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Nome: Flávia dos S. Dias Disciplina: Farmácia Hospitalar III

Resumo

CHIEFFI, Ana Luiza and BARATA, Rita Barradas.Judicialização da política pública de assistência farmacêutica e eqüidade.Cad. SaúdePública [online]. 2009, vol.25, n.8,

pp.1839-1849.

A judicialização da saúde vem crescendo nos últimos anos. Em São Paulo, no ano de 2006, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), gastou 65 milhões de reais com o atendimento de ações judiciais. Cada paciente (de ações judiciais) custou 18 mil reais neste ano, enquanto pacientes atendidos pelo programa de Medicamentos de Dispensação Excepcional consumiram 2,2 mil reais cada.

O SUS assegura ao cidadão o direito à assistência farmacêutica, que garante à população o

acesso aos medicamentos essenciais e uso racional de medicamentos, através da Política Nacional de Medicamentos.

A Política Nacional de Assistência Farmacêutica foi criado posteriormente para assegurar

ações voltadas à promoção e recuperação da saúde, os princípios da universalidade, integralidade e eqüidade.

O SUS padronizou os medicamentos que fornece de forma a tentar atender o maior número

de pessoas possível, avaliando os critérios de segurança e eficácia, além da relação custo/benefício destes.

As ações judiciais, em sua maioria, fornecem medicamentos que não estão padronizados nos protocolos do SUS, gerando privilégios para uma parcela mínima da população e descumprindo com os princípios do sistema único de saúde.

O trabalho constitui-se de uma análise dos dados obtidos do Sistema de Controle Jurídico

(SCJ) e registro eletrônico das demandas organizado pela SES-SP. Os dados de interesse selecionados para o estudo foram referentes ao processo judicial e dados relacionados ao medicamento solicitado (paciente e médico). Foram analisados processos do ano de 2006, de pacientes que residiam na cidade de São Paulo e que obtiveram medicamentos através da ação judicial contra a SES-SP. As seguintes variáveis foram pesquisadas:

a) Representação jurídica privada ou estatal, b) Características dos medicamentos requeridos, c) Características do paciente. Foram utilizados critérios para avaliação de quebra do princípio da eqüidade, entre eles o Índice Paulista de Vulnerabilidade Social (IPVS), que é um indicador que divide em estratos de 1 a 6 a vulnerabilidade social (sendo 1 de nenhuma vulnerabilidade e o 6 de vulnerabilidade muito alta). Foram empregadas estatísticas descritivas e construídos gráficos e tabelas para visualização dos resultados. Foram analisados 2.927 processos neste estudo, sendo 74% dos casos de representação privada e 26% de representação estatal. Em relação aos medicamentos solicitados, 3% não estavam disponíveis no mercado nacional e 77% não estavam incluídos nos programas de assistência farmacêutica do SUS.

O SUS forneceu 23% do total de medicamentos, sendo 13% pertencentes ao Programa de

Medicamentos de Dispensação Excepcional. As classes terapêuticas de medicamentos mais solicitadas foram aparelho digestivo e metabolismo, sistema cardiovascular e antineoplásico e agentes imunomoduladores.

Em relação a prescrição 48% das receitas médicas eram provindas do SUS, 47% do sistema complementar, e em 4% não foi identificada a origem da receita. Analisando o IPVS, segundo ao local de residência do paciente, constatou-se que 16% pertenciam ao estrato 1, 35% ao estrato 2 e 22% ao estrato 3. Pacientes residentes nas regiões de IPVS 2 foram os que mais solicitaram itens de medicamentos, com exceção das insulinas padronizadas pelo Ministério da Saúde que foram mais solicitadas pelos moradores com IPVS 3. Todos os cidadãos têm o direito à saúde garantido pela Constituição Federal, e o direito à eqüidade garantido pelos princípios do SUS. Isso significa que diferentes grupos da população devem ter suas necessidades atendidas pelo serviço de saúde do nosso país.

Para isso torna-se imprescindível a adoção de políticas públicas de saúde que englobam uma escala coletiva de pessoas.

O deferimento de juízes para o fornecimento dos medicamentos solicitados fere com a

política de assistência farmacêutica do SUS e tem consequências que refletem no planejamento das ações de saúde e no orçamento destinado a elas.

Ao se fornecer um medicamento solicitado por via judicial as questões relacionadas a análise de prescrição, necessidade do medicamento, poder aquisitivo do paciente, entre outras, não são avaliadas. E assim podem ocorrer desrespeito a princípios fundamentais do SUS. Neste trabalho foi constatado que a maioria dos processos analisados foram ajuizados por advogados particulares, demonstrando que os pacientes poderiam adquirir o medicamento requerido. Pode-se observar também que as ações judiciais favorecem pessoas com melhores condições socioeconômicas e acesso à informação, e beneficiam indivíduos e não demandas coletivas, pois 98% das ações eram individuais e somente 2% foram ações coletivas. Medicamentos pertencentes a programas do SUS (38%) geraram mais de 30 processos, isto mostra a falta de conhecimento dos medicamentos constantes nos programas do SUS e/ou irregularidades no fornecimento desses itens. Foi constatado que em São Paulo não houve problemas em relação ao abastecimento de medicamentos, porque a maioria dos medicamentos solicitados não fazem parte dos programas do SUS. Medicamentos que constam nos programas do SUS podem estar na mesma prescrição de um medicamento que não faz parte de programas e assim serão solicitados juntos por constarem

na mesma prescrição.

Medicamentos pertencentes à lista de dispensação excepcional, porém foi prescrito para uso em situações não prescritas nos protocolos também podem gerar demanda judicial.

O presente trabalho demonstrou que a população com maior poder aquisitivo é o que mais

vem se beneficiando com o resultado das ações judiciais, ou seja, essas ações não estão beneficiando a população com maior vulnerabilidade e que mais precisa do SUS e sim pessoas com maior poder aquisitivo e que em maioria utiliza o serviço privado de saúde.

Outra questão levantada é a falta de preparo do judiciário para lidar com as ações relacionadas a direitos sociais, que geralmente não possuem conhecimentos técnicos para lidar com este tipo de ação judicial.

O estudo foi realizado somente com os dados da SES-SP, pois não havia dados de outras

cidades no SCJ quando o trabalho foi feito. Medicamentos que foram incluídos no final do ano como Medicamentos de Dispensação Excepcional foram tratados no estudo como não padronizados. Com este estudo pode-se perceber que a judicialização da política pública de assistência contribui para aumentar as desigualdades sociais, pois quem recorre a este recurso é a parcela

com melhores condições socioeconômica e que reside em locais com menor ou nenhum índice de vulnerabilidade social.