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Os Fascismos desconhecidos 1919-1945 1

O Fascismo: Dimensão

Essencial de uma epóca

“O que significa, em resumo, ser fascista? Que características tem esta atitude moral, política, economica, que no mundo inteiro se qualifica hoje de atitude fascista?, Que aspirações e que propósitos tem esses movimentos que o mundo conhece e, assinala como movimentos fascistas? Parece que essas perguntas podem hoje ser contestadas sem necessidade de dirigir-se exclusivamente a Itália e a Mussolini, senão captando uma dimensão essencial de nossa época, e da que, na realidade, é já consequencia e produto do Fascismo italiano mesmo” 2 . “O que é Fascismo, afinal? O nome que toma em nosso século a eterna necessidade humana. Viver ativamente, viver intensamente, isso hoje se chama Fascismo. Há 100 anos isso se chamava ser liberal; e a 50, ser socialista” 3 .

Notas Prévias

A bibliografia sobre o Fascismo é abundante, e novos títulos aparecem com regularidade. Para nós, a maior parte

dos livros escritos são basicamente deficientes. Insistindo em teses já tão superadas como as de Fascismo = Capitalismo + Ditadura, a loucura de Hitler, ou a culpabilidade do Eixo na eclosão da II Guerra Mundial, poucos livros aportam novas perspectivas, ou abrem novos campos de estudo. Com este livro sobre os “Fascismos Desconhecidos” 4 , pretendemos sair deste costume. Elegemos um tema que é muitas vezes marginalizados. Para muitos historiadores parece como se o Fascismo não existira fora da Alemanha e Itália. Além das fronteiras do Eixo só havía “quinta colunas”, um punhado, ademais, e, supostamente, a soldo das potencias fascistas. Nada mais fora da realidade. O Fascismo foi um movimento político importante em toda Europa entre 1919 e 1945; em maior ou menor

grau afetou a todos os países europeus. Quando se escreve sobre o Fascismo o que se escreve, e se disse o que se disse, podemos adotar 2 posturas ante tal fato: nega-lo, dizer que é mentira, expor nossa opinião contraria, geralmente, baseda em argumentos ideológicos, ou contornando aos ataques e críticas. Assim não se consegue nada pois cada um deve permanecer fiel a suas convicções ideológicas, e rejeitar os argumentos do outro.

A outra postura seria intentar demostrar, a base do injustificado de tais opiniões, a acumulação de provas no sentido

contrário, provas que procedam de diversas fontes. Isso é o que pretendemos fazer aqui. Não exporemos a ideologia do Fascismo, em geral, nem a dos movimentos fascistas “desconhecidos”, em particular. Não arguiremos contra as interpretações marxistas, freudianas, liberais, etc. Vamos a intentar demostrar, só com os fatos concretos, que estas são falsas. E que a história dos movimentos fascistas “desconhecidos” pode contribuir a aportar muita luz sobre a verdadeira natureza do Fascismo. Tampouco extrairemos as conclusões para redefinir o Fascismo a partir destes estudos. Isso é tarefa do leitor. Apesar do até agora foi dito, e para que se compreenda o sentido das páginas que seguem, vemo-nos na precisão de fazer varias anotações prévias. Em 1º lugar, está o problema da terminología. Para melhor estudar o fenômeno fascista convém que manejemos uma série de palavras que podem ser-nos de utilidade manifesta. Dado que o termo “Fascismo” não tem sido usado como um qualificativo, mas como “pedras” na luta política, produzindo uma total degradação do seu significado. Para ajudar novamente situá-lo em seus verdadeiros limites, convirá usar, como fez Nolte 5 , uma série de termos derivados, como Semi-Fascismo, Pseudo- Fascismo, ou Fascistização. Durante o Entreguerras 6 o qualificativo de “Fascista” se empregou massivamente. E não só dirigido aos autenticos fascistas. Para os stalinistas, por exemplo, os socialistas da II Internacional 7 eram “Social-fascistas”, e o qualificativo que se empregou, igualmente, para com Roosevelt 8 e para Stalin com seus chamamentos a “Guerra Patriótica” 9 e seu afastamento da teoría marxista. Deixando de lado o caráter anedótico de muitas destas acusações, constata-se que em geral se produz uma “Fascistização” da vida política, fundamentalmente no ámbito europeu: os regímes liberais se fazem autoritarios e intervencionistas enquanto que as ideologías marxistas se tornam ultranacionalistas, e significativos movimentos ideológicos 10 buscam uma nova síntese política que supere a Direitae a Esquerda. Mas são basicamente as forças da Extrema-Direita, isto é, da Direita não liberal, as que se fascistizam. Por que? Estas forças, e as fascistas, tem inimigos comuns, o Marxismo, e o Sistema Liberal. Mas isso não significa que ambas tenham idénticos fins: uns são reacionarios, e os outros, revolucionários.

O ideal que persegue a Extrema-Direita se parece mais ao “Ancién Régime” 11 que outra coisa enquanto que o

Fascismo é indiscutivelmente uma criação do século, e não comparte esses ideais reacionarios. Porisso, e acima da aparente “aliança” entre ambas forças, encontramos em toda Europa um enfrentamento entre os movimentos fascistas e as forças fascistizadas de Direita; este fato se dá em menor grau na América e Ásia. Por processo de “fascistização” entendemos a aproximação de forças que inicialmente não eram fascistas para estas posições políticas. Esta fascistização pode culminar numa integração plena do Fascismo, mas normalmente se limitava a adoção

1 Por Carlos Caballero. Do Centro de Estudos François Duprat. A inesquecível figura de François Duprat, assassinado em 18/03/1978.

2 In Ledesma, Ramiro. ¿Fascismo en España?, 1934, Madrid.

3 In Pierre Drieu la Rochelle, no diário “L´Emancipation nationale”, 1938, Paris.

4 Entendendo por tal todos, exceto o alemão e o italiano, profusamente estudados, e o espanhol, porque foi neste país que pudemos conhecer todos outros.

5 Referencia a Ernst Nolte. Sua principal obra foi “O Fascismo em sua época” (Nolte, Ernst. El Fascismo en su época. Ed. Península, Madrid: 1967). In

es.wikipedia.org/wiki/Ernst_Nolte.

6 Entreguerras é o período do Séc. XX que se estende do fim da I Guerra Mundial, em 11/11/1918, até o início da II Guerra Mundial, em 01/09/1939. O período

foi marcado pela Grande Depressão, associada a graves tensões sociais e políticas, culminando com a ascensão dos regimes totalitários Nalguns países europeus, o que neste período ocorreu também no resto do mundo. Estes graves problemas socioeconômicos e políticos foram as causas da II Guerra Mundial. Esse período entreguerras pôs fim à hegemonia do Capitalismo, quando o Socialismo foi posto em prática. In pt.wikipedia.org/wiki/Per%C3%ADodo_entreguerras.

7 In es.wikipedia.org/wiki/Segunda_Internacional.

8 Pelo seu “New Deal”. In es.wikipedia.org/wiki/New_Deal.

9 In es.wikipedia.org/wiki/Gran_Guerra_Patria.

10 Referencia a “Revolução Conservadora” alemã (pt.metapedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Conservadora), os “não-conformistas franceses”, etc.

de traços externos e dos temas de propaganda, sem compreender as motivações últimas do Fascismo, e inclusive,muitas vezes atuando de forma contrária a estas motivações. Por fenomenos “Parafascistas” entende-se todos os que guardam alguma relação de similaridade com o Fascismo autentico. Como foi dito acima, Stalin, ao tranformar a Revolução Soviética 12 em autentica Revolução Nacional Russa, e ao implantar uma ditadura férrea que acabou de fato com a Democracia de base dos Soviets, atuou igual ao Fascismo. E igualmente Roosevelt, com sua política intervencionista para sair da crise, se aproximou das soluções economicas a curto prazo que pedía o

Fascismo. Desde este ponto de vista se lhes pode qualificar de “parafascistas” mas preferimos reservar tal termo para o conjunto de idéias, movimentos, ou partidos que guardem similaridades com o Fascismo, compartindo elementos comuns, estando orientados na direção similar, etc. São Parafascismos, por exemplo, o Antissemitismo e o Racismo (que existiam antes e depois do Fascismo), o Anticomunismo, o Nacionalismo Revolucionario 13 , os Cesarismos 14 , os Populismos 15 , os Socialismos Nacionais Todas estas idéias ou movimentos tem um desenvolvimento paralelo e, portanto, não chegaram a confluir nunca plenamente com

o Fascismo, subsistindo, quase todos, ao afundamento fascista em 1945, e tendo orígens anteriores. O termo “Pseudofascismo” reserva-se para aqueles movimentos ou Governos que deliberadamente se fizeram

passar por Fascismos, justamente para impedir o desenvolvimento do autentico Fascismo. Por “Semifascismo” entende-se aqueles movimentos que por falta de algumas condições básicas não amadureceram plenamente no modelo fascista. “Filofascistas” são aquelas forças, geralmente parafascistas que simpatizam, mas não identificam plenamente, com os fenômenos fascistas. Convém também examinar outros conceitos nos quais não aparece o termo “Fascismo”: “Direita Nacional”, “Forças Nacionais”, “Oposição Nacional”, “Nacional-Revolucionarios”, e “Extrema-Direita”. Com a denominação de forças “nacionais”, geralmente se conceitua

o conjunto de forças antimarxistas e antiparlamentar. “Direita Nacional”, e “Oposição Nacional” expressam a mesma idéia. Já

“Nacional-Revolucionário” designa as forças de inspiração, “Nacional” mas com um claro componente revolucionário. Por definição todos os Fascismos são contrarrevolucionários, mas não todos os movimentos contrarrevolucionários são Fascismos.

Enquanto o termo “Extrema-Direita”, ou “Ultradireita”, só reservar-se aos elementos mais ativistas da “Direita Nacional”, que por seu radical antiparlamentarismo e sua atitude, as vezes muito crítica, sobre o Capitalismo, se assemelha mais ao Fascismo que os elementos mais moderados aos que cabe incluir na já vista “Direita Nacional”. Se nos vemos na situação de fazer todas estas precisões terminológicas é pela necessidade de distinguir no Entreguerras o que era e o que não era um autentico Fascismo. O período de 1919-45 está tão marcado pelo Fascismo, que houve muitos movimentos políticos, ou ideológicos que de uma forma ou outra o copiaram, assimilaram, se aproximaram dele. Nolte, autor de um reconhecido prestigio e muito pouco suspeito de Fascismo, já demonstrou até a saciedade o carácter, digamos “epocal”, do Fascismo: o Entreguerras é “a época do Fascismo”. O Fascismo é o fenômeno-eixo da época, e a fascistização dos demais movimentos políticos, uma realidade que se impõe. Precisamente foi Nolte um dos primeiros em propor um vocabulário mais exato a base de usar as palavras já citadas compostas com o termo original de “Fascismo”. Dado que Nolte já teorizou amplamente sobre este caráter “épocal”, e a ele nos remetemos, no nos cabr mais que analisar por que a “Extrema-Direita” se sentiu tão tentada pelo Fascismo. Especificamente, pelo “Modelo Itáliano” de Fascismo.E

é que apesar de suas origens mais a Esquerda que o “Modelo Alemão” 16 o Fascismo italiano teve uma “práxis” política muito mais

a Direita que o alemão. Ironicamente se pode dizer que o Fascismo Italiano não foi “fascista”, pelo menos, que o foi menos que o

alemão. Esta argumentação pode parecer ridícula mas já tem sido constatada por muitos estudiosos. Nolte assinala que o Nacional-Socialismo alemão se diferenciava do Fascismo italiano porque “sua ideología era bastante mais sólida, e seu carácter mais radical”; Nicos Pulantzas, em “Fascismo e Ditadura” 17 disse que “o Nazismo apresenta na realidade concreta os caracteres do Fascismo de modo mais cabal e definida que o Fascismo italiano” 18 . Em um seminario de especialistas dirigido por Stuart J. Woolf, e publicado no volume “La naturaleza del Fascismo” 19 , alguns dos citados especialistas se expressaram em termos similares. Para Kogan, “Alemanha se aproximou mais que Itália do modelo fascista”. Andreski nos expõe as razões disto, e comparando Alemanha e Itália comenta que “os nazistas se opuseram com muito maior força as antigas classes governantes”, e acrescenta que “o fracasso dos fascistas italianos contrasta com o éxito dos nazistas na doutrinação das massas”. Demonstrado este ponto pode-se compreender porque tantos elementos conservadores se sentiram inclinados favoravelmente ao Fascismo em sua manifestação italiana, e porque foram tão poucos os que admitiram o Nacional-Socialismo alemão. Já, os fascistas autênticos de todo o mundo saudaram no Nacional-Socialismo o seu melhor modelo. A atitude ante o Fascismo italiano e o Nacional-Socialismo se constitui assim num dos melhores critérios na hora de distinguir entre fascistas e fascistizados. Os conservadores não podiam sentir senão simpatia pelo Fascismo italiano, respeitoso da Coroa, e da Igreja, e que

tinha esmagado tão eficazmente ao Marxismo. Posteriormente, a polarização de toda a vida política em 2 campos, o do Antifascismo e o do Antimarxismo fez que muitos elementos de Extrema-Direita continuarem próximos ao Fascismo, mas não por identidade com ele, mas, como dizia Brasillach, por “anti-anti-Fascismo”. Daqui vem a tão estendida confusão entre 2 correntes políticas que no fundamental são muito distintas. Junto ao caráter “épocal” outro traço do Fascismo histórico é sua dimensão européia”. O Fascismo se circunscreveu, quase unicamente, a Europa. Produto de uma tradición política européia, e de uma crise européia, o Fascismo se deve definir “como fenômeno europeu” segundo Adriano Romualdi 20 .

12 In es.wikipedia.org/wiki/Revolução_rusa_de_1917.

13 In pt.metapedia.org/wiki/Nacionalismo_Revolucion%C3%A1rio.

14 Cesarismo (de Júlio César) é um conceito usado por vários autores para definir um sistema de Governo centrado na autoridade suprema de um chefe militar e

na crença em sua capacidade pessoal, à qual são atribuídos traços heróicos. Este líder, surgido em momentos de inflexão política, se apresenta como a alternativa

para regenerar a sociedade ou conjurar hipotéticos perigos internos e externos. Por isso, este tipo de governo costuma apresentar elementos de culto da personalidade. In pt.wikipedia.org/wiki/Cesarismo.

15 O termo Populismo é usado para designar um conjunto de práticas políticas que consiste no estabelecimento de uma relação direta entre as massas e o líder

carismático como um caudilho (pt.wikipedia.org/wiki/Caudilhismo), por exemplo) para se obter apoio popular, sem a intermediação de partidos políticos ou entidades de classe. In pt.wikipedia.org/wiki/Populismo.

16 Referencia ao Nacional-Socialismo.

17 In Poulantzas, Nicos. Fascismo e Ditadura. A Terceira Internacional face ao Fascismo. Editora Portucalense, 1972. 178 pp.

18 In Pulantzas, Nicos. Fascismo e ditadura. São Paulo: Martins Fontes, 1978; As classes sociais no capitalismo de hoje. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

19 In S. J. Woolf y outros. La naturaleza del Fascismo. Editorial Grijalbo, S.A., México (1974).

O Fascismo não é, nem muito menos explicável só por mimetismo, por influencia a partir do triunfo do Fascismo na

Itália em 1922. Romualdi assinala que antes da I Guerra Mundial “em relação ao plano cultural, enquanto que na Itália ainda não se movia nessa direção, na França e Alemanha havia avançado muito a crítica revolucionária desde posições nacionalistas da Democracia e os valores mercantis e igualitários”, e não hesita em dizer que “não se pode falar duma prioridade ideológica do Fascismo italiano e, no sentido estrito, tampouco pode falar-se duma prioridade cronológica”.

A data do nascimento do movimento hitleriano, ou do de Codreanu na Romênia, dão plena confirmação desta tese.

Segundo Romualdi, “Em 1919 a Europa era potencialmente fascista. Os que voltavam das trincheiras, nas quais por longos anos viveram submetidos ao fogo e a morte, não podiam voltar as miseráveis vivencias do comprar e vender duma sociedade mercantilista. A geração que voltava da Frente construirá uma 2ª existência edificada sobre os conceitos de disciplina e obediência, honra, responsabilidade e valentia”. Sobre este “húmus” se desenvolveu em toda Europa movimentos fascistas, que contava no capítulo de predecessores com uma ampla serie de ideólogos ou movimentos políticos que vinham buscando uma nova ética para viver e uma nova alternativa entre a Direita liberal-capitalista e a Esquerda marxista-comunista. O exemplo italiano atuou do modo detonante dum explosivo: foi o iniciador da “explosão”. Mas em todos os países europeus existiam já os elementos necessários para que esta se produzisse. Esta característica europeia do Fascismo é de fato reconhecida pelos especialistas mais prestigiosos. Já que temos vindo citando a Nolte, na obra deste autor, por exemplo, se demonstram as origens europeias não estritamente italianos do Fascismo, e se lhe circunscreve a geografia europeia: nenhum movimento fascista, não-europeu, é objeto de atenção em nenhuma de suas obras. Assim pois, há uma “época del Fascismo”, e o Fascismo é um “fenômeno europeu”. Outro traço deve ser adicionado a tempo para achar a área onde nasceu o Fascismo: o Fascismo é um fenômeno “da crise”. Não se trata, como alguns

autores extraordinariamente simplistas dizem, da crise de 1929, a crise econômica que fez cambalear ao sistema capitalista. É uma crise mais profunda, mais antiga, e que abarca outros campos. Michel Schneider escreve que “efetivamente o Fascismo não pode desenvolver fora dos períodos de crise. Uma sociedade não se volta para os fascistas só quando crê que chegou, aos últimos extremos”. Dado que “o Fascismo é uma solução heroica, ali onde não há ocasião para o heroísmo, desaparece”. Qual é esta crise? Nolte assinala-a diretamente: a crisis do sistema liberal, que ele analisa no mesmo livro, e previamente, junto aos movimentos fascistas que nós temos chamado “desconhecidos”. Ao fim da I Guerra Mundial, que significara, ou pelo menos assim parecia, o triunfo dos sistemas liberais contra os poderes absolutistas dos Impérios, paradoxalmente, o sistema liberal começa a ruir em todas partes. Primeiro é a Revolução Soviética, e todos os intentos revolucionarios nela inspirados que se realizam, com maior ou menor éxito, pelo resto da Europa. Depois, o triunfo do Fascismo na Itália. Pouco a pouco se vão instaurando ditaduras conservadoras: Primo de Rivera 21 , na Espanha; ditaduras na Bulgária; os

O triunfo do Nacional-Socialismo alemão marca o clímax. Depois, com a guerra, as potencias regidas

por sistemas liberais ruem-se rápidamente ante os embates das potencias fascistas No se pode explicar a origem desta crise só pelas dificuldades econômicas do 1929. Isso supõe esquecer dados óbvio da história do Fascismo. Sem pretender, assim, negar que a grande crise econômica de 1929 foi uma grande ajuda para os

movimentos fascistas: toda crise do sistema é utilizável pelas forças revolucionarias. A crise de 1929 favorecia tanto aos fascistas como aos comunistas, mas foram os primeiros os que a usaram mais adequadamente.

A crise, na realidade, afecta a Direita Liberal 22 , e a a Esquerda. Sem a manifesta crise interna da Esquerda na Itália e

Alemanha, por exemplo, jamais se houvera produzido a vitória do Fascismo. Esta crise da Esquerda provínha de sua incapacidade para fazer a Revolução nos anos imediatamente posteriores a Revolução Soviética, e da sua incapacidade para fazer frente a Crise Económica, após 1929. Se houvesse atuado revolucionariamente a Esquerda européia, as débeis forças dum Fascismo nascente nada poderiam fazer contra ela. Mas não o fez assim, e se, por exemplo, nota-se como na Itália o auge do Fascismo inicia não durante as jornadas revolucionarias da ocupação das fábricas pelos operários, como “Reação defensiva do Capital”, mas, precisamente, quando as ondas revolucionarias marxistas já tinham passado e se demostraram estéreis. Não se pode explicar o Fascismo pela “crise social” que supunha o “perigo vermelho”. Incontestavelmente, o “perigo vermelho” favorecia o desenvolvimento das forças do Fascismo, mas de igual modo, o “perigo fascista” favorecia o desenvolvimento das forças de Extrema-Esquerda que com a atração do antifascismo podiam ampliar tremendamente suas possibilidades de ação. Mas era lógico que a Esquerda no soube usar a “crise do sistema liberal” que fala Nolte pois, em definitivo, ela transformará numa das forças “do Sistema”. Não duvidemos que ante o “perigo fascista” a Esquerda mais radical não duvidou em aliar-se com as forças burguesas liberais, pondo em 1º lugar no seus programas não a Revolução Proletária, mas a “defesa das liberdades contra o Fascismo”. Como generalização, pode-se falar de 3 “ondas fascistas” contra o “Sistema liberal”. No começo dos anos 20, a crise é fundamentalmente social: graves tensões sociais, intentonas revolucionárias. O Fascismo chega ao Poder na Itália. No inicio dos anos 30, a crise tem uma motivação original econômica, o “crack” de 1929. O Fascismo chega ao Poder na Alemanha. E na 1ª parte dos anos 40 “a crise” está gerada pelas tensões internacionais e a guerra: o Fascismo chega ao Poder plenamente na Croácia, parcialmente na Eslováquia, temporalmente na Romênia, tardiamente na Hungria. Há uma serie muito ampla de interferências neste esquema geral motivada pelas concretas circunstancias nacionais de cada país, mas como hipótese de trabalho nos pode ser útil para entender a “época do Fascismo”.

países bálticos, Polonia

21 Referencia a Miguel Primo de Rivera. In es.wikipedia.org/wiki/Miguel_Primo_de_Rivera.

Livros Referencia Les Sept Couleurs

• Bertin, Francis. L´Europe de Hitler Ed. Libraire Francaise, 3 Tomos.

• Cadena, Ernesto. La ofensiva neofascista. Ed. Acervo.

• Carsten, Francis. La ascensión del Fascismo. Ed. Seix Barral.

• Codreanu, Corneliu. Guardia de Hierro, Ed. Ion Marjj.

• Correa, Félix. El Estado nuevo portugués. Ed. Heraldo, de Aragón.

• Costa Pinto, L.A. Nacionalismo y militarismo. Siglo XXI editores.

• Degrelle, León. Memorias de un fascista. Ed. Bau.

• Dierickx, Jos. Síntesis histórica del movimento flamenco. Ed. Were Di.

• Dioudonnat, Pierre. Je suis partout, 1930-44. Les maurrasiens devant la tentation fasciste. Ed. Table Ronde.

• Dimitroy, G. Escritos sobre el Fascismo. Ed. Akal.

• Duprat, Francois. Les campagnes de la Waffen SS. Ed. Les Sept Coulours, 2 Tomos.

• Etienne, Jean M. Le mouvement rexiste jusqu`en 1940. Presses de la Fondation de Sciences Politiques.

• De Felice, Renzo. Le interpretazioni del Fascismo. Ed. Laterza.

• Guchet, Yves. Georges Valois. Ed. Albatros.

• Hamilton, Alistair. La ilusión del Fascismo. Ed. Luis de Caralt.

• Etíenne, Jean M., Le mouvement rexiste jusqu`en 1940. Presses de la Fondation de Sciences Politiques.

• De Felice, Renzo. Le interpretazioni del Fascismo. Ed. Laterza.

• Guchet, Yves. Georges Valois. Ed. Albatros.

• Hamilton, Alistair. La ilusión del Fascismo, Ed. Luis de Caralt.

• Leeden, Michael A. L´Internazionale Fascista. Latan.

• Lespart, Michel. Oustachis. Ed. La Pensee Moderne.

• Littlejohn, David. Los Patriotas traidores. Ed. Luis de Caralt.

• Machefer, Philips. Ligues et fascismes en France, 1919-39. P.U.F.

• Mabire, Jean. Drieu parmi nous. Ed. La Table ronde.

• Mohler, Armin. Armin. La Direita francesa. Ed. Europa.

• Mutti, Kitartas. Il nazionalsocialismo ungharese. Ed. Di Ar.

• Neira, Hug, El Cesarismo populista. Ed. ZYX.

• Nolte, Ernst. El Fascismo, de Mussolini a Hitler. Ed. Plaza & Janés.

• Nolte, Ernst. El Fascismo en su época. Ed. Península.

• Nolte, Ernst. La crisis del sistema liberal y los movimentos fascistas. Ed. Península.

• Plocard d'Assac, Jacques. Doctrinas del Nacionalismo. Ed. Acervo.

• Rallo, Michelle. Dall Action Française ad Ordre Nouveau. Ed. Europa.

• Rallo, Michelle.Fascismo della Mitteleuropa. Ed. Europa.

• Rallo, Michelle. Quisling. Ed. Thule.

• Roumaldi. II Fascismo como fenômeno europeo. Ed. L´Itáliano.

• Sburlati, Carlo. Códreanu, el Capitán. Ed. Acervo.

• Schineider, Michel.Princípes de l´Action fasciste. Ed. CDPU.

• Serant, Paul. El destino de los vencidos. Ed. Luis de Caralt.

• Serant, Paul. Salazar el il suo tempo. Ed. Giovani Volpe.

• Serant, Paul. Le romanticisme fasciste. Ed. Fasquelle.

• Sima, Horia.Intervista sulla Guardia di ferro. Ed. Thule.

• Tarchi, Marco. Degrelle e il Rexismo. Ed. Giovani Volpe.

• Tarchi, Marco. Doriot e il Partito Populare Francese. Ed. Giovani Volpe.

• Viñas, David. El Fascismo en Latinoamerica.

• Varios autores. La Direita Europea. Luis de Caralt. (Eugen Weber, Hans Rogger, J.R. Jones, J. Stenger, A. Whiteside, S. Deak, M. Rintala).

• Varios autores. Il Fascismo in Europa. Laterza. (Stadler, Eros, Barbu, Andreski, Upton, Derry, Skidelsky, Martins).

• Gaucher, Roland. La oposición en la URSS. Luis de Caralt.

• Toynbee, Arnold. La Europa de Hitler. Ed. AHR. 2 Tomos.

• Wiskernan, Elisabeth. La Europa de los dictadores, 1919-45. Siglo XXI editores. Revistas

• Colecciones das revistas italianas neofascistas L´italiano, Alternativa, Dissenso com os artígos de Michelle Rallo, Marco Tarchi, Maurizio Cabona, etc.

• Coleção da revista neofascista francesa Defense de L´Occident. Interesse especial, aos números

extraordinarios

Antibolchevique, Le fascisme dans le monde y sobre todo Les fascismes inconnus (Duprat, Solchaga, Guiraud y Lynder L. Unstad).

• Coleção da revista francesa Revue d`Histoire du Fascisme, dirigida por François Duprat (artígos de Duprat, F. Solchaga, F. Massa, H. Mavrocordatis, Soffiers, R. Cazenave, H. Kinoshita).

• Revista francesa. Historia, Coleção “Hors serie' (números dedicados a “Colaboração' francesa).

• Revista espanhola. Historia 16, números soltos.

do Fascismo, dirigidos por François Duprat: La croisade

dedicados

a

historia

• Coleção do boletím CEDADE, editado pelo Círculo Espanhol de Amigos da Europa. Fontes Bibliográficas

das autoridades de Ocupação.

Atenção especial merece o problema do “Colaboracionismo” 23 sob a Ocupação Militar alemã durante a II Guerra Mundial,

em vários países europeus. Para iniciar, não

é plenamente assimilável o conceito de

“colaboracionista” como “fascista”. Houve,

e já se demonstrou, grupos fascistas que se integraram na “Resistencia”. Desde já, a generalidade dos movimentos fascistas optaram pela política de “Colaboração” 24 , mas mesmo que se admita-se que “Fascista = Colaborador”, não cabe admitir o contrário: “Colaborador = Fascista”.

A maior parte dos movimentos fascistas

desconhecidos não aparecem nos livros de Historia senão com a incomoda etiqueta de colaboracionistas, na II Guerra Mundial, ignorando assim sua existencia prévia, e suas raízes próprias, para ser catalogados

como “agentes a soldo do estrangeiro”. Este

é um dos mitos que combateremos neste

livro. A situação em que se acharam os movimentos fascistas ante o fato da ocupação militar variou muito com os casos. Na Croácia, o movimento fascista local chegou plenamente ao Poder, mesmo que as tropas alemãs não abandonaram o territorio, dadas as necessidades de combate contra a guerrilha comunista, o Governo teve uma

autoridade total em todas as funções que lhe são próprias. Na Hungría, quando finalmente

os fascistas tomaram o Poder, embora que a

guerra já está sendo travada no seu próprio território e, portanto, estava estabelecidos fortes contingente alemães lá, o Governo teve a autoridade reconhecida e própria. Não ocorreu assim no resto dos países ocupados. Na Dinamarca, onde o Rei e ol Governo não exilaram em Londres, não ocuparam os fascistas locais nenhum papel trascendente. Na Bélgica, onde o Governo que se exilou, mas o Rei permaneceu no país, os movimentos fascistas de Flandes e Valonia não viram os seus chefes reconhecidos como “führers” das respectivas regiões lingüisticas até 1944, na ofensiva das Ardenas, e isso a titulo só honorífico. Por outro lado, na Noruega e na Holanda, onde

tanto o Governo como os monarcas exilaram

ante a ocupação alemã, Quisling 25 primeiro,

na Noruega, e Mussert 26 depois, na Holanda,

foram reconhecidos como “führers” de seus povos, ostentando assim a chefatura “formal” do país, pois de fato o Poder era

23 In es.wikipedia.org/wiki/Colaboracionismo e in es.metapedia.org/wiki/Colaboracionismo.

24 De igual modo que os grupos liberais ou comunistas colaboram com os Aliados e a URSS, atuando a vezes como “Resistência”.

25 Vidkun Abraham Lauritz Jonssøn Quisling (18/07/1887-24/10/1945) foi um militar e político norueguês. Ocupou o cargo de Premier na Noruega ocupada pelos

nazista a partir de fev/1942 até o final da II Guerra Mundial. Frente a este estava o Governo norueguês. no exílio, reconhecido pelos Aliados e presidido por Johan

Nygaardsvold, que permanecia em Londres. Depois da Guerra foi julgado por alta traição e executado. In es.wikipedia.org/wiki/Quisling.

26 Anton Adriaan Mussert (11/05/1894-07/05/1946) foi um político holandês. Originário de Werkendam (Brabante Setentrional), fez carreira profissional como

engenheiro. Nos anos 1920, milita em varias organizações de Extrema-Direita, que reclamavam a união do Flandes aos Países Baixos. Foi um dos fundadores, em 1931, do NSB [Nationaal-Socialistische Beweging in Nederland (Movimento Nacional-Socialista dos Países Baixos)], de inspiração fascista e posteriormente nazista. Em nov/1936 se reúne com Adolf Hitler. Se converte em líder do Movimento em 1937. Após a invasão dos Países Baixos em maio/1940, propugna a aliança com os alemães e a abolição da Monarquia. Mussert espera que se tornar o cabeça dum Estado holandês independente, mas a administração do país é assumida pelo dirigente nazista austríaco Arthur Seyss-Inquart. Em 1941, o NSB é o único partido holandês autorizado pelo ocupante e colabora abertamente nas administrações civis e locais. Seus efetivos alcançarão então os 100 mil membros. Em set/1940, Mussert encarrega a missão a um membro do NSB, Henk Feldmeijer de formar uma unidade SS holandeses, (Nederlandsche SS). Em maio/1945, é preso por colaboração com o ocupante nazista. Foi fuzilado em 07/05/1946, em Haia. In es.wikipedia.org/wiki/Anton_Mussert.

Fatos similares ocorríam na França, e nos países bálticos. Os alemães, e disto os acusará amargamente Drieu la Rochelle 27 em 1944, não souberam transformar a II Guerra Mundial numa guerra ideológica e revolucionaria, e mantiveram os modos de ocupação militar nos termos da ocupação clássica, pouco favoráveis a incitar “aventuras revolucionárias”. E quando falamos alemães referimos a Wehrmacht, pois a SS se comprometeu em várias destas “aventuras revolucionárias”. Todas estas considerações devem ser lembradas na hora de julgar aos “colaboracionistas”, mas o fundamental é não esquecer que os “Fascismos colaboracionistas” não eram grupos de oportunistas, e que se limitaram, igualmente a seus inimigos políticos de cada país, a militar do lado que lhes era ideológicamente mais próximo; o rumo da guerra fez que a estes “colaboracionistas” fossem cobertos opróbios depois, mas houvesse sido distinto o final, os que foram sido submetidos ao escárnio seríam os “resistentes”. A divisão que temos feito em regiões geográficas dos Fascismos europeus é uma das que podem adotar-se, e não pretendemos que seja a melhor ou mais útil. Uma vez feita esta divisão, e para determinar a ordem de exposição seguimos um critério puramente circunstancial: descrever o movimento das agulhas do relógio e assim ficou a ordem: Escandinávia, Europa Oriental Báltica, Europa Oriental Central e Balcânica, Europa Alpina e Europa Ocidental. Consideramos fora da Europa a URSS não porque nela existam nacionalidades não-européias, mas porque após Revolução Soviética fica efetivamente isolada da Europa, conformando-se corno um mundo aparte, fechado em si mesmo. Ao estudar os Fascismos em cada nacionalidade respeitamos os Estados que existiram no início do Entreguerras. Como, por exemplo, Estonia, Letonia, e Lituania, hoje integradas na URSS, eram então Estados Nacionais independentes, e Eslováquia ou Croácia, que foram temporalmente independentes, eram então parte integrante de Tchecoslováquia e Iugoslávia respectivamente. Esperamos que este estudo sobre os “Fascismos desconhecidos” seja útil para uma comprenssão real do Fascismo. Dizer que o Fascismo só se deu na Itália ou Alemanha é uma evidente minimização, análoga a suster que os fascistas não eram mais que um “punhado de mercenários a soldo da burguesía” em vez de reconhecer que se tratou de amplos movimentos populares e de massas. A reconstrução da historia dos “Fascismos desconhecidos” entendemos que ajudará a recompor a verdadeira imagem do Fascismo como fenômeno global, hoje deformada por tudo o que se escreveu sobre o Fascismo italiano e ao Fascismo alemão. Empregamos, na redação, grande quantidade de citações de autores diversos. Pela autoridade reconhecida de grande número deles cremos que é a melhor forma de demostrar a correção de nossas afirmações, dado que, ademais, a maior parte deles se confessam antifascistas. Precisamente pelo grande número de citações implicadas desejamos numerá-las e fazer referencia a sua localização exata, pois resultaría muito incómodo. Na Figura 1, porém, vão resenhadas as fontes donde se extraíu as citações para que se possam realizar as verificações que se considerem oportunas.

Os Fascismos da Europa Oriental, Central e Balcanica

Esta ampla região deve ser dividida em varios subgrupos na hora de estudar seus movimentos fascistas. Por uma parte, os Estados multinacionais, Tchecoslováquia e Iugoslávia, em que pelo menos numa das nacionalidades, surgiu um Fascismo forte e que chegou ao Poder: Eslováquia e Croácia chegaram a independencia de mãos de políticos e de movimentos fascistas. O 2º subgrupo constitui a Europa Danubiana, com a Hungría e Romênia, onde se deram movimentos fascistas muito fortes, que, sem embargo, não chegaram ao Poder senão por breve tempo ou parcialmente e que dentro da historia do Fascismo destacaram por ser os Fascismos que contaram con mais base popular operária e camponesa, e por haver mantido uma luta aberta com a oligarquía, a qual, para frear seu ascenso, não duvidou em usar métodos plenamente “fascistas”. Tal como na região báltica há uma luta entre os Fascismos revolucionarios e a Extrema-Direita fascistizada, assim como contra os Regimens pseudofascistas. Finalmente, na Europa Balcánica, com a Bulgária, Grécia e Albania, o Fascismo não teve um desenvolvimento importante, diminuindo sua transcendencia na Política, de acordo com a ordem em que estão citados.

Tchecoslováquia

Poucos países merecíam como Tchecoslováquia, a denominação de “caldeirão geopolítico”. Aos 2 grupos étnicos que davam nome ao país, tchecos e eslovacos teria que acrescentar fortíssimas minorías alemãs, húngaras, polacas, ucranianas. Os conflitos entre nacionalidades explicam que por que não nasceu um “Fascismo tchecolovaco”, mas vários Fascismos “nacionais”. De todos eles, o mais antigo era o movimento fascista dos alemães sudetos. Já durante o Imperio Austro-Húngaro, os alemães dos Sudetos e da Boemia havíam destacado por seu Nacionalismo pangermanista 28 , e foi precisamente nos Sudetos onde nascería a denominação “nacionalsocialista”. Os operários alemães da zona, socialistas, estavam também muito impregnados de Nacionalismo, devido a concorrencia que para eles era a presença de mão de obra tcheca, mais barata. Nasceu assim a idéia de combinar seus postulados socialistas com outros nacionalistas, e em 1904, em Trautenau, Boemia, se fundoou o DAP 29 , o mesmo nome que depois elegeríam Drexler 30 e Harrer 31 para fundar seu partido. Um de seus dirigentes, Jung escreveu o livro “Der National-Sozialismus”. A maior parte dos temas próprios ao Fascismo alemão apareceram aquí, e nos orgãos de imprensa do Partido: o Antissemitismo, a oposição ao Capitalismo e ao Socialismo marxista. Em 1918 o DAP se reorganizou como, o NSDAP 32 , e atuou activamente entre a minoría alemã dos Sudetos, incorporados a Tchecoslováquia por virtude dos Tratados que punham fim a I Guerra Mundial. Havía, ademais uma porção importante de população alemã na mesma Boemia e também atuou um NSDB 33 . Ambos grupos dependíam, de fato, desde 1923,

27 In es.wikipedia.org/wiki/Drieu_La_Rochelle.

28 O pangermanismo (del grego pān -, todo, e Germania) é um movimento ideológico e político partidário da unificação de todos os povos de origem germânica

como é a Alemanha excetuando a Nação austríaca. In es.wikipedia.org/wiki/Pangermanismo.

29 Sigla de Deutsch Arbeiter Partei, em alemão; ou Partido Operário Alemão, em português.

30 In es.wikipedia.org/wiki/Anton_Drexler.

31 In es.wikipedia.org/wiki/Karl_Harrer.

32 Sigla, em alemão, de Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei; ou Partido Nacional Socialista Operário Alemão, em português.

1da direção do NSDAP em Munique, como acorreu com o movimento nacionalsocialista na Austria. Ambos grupos mantiveram uma política de defesa das minorías alemãs, continuamente, até que em 1933 o Governo tcheco, alarmado pela conquista do Poder por Hitler, e intentando frear a expansão de ambos grupos, os dissolveu. Entre a população tcheca, propriamente dita, o Fascismo nunca alcançará tal grau de importancia. A longa luta pela independencia, embora não havia dixado de criar um forte sentimento nacionalista, inclinou para Esquerda a massa da população tcheca, por outro lado, composta em sua maior parte por operários industriais. O 1º Fascismo tcheco surgiu inspirado no Modelo Itáliano, e com um alto componente anti-alemão. Em 1926 começou sua atuação o grupo “Comunidade Nacional Fascista” 34 dirigido pelo Gen Gajda 35 e o Dr. Cerwinka. Exigíam a represión dos autonomistas alemães, a expulsão dos alemães e os judeus dla economía tcheca, e boicotavam ativamente todo o alemão, atacando cines que projetavam películas alemãs, etc. Gajda ameaçou em 1926, com un golpe de Estado se os Sudetos participassem no Governo, e atacou a Beneš, por sua orientação maçonica, exigindo um “Estado forte”. O elemento mimético era tão grande que inclusive se usavam as camisas negras. Mas esta agitação fascista não pegou, e quando, o Comunismo, muito forte na vida tchecoslovaca em sus primeiros anos, perdeu aceleradamente sua influencia. Se em 1926 se chegou a pensar, seriamente, numa “marcha sobre Praga”, pelas autoridades, logo ficou claro que este perigo passará. Ficou, sem embargo, uma relativa fascistização da ala Direita do Partido Camponês, e de certos setores do Exército. Entre os eslovacos, a penetração do Fascismo estava chamada a ter mais influencia. Frente os tchecos, povo

industrial e livre-pensador, os eslovacos eram um povo camponês e religioso, onde a influencia dos sacerdotes se fazía notar. Para livrar aos eslovacos da influencia dos tchecos, que ademais eram majoritariamente protestantes, os sacerdotes católicos organizaram o SLS 36 , que se converteu no portavoz das aspirações nacionalistas, e autonomistas. “Nem Andrej Hlinka 37 (o fundador), nem seu sucessor Josef Tiso 38 eram fascistas. Podíam simpatizar com Mussolini, ou imitar algum de seus métodos, sem duvida, coincidíam con ele na crítica ao sistema democrático; mas do 1º podía resultar no máximo um Filofascismo, e do 2º se tratava duma comunidade paradóxica, por proceder de pontos de vista distintos: do Conservadorismo e do Fascismo. Só quando no sentimento básico conservador se destaca uma veemente vontade de transformação, só então pode falar-se de Fascismo. O Catolicismo pode ser pai do Fascismo, mas nunca pode ser ele mesmo fascista. Porrisso não há um Clérigo-Fascismo, mas, em todo caso um 'Pseudofascismo católico'”. Este longo e muito interessante paragráfo de Nolte deve ser retido na memoria pois, adiante ao estudar os Fascismos balcánicos, estas considerações sobre a Religião e Fascismo nos podem ser muito úteis. Mas no Nacionalismo eslovaco nem tudo ia a ser Clericalismo, e logo a influência do Fascismo se fará patente nele. Um dos dirigentes nacionalistas, Tuka 39 , tomou contato con os nacionalsocialistas alemães desde 1923. O Prof. Tuka ocupava o cargo de Secretário Geral do SLS, e era redator chefe de seu periódico, “Slowak”. Durante sua estadia em Viena, que durou até 1926, dirigirá o periódico “Correspondencia Eslovaca” 40 , nele que escrevería: “Itália nos mostra o caminho. Seu exemplo nos chama a ação. Nós,

os eslovacos, estamos também em pé

resolução, e a coragem do Fascismo”. Para seguir sua línha política logo contou com colaboradores importantes: Sano Mach 41 , Ferdinand Durcansky 42 , y Karol Murgaš 43 , que continuam representando a tendencia fascista quando Tuka, em 1929, é preso acusado de alta traição pelo Governo tcheco. Dois anos antes, o mesmo Governo havía proibido e dissolvido a milicia “Rodobrana” 44 , que usava a camisa negra e prestará juramento de fidelidade a seu chefe, o Prof. Tuka. As possibilidades destes movimentos fascistas, tchecos, alemães e eslovacos se viram deterioradas pela estabilização política do país a partir da metade dos anos 20. A “crise” necessária para que progredisse de novo se abrirá com a ascensão de Hitler ao Poder; ele comportou um aumento das atividades separatistas dos Sudetos, e a dissolução dos movimentos alemães. O enfrentamento entre Alemanha e, Tchecoslováquia que seguiu acabou liquidando a existencia do Estado tcheco, permitindo a reintegração no Reich dos Sudetos, e, a aquisição da independencia pelos eslovacos, enquanto que os fascistas tchecos, que nunca alcançaram demasiada importancia, não conseguiram sequer chegar ao Poder no Protectorado estabelecido pelos alemães sobre a Boemia-Morávia. Em out/1933 o Governo de Praga proibíu e dissolveu o Partido Nacional-Socialista dos Alemães Sudetos, assim como o uso da suástica e a camisa parda. Claro, isso não significa o fim da luta dos autonomistas, que se reorganizaram em sociedades deportivas, agrupações culturais, etc. Alguma destas, como a “Kameradschaftbund” estava mais inspirada nas idéias de Spann 45 , corporativista católico austríaco, que no Nacional-Socialismo. Precisamente, deste grupo saiu o chamado, em 1934 a “Frente Patriótica dos Alemães Sudetos”, dirigido por Konrad Heinlein 46 , e que exigía a autonomía para os alemães sudetos no marco de um Estado Federal. Progresivamente, as oposições do grupo foram se radicalizando, exigindo a integración no Reich

Os fascistas eslovacos estão inflamados pelo entusiasmo, animados pela intransigencia, a

alemão. Em 1935, como SPD 47 obteve 44 assentos no Parlamento de Praga. Conforme as autoridades tchecas aumentavam sua repressão sobre a minoría étnica, os laços que se estabelecíam com o Reich eram cada vez mais estreitos, e, na Alemanha os abundantes exilados se organizaram num grupo “paramilitar” disposto a intervenção, o “Corpo Franco dos Alemães Sudetos”. A realização do Anschluss 48 com a Austria encheu de esperanças aos seguidores de Heinlein e de temores ao Governo tcheco. Em 24/04/1938 o SPD solicitava una autonomía tão ampla que equivalía a independencia. Em 07/06/1938 esta

34 In es.metapedia.org/wiki/Comunidad_Nacional_Fascista_Checa.

35 O Gen Gajda foi expulso do Exército por suas opiniões políticas. In en.wikipedia.org/wiki/Radola_Gajda.

36 Slovenská Ľudová Strana, em eslovaco; ou Partido Popular Eslovaco, em português. In en.wikipedia.org/wiki/Slovak_People's_Party.

37 Referencia a Andrej Hlinka. In es.wikipedia.org/wiki/Andrej_Hlinka.

38 In es.wikipedia.org/wiki/Jozef_Tiso.

39 In es.wikipedia.org/wiki/Vojtech_Tuka.

40 Korešpondencia Slovenského, em eslovaco.

41 Referencia a Alexander Mach. In en.wikipedia.org/wiki/Alexander_Mach.

42 In en.wikipedia.org/wiki/Ferdinand_Ďurčanský.

43 In de.wikipedia.org/wiki/Karol_Murga%C5%A1.

44 Defesa da Pátria, em eslovaco. A Rodrobrana foi a organização paramilitar do SLS n inicio dos anos 20. Dissolvida pelas autoridades tchecoslovacas, voltou a

ressurgir durante a II Guerra Mundial como uma seção da nova Guarda de Hlinka. In es.wikipedia.org/wiki/Rodobrana.

45 Referencia a Othmar Spann. In en.wikipedia.org/wiki/Othmar_Spann.

46 In es.wikipedia.org/wiki/Konrad_Henlein.

47 Sudetendeutsche Partei, em alemão; ou Partido Alemão dos Sudetos, em português.

política foi refrendada pela população, que concedeu ao SPD 90% dos votos. Em 13/09/1938 se intentou conseguir, por meio de um putsch, estes objetivos. Com a bandeira da cruz gamada içada, Heinlein proclamou a anexão ao Reich, mas as autoridades tchecas decretaram a lei marcial, esmagaram a rebelião, e dissolveram o SPD; milhares de sudetos se exilaram no Reich, e o “Corpo Franco” se preparou a lançar-se ao assalto. A situação era quase de guerra, e a tensão internacional só pode ser solucionada por meio de uma Conferencia Internacional celebrada, com toda urgencia, em Munique.

O maçom e belicoso Pres. Beneš 49 , foi sustituido em Praga pelo filo-alemão Hacha 50 . Os sudetos se reintegraram ao

Reich, e se reformou a Constitução em sentido federal, reconhecendo as regiões da Boemia-Morávia, Eslováquia, e Rutenia 51 . Os

fascistas tchecos, por sua parte, havíam despertado de sua letargia com a crise política aberta pelo assunto dos sudetos. Havíam abandonado seu antigermanismo militante e buscavam um entendimento com o Reich nacionalsocialista. Após a queda de Beneš, se empreendeu uma experiência semitotalitária, criando um partido governamental, “União Nacional”. Beran 52 , chefe do Partido Camponês, e então chefe de Governo, solicitou a Gajda, líder da “Comunidade Nacional Fascista” 53 , que ingressase no citado partido governamental, ao que acedeu. Os extremistas não aceitaram e criaram um grupo de efemera vida, conhecido como ANO; no fim de 1938, se integraram também no bloco governamental, mas mantendo seu programa de “luta contra os judeus, o Marxismo, o Capitalismo, e a Democracia”. Um 3º grupo, de tendencia fascista, “Vlajka” 54 teve uma evolução similar a da “Comunidade Nacional Fascista”, passando duma posição nacionalista antialemã, a afirmação da vontade de colaborar com o Reich”, escreve Francis Bertin. Só Vlajka, que aspirava, segundo dizía, instaurar o Nacional-Socialismo entre os tchecos, não concordou em entrar no novo partido oficial e seus líderes foram presos.

O próximo golpe ao Estado tchecoslovaco viria dos nacionalistas eslovacos. Eslováquia proclamará sua autonomía

em 06/10 e Tuka fora posto em liberdade; a frente dos extremistas, Tuka começou a atuar para obter a independencia. Confiavam no apoio alemão, mas, a inicial admiração pelo Fascismo italiano, fora sustituida por idéntico sentimento pelo movimento e Regime de Hitler. Tuka e seu lugartenente Mach viajaram ao Reich para pedir apoio, enquanto se reforçava a agitação nacionalsocialista na Eslováquia, fundamentalmente, através da recém criada “Guarda de Hlinka” 55 . O Governo de Praga voltou a reagir violentamente: o Governo autonomo da Eslováquia, e o da Rutenia, foram dissolvidos; o Exército ocupou o país, enquanto a Guarda Hlinka tomava as armas e convocava a resistencia. Desesperadas chamadas de auxilio foram feitas ao Reich, enquanto que Tiso acudía a Berlim, e na sua volta proclamava a Independencia, em 15/03/1939. Os dirigentes tchecos, Hacha e

Chavalkovsky 56 , foram a Berlim, onde viram que o Governo de Reich não se dispunha a permitir o emprego da violencia contra os eslovacos, que se havíam posto sob sua proteção. Não lhes ficou outra opção a fim de devolver ao país a estabilidade política, senão solicitar que Boemia-Morávia passassem a ser um Protetorado do Reich. O Estado tchecoslovaco deixava de existir.

A nova Nação, Eslováquia, começou a ser dirigida pelo monsenhor Tiso. Mas os fascistas eslovacos ocuparam

parcelas importantes do Poder. Tuka foi Vice-premier do Governo, e Mach ocupou o cargo de Min. de Propaganda. A Guarda

Hlinka ficou sob controle dos fascistas, e esta organização, de carácter oficial e semi-militar educou a juventude eslovaca segundo os principios Políticos de Tuka. A Rodobrana foi reorganizada e posta como corpo de elite dentro da Guarda. A partir de 1940 a posição dos fascistas se reforçou, pois Tuka passou a ser Premier, e Mach ocupou o Minist. do Interior, e a chefatura da Guarda. Tiso, porém, continuou a frente do Estado, “e toda a breve historia da Eslováquia independente puede ser descrita como uma luta, que não se decidiu até o final entre a ala conservadora-moderada e a ala extremista fascista do Partido Popular”, escreve Ernst Nolte. Em honra a Tiso há que dizer que permaneceu fiel até o fim a aliança con o Reich; como a Croácia, que devía também sua Independencia a intervenção alemã, enquanto que os aliados europeus do Eixo mudaram ou intentavam mudar de campo, se manteve fiel a palavra dada. Mas as reformas sociais, as medidas antissemitas e inclusive a participação militar ao lado da Alemanha se deveram a Tuka, não a Tiso. Se este não pode ser tirado do Poder foi por que, como Hlinka, contava com o apoio da Igreja, e com um notavel prestigio entre as massas, que inclusive em 1947, quando foi executado, se amotinaram e protagonizaram sérios distúrbios.

O Fascismo tcheco, seguiu sem alcançar nenhum éxito com a instauração do Protetorado. Ao estabelecer o Governo

de Beran se demitirá e se abrirá uma nova crise política. Os fascistas lançaram uma campanha de agitação esperando aproveitar o “vazío de Poder” para intentar tomá-lo. Em 13/03, os dirigentes fascistas se reuniram para preparar um intento de putsch, enquanto militantes da “Comunidade Nacional Fascista” se manifestavam aclamando a Gajda, e membros da Vlajka visitavam a Hacha solicitando que se formasse um Governo contando com eles. Em 15/03, Gajda chegou a difundir comunicados anunciando que assumía o Poder, mas uma manifestação de apoio convocada reuniu só centenas de pessoas. Os grupos rivais, o ANO e Vlajka criaram então um “Comité Nacional Tcheco” (ANV), ao que se uniram os 2 partidos que se estabeleceram durante a experiencia semitotalitaria de Beran, o governamental “União Nacional” e o de oposição, o “Partido Nacional Trabalhador”. Convidaram Gajda a integrar-se nele, e lhe conferiram o cargo de Presidente do ANV, que, se dirigiu as autoridades alemãs afirmando estar disposto a uma política de colaboração sincera. Mas resultava evidente que tais forças não tínham nenhum respaldo popular, e era demencial encarregar-lhes a direção do país. Se confiou o Poder a Hacha, como Pres. do Estado, e a Beran, como chfe do Governo. Dissolveu o Parlamento e os partidos, inclusive os grupos fascistas, e continuou a experiencia semitotalitária, ainda neste tempo não se toleravam 2 partidos, mas só um: o “Narodni Sourecenstvi” (NS). Qualquer aparencia desta “União Nacional” com um partido fascista era pura coincidencia, apesar de que os debilitados e escassos movimentos fascistas deveriam incluir-se na nova organização. Mas junto a eles, se alinhavam desde maçons a social-demócratas, e os fascistas não podíam senão pressionar esperando obter alguns pontos de seu programa: eliminação da Maçonaría 57 , medidas antissemitas, etc. Para apoiar suas demandas recorreram a algumas mobilizações, e por exemplo, em Brunn, a capital dá Morávia, enfrentamentos de rua se produziram entre militantes do antiguo grupo de Gajda e membros da NS. Para reforçar suas

49 Referencia a Edvard Beneš. In es.wikipedia.org/wiki/Edvard_Beneš.

50 Referencia a Emil Hácha. In es.wikipedia.org/wiki/Emil_Hácha e in es.metapedia.org/wiki/Emil_Hácha.

51 Uma região ucraniana. In es.wikipedia.org/wiki/Rutenia.

52 Referencia a Rudolf Beran. In es.wikipedia.org/wiki/Rudolf_Beran.

53 In es.metapedia.org/wiki/Comunidad_Nacional_Fascista_Checa.

54 A Bandeira, em tcheco.

55 Hlinka que já morrerá, havendo-lhe sucedido Tiso. In es.wikipedia.org/wiki/Guardia_de_Hlinka.

56 Referencia a František Chvalkovský. In en.wikipedia.org/wiki/František_Chvalkovský.

possibilidades de ação criaram a “Associação para a Colaboração com os Alemães” e exigiram que um fascista fosse posto a frente do Minist. do Interior, o que não foi concedido por Hacha. Tão repetidos fracasaos fizeram que a “Comunidade Nacional Fascista”, que havía mantido sua coesão clandestinamente, acabasse dissolvendo-se. A Vlajka tornou-se relevante no Fascismo tcheco, intentando reagrupar aos dispersos seguidores de Gajda, e criando outro grupo a margen do NS para possibilitar sua ação:

o “Cesky Narodne Socialni Tabor Viajka” (CNSTV) 58 , que contou com uns 15 mil filiados e uma milicia, a “Garde Svatopluk”, e um sindicato, “Ceska Pracovni Fronta”. O velado apoio de certas autoridades alemãs impedía ao Governo tcheco do Protetorado dissolver estas organizações, mas certas intentonas “putschistas” trará duros golpes: nos últimos días de jul/1940, os dirigentes fascistas da Morávia intentaram uma “Marcha sobre Brunn” para tomar o Poder na região. A intentona fracassou, e igualmente ocorreu com um assalto dos membros da Vlajka a sede central do NS em Praga, em 09/08/1940, que resultou em 250 detenções. O Governo tcheco proibiu o uso da cruz gamada pelos cidadãos tchecos, e o uso de uniformes pelas milicias políticas. O Protetor alemão não apoiou a Vlajka, e esta perdeu rápidamente sua importancia, como igualmente ocorrerá antes com Gajda. Os alemães não intentavam exportar o Nacional-Socialismo aos povos limítrofes, e em especial, alguns deles, como lituanos, polacos e tchecos, não gozavam precisamente de suas simpatías, pois durante muito tempo havíam mantido sob seu Poder, a vezes tiránico, a minorías alemãs. Não é de estranhar, pois, que quando membros de Vlajka se apresentaram como voluntários para servir nas FFAA alemãs, contra o Comunismo, foram rejeitados. No fim, o “Colaboracionismo ativo” não será representado pelos grupos fascistas, apesar de que tentaram, mas por um germanófilo convencido, o Cel Moravec 59 , que sustinha que todas as épocas de esplendor dos tcheco, havíam coincidido con sua dependencia do Imperio Alemão. Foi Moravec, e não o Governo tcheco, que praticavam um “Colaboracionismo ativo”, o que mobilizou as massas tchecas a protestar pelo assassinato do Reichsprotektor Heydrich 60 , o que depurou o NS de elementos maçons e judeus, e o que organizou forças policíais auxiliares. Em 1942 Moravec tornou-se Min. de Propaganda no Gabinete tcheco, e continuou o processo de “fascistização” do Governo tcheco, mesmo que, este nunca pode ser considerado como um Governo fascista. Na Tchecoslováquia existiram varios Fascismos, representativos das diversas comunidades nacionais. Sudetos e eslovacos eram aliados frente ao inimigo comum tcheco, e de sua parte o Fascismo tcheco, que nunca representou uma verdadeira força, evolui de um feroz Nacionalismo, a uma Política aberta de colaboración con o Reich. Se o Fascismo sudeto é importante por suas orígens não chama tanto hoje nossa atenção, porque desde 1923 passou a depender da direção nacionalsocialista de Munique. Mais interesante resulta, porém, a trajetória do Fascismo eslovaco, que conseguiu tomar quase totalmente o Poder, e formou um Estado semifascista, na luta contra a influencia reacionária de Tiso.

Iugoslávia

Como a Tchecoslováquia, o Estado iugoslavo era multinacional, e surgirá após a I Guerra Mundial. Eslovenos, croatas e sérvios, eram as 3 etnias principais, mas havía igualmente bosnio-herzegovinos, albaneses, macedonios, húngaros, romenos, alemães “volksdeutsche” 61 e montenegrinos. Outra similaridade com o caso tchecoslovaco era que, de fato, a constitución do novo Estado se devía a ação de um grupo étnico, neste caso os sérvios, que mantínham uma posição dominante. Existíam fortes tendencias separatistas, contudo, nas restantes étnias, tendencias que o Governo central, nas mãos dos sérvios, não duvidava em reprimir severamente. Não existirá um Fascismo iugoslavo, mas vários Fascismos nacionais, mas só um deles, o croata, terá importancia. Entre os sérvios, o Fascismo sempre foi visto como representação de uma potência estrangeira aos interesses do seu país, Itália, e os intentos de imitação foram bastante tardíos, precisamente quando os nacionalistas croatas havíam adotado como ideología política o Fascismo, motivo pelo qual era ainda mais difícil que fosse adotado pelos sérvios. Apesar da sua oposição de princípio a Iugoslávia, os políticos croatas acudiram ao Parlamento de Belgrado. O forte Partido Camponês Croata 62 , dirigido por Radic 63 , tinha representação parlamentar e inclusive este chegou a participar nalgum Governo. Também acudía ao Parlamento o chamado “Partido do Direito Croata” 64 , que reivindicava a mais completa autonomía. Um dos deputados era Ante Pavelic 65 , que tinha já uma longa trajetória nacionalista. As provocações anti-croatas chegaram ao extremo de assassinar, em pleno Parlamento, a Radic (20/06/1928). Violentas manifestações de protesto se extenderam por toda Croácia e o Exército e a Policía reagiram com extrema dureza; o Rei Alexandre solucionou a aguda crise instaurando sua ditadura pessoal: o sistema liberal recebía um novo golpe. Todos estes fatos, por outra lado, provocaram um endurecimento da posição croata. Antes de morrer Radic sussurrará: “Nunca mais a Belgrado!”. Aquele se converteu num mandamento para os políticos croatas. Pavelic, que ocupava o importante cargo de Secretário Geral do Partido do Direito, decidiu que era o momento de passar a ação direta. Criou, no outono de 1928, a organização “Milicia Croata”, que realizou alguns atos “terroristas”. Mas foi o estabelecimento da ditadura real o que reforçou a determinação de Pavelic. “De modo simbólico Pavelic cria sua organização terrorista revolucionária croata um día após a proclamação da ditadura real a UHRO 66 , hoje mundialmente conhecida como

58 Campo Checo Nacional-Social de la Vlajka, em português.

59 In en.wikipedia.org/wiki/Emanuel_Moravec.

60 Referencia a Reinhard Tristan Eugen Heydrich. In es.metapedia.org/wiki/Reinhard_Heydrich.

61 Volksdeutsche é um termo histórico que surgiu no início do Séc. XX para descrever os alemães étnicos que viviam fora (ou mais precisamente, nasceram fora)

do Reich. Contrasta com o termo Reichsdeutsche ou alemães imperiais, os cidadãos alemães residentes na Alemanha. O termo também contrasta com o termo moderno Auslandsdeutsche (alemães no estrangeiro), que geralmente representa os cidadãos alemães residentes em outros países. In pt.wikipedia.org/wiki/Volksdeutsche.

62 In es.wikipedia.org/wiki/Partido_Camponês_Croata.

63 Referencia a Stjepan Radić. In es.wikipedia.org/wiki/Stjepan_Radić.

64 In es.wikipedia.org/wiki/Partido_Croata_por_los_Derechos.

65 Ante Pavelić (Bradina, Bósnia, 14/07/1889 - Madri, Espanha, 28/12/1959). Militar e político croata, líder e membro fundador do Movimento Revolucionário de

Insurreição Croata Ustaša (em croata, Levantarse) nos anos 30 do Séc. XX e mais adiante líder do Estado Independente de Croácia (NDH, do croata Nezavisna Država Hrvatska - In es.wikipedia.org/wiki/Estado_Independiente_de_Croácia). In es.wikipedia.org/wiki/Ante_Pavelić.

66 Sigla de Ustasa Hrvatska Revoluciarna Organicija; ou Ustaša (em português se pronunciaria Ustasha ou Ustashá) foi uma organização terrorista baseada no

Racismo religioso nacionalista croata, aliada do Nazismo e fundada em 1929 por Ante Pavelić. Surgiu depois do assassinato do líder croata Stjepan Radić no Parlamento de Belgrado. Se caracterizou pelo uso continuo da violência terrorista com crueldade extrema para alcançar seu fim último: a independência da Croácia e a formação dum Estado croata, baseando sua política na diferenciação racial e a supremacia étnica do povo croata, que se consideravam germânicos. A organização, como outras formações nacionalistas da época, se viu influenciada pelo Fascismo italiano. In es.wikipedia.org/wiki/Ustacha.

Ustacha”, escreve Bertin. Não faltará quem veja em Pavelic um aventureiro, um vulgar terrorista. Nada mais irreal. Pavelic, doutor em Direito, era um homem respeitoso da legalidade, mas seu puro Nacionalismo o forçou a adotar uma postura de força

para defender os direitos croata. “Não era um terrorista, mas uma vítima do terrorismo policial sérvios”, disse dele Michelle Rallo. “A 1ª vista não é óbvio que possa qualificar-se a 'Ustacha' como fascista, corresponde, sem dúvida, ao grupo de sociedades secretas terroristas e nacional-revolucionárias dos Balcãs, como a 'Mão Negra' sérvia, ou a VMRO 67 macedonia”, escreve Nolte. De fato, o grupo, o grupo Ustacha não estava ainda inclinado ao Fascismo. Organizada de um modo inteiramente militar 68 , a Ustacha buscou estabelecer contato con uma legendária formação, a VMRO, que lutava pela reunificação de todas as regiões macedonias, e se opunha, portanto, ao Governo de Belgrado. Fundada em 1893 a VMRO estava estruturada em toda Macedonia. Organização sólida, ramificada, diversificada, controlava o conjunto da população. Esta máquina de guerra, que tinha

a intenção de treinar na luta a uma população escravizada, possuía agentes de enlace, códigos secretos, imprensa clandestina, tribunal interno que sancionavam com rigor as traições ou debilidades”, segundo Nolte. A VMRO se enlaçou com os seguidores de Gömbös 69 na Hungría e também com grupos nacionalistas alemães, buscando apoio exterior. Após a Revolução de Outubro, o

então chefe da organização, Protigueroff, tentou orientá-la no sentido marxista, aproximando da III Internacional. Encontrou muita oposição no seio da organização e fora “executado”. Seu novo chefe, Mikailoff se sentía mais atraído pelo Fascismo de Mussolini

e a organização criou logo sólidos laços com os meios fascistas italianos, inclinando-se decididamente para essa ideología. Em 20/04/1929, em Sofia, Pavelic e Mikailoff firmaram um acordo de apoio mutuo. “A Ustacha caiu, ainda mais que a VMRO, na zona de influencia do clima histórico que já era fascista”, disse Nolte. Pavelic conseguiu, graças a Mikailoff, boas relações com as autoridades italianas, estabeleceu seu Quartel General em Bolonha e centros de treinamento para seus homens. Os croatas que seguíam a Pavelic começaram a sofrer uma evolução ideológica. Rejeitavam a Democracia, pois era a França republicana o país que apadrinhava a ditadura real do monarca sérvio Alexandre I, e se inclinavam paa o Fascismo, que não só não era incompativel con sua original postura nacionalista, mas também emprestava-lhes o seu apoio e simpatia, Pavelic é muito sensivel ao carisma de Mussolini, “cuja personalidade lhe fascinava”, disse Lespart. Pavelic, condenado a morte pelo Regime de Belgrado, decide lançar-se a um assalto frontal ao Estado. Em 1932 se

produzem movimentos insurreicionais, com a criação de guerrilhas, na região dálmata; o mesmo Pavelic, participa na luta, na que finalmente são derrotados pelas FFAA. Desde 1933 a Ustacha conta com um novo aliado: Alemanha. A “Oficina Rosenberg” que dirige as relações do NSDAP com partidos afins, apoia a Pavelic, que cria na Alemanha uma editora e um periódico. Em 1934 os “ustachis” fazem o atentado que lhes fará mundialmente famosos. O Rei Alexandre fora

a França para pedir mais apoio para sua cambaleante ditadura e em Marselha seria recebido pelo Min. de Assuntos Exteriores

francês. Um macedonio “emprestado” pela VMRO, e um grupo de croatas, atentaram contra ambos, matando-os. O nome da Ustacha, assim como o de Pavelic, saltou as primeiras paginas dos jornais. A consequencia das repercusões internacionais do fato, tanto os italianos, como os alemães, tiveram que moderar e dissimular seu apoio aos homens de Pavelic. Mais grave, porém, foi que o atentado ocasionou os resultados políticos que se esperavam. Se pensava que com a morte do Rei-ditador sería possivel desencadear uma ampla revolta na Iugoslávia, que conduziriz a tão ansiada Independencia. Mas isto não ocorreu. Palevic se deu conta que a falha estava em que a Ustacha não contava com redes o suficientemente amplas no interior de Croácia; faltos deste aparato político, não podíam conseguir um movimento inssurreccional massivo da população croata. Para subsanar esta falta, Pavelic se pôs em contacto com as organizações operárias croata e sobretudo com o clero croata, que como eslovaco, era fortemente nacionalista. Na Sérvia, porém, havíam começado a aparecer brotos fascistas. O Fascismo italiano não influiu em nada, mas os éxitos de Hitler na Alemanha despertaram muito mais interesse e em 1933, após a ocupación da Cancelaría por Hitler “se publicaram informes entusiastas sobre a 'Revolução Nacional' em toda a imprensa iugoslava”, escreve Nolte. Vale ressaltar que estes início de fascistização sérvia se diretamente nas mesmas esferas governamentais iugoslavas. A Política nacionalista de Hitler, impondo a “gleichschaltung” 70 aos “Lander” autonomos, não podíam senão motivar a mais viva admiração, e as esperanças de poder aplicar um día esta Política ao conjunto de regiões “iugoslavas”. As organizações sérvias nacionalistas começaram a mostrar interesse por uma posição fascista; assim se revela, por exemplo, na trajetória do grupo “Jugonslavenskaja Akcija”, que editava “Novi Pul”, e propugnava um Regime corporativo- autoritário. Segundo Bertin, o grupo chegou “a simples cópia do programa do NSDAP”. Mas desapareceu em 1934 para integrar ao “Zbor” 71 , grupo que pretendía aglutinar as correntes nacionalistas pró-fascistas sérvias, e que se assemelhava mais aos modelos húngaros e romeno de Fascismo, por isso alguns autores, em vez de político, o apresentam como “seita “místico-politica”.

Significativamente, seu líder era um ex-ministro sérvios, Dimitrije Ljotić 72 . O Zbor fez contatos com o NSDAP alemão, mas as autoridades iugoslavas obrigaram a interrumpe-los. Em jun/1935 subiu ao Poder um novo Pres. do Conselho de Governo, Stojadinović 73 ; o novo governante não padecía da “francofilia” 74 de seus antecessores, e ao contrário tinha uma atitude muito favorávele para o meandro dos regimes fascistas, com os quais intentou uma aproximação diplomática. Isto unido a que o Partido Camponês, dirigido agora por Maček 75 , havía voltado ao Parlamento iugoslavo, limitou muito as possibilidades políticas da Ustacha. Em 1939 o regente Paulo aceitou as propostas autonomistas do Partido Camponês e em 25/03/1941 a Iugoslávia aderiu ao “Pacto Tripartide” 76 . Os sonhos de Pavelic parecíam esfumar-se. Menos de 24 horas depois da assinatura pelos representantes iugoslavos, todo mudou de imediato. Um

67

es.wikipedia.org/wiki/Organización_Interna_Revolucionaria_de_Macedônia.

68 “La Ustacha não foi nunca uma organização política do tipo de um partido. Foi uma organização militar”, dizia Pavelic em 1950.

69 Referencia a Vitéz jákfai Gömbös Gyul ou Gyula Gömbös. In es.wikipedia.org/wiki/Gyula_Gömbös.

70 Unificação, em alemão.

71 In en.wikipedia.org/wiki/Zbor.

72 Dimitrije Ljotić (Belgrado 12/08/1891-Ajdovščina 03/04/1945 ), político sérvios, membro do Partido Radical, mais tarde ministro durante a ditadura do Rei

Alexandre I da Iugoslávia e logo fundador e dirigente da formação fascista Movimento Nacional Iugoslavo “Concentração” (conhecido como Zbor), principal

força colaboracionista sérvia com o Eixo durante a II Guerra Mundial. In es.wikipedia.org/wiki/Dimitrije_Ljotić.

73 Referencia a Milan Stojadinović. In es.wikipedia.org/wiki/Milan_Stojadinović.

74 In es.wikipedia.org/wiki/Francofilia.

75 Referencia a Vladko Maček. In es.wikipedia.org/wiki/Vladko_Maček.

In

Vnatrešnata

Makedonska

Revolucionerna

Organizacija,

em

macedônio

(Organização

Revolucionária

Interior

Macedônia).

grupo de militares chauvinistas sérvios, dirigidos pelo Cel Donovan 77 , deu um golpe de Estado, depôs o Regente e juntou a Iugoslávia aos Aliado. Em represalia por tal traição, em 06/041941 tropas alemãs e italianas invadíam o país. Junto aos Panzer alemães entraram en Zagreb colunas de milicianos ustachis que acompanhaavm as tropas libetadoras. Em 10/04/1939 o Comite Revolucionario Ustacha declara a Independencia. Quem ocupará o Poder no novo Estado? Sem dúvida, o Partido Camponês de Maček é a organização de massas por excelencia entre a população croata. Mas Pavelic reage com rapidez e encarrega-se de todas as molas do Poder. “O Estado foi concebido E construido desde o principio como Estado-Ustacha”, escreveu Nolte. Isto envolveu desde o início que o Estado não contará com o apoio massivo de todo o povo, parte do qual permaneceu fiel a Maček, enquanto que os elementos comunistas manifestaram, desde o 1º momento, sua oposição. Durante os primeiros meses estas tensões não se explicitaram violentamente. O novo Regime passou a fazer importantes obras políticas. Lespart conta que “se realizam importantes reformas: reforma agrária,

incluindo a repartição dos latifundios, nacionalizações industriais, reforma escolar, restauração, do Parlamento croata e criação do Exército Nacional”. Ciano 78 , por sua parte, nos deixou em seu famoso “Diário” uma anotação segundo o qual o “Poglavnik” 79 era muito radical em materia social, mostrando-se partidario da entrega das terras aos camponeses, e da “corporação proprietária”, conceito com que se designava no Corporativismo italiano as empresas que eram propiedade dos trabalhadores. O novo Estado se organizou mais sobre o Modelo Alemán que sobre o Modelo Itáliano. A admiração inicial pela Itália, havía seguido um interesse ainda maior pelo Nacional-Socialismo. Nolte chega a disser, por exemplo, que a concepção do Estado de Pavelic “não era muito distinta da das SS”. No plano internacional, a nova Nação independente aderirá ao “Pacto Tripartide” 80 , e participará na “Cruzada contra o Bolchevismo”, destacando pequenos contingentes para a campanha da Russia. Quando começam a produzir-se as derrotas do Eixo, començaram também as dificuldades do jovem Estado. Para começar, devía fazer frente a verdadeira guerra civil que havía eclodido, movida pelos partisans comunistas 81 e os guerrilleros nacionalistas sérvios 82 . A guerra alcançará nos Balcãs uma crueza superior a todo o imaginavel. Os seguidores de Maček, por sua vez, não apoiaram o novo Regime, baseado exclusivamente sobre o movimento Ustacha. E Pavelic se viu desacreditado entre os mesmos meios nacionalistas por ter que permitir o estabelecimento dum Protetorado italiano sobre a costa dálmata. Na Sérvia, paralelamente, se constituirá um Conselho de Comissários, dispostos a dirigir e administrar o país, reduzido a suas mais pequenas dimensões. Era presidido pelo Gen Nedić 83 , figura semelhante a de Pétain, já que dizía apoiar “Nova Ordem” européia, mas apoiava, igualmente, secretamente, aos guerrilheiros “chetniks” 84 . Ljotic e seus seguidores do Zbor ocuparam alguns cargos no Governo e a Administração, mas eram demasiado débeis para intentar ocupar o Poder. Mais tarde, para lutar contra a guerrilha titista, Ljotic criaría milicias armadas. Iugoslávia mostra um evidente paralelismo com a Tchecoslováquia. A principal “nacionalidade oprimida”, no caso iugoslavo, os croatas, no caso tchecoslovaco os eslovacos, é a que desenvolve um movimento fascista mais importante e que consegue alcançar o Poder em consequencia da crise na estrutura estatal, provocadas pela evolução Política Internacional. Paralelamente, entre tchecos e sérvios se desenvolve um intento de Fascismo-unitarista e centralista, que não chegará a alcançar importancia decisiva. A diferença entre Croácia e Eslováquia é que enquanto no caso da 1ª o movimento fascista Ustacha assume

o controle do Estado, e o dirige plenamente, na Eslováquia os setores do Partido Popular devem compartilhar seu poder con o

conservador Tiso. E a similaridade entre ambas nações é o processo evolutivo que conduz ao movimento nacionalista, inicialmente de inspiração católica 85 , a aproxima-se 1º do Fascismo italiano, e mais adiante ao Nacional-Socialismo alemão. Croácia e, Eslováquia, por, outra parte, foram s únicos Estados europeus, aliados do Reich cujos Governos não intentaram (em 1943-44) romper sua aliança e passar para lado dos Aliados.

Hungria

Para a Esquerda, a Hungría foi, entre 1919 e 1945, uma Nação “fascista”, anterior inclusive a Itália. A “razão” desta insensatez está no fato de que desde a 1ª data Hungría foi governada por um Regime anticomunista, surgido da Contrarrevolução que acabou com o Governo comunista de Béla Kun 86 . Hungría estava entre os perdedores da I Guerra Mundial. O Tratado de Trianon 87 , com o qual se firmará a paz,

impôs ao país terriveis mutilações territoriais, e a pérdida da maioría da população. O trauma nacional foi de tal envergadura que as bandeiras tremulavam permanentemente a meio pau, em espera do día em que se conseguisse reunificar os territorios perdidos.

O Nacionalismo irredentista 88 que se derivava desta situação contribuiu, como caldo de cultivo, ao auge do Fascismo. Igualmente,

foi uma ajuda para o desenvolvimento deste a tremenda importancia do “problema judeu”. Os judeus formavam uma grande parte da população de Budapeste, e das cidades, e eram majoritários nos bancos, o comercio, e as profissões liberais. Quanto ao anticomunismo, este era um sentimento massivo no país, como consequencia da breve, mas brutal experiencia bolchevique de Béla Kun, da qual disse o antifascista Itzvan Deak 89 que: “destruiu o pouco entusiasmo do país a um Regime esquerdista”.

77 William Joseph Donovan foi um veterano da I Guerra Mundial, advogado e oficial de Inteligencia estadunidense. É recordado como “o pai da Inteligencia

estadunidense” por ser o criador da OSS durante a II Guerra Mundial. In es.wikipedia.org/wiki/William_Joseph_Donovan.

78 Referencia a Galeazzo Ciano. In es.wikipedia.org/wiki/Galeazzo_Ciano.

79 Caudilho, nome como se denominava a Pavelic.

80 In es.wikipedia.org/wiki/Pacto_Tripartito.

81 In es.wikipedia.org/wiki/Partisanos_yugoslavos.

82 Referencia al Chetniks. In es.wikipedia.org/wiki/Chetniks.

83 Milan Nedić foi um general e político sérvio, chefe do Estado-Maior do Exército iugoslavo, Min. da Guerra do Governo do Reino da Iugoslávia e Premier do

Governo de Salvação Nacional estabelecido pelos nazistas na Sérvia durante a II Guerra Mundial. Depois da guerra, foi preso pelas autoridades da Iugoslávia comunista, período durante o qual se suicidou em 1946. In es.wikipedia.org/wiki/Milan_Nedić.

84 In es.wikipedia.org/wiki/Chetniks.

85 In es.wikipedia.org/wiki/Nacionalcatolicismo.

86 In es.wikipedia.org/wiki/Béla_Kun.

87 In es.wikipedia.org/wiki/Tratado_de_Trianon.

88 Veja a Grande Hungria. In es.wikipedia.org/wiki/Gran_Hungría.

89 In en.wikipedia.org/wiki/István_Deák.

O Irredentismo 90 , o Antissemitismo, e o Anticomunismo, que devíam de haver sido os elementos que propriciaram

diretamente o auge fascista, não o foram na realidade, pois todos estes temas eram assumidos também por outras formações

políticas húngaras de Extrema-Direita. A agoniante situação do campesinato, e a ausencia de uma Esquerda eficaz e capaz foram, porém, os elementos dos quais se valeu o Fascismo húngaro para atuar políticamente. O Fascismo húngaro tem sido definido frequentemente como “Fascismo de Esquerdas”, precisamente por este fato.

O estudo do Fascismo húngaro deve começar analizando a origem e desenvolvimento do Regime de Horthy 91 , que

tantas vezes tem sido chamado fascista, sem ser, em absoluto. Continuar con o estudo da Extrema-Direita fascistizante, surgida do Nacionalismo mais intransigente. E acabar com a análise dos movimentos autentico e específicamente fascistas, confrontados diretamente com o Regime do Alte Horthy. Além do aparelho estatal de Horthy, também se fala da existencia de um “Fascismo de Direita” na Hungría, agrupado em várias organizações, e que no periodo de Gömbös e Imredy chegaram efetivamente ao Poder. De fato, nem Gömbös nem Imredy 92 romperam com o sistema parlamentar, nem acabaram com os partidos, e se trataram implantar algo foi sua ditadura pessoal, tomando emprestados elementos fascistas. Enquanto uma série de pequenos grupos “fascistas de Direita nenhum deles teve um desenvolvimento importante e sempre estiveram “na órbita” de Imredy. “De 1919 a 1944 a Hungría foi sempre uma Nación direitista. Nascida de uma herencia contrarrevolucionaria, seus Governos apoiaram uma Política de “Nacionalismo

cristão” exaltaram a fé, o heroísmo, e a unidad, desapreciaram a Revolução Francesa, e as ideologías socialistas e liberais do Séc. XIX. Estes Governos viram na Hungría um baluarte contra o Bolchevismo, e seus instrumentos, o Socialismo, o Cosmopolitismo,

e a Francomaçonaria”, escreve Deak.

A origem deste Regime estava na lucha contra a Revolução. Em 1918, os Habsburgos havíam sido depostos. Se

formou um Governo liberal, presidido por Karolyi, que proclamou a República, e que veio a interpretar o papel de “Kerensky” húngaro, já que foi rápidamente substituido pelo Gabinete social-comunista 93 de Béla Kun. “Seus métodos de Governo, doutrinários e terroristas, lograram converter a grande maioría de húngaros em anticomunistas decididos”, escreveu Carsten.

Durante este periodo de “Terror Vermelho” 94 , os elementos anticomunistas havían criado diversos comités; um deles, dirigido por Bethlen, atuava entre os exilados em Viena, enquanto que em Szeged, cidade protegida por tropas francesas, o Alte Horthy criará outro. Mas, quem acabou com o Governo comunista não foram nem um nem outro, mas o Exército romeno, comissionado para tal missão pela “Pequena Entente”. Horthy, político hábil e manipulador, soube tomar o Poder, apesar de que o campo contrarrevolucionario estava dividido em numerosas facções e tendencias, unidas ocasionalmente para o enfrentamento contra a Esquerda. Ao Terror Vermelho seguiu o “Terror Branco” 95 , que aniquilou a força da Esquerda húngara por muitos anos. Os contrarrevolucionarios conservadores se agrupavam em torno a Bethlen 96 , e a Teleki 97 . Os contrarrevolucionarios extremistas tinham por chefe mais destacado ao Gen Gömbös. A ambos grupos lhes unían os principios “Nacional-Cristãos” opostos ao “Ateísmo” e “Internacionalismo” marxista; lhes unía seu odio ao Comunismo e ao Socialismo, sua desconfiança sobre

a Democracia, o Pacifismo, o Antimilitarismo, assim como uma atitude de rejeição, mais ou menos radical, frente aos judeus. Mas

lhes diferenciava o modelo político que propunham, já que, como disse J. Eros: “Os conservadores queríam defender o Regime mediante uma legislación drástica, uma firme policía, e eficientes burocratas, em vez de amotinadres, uniformizados ou não, que lhes havíam ajudado a suprimir a socialistas e demócratas”. Os conservadores estão dispostos a votar ao Parlamentarismo, e ao Regime liberal, e de fato, como sublinha igualmente Eros: “O Regime de Horthy começou e funcionou até seu término como um sistema pluralista de grupos competidores, e de organizações que formavam uma inquieta coalizão”. Apesar disto, existíam traços análogos ao Fascismo, desde do fervente anticomunismo até a existencia de um partido governamental (que conseguía sempre a maioría parlamentar), desde do poder carismático de Horthy aos tons antissemitas. “Hungría podía considerar-se como o modelo

de um Estado corporativo autoritario”, disse Nolte, acrescentando que: “Se pode levantar a questão de até que ponto era possível, numa estrutura tão firmemente travada, qualquer forma de tendencia fascista”. A 1ª fase do Regime de Horthy foi marcada pelo predominio dos contrarrevolucionarios extremistas, que se esforçavam em liquidar os restos do Regime comunista. Em jan/1919, com Karolyi 98 no Poder, o Gen Gömbös criou a “MOVE” 99 proibida pelo Governo pouco depois, e reorganizada por Szeged. Gömbös animou também a criação de varias sociedades secretas,

e a federação de todas estas numa organização aglutinadora. Gömbös, por outra parte, uniu com os círculos nacionalistas e

“volkische” de Viena e Munique, e seu grupo, também conhecido como “Despertar de Hungría” enviou delegações a Itália, já desde 1921. Em todos estes países se lutava então contra o Comunismo, e era lógica uma solidaridade e apoio entre os que mantínham uma luta comum. Varios destacados ativistas alemães, perseguidos por assassinatos de esquerdistas, se refugiaram na

Hungría, protegidos por Gömbös. Gömbös era então um importante colaborador de Horthy. Seus “comandos” de oficiais, apoiados por civis anticomunistas, arrasaram toda posição de Equerdas, e conseguiram a maioría parlamentar para Horthy, mediante os métodos que podem supor-se. Uma vez firmada sua posição, Horthy deixou de apoiar-se em Gömbös, mas este manteve seu controle sobre várias organizações parlamentares e sociedades secretas, que chegado o momento lhe serviram de

90 Irredentismo (do italiano irredentismo, de irredento, não liberado) é um movimento político italiano, posterior a 1870, criado para reivindicar as terras “não

resgatadas” (Itália irredenta) da Áustria-Hungria (Trentino, Istria, Dalmácia), e mais tarde, por extensão, de todos os territórios que se consideravam italianos. Hoje em dia, diz-se especialmente do movimento pelo qual uma Nação pretende anexar um território por motivos históricos, culturais, linguísticos ou étnicos. In

es.wikipedia.org/wiki/Irredentismo.

91 Referencia ao Alte Miklós Horthy de Nagybánya. In es.wikipedia.org/wiki/Miklós_Horthy.

92 Referencia a Vitéz Béla Imrédy de Ómoravicza. In es.wikipedia.org/wiki/Béla_Imrédy.

93 Referencia a República Soviética Húngara. É o nome que se deu ao período em que a Hungria foi governada pela união do Partido Social-Democrata com o PC,

que se iniciou em 21/03/1919 e que terminou em 04/08/1919. In es.wikipedia.org/wiki/República_Soviética_de_Hungría.

94 Referencia a uma serie de atrocidades cometidas em 1919 na República Soviética Húngara.

95 O Terror Branco na Hungria foi um período de 2 anos (1919-1921) de violenta repressão contrarrevolucionaria por parte de bandos reacionários que intentavam

apagar todo vestígio da breve República Comunista. O nº de vítimas e sua composição social, religiosa ou nacional desta fase da Contrarrevolução húngara não se conhece com certeza. In pt.wikipedia.org/wiki/Terror_Branco_(Hungria).

96

Referencia ao Conde Bethlen István. In es.wikipedia.org/wiki/Esteban_Bethlen.

97

Referencia ao Conde Teleki Pál de Szék. In es.wikipedia.org/wiki/Pál_Teleki.

98

Referencia ao Conde Mihály Károlyi de Nagykároly. In es.wikipedia.org/wiki/Mihály_Károlyi.

99

Em

húngaro:

Magyar Országos Véderő Egylet; ou Associação de Defesa Nacional Húngara, em português. In

es.wikipedia.org/wiki/Asociación_para_la_Defensa_Nacional_Húngara.

apoio político para tomar o Poder. Os gabinetes de Teleki, e sobretudo o de Bethlen, conseguiram acabar com o predominio dos ativistas, dos “comandos de oficiais” e das sociedades secretas, restaurando o predominio do Estado e do Governo. Os ativistas que havíam erradicado o perigo comunista, logo se viram marginalizdos, e relegados. Os seguidores de Gömbös, e ele mesmo, não hesitaram em apoiar no princípio a Bethlen; o mesmo Gömbös era deputado de seu “Partido Cristão Nacional”, mas cada vez se foi ficando mais patente que se voltava a um Regime de tipo liberal. “Em 1923, Gömbös rompeu com Bethlen. Só então comprendeu que Bethlen, a quem ajudará a ganhar as eleições de 1922, era demasiado liberal e demasiado conservador para ele”, escreve Eros. A retirada de Gömbös e seus seguidores não preocupou demasiado a Bethlen, que contava com o firme apoio de Horthy, nomeado Regente, e com uma ampla formação política, o Partido Governamental, chamado “Partido da Unidade”, surgido a partir dos 2 grandes vencedores das eleições de 1922, o Partido “Cristão Nacional”, e o de Pequenos Proprietários; dada a reacionária legislação eleitoral introduzida em 1922, o Partido no Poder tinha assegurada a maioría parlamentar, e de fato, Gömbös, que criará seu grupo parlamentar com 7 deputados dissidentes, e seu partido de “Defensores da Raça”, sofreu, na eleição seguinte, uma derrota. Ante a inviabilidade de suas aspirações, Gömbös se reconciliou com Bethlen, voltando ao partido governamental, e sendo nomeado Min. da Guerra em 1928. Havía caído já, porém, sob a influencia do Fascismo italiano; admirava a Mussolini, e esperava imita-lo, havendo estabelecido, ademais, relações com a Itália, onde Mussolini assegurará aos irredentistas o apoyo italiano para as reivindicaciones húngaras. A estabilidade alcançada por Bethlen será desfeita pela crise economica de 1929, que repercutiu gravemente na Hungría. O Gabinete de Bethlen caiu, e foi sustituido por Karolyi 100 e por sua vez deu lugar, en out/1932, a Gömbös. Previamente, em 1931, este havía obtido um importante apoio eleitoral. Iniciava o Fascismo na Hungría? Há muitos autores que assim o creem. Bertin chama a Gömbös “fundador do Fascismo húngaro”, enquanto que Carsten sublinha que já em 1919 se apresentará a sí mesmo como “nacionalsocialista húngaro”, quando o termo não se empreava ainda na Alemanha (embora a Boemia, e Austria, que havíam pertencido ao Imperio Austro-Húngaro). Posteriormente, Gömbös manteve estreitos contatos com os nascentes Fascismos da Alemanha e Itália, e posturas fascistas foram impregnando tanto o seu primitivo grupo, MOVE, como a mais ampla “Federação de Sociedades Patrióticas” (TESZ). Estes grupos tinham um caráter e uma ideología análogas as organizações italianas e alemãs de ex-combatentes, sob cujo calor tinha desenvolvido o Fascismo. Mas, por outra parte, Gömbös, a diferença de Mussolini ou Hitler, aceitou participar no Poder, e integrar-se na Coalizão Governamental. Esta contradição fundamental está presente em toda a etapa de Gömbös. Afirmou que realizaría a reforma agraria e que tomaria medidas contra os judeus, mas a 1ª não realizou, e as 2ª não aplicou. Adotou um estilo ditatorial, uns modos mais totalitários, e gostavaa de apresentar-se como o “Mussolini húngaro”, mas jamais rompeu com o Regente Horthy, não dissolveu os partidos, e tolerou a Oposição parlamentar. Já na Política Exterior se alinhou a Itália e Austria 101 não teve mais traços fascistas, pois já Bethlen havía buscado o apoio do Duce. Era lógico que as nações que aspiravam a subverter o status quo surgido dos Tratados de Paz de 1918-1920 se aliaran e apoiaram mutuamente. Gömbös intentou imprimir um ar mais fascista na Política húngara. “Em vez de banquetes de notáveis havía agora concentrações de massas”, diz Nolte, acrescendo que “em vez das prosaicas palavras do conde Bethlen se ouvía falar de astro da Nação, e da finalidad autónoma da Nación”, em substitução de planos financieros bem calculados apareceram as altissonantes “95 teses”, que atacavam ao Marxismo, Liberalismo, Feudalismo, Capitalismo e latifundios, e que eram um bom programa fascista”. Esta 1ª impressão de Regime fascista se vem abaixo ao submeter a Gömbös a uma análise mais detalhada. “Uma vez no Poder se mostrou surprendentemente débil”, escreve Deak, que também disse: “Os 4 anos de Governo de Gömbös não trouxe nenhumna reforma importante”. Por su parte, Nolte sublinhou que “esta 'Revolução Nacional' não devía sua existencia ao surgimento de um novo partido, maa da confiança do Regente”, e poderíamos concluir, com Carsten, que: “Embora Gömbös haja tido uma forte inclinação pró-fascista, careceu de um partido fascista que lhe ampare ao Poder total, dum movimento de massas distinto já de uma sociedade secreta”. Em todo caso, o potencial fascista do experimento de Gömbös ficou inédito por causa de sua morte, ocorrida em 1936. Antes dela, e no curso duma viagem a Alemanha, Gömbös firmou con Goering um acordo secreto na qual, em troca do apoio alemão, prometeu estabelecer um regime analogo ao nacional-socialista alemão. Durante seu mandato, Gömbös não se apoiou nos grupos fascistas que começavam a surgir, mas no partido governamental, reformado: o “Partido da Unidade Nacional”. O que havía de ser o mais destacado dirigente fascista húngaro, Ferenc Szálasi 102 , recusou entrar no seu partido, e rejeitou um assento de deputado. E o 1º partido nacionalsocialista húngaro surgiría de uma dissidencia do “Partido de Defensores da Raça” de Gömbös. Aplicando o mesmo criterio “geracional” que usou Rintala para estudar o Fascismo finlandes, poderíamos distinguir uma 1ª geração, de lutadores anticomunistas, que ocupa o periodo da Contrarrevolução; uma 2ª geração, de elementos “Fascistizados”, na época de Gömbös, que previamente se manifestaram contra a “traição do sangue vertido” que supunha o Regime liberal instaurado sobre o sangue dos combatentes contra o Comunismo. E finalmente, uma 3ª geração expressamente fascista, já que criticará aos “fascistizados” sua incapacidade revolucionária e sua Política de Compromisso, e, no caso de Gömbös, especificamente, seu respeito as formas parlamentares, sua ambigua reforma agraria e suss débeis medidas antissemitas. Para fazer frente ao “perigo fascista”, a Esquerda e os liberais, não hesitaram em aliar-se aos elementos mais reacionários, puramente feudais da sociedade húngara, numa aliança não explícitamente formulada, mas real, que incluía, como diz Deak “tanto aos grupos mais reacionários do país, como aos mais progressitas”, dando assim a curiosa situação de que “quando a Esquerda falava de paz interior, de ordem e de valores históricos, a Direita 103 falava, pelo contrário, de reformas sociais, de acabar com o Feudalismo e o Capitalismo”. Desde da aparição dos primeiros grupos ativos fascistas, a grande maioría dos quais usaram expressamente a denominação de “nacionalsocialistas”, a principal preocupação dos governantes será combate-los, embora a Hungría começasse a entrar na órbita alemã. Zoltan Bosrozmeny 104 , antigo seguidor de Gömbös, criou em 1931 seu proprio partido. Jornalista e poeta, havía desempenhado vários empregos, e dirigido uma agrupação nacionalista de estudantes; era um veterano da Contrarrevolução. Após voltar de uma viagem a Alemanha, lançou seu movimento “Cruz de Gadanas”, que logo

100 No era o “Kerenski” húngaro, mas outro aristocrata do mesmo apelido.

101 Referencia a Austria de Dolfuss, satélite italiano.

102 In es.wikipedia.org/wiki/Ferenc_Szalasi.

103 Neste caso se refere ao Fascismo.

104 In en.wikipedia.org/wiki/Zoltán_Böszörmény

recebeu o nome de “Partido Operário Nacionalsocialista Húngaro” 105 .

O movimento se desenvolveu sob o Governo de Gömbös, contando com milicias. Intentou Bosrozmeny sair eleito

deputado, mas a ultrarreacionária legislação eleitoral o impediu. Seus seguidores vimham das camadas mais pobres do campesinato do leste da Hungría, cheias de ódio contra os judeus das cidades, contra o Comunismo, e contra os nobres

latifundiários, que os mantínham num Estado semifeudal. O Partido foi rapidamente vítima da repressão policial. O forte aparato policial da Hungría de Horthy (Regime “fascista”, segundo a Esquerda) impedía a ação violenta da conquista do Poder, a qual, porém, se iniciou. Se intentou uma “marcha sobre Budapeste” em 01/05/1936, mas foi pobremente organizada. Em várias cidades das provincias os milhares de camponeses reunidos foram dispersados brutalmente, enquanto Bosrozmeny e outros dirigentes eram condenados a prisão; Bosrozmeny conseguiu escapar em 1938 e exilar-se na Alemanha. Mais de 700 camponeses foram presos, e um “proceso monstro” contra 113 implicados foi organizado. Assim descreveu um literato húngaro contemporáneo dos fatos: “De uns 100 réus, 98 não tinham nem casa nem terras; vestíam velhos farrapos, curtas e miseraveis jaquetas, e velhos casacos de pele de ovelha; nenhum tinha camisa”.

O 1º surto de Fascismo húngaro “de Esquerdas” resultou em repressão e condenações; o eficaz sistema policial

impediu a Bosrozmeny voltar a agitar o país. Quase contemporaneamente nasceu o Fascismo “de Direita”, pois em jun/1932 um deputado independente do Parlamento Húngaro, Zoltan Meskos 106 , criou seu próprio Partido Nacional-Socialista, após haver estado durante algum tempo vinculado a Bosrozmeny. O “Partido Nacionalista Húngaro de Operários e Camponêses” 107 , assim se chamava o grupo de Mesko, iniciou usando a camisa parda e a suástica, símbolos ambos proibidos pelo Governo, uma vez que Hitler alcançará o Poder na Alemanha, e que passou a ser “símbolos de uma potencia estrangeira”. Como alternativa, se acudiu ao

uso da camisa verde, e da “Cruz Flechada” 108 , que desde então seríam típicos do Fascismo húngaro. Apesar do nome do grupo, por outro lado, sua tendencia era bastante direitista. Carsten escreve que “o partido era menos revolucionário que o movimento de Bosrozmeny, sempre se manteve fiel a Horthy. Nunca teve influencia entre as massas”. Como nuotros pontos de Europa, foram muitos os conservadores não viram no Nacional-Socialismo senão que uma forma nova e radical do Conservadorismo. Os nobres latifundiários, que formabvam uma boa parte da classe política da Nación, começaram a aparecer nos meios NS. Os condes de Palffy e Festetics 109 se uniram a Mesko, e controlaram seu Partido, porisso este se cindiu e criou uma nova agrupação. Nasceram inumeráveis grupúsculos representantes deste “Fascismo de Direita”. Nolte chega a falar de 100 agrupações.

O grupo de Festetics e Palffy, como “Partido Nacional-Socialista Unificado”, obteve só 2 assentos nas eleições de

1935. Apesar da denominação “Unificado” existíam outros grupos, como a “Frente Cristã Nacional-Socialista” criado pelo dissidente Mesko, que obteve outros 2 assentos. Sem representação parlamentar ficaram o “Movimento Cristão Nacional- Socialista”, a “Frente Cristã”, e a “Agrupação Racista Nacional-Socialista”. A denominação de “cristão” fazía referencia ao Antissemitismo destas organizações, que opunham o conceito “cristiano” ao de “judeu”. Tampouco obtería representação parlamentar o grupo recém criado por Szálasi, o “Partido da Vontade Popular”. Szálasi também militará desde os primeiros momentos na Contrarevolução. Como militar de carreira e ex-combatente da Grande Guerra, se opunha firmemente ao Comunismo e combateu-o durante a 1ª fase do Regime de Horthy. Depois abandonará as tareas políticas para concentrar-se em seus estudos militares e científicos. Havía passado ao Estado-Maior do Exército, e se distinguiu por vários estudos de tipo social, na realização dos quais tomou contato com a espantosa situação do proletariado e o campesinato húngaro. Publicou vários livros, com éxito. Em 1930 escreveo “O Estado-Maior”, e no mesmo ano outro volume, destinado ao estudo da Administração Pública:

“Racionalização”. Lhe seguiu em 1931 “As bases principaIs do desarmamento” e mais tarde “Os fundamentos psicológicos da mobilização”, livros de tema militar, e que repercutiram, inclusive, fora da Hungría, entre os especialistas de Estado-Maior. Em 1935 foi autor de um “Plano de reestruturação do Estado Magiar”, livro que lhe causou numerosos molestamentos, pelas opiniões nele vertidas. Então, Szálasi já se derá conta de que sua vocação era a Política e que a ela devía dedicar-se. Deixou o Exército para criar o já citado “Partido da Vontade Nacional”, ao qual dotou de um programa de concreto e elaborado com um novo livro:

“Metas e fins”. O novo Partido, apesar do fracasso eleitoral, cresceu rapidamente, pegando a tocha do Fascismo de “Esquerdas” do Partido de Bosrozmeny, desfeito pela repressão. A diferença em relação a Bosrozmeny, será que o componente popular não procederá só das mais humildes camadas camponesas, mas também do proletariado urbano. A propaganda de Szálasi criticava abertamente ao sistema parlamentar e o conservadorismo do Regime e pedía uma eficaz reforma agraria. O partido falava do “Hungarismo” 110 , no qual se resumíam as aspirações nacionais húngaras, e as aspirações sociais das classes populares. Em abril/1937 Szálasi sofreu sua 1ª detenção e o Partido foi dissolvido, para recriar-se, pouco depois, como “Partido Nacional- Socialista”, seguindo adiante com todos seus temas de propaganda, alcançando no verão de 1937 20 mil filiados. No outono hoube

uma aliança de poucas semanas de duração, de todos os grupos nacional-socialistas, e várias concentrações de massas destas organizações; o Governo comprendeu claramente o perigo que se avizinhava, e contra o qual tinha que atuar.

O movimento de Szálasi contava con mais de 50% de seus efetivos recrutados entre o proletariado 111 , atraindo

também 8% de camponeses, e 12% de empregados. Era muito importante a presença de militares de carreira, que chegavam a representar 17%. No cabía dúvida de suas firmes conviçes sobre a justiça social, e as camadas dirigentes húngaras tremiam com o sucesso daqueles “bolcheviques”, pelo qual, do Poder, se iniciou uma política sistemática de repressão, baseando-se, duma parte, nas medidas policiais e por outra na adoção de elementos das reivindicações fascistas, para assim barrar ao avanço do Fascismo.

105 In en.wikipedia.org/wiki/Hungarian_National_Socialist_Party.

106 In en.wikipedia.org/wiki/Zoltán_Meskó.

107 Független Kisgazda, Földmunkás é Polgári Párt, em húngaro. In en.wikipedia.org/wiki/Independent_Smallholders,_Agrarian_Workers_and_Civic_Party.

108 O Partido da Cruz Flechada (Nyilaskeresztes Párt - Hungarista Mozgalom, em húngaro; literalmente Partido da Cruz Flechada - Movimento Hungarista) era

um partido político fascista pró-alemão e antissemita, semelhante ao NSDAP. Era liderado por Ferenc Szálasi, que governou a Hungria de 15/10/1944 até jan/1945. Durante este curto período, 80 mil judeus, incluindo mulheres, crianças e anciães, foram deportados para morte. Após a guerra, Szálasi e outros líderes do Partido foram julgados como criminosos de guerra pelos tribunais húngaros. O Partido foi fundado por Szálasi em 1935 como Partido da Vontade Nacional, mas foi ilegalizado 2 anos depois por seu radicalismo violento. Teve suas origens na filosofia política dos extremistas pró-alemães, como Gyula Gömbös que criou o termo Nacional-Socialismo nos anos 20. Foi reconstituído em 1939 como Partido da Cruz Flechada, sob o modelo explícito do NSDAP. Sua iconografia era claramente inspirada na dos nazistas: o emblema da cruz flechada era um antigo símbolo tribal magiar que representava a pureza racial dos húngaros de modo similar como a suástica era para a raça ariana propugnada no ideário nacional-socialista alemão. In es.metapedia.org/wiki/Partido_de_la_Cruz_Flechada.

109 Ex-Min. da Guerra “cristão-nacional”, o partido de Bethlen. In en.wikipedia.org/wiki/Fidél_Pálffy y en.wikipedia.org/wiki/Sándor_Festetics.

110 In es.metapedia.org/wiki/Movimento_Hungarista.

111

os

subúrbios vermelhos de Budapeste se converteram em cidadelas do movimento”, disse Nolte.

O sucessor de Gömbös, Darányi 112 , introduziu novas medidas antissemitas, e como temos visto, persiguiu a Szálasi e seus seguidores. Esta tendencia se reforçou com o seguiente Chefe de Governo, Bela lmredy, que continuará esta política. “Desde então, e até a ocupação alemã emn março/1944, os seguidores de Szálasi foram submetidos a uma persegição praticamente continua: se proibiram os jornais e comícios, alguns de seus dirigentes foram presos, y centenas de seguidores foram enviados a campos de concentração”, disse Deak. Imredy, banqueiro que fizera parte do Gabinete de Gömbös, tentou emulá-lo e criou um partido pseudofascista para

apoiá-lo a conseguir o Poder ditatorial. O Partido da Vida Húngara, segundo Nolte, “tomou emprestado o estilo fascista dotando- lhe de estandartes e uniformes, e nesta nova formação, Imredy se apoiou sobre o setor mais extremista do partido governamental,

e sobre os setores fascistizados do Exército. Imredy fez deter a Szálasi, acusando-o de subversão e agitação logrou que o

condenasse, num juizo de duvidosa fiabilidade, a 3 anos de trabalhos forçados. A campanha “Szálasi 1938” que fazía referencia as

possibilidades de conquistar o Poder nsese ano para o movimento “hungarista”, se viu freada e defeita por esta medida repressiva, mas o movimento não se defez. Pelo contrário, a figura de Szálasi preso tornou-se um mito e uma arma de propaganda poderosa. Imredy foi despedido do Governo pelo Regente Horthy, que temía uma repetição da época de Gömbös. Teleky, seu sucessor, integrou no partido governamental a pequena formação fascistizante de Imredy, e não tentou novas aventuras deste tipo, simplesmente reforçou a repressão policial. “A incapacidade do Partido de União Nacional 'partido governamental' para lutar políticamente contra os grupos fascistas, levou-o a enfrentar puramente no plano policial contra o movimento revolucionário, o Partido de Szálasi, porque os outros grupos extremistas eram, tudo o mais, nacional-conservadores”, disse Cazenave. Ante os éxitos eleitorais obtidos em 1938, que elegeram 2 deputados de Szálasi, eleitos em eleições parciais, e ao qual foram adicionados no Parlamento dissidentes do Partido de Unidade Nacional, e do Partido dos Pequenos Proprietários, Teleky quis evitar que as eleições de 1939, as primeiras que se celebravam por sufrágio secreto desde 1922, representaram uma consolidação do Fascismo. Dissolveu o “Movimento Hungarista” 113 , em que se agrupavam então os seguidores de Szálasi, capitaneados por Kalman Hubay. Hubay reagiu con rapidez reorganizando o movimento como Partido da Cruz Flechada 114 . “As pressões governamentais eram extraordinariamente fortes contra os que queríam votar na 'Cruz Flechada' (CF).

A Gendarmaría, instituição todo poderosa na Hungría de Horthy, prendeu a vespera do escrutinio milhares de 'camisas verdes'

szalassistas, para impedir-lhes votar. Os camponeses foram ameaçados de ser expulsos das terras que tinham como colonos se votassem na CF, dizía Duprat, a respeito. O éxito eleitoral, apesar de tudo, foi clamoroso. 29 assentos para a CF. A eles uniu, em seguida,, o único deputado do Partido “Vontade do Povo”, que era uma cisão direitista da CF, e 2 deputados do antigo grupo de Gömbös “Defensores da Raça”. O grupo parlamentar ficou com 32 deputados, ao qual foram adicionadas as diversas forças nacional-socialistas “de Direita” que havíam obtido assentos. A “Frente Nacional” criada por Palffy e Festetics conseguiu um reduzido éxito, só 9 assentos, apesar que sua “frente” agrupava numerosas organizações: “Frente Cristã”, “Agrupação Nacional”, “Movimento Cristão Nacional-Socialista”, “Movimento Popular Nacional-Socialista”, “Agrupação Racista Nacional-Socialista”, “Organização de Defesa dos Cristãos de Raça”, e, é claro, o “Partido Nacional-Socialista Unificado”, a formação capitaneada pelos 2 condes, e que era a única da “frente” com alguma trascendencia. O grupo de Merko, “Frente Cristã Nacional-Socialista”, obteve 3 assentos, enquanto que um grupo que se formará entre as minoría húngara de Tchecoslováquia, recentemente incorporada, em virtude dos pactos de Munique, a Hungría, a “Frente Unida Nacional-Socialista”, de Jaross, obteve 5 assentos. Os 32 assentos da CF e os 27 dos nacional-socialistas “de Direita” revelavam a existencia duma forte Oposição nacional-socialista. Apesar da repressão e os “putchs”, o éxito da CF era obvio. A Oposição de Esquerdas, e os partidos de Centro se viram eclipsados. “O Partido da Cruz Flechada, en seu 1º combate eleitoral, livrada em condições precárias, obteve o éxito sonhado”, escrevía Duprat. Junto aos fascistas de “Direita” representavam mais de 25% da população húngara. O que oferecía o Partido da Cruz Flechada aos húngaros? Primeiro de tudo, a impressão de honestidade de seu chefe: “Não era um bom orador, nem um bom organizador”, mas sua sinceridade e sua honestidade atraíam a admiração, talvez porque essas virtudes eram bastante rara nos políticos húngaros da época”, disse Deak. Em 2º lugar, oferecía uma alternativa popular, de defesa das classes despossuídas, frente a uma Esquerda ineficaz, e aliada aos mais reacionários elementos da sociedade húngara; como disse Nolte: “O traço diferencial dos movimentos nacional-socialistas húngaros (era) que não só apresentavam um programa de reforma social, inclusive de revolução, orientado a Esquerda, competindo contra uma Esquerda forte”, mas que na ausencia de uma Esquerda semelhante se converteram, de fato, nos principais defensores de tal programa”. Não se tratava, contudo, de um simple programa radical. Assim como Codreanu na Romênia, “Szálasi desejava construir uma Ordem militar mística mais que um partido político clássico”, afirma Cazenave. Os 2 elementos chaves da ideología

“cruz flechada” eram o Socialismo e o Nacionalismo, sobre os quais, Szálasi teorizou largamente, dotando o movimento de uma ideología original, coerente, e completa. Sobre o Socialismo, é muito significativo o paragráfo que segue: “Enquanto que o

Socialismo agrário é egocentrico, e a maior satisfação que pode dar é a socialiização da terra, o Socialismo operário abrange tudo,

No combate do a principal força do

contém a população inteira, e beneficia a Nação inteira. O Socialismo operário é o Nacional-Socialismo movimento hungarista, em nome da Patria e da Nação, o operário obterá seu verdadeiro lugar na sociedade

movimento hungarista nacional-socialista está em que tem por iguais a todos os que trabalham pela Nação, com suas mãos ou com

seus cerébros

Nós, claro, extraimos o Socialismo do estreito 'Socialismo de classe', e o transplantamos a todas as camadas da

população, a Nação inteira”. Em relação ao co-Nacionalismo, Szálasi não caía na típica postura fascista de solicitar a “Grande Hungría”, e predicava a solidaridade das nações nacional-socialistas, que devíam tender a uma federação. Quando os elementos reacionários do país fazíam campanha para conseguir a “restauração territorial” húngara por meio de aventuras militares, o líder da Cruz Flechada solicitava a criação de uma gran Nação federal cárpato-danubiana, como único modo de acabar com o longo passado de enfrentamentos motivados pelas fronteras; num país dominado pelo ódio aos vizinhos romenos, aos que se acusava de expolio da Transilvania, “o antichauvinismo da CF era tal que os jornais de Szálasi escrivíam artígos favoráveis a Codreanu e a Guarda de Ferro romena, para grande cólera dos fanáticos antiromenos da Direita húngara”, escribía François Duprat. Uma similaridade com a “Guarda de Ferro” fundamental era a atitude religiosa do Partido. Szálasi era um devoto católico, e a mística católica influiu muito nele, mas como sublinha muito adecuadamente Deak, se tratava dum Cristianismo

112 Referencia a Kálmán Darányi.

113 In es.metapedia.org/wiki/Movimento_Hungarista.

114 In es.metapedia.org/wiki/Partido_de_la_Cruz_Flechada.

nacionalizado, afirmado enquanto constituinte da Nação, e não era uma religião “universalista”. Esta é uma constante que se mantém em todos os Fascismos, e que já viene herdada de Maurrás e o Nacionalismo francés. Por outro lado, Szálasi propugnava uma separação total da Igreja e Estado, rejeitava o monopolio clerical da Educação, e as ingerencias das hierarquías religiosas. “A política do Clericalismo não tínhaa lugar na ordem hungarista”, conclui Deak. A coerente postura do Partido sobre estes problemas motivou a conseguir contar com o apoio dos católicos do país. Eros o descreve assim: “Não é surprendente que quando a luta entre os conservadores e o Nacional-Socialismo se tornou mais aguda, a maior parte dos chefes católicos apoiaram a frente conservadora, enquanto que as massas era minada pela propaganda nacional-socialista”. Sobre a organização do Partido Cruz da Flechada foi de forma piramidal. Szálasi se reservava a direção suprema e “espiritual” digamos assim, do movimento, enquanto Kalman Hubay dirigía a organização e a Política. Existíam vários departamentos centrais: Conselho de Reconstrução do País, Formação do Partido, Recrutamento, Recrutamento Operário, Propaganda, Problema Social e Ideología. Os distintos grupos sociais estavam representados através de “Grandes Conselhos”, fundamentalmente, o Grande Conselho Operário e o Grande Conselho Camponês. Através destas organizações, o Partido extendía seu ambito de atuação. Ao Conselho de Reconstrução do país, por exemplo, além de elementos do Partido CF estavam vinculados uns 2000 intelectuais e técnicos superiores: oficiais, engenheiros, advogados, dispostos a colaborar com a CF se chegasse ao Poder. Dado que desde Imredy se proibirá aos funcionarios do Estado e aos militares militar na organização de Szálasi, existíam organizações secretas 115 onde os membros do Corpo Diplomático, da Administração, do Exército, estavam enquadrados, com fichas que resenhavam não seu nome, mas um número chave, según Deak, estes ramos clandestinos devíam contar em 1944, quando Szálasi chegou ao Poder, com 50 mil membros. No se tinha milicias organizadas. Apos a experiencia de Bosrozmeny, e a de Mesko, os quais contaram com

milicias organizadas, o Governo proibirá a existencia de “exércitos particulares”. Porém, os sindicatos nacional-socialistas tiveram um importante desenvolvimento. “Os sindicatos não eram de modo algum 'sindicatos amarelos'”, afirma Cazenave. Pelo contrário, organizaram grandes greves reinvicativas, e eram infinitamente mais ativos que os sindicatos marxistas. Retornemos de novo ao fio dos fatos, após esta explicação, do clamoroso éxito eleitoral do Partido CF. As forças nacional-socialistas formaram um grupo parlamentar, a “Frente da Cruz Flechada” e Hubay, animador da “ala Direita” da CF começou a tentar uma efetiva fusão de todos os elementos nacional-socialistas húngaros, ao que se opunha a “ala Esquerda”, e os sindicatos, mas não tinham o apoyo de Szálasi, ainda preso. Embora o Partido estava em seu apogeu, também existíam nele sérias tensões, que se tentava fomentar de fora.

O Governo, por outro lado, alcançara de novo um certo grau de estabilidade, uma vez superada a crise economica.

Sua aproximação da Política Exterior alemã lhe reportará grandes éxitos. Com o desmembramento da Tchecoslováquia, os húngaros recuperaram extensos territorios. Graças a arbitragem alemã, os romenos entregaram a Hungría uma grande parte da Transilvania. Quando mais tarde, as Democracias ocidentais foram derrotadas na “blitzkrieg” de 1940, os Estados balcánicos se incorporaram quase todos ao Pacto Tripartide, e a Hungría consiguiu desta forma, após a campanha da Iugoslávia, a anexação de

novos territorios. Os defensores desta política pró-alemã não eram os “szalassistas”, que viam nas pretensões hegemónicas alemãs uma contradição com as pretensões hungaristas, mas os elementos da ala Direita do partido governamental e os elementos pró- alemães do Exército, e também os grupos “fascistas de Direita”. Esta presença entre as potencias do Eixo não supunha, nem muito menos, que Hungría se converterá numa potencia fascista. Hungría prestará seu apoio a milhares de exilados polacos, que cruzaram a Hungría a caminho da França e Inglaterra; era o “santuario” onde se asilavam todos os antifascistas europeus, e os judeus, especialmente. Embora certas características “fascistóides” se mantiveram ou reforçaram 116 , e as medidas antissemitas foram reafirmadas em várias ocasiões, a Hungría continuava sendo constante e eficaz em evitar o avance do Fascismo. Quando depois das eleições de 1939 se descubriu um complot para derrubar Horthy e libetar a Szálasi, a intentona foi rápidamente liquidada, e 23 participantes foram julgados. Kerestzes-Fischer 117 , homem de confiança do Regente, e Min. do Interior se distinguiu pela brutalidad de suas medidas antifascistas.

O ano 1940 será decisivo para a historia do Fascismo húngaro. No Governo estavam os liberais Teleky e Kallay,

dispostos a frear o ascenso do Nacional-Socialismo usando todos os meios, inclusive, criando organizações de aspecto fascista, mas claramente anti-alemãs, e antiszalassistas, como a “Ordem dos Bravos”, e a “Associação de Caçadores Turanios”. Estas organizações eram controladas diretamente pelo Governo, armadas e financiadas: “As autoridades esperavam que os 'turanios' usassem suas armas contra os nazistas húngaros, ou contra os vermelhos, ou inclusive contra o Exército alemão invasor”, disse Eros. Estas organizações direitistas “antinazistas”, porém, não atuaram eficazmente jamais, e só se mantiveram graças ao empenho do Governo, que mediante a criação de grupos miméticamente “fascistas” esperava tirar força de Szálasi. Por outra parte, Bela Imredy, após conseguir para seus fieis 30 assentos nas listas do Partido Governamental “o qual, como já temos dito, assegurava a maioría, dada a legislação húngara” se retirou com eles, para recriar seu partido, como “Partido da Renovação Nacional”. Imredy começou a atuar secretamente para obter a fusão da CF, o PNS Unificado, e seu partido, formando um grande bloco que lhe permitiria voltar ao Poder. Szálasi se opos, do carcere, totalmente a uma fusão com Imredy. Mas Hubay chegou a realizar uma fusão com los seguidores de Palffy e Festetics, nascendo, no outono de 1940, o “Movimento NS Hungarista da Cruz Flechada”. A nova formação contava com 40 deputados, e ¼ de millhão de filiados. Mas a ala Esquerda CF não estava satisfeita

com o “giro a Direita” que isto supunha, e se propos mostrar sua fidelidade a línha revolucionaria mediante a organização de uma grande greve. O motivo desta, que iniciou em out/1940, foi situação dos mineiros. Foi qualificada como “a mais potente ação reivindicativa do proletariado húngaro desde suas orígens” e Cazenave nos a descreve assim: “Ocorreu que milhares de militantes CF foram presos, e centenas de mineiros foram despedidos. Houve incidentes sangrentos entre os mineiros e as forças da ordem. Finalmente, o impacto da greve foi tal (os Correios entraram em greve, assim como os sindicatos CF de bondes e ferrovias, eclodindo greves de operários agrícolas) que os proprietários, obrigados por Teleki, que temía um intento revolucionario, deveriam ceder”.

A tensão entre a ala Direita do Partido e a ala Esquerda aumentou, e Bela Imredy, que viu como suas possibilidades

de controlar a nova formação se eclipsar, logo que Szálasi saíu da prisão, tentou atrair a Festectis e Palffy. Já que não podía por-se

115 “Organizações de Clan”, se as chamaba.

116 Tais como a organização juvenil estatal, “Levente”.

117 Referencia a Ferenc Keresztes-Fischer. In en.wikipedia.org/wiki/Ferenc_Keresztes-Fischer.

a frente da nova formação tratava, ao menos, de destruí-la ou anula-la. O cansaço e a desilusão de veteranos militantes, que víam como a consolidação do Regime anulava as possibilidades de subir ao Poder, e como o Partido se mostrava incapaz dum assalto frontal, atuaram como tela de fundo. Festetics e Palffy tentaram que Szálasi abandonasse o comando, para dar o “apoio popular”

do Partido, a um “ministeriável” como Imredy, com possibilidades políticas. Szálasi reagiu rompendo a fusão com os “fascistas de Direita” e se ocasionou uma profunda crise. No outono de 1941, 1 ano após a fusão o “Movimento NS Hungarista da Cruz Flechada” deixou de existir. Os elementos mais reacionários passaram diretamente ao partido de Imredy (2 deputados entre eles), se reconstruiu o “Partido Nacional-Socialista Unificado” (com 13 deputados) e a massa popular e 19 deputados ficaram com Szálasi. O mais grave foi que “o movimento nacional-socialista foi terrivelmente afetado pela cisão e perdeu todo dinamismo”, como disse Cazenave; mais da metade dos filiados abandonaram a militancia política. Imredy e o “PNS Unificado” formaram um bloco político que pedía a radicalização das medidas antissemitas e o estreitamento da cooperação com a Alemanha. Logo, porém, ficou claro que não contavam com as massas populares seguindo-os.

E o Governo não se preocupou com eles, enquanto mantinha “a Cruz Flechada sob severo controle”, disse Deak. O Gabinete de

Kallay 118 , quando viu que a vitória estava mudando de campo, começou a romper os laços que o prendiam ao Eixo. A distancia que separava o país das tropas anglosaxãs e soviéticas era a única causa pela qual o Governo não se atreveu a romper formalmente sua aliança. As débeis forças “fascistas de Direita”, junto as de Imredy, e a recém criada “Associação de Ex-Combatentes da Frente do Leste”, que agrupava a elementos anticomunistas que participaram na Campanha da Russia não podíam impedir o giro impresso na Política Exterior pelo Governo, enquanto que a CF não desenvolvia uma Política pró-alemã, ferida pela preferencia que havíam mostrado sempre os representantes alemães pelos “fascistas de Direita” e por Imredy, aos que, como se pode spor, consideravam menos perigosos para os intereses alemães na Hungría, do que um revolucionário sincero, e nacionalista radical como Szálasi.

A experiencia de Badoglio na Itália, e da Romênia, induziram aos alemães a ocupar militarmente o país. Obrigaram

a Horthy a formar um Gabinete disposto a continuar a luta. Sztójay 119 , ex-colaborador de Gömbös, e ex-embaixador na Alemanha

NS, recebeu o encargo de formar Governo, o qual fez com elementos da ala Direita do partido governamental, então denominado “Partido da Vida Húngara”, e com seguidores do “Partido de Renovação” de Imredy. Militantes do PNS Unificado ocuparam cargos secundários. Nenhuma Pasta foi entregue ao Partido da CF, sobre o qual Sztójay não tinha um “Bom conceito”. Horthy, acima das dificultades, se dispos a passar ao lado vencedor, aproveitando que as tropas soviéticas surgiam já nos confins da Hungría. De novo, a traição pode ser evitada. E foi então, em 15/10/1944, quando a crise do Regime era evidente, quando finalmente foi possivel aos “fascistas de Esquerda” ocupar o Poder. Para contrariar as ordens de Horthy as tropas húngaras de que se rendessem, elementos da SS alemãs assaltaram a residencia do Regente, enquanto que sobre a capital confluíam 2 divisões de SS húngaros, formadas sob o Governo de Sztójay, nas quais era majoritária a presença de elementos “cruz flechados”, e os pontos estratégicos de Budapeste e das provincias foram ocupados por militantes da milicia “Nyilas” 120 formada apressadamente. O Governo foi obrigado a retratar-se públicamente as suas ordens de rendição, e o Exército, onde numerosos oficiais eram seguidores de Szálasi, se manteve fiel. Alguns intentos dos grupos de Esquerda, que de novo acudíam em ajuda da ditadura reacionária de Horthy, foram rapidamente sufocados. Szálasi subiu ao Poder, evitando as manobras de Imredy, dissolveu os partidos antifascistas, e obrigou a fundir-se com os seus ideológicamente próximos. Se proclamou “Dirigente da Nação”, e formou um Governo com membros da Cruz Flechada e outras “forças nacionais”, incluindo a militares húngaros e oficiais húngaros da SS. Se dispos a reforçar o Exército, para defender a Patria da acometida do Exército Vermelho, que já avançava sobre solo húngaro, proclamou a criação de novas unidades SS húngaras, e mobilizou os militantes em formações de milicias dependentes do Partido. Szálasi se dispos a levar a cabo o Programa Social do movimento, apesar das desfavoráveis circunstancias, inicando automaticamente a reforma agraria. Os ideais “co-nacionalistas” também foram incorporados ao pactos com o Governo fascista croata de Ante Pavelic, e o Governo no exilio da Guarda de Ferro romena, radicado em Viena, nos quais se tentava por fim para sempre nas disputas territoriais da região danubiana. Inclusive o Parlamento seguiu reunindo até o final do “Estado Hungarísta”. As possibilidades reais de moldá-lo na Hungria eram escassos, já que o avance incontivel do ExércitoVermelho russo foi limitando progressivamente o terreno sobre o que podía atuar o Governo de Szálasi, o qual, finalmente, teve que exilar-se em territorio alemão. Em Budapest, a guarniçao germano-húngara foi reforçada por milhares de milicianos “nyilas”, e resistiu heroicamente, apesar do cerco a que foi submetida a cidade, numa das batalhas mais duras da II Guerra Mundial. A derrota trouxe consigo a repressão mais brutal; repressão que não era nova aos “szalassistas”, vítimas durante tantos anos dos atropelos dos

Governos de Horthy, mas desta vez foi extremamente brutal e rápida. “Durante meses se viveu uma feroz repressão, e em

abril/1946 todos os chefes fascistas inclusive Szálasi, foram enforcados nas margem do Danubio. Havíam obtido o direito de voltar a vestir suas camisas verdes, e morreram bravamente, fazendo a saudação fascista”, conta Cazenave.

A historia do Fascismo húngaro é altamente reveladora da verdadeira natureza dos movimentos fascistas. Segundo

Cazenave se tratava de “um Fascismo de Esquerda potente e original, cuja própria existência contradiz de forma mais eficaz das

definições clássicas, e especialmente as marxistas, do Fascismo”. Esta opinião é ratificada pelos mais importantes especialistas no estudo do Fascismo, e assim, Eugen Weber escreve que: “Na Hungría Szálasi mostrava uma maior aproximação aos trabalhadores,

e aos camponeses, do que a classe média, a corrompida aristocracia ou a burguesía”, enquanto que Ernst Nolte anota como “o

Nacional-Socialismo húngaro não surgiu tanto do fermento anticomunista como da inquietude social dos camponeses sem terras, e dos operários das concentrações urbanas”. Por seu carácter revolucionario foi vítima da constante perseguição da Policía, dirigida por um Governo social e políticamente reacionário. O enfrentamento entre os Governos reacionários e os movimentos fascistas revolucionários tem uma

nova definição na Hungría, análoga aos casos que vimos na área báltica. A propósito disto, é muito significativo o párrafo de Nolte, no qual escreve que: “O Governo perseguiu ao movimento (de Szálasi) muito mais duramente do que havíam feito os Governos liberais em circunstancias semelhantes noutros países de Europa”.

O autentico Fascismo húngaro esteve sempre na Oposição. O Regime reacionário e semifeudal de Horthy jamais foi

118 Referencia a Miklós Kállay. In es.wikipedia.org/wiki/Miklós_Kállay.

119 Referencia a Döme Sztójay. In es.wikipedia.org/wiki/Döme_Sztójay.

120 Cruz Flechada, em húngaro.

fascista, apesar que reprimira brutalmente qualquier surto comunista, e se apoiara nas potencias do Eixo. O chamado “Fascismo parlamentar” de Bethlen, no foi tal, porque, mesmo se aproximando da Itália mussoliniana na Política Exterior, sempre combateu eficazmente qualquer intento dos que queríam imitar a Mussolini na Hungría, como assinalou Nolte. Gömbös foi incapaz de impor-se ao Regente, que conservava um eficaz control sobre a Política húngara, e ao amplio partido governamental. Segundo Eros, o intento de Gömbös falhou por “o fato de que Gömbös, que estava em seu elemento nos pequeños grupos de conspiradores, falhou notavelemente quando tentou atuar como guía carismático de um movimento de massas de índole nacional”. Além disso, há muitas objeções para colocar sobre o caractere fascista de Gömbös. Imredy que tentou seguir seus passos, foi uma figura nefasta para a historia do Fascismo húngaro. Era um ultraconservador que odiava aos “bolcheviques” de Szálasi, e cujas arguúias e conspirações romperam a unidad do Fascismo húngaro em seu auge. Szálasi, por sua vez, tem uma categoría humana e moral muito acima de todos os citados, mas como fala Carsten “não possuía as qualidades dinámicas de outros líderes fascistas, nem seu sentido tático, não soube 'fazer política', e possivelmente, o seu partido ocupou muito tarde o Poder. Ao invés, seu inimigo político, o Alte Horthy, político hábil entre os hábeis, soube controlar eficazmente o país, fazer-se pasar por herói nacional contra o Comunismo, e conseguir que sua pessoa fosse respeitavel hasta para os mesmos nacional-socialistas, como encarnação da soberanía e independencia”. O mesmo Hitler, falou do “mito Horthy” que ele, Hitler, quería preservar”, disse Eros. Durante a época de antifascismo furioso que seguiu ao fim da II Guerra Mundial, e ainda hoje, se acusa ao Regime de Horthy de fascista. Para muitos, “o periodo de Horthy se considera o 1º Regime fascista e racista de Europa Central, cujos fundadores o Alte Horthy, e seus oficiais jrnalistas, propagandistas do 'terrorismo branco' inventaram o Nazismo, ou foram, ao menos, os pioneros do Fascismo e da Nova Ordem Européia que Hitler e Mussolini havíam de estabelecer mais tarde”, para dizer com as palavras de Eros. A análise histórica nos demonstra, não só a absoluta falsidade destas teses, mas também, quanto radicalmente imprecisa que tem sido e ainda é a interpretação do Fascismo.

Romênia

O Fascismo romeno é um dos mais interesantes de Europa. Por sua originalidade, historia, e seu radicalismo, e pela figura de seu chefe, o “Capitão” Corneliu Zelea Codreanu 121 . Se bem que existiram outros movimentos fascistas ou semifascistas de menor importancia, será o movimento de Codreanu, 1º a “Legião do Arcanjo”, e depois a “Guarda de Ferro” que chega a personificar, por antonomásia, o Fascismo da Romênia. Marco Tarchi escreveu que: “A Guarda de Ferro e deve ser enfatizado não pertencem às tentativas mais ou menos nobres e bem sucedidas de imitar aos 2 grandes movimentos fascistas do Entreguerras, o italiano, e o alemão. A prova está na data do nascimento do movimento nacional romeno, que encarna, nos homens e nas idéias, a 1ª expressão do credo 'legionário', é no inicio de 1919, quando o suboficial Hitler, e o cabo Mussolini apenas desligaram do Exército, quando Codreanu e um grupo de estudantes, no bosque de Dubrina, juram a resistir uma possivel invasão soviética”. De fato, o Fascismo na Romênia tem profundas raízes, e motivações muito claras. O país fora integrado a vários impérios; sofreu inúmeras dominações estrangeiras, criando um forte sentimento nacionalista. A memória do Imperio criado por Miguel, o Bravo 122 estimulava este Nacionalismo, que pedía o nascimento duma “Grande Romênia”. Desde que o país alcançou sua Independencia, entrou na órbita cultural francesa, e dalí onde recebeu suas influencias ideológicas principais o Nacionalismo. Logo surgiu fortes sentimentos antissemitas, ante a escandalosa situação que provocavam os judeus, que sendo uma minoría urbana, monopolizavam quase totalmente o comércio, as profissões liberais, e as universidades, além de controlar extensos territórios agrícolas mediante práticas usurárias. Igualmente, surgiu o antidemocratismo, dada a incapacidade do Regime liberal, que era considerado alheio ao país, importado da França, mas sem responder aos desejos e a realidade do país; e do Populismo, dada a situação de penúria, escassez e abandono em que se encontravam os “autenticos romenos”, ou seja, as massas camponesas do país, que representavam, frente a corrupta classe alta, e aos judeus, a cultura puramente romena, e os valores nacionais. Eminescu 123 foi o grande profeta do Nacionalismo romeno, antes da Guerra Mundial de 1914-18. “Embora Eminescu apareça como o maior nacionalista de sua época, estava muito longe de estar sozinho. Toda uma série de nacionalistas, intelectuais, poetas, jornalistas fazíam causa comum con ele”, escreve Weber. Entre seus discípulos há que destacar 3: um professor de Economía Política, Cuza 124 ; um historiador, lorga 125 , e um poeta, Goga 126 , que estavam chamados a ter um papel ambivalente na historia do Fascismo romeno. A este fermento nacionalista há que unir outro de tipo social. O descontentamento da massa camponesa eclodiu em fev/1907, quando os operários agrícolas duma gran propiedade agrícola judía se amotinaram, e a revolta se extendeu como pólvora por todo o país 127 . Foi necessária a intervenção do Exército, e a morte de mais de 10 mil camponeses para sufocar a rebelião, que fora apoiada pelos elementos nacionalistas, que viam con simpatía o Antissemitismo dos camponeses. Em vez disso, o Socialismo jogaria um pequeno papel. Ao aliar-se a força política dominante no País (os liberais) ficou desacreditado pelo uso massivo de métodos mandonistas que usavam estes. Weber sublinha que “seu fracaso em

121 Corneliu Zelea Codreanu (n. Cornelius Zelinsky, Huşi, Romênia, 13/09/1899 - bosque de Tâncăbeşti, 30/11/1938) foi o líder da organização fascista e

ultraortodoxa romena Legião de São Miguel Arcanjo (es.wikipedia.org/wiki/Guardia_de_Hierro). De caráter antissemita e ultranacionalista, a organização atuou na Política e Codreanu foi eleito deputado, quando organizou um ramo paramilitar, a Guarda de Ferro. Após a dissolução do Parlamento e o estabelecimento duma Monarquia ditatorial pelo Rei Carol II em 1938, Codreanu foi preso junto com outros legionários; pouco depois, aparentemente no curso de um intento de fuga, foi

abatido pelos guardas, mas é provável que seu assassinato haja sido deliberadamente instigado pelo Rei.

122 ?, c. 1558-Turda, 1601) Príncipe de Valáquia (1593-1601). Sublevado contra os otomanos, conseguiu derrotá-los em Calugareni (1595). Graças a aliança de

Rodolfo II (www.infobiografias.com/biografia/30608/Rodolfo-II.html), pode negociar uma paz vantajosa (1599) e apoderar-se de Transilvânia (1599) e Moldávia (1600). Morreu assassinado. In www.infobiografias.com/biografia/26142/Miguel-el-Bravo.html.

123 Referencia a Mihai Eminescu ou Mihail Eminovici. Nasceu em 15/01/1850 e faleceu em 15/06/1889. Foi um poeta do Romantismo tardio. É o poeta romeno

mais conhecido mundialmente. Suas obras mais conhecidas “Luceafărul (A estrela brilhante ou A Estrela da Manhã”), “Mai am un singur dor (Agora sinto falta de

só uma coisa mais)”, y “5 Scrisori (As Cinco Epístolas)”. Era um membro ativo da “Sociedade Literária Junimea”, sendo também filiado ao “Partido Conservador de Romênia” (es.wikipedia.org/wiki/Partido_Conservador_(Romênia,_1880-1918) e jornalista em “Timpul” (o jornal oficial do Partido Conservador).

124 Referencia a Alexandru C. Cuza. In es.wikipedia.org/wiki/Alexandru_C

125 Referencia a Nicolae Iorga, também conhecido também como Nicolas Jorga na obras de autores no romenos).

126 Referencia a Octavian Goga. In es.wikipedia.org/wiki/Octavian_Goga.

127 A Revolta Camponesa de 1907 na Romênia eclodiu em fev/1907 na Moldávia e se estendeu rapidamente, chegando a Valáquia. A principal causa foi o

descontento dos camponeses pela desigualdade da distribuição da terra, que estava nas mãos dum número reduzido de grandes latifundiários. In

es.wikipedia.org/wiki/Revuelta_camponesa_de_1907_(Rumania).

proporcionar uma direção radical a Política abriu o caminho ao Nacionalismo idealista e social de uns homens cuja solução os

problemas residía nas medidas nacionalistas”. Mais tarde, após a I Guerra Mundial, os comunistas fracassaríam, igualmente, em seu intento de implantar-se no país. Se bem que agitaram o país no imediato pós-Guerra, ante a influencia da Revolução Russa, logo foram erradicados pelo Governo, e desprezado pela massa do romenos, população camponesa, que vía com desconfiança instintiva que a maior parte dos dirigentes comunistas foram judeus das cidades.

A obtenção após 1918 de extensos territorios, graças que Romênia figurava no campo dos vencedores, no tira força

ao Nacionalismo. Ao contrario. Importantes minorías étnicas: búlgaros, húngaros, ucranianos, alemães de Transilvania 128 , se

incorporaram ao país, enquanto que a população judía aumentava ao anexionar a Bessarábia 129 e Bucovina 130 , onde o número de judeus era muito elevado. O Nacionalismo tinha agora um motivo para existir: conseguir a “romenização” de tão amplas minorías nacionais, manter a coesão do novo Estado. Nas orígens do Fascismo romeno não há nem un “perigo vermelho', nem a posição “chauvinista revisionista”. Zoldtan Barbu escreve: “o Fascismo romeno não foi o resultado da derrota nacional”, como normalmente se diz que foi o Fascismo alemão, e que na vida política romena, na Esquerda: (havía) um pequeno Partido Social-Democrata, e outro, ainda mais

pequeno, o Comunista 131

O Regime político era liberal. Havía eleições, partidos e Parlamentos. A IC 132 , após a proibição do PC 133 , acusou

reiteradamente a Romênia de ser um novo Estado Fascista, portanto, aparecendo ao lado da Itália, Bulgária, a Polonia de Pildsuki, Lituania, etc., na lista de “ditaduras fascistas”. Desnecessário dizer este foi um dos grandes erros tão típicas da IC. Contudo, era um Regime liberal especialmente corrupto. “A receita romena era a influencia das eleições pelo Governo. O Governo de plantão

'fazia' as eleições mediante o aparato administrativo: a não aceitação de propostas antigovernamentais, a fraude de urnas eleitorais,

a aterrorização da população, pertencía aos fatos cotidianos das votações na Romênia”, diz Nolte. O Partido que controlava o Governo tradicionalmente era o Partido Liberal 134 , que se desacreditou amplamente por suas práticas antipopulares.

O PNŢ 135 , que chegou ao Poder pela 1ª vez, imediatamente após o fim da Grande Guerra, decepcionou todas as

esperanças que se puserá nele, de que sanearia a Política romena, e se mostrou tão corrupto quanto os liberais. Um novo partido, o “Partido do Povo”, do Gen Averescu 136 , se formou com um programa que fazía referencia explícita a necessidade de maior honestidade, contra a corrupção, e por reformas sociais. Após gozar por algum tempo das simpatías camponesas, o jovem partido se desacreditou tão logo que subiu ao Poder, pois se mostrou tão imoral quanto seus predecessores. A Política romena padecía, como a húngara, de elevadísimo grau de corrupção. As massas do país desconfiavam instintivamente de qualquer novo partido, estavam fartas de programas, de políticos, e só viam sua angustiosa situação economica, constantemente piorar com a crescente influência dos judeus. Este descrédito geral dos partidos e do sistema democrático, foi uma grande ajuda para o Fascismo romeno.

O Pré-Fascismo romeno está ligado a figura de A.C. Cuza; professor de Economía Política em Jassi, que se definiu

muitas vezes, como o “Drumont romeno”, colaborou desde 1906 no “O Povo Romeno” a influente revista nacionalista criada pelo

apóstolo do expansionismo húngaro, o historiador lorga. Ambos nacionalistas criaram em 1909 o “Partido Nacional Demócrata”.

O Partido fez campanhas contra o Liberalismo, pela reforma agraria, e a conceção de direitos políticos as classes baixas. Destaca o

curioso fato de que usara a suástica como símbolo. “A suástica se adotou como símbolo anteriormente a I Guerra Mundial na Romênia; muito antes de que fosse a representação dum partido alemão”, escreve Weber. Entre os seguidores de Cuza, destacou o professor, Ion Zelea Codreanu, que transmitió a seu filho o espírito nacionalista e popular daquela geração de nacionalista. Corneliu Zelea Codreanu educou-se na Escola Militar e num ambiente familiar fanáticamente nacionalista. Apesar da sua escassa idade, seguiu ao Regimento em que servía seu pai, durante semanas, na Grande Guerra. Sua fanática determinação ficou, igualmente, clara quando junto a um grupo de amigos, tão jovens quanto ele, juraram lutar contra os comunistas se o Exército Vermelho invadísse Romênia, como fazia com os Estados bálticos, e Polonia. Desde aquele juramento sua vida foi constante militancia. Em 1919 Corneliu Codreanu foi a Jassi estudar, ficando sob a influência direta de Cuza. Desde sua entrada

nas aulas se converteu num agitador político excepcionalmente eficaz. Lutou contra a influencia esquerdista, muito grande devido

a elevadísima porcentagem de universitarios judeus, nas aulas, mas também nas ruas e nas fábricas. Se pôs em contato com um

reduzido grupo anticomunista, a “Guarda da Conciencia Nacional 137 ” dirigida por um operário, Constantin Pancu 138 . Neste grupo, Codreanu pode experimentar todas as táticas que depois aplicaría a niveis superiores: o uso “cirúrgico” ou “seletivo” da violencia, a fim de vencer a resistencia inimiga, a necessidade de uma constante agitação, e o convencimento, de que qualquer Revolução que queira triunfar devería levar um importante componente de reforma social, ser uma Revolução a favor das camadas exploradas do povo romeno. A Pancu Codreanu descobriu que não só se tratava de lutar contra o Comunismo;

tinha que dar novas soluções para os problemas sociais, e arrancar a oligarquía seu disfarçe nacionalista. Fruto deste convencimiento foi o grupo “Socialismo Nacional-Cristão” que ambos criaram, mas que não alcançou um desenvolvimento importante, entre outras causas, porque a agitação esquerdista desapareceu práticamente a partir de 1920. Mais éxito tería Codreanu na Faculdade de Direito, em que era aluno. Em 1921, após um ataque ao jornal

, não havía sinais de radicalização política”.

128 Transilvânia (em romeno: Transilvânia ou Ardeal, em húngaro: Erdély, em alemão: Siebenbürgen, em sérvios: Transilvanija ou Erdelj, em turco: Erdel, em

eslovaco: Sedmohradsko ou Transylvania, em polaco: Siedmiogród) é uma região histórica localizada no centro de Romênia, rodeada pelos Cárpatos que cortam o país. A capital tradicional da região Cluj-Napoca, está situada na meseta do mesmo nome, enquanto que Braşov e Sibiu, umas das principais cidades, estão ao pé

dos Cárpatos. In es.wikipedia.org/wiki/Transilvânia.

129 Bessarábia (Basarabia em romeno), Besarabya em turco) é uma região do Sudeste de Europa Central. Limita ao norte com a Ucrânia, e ao sul com a Romênia.

In es.wikipedia.org/wiki/Besarabia.

130 Bucovina (em romeno Bucovina) é uma região histórica de Europa Oriental, situada no sopé do Nordeste dos montes Cárpatos, dividida politicamente entre 2

países, Ucrânia (óblast de Chernivtsi) e Romênia (judeţ de Suceava). Sua extensão total é de aproximadamente 25.000 km². In es.wikipedia.org/wiki/Bucovina.

131

Referencia ao PC Romeno. In es.wikipedia.org/wiki/Partido_Comunista_de_Romênia

 

132

Sigla de Internacional Comunista.

133

Sigla de Partido Comunista.

 

134

Referencia ao Partido Nacional Liberal. In es.wikipedia.org/wiki/Partido_Nacional_Liberal_(Rumania).

 

135

Em

romeno:

Partidul Naţional Ţărănesc o PNŢ; ou

Partido

Nacional

Camponês,

em

português.

In

es.wikipedia.org/wiki/Partido_Nacional_Camponês_(Rumania).

136 In es.wikipedia.org/wiki/Averescu.

137 In fr.metapedia.org/wiki/Garde_de_la_conscience_nationale.

138 Referencia a Nicolae Constantin Paulescu. In fr.metapedia.org/wiki/Nicolae_Constantin_Paulescu.

“Opinião”, o Senado universitário expulsou a Codreanu das aulas, mas a mesma Faculdade de Direito se negou a admitir esta expulsão, e seus condiscípulos lhe mostraram seu apoio fazendo-o chefe da Associação de Estudantes de Direito. A influencia de Codreanu se extendeu as outras 3 universidades do país, Cernovitz, Clouj e Bucareste, e não só entre os estudantes de Direito. Como a organização oficial do estudantado não podía ser dirigida por eles, pois dependía das autoridades académicas, se criou, em 1922, a “Associação de Estudantes Cristãos”. A denominação de “cristãos' excluía automáticamente aos universitarios judeus. Também, em 1922 Codreanu viajou a Berlim, onde não establecerá contatos importantes com os círculos antissemitas, mas onde se ouviu falar já de Hitler. Alí lhe chegou a noticia da “Marcha sobre Roma, que alegrou-me como a vitória da minha Patria” - disse ele mesmo. Desde o 1º momento Codreanu e seus seguidores manifestaram sua total solidaridade e apoio ao Fascismo italiano, e depois ao Nacional-Socialismo alemão. Em 1923 Codreanu voltou ao país, pois as lutas universitárias o reclamavam. Se manteve uma Greve Geral universitária de 6 meses de duração, para protestar pela abolição do artigo 7 da Constituição, que permitía conceder a cidadanía romena inclusive aos judeus recém imigrados. Houve enfrentamentos com o Exército e todo tipo de pressões oficiais, mas os estudantes nacionalistas e antissemitas mantiveram fechadas as faculdades durante ½ ano, quase todo o curso. Finalmente, a supressão das residencias para universitários, e das becas fez que os estudantes voltassem as classes. Antes destas lutas universitarias, Codreanu fora o principal inspirador da criaçaõ de um grupo político capaz de trasladar as aspirações dos estudantes a toda a sociedade romena: a “LANC” 139 . Sendo demasiado jovem para comanda-la “só 24 anos tinha então” a direção do movimento passou a Cuza. Em 1923 se criaram também outras organizações, como “Fascia Nationala Rumana” e “Actiunea Romanesca” 140 . As influencias italianas e francesas, respectivamente eram patentes. Na 2ª destas organizações militava Ion Mota 141 , que acabava de traduzir ao romeno “Os Protocolos dlos Sábios de Sião” e que chegaría a ser um dos lugartenentes de Codreanu. Após o fracasso da greve estudantil, Codreanu, com um grupo de fiéis seguidores, decidiu formar “comandos” que

executarían aos políticos e jornaistas que havíam feito possivel a nova legislação pró-judía. O plano foi descuberto pela traição de um implicado, e sus potenciais executantes foram detidos e presos. Os acusados foram absolvidos, apesar de que no se negaram os fatos, mas que os reivindicavam como manifestação de seu espírito patriótico e isto se explica porque o jurí, como a mayoría da população romena, era violentamente antissemita. Por outra parte, o traidor foi morto, antes terminar o julgsamento, por um dos conjurados, precisamente Ion Mota, e isto lhe costará uma condenação de carcere. Na prisão, Codreanu havía tomado importantes decisões. Dado que a resistencia dos universitarios foi vencida ao fechar as residencias universitarias, decidiu que devía criar-se uma própria, a fim de eliminar essa forma de chantagem governamental. Nasceu assim o 1º “campo de trabalho”, instituição esta que se fará típica do Fascismo romeno. Os estudantes trabalhavam alí com total gratuidade, para fabricar os ladrillos necessarios para a nova residencia.

O prefeIto de Policía de Jassi, um individuo chamado Manciu, recibeu ordens de impedir esta nova empresa de

Codreanu. Em Ungheni, onde estava estabelecido o campo, deteve aos estudantes com total arbitrariedade e de forma

especialmente vexatória e humilhante, aplicando-lhes um trato tão indigno que nada bem nascido podería perdoar. No julgamento que seguiu aos fatos, os estudantes foram absolvidos das absurdas acusações. A este julgamento seguiu outro, pois um dos estudantes maltratados golpeará a Manciu. Su advogado defensor era o mismo Codreanu, que nesta data, out/1924, havía acabado já sua graduação. Manciu manteve uma atitude provocadora, sabedor de que tinha as costas cobertas pelo Governo, e quando intentou golpear ao mesmo Codreanu este se defendeu com uma pistola, matando ao oficial de Policía. Um novo julgamento iniciou então, tendo desta vez por acusado a Codreanu.

O julgamento despertou o interesse de todo o país. Codreanu era exaltado como o herói da resistencia camponesa

contra o poder judeu. Mais de 9 mil advogados se ofereceram para defende-lo. Para impedir que o massivo apoio popular fizesse que o veredicto do jurí fosse de novo favorável, o processo se trasladou de Jassi a Focsani, e depois a outro lugar ainda mais longe. O empenho do Governo foi vão. Um júri usava em suas lapelas a cruz gamada, símbolo da LANC, o absolveu, já que havía atuado em defena própria. O regresso a sua terra natal foi apoteósico: “O trem no qual voltou a Jassi estava decorado de flores, y foi recebido em cada estação por alegres multidões festivas. Em Bucarest foi recebido por uma grande multidão e levado nos ombros para fora da estação. Em sua opinião (a de Codreanu) esta onda de entusiasmo podia ter levado a Liga ao Poder, mas Cuza não se mostrou a altura da situação”, narra Carsten. As diferenças de criterio entre os nacionalistas veteranos, e os jovens fascistas forjavam-se desde 1923. “O complô de 1923, e como colofão ao assassinato de Manciu endureceram as relações entre os antigos nacionalistas, como Cuza, que

desaprovavam todo genero de violencias e ilegalidades, e os jovens profetas da Revolução Nacional, dispostos a por-se onde convinha, dentro ou fora da legalidade”, diz Weber. Cuza e os demais nacionalistas da velha escola, apesar de seus ataques a Democracia eram respeitosissimos a ela, e mostravam mais interesse pelo jogo parlamentar, que pela conquista das massas. Quando depois Iorga, e mais tarde Cuza e Goga chegam ao Poder, mostraram, ser tão escassos de escrúpulos como os liberais, e os antigos apóstolos do Nacionalismo e Antissemitismo, perseguiram a Codreanu e seus seguidores, e favoreceram, objetivamente, aos judeus. Codreanu era plenamente consciente de que esta situação se acabari produzindo. Já em 1924, após p 1º processo, fala em criar uma organização própria, as “Irmandades da Cruz”, para manter agrupados a seus seguidores estudantis mas sem romper a disciplina da “Liga”. Em 1926, após suas diferenças de criterio com Cuza, e para não romper a unidade da organização, foi a Francia para amplar estudos. A direção da Liga por Cuza se revelou um estrondoso fracasso, pois nas eleições celebradas no mesmo 1926 só obteve 5% dos votos, e 10 assentos. O pequeno grupo parlamentar logo conheceu cisões, e embora a Liga tivesse sido reforçada em 1925 pela absorção do “Fascio Rumano” e a “Acción Rumana”, começou a surgir abandonos no corpo da Liga. Só então, Codreanu decidiu romper com Cuza, após haver ficado claro que atolaram a Liga no estéril jogo parlamentar. Em 27/06/1927 Codreanu e só um punhado dos mais fiéis seguidores criaram a “Legião do Arcanjo São Miguel” 142 ,

139 Liga Apărării Naţional Creştine, em romeno, ou Liga de Defesa Nacional Cristã, em português. In es.wikipedia.org/wiki/LANC.

140 Respectivamente: “Fascio Nacional Rumano” (en.wikipedia.org/wiki/National_Romanian_Fascia) e Ação Romena”.

141 In es.wikipedia.org/wiki/Ion_Moţa.

142 Referencia a Guarda de Ferro (em romeno Garda de Fier). Foi um movimento fascista, ultranacionalista e antissemita romeno, convertido logo num partido

político, que existiu de 1927 até a II Guerra Mundial. O movimento foi fundado por Corneliu Zelea Codreanu, em 24/07/1927, com o nome de Legião de São

“Uma das formações políticas mais singulares que se deram na Europa no Entreguerras”, disse Nolte. Quais eram essas peculiaridades? Segundo Barbu: “Era o protótipo duma organização fascista”, mas ainda assim tinha inumeráveis traços específicos, peculiares, que a diferenciavam do NSDAP 143 ou o PNF 144 . Mais que uma organização política podía aparecer como uma seita mística. Em 1º lugar, por seu rigoroso carácter elitista. A Legião nunca foi uma organização de massas, e quando atuou na Política, posteriormente, criou partidos de massas dirigidos por seus chefes, mas chegar a disolver-se o tronco original. Em 2º lugar, por suas abordagens. Codreanu, “Capitão da Legião” ensinou a seus seguidores a desprezar todo tipo de riqueza terrena, a valorar acima de tudo, o próprio sacrificio, a não temer a muerte si esta era em ato de serviço. A organização se distinguiu sempre por uma forte camaradagem, por seu “estilo” de vida, e por sua peculiar ética. Codreanu dizia que o que necessitava a Romênia não eram novos partidos, com novos programas, mas um Homem Novo, a partir do qual criar a Nova Sociedade. A Legião devía ser onde se surgiriam os novos homens que o futuro exigía. A Legião tinha complicados rituais de admissão e seleção. Nesta busca da comunidade espiritual não é de estranhar a importancia que se concedía as canções. Através das canções se conseguía criar um estado de ánimo comum, motivar em idéntico sentido aos membros. As canções também foram um elemento propagandístico: frequentemente, em vez de lançar discursos aos camponeses, os propagandístas legionários se limitavam a cantar junto a eles as velhas canções do país. Através do processo de formação que seguíam los “legionários”, adquirirían uma força mística capaz, de vencer todos os obstáculos que se opuseran a sua ação. Em vez de “seções locais”, “grupos provinciais”, etc., a organização da Legião se baseava no “cuib”, nido ou cubil, pequena unidade de não mais de 12 militantes, que não era uma simples “squadra” para a luta de rua, mas ao invés, uma familia espiritual intensamente coesionada. Os cuib eram particularmente eficazes e resistíam muito bem a repressão policial. As grandes organizações locais ou provinciais, de fato, são fácilmente desarticulaveis, pois os membros só são conhecidos através dos arquivos, e estes são facilmente inumeráveis. O cuib, em vez disso, era uma unidade fechada; podía desarticular-se 1 ou 2, mas os demaus não se víam diretamente afetados por isto, porisso, era impossivel desmontar inteiramente a organização. “Seu ethos encontrou sua máxima expressão nos campos de trabalho, em que estudantes, académicos e licenciados, davam uma mão aos camponeses, em qualquer parte do país, abríam caminhos, melhoravam pontes, escreve Nolte. Codreanu e seus “legionários” não falavam aos camponeses em linguagem política, mas com ações, demostrando, que esta vez sim, se tratava de fazer uma renovação moral da vida política romena. Nos “campos de trabalho” que se estabeleceram por todo o país, Codreanu continuou a experiencia de Ungheni, com resultados altamente satisfatórios. “Quando as autoridades se deram conta da influencia propagandística que representava todo isso, os proibiram”, disse Weber. De fato, a existencia dos campos foi objeto de constantes enfrentamentos com as autoridades, que se assustavam ante a nova experiencia, pois a contradicción entre sua atividade, que se resumía tudo o mais em acudir alguma vez a um povo ado que pedir seus votos, e a actividad dos legionários, não escapava nem as mais simples mente camponesa. Outra atividade original foi a criação do “comércio legionário”. Por todo o país se abriram comercios e restaurantes, que romperam o monopolio comercial dos judeus, oferecendo preços muito mais baixos, atraindo automáticamente as simpatías das classes mais desfavorecidas económicamente. Na base de toda esta organização se achava a peculiar ética da organização 145 , e a organização baseada nos cuib 146 . Codreanu, diferente dos chefes pseudofascistas, no cría que bastase, em pleno auge dos Fascismos, saudar com braço erguido e proclamar-se fascista para atrair as massas. Ao contrário, desde a fundação da Legião, e pelo espaço de 2 anos, apenas realizou atividade política propriamente dita, limitando a formar seus quadros e sua sólida estrutura. Junto ao Capitão, había vários lugartenentes destacados, como Mota e Marin, o 1º dos quais era um dos ideólogos principais do movimento, cuja ideología se plasmava, diga-se de passagem, desde a revista “Tamantul Stramoscesc”. Em 1929 a Legião se lança na arena política, disposta ganhar apoio das massas. Se “desde seu nascimento a Legião encheu de alarme aos diversos centros de Poder”, disse Sburlati, ao iniciar a nova fase, e segundo o mesmo autor, “todos os grupos políticos, da chamada Direita valaquista, iorguista, liberal, até a Extrema-Esquerda operária e camponesa se alíam e passam por cima de suas diferenças para afogar o movimento legionário”. No se tratava só das forças políticas no seu conjunto, até mesmo o Estado lhe declara guerra aberta, “O Estado liberal não escondia, sua hostilidade contra a Guarda de Ferro, a 1ª organização de massas da Legião, e como o Estado era expressão da alta burguesía de Bucareste, o movimento legionário não guardou contra ele mesmo uma serie de medidas abertamente revolucionárias, e de inegavel transcendencia popular. Nenhum dos outros movimentos fascistas era tão inequívocamente popular”, dise Weber . No final do ano, Codreanu começou uma turnê pelo campo. Acompanhado por um reduzido número de camaradas acudía aos povoados mais distantes, a cavalo, falandos aos camponeses na sua linguagem. O reducido número de jovens vestidos com as camisas verde “uniforme do movimento”, que atravesavam os povoados entoando a canção “Romênia desperta!” era seguido com crescente interesse, e muitos jovens se uníam as comitivas. O Capitão, conciso em seus discursos, repetía: “Não os abandonaremos. Nunca esqueremos a escravidão judía opressora em que vivem. Mas sereis livres!, Sereis os amos do trabalho de vossas mãos, de vossa colheita e de vossa terra!”. Nos primeiros días de 1930 foram empregados em turnês similares: colunas de legionários atravessaram o Pruth 147 , para dirigir-se a Bessárabia e Bucovina, onde a população judía era crescidísima, numa

Miguel Arcanjo, e foi liderado por Codreanu até sua morte, em 1938. Os membros do movimento eram chamados “legionários”. En mar/1930 Codreanu formou a Guarda de Ferro, um ramo paramilitar e político da Legião, cujo nome chegou a aplicar-se a Legião inteira. Mais tarde, em jun/1935, a Legião mudou oficialmente seu nome, passando a chamar-se partido “Totul pentru Ţară” (Todo pelo País). Seus membros levavam uniformes verdes (considerados símbolo de rejuvenescimento,e graças a ela recebeu o apelido “Camisas verdes”) e saudavam-se como os romanos. O símbolo principal usado pela Guarda foi uma cruz triple, representando barras de prisão (como símbolo do martírio), a vezes chamada “A Cruz do Arcanjo Miguel”.

143 Sigla, em alemão, de Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei; ou Partido Nacional-Socialista Operário Alemão, em português.

144 Sigla, em italiano, de Partito Nazionale Fascist; ou Partido Nacional Fascista, em português.

145 “No conheço outro movimento fascista que inculcara a seus membros um sentido mais profundo de dedicação e sacrificio pessoal”, dirá Barbu.

146 O citado autor os descreverá assim: “O nido tinha uma organização interna monolítica, e todas as decisões se tomavam por unanimidade”.

147 O rio Prut é um rio de 953 km de extensão que nasce nos Cárpatos na (Ucrânia) e flui pela região da Bucovina e em direção sul para desaguar no rio Danúbio

nas proximidades da cidade de Galaţi. Conhecido na Antiguidade como Pireto ou Porata. Antes de 1940, à época da ocupação da Bessarábia e Bucovina setentrional pelos soviéticos, o Prut situava-se quase inteiramente na Romênia. Atualmente, em 711 km constitui fronteira natural entre a região da Moldávia, na Romênia, e a República da Moldávia. In pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Prut.

operação planejada militarmente. O secretário de Estado, Angelescu 148 , que arbitrariamente quis proibir esta marcha, foi

assassinado. Após os surprendentes éxitos recolhidos durante as turnês pelo campo, Codreanu decidiu criar a Guarda de Ferro 149 . “Embora a Legião atraíra principalmente a estudantes e a membros da intelectualidade a Guarda de Ferro se convertiría também em movimento das classes baixas”, disse Carsten. Os camponeses, e os operários lhe prestaram um massivo apoio. A 1ª dissolução da organização ocorreu em jan/1931, motivada pelo ataque que um simpatizante da Legião atacará ao diretor dum jornal violentamente anti-Codreanu. Mas na realidade se tratava de impedir a participação da Guarda nas eleições.

A medida foi inútil, pois rapidemente se pôs em pé, com fins unicamente eleitorais, o “Grupo C.Z. Codreanu”, que obteve 2% dos

votos, mas nenhuma representação parlamentar. A “Liga Nacional Cristã”, teve 4,1%. Nesse mesmo ano, numa eleição parcial,

Codreanu venceu ao candidato liberal, e seu pai, noutra eleição parcial, obteve outro assento. Após as eleições gerais, os tribunais reconheceram a ilegalidade da proibição da Guarda, pois de novo fora legalizada. Mas após o êxito de Corneliu Codreanu, o veterano nacionalista e antissemita Iorga, voltou a proibí-la arbitrariamente. “A Legião estava em marcha”, disse Weber. Em 1932 a expansão continuaría, e aceleradamente. Se contava com 7 publicações periódicas, e a Guarda estava estruturada sobre mais da metade do territorio nacional. As constantes crises políticas, que supunha outras tantas convocações eleitorais, ajudaram eficazmente a Guarda a ampliar seus éxitos eleitorais. Em julho, de novo reconhecida a legalidad da organização, se obteve 5 assentos no Parlamento, enquanto que a Liga obtinha as mesmas porcentagens que em 1931. Após haver conseguido nas eleições de 1932 seu 1º éxito patente, a repressão do Estado não pode interromper sua trajetória”, disse Nolte. Mas havia um homem que cria que poderia fazê-lo. Duca, líder do PNL, a casta politica-mandonista que dominava a anos a Política do país, declarou, num tom muito liberal, por certo em Paris, que “A Guarda é um sujo exército de mercenários a soldo e sob a direção de Hitler. O atual Governo de Vaida 150 , ao não tomar medidas drásticas contra ela, se faz responsável de um grave delito ante toda a Nação. Eu me comprometo, apenas chegado ao Poder, a liquida-la para sempre”. De fato, ao chegar ao Poder, Duca dissolveu a Guarda de Ferro. Meia dúzia de legionários foram assassinados pela Policía, e muitas centenas foram detidos. Duca convocou novas eleições para garantir a maioría parlamentar, baseado no uso dos métodos mandonistas clássicos. Pouco antes da nova eleição foi abatido por um “comando” de 3 legionários, na plataforma duma estação. Os autores materiais do feito se entregaram pessoalmente a Policía, mas “o Governo não se contentou em acusar aos 3 autores materiais do delito, mas sustentou a responsabilidade moral dos chefes da Legião, pretendeu montar um processo extraordinário e espectacular. Dado que um dos acusados era o Gen Cantacuzina 151 , e que

se decretará o Estado de Sitio, a competencia jurídica foi atribuida a um Tribunal militar formado por generais”, diz Paul Guiraud. As centenas de detidos devem ser adicionados dezenas de exilados. E mesmo Codreanu teve de se esconder para evitar ser assassinado pela Policía. Reapareceu por ocasião do julgamento, realizado na primavera de 1934, y que él transformó en un verdadero proceso al régimen liberal. Os principaIs políticos romenos, fartos do monopólio liberal do Poder, e de seus abusos, testemunharam a favor da Guarda de Ferro. No final, o Tribunal absolveu a todos os implicados, exceto aos autores materiais do

fato, declarou a legalidade da Guarda de Ferro 152 , e os cerca de 18 mil detidos durante todo o periodo de repressão começaram a voltar a seus lugares. Dos 31 acusados, só os que voluntariamente se havíam apresentado a Policía reconhecendo-se autores do atentado, puderam ser condenados. Um novo e espectacular éxito contra as sujas manobras do Regime. “O veredicto promoveu uma onda de simpatía em todo o país a favor da Legião”, sublinha Carsten. A “época do Terror”, como a denominaram os legionários, seguiu uma fase de distensão, pois o novo governante, Tatarescu, não era tão furibundamente antifascista como Duca. Codreanu aproveitou para reorganizar sua organização de massas.

O Gen Cantacuzina, eM nov/1934, criou o partido “Totulpentru Tzara” 153 colocando-o diretamente sob a autoridade de Codreanu,

embora ele fosse o chefe formal. Os filiados e simpatizantes de Codreanu aumentaram constantemente, graças sobretudo, a magnífica propaganda que era os “campos de trabalho” e o “comércio legionário”. Em Política Exterior, a Guarda de Ferro se situou decididamente junto aos países e os movimentos fascistas. Em 1934, uma delegação dirigida por Ion Mota, participou do Congreso da Internacional Fascista 154 , em Montreux. Em 1936, ao eclodir a Guerra Civil Espanhola, mas de 10 mil legionários solicitaram partir voluntários para lutar na Espanha. O Capitão no podía permitir essa marcha massiva de militantes, mas para salientar o total apoio, e a profunda solidaridade para com os anticomunistas espanhós, permitiu que um grupo reduzido, de menos de 20, mas altamente representativo, já que incluía 2 de seus lugartenentes, Ion Mota e Vasile de Marin 155 , se alistar no Tercio 156 . Ambos morreram em 1937, em Majadahonda. Em Política Interior, a situación da Guarda não podía evoluir melhor. O ex-diretor do Banco Nacional, e várias vezes Min., Hihail Manoilescu, elaborou uma doutrina de tipo corporativista, para ser usada pelo Partido; se bem que depois se

distanciou da Guarda, por considera-la demasiado revolucionaria, o fato destaca o grau de prestigio que gozava a organização de

148 In es.wikipedia.org/wiki/Angelescu.

149 Em romeno “Garda de Fier”. In es.wikipedia.org/wiki/Guardia_de_Hierro.

150 Referencia a Alexandru Vaida-Voevod. In es.wikipedia.org/wiki/Vaida-Voievod.

151 O Gen Cantacuzina era um dos principales lugartenentes de Codreanu,

152 I.e., pela 4ª vez os tribunales reconhecíam a ilegalidade e a arbitrariedade das dissoluções do Partido.

153 Todo pela Patria, em romeno.

154 A Conferencia Fascista de Montreux de 1934 foi uma reunião celebrada por um certo n º de deputados de organizações fascistas européias. A Conferencia se

celebrou em 16-17/12/1934 em Montreux, Suíça, e foi organizada e presidida pelo Comitati d'Azione per l'Universalita di Roma (CAUR), ou os Comités de Ação para a Universidade de Roma (it.wikipedia.org/wiki/Comitati_d%27Azione_per_l%27Universalit%C3%A0_di_Roma). In

es.wikipedia.org/wiki/Conferencia_fascista_de_Montreux_de_1934.

155 In en.wikipedia.org/wiki/Vasile_Marin.

156 Era unanimidade militar do Exército espanhol durante a época da Casa da Áustria. Foram famosos por sua resistência no campo de batalha, formando a élite

das unidades militares disponíveis aos reis da Espanha da época. Foram a peça essencial da hegemonia terrestre, e em ocasiões também marítima do Império espanhol. O Tercio é considerado o renascimento da Infantaria no campo de batalha e é muito comparado com as legiões romanas ou as falanges de hoplitas macedônicas. Os Tercios espanhóis foram o 1º exército moderno europeu, entendendo como tal um exército formado por voluntários profissionais, no lugar das levas para uma campanha e a contratação de mercenários usadas tipicamente em outros países europeus. O cuidado que se tinha em manter nas unidades um alto n º de “velhos soldados” (veteranos) e sua formação profissional, junto a particular personalidade que lhe imprimiram os orgulhosos fidalgos da baixa nobreza que os nutriram, é a base de que foram a melhor Infantaria durante 1½ siglo. Ademais, foram os primeiros a mesclar de forma eficiente as picas (es.wikipedia.org/wiki/Pica_(arma)) e as armas de fogo. A partir de 1920 também recebem esse nome as formações de tamanho regimental da Legião Espanhola (es.wikipedia.org/wiki/Legión_Española), unidade profissional criada para combater nas guerras coloniais do norte de África, e inspirado pelas façanhas militares dos Tercios históricos. A Legião Espanhola também guarda certas semelhança com a Legião Estrangeira do Exército francês.

Codreanu. “Um grande número de intelectuais se uniram a Guarda de Ferro ou a defenderam dos ataques de seus adversarios, como o poeta Radu Gyr 157 , o historiador Vasili Christescu, o Prof. VIadimir Mumitescu, o filósofo hegeliano Nichifer Crainic 158

diretor de 'Calendardul', o filósofo Nae Ionesco 159 , animador de 'Cuvântul'”, escreve Francis Bertin 160 . Também a gente comum era sensível ao encanto da Guarda; deixemos falar a Eugen Weber 161 : “A criação do 'Cuerpo Legionario de Trabalhadores' antes de finalizar 1936, demonstra a influencia que possuía o movimento entre os artesanos e os operários. O fracasso das greves de 1920

havía deixado aos trabalhadores desorganizados e sem dirigentes

burguesía, aos Bancos e o Sistema,, junto a sua proteção e revalorização do trabalho, atraíam aos trabalhadores e aos pobres da

cidades

éxitos eclipsaram a outras organizações de tom fascista. A 'Liga Nacional e Cristã' de Cuza, para sobreviver, aumentou seus traços fascistas. Desde 1933 se criou sua própria milicia, os 'lanceiros', uniformizados com Camisas Azuis e braceletes com a cruz gamada, mas não foram uma séria concorrência aos “camisas verdes legionários”. Em 1935 Cuza fundiu su organização com outra pequena agrupação nacionalista e antissemita, dirigida por Goga, para criar o PNC 162 . “Em 08/11/1936 o Congreso do PNC teve lugar em Bucarest. Se celebrou uma gigantesca parada de 200 mil pessoas das quais 30 mil eram lanceiros uniformizados. Estavam içadas as bandeiras do movimento, com a Cruz Gamada, símbolo do Partido, junto as bandeiras da Itália, Alemanha, e a dos nacionalistas espanhóis. Esta impressão de força não impedía que ao Partido faltasse todo dinamismo. Goza e Cuza eram incapazes de organizar uma verdadeira agitação”, escrevía Duprat. Muito menor importancia tiveram o “Nacional-Socialista' fundado em 1932 pelo Cel Stefan Tatarescu, que imitava miméticamente ao NSDAP, e o grupo “Svasticade foc” 163 criado em 1935, pelo advogado V. Emilian, como cisão da “Liga” de Cuza. Existiu também uma organização claramente provocadora chamada “Cruzada do Romenismo”, fundada em 1936 por um antigo dirigente legionário, Stelescu 164 . Como sublinha Guiraud “não era só uma cisão, mas um ataque”. Stelescu, adotando um tom muito radical, pretendía confundir ao militante de base legionário, e se destacou por múltiplos ataques que ofendía a moralidad a toda prova dos chefes legionários, e em especial do Capião. Um grupo de legionários, aos que por ser 10 se lhes chamou os “Decemviri” 165 , abateu a tiros a Stelescu, e se apresentou imediatamente depois a Policía. Este fato não danificou em absoluto o prestigio de Codreanu, e seus seguidores, e o povo romeno viu nele a um homem disposto a defender sua própria honra. O libro “Pentru Legionari” 166 , de Codreanu, foi um autentico bestseller do ano na Romênia. A prova do auge del partido “Tudo pela Patría” foi o enterro dos corpos de Mota y Marin, repatriados da Espanha. Mais de 200 mil pessoas foram as ceremonias em Bucareste, inclusive altos prelados, diplomátas, generais e massas de camponeses e trabalhadores. “A Guarda teve naquele día sua apoteosis. O sacrificio de Mota apenas consumado, demonstrava que não fora vão”, sublinha Guiraud. O poderío e a popularidad da Guarda ficaram demonstrados pouco depois, quando finalmente convocaram eleições. Nestas eleições de dez/1937 “falhou pela 1ª vez na historia da Romênia, a preparação eleitoral de um Governo liberal”, disse Nolte. Segundo a lei eleitoral romena o partido que tivesse 40% dos votos não só tinha essa porcentagem dos assentos, mas também ficava com metade do restante, a fim de dar “estabilidade” ao Governo. Obter 40% não era demasiado difícil, se se tinha as rédeas do Poder, e a Oposição estava dividida. Mas em 1937, todos os partidos “exceto o Liberal, é claro” se comprometeram numa frente comum antiliberal, a fim de impedir as irregularidades eleitorais. Como resultado, a montagem dos liberais veio a pique. A Guarda, com 16% dos votos e 66 assentos passou a ser a 2ª formação política do país, em relação a assentos, atrás do Partido Nacional Camponês. Na lógica liberal, os partidos majoritários devía haver sido chamados pelo Rei para formar o Governo. Mas o Rei Carol II 167 detestava a Codreanu, precisamente por não ser um político manipulavel, e Codreanu detestava ao corrupto Rei, cuja amante judía, a srª. Lupescu 168 , era an realidad quem fazía e desfazía os Gabinetes. Sem poder se apoiar em seus velhos amigos, companheiros de corrupção, os liberais, desconfiando dos nacional-camponeses, que se havíam aliado a Codreanu contra os liberais, o Rei chamou a governar a dupla Goga-Cuza, que só havía, obtido 39 assentos. A jogada do Rei estava muito clara, e, além disso, que se repete em muitos outros pontos da geografía européia: os pseudofascistas do PNC se enfrentaríam ao Fascismo revolucionário por meio da repressão, e também atacando a seus objetivos, a fmn de deixar-lhe sem temas de agitação política. “O Governo, foi formado incontestavelmente contra Codreanu, mas significou também o inicio de uma forte política antijudía”, escreve Nolte, corroborando esta interpretação. A 1ª tarefa dos “nacional-cristãos” foi a de “organizar” uma nova consulta eleitoral. Se dissolveu o Parlamento, um decreto proibiu as coalizões e alianças eleitorais, se impôs a censura de imprensa, e se proibiram as organizações de milicias. As medidas legislativas antijudías provocaram que estes paralizaram a vida económica, e protestos dos Governos dos EUA, França e Inglaterra. Como assim, se falava sobre certos contatos entre Goga e

Codreanu, o Rei Carol decidiu impor sua ditadura pessoal, a qual dotaría duma ampla decoração do tipo fascista. Goga foi despedido pelo Rei, que convocou, para formar o Gabinete, ao Patriarca da Igleja Ortodoxa, Mirton Christea 169 . Dois personagens chaves da historia romena destes anos, continuavam no novo Gabinete. Um deles, um destacado Gen Antonescu 170 , que seguía no Ministério da Defesa, e ao que se conceituava como simpatizante da “Guarda” e Calinescu 171 ,

O chamamento de Codreanu, e sua hostilidade ao capital e a

Pouco depois de fundar o 'Corpo Legionário de Trabalhadores', só em Bucarest contava já com 6 mil membros. Estes

157 In en.wikipedia.org/wiki/Radu_Gyr.

158 Referencia a Nichifor Crainic. In en.wikipedia.org/wiki/Nichifor_Crainic.

159 In pt.wikipedia.org/wiki/Nae_Ionescu.

160 Cuvántul (“A Palavra”, em romeno) era um diário, publicado pelo filósofo Nae Ionescu em Bucareste, de 1926-1934, e novamente em 1938. Nota-se de tudo a

adoção progressiva de uma agenda de Extrema-Direita e fascistas, e para apoiar, durante a década de 1930, a Guarda Revolucionária de Ferro fascista.

161

In pt.wikipedia.org/wiki/Eugen_Weber.

 

162

Sigla de Partido Nacional-Cristão (em romeno: Partidul Na țional Cre știn). O PNC foi um partido de Ultradireita antissemita romeno no Entreguerras.

 

163

Cruz Gamada de Fogo, em romeno.

 

164

Referencia a Mihai Stelescu. In en.wikipedia.org/wiki/Mihai_Stelescu.

 

165

Veja es.wikipedia.org/wiki/Decemviri.

 

166

Para los Legionarios, em romeno. In Codreanu, Corneliu Zelea. Pentru Legionari. Editura Totul Pentru Tară Sibiu, 1936.

 

167

In es.wikipedia.org/wiki/Carol_II.

 

168

Referencia a Magda Lupescu. In en.wikipedia.org/wiki/Magda_Lupescu.

 

169

Miron

I

(nasceu

em

20/07/1868,

faleceu

em

06/03/1939).

Clérigo

e

político

da

Romênia.

Primeiro

Patriarca

da

Igreja

Ortodoxa

Romena

(es.wikipedia.org/wiki/Iglesia_Ortodoxa_Rumana), foi Premier de seu país aproximadamente durante 1 ano (de 11/02/1938 até sua morte).

170 Referencia ao Gen Ion Antonescu. In es.wikipedia.org/wiki/Antonescu.

171 Referencia a Armand Călinescu. In es.wikipedia.org/wiki/Armand_Călinescu.

Min. do Interior, o autentico braço direito do Rei, que havía tido contatos com a Legião durante algum tempo. Calinescu foi o verdadeiro motor da ditadura real que se estabelecera no mês de fev/1938. O Rei dissolveu o Parlamento, aboliu a Constituição, impôs outra, proibiu aos partidos políticos, obrigando-lhes a integrar-se num Partido Unico governamental, chamado “Frente de Renovação Nacional”. Só o Rei nomeava os Ministros, e o sufrágio universal foi suprimido. “No día seguinte da promulgação da Constituição que convertía a Romênia num Estado semifascista o propio Codreanu dissolveu a Guarda de Ferro para evitar, segundo suas palavras, um derramamento desnecessário de sangee, e a eclosão da guerra civil”, conta Carsten. Isto não evitou que iniciasse uma nova fase de “Terror”. Mas antes de estuda-la analizemos brevemente o intento pseudofascista de Carol e Calinescu. Segundo Nolte: “A Guarda foi agora perseguida de fato pelo energético Min. do Interior, Calinescu”, acrescentando, mais adiante, que “era um signo da época que não poderia fazer sem recolher muitas características do estilo fascista: uniformes, bandeira, desfiles”. As experiencias pseudofascistas do Rei começaram antes, em 1934, quando criou a

Straja Tzarfi 172 como organização juvenil estatal, dissolvendo todas as Juventudes dos partidos, e agrupando a juventude, dos 7 aos 18 anos. O intento, dirigido contra o “Movimento Legionário”, que englobava as mais ativas camadas juvenis, se revelou como um erro absoluto: “o fracaso foi patente, e a Straja Tzarii foi incapaz de insuflar na juventud um novo espírito”, dizía Duprat. O passo seguinte da pseudofascistização do Rei Carol, foi a “Frente de Renovação Nacional”, criada em dez/1938, único partido capacitado para apresentar candidatos as eleições, e no seio do qual se devía desenvolver toda atividade política, sob pena de perder os direitos civis e políticos. Como a adesão era obrigatória aos funcionários e certos grupos sociais, em poucos días teve milhares de membros. Se integraram obrigatoriamente na “Frente” também as organizações das minorías nacionais (inclusive os judeus). A saudação romana e os uniformes tampouco faltavam. As fotos da época nos mostram aos ministros romenos com uns uniformes rutilantes, que para sí tinham querido os membros do “Polítische leitung” do NSDAP. Se criou um “Grande Conselho”,

e no Parlamento só a Frente estava representada. Para impedir que os jovens, influenciados massivamente pela Legião votassem,

se aumentou a idade para 30 anos. Tão ampla montagem se revelou infrutuosa, e quando o Rei, mais tarde, teve que abdicar, nem um só dedo se moveu em sua defesa: “Carol havía intentado copiar o Fascismo para instaurar sua ditadura pessoal; teve ocasião de dar-se conta que o Fascismo não consistía nos enfeites e a saudação com braço erguido; teve que fazer a experiência triste de ver que os Partidos Unicos dos regimes fascistas eram o fruto da vontade popular, que amplas franjas da população os apoiavam com entusiasmo antes da conquista do Poder. A FRN de Carol é o melhor exemplo do que não é o Fascismo”, é a prova de que o Fascismo não reside em traços exteriores “ditadura, principio de liderança, partido único, uniformes, saudações, formações paramilitares, enquadramento da juventude”, dizía Duprat. Não é de estranhr que a FRN contara com o apoio de muitos “nacionalistas” e “antíssemitas” da geração anterior a Codreanu, como Iorga ou Vaida, e com o assentimento do que o mesmo Duprat qualificou de “caricaturas do Fascismo”, ou seja, o movimento de Cuza e Goga. Embora Codreanu houvesse dissolvido sua organização, ordenará específicamente não responder as provocações

policiais, sabedor de que o engendro político que havía erigido o Rei não podía durar, a Policía Política, a temível “Sigurantza”, recebeu ordens de atuar contundentemente. Em abril/1938 Codreanu foi preso, com a desculpa de que ameaçara a Iorga numa carta 173 . A Legião não respondeu, pois tinha essas ordens. Se montou um novo processo fraudulento, mas os novos tribunais da ditadura já não tinham nenhuma imparcialidade. Codreanu estava condenado de antemão. No julgamento se acusou a Codreanu de inumeráveis falsidades, entre

não puderam provar-se ante

O cargo mais interessante que lhe deram, o das relações com potencias estrangeiras, niem agora são provadas”.

Outra acusação foi a de terrorismo, notável acusação, diga-se de passagem, pois o balanço que nos oferece Barbu até 1937 é este:

“Entre 1924 e 1937 cometeram 11 assassinatos, contra importantes personalidades políticas especialmente. Durante este periodo, porém, mais de 500 legionários foram mortos, em especial, nas mãos da Policía”. Na realidade, os legionários não praticavam

mais que uma violencia seletiva, destinada só a defender-se, e dirigida contra os responsáveis diretos dos atropelos que sofríam. Conta Guiraud que “o processo foi apaxonante. Codreanu provará, sem refutação possivel, sua inocencia, num discurso que durará 10 horas. A emoción chegou ao máximo quando o Gen Antonescu, única testemunha, se dirige publicamente e

aperta a mão de Codreanu

aperto a mão de um traidor'. No final, Codreanu é condenado a 10 anos de prisão. Calinescu cumprirá com seu papel. O principal inimigo do Rei e seu estava na prisão, e ele podía seguir tentando enganar ao povo con seu pseudofascismo: “Os discursos de

Por fim o antigo Regime descobrirá um homem com

suficiente determinação, imaginação e oportunista”, disse Weber. A situação da Legião não podía ser mais difícil: centenas de militantes e chefes de campos de concentração, outros tantos escondidos, muitos outros exilados. Só os elementos “não queimados” políticamente pudeam organizar na clandestinidade as redes legionárias. Horia Sima 174 , um dirigente provincial do Banato, desconhecido pela “Sigurantza”, assumiu a direção, organizando a propaganda clandestina e as ações armadas, cujo éxito mais repercutido foi a morte do reitor da Universidade de Bucareste, fanático antilegionário. Enquanto estes fatos ocorríam na Romênia o Rei Carol viajou a Alemanha, buscando apoio para seu Regime ditatorial. Hitler foi taxativo con ele: devía confiar o Poder a Codreanu si desejava contar con seu apoio. Segundo vários autores isto foi o que decidiu ao Rei Carol a assassinar a Codreanu, para evitar ter que cumprir o conselho de Hitler. Outros autores dizem que foi pelo temor a que a Legião, cujas redes clandestinas se mostravam crecentemente ativas, libertasse ao Capitão. Seja como for, o caso é que se montou uma sinistra farsa: o Capitão, os “Decemviri”, e os 3 legionários que habían matado a Duca, foram tirados de prisão, e estrangulados; se afirmou que havíam tentado fugir; para evitar que seus corpos fossem recuperados por seus seguidores, o que mostraría o estrangulamento, e daría lugar a grandes manifestações como motivo do enterro, os cadáveres foram queimados com vitriolo numa fossa comum. Era a noite de 29-30/11/1938. A noticia comoveu a Romênia, e a todos os fascistas europeus, pois o movimento de Codreanu alcançara notoriedade internacional. A Legião se fixou um objetivo: vingar ao Capitão. Em mar/1939, uma explosão acidental descobriu um arsenal de armas e explosivos preparados para um Putsch. Numerosos

Calinescu fascinavam por sua imitação dos tópicos e o estilo legionários

responderá ao Presidente, que lhe perguntava se julgava a Codreanu culpado de traição: 'Eu não

o Tribunal nunca

elas, a de estar a soldo da Alemanha; na realidade e como fala Weber: “Grande parte das acusações

172 Guarda da Patria, em português.

173 Se limitou a assinalar a decepção que sua trajetória política havía significado para os jovens nacionalistas e antissemitas romenos.

174 Horia Sima (Făgăraş, Imperio Austro-Húngaro, 02/07/1907 - Madri, Espanha, 29/11/1993). Político romeno, estreito colaborador do líder fascista Corneliu

Zelea Codreanu e seu sucessor como líder da Guarda de Ferro. In es.wikipedia.org/wiki/Horia_Sima.

legionários foram presos ou se exilaram mas foram descobertas novas tentativas e conspirações. No final, em 21/09/1939, Calinescu foi executado por um grupo de 7 legionários. As represálias a este fato foram espantosas. Entre nov/1938 e esta data se calculam em 200 o nº de legionários assassinados pela Policía e os capangas de

Calinescu, agora as repressálias oficiais foram terriveis: “Em todas as regiones os magistrados receberam ordens de executar aos 3 legionários mais destacados de cada localidade; penduraram seus corpos de postes de telefone, ou expuseram em praça pública, como fizeram em Bucareste. Enquanto isso, nos campos de concentração matavam diariamente de 68 membros dos mais

destacados, a 92 segundo outros

mínimo morreram 1200 legionários. Só as vitórias alemãs induziram ao Rei Carol a acabar com a repressão, que se refreou muito

a partir de dezembro. Os fatos posteriores demostraram que aqueles massacres não havíam aniquilado a Legião. Em abril/1940 o Rei Carol decretou uma anistía, graças a qual centenas de legionários sairam dos campos de

concentração, e voltaram do exilio. Incapaz de aniquilá-los, Carol tenta agora ganhá-los, para poder seguir no Poder. “Sima, detido quando tentava entrar no país, foi tratado com especial consideração; a vitória alemã no Oeste convertía ao antigo 'terrorista' num útil colaborador”, escreve Weber. Sima se mostrou, ao menos na aparência, pronto para superar os últimos confrontos. A FRN foi transformada no “Partido da Nacção” e aberto aos legionários, aos quais Sima estimulou a entrar na nova formação, num manifesto em 23/06. O mesmo Sima foi nomeado Secretario de Estado da Educação, e outros legionários ocuparam postos no Poder. Qual era o motivo que fazia estes homens esquecerem ofensas passadas? Simplesmente: estava ameaçada a integridade da Grande Romênia. Três días após o manifesto de Sima, a URSS reivindicou oficialmente a Bessárabia e

a Bucovina. Em 28/06 ocuparam as tropas russas ambas provincias. Houve crise governamental, e Sima e outros 2 legionários

foram nomeados ministros, se bem qur se demitiram muito pouco depois. Em agosto a Romênia teve de ceder a Transilvania aos húngaros, e a Dobrudja 175 aos búlgaros. O Regime de Carol, desacreditado interiormente, foi vítima fácil das potencias estrangeiras, aumentado sua impopularidade. Os legionários concluem chegará o momento: “Em 3 de Agosto os legionários se levantaram em Bucareste e em 2 grandes capitais provinciais, Brasov e

Constanza. Tentaram ocupar postos estratégicos: a emisora de radio, telefones, quartéis de Policía, mas o putsch que parecía haver triunfado nas capitales provinciais fracassou em Bucareste, e logo foram derrotados mediante a intervenção do Exército”, conta Weber. Carol não tinha mais outra saida política senão chamar ao Poder a um homem que sempre evitará, o Gen Antonescu. Antonescu concordou em fazer frente a situação caótica em que o país estava, mas exigiu que Carol abdicasse, e este não teve forma de evita-la. Em 06/09 o Rei e sua amante judía abandonaram o país. Seu filho Miguel começava a reinar, se bem que a figura chave da nova situação era o próprio Gen Antonescu. O abortado putsch logrará seu objetivo”, julga Weber. Antonescu, proclamado “Conducator” 176 do país criou o “Estado Nacional Legionário” 177 , chamando ao Governo a Sima, novo premier, e a outros destacado legionários, como o príncipe Sturdza 178 , que ocupou o Minist. de Assuntos Exteriores. Militares, e funcionários ocuparam o restante das Pastas. As relações entre os 2 grandes blocos que integravam o Regime, os legionários, e os militares e funcionarios, foi piorando progressivamente. Os segundos acusavam a Legião de excesos, e violencias. Certamente os legionários, que sofreram mais de 2.500 assassinatos, dezenas de milhares de detidos, torturados, e exilados 179 , se vingaram. Iorga, por exemplo, foi assassinado, assim como os autores materiais da morte de Codreanu e outros legionários. Não faltaram, inevitavelmente, oportunistas. E também não falta razão a Harald Meuen quando diz que a composição do Movimento Legionário “havía variado sensivelmente por causa das massacres dos dirigentes, ficando em 1940 um movimento mais heterogéneo, e menos disciplinado. Mas o que desgostava a estes elementos governamentais não eram estas violencias, nem

os excessos”. Sburlati disse: “Em oposição a Horia Sima

desenvolver uma Política substancialmente imobilista, e conservadora, tratando de frear os impulsos revolucionários dos legionários con a inserção destes nos vértices do Estado. Os legionários, não se prestaram a este intento de neutralizar seu programa revolucionário”. “A Guarda de Ferro que, como movimento, foi totalmente anti-regime estabelecido, nos poucos meses que esteve no Poder, atuou contra os interesses da antiga instituição”, escreve Andreski. Os sentimentos dos legionários a Antonescu foram inicialmente de respeito e afeto. Os protestos não se dirigíam a ele, mas contra aos militares e burocratas que já havíam servido ao Antigo Regime. Para erradicá-los totalmente do Poder, a Legião preparou um novo putsch a “Policía Legionária”, que se criará, foi treinada e armada, como o “Corpo Legionário de Trabalhadores”. Antonescu em vez de tomar partido junto aos legionários, o fez contra eles. Buscou o apoio dos alemães, já que o novo Regime se aderira ao Pacto Tripartide, e tropas alemãs havíam sido estacionadas no país, para, defender Ploesti e seus poços petrolíferos, e também visando um futuro ataque a URSS. A intervenção alemã foi ambivalente. As SS apoiaram decididamente a

a Legião, enquanto que as autoridades estatais alemãs preferíam a Antonescu. Enquanto que as SS lhes interessava o aspecto

ideológico, Hitler e as autoridades estatais consideravam o problema de um ponto de vista estritamente pragmático que o fator decisivo eram os alemães, e que estes cuidavam menos da ideología de seus aliados, do que ordem de seu Regime e de assegurar

sua paz interna e os abastecimento de petróleo, trigo, potencial humano

palavras de Carsten: “e por esta razão se escolheu ao Gen Antonescu, do mesmo modo que na Francia se apoiou ao Mal Pétain, e na Hungría ao Regime Horthy, pois estes oferecíam as condiçõnes que necessitavam”. Após uma viagem a Alemanha, Antonescu depôs a todos os hierarcas legionários que ocupavam postos nas provincias. Dizía que “os bolcheviques se apoderaram do movimento legionário”, ao “qual respondía o periódico legionário 'Buna Vestire' que havía que lançar a nova fase da Revolução Legionária”. Houve enfrentamentos entre as multidões e o Exército, e em

o banho de sangue de 1939 foi algo horrivel”, conta Weber. Cifras modestas calculam que no

o Gen Antonescu, nomeou a sí mesmo Conducator, do país, quería

”,

disse Weber. Podemos continuar o raciocínio com as

175 Dobruja (em romeno Dobrogea) é uma região história nos Bálcãs hoje dividida entre a Romênia e a Bulgária. Situa-se entre o rio Danúbio e o mar Negro,

incluindo o delta do Danúbio. A região é dividida em Dobruja Setentrional integralmente na Romênia (In pt.wikipedia.org/w/index.php? title=Dobruja_Setentrional&action=edit&redlink=1) e Dobruja Meridional (pt.wikipedia.org/wiki/Dobruja_Meridional), em grande parte em território búlgaro,

mas com uma pequena porção na Romênia, chamada Cadrilater (Quadrilátero). As principais localidade da Dobruja são Constanţa, Mangalia, Tulcea (na Romênia) Tutrakan e Silistra na Bulgária.

176 Conducător (literalmente em romeno, “Líder”) foi o título usado oficialmente em 2 instancias pelos políticos romenos. In es.wikipedia.org/wiki/Conducător.

177 O Estado Nacional Legionário (em romeno: Statul Naţional-Legionar Român) foi o nome do modelo de Estado, de carácter fascista, que regeu a Romênia

entre 14/09/1940-14/02/1941, quando foi abolido formalmente e substituído por uma ditadura militar encabeçada pelo Gen Ion Antonescu. In

es.wikipedia.org/wiki/Estado_Nacional_Legionario.

178 Referencia a Mihail R. Sturdza. In en.wikipedia.org/wiki/Mihail_R

21/01 Sima exigió a Antonescu que lhe cedesse o Poder, e colocasse a frente de todos os Ministérios a legionários. No día seguinte os legionários ocuparam edificios públicos e centros nevrálgicos. As barricadas apareceram nas ruas. O Exército interviu e os combates duraram 2 días, no fim dos quais o Exército regular se impôs. “Uma vez mais se demostrou que as massas mal treinadas e mal armadas não são inimigo para um exército moderno”, disse Carsten. Houve dúzias de mortos “só em Bucarest se contaram quase 400” e uma nova onda de repressão sobre os legionários. Muitos dirigentes legionários foram tirados do país pelos SS alemães, que os puseram seguros na Alemanha, se bem, dadas as pressões de Antonescu, teve que interná-los no campo de concentração de Buchenwald. Em 15/02 foi dissolvido, oficialmente, o “Estado Nacional Legionário” enquanto Antonescu proclamava o “Estado Nacional e Social”, que Weber disse, que “A despeito do aspecto fascista foi eminentemente conservador”. Quatro meses mais tarde, em jun/1941, Antonescu entrava na guerra contra a Russia, junto a seu aliado alemão. Antonescu viu nele uma nova forma para desfazer-se dos legionários, mandando-os a frente aos lugares mais expostos. Os legionários, por sua parte, frente ao inimigo principal, o Comunismo, estavam dispostos a deixar para trás passados enfrentamentos: “O Exército romeno partiu para a conquista das terras arrebatadas pela URSS; para os chefes da Guarda o dever de todos é ajudá-lo nesta tarefa, inclusive se a Guarda continuava sendo hostil a Antonescu”, conta Duprat. Enquanto a campanha foi favorável ao Eixo, a Oposição democrática não pode atuar. Mas quando as tropas germano-romenas começaram a sofrer derrotas, desde Stalingrado, a Oposição, junto ao Rei Miguel, procurou abandonar o Eixo, e passar aos Aliados. Em 1944, com as tropas russas nos limites de Romênia, tiveram por fim a ocasião. O Regime de Antonescu não pode defender-se, e se dissolveu enquanto Antonescu era deposto pelu Rei e uns conjurados: “O Regime se transformará num sistema morto, como o havía sido o sistema autoritário de Carol. Quando soou a hora do perigo nada se moveu para defende-lo: uma pequeña revolução palaciana o dissolveu”, disse Hottl 180 . Os alemães pagaram caro seu error de apoiar a Antonescu. Na Alemanha, enquanto os carros de combate russos ocupavam rapidamente Romênia, os legionários “presos” em Buchenwald foram libertados, e convidados a formar um Governo no exilio, o que fizeram, estabelecendo-se em Viena, e procurando organizar aos elementos romenos que desejavam continuar o combate contra o Comunismo. Os poucos legionários que ficaram na Romênia foram massacrados, junto aos seguidores e colaboradores de Antonescu. Uma nova fase de terror e o estabelecimento da férrea ditadura acabaram por fim com a Legião que só pode sobreviver no exilio. Desde os primeiros enfrentamentos universitários de 1923, até o “putsch” contra Antonescu, a Legião, e suas organizações de massas foram dissolvidas repetidamente, e seus membros perseguidos e assassinados. Epócas de terror, como as de Duca e Calinescu, se repetiram com Antonescu e na ditadura comunista. O Fascismo romeno enfrentou não uma Esquerda forte, nem um sólido movimento operário, mas a oligarquía política romena, o Estado 181 e os velhos nacionalistas e antissemitas. Como na Hungría, também na Romênia o Fascismo revolucionário dos legionários se opôs aos elementos fascistizados da Direita extremista, e a Regimes como os de Carol e Antonescu, pseudofascistas. As interpretações que vê no Fascismo um movimento reacionário e antipopular ficam totalmente a desejar quando se analisa o Fascismo romeno. Até tal ponto rompe os moldes clássicos que Nolte se pergunta: “Não era a Guarda de Ferro uma seita cristã antes que um movimento fascista?”. Esta tese é sugerida por alguns autores dado o primordial papel que julgava a espiritualidad, e os ritos na Legião. A esta pergunta se autorresponde Nolte dizendo que: “A Mística da Guarda de Ferro não pode chamar-se cristã no entanto, que estava cheio de expressões cristãs, porque seu centro não era o Deus universal, mas o povo romeno”. Esta é uma posição típica que aparece em todos os Fascismos propriamente ditos, pelo que é um verdadeiro indicativo quando se trata de classificar a um movimento de fascista ou não, indicativo ou chave que, por outra parte, não pode ser usado exclusivamente, mas unido a outros módulos de classificação. Como conclusão, devemos voltar a citar a Nolte, quando disse que: “A Guarda de Ferro não só deve ser denominada fascista, mas é talvez o mais interessante e polifacético dos movimentos fascistas, porque unifica em seu seio tanto traços pré-fascistas como radical-fascistas”.

Bulgária

Não existiu nunca na Bulgária uma organização claramente fascista que alcançou certa importancia. Entretanto, desde 1923 os comunicados da IC denunciavam o “Fascismo búlgaro no Poder”. Para comprender esta incongruencia, assim como que este país fora uma das potencias vinculadas ao Pacto Tripartide, devemos voltar atrás na Historia. No final da Grande Guerra, na qual a Bulgária combaterá junto as Potencias Centrais, o país foi obrigado a firmar a paz em condições humilhantes 182 . A aspiração revisionista contra este Tratado será uma constante na Política búlgara, e permitirá que as forças nacionalistas, e fascistas tenham mais força, por exemplo, que en Grécia ou Albania, como se explicará mais tarde, a identidade de interesse com a Alemanha, pois ambos países estavam interessados em subverter. a ordem política internacional criada como consequencia dos Tratados de Paz de 1918. Duss forças políticas de Esquerda, o Partido Camponês, e o PC havíam conseguido, nestes anos, alcançar sólidas situações políticas. O 1º deles, levou a cabo uma série de reformas sociais, e soube também opor-se aos comunistas; apesar de que, para os meios conservadores búlgaros, não desava ser um partido “bolchevique”. Nas eleições de maio/1923 os “Camponeses” obtiveram uma ampla maioría, o que “provocou” a reação: em junho se produziu um golpe de Estado militar, apoiado pelos conservadores, o Rei, a “Liga de Oficiais da Reserva”, e a VMRO 183 . Se confíou o Poder a Tsankov 184 , que desencadeou a repressão sobre os comunistas e o Partido Camponês. Não se instaurou um Regime autoritario, de partido único, mas que mediante o sistema de “golpes” se conseguía a maioría parlamentar para dar base ao Governo. O PC não só resistiu a repressão, mas provocou uma cadeia de atentados, algum deles brutal, como o da Catedral de Sofía 185 , que ocasionou uns 200 mortos. O partido governamental, União Democrática não era nem fascista, nem fascistizado, mas “nas bordas do partido

180 Referencia a Wilhelm Höttl. en.wikipedia.org/wiki/Wilhelm_Höttl.

181 Um Estado que a IC não duvidava em qualificar de fascista.

182 Referencia ao Tratado de Neuilly-sur-Seine. In es.wikipedia.org/wiki/Tratado_de_Neuilly-sur-Seine.

183 Pelas inclinações pró-iugoslavas do Partido Camponês.

184 Referencia a Alejandro Tsolov Tsankov. In es.wikipedia.org/wiki/Alejandro_Tsankov.

185 Referencia ao Atentado na Catedral de Sveta-Nedelya. In es.wikipedia.org/wiki/Atentado_en_la_Catedral_de_Sveta-Nedelya.

governamental, havia associações de carácter fascista”, segundo Nolte. Estas nunca tiveram grande eco, e não se desenvolveram

notavelmente. A mais importante era a “Rodna Saschtita” 186 , fundada na clandestinidade antes de “Golpe de Estado de 1923” 187 , “ativista, corporativista, antissemita, e antiliberal que apresentava ademais todos os traços exteriores típicos do Fascismo:

uniformes paramilitares, saudações com braço erguido, métodos esquadristas”. Tsankov procurava afiançar seu poder pessoal, e assim se aproximava deste movimento filofascista. Mas o monarca búlgaro, o Rei Boris, inquieto por estas “veleidades ditatoriales” de Tsankov, o destitui-o, pondo em seu lugar a um fantoche, Liaptchev, através do qual ditava a Política do país. Tsankov, já fora do Poder, seguiu buscando o apoio de grupos fascistizantes. No principios dos anos 30, se criou na Bulgária o “Nationale Zadruga Fascisti” 188 e mais tarde o “Partido Nacional-Socialista Operário Búlgaro” 189 , dirigidos, respectivamente, por Stalyski 190 , e Kuristchef 191 . Mas nem um nem o outro grupo alcançaram importancia. Também, em 1931 concretamente, Tsankov criou seu “Movimento Nacional-Social” 192 , sobre o qual Nolte escreveu que “é duvidoso seu carácter fascista, apesar das acostumadas expressões autoritarias, e de uma visita de Tsankov a Hitler”.

O conjunto dos movimentos mais ou menos inclinados ao Fascismo na Bulgária, acharam seu valedor intelectual no

Cel Durvingoff, cientísta, historiador e sociólogo; autor d obra “O espírito da historia da Nação búlgara” 193 , onde busca a “essencia nacional búlgara” e predica o expansionismo. Mas Durvingoff também prestava atenção aos problemas sociais e se pronunciava pela distribuição das terras aos camponeses. “Seu Fascismo era sobretudo uma tentativa de resolver a 'fome de terras' do pequeno campesinato”, corrobora Solfiers. Esta vocação populista não conseguiría impor-se inteiramente nos grupos fascistizantes, a maior parte dos quais se nutríam da burguesía média de Sofía. Não em vão, era Tsankov, e não Durvingoff, o que capitaneava a “Oposição Nacional” búlgara, e que conseguiu agrupar em torno de sí as forças fascistizantes, con as quais se preparava para tomar de novo ao Poder, e não fazía segredo disto. Logo se extendeu o fantasma de uma “marcha sobre Sofía”. “É probavel que o temor ante o 'golpe fascista de Tsankov', contribuiu a organização, aprovada pelo Rei, do Regime autoritário do Gen Georgieff 194 , em 1934, que dissolveu as organizações fascistas e fascistizantes”, escreve Nolte. Georgieff

procedía de “Zveno” 195 , círculo politico-militar, que pedía um Regime autoritário. A ideología deste circulo parecía oscilar entre o Bolchevismo e o Fascismo, e alguns autores o consideram como “fascista de Esquerdas” o quae tampouco é certo. Em todo caso, o Zveno formou um “Governo de Regeneração Nacional”, dissolveu as organizações já citadas, perseguiu a VMRO, e depurou ao Exército de oficiais pró-alemães, sem porisso conseguir o apoio dos comunistas, “que o acusavam de fascista”, os “Camponeses”. Georgieff foi sustituido por outro Gen. Lukov 196 , pró-alemão, que retomou relações cordiais com a Alemanha Nacional-Socialista, e que fez conceber esperanças a Tsankov de novo. O Rei Boris voltou a intervir substituindo a Lukov, por um homem de sua confiança, Kioseivanoff 197 . O Rei Boris buscava um equilibrio entre as correntes fascistizantes e as esquerdistas, no interior do país, para poder manter também sua liberdade Política Exterior. De fato, esta política ambigua se manteve após a eclosão da II Guerra Mundial, uma vez que o Regime búlgaro achou a estabilidade novamente, e assim ocorreu que a Bulgária permitiu a passagem de tropas alemãs para as campanhas da Grécia e Iugoslávia, mas não participou delas, recebendo em troca compensações territoriais; também sabemos como após assinar o Governo búlgaro o Pacto Tripartide não participou na campanha contra a URSS alegando a russofilia do país; como chegou a criar organizações estatais de filiação obrigatária para a juventud, a “Brannik” 198 , mas se considerava o Regime a sí mesmo “não mais que uma solução transitória previa a uma restauração melhorada da velha e democrática Constituição de Tarnovo 199 ”, segundo Nolte. Os governantes búlgaros estavam dispostos a manter sua fidelidade ao Eixo, mas só enquanto durara a época das vitórias. A misteriosa morte do Rei Boris em 1943 tem sido interpretada em 2 sentidos. Uns a atribuem aos alemães, e outros aos soviéticos. Em ambos casos, se aportam teses bastante válidas, e isto já é uma boa prova da ambigüedade em que se movía a Política oficial búlgara. As possiveis dúvidas do Governo búlgaro sobre seguir lutando junto ao Reich se dissiparam cuando as vanguardas soviéticas se precipitaram sobre os Balcãs.

A Oposição assaltou o Poder, e o Gen Georgieff, do Zveno, ocupou o Poder, para firmar nesse mesmo día a

declaração de armisticio com a URSS, que havía invadido o país 2 días antes, em 08/09/1944. Tsankov, que estabilização política que havia deixado sem espaço para a ação, e a aliança com o Eixo lhe había deixado sem alternativa política para formular, exilou-se em Viena, onde criou um “Gobierno no Exilio”, e tentou criar um Exército búlgaro anticomunista, enquanto que

Mihailoff, o ativo chefe da VMRO, tentava organizar a “resistencia interior” no país, o que se demostrou impossivel pela atividade das tropas soviéticas, e a “caça ao fascista” que se desencadeará.

O Fascismo búlgaro não foi, como se vê, nada brilhante. Se deveu mais a ação dum político conservador que ao

impulso popular. Tsankov aspirava fazer dele seu instrumento de Poder, 1º para manter-se nele, mais tarde para conquista-lo. Os

186 Defesa Patriótica, em búlgaro.

187 O Golpe de Estado na Bulgária de 1923, também conhecido como o Golpe de 9 de Junho (em búlgaro: Devetoyunski prevrat), foi um golpe de Estado na

Bulgária implementado pelas FFAA sob o Gen Ivan Valkov da União Militar em 09/061923. Hesitantemente legitimado por um decreto do czar Bóris III da

Bulgária, que derrubou o governo da União Nacional Agrária Búlgara dirigido por Aleksandar Stamboliysky e substituiu-o com um sob Aleksandar Tsankov. In

pt.wikipedia.org/wiki/Golpe_de_Estado_na_Bulg%C3%A1ria_em_1923.

188 Partido Nacional Fascista Búlgaro, em português.

189 In en.wikipedia.org/wiki/Bulgárian_National_Socialist_Workers_Party.

190 Referencia a Alexander Tsankov Staliysky. In en.wikipedia.org/wiki/Alexander_Staliysky.

191 Referencia a Dr. Hristo Kunchev ou Kuntscheff.

192 In en.wikipedia.org/wiki/National_Social_Movement_(Bulgária).

193 Obra publicada en 1932.

194 In en.wikipedia.org/wiki/Kimon_Georgiev.

195 O Zveno (A Rede) foi uma organização búlgara com uma dupla vertente, militar e política, que foi fundada nos anos 30 do Séc. XX por um grupo de oficiais

do Exército búlgaro e de intelectuais do país. Embora os militantes do Zveno não eram propriamente fascistas, mas preconizavam tanto um Estado como um

sistema econômico do tipo corporativo. Outro dos componentes de sua ideologia era um sentimento contrário a liberdade de existência dos partidos políticos; para terminar, se opunham frontalmente a VMRO, um movimento separatista macedônio com atividades terroristas. O Zveno estava igualmente vinculado as ligas

militares

pela queda e assassinato do Premier da Bulgária Alexandre Stamboliski

(es.wikipedia.org/wiki/Alejandro_Stamboliski), deposto e executado por meio do Golpe de Estado de 09/06/1923.

196 Referencia a Hristo Nikolov Lukov. In en.wikipedia.org/wiki/Hristo_Lukov.

197 Referencia a Georgi Ivanov Kyoseivanov. In en.wikipedia.org/wiki/Georgi_Kyoseivanov

198 In fr.wikipedia.org/wiki/Brannik.

199 In en.wikipedia.org/wiki/Tarnovo_Constitution.

de

Extrema-Direita

que

eram

responsáveis

débeis focos fascistas foram facilmente sufocados pelo Governo, que não duvidou, em usar métodos fascistizantes, e o Rei Boris pode instaurar sua ditadura de forma velada.

Grécia

Como na Bulgária, na Grécia, o desenvolvimento das forças fascistas foi muito escassa. Cabe falar de fascistização no Regime, e de uma série de movimentos, aos que Nolte qualifica, melhor, de semifascistas, do que fascistas plenos. O 1º governante grego no qual se podem detectar traços similares ao Fascismo é em Venizelos 200 , que levará o país a Guerra, junto aos Aliados, e que em 1918 tentou prosseguir uma política de expansionismo helenico. “Era uma posição que tínha similaridades inegaveis com a postura de Mussolini, entre Irredentismo, Intervencionismo, e Imperialismo, e Imperialismo nacionalista. Mas Venizelos estava no Poder, e não necessitou criar um movimento popular organizado”, disse Nolte. Os sonhos de Venizelos vieram abaixo, com a derrota que lhe infligiram, a suas tropas, os turcos, que também, lançouó sobre Grécia uma massa de gregos refugiados, que vínham da Ásia Menor. Em sua queda política, Venizelos arrastou também a Monarquía, e a República foi instaurada em 1924. a situação do país seguiu sendo instável, e a República foi espectadora, em jan/1926, da proclamação da ditadura do Gen Pangalos 201 , que ocupava a Presidencia do Governo desde junho anterior; seu Regime reacionário durou só até ago/1926, em que foi derrotado. Mas em 1935, a República estava já tão desacreditada que o país voltou ao Regime monárquico, e com ele aos Governos ditatoriais militares. O 1º general que tomará o Poder será Kondylis 202 , o qual não vacilará em afirmar que: “Todo conflito e todo desacordo devem desaparecer no futuro, e nosso programa de Política Interna não é muito diferente do programa do grande criador da nova Alemanha, Adolf Hitler”. Mas Kondylis ficará pouco tempo no Poder, já que em abril/1936 ocorrerá sua morte; lhe sustituirá o Gen lonnis Metaxas 203 . Era um oficial formado nas academias militares alemãs, que havía sido chefe do Estado-Maior, e oposto as aventuras militares de Venizelos; como monarquista convencido havía conspirado ativamente contra a República, o que lhe valeu pena de morte, e o exilio. “Durante o Regime republicano havía estado exilado na Itália, onde había concebido uma gran simpatía e admiração pelas instituições fascistas”, escreve Michelle Rallo. De fato, Metaxas era, simultaneamente, segundo Bertin “um incondicional da Monarquía e um simpatizante das potencias do Eixo”. Metaxas, Pres. do Conselho de Ministros desde a morte de Kondylis, assumirá poderes ditatoriais em ago/1936, graças a um golpe de Estado. Dissolveu a Câmara, suspendeu a Constituição, iniciou a perseguição aos comunistas. Em seu Regime não faltavam os traços fascistas: dissolução dos partidos, enquadramento da juventude, lançamento dum vasto programa de obras públicas, projetos de expansão panhelenicas 204 . Metaxas se preocupou também de enlaçar seu Regime com a história grega, arguindo que, após a Grécia Clássica e Helenística, e após o Imperio

Bizantino, iniciaria agora a “III Civilização Helenica” 205 . O conceito tínha, claramente, grandes analogías com o do III Reich. “Por sua 'decoração' exterior, o Regime de Metaxas podía-se alinhar junto as potencias fascistas, mas de fato não excedeu jamais sua natureza de ditadura militar clássica”, escreve Bertin. Quanto aos movimentos políticos fascistas, como já dissemos, seu desenvolvimento foi escasso. Nolte afirma que “o individualismo do povo, as tensões com a Itália, e a tradicional tendencia pró-ocidental 206 desempenharam seu papel em não deixar que surgisse um movimento de tipo fascista”. Ainda assim, é possível citar vários grupos. A “EEE” 207 tínha forças na Salonica, graças aos refugiados que vínham da Turquía, e uma ideología centrada no Panhelenismo. Existía um “Partido Nacional-Socialista Grego” 208 , dirigido pelO Dr. Georges Mercouris 209 . Este político tínha já uma ampla carreira política, vinculada ao Partido Popular 210 . Havía sido deputado, Min. de Abastecimneto, Min. de Educação, delegado na Sociedade das Nações, e na Conferencia Internacional do Trabalho, além de ocupar um papel de direção no Partido Popular. “Até 1932, se tratava de uma carreira política clássica. Mas, como muitos outros políticos, o ascenso do Fascismo na Europa lhe convenceu da decadencia das democracias ocidentais”, disse Bertin, e, portanto, após enfrentar o principal dirigente populista, decidiu criar, em fev/1933, apenas poucos días após a entrada de Hitler na Chancelaria o Partido Nacional-Socialista Grego. Suas esperanças de rápido éxito se viram, porém, frustadas, pois o número de adeptos nunca será importante. O pequeno partido, que participou do Congreso Fascista de Montreux, não gozou das simpatías alemãs que só viram nele “uma má imitação”. Havía outros grupos, de menor importancia ainda. O “Sidera Ireni” 211 agrupava aos seguidores do Gen Pangalos. O grupo “Phíliki Eteria Ellinon” 212 , que, fez contato com a Oficina Rosenberg propondo fantásticos planos de aliança greco-alemã,

dirigidos contra Itália

que mantínha posições parafascistas. “Os movimentos fascistas davam um apoio não isento de crítica ao Regime Metaxas, incitando-o a ir mas looge na suas posições panhelénicas”, disse Bertin, mas suas afirmações devem ser matizadas no sentido apontado por Nolte, que afirma que as citadas organizações eram, no máximo, catalogáveis como semifascistas. Paradoxalmente, o Regime de Metaxas será vítima dos regímes fascistas. A tradicional influencia britanica no país não havía sido vencida inteiramente por Metaxas, e por outra parte, as aspirações expansionistas italianas se havíam sido incitadas pela entrada de tropas alemãs na Romênia. Considerando, muito erroneamente, que aquilo era uma nova aventura militar alemã 213 , os italianos quiseram imitá-los atacando a Grécia. Trágica decisão já que forçou aos gregos a por-se decididamente do lado Inglês.

Mais importancia tínha a “União Geral de Estudantes”, que enfrentava na Universidade aos comunistas e

200 Referencia a Eleftherios Venizelos. In es.wikipedia.org/wiki/Eleftherios_Venizelos.

201 Referencia a Theodoros Pangalos. In es.wikipedia.org/wiki/Theodoros_Pangalos.

202 Referencia a Georgios Kondylis. In es.wikipedia.org/wiki/Georgios_Kondilis.

203 In es.wikipedia.org/wiki/Ioannis_Metaxas.

204 Referencia a “Grande Grécia” devía estender-se até a Ásia Menor.

205 In es.wikipedia.org/wiki/Tercera_Civilización_Helénica.

206 I.e., o Ocidente devía a Grécia sua Independencia.

207 Sigla, em grego, de Ell iinikíiEthnik íiSymmachía; ou Aliança Nacional Grega, em português.

208 Em grego: Elliniko Ethnikososialistiko Komma (EEK). In en.wikipedia.org/wiki/Greek_National_Socialist_Party.

209 In en.wikipedia.org/wiki/George_S

210 I.e., apoio parlamentar de Metaxas até que este implantou a ditadura.

211 Paz de Ferro, em português

212 Defensores da Raça Helena, em português.

213 I.e, se tratava do desenvolvimento prévio ao ataque de Rússia

Mercouris.

O Exército grego infligiu sérias derrotas aos italianos, e isto, unido a situação criada na Iugoslávia com o golpe de Estado,

preparado pelo Cel Donovan, forçou a Alemanha a atuar na zona. Metaxas morreu precisamente no espaço que houve entre as

vitórias contra os italianos, e o ataque alemão, em condições misteriosas, que fez surgir a teoria de envenenamento pelos ingleses, para poder assim aumentar sua presença no país.

A ocupação pelas tropas do Eixo, seguiu a instauração dum Regime “colaboracionista” dirigido pelo Gen

Tsalakoglu. “O Governo dO Gen Tsolákoglu 214 era de orientação conservadora, como conservadores eram seu chefe e seu Min. da Defesa, Bakos. Mas outros elementos do Governo, que após a destituição de Tsolakoglu, iam tomar em suas mãos os destinos do

país 215 , estavam muito mais decididos a apoiar sobre os elementos dos grupos fascistas” 216 , escreve Mavrocordatis. Apesar disto, as organizações fascistas (ou semifascistas) não chegaram a desenvolver notavelmente na nova etapa, sendo então as vítimas preferidas da poderosa guerrilha comunista. Estes grupos e organizações se viraramn a luta contra os comunistas, e também contra

os búlgaros, aliados da Alemanha, que havíam ocupado a região grega da Macedonia, provocando as iras dos panhelenistas. A organização que mais prometía era a “ESPO” 217 , dissidencia do partido de Mercouris, que tentou criar, em 1942, uma “Legião Grega” para ir lutar na Frente Leste. Quando já se haviam reunido centenas de voluntarios, um brutal atentado voou

o quartel-general da organização, em Atenas, em set/1942, matando a 72 pessoas, inclusive oficiais recrutadores das SS, e o líder

do movimento, o Dr. Sterodinos 218 . A EEE, desenvolvia um intenso trabalho na Salônica, contra os comunistas e os búlgaros, com

bastante apoio popular, mas também foi decapitada por uma ofensiva dos partisans comunistas, que exterminaram a seus chefes. Idéntico fim teve outro grupo de Salônica, os “Defensores da Grécia del Norte”, e mais tarde outro grupo implantado na Tessália: a “Liga Nacional Agraria de Ação Anticomunista”. Os débeis grupos semifascistas e anticomunistas acabaram integrando-se nos “batalhões de segurança” formados pelo Governo de Rallis, e que contaram inclusive com o apoio de forças partisãs não comunistas, dado o ameaçador avanço que registrará as forças marxistas. Uma boa prova de que a maior parte destes elementos não eram plenamente fascistas, é que não duvidaram em também contatar com as autoridades inglesas e gregas exiladas no Cairo, para buscar apoio para sua lucta. De tal forma, que quando os alemães se retiraram do país os homens das FFAA de Rallis continuaron lutando, agora ao lado dos ingleses, contra os comunistas, numa guerra civil que se prolongará até 1949. A Grécia não conheceu, pois, movimentos fascistas plenos, mas regímes com elementos miméticos fascistizantes e movimentos semifascisas.

Albania

Se a Bulgária e a Grécia não eram países “maduros” para o Fascismo, dada sua situação social e cultural, aún más

claro era que no podía progresar en Albania. “Se havía um Estado europeu que se podía dizer que suas relações sociais não estavam maduras para empresas fascistas, este era Albania”, disse Nolte, acrescendo que “Albania havía estado madura, em todo caso, para uma ditadura progressista e modernizante ao estilo da de Kemal Atataurk na Turquía”. Albania vivía uma vida política organizada, mais baseada nas tribos e clãs que nos partidos, e os dirigentes políticos não eram outros senão os grandes proprietários latifundiários, com poderes semifeudais. Dois grupos se enfrentaram antes da ocupação italiana do país, em 1939, o de Zogu 219 , e o de Noli 220 . Ambos se apoiaram nalgum momento na Itália fascista, e igualmente, ambos fizeram profissão de fé antifascista se caso isso lhes conviesse. Quando os italianos ocuparam o país, acabaram

com estas lutas, e consagraram na realidade política, o que já existía na prática económica, isto é, Albania era “de fato protetorado italiano já antes dos italianos desembarcarem em Tirana, e ocuparem o país sem nenhuma oposição. O país ficou como 'Reino independente vinculado ao Imperio' pelos laços do Protetorado, e a vida Política Interior se organizou segundo o modelo italiano, inclusive com um PFSh 221 , uma 'Central de Economía Corporativa' e um 'Conselho Superior Fascista Corporativo'”.

Os nacionalistas albaneses enfrentaram a Itália a partir do momento em que ficou claro que só sofríam derrotas nas

suas campanhas militares. Se criou o “Balli Kombetar” 222 , como Frente Nacional das forças conservadoras e republicanas, enquanto que na região de Kossovo, pertencente até 1941 a Iugoslávia, e vinculada depois da desarticulação deste país ao Protetorado da Albania, atuaba a “Liga de Prizren” 223 , que agrupava fanáticos nacionalistas albaneses. Sobre ambas forças se apoiaram os alemães quando ocuparam o país para sustituir aos italianos, após o putsh de Badoglio. Mas estes elementos não puderam impedir o triunfo final da guerrilha comunistas de Enver Hoxha 224 , uma vez que os alemães abandonaram o país.

Os Fascismos da Europa Alpina

O traço mais peculiar dos Fascismos da Austria e Suiça é a de atuar como “pontes” entre as várias modalidades de Fascismo européias. Na Suiça e na Austria há uma superposição de influencias italianas 225 e alemãs 226 , como assinalou Michelle

214

Referencia a Georgios Tsolákoglu. In es.wikipedia.org/wiki/Georgios_Tsolákoglu.

215

I.e.,

o

Prof. Konstantinos_Logothetopoulos (en.wikipedia.org/wiki/Konstantinos_Logothetopoulos), em 1943, e sobretudo Ioannis Rallis

(en.wikipedia.org/wiki/Ioannis_Rallis), último chefe do “Governo Nacional Heleno”.

216 In Mavrokordatis, Hanno, Le fascisme en Grèce pendant la guerre (1941-1944). In Etudes sur le fascisme, by M. Bardeche et al. (Paris, 1974), pp. 98-102, e in

Coleção da revista francesa “Revue d`Histoire du Fascisme” dirigida por François Duprat (artígos de Duprat, F. Solchaga, F. Massa, H. Mavrocordatis, Soffiers, R. Cazenave, H. Kinoshita).

217 Sigla, em grego, de Etniko Sossialistiki Politiki Organissis; ou Organização Política Nacional-Socialista, em português. In en.wikipedia.org/wiki/National-

Socialist_Patriotic_Organisation.

218 Referencia a Dr. Spyros Sterodimas.

219 Referencia a Ahmet Muhtar Zogolli e depois Zog I de Albânia. In es.wikipedia.org/wiki/Zog_I_de_Albania.

220 Referencia a Theofan Stilian Noli o Fan S. Noli. In es.wikipedia.org/wiki/Fan_S

221 Sigla, em albanês de Partia Fashiste e Shqipërisë; ou Partido Fascista Albanês, em português. In it.wikipedia.org/wiki/Partito_Fascista_Albanese e in en.wikipedia.org/wiki/Albanian_Fascist_Party. Ou seja, que nunca foi mais que uma superestrutura vazia de conteúdo.

222 Frente Única Nacional, em português. In en.wikipedia.org/wiki/Balli_Kombëtar.

223 Referencia a Second League of Prizren. In en.wikipedia.org/wiki/Second_League_of_Prizren.

224 In es.wikipedia.org/wiki/Enver_Hoxha.

225 I.e., na Heimwehr austriaca, e nos movimentos nacionalistas da Suiça romanche.

226 Ou seja, no Nacional-Socialismo austriaco e os movimento nacionalistas da Suiça germanófona.

Noli.

Rallo. Entretanto, George L. Moose definiu a diferença entre os Fascismos centro-europeus e europeo-orientais 227 e os europeus- ocidentais 228 , e situou a Austria “com um pé em cada campo” destes 2 grandes modelos de Fascismo. Esta qualificação é igualmente extensível, se bem que menor grau, a Suiça, “mais ocidental” que Austria enquanto que nesta o Fascismo alcançou uma importancia muito maior que na Suiça.

Austria

Austria foi tremendamente afetada pela derrota de 1918. De ser a Nação diretora dum grande Império, passou a ser uma pequena República empobrecida, e sem futuro. Como na vizinha Alemanha, os primeiros anos do pós-Guerra foram cheios

de tensão interna, e causa de intentonas revolucionarias da poderosa Esquerda austriaca, agrupada no Partido Social-Democrata, e

a tensão externa, causado pelos choques fronteriços com os iugoslavos, e húngaros, com os alemães da marxista República dos Conselhos de Munique 229 , e inclusive com os italianos pelo problema do Tirol do Sul. De forma análoga nascerá os Freikorps 230 alemães, que lutaram na Silésia e no Báltico, na Austria nasceram grupos

paramilitares de defesa das fronteiras. Denominadas “Heimatschutz e Heimatwehr” 231 , estas agrupações não tinham uma direção centralizada, ou uma implantação nacional; se tratava de grupos regionais, de ideología confusa e dispar, formados por ex- combatentes. Mais adiante, estes grupos se federaram sem porisso unificar-se plenamente, conhecida a partir de então como “Heimwehr” 232 . Segundo Nolte, eram “um típico produto do ano 1919”, o ano que inaugurava a paz após a I Grande Guerra, mas também o ano que presenciou, em toda Europa Oriental e Central, intentos revolucionários da Esquerda, e lutas fronteriças.

A Heimwehr sería por bastante tempo, a principal força dp Nacionalismo austriaco, e a partir de 1927 iniciou um

processo de fascistização, pelo qual muitos tem visto nela a personificação do Fascismo austriaco. A realidade é distinta, e para compreende-la melhor devemos remontar a pré-Guerra, para estudar as correntes em que se inspiraría.

O nascimento de um Nacionalismo Revolucionario na Austria é anterior a 1914, quando entre os grupos estudantis e

intelectuais partidários da união com a Alemanha (pangermanistas), prosperaram também ideais de reforma social, e

antiparlamentares. Estes grupos juvenis descobriram seu líder e porta-voz em Georg von Schonerer 233 , homem de ação, e brilhante orador. Também en torno de Schonerer se agruparam operários nacionalistas, fundamentalmente da Boemia e dos Sudetos, que havíam dado vida a um “DAP' 234 que depois passaría a chamar “Nacional-Socialista” 235 .

O movimento capitaneado por Schonerer se manifestou como racista e antissemita, inimigo do Socialismo marxista,

e da Democracia parlamentar; foi, sem dúvida, um dos melhores exemplos de movimento pré-fascista. Hitler, em “Minha Luta”,

frisa a importancia que teve, na sua formação ideológica, o movimento de Schonerer, mas acusa-o de não haver sabido captar as

massas, organizá-las e enquadrá-las. Quem fez isso foi o líder dos social-cristãos 236 Karl Lueger 237 , exemplo de moderno chefe de partidos de massas, hábil orador, que predicava igualmente o Antissemitismo, e o reformismo social de inspiração católica. Estas 2 correntes ideológicas, a pangermanista, e a social-cristã, apareceram também no seio da Heimwehr. Enquanto que na Carintia, as formações Heimwehr foram apolíticas e apartidáris, no Tirol estavam na línha católica- tradicionalista 238 , e na Estiria na corrente pangermanista, derivando rápidamente ao Nacional-Socialismo. A Heimwehr era partidaria do Anschluss 239 , idéia que também compartía o Partido Social-Democrata, dada a impossibilidade de subsistir que tínha

a pequena República, que só podía desenvolver-se com condição de estar inscrita num marco estatal mais amplo; a mesma perdida do Imperio forçava a esta união com a Alemanha. As potencias vencedoras de 1918 impediram a consumação desta aspiração nacional: uma mostra mais de seu respeito a “Autodeterminação”.

A partir da campanha que fez em prol do Anschluss, a Heimwehr começou também a atuar na Política Interior,

como pode imaginar, no sentido antimarxista; as forças da Heimwehr criaram sólidos contatos com os grupos antimarxistas alemães, especialmente os bávaros; com o Governo contrarrevolucionário e revisionista da Hungría e, através deste, com o Governo fascista italiano. De todas estas fontes se conseguiu apoio económico, e armas. Os social-cristãs e os social-democratas se enfrentaram pelo Poder ao longo de todos os anos 20. Os últimos tínham sua base principal em Viena “A Vermelha”, e numa série de cidades industriais, enquanto que os primeiros dominavam claraamente nas provincias camponesas. Os social-democratas contavam com uma forte milicia, disciplinada e armada, a “Republikanischer Schutzbund” 240 ,

227 Um Fascismo com alto componente antissemita enfrentandos as forças de Extrema-Direita e amplio arraigo popular.

228 Um Fascismo que punham o acento no Corporativismo, cujos limites com a Extrema-Direita eram mais difusos, e vinculados fundamentalmente a uma

ideología maurrasiano-mussoliniana, contando com menos apoio popular.

229 In es.wikipedia.org/wiki/República_Soviética_de_Baviera.

230 In es.wikipedia.org/wiki/Freikorps e in es.metapedia.org/wiki/Freikorps.

231 In es.wikipedia.org/wiki/Heimatsch e in es.metapedia.org/wiki/Heimwehr.

232 Defesa Interior, em português.

233 Referencia a Georg Ritter von Schönerer. In pt.wikipedia.org/wiki/Georg_Ritter_von_Schönere.

234 Sigla, em alemão, de Deutsche Arbeiterpartei (Partido Operário Alemão). O DAP foi fundado em 1919 pelo serralheiro Anton Drexler (es.metapedia.org/wiki/Anton_Drexler) junto com Gottfried Feder (es.metapedia.org/wiki/Gottfried_Feder), Dietrich Eckart (es.metapedia.org/wiki/Dietrich_Eckart) e Karl Harrer (es.metapedia.org/wiki/Karl_Harrer), como um dos movimentos populares (em alemão, völkisch) em Munique, Alemanha. Então existiam muitos destes movimentos como fruto da derrota na I Guerra Mundial. Em 1919, sendo no seu inicio um grupo nacionalista e

de pouca monta que se reunia numa cervejaria da capital bávara, Adolf Hitler se uniu ao DAP, começando como orador, e em 1921 mudou seu nome para Partido

Nacional-Socialista Operário Alemão (NSDAP). Hitler introduziu no movimento um sistema militarizado de Esquadras de Assalto, similar ao das Camisas Negras de Benito Mussolini. In es.wikipedia.org/wiki/Partido_Obrero_Alemán_(nazista) e in es.metapedia.org/wiki/Partido_Obrero_Alemán.

235 Ver o capitulo da Tchecoslováquia.

236 Referencia ao Partido Social-Cristão (em alemão, Christlichsoziale Partei). In es.wikipedia.org/wiki/Partido_Socialcristiano_(Austria).

237 In es.wikipedia.org/wiki/Karl_Lueger.

238 In es.wikipedia.org/wiki/Catolicismo_tradicionalista.

239 O Anschluss (Anexação, em alemão) foi o acordo proposto pela Alemanha e Áustria de levar a cabo a unificação de ambos países no Entreguerras. A inclusão

da Áustria dentro da Alemanha como uma província do III Reich se realizou em 1938, passando de Osterreich a Ostmark (Marca do Leste). Os eventos de

12/03/1938 foram os primeiros grandes passos na expansão da Alemanha largamente desejada por Adolf Hitler. Esta ação seguiu a devolução a Alemanha da região do Sarre, sob controle da Sociedade das Nações durante 15 anos como se acordou no Tratado de Versalhes, e precedeu a inclusão dos Sudetos mais tarde em 1938, a invasão da Tchecoslováquia em 1939, e finalmente conduziu a II Guerra Mundial com a invasão da Polônia por tropas alemãs, a URSS e Eslováquia. In es.wikipedia.org/wiki/Anschluss e in es.metapedia.org/wiki/Anschluss.

240 A Republikanischer Schutzbund (Liga de Defesa Republicana) foi uma formação paramilitar controlada pelo Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ)

que semeava o terror nos elementos conservadores, que víam naquela “Guarda Vermelha”, o exército que qualquer día tentaría um assalto revolucionário as instituciones. Para compensar sua presencia, os social-cristãos tentaron por controlar a Heimwehr. Os enfrentamentos entre homens da Schutzbund e o Heimwehr eram constantes. Os mais graves ocorreram em jul/1927; 2 membros da Heimwehr havíam sido absolvdos duma acusação de assassinato, reconhecendo-se que atuaram em defesa própria. Os marxistas não quiseram aceitar o veredito, e assaltaram e incendiaram o Palacio de Justiça, continuando varios días os enfrentamentos, que deixaram un saldo de 100 mortos. Com estes fatos, se inicia o processo de fascistização da Heimwehr. “De fato a Heimwehr evoluia agora inconfundivelmente ao Fascismo. Seu anti-Marxismo tradicional se trasformou, sob a impressão do exemplo do Fascismo italiano, em vontade de aniquilação total, e ao mesmo tempo se ia acusando cada vez mais sua aversão aos partidos burgueses”, escreve Nolte. A transformação dos fins do movimento, que passará duma milicia defensora das fronteiras, a militar contra o Marxismo, e depois contra a Democracia liberal, é típica de alguns movimentos fascistas europeus. Além da Heimwehr, existía na Austria outra força nacionalista: o Nacional-Socialismo. Os círculos operários nacionalistas que havíam apoiado a Schonerer, continuaram atuando como DAP; nos primeiros anos do pós-Guerra, as relações com os grupos nacional-socialistas do Sudetos e Boemia, e com os de Munique, havíam sido algo tensos, pois todos estes ramos aspiravam a dirigir o incipiente movimento. Finalmente, Hitler se impôs, tanto aos austriacos, como aos alemães da Tchecoslováquia. Desde 1925, o movimento era dirigido da Alemanha, por Hitler, que nomeava ao chefe territorial 241 , de quem dependía os 8 “gau” austriacos. A 1ª milicia com a qual contou o Nacional-Socialismo austriaco se denominou “Vaterlandischer Schutzbkund” 242 , mas mais tarde se introduziram as formações que existíam na Alemanha: SA 243 , SS 244 e HJ 245 . O ramo austriaco do NSDAP sempre gozou da fama de ativismo e violencia. Enquanta na Alemanha, desde o “Putsch de Munique”, se abandonou a idéia do golpe de Estado, ou a revolta revolucionária, na Austria nunca se esqueceram estas idéias. Como consequencia disto, e da competencia que supunha a Heimwehr, o NSDAP austriaco nunca alcançou a ser o gigantesco partido de massas que era seu irmão alemão, e só começou a representar um papel político em 1930. “O periodo de 1926 a 1930 só é importante na história do movimento político austriaco porque então o partido estabeleceu a estrutura disciplinada capaz de resistir todos os esfuerzos do Governo austriaco que tratassem de destrui-lo”, escreve Whiteside. “A crise de jul/1927 marcou o ponto crucial no que o CSP 246 adotou a Heimwehr decisão que levou inexoravelmente a guerra civil de 1934 e a extinção da Democracia parlamentar”, disse K.R. Stadler. Enquanto acelerava a fascistização da Heimwehr, se estreitavam os laços que a uníam ao CSP, de quem dependía cada vez mais. Este duplo processo criará uma ambiguidade política que marcará toda a vida da Heimwehr. Por uma parte, denunciará e criticará ao Regime de partidos, e a Democracia. Por outra, defenderá a uma força “do Sistema”, como era o CSP, e se deixará empregar para este para combater uma força fascista, o NSDAP austriaco. A Heimwehr surgida de forma espontánea, sem ideología precisa, levaba em sí mesma, desde sua origen, estas contradições ideológicas e tácticas.Apesar de toda a aparência fascista que chegou a ter, no rompeu nunca com as forças políticas clássicas. Esta debilidade básica nos explica sua trajetória posterior. A Heimwehr disputou com a Esquerda o dominio das ruas. Todos os fins de semana, suas unidades desfilavam pelas ruas de povoados e cidades, e não se detinha ante as cidades “vermelhas”, como Wiener Neustadt, onde só a masiva intervenção da Policía evitou que se enfrentassem a manifestação da Heimwehr, e a contramanifestação da Schutzbund. Era o auget de popularidade da Heimwehr, que após vencer as greves e motins de 1927, havía conquistado as ruas da Esquerda. Em 1929 o Chanceler eleito para ocupar a Presidencia do Governo, era um simpatizante do movimento: Schrober. Porém, “todavía era um movimento amorfo, sem outro propósito claro que seu anti-Marxismo, que atraía a uma incongruente massa de social-cristãos, monarquistas conservadores, pangermanistas, nacional-socialistas, antissemitas, burgueses, grandes negociantes, artesãos, veteranos de guerra, estudantes e aventureiros”, segundo Whiteside. Era o momento de impor ao movimento ativista, e descentralizado, uma ideología concreta. Tentou fazê-lo lançando mão das teorías do professor de Sociología de Viena, Othmar Spann 247 . “Este católico neo-romantico quis opor-se as ensinamentos de Adam Smith e Ricardo, com sua própria visão do verdadeiro Estado”, disse Stadler, no qual o individuo só contava como parte do conjunto, e na quual a “Formal demokratie” sería substituida pela Democracia Corporativa (“Standische”). Este ataque aos liberais e socialistas atraiu tanto aos nacionalistas como aos conservadores, sendo aceito como justificação ideológica do anti- Marxismo. Os nazistas, porém, logo perderam o interesse pelas ideas de Spann mas o “Standestaat” se convirteu na meta política da Heimwehr e mais tarde, da Frente da Patría. Deu nome a patética estrutura constitucional que Dolfuss 248 estabeleceu em 1934. Os comandos da Heimwehr não hesitaram em se apresentar como fascistas. Quando em 1929 se dirigiram a Schrober para formular-lhe seu programa, pediram a criação de um “Estado autoritário baseado em estamentos, e nos principios do Fascismo”. Em 1930, num grande comicio em Korneuburg, os grandes chefes da Heimwehr, Steidle 249 , Pabst 250 , Stharhemberg 251 , e Pfriemer 252 , “tornaram público o seu acordo com o Fascismo, denunciando a atividade parlamentar, e declararam que a Heimwehr alcançaría o Poder por seus próprios meios”, disse Whiteside. O fantasma duma “marcha sobre Viena” aparecía ameaçador. Os políticos conservadores comprenderam que alí havía um perigo para eles no momento em que a crise económica fazía cambalear o Regime. Os simpatizantes e militantes mais conservadores, em consequencia, abandonaram o movimento, que a “tentativa de introduzir a ideologia e o programa fascistas lhe privou das simpatías coletivas de todos os

durante a I República da Áustria após a I Guerra Mundial. In es.wikipedia.org/wiki/Republikanischer_Schutzbund.

241

Landesleiter, em alemão.

 

242

In es.wikipedia.org/wiki/Frente_Patriótico_(Áustria).

 

243

Sigla,

em

alemão,

de

Sturmabteilung,

que

se

pode

traduzir

literalmente

por

“Departamento

de

Tormenta”

ou

“Seções

de

Assaltos”.

In

es.wikipedia.org/wiki/Sturmabteilung.

244 Sigla, em alemão, de Schutzstaffel (Esquadrão de Defesa). A SS foi uma organização militar, política, policial e de segurança da Alemanha nazista. In

es.wikipedia.org/wiki/SS-Verfügungstruppe, in es.wikipedia.org/wiki/Schutzstaffel, in es.wikipedia.org/wiki/Waffen_SS e in es.wikipedia.org/wiki/Stabswache.

245 Sigla, em alemão, de Hitlerjugend; ou Juventudes Hitleristas, em português.

246 Sigla, em alemão, de Christlichsoziale Partei; ou Partido Social Cristão, em português. In es.wikipedia.org/wiki/Partido_Social_Cristiano_de_Austria.

247 In en.wikipedia.org/wiki/Othmar_Spann.

248 Referencia a Engelbert Dollfuß ou Engelbert Dollfuss. In es.wikipedia.org/wiki/Dolfuss.

249 Referencia a Richard Steidle. In en.wikipedia.org/wiki/Richard_Steidle.

250 Referencia a Waldemar Pabst. In en.wikipedia.org/wiki/Waldemar_Pabst.

251 Referencia a Ernst Rüdiger Starhemberg. In en.wikipedia.org/wiki/Ernst_Rüdiger_Starhemberg.

252 Referencia a Walter Pfrimer. In en.wikipedia.org/wiki/Walter_Pfrimer.

antimarxistas” (Whiteside). O mesmo Governo, não hesitou em atuar, exilando a um dos líderes mais radicais, Pabst, que era súdito alemão. A Heimwehr evidenciou toda sua debilidade interna, quando não reagiu contra este fato.

O cancheler que sucedeu a Schrober, o ultraclerical Vaugoing 253 , intentou fazer que desparecesse para sempre o

“perigo Heimwehr”, concedendo a alguns de seus dirigentes Pastas no Governo. Os dirigentes comprenderam que se tratava de uma manobra dirigida contra a organização, e responderam organizando um partido político, o “Heimatblock” 254 , que pretendía ocupar o Governo para impor o “Estado Heimwehr”. O Partido organizado por Starhemberg, foi um fracasso, como consequencia da mesma estrutura da Heimwehr muitos conservadores abandonaram o movimento ao inclinar-se ao Fascismo; os social-cristãos o abandonaram agora para manter-se fiéis a seu Partido, assim como muitos nacional-socialistas. Alguns líderes regionais não apoiaram a iniciativa de Starhemberg e se mantiveram a margem. Os resultados eleitorais foram decepcionantes: só 8 deputados, num Parlamento em que pela 1ª vez os socialistas formavam o grupo parlamentar mais importante. O novo Governo que saiu das urnas, despediu aos ministros que pertencíam a Heimwehr, cuja força política se revelara tão escassa. Significativamente, o NSDAP austriaco havía obtido quase a metade de votos que o Heimatblock, 110 mil, embora não tivessem assento algm. O ciclo político do “Semifascismo” da Heimwehr se esgotava rapidamente, e paralelamente, crescíam as possibilidades dum Fascismo autentico: o Nacional-Socialismo austriaco. Desde 1931, dirigentes do NSDAP e da Heimwehr discutíam as possibilidades de fusão de ambos movimentos. De fato, grandes quantidades de militantes do último passavam as fileiras nacional-socialistas. Em set/1931, a Heimwehr tentou um pustch na Estiria, que fracassou após um éxito inicial, dada a falta de coordinação com as demais regiões. O fracasso fez que praticamente toda a organização da Estiria da Heimwehr se passe ao

NSDAP, muito mais eficaz na luta, mais disciplinado, e melhor dirigido. A partir dai, a ruptura entre o NSDAP e a Heimwehr foi

total, e esta “se convirteu numa organização de orientação católica

violentos oponentes da Democracia, e a aqueles para quem o Anschluss era o objetivo mais importante”, escreve Whiteside. Coincidindo com os grandes éxitos eleitorais do NSDAP na Alemanha em 1932, na Austria se conseguiram resultados espectaculares nas eleições provinciais do mesmo ano: 16% dos votos foram das listas do NSDAP. Em Viena, 15 conselheiros

nacional=socialistas se sentaram junto aos social-cristãos, a força política do Governo, que não tínha mais que 19 conselheiros. Os dirigentes nacional-socialistas, Procksh, e Habicht, encabeçavam com energía um movimento que não se detenha ante o uso da violencia, e achou ampla ressonância entre as massas. Ante o avance dos socialistas nas eleições gerais “as últimas que se celebraram no país até após a II Guerra Mundial”, de 1930, e dos nacional-socialistas nas eleições municipais e provinciais de 1932 “também nas últimas os social- cristãos tiveram de apoiar novamente na já debilitada Heimwehr”. Por parte dos social-cristãos aparecíam novos políticos como Engelbert Dolfuss, e Kurt Schuschnigg 255 , influenciados pela ideología de Spann. Capitaneavam a débil coalizão dos social-cristãos, com o Heimatblock, e os restos da Landbund 256 e o GDVP 257 , cujos elementos se passavam em massa ao Nacional-Socialismo. Para compensar sua debilidad interior, Dolfuss, o novo chanceler, acudiu a solicitar apoio exterior, encontrando-o em Mussolini. A Política Exterior italiana era então muito ativa na Europa Danubiana, e de fato, transformou a Hungría de Gömbös e a Austria de Dolfuss em “satélites” seus. Desde tempo atrás, a Heimwehr vínha tendo apoio italiano, e de Roma lhe aconselhava que ocupasse o Poder pela força, e esmagasse aos socialistas. Ao mesmo tempo, havia recebido influências ideológicas. A Heimwehr, e Dolfuss, tínham em comum a de ser apoiados pela Itália. Numas conversações mantidas em Riccione entre Mussolini e Dolfuss em ago/1933, o Duce pediu ao Chanceler que imprimisse um giro pró-fascista na sua Política, e se apoiara na Heimwehr, para tratar de salvaguardar a independencia nacional austriaca, ameaçada pela conquista do Poder por Hitler na Alemanha, e os crescentes éxitos do Partido Nacional-Socialista austriaco. Recordemos que durante os primeiros anos de Governo nacional-socialista na Alemanha, a Política italiana havía sido oposta a seus interesses revisionistas, e aliada das demais potencias vencedoras da I Guerra Mundial. Desde que em jan/1933 Hitler entrará na Chancelaría milhares de austriacos se havíam unido ao NSDAP. As forças com que contava Dolfuss eram tão escassas que, segundo Nolte, “não lhe ficava outra solução senão governar autoritariamente”. Em 04/3/1933 dissolveu o Parlamento, e suprimiu as liberdades democráticas. O NSDAP respondeu organizando grandes manifestações públicas, e obtendo um éxito quase total nas eleições municipais de Innsbruck, onde alcançou 40%, porcentagem superior ao que alcançará nas eleições provinciais, que havíam posto a numerosos nazistas nas Dietas provinciais da Baixa Austria, Salzburgo, Carintia, e Estiria, e no municipo de Viena. Dolfuss reagiu suspendendo as eleições municipais.

O NSDAP estava tentando um putsch, pois a escassa base popular do Regime o fazia muito vulnerável. Não podía

aliar-se aos socialistas, pois se apoiava na Heimwehr e em Mussolini. Não podía contar plenamente com a Heimwehr pois esta pedía a instauração do “Estado Corporativo Autoritário”, e certamente, tampouco podía aliar-se aos nacional-socialistas. As demais forças políticas do país havíam desparecido. Apesar de tudo isto, os nacional-socialistas ofereceram sua colaboração a Dolfuss, o qual reejeitou, por considerar imposivel aceitar os termos que devería firmar esta colaboração. Desde este momento, iniciou a “guerra” entre o NSDAP e Dolfuss. Em maio/1933 proibiu o uso de camisas pardas e da suástica, expulsou a vários lideres do NSDAP, inclusive, a representantes alemães. Os choques entre os social-cristãos e os nacional-socialistas eram diários, e pretextando a morte dum jovem social-cristão, em junho, o NSDAP e suas organizações foram proibidas e dissolvidas. “Prenderam tantos nazistas que foi preciso criar campos de concentração para acolhe-los; Dolfuss expurgou os cargos oficiais, e em muitos setores da Industria, perseguindo enérgicamente a todas suas organizações. Os próximos 5 anos foram 'anos ilegales para os nazistas'”, conta Whiteside. A sólida estrutura do NSDAP, montada entre 1926-30, deu agora seus frutos, pois apesar das duras perseguições, o movimento não só não desapareceu, mas só diminuiu sua atividade. A repressão não se mostrou útil para eliminar ao Nacional- Socialismo. Seus grupos armados puseram bombas e efetuaram atentados por todo o país, enquanto que seus grupos propagandísticos seguíam colocando propaganda nas ruas, e buscavam inclusive métodos originalísimos, pintando gigantescas suásticas nas paredes rochosas das montanhas próximas das cidades, ou nas cháminés das fábricas. O Governo teve de moderar

Os nazistas absorveram aos antissemitas radicais, aos mais

253 Referencia a Karl Vaugoin. In en.wikipedia.org/wiki/Karl_Vaugoin.

254 In de.wikipedia.org/wiki/Heimatblock.

255 In es.wikipedia.org/wiki/Kurt_Schuschnigg.

256 Liga Agraria, em português. In es.wikipedia.org/wiki/Landbund.

257 Sigla, em alemão, de Großdeutsche Volkspartei; ou Partido Popular da Grande Alemanha, em português.

suas medidas policiais, pois “temía que uma repressão demasiado severa chegasse a provocar um levantamento que poderia arrastrar a todo o País segundo Whiteside, que conclui que “lhe resultou impossivel ao Governo, apoiado somente por ⅓ da população, resistir a pressão dos nazistas e de Hitler”. Para tirar força ao Nacional-Socialismo, e contar com o apoio mais decidido da Heimwehr, Dolfuss recorreu a fascistização do seu Regime, proclamando em setembro o Standenstaat, ou Estado Corporativo Cristão 258 , baseado teóricamente nas idéias de Spann. Se dissolveu os partidos políticos, e se criou o “Vaterlandische Front” ou “Frente Patriótica”, como único partido reconhecido, formado basicamente pelos social-cristãos, e elementos da Heimwehr. O modelo em que se inspirava era, porém, o italiano, mas não resultaba mais que uma desfigurada cópia: “A Frente Patriótica era pouco mais que o CSP com novo nome, e nunca se converteu num partido fascista dinámico. A Austria não chegou a ser um Estado fascista e totalitário, apesar dos esforços de Mussolini”, disse Carsten. Os socialistas, formalmente proibidos, continuaram atuando, pois Dolfuss não quería esmaga-los, já que era um potencial aliado contra o Nazismo. A Heimwehr não era dessa opinião, e começou a “limpar” de elementos social-democratas as provincias em que era mais forte, para assaltar, em fev/1934, a “Cidade Karl Marx”, “santuário” dos social-democratas, violentamente, usando, inclusive, a Artilharía 259 . Os dirigentes social-democratas, e sindicais, foram detidos, e suas organizações efetivamente desmanteladas. Muito mais difícil resultava extirpar aos nacional-socialistas, que se tentou, por outra parte, dividir, oferecendo a seus elementos mais moderados e “legalistas” já em 1933, a possibilidade de ingresar na Frente Patriótica. O “Estado Corporativo” não foi nunca mais que um disfarçe da ditadura reacionária de Dolfuss. Elisabeth Wiskemann escreve que “escassas havíam sido as medidas para promover uma representação autentica dos intereses corporativos”. Em maio/1934, foi proclamada a nova Constitución corporativa, que se limitou as boas intenções, e ao palavreado. Ao mesmo tempo, Starhemberg, líder da Heimwehr, foi proclamado Vice-Chanceler. Os nacional-socialistas continuaram conversações com o Governo, e emprenderam outras com os diversos setores da Heimwehr. Seyss-Inquart 260 foi el elemento que levou a cabo tão complexas negociações. Ao mesmo tempo, os elementos ativistas aumentaram sua agitação, implantando-se sólidamente no Exército, nas classes operárias 261 , e ameaçando con uma greve geral. Se intensificou a propaganda clandestina, realizada não só desde os “refúgios” da Alemanha, mas também da Suiça e Tchecoslováquia. Finalmente, em 25/07 um regimiento da SS austriacas 262 , assaltou a Chancelaría, e a emisora de radio de Viena; no curso dos acontecimientos, foi morto Dolfuss. O Exército e a Heimwerh cercaram aos “golpistas” e ocuparam os lugares estratégicos de todo o país; os levantamentos nacional-socialistas da Estiria, Carintia, e Alta Austria também triunfaram inicialmente, mas a enérgica atitude do Governo, e de suas forças de segurança, acabaram com o putsch. Se produzirá uma verdadeira crise internacional; Itália havía mandado a suas tropas a fronteira de Brennero, dispostas a impedir a consumação do Anschluss. Também se produziu uma crise interna no partido austriaco, entre a línha “dura” de ativistas dispostos a ocupar o Poder pela força, e os “legalistas” que confiavam nas medidas políticas. Schuschnig sucedeu a Dolfuss a frente do Governo reacionário-clerical. Estava ainda mais disposto que seu antecessor a implantar sua ditadura anti-nacional-socialista. Se fez nomear chefe das FFAA, destituiu a Starhemberg de seu cargo de Vice-chanceler e Vice-presidente da Frente Patriótica, com o que, segundo Stadler, “pareceu que a ala simplemente autoritaria do campo conservador havía ganhado a luta contra a ala 'fascista' da Heimwehr”. Para sublinhar esta vitoria, dissolveu a Heimwehr e obrigou a seus membros a entrar nas 'milicias' do Partido Único, a 'Front Miliz'. A Heimwehr desapareceu da Política austriaca como entidade autonoma, sem pena nem glória, desfeita por suas próprias contradições. “Os nacional-socialistas austriacos continuavam crescendo apesar da perseguição do Governo”, disse Carsten. Se intentaram então outras medidas. Diversos contatos entre Schuschnigg, e os “moderados” do NSDAP não conseguiram romper a unidade do movimento, e as medidas de graça, como o soltura de 2.500 nacional-socialistas, detidos no campo de concentração de Wollersdorf, na Navidade de 1934, não diminuiram a animosidade que contra ele existía no seio do NSDAP. O “Frontführer” (assim se fazía chamar Schusnigg) não conseguiu desarmar ao NSDAP usando os métodos que lhe havíam sido úteis com a Heimwehr, e não conseguiu implantar um Regime que tivesse sequer a aparencia de fascista. O que ocupou o Poder na Austria de 1936 não foi um “Fascismo clerical que não existe, mas um Catolicismo autoritario”, disse Nolte. A ação clandestina do NSDAP era extremadamente eficaz, se combinando com a crescente penetração económica da Alemanha nacional-socialista. Apesar da repressão, a estrutura clandestina do Partido se mantínha. Pelas fronteiras da Alemanha, Hungría e Tchecoslováquia penetravam os enlaces, e as armas. Graças ao controle sobre os Correios, as comunicações eram seguras e constantes, e turistas alemães atuavam apoiando a seus camaradas austriacos. As organizações nacional-socialistas, SA, SS, HJ, NSBO 263 , se infiltravam nas organizações oficiais da Frente Patriótica, e também no Exército e na Policía. As publicações nacional-socialistas circulavam abundantemente. Numa imprensa clandestina de Viena se editava o “Osterreischer Beobachter”; da Hungría chegava o boletím “Illkor”, e de Munique “Deüstch Oesterreischer Nachriten”. Publicações menores chegavam dos Sudetos, e da Suiça. Os exilados na Alemanha constituiram uma formação militar, a “Legião Austriaca”, que se preparava para atuar no país. No interior de Austria, os activistas trabalhavam constantemente, e as ações armadas se sucedíam sem trégua. Em fev/1935, se descubriu e abortou um novo putsch dos nacional-socialistas. O único sólido apoio do Gabinete de Schuschrining era Itália. Portanto, as sanções impostas por causa do conflito etíope contra a Itália pela Sociedade das Nações, foram o principio do fim do Regime reacionário e clerical de Schuschnigg. Alemanha não só se opos a estas sanções, como apoiou decididamente a Itália, iniciando-se uma aproximação entre as 2 potencias fascistas. Depois Alemanha e Itália combateram juntas ao Comunismo na Espanha, ajudando aos “nacionais”. Privado do incondicional apoio italiano, Schuschnigg teve concordar e negociar com a Alemanha e com os nacional-socialistas. Se firmaram os “Acordos de Julho” em 1936, entre a Alemanha e a Austria, em que além dos aspectos econômicos são incluídas cláúsulas políticas: devía anistiar aos nacionalsocialistas presos, e relaxar a perseguição de que eram vítimas. Se permitiría, também, que na

258 In es.wikipedia.org/wiki/Fascismo_clerical.

259 Referencia a “Guerra Civil” da que falava Stadle.

260 Referencia a Arthur Seyß-Inquart o Arthur Seyss-Inquart. In es.wikipedia.org/wiki/Seyss-Inquart.

261 I.e., em especial entre os mineiros e trabalhadores da industria pesada da Estiria.

262 Referencia ao “89 Standarte”.

263 Sigla, em alemão, de Nationalsozialistische Betriebszellenorganisation; ou Organização Celular Nacional-Socialista de Fábrica.

Austria entrasse a imprensa nacional-socialista alemã.

Uma nova fase se abría para os nacionalistas austriacos, a cuja frente se colocou agora um grupo de dirigentes

radicais: Tavs, Leopold, Fraunfeld

infiltração na Frente Patriótica, e nas organizações corporativas, assim como nas empresas estatais e municipais. As células

nacional-socialistas se impuseram entre os juízes e professores, entre os oficiais, e entre os soldados, e no campesinato. Também, os alemães controlavam boa parte da atividade económica austriaca, o cerco dos reacionários clericais era quase completo: sua pretensão de impedir que a Austria se unisse ao III Reich da Revolução Nacional-Socialista tínha cada vez menos futuro. “Em 1937, o processo de infiltração tinha chegado até o último grande rinção da Áustria”, assinala Whiteside. Quando o Min. de Assuntos Exteriores alemão visitou Viena, foi recibido por uma impressionante manifestação nacional-socialista. No outono, a Schuschnigg não ficou outro remádio senão autorizar o denominado “Comité dos 7”, dirigido por Leopold, e que aparentemente respeitava o Estado Corporativo, e estava encarregado de melhorar as relações com a Alemanha, e de promover a cooperação entre a Frente Patriótica e os elementos nacional-socialistas. Na realidade atuou como dirigente das atividades clandestinas; um registro feito nos principio de 1938 falou de planos de um novo putsch. O Governo, cada vez mais isolado, teve de permitir a formação de um denominado “Partido Nacional Provisional”, graças ao qual o NSDAP voltou

a sair a luz pública. A confusão era total, porque, enquanto Seyss-Inquart era chamado ao Gabinete, se celebraba um processo

contra 31 membros da SS acusados de “terrorismo”

Comité dos 7 com Schuchnnig

Nacional-Socialismo, e Chanceler da Alemanha. O Chanceler austriaco prometeu libertar aos detidos, admitir aos nacional- socialistas na Frente Patriótica, e outra série de 'vantagens'. A resposta do NSDAP foi aumentar as mobilizações de massas e os atos de violencia. Na última tentativa de controlar a situação, Schuchnigg anunciou a convocação de um plebiscito sobre a

independencia de Austria. Se tratava de um peculiar plebiscito, já que só se imprimiríam papeletas con o “Sim” da independencia;

o que desejava votar “Não”, isto é, um Sim ao Anschuluss, devía levtar sua própria papeleta!. Tão tremenda provocação motivou

um estado geral de subversão no país, e Schusnigg, que já não controlava a situação, não pode fazer outra coisa senão chamar a Seyss-Inquart, e nomea-lo Chanceler em 11/03/1938. As tropas alemãs, que havíam começado a mover-se para a fronteira, dado o estado geral de subversão em que se achava o país, foram chamadas pelo novo Chanceler, para que consumar a vontade popular. No día 13 se proclamou oficialmente a fusão con o III Reich. Um día mais tarde Hitler entrava em Viena. Milhares de austriacos receberam con bandeiras com a Suástica as 'tropas invasoras'. Según a historiografía dos vencedores, aquela havía sido a 1ª 'agressão internacional' do Regimem Nacional-Socialista, e havía respondido tudo a um bem pensado plano hitlerista. Na realidade, e como disse A.J.P. Taylor: “Havía sido o póoprio Schuchnigg e não Hitler que provocara em março/1938. Os alemães não levaram a cabo preparativos de nenhuma classe, nem militares ne políticas. Se improvisou tudo num par de días”. O Fascismo havía tido na Austria uma importancia decisiva, desde 1927. O Nacional-Socialismo tínha na Austria suas próprias raízes, e estava chamado a desempenhar um papel decisivo na sua história. Mas a principal originalidade do Fascismo austriaco nunca esteve na Heimwehr, e suas relaciones com o CSP, e após com a Frente Patriótica. Quiseram ver nestas forças reacionárias, e na Heimwehr as plasmações de uma variante austriaca especifica do Fascismo. Eichstadt fala de um Austrofascismo 264 , como modelo autónomo, e Gulick de um Clérico-Fascismo, impossivel de existir por ser incompativeis o Fascismo com o Clericalismo, e sobre Austrofascismo escreve: “O que se chamou Austrofascismo se baseava num equilibrio

precário entre os políticos provenientes do CSP

Mussolini

e os chefes da Heimwehr os quais frequentemente apelavam ao Fascismo e a

aliança entre um Catolicismo autoritario, e um Fascismo de milicia patriótica, que em seu conjunto não pode ser

Enquanto Leopold tramava um novos putsch, acudía a dialogar presidindo o

Debilitado interior e exteriormente a Schuschnigg só sobrva tentar negociar com Hitler, líder do

O grupo moderado de Seyss-Inquart passou a um 2º plano, prosseguiu ativamente a

chamado Fascismo, já que a ideología corporativa e los uniformes não bastam para satisfazer o conceito”. Admitindo a “boa intenção” dos comandos e membros da Heimwehr, o mais que pode falar-se sobre ele é de um Semifascismo; a dissolução desta força política, entre os seguidores de Schuschnigg e os nacional-socialistas, evidencia que, apesar depor muitos anos é apresentou como encarnação austriaca do Fascismo, mas, não foi. Enquanto a Frente Patriótica, é também Nolte que escreve que “se parecía muito mais aos partidos governamentais da Bulgaría e Romênia, que aos partidos estatais da Alemanha e Itália' como para explicar a compleja historia austriaca destes anos, Stadler propos uma interpretação “triangular”, afirmando que há uma luta pelo Poder simultánea entre os nacional-socialistas, e a Heimwehr por outra, e o grupo de Dolfuss-Schuschnigg, no fim, por outra. Havía sido uma luta, pois, entre o Fascismo (NSDAP), o Semifascismo (Heimwehr) e um Pseudofascismo (Frente Patriótica). Como temos visto na Hungría e na Romênia, não se tratava de um fato novo. Outros especialistas assinalaram o carácter “misto” do Fascismo austriaco, no qual coexistiram uma corrente

antissemita, racista, típica da Europa Central, e Oriental, e uma corrente de inspiração “latina” que punha o acento de Corporativismo e o anti-Marxismo. Mosse 265 , após distinguir entre estes 2 grandes tipos de movimentos fascistas, disse que “falamos da Austria con um pé em cada campo” o NSDAP no campo “centro-europeu”, e a Heimwehr no “latino”. O último capítulo da historia do Fascismo austriaco se escreveu no pós-Guerra de 1945. Consumada a derrota alemã, a Austria se considerou “país invadido” pela Alemanha, e foi tratada como 'país libertado'. A repressão antifascista foi durísima, mas dado que a pequena república não podía viver marginalizada eternamente aos 700 mil austriacos que havíam pertencido ao NSDAP ou a suas milicias, logo teve que refrear-se. Ainda assim, em 1946 havíam sido “depurados' uns 150 mil

funcionários, se havían instaurados impostos especiais para os 'antigos Nazis', os Aliados mantínham presos a 18 mil seres, e os

pouco a pouco se foram concedendo anistías, mas o perdão não alcançou nunca aos

governantes austriacos a 31 mil

responsáveis ou lideres del Nacional-Socialismo. Ainda hoje, um oficial austriaco, das Waffen SS, por outro lado, o Cel Raeder, se encontra preso na Itália, ante a indiferença do Governo austriaco.

Suiça

Apesar de estar enclavada no coração da Europa, sendo limítrofe com as 2 grandes potencias fascistas, Alemanha e Itália, e também dos Regímes pseudofascistas da Austria de Dolfuss, e a França de Pétain, a Suiça não desfez seu peculiar Regime

264 In es.wikipedia.org/wiki/Austrofascismo.

265 Referencia a George Lachmann Mosse. In en.wikipedia.org/wiki/George_L

Mosse.

político. Sempre, tem sido pouco propicia aos movimentos revolucionários, e esta constante se manteve no caso do Fascismo. Isto não quer dizer, porém, que não existiram movimentos fascistas. Havia, e muitos, embora geralmente pouco

importante, e apresentando características específicas, concretas, pelo qual alguns autores, como Nolte, preferem catalogar a estes grupos mais como semifascistas, ou pseudofascistas, que como fascistas plenos. Duas situações de crise, a 1ª em 1918, motivada pela grande agitação dos extremistas de Esquerda, e a 2ª, em 1930, pela situação económica internacional, foram os momentos de máximo desenvolvimento e importancia dos grupos fascistizantes. Em 1918, a “greve geral nacional” das organizações operárias e camponesas de Extrema-Esquerda, provocou o florecimiento das organizações anticomunistas. As “Ligues Nationales”, e a “Schweizer Heimaterher”, nas áreas francófonas e germanófonas, lutaram contra as intentonas revolucionárias, apoiando a Policía e o Exército. O Cmdt Sonderegger 266 , que esmagará a rebelião em Zurich, foi um dos poucos dirigentes das forças anticomunistas que aparecerá na 2ª fase, na 1ª metade da década de 30, com um papel destacado. A maior parte das organizações anticomunistas não eram mais que isso, simples e puramente anticomunistas, e minguaram rapidamente depois que passou o “perigo vermelho”. Menção aparte merece a “Guarda Cruzada”, ou “Kreuzwehr”, com uma ideología antissemita, e en contato com os círculos “volkische” 267 e nacional-socialistas alemães. Hitler foi em 1923 a Berna para establecer contato com esta organização. Na Suiça germanica, as correntes nacionalistas tínham uma inspiração claramente alemã. O Pangermanismo, com elementos corporativistas e antissemitas, era a base ideológica da Kreuzwehr, e de pequenos círculos intelectuais, como “Schweizer Ring”, e o 'Volksbund fur die Unabhangikeit de Schweiz” 268 . Na Suiça francófona as influencias eram francesas. Desde 1911 existía um “Groupe Franco-Suisse de Action Francaise”, e en 1923 se criou em Berna, o círculo “Ordre et Tradition”, inspirado em Maurras e Barrès. Em 1929, junto a outros grupos nacionalistas, havíam dado vida a uma “SVV” 269 . Outro foco de agitação foi o jornal “Le Pilori” 270 , dirigido por Georges Oltramare 271 , em Genebra. Este dramaturgo e jornalista se destacará por seus ataques aos judeus, pelo que foi expulso de seu jornal, ante a pressão da poderosa comunidade judaica. Criou então, em 1923, Le Pilori, onde além de atacar aos judeus, se distinguiu por sua denuncia das corrupções políticas. Os jovens que se agruparam en torno a Le Pilori, assim como os que colaboravam na “Nouvelle Revue Romande”, uma veterana publicação nacionalista, deram lugar ao nascimento do “Cercle d ´Etudes Politiques Res Helvetica”. Todas estas correntes nacionalistas não tínham possibilidade alguma de progredir num Regime democrático profundamente estavel, e descentralizado. Só a crise económica internacional, motivada pelo crack de 1929, e o auge dos Fascismos, especialmente a conquista do Poder na Alemanha por Hitler, em 1933, deram nova vida as correntes nacionalistas suiças, inspiradas já claramente nos modelos fascistas, e conformando o que se chamoo o “movimento frentista”, pois as diversas organizações utilizaram con frequencia o apelativo de “frente”. Nos cantões alemães se criou, em jul/1930, o “Neue Front” 272 , e em outubro, o “Nationales Front'. A 1ª organização tínha por chefe a um joven de 29 anos, Tobler 273 , e estava especialmente implantada nos ambitos estudantis. Contava com o apoio de Oehler 274 , um intelectual antissemita que estava em contato com Hitler desde 1923. O “Nationale Front” tínha uns abordagens muito mais radicais, e seus organizadores foram Von Wyl, e Biedermann.

O grupo, explícitamente nacional-socialista, tínha escassos militantes, quase todos estudantes, mas era catalogado

como muito perigoso, e assim, já em mar/1932, se proibiu a venda de seu órgão de imprensa, “Der Eiserne Vesen”, no cantón de

St. Gall. Absorveu a boa parte dos elementos de outra organização criada em 1931, os “Nationalsozialistsche Eidgenossischen” 275 , organizados por Th. Fishcer a partir do “Schweizer Ring' 276 do que falamos,e que se consideravam simplesmente como o ramo local do grande movimento nacional-socialista germânico, tomando como camaradas de luta, não só ao NSDAP alemão, mas a todos os nacional-socialistas de Austria, Sudetos, etc.

A partir de nov/1932, o chefe do “NF” é Zander, professor do ensino médio, radical nacional-socialista que distancia

aindaa mais ao grupo de qualquer pacto com as forças do sistema, absorve aos restos do partido de Fischer, e consegue a fusão com o “Neue Front”, em mar/1933, fusão realizada em 2 fases. Na 1ª, se cria o “Kamfbund Neue und Nationale Front”, como frente comum; em 13/05 se realiza a fusão total, con o nome de “Nationale Front” de novo. O grupo, em cujos comicios se ataca ao Liberalismo, ao Capitalismo, ao Judaísmo e a Maçonaria, e as ideologías de Esquerda, organizou milicias juvenis, com camisas cinzas e braçaletes roxos, cujo grito de guerra era o tradicional dos guerreiros suiços, “Heraus”. Na Suiça francófona, a principal organização fascista foi a “Ordre Politique Nationale”, criada em 1931 por Oltramare, a partir da “Res Helvetica”, e com “Le Pilori” por portavoz. No ano seguinte, após absorver a um pequeno grupo de

ideología que poderíamos definir de “Poujadista” “avant la lettre”, a “União de Defesa Economica” deu lugar a “Union Nationale”, a qual adotou toda a “liturgia” típica dos movimentos fascistas: camisa de uniforme, neste caso cinza, saudação de

braço erguido, estrutura paramilitar, “culto ao chefe”, etc. A “Union Nationale” chegou a contar com 12 deputados no Parlamento cantonal de Genebra em seu momento de máxima expansão, e em aliança com outras forças políticas não marxistas, criou no cantão genebrino a “Entente Nationale”, logrando expulsar da municipalidade de Genebra ao prefeito social-comunista.

O “Nationale Front”, e a “União Nacional” eram os 2 grupos mais representativos, mas não os únicos. Em 1933,

época de máxima expansão do fenômeno “frentista”, os jornais suiços resenhavam a existencia da “Frente Confederada”, surgida como protesto contra a lei Schultess 277 , que consideravam implantava um Socialismo de Estado; do grupo “Neue Schweiz” (“Nova

266

In en.wikipedia.org/wiki/Emil_Sonderegger.

 

267

In es.wikipedia.org/wiki/Völkisch.

 

268

In de.wikipedia.org/wiki/Volksbund_für_die_Unabhängigkeit_der_Schweiz.

 

269

Sigla, em alemão, de Schweizerischer Vaterländischer Verband; ou Federação Patriótica Suíça, em português.

 

270

In en.wikipedia.org/wiki/Le_Pilori.

 

271

In en.wikipedia.org/wiki/Georges_Oltramare.

 

272

In en.wikipedia.org/wiki/National_Front_(Switzerland).

 

273

Referencia a Robert Tobler. In en.wikipedia.org/wiki/Robert_Tobler.

 

274

Referencia a Hans Oehler. In en.wikipedia.org/wiki/Hans_Oehler.

275

Confederados Nacionalsocialistas, em português.

 

276

Anel Suiço, em português.

 

277

A

lei

Schulthess

é

rejeitada

pelo

povo.

O

referendo

lançado

pelo

comitê

do

PSS

[Partido

Socialista

Suíço

(pt.wikipedia.org/wiki/Partido_Social_Democrata_da_Su%C3%AD%C3%A7a)] e a USS (União Sindical Suíça) e o total das associações de funcionários

Suiça”); dos já citados “Ordre et Tradition” e “Guarda Patriótica Suiça” 278 ; da “União Popular”, criada pelo famoso Sonderegger, após uma época de militancia no “Nationale Front” que abandonou por não considera-lo demasiado antissemita; da “Frente Popular”, e da “Federação Fascista Suiça” criada por um ex-militante do grupo de Oltramare, o Cel Fonjallaz 279 ; finalmente, no cantão italiano de Tesino, atuava uma “Lega Nazionale”. A maior parte destes grupos tínham uma implantação só regional, e em muitos deles os limites entre a Extrema-Direita e o Fascismo aparecem muito desfocados. Grupos como o Fonjallaz, apesar do seu nome, eram mais forças de “Direita Nacional”, que fascistas, enquanto que o “Nationale Front”, com um nome muito mais “modesto” se inspirava diretamente no Nacional-Socialismo. Globalmente considerados, o movimentos “frentistas” se distinguiram por ser específicarnente grupos da classe média 280 , e por seus tons relativamente moderados, assim como pela ausencia de todo Imperialismo. Segundo Rallo, todas as características, que conformam o que ele denomina como uma expresión surprendente, “Fascismo democrático”, giro mediante ao que pretende expressar sua defesa das autonomías cantonais, e sua oposição ao Estatismo, fazem que “possa hoje ser considerado como Fascismo, em virtude a sua fidelidade as tradições nacionais”, de tolerancia, autonomía etc. Nolte, como já se dito, prefere catalogar a estes grupos como semifascistas, ou pseudofascistas. O fenômeno “frentista” foi efemero. “Em 1933 foi o grande acontecimento da Suiça”, conta Nolte, mas sua importancia decresceu rapidamente. Neste ano, o “Nationale Front” conseguiu 30% dos votos no cantão de Schaffhausen, partindo do nada. Mas isto não voltou a repetir-se. Em 1934 já se detetavam sinais de cansaço na militancia, e em 1936, da dúzia de organizações “frentistas”, havíam desaparecido varias, sem pena nem glória. A “Union Nationale”, de Oltramare, seguiu desempenhando um papel relativamente importante até 1937, mas, desde então, foi muito perseguida por medidas repressivas, que proibiram nalguns cantões o uso da camisa cinza, noutro as manifestações, e uma série de julgamentos e prisões. Em 1937, Oltramare e um dirigente do “Nationale Front”, Henne, formaram uma aliança, atuando a UN”, e o NF coordenadamente; a 1ª, só nas regiões francófonas, e a 2ª, nas alemãs; a Lega Nazionale de Tesino aderiu. “Mais soberanos que em nenhuma outra parte, os partidos do 'sistema' 281 demostraram na Suiça uma firmeza e uma solidez que nuotros lugares parecíam perder, frente a onda de movimentos fascistas, que na realidade se danificavam mutuamente lutando entre sí”, escreve Nolte. A esta coordenada ação antifascista de todas as forças políticas, se acrescentou uma ação repressiva, inclusive, terrorista. En 1936 foi assassinado Wilhelm Gustloff, “Landesgruppenführer” do NSDAP na Suiça, cujo trabalho entre a população da colonia alemã havia sido intensísima, e que se havía extendido também a mesma população suiça de fala alemã. O assassino foi um judeu, e a única medida que tomou o Governo foi: “A proibição do NSDAP!”. Em 1938, o NF foi proibido e dissolvido, reorganizando-se como “NBS” 282 . Esta radicalização da situação política originou a criação de pequenos grupos de ativistas nacional-socialistas que reivindicavam explícitamente a anexação ao Reich, como o NSSB 283 , enquanto que o “Nationalsozialisschen Bewegung der Schweis” sería o principal centro de recrutamento para a SS, entre os suiços alemães. Todos os grupos fascistizantes ou fascistas foram proibidos em 1940, devendo passar a trabajar na clandestinidade, ou reorganizar-se com uma aparencia mais “democrática”. Alguns dos dirigentes preferiram passar a colaborar com o Eixo, atravenssando as fronteras; Georges Oltramare pôs seu talento jornalistico a serviço da “Radio París”, quando a capital francesa foi ocupada pelos alemães, colaborando ativamente com os grupos fascistas franceses. Franz Burri 284 , líder do “NSB der Schweiz” fez um chamamento a seus compatriotas para que lutarem junto a Alemanha contra o Comunismo, alistando-se voluntarios; varias centenas de jovens seguiram seus conselhos. O surprendente, dada a escassa transcendencia do Fascismo suiço, foi a dureza da repressão. No se admitiu aos políticos, soldados ou militantes fascistas, ou do Eixo, que quiseram refugiar-se na Suiça após

1945 285 , se expulsou a todos os membros da colonia alemã que havíam mostrado simpatizar con o Reich, se condenou a 3 anos de

prisão a Oltramare, a outros tantos a Fonjallaz, a 12 anos ao líder del NBS 286 , e a 20 anos a Burri. Em vez disso, o assassino de Gustloff 287 foi anistiado no mesmo ano 1945. O Fascismo suiço em 1931-33 foi incapaz de destroçar ao sistema liberal suiço, fracassando como tinha feito a onda comunista de 1918-20. Sua existencia, porém, apesar de não ser decisiva, mostra até que ponto a Europa do Entreguerras pode ser definida com razão como a “época do Fascismo”.

Os Fascismos da Europa Ocidental

No amplo conjunto de países que temos incluido na área da Europa Ocidental, há notáveis disparidades entre os diversos movimentos. Mas há uma série de características que unificam acima de todas as diferenças. Em 1º lugar, e a diferença aos Fascismo de Europa Oriental, os movimentos fascistas foram minoritarios, e nenhum chegou a estar tão perto do Poder como os Fascismos de Europa Oriental. Sua relação com as forças da Extrema-Direita clássica são também distintas: os límites são mais imprecisos, e não existe um enfrentamiento tão radical. Em 2º lugar, a influencia principal é a maurrasiano-mussoliniana, e isto é assim inclusive nos movimentos que se denominaram explícitamente nacional-socialistas, que se desenvolveram em países germânicos 288 . O Antissemitismo teve uma importancia secundária e apareceu, não como elemento fundamental, mas por adição.

conseguem fazer fracassar a tentativa de mudança da semana de trabalho de 48 horas.

278 Schweizer Heimatwehr, em alemão.

279 Referencia a Arthur Fonjallaz. In en.wikipedia.org/wiki/Arthur_Fonjallaz.

280 Nolte conta que em vez de gritar “¡Desperta Suiça!”, gritavam “Desperta classe media!”.

281 Referencia aos partidos católicos, liberais, social-democratas.

282 Sigla, em alemão, de Nationale Bewegung der Schweiz.

283 Sigla, em alemão, de Nationalsozialistischer Schweizerbund.

284 In en.wikipedia.org/wiki/Franz_Burri.

285 A Suíça havía admitido a todos os antifascistas que o havíam solicitado.

286 O NBS havía sido uma organização reconhecida legalmente.

287 Referencia a Wilhelm Gustloff. In en.wikipedia.org/wiki/Wilhelm_Gustloff.

288 Referencia a Holanda, e Flandes.

Holanda

“Pode parecer surprendente que umas nações tão apeteciveis, e tão distantes de todo aventurerismo político como os Países Baixos, a Bélgica conheceram movimentos fascistas infinitamente mais potentes que nações con uma vida política muito mais animada, como a França”, escreve F. Duprat. Não é este o único fato surprendente no Fascismo holandês, pois, como sublinha Ernest Nolte, o Fascismo holandês, “não cresceu no terreno favorável de uma forte Oposição Nacional, mas que encontrou desde o 1º momento a decidida oposição dos partidos direitistas”. O exemplo do NSB 289 prova que as consequencias da I Guerra Mundial, e a crise económica não eram condições essenciais para a existencia dos movimentos fascistas, mas só os fatores favoráveis para seu desenvolvimento”. Na Holanda, nem a crise foi forte, nem existiu um sério “perigo vermelho” apesar de que, o Fascismo se desenvolveu, e chegou a parecer uma ameaça para o sistema democrático. Ao estudar o Fascismo holandês, os autores limitam-se ao NSB de Mussert 290 ; há, porém, uma ampla lista de grupos de inspiração fascista, algum deles fundado já em 1923. Nesse ano, havía nascido a “Associação para uma Política Conservadora”, grupo de intelectuais inspirados no Fascismo italiano, muito reduzido e, que como seu nome indica, tínha uma interpretação reacionária do Fascismo. Pelas mesma data, se fundou a “VvA' 291 , dirigida por Haighton 292 , cujo programa estava calcado no programa do PNF. No ano seguinte, se formaram a “VL' 293 , e a “VvN” 294 , grupo este que sería a principal formação “fascista de Direita”, segndo Duprat, na que já se manifestou a tensão e a oposição entre os “fascistas de Direita”, e os “fascistas populistas”. Em 1927, Haighton voltou a passar ao 1º plano graças a edição do semanario “De Bezem” 295 , que se subtitulava como “Tascistisch Weekbland vor Nederland” 296 . O titulo do periódico estava sustituido por uma escova; curiosamente, um tema propagandístico similar sería usado pelos rexistas belgas. Em torno de “De Bezem” se agruparam bastantes militantes significativos, e assim, Sinclair de Rochemont 297 foi seu redator-chefe, e Van Rappard 298 criou, para assegurar sua difusão, a 1ª Milicia fascista holandesa: “Fascisten Bond De Bezem”. Em 1928 surgió a “Liga Nacionalista” 299 de Van der Milje 300 a partir da qual, sempre segundo Duprat, pode-se falar de uma superação do “Fascismo de Direita”, e que contava já com milicias uniformizadas. Mas será em 1931 o que marca a aparição de grupos realmente significativos. Anton Mussert, procedente dum grupo nacionalista-conservador-dinástico, e Van Geelkerken 301 , nacionalista flamengo exilado na Holanda desde o fim da I Guerra Mundial, lançaram o NSB, de que nos ocuparemos e, profundidad mais adiante. Surgiu, também, o NSNAP 302 dirigido inicialmente por A. Smit 303 , e na órbita de Haighton. O partido estava destinado a ter uma vida muito agitada, y várias cisões. Se constituiu imitando todos os traços do homónimo alemão, mas sem uma comprensão real da ideología nacional-socialista alemã. Neste mesmo ano, por outra lado, a “Liga Nacionalista” de Van der Milje se desfez, dando lugar a aparição de 3 pequenos grupúsculos. As influencias do movimento “solidarista” flamengo, que pregava a solidaridade de classes, e a solidaridade dos países neerlandeses 304 , resultou na criação, por Sinclair de Rochemont, em 1932, da “Liga Nacional-Solidarista”. As correntes “fascistas de Direita”, ou melhor dito fascistizantes se agruparam, em 1932, na “Liga para a Salvação Nacional”, organização que conseguiu, no curso de 1933, introduzir um deputado “fascistizante” no Parlamento. Absorveu boa parte dos restos da VvN, mas se dissolveu ela mesma em 1935. Segundo Duprat, “o fracasso do 'Fascismo de Direita' na Holanda se origina pela incapacidad de eleger entre um 'nacional' conservadorismo mais duro que o dos partidos de Direita, e o Fascismo, ideología que desejavam os militantes, em geral, mas que rejeitavam os dirigentes”. As correntes “fascistas de Esquerda”, por sua parte, se agruparam na “ANFB” 305 , dirigida por Baars 306 , que pedía a instauração dum “nederlandsche volksfascisme” 307 contava com umas milicias 308 , e uma publicação: “De Fascist”. Seus seguidores eram em boa medida estudantes. Durante algum tempo colaborou com Haighton, e em 1923 se apresentou nas elecciones junto a outros grupos fascistizantes ou fascistas numa aliança chamada “Corporative Concentratie” 309 , que só obteve 0,5%. A ANFB de Baars se dissolveria em 1934. Mas a bandeira do “Fascismo de Esquerda” continuaria em pé graças ao “ZF” 310 , criado por Arnold Meijer. Criticou ferozmente a Baars por sua aliança com a “reacionária” VvN, e captou a maior parte de seus seguidores quando o grupo deste se dissolveu. Usava camisa negra, seus homens se autotitulavam “milicianos negros”, e usou por emblema o “fascio littorio'. Foi um dos grupos participantes no Congreso de Montreux 311 . Seu eco popular foi bastante

289 Sigla, em holandês, de Nationaal-Socialistische Beweging in Nederland (Movimento Nacional-Socialista na Holanda). Foi o principal grupo fascista holandês.

290 Referencia a Anton Adriaan Mussert. In en.wikipedia.org/wiki/Anton_Mussert.

291 Sigla, em holandês, de Verbond van Actualisten; Liga dos Actualistas, em português nl.wikipedia.org/wiki/Verbond_van_Actualisten.

292 Referencia a Alfred Haighton. In en.wikipedia.org/wiki/Alfred_Haighton.

293 Sigla, em holandês, Verbond Legering, ou Liga Patriótica, em português.

294 Sigla de Verbond van Nationalisten, em holandês; o União Nacional, em português.

295 La escoba, em português. In nl.wikipedia.org/wiki/Vereeniging_De_Bezem.

296 Semanario fascista para Holanda, em holandês.

297 Referencia a Hugues Alexandre Sinclair de Rochemont. In en.wikipedia.org/wiki/H

298 Referencia a Ernst Herman van Rappard. In en.wikipedia.org/wiki/Ernst_Herman_van_Rappard.

299 In en.wikipedia.org/wiki/National_Front_(Netherlands).

300 Referencia a Arnoldus Jozephus Meijer. In en.wikipedia.org/wiki/Arnold_Meijer.

301 Referencia a Cornelis van Geelkerken. In en.wikipedia.org/wiki/Cornelis_van_Geelkerken.

302 Sigla, em holandês, de Nationaal Socialistische Nederlandsche Arbeiders Partij; ou Partido Operário Nacional-Socialista Holandés, em português.

303 Referencia a Adalbert Smit ou Bertus Smit. In nl.wikipedia.org/wiki/Bertus_Smit_(politicus).

304 Referencia a Holanda e Flandes.

305 Sigla, em holandês, de Algemeene Nederlandsche Fascisten Bond (Liga Geral de Fascistas Holandeses). Foi o menor partido fascista holandês fundado em

1932. O Partido tratou de criar uma volksfascisme, mas não conseguiu definir inteiramente este objetivo e se considera mais a Mussolini que Hitler apesar de sua retórica. O Partido não logrou obter o apoio nas eleições de 1932 e se sumiu. Posteriormente, o grupo entrou numa “concentração corporativa” com os seguidores de Alfred Haighton e a VvN, embora o líder Jan Baars não se dava bem com Carel Gerretson, o líder deste novo grupo e assim saiu da ANFB. Como consequencia, o ANFB fracassou sem seu líder e desapareceu. O ZF, representado algo como um renascimento da ANFB, contudo em línhas mais católica.

306 Referencia a Jan Baars. In en.wikipedia.org/wiki/Jan_Baars.

307 Fascismo popular holandês, em português.

308 Referencia a Fascisten Sturmafdefing.

309 In nl.wikipedia.org/wiki/Corporatieve_Concentratie.

310 Sigla, em holandês, de Zwart Front; ou Frente Negro, em português. In en.wikipedia.org/wiki/Black_Front_(Netherlands).

In en.wikipedia.org/wiki/General_Dutch_Fascist_League e in

A

Sinclair_de_Rochemont.

escasso. Nas eleições legislativas de 1937 conseguiu chegar até 2% dos votos nas regiões católicas do sul do país, mas sobre o conjunto do território nacional, não representou más que 0,2%. No que respeita ao NSNAP, após a inicial “entente” entre Smit e Haighton, se produziu uma cisão; o NSNAP de Smit subsitiría até 1934, já o NSNAP de Haighton se mantería até 1935. Em 1933, porém, se criou, por parte de um tal Van Waterland, um denominado NSNAP aliado temporalmente a Baars, e que desapareceu rapidamente. Van Rappard, ex-colaborador de Haighton, e um dos fundadores do NSNAP, decidiu seguir adiante com o grupo, mas não conseguiu uma implantação popular

digna de tal nome, como mostra o fato de que nas eleições gerais de 1937 só obter 998 votos; mas Van Rappard não fez valer sua autoridade, e após estas eleições surgiu uma nova cisão, capitaneada por Kruyt, e que fez aparecer o NSNAP-Kruyt, oposto ao NSNAP-Rappard. Ambos grupúsculos seríam proibidos pouco depois de iniciar a guerra, para reaparecer com a ocupação alemã.

A falta de um líder carismático importante, e as reducidas dimensões, costumam produzir, em qualquer movimento

revolucionário, uma constante aparição e desaparição de grupúsculos. A maior parte dos grupos até o momento citados não ultrapassaram este nivel. Só o NSB pode romper este círculo vicioso e implantar-se seriamente no país, tornando um dos mais poderosos movimentos fascistas de Europa Occidental. Apesar da denominação de Nacional-Socialista não deve pensar-se num grupo muito radical; segundo Michelle Rallo: “Não obstante o nome, e as concessões exteriores ao Hitlerismo, o NSB era um movimento nacionalista e monárquico, que se não era conservador era substancialmente moderado, e estava na realidad mais próximo do Fascismo italiano que do Nacional-Socialismo alemão; a denominação 'nacionalsocialista' havía sido eleita, possivelmente, pelas oríiens germanicas do povo holandês”. Francis Bertin remarca esta idéia ao escrever: “As idéias de primazía racial, do valor do sangue, do 'lebensraum' não figuravam em absoluto na ideología do NSB, o que será mais tarde reprovado a Mussert pelos dirigentes do Reich. Em seus principios, o NSB se declarava firmemente vinculado ao Nacionalismo holandês, aos valores cristãos, ao solidarismo entre

classes, e a regeneração moral, idéias que se assemelham ao “Rex” valão, e ao “Verdinaso 312 flamengo”. Há que constatar que, no caso do NSNAP, ocorría algo parecido, segundo Duprat: “Van Rappard, que havía sido estudante en Viena, e havía seguido as aulas de Spann, teórico do Standenstaat professava um Nacional-Socialismo bastante alijado do Modelo Alemán, do qual se limitava a copiar a aparencia exterior”. O Fascismo holandês, como vemos, foi, em geral, bastante moderado, coisa lógica num país sem grandes tensões internas, e apesar do uso da suástica 313 e da denominação “Nacional-Socialista”, permaneceu basicamente inspirando-se na Itália.

O mesmo Mussert provinha, como já dito, dos meios nacionalistas conservadores; o NSB pode ser catalogado

durante bastante tempo entre os grupos “fascistas de Direita”, o qual lhe valeu duras críticas por parte do ZF. Mas a diferença dos demais líderes fascistas holandeses, Mussert, homem basicamente honesto e trabalhador, não se preocupou tanto das pequenas conspirações, das alianças entre grupúsculos, e de andar roubando aquí e ali punhados de militantes de grupos afins, como de organizar e lançar seu próprio movimento, o qual, a partir de 1933, começou a destacar-se claramente dentro do campo fascista holandês, e de ser uma força política con peso próprio. Segundo Littlejohn, “embora o NSB se inspirasse claramente no Modelo Alemão, o povo holandês se impresionou pelo patriotismo que desfraldava”.

A diferença do NSNAP, evitou usar a suástica como emblema. Esta adequada política lhe permitiu explorar a

situação favorável que, por diversos motivos, se criou em 1933. O auge do Fascismo em toda Europa, e especialmente a conquista do Poder por Hitler em janeiro, por um lado; as consequencias da crise económica, por outro; e finalmente, os sucesos do motím do buque de guerra Zeven Provincien são as causas que assinala Nolte, para explicar o “salto adiante” do NSB. Respecto al motín, dice este autor que produjo en la opinión pública del país “un espanto análogo al que en Alemanha había provocado la República de los consejos, y en Itália la ocupación das fabricas”. Dos 1.000 militantes com que contava no fim de 1932, o NSB passou a 20 mil no fim de 1933. Entre as causas do éxito há que citar também o ativismo desflaudado pelo Partido, que desde 1932 havía criado umas milicias, “Weer Afdelingen” (ou WA) que havíam introducido na Política holandesa um “estilo militar” que antes lhe era totalmente estranho. As concentrações da WA, acompanhadas pela música del “Horst Wessel Lied” com letra holandesa 314 impressionaram fortemente a juventude holandesa, que recebía através do jornal “Volk en Vaterland” 315 a “interpretación fascista” dum mundo tremendamente influenciado então pelo auge dos movimentos fascistas. As medidas repressivas do Estado liberal não tardaram. Em mar/1934 se proibiu aos funcionários civis e militares do Estado, aderir ao NSB 316 , e em set/1934 se proibiu o uso de uniformes paramilitares, o que foi um sério problema para as milicias WA. A razão de todas estas medidas estava no constante auge do NSB, que em jan/1934 criou sua própria organização sindical, e em junho sua frente estudantil. As posições do NSB se ridiculizaram, fruto da

repressão, e a nova revista ideológica do movimento, “Niew Niederland”, dirigida por Van Genechten 317 aumentou seus ataques ao “sistema”. Alguns políticos destacados, como Hylkernan, ex-ministro do Governo do ARP 318 , se incorporaram ao NSB. O citado Hylkernan, havía escrito, em 1934, um livro doutrinário: “Het Nederlansche Fascisme”. Uns 50 mil filiados tínha o movimento de Mussert em 1935, uma quantidade espectacular para a suave Holanda, onde predominava o típico “partido de notáveis”, e os social-democratas contavam com só 100 mil filiados. Nas eleições municipais de 1935, o éxito do NSB foi clamoroso: 8% dos votos, nas primeiras eleições as que se apresentava o movimento. Um

17/12/1934 em Montreux, Suíça. A reunião foi realizada pelo Comitati d'Azione per l'Universalità di Roma (CAUR). Os participantes de 13 países foram: Ion

Moţa da Guarda de Ferro, Vidkun Quisling da Norvegese Nasjonal Samling, Gimenez Caballero da Falange Española, Eoin O'Duffy das irlandesas Blueshirts, Marcel Bucard da Action Française (es.metapedia.org/wiki/Action_Française), alguns representantes do lituano Tautininkai (es.wikipedia.org/wiki/Unión_Patriótica_-_Demócrata_Cristianos_Lituanos), a portuguesa Ação Escolar Vanguarda com António de Queiroz, Georges S. Merkouris de Grécia, por sua vez os delegados provenientes da Áustria, Bélgica, Dinamarca, Países Baixos, e Suíça. Em sua moção final, o Congresso reconhece quase por unanimidade a Mussolini como o “fundador e chefe do Fascismo internacional”.

312 Sigla, em flamengo, de Vlaamsch Nationaal Verbond; ou União Nacional Flamenga, em português. In es.wikipedia.org/wiki/Vlaamsch-Nationaal_Verbond e

in es.metapedia.org/wiki/Vlaamsch-Nationaal_Verbond.

313 Tais como foi o caso dos diversos ramos del NSNAP.

314 Era el himno oficial: WA Marschreed.

315 In nl.wikipedia.org/wiki/Volk_en_Vaderland.

316 A filiação ao NSB custou a Mussert seu emprego, engenheiro civil y a Van Geelkerken.

317 Referencia a Robert van Genechten. In en.wikipedia.org/wiki/Robert_van_Genechten.

318 Sigla, em holandês, de Anti-Revolutionaire Partij; ou Partido Anti-revolucionário, em português. In es.wikipedia.org/wiki/Partido_Antirrevolucionario.

Atualmente, é a Chamado Democrata Cristã (holandês: Christen-Democratisch Appèl, CDA). In es.wikipedia.org/wiki/Llamada_Demócrata_Cristiana.

gigantesco comicio chegou a concentrar a 36 mil militantes NSB, e simultaneamente Mussert conseiguiu implantar fortemente o Partido no Imperio holandês, sobretudo nas Indias neerlandesas. Novas medidas repressivas foram arbitradas pelo Governo, que proibiu ao NSB o uso da bandeira nacional, e dissolveu as milicias WA. O ascenso do NSB ficou, apesar de tudo, demonstrado, já que desde 1936 pode lançar um diario próprio: “Nationale Dagblad” 319 . A partir de 1936, o movimento começa a perder importancia, sendo, porém, o mais forte dos partidos minoritários, após os 3 partidos confessionais, e os social-democratas. Quais são as causas desta “freada” na ascensão que até então vínha registrando o NSB? Duprat cita 4 causas básicas: a apariççao de elementos antissemitas e racistas, introduzidos por Van Tonningen 320 , um dos novos ideólogos do Partido; a retirada dos membros e apoiantes conservadores que até então o havíam apoiado; a formação de uma frente comum dos partidos “do Sistema”; e do inicio de contatos com Hitler, por parte de Mussert. Desde 1919, o país foi governado pelos partidos confesionais: o RKSP 321 , o Partido Calvinista Anti-revolucionário, e a CHU 322 , apoiando-se em pequenas forças liberais, e na oposição os social-democratas, principal partido da Oposição. Alarmados pela experiencia alemã, todos estes partidos formaram um bloco que Mussert não conseguiu romper. Nolte escreve, a propósito do NSB que “seus éxitos sem dúvida havíam sido maiores se houvesse logrado imiscuir-se no conflito entre os grandes partidos, e agudizá-lo. Mas não pode aplicar esta receita que contribuirá para o exito do Fascismo italiano, e do NSDAP alemão. Precavidos pelos acontecimientos da Alemanha, os partidos 'do Sistema' se uniram para defender-se e foi precisamente o chefe do ARP, fortemente direitista, o Dr. Colijn 323 , que, como premier, se fez o campeão desta aliança”. Outro elemento “do Sistema”, as Igrejas cristãs, também aportaram sua ajuda para evitar o “perigo fascista”. “Num país onde os condicionamientos religiosos eram tão fortes que fazíam que o Poder fosse ocupado pelos diversos partidos confessionais, esta serie de condenações das Igresjas cristãs afetou seriamente ao NSB”, escreve Bertin. A Igreja Calvinista condenou a ideología do NSB como “incompativel com a fé cristã”, enquanto que a Igreja Católica condenava en termos precisos ao Movimento, e anunciava que não se daríam os sacramentos aqueles católicos que militassem no NSB. Os Bispos das distintas

confissões dirigiram múltiplas cartas pastorais a seus fiéis coo o tema dos perigos que era o NSB para a civilização cristã. A ação conjunta das igrejas e os partidos confessionais diminuiu notavelmente a influencia do NSB. “Colijn, ademais constituiu um “Governo forte” que oferecía sólidas garantías antissocialistas, e que desta forma tirava votos ao NSB”, escreve Rallo. Ao introduzir no Partido os temas antissemitas e racistas em sua propaganda, perdeu a simpatía dos elementos moderados, e os contatos pessoais entre Hitler e Mussert em 1936, seja dito de passagem, não chegaram a nenhum resultado concreto, unidos ao elemento anterior, fizeram o NSB perder seu aspecto “patriótico” para dar uma aparencia de movimento “extrangeiro”, “alemão”. O NSB, como quase todos os movimentos fascistas de Europa Ocidental, se viu muito prejudicado pela “política expansionista” das potencias fascistas, já que começaram a ser vistos como “aliados objetivos” deste expansionismo, como “quinta coluna”, e como “Pseudopatriotas”. Este conjunto de elementos atuou muito sensivelmente sobre os resultados eleitorais obtidos pelo NSB nas eleições gerais de 1937 324 . Resultados que, por acrescimo, desmoralizaram aos militantes e simpatizantes, de tal forma que em 1939 nas eleições municipais, celebradas em pleno ambiente de “anti-Fascismo” e de pré-guerra, só obteve 3,9%. O NSB perderrá quase 65 mil filiados, reduzindo-se nessas datas a menos de 30 mil. Uma boa mostra da importancia que teve, para a perda de votos do NSB, a psicose quinta-colunista, foi que nos escassos días que durou a campanha alemã na Holanda, a Policía deteve como saboteadores a uns 10 mil militantes NSB, e muitos deles foram assassinados; Mussert salvou-se por ter se escondido no campo; fatos análogos ocorreram no Flandes e na Valonia, como veremos no capitulo correspondente. A historiografía militar pode evidenciar, porem , que não se produziram ações de

sabotagem ou quinta-colunistas a cargo de nenhum membro do NSB que, ao contrario, cumpriram fielmente com suas obrigações militares. Todo se deveu a insistente propaganda que apresentava aos homens do NSB como traidores, propaganda tremendamente eficaz se se aplica sobre um partido cujo principal argumento ideológico é precisamente o Nacionalismo e o Patriotismo. Somente a ocupação militar alemã criou a “crises” do sistema liberal que o NSB necesitava para chegar ao Poder. Ao fugir as autoridades para Inglaterra, ficou no país um “vazío de Poder”, que o NSB tentaría ocupar. Só o consiguió parcial e relativamente, e isto é devido a várias causas. Os alemães não se mostravam partidários de conferir el papel predominante a um só partido, especialmente se este, fosse como péocasodo NSB, não ocultava seu profundo Nacionalismo. Os alemães julgaram, pois, com vários elementos. Por uma parte apoiaram, durante algum tempo, os intentos de destacados políticos do antigo Regime, “entre eles o mesmo Dr. Colijn de criar um grande partido nacional, e colaboracionista; e foi o “Nederlansche Unie” (União Holandesa), que estava chamada a desempenhar um papel análogo ao dos homens de Vichy na França. Praticamente todos os partidos políticos que seguíam existindo sob a Ocupação, nos primeiros meses, apoiaram a União Holandesa intentando criar uma força política que evitasse que os fascistas aproveitassem o vazio de Poder para toma-lo. Também contou com o apoio do Colégio de Secretários Gerais, especie de Governo autónomo formado por holandeses, apartidários que no começo, administrava o país sob a supervisão alemã. Em mar/1941, a União Holandesa chegou a contar com 1 milhão de filiados, mas os alemães “começaram a desconfiar desta força política, e a dissolveram em dezembro, pois comprovaram que não só se tratava de uma força 'fascista', mas propriamente ao contrário, e que estava em condições de atuar como movimento de 'Resistencia', mais do que 'Colaboração'”. Por outra parte, as autoridades alemãs intentaram enfrentar ao NSB com partidos fascistas menores para (divide e vencerás) poder impor sua visão ao NSB. Se apoiou a “ala racista” do NSB, conseguindo Von Toninngen ser nomeado “Chefe suplente” do NSB, e criando, outro destacado dirigente radical, Feldineijer 325 , da ala holandesa da SS. Consequentemente com sua ideología racista, estes homens não ocultavam o desejo de incorporar a Holanda germânica ao Grande Reich alemão. Mussert, porém, sempre defendeu a autonomía holandesa, sendo partidário de uma Europa que devía constituir-se a partir de 3 grandes federações: a germanica, com Alemanha, Reino Unido, Escandinavia e Holanda e Flandes; a latina, com Espanha, Portugal,

ḿ

319 In de.wikipedia.org/wiki/Het_Nationale_Dagblad.

320 Referencia a Meinoud Rost van Tonningen. In en.wikipedia.org/wiki/Meinoud_Rost_van_Tonningen.

321 Sigla, em holandês, de Rooms-Katholieke Staatspartij; ou Partido Católico Romano, em português.

322 Sigla, em holandês, de Christelijk-Historische Unie; ou União Cristã Histórica, em português.

323 Referencia a Hendrikus “Hendrik” Colijn. In en.wikipedia.org/wiki/Hendrikus_Colijn.

324 I.e., só 4,2% com 4 assentos na Câmara Baixa, e outros tantos na Câmara Alta.

325 Referencia a Johannes Hendrik Feldmeijer. In en.wikipedia.org/wiki/Henk_Feldmeijer.

França e Itália; e a balcanica. Os partidos fascistas menores tiveram um breve renascer durante os primeiros meses da ocupação. O ZF se transformou no “Nationaal Front” e deixou sua inspiração fascista italiana, sem acercar-se porisso ao Modelo Alemán. Apoiou, como tal grupo, a “NU” 326 e se opos virulentamente ao NSB. Se oporía, mais tarde, a participação de voluntários holandeses na “Campanha contra o Bolchevismo”. Seus membros abandonaram o grupo em massa, e finalmente foi proibido pelas autoridades alemãs de ocupação, passando Meijer, com seu reduzido grupo de seguidores, a lutar na Resistencia, enquanto que a mayor parte de seus ex-seguidores se integraram no grupo de Mussert. Outros grupos menores, como os “Nacional-Solidaristas”, e o “Movimento Toelstra” formado em 1941, por antigos esquerdistas, impressionados e atraídos pelo Fascismo, passaram também ao NSB. Enquanto as 2 alas do NSNAP, que havíam sido proibidas em 1940, e se reconstituiram quando os alemães ocuparam o país, os seguidores de Kruyt se puseram, voluntariamente, junto ao NSB, enquanto que no caso de Van Rappard teve que mediar a dissolução oficial do Partido, decretada pelos alemães, para que seus membros se integrassem no NSB. Em dez/1941, após uma entrevista entre Mussert e Hitler, o NSB foi reconhecido como o único partido político permitido na Holanda. Seus militantes ocuparam os postos do “Colégio de Secretarios Gerais”. Desde o inicio da ocupação alemã, o NSB havía aumentado sem cessar o número de filiados. Na primavera de 1941

já contava com 80 mil, apesar de ainda existir a “Nederlandsche Unie”, apoiada de forma ostensivel pelas autoridades militares de ocupação, partidárias de uma ocupação militar clássica, sem “aventuras revolucionárias”. As “WA”, reconstruidas, se manifestavam constantemente pelas ruas holandesas, enquanto que o NSB multiplicava suas organizações especializadas. Prestou um firme apoio ao recrutamento de holandeses para as Waffen SS, 1º para o Regimento “Westland”, depois para a “Legião Holandesa”, e também para a formação de milicias de segurança que atuaram sobre solo holandês: “Landwacht”, e “Landstorm'. Em dez/1942 os alemães reconheoceram a Mussert como “Leider van het nederlandsch Volk” 327 ; a presença das autoridades alemãs de ocupação, e sobretudo de um Reichskommisar, impediram que este título tivesse um conteúdo e um poder real, sendo pouco mais que um título honorífico.

A evolução da guerra não afetou ao conflicto, que subsistiu sempre, entre a “ala racista germânica” de Toninngen e

Feldmeijer, e a “ala fascista holandesa” de Mussert. Esta citada evolução militar afetou foi o nº de voluntarios holandeses que serviram nas tropas alemãs, que chegaría a ser mais de 50 mil homens, servindo nas Waffen SS (Division Nerderland), no NSKK,

inclusive nas ferrovias militares

alemãs. Quando em 1944 os Aliados ocidentais desembarcaram na Normandia alcançaram a Holanda, foi organizada, baseado no

citado Landstorm, uma nova divisão SS, que terá a particularidad de ser uma das poucas divisões de voluntarios europeus das SS que não lutará contra os soviéticos, mas contra os Aliados ocidentais, em seu solo natal.

A historia do Fascismo holandês acabou em 1945 con uma gigantesca fase de “depuração”. “É possivel que a

grande magnitude do problema impulsionaram as autoridades à clemência. Sensatamente o Governo comprendeu os perigos que se derivavam de ter a uma boa parte da população do país excluida permanentemente da comunidade nacional”, disse Littlejohn. Se este paragráfo nos da uma idéia aproximada da magnitud do problema, não se deixa, contudo, sem descreve-la, coisa que faz

Duprat: “A repressão legal foi particularmente dura; o simples fato de haver firmado a correspondencia com a saudaçãoo do NSB

'Hou Zee' podía custar uma acusação

que em outubro do mesmo ano ficaram encarcerados 72.321 homens, e 23.723 mulheres”. Mussert e outros destacados dirigentes

foram assassinados 329 , 127 mil holandeses perderam os direitos políticos, 60 mil foram privados de sua nacionalidad holandesa, que estranhava o confisco de bens, e 35 mil foram condenados a prisão. Holanda, que contribuiu para FFAA alemãs ao principal contingente de voluntarios de toda Europa Ocidental, e que foi uma das nações que mais “colaboração” prestaram a “Nova Ordem” purgou, con tão ampla repressão por não haver apoiado mais a Resistencia.

O Fascismo holandês foi um dos principais da Europa Ocidental, apesar das condiciones do país, e suas tradições se

prestaram muito pouco a ele. É um bom exemplo também da peculiar situação em que se encontraram os movimentos fascistas após a invasão alemã, pois as autoridades militares não estavam dispostas a entregar-lhes o Poder do país ocupado, dum lado, e o próprio movimento fascista se debatía entre seu Nacionalismo de “oposição ao ocupante” e sua solidaridade ideológica “apoio ao camarada”. O caso holandês demostrou que os alemães não tratavam tanto de expandir a ideología nacional-socialista como de assegurar a primazía alemã, pelo qual, só apoiaram com reservas e vacilações ao NSB.

A depuração foi massiva. Houve de 120, a 150 mil prisões na Holanda em maio/1945, dos

no Exército Terreste, na Marinha, na Aviação, no Serviço de Trabalho, na Organização Todt 328

Bélgica

Embora são vários os países da Europa Ocidental nos quais existem nacionalidades culturais, foi na Bélgica onde o

problema chegaría a ser tão importante como para impedir o nascimento dum “Fascismo belga”; em vez disto, se desenvolveram um “Fascismo flamengo”, nas zonas de fala neerlandesa, e um “Fascismo valão” nas zonas francófonas. Em ambos casos, os movimentos fascistas terão um desenvolvimento e uma importancia política digna de ter-se em conta.

O Fascismo se desenvolverá no Flandes 330 a partir da pré-existente corrente nacionalista, a qual vínha sendo muito

sensivel desde tempo atrás as influencias que vínham da Alemanha. Os flamengos, povo do tronco germânico, preferíam formar- se na cultura alemã, sublinhando ainda mais o seu desejo de ruptura com os valões, de cultura francesa. Na Valonia 331 os movimentos fascistas e fascistizantes terão por origem as influencias do pensamento maurrasiano, e se desenvolverão nos ambientes católicos e “belgicistas” 332 . Enquanto que no Flandes o Fascismo se formou a partir da adaptação ao modelo fascista da prévia ideología nacionalista, na Valonia surgiría um Fascismo original e próprio: o Movimento “Rexista” 333

326

Sigla, em holandês, de Nederlandsche Unie; ou União Holandesa, em português. nl.wikipedia.org/wiki/Nederlandsche_Unie.

 

327

Chefe do Povo Holandes, em português.

 

328

In https://pt.wikipedia.org/wiki/Organisation_Todt.

329

Ou seja, se introduziu especialmente a pena de morte, suprimida na Holanda em 1873.

 

330

In es.wikipedia.org/wiki/Flandes.

 

331

In

es.wikipedia.org/wiki/Región_Valona;

in

es.wikipedia.org/wiki/Valonia_(tierra_romance)

e

in

es.wikipedia.org/wiki/Región_lingüística_francófona_de_Bélgica.

332 I.e.: contrarios ao separatismo flamengo, e partidarios da “Grande Bélgica”.

333 Referencia ao Rexismo. O Rexismo foi um movimento político de Nacionalismo Revolucionário que se desenvolveu durante a 1ª metade do Séc. XX na

de León Degrelle 334 . De forma distinta, os 2 Fascismos belgas terão sua origen na I Guerra Mundial. No Flandes, durante a Guerra, o movimento nacionalista adotaram 2 posturas diversas. Na parte de Flandes, ocupada pelos alemães elementos colaboracionistas, criaram um Governo autonomo. No caso de vitória alemã, este Governo plocamaria a independencia do país. Uns flamengos permaneceram fiéis a Bélgica, embora, aproveitando a circunstância propícia da guerra, fizeram ao Poder central uma série de reivindicações; este movimento, que se desenvolveu entre os soldados flamengos da frente se denominou “Frontbewegung”, e teve por líderes a jovens estudantes que prestavam serviço como oficiais. Acabada a guerra, o movimento “frentista” continuará, 1º como “Vlaamsche Front” 335 , e depois como “Frontpartij” 336 , obtendo uma pequena representação parlamentar, sendo deputados homens que ocuparíam um lugar tão destacado no Fascismo flamengo como Van Severen 337 , e De Clercq 338 . Na Valonia, o Fascismo, ou melhor dito os grupos fascistizantes, surgiram nos ambientes dos ex-combatentes, nacionalistas, antisseparatistas, e também anticomunistas, que, como Mussolini na Itália, consideravam que a Bélgica “se lhe havía roubado a vitória”, e que se havía obtido pouco com a assinatura da Paz com a Alemanha. “Os primeiros grupos

uniformizados que se orientaram com o exemplo de Mussolini vieram

interessava

Sistema” lhes parecía abrir possibilidades perigosas. Vejamos, com algo de detimento, a estes grupos”, nos esclarece Nolte. “Action Nationale', foi uma organização criada por Pierre Nothomb 339 , bom jornalista e orador, e exacerbado nacionalista que pedía a anexação do Luxemburgo, e do Limburgo alemão. O mesmo nome do grupo evidencia uma poderosa influencia maurrasiana. Mostrou uma patente hostilidade ao Parlamento, e ao Marxismo, e suas simpatías por Maurras, Mussolini, e Corradini 340 . A organização, criada em 1918, contou de 1925 a 1932 com uma pequena organização juvenil, as “Jeunesses Nationales”. Como se pode imaginar as Esquerdas belgas chamaram a Nothomb de “lider fascista”; na realidade, este político, era basicamente conservador, se aliou ao Partido Católico 341 em várias ocasiões, sendo finalmente senador por este partido em 1936, o qual originou a dissolução de seu movimento. “La Nation Belgue” foi um grupo intelectual, criado igualmente em 1918, que desenvolveu a ideología nacionalista belga. Muito influente entre a oficialidade, o grupo criticou duramente a Democracia parlamentar, e ao contar com um periódico sua ação foi muito influente. A partir de 1934 o periódico “Nation Belgue” 342 se aproximou ideológicamente a Degrelle e seu “Rexismo”, sem chegar, apesar de todo, a integrar-se plenamente. A “Legion Nationale” veio a luz em 1922, sob a influencia direta da “Marcha sobre Roma'. Animada por grupos de ex-combatentes inimigos da Política democrática, e admiradores de Maurras e Mussolini, a “Legião” foi o 1º grupo político belga que contou com milicias uniformizadas, com as quais deu a batalha nas ruas aos socialistas. Desde 1927 foi dirigida por Hoornaert 343 , e se opôs ao movimento rexista de Degrelle, “por sua boa disposição ante as eleições”, segundo Littlejohn. De fato, Degrelle sempre preconizou a vía eleitoral, ao contrario de Hoornaert, um valoroso ex-combatente, apesar de que adoptara todo o estilo fascista, e assistiu ao Congreso Internacional Fascista de Montreux, continuou sendo um nacionalista extremista, monárquico dinástico, e germanófobo radical antes e acima de tudo. Anos mais tarde, se criaríam outros 2 grupos intelectuais, “Pour l´ Autorite”, grupo que pedía um Poder Executivo mais forte, e “Reaction”, que difundiu a ideología corporativista. Menos importancia teríam outros grupos, como “Faisceau Belge”, a “Ligue National Corporative du Travail”, de Sommerville, ou “La Defense du Peuple” grupo este especificamente antissemita, e que, diferente dos anteriores, também se implantou no Flandes, como “Volksverxweering”. Todas estas agrupações políticas intentaram copiar elementos do Fascismo, num momento em que este gozava de grande prestigio: “Em cada país milhares de europeus voltavam seus olhos para Mussolini, estudavam o Fascismo, admiravam sua ordem, sua vistosidade, o empuxo de suas importantes realizações políticas e sociais”, escreve León Degrelle. Esta admiração provinha dos meios conservadores, já que a Esquerda praticou desde o 1º momento um violento antifascismo, e muitos destes conservadores, ainda admirando ao Fascismo, se revelaram como péssimos imitadores; sem comprender os aspectos “esquerdistas” do Fascismo, limitando-se a adoção da “decoração” exterior, intentaram fazer-se passar por fascistas, quando, na realidade “se parecíam muito mais a estreitas seitas chauvinistas que aos gigantescos movimentos de Mussolini ou Hitler” como muito justamente disse Marco Tarchi sobre os grupos que acabamos de estudar. Esta floração de grupos “belgicistas” valões tidos de Fascismo atuou muito negativamente sobre a idéia do Fascismo que se fizeram os flamengos. “O periódico principal dos nacionalistas flamengos, 'De Schelde' editado en Amberes, sentía pelo Fascismo uma grande desconfiança. Na Bélgica, dizia, o Fascismo está apoiado pelos militares e a alta burguesía, os elementos antiflamengos do pais, e dos quais é preciso guardar-se”, segundo conta Jean Stengers. Era inevitável, porém, que estes

nacionalistas separatistas se aproxiamassem do Fascismo: “Se estes nacionalistas flamengos se propunham objetivos que não

era, sobretudo, uma política de mão dura com respeito ao vencida Alemanha, a que a débil política dos 'partidos do

dos círculos de combatentes valões. O que lhes

podíam realizar-se dentro do marco do sistema parlamentar devíam intenta-lo por caminhos antiparlamentares e isto significava na Europa do Entreguerras, quase forçosamente, por caminhos fascistas”, argumenta Nolte. Este giro se deverá, sobretudo, a ação de um homem: Joris Van Severen. Veterano dirigente do “Frontbewegung”, e deputado do “Frontpartij', foi Van Severen quem influenciou mais diretamente na vida política flamenga. Muito influenciado por

Charles Maurras, Georges Valoik, e outros pensadores franceses

creía na missão e na necessidade de uma élite nova, tínha uma

Bélgica. É o homólogo belga do Fascismo na Itália, do Falangismo na Espanha ou os movimentos de Corneliu Zelea Codreanu como a Guarda de Ferro na

Romênia. O Rexismo se fundou em 1930 por Léon Degrelle (es.wikipedia.org/wiki/Léon_Degrelle y es.metapedia.org/wiki/Léon_Degrelle), um belga francófono.

O

es.wikipedia.org/wiki/Rexismo e in es.metapedia.org/wiki/Rexismo e in es.metapedia.org/wiki/Rexismo.

334 In es.wikipedia.org/wiki/Léon_Degrelle e in es.metapedia.org/wiki/Léon_Degrelle.

335 Frente Flamenco, em português.

336 Partido del Frente