtica de C1r e C1s Ä inibida por uma proteÅna plasmÉtica chamada inibidor C1 (C1 INH).

A

A reuniÖo dos componentes das convertases C3 e C5 Ä inibida pela ligaÜÖo das proteÅnas reguladoras

a C3 e C4 depositadas nas superfÅcies celulares.

convertases C3 e C5 Ä inibida pela ligaÜÖo das proteÅnas reguladoras a C3 e C4 depositadas

Arlindo Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2

A C3b (e a C4b) associadas à célula são proteoliticamente degradadas por uma serina protease do plasma chamada Fator I, que é ativa somente na presença de proteínas reguladoras (MCP e CR1, que atuam como co-fatores para a clivagem proteolítica de C3b), produzindo iC3b e C3f.

As proteínas DAF (proteína de membrana expressa nas células endoteliais e eritrócitos), MCP, CR1 são inibidores da C4b2a (C3 convertase da via clássica), pois deslocam C2a de C4b.

DAF e CR1 inibem a C3bBb (convertase C3 da via alternativa), pois deslocam Bb de C3b.

A formação da MAC é inibida por uma proteína de membrana chamada CD59, inibindo a adesão de moléculas C9 na membrana.

A proteína S inibe a inserção de C5b-C7 na membrana, influenciando diretamente na inserção futura do complexo C9.

Deficiência de C1INH gera edema angioneurótico hereditário , que consiste no acúmulo intermitente de edema fluido na pele e edema angioneurótico hereditário, que consiste no acúmulo intermitente de edema fluido na pele e nas mucosas, causando dor abdominal, vômitos, diarréia e obstrução das vias áreas, potencialmente ameaçadora para vida.

Deficiência na enzima que liga tais inibidores (DAF, MCP e CR1) causa Hemoglobinúria Paroxística Noturna , caracterizada por crises recidivantes de hemólise intravascular, atribuível, pelo Hemoglobinúria Paroxística Noturna, caracterizada por crises recidivantes de hemólise intravascular, atribuível, pelo menos parcialmente, a uma ativação desregulada do complemento na superfície dos eritrócitos. A hemólise intravascular recorrente, por sua vez, induz anemia hemolítica e trombose venosa crônicas.

OBS: Com base nesses estudos, é admitida uma hierarquia de importância para a inibição da ativação do complemento como sendo CD59 > DAF > MCP, e essa hierarquia pode refletir a relativa abundância dessas proteínas nas superfícies celulares.

DAF > MCP , e essa hierarquia pode refletir a relativa abundância dessas proteínas nas superfícies

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FAMENE NETTO, Arlindo Ugulino.

IMUNOLOGIA I (DESATUALIZADO)

Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2 FAMENE NETTO, Arlindo Ugulino. IMUNOLOGIA I

IMUNIDADE ADQUIRIDA – RESPOSTA CELULAR (Profª Karina Carla)

A imunidade mediada por cÄlulas (IMC) Ä a funÜÖo efetora dos linfÑcitos T e atua como um mecanismo

de defesa contra os microrganismos que sobrevivem dentro dos macrÑfagos ou que infectam cÄlulas nÖo- fagocÅticas. Assim como a resposta humoral, a resposta celular Ä um tipo de imunidade especÅfica (imunidade adquirida ou adaptativa). PorÄm, esses dois tipos de respostas apresentam diferenÜas peculiares:

 

IMUNIDADE HUMORAL

IMUNIDADE CELULAR

A

fase efetora se caracteriza pela

A fase efetora se caracteriza pela destruiÜÖo de antÅgenos intracelulares (como vÅrus e bactÄrias com ciclo intracelular) por meio do complexo APC MHC

neutralizaÜÖo dos antÅgenos

extracelulares por meio do complexo

Ag-Ig;

LT TCR.

HÉ uma transferÇncia de anticorpos no intuito de realizar a neutralizaÜÖo ou a opsonizaÜÖo.

HÉ uma transferÇncia de cÄlulas T para desencadear a resposta celular.

A resposta imune adquirida contra microrganismos residindo dentro dos fagossomas dos fagÑcitos Ä

mediada pelos linfÄcitos T, que reconhecem os antÅgenos microbianos e produzem citocinas que ativam os

fagÑcitos e estimulam a inflamaÜÖo. As cÄlulas T responsÉveis pela ativaÜÖo dos macrÑfagos sÖo as cÄlulas T CD4+ auxiliares (LT a ) diferenciados, bem como os linfÑcitos T CD8+, cuja caracterÅstica compartilhada seria a

capacidade de secretar a citocina interferon-gama (IFN-γ) que Ä ativadora de macrÑfagos.

interferon-gama (IFN-γ) que Ä ativadora de macrÑfagos. O linfÑcito T auxiliar Ä a principal cÄlula da

O linfÑcito T auxiliar Ä a principal cÄlula da resposta imune celular.

Ele apresenta como principais proteÅnas de membrana: TCR (receptor de linfÑcito T), CD4+ (marcador fenotÅpico exclusivo de linfÑcito T auxiliar), CD3+

(marcador de linfÑcito T em geral) e molÄculas co-estimuladoras (CD28 e

CD40Ligante).

O TCR Ä o receptor de linfÑcito T que caracteriza a resposta imune adquirida, uma vez que ele

apresenta ampla especificidade, encaixando-se perfeitamente com o epÅtopo apresentado pelo MHC da cÄlula apresentadora de antÅgeno (APC). A apresentaÜÖo bÉsica TCR-PEPTóDEO-MHC Ä o sinal 1, que ocorre depois que a APC fagocita o antÅgeno. PorÄm, apenas estes participantes nÖo sÖo capazes de desencadear a resposta imune. Para isso, entra em aÜÖo dos co-estimuladores: o CD40L (L=ligante) se liga ao CD40 da APC e o CD28 ao B7. ApÑs a fagocitose, o macrÑfago (representando a APC) pode apresentar o epÅtopo oriundo do antÅgeno para os dois tipos de linfÑcitos T: tanto para o linfÑcito T CD4+ quanto para o linfÑcito T CD8+. Ambas se proliferam, produzem citocinas e desempenham as suas funÜáes. A imunidade adquirida celular entra em cena quando este macrÑfago, oriundo de respostas inatas nÖo-especÅficas, nÖo consegue destruir por si sÑ o antÅgeno. SerÉ necessÉrio entÖo a intervenÜÖo citotÑxica celular dos linfÑcitos, por meio da apresentaÜÖo antigÇnica. O linfÑcito T auxiliar, ao ser ativado, produz citocinas como o IFN-γ, responsÉvel por fazer do macrÑfago que apresentou o epÅtopo capaz de destruir este antÅgeno por si sÑ. Por tanto, o linfÑcito T auxiliar nÖo Ä o responsÉvel direto por dar fim ao antÅgeno (funÜÖo esta desempenhada pela prÑpria APC), mas a cÄlula que realiza esta funÜÖo sÑ serÉ capaz de sofrer influÇncia deste leucÑcito. Se o macrÑfago apresentar o epÅtopo ao linfÑcito T citotÑxico (o que normalmente acontece com infecÜáes virais ou cÄlulas tumorais), este se responsabilizarÉ por secretar citocinas que lisam a APC (apoptose) para gerar a morte do antÅgeno e eliminar os reservatÑrios de infecÜÖo.

Desenvolvimento dos LT Efetores

O processo de desenvolvimento das cÄlulas T pode ser dividida em quatro fases:

Fase de reconhecimento: fase na qual as cÄlulas T virgens reconhecem os antÅgenos (apresentaÇÉo antigènica) nos linfonodos perifÄricos e sÖo preparadas, ou estimuladas, para proliferarem e se diferenciarem em efetoras.

Fase de ativaÇÉo: eventos bioquÅmicos fazem com que a cÄlula se prepare para os prÑximos estÉgios.

Fase de expansÉo clonal: fase de proliferaÜÖo de cÄlulas T para que haja um némero suficiente de cÄlulas capazes de desencadear a resposta celular.

de proliferaÜÖo de cÄlulas T para que haja um némero suficiente de cÄlulas capazes de desencadear

Arlindo Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2

Diferenciação celular de LT CD4 e LT CD8 em subpopulações: o linfÑcito T CD4+ auxiliar (Th0) pode se diferenciar em duas subpopulaÜáes de linhagens: Th1 e Th2. Essa diferenciaÜÖo depende do microambiente gerado pelas citocinas previamente liberadas pela APC.

Fase efetora: ativaÜÖo dos macrÑfagos para destruir o antÅgeno por meio de radicais livres (quando a APC Ä estimulada pelo LT CD4+); ou apoptose dos macrÑfagos (quando a APC Ä estimulada pelo LT

CD8+).

Fases da Imunidade Celular

A induÜÖo da imunidade mediada por cÄlulas consiste no reconhecimento do antÅgeno pela cÄlula T

nos ÑrgÖos linfÑides perifÄricos e na sua diferenciaÜÖo em linfÑcitos efetores. O MHC de classe I apresenta o antÅgeno ao LT citotÑxico, enquanto que o MHC de classe II apresenta o antÅgeno ao LT auxiliar. ApÑs a apresentaÜÖo, hÉ ativaÜÖo dos linfÑcitos e a expansÖo clonal dos mesmos, saindo, logo depois, dos ÑrgÖos linfÑides em direÜÖo aos tecidos, onde ocorre, de fato, o mecanismo de morte do antÅgeno: ou a cÄlula infectada vai ser eliminada (por apoptose) ou vai ser ativada para destruir antÅgenos sem sua auto- destruiÜÖo.

FASE DE RECONHECIMENTO Nessa fase, ocorre os dois sinais: o sinal 1 (TCR-PEPTóDEO-MHC) e o sinal 2 (presenÜa dos co- estimuladores: CD28 e CD40L). Lembrando que o LTa Ä apresentado para MHC de classe II e o LTc Ä apresentando para o MHC de classe I.

FASE DE EXPANSÃO CLONAL Fase de proliferaÜÖo dos linfÑcitos em resposta a secreÜÖo de IL-2 (citocina ativadora de linfÑcito) pelo prÑprio linfÑcito.

DIFERENCIAÇÃO CELULAR EM SUBPOPULAÇÕES E FASE EFETORA

O LT CD4+ pode dar origem a duas subpopulaÜáes: Th1 e Th2, que se

diferenciam entre si pelos perfis de citocinas a serem secretadas por eles: os LT Th1 secretam IFN-γ; os LT Th2 secretam IL-4 e IL-5. A preferÇncia pela diferenciaÜÖo de algum subtipo se dÉ a partir da natureza do antÅgeno.

Essa diferenciaÜÖo dos LT auxiliares responde pelo termo de polarização, isto porque quando o LT se diferencia para um determinado

subgrupo prÄ-citado, este tem a funÜÖo de inibir o outro, de modo que o LT, em suma, opte apenas pela preferÇncia de um subgrupo, para cada resposta celular. Isso faz com que, a cada resposta, haja sempre um dos subgrupos em némero bem maior que o outro. Esses subgrupos se diferenciam por tanto:

q ue o outro. Esses subgrupos se diferenciam por tanto:  Perfil de citocinas  Mecanismo

Perfil de citocinas

Mecanismo efetor

Propriedades da resposta Th1: se manifesta com microrganismos intracelulares: bactÄrias intracelulares (Lysteria); parasitas Intracelulares (Leishmania); micobactÄrias; vÅrus. A APC apresenta estes antÅgenos a um linfÑcito LT Th0, o qual vai se diferenciar em LT Th1. As citocinas liberadas por esta resposta sÖo potentes ativadores de macrÑfagos, o qual se encarrega de destruir o antÅgeno.

Citocinas clÉssicas: IFN-γ e IL-12. Quando as cÄlulas

dendrÅticas (ou macrÑfagos) durante a interaÜÖo com o LT secretam IL-12, essa citocina ativa cÄlulas NK presentes no local,

que passam a secretar IFN-γ. Esta citocina secretada aumentarÉ a

sÅntese de IL-12 e atuarÉ sobre as cÄlulas T que estÖo interagindo com a cÄlula apresentadora de antÅgeno e que ainda nÖo tem um padrÖo de diferenciaÜÖo (LTh0). A ativaÜÖo do Th0 pelo IFN-γ induz a produÜÖo de mais IFN-γ e IL-12 nessas cÄlulas, citocinas que definem o padrÖo de LTh1.

Fatores de transcriÜÖo (responsÉvel por transcrever mais

citocinas): STAT-4 e T-bet (este secretado pela estimulaÜÖo

daquele).

IsÑtopo: IgG2.

O LTh0 naive (linfÑcito T virgem), ao ser apresentado ao antÅgeno intracelular pela APC, sofre interaÜÖo com a citocina IL-2. Alguns

T virgem), ao ser apresentado ao antÅgeno intracelular pela APC, sofre interaÜÖo com a citocina IL-2.

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microrganismos podem ativar diretamente os macrÑfagos para secretar IL-12, e outros podem desencadear a IL-12 de modo indireto. Por exemplo, os vÅrus e algumas bactÄrias estimulam as cÄlulas NK para produzirem IFN-γ, que por sua vez atua sobre os macrÑfagos para induzir a secreÜÖo de IL-12. A IL-12 liga-se a receptores das cÄlulas T CD4+ antÅgeno-estimuladoras, ativa a STAT4 e promove a diferenciaÜÖo das cÄlulas T em cÄlulas Th1 (alÄm de retornar e influenciar a outros linfÑcitos T a produzir o T-bet). Os interferons, tal como o IFN-γ, promovem o desenvolvimento da Th1 por estimularem a produÜÖo de IL-12 pelos macrÑfagos e a expressÖo de receptores funcionais sobre os linfÑcitos T.

A principal funÜÖo das cÄlulas Th1 Ä a defesa, mediada pelos fagÑcitos, contra as infecÜáes,

especialmente por microrganismos intracelulares. O IFN-γ produzido pelas cÄlulas Th1 estimula as atividades microbicidas dos fagÑcitos, produzindo desse modo a destruiÜÖo intracelular dos microrganismos fagocitados por meio de radicais livres (H 2 O 2). Recruta, por meio da TNF, neutrÑfilos.

Note que neste fase efetora nÖo hÉ aÜÖo da IL-12, apenas na ativaÜÖo.

Propriedades da resposta Th2: esta diferenciaÜÖo ocorre em resposta a parasitas extracelulares

(helmintos) e a alergenos, que causam estimulaÜÖo crçnica das cÄlulas T, muitas vezes com pouca ativaÜÖo dos macrÑfagos.

Citocinas: IL-4, IL-5 (recruta eosinÑfilos), IL-13, IL-10;

Fatores de TranscriÜao: GATA-3, STAT-6;

IsÑtopo: IgE e IgG.

de TranscriÜao: GATA-3, STAT-6;  IsÑtopo: IgE e IgG. A diferenciaÜÖo das cÄlulas T antÅgeno-estimuladoras em

A diferenciaÜÖo das cÄlulas T antÅgeno-estimuladoras em subpopulaÜÖo Th2 Ä dependente de IL-4, que funciona ativando STAT6, um fator que estimula, por sua vez, a transcriÜÖo de mais IL-4 e de outros genes de citocina Th2. Essa secreÜÖo de IL-4 pelas LTh0 antes de seu desenvolvimento Ä possÅvel pois as cÄlulas T CD4+ antÅgeno- estimuladas podem secretar pequenas quantidades de IL-4 a partir de sua atividade inicial. Depois da apresentaÜÖo pela cÄlula APC ao LTh0, que produz altas concentraÜáes de IL-4, que por sua vez, ativa a transcriÜÖo de GATA-3 (fator de transcriÜÖo que aumenta a secreÜÖo de IL-4) e estimula ainda a produÜÖo de STAT6 por esses linfÑcitos,

responsÉvel por polarizar, de fato, a resposta Th2. Este IL-4 secretado Ä responsÉvel por estimular, ainda, os LinfÑcitos B a produzirem IgE, facilmente dosado em casos de alergia ou verminoses.

A principal funÜÖo efetora das cÄlulas Th2 ocorre nas reaÜáes imune

mediadas pela IgE e pelos eosinÑfilos/mastÑcitos. As citocinas produzidas durante esta resposta estimula a degranulaÜÖo dos eosinÑfilos para a destruiÜÖo dos parasitos. AlÄm disso, as citocinas IL-

4, IL-5 e IL-13 antagonizam as aÜáes do IFN-γ e inibem a ativaÜÖo da

resposta Th1, assim como o IFN-γ inibe a resposta Th2.

Se a resposta for para um helminto, o eosinÑfilo Ä solicitado a degranular e secretar a proteÅna bÉsica principal, responsÉvel por quebrar as membranas do verme.

Se a resposta for alÄrgica, mastÑcitos, eosinÑfilos ou basÑfilos serÖo solicitados para a degranulaÜÖo de histamina, leucrotrienos e prostraglandinas

Produz anticorpos IgE por meio dos linfÑcitos B ativados pela IL-4.

de histamina, leucrotrienos e prostraglandinas  Produz anticorpos IgE por meio dos linfÑcitos B ativados pela

Arlindo Ugulino Netto – IMUNOLOGIA I – MEDICINA P3 – 2008.2

OBS: Como foi descrito anteriormente, essas duas respostas prÄ-citadas acontecem de forma polarizada, em que uma inibe a outra. Esse fato se faz verdade quanto a hipÑteses que defendem que: paÅses muito higiÇnicos, a resposta Th2 Ä mais exacerbada, aumentando a incidÇncia de asma nos mesmos, uma vez que a resposta Th1 Ä praticamente inibida pela carÇncia de microrganismos. OBSç: Esse fato tambÄm Ä observado em crianÜas super-protegidas: geralmente, crianÜas que nÖo tem muito contato com sujeira ou cepas microbiotas presentes nos locais mais comuns onde elas comumente brincam, tendem a desenvolver mais facilmente alergias, uma vez que a resposta Th1 permanece em estado basal e a resposta Th2, facilmente excitÉvel.

AtivaàÇo do MacrÅfago

Os macrÑfagos ativados sÖo as cÄlulas efetoras da imunidade celular que atuam na eliminaÜÖo dos microrganismos e outras fontes de antÅgenos. Os monÑcitos recrutados do sangue para os tecidos sÖo expostos a sinais emitidos pelas cÄlulas efetoras Th1 que estÖo respondendo aos antÅgenos nos tecidos. Essa interaÜÖo resulta em conversÖo dos monÑcitos em macrÑfagos ativados que sÖo capazes de matar microrganismos. A ativaÜÖo consiste de alteraÜáes quantitativas na expressÖo das vÉrias proteÅnas que conferem aos macrÑfagos a capacidade de executar algumas funÜáes que nÖo podem ser assumidas pelos monÑcitos em repouso. As cÄlulas Th1 CD4+ ativam os macrÑfagos por sinais mediados pelo contato liberados pela interaÜáes CD40-CD40L e pela citocina IFN-γ. Esta Ä a principal citocina ativadora de macrÑfagos. CD40L liga ao CD40 nos macrÑfagos que estÖo apresentando antÅgenos äs cÄlulas T e ativa. A necessidade das interaÜáes CD40- CD40L para a ativaÜÖo do macrÑfago assegura que os macrÑfagos que estÖo apresentando antÅgenos äs cÄlulas T sejam tambÄm os mais eficientemente ativados pelas cÄlulas T.

A ativaÜÖo dos macrÑfagos tem como

caracterÅsticas:

Aumento da motilidade celular;

Aumento da motilidade membranar;

Aumento das enzimas lisossomais;

Aumento da produÜÖo de NO e ROIS (intermediÉrios reativos do oxigÇnio), em um processo denominado de explosão respiratória;

Aumento da produÜÖo de citocinas;

Aumento da capacidade de apresentaÜÖo antigÇnica;

Aumento da capacidade fagocitica e

microbicida

 Aumento da capacidade fagocitica e microbicida DiferenciaàÇo Celular de LCD8+ em LTc Enquanto o LT

DiferenciaàÇo Celular de LCD8+ em LTc

Enquanto o LT CD4+ Ä efetivo a partir da estimulaÜÖo do macrÑfago, para que este mesmo, por si sÑ,

destrua o microrganismo, o LT CD8+ Ä o responsÉvel direto, por meio de sua efetividade, por destruir o microrganismo (inclusive a APC), por meio da liberaÜÖo de perfurinas e granzimas.

A diferenciaÜÖo entre as cÄlulas T CD8+ virgens em linfÑcitos T citotÑxicos funcionais requer o

conhecimento de peptÅdeos associados ä molÄculas de classe 1 do MHC (“sinal 1”) e de co-estimuladores e/ou

de citocinas (“sinal 2”). As cÄlulas T CD8+, como jÉ foi visto, amadurecem no timo, mas, quando saem do timo para entrar nos ÑrgÖos linfÑides perifÄricos, ainda nÖo estÖo completamente diferenciadas e sÖo incapazes de lisar cÄlulas alvo.O primeiro sinal para a ativaÜÖo das cÄlulas T CD8+ virgens Ä o reconhecimento de antÅgenos, que sempre sÖo peptÅdeos derivados de proteÅnas que foram degradadas no citosol associados a molÄculas de classe I. A natureza do segundo sinal se dÉ por meio das APCs profissionais, que podem entÖo fornecer co- estimulaÜÖo para as cÄlulas T pelas mesmas molÄculas B7 que co-estimulam as cÄlulas CD4+. Este processo Ä chamado de instruÇÉo cruzada e implica em que um tipo celular (as APCs) possa ativar (ou preparar) as cÄlulas T CD8+ virgens especÅficas para os antÅgenos de outras cÄlulas (como por exemplo, uma cÄlula infectada por vÅrus ou uma cÄlula tumoral). As cÄlulas T CD4+ auxiliares podem estimular ainda a diferenciaÜÖo das cÄlulas T CD8+ por diversos mecanismos. As cÄlulas T auxiliares podem secretar citocinas, tais como a IL-2, que estimulam a expansÖo

clonal e a diferenciaÜÖo das cÄlulas T CD8+. Alternativamente, as cÄlulas T auxiliares expressam CD40L, que se liga ao CD40 nas APCs para tornÉ-las mais eficientes na estimulaÜÖo da diferenciaÜÖo das cÄlulas T CD8+.

A ativaÜÖo das cÄlulas T CD8+ pelos antÅgenos e pelos segundos sinais induz a sua proliferaÜÖo e

diferenciaÜÖo em cÄlulas T efetoras capazes de funÇêes citotÄxicas. O aspecto mais especÅfico da

Ü Öo e diferenciaÜÖo em cÄlulas T efetoras capazes de funÇêes citotÄxicas . O aspecto mais