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UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ MEDICINA VETERINÁRIA

STACY ROESNER

LÚPUS ERITEMATOSO DISCOIDE EM CÃO: RELATO DE CASO

CURITIBA

2016

STACY ROESNER

LÚPUS ERITEMATOSO DISCOIDE EM CÃO: RELATO DE CASO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Medicina Veterinária da Universidade Tuiuti do Paraná, como requisito parcial para obtenção do grau de Médico Veterinário.

Orientadora: Professora MSc. Fabiana dos Santos Monti.

CURITIBA

2016

UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ

REITOR Sr. Luiz Guilherme Rangel dos Santos

PRÓ-REITOR ADMINISTRATIVO Sr. Carlos Eduardo Rangel Santos

PRÓ-REITORIA ACADÊMICA Profª. Carmen Luiza da Silva

PRÓ-REITOR DE PLANEJAMENTO Sr. Afonso Celso Rangel dos Santos

PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO, PESQUISA E EXTENSÃO Profª. Carmen Luiza da Silva

SECRETÁRIO GERAL Sr. Bruno Carneiro da Cunha Diniz

DIRETOR DA FACULDADE DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE Prof. João Henrique Faryniuk

COORDENADOR DO CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA Prof. Welington Hartmann

TERMO DE APROVAÇÃO

STACY ROESNER

LÚPUS ERITEMATOSO DISCOIDE EM CÃO: RELATO DE CASO

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado e aprovado para a obtenção do título de Médico (a) Veterinário (a) pela Comissão Examinadora do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Tuiuti do Paraná.

.

Curitiba, 15 de junho de 2016

COMISSÃO EXAMINADORA:

Orientadora Profª. Fabiana dos Santos Monti

Universidade Tuiuti do Paraná

Prof. Jesséa de Fátima França

Universidade Tuiuti do Paraná

MSc. Suzana Evelyn Bahr Solomon

Doutoranda na Pontifícia Universidade Católica do Paraná

Dedico este trabalho de conclusão de curso aos meus pais, que sempre estiveram ao meu lado, me apoiando, e fazendo o possível e o impossível para que esse sonho se tornasse realidade, sem eles eu não seria o que sou hoje. Aos meus irmãos e ao meu namorado.

"Ama-se mais o que se conquista com esforço" (Benjamin Disraeli)

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente à Deus, por me permitir estar aqui, guiar e proteger meus passos a todo momento, sem Ele, nada seria possível.

Agradeço aos meus pais, João e Madelon, que sempre me apoiaram e estiveram ao meu lado em todos os momentos, sempre me certificando que tudo daria certo. Graças a eles esse sonho pôde se tornar realidade.

os

momentos junto à mim, me apoiando e torcendo pela minha vitória.

Ao meu namorado, Henrique, que em todos os momentos esteve ao meu lado, sorrindo pelos momentos bons e suportando os ruins junto à mim, me apoiando e também me certificando de que no final tudo daria certo.

À toda minha família, por sempre se fazer tão presente em todos os

momentos.

As minhas amigas, Izabela, Pamela, Ananda e Luana, que estiveram ao meu lado quando necessitei, compartilhando os momentos de alegria e tristeza.

À minha professora orientadora Fabiana dos Santos Monti, pela sua total

dedicação à mim e ao meu trabalho, pela sua calma, compreensão e amizade,

fazendo com que esse trabalho fosse finalizado.

À todos os professores da Faculdade Evangélica do Paraná e Universidade Tuiuti do Paraná, os quais passaram seus conhecimentos com muita alegria e amor, nos fazendo ter certeza de que estamos no lugar certo.

seus

conhecimentos, com muita calma e alegria e por estarem sempre dispostos a ajudar.

À todos os animais, que são o grande propósito de todo o esforço e

dedicação, mas principalmente às minhas companheiras fiéis, Raicca e Belinha, que

são a minha inspiração diária.

Agradeço

aos

meus

irmãos,

Francyne

e

João,

por

viverem

todos

Aos

residentes

do

HV

-

UFPR

e

CEMV

-

UTP,

por

dividirem

RESUMO

O lúpus eritematoso discoide é uma dermatopatia autoimune que acomete cães, gatos e humanos. É relatada em cães entre oito meses e 14 anos de idade, sem predisposição de gênero sexual e com maior incidência nas raças Pastor Alemão, Husky Siberiano, Pointers Alemães e Brittany Spaniels. É caracterizada por lesões em junção dermoepidermal da ponte e plano nasal, nos quais são evidenciados despigmentação, descamação, eritema, ausência de prurido e, por vezes, erosões e úlceras. A etiologia indica fatores genéticos, hormonais e ambientais como possíveis causas. O diagnóstico é realizado por meio do histórico, sinais clínicos e exame histopatológico, o qual demonstra dermatite hidrópica, queratinócitos apoptóticos e incontinência pigmentar. O tratamento é baseado em fármacos imunossupressores e imunomoduladores tópicos e/ou sistêmicos. É uma doença com um prognóstico bom, se tratada corretamente. Este trabalho tem como objetivo relatar um caso clínico de lúpus eritematoso discoide em cão.

Palavras chave: dermatopatia, autoimune, imunossupressor, imunomodulador.

ABSTRACT

The discoid lupus erythematosus is an autoimmune skin disease that affects dogs, cats and humans. Is reported in dogs between eight months and fourteen years age, without gender sexual predisposition and with higher incidence in German Shepherd, Siberian Husky, German Pointers and Brittany Spaniels. It is characterized by lesions in the dermoepidermal junction of the bridge and nasal plane, which are evidenced depigmentation, flaking, redness, absence of itching and sometimes, erosions and ulcers. The etiology indicates genetic factors, hormonal, and environmental as possible causes. The diagnosis is done through the history, clinical signs and histopathological examination, which demonstrates hydropic dermatitis, apoptotic keratinocytes and pigmentary incontinence. The treatment is based on immunosuppressive drugs and immunomodulators topical and/or systemics. It a good prognosis disease if treated properly. This work aims to report a clinical case of discoid lupus erythematosus in dog.

Key words: skin disease, autoimmune, immunosuppressant, immunomodulator.

LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1 - Ambulatórios HV-UFPR.

FIGURA 2 - Centro cirúrgico HV - UFPR.

FIGURA 3 - Internamento geral para cães HV - UFPR.

FIGURA 4 - Internamento para felinos HV - UFPR.

FIGURA 5 - Unidade de Terapia Intensiva HV - UFPR.

FIGURA 6 - Diagnóstico por imagem HV - UFPR.

FIGURA 7 - Laboratório de Análises Clínicas HV - UFPR.

FIGURA 8 - Laboratório de Patologia Clínica HV - UFPR.

FIGURA 9 - Sala de emergência CEMV - UTP.

FIGURA 10 - Ambulatórios da CEMV - UTP.

FIGURA 11 - Sala de radiologia da CEMV - UTP.

FIGURA 12 - Sala da ultrassonografia da CEMV - UTP.

FIGURA 13 - Laboratório de patologia clinica da CEMV - UTP.

FIGURA 14 - Centro cirúrgico da CEMV - UTP.

FIGURA 15 - Internamento de cães da CEMV - UTP.

FIGURA 16 - Internamento e ambulatório para felinos da CEMV - UTP.

FIGURA 17 - Anatomia microscópica da pele.

FIGURA 18 - Camadas celulares da epiderme.

FIGURA 19 - Lesão em plano nasal de cão com LED, caracterizada por perda da textura "calçamento de pedra", despigmentação, eritema e crostas.

FIGURA 20 - Cão com LED, apresentando lesão em plano nasal e narinas, caracterizada por perda do aspecto "calçamento de pedra", eritema e crostas.

FIGURA 21 - Despigmentação, eritema, descamação, perda do aspecto rugoso e crostas em ponte e plano nasal de cão, fêmea, SRD, seis anos, com suspeita de LED.

FIGURA 22 - Despigmentação e eritema em narinas de cão, fêmea, SRD, seis anos, com suspeita de LED, após a biópsia.

FIGURA 23 - Cão, SRD, fêmea, seis anos, com diagnóstico de LED, apresentando lesão em ponte nasal menos descamativa, após 20 dias de tratamento.

FIGURA 24 - Cão, SRD, fêmea, seis anos, com diagnóstico de LED, apresentando narinas com lesão em resolução, menos eritematosa e descamativa. Após 20 dias de tratamento.

FIGURA 25 - Cão, SRD, fêmea, seis anos, com diagnóstico de LED, 40 dias após o início da terapia, apresentando lesões menos descamativas, eritematosas e crostosas.

FIGURA 26 - Cão, SRD, fêmea, seis anos, com diagnóstico de LED, 55 dias após o início da terapia, apresentando despigmentação, perda do aspecto rugoso e crostas em plano e ponte nasal.

LISTA DE GRÁFICOS

GRÁFICO 1 - Relação de machos e fêmeas atendidos no HV - UFPR.

GRÁFICO 2 - Afecções dermatológicas acompanhadas nos atendimentos do HV - UFPR.

GRÁFICO 3 - Relação de machos e fêmeas atendidos na CEMV - UTP.

GRÁFICO 4 - Afecções dermatológicas acompanhadas durante o período de estágio na CEMV - UTP.

LISTA DE TABELAS

TABELA 1 - Número de pacientes atendidos por espécie no HV - UFPR.

TABELA 2 - Atendimentos separados por especialidades e sistemas acometidos, no HV - UFPR.

TABELA 3 - Números de pacientes atendidos por espécie na CEMV - UTP.

TABELA 4 - Atendimentos separados por especialidades e sistemas acometidos, na CEMV - UTP.

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

LED: Lúpus eritematoso discoide

MSc: Mestre

UFPR: Universidade Federal do Paraná

UTP: Universidade Tuiuti do Paraná

HV - UFPR: Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná

TUI: Trato Urinário Inferior

DASP: Dermatite Alérgica a Saliva da Pulga

CEMV - UTP: Clínica escola de medicina veterinária da Universidade Tuiuti do Paraná

M.V.: Médico veterinário

UVA: Ultravioleta A

UVB: Ultravioleta B

LES: Lúpus eritematoso sistêmico

mg: miligramas

Kg: quilogramas

SRD: Sem raça definida

SID: A cada 24 horas

BID: A cada 12 horas

g: gramas

ALT: Alanina aminotransferase

FA: Fosfatase alcalina

UI: Unidade Internacional

et al: e colaboradores

%: Porcentagem

PR: Paraná

Prof: Professor

Profª: Professora

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

15

2 RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR

16

2.1

DESCRIÇÃO DA PRIMEIRA UNIDADE CONCEDENTE DE ESTÁGIO

16

2.1.1

CASUÍSTICA

21

2.2

DESCRIÇÃO DA SEGUNDA UNIDADE CONCEDENTE DE ESTÁGIO

23

2.2.1

CASUÍSTICA

28

3 REVISÃO DE LITERATURA

31

3.1 A PELE

31

3.2 O SISTEMA IMUNE

33

3.3 LÚPUS ERITEMATOSO DISCOIDE

34

3.3.1 INTRODUÇÃO

34

3.3.2 ETIOPATOGENIA

34

3.3.3 EPIDEMIOLOGIA

36

3.3.4 SINAIS CLÍNICOS E DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS

36

3.3.5 DIAGNÓSTICO

38

3.3.6 TRATAMENTO E PROGNÓSTICO

39

4 RELATO DE CASO

42

5 DISCUSSÃO

48

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

50

REFERÊNCIAS

51

15

1 INTRODUÇÃO As dermatopatias são responsáveis por grandes percentuais de atendimentos em locais de serviços veterinários, assim como ilustra a casuística do relatório de estágio do presente trabalho.

O lúpus eritematoso discoide é uma dermatite autoimune, limitada ao sistema

cutâneo, que possui um percentual de incidência de 0,3% entre todas as dermatopatias, sendo ainda mais raro em gatos, segundo Miller, Griffin e Campbell (2013). No entanto, a doença pode estar subestimada por diagnósticos errôneos. Dentre as dermatites autoimunes, o LED é a segunda dermatopatia mais comum, segundo Palumbo et al. (2010) e Miller, Griffin e Campbell (2013).

É uma doença desencadeada pela disfunção do sistema imunológico, que

acomete face, especialmente, o plano nasal e é manifestada por despigmentação, eritema, erosão e úlcera. Para confirmar o diagnóstico é necessário realizar o exame histopatológico, o qual demonstrará dermatite hidrópica, queratinócitos apoptóticos e incontinência pigmentar. O tratamento é a base de glicocorticoides,

imunomoduladores, vitamina E e redução da exposição solar (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013).

Mesmo com um percentual de ocorrência baixo, é uma das principais dermatites autoimunes, a qual merece conhecimento e discussão a respeito de sua etiologia, patogenia, sinais clínicos e tratamento, para que pacientes acometidos sejam tratados de maneira correta. Segundo Scott e Miller Jr (2008) as lesões crônicas de LED podem levar a um quadro de carcinoma espinocelular, ressaltando a importância de diagnosticar e tratar essa patologia.

Este trabalho é constituído por uma revisão de literatura e relato de caso sobre o lúpus eritematoso discoide, além do relatório de estágio curricular.

16

2 RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR Este relatório tem por objetivo descrever as atividades desenvolvidas durante

o estágio curricular supervisionado, o qual foi realizado em dois locais. O primeiro foi

o Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná, no período de 1 a 29 de fevereiro de 2016, sendo supervisionado pelos médicos veterinários residentes de Clínica Médica, sob orientação do professor Doutor Marlos Gonçalves Sousa, totalizando 144 horas. O segundo local foi na Clínica Escola de Medicina Veterinária da Universidade Tuiuti do Paraná, no período de 7 de março a 29 de abril de 2016, sendo supervisionado pelos médicos veterinários residentes de Clínica Médica, sob orientação da professora MsC. Fabiana dos Santos Monti, totalizando 292 horas. Com um total de 436 horas de atividade.

Realizar o estágio curricular no Hospital Veterinário da UFPR e na Clínica Escola de Medicina Veterinária da UTP foi muito esclarecedor no sentido profissional e pessoal. Por serem universidades, a educação está sempre conciliada com a pesquisa e ciência.

O estágio curricular tem como objetivo inserir o acadêmico na rotina veterinária, realizando anamnese, exame físico geral do paciente, coletas de materiais para exames, entre outras funções importantes, sob supervisão de professores e residentes, que ali estão para ensinar e auxiliar da melhor maneira possível. Realizar o estágio em mais de um local mostrou que existem condutas terapêuticas diferentes, e que devemos levar em consideração o paciente de forma individual para que possamos ajudá-lo.

2.1 DESCRIÇÃO DA PRIMEIRA UNIDADE CONCEDENTE DE ESTÁGIO

O Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná é localizado em

Curitiba, no estado do Paraná, na Rua dos Funcionários, número 1540, bairro

Cabral, Campus Setor Agrárias.

O HV - UFPR oferece atendimento ao público, realizado por professores e

médicos veterinários residentes, para cães, gatos, equinos, ovinos, caprinos, suínos, bovinos e animais selvagens. O atendimento ocorre de segunda à sexta-feira das 7 horas e 30 minutos às 12 horas e das 14 horas às 19 horas e 30 minutos. Para a área de cães e gatos, o hospital presta serviços de clínica médica, clínica cirúrgica, contando com especialidades como odontologia, oftalmologia, oncologia,

17

anestesiologia e diagnóstico por imagem, auxiliados pela ultrassonografia e radiologia. Presta serviços também de laboratório de análises clínicas e laboratório de patologia clínica. É realizado atendimento por hora marcada e atendimento por ordem de chegada. Inicialmente é realizada uma triagem e, em caso de emergência,

o paciente recebe pronto atendimento veterinário.

O hospital veterinário da Universidade Federal do Paraná, na área de pequenos animais, conta com uma recepção; quatro ambulatórios para atendimento

clínico geral (Figura 1); dois centros cirúrgicos (Figura 2); uma sala de pré- operatório; um internamento geral para cães (Figura 3); um internamento para o pós- operatório; um internamento para gatos (Figura 4); um isolamento, que é reservado para animais com doenças infectocontagiosas; unidade de terapia intensiva (Figura 5); área de diagnóstico por imagem (Figura 6), que contém uma sala para radiologia

e uma sala para ultrassonografia; sala de oftalmologia; sala de odontologia; sala de

oncologia; laboratório de análises clínicas (Figura 7); laboratório de patologia clínica (Figura 8); sala de coletas de materiais e farmácia.

Figura 1 - Ambulatórios HV - UFPR.

de patologia clínica (Figura 8); sala de coletas de materiais e farmácia. Figura 1 - Ambulatórios

18

Figura 1 - Centro cirúrgico HV - UFPR.

18 Figura 1 - Centro cirúrgico HV - UFPR. Figura 3 - Internamento geral para cães

Figura 3 - Internamento geral para cães HV - UFPR.

cirúrgico HV - UFPR. Figura 3 - Internamento geral para cães HV - UFPR. Figura 4
cirúrgico HV - UFPR. Figura 3 - Internamento geral para cães HV - UFPR. Figura 4

Figura 4 - Internamento para felinos HV - UFPR.

cirúrgico HV - UFPR. Figura 3 - Internamento geral para cães HV - UFPR. Figura 4
cirúrgico HV - UFPR. Figura 3 - Internamento geral para cães HV - UFPR. Figura 4

19

Figura 5 - Unidade de Terapia Intensiva HV - UFPR.

19 Figura 5 - Unidade de Terapia Intensiva HV - UFPR. Figura 6 - Diagnóstico por

Figura 6 - Diagnóstico por imagem HV - UFPR.

de Terapia Intensiva HV - UFPR. Figura 6 - Diagnóstico por imagem HV - UFPR. Sala
de Terapia Intensiva HV - UFPR. Figura 6 - Diagnóstico por imagem HV - UFPR. Sala

Sala de radiologia

Sala de ultrassonografia

20

Figura 7 - Laboratório de Análises Clínicas HV - UFPR.

20 Figura 7 - Laboratório de Análises Clínicas HV - UFPR. Figura 8 - Laboratório de

Figura 8 - Laboratório de Patologia Clínica HV - UFPR.

Figura 8 - Laboratório de Patologia Clínica HV - UFPR. Durante o período de estágio, foi

Durante o período de estágio, foi possível desenvolver atividades relacionadas à clínica médica de pequenos animais e internamento dos pacientes. Nas consultas e retornos os estagiários auxiliavam na contenção dos animais, pesagem, anamnese e exame físico. Foi possível acompanhar exames cardiológicos e auxiliar em atendimentos emergenciais. Outras atividades desenvolvidas foram auxiliar na coleta de materiais para exames, como sangue, citopatologias e raspado cutâneo; procedimentos como limpeza de feridas; proceder o acesso venoso;

21

administrar medicamentos; trocar curativos; auxiliar na sondagem uretral, enema, abdominocentese, toracocentese, entre outros.

2.1.1 CASUÍSTICA

Durante o período de estágio no HV - UFPR, foi possível acompanhar 80 novos atendimentos. Os gráficos e tabelas a seguir os expõem, divididos em espécie, gênero sexual e especialidades atendidas. A dermatologia foi a especialidade que prevaleceu, de acordo com a causa primária da enfermidade apresentada.

Tabela 1 - Número de pacientes atendidos por espécie no HV - UFPR.

ESPÉCIE

QUANTIDADE

Cão

72

Gato

8

Total

80

A Tabela 1 apresenta o número total de atendimentos divididos por espécie.

Gráfico 1 - Relação de machos e fêmeas atendidos no HV - UFPR.

50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Cães Gatos
50
45
40
35
30
25
20
15
10
5
0
Cães
Gatos

Machos50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Cães Gatos Fêmeas

Fêmeas50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Cães Gatos Machos

No Gráfico 1 é demonstrado os 80 atendimentos, divididos por espécie e gênero sexual. Foram atendidos 6 gatos machos e 2 fêmeas, e 28 cães machos e 44 fêmeas.

22

Tabela 2 - Atendimentos separados por especialidades e sistemas acometidos, no HV - UFPR.

*Cada animal pode apresentar mais de uma enfermidade.

ESPECIALIDADES E SISTEMAS

CASOS

Dermatologia

26

Oncologia

10

Imunização

9

Cardiologia

8

Doenças Respiratórias

7

Ortopedia

6

DTUI

6

Endocrinologia

5

Neurologia

5

Gastrenterologia

4

Doenças do Aparelho Reprodutor

3

Doenças Infecciosas

3

Outros

11

DTUI: Doenças do Trato Urinário Inferior

A dermatologia foi a especialidade mais procurada dentro do HV - UFPR, seguida da oncologia, conforme demonstrado na Tabela 2.

Gráfico 2 - Afecções dermatológicas acompanhadas nos atendimentos do HV - UFPR.

*Cada animal pode apresentar mais de uma afecção dermatológica.

8 7 6 5 4 3 2 1 0
8
7
6
5
4
3
2
1
0

23

Foi possível observar que, dentre os casos atendidos de dermatologia, a doença mais prevalente foi a dermatite atópica com 7 casos, seguido pelos 6 casos de miíase, 4 casos de otite e 3 casos inconclusivos. Os casos inconclusivos referem- se aos pacientes que apresentavam sinais clínicos dermatológicos, mas não foi possível obter um diagnóstico preciso. Ainda foram vistos 2 casos de piodermite, 2 casos de dermatite alérgica a saliva da pulga (DASP), um caso de dermatite actínica, 1 caso de sarna otodécica e 1 caso de doença autoimune, no caso, o lúpus eritematoso discoide.

2.2 DESCRIÇÃO DA SEGUNDA UNIDADE CONCEDENTE DE ESTÁGIO

O segundo local do estágio foi realizado na CEMV-UTP, localizada em Curitiba-PR, Rua Sidney Antonio Rangel Santos, 238, bairro Santo Inácio, Campus Prof. Sydnei Lima Santos.

A Clínica Escola de Medicina Veterinária da UTP oferece atendimento para a comunidade, prestado por professores e residentes, para cães e gatos. O atendimento ocorre de segunda à sexta feira das 8 horas às 12 horas e das 14 horas às 18 horas. Conta com serviços de clínica médica, clínica cirúrgica, anestesiologia, diagnóstico por imagem (radiologia e ultrassonografia) e laboratório de análises clínicas. Realiza os atendimentos por hora marcada e também atendimentos emergenciais.

Conta com uma recepção, farmácia, sala de emergência (Figura 9), três ambulatórios (Figura 10), sala de radiologia (Figura 11), sala da ultrassonografia (Figura 12), laboratório de patologia clínica (Figura 13), sala de pré-operatório, centro cirúrgico (Figura 14), sala de pós-operatório, sala para demais procedimentos, internamento para cães (Figura 15), internamento e ambulatório para atendimento de felinos (Figura 16), internamento para animais portadores de doenças infectocontagiosas e ambulatório de imunização.

24

Figura 9 - Sala de emergência CEMV - UTP.

24 Figura 9 - Sala de emergência CEMV - UTP. Figura 10 - Ambulatórios da CEMV

Figura 10 - Ambulatórios da CEMV - UTP.

24 Figura 9 - Sala de emergência CEMV - UTP. Figura 10 - Ambulatórios da CEMV

25

Figura 11 - Sala de radiologia da CEMV - UTP.

25 Figura 11 - Sala de radiologia da CEMV - UTP. Figura 12 - Sala da

Figura 12 - Sala da ultrassonografia da CEMV - UTP.

25 Figura 11 - Sala de radiologia da CEMV - UTP. Figura 12 - Sala da

26

Figura 13 - Laboratório de patologia clínica da CEMV - UTP.

26 Figura 13 - Laboratório de patologia clínica da CEMV - UTP. Figura 14 - Centro

Figura 14 - Centro cirúrgico da CEMV - UTP.

26 Figura 13 - Laboratório de patologia clínica da CEMV - UTP. Figura 14 - Centro

27

Figura 15 - Internamento de cães da CEMV - UTP.

27 Figura 15 - Internamento de cães da CEMV - UTP. Figura 16 - Internamento e

Figura 16 - Internamento e ambulatório para felinos da CEMV - UTP.

16 - Internamento e ambulatório para felinos da CEMV - UTP. As atividades desenvolvidas durante o

As atividades desenvolvidas durante o estágio curricular, foram relacionadas à clínica médica de pequenos animais e internamento geral de todos os pacientes, semelhantes àquelas realizadas no estágio no HV - UFPR. Após a realização de cada procedimento ou consulta, ocorriam discussões sobre os casos clínicos com a

28

professora MSc. Fabiana dos Santos Monti e as residentes M.V. Nicole Quevedo Cardoso e M.V. Jessica Portella.

2.2.1 CASUÍSTICA

No período de estágio curricular realizado na CEMV - UTP foi possível acompanhar 166 novos atendimentos. Os gráficos e tabelas a seguir os expõem

divididos em espécie, gênero sexual e especialidades atendidas. A dermatologia foi

a especialidade que prevaleceu, de acordo com a causa primária da enfermidade apresentada.

Tabela 3 - Números de pacientes atendidos por espécie na CEMV - UTP.

ESPÉCIE

QUANTIDADE

Cães

146

Gatos

20

Total

166

A Tabela 3 apresenta o número total de atendimentos, divididos por espécie, onde

146 foram cães e 20 foram gatos, totalizando 166 pacientes.

Gráfico 3 - Relação de machos e fêmeas atendidos na CEMV - UTP.

90 80 70 60 50 Machos 40 Fêmeas 30 20 10 0 Cães Gatos
90
80
70
60
50
Machos
40
Fêmeas
30
20
10
0
Cães
Gatos

No Gráfico 3 é demonstrado os 166 atendimentos divididos por espécie e gênero sexual. Foram atendidos 12 gatos machos e 8 fêmeas, e 63 cães machos e 83 fêmeas.

29

Tabela 4 - Atendimentos separados por especialidades e sistemas acometidos, na CEMV - UTP.

*Cada animal pode apresentar mais de um sistema acometido.

ESPECIALIDADES

CASOS

Dermatologia

81

Oncologia

29

Gastrenterologia

19

Doenças do Aparelho Reprodutor

14

Nefrologia

12

Oftalmologia

11

Cardiologia

10

DTUI

7

Ortopedia

6

Nutrição

6

Doenças Infecciosas

5

Outros

18

DTUI: Doença do Trato Urinário Inferior

A dermatologia foi a especialidade mais procurada durante o período de estágio, seguida da oncologia, conforme a Tabela 4.

Gráfico 4 - Afecções dermatológicas acompanhadas durante o período de estágio na CEMV - UTP.

*Cada animal pode apresentar mais de uma afecção dermatológica.

40 35 30 25 20 15 10 5 0
40
35
30
25
20
15
10
5
0
40 35 30 25 20 15 10 5 0
40 35 30 25 20 15 10 5 0

30

No gráfico 4 foi possível observar que dentre os casos de dermatologia, as otites prevaleceram com 34 casos, seguidas pelos 21 casos de dermatite atópica, 17 casos de DASP e 9 casos inconclusivos. Nos casos inconclusivos encaixam-se os pacientes que apresentavam sinais dermatológicos, mas não foi possível obter um diagnóstico definitivo. Ainda foi possível acompanhar 6 casos de traumas (mordeduras), 5 casos de piodermite, 4 casos de miíase, 3 casos de seborréia primária, 2 casos de dermatite actínica, 2 casos de demodiciose, 2 casos de sarna otodécica, 1 caso de escabiose e 1 caso de doença autoimune, no caso, a arterite proliferativa do filtro nasal.

31

3 REVISÃO DE LITERATURA

3.1 A PELE

A pele é o órgão mais extenso do organismo, e tem a função de barreira

mecânica e fisiológica entre o organismo e o meio externo. Além disso, promove forma e movimento; é responsável pela termorregulação, armazenamento, imunorregulação, pigmentação, percepção sensorial, entre outras funções (LUCAS,

2004).

A pele é dividida em epiderme, sendo sua camada mais externa, derme e

hipoderme (Figura 17) (LUCAS, 2004).

A epiderme é constituída por um epitélio estratificado, pavimentoso e queratinizado; sua renovação é contínua, e não possui vascularização sanguínea e linfática própria; é nutrida através da vascularização da derme. (PINHO, MONZÓN, SIMÕES, 2013)

A epiderme é subdividida em estrato basal, espinhoso, granuloso e córneo

(Figura 18). O estrato basal é considerado o ponto de separação da derme e epiderme, portanto é a camada mais interna da epiderme. É composto por apenas uma fileira de células, caracterizadas por intensa proliferação celular, sendo comum encontrar mitose e apoptose celular. O estrato espinhoso se encontra logo em seguida do estrato basal e possui um número variado de camadas celulares. É nesse estrato que encontramos as células de Langerhans, que funcionam como apresentadoras de antígenos do tecido cutâneo, em conjunto com os linfócitos T epidermotrópicos (SOUZA et al., 2009).

O estrato granuloso é formado por uma ou várias camadas celulares, que

permitem a agregação de queratina. É fino ou ausente nas regiões mandibular e temporal, dorso da cabeça, orelha externa e plano nasal. E, por fim, o estrato córneo é a parte mais externa da epiderme, formada por várias camadas de células

queratinizadas e anucleadas, que são responsáveis pela resistência da epiderme e barreira protetora (SOUZA et al., 2009).

A derme é a camada intermediária (Figura 17), que é rica em mucopolissacarídeos, fibras colágenas e elásticas, além de diferentes tipos celulares (LUCAS, 2004). É subdividida em superficial e profunda. A derme superficial sustenta a porção superior do folículo piloso e glândulas sebáceas que são

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responsáveis pela manutenção, lubrificação e termorregulação. A derme profunda tem como objetivo sustentar a porção inferior do folículo e as glândulas apócrinas, e é nessa porção que encontramos os vasos sanguíneos e linfáticos, nervos e o músculo liso. Através da vascularização sanguínea chegam até a derme células como mastócitos, linfócitos, plasmócitos e macrófagos (HARGIS; GINN, 2013).

Hipoderme é a camada mais interna da pele (Figura 17), também denominada tecido subcutâneo. É composta principalmente por tecido adiposo que atua como um importante isolante térmico corporal e reservatório energético (HARGIS; GINN,

2013).

Figura 17 - Anatomia microscópica da pele.

GINN, 2013). Figura 17 - Anatomia microscópica da pele. Fonte: MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013 A Figura

Fonte: MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013

A Figura 18 demonstra os estratos da epiderme, onde o estrato córneo é identificado pelas letras "sc", o estrato granuloso pelas letras "sg", em seguida o estrato espinhoso "ss" e por fim o estrato basal "sb" (HARGIS; GINN, 2013).

33

Figura 18 - Camadas celulares da epiderme.

33 Figura 18 - Camadas celulares da epiderme. Fonte: HARGIS; GINN, 2013 3.2 O SISTEMA IMUNE

Fonte: HARGIS; GINN, 2013

3.2 O SISTEMA IMUNE

O sistema imune confere ao organismo suporte para enfrentar invasores exógenos como, por exemplo, agentes infecciosos e algumas vezes, estruturas ou células próprias do organismo. Existem dois tipos de imunidade, a inata e a adquirida. A imunidade inata entra em ação no momento em que a primeira barreira física, a pele, falha por algum motivo. No momento em que o organismo detecta a invasão de algum agente estranho, as células fagocíticas como neutrófilos, monócitos e macrófagos teciduais, são ativados, resultando em um foco inflamatório. Outro mecanismo de defesa é a imunidade adquirida, que consiste no reconhecimento de antígenos e na produção de anticorpos específicos. Nesta resposta, quando o animal entra em contato novamente com o antígeno, o sistema imune é capaz de reagir de forma rápida e eficiente, em razão da memória imunológica (TIZARD, 2009).

O sistema imune adquirido pode ter uma resposta humoral e celular. Na resposta imune humoral, os linfócitos B produzem anticorpos, que serão

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responsáveis pela eliminação de microrganismos extracelulares ou exógenos. A resposta imune celular é direcionada contra invasores intracelulares ou endógenos, que causam anormalidades celulares, contra as quais os linfócitos T reagem (TIZARD, 2009).

3.3 LUPUS ERITEMATOSO DISCOIDE

3.3.1 INTRODUÇÃO

O lúpus eritematoso discoide é uma doença autoimune, limitada ao sistema

cutâneo, que acomete cães, gatos e humanos (SILVA, 2009). Nas doenças autoimunes o organismo não consegue tolerar a si mesmo, promovendo uma resposta imunológica contra alguma célula, ou estrutura do próprio corpo, induzindo lesões (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013). O termo "discoide" provém da característica das lesões cutâneas apresentadas pelos seres humanos diagnosticados com LED, as quais são planas e com formato de disco, que não se assemelham às lesões manifestadas pelos animais (Mc DONALD, 2010).

Existem quatro apresentações do lúpus eritematoso (LE): o lúpus eritematoso sistêmico (LES), o lúpus eritematoso discoide (LED), o lúpus eritematoso cutâneo vesicular (LECV) e o lúpus eritematoso cutâneo esfoliativo (LECE) (MILLER et al.,

2013).

O lúpus eritematoso discoide é considerado uma variação benigna do lúpus

eritematoso sistêmico, e geralmente envolve o plano nasal, face, orelhas e mucosas. Raramente acomete outras áreas, e os sinais sistêmicos são ausentes (MONDEGO,

2007; FERREIRA et al., 2015).

3.3.2 ETIOPATOGENIA

As dermatites autoimunes são bem reconhecidas, mas raras em cães e gatos. Sua etiologia compreende a genética, fatores hormonais, ambientais e, mesmo que não possua uma etiologia bem elucidada, existem estudos que mostram evidências para essas possíveis causas (ODAGUIRI, 2013).

O fator genético é evidente nos humanos. Em cães, o mesmo parece ser

verdadeiro, uma vez que existam raças predispostas, como o Pastor Alemão, mais

susceptível à doença (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013).

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A influência hormonal foi colocada em discussão como uma etiologia para o

LED, pois nos humanos existe uma maior prevalência de casos entre as mulheres. Um estudo em cães demonstrou que a aplicação dos hormônios estrógeno e andrógeno, simultaneamente, resultou no início ou na progressão da doença. Da mesma forma, com a aplicação de antiestrógeno, a doença retardou. Em outro estudo, de 30 animais com LED não castrados, 23 eram fêmeas. Apesar destas evidências, a influência hormonal não é considerada importante no LED (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013).

O fator ambiental é evidente também por estudos na espécie humana, onde

os raios ultravioletas iniciam ou avançam o LED (FERREIRA et al, 2015). Os indivíduos susceptíveis a doença, são expostos aos raios UVA e UVB (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013), os quais causam danos à membrana celular das camadas basal e espinhosa. Com a integridade da membrana comprometida, as organelas intra celulares são expostas e reconhecidas pelo organismo como antígenos (TIZARD, 2009).

Independentemente do fator desencadeante, autoantígenos são induzidos a se expressar na superfície dos queratinócitos, ativando as células T, células B e plasmócitos, promovendo a produção de autoanticorpos, os quais se ligam nos autoantígenos, originando imunocomplexos. Em seguida, recrutando os linfócitos T citotóxicos e mediadores inflamatórios, os quais se infiltram entre a derme e epiderme, liberando citocinas, e provocando a destruição celular e apoptose (FERREIRA FILHO et al., 2014; TIZARD, 2009).

Segundo Ferreira Filho et al. (2014), no LED há alteração da regulação imunológica mediada pelas células T, hiperresponsividade de linfócitos B e inibição da atividade de linfócitos T supressores.

Os linfócitos T citotóxicos, que incitam a citotoxicidade através de suas toxinas, envolvem a reação de hipersensibilidade do tipo II na etiologia do LED, a qual é considerada uma reação citolítica, já que resulta em destruição celular. Além da reação de hipersensibilidade do tipo II, o LED também envolve a reação de hipersensibilidade do tipo III, segundo Ferreira Filho et al. (2014), a qual é mediada pelo grande volume de imunocomplexos depositados no tecido, levando ao ataque imunológico (PASCOAL, 2010). A formação de imunocomplexos no tecido cutâneo é o fator responsável pelos sinais clínicos, segundo Ferreira Filho et al. (2014).

36

3.3.3 EPIDEMIOLOGIA

As dermatites autoimunes são raras em cães. Representam 1,4% das dermatopatias nesta espécie. E dentro das dermatopatias autoimunes, o LED é a segunda doença mais frequente em cães nos Estados Unidos da América, sendo superado apenas pelo pênfigo foliáceo, segundo Miller, Griffin e Campbell (2013). Já Ferreira Filho et al. (2014) descrevem que LED é a doença dermatológica autoimune mais diagnosticada em cães.

Não se observa predisposição em relação à faixa etária para essa doença, podendo ocorrer em cães a partir dos oito meses de vida até 14 anos de idade. Quanto ao gênero sexual, não parece haver predileção, mas fêmeas não castradas das raças Collie e Shetland Sheepdog demonstraram alta incidência (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013).

Segundo Odaguiri (2013), as raças mais afetadas são os Pastores Alemães, Husky Siberiano, Pointers Alemães e Brittany Spaniels. Já para Goo et al. (2008), o LED tem predisposição genética pelas raças Collie e Shetland Sheepdog.

3.3.4 SINAIS CLÍNICOS E DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS

Os sinais clínicos iniciais são aparentes no plano nasal e manifestam-se como despigmentação, perda do aspecto áspero (ou de "calçamento de pedra"), para uma textura lisa, de cor azulada ou cinza; eritema e descamação (Figura 19 e 20). Geralmente, os sinais demoram para avançar desse estágio, mas em casos crônicos, essas lesões podem resultar em úlceras, erosões e crostas. Dor e prurido são variáveis. As lesões se localizam inicialmente na junção do plano nasal e da pele, podendo avançar para a ponte nasal e, raramente, envolvem a região periocular, pavilhões auriculares, porções distais dos membros e genitália (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013).

As lesões nasais são manifestadas em 90% dos casos; já nas regiões perioculares, pinas, membros e genitálias, somente em 10 a 25% dos casos clínicos (THOMPSON, 1998).

As lesões de LED costumam ser características, mas, segundo Goo et al. (2008), em um cão da raça Spitz Alemão, fêmea, de três anos de idade, as mesmas apresentaram-se eritematosas, não pruriginosas e em região torácica dorsal. O animal não possuía histórico de lesões em face.

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Otites também podem ser manifestações clínicas do LED. Em todos os casos de otite, o clínico deve buscar a causa primária da afecção, para o sucesso no tratamento. Como exemplos de causas primárias encontram-se parasitas, dermatite atópica e, menos comumente, as doenças autoimunes como o LED (FERREIRA FILHO et al., 2014).

síndrome

uveodermatológica, despigmentação nasal fisiológica, dermatite actínica, pênfigo

foliáceo, dermatomiosite, dermatite de contato e trauma (GROSS et al., 2009).

Como

diagnósticos

diferenciais

é

possível

citar

a

Figura 19 - Lesão em plano nasal de cão com LED, caracterizada por perda da textura "calçamento de pedra", despigmentação, eritema e crostas.

por perda da textura "calçamento de pedra", despigmentação, eritema e crostas. Fonte: (ODAGUIRI, 2013)

Fonte: (ODAGUIRI, 2013)

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Figura 20 - Cão com LED, apresentando lesão em plano nasal e narinas, caracterizada por perda do aspecto "calçamento de pedra", eritema e crostas.

aspecto "calçamento de pedra", eritema e crostas. Fonte: (ODAGUIRI, 2013) 3.3.5 DIAGNÓSTICO O diagnóstico do

Fonte: (ODAGUIRI, 2013)

3.3.5 DIAGNÓSTICO

O diagnóstico do lúpus eritematoso discoide é realizado por meio do exame histopatológico, achados clínicos e histórico do paciente (SILVA, 2009; FERREIRA et al., 2015). Normalmente, o exame histopatológico é conclusivo. Quando não, é possível realizar a imunofluorescência direta ou a imunohistoquímica. O teste do anticorpo antinuclear, é realizado para a confirmação do LES, não é utilizado para o diagnóstico de LED, pois neste último resultará negativo, igualmente ao teste de autoanticorpos circulantes, pois nessa doença não há envolvimento sistêmico (TIZARD, 2009; MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013).

Para o exame histopatológico é necessário colher material por meio da biópsia. O animal deve ser anestesiado ou sedado para o procedimento. A escolha do fragmento cutâneo a ser coletado deve seguir algumas diretrizes, segundo Miller, Griffin e Campbell (2013). É recomendado que a amostra seja selecionada de regiões onde não hajam lesões secundárias, mas sim de lesões iniciais da doença. O fragmento de biópsia deve ser manuseado com delicadeza, para não comprometer o tecido. O paciente não deve estar sob uso de glicocorticoides ou terapia imunossupressora (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013).

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Os achados histopatológicos revelam depósitos de imunoglobulinas na membrana basal, dermatite hidrópica/liquenoide focal de células epidérmicas basais, espessamento focal da membrana basal, incontinência pigmentar, queratinócitos apoptóticos, acúmulo de células mononucleares e plasmócitos ao redor dos vasos, mucinose dérmica e inflamação na junção dermoepidermal, a qual consiste em linfócitos e macrófagos (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013; BUBNIAK, 2009; PALUMBO et al., 2010; FERREIRA FILHO et al., 2014; MEDLEAU e HNILICA,

2003).

A imunofluorescência ou imunohistoquímica podem ser úteis, porém, os resultados devem ser analisados juntamente com o histórico do animal e achados clínicos, pois é alta a ocorrência de falso positivo e falso negativo. Nestes exames é encontrado deposição de imunoglobulinas na membrana basal (BUBNIAK, 2009; MEDLEAU e HNILICA, 2003).

3.3.6 TRATAMENTO E PROGNÓSTICO

O tratamento do LED é constituído por fármacos imunossupressores, os quais

deprimem o sistema imunológico, inibindo sua ação exacerbada. Também é possível o uso de imunomoduladores, que possuem mecanismo de ação muitas vezes, desconhecido, mas com efeito benéfico na modulação das doenças cutâneas com envolvimento imunológico. Para o tratamento do LED, são descritas várias opções de tratamentos, tópicos e/ou sistêmicos, a escolha do médico veterinário será de acordo com a gravidade do caso (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013; TIZARD,

2009).

O tratamento é composto por quatro fases: a fase de indução, fase de transição, fase de manutenção e a fase de determinação da cura (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013).

A fase de indução, tem o objetivo de remissão dos sinais clínicos com altas

doses de fármacos imunossupressores. Se a terapia para a indução não demonstrar melhora, o tratamento deve ser alterado (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013).

Na fase de transição deve ocorrer a diminuição gradual da dose do fármaco, para minimizar os efeitos colaterais (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013).

A fase de manutenção é estabelecida a partir do reconhecimento da mínima

dose necessária para evitar a recorrência dos sinais clínicos. Normalmente, os cães

40

que se encontram em terapia de manutenção, em um período de tempo de oito a 12 meses, devem ter o tratamento interrompido para julgamento, onde a não recorrência dos sinais clínicos pode ocorrer (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013).

A cura pode ser alcançada no final da fase de transição ou após a fase de

manutenção (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013).

A terapia imunossupressora baseia-se no uso da prednisona ou prednisolona,

na dose de 2,2 mg/Kg, por via oral, SID, por 30 dias (MEDLEAU e HNILICA, 2003;

MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013).

Tetraciclina, em conjunto ou separadamente da niacinamida, possui resultados benéficos no tratamento. Os dois fármacos não possuem um mecanismo de ação definido para a doença. A tetraciclina faz parte de um grupo de antibióticos, mas também possui atividade anti-inflamatória e imunomoduladora. Niacinamida é um aminoácido que possui propriedade para bloquear a indução de antígenos. A melhora clínica com esta associação inicia-se após dois meses do início, e em 25 a 65% dos casos, há bons resultados apenas com esse tratamento. Essa terapia tem sido utilizada para várias doenças com etiologia desconhecida, que possuem envolvimento imunológico. A dosagem inicial para o tratamento dos cães é de 500 mg de tetraciclina e 500 mg de niacinamida, para cada 10 kg de peso, a cada oito horas, por um período variado, que depende da análise individual de cada caso. Se a resposta for favorável, é possível diminuir a frequência para cada 12 horas, e após, a cada 24 horas (ROSSI et al., 2015).

Estudos mostram que a terapia, associada com vitamina E, na dosagem de 400 a 800 UI, SID, por via oral (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013), e ácidos graxos essenciais, possui uma melhor resposta (ROSSI et al., 2015). Isso se deve a sua ação imunomoduladora e antioxidante, auxiliando na regulação do sistema imune (ZAINE et al., 2014).

Os efeitos colaterais da terapia sistêmica são raros, mas há relatos de vômitos, diarreia, anorexia e letargia (ROSSI et al., 2015).

Uma opção de tratamento em longo prazo para controlar as lesões, em casos brandos, é aplicar o glicocorticoide tópico e evitar exposição a luz solar. É recomendado o uso de glicocorticoides tópicos potentes no início, para promover a regressão da lesão, como betametasona e fluocinolona em DMSO, a cada 12 horas. Após alcançar a regressão das lesões, pode ser realizado o ajuste de frequência do

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glicocorticoide tópico, podendo também ser substituído por outro que possua menor potência, como a hidrocortisona de 1 a 2%. É indicado também associar a terapia tópica à sistêmica com prednisona, SID, via oral, na dose de 2,2 mg/kg, até que os sinais clínicos cessem e, então, espaçar a medicação oral para a cada 48 horas, por um mês. A terapia tópica é mantida exclusivamente a partir de então (RHODES,

2003).

Tacrolimus tópico a 0,1% é um imunomodulador que possui efeitos benéficos no tratamento do lúpus eritematoso discoide. Foi relatado remissão dos sinais clínicos após dez dias do seu uso, associado à tetraciclina e niacinamida, e ausência de exposição solar. Pode ser utilizado para terapia de manutenção, após a remissão dos sinais clínicos (LEHNER; LINEK, 2013).

Além das medicações, um fator de extrema importância é que o paciente acometido evite a radiação solar. Em alguns casos, apenas com a privação da luz solar a doença já é controlada. Os protetores solares promovem benefício, se utilizados corretamente, porém, o plano nasal torna inviável a permanência do produto sem interferência do animal (RHODES, 2003; MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013).

Em casos onde a lesão está avançada e crônica, demonstrando que a recuperação pode ser muito prolongada, é indicado o enxerto cutâneo, segundo Miller, Griffin e Campbell (2013).

O prognóstico do LED é bom. Na maioria dos casos é possível controlar a doença sem a utilização de imunossupressores potentes e em altas doses (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013).

Cicatriz ou leucoderma são possíveis sequelas do quadro (MEDLEAU e HNILICA, 2003). Também é descrito que as lesões podem tornar-se carcinoma espinocelular, decorrente da inflamação crônica (SCOTT; MILLER JR; 2008).

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4 RELATO DE CASO

O caso relatado neste trabalho se trata de um cão, fêmea, sem raça definida, seis anos, não castrada, pesando 14 kg e 150 g, com escore corporal 3/5, atendida no Hospital Veterinário da Universidade Federal do Paraná (HV-UFPR). O animal apresentava despigmentação, perda do aspecto rugoso, eritema, descamação e crostas em plano nasal, ponte nasal e narinas, com evolução de dois anos. A paciente não apresentava prurido e a responsável relatou que o mesmo permanecia em local com incidência solar. Havia um contactante assintomático.

Previamente, o tutor havia procurado outro serviço veterinário, no qual foi realizado exame citopatológico, que revelou reação inflamatória neutrofílica. Na ocasião foi prescrito pomada tópica com propriedades antibióticas, porém sem resultado efetivo.

Ao exame físico, a temperatura corporal apresentava-se dentro dos padrões de normalidade, assim como a frequência respiratória, frequência cardíaca, ritmo e cinética do pulso, linfonodos, hidratação, coloração das mucosas e tempo de preenchimento capilar. O plano e ponte nasal e narinas apresentavam eritema, descamação, crostas, despigmentação e perda do aspecto rugoso (Figura 21 e 22).

Figura 21 - Despigmentação, eritema, descamação, perda do aspecto rugoso e crostas em ponte e plano nasal de cão, fêmea, SRD, seis anos, com suspeita de LED.

perda do aspecto rugoso e crostas em ponte e plano nasal de cão, fêmea, SRD, seis

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Figura 22 - Despigmentação e eritema em narinas de cão, fêmea, SRD, seis anos, com suspeita de LED, após a biópsia.

SRD, seis anos, com suspeita de LED, após a biópsia. Foram realizados hemograma e exames bioquímicos

Foram realizados hemograma e exames bioquímicos para pesquisa de creatinina, ureia, albumina e alanina aminotransferase (ALT) séricas, que apresentaram-se dentro dos padrões esperados. Já a fosfatase alcalina (FA) e as proteínas totais, se mostraram discretamente aumentadas. A cultura fúngica e bacteriana, com antibiograma, a partir de um swab nasal, resultaram negativas para qualquer crescimento de microrganismos.

Optou-se pela realização do exame histopatológico, que sugeriu o diagnóstico de lúpus eritematoso discoide. Na avaliação microscópica observou-se acantose difusa, discreta a moderada da epiderme; hiperqueratose paraqueratótica; espongiose moderada a acentuada, em estrato basal ao granulomatoso; infiltrado linfoplasmático moderado em derme superficial, estendendo-se à região perifolicular, perianexal e com orientação perivascular; exocitose neutrofílica e linfocitária multifocal; necrose discreta de queratinócitos. Havia também incontinência pigmentar multifocal na derme e crostas focais na superfície epidérmica.

Diante do diagnóstico de LED, foi recomendado evitar a exposição solar entre 10 horas e 17 horas, todos os dias. A prescrição baseou-se em vitamina E 20 UI/Kg,

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BID até novas recomendações e prednisona, na dose de 2 mg/kg, BID durante 20 dias.

Após os 20 dias de tratamento, houve retorno do paciente. A responsável estava seguindo todas as orientações corretamente. Como as lesões se encontravam menos eritematosas e crostosas (Figura 23 e 24), a dose da prednisona foi reduzida para 1,5 mg/kg, BID, até novas recomendações. A vitamina E foi mantida na mesma posologia.

Figura 23 - Cão, SRD, fêmea, seis anos, com diagnóstico de LED, apresentando lesão em ponte nasal menos descamativa, após 20 dias de tratamento.

seis anos, com diagnóstico de LED, apresentando lesão em ponte nasal menos descamativa, após 20 dias

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Figura 24 - Cão, SRD, fêmea, seis anos, com diagnóstico de LED, apresentando narinas com lesão em resolução, menos eritematosa e descamativa. Após 20 dias de tratamento.

eritematosa e descamativa. Após 20 dias de tratamento. Após 20 dias do último retorno e 40

Após 20 dias do último retorno e 40 dias do início da terapia, a paciente apresentava lesões ainda menos eritematosas e crostosas (Figura 25). Sendo assim, a vitamina E foi mantida, assim como a indicação de evitar a exposição solar, mas a prednisona teve sua dose diminuída para 1mg/kg, BID, até novas recomendações.

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Figura 25 - Cão, SRD, fêmea, seis anos, com diagnóstico de LED, 40 dias após o início da terapia, apresentando lesões menos descamativas, eritematosas e crostosas.

lesões menos descamativas, eritematosas e crostosas. A responsável retornou com o animal 55 dias após o

A responsável retornou com o animal 55 dias após o início da terapia, relatando piora das lesões, pois a paciente havia ficado exposta ao sol durante cinco dias (Figura 26). Por esse fato, todos os medicamentos se mantiveram na mesma dose e frequência, do último retorno realizado.

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Figura 26 - Cão, SRD, fêmea, seis anos, com diagnóstico de LED, 55 dias após o início da terapia, apresentando despigmentação, perda do aspecto rugoso e crostas em ponte e plano nasal.

perda do aspecto rugoso e crostas em ponte e plano nasal. Não foi possível acompanhar outro

Não foi possível acompanhar outro retorno do paciente. Até a presente data, o animal vem demonstrando resposta positiva ao tratamento.

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5 DISCUSSÃO

O LED é uma dermatite autoimune incomum, que acomete cães de 8 meses a 14 anos (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013), como foi visto no relato. Em nenhuma literatura foi descrito o LED em cães sem raça definida, como predispostos.

Sua etiologia é incerta, mas a literatura relata que existem três fatores plausíveis para que a doença ocorra, como a genética do animal, fator hormonal e ambiental (MILLER; GRIFFIN; CAMPBELL, 2013). No relato de caso apresentado não é possível discernir sobre a predisposição familiar do paciente, pois esta não era conhecida. A paciente não era castrada, fato relevante para o estudo descrito por Miller, Griffin e Campbell (2013) que demonstrou valores altos de incidência da doença para pacientes que sofriam exposição aos hormônios femininos. A paciente sofria exposição solar diariamente, o que é um fator descrito na literatura como possível hipótese de sua etiologia, uma vez que a radiação solar lesa as células da epiderme, provocando ataque imunológico exacerbado que levam as lesões dermatológicas.

O quadro clínico iniciou com despigmentação, explicada pela lesão aos

melanócitos, já que estão localizados na membrana basal da epiderme, camada celular acometida no LED. Descamação e perda da arquitetura rugosa do plano nasal, também foram observados, e são explicados pela atrofia cutânea que se segue à lesão na membrana basal, a qual origina as demais camadas da epiderme. E por fim, o eritema decorrente do processo inflamatório que ocorre no local. Os sinais clínicos apresentados são compatíveis com LED, como descrito por Miller,

Griffin e Campbell (2013).

O discreto aumento do perfil bioquímico da fosfatase alcalina e proteínas

totais séricas, não possuem correlação com o quadro de LED, segundo Gorman (1997). E, neste caso, foi inespecífico, não sendo possível correlacioná-las com qualquer outra alteração sistêmica.

O exame histopatológico sugeriu LED a partir de achados microscópicos

como depósitos de imunoglobulinas na membrana basal, dermatite hidrópica/ liquenoide focal de células epidérmicas basais, incontinência pigmentar, queratinócitos apoptóticos e inflamação na junção dermoepidermal, os quais são compatíveis com LED, segundo Bubniak (2009).

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O tratamento instituído a esse paciente foi um glicocorticoide, em dose imunossupressora, com o objetivo de inibir a resposta exacerbada do sistema imunológico, e assim, os sinais clínicos. A vitamina E, também prescrita, é benéfica em doenças com envolvimento imunológico, por sua ação imunomoduladora e antioxidante, segundo Zaine et al. (2014). Evitar a radiação solar e a incidência dos raios UVA e UVB, é fundamental no tratamento, pois os mesmos danificam as células basais, desencadeando ou colaborando para a progressão da doença. O cão relatado demonstrou resultado positivo com a adoção deste protocolo terapêutico.

Miller, Griffin e Campbell (2013) indicaram o tratamento citado acima, e enfatizaram o resultado positivo, a longo prazo, da associação de tetraciclina e niacinamida. Lehner e Linek (2013) também indicaram o uso tópico do tacrolimus a 0,1%, que é um imunomodulador tópico, podendo ser utilizado como terapia de manutenção, após controle dos sintomas.

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6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O lúpus eritematoso discoide é uma afecção de caráter benigno, limitada ao

tecido cutâneo, considerada incomum e que acomete animais de todas as idades.

Possui um tratamento efetivo, se realizado corretamente.

O animal do relato descrito apresentou melhora com o tratamento instituído.

Embora seja uma doença autoimune, e sem cura, o seu controle pode ser alcançado facilmente.

É possível que a falta de diagnóstico conclusivo contribua para a menção de

que o LED seja uma dermatite rara. Desta forma, torna-se importante o conhecimento desta enfermidade, para que seja considerada como um diagnóstico diferencial quando houver sinais clínicos compatíveis.

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REFERÊNCIAS

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FERREIRA, T. C. et al. Patogenia, biomarcadores e imunoterapia nas dermatopatias autoimunes em cães e gatos. Uma revisão. Revista Brasileira de Higiene e Sanidade Animal. v. 9, n. 2, p. 299-319, 2015.

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