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ISSN nº 2447-4266 Vol. 2, n. 5, Setembro-Deze mbro. 2016 DOI: http: //dx.doi.org/10.20873/uft.2447-4266.2016v2n5p225

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DOI: http: //dx.doi.org/10.20873/uft.2447-4266.2016v2n5p225

LONGOS SILÊNC BREVES RESPOS veículos jornalís frente aos err apontados por públicos no Face

IOS E

TAS:

ticos

os

seus

book

LONG SILENCES A ANSWERS: journali facing the errors po their audiences on

ND BRIEF stic vehicles inted out by Facebook

SILENCIOS LA

RGOS Y S: Vehículos tero de los os por sus cebook

RESPUESTAS CORTA periodísticos delan

errores identificad

lectores en Fa

Rogério Christofoletti 1 Thiago Caminada 2, 3

RESUMO Neste artigo, avaliamo s 60 dias de interação entre públic os e veículos

de erros pelos

leitores. O período de a nálise foi de 1º de outubro a 29 de nove mbro de 2014,

jornalísticos, tomando c omo base o apontamento e detecção

1 Professor e pesquisador do Catarina, é jornalista, mestre três livros e organizador de

científicos, tratando de temát icas como Ética Jornalística, Crítica de Mídia, No vas Tecnologias e

Federal de Santa

em Linguística e doutor em Ciências da Comu nicação. Autor de outros sete, tem dezenas de artigos publicad os em periódicos

Departamento de Jornalismo da Universidade

da UNESCO, UOL, de Santa Catarina

(2002-2004) e coordenou a

Foi ainda membro do Consel ho Científico da SBPJor (2009-2011). Desde 2009 do Observatório da Ética Jor nalística (objETHOS) e editor da revista Estudos

Mídia (UFSC). De 2012 a 201 4, foi coordenador do Programa de Pós-Graduaç ão em Jornalismo

da UFSC. Em 2010, venceu o

consultor ad-hoc de CNPq, C apes e Fapesc. E-mail: rogerio.christofoletti@uol.c om.br.

2 Bacharel em Comunicação

pela Universidade do Vale d o Itajaí. Mestre em Jornalismo pela Universidade

Rede Nacional de Observatórios de Imprensa (R enoi, 2005-2009).

é um dos líderes em Jornalismo e

Educação. Como pesquisado r, já desenvolveu projetos com financiamento CNPq, EBC, ANDI e Fapesc. F oi vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas

Prêmio Luiz Beltrão/Intercom na categoria Lider ança Emergente. É

Social com Habilitação em Jornalismo, Comunic ação e Jornalismo

autor

(por

correio):

Universidade

Federal de Santa (Univali). E-mail:

Federal

de

Catarina,

Florianópolis (SC),

Santa

Catarina. Professor na Pro fessor na Universidade do Vale do Itajaí thiagoleroh@hotmail.com.

3 Endereço de contato do

Departamento de Jornalismo . Caixa Postal 5103, Trindade, CEP: 88040970, Brasil.

Revista Observatório, Palmas, v. 2, n. 5, p. 225 -247, set./dez. 2016

ISSN nº 2447-4266 Vol. 2, n. 5, Setembro-Deze mbro. 2016 DOI: http: //dx.doi.org/10.20873/uft.2447-4266.2016v2n5p225

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nas fanpages dos qua tro maiores jornais catarinenses: A

Notícia, Diário

Catarinense, Notícias d e Dia e Jornal de Santa Catarina. No

período, foram

veiculados 4892 notíci as, das quais se identificou 233 par ticipações nos comentários sobre erro s, com 132 erros diferentes em 116 no tícias. Além da

classificação dos tipos d e interação, a pesquisa ainda entrevistou

ou profissionais respons áveis por redes sociais ou relacionamen to online com

seus públicos. Os resul tados do estudo sinalizam as condiçõ es em que os veículos operam e quais suas respostas ou posturas diante do a pontamento de falhas e deslizes.

cinco editores

PALAVRAS-CHAVE: Err o jornalístico; ética jornalística; jornai s catarinenses; Facebook; comentários.

ABSTRACT In this article, we evaluat ed 60 days interaction between public a nd newspapers, based on the error detec tion by the reader. The review period wa s from October 1 to November 29, 201 4, in Santa Catarina fanpages major ne wspapers: The News, Santa Catarina Dia ry, Day News Journal and Santa Catarina . In the period,

4892 news, which identi fied 233 participations in the comments on errors, with 132 different errors in 11 6 news. In addition to this analysis, we i nterviewed five

editors responsible for

social networks or online relations hip with their

audiences. The results i ndicate the working conditions of veh icles and their

responses or attitudes ag ainst the appointment of failures and m issteps.

KEYWORDS: Journalisti c error; journalistic ethics; Santa Catarin a newspapers; Facebook; Comments.

RESUMEN En este artículo, se ev aluaron 60 días a partir de la interac ción entre los

vehículos públicos y pe riodísticos, sobre la base de la nota y l a detección de

errores por los lectores.

cuatro diarios

El período de examen fue del 1 octub re al 29 de de

noviembre de 2014, e n Santa Catarina fanpages de los

principales: Las Noticias , Diario de Santa Catarina, Día diario d e las noticias y

identificó 233

Santa Catarina. En el pe ríodo, se emitieron noticias de 4892, que

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participaciones en los co mentarios sobre los errores, con 132 err ores diferentes

en 116 noticias. Adem ás de la clasificación de los tipos de

encuesta también entre vistó a cinco editores o los profesionale s responsables de las redes sociales o d e relaciones en línea con sus audiencias. Los resultados del estudio indican las c ondiciones en las que los vehículos oper an y cuáles son sus respuestas o posicio nes antes de la cita de los fallos y errores .

interacción, la

PALABRAS CLAVE: Er ror periodístico; ética periodística; pe riódicos Santa Catarina; Facebook; los c omentarios.

Recebido em: 10.11 .2016. Aceito em: 12.12.2016. Publicado

em: 25.12.2016.

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à margem da

expansão capitalista e d os avanços tecnológicos. Neste sentido, a s organizações jornalísticas e os pro cessos de busca, tratamento, emp acotamento e distribuição de informa ções atenderam às demandas e às ló gicas técnicas. Apesar disso, Orihuela ( 2013) aponta que os meios tradicionai s, inicialmente, sempre tiveram uma po stura passiva e cética diante das inova ções. Foi assim

Singer (2014)

observa que essas últim as práticas foram incorporadas à rotina j ornalística com

mais rapidamente em comparação a ou tras inovações.

de práticas na

rotina produtiva, espec ialmente em relação ao conteúdo pr oduzido pelos públicos. De modo particul ar, profissionais e pesquisadores procur am parâmetros éticos para guiarem edit ores, repórteres e analistas de redes soc iais nos diante dos novos desafios do jo rnalismo impostos pela participação.

ainda buscam

estratégias de posiciona mento na web, este artigo objetiva map ear a postura e as interações dos jornai s catarinenses nos apontamentos de err os encontrados

social, contribuindo para a compreen são das novas

relações entre o jornalis mo e seus públicos. Sendo assim, são es tudadas, como

objeto empírico, as inte rações dos quatro maiores jornais impr essos de Santa Catarina - A Notícia 4 , N otícias do Dia 5 , Diário Catarinense 6 e J ornal de Santa

erro em suas

O jornalismo se

desenvolveu nas sociedades ocidentais

também com a interne t e as mídias sociais, insiste o autor.

menores resistências e

Entretanto, ainda existe m algumas resistências na absorção

Em meio ao co ntexto apresentado, onde os jornais

pelos leitores na rede

Catarina 7 - nos comentá rios relacionados aos apontamentos de

4 Página disponível em: https: //www.facebook.com/anoticia/

Página disponível em: https ://www.facebook.com/NDJoinville/
6

Página disponível em: https ://www.facebook.com/diariocatarinense/
7

5

Página disponível em: https ://www.facebook.com/JornaldeSantaCatarina/

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páginas oficiais no Face book, além das opiniões dos editores o u responsáveis

pelo gerenciamento das páginas desses veículos. Estabelecemos co mo conceito de “erro jornalístico” a defi nição de Vieira (2013), pela atualidade d e levar em consideração o erro no ciberj ornalismo: “De

falsificação ou

imprecisão na publicaçã o de uma notícia, causado por negligênc ia, imprudência ou imperícia” (VIEIRA, 20 13, p. 62).

de maneira sistemática, compreende ndo a relação

estabelecida pelos jorna is com seus leitores nas redes sociais, so b a perspectiva da internet como artefa to cultural e atendendo ao objetivo de sta pesquisa, o

se deu com base em três procedimentos : (a) verificação

da existência de respost as aos apontamentos de erros dos leitor es por parte do

perfil oficial nas página s do Facebook dos quatro jornais; b) quanto à maneira esco lhida pelo veículo para interagir com

entrevistas semiestrutur adas com os editores ou responsáve is pelas redes

e quais são os

critérios de gerenciamen to dos comentários nas redes sociais. A investigação ap resenta resultados parciais da dissertaçã o de Mestrado apresentada no Progra ma de Pós-Graduação em Jornalismo d a Universidade

sociais nos veículos ana lisados para compreender se existem

percurso metodológico

natureza técnica e étic a, o erro jornalístico é a incorreção,

Para estudarmos

categorização os leitores; (c)

Federal de Santa Catarin a (CAMINADA, 2015). O excerto discuti do neste artigo trata da participação d os veículos em virtude dos erros enc ontrados pelos

referentes aos

leitores. O trabalho origi nal apresentou na totalidade os dados e

leitores e aos jornais e studados. Aqui, apresentamos brevem ente os dados

referentes aos aponta mentos de erros, já discutidos em

outro trabalho

(CAMINADA, CHRISTOF OLETTI, 2016), conjuntamente com

as respostas,

coletadas no período de

compreendendo 60 dias de análise.

análise: de 1º de outubro a 29 de nove mbro de 2014,

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A etapa das en trevistas foi realizada com os editor es-chefes e/ou

editoras online de cada

online, foi entrevistada e m 25 de fevereiro de 2015, na redação d e A Notícia. Em

10 de março de 2015,

Notícias do Dia

Joinville, foram entrevist ados o editor-chefe Luiz Fernando Card oso e a editora online Mariana Gonçalv es Pereira, na redação do veículo, em 1 6 de março de

de 2015, foi profundidade redes sociais e avaliação das

posturas adotadas no pe ríodo de análise. Neste estudo, def endemos que o jornalismo precisa esta r aberto para a

e públicos,

estabelecendo uma rela ção ética profissional e valorizando sua f unção singular

na sociedade. Diante da

realidade exposta, observamos veículos e profissionais

comunicação e a in teração entre veículos, profissionais

bordaram as normativas e os parâmetros de gerenciamento de correção, as peculiarida des apresentadas pelos veículos e a

2015. Na redação do entrevistada a editora

redação do Jornal de Sa nta Catarina, em Blumenau. No jornal

o editor-chefe, Evandro de Assis, foi e ntrevistado na

veículo naquele período. Marina de A ndrade, editora

Diário Catarinense, em 18 de março online Gabriela Silva. As entrevistas em

ainda relegando a atenç ão do público como práticas marginais, e squecendo sua responsabilidade de pr estação de contas diante das exigên cias cada vez maiores de interação.

Comentários na interne t e ética jornalística

As páginas dos quantidade de leitores, publicações. Analisando redes sociais como um

uma grande

como também motivam muitos comen tários em suas a situação portuguesa, Ferreira (2012 ) apresenta as

jornais no Facebook não só reúnem

espaço confiável e propício para a p articipação do

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público, além de consta tar que a participação nos comentário s é maior nos perfis dos veículos do qu e em seus próprios sites. Raimondo Anselm ino e Bertone apontam o Facebook com o uma solução

para “suturar, ao menos parcialmen te, o conflito de comentários das notícias entre a l ógica proposta

pelo meio e a(s) lógi ca(s) de participação do público” (20 13, p. 95). A impossibilidade do ano nimato nos perfis diminui ocorrências como fraudes, desinformação e violênc ia. Por meio da sincronização desses da dos, tornam-se visíveis informações pe ssoais e registros de atividades anteri ores de forma

qualidade dos

comentários de notícias

(RAIMONDO ANSELMIN O; BERTONE, 2013).

comentários de notícias enfocam a p articipação dos

como espaço

e, consequentemente, dos debates na s redes sociais

prática e confiável (FER REIRA, 2012), o que tem melhorado a

utilizada pelos jornais evidenciado no espaço

Os estudos sobre

públicos nos próprios s ites dos veículos jornalísticos encarando

em potencial de deba te democrático. Todavia, os resultad os são pouco

positivos. Encontramos

CUNHA, 2013)

através de insultos, desq ualificação, ataques pessoais, falácias e i ronias; além de

uma forte tendência à

estudados em

sua maioria seguirem o tema das notícias (DÍAZ NOCI; et al., 20 10; RUIZ; et al., 2010; STRANDBERG; BE RG, 2013), o que preocupa é a predom inância de um

discurso hegemônico e

NOCI; et al., 2010; RUIZ; et al., 2010). Observando a rea lidade brasileira, Sampaio e Barros (2012 ), também não apresentam resultados a nimadores. Os autores constatam nos c omentários do site da Folha de S. Paul o um forte acirramento com preocupaçã o de excessiva

veículos (DÍAZ

negatividade e pessimismo (DÍAZ NOC I; et al., 2010;

RUIZ; et al., 2010; STRAN DBERG; BERG, 2013). Apesar dos debates

na participação dos leitores uma grande quantidade de

incivilidade e não polid ez (RUIZ; et al., 2010; DA SILVA, 2013;

geralmente alinhado às opiniões dos

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de “vencer” um debate, ao invés de entendimento. Todavia, obs ervam também

“que, apesar de não bu scarem o consenso de opiniões, os part icipantes estão

interessados em discutir

vista” (SAMPAIO; BASTO S, 2012, p. 206). A dinâmica é parecida

Facebook da própria agressiva e desafiadora

em muitos comentários, os interagen tes participam

“atuando como uma esp écie de ombudsman da atividade jornal ística vinculada

à Rede” (TEIXEIRA, 2014, p. 209). O britânico The G uardian analisou 70 milhões de comentá rios escritos no

site do jornal desde 200 6. Os resultados divulgados em abril d e 2016 incluem cerca de 2% do total (1, 4 milhão de comentários) bloqueados p or moderação.

O veículo revelou que

comentários bloqueado s, como discussões sobre o conflito I srael-Palestina,

debates sobre questões

estudo é um empreend imento inédito pela dimensão do corp us analisado e

pela transparência com com seus públicos 8 . Ao observarmos o

feministas e casos de estupro e violê ncia sexual. O

determinados temas parecem atrair ma ior número de

e apresentar suas opiniões, argumento s e pontos de

na página de uma postura

Folha, onde Teixeira (2014) constatou

que o próprio jornal britânico trata sua s relações para

outro lado da publicação de comentári os, destacamos

que profissionais da not ícia estão preocupados em solucionar o s problemas de forma ética e acomoda rem as novas regras de negociação e i nteração (DÍAZ

Analisando de

uma forma geral os estu dos empreendidos, os veículos tomam c omo vantajosa

a abertura para os come ntários dos leitores em seus sites, tanto na perspectiva

jornalística quanto na ec onômica (DÍAZ NOCI; et al., 2010). Essa abertura causa

aumento de acessos e a possibilidad e de conhecer

NOCI; et al., 2010; RUIZ ; et al., 2010; SINGER; ASHMAN, 2009).

lealdade da audiência,

8 Disponível em: <https://ww w.theguardian.com/technology/series/the-web- we-want>

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ISSN nº 2447-4266 Vol. 2, n. 5, Setembro-Deze mbro. 2016 DOI: http: //dx.doi.org/10.20873/uft.2447-4266.2016v2n5p225

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melhor seu público (PAL ÁCIOS, 2012). Entretanto, encaram como

enfrentado em virtude

NOCI; et al., 2010). Ap ontam como uma dificuldade o gerenc iamento desse

conteúdo, pois faltam p rofissionais e a tarefa demanda tempo e de afetar a autoestima e credibilidade profissional (SINGER; ASH

Autores como Si nger (2014) propõem uma ética con versacional, ao

mais, tentando

novas formas de se relac ionar com os públicos. Incorporada pelo s blogueiros, a

ética conversacional i nspira mudanças já na forma de c onstrução do

seriam, como

defendem Friend e Si nger (2007, 153), os mesmos do jor nalismo, como

“acurácia, verificação, in dependência e prestação de contas ao p úblico”. Já para

Silva (2014), a partir do

diversidade e

racionalidade. Entretant o, a transparência é o principal valor e scolhido pelos

blogueiros e que respei ta o princípio jornalístico nas democrac ias de fornecer ao público o máximo d e informação necessário para estarem c onscientes das suas decisões. Atualmen te, nas redações, os blogs são comum ente utilizados

para prestar contas aos

das coberturas

dos blogs seriam: i dentificação, atribuição, qualidade,

estudo da blogosfera portuguesa, os v alores da ética

texto/produto jornalísti co. Os princípios éticos dessa relação

incentivar que os jornali stas saiam da defensiva e se arriscarem

energia, além

um risco a ser abusivos (DÍAZ

de problemas legais com comentários

MAN, 2009).

públicos, dizer o “como” e o “porquê”

jornalísticas, além de abr ir maior espaço para o jornalismo opinat ivo.

Mesmo tendo co nsciência das dificuldades, reiteramos a

valorização de

novas práticas jornalísti cas que priorizem a postura dialogal,

equalizando e

respeitando as vozes d e jornalistas, leitores e veículos. Para

profissionais e

organizações jornalístic as, é uma via de aproximar os públi cos e garantir relevância e audiência; p ara os não-profissionais, é uma forma d e aproximação

qualidade das

dos canais de divulgaç ão e a garantia de fiscalização e de

notícias recebidas. Acre ditamos também que a mesma tecnolog ia responsável

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pelos novos dilemas e d ificuldades pode ajudar a aplacar as tens ões ao eliminar

o conteúdo desnecessá rio. Recentemente, a revista Wired div ulgou sobre a

pesquisa da Google sob re o desenvolvimento de software que pr omete impedir

a publicação de conte údo ofensivo na internet. Após analis ar mais de 17

a ferramenta

milhões de comentário s e 13 mil discussões na Wikipedia,

promete uma eficácia de 92% na identificação de conteúdo inapr opriado 9 .

Relacionamentos dos v eículos catarinenses com seus público s

Esta investigação se ocupou especificamente das resposta s enviadas por

do Dia diante

dos apontamentos de e rros dos seus leitores em suas fanpage s no Facebook.

da investigação 1 apresenta o

No entanto, se faz neces sário contextualizar os dados absolutos

que culminaram no estr ato aqui apresentado 10 . Abaixo, a Tabela

A Notícia, Diário Catarin ense Jornal de Santa Catarina e Notícias

total de notícias coment adas, 4.892, entre 1º de outubro e 29 d e novembro de

2014, sendo registradas

132 erros diferentes em 116 notícias.

233 participações nos comentários so bre erros, com

Tabela 1: Notícias X Notícias com erros X Erros apontados X Apon tamentos

Veículos

Notícias

Notícias com

Erros

Apon tamentos

erros

apontados

TOTAL

4.892

116 (2,37%)

132

233

Fonte: dados da pesquisa sistematizados pelos autores

9 Disponível

powered-war-trolls/

A discussão teórica, emp enho metodológico e discussão dos dados a profundada estão presentes no artigo: CAMIN ADA, T.; CHRISTOFOLETTI, R. O erro anotado : um estudo dos comentários dos leitores no F acebook sobre falhas jornalísticas. Estudos em C omunicação, n. 22, maio, 2016. DOI: 10.20287/ec .n22.a03

10

https://w ww.wired.com/2016/09/inside-googles-internet -justice-league-ai-

em:

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intervenções dos leitores mesclando e nfrentamento e

colaboração faz parte d a dinâmica interativa das redes. Essa p ossibilidade de

sociais. Assim, no Facebook é

correções dos jornais diante do con teúdo exposto

observar as respostas e publicamente.

interação se torna quas e um imperativo aos veículos nas redes observar o fenômeno d os apontamentos de erros jornalísticos

A observação das

Tabela 2: Respostas por veículo

Veículos

Respostas

AN

10

(12,3%)

DC

4 (7,4%)

ND-J

13

(28,2%)

Santa

20

(38,4%)

TOTAL

47

(20,1%)

Fonte : dados da pesquisa sistematizados pelos autore s

Observando de m aneira geral os quatro maiores veículos catarinenses, e

mentos de erro

jornalístico são respondi dos pelos veículos, a média de interaçõe s é satisfatória.

Entretanto, se levarmos

de erros e não

opiniões infundadas, a lém de não serem considerados ou tros tipos de comentários, a média já não parece ser tão alta.

essas interações classificamos as postura s dos veículos,

e discorda do

leitor, que se subdivide m em cinco classificações. As resposta s consideradas como aquelas que conc ordam com o leitor, portanto, aceitam o erro cometido,

primeiramente, em dois grandes grupos: concorda com o leitor

levando em consideraçã o que pouco mais de 1/5 dos aponta

em conta que as interações considera das aqui como

apontamentos de erro j ornalístico são, de fato, apontamentos

Ao observarmos

postura mais utilizada pelos veículos. D essa categoria, correção/atualização, justificativa e agr adecimento. Já

os comentários que dis cordam do leitor, aqueles que não enc ontram ou não

interpretam como erro o

que foi publicado pelos leitores se ram ificam em duas

são esmagadoramente a derivam as posturas de

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categorias: argumentaçã o e questionamento. O que podemos in ferir, com base

nesses números, é que a postura discordante dos jornais está ma is presente em

seu silêncio, na atitude discordantes.

nas respostas

de ignorar os comentários, do que

Ta bela 3: Tipos de respostas dos veículos

 

Conc orda com o leitor

Discorda do leitor

Veículos

Correção/

Ju stificativa

Agradecimento

Questionamento

Argumentação

Atualização

AN

8

1

0

0

1

DC

0

4

0

0

0

ND-J

12

0

0

0

1

Santa

17

0

1

1

1

TOTAL

37

5

1

1

3

TOTAL

 

43

4

Fonte: dados da pesq uisa sistematizados pelos autores

Sobre o pequeno número de respostas discordantes dos i nteragentes, os

editores foram pergunta dos sobre a existência de orientações pa ra não se levar em consideração algu m tipo de comentário. As respost as dos cinco

entrevistados se focaram

mais em conteúdos inapropriados, qu estão que será

aprofundada posterior mente quando tratarmos do geren ciamento dos

comentários. Sobre poss íveis apontamentos de erro incorretos, Notícia, Andrade (2015 ), ponderou priorizar os leitores que

Notícias do Dia, a lógica

explicitada pelos editores é similar, ao dar preferência

a determinados com entários e interagentes: “selecionam os os mais

Se é uma crítica neg ativa, em que a

ampliando essa

contundentes, as maiore s colaborações [

pessoa só quer criticar, e u acho que uma resposta pode acabar

discussão, que é uma po lêmica desnecessária” (PEREIRA; CARDO SO, 2015).

a editora de A têm razão. No

].

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mais presente nas respostas dos v eículos é de

correção/atualização, ca tegoria mais utilizada por três dos

estudados. A categori a abrange tanto correções de erro s, ou simples

quatros jornais

A característica

atualizações de informa ção ao longo das horas, pois há uma

fronteira muito

difícil de ser delimitad a entre uma informação corrigida ou

simplesmente

atualizada por não ter si do acompanhada a rotina dos jornais d urante a coleta.

Uma característica intere ssante nesse tipo de resposta diz respeit o ao conteúdo

da correção: em algun s casos, o veículo responde que a atualizada ou corrigida; em outros, que a correção será feita em

outros, ainda, a notícia e stá em atualização enquanto o apontam ento de erro é respondido. Essa relação entr e atualizar e corrigir ficou muito eviden te na distinção

feita pelos editores dos

entrevistados (ANDRADE , 2015; ASSIS, 2015; CARDOSO; PEREIRA , 2015; e SILVA,

2015) em algum mome nto de suas falas deixavam claras as su as perspectivas sobre a diferença entre estarem errados e a desatualização da i nformação. Em

suas visões, mesmo que a apuração tenha sido superficial e con sultado apenas

sim de uma

informação desatualizad a. A segunda postur a mais encontrada nas respostas dos veí culos diante do erro jornalístico é a justi ficativa, mesmo sendo pouco recorrente . Única postura adotada pelo Diário Ca tarinense, essa resposta assume o err o cometido na notícia, mas justifica a s ua ocorrência explicando suas circunstâ ncias. Por ser o

uma fonte, eles consid eram não se tratar de um erro, mas

quatro jornais investigados nas entrev istas. Todos os

notícia já está seguida; e em

único veículo que apr esentou uma única forma de respost a, Silva (2015)

responde que, além da número de respostas e propicia essa postura.

dificuldade de pessoal que acarreto u no pequeno sem variações, o ambiente colaborati vo da internet Para a editora, a transparência d eve marcar o

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relacionamento através públicos – e mais ainda

ânimos que costumam e star exaltados nos ambientes online

dos sites de redes sociais entre as no jornalismo, além de ser uma forma

marcas e seus de acalmar os

a última categoria considerada como u ma postura de

concordância com os ap ontamentos de erro jornalístico por part e dos públicos.

a interação entre o Santa e o leitor de vido a um erro

correção, ou

justificando o erro, o v eículo edita a publicação e corrige a fa lha gramatical

apontada. Por essa raz ão, a categoria de agradecimento está

concordam com o pos icionamento do leitor. Essa resposta

simplesmente agradece a participação do leitor. Em outros com entários, não é

que o veículo não agrad eça, mas o fato de explicitar a sua correç ão ou justificar

interações dos

veículos agradecem aos públicos (o que corresponde a 85,1%). Em relação às p osturas discordantes, a postura de arg umentação foi

mais utilizada

para se opor aos posi cionamentos dos leitores em apontam entos do erro

entre a posição de justificativa e a de a rgumentação é

que nesta última o veícu lo não vê falha na sua notícia e tenta co nvencer o leitor de que não está errado. Enquanto um tem o objetivo de esclarec er e explicar, o outro deseja dissuadir.

um desvio do

padrão das interações.

A única ocorrência acontece no aponta mento de erro

utilizada apenas uma ve z por AN, Santa e ND. Mesmo assim, é a

o erro são mais destacá veis que o agradecimento. Ao todo, 40

entre as que é a única que

Agradecimento é

Essa categoria considera

gramatical. Mesmo n ão sinalizando explicitamente uma

jornalístico. A diferença

A categoria quest ionamento, assim como agradecendo, é

gramatical, em notícia d o Santa em que o veículo não encontra o erro apontado pela leitora e a question a. No entanto, mesmo sendo marcada, p ara que receba uma notificação do Face book, ela não responde, deixando de evi denciar o erro.

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estudados é a

utilização de uma lingua gem menos formal e mais condizente c om o ambiente

virtual das redes sociais com elementos que descaracterizam a língua utilizada no text o noticioso e adotam um tom mais

Expressões como “valeu o toque/a dica”, “foi mal” e “ops!”, muito recorrentes na linguagem coloquial e n as conversas online são encontradas na s respostas dos veículos. Outros eleme ntos utilizados nas interações dos leit ores aparecem

participações

observadas, constatamo s também a utilização dos sinais gráficos , de emoticons

e texto escrito em caixa

Notícias do Dia J oinville foi o único veículo a apresent ar um modelo padronizado reproduzid o em mais de 80% de suas interações d e resposta aos erros jornalísticos apon tados pelos leitores no Facebook. O m odelo seguido pelo jornal tem dois po ntos-chaves, nem sempre na mesma ord em: a correção e o agradecimento. Com base nas res postas dos editores entrevistados, desve ndamos o fluxo interno das redações so bre a correção dos erros apontados pe los leitores nas redes sociais na interne t e se as redações trabalham para a n ormatização de

igualmente nos comen tários publicados pelos veículos. Nas

forma culta da conversacional.

Uma característic a encontrada nas interações dos jornais

alta.

condutas e respostas do veículo em seus perfis oficiais registrad os nos sites de redes sociais. Em A Notícia, An drade (2015) disse que as pessoas re sponsáveis por identificar os comentári os dos leitores com apontamentos de er ro são as duas

subeditoras de online e

mais ela mesma como editora da área . Caso seja um

erro de ortografia, a ed itora online afirma que a correção é f eita pelas elas

possível. Em outros casos, existe pro cedimento de

mesmas, o mais rápido

checagem que pode se r efetuado pelo repórter ou pelas ed itoras. Após a

Andrade (2015)

correção, são publicadas as respostas aos leitores no Facebook.

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avalia “que nós temos q ue responder o máximo possível para ter essa interação

e mostrar que é muito m ais do que ele [leitor] vê no Facebook”.

Quanto ao conteú do das respostas e normatização da po stura em redes

sociais na internet, o jor nal A Notícia é o veículo melhor estrutu rado. Andrade

(2015) observa que já ex istem determinadas situações em que ex istem modelos

pelas editoras

online que é distribuído via e-mail como indicadores de postur a e não apenas

respostas a serem co piadas, por se tratar de casos esp ecíficos e da

dinamicidade do ambien te interativo dos sites de redes sociais.

Jornal de Santa Catarina, não existe m profissionais

designados especificam ente para o gerenciamento das re des sociais e,

portanto, os repórteres

resposta aos apontamentos dos leitore s, percebemos

por Assis (2015) na entrevista é de na turalidade, isso

ser o que mais

interage nas redes socia is: “A publicação é feita basicamente p or repórteres e

matérias. Nos casos de

que a postura mostrada

aponta para mais uma

e editores são responsáveis por acom panhar as suas

de respostas padronizad as, atualmente compostas e publicadas

Na redação do

possível razão do jornal blumenauense

editores e quando há n ecessidade de uma resposta, que não se ja apenas uma

correção ‘automática’ ]

Entretanto, o edit or-chefe do Santa não acredita que o e stabelecimento

para as respostas nas redes sociais do v eículo possam

com os leitores. Mesmo sendo o ent revistado mais

preocupado com a nece ssidade de interação, ele justificativa qu e o dinamismo

da linguagem nas redes

contribuir na interação

de normas de conduta

[ , aí se envolve o editor.” (ASSIS, 2015).

impede o estabelecimento de regras. E le preocupa-se

que uma cartilha possa

com o público.

engessar a postura dos jornalistas e dific ultar o diálogo

A mesma difere nciação no fluxo de correção é fe ito no Diário

o responsável

Catarinense, mesmo sen do apenas o analista de mídias sociais

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por identificar esses erro s. Nos erros de informação, considerad os pela editora como mais graves, a c onduta é passar o caso para o repó rter ou editor responsável. A editora c omenta que a primeira preocupação é co m a correção e depois se pensa na poss ibilidade de responder ao leitor. Assim c omo A Notícia, Diário Catarinense tam bém trabalha para a formulação de u m manual que norteie as interações. P orém, o jornal joinvilense está mais a diantado neste

com algumas indicações entre as ed itoras a serem

processo, pois já conta compiladas.

Dentre os entrevis tados, os editores do Notícias do Dia Jo inville foram os

que mostraram maior

geralmente, as

Pereira (2015)

preocupação na correção dos err os ao serem

questionados. No jorna l joinvilense, as editoras online são,

jornalistas que identifica m os apontamentos de erros. Cardoso e

destacaram a necessida de de fazer conhecidas a correção e a e rrata em casos de erros de informação. Quando uma matéria tem o erro identif icado pelo site,

publicada no

vai para a rede social também. Difer entemente dos

outros jornais, a correç ão fica sob a responsabilidade exclusi va da editoria digital, o que pode prop orcionar maior agilidade. Enquanto a preo cupação em corrigir é grande, a pr eocupação em

responder e normatizar

essas respostas é muito menor. Car doso e Pereira

a correção é feita no Facebook, essa correção

portal e caso essa notícia tenha sido

(2015) dizem que as ún icas orientações vindas do Grupo RIC n a questão das redes sociais são mais r elativas ao alcance das publicações, co mo a utilização

de tags e o uso de links

O maior destaqu e da postura dos veículos diante dos e rros apontados pelos leitores é a agilida de e preocupação com a veracidade da s informações,

editores e dos

além da necessária e re spectiva correção. Existe por parte dos

repórteres a preocupaç ão em dinamizar o fluxo de verificaçã o para que se

e fotos.

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atenda à velocidade dos meios digitais. Assim como os apontam entos de erros

ao menos na

intencionalidade dos pr ofissionais da redação, é na mesma pro porção. O que ainda carece da mesma atenção é a devolutiva aos leitores que deflagraram as

são ágeis e, às veze s, quase instantâneos, a correção,

quesito, há ainda uma postura positiv a de não haver ou constrangimento do fluxo interativ o do público,

principalmente quando s ão comentários de crítica e escárnio. Os editores tamb ém compreendem a dinamicidade das r edes sociais na

internet e as diversas fo rmas de poder se relacionar com o con teúdo de seus

veículos. Isso contribui

para uma postura aberta à participação , mas serve de

desculpa para a não nor matização de respostas e comportament o nas redes.

falhas dos jornais. Nesse medidas de retenção

Considerações Finais

Mesmo tratando veiculação de sua versão

aqui de jornais que têm como finalida de principal a

impressa, reconhecidos por diversos au tores como os

principais atingidos pel a dinâmica revolucionária da internet,

é importante

destacar que compreen demos que a necessidade dos veículos

e profissionais

ouvirem e interagirem

midiático. Inclusive pa ra veículos genuinamente digitais, p ois a simples

presença nos sites de

participativa e colaborat iva. Por isso, observamos que os veícul os jornalísticos nas redes sociais na inte rnet ainda se preocupam mais em atrair a audiência do que incentivar a particip ação, de modo que essas contribuiçõe s sejam úteis e

interessantes para serem aproveitadas pelos jornalistas.

redes sociais não vaticina a compreen são da lógica

com seus públicos não faz diferenciaç ão de suporte

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As interações ent re veículos, jornalistas e públicos regist radas nos sites

de redes sociais como F acebook possibilitam a visibilidade de

antes muito marcadas

divulgação. São nos com entários onde verdadeiramente tanto os jornais quanto

os jornalistas e seus pú blicos interagem em condições de igual dade. Na caixa de comentários, o espaç o de visibilidade é praticamente o mesm o. Desse modo, no momento de publica r um comentário, ou resposta, veículos e públicos são,

de fato, interagentes e

como opinião, complem ento, resposta, avaliação, ou qualquer ou tra finalidade. Ao analisarmos o s números de A Notícia, Diário Catarin ense Jornal de Santa Catarina e Notíc ias do Dia referentes às respostas e m virtude dos apontamentos de erro e as opiniões dos cinco editores entrevist ados, podemos concluir que as redaç ões estão em um processo de dese nvolvimento e amadurecimento dos pr ocedimentos de interação com os leito res através das redes sociais. Nas f alas dos editores, percebemos qu e, apesar de

necessidade de

atuam lado a lado na publicação de s ua participação

novas relações, e ausência de

por passividade, discrição, controle

compreenderem a impo rtância da participação dos públicos e

interagir, ainda existe re sistência para a implantação dessas prá ticas na rotina dos veículos. Nas opiniões dos editores, podemos perceber consideráv el preocupação

credibilidade e

em corrigir as notícias

qualidade editorial – q ue são caros ao jornalismo. De fato, a creditamos na manutenção desses valo res éticos essenciais, entretanto, compre endemos que a

remodelada pelas possibilidades tecnol ógicas impõem

profissional de

interesse público. Assim , observamos a importância da trans parência e da

processualidade na co nstrução da notícia, especialmente na s correções e

cultura da participação novas condições para a

e sustentar os valores de verdade,

garantia do jornalismo como a prática

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justificativas

jornalísticos, trazida pela ética conv ersacional dos

blogueiros para novas fo rmas de manutenção da credibilidade. Propomos o esta belecimento de políticas de interação , não como a imposição de respostas- padrão, de acordo com a tendência de “marketização” do conteúdo jornalístico . Pelo contrário, sugerimos o estabeleci mento de uma política de comportame nto que equalize as respostas nos canai s institucionais

dos veículos entre o dis curso institucional, a dinâmica interativa das redes e as

diferenças entre os pú blicos. É preciso buscar mais do que resposta, como o obser vado em Notícias do Dia, mas buscar comportamento. Um pa drão de comportamento que preveja

mas a postura do veículo diante de toda s as interações tornando a participação do jornal m ais justa. Isso

possibilitaria que as in terações enviadas aos jornais recebes sem o mesmo

tratamento e, dessa f orma, respondessem a mais pessoas condizente com a polít ica de interação proposta, facilitando profissionais. Em virtude dos va lores jornalísticos aqui apresentados, do

levantamento

de pesquisas anteriores

algumas contribuições p ara o estabelecimento de uma política d e interação nos veículos noticiosos. Especialmente no s casos de apontamentos de erro jornalí stico, os jornais não devem ter medo de assumi-los e tornar públicas as suas dev idas correções. Utilizar de forma inteli gente, consciente e, às vezes, irreveren te os recursos

e da análise do objeto empírico, pod emos elucidar

e de forma o trabalho dos

resposta a ser redigida, que lhe são enviadas,

um padrão de um padrão de não somente a

de

erros

disponibilizados pelas fe rramentas tecnológicas e a linguagem d isseminada nas redes para se aproxima r dos leitores. Compreender que já exi ste uma lógica

interativa nas redes soc iais na internet e respeitá-la. Mesmo

discordante do

apontamento ou opiniã o do leitor, se manifestar de forma a

esclarecer sua

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do jornalismo,

tornar a cobertura ho nesta e aberta. Agradecer as contri buições e, se

necessário, desculpar-se

cidadania e convivência social nas redes.

Por fim, queremo s destacar que, assim como Karam (1997 ) apresentou a

necessidade de uma ét ica específica para o jornalismo, as in terações entre

veículos e profissionais

da profissão. A cada apontamento de e rro jornalístico

consciência das

responsabilidades do jo rnalismo como instrumento de constr ução social da

pelos valores específicos

pelas falhas cometidas. Enfim, respeita r as regras da

posição, conscientizar o s leitores sobre suas rotinas e aspectos

com seus públicos nas redes sociais dev em ser guiadas

detectado, os profission ais que gerenciam as redes devem ter a

a necessidade

de sobrevivência finance ira ou de reposicionamento no mercad o, a interação é

um caminho de sobrevi vência moral do jornalismo como media dor do espaço

responsabilidade e ciente das consequ ências de seus

público, detentor dessa

erros.

realidade e como forma de conhecimento. Por isso, mais do que

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