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De volta à condição proletária

TAGS: dossiê

Apesar de seu obscurecimento no espaço público, a questão operária continua central para os estudos sociológicos do trabalho

Ruy Braga e Marco Aurélio Santana

Berço histórico do chamado “novo sindicalismo” brasileiro, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC comemorou 50 anos de existência no último dia 12 de maio. É praticamente impossível lembrar dessa efeméride sem associá-la àquele movimento grevista do ano de 1978 que renovou o cenário político brasileiro catalisando o fim da ditadura e impulsionando a luta pela redemocratização do país por meio, principalmente, da criação do Partido dos Trabalhadores (PT) – e, posteriormente, da Central Única dos Trabalhadores (CUT). A imagem de um Lula sanguíneo, portando uma barba agreste encimada por uma cabeleira assanhada e discursando ao microfone para mais de 100 mil trabalhadores em assembleias improvisadas já faz parte do imaginário coletivo da nação.

Trata-se de uma representação exemplar daquilo que o sociólogo Pierre Bourdieu (1930-2002) chamou de “classe mobilizada”, isto é, o agente – e o produto – de uma luta simbólica “de classificação” enraizada na existência concreta do mundo social. Amalgamada pelo desenvolvimento industrial acelerado, pelo despotismo fabril, por condições de trabalho degradantes, pelo autoritarismo estatal e por intensos fluxos migratórios, essa “nova” classe trabalhadora fordista, periférica, do ABCD paulista não tardaria a contradizer os prognósticos sociológicos do início dos anos 1970. Em vez de politicamente “passiva”, pois carente de “tradições” organizativas, ela seria militante e rebelde.

Aliada a grupos socialistas e intelectuais de esquerda, apoiada pelas comunidades de base da Igreja Católica progressista e contando com forte solidariedade popular nos bairros operários, essa classe buscou forjar uma “alternativa política dos trabalhadores” para o país, apoiada na “independência de classe”. A direção histórica dessa classe, que balançou as estruturas da ditadura e revivificou as instituições democráticas brasileiras ao longo dos anos 1980, governa hoje o país com altos índices de aprovação popular. Naturalmente, seria de esperar que o

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sucesso dessa direção política coroasse uma realidade vertebrada pelo prestígio simbólico, político e social dos trabalhadores.

Novas configurações

Contudo, como indicava a filósofa Simone Weil, “a condição operária muda continuamente”. Assim, após longo período de hegemonia neoliberal, a classe trabalhadora brasileira aproximou-se daquela condição proletária socialmente desacreditada que o jovem Friedrich Engels encontrara no ano de 1842 em Manchester. As razões para o desmanche da classe mobilizada e o retorno a uma condição proletária indiferenciada são conhecidas e enlaçam processos econômicos, políticos e simbólicos. Indo do geral ao particular, parece-nos que a mundialização capitalista, tendo os mercados financeiros à frente, responde por parte substantiva dos motivos que geraram essa realidade.

Nos países capitalistas avançados, após a longa transição dos anos 1970, a entrada em cena de quantidades desmedidas de capitais financeiros – na forma de fundos de pensão, fundos mútuos, seguros e fundos hedge – reconfigurou o modelo de desenvolvimento fordista que vigorara até então. Resultante da desregulamentação dos mercados de capitais e da contraofensiva política neoliberal, somadas ao desenvolvimento das tecnologias da informação, um novo regime de acumulação financeirizado emergiu para restabelecer a lucratividade das empresas. Com a débâcle das sociedades do Leste Europeu, esse regime espalhou-se pelo mundo.

No campo da organização dos trabalhadores, os impactos desse novo mundo da acumulação flexível e da produção “enxuta” acarretaram resultados quase devastadores. Devemos lembrar que, nos países onde se implantaram as tais mudanças, isso se deu sob forte pressão contra as estruturas organizativas sindicais mais combativas. Foi por isso que nos anos 1980-1990 o mundo testemunhou uma forte crise e um descenso das formas de organização sindicais, com queda nas taxas de filiação aos sindicatos e perda de representação dos mesmos.

Os novos modelos de produção têm como um de seus principais componentes o relacionamento ofensivo contra qualquer organização sindical que não lhe seja favorável. Em muitos casos, buscando escapar de um tipo de sindicalismo mais aguerrido, as empresas, quando calculam sua instalação em novas áreas, nos processos de reespacialização da produção pelo mundo, optam quase sempre por se afastar dos centros mais “combativos” em termos sindicais. Buscam os chamados greenfields, locais com pouca tradição organizativa e baixa densidade sindical. Além disso, no próprio processo seletivo para a contratação de força de trabalho, aqueles trabalhadores sem “experiência” sindical anterior acabam preferidos àqueles outros já imersos em uma cultura sindical e que poderiam ser pouco favoráveis aos projetos propostos pela empresa em termos “cooperativos”.

Mudança de termos e precarização

Em busca de uma maior “cooperação”, quase sempre “forçada”, tem-se com frequência promovido rupturas com coletivos e sociabilidades mais amplas, fomentando uma individualização cada vez mais competitiva e agressiva. Vale lembrar a disseminação desse tipo de visão, que, mesmo no coração da produção, tem se operado por meio do quase banimento de termos como “trabalhador” e “operário”, que vêm sendo substituídos por outros tantos, tais como “operador”, “colaborador”, “parceiro”, “cliente – fornecedor interno”.

Com isso, apaga-se discursivamente qualquer possibilidade mais politizada e conflitiva de identidade e classificação. Nesse universo de sentido fica excluída toda ideia de “luta” e “conflito”, em nome da “colaboração”. Assim, mesmo quando se fala de colaboração, espera-se que ela venha individualizada, pela contribuição dos indivíduos, que são, inclusive, premiados por isso, e não via sua participação coletiva, por meio de seus órgãos coletivos. Fraciona-se o coletivo, impondo-lhe competição e colaboração de todos os seus membros com a empresa.

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No Brasil, a década de 1990 foi marcada por essas características. As transformações produtivas incrementaram o desemprego e degradaram o ambiente laboral, desestruturando ainda mais nosso mercado de trabalho. O aumento da concorrência entre os trabalhadores foi acompanhado pela multiplicação das formas, até então atípicas, de contratação de trabalho. O antigo sistema de solidariedade fordista sucumbiu diante da precarização do emprego. O sindicalismo militante e combativo, historicamente associado a esse sistema de solidariedade, entrou em crise e as táticas defensivas de ação sindical se acentuaram, promovendo, inclusive, um progressivo afastamento das direções em relação às bases e um retraimento da cena pública.

Em um contexto inóspito, foram sensíveis as mudanças na forma de ser e agir da CUT e do PT. O governo Lula, que se estabeleceu ao fim de uma década dura e de baixa no mundo do trabalho, por sua vez, trouxe variados dilemas, repondo o debate sobre a relação entre Estado e movimento de trabalhadores. No amplo cardápio de posições, percebe-se, entre outras, que para uns ele abria a possibilidade aos trabalhadores de avanço e ampliação de direitos, enquanto para outros ele significava o perigo real de cooptação e de esvaziamento dos movimentos sociais, colaborando ativamente com o desmanche da classe mobilizada.

O novo “infoproletariado”

Uma imagem capaz de ilustrar com nitidez o especial significado das transformações do mundo do trabalho no Brasil contemporâneo talvez seja a da ocupação que mais cresceu em termos numéricos nos anos recentes: os operadores de telemarketing. Amalgamado pelos investimentos no setor de serviços, pelas privatizações, pelas terceirizações, pela rotatividade, pela informatização e pela financeirização das empresas, esse “infoproletariado”, carente de tradições organizativas e, portanto, despolitizado e com baixa aparição coletiva na cena pública, é a verdadeira antítese da classe mobilizada das greves de 1978.

Nesse sentido, o quadro brasileiro, ainda que com suas muitas particularidades, nos remete em alguma instância ao quadro francês analisado por Stéphane Beaud e Michel Pialoux. Apesar de seu foco particular sobre a fábrica matriz da montadora de automóveis Peugeot, antigo bastião da luta operária, situada desde os anos de 1930 em Sochaux-Montbéliard, o livro Retorno à condição operária acabou por se tornar um texto indispensável para os estudos do trabalho ao redor do mundo.

Os autores tentam entender o processo que fez com que a classe operária passasse de “classe sujeito” para “classe objeto”. Isto é, de uma classe com forte peso organizacional e mobilizatório, com presença marcante no cenário político mais amplo, para uma classe diminuída em seu peso, esquálida em termos de organização e capacidade de mobilização, que parece não ser mais importante para as análises acadêmicas e para os projetos políticos. O que era motivo de orgulho para seus membros – pertencer à “classe operária” – passa a ser motivo de vergonha.

Para Beaud e Pialoux, tratava-se de um movimento para desarmar a “classe operária” de sua capacidade de dar sentido às experiências vividas no mundo do trabalho e de transformá-la em uma “classe fantasma”, na medida em que, em duas décadas, passou de centro das atenções político-sociais para o quase esquecimento. No entanto, para os autores, apesar desse obscurecimento no espaço público, a questão operária continuaria mais do que nunca atual. Seria necessário pensar agora o mundo operário sem a “classe operária” mobilizada e fordista. Este nos parece o principal desafio lançado pelos sociólogos franceses: estamos diante do que poderia ser chamado de uma “nova condição operária”, à qual, de forma renovada, devemos “retornar”.

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