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EDITORÁ ECO

Editora Eco

IMPRESSO NO BRASIL

Ilustração da capa

PAULO ABREU

Cliches

CLICHERIA

GARCIA LTDA.

-

1973 -

PRINTED IN BRAZIL

Os conceitos emitidos são de inteira responsabilidade do autor.

Livraria Editora Mandarino Ltda. C.G.C. 34.026.245 - INSC. 396.286.00

RUA MARQU1l:S DE POMBAL, 172 - CAIXA POSTAL 11000 ZC-14 - Telefone: 221-5016- RIO DE. JANEIRO - GUAN~BARA

POMBA GIRA

(As duas faces da Umbanda)

Antônio Alves Teixeira (neto)

ANTÔNIO ALVES TEIXEIRA (neto)

POMBA GIBA

(As duas faces da Umbanda)

3. Q ed iç ão

E DI T Ô RA E CO

"GLóRIA

A DEUS NAS ALTURAS

P A Z N A TERR A A OS HO M ENS D E BO A V O N T A DE "

UMBANDISMO - é a doutrina que trata do ape r - feiçoamento dos esp í ritos, de qualque r classe ou ordem, encarnados ou desencarnados, de suas co- municações como mundo corpóreo e, de um modo mais objet ivo que qualquer outra , da solução d e vários problemas que assoberbam a h u m anidad e .

\

\

Prefácio da Ia. Edição

Animado -

mercê de Deus - pelas elogios as e por

isso mesmo alentadoras palavras que me foram dirigi-

tias pelo titular

da Editora

Eco a respeito

do meu

"Umbanâa

dos Pretos-Velhos",

venho novamente me

apresentar

a meus irmãos de fé e, desta vez, a eles . -

isto é,

meu novo livro, no qual - se tanto permitir Deus e me ajudarem os valorosos espíritos da Umbanda e da Quim- banda""':'" procuro mostrar as duas faces umbandistas, ou seja: o lado bom (Umbanâa) e o lado mau (Quim- banda - como se o chama) ou, em outras palavras, o urnbaruiismo em todos Os seus aspectos, como, de fato, desejo vê-Ia não importa quando.

c a seu julgamento - entregando "Pomba Gira",

*

*

*

- mo" (pubLicado em 1957) e com "Umbamâa dos Pretos- Velhos" (publicado em 1965) - move-me o primacial,

dos "Ca-

quiçá único desejo de, à tão querida religião

Ao fazê-Ia

como o fitl, aliás,

com "Umbandis-

boclos e "Pretos-Velhos" dar o seu verdadeiro lugar e, para tanto, apontando-lhe os ainda atrasados e mesmo errados aspectos - desculpem-me por dizê-Ia - escoi- má-ia de tais faltas e, âestarte, mostrando-a como de-

sejo e espero seja ela um dia, esteja eu encarnado já âesencarruuio.

ou

Fui católico, apostólico romano, desde a infância

até meus trinta

e tantos anos de idade.

a tão dec ant ada " P é rola da Gua t i a -

bara "

c onv e rsação com u m conh e c i do, Sr. Nelso n -

esotérico -

- " Por que o s e nhor é c atól i co, apo s t ó l i co rom a - no como o diz?!"

E m Pa quetá -

-

cerca de 1949 , ao vi aja r

para o R i o , entabul ei

que e ra

e que , dirigindo-s e a m i m, pe rgunto u -m e :

7

(

- Porque nasci em meio cat ó l i co, em tal meio m e

c riei e te n ho nele v i vi do

até

,t

- "Certo , no enta n to, se essa r e s po s t a par ti sse d e

u m boçal , sem c u lt ur a

c omo , ma is ai n d a , a e ndoss a ria

alg um a.

nã o s ó a ac ei t ar ia "

e

u,

 

*

*

*

 

Passaram-se

os dias. Uns qu inze

o ut ro s

após , en -

co

n tramo-nos, nova me nte , eu e o Sr . Nelso n.

 

*

*

*

 

-

" E en t ã o , p r of e s s o r A nt o n i nho ,

já sa b e por q ue

é

cat ólico , a p ost o l ic o r o m a n o?!

 

- N ão s ou , nun c a f u i e jamais o s erei!

 

- " ?! "

- Si m , meu a m iga ? T en ho , até hoj e, segu id o t ud o

o

qu e me f oi semp r e ensi na do s em q ue, p o rém, me t e -

nha d ad o ao c uid ado de in ve stiga r p ara sa b e r na ver - d ad e , a ra z ão de se r de tudo o qu e, qu anto à r e l i gi ão, a p re n di

"

- " E qual a r e ligião

- O E s piritismo. Pen et re i os umbrais da "doutrina

que pr e ten d e segu ir , então!

que trate

da 01" Í -

gem, d a n atu r e z a e do de s t i no dos espí r ito s e de su a s relações com o mun d o co r po re o ", isto é, do espir i t i s-

mo Kard e cista

ao seu estud o, p e los tr ê s inic i a i s l ivr os do cod i f i cado r:

" O Li v r o dos Espí r itos ", " O L i o r o dos Mé d iu ns" e " O

E v ange lh o Seg und o o Espiritismo ". Pi-lo , no entanto, pelo início de 1952 , mudando- me de P aqu et á , f ix e i resi d ênc ia na " C idade Ma r avilho s a" n a manhã de um belo domingo , dirigi-me ao "Cent r o

e,

e , a o [a zê -lo , ded i quei-me ,

" ao initio ",

Esp í r it a Cam i n h ei ro s d a Verd a de " e , d es de então, d edi - quei-m e à Umba r ul a .

A ela -

à que r ida

U m b anda -

me consagrei

e ,

por ja zê -to com hon e stida de, ca rin ho, d e d i cação e, a n - tes de tudo e p o r i ss o m e smo , e studando-a a fundo, pr a - ticando-a com e mp e nho, analisaruio-lhes os mínimos detalhes e asp e ctos, nela encont re i pontos em que, po r :

sua própria natu r e z a , a i n da co n t r ibuem, de m õ âo assás consider á uel , para q u e , p o r ou t r em -=--- que dela têm ra i -

v a , por não a co n hec e r e m e mui to me n os a entend e - rem - seja ela per s e g u i da .

E tanto

o fi z q u e -

gr aças a De u s -

p rocure i , an -

tes do ma i s. da r -lhe uma lo ca l i z ação c e r t a e defi ni da , um conc e ito cla r o e pre c is o en tr e as d e mais religiõe s ,

colocando-a , ou t ro ss i m, entr e a s ci ê nc i as e filosofia s

outras existente s. Isto, aliás , eu o faço no m e u já citad o

" Umbaruiismo",

Fi - Ia , por ém, d es d e o e m eu s p r im ei r o s

passo s n a

no v a t ri lha que segui, s enti qu e, muito aqu é m do qu e

dev e ser, sob m uitos

dos " C ab ocl os" e Pr e t os - V e l ho s ", estã o , eleS ' m es m os - o s " C a b oc l os" e " P r etos - Velhos" n o concei t o em qu e são

ti dos , nos conh eci mentos tem na v e rd a de .

s e

asp e cto s , es tá a q ue rida r e l igião

' qu e , de um

e de outr o s,

*

*

*

E i s porqu e -

cada vez com car i nh o m a i o r , cada vez

penetrando-lh e m a is o comple x o âmago - tenho

perm it ido es c r eve r a r e sp e i t o da "Umbanda"

ban dist as " , de les m es mo s e de t ud o a s e u r e speito.

me

e de "um-

Eis porqu e -

" i n fi n is"

d igo -

aqui v olto

à p r e-

sen ç a do s me us i r mã os d e fé pa ra, a go r a , l h e s e n tre -

gar este meu n o v o tra ba l ho.

D iv idi-o

e m d uas p a r t es, a s a b e r:

1" ' ) O lado ma u da Umb an da (Bs c l o re cimento)

2

" ') A Umbanda

e m ação (D o ut r ina

*

*

*

e prá t i c as) .

Na prime ira

p art e -

O lado mau d a Umbanda

-

I

advirto, tanto aos próprios médiuns como aos irmãos

de té. em geral, sobre o que, de mau e, por isso mesmo

de perigoso, pode ser encontrado na Umbanda. É o seu lado mau; é o lado mau da Umbanda. Nesta parte por- tanto [aço esclarecimentos. Na segunda - A Umbanda em ação - ao contrá- rio, 11WStro o que, de bom, e por isso mesmo salutar,

existe na querida e sacrossanta religião dos "Caboclos"

e "Pretos-Velhos", nossa divina e querida Umbanda.

Nesta outra parte, portanto, faço doutrina e apresento algumas práticas de Umbanda.

*

*

*

Sei que, possível e naturalmente, muitos me con- testarão. Sei que, possível e naturalmente, muitos me

condenarão e, até se voltarão

não é por isso que deixarei de escrever e de dizer o que penso e o que verdadeiramente desejo para os umbam- distas, para os "Caboclos" e Pretos-Velhos".

contra mim, no entanto,

*

*

*

Perdoem-me,

pois, quem

eu desagradar

com

o que ora escrevo. Perdoem-me os que se julgarem, tal-

vez, ofendidos, contudo, se atentarem bem para o que,

em si mesmo, constitui este meu novo livro, todos, sem dúvida e sem exceção, me darão razão.

"Saravá Caboclos!" "Saravá Pretos-Velhos!"

"Saraoá Umbanda!"

"Saravá Orixas da Umbaruial",

"Saravá Quimbanda!"

"Saravá Oruuu: da Quimbanda!"

"Viva Exu! "

o Autor

A Face má da Umbanda

(Esdarecimentos)

"FORA DA CARIDADE .NAO HA SALVAÇAO" - De Saulo de Tarso

Amemo-nos reciprocamente - Kardecis- tas, Umbandistas e Quimbandistas - por isso que somos Irmãos em Cristo, para que possamos: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a pós mesmos".

1

Cuidado com Exu!

melhor e ou mais do que eu - é amigo

d e "Exu " . Ninguém - melhor e ou mais do que eu - procura, p or isso mesmo dar ao "dono principal das ruas e en- cr u zilhadas" , o lugar " que, a meu ver, - lhe cabe, e mais a i nda, Ihe é devido nos "terreiros" e, em especial, nos t r a balhos ou "mesas" de Umbanda e Quimbanda.

Ninguém -

*

*

*

Em meu livro "Umbanda dos Pretos-Velhos" - de q ue este é a continuação - constante do Capítulo VII , di g o eu: "Sendo "Exu" o dono principal das ruas e n c r uzilh a das, é a ele que, em primeiro lugar, se deve s a l var , pois é somente com a sua licença que podemos d i r i g i r um trabalho de Magia, por isso que é ele - o "Ex u " - o elemento mágico universal" e , na mesm a ' p á g ina, um pouco abaixo " aduzo: "Não me curvo diante de " E xu " , no en t anto , muito menos admito que um " E x u " se curve diante de mim. Amo-o, de todo o co ra -

ã o , como irmão que o considero e, como " todas as aç õ es terão a sua reação - segundo a imutável e ín t a- l í v e l " Lei do Retorno" - justo é que , por ele - por II Ex u" - também seja eu amado de igual forma " . Ainda no mesmo cap í tulo VII, eu digo , em pros- g ui mento, o seguinte: "A um raciocínio menos avi-

sado, a uma observação rápida e por isso mesmo per- funtória da questão, parecer-nos-á que , na verdade , tud o o que se relacionar com os trabalhos espíritas, mormen- te os de Umbanda ou Quimbanda (e todos eles nada mais são do que trabalhos , de magia , trabalhos mágicos ) só poderá ser in i ciado - e mesmo feito - ' fazendo, "a príori", uma subordinação tácita ' a "Exu", às suas PQ- derosas ralanges, ao seu grande e incontestável poder ".

*

Isto, na ' Verdade,se constata em grande parte dos terreiros de Umbanda, pelo menos nos que tenho eu - em grande número - visitado . Em "Lagoinha" - lugarejo pertencente ao Mun i - cípio de São Gonçalo, no vizinho Estado do Rio - num "Centro de Umbanda" que visitei , a convite de um co- nhecido meu, tive ocasião de, logo ao início da "Gira de Exu", ao se incorporar, na "babá" , o Exu Tranca-Ruas ( não soube, ao certo, qual dos "Tranca-Ruas") , todos os médiuns do terreiro e bem assim os dirigentes (ma- teriais) e os assistentes - estes em grande número - "bateram cabeça" àquela entidade ' , (não ô fiz eu , é claro ' ) .

•.

'*

Em outro terreiro de Umbanda, situado na "Amen- doeira", também em São Gonçalo, a entidade chefe , a que dirige, prática e verdadeiramente, o terreiro e a to- dos os que a ele pertencem, nada mais é do que "Pom- ba Gira" (não sei qual delas).

EU mesmo, de 28 de agosto a quase o término do ano passado, de 1965, dirigi - tendo-o fundado e or- ganizado - um "centro" , em Guax i ndiba (1. 0 Distrito de S ão G onçalo) onde, desde que de lá me des l igue i, quem passou a dirigir - única e praticamente - é um env i ado de "Ex u - Lú ci fer " - "S êo L úc if e r " - c o mo O chamam lá .

E, como os citados , muitos e muitos outros terrei - ros há em que de tal forma se age e trabalha.

*

*

*

No . cap í tulo XII, do livro "Exu", do pranteado ir- mão . Aluízío Fontenelle -cuja transcrição, em partes, fiz em meu "Umbanda dos Pretos-Velhos", no capítu-

lo VII - lê-se o seguinte: "A. entidade máxima, deno-

minada "Maioral", tendo ainda outros denominativos tais como: Lúcifer, Diabo, Satanás , Capeta, Tinhoso, etc., sendo que nas Umbandas é mais conhecido com

o nome de " Exu-Rei". Apresenta-se como figura de altos conhecimentos, tratando-nos com uma grande elevação de sociabilidade, prometendo-nos este mundo e o outro, exigindo tão-so- m ente que por nós seja tratado por majestade. Raramente vem a um terreiro, preterindo os luga- ré s onde se . proressem altos estudos de magia astral,

, pa ra, com os poderes de que é incumbido, e usando de uma estratégia toda especial, procurar abalar ou captar

os que.se julgam portadores da fé e que, não ' raramente 1 va a melhor, pois pode produzir maravilhas, de modo

1 i díato".

'

.

* *

*

At e ntando-se para tudo isto, fácil é ose verificar, (111 , fi. "E xu", isto é, ao "dono principal das ruas e en-

e o faço prazerosa quão sin-

( ' I ' U I i : 1 das ", dou

eu -

• , 1 ~ H1l

t

-

um lugar de acentuado destaque.

* *

*

to o f aço que, no meu . "Umbanda dos Pretos-

V lh

",

b o título de "Os Exus e Sua Importante

M iSs ã o", a le - a "Exu" - dedico, com carinho, um c apitulo (o V I ) onde, entre outras coisas, digo que, no me u pon to d vis t a , de acordo com a classificação que, no c api tulo IIl , f aço dos espíritos , podem os "Exus" ser cons id er ados c omo "Miss i onários do Mal " e, ness e particul ar, expen do a seguinte opinião COnstante do

capítulo II - "Quanto aos "Missionários do Mal", neste meu livro, digo eu o seguinte:

a) encarnados ou desencarnados são eles, os que,

por faltas pretéritas - pelas quais, é claro , são os úni- cos responsáveis - muito têm ainda a reparar ou re s - gatar e, por isso, aceitam e mesmo escolhem - a tanto, pois, se submetendo voluntária e espontâneamente difícil missão de, praticando o mal e sofrendo suas 10- gicas e imediatas conseqüências, fazer indiretamente -

o bem;

b) quando encarnados, ou melhor, ao voltarem em

mais uma ou outra encarnação, fazem-no, por vezes, submetendo-se às mais duras provas, isto é, apresen- tam-se como os chamados espíritos em prova ou, tam- bém, como verdadeiros entes endemoníados, criminosos sem classificação, capazes, portanto, dos mais nefandos crimes e, destarte, perseguidos e justiçados como terão

de ser , logicamente, redimem, assim, suas faltas;

c) entre eles, pois, estaremos todos nós . ~ criaturas

humanas - salvo casos especiais. Atentemos, honesta e sincera, quão caritativamente, para o que acabamos de dizer e, a nós mesmos, formu- lemos a seguinte pergunta:

Não poderão os "Exus", sem favor, ser incluídos nessa classe de espíritos, isto é, na dos "Missionários

do Mal"?! E, reforçando-a, de forma idêntica, atentemos para esta outra:

. Poderemos nós julgar - e neste caso aos Exus - sem que, antes, nos julguemos a nós mesmos, isto é,

poderemos ver "o argueiro nos olhos de outrem quando, nos nossos próprios, temos enorme trave?! Como se vê, não só eu, amigo incondicional de Exu

_

face ao aspecto sob o qual o considero -

como,

mais ainda e por isso mesmo, a ele -

a Exu -

dou o

lugar que , a meu ver , lhe cabe ou pertence e que , por- tanto , lhe é devido no terreno religioso espírita em qu e

ora pisamos .

1 8

Isto , porém , n ã o implica, de forma alguma, em que nos subordinemos ao "dono principal das ruas e encru- zilhadas", a ele "batendo cabeça" e que, por isso mes- mo, achemos que outros o devem fazer. Não. De modo algum pensamos e, mais ainda, a outrem aconselhamos.

*

*

*

Que se inicie uma sessão de Umbanda - digamos assim - salvando antes a Exu, achamos, até certo pon- to, direito , quiça aconselhável.

por

Durante o tempo em que dirigi o "Centro" -

mim fundado e organizado em Guaxindiba, ao qual me refiro linhas atrás, neste capitulo I, ao iniciar as ses -

sões , antes realmente, de dar início aos trabalhos espi - rituais (logo após a prece), isto é, antes de "chamar os Anjos de Guarda" dos médiuns, cantava - eu mes-

mo - o seguinte "ponto"

de Exu:

"Exu, Exu, Tranca-Ruas, "me abre" o terreiro

e "me fecha" a Rua",

"Ponto" este por demais conhecido pelos médiuns, por isso que é muito e usualmente cantado e, ao término das sessões, isto é, ao "fechar agira", depois de encer- rados os "trabalhos", este outro:

"Exu, Exu , Tranca-Rua, "me fecha" o terreiro

e "me abre" a Rua".

isto é, a variação adequada daquele outro. Com isto, na verdade, ao que podem muitos enten- der , pedia eu , previamente , a Exu , licença para iniciar os "trabalhos " - ao começo deles - e, ao seu término, licença para os encerrar . Sim . Isto , em pr i ncípio , se poderá pensar e ace i tar . A verdade, porém, é bem outra.

19

Tratando-se de um ambiente ' em que - diga-se de passagem - não só as pessoas que lá iam de muito pouca cultura como , além disso e talvez por isso mesmo , já acostumadas a assistir a " sessões fortes " como se costuma dizer - isto é, sessões em que, "in facto", se vejam coisas de arrepiar o cabelo; se tal não fizesse eu, por certo não agradaria e , assim , diriam , sem dó nem piedade que, antes do mais , nada entendia eu de Um - banda, que nenhuma " força " tinha eu .

*

*

*

Para certas pessoas - infelizment e ainda em g r an- de número - só s ã o "v erd a deiram e nte boas " e "verda- deiramente boa é a Umbanda" quando , em suas prátí- eas , se constata, da parte de quem dirige , for ç as e características especia i s ou, em outras palavras, quando se vê "tr a b a lhos fortes " e ou " pesados ", ou seja, " tra- balhos " em que, primacialmente , se possa ver a Exu em toda a sua força , em todo o seu poder. E se, " pari- passu" , considerar-se o fato de que eu dirigia tais ses- sões, sem "incorporações " - de modo facilmente visível ou "esp a lhafatoso" - de meus "Guias", maior razão me darão , evidentemente, para ter feito ° que fiz , os que , mais esclarecidos que aqueles outros , leiam o que estou aqui escrevendo E, justamente por tudo isso, para que , agradand o eu aos assistentes, da par t e deles obtivesse assim , a "con- centração" necessária e indispensável aos "trabalhos", é o que fiz eu. Sim , porque , não mostrando eu a eles os meus " conh e cimentos ", o de que e r a eu capaz , ev i dente seria que, descontentes , com a sua atitude pudessem atrair - e isto é lógico - "perturbações " aos "tra - balhos" . Que se dê , po i s , a Exu , " o lugar que , a meu ver , lhe cabe ou pertence e que , portanto , lhe é devido no terreno religioso espírita em que ora pisamos ", como digo eu em outro local deste mesmo capítulo I, é coi s a "

oportuna: "a César o que é de César

No entanto, que nos subordinemos a ele - a Exu deixando-nos por " ele " dominar , como constatei , entre outros, nos "centros esp í ritas" de Lagoinha e

Amendoeira, aos quais me refiro linhas atrás e que, por outro lado, estejamos sempr e pedindo - seja o que for - ao "dono principal das ruas e encruzilhadas" é o que, de modo algum , deverá ocor r er.

E por quê?!

*

*

*

Quanto ao "centro " de Lagoinha - o que poderá ser facilmente comprovado "in loco" - não tem ele, na verdade, estabilidade alguma e , por outro lado , ne- nhum . progresso notável , mate r ialmente falando nele se verífíca , nem nenhuma obra de vulto , sob qualquer ponto de vista, realizou ele até agora . É ele constituído tão-somente, por uma sala onde se realizam as sessões' tendo - ao lado direito de quem vem da rua - um lugar, um " cubículo " "adequado " (no sentido pejorati- vo) para que as médiuns troquem de roupa " só mulhe- res ; para homens não há) :

Quanto ao progresso espiritual - nhum mesmo existe .

.

,

é óbvio - ne-

A babá , via de regra , es t á doente. O "centro ",

e l~ ~esm? , trabalha durante certo tempo e , de repente , Cai, ISto e, desorganiza-se quase que completamente e fecha. Abre outra vez e, outra vez , fecha e, assim , vai indo aos trancos e barrancos . Na vez em que l á esti v e , ali á s , v i uma senhora _ dessas a que , no catolicismo , se dá o nome de "beatas " ou "carolas " - que , a cada "Guia" que "baixava " a cada Exu que incorporava, falava ela e pedia um rosÚio de coisas.

Do outro

*

*

*

" cen t ro " de que falamos , isto é , do de

Amendo eira , di rig i d o que o é, por um a " P omb a Gira " , posso apenas dizer o seguin t e:

a) quase todos os dias, faz a "babá" "obrigações"

e mais "obrigações", à Pomba Gira;

b) o marido da "babá" . em vez de melhorar de vida,

cada vez piora mais, à procura sempre de emprego, tão logo perde o que antes tinha e que lhe dava certo desa- fogo de vida (material, é claro).

* *

*

Quanto ao que dirigi eu e do qual me afastei, gra- ças a Deus, ' seu chefe material - um conhecido meu - cada vez piora a situação, sob todo e qualquer aspecto . Até levou, na Parada Santa Luzia - onde mora - uma soberba paulada em pleno rosto e isto porque, após ter bebi.do"uma~ e o~tras ", ,em c~mpanhia do seu compa- nheíro de diretoria - e o DIretor Tesoureiro do tal "centro" - resolveu dar uma sessão espírita em plena

crítica que lhe foi por isso

r~a e, ~espondend? a

feita, dísse que alí nao havia homem

corporado com "Exu-Lúcifer " . O resultado é claro só "

poderia ser Quem dirige esse "centro", como já o disse eu, é um enviado de "Exu-Lúcifer" - "Sêo Lúcifer".

uma

" (dizia-se in-

*

*

*

E, em qualquer dos casos aqui citados - e em mui- tos outros em tudo por tudo idênticos - não seria ju s - tamente o contrário que se deveria constatar?!

Exu

* *

*

mas Exu tira!

Cansada de pedir, sem qualquer resultado - e se

esquece, naturalmente, de que talvez não mereça, ou

- espíritos como " guia de luz" conhecidos, uma porção de coisas - todas, é lógico, de natureza material - di- rige-se uma pessoa - um dos nossos irmãos de fé - a um Exu e, a ele, pede o que quer e que, até então, d a

aos

não deve ter , em face de seu próprio " Karma "

22

parte dos "Guias" não conseguiu. É evidente , - : - vamos

supor que, assim, seja atendido. Rejubila-se e, por isso, "dá um presente" ao Exu que lhe atendeu. "Pari passu"

- o que é fácil de se aceitar - adquire esse irmão de

fé confiança no "Exu", enquanto que, por outro lado , perde-a para com o "Guia" ou "Guias " a sua antes se dirigira. Como a criatura humana, via de regra, nunca está satisfeita com o que tem e, por outro lado, porque se lhe torna necessária obter novos favores, volta nova- men.te a Exu e, outra vez, a ele pede, então, o que lhe mteressa. Consegue-o, também, nesta segunda vez. E uma terceira, e uma quarta e, assim, por muitas vezes , pede e tudo obt é m, sempre que se dirige a Exu.

Destarte , só vai mesmo ao "terreiro" , para falar com Exu, ao que se pode dizer, pedindo-lhe sempre tudo o que quer ou de que necessita.

* *

*

Nada de mais, não é verdade?!

Pois sim!

* *

*

De tanto se servir do Exu, de tanto a "ele" tudo pedir, cria - "ipso facto" - uma afinidade profunda, uma ídentífíca çã o quase que absoluta com a entidade

e logicamente, a ela ficará subordinada.

dirá a criatura, isto é, o irmão de fé a que

nos referimos - eu sempre "paguei", eu sempre "dei

e, assim nada devo a ele.

De fato , aparentemente, nada deve a Exu, no en- ta~t~, embora pagos, tais favores deixaram, por isso, de existir , de terem sido prestados?! Não! De modo algum! Mesmo pagos, os favores foram prestados e, assim,

presentes" a ele -

. Mas -

a Exu -

ex istem . Conseqüentemente, o irmão de f é continuar á,

pelos tempos afora, a dever tais favores e, assim, logi -

23

camen t e , ficará subordi n ado ao Exu ou aos E x us a quem r e c orr e u.

o dissemos , o irm ã o d e f é

t e r á ab a ndonado praticamente os " guias de luz " . ~ a

e s s e s ou tr os , ce r t a m e n te , n ã o poder á r eco rr e r . Ficar á,

po i s , " nas mãos de Exu ", is t o é, preso a ele e por el e

dom i nado , queira ou não queira . . E quererá o irmão de fé que t al lhe acon t e ç a ? !

D e star t e - ' - e como

*

* .

*

A bem da ve r dade, devo d i zer que , de um modo . g e r a l , E x u , de fa to , dá tudo ou pelo menos muito a quem ' lhe pede . no entanto , só o faz e se f az - por interes se:

" o d e g a nhar presen te s " por um lado , e o de conquist ar

- eu dir ia a pe n a s " perturba r" - almas, digamos assim ,

por outro . El e é , ant e s de t udo , interessei r o. Tudo pro- mete , tudo dá , por vezes ; entretanto, .assim. como dá, também tira . Em certos casos até - os em que se pede o fazer mal a outrem - vai o Exu para o lado de " quem dá mais" . De qualquer forma , porém , sempre procur a

levar vantagem , semp re procura Ii c ar c o m a parte do leão que, emcasos que tais , se r á a alma - vamos assim

dize r -

pe r igoso u t iliza r -se dos seus se rv i ç os ,

po i s não querem abandonar as pessoas que se se r vem deles ; quando s ã o ab a ndonados , mostram - se despei ta- dos e planejam ving a n ça s ter r íve i s , que quase sem pre ex ec uta m. "

de quem dele se serve.

: É muito

"

-

2 4

2

Feitura de Médiuns

E m meu liv r o " Umband a d o s P r e tos -V elh os " , ca p í -

t ~ lo v i -

gueiros " - ao me re f e r i r aos " O r i x ás': d ig o eu ?, s e!? u} ~ ~ t e: " Pa ra nós - sigam-nos os que o qUIser e m - O r í x á s

sã o a p e nas os e s píritos que , pelos desígnios supremo s

de Deus, e no sentido de que - eles próprios de U~ 1

lado , e nós , a nosso tu r no, de outro -

da de e spiritual , is t o é , cumpramos o sagrado " ama í -vo s

s a o s outros ". S e remos - eles e nós - como v erdadeiros associa - dos na prática do bem. Dependeremos - un s e outros , el e s e nós - reciprocamente.

un

" O r i xá s ", " Gui a s ", " ' P r ote tor es " e " C a p an-

façamos a ca r i -

. S ua a p r o x ima çã o ma i or ou menor , c o nstatada ou

n ão de nó s, es tará intr í nseca e indiscuti v elmente su-

Lei de Afin i da de, is t o

b o rdina d a -

é , ao fato d e q ue "a c ada um de aco r do com o seu me- re c imento" ou - e m o u tr as pal avra s - "a c ada um

o pr otet o r q u e mere c er" .

ac eí t á -l o s ( a os

O rixás) c omo nossos " co ma ndantes espiritu a is " e , des - tarte, como n o s so s " guias es pir i tu ais ".

Pe l o n os so mo do de ente n d er as co isa s , p er t e nc em tais " O ríxás" à cl ass e do s Anjos d e Gu ar d a, E sp í r it o s

Pr ote t o r es , F a m i l iar e s ou Sim p á t i cos de que , co m o j á

dissem o s , no s fa l a o "O L ivro d os Es p íritos " . S ã o e l es

-

médiuns " , como vulgarment e s e di z. É co mum , po r i s so m e smo , o s e ou vi r , t a n t o n os

25

antes de tudo -

à

P od er -se - ia -

s e o quisés s em os -

o s Or i xá s -

os cham a d os " donos d a c a b eça dos

"terreiros" de Umbanda como nos candomblés, ! que se vai "fazer o santo", expressão essa que, na . verdade, nada mais quer dizer do que preparar o médium para receber o "santo", isto é, "para se transformar num templo destinado ao Orixá ou dono de sua cabeça". Para

isto aliás existe um cerimonial ou ritual especial, cons-

,

,

"

.".

tante de diferentes e numerosas fases e exigencias, ri- . tual este que varia, sobremodo, de um para outro ter- reiro, isto é, de uma para outra tenda ou centro, na conformidade da linha a que cada uma pertence. Para tanto, pois, para se "fazer o santo" - digo eu agora, isto é, para se transformar o médium num tem- plo destinado a receber o Orixá, ou seja: para a "feitura do médium", é parte - a mais destacada, a principal, digamos, entre outras a - "camarlnha' ou "camarim".

,

*

*

*

/

, Note-se, neste particular - pelo menos no meu modo de o entender- que, na verdade, há uma enorme mistura uma tremenda confusão, de Umbanda, com Candom'blé, ou melhor, do ritual de uma com o do outro

o que aliás, muito bem se , justifica, por isso que, uma

como outro, Umbanda como Candomblé, têm as mes- mas raízes, isto é, vêm ou se originam de um sincretís- mo religioso em que, sem contestação, a influência dos costumes religiosos para aqui, para o nosso querido Brasil, trazida pelos africanos, ocupa papel prep o n-

derante.

*

*

*

Em 1956, em companhia de meus amigos, e - tam - bém umbandistas, visitei, no vizinho Estado do R10, c Candomblé do Didi. Localizava-se ° mesmo, se não estou enganado, em Vilar dos Teles, no Município de Caxias. Ao fazê-Ia, por acaso tive ocasião de p r esenciar a «saída de três" "Iaôs " , isto é, três novas " Filhas de Santo", da "Camarinha". No dia . seguínte, que era um domingo, seria feito a " quitanda de I aô " - o u c ois a parecida - como de fato o foi.

Tratava-se, como o digo de um Candomblé e não de qualquer terreiro de Umbanda.

* *

*

Deixando de lado tais misturas e ou tais confusões, bem como não levando em conta as enormes diferenças existentes no complicadíssimo ritual de Umbanda, ori- ginadas evidentemente, pelas diferentes sendas que se- guem seus inúmeros adeptos, permitír-me-eí aqui, neste novo livro que ora apresento - prosseguindo no que escrevo sobre "feitura de médiuns", dizer tão-somente o que, em face do meu primacial escopo, quiçá único objetivo que me move - escoimar a tão querida Um- banda das falhas que (inúmeras e sob diversos aspec-

tos) ainda nela existem -

penso e julgo como certo.

* *

*

Estamos em pleno acordo com os srs. Tancredo da Silva Pinto e Ernesto Lourenço da Silva quando, em sua reportagem sobo título de "Opongô", em "O Dia", de

domingo, 22 de maio do ano de 1966, dizem: "Todo iniciado ao levantar-se da camarinha tem. sua "dijina". Esta é dada de acordo com o "quirimbum" da falange do seu "eledá", Acontece entretanto que muitos terrei-

não dão a suna do

iniciado. A "suna" ou "dijina" é o nome correspondente à Kabala do "eledá" do iniciado. Muitos têm a sua "di- jina" reservada para os do culto, e que diz respeito ao culto professado pelo iniciado. E tanto assim , é que, embora em outras palavras, em meu livro "Umbanda dos Pretos-Velhos", ao trans- crevermos dizeres do livro "Primeiras Revelações de Um- banda" (ordem dos Cavaleiros da Grã-Cruz) - um dos melhores e mais completos livros sobre a Umbanda - quanto à mediunidade, fazemo-Ia como segue: "Pode- mos compreender por mediunidade, certas faculdades que, independente da sua vontade, possuem determina-

ros disto não sabem.

das criaturas; manif e sta-se por diferentes modos e meios, de acordo com a forma ç ão da cultu r a no estado emb r io- nário; as suas faculdades ou qualid a des e s tã o subordi-

nadas a o si g no que a rege e sob cujos ausp í cios é o óvulo f e c undado . Muitas podem ser provenientes do Karma da cria- t ura para que, b e neficiada com esta espécie de mediu- nidade , possa melho r resgata r faltas ou praticar at o s que , po r desígnios supe r iores ou por de t ermin açã o dos "Senho r es do Karma " ,tenham que ser cumpridos ; nest e estado , não podemos determinar a mediunídade , poi s f az parte do Ka r ma e varia com a s criaturas. Estamos de aco r do com os referidos senho re s , no en t anto , tã o-somen t e quanto à m e di u nidade em si sob

o s múl t iplos aspectos , mesmo em s e trata n do

nidad es outras que não sejam a de " in c orporaç ã o ", à q ual, evidentemente , se referem eles . Com o que , porém , n ã o concordamos , d e fo r ma al - guma - e , no caso , no que se relaciona com a med i u- n i dade de incorporação, em especial - é que se " faça o santo ", isto é , com a " feitura de médiuns " como , de um

modo geral , se faz e pretende. E por quê?!

d e mediu-

* *

*

Na transcriç ã o de p art e do ca pít ulo V I, de m e u l i - vro "Umbanda dos Pretos-Velhos", que fa ç o linhas at r á s, n e s te no vo li vr o , e n t r e o ut ros di zeres, empr e go eu o s seg u intes : " S ã o eles - os Ori xá s - os chamados " d o- n o s d a cab e ça do s médiuns", c om o v ulgarm e n te s e d i z " .

* *

'"

Aduz ind o , di re i ag o ra o qu e s e seg u e :

" O rixá s " , p a ra os negr o s afri c anos q u e , co mo e s cra - v o s , para o B r as i l v ie ram, n ada mais eram d o q u e " o s sen h ores", i sto é, o s E s pí r it os da Natureza q u e, " como d o n o s d as m a tas , do s r ios , d as ca c hoei ra s, de t udo, en-

28

fim" , por eles -

Foram , pelos mesmos a f ric a no s, assimilados aos s anto s católicos , como j á o t e m os di t o . Tais espí r itos , é cla r o , n ã o poder ã o ser os de " C a- boclos " ou " Pretos-Velhos " - e, nisto , t a m b é m est am os de pleno acordo com os srs. Tancredo da Silva Pinto e Ernes t o Lou r enço d a Sil va, na já ci ta d a reportagem .

os

a fr ican o s - eram con s iderados .

*

*

*

A uma perfuntória obser vaç ão do que ora d igo, em face do que escrevi linhas atrás, neste meu livro , a um a conclusão se pode r á , facilmente , chegar: a de qu e, " O r í - x ás ", " Caboclos " e o u " P r etos-Velhos ", s ã o t o d o s u ma só e única cois a.

*

*

*

Justamente pa r a tal evi t ar , di re i a gora , a re sp e i to

o seguinte: de fa t o , para mim , os " Orixás " podem e d ~-

vem se r cons i de r ados como nossos " comandantes espi- r i tuais ' ; e , outro s sim , por isso mesmo , como noss o s " guias espirituais" . Mesmo que se os considere " como donos das mata s, dos r i os , das cachoeiras , d e tudo , enf i m ", ou sej a, como " espí r itos da n a t u r eza ", ta l concepção deles pode r emos

f a zer. Bas t a , para t a nt o , a t ent a rmos para o fato de que , de um modo g e r al, se d i z : " minha cabeça é de X ang ô" isto é , o chef e ou dono de minha c a beça é X a ngô, é

O xó ssí , é Ians ã,

Na verdade , porém, n e nhu m médium , n e nhu m " F i- lho " ou " F i lh a de Santo " , em sã consci ê ncia , pode rá dizer que " t r abalh a " (ou que "i nco r po r a ") com o pr ó - prio Xangô (qualquer que seja) , com o próprio Oxóssi , c om a próp r ia Ians ã, co m o p r óprio Ogum , com a pr ó -

pri a O x um . I s t o

der- s e- á dizer , é que se "tr ab a lha "

da queles esp írit os e , ju s tamente co mo " enviad os " , é que

consideramos os "Ca bo cl o s" e ou "P r e tos-Velh o s ". A

é Ogum , etc. etc ',

é u m fat o in c o nte ste . O que , . p o i s pc -

como os " env i ados "

29

estes, aos "Caboclos" e "Pretos-Velhos" - poderemos

a inda considerar "protetores" .

como nossos

se o quisermos -

* *

*

"Fazer o santo", como eu já disse - todos os um -

bandistas e quimbandistas, aliás, o sabem - significa preparar ou, melhor dizendo, "transformar o médium num templo destinado a receber o seu "Orixá", ou seja,

o espírito "chefe ou dono de sua cabeça". Tal é, em

outras palavras, o que se pode chamar de "feitura de médiuns". De um modo geral ou, mais precisamente, na Um - banda ou na Quimbanda e mesmo no Candomblé, de um modo absoluto, o se "fazer o santo", antes de mais nada , significa o se preparar o médium para a "incorporação". É um fato e ninguém o pod e rá negar. No entanto, neste particular, duas ponderações me permito fazer "ab ínítio". São elas:

1) Segundo os valorosos ensinamentos que nos fo- r am deixados pelo codificador do espiritismo - o gran - de Allan Kardec (Hippolite Léon Denisart Rivail) - são em número d e mais de 60 (sessenta e sete para ser mais ; preciso), as espécies de medíunídades existentes por : par- t e da criatura humana e, entre elas, logícamente, está a de incorporação , ou seja : a mediunidadein c orporativa; 2) Conquanto um a só criatura humana possa ser portadora de mais de uma espécie de mediunidade , isto é , possa, ter, ao mesmo tempo, mais de uma medíuni - dade, não quer isto dizer que, entre essas, seja obriga- t oriamente existente a de incorporação ou incorporativa. Digamos mesmo, a resp e ito, que o mais comum é o se e ncontrar, em maior número de pessoas, mediunidades o utras que não a de incorporação.

* *

*

Ora muito bem. Se justamente o se "fazer o santo "

é o se preparar o médium p a ra a " incorpora ç ão dos ;

Orixás" (dós enviados d o s Oríxás é o te rmo certo) , lógíco

3 0

,

I

será que " nos casos a que me refiro, p or parte da Um-

banda, da Quimbanda e ou Candomblé, o que se está f azendo, verdadeiramente , nada mais é do que se "ob r i-

se

tornar "médium de incorporação". É, antes do ma i s , o se "fazer o santo", o mesmo que se deixar de lado a possibilidade que poderá , evidentemente, existir, por parte do "filho ou filha de santo", de ter mais outras mediunidades. E, como de um modo geral não há "dou- trinação" e muito menos - na maioria dos casos - não se estuda nos terreiros de Umbanda, Quimbanda ou Candomblé, justo é que se diga, justo é que diga eu que, s e~do desenvo~vido (adestrado seria o termo mais apro- príado) o médium , apenas em incorporação, jamais será ele . de suas outras e talvez maiores possibilidades no que con?e!ne à mediu?i?ade e , destarte , pouco ou nada pro- ouzlr á , ao contrário do que seria de se esperar ou dese j a r.

gar" o médium -

o " filho ou filha de santo" -a

*

*

*

Atentand e -s e para o que , neste capítulo e até aqui , d i go eu, certo e indiscutivel será . o me darem razão quando , de minha parte , condeno a "carnarinha" . Pelo m e nos - posso e devo aduzir - condeno-a nos mold es e m q ue, até e ntão, se a usa e se a faz. Aceitá-Ia-i a eu , por é m, se, a ntes de "entrar o mé- d i um na cam a rinha ", ou, melhor dizendo, antes de se destinar o médium a entrar na "camarinha", se fizesse, n o mesmo, um consciente e inteligente - por isso que indispensável - exame quanto à sua ou suas possibili- dades mediúnicas. (Estarão em condições de o fazer

todos os dirigentes de terreiros?!

Fora disso - perdoem-me os a quem porventura venha eu a desagradar e mais ainda ofender com o que digo - melhor seria o se acabar com a "camarinha " , p e lo me n os nos t er r eiros d e Umba n da (é com a Umba n - da que, na verdade , mais me preocupo), deixando-a , por- tanto , a pen a s p a r a os q uimba n distas e , mais especi a l- m e nte, para os Candomblés. E , se leva r mos em conta - e, infelizmente, eu m e s-

31

)

mo, fui o personagem principal ou, em melhores pala- vras, fui o convidado - as amoralidades, as verdadeiras patifarias (é o termo) que, não em todos, mas em gran- de número deles, se constata nos casos de "camarínha' (refiro-me apenas a médiuns mulheres), justo será que, na verdade, se acabe com a "camarinha" na Umbanda e, portanto, com a "feitura de médiuns" em tais moldes.

* *

*

A Igreja Católica, Apostólica, Romana, na conter- midade de sua aparatosa Iíturgía, sempre que prepara os fiéis - seja para o casamento; seja para a Primeira Comunhão; seja mesmo quanto aos seminaristas às vés- peras de serem "ordenados", isto é,se tornarem padres; seja quanto às "noviças" às vésperas de se tornarem

freiras -sempre

quanto indispensável "preparação", o "retiro", ou seja, uma espécie de "isolamento" dos interessados. Para tan- to, o que é lógico, foi antes e cuidadosamente feito um "exame", isto é, uma como "sondagem" ou "investi- gação" das possibilidades e inclinações de . cada elemento.

como oportuna e necessária

 

*

*,

*

Não é a Umbanda

-

como a aceito eU,como a

aceitam muitos outros - um "sincretismo religioso"

Não as-

(catolicismo, africanismo e espiritualismo)?!

similou ela - a Umbanda -

aos santos católicos como, também, a quase totalidade

dos atos católicos, adaptando-os aos seus próprios ou, mais precisamente, copiando-os em quase toda sua ex-

tensão ou natureza?!

nha" não poderá ser encontrada naqueles "retiros" de que falo linhas atrásvt

não só os seus "Orixás'

A própria origem da "camari-

* *

*

Limpemos, pois, a nossa querida Umbanda, f azend o com que - ao contrário do que acontece - seja ela, realmente, o que, de fato e por ' direito, de v e r á ser. "Saravá, Umbanda!"

3 ,

Cuidado com as

' .'Crianças'

da TT band.

Ulum

anaai

,

Em meu livro "Umbandismo", no capítulo - , UI ("Umbandismo é Filosofia") f às, págínasB'í e 38,digo

eu, quanto . àsvcrianças' . de

espíritos que, nos "terreiros ' umbandístas", são chama-

dos de "crianças", são os que; simbolicamente" repre- sentam a alegria ou, melhor dizendo, "a satisfação inti- ma que se tem ou se sente quando, sinceramente.aman- do o seu semelhante , e por ele trabalhando, . contían tes em Deus, nos entregamos ao trabalho fecundo, em seu

benefício", '

- É, em outras palavras, "a alegria que se ' sente pelo, bem que se proporciona a outrem; é portantoa alegd~

ou satisfação dó dever cumprído"

o . seguínte: "Qs

.

', .

,

, ~

:

É, ainda, "a alegria ou satisfação que têm os q 'ue, em SI mesmos, sentem a presença de Deus " ,

Em sã consciência e em verdade, porém, não se pede - aceitar "espíritos crianças ou espíritos infantis". Isto porque, o se os aceitar, implicaria, conseguiu- temente, em um de dois grandes absurdos:

para se considerar, na acepção legítima do . vo-

cábulo, um "espírito criança ou infantil" ter-se-ia, "ipso facto", de acreditar que "a existência desse espí r ito es- taria em começo" e, assim - o que é lógico - "estaria em tal estado de perturbação ou atraso (sob qualquer ponto de vista) que, em verdade muito ao contrário, por-

'

.

a)

, .

tanto - não pode r ia estar alegre (e muito menos ex- pandir alegria) , de modo algum ; b ) aceitar-s - e , po r outro lado , tais espí rit os (os d a s " C ria n ç as ") como tal , is t o é, como espíri t os de cr ía n ç as , verdad e iramente " espí ri tos desencarnados de corpos de crianças " seri a, " ip s o fac t o ", aceít á- los , t ambém estes , em estado de enorme atraso e perturbação e, assim , em condiç õ es - logica m ente - de atrapalhar , de preci s a r

e jamais dar fosse o que fosse e , muito menos , aleg ri a. Além d i sso - o que está sobejamente provado - estando num corpo , de c r iança ou adulto ou , em outr a s palav r as , " enca r nado, qualquer e mesmo todos os espí -

ritos , nada mais está fazendo do que cump r ir m a is um a etapa da sua evoluç ã o " e , assim , não poder á ser um " es-

pí ri to novo" r ecém-nasc i do .

Na verdade, pois , é apena s s imbólica a presenç a das chamadas "Crianças " nos " terreiros umbandistas"

e , sendo assim, poder - se-á aceitá - Ias apenas convenc i onal

e não realmente.

*

*

*

. Se , .como dizemos ' , as " Crianç a s " da Umbanda não

Ora , muito b em!

são esp íri tos recém-nascidos (recém - c r iados , seria o te r-

mo mais

pode r ão ser " elas " ?! ;

Um b an d a , c ompletando o seu ' " triângulo ", se apresen-

tam como "Cri a n ç as " ? !

apropriado ), nem espíritos de cr i anças , o , que

Que espíritos se r ão os que , na

*

*

*

Em 1952 , se não

me falha a memon a - e nes ta

época f r eqüen ta v a eu o "Centro Esp í r i ta Cam in heiros da Verd a de " com absol u t a assiduidade , l á me encon- t ra n do a quase tod a s as horas , especialmente à noite

- fazi a -se diariamen t e - posso dizer - ses s ões de "típ- .

tologia", para tanto sendo usadas as chamadas " tables tournan t es " (mesas gir a ntes) . . Ha v ia mesmo , àquela época, nesse "Centr o Espíri - ta " , uma com o " f e bre " d e "t iptologi a", ou, mais a pro -

pri adamente , de " mesas girantes ' ou " falan t es " , como tam bém se costum a chamá-Ias . Eu , de minh a parte , e o Cruz - Manoel Sebastião da C r uz Filho , Dir et or Socia l do "C aminheiros ", e que

até hoje aind a no mesmo se encontra - fazí a mos , em dia s certos , alternadamente , nossas " mesas ", is t o é , nos- sa s sessões desta natu r eza . Além dessas - que e r am , ao que se pode d ize r, a s "ofi ciais" - ou t ras sessões da mesma na t u r eza , lá , no " C am i nhe i ros ", t inham também lugar. Entre out r as , as q u e, na Tesouraria , ' eram chefiadas pelo en tã o Di r eto r Te soureiro , Sr. Joaquim . Real i zava - as ele , no p r óprio recinto da Tesour a ria e , das mesmas , tomavam parte umas poucas pessoas , e ntre elas uma mo ç a que er a, justamente , a a u xi lia r da quele senhor ou, melhor dizendo, da Tesouraria.

C h a mava-se R í soleta .

*

*

*

Justamente , a uma . dessas sessões chef i adas pelo Sr . Joa quim , deixou de compa r ecer aquela sua au x il i ar . Po r me r a b r incadeira ou , quem sabe? " para que

se pudesse ou , pelo menos , pudesse eu - aquilatar da ver dadeira natu r ez a das " Cr i anças " da Umbanda - pois

q ue , ' e x atamente nessa ocas i ão , se manifestava uma,

" C r iança " pela mesa - disse a esta , ou se j a , à tal

"Cr i a nç a" que atuava então , ou melho r, perguntou-lhe

o Sr. Joaq u im se seri a poss í ve l a ela - a tal "Crian ç a"

- fa ze r com que a Rísoleta vi esse ainda , embora a t ra -

s a d a, tom ar pa r te na r euni ã o (ela , a mo ç a , era , em

v e r dade , ót i mo " m é d i u m de efeitos f í sicos ") . Suge r iu me smo , o S r. Joaquim , à ci t a da en ti dade , " que colocasse um as formigu i nhas na c a m a da moça e que , em troc a, lhe s e riam dad a s c oc a d a s e balas ".

*

*

*

Ac r editem OS q u e quiserem , no entanto , a v erd a de , m ais absoluta verdade, foi q u e , m inutos apó s , deu n t r a da no r ec in to e m que s e r e a lizav a a s e s são, a R i -

soleta e -

ou menos, o seguinte: - "Não sei como, minha cama

deu formiga

dizendo, mais

por absurdo que pareça -

"

*

.•.

.•.

Pergunto eu, agora: Seria, na verdade, " uma sim- ples e inocente criança", ' o espírito que se maníres - tara?!

.

Ou seria -

como o aceito eu com muito mais ló -

g

í ca - um dos espíritos que, segundo Allan Kardec -

m seu "O Livro dos Espíritos" - são pertencentes a uma das 5 (cinco) classes da terceira ordem, isto é,à ordem dos "Espíritos Imperfeitos" ou - dentro do ponto •

de vista umbandista um . dós nossos . Exus?!

é

.•.

.•. *

Para . mim, aliás, conforme digo em meu livro "Umbanda dos Pretos-Velhos", no capítulo HI (O "Por Quê" da Quimbanda) , à página 33, devem tais espíri- tos ser classificados entre os por mim chamados de "Missionários do Mal".

* .•. *

No particular, por sinal, a bem da verdade e, por isso mesmo, dentro do objetivo desta nova obra , devo aduzir que, para mim, são tais espíritos, isto é, os que, como "Crianças", ' se manifestam ilos"terreiros", nada mais nada menos do que "Exus" e; portanto, em face do que digo no primeiro capítulo deste livro : "cuidado com elas, também".

•••

:I :

*

Por outro lado , e se , como me proponhO, devemos "limpar" a Umbanda, isto é, devemos escoímá-la das inúmeras falhas, dos inúmeros atrasos (ou erros mes- mo) - devemos dizê-Ia - que nela ainda existem, aten- temos - já sob um outro aspecto - para o que se segue. Em 1957 morava eu à Rua Felisberto Freire , em O la r ia (a t ua l P edra Ernesto ) , n a chamada " zon a d a Leopoldina" ;

36

Precisamente no domingo seguinte ao dia 27 de se - tembro daquele ano, dia esse em que, justamente, se festejavam as "Crianças" num centro espírita naquela mesma rua existente (não sei se atualmente ainda exís - te), fui eu ao mesmo, em visita. Levava comigo, para distribuir gratuitamente, a título tão-somente de tornar conhecido meu ' modesto trabalho em prol da Umbanda, 5 (cinco) exemplares de "Umbandísmo", que acabava '

de sair do prelo.

Entrei, portanto, na sala principal onde, na verdade, nada mais vi do que "pura e inclassificável mistificação" ou, para ser mais realista, "pura, grande e inqualificá v é l palhaçada" . É uma verdade e lhes asseguro sob palavra de honra : sentados no chão diante de um "peji" ou "gongá" (altar) estavam rapazes e moças, homens e mulheres , entre inúmeras garrafas de guaraná ou coisa semelhante e quantidade ainda maior de doces, balas e cocadas. Fingiam - é a pura verdade - estar "incor- porados" com "Crianças" quando, de fato, nada tinham na cabeça a não ser cabelo e pouca vergonha e, outros- sim, idéias outras, "de jerico", como é meu costume di- zer. "Espírito", que é bom (desculpem-me a gíria), além dos deles mesmos, ou seja, dos que ali se encontravam, não havia um só que fosse. Tudo pura e grossa misti - ficação. Eis que, aproximando - se de mim e diante de mim parando, vi uma mulher loura, relativamente nova que, olhando-me e sem mais aquela, pespegou-me no rosto e

nos cabelos, as mãos o quê.

sujas de doce e de não sei mais

.•. *

*

Era ela a "babá" é, além disso, filha do pres i dente do tal "cent r o" .

*

*

*

Claro que não gostei e , por isso, exprobeí-Ihe, enér- gi c a e violentamente mesmo , o procedimento .

37

Dizia ela -

como se o próprio fosse -

" que era

Cosminho" (uma " Criança " de Umbanda) e que , como

tal , i r ia se vingar de mim , iria me perseguir, em suma ,

iria me arrasar de uma vez.

*

*

*

Indignado como me encontrava e, mais ainda, ver- dadeiramente revoltado com o que estava ocorrendo ou , mais exatamente, com tudo o que estava presenciando, virei-me para o " tal Cosminho " (que me dê "maleme "

o verdadeiro) e o convidei para um " aguerê: beberia

eu, apenas " na fé ", mesmo sem. ter " espírito em mim incorporado ", azeite quente e desafiava - o (ao tal Cos- minha) - incorporado como dizia estar - a fazer o mesmo. Claro é que , o que aconteceu , foi o me terem pedi- do que m e acalmasse e , quanto ao " Cosminho", ou m e - lhor, quanto à tal " babá", parece-me que, a t é hoje, pelo menos d ev e est a r lembrada do que lhe diss e e lh e fiz e u .

*

*

*

De um modo ge r al - e is t o nin g u é m poderá me contestar - o que se vê nos "t e rre iro s" , no que conc e rn e às " Crian ç as" (especialm e nte nas festa s de " Ibeji " ou " Bejadas " ) é, nada mais nada menos , d o que isso qu e estou aqui dizendo.

*

Ainda com referência às "Crianças" da Umbanda , ou melhor, aos espíritos que , de tal forma, se apresen- tam nos " terreiros umbandistas", aduzindo ao que , neste particular, digo eu, linhas atrás , neste mesmo capítulo III, permito-me dizer o seguinte: "Há tamb~ os Exus- Mirins , que se introduzem nas festas de Sao Cosme e São Damião , fazendo-se passar como subordinados, de I bej i'.

*

:I<

*

*

*

Que se aceitem as "Crianças " , que as cultue e fes- teje; que se lhes dêem doces, cocadas, guaranás e coisas

38

que tais; que tudo isso e muito mais se faça, embo r a

tudo isso represente atraso sob todos os pontos de vista,

é aceitável , especialmente se levarmos em conta que -

como já o tenho dito - representam as " crianças" (no ("Triângulo de Umbanda") "a alegria pelo dever cumpri- do", isto é, a alegria que, ao fim de uma sessão ou "mesa de Umbanda" se sente em face de se ter seguido, na

verdade, o grande ensinamento que nos dei x ou o Cris t o de Deus - o nosso "Pai Oxalá" - ao nos dizer: "Amai

a Deus sobre todas as coisas e , ao vosso próximo , como a

vós mesmos ". Façamo-Ia, porém, de um modo que se aproxim e , no máximo poss í vel, do bom senso e ou , antes que tudo, de um modo que , na verdade, nos mostre uma Umba n - da limpa, pura, culta e em seu verdadeiro lugar .

*

*

*

Limpemos a Umb a nda; elevemo- Ia c ada v e z m a is e , para isso, entre outras cois a s , t en h a m os : " Cuida do com as " Crian ças d a Um ba nd a ! "

39

/

I

4

Üu idad o com os

Ch anta gis t as da Umbanda

Infe li zm e nte - e ninguém poderá me contestar -

a nossa Umbanda está nas mãos , tanto de bons e ve r -

dadei r os umbandistas , c o mo também de muito indivíduo

se m qu a lque r esc r úpulo e, " pari passu " , sem qua l qu er

real no çã o do que seja el a , realmente . Es t á , o u tros s im , n ã o m ão s de mu i to quimbandista (ou quimbandei ro

como s e chamam vulgarmente) .

N a gr and e, para n ã o se diz er na absoluta mai or i a dos cas o s , um indi v í d uo - homem ou mulhe r - que m a l " rec e b e o s a nto ", is t o é, mal começa a " in c orpo rar espíritos " ou , em outras pala v ras , mal come ç a a "re ce - ber os guias e os protetores " , arroga - se o direito e o tí t ul o d e profundo conhecedor do assunto e, sem mai s aquela , f unda , organiza e dir i ge um centro espí r ita .

.

de

Se fos se a pen a s isso - e não o é - ainda nos po-

rí amos dar p o r muito felizes , no entanto , a coisa vai

bem mais longe: uma quantidade enorme de indivíduos sem qualque r parcela de moral, além de também nada conhecerem, nem mesmo do Evangelho - daquilo que , mais de p erto , nos fala do C r iador e, muito menos ainda da p r ópr i a Umba n da - " abre um t erreiro" , mete um charut ã o na b oca e , dize n do-se " babalaô " ou "babá ", co-

meça a f aze r " milagres e mais milagres ", po r aí afo r a, po r es t e mundo terráqueo Diplomam-se, por sua p r ópr i a conta e r i sco , em ve r - dadeiros . " doutores" da Umbanda , em verdadeiros "mes -

/

tres" do assunto e, não escolhendo modos e meios , nem

se detendo diante de seja o que for que lhes contrarie a

opinião, visam, na verdade, tão-somente um obje t ivo :

enriquecer à custa dos incautos. Ignoram eles , antes do mais , o seguinte e maravilhoso ensinamento: " Ide e

curai os enfermos, expeli os demônios, limpai os leprosos

e dai de graça o que de graça recebestes", do voss o querido pai Oxalá, nosso Divino Mestre .

*

*

*

Se fosse só isso, no fim das contas, a coisa ainda estaria muito boa.

Há ainda, no meu ponto de vista , uma outra clas s e de tais "doutores" que é a pior de todas. É, justamen t e,

a constituída por indivíduos que conhecendo a Umban-

da e a Quimbanda e até mesmo o Candomblé - fazen- do-o, aliás, com profundidade e não tendo a mínima parcela de moral, se nos apresentam a cada instante e

- a bem da verdade - em número assás considerável. A uns e outros, sem exceção, dou eu a denomina ção de "chantagistas da Umbanda", de verdadeiros e ín o - mínáveís "criminosos dos terreiros", especialmente a

estes últimos a que me refiro. E por quê?! . " Duas são, a meu ver, as

tentes para tal assegurar eu. São elas:

. 1) Não tendo moral os que assim agem e, por outro lado, desconhecendo "in totum" a natureza das " fo r - ças" , ou seja, dos espíritos que trabalham com eles e que com eles trabalham, deixam-se - eles mesmos -

se enganar e, como conseqüência de sua ignorância, por

razões exis-

um lado, só poderão atrair; para a sua volta, para os seus ambientes e, portanto, para todos os que os acom- panham e aceitam espíritos que, de forma alguma , po- derão guiar ou beneficiar a seja quem for;

2) Conhecedores profundos, como digo linhas atrás, da Umbanda, da Quimbanda e do Candomblé , ou se j a:

dominando suas diferentes modalidades de "trabalhos", suas "mirongas" e, pelo fato de não terem moral de

42

espécie alguma, o que . fazem eles nada

de um modo geral no que se relaciona com as mulheres

levarem a parte do leão,

praticarem as suas mais indecorosas e nojentas libid i - nosidades.

que vão aos seus "antros" -

mais é do que -

*

*

*

Em qualquer dos casos que aqui menciono, os e s - píritos que trabalham, que "baixam", que " prestam a caridade" (como se tal fosse possível) são - sem qual- quer contestação - os para mim classificados como "Missionários do Mal". Dentre esses, aliás, em tais c a - sos, destacam-se, quase que integralmente, os " Exus " .

* *

*

Um chefe de "terreiro", seja ele ou não "babala ô" ou "babá", tem grande responsabilidade, sob todos os aspectos . Tem responsabilidade, inicialmente , peran t e Deus (Obatalá) e perante Oxalá (Nosso Senhor Jesus Cristo); tem responsabilidade perante os elevados e sá- bios espíritos que conhecidos são como os "Senhores do Karma"; tem responsabilidade perante os espíritos que invoca para com ele trabalhar; tem responsabilidade com os que, levados pela fé e ignorando a quem se di- rigem, freqüentam o seu "terreiro" (melhor seria o se dizer o "antro"); tem responsabilidade perante as le i s do país e, por isso mesmo, perante às autoridades que são incumbidas de sua execução. Não obstante, o que se vê é, cada dia que passa, aparecer um novo "centro " , aparecer um novo "terreiro" em que, na verdade, o que se pode encontrar é apenas a perdição, sob qualquer que seja o seu aspecto. Proliferam assustadoramente tais " centros". au- mentam cada vez mais em número, os indivíduos que, nessas condições, são encontrados a cada passo. Seus crimes - assim os classifico eu- são com e - tidos às porções mesmo nas "barbas das autoridades",

*

*

*

43

De quando em vez apa r ece , nos jornais, o caso de

' um indivíduo que "foi morto por Exu" , ou de out r o "que foi assassinado a mando do babalaô " ou ainda o de uma mãe que , por ordem do "babalaô " deu ' uma . Úe- menda surra num filho pequeno que , só não morreu porque lhe foi tirado das mãos. Aparecem, outrossim , os casos de senhoras casadas que, a "conselho do guia do terreiro tal " , abandonam

'

os maridos e .

muitas vezes, com o próprio "babalaâ " cujo "guia" de~

t~ l conselho. E muitos, muitos outros casos iguais ou

piores . Muitas vezes, moças verdadeiramente lindas , de repente se sentem atraídas para o "babala ô " e como

epílogo, ~ ê~ese entregam sem mesmo saberem por que

e o que e pIOr - conquanto pareça absurdo - sentem

verdadeiro nojo e até medo do tal. E não conhece o "tal

babalaô", os trabalhos de Quimbanda, isto é, os traba-

Não sabe ele trabalhar com

Não

lhos de "Magia Negra"?

ou vão viver com outros homens ou

a terra encontrada na sola dos sapatos da moça?!

sabe ele "preparar" algo que seja comido por ela?!

*

*

*

Há , ainda, os casos em que , estando bem situada- financeiramente falando - uma pessoa que freqüent a

tais "antros" ou que , pelo menos a eles vai , que seja

uma só e única vez , e disto sabendo o tal

usando dos seus "criminosos conhecimen t os ", vai " tra~

balhar " e , de duas uma: ou a tal pessoa resolve (sem mesmo saber por que e sem que se sinta capaz ' de eví- tá-Io) dar o que tem para "ajudar" o tal " centro " (pelo menos dará grande parte do que tem) ou então fica " doente" (doença produzida pela magia negra feit~ pelo

tal " te r ;eiro") e no fim d a s con t as , será

obrigada a :

volta: Ia par3l' se " tratar" (o que acontece é que cada vez piora mais , em vez de m e lhor a r , podendo at é m o rre r "magiada"). Desta forma, também, o que é seu terá

ficado nas mãos do tal "babalaô".

"babala ô"

.

Muitos indivíduos vão a tais "terreiros' - e mesmo a os verdadeiramente bons , por vezes - apenas com o i ntuito de "arranjarem mulheres" . Haverá quem me de sminta?!

*

*

"*

Infelizmente - repito eu aqui - a nossa Umbanda stá nas mãos de bons e verdadeiros Umbandistas como ta mbém, nas de mui t o indivíduo inescrupuloso, muito "c hantagista" . A repressão , por parte das autoridades cons t ituídas i n f elizmente, aínda não pode ser feita como o deveria:

Ainda é cedo, na verdade, para tal se conseguir , sem que, verdadeiramente , atingisse tão-somente os culpa- dos. Assim, só resta uma solução: o se ter "cuidado com os chantagistas da Umbanda"!

5

Cuidado com os Médiuns

Em meu livro "Urribanda dos Pretos-Velhos", logo ao começo do capítulo XII, à página 111, digo eu o seguinte: "Mediunidade - de um modo geral - é a possibilidade que tem a criatura humana, bem como os irracionais (grande número deles) , de servir de inter- mediário nas comunicações entre o mundo invisível (dos espíritos desencarnados) e o mundo visível (das almas , espíritos encarnados ou criaturas humanas). Muitas são as espécies de medíunídade, por isso que , também muitas , são as maneiras de servir-se de inter- mediário em tais comunica ç ões (intermundos) .

*

*

*

Deixando de lado as demais espécies de medíuni- dades existentes , rererír-me-eí , neste capítulo V 9.0livro "Pomba Gira", tão-somente a médiuns dotados da es- pécie de mediunidade chamada de " incorporativa " OLI de " incorporação".

:)<

*

*

Entende-se por " mediunidade incorporativa" ou "mediunidade de incorporação" , aquela em que o mé- dium, recebendo em seu corpo, isto é , "incorporando" uma en t idade ou esp í r i to , é, ao que se pode dizer, " anu - lado" ou, em outras palavras , " substituído " , em tudo po r t udo , pela entidade que r eceb e . Quer isto d i zer q u e , em vez do médium, quem fala, quem age , quem "apresen-

ta é a entidade ou espírito incorporado. Deixa de existir a vontade do médium, para só existir a do espírito in- corporado. Deixa de existir a personalidade do médium, . para existir a do espírito que nele está .inco~orado.

Ora muito bem! Se, na - verdade,

Isto e o que de

um modo geral, se observa nos casos ~~ "~nc~rm:l.ção", justo é que, no que - diz ou quetaz o espu?to Incorporado, se tenha de acreditar, ou melhor e mais precisamente, justo é que se aceite e considere, .como partindo da pr?~

pria entidade,

casos. Na quase totalidade dos casos d~ mediu,nidade, o médium é consciente 0\1" quando muito, sem í -subcons- ciente. Poucos, verdadeiramente, são . os casos demé- d í uns Jnconscíentes ou Invisíveis.

tudo o que se veja ou se ouça . em taís

01;

*

'.

Se .se tivesse - e o contrário é que se dá, - somente

acoísa seria muito boa, ótima

médiuns

mesmo. Sim,porque, se tal acontecesse, duas , afirma-

ções categóricas se poderia fazer: ;.

.

. l.a) Tudo o que se visse e ou tudo o que se OUVIsse;

seria exclusivamente da parte do espírito incorporado;

2. a ) "ipso facto", nenhuma resp~n.sabilidll:de, sob

todo e qualquer ponto de vista, cabena, propriamente

dito, ao médium. O que acontece, portanto, é que, sendo os ~édh:ns

_ na quase totalidade 40s c~sos_comopoucoatras diga

eu - conscientes, as eomurucaçoes que, por e:es",se re,- cebe, não poderão, de f~r:na algum~, ser atríbuídas a responsabilidade dos espíritos neles Incorporados.

Diz Allan Kardec

* *

*

o Codificador -

com muito

acerto que, "de cada 100 (cem) comunicações deve~os rejeitar pelo menos 99 (noventa e nove) p~ra q~e, aSSIm, se possa estar mais perto da verdade, isto e, do que

é certo e aceitável por isso mesmo " .

* *

*

Há um como que aforismo entre os espíritas que nos diz que "a cada um o protetor que merecer" ou, em outras palavras, cada médium terá "guias ou "pro- tetores " de acordo com os seus próprios merecimentos. Para mim, na verdade, tal não aceito, "in totum". Isto porque, durante os anos que tenho já nas hastes espí- ritas, tenho visto médiuns e mais médiuns que, não obs- tante o fato de, "a olho nú" (pois que se apresentam como de fato o são), serem criaturas coisas más além de serem verdadeiros sem pudor algum, recebem guias que, ao contrário , são de grande elevação espiritual. Conheci mesmo, no vizinho Estado do Rio, uma médium que, apesar de ser uma intrigante e maledicen-

te profunda de todos e de tudo , recebe "Pai Joaquim de Angola", como um de seus protetores. (Este e casos ou-

tros que tais, levo eu

à conta das "mirongas" da Um-

banda ou, mais acertadamente, aos insondáveis misté-

rios do Criador).

Em meu livro 2. a parte) " Conhecimentos . Indispen- sáveis aos Médiuns Espíritas " , publicado em 1953, no capítulo XI ("ser médium - virtudes indispensáveis

aos bons médiuns") -

*

*

*

digo eu , às páginas 41 a 43, o

seguinte:

"Os espíritos que, como "Caboclos" e "Preto-Ve.• lhos", se apresentam nos trabalhos espirituais umban- distas, fazem-no - de um modo geral - revestidos de grande humildade, isto é, sem qualquer sombra de 01'- gulho e, além disso, depois de toda e qualquer espécie de vaidade. Os médiuns - especialmente os de Umbanda - de- vem , pois, antes de tudo, combater, por todos os meios possíveis em si mesmos, o orgulho ea vaidade. Em outras palavras, devem eles não se jactar dos resultados obtidos em t rabalhos que, por ' si ou po r seus "guias" e "protetores", tenham sido executados, isto é, não devem de tal se orgulhar · (sintam satisfa ç ão íntima do dever cumprido; não a exteriorizem, porém, com or- gulhoso entusiasmo); não usem jóias, ou adornos caros

- especialmente os médiuns do sexo feminino - pelo

menos n o s di as e , a inda m a i s , n a s oc as iõe s d o t r a b a lh o

e m que tom e m par te .

A maledic ê ncia é, quase sempre , de efeitos os mai s

desastrosos e prejudiciais, par a os qu e dela s ã o objeto . Não porque - na verdade - pratiquem eles, ou tenham as faltas que se lhes imputam mas , infelizmente, hu- manos que somos , estam os sempre mais inclin a dos a acreditar no que de mal se diz (e n ã o de b e m , d e sd e que não sejamos nós a criatura visada).

A inveja, o despeito, a ira e o ciúme, outro tanto,

são falhas graves que , em seu próprio benefício, devem os médiuns evitar . Quanto à inveja - a meu ver - será ela a p e nas encontrada em médiuns que n ã o só podem se r consi - derados qual verdadeiros fracassados - por isso que se julgam incapazes de fazer o que ?utros fazem, em condi ç ões idênticas - como e por ISSO mesmo, qual verdadeiros espíritos trevosos. Para mim - sinceramente falando - o invejoso é bem pior que a mais terrível epidemia , de vez qu e, s e um fracassado procura levar quem não é até a própria d e strui ç ão , dados os artiíícíos de que será capaz de lan- ç ar mão , no intuito de desprestigiar - perant e si mesmo ou perante outrem - o valor do invejado.

Quanto ao despeito, infelizmente , manifesta-se ele ,

a

médium, por parte de alguns médiuns . Muitos destes, por vezes , ao verem médiuns outro s

-

mais novos que eles n o loc a l em que tr a b a lh a m -

pr

o duzi r em t r abalhos melhores qu e os seus , s e n te m-s e

d es p ei t a d os , i s to é , sen t em- se em s i t ua ç ão inferi or à

daquel e s ou t ros e , desta r te manifes ta m logo , desta ou d a quela forma, o de s ejo de os verem aniquil a dos , de os ver e m de s mor a liz a dos.

A ss im , ence t am , ato c o n t ínu o, um a f erre nha c a m-

pa nha d e d e s â n i m o j un to à qu e l es qu e jul ga m m e lho res

q u e ele s, concit a ndo - o s a d e s i s t i re m , p o r iss o qu e, e ntr e

o u tras coi s a s, dizem que eles t ê m - os novos - este ou

50

aquele defeito , esta ou aquela falha, este ou aquele

d e smerecimento. Estará certo?! Absolutamente não!

Ao contrário - em casos que t a is - deve o mé- dium, cada vez mais, animar aqueles outros - os novos

- procurando maior prática, a fim de que , na verdade

perfeição maior consigam seus irmãos mais novos. ' Devemos nos irar? . '. Devemos voltar - qual feras endemon í adas - contra os nossos semelhantes ou con- '

trà seja o que for?! Claro que não!

E por quê?!

Quem se deixa domina r pela ira , é lógico , põe-se à mercê dos espíritos das trevas e , destarte, muito facil- mente será por esses acicatado, dominado e dirigido até.

E o ciúme?!

Teremos o direito de ter ciúmes, seja do que for , se, e m verdade, nada propriamente dito nos pertence?! Teremos, ainda mais, o direito de matar aqueles a quem tanto amamos - pelo menos assim dizemos _ em nome do próprio amor?! Absolutamente não!

*

*

*

Além dessas falhas - orgulho, vaidade , maledicên- cia, inveja, des p eito, ira, ciúme e assassínio (esta últi- ma em relativamente ínfima quantidade) - constata- das em al g uns médiuns, há ainda outras. Talvez mais, t a lvez menos gr a ves q u e aquelas - dependente do modo

ou modos sob que se as encarem

o utras. Vejamo-Ias, pois, a seguir . "Ide e curai os enfermos, expeli os demônios , limpai o s leprosos e d a i de g r a ç a o qu e " de gr aça " recebes t es ". Sem con t a - seja a qui mesm o no Es t ado da Gua- n ab a ra , s eja no v izinho Estado do Rio , sej a em qualquer ou t ro lugar de nossa terra - são os "centros " "Ten- d a s " (ou qualquer outra denominação que t e nh~m) em

- existem muitas

51

que, para se receber a "carida:de", ter-se-á que pagar. Sim! Há mesmo os em que, para ser atendido pelos "guias", além de se pagar pela aquisição de "fichas para a consulta", tem-se de "entrar na fila" e, em al- guns casos até, necessário é que se adquira as "tais fichas para consulta", com um ou dois dias de ante-

cedência.

.

E estará isto certo?!

Absolutamente não!

*

*

*

Sem conta, também, são os "centros" em que, pa7"a

se falar com os "guias chefes", ter-se-á, antes do mais, de se ir bem vestido ou, pelo menos, se dar provas de

que se poderá dar "ajuda" ao terreiro.

_

E estará isto certo?!

Claro que nao!

* *

*

ÀS vezes, acicatadas por preocupações graves de que somos presas, vai-se a um "terreiro" e, procurando-se um "guia" de nossa preferência, dele (o certo é que é do médium e não do guia) se ouve, ao invés de um bom conselho, de uma oportuna orientação, a mais ab- surda das respostas.

* *

*

Era eu ainda "médium" do "Caminheiros da Ver- dade", onde atuava chefiando minha "Falange Xangô", ou seja: "um punhadinho" de médiuns de boa vontade, peito aberto e coração à larga, abnegados, devotados, despretensiosos, sinceros e humildes em tudo por tudo que, esquecendo-se de si mesmos e de tudo o mais, tra- balhando noite após noite - até, quase sempre, de ma- drugada - me acompanharam desde os meus primeiros passos no "Caminheiros da Verdade ". Eles e, por eles, os seus bondosos e carinhosos quão dedicados e tam- bém humildes "guias" e "protetores", meus sinceros e verdadeiros amigos, meus diários companheiros de lu-

tas, no cumprimento da sagrada lei: a lei do amor, 3j lei de Deus . . Destarte, por uma moça que habitualmente pre-

senciava meus "trabalhos", ou melhor, os "trabalhos de minha falange Xangô", fui procurado para que, a ela, indicasse eu um dos "guias" - dentre os que traba-

lham na casa -

referida moça), uma nortista que, aqui no Rio, longe dos pais, dera um mau passo com o namorado. Indi- quei-lhe um dos mais firmes "Caboclos" que conhecia, "Caboclo" esse cujo médium me merecia o melhor con- ceito, em tudo por tudo. E sabem qual foi a resposta que o "Caboclo" (claro que foi a médium, e não o "Caboclo") deu à moça, jus- tamente a ela que se encontrava apavorada mesmo, pode-se dizer, com o que lhe tinha acontecido?! Apenas esta: - "Bem feito, para você tomar ver- gonha"

para aconselhar uma amiga sua (da

*

*

*

Pergunto eu, agora: - Em tais condições e diante

de tal "conselho", voltaria aquela moça ao "terreiro"

ou, melhor, o que diria ela da Umbanda?! "guias"?!

E dos

* *

*

Esta, porém, é a pura verdade que, a cada passo, em vezes sem conta, se constata por parte dos médiuns, especialmente os de Umbanda. Não de todos, é claro, mas de grande parte deles. E, em sã consciência, como denominaremos tais

médiuns?! . ' . Bons?!

Maus?!

Perigosos?!

* *

*

o médium que incorpora ou pensa incorporar es- píritos, sem estar moralmente preparado, para sua mis- são é uma espécie de criminoso contra si próprio , contra seus irmãos, prejudicando seriamente a missão dos adeptos de Umbanda.

Sendo a s s im , co m p ete ao própr i o méd ium , medi ante

a sua boa cond ut a , e vitar a des m ora liz açã o do seu ter -

reiro , da sua t e nd a e por ta n t o d a reli gião d e Umban da. Ê um deve r que e le n ã o p od e d eixa r d e c ump r ir con s - cien c iosamente, a f i m de pode r pra t icar a caridade. Eis porque , a todos os m é di u n s que , esquecendo - s e de sua enorme responsa b ilid ade, entre g am-se ao come- t i men t o d a s f a ltas de q u e a qui f a lo , c hamo eu , sem exce çã o de "ma us m édi un s" . E is p o rqu e , f i na lmente , a todos os irm ã os de fé , d i go eu : " Cu i d ad o com os m a us

m é diuns! "

*

*

*

SER M E DIU M

Se r m é dium , i r m ão s , ou s er me di a dor

entre o inv isí vel e o mundo em qu e v iv e mos

é te r o cor aç ão ab er to em flo r !

é d ar d e g ra ça, o qu e de g raça, t emos!

Se r m é d i um , irm ã o s, é s e r consolador! .

.

é , secar

é dar, a out r em, a qui l o que qu ere mos !

é abr a ndar a dor!

. dar o qu e nós t emos!

é -

quem falt a -

Ser médium , i r m ã os , é c o is a tã o subl i m e

.

. que se ser médium - é ce r t o - nos r e dime, nos dá direito às Graças do Senhor! .

tão nobre

imensa

e de tanto valor!

Ser méd i um , irmãos , é a l go que se e x p r ime , quando , no pe i to , s ó se t em amo r!

5 4

6

C uida d o co m o s fals os " G u i a s "!

E m meu livro " Umb a nda dos Pretos-Velhos ", n o

c a pí t ulo III ( O " po r que " da Quimbanda) -

ferir aos espíritos, isto é , aos " seres inteligentes da c r i açã o , que pov oa m o univ ers o , f ora do mundo mate- ri a l ( d e finição dada por Allan Kardec - o " Codifi c a- d o r" - e m seu " O Livro dos Espíritos", publicado em 18 de abril de 1875) , apresento , de acordo com o meu modo de e n t ender a s cois a s , sua c lassi f ica çã o em du a s gr a nd es o r dens , a sab e r :

a ) Mission ári os do Bem . b ) Mission ár ios do Mal . O s M i ssionários do bem , digo e u p er tencerem às classes :

1 ) Espíritos Puros - Anjo s, Ar ca n j o s, Querubins e Ser a fins; 2) Espíritos Bons - Su p eriores, de Sabedoria, S á - bios e Benévolos .

. Aos Mission á rios do Mal , por outro lado, digo eu perten c eram : Os Impuros , L ev ianos, Pse u do-sá b í os , Neu- t r o s , Batedores e Perturbado r es (n ã o que t al sejam , ma s como t al se ap r esentam e agem) . Qu a nto a os Espíritos Pu r os - Anjos , Arcanjos , Que - rubins e Serafins - são eles os que , tendo atingido ao m áxi mo da p er fe içã o , ist o é , comple t ad o o seu c ic l o total e v olutivo (i nvolução e e v olução) , gozam da bem- a v enturan ç a e t e r na , aos pés d e D eus m as , po r ou tr o lado, c o mo o ó c i o é, a ntes qu e tudo , u m ciúme, trab a -

ao me r e-

55

lham eles como auxiliares diretos do criador , incum- bindo-se da regência de todo o universo. Quanto aos Espíritos Bons - Superiores , de Sabe- doria, Sábios e Benévolos - digo que , embora não te- nham eles atingido o mesmo grau de perfeição dos Es- píritos Puros , s ã o c.ontudo sumamente evoluídos. Entre eles, aliás, classifico os que como Protetores , Guias Es- pirituais ou mesmo Anjos de Guarda , se nos apresen- tam . Digo ainda que, entre tais espíritos , considero eu . ou incluo os nossos "Caboclos" e "Pretos-Velhos". Finalmente , quanto aos chamados Missionários do Mal - Impuros , Levianos , Pseudo-s á bíos , Neutros , Ba- t edores e Perturbadores - digo eu , naqu e le meu livro , no citado capítulo III ainda, à página 35 , o seguinte:

"a) encarnados oudesencarnados são eles os que ,

por faltas pretéritas - pelas quais , é claro , s ã o os ún i - cos responsáveis - muito têm ainda a re parar ou res- gatar e , por isso, aceitam e mesmo es c olhem - a tanto ,

pois , se submetendo voluntária e espontaneamente -

difícil missão , de , praticando o mal e sofrendo suas ló- gicas e imediatas conseqüências , fazer indiretam e nte _ o bem ; b) quando encarnados , ou melhor, ao voltarem em mais uma ou outra encarnação , fazem-no, por vezes , submetendo-se às mais duras provas, isto é , apr e sen- tam-se como os chamados espíritos em prova , ou tam- bém , como verdadeiros entes endemoniados , criminosos sem classifica çã o , capazes , portanto , dos mais nefandos crimes e, destarte , perseguidos e justiçados como terão de ser logicamente, redimem , assim , su a s faltas".

a

*

*

*

/

Mais adiante, já no capítulo VII (Os "Exus" e sua importante missão) - daquele meu livro , à página 63 , r e f e rin do -m e aos c h amados "Mi ss i o n á ri os do Ma l ", d i g o eu "Não poderão os Exus , sem favor, ser incluídos nes- sa c l as s e d e esp í r i t o s, isto é, na dos M i ss i o n á ri o s d o MaJ?! . "

Poderiam os espíritos encarnados , isto é, as criatu- ras humanas - nós, portanto - no caso de que fôs- semos "verdadeiros entes endemoniados, criminosos sem classifica ç ão, capaz e s , pois , dos mais n e fandos crim e s ", dirigir, guiar , ou orientar a quem quer que fosse e , mai s ainda , a médiuns de qualquer esp é cie , mormente os da

um ~ anda?!

Poderíamos , mais ainda , fundar e diri g ir

" Centros" ou "Tendas Espíritas " ?!

I

~

i N ao ! De modo algum!

E se, ao i nvés de sermos nós , ou melhor , de serem

espír \ itos encarnados , fossem os desencarnados?!

"Exus ", por ex e mplo , que na tamb é m encon t rados? !

O s :

classe, de que fal a mos s ã o

I

1

**

*

b que se dá , em muitos terreiros de Umbanda , é, que os Exus se infiltram nos "Trabalhos". Para mim - que estou de pleno acordo com este :

fato -

a coisa é ainda muito pior.

*

*

*

Conquanto seja eu amigo incondicional de Exu , a. ele procurando dar " o lugar que, a meu ver , lhe com-

pete no conceito religioso filosófico ou científico", não vou ao ponto de o aceitar como "guia " . Não que ele ,

a m e u ver , seja um espírito sem luz mas , na verdade , tendo em conta a própria razão de ser que lhe atribuo ,

isto é , a de ser um dos espí r itos que " por suas faltas . pretéritas - pelas quais, é claro , são os únicos respon- . sáveís - muito têm ainda a reparar ou resgatar e, por isso , aceitam e mesmo escolhem a tanto, pois, se subme- tendo voluntária e espontâneamente - a difícil missão

de , praticando o mal e sofrendo suas lógicas e ímedíatas :

conseqüências , fazer indiretamente -:- o bem ". N ã o que e l e , p o i s , n ão t enha adiantame nt o su fi- ciente para dirigir , guiar e até esclarecer, em tudo por t u do, a qu em a ele r eco rr e r I r i as , na v e rd ad e, porque o considero um espírito que, justamente por ser como o-

J, s e

a c eito, é , p or isso m e smo, peri g oso

" p a ri pa s s u", co n s id era mos o qu e s o m os n ó s m e sm o s ,

a o e xt r e mo .

i s to é, as criautra s

se r á o p er i g o qu e r e p r e se n ta guia " .

hum a nas, lógico é q u e, mui t o

um " E xu " a t u a n d o

ma i o r c o mo

(

 

d o s

i ui -

,

Já t emo s di t o qu e, e m div ersos " te rre i ro s ", -

v i s i t amos

e at é ci ta mo s

os v e rd a deir o s

t o s que

s ã o os " E x u s "

cas o s co nc r e t o

ch e f es ou or i e nt a d

_ res

não só dos seus médiuns

e assistentes

( v ís í ta nt

o u

disse m o s e , Iogic a m ente, c o m tal c o i s a n ão c onc or d em hip ót e s e alg u m a.

o s

M as -

o que é lóg ic o e cla r o -

se ta i s f a tos sã o

uma ra z ã o terá de h av er. Di go eu m Ismo

con s tata d os,

qu e , p a r a que isso a cont e ça , mui ta s

r a z õ e s h á .

E por quê?!

*

*

*

t

que

lavras: são os "maus méd i uns"

deste livro -

capítulo anterior

Os ma u s me 'di

s e p e de chamar de primacial

un s , eV1 en emen e , s a o a me u v er o

-

-

causa. Em ou t ras pa-

a que me re f' í ro no

que ] em

j

os elementos

id

t

I

primeiro lugar, contribuem para a presença dos "Exus " ,

Fazem-n b _

em posi ç ões de comando , nos "terreiros" .

é

óbvio ' -

em face da já citada

"lei da afinidade e spi-

r itual " :

" a cada um o protetor

que merecer "

e, ~ l ém

disso -

g rande númer o

deles -

p e la i g no râ nci a

abso -

lata da natureza . das "forças"

que trabalham

em Um-

banda ou , tamb é m, pelas s u as , inten çõ es tarem de vantag e ns.

de se locupl e -

Em segundo lugar -

também

sideráv e l - freqüentadores

fa ce daquela mes m a lei.

para tanto contribuem desses "terreiros "

de modo assá s c on- os a ss sis t ent e s e, ê le s tamb é m ,

u

em

o

Em terceiro

lugar, cito eu os próprio s

e spí r it o s

a

q u em denomino de " Missioná r ios

é cla r o , os " Exus" em maior núm er o .

do Mal " e, e n tr e e l e s ,

58

E pod ere mos ,

por i s s o t u do , co nd e na r

a os " E xu ~ "

ou esp í ritos outros dos p e rt e nc e nt e s

sion á rios

Devo aqui a cresc e ntar e x p ostas, u ma out r a h á -

p a r a que tai s fat os se v erifiqu e m.

à ordem d o s " M ls -

acim a

-

do M a l ? !

" Não! D e modo algum!

qu e , a lém d a s razõ e s

e b e m m a i s impo r t a n te

Refi r o-me , a gora , ao casos chamados de " vingan ç a

de inimigos d ese n ca rn a dos",

"desencarnada nha sido nossa

gan ç a , propõe-se ela a exec utar

e o fará , aliás , com possibi l idades e f a cilidades mai or es

- ap ó s o se u d es enlace " . E não poderá muito bem acontecer que, com relação aos médiuns de um qualquer " terrei r o" e, especialmen- te, quanto ao médium chefe (o "babala ô " e ou a "babá")

se v e rifiquem casos que tais, isto é, casos de " vingan-

ças de inimigos desencarnados?! outrossim , a c onteç a .

isto é, aos cas o s e m que ,

terra te-

uma pessoa, que neste planeta

inimiga e por isso nos tenha jurado vin-

seu plano de vindit.a -

" Claro que pode e,

*

*

*

Qualquer

que seja o modo. pe~o qual ?s Exus se

infiltrem nos

"terreiros"

e, mais ainda,

sejam encon-

trados como orienta dores deles e bem assim dos seus médiuns ou treqüentadores , será, evidentem.ente , por demais prejudicial , se não extremamente perigoso. Tal será , " pari passu " , mais um motivo para que , p~r nos- sos inúmeros inimigos, sejamos apupados de bo ç ais e o u mentecaptos e seja a nossa Umbanda chamada de rel í - . gião de atrasados.

Houvesse , é lógico, pelo menos consciência, ou seja,

bom-senso , por parte dos m é díuns e, :m particular,

que f ossem chefes de terreiros

aconteceria. Houvesse, outrotanto, um pouco de doutr í -

real e prática hon~s-

Umbanda e, mais do que cer t o , nao

seriam constatados fatos com esses , em que os "M í s-

ta e consciente da

na , e por ou t ro lado , conhecimento

e , log í camente , tal na . o

d~ s '

59

sionários do.Mal" chefiaI?' guiam e - antes que tudo '

-

. Sim , porque, . se tal houvesse, não só os "Exus" _

VIessemeles camuflados ou n ã o - não tomariam conta de ambientes. ("Centros" o~ "Tendas " ) como, especíal- . mente e por ISSO mesmo, nao se os poderia chamar _

a todos Iludem e prejudicam.

c?mo ~, fa~emos - de " falsos

dizer: cuidado com os falsos guias".

guias" e de , finalmente,

60

/

7

Cuidado com a mediunidade l

Referindo-me ao caso das obsessões por "med i uni- dade não desenvolvida" , digo o seguinte : "Uma pessoa que a tenha é , nada mais , nada menos , que uma casa abandonada no meio de uma estrada grande e deserta ; segue um viajor , despreocupadamente , o s e u caminho

(pela dita estrada , é claro) ; come ç a , de rep e nte, a e s- curecer e, ato contínuo , a trovejar, prenunciando forte temporal; olha para um lado, olha para o outro , o viajor,

e ao longe vislumbra um abrigo - a c a sa abandonad a

na estrada; corre , natu r almente , em sua di r eç ã o e , e m

seu interior , se abriga da temp e s t ade ; mas

que também s e -

guiam pela mesma estrada - a eles o mesmo acontece fazerem, eles também: r e f ugiam-se na casa abandon a- da; dada à absoluta semelhan ç a de situa çã o e de cir- cunstâncias, estabelece-se entre todos os viajores - re-

fugiados, en t ão , na dita casa - um a espécie de cama-

radagem , is t o é , con s titui- s e um agrupamento do qu al fazem parte elementos perfeitamente semelhantes; pas-

sa , porém, o tempo e , cada viajor , dei x ando a casa, segu e

sua interrompida viagem ; o tempo continua passando , por sua vez: novos viajores , novos tempora i s, novos refugiamentos na casa abandonada da estrada ou, em outras palavras muitos e o s mais v a ri ados donos ( e v en - tuais , é claro) terá a di t a casa e, assim , vai ela , de m ã o em mão, desmantelando - se aos poucos , até que, fin al- mente desmorona e se t ransforma em ruínas.

mais outro e outros viajores mais -

outro ;

61

.A ~asa ab~ndon~da l o gic a mente, é a pess o a cuja med í un í dade nao esta desenvolvida - diria não ades-

tra?a; . os viajores nada mai s s ã o que os "obsessores";

o térmmo do temporal, ou melhor, os términos dos vá-

ri os temporais, por sua vez, podem ser tomados como sendo os diversos trabalhos de desobsidiação ou desob-

sessã~ .(afastamento de "obsessores") que se fará em benefí cio seu; o desmantelamento gradativo que sofrerá

a casa, por outro lado , pode ser aceito como as desas-

t rosas conseqüências que, nas "pessoas obsedadas" dei- xam ?S "fluidos" dos "obsessores "; finalmente , o e~tado de rumas em que a casa ficará representa - e é fácil compreender - o aniquilamento total e conseqüente desencarne do "obsedado".

*

*

*

."Mediunidade" - de um modo geral -

é a pos-

~lbllI?ade. que tem a criatura humana, bem como os lrr~~0J?-als (grande número deles), de servir de ínter- me~~no nas comunicações entre o mundo invisível (dos esp~r~tosdesencarnados) e o mundo visível (das almas , esp í ritos encarnados ou criaturas humanas).

~uitas ~ão as :spécies de mediunidade, por isso que , tambem muitas , sao as maneiras de ser v ir-se de inter- ~ed~ário em tais comunicações (intermund o s) . A me- d í unídade ou faculdade medíúníca, pois , varia de cria-

tura para criatura. Poderá ela - de um modo

apre~entar-se (em se tratando , especialmente, da me- d l Umdad~ incorporativa ou de i n c orporaç ão ) em um d os s egumtes estados:

geral _

a) Latente

b) P r ogressivo

c) Ostensivo

d ) Desenvolvido .

. No estado latent e, a me di u n id ad e ( ain da não ma-

níte s ta d a , ou afastad a ) somen te p o d erá s er c onstatada po r e xa me meticuloso , o u a ce it a p or sup os i çã o.

62

No estad o p r ogre s si v o , c ome ç a a se mani fe st a r o u já se apr e s e nta mais ou menos verífícável. No est a do os te nsivo , ap r es e nt a -se a mediunidade e m to d a sua pujan ç a e, assim, é facilmente constatada e , por is so m es mo, estudada. ' No estado desenvolvido, finalmente, apresenta-se a mediunidade em seu máximo grau de intensidade e com s ua mais acentu a da produtividade. Queiramo s, p-ois , ou não , somos todos nós - cria- tu ras humanas - médiuns , qualquer que seja o estado (d o s quatro acima) em que se encontre nossa med íunt- dade. Destarte - o que não poderá ser contestado - esta r emos todos nós, sem exceção, expostos à influên c ia direta e imediata dos espí r itos desencarnados , qualqu er que seja a natureza deles. Se, na realidade, nos tivermos dedicado à prática da caridade, pela aplicação de nossas faculdades me- diúnicas ~ seja numa "mesa kardecista", seja num " t e r reiro ou mesa de Umbanda" , seja lá onde for - c l aro é que, de nós, se aproximarão espíritos dos a q uem denomino de "Missionários do Bem" (claro , que s erã o os por mim classificados como Bons - Superiore s, de Sa b edoria , Sábios e Benévolos), e desta forma e po r - q ue - justamente por isso - estaremos "amando a Deus sobre todas as coisas e, ao nosso próximo, como a nós mesmos", nossa vida correrá normalmente, dent r o d os n a turais moldes da vida por Deus permitida aos t e rrá queos. Neste caso, então, deveremos até nos sentir fe liz e s ou, também , se nos dispusermos a n ã o seguir à Divina Lei da Fraternidade Universal - aquele "Amai- vo s un s aos ou t ros " de que nos fala nosso " Pai O x alá "

- o qu e nos ac o ntecerá , clara e logícamente , s e rá ju s -

t am e n t e o ficarmos à mercê dos es p íritos outros que n ão os ainda há pouco referidos. Nossa vida , nesta te rra , será a ma is des a gradá v el e infe l iz po s s í vel, Na d a , ne l a, dará cer t o . Tudo nos sai r á às avess a s. Nada, p r ati ca - mente co n se gu ire mos e, po r sin al, mu i to f e liz es seremos s e , q ua nto à s a úde física, não formos obrigados a al g o

63

dizer. Muito felizes seremos se, na verdade - dada a

nossa situação de vida - não formos levados ao crime

e, em especial, ao crime de suicídio.

* *

*

Por falar em suicídio, relatarei, a seguir, um fato real que, quanto ao que estou explorando neste capí- tulo, isto é, quanto ao cuidado que se deve ter com a mediunidade, muito bem servirá de exemplo.

* *

*

Trabalhava eu, em 1952, em uma firma comercial,

na época localizada à rua Acre neste Estado da Guana- bara e, como tal diariamente, cerca das oito horas da manhã, dirigia-me ao trabalho. Vinha de trem desde Quintino - onde aquele tempo, também residia - e,

a pés, seguia, pela Avenida Marechal Floriano (rua

Larga), até a acima citada rua Acre na qual entrava rínaãmente. Passava, evidentemente, todos os dias, à

frente do Edifício do Ministério da Guerra, na Praça da República, de um lado e, do outro o monumento erigido ao Duque de Caxias, o Glo r ioso Patrono do Exército.

Numa das manhãs em que,

como de hábito, fazia o referido percurso, no t ei que, ao lado do monumento ao Duque de Caxias, havia um regular ajuntamento de pessoas. Notei, outrossim, que , caído ao chão, havia um homem. Em sua volta, pois estavam as tais pessoas e, bem assim, alguns soldados

- e penso até que o iriam levar, em uma maca, para o

interior do edifício do Ministério da Guerra - a fim de

Pois muito bem!

Depois de "afastar" eu o "obsessor" que tinha ati- rado ao chão, desacordado, o jovem, dirigi-me , aos pre- sentes, fazendo a esmo, a seguinte pergunta: Há al- guém aqui que conheça esse rapaz?!. " Que lhe saiba

o nome?!

- " Eu sou noiva dele moço!

Ele se chama

Orlando!

" - disse-me uma moçoila, a meu lado.

- Olhe, minha filha!

disse-lhe eu e aduzi: A

doença do seu noivo tem apenas um nome: med í uni-

dade! Não há médico que cure, neste mundo!

É

somente ele que poderá dar o remédio , isto é, só ele e

mais ninguém, poderá curá-lot . " E, para o fazer , terá .

o seu noivo de procurar um " bom centro espírita", para

no mesmo, adestrar a mediunidade que tem!. " Você pensou se, ao invés de ter sido aqui, esse espírito tivesse "pegado" o seu noivo numa das plataformas da "Central" (e ele viera de lá) e o atirado à frente de

um trem que estivesse entrando na gare?!

Diriam, é

claro: "Coitado!

se

Não é?!

"

Tão jovem, no entanto. " suicidou-

Observem bem, os meus queridos irmãos de fé, o que

acabo de dizer. Lembrem-se de que, como o caso desse rapaz de nome Orlando (se êle é vivo deve se lembrar

e não poderá negar) outros, muitos e muitos outros

acontecem a cada instante , a cada dia. E, se em vez de um caso desses, ocorresse um que, em semelhantes circunstâncias, fosse promovido " como vingança de um espírito desencarnado", espírito esse

o medicar e m.

que tivesse ódio do Orlando e dele se quises s e vingar ? !

Não me querendo preocupar com o cas o, ju lg ando

E

que esse espírito, seu inimigo - do Orlando, é cla r o

-

c o mo disse a mim mesmo - tratar-se de algu m a t ro-

-

ao nele se incorporar , resolvesse lhe armar a mão e

pelamento que, ali, nada seria de absurdo, d ec i d i con-

o

tornar criminoso?!

E quantos e quantos outros ca-

tinuar meu caminho. Decidi, no entanto, por in t uição

- direi eu, recebi ordem para, de perto, ver do que,

realmente se tratava. Destarte, cumpri a ordem r ecebida (medíunlcamente, é claro).

Ao aproximar-me do jovem , verifiquei que se trata- va de um caso de mediunidade.

64

sos desses não têm já ocorrido - e ainda ocorrerão - levando inocentes às grades de uma prisão?! Lembrem-se disso , queridos irmãos e, com sinceri- dade, me digam: tenho ou não razão, quando, a todos, sem exceção, finalmente digo: "cuidado com a mediu-

nidade! "

65.

r-

8

Não cantem

"pontos ", a não

ser em locais e horas ' apropriados

Raras, raríssimas mesmo , são as pessoas que não gostam de música . Na grande maioria - é uma verdade

- toda gente gosta de música, seja ela clássica ou po-

pular, seja ela a de uma ópera ou opereta, a de um samba, a de um tanga, a de um "blue" e , atualmente, até a de um ritmo de "iê-iê-iê" . Toda gente gosta de música e entre as músicas que prefere, sempre há uma ou algumas que, de um , modo particular , merece aten ç ão . Eu , por ex e mplo, embora goste muito de música clássica, como a de um Liszt de um Mozart e de tan- tos outros grandes compositores , também gosto e me delicío com o ouvir de um bom samba - particular- mente um dolente samba-canção. Destarte, sempre que ouço uma dessas músicas de minha preferência , natural é que , por me sentir - en - Ievado, digamos assim - me disponha a ouvi - Ia e , para tanto, chegue mesmo a parar - se possível e necessário for - para melhor atingir meu objetivo, no caso , é claro, de que me encontre , em minhas andanças, pelas

ruas . C om o com i go, é lógico, a co ntecer á a qualquer um dos queridos irmãos de fé.

*

*

*

De modo perf e it a mente id ê n ti co - asseguro , sem medo de errar - também acontece com os espírito s desencarnados sejam eles quais forem , qualquer qu e seja a sua classificação e tanto é isso o que acontece que , para se " chamar" os espíritos que trabalham no s " terreiros", sejam eles os próprios "Exus " , necessário é que se cantem " pontos ". É um fato e ninguém tal de s - conhece. Fazem mesmo os "pontos " . ao que se pode di- zer , parte integrante dos trabalhos , sejam de Umbanda sejam de Quimbanda , sejam até mesmo de Candomblé:

Há até em enorme quantidade - os "terreiros" em que , marcando melhor o ritmo dos " pontos" , se fazem ouvir os "tabaques" ou "atabaques " .

*

*

*

Do que até aqui, neste capítulo VIII, fica dito, f a- cilmente se concluirá que , ao ouvir um "ponto" se en- levem os extasiem os espíritos desencarnados que, por- ventura, perto se encontrem do local onde se canta.

tais espíritos pro-

curarão se "incorporar", isto é , procurarão os médiuns que no local se encontrem , a fim de que "incorporados ", melhor e mais materialmente os possam escutar ou , em outras palavras, possam se deliciar com as suas músicas .

Tratando-se dos chamados "espí r itos bons" e mes- mo, em alguns casos , dos pertencentes à ordem dos

" Missionários do Mal " - desde que, é claro, não este- jam mal intencionados na ocasião - nada de mal acon- tecerá. Quando muito - poder-se-á dizer e aceitar -

Ouvindo-os -

o que é lógico -

o médium levará uns trambolhões, umas ou quantas

violent a s sacudidelas

Adm i tamos , por é m, duas outras diferentes hipóte- ses: a) Os espíritos desencarnados que estiverem ouv i n-

do ta is " po nt o s", a lé m de pe rt ence r em à o r dem do s "Missionários do Mal" , estão imbuídos de más intenções,

er di z e r , es tã o m a l -inte n cio nados; b) Os médiuns (pois que todos somos), não s ó

qu

e nada mais .

68

i gnoram que têm mediunidade (ostensiva ou desenvol- vida , no caso) como , mais ainda , s ã o amigas de bebidas alcoólica s ou , pelo menos, tais bebidas estarão ingerindo na o c asi ã o. O que poderá n a melhor das hipóteses , en t ão ocor-

r e r? !

Nad a mais, nada menos do que , servindo-se dos m édiuns ali presentes e , por out r o lado , desejosos de atingir seus malévolos objetivos , os espíritos desencar- nados " incorporarão " e , quanto ao que poderá acontece r , só Deus o saberá . No t e-se , no particular que , dos " pontos" de "Cabo- clos " ou "Pretos-Velhos", também gostam , além deles mesmos, muitos e muitos dos outros espíritos de ' natu- r ez a e índole diversas. Assim , certamente , não se poderá dizer que: - mas eu estava cantando só um "pontinho d e Caboclo" (ou "Preto-Velho")!!! E - vamos admitir (além das duas que há pouco c i t amos) - a hipótese de que, na verdade, se estava cantando "ponto" ou "pontos de Exu", de " Pomba Gira",

e t c ., etc

O que poderá, neste caso, acontecer?!

*

*

*

Cerca de uma

hora da manhã do dia 7 do mês de

jun ho de 1966 (es t ava escrevendo este capítulo a 8 do m ês) , a cabava eu de conciliar o sono quando , à porta de m inha resid ê n c i a, f ui afliti v amente chamado. Veri f i- c a nd o t ra tar-se d e u m ra paz meu conhecido - médium, po r s in al de um dos bons e verdadeiros "centros espí- r i tas" daqui d o Es t ado da Guana b ara - a tendi . Pe-

d ia -m e ele que o acom p anhasse , por favor , a uma deter- m in ada c as a de .amí g o s se u s - l oca li z a d a em ru a trans - ve r sa l à e m que mo r o - a fim de atend er a du a s moças

" inco r porad a s " com

" Pomba G i ras ". Fu i, a t endi ao caso com carinho e d e -

a noss o Pai Oxalá ,

bem como a meus humildes "guias", en t re os quais o meu " Ca b oclo Gua i cu r u " , obtive bom ê x ito. Em outras

q u e "es t av am " -

diss e -me ele -

vo ç ã o e , g ra ç as a D e us (Obat a l á ) e

69

palavras: resolvi , satisfatoriament e o caso , tendo tudo voltado ao normal. Mas, pergunto eu , po r que tal aconteceu ? !

a) as duas mo ç oilas (as que " incorporar a m " a s tais

"Pombas Giras") são, na verdade, ó t imos médiuns d e " incorpora ç ão ", digo até , ó t imos " médiuns " d e " Exu " ;

b) elas , o rapaz que fo r a me chamar , al é m de um

outro, estavam bebendo e , al é m di s so , can ta ndo " doi s pontinhos " de " Exu" e de " Pomba Gira " ;

c) na residência das t ais moçoilas , a bem da v er-

dade, há um pequeno " peji " , posto qu e sua p r o ge n í t o ra

também trabalhava na Umbanda e, por sinal , com um a grande e formosa " Preta-Velha" (Vovó Camb i nda) .

* *

*

Apresento eu, a respeito , mais as seguintes e opor- tunas perguntas:

1) E se não estivesse eu em casa , quando fui cha- mado?!

2) E se o dito rapaz não me conhecesse e n ã o S01. 1 -

besse que eu sou da " Lei"?!

3) E, se não existisse eu e, por outro lado , n ã o

houvesse qualquer pessoa entendida do assunto que f i - zesse o que fiz?! . " pelo menos na vizinhan ç a?!

4)

E mesmo que outra pessoa em id ê n t icas condi-

ções -

ou eu mesmo -

não pudesse ou não quise s se

(erradamente, é claro) a t ender?!

5) O que poderia ter acontecido?!

* *

*

Meus irmãos, o espiritismo e especialmente o d e

Umbanda -

70

já não se falando no de Quimbanda -

é

coisa seria. Tem " mironga" e "mironga grande " , mes-

mo!

Por que, e nt ã o, brinca r mos com a s coisas sé -

rias?!

por que mexer com "forças " que, antes do

maís , n ã o conh e cemos bem e que , por i s so, n ã o sab e mos e meno s ainda pod e mos controlar?!

Se não sabemos o que s ã o " pontos " e o que pode acontecer quando se canta indevidamente, por que cantá-Ios?! Eis porque, irmãos de fé, digo agora , ao terminar este capítulo VIII de " Pomba Gira", ou melhor, reco- mendo-lhes e os aconselho: " não cantem pontos, a não ser em locais e horas apropriados ".

" "Saravá" "zi-fio" - lhes di-

ria o meu "Preto-Velho " - o meu protetor - "João Qui-

zumba " . "Saravá, ele, aliás"!

"Saravá, irmãos!

71

/

I

!

9

Cuidado com a Ma g ia N e g ra, iS ! D é , o s "trabalho s ", da Quimbanda e do Canjerê l

N o ca p ítu lo V, des te meu n o v o l i vro , como sua fi-

nalidade, c h a mo e u a atenção de todos os m e us que r idos " i rmã o s d e f é", p ara as falhas que , de um modo ger a l , apr e sentam os m é diuns , em g ra nde número , e s p ec ial-

m e nte os de Um ban d a . Como p r incipais de tais falhas ,

aliás , indi co a s se gu in t es: o r gulho , v a idade, maledi cên -

cia, i nv e ja, de sp ei t o , c i ú m e , ass a s síni o , cobrança ( r e- cebiment o d e din hei r o) e m tr oc a de ca ri dade . A ess as , aliás , aduzo, ainda, c o m o tamb ém g rav es o u s o do álc o ol

e o abus o sexua l.

E p o r quê ? !

*

*

*

S i mpl e s mente p o r que :

Em meu l ivro " Conheci m e nt o s indispe n sáve i s aos Médiuns Espírita s " (2lJ. part e ) , n o c apítu lo IX e e m "Umbanda dos P reto s-Ve lhos", no c apít ul o X I (trans-

cr i ção " i ps is li t eris " ) , refiro-me a o "Ovo Aurico", isto é , o con j un t o de 7 (sete) invólucr os ou c amadas flu í -

d i cas qu e , ao r ed or do nosso corpo, se enc o ntra . São tais

ca m a d as for m a das ( ou resultam) das múl t ipl a s fun ç õ e s

do nos so organismo . O bede cem, esses invólucros ou camadas fluídic a s, a o c o m a ndo mental (is t o é, de n ossa m e nte, n o s s o cé-

(

rebro) e se encontram em íntima ligação com a regi ã o do nosso organismo físico chamado "plexo solar" (con- junto de g â ngl í os nervosos existentes sobr e a boca do

CÉREBRO

( C ornand O)

·fLUIDIr.rA

HEHRO·fLUIDINII.

 

fLUIOINA

CROMÁiIC.\

PU X O

SOLAR

r I G .

1

estômago, como se costuma dizer) . É este " plexo solar"

-

ao que se pode dizer - " um como segu n do céreb r o" . Conquanto sejam em número de 7 (sete), somente

74

, ,.

nos referíamos a 3 (três) desses invólucros ou camadas fluídicas:

a) Fluidina

b) Hetero-Fluidina

c) Fluidina Cromáti c a

*

*

*

Apresentam-se essas t rê s camadas fluídicas, con f o r - me o desenho da página anterior, de dentro para for a ,

ou seja, do centro para a periferia, e, a s e u respeito , repetirei aqui o seguinte:

a) Fluidina - interpenetra o nosso organismo f í -

sico e corresponde à "parte sólida do corpo" , isto é, o

tecido ósseo ; Hetero-Fluidina - é mais tênue que a anterior; atua sobre o "tecido sangüíneo", isto é, o sangue (todo o nosso corpo é revestido de uma rede vastíssíma de vasos onde circula o "líquido da vida" - o sangue);

c) Fluidina Cromática - provém do próprio espí-

rito e , por isso mesmo , mais caracteriza suas vibrações .

*

*

*

Direi mais, também em repetição : " Um Ovo Au- rico" bem formado, isto é, resultante das emana ç ões de bons fluidos (fluidos esses conseqüentes de boas irradia- ções do nosso sist e ma nervoso) caracteriza-se por uma irradia ç ão brilhante e de rara beleza , e desta forma, oferece certas e importantes resistências ' ao "retorno". Apresenta-se por outro lado, como que urna for ç a que nos chama para perto das pessoas que, assim, o pos- suem. Um Ovo Auríco mal formado, isto é , resultante das emana ç ões de maus fluidos (fluidos , esses conseqüentes das más irradiações - ódio, inveja, ciúme, despeito, etc. " do nosso sistema nervoso) caracteriza-se, ao con- trário' por uma irradiação escura e sem beleza e, desta forma , não oferece resistência ao "retorno".

75

Nestas eondíções, apresenta-se como que uma força que nos causa repulsa ao nos ap r ox i marmos das pessoas que, assim, o possuem.

*

*

*

Do que até aqui fica dito, neste capítulo IX, fácil será o se aceitar que, tendo a criatura humana um bem formado "Ovo Aurico", isto é, um Ovo Aurico con- seqüente das boas emanações ou irradiações do seu sis- tema nervoso, logicamente estará ela defendida - e e f icazmente - contra todo e qualquer "trabalho" da Magia Negra, contra toda e qualquer influência má que lhe venha a ser dirigida. Por outro lado, estará tal cria- tura em condições de, a sua volta - pois que a todos agradará, atrairá, cativará - ter sempre bons e fiéis quão sinceros, reais e decididos amigos, seja de lá, seja de cá, isto é, sejam desencarnados, sejam encarnados (como ela própria). Mas, se ao contrário, tiver a criatura um mal for- mado Ovo Aurico, isto é, um Ovo Aurico conseqüente das más irradiações - ódio, inveja, ciúme, despeito, - o que acontecerá, Iogícamente, será o abso- luto contrário: não só a criatura será um campo por demais fácil para a atuação dos "trabalhos" de Magia Negra, isto é, da Quimbanda e do Canjerê e, por outro lado, causará repulsa a todos os que, dela porventura s e acercarem. Tal repulsa, porém, só se manifestará quanto às pessoas ou espíritos desencarnados bons, posto que , quanto aos mal-intencionados - especialmente esses - atraí-les-á ela, intensa e constantemente.

rápido

total aniquilamento. Eis porque - e de um modo particular aos "maus médiuns" - digo, ao término deste presente capítulo :

"cuidado com a Magia Negra, i sto é, os trabalhos da Quimbanda e do Canjerê!"

E o que lhe resultará?!. " O maior e mais

10

Poderemos nos tornar criminosos

sob a influência

de espíritos

mal-intencionados

Em meu último livro, já citado, no capítulo XIV (Obsessão - definições e diferentes modalidades), digo , logo ao início, quanto à obsessão o seguinte: "obsessão, de um modo geral, é o domínio que, sobre um indiví- duo ou pessoa (espírito encarnado), exercem fatores estranhos - independente ou dependentemente da sua própria vontade. Uma definição mais satisfatória -

seria: é o domínio que, sobre um indivíduo ou pessoa (espírito encarnado), exercem fatores estranhos - com ou sem o concurso de sua própria vontade. Também se pode dizer "obsidiação" e, até, "obse- cação" . No meu modo de entender, dar-se-ia o caso de "ob- sessão" ou "obsidiação", apenas quando o fenômeno independesse da vontade da pessoa na qual fosse ele constatado e, o de "obsecação", sempre que - embora talvez sem poder reagir (por fraqueza da vontade ou outro qualquer motivo) - se deixasse dominar ou em- polgar (casos há), isto é, não reagisse ou não oferecesse resistência alguma à manifestação do fenômeno.

Haverá, pois, uma diferen ç a entre "obsessão ou ob- sidíação" e "obse c a ç ão", como segue:

a meu ver -

a) "Obsessão ou obsidiação" é o domínio que, sobre

um espírito encarnado (indivíduo ou pessoa), exercem fatores estranhos, sem o concurso de sua própria von- tade;

b) "Obsecação" é o domínio que, sobre um espírito

encarnado (indivíduo ou pessoa), exercem fatores estra- nhos, com o concurso de sua própria vontade.

Mas, adiante, à página 131, ainda do mesmo capí- tulo XIV, digo, com referência à "obsessão ou obsidia- ção", outrossim, o que se segue: "Dá-se - como causa das "obsessões" - as seguintes:

a) Imperfeições morais;

b) Vingança de inimigos desencarnados;

c) Mediunidade não desenvolvida e

d) Mediunidade mal empregada.

No presente capítulo X, deste meu novo livro - "Pomba Gira", dada a sua própria denominação ou tí- tulo e, por isso mesmo, a sua finalidade - referír-me-eí, apenas, às duas primeiras causas que poderão - e o fazem, na ver.dade - ocasionar uma "obsessão ou obsi- diação", isto é, rererír-me-eí , então somente, a:

1)

Imperfeições morais

2)

Vingança de inimigos desencarnados .

*

*

*

As "obsessões" ou "obsídíações", por "imperfeições

morais", poder-se-ão verificar em dois casos especíaís , a saber:

a) o "espírito obsessor" tem afinidade moral ! -

apenas - com o "obsedado " isto é, entre ambos - "obsessor" e "obsedado" - existe, ao que se pode dizer, semelhança de imperfeições ou, em outras palavras:

têm, ambos os mesmos vícios ou defeitos morais;

78

b) o esp í rito obsessor" tem afinidade fluídica _

apenas - com o "obsedado", isto é, entre ambos _ "obsessor" e "obsedado" - existe, ao que se pode dizer , semelhança de fluidos, de ectoplasma ou, em outras pa- lavras: seus ectoplasmas têm constituição idêntica.

Quanto às "obsessões" ou obsidiações", por "vin- gança de inimigos desencarnados", verífícar-se-ão elas por:

a) "desencarnada uma pessoa que, neste planeta ' ,

"nos tenha jurado vingança", propõe-se ela executar seu plano de vindita - e o fará, aliás, com possibilidades e facilidades maiores - após o seu desenlace;

b) Espíritos que , em encarnações outras , tenham

sido nossos inimigos também, embora - é claro - de tal não possamos lembrar, via de regra; c) Espíritos (desencarnados) que, por qualquer mo- tivo - dado por nós, é claro - venha a se tornar nosso :

inimigo, apesar - e por isso mesmo - de estarem eles, desencarnados, enquanto nós, encarnados".

*

*

*

No capítulo VII, deste meu novo livro - referin- do-me ao perigo a que estão expostas as criaturas hu- manas, ou seja, todos nós - posto que todos nós somos médiuns e, além disso, não só (de um modo geral) não sabemos que espécie ou espécies de medíunidade temos e, "pari passu", ignoramos se a nossa mediunidade (es-

pecialmente nos casos de mediunidade "incorporativa' " ou de "incorporação") está num dos 4 (quatro) estados apresentados, isto é: "latente, ' progressivo, ostensivo, de-

cito , em detalhes , numa fiel narrativa, o

fato - real - acontecido em 1952 , a um rapaz de nome Orlando que, "tomado" por um espírito - não digo

que fosse espírito mal-intencionado, porque, a bem da verdade e perante a própria concepção de mediunidade, era ele (Orlando) o verdadeiro e único culpado do que lhe acontecera - fora atirado "desacordado ou incons-

senvolvido" -

79

ciente" (assim me expressarei) aos pés do monumento ao grande Duque de Caxias, na Praça da Repúblíca .

já no seu

fim: "E, se em vez de um caso desses, ocorresse um que, em semelhantes circunstâncias, fosse promovido "como

espírito esse

que tivesse ódá ' Odo Orlando e dele se quisesse vingar?! •

vingança de um espírito desencarnado",

Disse eu, inclusive, naquela narrativa,

E que esse espírito, seu inimigo-

- ao nele se incorporar,

o tornar crímínosol? " E quantos casos desses não têm

do Orlando, é claro

resolvesse lhe armar

a mão e

ocorrido -

-

levando inocentes às

e ainda ocorrerão "

grades de uma prisão?! Em 1952, precisamente,

fora eu em visita

a uma

família que, ao que estava informado,

residia

na rua

Barão de Cotegipe, em Vila Isabel, neste Estado da Gua-

nabara.

Fora, no entanto,

a família se havia mudado

e,

somente muito tempo depois, localizei-a em Niterói.

Desta forma, não tendo encontrado a quem procura-

va, restava-me,

casa. Foi, portanto,

Avenida 28 de Setembro, quase na esquina daquela ar- téria com a antiga Praça 7 de Màrço, hoje Praça Santos

Durnont. Parei junto ao poste de parada

bondes de "Vila Is;:tbel- Engenho Novo" e "Uruguai

- Engenho Novo", bondes esses que, um ou outro, me

poderiam

ser mais preciso, saltaria

seguiria, então, com destino ao Méier, A essa época, devo

da Verdade", no

qual me encontrava no apogeu de minhas atividades

espíritas. No mesmo ponto de parada -

fui postar, encontravam-se

dos dois já citados bondes -

Entabulamos

velha delas, ou melhor, a mais idosa, se chamava

lina. C nome da outra, embora me tivesse sido dito, não

me lembro dele agora.

de bondes em que me

também esperando um duas moças, ambas de cor. e, então, soube que, a mais

Jove-

tão-somente,

uma

coisa: voltar

para

à

o que fiz e, para isso, dirigi-me

dos antigos

eu. Para

levar ao Méier onde, então, residia

eu no Engenho Novo e, a pés,

dizer era eu sócio do "Caminheiros

conversação

'"

*

,*

Passou - se o tempo. Chegou um dos bondes que es-

perávamos e, durante a viagem e até a Rua Araújo Lei-

tão -

Por essa

conversa, por sinal , fui informado, por D o na Jovelina, de que uma sua irmã, de nome Therezinha estava muito mal, à morte mesmo e, na verdade, vitima de um "tra-

balho de macumba". (Nossa conversa, aliás, descambara para o terreno religioso espírita).

- aprender, cada vez mais penetrar as "mirongas" solvi ir, "in loco", ver o que seria possível fazer.

Resolvi e, depois de termos tomado - raná e elas (Dona Jovelina e a companheira)

num botequim

Araújo Leitão, bem perto da parada de bondes onde tí- nhamos saltado - seguimos em demanda da casa onde se encontrava a moça "macumbada" ("magiada" seria

onde deveriam saltar

as referidas moças conti-

nuamos a conversa que havíamos encetado.

, De imediato

na ânsia de sempre cada vez mais

-

re-

eu, um gua- refrescos,

na esquina

da rua

ainda hoje existente

o termo adequado).

Para tanto, entramos pela rua

Aba-

tirá e subimos o morro, ao fundo dela existente.

Subi-

mos e, lá no alto, bem no alto do morro, tendo atrás

uma soberba "pirambeira"

de Dona Jovelina, na qual se encontrava

tada, já nas últimas, em uma humilde cama,

(precipício), estava a casa

sua irmã, ' dei-

A ~m perfuntório

exame que dela fiz e, bem assim,

do ambiente e de tudo mais , que então me cercava

preendi

verdade, me levara até ali.

com-

que não me seria nada fácil realizar o que na '

de

pe , q~al~~er forma, poré~

solicitei a presença

um médium (de mcorporaçao) que quisesse ' trabalhar

e, assim, me ajudar.

~presentou-se-me

"Bem, moço!

um rapaz, também

Eu não trabalho

de cor, que,

, dirígíndo-se a mim, disse-me, mais ou menos, o seguin-

na sua linha

te: -

(referia-se ele, ao que penso, à Umbanda, a Linha Bran-

ca) mas, se eu servir,estou

às suas ordens",

Claro que servia e , assim , respondi-lhe que aceitava

8i

o

oferecimento e, ato continuo, pedi-lhe que " recebesse

o

seu guia". Fê - lo o rapaz e recebeu a "Vovó Rosalina"

~um

maravilhoso espírito de Quimbanda (sou abso-

lutamente sincero ao dizer "maravilhoso ". Era-o mesmo sem favor algum) .

'

"Incorporada" que estava a "Vovó Rosalina"

para

~tender à Dona Therezinha" (e o fez a contento),

duas

ímportantes coisas aconteceram e, delas, jamais me esquecerei. Foram elas, as seguintes:

1) Virando-se para mim, disse-me a "Vovó Rosali.- na", mais ou menos o seguinte: - "Você chegou tarde, meu filho. Esta "muleca" (referia-se à doente) não vai durar muito. O "trabalho" que fizeram para ela foi para matar mesmo e ela vai morrer! É pena! Mas que "Zambi" te pague! Fica sabendo, filho, que você va i querer voltar aqui, no entanto, não conseguirá, por mais que se esforce e queira . (De fato, por duas vezes mais , em outros dias, tentei voltar e, em verdade, nem mesmo aceitei com o caminho por que fora até ali ) ;

2) Enquanto estava "incorporada" a "Vovó Rosali- na", estabeleceu-se entre ela (espírito desencarnado)

e Dona Jovelina (quem me levara até lá e, portanto,

criatura humana como eu, isto é, espírito encarnado)

- uma repentina e violenta discussão ("demanda",

seria o termo próprio) onde, em grande abundância e de ambas as partes, foram proferidos os mais pejorativos apupos, os palavrões do mais baixo calão .

*

*

*

De repente, no transcurso de ta l discussão, Dona Jovelina (que era um ótimo médium de "incorporação " ou, mais precisamente, um "grande burro de Exu") sem mais aquela, "recebeu" um formidável Exu (não lhe per- g untei o nome). "In c or p or a d o " , co m o estava , o r e fe- rido Exu, pegando uma garrafa de litro , vazia, que se e n contra v a so br e a m es í nh a pró xi m a , pa r ti u-a cont ra ela e, a seguir, começou a "mastigar" o vidro como se

82

~ osse, na verdade, um gostoso pedaço de pão com man - teiga. Até aí , tudo bem! No entanto

*

*

*

Tendo acabado sua "sui generis" mastígação, diri- giu-se o Exu, ou melhor, levou o médium, nada mais nada menos do que para a beira da "pirambeira" (enor- me abismo) de que falei no início desta real narrativa. De relance , passou-se, ante meus olhos (direi assim)

o seguinte quadro: o Exu, naturalmente - bem o com-

preendi - iria jogar o "burro", isto é, o "médium" (Do - na Jovelina) pela "pirambeira" abaixo. Muita gente me vira não só acompanhando Dona Jovelina e a sua colega, em princípio, como, mais ainda, entrar na casa dela , lá no alto do morro (entramos, a bem da verdade, só nós dois; o rapaz chegara depois) .

Aparecendo, mais tarde - e isso aconteceria for -

çosamente - o corpo dela, estraçalhado, no fundo do abismo, o mínimo que poderiam dizer ou pensar, sem dúvida alguma, era que eu (que havia acompanhado a moça) naturalmente quisera conquistá-Ia - à força

e, nada conseguindo, a teria lançado lá de

cima, isto é , a teria jogado ao abismo e, logicamente, seria eu preso, julgado, achado culpado, chamado de

"desalmado criminoso", de "conquistador cretino" e ou- tras coisas mais, condenado por isso mesmo e desta forma, a estas horas estaria encerrado numa peniten- ciária, cumprindo pena por um crime que realmente "

não cometera.

mesmo -

*

*

*.

Deus, porém, é Pai. Tenho "Anjo de Guarda", "Guias

e Protetores " e além disso - no máximo que me é pos-

sível - sempre procurei e procuro cumprir com todas

as obrigações que me imponho ou que me são impostas, tanto para com o próprio Deus como, também, para com os meus semelhantes, umbandista sincero que so u

e sempre fui.

8 3

Assim, dirigi-me a o E x u e, co m p al a vr a s ami gas, con t udo enérgicas e opor t unas, diss e -lhe, justamen te,

o que n a quel a hora e e m f a ce d o qu e est ava oco r rendo ,

pensa v a eu, ou seja : O senhor , " s ê o E x u ", está cer t o , pois a moça errou com o s e nhor , no entan t o , se o s e - nho r a j o ga r lá emb a i xo , c o m o e st á qu e r e n d o , o ú ni co culp a do a ser apontado s er ei eu, o s e nhor n ã o acha ? ! Não quero crer que o meu irm ã o ( r ef i ro-me ao Exu ) tenha ou esteja com rai va d e mim e , d e s t a forma , pe ç o que tire o seu " bu r ro" d a í e vá embora. Está certo ? !

Fui atendido, graças a Deus e , l o go após t e r ido ele "ao ló " (ter de s enco r porado) , Dona Jo v elina volt ou ao seu es t ado de c o nsci ê nci a e de imediato d e i-lhe um

copo com água a fim d e qu e e l a lavasse a

ainda esta v am alguns rest o s d o vidro da garrafa. Pouco d e p o is, a próp~ia "Vovó Ros a lina " também f<:i "ao l ó"

e eu nada mais tendo a faz e r no l o cal , d e SCIo morro

e fui para minha resid ê ncia. Este fato, aliás, foi por mim narrado, dias depois , aos médiuns e assistentes do " Caminheiros da Verdad e " , onde era eu doutrinador , ' de segunda a sexta-feira d e cada semana .

b o ca ond e,

*

*

*

Já se passa r am, desde então , cerca de 1 4 (quato: : z e anos) . Não sei se Dona Therezinha desencarnou ou nao. Quero c r er que tal tenha a c o ntec i do , dado o estado v e r - dadei ra mente d e plo ráve l em qu e a encon t r a ra eu . O qu e pos so, porém , a sse g ur a r é qu e , .se n a . ocas i ão em.qu e t al fato aconte c eu, t i ve sse e u podido disp o r d a m in ha que r ido " Falange Xangô " , is t o é , dos médiuns que se m - p re t ra b alharam comigo no " C a minheiros da V e rdade ", Dona There z inha n ã o t er i a sucum b ido ví t im a do tr a - balho d e Magia Neg r a que lhe haviam mandado . T a l

trabalh o

sido be m :feito , no entanto, com a graça de Deus e aju da

de meu s v alorosos gui a s , be m

como a dos guias d os

médiuns que me acompanhavam àquela época, n ã o me ter i a sid o i mp o s síve l de sm a n chá -I a .

diga-se a v e rd a de , er a difícil , for t e e t inh a

84

De qu a lqu er forma, . con tudo , c h a mo agora a ate n-

çã o d os meus irm ão s d e f é para

N ã o "fo i p o r v i ng an ça" q u e, a m a ndo d a " Vo v óR osa lina" ( que el a me dê "m a leme " ) , o Exu tomou c o nta de Dona Jovelina , nela " incorporando " para matá-Ia ? ! . " E s e o E x u tam b ém qu i s e s s e , por v e n t ura , "s e v i nga r" de mim (caso lhe tivesse eu dado motivo , ou não fosse eu amigo dos E x us) , não te r ia ele jogado mesmo a mo ç a no abí s- m o ?!. " E n ã o teri a me a con t ecido , e x atam e nte , o que falei ? !

a seguinte pondera çã o :

*

*

*

E finalmente, meus queridos irmãos, tenho ou não tenho razão, de dizer que "poderemos nos tornar cri- minosos sob a influência dos espíritos mal-intencio- nados?!. '. Chegamos, graça a Deus, ao fim da primeira parte desta modesta obra . Nela , em verdade, escrevemos o que de fato vemos , "de mau ", na Umbanda , isto é , aponta- mos algumas - n ã o todas - as falhas , ou melhor , aqu i - lo a que denominamos de v erdadeiros e perigosos e r ros da querida rel i gi ã o de " Caboclos" e " Pretos-Velhos ", não dela mesma , na realidade , mas da parte de muita gente que a pratica .

Claro é que , com o que aqui escre v emos , muitos n ã o conco r darão , muitos quer e rão contestar, mui t os até se re vo ltar ã o contr a mim. Paci ê ncia!. " " Que ou ç am os que tiver e m ouvid o s

para ouvir!

ver!

Uma coisa , p o r é m , d ev emos a i nda d i zer: tudo o que escre ve mos é verdad e iro e , verd a deiros são, sem exce ç ão , t od os os ca sos que à gui s a de ilu s tração , d es crev e m o s . N ã o o s criamos , po i s que os v ivemos ou presenciamos , na rea li dade. Ao s q u e esti verem d e a c or do con o sco , bem c o mo a os qu e n ão es tiv e r e m - a t o dos sem exc e çã o - o noss o Sar a vá

Que vejam

os que tiverem olhos para

"

A Face boa da Umbanda

(Doutrina e Práticas)

/

1 . 1

Organização de um " ' : 'Centro Espírita de Umba n da"

. Para que, de fato, possamos ter

para isso, organ i -

zar um bom e verdadeiro , ~ " quão honesto, devo dizer

~ "Centro Espírita de UmlJanda,,' , ou "Umbandísta " ,

teremos , antes do mais ; de nós dirigir às autoridades

policiais , sob cuja [urísdí ç ãoesteja o local em que fun-

e í ona r á o mesmo : '

face

do C ó digo Penal Brasileiro, está a Umbanda (e mais ainda a Quimbanda ) " fora da Lei",não , obstante a " li- berdade , religiosa " que , a todos os brasileiros , a todos os que v i vem nesta bendita terra do Brasil , assegura a "Constituição Brasilei r a", ou seja, . a nossa "Carta tvragm i" . ,

'

,

saber de , início que, em

: " . Isto porque , devemos

, D i z o Artigo 284 , do Capítulo III (Dos crimes contra

a Saúde Pública) , Título VIII (Dos crimes contra a in- colum i dade p ú blíca) , Parte Geral , do Código Pen a l - Dec r e t o-Lei . n .? 2848 , de 7 , de dezembro de 1940 (Di á - Of i cial de 21-12-1940- Re t íflca ç ão em 3-1-1941 ) , o se guin t e: ,

"Curand eí r í s mo -

d e ir í smo :

A rt, 28 4 -

. E x e r ce r o cura n-

- , presc r e v e n do , m in i st ran do o u aplicand o , ha- bitualmente, qualquer ' substânci a; us a n do g estos, palavras ou qualquer outr o meio ;

I

II -

89

lU - fazendo d i agnósticos ; Pena - d e t e nção, de s e is mes e s a dois ano s. Parágrafo único - Se o crime é prati c ado m e d ia n- te remuneração, o agente fica também sujeito à multa , de um mil cruzeiros a cinco mil cruzeiros " . Prccur à das, ' portanto, as autoridades policiais , p e- rante às mesmas se solicita a devida "Licença" para es- tabeleeímento e funcionamento. Tal licença - via de regra - é dã : da em caráter precário ; isto é, provisoria- mente. Neste particular, a polícia costuma fornecer for- mulários apropriados. Para obtenção da referida licença, deverão s e r for- necidos à polícia, pelos responsáveis do "Centro Espíri- ta" a ser criado, fotografias no tamanho 3 x 4, de cada um (uma ou duas fotografias), e , além disso, devem esses mesmos responsáveis preencher os formulários a que me refiro linhas atrás e que , como já disse, são fornecidos pela própria POlícia .

Atendída . i a essa primeira e indispensável formali- dade, cogttar-se- á, então, da estruturação, propriamente dita, da entidade . Isto, aliás poderá ser feito ' mesmo antes de ser solicitada , a licença para íunclonamento ' e , se assim , for, ao se solícítar " a permissão que lhe dará vida livre,já exístír á na verdade - o "Centro" e, especial- mente, se já tiver ' sido feito - o registro dos Estatutos no Cartório competente. Para que se tenha um "Centro Espírita " dentro dos. mais sadios princípios, qualquer que seja o ponto de vista, lógico, [ustoe - antes que tudo indispensável é que,

' como seus componentes

dadores e responsáveis, sejam encontradas pessoas que a inteiro contento, se apresentem. Seja quanto à moral , seja quanto à dedicação, seja quanto ao conhecimento, pelo menos práticos, dos "trabalhos", das "m í rongas" , d a Um b a nda en fim. Q u e c onheç a m ela s , por tanto, p e lo menos muito do que deve ser conhecido para tal fina- lidad e. Que saibam - c terreno que vão p i sar.

iniciais, ou seja, como seus ' fú n-

Não bas t a, já o diss e mos, para "abri r um t e rr e i r o" ,

:90

o fato de s e " receb e r (inco r porar) espí r itos". Muito mais, realmente, é neces sá rio ; quiçá indispensáv e l. No entan -

to, se a per fe i ç ão n ã o s e possa obter, ao menos dev e mo s nos a pr o xim a r d e l a o má x imo que seja possív e l.

O certo - é lógico - é que os fundadores de "Cen-

tros de Umbanda" sejam bastante aprofundados no co- nhe c imento - teórico e prático - da nossa querida Umbanda e, além disso, do próprio espiritismo ou, pelo

menos , da fenomen o logia espírita. Isto, porém , não é

o que acontece, in fe lizmente e, assim sendo. "Quem não

tem cão. " caça

com gato "

*

*

*

Encon t rados, mais ou menos nos moldes exigidos,

as pessoas que fundarão e organizarão o "Centro Esp í -

rita", dever-se-á fazer, logo como primeira coisa, "uma reunião" da qual deverá ser feita uma Ata (que será

registrada em livro próprio e que ~on~t~tuirá,no ~uturo,

a maior e melhor prova para o histórico da entidade):

Nessa Ata se relatará os acontecimentos iniciais, ou seja, os primeiros passos Nessa primeira reunião, evidentemente, serao es- colhidos e eleitos - e o serão por aclamação - os pri - meiros dirigentes do novo "Centro". Serão necessários:

um presidente, um secretário, um tesoureiro e um "Ogã de Terreiro" . (Este deverá ser pessoa que, de fato, tenha profundos conhecimentos, especialmente de "pon-

tos" e "ritualismo") .

O presidente poderá ser - deverá ser, digo eu, dada

a sua natureza e responsabilidade -,- o "chefe material"

do " Centro". Ele portanto, também deverá ser profundo no assunto ou, em palavras ' diferentes, deverá ter co-

nhecimentos, firmes e sólidos, não só de Umbanda com o

de Quimbanda e, bem assim , da fenomenalagia espírita .

O "Og ã de Terreiro " , por out r o lado, não poderá ser um

qualquer, isto é , uma pes s oa que , ap e nas, saiba cantar " pon t os ". Deverá te r ele, na verdade, um conh e ciment o profundo , não só do s "p o n t os " como, em especial, d a

9 1

/

sua sign i fica çã o, dos seu s e fe itos, d a sua oportunidad e de serem ou não cantados , dos próprios trabalhos um- bandistas . Deverá ele, em suma, ser de fato um "Og ã de Te rr eiro". A respeito dele, por adequadas e oportunas, p ois que é ele, antes do mais , o "Cambone" (ou Camb o - no), direi as seguintes pala v ras: "O Camb o no nada mai s é que um médium - inconsciente do que é - que mui- tas vezes realiza trabalhos so b a inspira ç ão e in f luência da entidade dirigente do médium. Sobre estes Cambonos pesa também grande parte da respons a bilid a de, p o is, em fista da ausênêcía do consciente do médium, o cére- bro que dirige , que pensa, que realiz a é o d o seu com- plemento , o do seu Cambono. Esta denominação é um a expressão figurada, que está ao alcance de qualquer cérebro. Ele - o Cambo n o - é o elemento que age influenciado, sem saber, na real i zação dos trabalhos, po- dendo-se considerá-Io como médium que atua por ins- piração. Em muitos trabalhos, auxilia . fornecendo ene r - g i a física para manter o méd i um e facilita a realização dos mesmos; é o elemento em que se firma a entidade espiritual para o sucesso da incorporação. Como vemos, cabe também a esta criatura, conduzir-se de forma reta

e salutar, para ser um elemento úti l e aproveítável ; sua

aura deve apresentar-se lim p a, para poder ser propício a os trabalhos" .

*

*

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Na mesma reun i ão - p ara serem opo r tunamente regis t rados em Cartório apropriado - de v em ser ideali- zados os Estatutos. Estes já poderão ter sido feitos an - teriormente e, assim, na r eu n ião inicial , fa r -se-á a lei- tura de l es e se os aprovará, na ínt egra (como e st ive re m) . ou com emendas, com acréscimos , o u decréscimo s de .

artigos, alíneas e até capítulos e t í t u los , tal seja o caso . Se n ã o tiverem sido feitos a ntes, os Estatutos , n a re u-

ni ão inicial de que falo, d e ver-se- á

uma Comissão (pelo me n os d e três pesso as , as q uai s

cons t itui r ou desi g n a r

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poderão at é se r o s p ró prios que s e ja~ , e s c olhi ~os e eleí- tos c o mo prim ei r os dirigentes ) para os c o mpil a r . Se ass i m se fiz e r : s e es tar á, v e rdadeiram e nt e , fu n - dando e o r gani z ando um b o m "Centro Espíri ta d e Um- b a nda " , um a e ntid a de q ue, n o f utur o, pod er á s e r , d e fato, " um impo r t a n te bal uarte para a defe s a" da n ossa , querida Umb a nd a .

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Para melhor orient ação d os irmãos, dare i, a seg uir , uma norma (de minha própria au t oria), par a a co m- pil aç ão d e E s t a tut o s. É ape n a s uma norm a , i sto é um modelo e, assim , servirá t ão - so m e nte como "p on to de partida", como or ie nt a ção , po r tan t o. Ei-la:

"Tenda Umbandis t a d o Caboclo Guaicuru " ape- nas uma denominação que sugiro como exemplo, no e n - tanto , a entidade a ser organizada poderá ter q u a l qu er outra denominação, s e "C e n t ro", "Cabana", "T enda " , etc.). Admitindo-se que seja essa a denominaçã o d a entidade, seu s Es t atutos p oderão ser como segue: '

"TENDA UMBAN D ISTADO C A BOCLOGUA I CURU"

E

ST ATUTO S

C a pít ulo -

I

Da Associ a ção e suas Finalidades

Art . 1. 0 - A Tenda Um b a n dísta do Cabo cl o G uai -

c uru é uma a s so ci aç ão de c a rát e r r e l i g ioso -

Esp i ritualista - cuja p r i m acial f inalidade é a prát i c a d a car i da de , s ob t odo s os a s p e c tos , t e ndo p o r b ase os mar a vilhosos e ns í namentos de N osso Sen hor Jesus C r is -

to e , p o r norma , a doutrina de A ll a n Kardec .

Cris tão

93

Art. 2 . ° - A Tenda Umbandis t a do Cabo cl o Guai- curu será formada de número ilim i tado de associados, de qualquer sexo, de qua l que r cor, de qualquer classe social, de qualquer nacionalidade e de qualquer credo religioso que, no seu conjunto , constituirão a própria Tenda e a manterão.

§ 1.0 - Não serão admitidos , em qualquer tempo, sob a bandeira da "Tenda Umbandista do Caboclo Guai - curu", movimentos, internos ou externos, de caráter po- lítico, de vez que a associação é totalmente apolítica.

§ 2.° - Serão vedados, pois, aos associados, enten- dimentos políticos de qualquer natureza que, sob qual - quer aspecto, venham a at i ngir a "Tenda Umbandista do Caboclo Guaicuru". Art. 3.° - Os dirig e ntes da T e nda Umbandista do Caboclo Gu a icuru serão escolhidos entr e os seus asso- ciados e por eles mesmos eleitos, por votação.

§ único - Os p rim e iros di r igentes serão eleitos por aclamação.

Capí t ulo -

II

D a Di retori a

Art. 4.° - A Tenda Umbandista do Caboclo Guai- curu será dirigida por uma Diretoria composta dos se- guintes membros: . Diretor - Presidente, D i retor-Secretário e Diretor-Te- soureiro.

§ 1.0 - O Diretor-Presidente será o "Diretor Espi- ritual" (chefe material) da "Tenda Umbandista do Ca- boclo Guaicuru".

§ 2. ° - H averá a i nda um Di reto r de Ri tua l ou Li- túrgico (denominado "Ogã de Terreiro") que, embora não pertença à Diretoria, propriamente dita, terá o tí- tulo e as p r errogativ a s de Diretor.

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Art. 5.° - Além da Diretoria, haverá o "Conselho Supremo", o qual será composto da reunião de 90 % (noventa por cento) dos associados quites e a quem caberá a resolução dos problemas mais elevados da "Tenda Umbandlsta do Caboclo Guaicuru" , bem como a dos casos omissos. § . 1.0 - O Conselho Supremo se reunirá duas vezes anualmente, em caráter ordinário, sendo uma em janei- ro de cada ano e a outra em julho, também de cada ano.

§ 2.° - Em suas reuniões ordinárias, o Conselho Sup r emo será sempre presidido por um dos Diretores de que trata o Art . 4 destes Estatutos.

§ 3.° - O Conselho Supremo se reunirá em caráte r ext r aordiná~io , sempr~ que se tornar necessário e por ordem do Dlret?r-Presldente, ou por solicitação de pelo men o s 2 / 3 (dOISter ç os) dos associados quites.

Capítulo -

III

Dos Associados

A r t. 6.° - Serão associados da Tenda Umbandista do Caboclo Guaicuru , todas as pessoas , de ambos os s e xos, de qualquer cor, de qualquer classe social, de q u alquer nacionalidade e de qualquer credo religioso que, mensalmente , contribuam com a quantia de Cr$ (por extenso), dita mensalmente. Art. 7.° - Os associados da Tenda Umbandista do Caboclo Guaicuru, não obstante , pertencerão às seguin- tes espécies:

a) Fundadores

b ) Proprietários

c) Beneméritos

d) R emidos

e) Comuns

Art. 8 .° - Serão Fundadores, os assoc i ados que a s -

95

, sistiram à primeira reun i ão g e r a l da T en da Umbandis -

ta do Caboclo Guaicuru, realizada no

d

ia

de

. ' de 19 , cujas assinaturas seencont r am a p os ta s à A t a d a mesm a sessão , apensada ao Livro de Atas n.? 1 . Art. 9. ° - Serão P r op r ietários - e tão -s o m e n te da Tenda Urnband í sta do Caboclo Guaicu r u, - o s ass o cia - dos que, integral ou parceladam e n te, p a ga r em a taxa,

de propriedade, no valor de Cr$

além da mensalidade prevista pelo Art . 6.° dest es E s - t atutos. Art. 10 - Serão Beneméritos , os as s ocia do s d e q u e t rata o Ar t . 8.° destes Estatutos, e bem as sim, toda s a s pessoas que, mesmo não pertencend o à T e nd a Umba n- dista do Caboclo Guaicuru, à mesma t enh a m fe i to do - n a t ivos ou benefícios de vulto notáv e L

§ único - O título de Benemé r i t o , em qu a l quer dos c asos, será conferido por aprovação do Co n sel ho S upre - mo, em qualquer das reuniões de que tratam os p ará- grafos 1.0 e 2.° do Ar t. 5.° destes Estatutos . Art. 11.° - Serão Remidos os associados que, de uma só vez , pagarem a importância corres p onde nt e a 5 (cinco ) anos, pelo menos, de mensalidades, na b ase em que " in temporis", seja a atual.

§ único - O título de Remido será co n f e rido p o r aprovação do Conselho Supremo, em qual q ue r d as r e u - niões de que tratam os parágrafos 1. 0 e 2.° d o Art . 5.° d estes Esta t utos. Art. 12. ° - Serão Comuns, de um m odo g eral, to- dos os a s sociados da Tenda Umbandis t a do Caboc l o Gu a icuru, sejam ou não médiuns do t errei ro, que paga - re m a mensalidade prevista no Art. 6. ° dest es E s tatutos .

( por extenso ),

Capítu l o -

IV

D as R e u niões do C o ns e lho Supremo

Art. 13 . ° -

Na reun i ão de janei r o de cada ano , de

qu e trata o parágrafo 1. 0 d o Ar t . 5.° de s te s E s t a tuto s , trata r á o Con se l h o Sup r emo:

96 '

a) da leitur a e apr o va ç ão do R e lat ó r io do Direto r -

P resid e n te;

b ) do Bal a n ç o apre se nt a do pelo Diretor-Te s ou r eiro ;

c) da apro v a çã o e diplo m a ç ão d e qu e tr a tam os

Ar t s. 10, ° e 11. ° e se us pa r ágr a fos, dest e s Estatut o s.

Art. 14 . ° -

N a reunião de julho de cad a ano , de

que trata o parágrafo 1.0 do Art.

tr at ará o C onselho Supremo:

5.° destes Estatutos,

a) anualmente , da pr e para ç ão da programação das

F e stas e Festejos da Tenda Umbandista do CabocloGua i - curu, .de modo especial dos relativos à data da sua fun-

da çã o e aos dias consagrados aos Protetores ou Patro-

n os , bem c omo aos Grandes Orixás da Umbanda ;

b) b i enalmente , da elei ç ão de nova Diretoria e , con-

seqü e ntemente, de tudo o que, com isso, tenha ou venha

a ter relação;

c ) da aprovação e diplomação dos associados Bene- mérit o s e Remidos de que tratam os Arts . 10 . ° e 11.° e seus parágrafos, destes Estatutos .

.

A r t . 15 . ° -

Nas reuniões de que tratao parágrafo

3 . ° do Art . 5 . ° destes Estatutos, t r atará o Conselho Su- p r emo, tão-some n te, do assunto ou assuntos para . que ' tenha sido solic i tada a reunião . '

§ único - Em casos especia i s e a pedido da maio - ria absoluta dos associados presentes às r euniões de que tr at a este Art . 1 5. ° , poderão tais reuniões do Conselho Supremo tratar de assuntos outros que não os que lhes serviram de motivo.

Capítulo -

V

Das Obri g ações da Diretoria e de s eus Membr o s

Ar t . 1 6. ° -

S ã o obrigações d a Diretori a d a T e nd a

Umbandista do Caboclo Guaicuru , em seu conjunto,

rig i r a T end a e o rie n tá -I a, d a melhor form a possí v el , a

di-

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fim d e que , em toda a ex t ens ã o , s e jam ate n d id as as f i nal i d a d es qu e a justi f i ca m e de qu e tr a ta o A r t. 1. 0 destes Es t atutos . Art. 17 .° - Dos Direto re s da T e nda Umbandi s t a do Caboclo Guaic ur u, em espec i al, s ão obriga ç ões as seguintes:

a) Do Direto r -P r esiden t e:

1 ) Dirigir a T e nda e represen t á-Ia , in t erna ou ex - ternamente, judi c i a l ou e x tr a judi c ialm e n te;

2) Presidir a s r euniões do Con se lho Supr e mo , de

que t ra ta o p a r á g r afo 2 .° d o Art . 5 .° d es t es Es tat u t o s ;

3 ) Assinar, com o Di r e t or-T eso u reir o ; o s c h e qu e s ou documentos outros , lega i s , qu e repr e s e ntem , de qu a l- qu e r forma, o p a trim ô nio ma t erial da T e nda;

4) Atuar como Diretor Espiritual, em todas as ses -

sões práticas realizadas na Tenda ou designar pes s oa s, capaz e s, para que o façam;

b) Do Diretor-Secretário:

1) Secretariar a ' Ten d a Umband i sta d o Caboclo Guaicuru , seja interna seja e x ternamen t e ;

2) Substituir o Diretor-Presidente em todos os seu s

imped i mentos leg a is ou a pe d ido do mesmo ;

3) Presidir , quando não o fizer o Diretor - Presiden t~,

as reuniões do Conselho Supremo de que trata o p a ra- grafo 2 . ° do Art. 5.° destes Estatutos;

4) . Assínar com o Diretor - Tesoureiro , no ~ impedi-

mentos l e gais do Di r e t or-Pre s ident e, o~ a p e dido d e st e, os cheques ou docum e ntos ou t ros , legais , que r e pres e n- t em , de qu a lquer forma , o pa t rim ô nio m a t e ri al d a Tend a.

c) Do D i reto r -Tesou r ei r o :

1) O r ganizar e dirig i r os serv iços d e Te s ourari a da T e r ida Dm ba nd ísta d o C a b oc l o Gua i c u r u ;

2 ) Guardar e por ele zel a r , todos os . va lores e do-

cumentos q u e, de Um modo geral, cor : stIt u am ou ve- nh a m , a . constttuí r ; o patrimônio m a t er i a l da T e n da;

. ,: '

3 ) A s sina r, n a co n formidade da al í nea 3 , do item

4, d o item b , d e ste mesmo

o s ch e ques e documen to s o ut r os , le ga is ,

que constituam ou venham a constitui r o patrimôn i o mat eria l da Tend a . Art. 18.° - Ao D i retor-P r e s idente, em sua função de Dir et or-Espiritual , de que t r ata o p a r ág rafo 1. 0 do

a , dest e A r t. 17. °, e d a alín ea

A r t. 17. 0, tod o s

Art. 4 d e s t es E s t a tutos , c ab er á a dire çã o d o s trabalhos

es p i r i tua is , sob todos o s aspe ct os , b e m co m o a supe r-

vi sã o ge r al dos m e mb r os i n t e r na ou e xt ern a mente d a