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PNUMA Rumo a uma nomia VERDE Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da
PNUMA Rumo a uma nomia VERDE Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da
PNUMA Rumo a uma
PNUMA
Rumo a uma

nomia VERDE

Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza

PNUMA Rumo a uma nomia VERDE Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza

Citação UNEP, 2011, Towards a Green Economy: Pathways to Sustainable Development and Poverty Eradication, www.unep.org/greeneconomy

ISBN: 978-92-807-3143-9

Layout por PNUMA/GRID-Arendal, www.grida.no

PNUMA
PNUMA
Layout por PNUMA/GRID-Arendal, www.grida.no PNUMA Copyright © United Nations Environment Programme, 2011 Esta
Layout por PNUMA/GRID-Arendal, www.grida.no PNUMA Copyright © United Nations Environment Programme, 2011 Esta
Layout por PNUMA/GRID-Arendal, www.grida.no PNUMA Copyright © United Nations Environment Programme, 2011 Esta

Copyright © United Nations Environment Programme, 2011

Esta publicação poderá ser reproduzida integralmente ou em parte e em qualquer formato para propósitos educacionais

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As designações empregadas e a apresentação do material nesta publicação não implicam

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Ambiente em relação à situação jurídica de qualquer país, território, cidade ou área, bem como de suas autoridades, ou em relação à delimitação de suas fronteiras ou limites. Além disso, os pontos de vista expressos não necessariamente representam

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PNUMA gostaria de receber uma cópia de qualquer publicação que utilize a presente publicação como fonte.

O PNUMA promove práticas ambientalmente conscientes em nível global e em suas próprias atividades. Esta
O PNUMA promove práticas
ambientalmente conscientes em nível
global e em suas próprias atividades.
Esta publicação é impressa em papel certi cado,
usando tintas com base vegetal e outras práticas
ecologicamente corretas. Nossa política de distribuição
pretende reduzir a pegada de carbono
do PNUMA.

Ambiente. A referência a nomes comerciais ou processos comerciais não constituem um endosso a estes.

Versão -- 02.11.2011

Rumo a uma
Rumo a uma

nomia VERDE

Rumo a uma nomia VERDE Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza

Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza

Agradecimentos

A realização deste relatório não teria sido possível sem o esforço

coordenado de uma série de autores e colaboradores de talento durante os últimos dois anos. Os agradecimentos vão primeiramente aos Autores Coordenadores dos Capítulos: Robert Ayres, Steve Bass, Andrea Bassi, Paul Clements-Hunt, Holger Dalkmann, Derek Eaton, Maryanne Grieg-Gran, Hans Herren, Prasad Modak, Lawrence Pratt, Philipp Rode, Ko Sakamoto, Rashid Sumaila, Cornis Van Der Lugt, Ton van Dril, Xander van Tilburg, Peter Wooders e Mike D. Young. Os agradecimentos aos Autores Colaboradores dos capítulos são apresentados nos respectivos capítulos.

Dentro do PNUMA, este relatório foi concebido e iniciado pelo Diretor Executivo, Achim Steiner. Foi orientado por Pavan Sukhdev e coordenado por Sheng Fulai, sob a administração geral e orientação de Steven Stone e Sylvie Lemmet. Orientações adicionais foram oferecidas por Joseph Alcamo, Marion Cheatle, John Christensen, Angela Cropper, Peter Gilruth e Ibrahim Thiaw. Agradecemos a Alexander Juras e Fatou Ndoye por sua

liderança ao facilitar consultas com os Grupos Principais e as Partes Interessadas. O projeto inicial do relatório se beneficiou das informações de Hussein Abaza, Olivier Deleuze, Maxwell Gomera

e Anantha Duraiappah.

A conceitualização do relatório se beneficiou de discussões envolvendo Graciela Chichilnisky, Peter May, Theodore Panayotou, John David Shilling, Kevin Urama e Moses Ikiara. Agradecemos também a Kenneth Ruffing por sua edição técnica e contribuição em diversos capítulos e a Edward B. Barbier e Tim Swanson por suas contribuições no Capítulo de Introdução. Inúmeros revisores especialistas internos e externos, aos quais agradecemos nos capítulos individuais, contribuíram com seu tempo e conhecimento para aprimorar a qualidade geral e a exatidão do relatório.

Além disso, centenas de pessoas ofereceram seus pontos de vista

e perspectivas sobre o relatório em quatro grandes eventos: a

reunião de lançamento da Iniciativa Green Economy (Economia Verde) em dezembro de 2008, um workshop técnico em abril de 2009, uma reunião de revisão em julho de 2010 e uma reunião de consulta em outubro de 2010. Embora o número de pessoas seja grande demais para que possamos mencioná-las individualmente, agradecemos profundamente suas contribuições. Os especialistas que comentaram sobre as versões preliminares de capítulos específicos são devidamente mencionados nos capítulos

relevantes. A Câmara Internacional de Comércio (ICC) tem garantida uma menção especial aqui por seu parecer construtivo sobre diversos capítulos.

Este relatório foi realizado por meio dos esforços dedicados da Equipe de Gerenciamento de Capítulos do PNUMA: Anna Autio, Fatma Ben Fadhl, Nicolas Bertrand, Derek Eaton, Marenglen Gjonaj, Ana Lucía Iturriza, Moustapha Kamal Gueye, Asad Naqvi, Benjamin

Simmons e Vera Weick. Eles trabalharam incansavelmente para envolver os Autores Coordenadores dos Capítulos, interagir com os especialistas relevantes no PNUMA, solidificar esboços, revisar rascunhos, facilitar as revisões especializadas, compilar

comentários dos revisores, orientar as revisões, conduzir pesquisas

e fazer com que todos os capítulos chegassem à produção final.

Adicionalmente, diversos membros da equipe do PNUMA forneceram orientações técnicas e sobre políticas em diversos capítulos: Jacqueline Alder, Juanita Castaño, Charles Arden- Clark, Surya Chandak, Munyaradzi Chenje, Thomas Chiramba, Hilary French, Garrette Clark, Rob de Jong, Renate Fleiner, Niklas Hagelberg, Arab Hoballah, James Lomax, Angela M. Lusigi, Kaj Madsen, Donna McIntire, Desta Mebratu, Nick Nuttall, Thierry Oliveira, Martina Otto, David Owen, Ravi Prabhu, Jyotsna Puri, Mark Radka, Helena Rey, Rajendra Shende, Soraya Smaoun, James Sniffen, Guido Sonnemann, Virginia Sonntag-O’Brien, Niclas Svenningsen, Eric Usher, Cornis Van Der Lugt, Jaap van Woerden, Geneviève Verbrugge, Farid Yaker e Yang Wanhua. Agradecemos profundamente por suas contribuições em diversos estágios do desenvolvimento do relatório.

Reconhecemos e agradecemos a parceria e o apoio da equipe da Organização Internacional do Trabalho (OIT), liderada por Peter Poschen. Muitos membros da equipe da OIT, em especial Edmundo Werna e aqueles aos quais agradecemos nos capítulos individuais, ofereceram contribuições sobre questões relativas ao trabalho. O capítulo sobre turismo foi desenvolvido em parceria com a Organização Mundial de Turismo (OMT), por meio da coordenação de Luigi Cabrini.

Devemos reconhecimento e agradecimento especial a Lara Barbier, Etienne Cadestin, Daniel Costelloe, Moritz Drupp, Jane Gibbs, Annie Haakenstad, Hadia Hakim, Jasmin Hundorf, Sharon Khan, Kim Hyunsoo, Andrew Joiner, Kim Juhern, Richard L’Estrange, Tilmann Liebert, François Macheras, Dominique Maingot, Semhar Mebrahtu, Edward Naval, Laura Ochia, Pratyancha Perdeshi, Dmitry Preobrazhensky, Marco Portugal, Alexandra Quandt, Victoria Wu Qiong, Waqas Rana, Alexandria Rantino, Pascal Rosset, Daniel Szczepanski, Usman Tariq, Dhanya Williams, Carissa Wong, Yitong Wu e Zhang Xinyue por seu auxílio nas pesquisas, e a Désirée Leon, Rahila Mughal e Fatma Pandey pelo apoio administrativo.

Devemos também muitos agradecimentos a Nicolas Bertrand e Leigh Ann Hurt pelo gerenciamento da produção; Robert McGowan, Dianna Rienstra e Mark Schulman pela edição; Elizabeth Kemf pela formatação; e Tina Schieder, Michael Nassl e Dorit Lehr pela verificação dos fatos.

Por fim, gostaríamos de estender um agradecimento especial a Anne Solgaard e à equipe do PNUMA/GRID-Arendal por preparar

o layout e o design do relatório.

O PNUMA gostaria de agradecer aos governos da Noruega, Suíça e do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte, bem como à Organização Internacional do Trabalho, à Organização Mundial de Turismo da ONU e à Fundação das Nações Unidas por seu generoso apoio na Iniciativa Green Economy (Economia Verde).

Turismo da ONU e à Fundação das Nações Unidas por seu generoso apoio na Iniciativa Green
Turismo da ONU e à Fundação das Nações Unidas por seu generoso apoio na Iniciativa Green
Turismo da ONU e à Fundação das Nações Unidas por seu generoso apoio na Iniciativa Green
Turismo da ONU e à Fundação das Nações Unidas por seu generoso apoio na Iniciativa Green
Turismo da ONU e à Fundação das Nações Unidas por seu generoso apoio na Iniciativa Green

Prefácio

Quase 20 anos após a Cúpula da Terra, as nações voltam ao Rio, mas em um mundo muito mudado e diferente daquele de 1992.

Naquela época, estávamos apenas vislumbrando alguns dos desafios emergentes em todo o planeta, desde as mudanças climáticas até a extinção de espécies em razão da desertificação e da degradação do solo.

Tal transição pode catalisar uma atividade econômica de um tamanho no mínimo comparável às práticas atuais, mas com um risco reduzido de crises e choques cada vez mais inerentes ao modelo existente.

Hoje em dia, muitas dessas preocupações aparentemente distantes estão se tornando uma realidade com implicações sérias não somente em termos de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU, mas que também estão pondo em risco a oportunidade de sete bilhões de pessoas –

Novas ideias são, por sua própria natureza, desestabilizadoras. No entanto, são muito menos desestabilizadoras do que um mundo com escassez de água potável e terras produtivas, isso em um contexto de mudanças climáticas, eventos meteorológicos extremos e uma crescente escassez dos recursos naturais.

número que aumentará para nove bilhões até 2050 – de sobreviver, quem dirá de prosperar.

Uma economia verde não favorece uma ou outra

perspectiva política. Ela é relevante a todas as

Uma transição para uma economia verde já está a

A

Rio 1992 não falhou em relação ao mundo – longe

economias, sejam elas controladas pelo Estado ou pelo

disso. Ela forneceu a visão e as peças fundamentais de um mecanismo multilateral para alcançar um futuro sustentável.

mercado. Também não substitui o desenvolvimento sustentável. Em vez disso, é uma maneira de realizar esse desenvolvimento nos níveis nacional, regional e global, e

No entanto, isso só será possível se os pilares ambiental e social do desenvolvimento sustentável tiverem o mesmo tratamento que o pilar econômico: onde a normalmente invisível força motora da sustentabilidade, desde as florestas até a água potável, tenha o mesmo peso, senão maior, no planejamento de desenvolvimento e econômico.

de maneiras que ecoam e amplificam a implementação da Agenda 21.

caminho – como está destacado neste relatório e nos cada vez mais abundantes estudos complementares elaborados por organizações internacionais, países, empresas e organizações da sociedade civil. Todavia, o desafio é, claramente, aproveitar esse momento.

O

relatório Rumo a uma Economia Verde está entre as

principais contribuições do PNUMA para o processo

A

Rio+20 oferece uma oportunidade real de ampliar

Rio+20 e para o objetivo geral de luta contra a pobreza e promoção de um século XXI sustentável.

integrar esses “brotos verdes”. Ao fazer isso, este

relatório oferece não apenas um roteiro para o Rio, mas vai além de 2012, onde um gerenciamento muito mais

e

O

relatório apresenta argumentos econômicos e sociais

inteligente do capital natural e humano do planeta

convincentes para o investimento de dois por cento do PIB global para fazer com que dez setores centrais

finalmente moldará a criação de riquezas e a trajetória do mundo.

da economia se tornem verdes, a fim de redirecionar o desenvolvimento e desencadear investimentos públicos

e

privados que favoreçam a baixa emissão de carbono e

o

uso eficiente de recursos.

emissão de carbono e o uso eficiente de recursos. Achim Steiner Diretor Executivo do PNUMA Subsecretário
emissão de carbono e o uso eficiente de recursos. Achim Steiner Diretor Executivo do PNUMA Subsecretário
emissão de carbono e o uso eficiente de recursos. Achim Steiner Diretor Executivo do PNUMA Subsecretário

Achim Steiner Diretor Executivo do PNUMA Subsecretário Geral da ONU

Índice

Agradecimentos.

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5

Prefácio

 

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7

Introdução

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PARTE I: Investindo no capital   . 31

PARTE I: Investindo no capital

 

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Agricultura .

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Pesca

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Água

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Florestas

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163

P A R T E I I : Investindo em eficiência energética e de  

PARTE II: Investindo em eficiência energética e de

 

211

Energia

 

213

Indústria Manufatureira

259

Resíduos

 

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Edifícios

 

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Transporte

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405

Turismo

 

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Cidades

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P A R T E I I I : Apoiando a transição para uma economia

PARTE III: Apoiando a transição para uma economia ecológica global.

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529

Modelando cenários globais de investimento verde

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531

Criando condições .

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619

Conclusões

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nomia

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nomia Intr o du ç ã o Abrindo caminhos para a transição a uma economia verde
nomia Intr o du ç ã o Abrindo caminhos para a transição a uma economia verde

Introdução

nomia Intr o du ç ã o Abrindo caminhos para a transição a uma economia verde
nomia Intr o du ç ã o Abrindo caminhos para a transição a uma economia verde

Abrindo caminhos para a transição a uma economia verde

nomia Intr o du ç ã o Abrindo caminhos para a transição a uma economia verde
nomia Intr o du ç ã o Abrindo caminhos para a transição a uma economia verde

Rumo a uma economia verde

Copyright © Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, 2011

Versão -- 02.11.2011

Índice

1 Introdução: Abrindo caminhos para uma transição a uma economia

Introdução

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1.1 Da crise à oportunidade

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1.2 O que é a economia verde?

 

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1.3 Caminhos para uma economia verde

 

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1.4 Abordagem e estrutura – Rumo a uma economia verde

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Referências

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Lista de tabelas

Tabela 1: Capital natural: Componentes subjacentes e serviços e valores ilustrativos

19

Lista de quadros

Quadro 1: Administrando o desafio populacional no contexto do desenvolvimento

.15

Quadro 2: Rumo a uma economia verde: Um desafio duplo

.22

Rumo a uma economia verde

1 Introdução: Abrindo

caminhos para uma transição a uma economia verde

1.1 Da crise à oportunidade

Osúltimosdoisanostestemunharam a saída do conceito de “economia verde” de um campo especializado em economia ambiental e ganhar ênfase no discurso sobre políticas. Esse conceito vem sendo cada vez

mais encontrado nos discursos dos chefes de estado

e ministros das finanças, no texto dos comunicados

do G20 e discutido no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza.

Esse recente movimento na direção do conceito de economia verde, sem dúvida, foi auxiliado pela grande desilusão em relação ao paradigma econômico predominante, uma sensação de fatiga que emana das várias crises simultâneas e falhas no mercado vividas durante a primeira década do novo milênio, incluindo, principalmente, a crise financeira e econômica de 2008. Mas ao mesmo tempo, há cada vez mais evidências de um caminho para o avanço, um novo modelo econômico, no qual a riqueza material não é alcançada necessariamente à custa de crescentes riscos ambientais, da escassez ecológica e de disparidades sociais.

Um número de evidências cada vez maior também sugere que a transição para uma economia verde pode ser inteiramente justificada em termos econômicos e sociais. Há um forte argumento emergindo para que haja uma duplicação do número de esforços feitos tanto por parte dos governos e do setor privado no engajamento em tal transformação econômica. Para os governos, isso incluiria nivelar o campo de ação para produtos mais verdes, eliminando progressivamente subsídios defasados, reformando

políticas e oferecendo novos incentivos, fortalecendo

a infraestrutura do mercado e mecanismos baseados

no mercado, redirecionando o investimento público

Uma era marcada pelo uso inadequado do capital Várias crises simultâneas se desdobraram na última década: em relação ao clima, biodiversidade, combustíveis, aos alimentos, água e, mais recentemente, no sistema financeiro global. O crescimento das emissões de carbono indica uma ameaça crescente de mudança climática, com consequências potencialmente desastrosas para a humanidade. O choque no preço dos combustíveis em 2007-2008 e o consequente aumento acentuado nos preços dos alimentos e mercadorias indicam fraquezas estruturais e riscos que continuam mal resolvidos. As previsões da Agência Internacional de Energia (AIE) e de outros órgãos quanto a um aumento na demanda de combustível fóssil e nos preços de energia sugerem uma dependência contínua, ao passo que a economia mundial luta para se recuperar e crescer (AIE 2010).

Atualmente, não há um consenso internacional quanto ao problema da segurança global dos alimentos ou

possíveis soluções para conseguir alimentar uma população de 9 bilhões de pessoas até 2050. Consulte

o Quadro 1 para obter informações adicionais sobre o

desafio populacional. A escassez de água doce já é um problema global e as previsões indicam uma diferença crescente até 2030 entre a demanda anual de água

doce e as reservas renováveis (McKinsey e Company 2009). A perspectiva de melhorias no saneamento

ainda é desoladora para mais de 1,1 bilhão de pessoas

e 844 milhões de pessoas ainda não têm acesso à água

potável limpa (Organização Mundial de Saúde e UNICEF 2010). Coletivamente, essas crises têm um impacto muito grande na nossa habilidade de promover a prosperidade em todo o mundo e atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs) na redução da pobreza extrema. Elas também compõem problemas sociais persistentes, tais como desemprego, insegurança socioeconômica, doenças e instabilidade social.

e

tornando os contratos públicos mais verdes. Para o

setor privado, isso envolveria entender e dimensionar

As causas dessas crises variam, mas, em um nível básico,

a

verdadeira oportunidade apresentada pela transição

todas elas partilham uma característica em comum: um

a

uma economia verde em uma série de setores chave,

grande uso inadequado de capital. Nas últimas duas

e

responder às reformas de políticas e aos sinais de

décadas, grande parte do capital foi empregado em

preço por meio de níveis mais altos de financiamento

propriedades, combustíveis fósseis e ativos financeiros

e

investimento.

estruturados com derivativos integrados. Entretanto,

Introdução

Quadro 1: Administrando o desafio populacional no contexto do desenvolvimento sustentável

O vínculo entre a dinâmica populacional e o

desenvolvimento sustentável é forte e inseparável, conforme refletido no Princípio 8 da Declaração sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da Conferência Rio 1992.

vulnerabilidades ambientais. Quando planejada,

a urbanização pode ser um vetor poderoso para

o desenvolvimento sustentável. Considerando que em 2008 a parcela da população urbana

excedeu pela primeira vez a parcela das pessoas

que vivem nas áreas rurais em nível global (UNFPA

2007), uma transição para uma economia verde

se torna cada vez mais importante. De maneira

significativa, nos países menos desenvolvidos, em

que a maioria das pessoas ainda vive no campo, a

década compreendida entre os anos 2000 a 2010

foi a primeira em que o crescimento da população

urbana ultrapassou o crescimento das populações rurais. Esses tipos de mudanças no nível societário também podem apresentar oportunidades para o desenvolvimento de uma economia verde.

“Para alcançar um desenvolvimento sustentável e uma melhor qualidade de vida para todas as pessoas, os Estados devem reduzir e eliminar os padrões não sustentáveis de produção e consumo e promover políticas demográficas adequadas.” Declaração da Rio 92, Princípio 8 (ONU, 1992).

Este ano a população mundial atingirá 7 bilhões

de pessoas e, até o meio do século XXI, aumentará

para mais de 9 bilhões. Ao contrário das previsões anteriores, as projeções populacionais mais recentes estimam que o crescimento populacional irá continuar (ECOSOC 2009 e 2011), o que aumenta

a necessidade de esforços para reduzir a pobreza.

Além do maior desafio de alimentar uma população em crescimento, o que depende crucialmente de uma produção agrícola mais eficaz (FAO 2009 e 2010; Tokgoz e Rosegrant 2011), esse crescimento também requer a criação de oportunidades de emprego suficientes, o que, por sua vez, depende de um desenvolvimento econômico favorável (OIT 2011; UNFPA 2011a; Basten et al. 2011; Herrmann e Khan 2008).

Por exemplo, as cidades podem oferecer serviços

essenciais, incluindo saúde e educação, a custos per capita mais baixos, devido aos benefícios das economias de escala. Uma maior eficiência

também pode ser obtida no desenvolvimento de infraestruturas vitais, incluindo habitação, água, saneamento e transporte. A urbanização também pode reduzir o consumo de energia, especialmente

em termos de transporte e habitação, bem como

criar espaços interativos que estendam o alcance à cultura e às trocas culturais. A materialização desses benefícios requer um planejamento proativo em relação às futuras mudanças demográficas.

Umatransiçãoparaumaeconomiaverdepodeajudar

a superar o impacto do crescimento populacional

na diminuição dos recursos naturais escassos. Os

países menos desenvolvidos (LDCs) do mundo são os mais fortemente afetados pela degradação ambiental em relação à maioria dos outros países em desenvolvimento (UNCTAD 2010a), portanto, eles têm muito a ganhar com a transição para uma economia verde.

Além disso, mudanças na distribuição espacial das populações, impulsionadas tanto pela migração de áreas rurais para urbanas quanto pelo crescimento das cidades, estão alterando os impactos e

Um planejamento antecipado por parte dos

governos e das autoridades locais é capaz de lidar com a dinâmica populacional de maneira proativa.

Por exemplo, uma ferramenta de auxílio aos países

é fazer um melhor uso dos dados populacionais e

conduzir uma análise sistemática da situação (UNFPA

2011b), com o objetivo de destacar o modo como

as tendências populacionais atuais e projetadas

afetam o desenvolvimento. Tal análise oferece a base necessária para lidar com a dinâmica populacional e seus vínculos com o desenvolvimento sustentável e

as estratégias de redução da pobreza.

Fonte: UNFPA

uma quantia relativamente pequena em comparação foi investida em energias renováveis, eficiência energética, transportes públicos, agricultura sustentável, proteção dos ecossistemas e da biodiversidade e conservação do solo e da água.

A maioria das estratégias de crescimento e

desen¡volvimento econômico incentivaram um rápido acúmulo de capital físico, financeiro e humano, porém, à custa de uma redução excessiva e degradação do capital natural, que inclui as reservas de recursos naturais e

Rumo a uma economia verde

os ecossistemas. Ao esgotar as reservas de riquezas

naturais do mundo (em muitos casos, irreversivelmente) esse padrão de desenvolvimento e crescimento teve impactos prejudiciais ao bem-estar das gerações atuais

e apresenta riscos e desafios tremendos para o futuro. As

múltiplas crises recentes são sintomáticas desse padrão.

As políticas e incentivos de mercado existentes contribuíram para o problema do uso inadequado de capital, pois permitem que as empresas gerem externalidades sociais e ambientais significativas, em grande parte não contabilizadas e não verificadas. Reverter esse uso inadequado requer melhores políticas públicas, incluindo medidas de precificação e regulatórias, a fim de mudar os incentivos perversos que impulsionam esse uso inadequado de capital e ignoram as externalidades sociais e ambientais. Ao mesmo tempo, regulamentações políticas e investimentos públicos adequados que promovem mudanças no padrão dos investimentos privados estão sendo cada vez mais adotados no mundo inteiro, especialmente em países em desenvolvimento (PNUMA 2010).

Por que este relatório é necessário agora?

O relatório

pretende desmascarar diversos mitos e equívocos sobre a criação de uma economia verde global e oferece orientações oportunas e práticas aos criadores de políticas sobre quais reformas eles precisam implantar a fim de dar vazão ao potencial produtivo e empregatício da economia verde.

do

PNUMA,

Rumo

a

uma

Economia

Verde,

Talvez o mito mais predominante seja aquele de que há uma incompatibilidade inevitável entre a sustentabilidade ambiental e o progresso econômico.

Hoje em dia, há evidências substanciais de que tornar as economias verdes não inibe a criação de riquezas nem

as oportunidades de emprego. Pelo contrário, muitos

setores verdes oferecem oportunidades significativas de investimento, crescimento e trabalho. No entanto, para que isso ocorra, são necessárias novas condições facilitadoras para promover tais investimentos na transição para uma economia verde, o que, em troca, pede uma ação urgente por parte dos decisores políticos.

Um segundo mito é o de que uma economia verde é um luxo que somente países ricos podem ter, ou pior, de que ela seria uma armadilha para frear o desenvolvimento

e perpetuar a pobreza nos países em desenvolvimento.

especialmente por meio do chamado para um Novo Acordo Verde Global (Global Green New Deal, GGND).

O GGND recomendava um pacote de investimentos

públicos, bem como de políticas complementares

e reformas nos preços, que visava dar início a uma transição para uma economia verde e ao mesmo

tempo revigorar economias e empregos e lidar com

a pobreza persistente (Barbier 2010a). Projetada

como uma política de resposta oportuna e adequada

à crise econômica, a proposta do GGND foi um dos

primeiros resultados da Iniciativa Economia Verde (Green Economy) das Nações Unidas. Essa iniciativa, coordenada pelo PNUMA, foi uma das nove Iniciativas Conjuntas contra a Crise assumidas pelo Secretário Geral da ONU e sua Câmara de Diretores Gerais em resposta à crise econômica e financeira de 2008.

Rumo a uma Economia Verde – o principal resultado da

Iniciativa Economia Verde – demonstra que esverdear as economias mais verdes não precisa ser um fardo sobre

o crescimento. Pelo contrário, tornar as economias

mais verdes tem o potencial de ser um novo vetor de crescimento, uma rede criadora de empregos decentes e

uma estratégia vital para eliminar a pobreza persistente.

O relatório também busca, de três maneiras, motivar

os decisores políticos a gerar condições que permitam maiores investimentos em uma transição para uma economia verde.

Primeiramente, o relatório apresenta uma proposta econômica para alterar os investimentos públicos e privados a fim de transformar setores chave que são críticos a uma economia verde global. O relatório ilustra, por meio de exemplos, como os empregos criados em profissões verdes compensam as perdas de empregos na transição para uma economia verde.

Em segundo lugar, mostra como uma economia verde pode reduzir a pobreza persistente em diversos setores importantes – agricultura, silvicultura, água potável, pesca e energia. A silvicultura sustentável e métodos agrícolas ecologicamente conscientes ajudam a conservar a fertilidade do solo e os recursos da água. Isso é especialmente crítico para a agricultura de subsistência, da qual quase 1,3 bilhão de pessoas dependem para sua sobrevivência (PNUMA et al. 2008).

Ao

contrário dessa percepção, inúmeros exemplos de

Em terceiro lugar, o relatório oferece orientações sobre

transições verdes podem ser encontrados nos países em desenvolvimento, que deveriam ser replicados em outros lugares. Rumo a uma Economia Verde traz alguns desses exemplos à luz e destaca seu escopo para uma aplicação mais ampla.

as políticas para alcançar essa mudança reduzindo ou eliminando subsídios ambientalmente prejudiciais ou perversos, lidando com as falhas do mercado criadas por externalidades ou informações imperfeitas, desenvolvendo iniciativas baseadas no mercado, implementando estruturas regulatórias adequadas,

O

trabalho

do

PNUMA

sobre

a

economia

verde

celebrando contratos públicos verdes e estimulando o

aumentou

a

visibilidade

do

conceito

em

2008,

investimento.

1.2 O que é a economia verde?

O PNUMA define economia verde como um modelo

econômico que resulta em “melhoria do bem-estar

da humanidade e igualdade social, ao mesmo tempo

em que reduz significativamente riscos ambientais e

escassez ecológica” (PNUMA 2010). Em outras palavras, uma economia verde tem baixa emissão de carbono, é

Introdução

reconhecimento crescente de que alcançar a sustentabilidade depende quase que inteiramente em obter um modelo certo de economia. Décadas de criação de uma nova riqueza por meio de um modelo de “economia marrom,” baseada em combustíveis fósseis, não lidaram de maneira sustentável com a marginalização social, a degradação ambiental e o esgotamento de recursos. Além disso, o mundo ainda

eficiente em seu uso de recursos e é socialmente inclusiva.

está longe de atingir os Objetivos de Desenvolvimento

Em

uma economia verde, o crescimento de renda e

do

Milênio até 2015. Na próxima seção, observaremos

emprego deve ser impulsionado por investimentos

os

importantes vínculos entre o conceito de economia

públicos e privados que reduzam as emissões de carbono

e a poluição, aumentem a eficiência energética e o uso

de recursos e impeçam a perda da biodiversidade e dos

serviços ecossistêmicos.

Esses investimentos precisam ser catalisados e apoiados por gastos públicos direcionados, reformas políticas

e mudanças nas regulamentações. O caminho do

desenvolvimento deve manter, aprimorar e, quando

necessário, reconstruir o capital natural como um bem econômico crítico e como uma fonte de benefícios públicos. Isso é especialmente importante para a população carente, cujo sustento e segurança dependem

da natureza.

O objetivo chave de uma transição para uma economia

verde e desenvolvimento sustentável.

Uma economia verde e o desenvolvimento sustentável Em 2009, a Assembleia Geral da ONU decidiu realizar uma convenção no Rio de Janeiro no ano de 2012 (Rio+20) para celebrar o 20o aniversário da primeira Cúpula da Terra no Rio, em 1992. Dois dos itens da agenda para a Rio+20 foram “A Economia Verde no Contexto do Desenvolvimento Sustentável e da

Erradicação da Pobreza” e “Estrutura Internacional para

o Desenvolvimento Sustentável”. Com a economia verde

agora firmemente estabelecida na agenda de políticas internacionais, é útil revisar e esclarecer os vínculos entre uma economia verde e o desenvolvimento sustentável.

 

A

maioria das interpretações da sustentabilidade

verde é possibilitar o crescimento econômico e investimentos, aprimorando ao mesmo tempo a

qualidade ambiental e a inclusão social. Um fator crítico para atingir tal objetivo é criar as condições propícias para que investimentos públicos e privados incorporem critérios ambientais e sociais mais amplos. Além disso,

toma como ponto de partida o consenso alcançado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) em 1987, que definia o desenvolvimento sustentável como o “desenvolvimento que atende as necessidades do presente sem

os

principais indicadores de desempenho econômico,

comprometer a capacidade das futuras gerações de

tais

como o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB),

atender as suas próprias necessidades” (CMMAD 1987).

precisam ser ajustados a fim de englobarem a poluição,

o esgotamento dos recursos, a diminuição de serviços

ecossistêmicos e as consequências distribucionais da perda de capital natural para a população carente.

Um grande desafio é conciliar as aspirações de desenvolvimento econômico dos países ricos e pobres

em competição em uma economia mundial que enfrenta uma crescente mudança climática, insegurança energética e escassez ecológica. Uma economia verde é capaz de atender a esse desafio oferecendo um caminho para o desenvolvimento que reduza a dependência

no carbono, promova a eficiência dos recursos e da

energia e diminua a degradação ambiental. Conforme

o crescimento econômico e os investimentos se tornam

menos dependentes da liquidação de ativos ambientais e

do sacrifício da qualidade ambiental, países ricos e pobres

podem atingir um desenvolvimento econômico mais

sustentável.

Os economistas geralmente se sentem confortáveis com

essa interpretação ampla da sustentabilidade, uma vez que ela é facilmente convertida em termos econômicos:

um aumento no bem-estar atual não deve resultar

na redução do bem-estar futuro. Ou seja, as gerações

futuras devem ter o direito a pelo menos o mesmo nível

de oportunidades econômicas e, da mesma forma, a

pelo menos o mesmo nível de bem-estar econômico, disponíveis às gerações atuais.

Como resultado, o desenvolvimento econômico de hoje deve assegurar que as gerações futuras não sejam deixadas em pior estado do que as gerações atuais. Ou, como alguns economistas expressaram de maneira

sucinta, o bem-estar per capita não deve diminuir com o tempo (Pezzey 1989). De acordo com esse ponto de vista,

é o estoque de capital total empregado pelo sistema

econômico, incluindo o capital natural, que determina

 

a

extensão total das oportunidades econômicas e, assim,

O

conceito

de

economia verde não substitui

o

bem-estar disponível às gerações atual e futura (Pearce

o

desenvolvimento sustentável; mas há um

et al. 1989).

Rumo a uma economia verde

A sociedade deve decidir como melhor usar seu estoque

de capital total hoje a fim de aumentar as atividades econômicas e o bem-estar atuais. A sociedade também deve decidir quanto ela precisa economizar ou acumular para o futuro e, por fim, para o bem-estar das gerações futuras.

No entanto, não é simplesmente o estoque de capital agregado na economia que fará a diferença, mas também sua composição, em especial o fato de as gerações atuais estarem ou não esgotando uma forma

de capital para atender suas necessidades. Por exemplo, grande parte do interesse no desenvolvimento sustentável é impulsionado por uma preocupação de que o desenvolvimento econômico possa estar levando

a uma rápida acumulação de capital físico e humano

às custas da diminuição excessiva e da degradação do capital natural. A principal preocupação é que ao esgotar irreversivelmente o estoque mundial de riquezas naturais, o caminho atual para o desenvolvimento terá implicações prejudiciais para o bem-estar das gerações futuras.

Um dos primeiros estudos econômicos a fazer a ligação entre essa abordagem do capital em relação ao desenvolvimento sustentável e uma economia verde foi o livro, publicado em 1989, Blueprint for a Green Economy (Pearce et al. 1989). Os autores argumentavam que, como as economias atuais estão voltadas à redução do capital natural a fim de assegurar o crescimento, o desenvolvimento sustentável se torna inalcançável. Uma economia verde que valoriza os ativos ambientais, emprega políticas de precificação e mudanças regulamentares a fim de converter esses valores em incentivos de mercado e ajusta a medida econômica do PIB às perdas ambientais é essencial para assegurar o bem-estar das gerações atual e futura.

Conforme destacado pelos autores do livro Blueprint for a Green Economy, um dos grandes problemas na abordagem do capital em relação ao desenvolvimento sustentável é possibilidade ou impossibilidade da substituição entre diferentes formas de capital: capital humano, capital físico e capital natural. Um ponto de vista fortemente conservacionista pode sustentar que o componente natural do estoque de capital total deve ser mantido intacto, conforme medido em termos físicos. No entanto, isso pode ser questionado na prática, especialmente no contexto dos países em desenvolvimento, caso o capital natural seja relativamente abundante e o capital físico e humano precise ser desenvolvido a fim de atender a outras demandas humanas. Esse tipo de substituição reflete a infeliz realidade de que a criação de capital físico – por exemplo, estradas, construções e maquinários – geralmente requer a conversão de capital natural. Embora a substituição entre o capital natural e outras formas de capital seja frequentemente inevitável, geralmente há espaço para ganhos em eficiência.

Há também um crescente reconhecimento dos limites ambientais que refreariam a substituição além dos níveis mínimos necessários para o bem-estar humano.

Ainda assim, sempre houve uma preocupação de que algumas formas de capital natural são essenciais para o bem-estar humano, especialmente bens e serviços ecológicos chave, ambientes únicos e habitats naturais, bem como atributos insubstituíveis do ecossistema. A incerteza quanto ao real valor desses importantes ativos para o bem-estar da humanidade, principalmente o valor que as futuras geração podem depositar sobre eles caso se tornem cada vez mais escassos, limita ainda mais nossa capacidade de determinar se poderemos ou não compensar de maneira adequada as próximas

gerações pelas atuais perdas irreversíveis de tais capitais naturais essenciais. Essa preocupação se reflete em outras definições do desenvolvimento sustentável. Por exemplo, em 1991, o World Wide Fund for Nature (WWF),

a International Union for Conservation of Nature (IUCN) e

o PNUMA interpretaram o conceito de desenvolvimento sustentável como“melhorar a qualidade de vida humana de acordo com as capacidades de fornecimento dos ecossistemas de apoio” (WWF, IUCN e PNUMA 1991).

Conforme essa definição sugere, o tipo de capital natural que está especialmente em risco são os ecossistemas. Como explicado por Partha Dasgupta (2008): “Os ecossistemas são ativos de capital. Como ativos de capital reprodutíveis … os ecossistemas sofrem uma depreciação se forem usados de forma inadequada ou demasiada. Mas eles diferem dos ativos de capital reprodutíveis de três maneiras: (1) a depreciação do capital natural frequentemente é irreversível (ou, no melhor dos casos, o sistema leva muito tempo para se recuperar); (2) exceto de uma maneira bastante limitada, não é possível substituir um ecossistema esgotado ou degradado por um novo; e (3) os ecossistemas podem sofrer um colapso de maneira abrupta, sem muito aviso prévio.”

A crescente escassez ecológica é uma indicação de que

estamos esgotando irreversivelmente os ecossistemas de maneira muita rápida e a consequência é que o bem-estar econômico atual e futuro será afetado. Uma indicação importante da crescente escassez ecológica mundial foi apresentada na Avaliação Ecossistêmica do Milênio (AEM) em 2005, que descobriu que mais de 60% dos principais bens e serviços ecossistêmicos mundiais cobertos pela avaliação estavam degradados ou eram

utilizados de maneira inadequada.

Alguns benefícios importantes para a humanidade estão nessa categoria, incluindo água doce; pescas de captura; purificação da água e tratamento de resíduos; alimentos silvestres; recursos genéticos; bioquímicos; combustíveis provenientes da madeira; polinização;

Introdução

Biodiversidade

Bens e serviços ecossistêmicos (exemplos)

Valores econômicos (exemplos)

Ecossistemas (variedade e extensão/área)

Recreação Regulação da água Armazenamento de carbono

Evitar as emissões de gases do efeito estufa conservando as florestas:

US$ 3,7 trilhões (NPV)

Espécies (diversidade e abundância)

Alimento, fibras, combustível Inspiração para artes e design Polinização

Contribuição dos insetos polinizadores para a produção agrícola:

~US$ 190 bilhões/ano

Genes (variabilidade e população)

Descobertas medicinais Resistência a doenças Capacidade adaptativa

25-50% do mercado farmacêutico que movimenta US$ 640 bilhões é derivado de recursos genéticos

Tabela 1: Capital natural: Componentes subjacentes e serviços e valores ilustrativos

Fonte: Eliasch (2008); Gallai et al. (2009); TEEB (2009)

 

valores espirituais, religiosos e estéticos; a regulação do clima regional e local; erosão; pestes; e perigos naturais. Os valores econômicos associados com esses serviços ecossistêmicos, embora geralmente não sejam comercializados, são substanciais (consulte a Tabela 1).

Uma grande dificuldade é o fato de que os custos crescentes associados à escassez ecológica cada vez mais acentuada não são rotineiramente refletidos nos mercados. Quase todos os bens ou serviços ecossistêmicos degradados identificados pela Avaliação Ecossistêmica do Milênio não são comercializados. Alguns bens, como pescas de captura, água doce, alimentos silvestres e combustíveis provenientes da madeira, geralmente são comercializados, mas, devido a uma má administração dos recursos biológicos e dos ecossistemas que são fonte desses bens, e devido a informações imperfeitas, os preços de mercado não refletem seu uso não sustentável e exploração demasiada.

Além disso, políticas e instituições adequadas também não foram desenvolvidas a fim de lidar com os custos associados à piora na escassez ecológica globalmente. Muito frequentemente, distorções e falhas nas políticas são as causas desses problemas ao encorajar

o desperdício dos recursos naturais e a degradação ambiental. Hoje em dia, o desafio exclusivo imposto por uma crescente escassez ecológica e o uso ineficiente

de recursos e energia é superar um grande número de

falhas no mercado, nas políticas e falhas institucionais

que impedem o reconhecimento da importância econômica dessa degradação ambiental.

Reverter esse processo de desenvolvimento não sustentável requer três etapas importantes. Primeiramente, conforme argumentado pelos autores

do livro Blueprint for a Green Economy, são necessárias melhorias na avaliação ambiental e na análise de políticas para assegurar que os mercados e as políticas incorporem os custos e benefícios totais dos impactos ambientais (Pearce et al. 1989; Pearce e Barbier 2000).

A avaliação ambiental e a responsabilização pela

depreciação do capital natural devem ser plenamente

integradas à política e à estratégia de desenvolvimento econômico. Conforme sugerido acima, os componentes mais desvalorizados do capital natural são os ecossistemas e os diversos bens e serviços que eles oferecem. Valorizar os bens e serviços ecossistêmicos não é fácil, mas ainda assim, isso é fundamental para assegurar a sustentabilidade dos esforços de desenvolvimento econômico globais.

Um grande esforço de pesquisa internacional apoiado pelo PNUMA, a Economia dos Ecossistemas e

Biodiversidade (TEEB), ilustra como a pesquisa ecológica

e econômica pode ser usada para valorizar os bens e

serviços ecossistêmicos, e também como tal valorização

é essencial para a criação de políticas e investimentos no meio ambiente (Sukhdev 2008; TEEB 2010).

Em segundo lugar, o papel da política em controlar

a degradação ambiental excessiva requer a

implementação de informações, incentivos, instituições, investimentos e infraestruturas eficazes e adequados. Informações mais precisas sobre o estado do meio

ambiente, dos ecossistemas e da biodiversidade são essenciais para a tomada de decisões privadas e públicas, que determinam a alocação de capital natural para o desenvolvimento econômico. O uso de instrumentos baseados no mercado e a criação de mercados e, quando adequado, de medidas regulatórias, têm um papel a desempenhar na internalização dessas informações nas decisões diárias de alocação na economia. Tais instrumentos também são importantes para corrigir as falhas nos mercados e políticas que distorcem

os incentivos econômicos para um gerenciamento

aprimorado do meio ambiente e dos ecossistemas.

No entanto, superar falhas institucionais e encorajar

direitos de propriedade mais eficazes, uma boa governança e o apoio às comunidades locais também são elementos críticos. Reduzir a ineficiência governamental, corrupção e práticas inadequadas de prestação de contas são aspectos importantes para reverter a degradação ambiental excessiva em muitos países. Mas também há um papel positivo por parte do governo em

Rumo a uma economia verde

oferecer uma infraestrutura adequada e eficaz por meio

Em suma, mover-se em direção a uma economia verde

do investimento público, proteção de ecossistemas críticos e conservação da biodiversidade, criando novos mecanismos de incentivo, tais como o pagamento por serviços ecossistêmicos, a promoção das tecnologias e

deve se tornar uma prioridade nas políticas econômicas estratégicas para alcançar o desenvolvimento sustentável. Uma economia verde reconhece que o objetivo do desenvolvimento sustentável é melhorar

conhecimento necessários para melhorar a restauração

a

qualidade da vida humana dentro dos limites do

dos ecossistemas e facilitação da transição para uma

meio ambiente, o que inclui combater as mudanças

economia com baixa emissão de carbono.

climáticas globais, a insegurança energética e a escassez ecológica. No entanto, uma economia verde não pode

Em terceiro lugar, a degradação ambiental contínua,

se

concentrar exclusivamente em eliminar os problemas

a

conversão do solo e as mudanças no clima global

e

a escassez ambientais. Também deve lidar com as

afetam o funcionamento, a diversidade e a resiliência dos sistemas ecológicos e dos bens e serviços que

preocupações de desenvolvimento sustentável com igualdade intergeracional e a erradicação da pobreza.

eles oferecem. É difícil quantificar e avaliar os possíveis impactos a longo prazo desses efeitos sobre a saúde

Uma economia verde e a erradicação da pobreza

recursos naturais. O sustento de grande parte da população

e

a estabilidade dos ecossistemas. Uma crescente

A maioria dos países em desenvolvimento, e certamente a

colaboração entre cientistas ambientais, ecologistas e economistas será necessária para avaliar e monitorar esses impactos (AEM 2005; Polasky e Segerson 2009).

maior parte de suas populações, depende diretamente dos

carente rural mundial também está intrinsecamente ligado

Essa análise ecológica e econômica interdisciplinar

à

exploração de meio ambientes e ecossistemas frágeis

também é necessária para identificar e avaliar as

(Barbier 2005). Um número muito superior a 600 milhões

consequências sobre o bem-estar das gerações atuais

de

pessoas carentes em áreas rurais vivem atualmente

e

futuras advindas da crescente escassez ecológica.

em terrenos propensos à degradação e escassez de água,

O

progresso na reversão do desenvolvimento não

bem como em áreas não planejadas, em sistemas florestais

sustentável pede uma colaboração interdisciplinar mais disseminada para analisar problemas complexos de degradação ambiental, perda da biodiversidade e declínio de ecossistemas.

Uma pesquisa interdisciplinar também precisa

determinar os limites que devem reger a transformação

de tipos específicos de capital natural em outras formas

de capital. Por exemplo, quanto de terreno florestal

é permitido para conversão em terreno agrícola,

uso industrial ou desenvolvimento urbano em uma determinada área? Que quantidade de água subterrânea pode ser extraída por ano? Quantas e quais espécies de peixe podem ser capturadas em uma determinada temporada? Quais substâncias químicas devem ser banidas da produção e comércio? E mais importante, quais são os critérios para estabelecer esses limites? Uma vez que esses padrões forem estabelecidos, medidas de incentivo em níveis nacionais ou internacionais podem ser criadas para assegurar sua conformidade.

O outro elemento chave para equilibrar diferentes

formas de capital reconhece que a sustentabilidade é

uma característica das tecnologias atuais. Investir em mudanças e substituições dessas tecnologias pode levar

a novas complementariedades. A maioria das fontes de

e em terras áridas vulneráveis a transtornos climáticos

e ecológicos (Comprehensive Assessment of Water Management in Agriculture 2007; Banco Mundial 2003).

A tendência das populações rurais de se concentrarem

em terrenos marginalizados e em ambientes frágeis provavelmente continuará sendo um problema para o futuro próximo, considerando-se as tendências globais atuais para a população rural e a pobreza. Apesar da rápida urbanização mundial, a população rural das regiões em desenvolvimento continuam a crescer, ainda que em um ritmo mais lento nas décadas mais recentes (Population Division of the United Nations Secretariat 2008). Além disso, cerca de três quartos da população carente dos países em desenvolvimento ainda vivem em áreas rurais, o que significa que cerca de o dobro de pessoas carentes vivem em áreas rurais em comparação às áreas urbanas (Chen e Ravallion 2007).

A população carente mundial está especialmente

vulnerável aos riscos relacionados ao clima impostos pelo aumento nos níveis do mar, erosões litorâneas

e tempestades mais frequentes. Cerca de 14% da

população total e 21% dos moradores de áreas urbanas em países em desenvolvimento vivem em zonas litorâneas de baixa elevação que estão expostas a esse risco (McGranahan et al. 2007). O sustento de bilhões

energia renováveis, tais como turbinas eólicas ou painéis

de

pessoas – desde agricultores carentes a residentes

solares, reduzem consideravelmente a quantidade de capital natural sacrificado em sua construção e a vida útil

de

riscos induzidos pelo clima que afetam a segurança

favelas urbanas – está ameaçado por uma série de

de

sua operação, quando comparado a tecnologias que

alimentar, a disponibilidade de água, a ocorrência de

usam a queima de combustível fóssil. Esses dois tipos de

desastres naturais, a estabilidade dos ecossistemas e a

solução – estabelecer limites e alterar as tecnologias – são importantes para alcançar uma economia verde.

saúde humana (PNUD 2008; OCDE 2008). Por exemplo, grande parte dos 150 milhões de habitantes urbanos

que estarão sob risco de serem afetados pelas cheias litorâneas extremas e o aumento do nível do mar são pessoas carentes que vivem nas cidades dos países em desenvolvimento (Nicholls et al. 2007).

Como no caso da mudança climática, o vínculo entre

a escassez ecológica e a pobreza é bem estabelecido

para alguns dos problemas ambientais e energéticos mais críticos. Por exemplo, para a população carente mundial, a escassez de água global se manifesta como um problema de pobreza da água. Uma em cada cinco pessoas nos países em desenvolvimento não tem

acesso suficiente a água limpa, e cerca da metade da população dos países em desenvolvimento, 2,6 bilhões