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Textos sobre Mares e Oceanos

Textos sobre Mares e Oceanos Poluição oceânica: um panorama Os oceanos sofrem os efeitos nocivos de
Textos sobre Mares e Oceanos Poluição oceânica: um panorama Os oceanos sofrem os efeitos nocivos de

Poluição oceânica: um panorama

Os oceanos sofrem os efeitos nocivos de variados tipos de poluentes, de resíduos sólidos a produtos químicos. Entre zonas mortas e áreas críticas, a civilização testemunha passivamente a degradação sistêmica das águas do planeta.

Publicado em 14/02/2014 | Atualizado em 18/02/2014

Por: Henrique Kugler

Se perguntássemos a um cientista “Como anda a saúde dos oceanos?”, sua resposta seria provavelmente lamuriosa.

De fato. Diante da indagação, o biólogo Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), classificou como “moribundo” o estado de nossos mares. “Os oceanos não estão exatamente mortos”, disse ele. “Mas não estão totalmente vivos.”

disse ele. “Mas não estão totalmente vivos.” Apesar da vastidão dos oceanos, praticamente nenhuma área

Apesar da vastidão dos oceanos, praticamente nenhuma área é isenta de impactos negativos causados pela ação antrópica. (foto: Bob Jagendorf /Flickr CC BY-SA 2.0)

Hoje, não há praticamente nenhuma região oceânica que não tenha sido negativamente impactada pela ação antrópica – são conclusões de um estudo publicado na Science em 2008.

No mesmo ano, também na Science, foi divulgado outro trabalho, que relatou a existência de 400 zonas marinhas mortas em todo o globo. Zonas mortas são aquelas nas quais há excesso de nutrientes e matéria orgânica – e a proliferação de algas atinge níveis elevadíssimos. Elas morrem; e bactérias que as consomem multiplicam-se exponencialmente, demandando cada vez mais oxigênio e assim exaurindo as possibilidades de vida naquelas águas.

A origem desse temível quadro não é mistério: nutrientes em demasia

oriundos de esgoto urbano e também de rios poluídos por fertilizantes

agrícolas.

Temos, ainda, o problema dos resíduos sólidos: cedo ou tarde, toda a tralha de nossa civilização há de parar em algum oceano. E tamanha

é a variedade dessas tranqueiras. “Micro-ondas, sofá, lâmpada,

cachorro morto, fezes; é tudo que você pode imaginar”, conta Turra.

fezes; é tudo que você pode imaginar”, conta Turra. No final de janeiro, a agência espacial

No final de janeiro, a agência espacial norte-americana identificou, por imagens de satélite, uma mancha escura margeando o litoral do Brasil. Possível explicação: crescimento anormal de algas naquele trecho de nossa costa. (imagem: Nasa)

Reflexos de um mundo subdesenvolvido

Normalmente as pessoas se sensibilizam com a imensa quantidade de plástico à deriva nos mares. “Mas os resíduos sólidos, embora causem sérios prejuízos ao ambiente marinho, não são a raiz do problema”, ressalva o pesquisador da USP. “Eles são indicadores que mostram o grau de comprometimento ou descaso das políticas de saneamento e gerenciamento costeiro praticadas no continente.”

“Maior incidência de lixo marinho é vista em regiões pobres e desprovi- das de serviços públicos”, aponta o biólogo. Países desenvolvidos já têm métodos eficazes para equacionar o problema. Mas o mundo em desenvolvimento ainda engatinha – em graus variados de fracasso ou sucesso.

Não é novidade, mas talvez seja necessário remoer o argumento ób- vio: nos países ainda ‘emergentes’, o quadro de poluição oceânica tem sua gênese quase sempre na precariedade do saneamento básico.

“Nas palafitas da Baixada Santista, sequer há coleta adequada de li- xo”, exemplifica Turra. “Em geral, no Brasil, os problemas socioeconômicos são muito mal gerenciados pelos municí- pios costeiros.” Quem acaba pagando a conta são os oceanos.

Gerenciamento tupiniquim

“No Brasil, temos todos os instrumentos legais necessários para um bom gerenciamento de nossos mares”, diz o pesquisador. “Mas quase nada, efetivamente, é colocado em prática.” O biólogo dá um exemplo contundente: o país possui, há 25 anos, um Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro – que jamais foi implementado a contento. “É uma lei sancionada, mas na prática sua implementação deixa a desejar.”

Foi esse, aliás, o tom da declaração final do evento Oceanos e Sociedade 2013, realizado recentemente na USP. “Após mais de duas décadas, o zoneamento ecológico-econômico marinho previsto na lei só foi aplicado de fato no litoral norte de São Paulo e na Baixada Santista”, lamenta o biólogo. Trata-se de um instrumento jurídico da maior importância – pois prevê a implementação de políticas de zoneamento com base nas quais o uso e a exploração dos

territórios marítimos torna-se eficiente e racional. Recursos naturais, potencial turístico, políticas de ocupação alguns dos itens contemplados no plano.

Mas, para que o projeto seja replicado em todo o país, de quem devemos cobrar ações? “Do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e da própria Presidência da República”, responde Turra. “Aliás, sabe quantas pessoas existem no MMA para implementar essa política em todo o litoral brasileiro?”, cutuca o pesquisador. Resposta: cinco. São cinco cabeças para pensar e gerenciar mais de oito mil quilômetros de litoral. A título de curiosidade, os estadunidenses mantêm, nos quadros da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), mais de mil profissionais dedicados à mesma tarefa.

Poluentes silenciosos

Poucos desconfiariam. Mas, além dos problemas clássicos de saneamento, existe uma categoria insuspeita de resí- duos sólidos que acometem os mares. São os chamados microplásticos.

Imagine que você acabou de sair de uma lavanderia, onde encomendou a lavagem de suas roupas. Durante o processo, fragmentos de fibras desprendem-se dos tecidos. “Poliéster, náilon, poliuretano, enfim, vários polímeros e fibras sintéticas fazem parte de nossas vestimentas”, explica Turra. O que nem sempre lembramos é que todos esses minúsculos fragmentos – modernamente chamados de microplásticos – também estarão destinados a viajar pelas vias de esgoto. Nossas estações de tratamento, porém, não foram arquitetadas para dar conta desses resíduos. Fatalmente, eles encerrarão sua trajetória nos mares.

“Quanto menor, pior”, ensina Turra sobre os resíduos plásticos. Pois mais organismos poderão ingerir esses pequenos elementos. Resultado:

alterações fisiológicas e desequilíbrios diversos nos seres e ecossistemas marinhos. Em tempo: há outra fonte de microplásticos da qual poucos poderiam suspeitar. São os cosméticos, notadamente os esfoliantes – aqueles produtos que, segundo a publicidade, são itens indispensáveis de bem-estar e estética. “Microesferas de polietileno, com cerca de 600 microns são empregados em uma infinidade de

itens com propriedades esfoliantes, que vão desde sabonetes e cremes para a pele até cremes dentais”, exemplifica a oceanógrafa Juliana Ivar do Sul, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Esses pequenos polímeros, da mesma forma que as fibras têxteis, seguirão a trilha do esgoto até que, no oceano, encontrarão seu

destino final.

A principal fonte de microplásticos, entretanto, não são os cosméticos, e sim as grandes quantias de plástico convencional usualmente lançadas aos mares. “Com o tempo, esse material se deteriora nos oceanos e produz fragmentos cada vez menores”, explica Turra. Na verdade, tudo que um dia foi “macroplástico” acabará, fatalmente, tornando-se microplástico.

São

acabará, fatalmente, tornando-se microplástico. São Microplásticos usados em cosméticos são importante fonte

Microplásticos usados em cosméticos são importante fonte de contaminação dos oceanos e podem causar alterações fisiológicas e desequilíbrios diversos nos organismos e ecossistemas marinhos. (imagens: Liv Ascer)

Além do horizonte Das ilhas oceânicas brasileiras, Trindade (ES) é a mais distante. São 1.160 km a oeste de nossa costa. É surpreen- dente, pois, saber que naquelas praias remotas foi encontrada generosa abundância de microplásticos. É o que revelam os estudos de Juliana Ivar do Sul.

Entre 2011 e 2013, ela organizou quatro expedições científicas. E, das amostras que coletou em Trindade, 90% esta- vam contaminadas por microplásticos. Situação preocupante foi constatada também em Abrolhos (BA), em Fernando de Noronha (PE) e no Arquipélago de São Pedro e São Paulo (PE). São dados inéditos. E os resultados finais da pesquisa serão apresentados em maio na UFPE.

Atualmente, a comunidade científica sabe que ficam no oceano Pacífico os mais graves focos desse tipo de contami- nação. No Atlântico Sul, entretanto, pesquisadores ainda dão os primeiros passos para quantificar e entender a disseminação dos micropoluentes.

Oceanos hipocondríacos

Também os medicamentos têm sido reportados como graves poluentes a ameaçar a saúde de nossos mares. Anticoncepcionais, antidepressivos, numerosos hormônios

“Excretamos na urina substâncias presentes nos remédios que ingerimos; mas as estações de tratamento de esgoto não têm tecnologia para dar conta desse tipo de rejeito também”, contextualiza Turra. Desses resíduos, despejados esgoto afora, muitos são classificados como interferentes endócrinos – isto é, provocam danos no sistema hormonal dos organismos com os quais eventualmente terão contato.

Essa classe de poluentes – os contaminantes endócrinos – tem dado alguma dor de cabeça para os cientistas. Não só para os que se preocupam com a saúde dos oceanos, mas para os que estudam a qualidade da água potável que abastece nossas próprias casas. Interferentes endócrinos estão cada vez mais presentes nos sistemas de abasteci- mento das cidades brasileiras.

Retorno aos clássicos

É claro que, em se tratando de oceanos, são recorrentes as críticas à indústria da pesca – que, com exímia desenvol-

tura, tem exercido papel notório na predação da biodiversidade marinha de norte a sul.

Igualmente tradicionais são preocupações acerca da exploração de óleo e gás, um dos setores industriais mais pujantes de nosso tempo. “Embora essa indústria seja bastante monitorada, a atividade ainda é muito impactante para os ecossistemas marinhos”, analisa Turra.

Esse cenário diversificado de poluentes deve se refletir na primeira grande avaliação global dos oceanos, capitaneada pela Organização das Nações Unidas (ONU). A ideia foi gestada em 2002, durante a Rio+10, e só recentemente saiu do papel. Os resultados devem ser divulgados em dezembro deste ano. “Trata-se de uma metodologia global para avaliar a qualidade dos mares”, explana Turra. Com ela, todos os países que integram a ONU terão um sistema unificado de avaliação. Será algo inédito para a ciência.

Pesquisadores apostam que, com a bem-vinda iniciativa, medidas mais embasadas poderão ser propostas para conservação e remediação dos quadros ambientais observados nos ambientes marinhos. “É uma proposta muito completa”, comemora o biólogo da USP. Mas, segundo ele, o resultado não será animador. “Após lançados os novos critérios de avaliação, provavelmente teremos um panorama crítico.” Talvez seja um bom momento para colocar os oceanos no cerne da agenda política do cenário global.

Falando em diagnóstico, recente edição da revista Nature apresentou uma espécie de índice de saúde dos oceanos – atribuindo notas de 0 a 100 para cada país analisado. Dezenas de variáveis socioambientais foram levadas em conta. E o Brasil ficou com a nota 66. A Média mundial foi 60 – o que

indica que talvez não estejamos tão mal assim. Os piores índices (próximos de 36) foram verificados na África Ocidental, no Oriente Médio e na América Central. E os

melhores (acima de 86), na Escandinávia, na Austrália e no Japão. O dado preocupante, na verdade, é que apenas 5% das nações atingiram nota maior que 70.

é que apenas 5% das nações atingiram nota maior que 70. Mar de Recife (PE). Segundo

Mar de Recife (PE). Segundo o biólogo da USP Alexander Turra, a saúde dos oceanos não está das melhores e a tendência é piorar. (foto: Henrique Kugler)

Linha d’água

A pergunta pode parecer ingênua, mas

civilização, são reguladores climáticos do planeta. Outra utilidade prática dos ecossistemas marinhos, como mangue- zais e recifes, está na proteção das zonas costeiras. Essas estruturas abrigam o continente e protegem-no de eventos extremos do clima – como, por exemplo, tempestades e tsunamis. E, é claro, oceanos são também prestigiadas áreas de lazer. “São importantes para o bem-estar humano e devem ser tratados com mais distinção”, advoga Turra. Uma sociedade que condena seus mares, diz ele, dá um tiro no próprio pé.

Para que servem os oceanos? Além de valiosa fonte de alimento para a

Henrique Kugler - Ciência Hoje On-line

http://cienciahoje.uol.com.br/especiais/oceanos-envenenados/poluicao-oceanica-um-panorama

31/08/2015 18h09 - Atualizado em 31/08/2015 18h10

Cerca de 90% das aves marinhas têm plástico no organismo, diz estudo

Poluição dos oceanos está colocando em risco as aves marinhas do mundo. Até 2050, 99% dessas aves terão ingerido plástico, diz pesquisa.

Da France Presse

A quantidade de lixo no oceano tem colo- cado em risco as aves marinhas do mun- do. Um estudo conduzido por pesquisado- res do Imperial College London e da Orga- nização para a Pesquisa Industrial e Cien- tífica da Comunidade da Austrália (CSIRO) concluiu que cerca de 90% das aves mari- nhas têm plástico em seu organismo atu- almente.

Cientistas preveem que esse percentual chegará a 99% até 2050, segundo a pes- quisa publicada nesta segunda-feira (31) na revista cientítica Proceedings of the Natio-nal Academy of Sciences (PNAS).

As águas do mundo todo estão tomadas pelo plástico e os pássaros, incluindo pin- guins e gaivotas, podem confundir as co- res brilhantes das garrafas e outros frag- mentos com comida. Eles podem adoecer

e outros frag- mentos com comida. Eles podem adoecer Atobá-de-pé-vermelho é fotografado na Ilha Christmas, da
Atobá-de-pé-vermelho é fotografado na Ilha Christmas, da Australia; poluição dos

Atobá-de-pé-vermelho é fotografado na Ilha Christmas, da Australia; poluição dos

oceanos está pondo em risco as aves marinhas (Foto: CSIRO/Divulgação)

na Ilha Christmas, da Australia; poluição dos oceanos está pondo em risco as aves marinhas (Foto:

ou até mesmo morrer com a ingestão de uma grande quantidade de plástico.

Os pesquisadores avaliaram a situação de 135 espécies de aves por meio de estudos feitos entre 1962 e 2012. A partir desses dados, fizeram previsões baseadas nos níveis atuais de plástico nos oceanos. "Fizemos um prognóstico, utilizando uma observação histórica, que 90% das aves marinhas comeram plástico. Essa é uma quantidade enorme e põe em destaque a onipresença da contaminação dos plásticos", afirmou Chris Wilcox, pesquisador- chefe da CSIRO. Segundo uma pesquisa feita em 1960, menos de 5% das aves marinhas tinham ingerido plástico na época. Segundo o estudo, desde que a produção comercial de plástico começou nos anos 50, a produção duplica-se a cada 11 anos. Contudo, o impacto completo dos plásticos nos pássaros ainda não é conhecida.

http://g1.globo.com/natureza/noticia/2015/08/cerca-de-90-das-aves-marinhas-tem-plastico-no-organismo-diz-estudo.html

Os oceanos à beira da catástrofe

Os oceanos à beira da catástrofe A vida marinha encara a extinção em massa "dentro de

A vida marinha encara a extinção em massa "dentro de uma geração humana" O estado dos mares é "muito pior do que pensávamos", diz um painel global de cientistas. Por Michael McCarthy [22.06.2011 15h30]

Os oceanos do mundo encaram uma perda de espécies sem precedentes, comparável às grandes extinções em massa da pré-história, sugere hoje um importante relatório. Os mares estão se degenerando muito mais rapidamente do que qual- quer um havia previsto, diz o relatório, por causa do impacto cumulativo de um número de severas agressões individu- ais, que vão do aquecimento do clima e a acidificação da água marinha até a poluição química disseminada e a grosseira sobrepesca.

A combinação desses fatores agora ameaça o ambiente marinho com uma catástrofe “sem precedentes na história huma-

na”, de acordo com o relatório de um painel de cientistas marinhos de ponta, reunidos em Oxford no começo deste ano

pelo Programa Internacional sobre o Estado do Oceano (IPSO) e pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

A dura sugestão feita pelo painel é que a extinção potencial de espécies, de peixes grandes, num extremo da escala, até

minúsculos corais, na outra, é diretamente comparável às cinco grandes extinções em massa do registro geológico, du- rante as quais boa parte da vida do mundo morreu. Elas vão do “evento” Ordoviciano-Siluriano de 450 milhões de anos atrás à extinção Cretáceo-Terciária de 65 milhões de anos atrás, que foi aquela que, acredita-se, extinguiu os dinossau-

ros. Acredita-se que o pior desses eventos, no fim do período Permiano, 251 milhões de anos atrás, eliminou 70% das espécies terrestres e 96% de todas as espécies marinhas.

O painel de 27 cientistas, que levou em consideração as pesquisas mais recentes em todas as áreas da ciência marinha,

concluiu que “uma combinação de agressões está criando as condições associadas a todas as principais extinções de

espécies na história da Terra”. Eles também concluíram que:

A intensidade e a rapidez da degeneração dos oceanos é muito maior que qualquer um havia previsto.

Muitos dos impactos negativos que foram identificados são piores que as piores previsões.

Os primeiros passos de uma significativa extinção global já podem ter sido dados.

“As descobertas são chocantes”, disse o Dr. Alex Rogers, professor de biologia da conservação na Universidade Oxford

e diretor científico do IPSO. “Quando consideramos o efeito cumulativo do que a humanidade faz aos oceanos, as impli- cações tornam-se muito piores do que havíamos percebido individualmente”.

“Esta é uma situação séria, que exige ação inequívoca em todos os níveis. São consequências para a humanidade que te- rão impacto durante o nosso tempo de vida e, pior, durante o tempo de vida dos nossos filhos e das gerações vindouras”. Ao considerar as pesquisas recentes, o painel de especialistas “encontrou indícios firmes” de que os efeitos da mudança climática, junto com outros impactos induzidos pelos humanos, como a sobrepesca e o esgotamento de nutrientes devido

à agricultura, já provocaram um declínio dramático na saúde dos oceanos.

Não apenas há declínio severo em muitas espécies de peixes, ao ponto de extinção comercial em alguns casos, e uma extinção regional de alguns tipos de habitat em ritmo “sem paralelo”, como é o caso dos mangues e pradarias marinhas, mas alguns ecossistemas inteiros, como os recifes corais, podem desaparecer dentro de uma geração.

O relatório diz: “A crescente hipoxia [baixo nível de oxigênio] e anóxia [ausência de oxigênio, conhecida como zonas

marinhas mortas], combinadas com o aquecimento do oceano e a acidificação, são os três fatores que estiveram presentes em todos os eventos de extinção em massa na história da Terra”. “Há fortes indícios científicos de que esses três fatores estão se combinando no oceano novamente, exacerbados por múltiplas agressões severas. O painel científico concluiu que um novo acontecimento de extinção é inevitável se a atual trajetória de danos continua”.

O

painel apontou uma série de indicadores de como a situação é grave. Disse, por exemplo, que um único descoloramen-

to

em massa de corais em 1998 matou cerca de 16% de todos os recifes corais do mundo, e apontou que a sobrepesca já

reduziu alguns estoques de peixes comerciais e populações de espécies “bycatch” (capturadas involuntariamente) em

mais de 90%.

O painel também revelou que novas pesquisas científicas sugerem que os poluidores, incluindo-se os químicos que

retardam a combustão e os almíscares sintéticos encontrados em detergentes, estão sendo acompanhados nos oceanos polares e que esses químicos podem ser absorvidos por partículas plásticas minúsculas no oceano que são, por sua vez,

ingeridas pelos peixes que se alimentam nas profundezas.

As partículas plásticas também ajudam no transporte de algas, aumentando a ocorrência de florescimentos algais tóxicos

– que também são causados pelo influxo de poluição rica em nutrientes vindas das terras agricultadas.

Os especialistas concordaram que, quando estas e outras ameaças se somam, o oceano e seus ecossistemas são incapazes de se recuperar, já que são constantemente bombardeados com ataques múltiplos.

O relatório estabelece uma série de recomendações e convoca Estados, corpos regionais e as Nações Unidas para que

coloquem em vigor medidas de conservação dos ecossistemas oceânicos, e em particular exige a adoção urgente de

melhor governança dos altos-mares que estão, em larga medida, desprotegidos.

“Os principais especialistas do mundo em oceanos estão surpresos com a magnitude e a intensidade das mudanças que estamos observando”, diz Dan Laffoley, conselheiro sênior de ciência marinha e da conservação no IUCN. “Os desafios para o futuro dos oceanos são vastos mas, ao contrário das gerações anteriores, nós agora sabemos o que deve acontecer.

A hora de proteger o coração do nosso planeta é agora, hoje e urgente”.

As conclusões do relatório serão apresentadas na ONU esta semana, quando os delegados iniciarem as discussões sobre

a reforma da governança dos oceanos.

Original aqui. Michael McCarthy é editor de meio ambiente do jornal inglês "The Independent". TRadução de Idelber Avelar.

http://web.archive.org/web/20111219142628/http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9356

FAO estima existirem 5 trilhões de peças de plástico
FAO estima existirem 5 trilhões de peças de plástico

FAO estima existirem 5 trilhões de peças de plástico boiando nos oceanos

Agência da ONU apoia projeto que busca traçar impacto dos resíduos do material no Oceano Índico. Cientistas de oito países estão a bordo do navio que faz a pesquisa

por Laura Gelbert, da Rádio ONU publicado 17/08/2015 17:18, última modificação 17/08/2015 17:30

CLIFTON BEARD/FLICKR/CREATIVE COMMONS LICENSE

Equipe do IMR achou partículas de plástico em quase todas as estações onde colheu amostras

Equipe do IMR achou partículas de plástico em quase todas as estações onde colheu amostras

Nova Iork – A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) alertou que cerca de 5 trilhões de peças de plástico atualmente flutuam nos oceanos do planeta. Segundo a agência, isso coloca em questão seu impacto potencial numa cadeia de abastecimento alimentar que vai de plâncton a mariscos, peixes, baleias e, eventualmente, seres humanos.

A FAO apoia um projeto que busca traçar o impacto de resíduos plásticos, incluindo lixo como sacolas plásticas e

material usado em produtos como cosméticos e itens de banho no Oceano Índico.

O navio de estudos, operado pelo Instituto Norueguês de Pesquisa Marítima (IMR) em colaboração com a agência da

ONU, desde 1975 viaja pelos oceanos para coletar informações sobre recursos marinhos e a saúde dos ecossistemas marítimos. O outro objetivo é ajudar a treinar cientistas em todo o mundo. Cerca de 18 investigadores de oito países estão a bordo no momento, na segunda de duas missões sazonais. Normalmente, pesquisadores medem temperaturas de oceanos, níveis de oxigênio, clorofila e processos biológicos como produção de plâncton e distribuição de peixes. No entanto, este ano, havia dois objetivos adicionais, entre eles, avaliar a escala e natureza do lixo industrial em partes remotas do sul do oceano Índico.

Vida selvagem

O

líder da primeira etapa, Reidar Toresen, do IMR, afirmou que a equipe achou "partículas de plástico" em quase todas

as

estações onde colheu amostras.

Resíduos plásticos no oceano podem ser ingeridos por vida selvagem causando danos. Até pequenos plânctons já foram vistos consumindo resíduos plásticos.

A

FAO alerta que isso pode ter resultados trágicos e cita o exemplo das tartarugas marinhas que comem sacolas plásticas

e,

muitas vezes, morrem porque sua digestão é paralisada.

De acordo com a agência, enormes ilhas de lixo flutuantes, com o dobro do tamanho do estado do Texas, foram recentemente localizadas nos oceanos Atlântico e Pacífico. No entanto, o sul do Oceano Índico é relativamente inexplorado. Na missão em curso, a equipe também está lançando novos sensores, de alta tecnologia para medir uma série de elementos biológicos em águas profundas. Esses sensores robóticos estão um passo à frente em relação aos robôs flutuantes que já são usados para monitorar temperatura e salinidade dos oceanos.

Os novos são programados para mergulhar em uma profundidade de até 2 mil metros para coletar indicadores da saúde dos oceanos. Esses dispositivos coletam dados em diversas profundidades e após voltarem à superfície transmitem as informações aos cientistas por satélite.

A promoção de oceanos e pesca sustentável é um prioridade para a FAO. A produção pesqueira é fonte de 80 milhões de

toneladas de alimentos nutritivos todos os anos. Junto com a aquicultura, a pesca fornece a cerca 3 bilhões de pessoas em todo o mundo 20% de sua ingestão de proteínas e quase 60 milhões de postos de trabalho.

http://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2015/08/fao-estimativas-sao-de-5-trilhoes-de-pecas-de-plastico-boiando-nos-oceanos-9901.html

Efeito do aquecimento global nos oceanos é pior do que se pensava, diz relatório Roger
Efeito do aquecimento global nos oceanos é pior do que se pensava, diz relatório Roger

Efeito do aquecimento global nos oceanos é pior do que se pensava, diz relatório

Roger Harrabin - Da BBC News em Doha - 3 outubro 2013

Um relatório divulgado pelo Programa Internacional para o Estado dos Oceanos (IPSO) adverte que a saúde dos oceanos está se deteriorando mais rapidamente do que se pensava em decorrência do aquecimento global.

De acordo com o documento, a água tem se tornado mais ácida por absorver mais CO2, o que é prejudicial para o desenvolvimento dos corais. A poluição e a pesca predatória também estariam tendo um impacto sobre a vida marinha.

O relatório chama a atenção para as chamadas zonas mortas, locais fortemente afetados pela poluição de fertilizantes.

"Não temos dado a importância necessária aos oceanos. Eles nos pro- tegem dos piores efeitos do aquecimento global, ao absorver o CO2 da atmosfera. Enquanto o aumento da temperatura terrestre parece ter dado uma pausa, os oceanos continuam se aquecendo. As pessoas e aos formuladores de políticas públicas fracassam ao não reconhecer, ou ignorar por opção, a gravidade da situação", diz o relatório.

O relatório cita como exemplo a ameaça aos recifes de coral, afetados

pela temperatura e pelos níveis de acidez crescentes, além da proliferação de algas decorrentes do desequilíbrio ambiental.

Pesca predatória

Financiado por várias fundações, o IPSO está publicando uma série de cinco relatórios baseado em debates feitos em 2011 e 2012, em com-

junto com a Comissão Mundial para Áreas Protegidas da organização União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN,

na sigla em inglês).

O relatório pede aos govermos que detenham o aumento de CO2 nos níveis de 450 ppm (partes por milhão, uma medida de

volume). Se for além desse montante, os oceanos podem sofrer com um nível de acidez alto ao fim deste século, já que o CO2 é

absorvido pela água.

Image caption

já que o CO2 é absorvido pela água. Image caption A poluição nos oceanos e o

A poluição nos oceanos e o aumento da temperatura estão criando 'zonas mortas' nos mares

O

relatório também pede um sistema de pesca menos predatório e uma lista de substâncias extremamente tóxicas aos oceanos.

O

documento pede que um novo acordo internacional para a pesca sustentável nos oceanos e a criação de uma agência de

fiscalização internacional.

"Esses relatórios deixam absolutamente claros que postergar ações só vai aumentar os custos no futuro e levar a perdas ainda piores, senão irreversíveis", alerta o professor Dan Laffoley, um dos autores do relatório.

"O relatório de clima da ONU já confirmou que os oceanos estão arcandando com o ônus das mudanças perpetradas pelos humanos em nosso planeta. Essas descobertas nos dão mais razão para alarme, mas também sinalizam a solução. Precisamos usar essa informação", disse.

Risco de extinção

O coordenador do estudo, professor Alex Rogers, da Universidade de Oxford, disse que o relatório é importante por ser

“completamente independente da influência dos Estados e por dizer coisas que especialistas da área sentem que precisam ser ditas”.

Ele lembrou que as preocupações aumentaram nos últimos anos justamente porque relatórios assim mostraram que espécies foram extintas no passado com o aquecimento dos oceanos, o aumento da acidez e baixo nível de oxigênio na água – alterações que têm sido registradas hoje em dia.

O professor lembra que há um debate sobre se práticas sustentáveis de pesca estão provocando a recuperação do estoque de

peixes em regiões da Europa e dos Estados Unidos. Entretanto, globalmente, está claro que essa recuperação não está ocorrendo.

Ele também admite que se discute se as mudanças climáticas poderiam levar a uma maior produção de peixes nos oceanos. Por exemplo, se a água de degelo dos polos faria aumentar o estoque de pescado em regiões mais frias, enquanto que, nas zonas tropicais, áreas de água mais quente poderiam prejudicar a mistura de nutrientes necessária para uma maior produção.

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2013/10/131003_oceano_aquecimento_mm