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CAPÍTULO 4

ELS ESTADO LIMITE DE SERVIÇO

4.1

Generalidades

Em projetos de estruturas de concreto armado, todos os elementos são dimensionados no estado limite último (ELU), e depois verificados em cada um dos estados limites de serviço (ELS).

O ELU é sempre caracterizado pela ruína ou esgotamento da capacidade resistente última. Trata-se de uma situação na qual espera-se que uma estrutura nunca atinja, tanto é que se faz o uso de diversos coeficientes de segurança. As resistências dos materiais são minoradas e os esforços solicitantes majorados. Felizmente, dificilmente presenciamos estruturas que atingem o ELU.

Os Estados Limites de Serviço, por sua vez, procuram retratar o “dia-a-dia” de uma estrutura, isto é, seu comportamento perante a utilização da obra. Tratam-se de situações mais suscetíveis, que muitas vezes nos deparamos no cotidiano. Quem nunca presenciou uma estrutura que possui fissuras, flechas ou vibrações que deixam uma sensação desagradável? Através das diversas verificações dos ELS, procura-se assegurar, em média, que o comportamento real das peças que compõe a estrutura seja adequado, isto é, dentro de limites sensoriais e funcionais aceitáveis. Muito embora não implique numa ruína como no ELU, quando um ELS é atingido, pode-se inviabilizar totalmente a utilização de uma construção da mesma forma. A NBR 6118:2014 estabelece os seguintes estados limites de serviço:

a) Estado limite de formação de fissuras (ELS-F): estado em que se inicia a formação de fissuras. Admite-se que este estado limite é atingido quando a tensão de tração máxima na seção transversal for igual a f ct,f .

b) Estado limite de abertura de fissuras (ELS-W): estado em que as fissuras se apresentam com aberturas iguais aos máximos especificados no item 4.5.3.

c) Estado limite de deformações excessivas (ELS-DEF): estado em que as deformações atingem os limites estabelecidos para a utilização normal, dados no item 4.6.

d) Estado limite de descompressão (ELS-D): estado no qual, em um ou mais pontos da seção transversal, a tensão normal é nula, não havendo tração no restante da seção. Verificação usual no caso do concreto protendido.

135

e) Estado limite de descompressão parcial (ELS-DP): estado no qual garante-se a compressão na seção transversal, na região onde existem armaduras ativas.

f) Estado limite de compressão excessiva (ELS-CE): estado em que as tensões de compressão atingem o limite convencional estabelecido. Usual no caso do concreto protendido na ocasião da aplicação da protensão.

g) Estado limite de vibrações excessivas (ELS-VE): estado em que as vibrações atingem os limites estabelecidos para a utilização normal da construção.

4.1.1 Combinação de ações em serviço

Para a verificação dos Estados Limites de Serviço, é necessária a utilização de combinações simultâneas das cargas permanentes com as variáveis (acidentais), aplicando os coeficientes de redução ψ 1 e ψ 2 , de acordo com a verificação desejada. Portanto, serão necessárias as combinações Permanente, Quase Permanente, Frequente e Rara de ações.

Tabela 4.1

Combinações dos carregamentos (fonte: NBR 6118:2014)

Combinações de Serviço

 

Cálculo

Permanente (Perm)

 

F serv = ΣF g,k

Quase Permanente (CQP)

F serv = ΣF g,k + ψ 2 (F q1,k + ΣF q,k )

Frequente (CF)

F serv

= ΣF g,k + ψ 1 F q1,k + ψ 2 ΣF q,k

Rara (CR)

F serv = ΣF g,k + F q1,k + ψ 1 ΣF q,k

Por simplificação, adotaremos neste estudo apenas uma carga permanente (g) e uma carga variável (q). Além disso, os valores dos coeficientes ψ 1 e ψ 2 serão iguais a 0,4 e 0,3, respectivamente, aplicados em “locais em que não há predominância de pesos de equipamentos que permanecem fixos por longos períodos de tempo, nem de elevadas concentrações de pessoas” (edifícios residenciais, por exemplo).

Tabela 4.2

Simplificação das combinações dos carregamentos

Combinações de Serviço

Cálculo

Permanente (Perm)

F serv = g

Quase Permanente (CQP)

F serv = g + 0,3 ∙ q

Frequente (CF)

F serv = g + 0,4 ∙ q

Rara (CR)

F serv = g + q

136

4.2

Estádios de Solicitação

4.2 Estádios de Solicitação 4.2.2 Estádio Ia Figura 4.1 Estádios de Solicitação Figura 4.2 Estádio Ia

4.2.2 Estádio Ia

Figura 4.1

Estádios de Solicitação

4.2.2 Estádio Ia Figura 4.1 Estádios de Solicitação Figura 4.2 Estádio Ia de solicitação No Estádio
4.2.2 Estádio Ia Figura 4.1 Estádios de Solicitação Figura 4.2 Estádio Ia de solicitação No Estádio

Figura 4.2

Estádio Ia de solicitação

No Estádio Ia temos:

Comportamento elástico-linear, na compressão e na tração.

Surgimento da primeira fissura para M=M ro , onde M ro é o Momento de Fissuração.

4.2.3

Estádio Ib

o , onde M r o é o Momento de Fissuração. 4.2.3 Estádio Ib Figura 4.3
o , onde M r o é o Momento de Fissuração. 4.2.3 Estádio Ib Figura 4.3

Figura 4.3

Estádio Ib de solicitação

137

No Estádio Ib temos:

Armadura compensa a resultante das tensões de tração.

Fissuração progressiva até estabilização para M=M rn , onde M rn é o Momento de estabilização da fissuração.

4.2.4

Estádio II

de estabilização da fissuração. 4.2.4 Estádio II Figura 4.4 Estádio II de solicitação No Estádio II
de estabilização da fissuração. 4.2.4 Estádio II Figura 4.4 Estádio II de solicitação No Estádio II

Figura 4.4

Estádio II de solicitação

No Estádio II temos:

Comportamento próximo ao elástico-linear.

Aberturas crescentes das fissuras já existentes.

Início da plastificação por compressão para M=M uo , onde M uo é o Momento de plastificação por compressão.

4.2.5

Estádio III

plastificação por compressão. 4.2.5 Estádio III Figura 4.5 Estádio III de solicitação No Estádio III
plastificação por compressão. 4.2.5 Estádio III Figura 4.5 Estádio III de solicitação No Estádio III

Figura 4.5

Estádio III de solicitação

No Estádio III temos:

Plastificação progressiva

Ruptura para M=M un , onde M un é o Momento último da seção por compressão.

Observação: a linha tracejada nos gráficos indica o Estádio II puro.

138

4.3

Estádio II Puro

4.3 Estádio II Puro Hipóteses: Figura 4.6 Estádio de solicitação II puro  Manutenção da seção

Hipóteses:

Figura 4.6

Estádio de solicitação II puro

Manutenção da seção plana;

Aderência perfeita entre concreto e armadura;

Validade da lei de Hooke;

Resistência do concreto à tração igual à zero.

Adota-se:

E s = 210000MPa

E cs = α i ∙ 5600 ∙ f ck 1/2

MPa

= 0,8 + 0,2 ∙

f ck

80

≤ 1,0

A norma NBR 6118:2014 apresenta a seguinte tabela com valores estimados arredondados que

podem ser usados no projeto estrutural.

Tabela 4.3

Valores estimados de módulo de elasticidade em função da resistência característica à

compressão do concreto (considerando o uso de granito como agregado graúdo) (fonte: NBR 6118:2014)

Classe de

                     

resistência

C20

C25

C30

C35

C40

C45

C50

C60

C70

C80

C90

E ci (GPa)

25

28

31

33

35

38

40

42

43

45

47

E cs (GPa)

21

24

27

29

32

34

37

40

42

45

47

α

i

0,85

0,86

0,88

0,89

0,90

0,91

0,93

0,95

0,98

1,00

1,00

 

139

4.3.2

Cálculo dos parâmetros do Estádio II puro

4.3.2.1 Seção retangular com armadura simples

II puro 4.3.2.1 Seção retangular com armadura simples Figura 4.7 a)   ε c = x

Figura 4.7

a)

 

ε

c

=

x II

 

ε s x II

d −

b)

 

σ

c

=

E cs ∙ ε c

σ

s

c)

 

Equações de compatibilidade

ε s = d x II

x II

Equações constitutivas:

= E s ∙ ε s = E s d x II

x II

ε c

Equações de equilíbrio

ε c

R c

Forças

= b ∙ x II ∙ σ c

= b ∙ x II ∙ E cs ∙ ε c

2 2

R s =

A s ∙ σ s = A s ∙ E s d x II

x II

ε c

R c = R s

Momento

M = R c ∙ z = R s ∙ z

Onde z = d −

x

II

3

Seção retangular com armadura simples

140

d) Posição da linha neutra b ∙ x II ∙ E cs ∙ ε c

R c = R s

= A s ∙ E s d x II

x II

b x II 2

2

= A s ∙ E s

E

cs

→

E s

E

cs

∙ (d − x II )

= 0

2

b ∙ x II 2

∙ ε c

= 0

2 ∙ A s ∙ α e ∙ (d − x II )

b

→ = A s ∙ α e ∙ (d − x II )

2

x II 2 + 2 ∙ A s ∙ α e ∙ x II → b

x II 2

2 ∙ A s ∙ α e ∙ d

b

onde α e =

e)

1

=

ε s

=

σ s

r

d − x II

E s ∙ (d − x II )

Produto de rigidez à flexão no Estádio II Conforme a figura, tem-se

Por outro lado,

1

M

= A s ∙ σ s ∙ z

 

r =

E cs I II

 

E cs I II

logo

 

σ

− x II ) = A s ∙ σ s

s

∙ z

E

s ∙ (d

E cs

I II

I II = A s

E

cs ∙ (d − x II ) ∙ (d −

s

E

x II

3

I II = b ∙ x II 3

3

+ A s ∙ α e ∙ (d − x II ) 2

)

E cs ∙ I II = A s ∙ E s ∙ (d − x II ) ∙ z

4.3.2.2 Seção retangular com armadura dupla

) ∙ z → 4.3.2.2 Seção retangular com armadura dupla Figura 4.8 Seção retangular com armadura

Figura 4.8

Seção retangular com armadura dupla

a) Equações de compatibilidade

ε

c

ε s

=

x II

d − x II

=

ε′ s

x II d

ε s = d x II

x II

∙ ε c

e

ε′ s = x II d ε c

x II

141

b) Equações constitutivas:

σ c = E cs ∙ ε c

σ

s

= E s ∙ ε s = E s d x II

x II

ε c

σ′ s = E s ∙ ε′ s = E s x II d

x II

ε c

c) Equações de equilíbrio

R c

Forças

= b ∙ x II ∙ σ c

= b ∙ x II ∙ E cs ∙ ε c

2 2

R s = A s ∙ σ s = A s ∙ E s d x II

x II

ε c

R′ s = A′ s ∙ σ′ s = A′ s ∙ E s x II d

x II

R c + R′ s = R s

ε c

M

Momento

= R s ∙ (d −

x II

3

) + R′ s ∙ ( x II

3

− d′)

d)

R c + R′ s = R s

Posição da linha neutra

b x II E cs ε c + A′ s ∙ E s x II d

2

x II

∙ ε c = A s ∙ E s d x II

x II

b

∙ x II 2

2

+ A s ∙ E s

E

cs

∙ (x II − d ) = A s E s ∙ (d − x II )

E

cs

onde α e =

E

s

E cs

b ∙ x II 2

2

+ A s ∙ α e ∙ (x II − d ) = A s ∙ α e ∙ (d − x II )

x II 2 + 2 ∙ A s ∙ α e ∙ (x II − d ) b

2 ∙ A s ∙ α e ∙ (d − x II )

b

= 0

x II 2 + 2 α e ∙ [A s ∙ (x II − d) + A s ∙ (x II − d )] = 0

b

e)

1

=

ε s

=

σ s

r

d − x II

E s ∙ (d − x II )

Produto de rigidez à flexão no Estádio II Conforme a figura, tem-se

ε c

142

Por outro lado,

1

r =

M

E cs I II

= R s ∙ (d − x II ) + R′ s ∙ ( x II

3

3

− d′)

E cs I II

logo

σ

− x II ) = R s ∙ (d − x II ) + R′ s ∙ ( x II

s

3

E cs I II

3

− d′)

E s ∙ (d

E cs ∙ I II = A s ∙ E s ∙ (d − x II ) (d −

x II

3

) + A s ∙ E s ∙ (d − x II ) ( x II

3

I II = b ∙ x II 3

3

+ A s ∙ α e ∙ (d − x II ) 2 + A′ s ∙ α e ∙ (x II − d′) 2

− d )

4.3.2.3 Seção genérica

Um procedimento para o cálculo dos parâmetros para uma seção genérica, que possa ser

decomposta em figuras retangulares (como as seções em “T”, “I”, “L”, por exemplo, e as

próprias seções retangulares), será descrito a seguir.

próprias seções retangulares), será descrito a seguir. Figura 4.9 1º Passo: Posição da linha neutra Seção

Figura 4.9

1º Passo: Posição da linha neutra

Seção genérica

A posição da linha neutra (x II ) coincide com o centro de gravidade da figura formada pela

área comprimida do concreto e pelas armaduras fictícias comprimida e tracionada.

Pode-se obter x II igualando-se os momentos produzidos pelas regiões comprimida e

tracionada, subtraindo-se os vazios internos.

Deve-se proceder a uma das três hipóteses acerca da posição relativa da linha neutra

dentro da seção.

Observação: em situações extremas, onde ambas as armaduras estejam tracionadas (x II <

d’) ou comprimidas (h - d’ < x II < h), deve-se rearranjar os termos igualando os momentos das

regiões tracionadas com as comprimidas.

143

Tabela 4.4

Posição da linha neutra

Linha neutra na mesa superior

 

x II ≤ y 1

Linha neutra na mesa superior   x II ≤ y 1
 

x II

+ A′ s ∙ α e ∙ (x II − d′) = A s ∙ α e ∙ (d − x II )

 

b ∙ x II

2

Linha neutra na alma

 

y 1 ≤ x II ≤ y 1 + h 1

Linha neutra na alma   y 1 ≤ x I I ≤ y 1 + h
 

x

II

2 ∙ b 1 ∙ (x II − y 1 ) ∙ (x II y 1 )

 

b

∙ x II

 

+ A s ∙ α e ∙ (x II − d ) = A s ∙ α e ∙ (d − x II )

2

 

2

Linha neutra na mesa inferior

y 1 + h 1 ≤ x II

Linha neutra na mesa inferior y 1 + h 1 ≤ x I I
 

x

II

b

∙ x II

 

2

 

2 ∙ b 1 ∙ h 1 ∙ [x II − (y 1 + h 1 )] + A′ s ∙ α e ∙ (x II − d′) = A s ∙ α e ∙ (d − x II )

2

2º Passo: Momento de inércia da seção fissurada de concreto no Estádio II puro

O valor do momento de inércia da seção fissurada e homogeneizada no Estádio II puro

(I II ) obtém-se a partir da somatória dos momentos de inércia, em relação à linha neutra

anteriormente calculada, da região comprimida do concreto e das armaduras fictícias, também

subtraindo os vazios, se houverem.

Tabela 4.5

Momento de inércia no Estádio II puro

Linha neutra na mesa superior

I II = b ∙ x II 3

3

x II ≤ y 1

superior I II = b ∙ x I I 3 3 x II ≤ y 1
+ A s ∙ α e ∙ (d − x I I ) 2 +

+ A s ∙ α e ∙ (d − x II ) 2 + A′ s ∙ α e ∙ (x II − d′) 2

144

Linha neutra na alma

 

y 1 ≤ x II ≤ y 1 + h 1

Linha neutra na alma   y 1 ≤ x I I ≤ y 1 + h

I II = b ∙ x II 3

3

− 2 ∙ b 1 (x II y 1 ) 3

3

+ A s ∙ α e ∙ (d − x II ) 2 + A′ s ∙ α e ∙ (x II − d′) 2

Linha neutra na mesa inferior

   

y 1 + h 1 ≤ x II

Linha neutra na mesa inferior     y 1 + h 1 ≤ x I I

I II = b ∙ x II 3

3

 

3

 

− 2 ∙ b 1 h 1

12

∙ (x II − d′) 2

− 2 ∙ b 1 ∙ h 1 ∙ [x II − (y 1 + h 1 )] 2

2

+ A s ∙ α e ∙ (d − x II ) 2 + A′ s ∙ α e

3º Passo: Deformações e tensões atuantes

Tendo, então, disponíveis os valores de x II e I II e, para um dado momento aplicado sobre

a seção, pode-se recorrer às seguintes relações para o cálculo das tensões e deformações atuantes

ao longo da mesma:

ε c = x II

r

σ c = E cs ∙ ε c

1

r =

M

E cs I II

ε s = d − x II

x II

∙ ε c

σ s = E s ∙ ε s

σ = E ∙ ε

ε′ s = x II d ε c

x II

σ′ s = E s ∙ ε′ s

I − d ′ ∙ ε c x II σ′ s = E s ∙ ε′

Figura 4.10

Deformações e tensões

145

4.3.3

Exemplo

Seção T com armadura dupla

4.3.3 Exemplo Seção T com armadura dupla Figura 4.11 Exemplo 1º Passo: Posição da linha neutra

Figura 4.11

Exemplo

1º Passo: Posição da linha neutra

Observação: Para esta seção, existem apenas duas hipóteses possíveis (x II ≤ h f e h f ≤ x II ≤ h)

= 0,8 + 0,2 ∙

1

f ck

80

25

= 0,8 + 0,2 ∙ 80 = 0,8625 ≤ 1,0

E cs = α i ∙ 5600 ∙ f ck 2 = 0,8625 ∙ 5600 ∙ 25 1/2 = 24150MPa = 2415kN/cm²

α e =

E s

21000

E cs

=

2415 = 8,69

1ª hipótese: x II ≤ h f

= 2 4 1 5 = 8,69 1ª hipótese: x I I ≤ h f b

b ∙ x II

x II

2

+ A′ s ∙ α e ∙ (x II − d′)

= A s ∙ α e ∙ (d − x II )

x II

50 ∙ x II

2

25

x II = { 8,60cm > h f

+ 1,5 ∙ 8,69 ∙ (x II − 5) = 6 ∙ 8,69 ∙ (45 − x II )

∙ x II 2 + 65,175 ∙ x II − 2411,475 = 0

(hipotese 1 não verificada)

11,21cm (descartado)

146

2ª hipótese: x II > h f

2ª hipótese: x I I > h f b f ∙ x I I ∙ x

b f ∙ x II

x II

2

− (b f − b w ) ∙ (x II − h f ) ∙ (x II h f )

2

+ A s ∙ α e

∙ (x II − d ) = A s ∙ α e ∙ (d − x II )

50 ∙

x II 2

2

− 2 ∙ (50 − 12) ∙ (x II 7) 2

2

+ 1,5 ∙ 8,69 ∙ (x II − 5) = 6 ∙ 8,69 ∙ (45 − x II )

−13 ∙ x II 2 + 597,175 ∙ x II − 4273,475 = 0

x II = { 8,86cm > h f

(hipotese 2 verificada)

37,06cm

2º Passo: Momento de inércia da seção fissurada de concreto no Estádio II puro

I

II

= b f x II 3

3

− (b f − b w ) ∙ (x II h f ) 3

3

+ A s ∙ α e

∙ (d − x II ) 2 + A′ s ∙ α e ∙ (x II − d′) 2

I II =

50 ∙ 8,86 3

3

− (50 − 12) ∙ (8,86 7) 3

3

+ 6 ∙ 8,69 ∙ (45 − 8,86) 2 + 1,5 ∙ 8,69

(8,86 5) 2

I II = 79804,5cm 4

3º Passo: Deformações e tensões atuantes

= 79804,5cm 4 3º Passo: Deformações e tensões atuantes Figura 4.12 Deformações 1 M = 7000

Figura 4.12

Deformações

1

M

=

7000

r =

E cs I II

2415 ∙

79804,5 = 3,63 x 10 5 cm 1

ε c = x II

r

= 8,86 ∙ 3,63 x 10 5 = 3,22 x 10 4

cm/cm

ε s = d − x II

x II

∙ ε c = d x II

r

= (45 − 8,86) ∙

3,63 x 10 5 = 1,31 x 10 3

cm/cm

147

ε′ s = x II − d′

x II

∙ ε c = x II d

r

= (8,86 − 5) ∙

3,63 x 10 5 = 1,40 x 10 4

= (8,86 − 5) ∙ 3,63 x 10 − 5 = 1,40 x 10 − 4

Figura 4.13

Tensões

cm/cm

σ c = E cs ∙ ε c = 2415 ∙ 3,22 x 10 4 = 0,78 kN/cm²

σ s = E s ∙ ε s = 21000 ∙ 1,31 x 10 3 = 27,51 kN/cm²

σ′ s = E s ∙ ε s = 21000 ∙ 1,40 x 10 4 = 2,94 kN/cm²

4.4

Fórmula de Branson

4.4.1

Considerações iniciais

A norma NBR 6118:2014 prescreve a utilização do momento de inércia da seção

homogeneizada* e fissurada** (o momento de inércia efetivo ou equivalente) nas verificaçãoes

dos Estados Limites de Serviço de Deformações Excessivas (ELS-DEF) e de Abertura de

Fissuras (ELS-W).

*homogeneizada: substituição da área real do aço por uma área equivalente de concreto,

multiplicando-se as áreas das armaduras tracionada e comprimida pelo coeficiente α e

**fissurada: a abertura e profundidade das fissuras se encontram estabilizadas.

A aplicação do momento de inércia efetivo (I e ) em lugar do momento de inércia no

Estádio II puro (I II ) conduz a estimativas mais realistas dos deslocamentos (flechas) e da

fissuração sob as condições assumidas nas verificações.

4.4.2 Momento de Inércia Efetivo (I e )

Em vigas submetidas à flexão ocorre variação do valor do momento fletor entre seções

adjacentes ao longo do vão, originando também variação na altura da linha neutra e,

consequentemente, na profundidade das fissuras.

148

Antes da publicação da versão da NBR 6118:2003, era usual a aplicação do momento de

inércia no Estádio II puro (I II ), que não considera esta variação do momento fletor, baseando seu

cálculo na seção mais crítica, desprezando a menor solicitação sobre as demais seções. Há

também uma parcela não considerada, que se refere à contribuição da resistência à tração das

seções de concreto ainda íntegro entre fissuras.

O objetivo da utilização do momento de inércia efetivo (I e ), conforme calculado pela

fórmula de Branson, é incluir estas parcelas e conduzir à estimativas mais precisas do

comportamento dos deslocamentos e fissuras consequentes do carregamento.

dos deslocamentos e fissuras consequentes do carregamento. Figura 4.14 Para a verificação dos ELS-DEF e ELS-W,

Figura 4.14

Para a verificação dos ELS-DEF e ELS-W, a NBR 6118:2014 recomenda a aplicação do

momento de inercia efetivo, calculado pela expressão sugerida por Branson:

I e = (

máx ) 3 ∙ I 0 + [1 − (

M

r

M

máx ) 3 ] ∙ I II

M

r

M

≤ I 0

I 0 é o momento de inércia da seção bruta de concreto

I 0 =

bh 3

12

(para seção retangular)

M r é o momento de fissuração do elemento estrutural, cujo valor deve ser reduzido à metade no

caso de utilização de barras lisas; e é dado por:

M

r = α ∙ f ct ∙ I 0

y

t

y t é distância do centro de gravidade da seção à fibra mais tracionada

f ct = { f ctm → deformação excessiva f ctk,inf → formação de fissura

f ctm = 0,3 ∙ f ck 2/3 (em MPa)

f ctk,inf = 0,7 ∙ f ctm (em MPa)

1,2

α = { 1,3

→ seção T ou duplo T

→ seções I ou T invertido

1,5 → seção retangular

149

M máx é o momento fletor na seção crítica do vão considerado, ou seja, o momento máximo no

vão para vigas biapoiadas ou contínuas e momento no apoio para balanços, para a combinação

de ações considerada nessa avaliação.

Observações

de ações considerada nessa avaliação. Observações Figura 4.15 Em vigas onde ocorre inversão no sentido dos

Figura 4.15

considerada nessa avaliação. Observações Figura 4.15 Em vigas onde ocorre inversão no sentido dos momentos

Em vigas onde ocorre inversão no sentido dos momentos fletores, como em vigas

hiperestáticas e contínuas, ocorre variação nas regiões de concreto ainda resistente (onde f ctm

ainda não foi atingida), representadas em azul nas seções em corte A-A até E-E.

Como resultado, há necessidade de verificação do ELS em diferentes seções.

Pode-se utilizar apenas um momento de inércia equivalente ou efetivo (I e ) para todo o

vão.

Para tal, calcula-se um momento de inércia para cada região do gráfico de momentos

fletores, baseando-se na seção mais crítica de cada região, e aplica-se uma média ponderada

entre estes valores:

I e = I eAA ∙ L 1 + I eCC ∙ L 2 + I eEE ∙ L 3 L 1 + L 2 + L 3

Taxa de Armadura de compressão (’)

Uma ponderação análoga pode ser feita para a taxa de armadura de compressão (’).

150

Para obter a taxa equivalente para todo o vão, calcula-se a média ponderada dos

diferentes valores de ’ para cada região dos momentos fletores e aplica-se este valor resultante

nos cálculos das verificações do ELS-DEF.

ρ′ = ρ′ 1 ∙ L 1 + ρ′ 2 ∙ L 2 + ρ′ 3 ∙ L 3 L 1 + L 2 + L 3

Sendo ρ = As i i , onde os índices i pretendem ressaltar a alteração dos valores de As e d nas

b∙d

diferentes seções ao longo do vão da viga.

4.4.3

Exemplo

diferentes seções ao longo do vão da viga. 4.4.3 Exemplo Figura 4.16 Exemplo Todos os cálculos

Figura 4.16

Exemplo

Todos os cálculos que se utilizavam do momento de inércia no Estádio II puro (I II )

sofrem apenas a substituição de I II pelo momento de inércia efetivo (I e ), específico para a

combinação de ações desejada.

Como intuito de exemplificar e comparar a aplicação de ambos, aplicando I e em lugar de

I II , adotando-se os mesmos dados do exemplo original.

y t =

h ∙ b w h + h f ∙ (b f − b w ) ∙ (h − h f )

2

2

h ∙ b w + h f ∙ (b f − b w )

= 31,6cm

I 0 = b w ∙ h 3

12

+ b w ∙ h ∙ (y t

h ) 2 + (b f − b w ) ∙ h f

2

3

12

+ (b f − b w ) ∙ h f ∙ (h − h f − y t ) 2

2

= 211277cm 4

2

2

f ctm = 0,3 ∙ f ck 3 = 0,3 ∙ 25 3 = 2,56MPa = 0,256kN/cm²

α = 1,2 (seção T)

r = α ∙ f ctm ∙ I 0

M

1,2 ∙ 0,256 ∙ 211277

31,6

y

t

=

= 2054kN. cm

151

I e = (

máx ) 3 ∙ I 0 + [1 − (

M

r

M

máx ) 3 ] ∙ I II = ( 2054 ) 3 ∙ 211277 + [1 − ( 2054 ) 3 ] ∙ 79804,5

M

r

M

7000

7000

= 83126,05cm 4 ≤ I 0 = 211277cm 4

Tabela 4.6

Comparação dos resultados

 

Branson

 

Estádio II Puro

 

1

=

M

=

7000

 

1

M

= 3,63 ∙ 10 5 cm 1

r

E cs ∙ I e

2415 ∙

83126,05 = 3,48 ∙ 10 5 cm 1

r =

E cs ∙ I e

 

1

= 8,86 ∙ 3,48 ∙ 10 5 = 3,08 ∙ 10 4 cm/cm

 

1

r

= 3,22 ∙ 10 4 cm/cm

ε c = x II

r

 

ε c = x II

 

1

 
 

ε s = (d − x II ) ∙

r

= (45 − 8,86) ∙ 3,48 ∙ 10 5

ε s = (d − x II ) ∙

1

= 1,31 ∙ 10 3 cm/cm

 

=

1,26 ∙ 10 3 cm/cm

r

 

1

 
 

ε′ s = (x II − d′) ∙

 

= (8,86 − 5) ∙ 3,48 ∙ 10 5

 

1

r

ε′ s = (x II − d ) ∙

= 1,40 ∙ 10 4 cm/cm

 

=

1,34 ∙ 10 4 cm/cm

 

r

 

σ c = E cs ∙ ε c = 2415 ∙ 3,08 ∙ 10 4 = 0,74kN/cm²

 

σ c = E cs ∙ ε c = 0,78kN/cm²

 

σ s = E s ∙ ε s = 21000 ∙ 1,26 ∙ 10 3 = 26,46kN/cm²

 

σ s = E s ∙ ε s = 27,51kN/cm²

 

σ′

s = E s ∙ ε s = 21000 ∙ 1,34 ∙ 10 4 = 2,81kN/cm²

 

σ′ s = E s ∙ ε s = 2,94kN/cm²

4.5

Estado Limite de Formação de Fissuras (ELS-F)

4.5.1

Considerações inicias

Devido à fragilidade do concreto perante esforços normais de tração, o surgimento de

fissuras na borda tracionada de vigas de concreto armado é praticamente inevitável.

Devido ao emprego das armaduras de aço, que recebem as tensões não mais resistidas

pelo concreto nas regiões da fissuração, não há maiores perdas da capacidade portante da

estrutura.

Entretanto, o controle da abertura média das fissuras torna-se importante para a sensação

de conforto, estética e segurança do usuário da edificação, além de estar intimamente relacionada

à proteção da armadura contra corrosão (e, por consequência, a resistência de sua seção),

também podendo afetar a funcionalidade específica de alguns elementos, como a estanqueidade

em piscinas, por exemplo.

4.5.2 Armadura mínima de tração

A fim de evitar a ruptura frágil da seção ao se formar a primeira fissura, deve-se sempre

estar presente uma armadura tracionada com área igual ou superior a um valor mínimo.

152

Nas Tabela 4.8 e Tabela 4.9 veja a comparação de comportamento entre ausência e

presença da armadura de aço em uma seção de concreto.

A área mínima de armadura tracionada deve ser determinada a partir do carregamento

que gera o momento iminente de ser atingida a tensão de ruptura à tração na borda tracionada.

σ =

M

I

∙ y t

= f ct,f

M =

I

y t f ct,f

= W 0 f ct,f

onde:

y t é a distância do centro de gravidade à fibra mais tracionada da seção

f ct,f é a resistência do concreto à tração na flexão

A NBR 6118:2014 propõe a seguinte expressão para este momento mínimo:

M d,mín = 0,8 W 0 f ctk,sup

Onde W 0 é o módulo de resistência da seção transversal bruta de concreto, relativo à

fibra mais tracionada.

O cálculo de A s,mín é baseado no dimensionamento para ELU da seção para a situação

acima referida:

x = 1,25 ∙ d ∙ [1 − √1 −

M

d,mín

f cd ]

0,425 ∙ b ∙ d

2

A s,mín =

M

d,mín

f yd ∙ (d − 0,4 ∙ x)

O dimensionamento de A s,mín segundo M d,mín será considerado válido se respeitar as taxas

mínimas de armadura da Tabela 4.7.

Tabela 4.7

Valores de min para seção retangular (fonte NBR 6118:2014)

de armadura da Tabela 4.7. Tabela 4.7 Valores de  m i n para seção retangular

153

Tabela 4.8

Comportamento da seção sem armadura

Aumento do carregamento = aumento de tensões Formação da 1ª fissura ao se atingir fct

Aumento do

carregamento =

aumento de

tensões

Formação da 1ª fissura ao se atingir fct (resistência do concreto à tração)

Ruptura frágil

da seção

de tensões Formação da 1ª fissura ao se atingir fct (resistência do concreto à tração) Ruptura
de tensões Formação da 1ª fissura ao se atingir fct (resistência do concreto à tração) Ruptura
de tensões Formação da 1ª fissura ao se atingir fct (resistência do concreto à tração) Ruptura
de tensões Formação da 1ª fissura ao se atingir fct (resistência do concreto à tração) Ruptura
de tensões Formação da 1ª fissura ao se atingir fct (resistência do concreto à tração) Ruptura
de tensões Formação da 1ª fissura ao se atingir fct (resistência do concreto à tração) Ruptura
de tensões Formação da 1ª fissura ao se atingir fct (resistência do concreto à tração) Ruptura
de tensões Formação da 1ª fissura ao se atingir fct (resistência do concreto à tração) Ruptura

154

Tabela 4.9

Comportamento da seção com armadura

Aumento do carregamento = aumento de tensões Formação da 1ª fissura ao se atingir fct

Aumento do

carregamento =

aumento de

tensões

Formação da 1ª fissura ao se atingir fct (resistência do concreto à tração)

Formação de novas fissuras (transferência de tensões da região fissurada de concreto para a armadura)

Aberturas das

fissuras

estabilizadas

(escoamento da

armadura -

ruptura dúctil)

fissurada de concreto para a armadura) Aberturas das fissuras estabilizadas (escoamento da armadura - ruptura dúctil)
fissurada de concreto para a armadura) Aberturas das fissuras estabilizadas (escoamento da armadura - ruptura dúctil)
fissurada de concreto para a armadura) Aberturas das fissuras estabilizadas (escoamento da armadura - ruptura dúctil)
fissurada de concreto para a armadura) Aberturas das fissuras estabilizadas (escoamento da armadura - ruptura dúctil)
fissurada de concreto para a armadura) Aberturas das fissuras estabilizadas (escoamento da armadura - ruptura dúctil)
fissurada de concreto para a armadura) Aberturas das fissuras estabilizadas (escoamento da armadura - ruptura dúctil)
fissurada de concreto para a armadura) Aberturas das fissuras estabilizadas (escoamento da armadura - ruptura dúctil)
fissurada de concreto para a armadura) Aberturas das fissuras estabilizadas (escoamento da armadura - ruptura dúctil)
fissurada de concreto para a armadura) Aberturas das fissuras estabilizadas (escoamento da armadura - ruptura dúctil)
fissurada de concreto para a armadura) Aberturas das fissuras estabilizadas (escoamento da armadura - ruptura dúctil)
fissurada de concreto para a armadura) Aberturas das fissuras estabilizadas (escoamento da armadura - ruptura dúctil)
fissurada de concreto para a armadura) Aberturas das fissuras estabilizadas (escoamento da armadura - ruptura dúctil)
fissurada de concreto para a armadura) Aberturas das fissuras estabilizadas (escoamento da armadura - ruptura dúctil)

4.5.3 Cálculo e verificação da fissuração

Deve-se calcular o momento de inercia efetivo da seção para a combinação frequente de

ações.

Para a verificação do

Estado

combinação frequente de ações (CF).

Limite de Abertura de Fissuras, deve-se utilizar a

155

Observação: devido à grande variabilidade dos fatores de influência envolvidos e da

necessidade de estudos mais aprofundados sobre o assunto, a própria norma reconhece que esta

verificação se trata de uma estimativa do comportamento da fissuração e não do cálculo preciso

da abertura real das fissuras.

1º Passo: Determinação dos parâmetros envolvidos

Para os objetivos deste estudo, serão consideradas apenas uma carga permanente (g) e

uma variável (q).

- momento decorrente da combinação frequente de ações: M F = M (g + 0,4q)

2/3

- resistência à tração média do concreto: f ctm = 0,3 ∙ f ck

- diâmetros das barras utilizadas nas armaduras de tração: (’ também é necessário em

condições de apoio que resultem em inversão do sentido dos momentos fletores, como em vigas

contínuas e bi-engastadas, por exemplo)

- Módulo de deformação do aço: Es = 210GPa

- Coeficiente de conformação superficial das barras:

η 1 = { 1,4 para

1,0 para barras lisas

barras entalhadas

2,25 para barras de alta aderência

- Tensão sobre a armadura de tração, calculada no estádio II, sob ação do momento da

combinação frequente:

σ s =

M F I ef ∙ (d − x II ) ∙ E s E cs

2º Passo: área do concreto de envolvimento e Classes de Agressividade Ambiental

Para cada barra da armadura passiva de tração deve ser considerada uma área do concreto

de envolvimento (A cr ), constituída por retângulos não maiores do que 15, concêntricos a cada

barra.

por retângulos não maiores do que 15  , concêntricos a cada barra. Figura 4.17 Determinação

Figura 4.17

Determinação da A cr

156

ρ r =

As

Acr

As classes de agressividade ambiental são caracterizações aproximadas do ambiente ao

qual estarão expostos os elementos de concreto armado e que afetam sua durabilidade e,

consequentemente, a vida útil do elemento e da estrutura.

3º Passo: Estimativa da abertura das Fissuras e Verificação do ELS

A abertura das fissuras a ser verificada será a menor dentre as duas calculadas pelas

fórmulas abaixo:

w 1 =

3ϕ

12,5η 1

σ s

2

E s f ctm

w 2 =

ϕ

σ s

s ∙ (

4

r + 45)

12,5η 1

E

ρ

Atenção: o diâmetro da armadura de tração deve ser aplicado necessariamente em mm.

Para a verificação ser atendida basta que a abertura seja inferior ao limite aceitável para a

classe de agressividade ambiental em questão.

Tabela 4.10 Exigências de durabilidade relacionados à fissuração e à proteção da armadura, em função das classes de agressividade ambiental, para concreto armado (fonte: NBR 6118:2014)

Classe de agressividade ambiental

Exigência relativa à fissuração

CAA I

w

≤ 0,4mm

CAA II / CAA III

w

≤ 0,3mm

CAA IV

w

≤ 0,2mm

4.5.4

Exemplo

w ≤ 0,3mm CAA IV w ≤ 0,2mm 4.5.4 Exemplo Figura 4.18 Exemplo. 1º Passo: Parâmetros

Figura 4.18

Exemplo.

1º Passo: Parâmetros envolvidos

Combinação frequente: p = g + 0,4q = 15 + 0,4 ∙ 5 = 17 kN⁄m = 0,17 kN⁄cm

157

M máxF = p L 2

2

0,17 ∙ 400 2

2

=

= 13600kN. cm

(viga engastada)

1

E cs = 0,85 ∙ 5600 ∙ 20 2 = 21287MPa = 2128,7kN/cm²

η 1

= 2,25

α e =

E s

21000

E cs

=

2128,7 = 9,86

x II 2 + 2 ∙ A s ∙ α e ∙ x II b

2 ∙ A s ∙ α e ∙ d

b

= 0

x II 2 + 2 ∙ 8 ∙ 9,86 ∙ x II

20

2 ∙ 8 ∙ 9,86 ∙ 54,4

20

= 0

I II = b ∙ x II 3

3

→ x II 2 + 7,888 ∙ x II − 429,1072 = 0

x = { 17,14cm −25,03cm (descartado)

+ A s ∙ α e ∙ (d − x II ) 2 =

20 ∙ 17,14 3

3

+ 8 ∙ 9,86 ∙ (54,4 − 17,14) 2

= 143078,9cm 4

I 0 =

bh 3

20 ∙ 60 3

=

12

12

= 360000cm 4

f ctm = 0,3 ∙ f ck 2/3 = 0,3 ∙ 20 2/3 = 2,2MPa = 0,22kN/cm²

f ctk,inf = 0,7 ∙ f ctm = 0,7 ∙ 2,2 = 1,54MPa

M

r

= α ∙ f ct ∙ I 0

1,5 ∙ 0,154 ∙ 360000

=

y

t 30

= 2772.

I eF = (

máx ) 3 ∙ I 0 + [1 − (

M

r

M

máx ) 3 ] ∙ I II = ( 13600 ) 3 ∙ 360000 + [1 − ( 13600 ) 3 ] ∙ 143078,9

M

r

M

2772

2772

= 3048,35 + 141867,35 = 144915,7cm 4 ≤ I 0 = 360000cm 4

σ s =

M F I ef ∙ (d − x II ) ∙ E s = E cs

13600

144915,7 ∙ (54,4 − 17,14) ∙ 21000 = 34,5kN/cm²

2128,7 ∙

2º Passo: Área de Envolvimento e Classes de Agressividade

CAA II w ≤ 0,3mm

∙ 2º Passo: Área de Envolvimento e Classes de Agressividade CAA II  w ≤ 0,3mm

Figura 4.19

Exemplo: A cr

158

A cr = 20 ∙ 19,4 = 388cm²

ρ r =

8

388 = 0,0206 = 2,06%

3º Passo: Abertura das fissuras e verificação do ELS

3ϕ

σ s

2

3 ∙ 16

34,5 2

w 1 =

12,5η 1

E s f ctm

=

12,5 ∙ 2,25 21000 ∙

0,22 = 0,439mm

w 2 =

ϕ

σ s s ∙ (

E

4

r + 45) =

12,5η 1

ρ

12,5 ∙ 2,25 21000 (

16

34,5

0,0206 + 45) = 0,223mm

4

w = 0,223mm ≤ 0,3mm

OK, portanto, a verificação do ELS-W foi atendida.

4.6 Estado Limite de Deformações Excessivas (ELS-DEF)

O ELS-DEF é a limitação dos deslocamentos em elementos estruturais sujeitos à flexão,

a fim de garantir boas condições estéticas e de conforto aos usuários, além de garantir a

funcionalidade de outros elementos relacionados, como a abertura de janelas e portas ou

vibrações em lajes de piso, por exemplo.

Maiores deslocamentos decorrentes do uso de concretos com resistências mais elevadas e

aço para armaduras com maiores tensões de escoamento, o que levou à possibilidade de

estruturas mais esbeltas e, portanto, sujeitas a maiores deformações.

Para vigas de concreto armado, o objetivo deste estudo, todos os cálculos dos

deslocamentos (flechas) se baseiam na Teoria da Resistência dos Materiais.

Parcelas dos Deslocamentos

Há duas parcelas a serem consideradas no valor dos deslocamentos finais:

1. Deslocamentos Imediatos: ocorrem logo após a aplicação do carregamento;

2. Deslocamentos Diferidos: ocorrem ao longo do tempo de utilização da estrutura; derivam

da ação da retração e da fluência do concreto.

estrutura; derivam da ação da retração e da fluência do concreto. Figura 4.20 Flechas: imediata, diferida

Figura 4.20

Flechas: imediata, diferida e final

159

4.6.2

Cálculo e Verificação dos Deslocamentos

Deve-se possuir, já calculado o momento de inércia da seção no Estádio II puro (I II ).

Para a verificação do Estado Limite de Deformações Excessivas, deve-se utilizar as

combinações quase permanente e rara de ações, além da ação isolada das ações permanentes.

1º Passo: Momentos Fletores decorrentes das Combinações de Ações

Para os objetivos deste estudo, serão considerados apenas uma crga permanente (g) e

uma variável (q).

O fator de redução de combinação Quase Permanente para o ELS adotado será de

ψ 2 =0,3.

Quase Permanente para o ELS adotado será de ψ 2 =0,3. Figura 4.21 2º Passo: Propriedades
Quase Permanente para o ELS adotado será de ψ 2 =0,3. Figura 4.21 2º Passo: Propriedades

Figura 4.21

2º Passo: Propriedades geométricas da seção

Devem ser utilizados os momentos de inércia efetivos de cada combinação de ações

utilizada na verificação do ELS-DEF: permanente, quase permanente e rara.

Permanente (p = g);

I ePerm = (

M

r

(g) ) 3 ∙ I 0 + [1 − (

M

máx

M

r

(g) ) 3 ] ∙ I II ≤ I 0

M

máx

Quase Permanente (p = g + 0,4q);

I eQP = (

+ 0,4q) ) 3 ∙ I 0 + [1 − (

M

r

M máx (g

M máx (g + 0,4q) ) 3 ] I II I 0

M

r

Rara (p = g + q);

I eR = (

M

r

+ q) ) 3 ∙ I 0 + [1 − (

M máx (g

M

r

q) ) 3 ] ∙ I II ≤ I 0

M máx (g

+

160

3º Passo: Coeficiente Multiplicador dos Deslocamentos Imediatos

O coeficiente multiplicador é uma simplificação, com a finalidade de obter o valor dos

deslocamentos diferidos a partir dos deslocamentos imediatos, dado por:

ρ =

A s

b ∙ d

ξ(t) =

0,68 ∙ 0,996 t ∙ t 0,32 ,

α f = ξ(t) − ξ(t 0 ) 1 + 50ρ′

para t < 70 meses

ξ(t) = 2

,

para t ≥ 70 meses

 
 

Tabela 4.11 Tabela do coeficiente ξ em função do tempo (fonte: NBR6118:2014)

 

Tempo t

0

0,5

 

1

2

3

4

5

10

20

40

≥ 70

(meses)

ξ (t)

0

0,54

0,68

0,84

0,95

1,04

1,12

1,36

1,64

1,89

2

Observações: para ações aplicadas em idades diferentes, t 0 deve ser tomado com:

t 0 = ΣF i ∙ t 0,i ΣF i

Onde: F i representa as parcelas de carga;

t 0,i é a idade em que se aplicou cada parcela F i , em meses.

Para condições de apoio que impliquem em inversão do sentido do momento fletor, como

em vigas bi-engastadas e contínuas, ’ deve sofrer uma ponderação idêntica à de I e .

4º Passo: Cálculo dos Deslocamentos e Verificação do ELS de Deformações Excessivas

Serão verificados os dois limites mais comuns, relacionados à aceitabilidade sensorial:

Tabela 4.12 Limites para deslocamentos (fonte: NBR 6118:2014)

Visual

 

Vibrações

 

imed,g+0,3q = 5(g + 0,3q)L 4

384E cs I eqQP

 

imed,g =

 

5gL 4

384E cs I eqPerm

 

dif,g+0,3q = α f imed,g+0,3q

 

imed,g+q = 384E 5(g + cs q)L I eqR 4

 

tot,g+0,3q = dif,g+0,3q + imed,g+0,3q

L250

imed,q = imed,g+q imed,g

L350

Se as duas condições estiverem atendidas, OK!

Observações:

No caso de balanços, o vão a ser considerado para a verificação deverá ser o dobro do

comprimento L.

161

Ambas as condições acima enunciadas devem ser satisfeitas simultaneamente, caso

contrário, esta verificação não estará atendida.

Utilizar E cs no cálculo dos deslocamentos.

Tabela 4.13 Outros limites para deslocamentos (fonte: NBR 6118:2014)

Efeitos estruturais em serviço

 

Superfícies que devem drenar água (coberturas e varandas)

total ≤ L⁄250

Pavimentos que devem permanecer planos (ginásios e pistas de boliche)

imediata L600

total ≤ L⁄350 + contraflechas

Efeitos em elementos não estruturais

 

Paredes

(alvenarias, caixilhos e revestimentos)

imediata ≤ L⁄250 ou 10mm ou θ ≤ 0,0017 rad

(divisórias leves e caixilhos telescópicos)

imediata ≤ L⁄250 ou 25mm

Forros

 

(revestimentos colados)

imediata L350

(revestimentos pendurados ou com junta)

imediata L175

4.6.3

Exemplo

 
≤ L ⁄ 1 7 5 4.6.3 Exemplo   Figura 4.22 Exemplo. 1º Passo: Momentos Fletores

Figura 4.22

Exemplo.

1º Passo: Momentos Fletores decorrentes das Combinações de Ações

M

= pL 2

8

(viga bi − apoiada)

Permanente:

Quase Permanente:

M má