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Caso Paquete Habana 1

Suprema Corte dos Estados Unidos da América, 1900. (175 US 677)

Relator: Ministro Gray.

Estamos diante de dois recursos de decisões da Justiça Federal do Sul da Flórida que determinaram o confisco de duas embarcações pesqueiras e suas cargas como presas de guerra.

Tratam-se de embarcações costeiras, que partindo do (e regressando ao) porto de Havana, regularmente pescavam no litoral cubano; navegavam sob pavilhão espanhol; pertenciam a um cidadão espanhol, natural e domiciliado na cidade de Havana. O comandante e a tripulação, que não tinham qualquer parte na propriedade da embarcação, recebiam dois terços do produto da pesca, ficando o restante com o proprietário. A carga constituia-se em peixe fresco, apanhado pela tripulação no mar, mantido vivo para a venda. Até a interceptação pelo esquadrão de bloqueio, as embarcações não tinham qualquer ciência da existência de guerra ou do bloqueio. Não possuiam quaisquer armas ou munições a bordo, não fizeram qualquer tentativa de transpassar o bloqueio ao tomar conhecimento do mesmo, nem resistiram à captura.

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Ambos os barcos foram trazidos, pelos respectivos captores, à Key West. Em 27 de abril de 1898, foi apresentado libelo requerendo o confisco das embarcações e suas respectivas cargas como presas de guerra. Foi interposta contestação, pelo capitão, como representante da tripulação e do proprietário. Procedeu-se à coleta de provas, quando se apuraram os fatos acima expostos. Em 30 de maio de 1898, prolatou-se sentença condenatória e expropriatória pois “a corte refutou, como questão de direito, que sem qualquer lei, tratado ou promulgação, embarcações desta espécie são eximidas de apresamento.”

Os barcos foram, por isso, alienados em leilão; o Paquete Habana foi arrematado por US$490 e o Lola por US$800.

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Somos levados a determinar, à partir dos fatos narrados nestes autos, se as referidas embarcações, estavam sujeitas à captura pela marinha americana durante a recente guerra com a Espanha.

1 Trad. Aziz Tuffi Saliba

Em virtude de um antigo costume entre nações civilizadas, que teve início séculos atrás e, gradualmente, firmou-se como regra de Direito Internacional, embarcações costeiras de pesca, exercendo sua função piscatória, são eximidas, juntamente com sua carga e tripulação, da captura como presa de guerra.

Esta teoria, no entanto, foi duramente contestada em juízo; inexiste qualquer coletânea completa de exemplos, que tenhamos conhecimento, embora inúmeras sejam as referências e discussões por juristas do Direito Internacional, principalmente em ORTOLAN, Regles Internationales et Diplomatie de la Mer, pp. 51-56; CALVO, Droit International, 5 ed., p.p. 2367-2373 e DE BOECK, Propriete Privee Ennemie sous Pavillon Ennemi, p.p. 191-196 e HALL, International Law, 4 ed. p. 148. É convienente, portanto, descrever a trajetória histórica da norma, das mais antigas fontes encontráveis, passando pela sua ampliação de reconhecimento e por seus eventuais retrocessos, até o que podemos considerar, legitimamente, como sua final consolidação em nosso país e em quase todo o mundo civilizado.

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Desde os decretos do conselho inglês de 1806 e 1810, anteriormente citados, a favor de embarcações utilizadas para pesca e transporte de peixe fresco, não se encontrou qualquer caso em que a Inglaterra ou outro Estado denegaram isenção

de apresamento à barcos pesqueiros que estivessem legitimamente exercendo sua

pacífica atividade. O Império Japonês (último Estado admitido na ordem de nações civilizadas), através de norma promulgada no início de sua guerra com a China, em agosto de 1894, instituiu tribunais de presas, determinando que “as seguintes

embarcações inimigas são isentas de detenção”, incluindo, na isenção, “barcos perfazendo pesca litorânea” além de “navios realizando, exclusivamente, viagens com fins científicos, filantrópicos ou religiosos.” TAKAHASHI, International Law, 11, 178.

O Direito Internacional é parte do nosso Direito, devendo ser determinado e

aplicado pelos tribunais, no âmbito de sua competência, sempre que questões de Direito concernentes à ele sejam propriamente apresentadas em juízo. Para tanto, quando não existir tratado, norma executiva ou legislativa vigente ou decisão judicial, deve se recorrer aos costumes e usos das nações civilizadas e, como prova destes, à doutrina dos jurisconsultos e escritores que, atráves de anos de trabalho, pesquisa e experiência se tornaram singularmente versados nos temas que abordam. Não recorrem os tribunais à tais doutrinas em razão das especulações dos respectivos autores acerca do que o Direito deveria ser, mas por constituir fidedigna prova do que o Direito é. Hilton v. Guyot, 159 U.S. 113, 163 , 164 S., 214, 215, 40 L. ed. 95, 108, 125, 126, 16 Sup. Ct. Rep. 139.

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[A corte cita diversas opiniões doutrinárias de juristas de diferentes origens que, explicitamente, rejeitam o apresamento de embarcações pesqueiras.]

Este exame de precedentes e opiniões doutrinárias sobre o tema parece-nos demonstrar sobejamente que, na presente data, em virtude de consentimento geral das nações civilizadas e independentemente de tratado expresso ou outra norma pública, fundamentado em razões humanitárias com as classes pobres e laboriosas e na conviniência mútua de Estados beligerantes, é norma de Direito Internacional que embarcações costeiras, juntamente com seus utensílios, suprimentos, cargas e tripulações, desarmados e legitimamente exercendo sua pacífica atividade de apanhar e transportar peixe fresco, são isentos de captura como presa de guerra.

A isenção, obviamente, não se aplica a pescadores costeiros ou suas respectivas

embarcações, se utilizadas para fins bélicos ou de modo a auxiliar or ou fornecer

informações ao inimigo, nem quando por necessidade advinda de operações militares ou navais os interesses privados tenham de ceder.

A isenção também não é extendida à navios ou embarcações utilizadas em alto

mar, para apanho de baleias, focas, bacalhau ou outros peixes que não possam ser

levados frescos para o mercado, mas que sejam salgados ou de outra forma curados e transformados em artigo ordinário de comércio.

Esta é uma norma de Direito Internacional que deve ser judicialmente reconhecida

e aplicada por Tribunais de Presas, na ausência de tratado ou outra norma emanada de seu próprio governo de seu próprio governo em relação à esta matéria.

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É dever desta corte, como mais alta corte de apresamento dos Estados Unidos,

aplicando o Direito das Gentes, declarar que a captura foi ilegal e sem razão fundada e, desta forma, em cada um dos casos, determina-se que as decisão do juízo ad quo seja reformada e que a renda proviente da venda da embarcação e sua

carga, seja restituída ao recorrente, juntamente com custas e indenização por prejuízos sofridos.