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EDUCAÇÃO MARXISTA: NOTAS SOBRE ANTONIO GRAMSCI INTRODUÇÃO KATAOKA, Emyly Kathyury UFSC ekathyury@gmail.com As

EDUCAÇÃO MARXISTA: NOTAS SOBRE ANTONIO GRAMSCI

INTRODUÇÃO

KATAOKA, Emyly Kathyury UFSC ekathyury@gmail.com

As estratégias de superação da ordem capitalista são formuladas a partir das condições

históricas concretas e possuem sentido político em contextos próprios. Algumas formulações

estratégicas podem trazer orientações gerais que extrapolam as especificidades de seus contextos

e contribuem mesmo em conjunturas distintas das quais foram formuladas. Gramsci, com suas

formulações sobre cultura e escola, pode contribuir na formulação de novas estratégias de ação.

Nesse artigo, apresentaremos algumas das formulações de Gramsci, afim de compreender as

bases teóricas das formulações do autor.

METODOLOGIA

Na escrita do artigo, além da leitura de escritos de Gramsci, recorreremos a alguns

estudiosos desse autor para compreender as categorias por ele formuladas. Não nos dedicamos a

investigar a obra Gramsciana e apreendê-la em sua totalidade, nos dedicamos apenas às

categorias que exercem influência nos debates sobre educação.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Gramsci realizou a análise de sua época, das lutas políticas e a importância do partido

capaz de organizar a vontade coletiva em sua ação. Na formulação da ação, as categorias de

bloco histórico e sociedade civil são fundamentais. Gramsci define o “Conceito de ‘bloco

histórico’, isto é, unidade entre a natureza e o espírito (estrutura e superestrutura), unidade dos

contrários e dos distintos.” (GRAMSCI, s/d, p.12). Segundo Portelli supõe-se “que a noção

Gramsciana de sociedade civil é um conceito original” (1977, p.22). Em Gramsci Sociedade

civil, sociedade política e sociedade econômica (esfera econômica, mundo produtivo, mundo da

GT MARXISMO, EDUCAÇÃO E PEDAGOGIA SOCIALISTA ANAIS do VII ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO Belém, Universidade Federal do Pará, Maio de 2016. ISBN 978-85-7395-161-5

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produção) são esferas constitutivas da realidade social (apud SIMIONATTO, 2011). A classe dominante impõe sua ideologia porque “além de controlar a produção e distribuição dos bens econômicos, organiza e distribui ideias” (ibidem, p.81). Todavia, a relação não é simples e nem linear.

É no senso comum que os subalternos incorporam a ideologia dominante, mas o senso comum pode ser transformado em bom senso. A superação do senso comum seria possível através da luta concreta, “a partir das situações práticas vividas pelas classes subalternas, as quais, mediante discussão dos seus problemas, chegarão a um nível de cultura sempre mais crítico das situações impostas pelo modo de produção capitalista.” (ibidem, p.84). Os movimentos populares seriam “fermentos” da renovação cultural. O novo bloco histórico se constrói dialeticamente na própria luta, através da “desarticulação do bloco intelectual orgânico da classe dominante, da atração dos intelectuais tradicionais existentes no seio da sociedade, da elaboração e difusão, no interior da classe dominada, de uma concepção articulada, coerente, intencional e ativa do mundo.” (FERRETI, 2009, p.120) A disputa da hegemonia na sociedade civil pressupõe a criação de uma “cultura de massa”, a conversão da ideologia em “vontade coletiva”. O papel do partido é educar as massas, politizar a espontaneidade no processo de luta, para formar a consciência de classe para a construção de um novo bloco histórico que superará a ordem capitalista. Na leitura de Simionatto, “A análise gramsciana evidencia, portanto, que não é suficiente lutar apenas pela extinção da apropriação privada dos meios de produção, mas que se deve lutar também pela extinção da apropriação elitista da cultura e do saber.” (2011, p.55). Para Gramsci (2000) todo grupo social no mundo da produção econômica cria seus intelectuais que lhe dão homogeneidade e consciência. A definição de intelectual não advêm de características intrínsecas, pois “todos os homens são intelectuais, mas nem todos os homens têm na sociedade a função de intelectuais.” (GRAMSCI, 2000, p.18). A definição é dada pela posição que ocupa nas relações sociais, é uma categoria determinada historicamente. A classe cria seus próprios intelectuais que não produzem apenas ideologias, mas todo o conjunto geral das relações sociais, controlando não só a produção como a hegemonia. Intelectual orgânico não participa externamente, mas efetivamente dentro do projeto das classes fundamentais, sua origem é diversa e pode ser oposta a classe que se vincula. Intelectual provoca a tomada de consciência dos interesses, participando na formação de uma concepção de mundo mais homogênea e autônoma. Intelectuais são “prepostos” para exercício da hegemonia social (consenso) e governo político (coerção). O mundo moderno ampliou e muito os intelectuais, nem sempre pela

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produção, mas por necessidade políticas do grupo fundamental dominante. Para Gramsci (2000)

o desenvolvimento da organização escolar indica a importância dos intelectuais no mundo moderno, a escola cria intelectuais de diferentes níveis. A complexidade da escola demonstra a complexidade da civilização. Não seriam os intelectuais individualmente que contribuiriam na conquista da hegemonia, mas o partido político. Nem todos os membros do partido são intelectuais. A função do intelectual é diretiva e organizativa.

A escola foi motivo de estudo para Gramsci, por cumprir papel importante na elevação

cultural das massas e construir concepção unitária de mundo. A superação da visão folclórica do senso comum era prioridade, era preciso superar a visão da Igreja Católica. A escola lutava contra o folclore para difundir uma concepção mais moderna. A lei civil e estatal organizaria os homens para dominar as leis da natureza. As despesas da escola, assumidas até então pela família, deveriam ser assumidas pelo Estado, pois era dever do Estado conformar as novas gerações. A escola, deixando de ser privada e tornando-se pública, deixaria de perpetuar a divisão entre grupos e castas. A solução da crise seria “escola única inicial de cultura geral, humanista, formativa, que equilibre de modo justo o desenvolvimento da capacidade de trabalhar manualmente (tecnicamente, industrialmente) e o desenvolvimento das capacidades de trabalho.” (GRAMSCI, 2000, p.33) A Escola unitária pressupunha novas relações entre trabalho intelectual e manual e em toda a vida social. Era preciso unificar as várias organizações de tipo cultural a vida coletiva, mundo da produção e do trabalho, pois

o conceito e o fato do trabalho (da atividade teórico-prática) é o princípio

educativo imanente à escola primária, já que a ordem social e estatal (direitos e deveres) é introduzida e identificada na ordem natural pelo trabalho. O conceito do equilíbrio entre ordem social e ordem natural com base no trabalho, na atividade teórico-prática do homem, cria os primeiros elementos de uma intuição do mundo liberta de toda magia ou bruxaria, e fornece o ponto de partida para o posterior desenvolvimento de uma concepção histórica, dialética, do mundo, para a compreensão do movimento e do devir, para a avaliação da soma de esforços e de sacrifícios que o presente custou ao passado e que o futuro custa ao presente, para a construção da atualidade como síntese do passado, de todas as gerações passadas, que se projeta no futuro (GRAMSCI, 2000, p.43)

] [

Para Gramsci, o estudo não deveria ter finalidade prática imediata. Na sua época a escola

com finalidade prática estava predominando, e por isso estava perpetuando a diferença entre os grupos sob a aparência de democratização do ensino.

A escola unitária deveria inserir os jovens na pratica social. A consciência da criança é

reflexo da fração da sociedade civil que participa, na escola o nexo instrução-educação só

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acontecerá através do trabalho vivo do professor, sua tarefa é acelerar e disciplinar a formação da criança. Gramsci compreendia que as reformas por ele propostas não eram tão simples e não dependiam apenas dos professores, mas de todo o complexo social. Sua preocupação era criar uma nova camada de intelectuais e acabar com a relação dirigentes e dirigidos. Segundo Ferreti (2009) Gramsci dedica grande atenção às disputas ideológicas e ações no plano da cultura, sem descartar a luta armada, propondo uma articulação diferenciada entre educação geral e trabalho da proposta de Marx e Engels.

CONSIDERAÇÕES FINAIS Na formulação de Gramsci a construção da hegemonia é importante para a construção do novo bloco histórico. Os intelectuais cumprem um papel fundamental na reforma moral e intelectual, e a escola como espaço de elevação da cultura não poderia ser negligenciada. A elevação cultural das massas seria realizada na luta e na escola, pelo partido político. A defesa é de uma escola única, pública com as despesas a cargo do Estado, vinculada ao trabalho e a vida social para superar a visão folclórica do senso comum. No presente artigo, vimos que a proposta de Gramsci para educação não está desarticulada da leitura da realidade e de uma proposição sobre como superar o capital. Cabe a nós analisar se a formulação do autor corresponde ao momento atual da luta de classes, se é possível e necessário incorporá-las.

PALAVRAS-CHAVE: Educação Marxista, Gramsci, estratégia.

REFERÊNCIAS ACANDA, Jorge Luis. Sociedade civil e Hegemonia. Tradução Lisa Stuart. Rio de Janeiro:

Editora UFRJ, 2006. FERRETI, Celso. O Pensamento educacional em Marx e Gramsci e a concepção de politecnia. Trabalho, Educação e Saúde. Rio de Janeiro, v.7, suplemento, p.105-128, 2009. GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. Volume 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 2000 [Cadernos 12 (1932) Apontamentos e notas dispersas para um grupo de ensaios sobre a história dos intelectuais. p.15-53]. GRAMSCI, Antonio. O moderno príncipe. In: GRAMSCI, A. Maquiavel, a política e o Estado Moderno. 8 ed. Rio de Janeiro: civilização Brasileira (s/d). (p.3-102).

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PORTELLI, Hugues. Gramsci e o Bloco Histórico. Tradução Angelina Peralva. Rio de Janeiro:

Paz e Terra, 1977. SIMIONATTO, Ivete. Gramsci: sua teoria, incidência no Brasil, influência no Serviço Social. 4 ed. São Paulo: Cortez, 2011

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