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PERFIL DOS ÓBITOS POR CAUSAS VIOLENTAS DE JOVENS EM GOIÂNIA DE 2010 A 2013

RESUMO

O objetivo do presente estudo é traçar o perfil dos óbitos por causas violentas

em jovens de Goiânia entre 2010 e 2013. E, em caráter específico levantar os índices de mortes entre jovens em Goiânia; explorar superficialmente as causas, traçando um perfil dessas mortes; e descrever o perfil de óbitos em jovens de forma violenta na cidade de Goiânia entre 2010 e 2013. A metodologia utilizada foi de método descritivo, exploratório de abordagem quantitativa. A população do estudo foi o município de Goiânia GO, tendo como amostra jovens que morreram por causas externas de forma violenta de 10 a 19 anos. Na extração dos dados foi utilizados dados de mídias do estado e de segurança pública do Estado, o Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA / DATASUS) dos anos de 2010 a 2013. Os resultados demonstram que a causa maior de morte de jovens de forma violenta refere a maioria por agressões (homicídios), quando comparado as outras variáveis como acidente de trânsito e de lesões autoprovocadas voluntariamente (suicídio), e, sendo a maioria do sexo masculino.

Palavras-chave; Violência; Óbitos; Jovens.

I INTRODUÇÃO

A presente pesquisa visa delimitar o perfil dos óbitos dos jovens que

morreram violentamente entre os anos de 2010 a 2013 em Goiânia. Para isso

inicialmente pode-se colocar que a violência é um problema que assola todo o

Brasil, até mesmo nas cidades interioranas a criminalidade está presente e faz

diversas vítimas. Obviamente a violência é uma preocupação mundial, afinal,

os problemas são parecidos em todos os lugares, porém, em especial no Brasil

é ainda mais preocupante por ser um dos países mais violentos do mundo

onde as estatísticas de homicídio têm crescido ano após ano (GONÇALVES,

2013).

É comum assistir aos noticiários e perceber que as pessoas estão se

envolvendo cada vez mais cedo com a criminalidade, tanto é que não causa

tanto espanto saber que um adolescente de 12 anos esteja envolvido em um

assalto, por exemplo. Diante tal problemática o autor Waiselfisz (2015) tem

realizado estudo do mapa da violência no Brasil, e, em vários deles é notório

aumento da vitimização de jovens, principalmente de forma violenta, sendo esses números maiores em jovens do sexo masculino. Se de um lado temos os jovens que se envolvem com a criminalidade desde muito cedo e acabam morrendo, do outros temos os jovens que são vítimas sem nunca terem se envolvido com crimes ou drogas. São lados diferentes de uma mesma situação que leva ao mesmo fim: mortes violentas. Com o aumento do número de homicídios a violência é um assunto passível de discussão nos mais variados meios, sendo inclusive um problema de saúde pública, sendo importante tais estudos e com isso compreender o porque de tantos jovens tem se tornado vítimas de violência, e com isso estabelecer ações e estratégias visando resolução dessa problemática (MALVASI, 2012). A escolha pela cidade de Goiânia, foi decorrente dos índices de mortes entre jovens nos últimos anos e que tem superado o número de homicídios entre adultos. É importante traçar o perfil e delimitar o que esses jovens têm em comum na tentativa de encontrar uma solução para o problema que o mundo inteiro enfrenta (WAISELFISZ, 2015). As dificuldades de enfrentar os altos índices de violência tem desencadeado debate em torno da insuficiência das práticas tradicionais, reativas e repressivas de combate à violência e à criminalidade, levando à emergência de uma mentalidade preventivista, a qual privilegia a ideia de antecipação aos eventos e intervenção nos mecanismos causais, de eliminação, minimização ou neutralização dos agentes causais. E é em torno dessa ideia que a escolha desse tema aconteceu (SILVEIRA; SILVA, BEATO,

2006).

Compreender e discutir tal cenário são os objetivos deste trabalho. Num esforço de síntese e divulgação da produção nacional na área, parte significativa das questões envolvidas com o tema no país. Referente à relevância do estudo do perfil de óbitos principalmente dentro do aspecto violento é diante de que, mortes violentas impactam diretamente o setor saúde, podendo exemplificar a necessidade de atendimento as vítimas ou com relação o incentivo a criação de políticas e ações de prevenção, para assim promover

discussão em torno de tais mortes violentas que correspondem como uma das causas principais de óbitos, sendo mais predominante à faixa etária de 10 a 19 anos. E, isso revela tragédia cotidiana que a população hoje vive (SAÚDE BRASIL, 2013). Este artigo busca contribuir para aprofundamento sobre os processos sociais envolvidos com relação à violência fatal entre os jovens e com isso buscar reflexão sobre sua prevenção. Adotou-se como amparo teórico fundamental apontamento de vulnerabilidade com intuito de promover compreensão dos processos culturais e sociais que envolvem em situações de violência. Uma aproximação teórica, nesse sentido sobre violência junto a jovens colabora para perspectiva mais ampla e análise de risco, incluindo a área de saúde, direcionada a jovens em relação à violência, e análise da incerteza social juvenil e a situação de liminaridade com relação ao mundo do crime. Com isso, colaborará para o desenvolvimento de ações de prevenção.

1.1 OBJETIVOS

1.1.1 Objetivo Geral

Traçar o perfil dos óbitos por causas violentas em jovens de Goiânia entre 2010 e 2013.

1.1.2 Objetivos Específicos

Levantar os índices de mortes entre jovens em Goiânia; Explorar superficialmente as causas que fazem com que os jovens sejam mortos de forma de violenta e traçar um perfil dessas mortes; Descrever o perfil de óbitos em jovens de forma violenta na cidade de Goiânia entre 2010 e 2013, de acordo com dados DATASUS.

II MATERIAIS E MÉTODOS

O tipo de pesquisa utilizado na pesquisa em campo refere ao método descritivo, exploratório de abordagem quantitativa. A população do estudo foi do município de Goiânia GO, tendo como amostra jovens que morreram por causas externas de forma violenta de 10 a 19 anos. Na extração

dos dados foram utilizados vários bancos de dados como mapa de violência realizados por Waiselfisz. Dados de mídias do estado e de segurança pública do Estado. E, o principal foi o Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA / DATASUS) dos anos de 2010 a 2013. A escolha pelo instrumento de coleta de dados (DATASUS) decorreu devido este ser um dos principais sistemas de informações de saúde e também de causas de óbito por regiões e municípios separadamente, o que contribuiu para enriquecimento de pesquisa. Para isso também realizará análise em literaturas, tendo como foco análise de óbitos violentos localizados no município de Goiânia, Capital de Goiás, cuja estimativa da população no ano de 1.430,697 segundo dados do IBGE de 2015. Os dados foram analisados e representados por meio do Software Excel.

III RESULTADOS E DISCUSSÕES

A pesquisa foi realizada tendo como fonte de dados a cidade de Goiânia, capital do estado de Goiás, estando portando localizado na Região Centro-Oeste do Brasil. O foco da pesquisa foi de jovens entre 10 a 19 anos, tendo o intuito de descrever mesmo que superficialmente o perfil de mortes violentas nesse grupo populacional. Visando análise mais explicativa referente à morte violenta junto a jovens de 10 ate 19 anos, foram analisados os dados fornecidos pelo site DATASUS, onde apresenta índices de mortalidade que ocorreram no Brasil. O sistema DATASUS foi criado em 1975, tendo objetivo epidemiológico em termos das causas de morte, principalmente de causas externas (SAÚDE BRASIL, 2013).

A escolha por essas categorias são devido que:

Lesões e óbitos decorrentes de acidentes relacionados ao trânsito, afogamento, envenenamento, quedas ou queimaduras, assim como as violências incluindo as agressões/ homicídios, suicídios, tentativas de suicídios, abusos físicos, sexuais e psicológicos, são eventos classificados como “causas externas de morbidade e mortalidade”. Estima-se que tais agravos sejam responsáveis por mais de 5 milhões de mortes em todo o mundo a cada ano e que, para cada morte por causas externas, ocorram dezenas de hospitalizações, centenas de atendimentos de emergência e milhares de consultas ambulatoriais em decorrência desses eventos (SAÚDE BRASIL, 2011, p. 301).

Assim, estudos da mortalidade decorrente de tais causas externas

devem ser amplamente estudada e monitoradas, para assim buscar mais

eficácia em termos de políticas e de ações de saúde. Esse terá abordagem até

2013, visto que, não se tem ainda disponibilidade de dados mais recentes.

Através da coleta de dados observou-se que 2010 o número de

óbitos em jovens por causas externas de caráter violento no ano de 2010 foi de

108, em 2011 de 130 jovens, no ano de 2012 155, em 2013 155. Estes

números referem a três categorias segundo o grande grupo CID 10 do

DATASUS que são: V01 V99 acidentes de trânsito; X-60 X84 lesões

autoprovocadas voluntariamente (suicídio) e X-85 Y-09 agressões, onde se

encaixa homicídios, sendo que tais dados são demonstrados separadamente

na tabela abaixo:

Tabela 1: Óbitos por causas externas violentas em jovens de 10 a 19 anos em Goiânia GO (2010 - 2013).

Causas óbitos

2010

2011

2012

2013

Acidentes de trânsito

42

33

35

21

Lesões autoprovocadas voluntariamente

5

3

8

7

(Suicídio)

Agressões (Homicídios)

61

94

112

122

Total

108

130

155

150

Fonte: DATASUS (2010 - 2013)

Para assimilação dos dados, serão representados abaixo os dados

de 2010 a 2013, por sexo, visando análise melhor das taxas de mortalidade em

jovens de 10 a 19 anos, segundo os números oferecidos pelo DATASUS.

O cálculo da taxa de mortalidade foi realizado multiplicando o

número de óbitos separados por sexo e de cada categoria por 100.000 (mil

habitantes) dividido pelo número de jovens residentes total de cada ano,

conforme descrito abaixo:

pelo número de jovens residentes total de cada ano, conforme descrito abaixo: Sendo N = o

Sendo N = o número de óbitos (DATASUS)

P = número de jovens em cada ano em Goiânia

Os dados referentes ao número da população jovem de 10 a 19 anos entre os anos de 2010 e 2013 estão descritos na tabela 2 abaixo:

Tabela 2- Jovens sexo e total em Goiânia de 2010 a 2013 entre 10 a 19 anos

Ano

Masculino

Feminino

Goiânia

N

%

N

%

N

%

2010

105,190

8,07

105,882

8,13

1.302,001

100

2011

109,224

8,03

108,052

7,95

1.358,905

100

2012

107,756

8,07

106,739

8,00

1.333,707

100

2013

110,454

7,93

109,104

7,82

1.393,579

100

Fonte: DATASUS (2010 2013)

N = número da população absoluta / % = Percentual com relação a população total de Goiânia

Conforme observado na Tabela 2, nota-se que o número de mulheres é superior aos homens, em quase todos os anos na faixa etária de 10 a 19 anos, tendo somente amostragem diversa no ano de 2010, conforme demonstrado no gráfico 1 abaixo:

Gráfico 1: Comparação entre sexo masculino e feminino de 10 a 19 anos em Goiânia (2010 - 2013

entre sexo masculino e feminino de 10 a 19 anos em Goiânia (2010 - 2013 Fonte:

Fonte: Adaptado DATASUS (2010 2013)

Nota-se também conformo dados da tabela 2, que o número de jovens de 10 a 19 anos corresponde em média de 8% do total da população de Goiânia.

Referente

às

taxas

de

mortalidade

observou-se

os

seguintes

resultados, conforme demonstrado na Tabela 3 abaixo:

Tabela 3- Números absoluto (N), de óbitos e taxa de mortalidade (por 100 mil habitantes) por causas externas, segundo sexo , tipos de causa externa Goiânia 2010 a 2013.

Tipo de

causa

2010

2011

2012

2013

 

Mas

Fem

Mas

Fem

Mas

Fem

Mas

Fem

 

n

t

n

t

n

t

n

t

n

t

n

t

n

t

n

t

Acidentes

33

31,4

9

8,5

25

22,9

8

7,4

28

26,0

7

6,5

18

16,29

18

2,74

de trânsito

Suicídio

5

4,7

0

0

1

0,91

2

1,85

5

2,81

3

2,81

4

3,62

4

2,74

Homicídio

59

56,1

2

1,88

81

74,1

13

12,3

100

11,24

12

11,24

113

102,30

113

8,24

Fonte: DATASUS (2010 2013) n número absoluto t - taxa

Conforme dados da Tabela 3 os números de homicídios representam grande expressividade em termos de óbitos por causas externas em jovens de 10 a 19 na cidade de Goiânia, entre os anos de 2010 a 2013. O que pode-se observar também é que com relação aos acidentes de transito os jovens do sexo masculino são mais expressivos quando comparados a do sexo feminino, ou seja, apresentam taxa maior de mortes. Na categoria de suicídio observa-se já mais equivalência entre os dois sexos, mas, mesmo assim o sexo masculino apresentando maior número. O que leva a concluir que o número de óbitos por causas externas em jovens de 10 a 19 anos são maior no sexo masculino. Tais dados indo ao encontro do estudo de Ruotti et al., (2014) de que é grande o número de homicídios em jovens. E, também conforme

reiterou Minamisava (2008) de que mortes violentas estão entre as principais causas de óbito, consideravelmente atualmente população jovem. No caso de mortes provenientes de causas externas, os homicídios tem sido uma grande problemática, até porque na maioria desses casos há um paralelo com uso e tráfico de drogas. O perfil desses jovens em grande parte é que residem na periferia, são jovens negros e de baixo poder aquisitivo. Conforme reiterou Braga e Castro (2015) de que muitas mortes de jovens estão relacionados ao envolvimento com tráfico de drogas, e, ainda ressalta um perfil estereotipado desses jovens pela sociedade de forma geral como pobre, perigoso, violento e criminoso, bem como Freitas, Brasil e Almeida (2012). Analisando ano a ano, o número de morte por agressões em jovens em Goiânia cresceu, tendo só pequena variação quando comparado o ano de

2011 a 2012, que houve queda de 1%. Conforme Freitas, Brasil e Almeida

(2012, p. 3) descreveram que “a violência e a criminalidade urbanas, com

destaque para os homicídios, são fenômenos cada vez mais visibilizados pelo crescimento do número de ocorrências criminais efetivas”. Referente ao perfil desses jovens que morreram em Goiânia, segundo DATASUS, a maioria é do sexo masculino, tendo faixa etária entre 10

a 19 anos. E, tais dados são similares aos de Braga e Castro (2015) que

apontam maioria de jovens do sexo masculino. Já referente à faixa etária diverge, visto que, jovem de 14 a 29 anos até 2014, por exemplo,

apresentavam segundo o estudo desses autores em torno de 60% das mortes.

A divergência de dados talvez podendo ser explicado pelas categorias que

foram analisadas no presente estudo. Freitas, Brasil e Almeida (2012) também realizaram análise e

discussão com relação à morte de jovens, constatando que jovens emergem como vítimas preferenciais em ocorrências de homicídios sendo maior número de homens, solteiros e de baixa escolaridade. Referente às taxas de homicídio em Goiânia de 2010 a 2013, Waiselfisz (2015) descreveu que em 2010 foi de 69,5. Em 2011, 83,9. 2012 121,0 e 2013 com 63,9. Observa-se acréscimo do número de homicídios de

2010 até 2012, porém, em 2013 nota-se queda expressiva dos números. Em

2015, o Brasil ocupava o 3º lugar no número de taxas de mortalidade em adolescentes de 0 a 19 anos, tendo taxa de 16,9%. Os números são tão alarmantes, pois, Goiás ocupa em torno da nona posição nas taxas de morte violentas no Brasil. Entre os anos de 2002 até 2012, houve aumento ano a ano, tendo em 2012 em torno de 50% dos casos de mortes violentas da cidade de Goiânia, jovens de 10 a 19 anos. Observa-se, que assim como no Brasil, em Goiânia, os homicídios são os de maior prevalência entre todas as causas externas, principalmente, em indivíduos jovens. De acordo com estudo Saúde Brasil (2012) a morte por homicídios é maior em homens. No caso de acidentes de trânsito há observa- se decrescimento em termos das taxas. Mas, mesmo assim as mortes decorrentes de acidente de trânsito merecem colocação, devido serem importante questão de saúde pública, pois, devido à rápida urbanização, o aumento desses números tem sido evidentes, sendo causa importantes de óbitos na população mundial. Além de que, muitos desses óbitos e acidentes têm fatores externos relacionados como consumo de álcool e drogas (SAÚDE BRASIL, 2012). O número de suicídios já apresenta certo nivelamento não havendo variação expressiva de ano a ano, podendo até apresentar uma média 5 do número de mortes em jovens de 10 a 19 anos em Goiânia entre os anos de 2010 a 2013. Nas mortes decorrentes de lesões autoprovocadas intencionalmente (suicídio), é mais prevalente no sexo masculino, porém sendo mais predominante em indivíduos mais velho, ou seja, sua incidência menor em jovens (SAÚDE BRASIL, 2012). Neves e Garcia (2015) apontam que a mortalidade de jovens demonstra-se elevada, e causas violentas tem sido a principal causa de morte. São vários os padrões de mortalidade, de formas distintas. No caso de forma violenta pode-se destacar homicídios, suicídios, agressões, infanticídio, aborto provocado e morte no trânsito. E, claro estando relacionado ao grande número de violência que o país tem apresentado. Os diferentes autores que estudam a violência tem o consenso de que os jovens são o grupo com maior índice de mortes por causas externas,

conforme foi possível observar nos estudos de de Minayo (2003), Waiselfisz (2014), Mello Jorge et al (1997), tendência ao aumento da violência entre os jovens. Nos casos de homicídios, esses autores colocam como perfil de vítima os jovens do sexo masculino e pobres no topo das estatísticas. Conclui-se então através de tais dados que encontrar uma única causa para a violência urbana não é mais uma alternativa. Por muitos anos foram sustentadas teses que criavam uma linha comum entre pobreza, violência e delinquência, porém hoje elas podem ser contestadas com base em diversos estudos. De acordo com Zaluar (2001), a pobreza adquiriu o sentido negativo de falta e perdeu o seu sinal positivo, tanto que através da mídia e pelo senso comum a imagem da pobreza é sempre negativa. Diante de tais resultados o que pode notar é que a violência é uma constante na sociedade atual, e essa problemática tem atingido grande número de jovens de diversas formas, e uma consequência dessa mazela social são os óbitos em jovens. Vale reiterar que a violência apresenta caráter multidimensional, sendo influenciadas por vários fatores. Com isso as prioridades de ação devem se orientar para alterar as condições propiciadas imediatas da violência, tendo em vista que, a violência urbana é conceituada como um dos maiores problemas nas maiorias das cidades brasileiras, porém falta-se perspectivas e, sobretudo ideias praticas, concretas, voltadas às ações. Silveira, Silva e Beato (2008) abordaram as especificidades da criminalidade urbana, que envolve, muitas vezes, o tráfico e uso de drogas e álcool e o fácil acesso a armas de fogo. O rápido crescimento do numero de homicídios nos centros urbanos após a década de 1980 e o fato de a vitimização demonstram número expressivo de jovens do sexo masculino e isso representa uma mazela social que que tem preocupado pesquisadores das áreas de segurança e saúde publica, e também, desafiado a atuação de gestores públicos na criação e implementação de políticas efetivas. A correlação das drogas com a violência é notória e têm sido evidenciadas e reconhecidas pela Saúde Pública como fator de risco e de vulnerabilidade a jovens brasileiros (MALVASI, 2012). É quase impossível não associar a violência crescente entre os jovens com o crescimento do tráfico de

drogas no Brasil, conforme também expôs Zaluar (1997) ao pontuar que a participação de jovens em grupos de tráfico de drogas é a possibilidade de demonstrar agressividade e força para conseguir aceitação social. No caso dos jovens pobres, também é uma maneira rápida e aparentemente fácil de conseguir poder, prestígio e dinheiro. A violência, portanto, não é mais característica de um grupo populacional. Essa mostra-se presente nos mais diferentes níveis e contextos da sociedade brasileira, e ocupa destaque na vida cotidiana das pessoas. Em suas múltiplas formas de manifestação, a violência é reconhecida como um grave problema social cuja complexidade a torna um desafio (VALADÃO,

2007).

A violência e a criminalidade nas cidades têm sido apontadas como um dos principais problemas existentes no País. O diagnostico do problema é uma etapa anterior a formulação da política, mas não se encerra como o inicio do processo de formulação da política. Dados e informações qualificados, confiáveis e válidos favorecem na orientação de diagnósticos do problema e formulação de políticas. (MESQUITA NETO, 2006) E, apesar do grande destaque adquirido no final do último século, a violência não pode ser considerada uma problemática recente na sociedade brasileira ou presente em contextos isolados. Trata-se de um fenômeno recorrente e sistemático (VALADÃO, 2007). No sentido de buscar diminuir a criminalidade, um dos fatores que colabora para isso vem a ser a prevenção, e análise do perfil da criminalidade, buscando assim ações mais efetivas que colaborem na diminuição de crime ou violência. (MESQUITA NETO, 2006).

CONCLUSÃO

Conclui-se através desse estudo que os óbitos em jovens de forma violenta são na maioria decorrentes de agressões. Óbitos em jovens tem-se demonstrado de grande preocupação em todo o mundo, e, lesões decorrentes de causas externas representam de maior significância como: suicídio, acidentes de trânsito, agressões e homicídios.

A análise de perfil de óbitos demonstra de grande desafio, visto a dificuldades de informações mais precisas. Normalmente tem-se uma estimativa e não um apontamento real. Informações mais precisas de informação sobre perfil de óbitos em jovens, por meio, do emprego de violência, possibilitariam monitoramento e estabelecimento de estratégias de prevenção, bem como permitira o dimensionamento da violência, apresentando a realidade que a sociedade vive. Respondendo ao objetivo central da presente pesquisa, o perfil de óbitos de jovens de forma violenta, refere a maioria por agressões (homicídios), quando comparado as outras variáveis como acidente de trânsito que apresenta-se como maior prevalência, e de lesões autoprovocadas voluntariamente (suicídio). Observa-se que homicídios apresentam grande representatividade junto a jovens sendo esta uma das formas mais graves da violência e que tem crescido a cada ano. Esses números de mortes prematuras tem alterado a estrutura demográfica que tem ocorrido no Brasil e no Mundo, inclusive em Goiânia. Conclui-se assim que o número de mortes violentas crescem a cada ano. O número de jovens nesse cenário é grandioso em todas as idades, inclusive de 10 a 19 anos. O perfil dessas mortes são na maioria homicídios e acidentes de trânsito, tendo nesse contexto, muitas vezes, drogas e álcool envolvido, e apresentando maior ênfase no sexo masculino. Pode-se observar a suscetibilidade que os jovens atuais apresentam com relação a sofrer algum tipos de violência que podem vir a causar óbito, e isso descreve a incerteza social juvenil atual, bem como processos de violência que recaem sobre esse grupo populacional e apresenta a vulnerabilidade de jovens. Demonstrando assim a relevância de políticas públicas com intuito de buscar ações e meios de minimizar tais números. Assim, pode-se colocar que estudos, assim como este, com relação a fatores que envolvem mortes violentas em jovens favorecem para uma visualização real, assim como colaboram para uma perspectiva epidemiológica, oferecendo meios de desenvolver ações de intervenção governamental e prevenção da mortalidade.

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