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Alba Zaluar

Semana 05

Alguns dados biográficos

Nasceu em 1942

Formação intelectual

Graduação em ciências sociais pela UFRJ (1965)

Mestrado em antropologia pela UFRJ (1974)

Doutorado em antropologia pela USP (1984)

Trajetória acadêmica

Uma das primeiras a analisar a subcultura da marginalidade, apresentando como a venda da droga ilegal se liga à arma de fogo

“uma nova maneira de apresentar o homem” (p. 60)

Foco no tráfico de drogas realizado pelos jovens -> ethos guerreiro que jamais se consubstanciará em mecanismo de revolução social

Análise das representações sociais relacionadas ao crime organizado nas favelas do Rio de Janeiro

Atualmente, professora do IESP

Ponto de partida:

a criminalização da marginalidade

Os pobres residentes em favela são taxados como “bandidos” por parte do restante da

sociedade. Então:

Como eles percebem este rótulo?

Quais são as subidentidades que eles constroem e como eles as administram na sociabilidade

cotidiana?

A favela como o repositório

de três identidades principais Trabalhadores •Disciplinados pelas fábricas •Trabalha para sobreviver Dinheiro
de três identidades principais
Trabalhadores
•Disciplinados pelas
fábricas
•Trabalha para
sobreviver
Dinheiro fácil

Representações sociais

destes três personagens

Representações sociais destes três personagens Ser pobre e, acima de tudo, residente em favela, significa ter
Representações sociais destes três personagens Ser pobre e, acima de tudo, residente em favela, significa ter
Representações sociais destes três personagens Ser pobre e, acima de tudo, residente em favela, significa ter

Ser pobre e, acima de tudo, residente em favela,

significa ter de se encaixar em uma dessas três identidades sociais

O elemento que entrecorta todas

essas identidades é

O ethos da masculinidade

Se por ser morador de uma área periférica, o

homem é rotulado como “humilhado e ofendido”

Dentro dela, ele tem a chance de resgatar a sua “dignidade masculina”, o que significa ter moral, ser respeitado, sem valer-se do golpe ou de humilhações

Papel da arma de fogo -> “homem não atira pelas costas”

De que tipo de masculinidade

estamos falando?

De que tipo de masculinidade estamos falando? a concepçã o de masculinidade está intimamente vinculada à
De que tipo de masculinidade estamos falando? a concepçã o de masculinidade está intimamente vinculada à

a concepção de masculinidade está intimamente vinculada à exibição de força e a posse de armas de fogo (p. 32)

Como isso ocorre?

“O bandido não é o outro construído Trabalhador para que a Bandidos • Trabalho como
“O bandido
não é o outro
construído
Trabalhador
para que a
Bandidos
• Trabalho como uma fonte de
satisfação moral e material
identidade
social legítima
do trabalhador
• Trabalho como uma escravidão
• Revoltados – não recebem
• Provedor da família
ordem de ninguém
sobressaia” (p.
• Usam a palavra
• Andam armados
153)
São sistemas de socialização concorrentes que agem simultaneamente na formação dos jovens. “a
eficácia das quadrilhas em atrair os jovens é vinculada por eles ao prematuro afastamento da mãe
e outros adultos quando as crianças têm que sair para fazer biscate na rua” (p. 154)

A importância de se diferenciar

os tipos de bandidos

Trabalhadores como rotuladores Bandidão Injustiçado Opta por ser bandido Cai na bandidagem Vencer na Vencer
Trabalhadores
como
rotuladores
Bandidão
Injustiçado
Opta por ser
bandido
Cai na
bandidagem
Vencer na
Vencer na
moral
covardia
(palavra)
(arma)

Assim como a necessidade de

diferenciar os tipos de crime

Roubo de rico

Desde que distribuído entre os pobres

Roubo de supermercado

“dirigido ao governo como uma mensagem: haviam chegado ao limite do suportável e não iam aceitar nenhum

sacrifício a mais em nome da crise ou dos interesses da

nação” (p. 161)

Saques como uma forma de mostrar a força

“Você sabe com quem está falando dos pobres” (p. 162)

Logo, é a trajetória passada que parece determinar as identidades futuras

Bandido Formado • Vingador do povo Bandido Sanguinário • Protetor do seu pedaço • Defensor
Bandido Formado
• Vingador do povo
Bandido Sanguinário
• Protetor do seu pedaço
• Defensor da inviolabilidade do
território
• Pivete e ladrões
• Ameaçam a segurança dos
trabalhadores
• Mancham a honra e a dignidade
O bandido que já foi trabalhador tem mais chances de se tornar o bandido formado,
O bandido que já foi trabalhador tem mais chances de se tornar o bandido
formado, que respeita os demais trabalhadores “e o defende nesse vácuo deixado
por uma ação policia e judicial ineficiente e pervertida. É precisamente isso que
cria a simbiose entre eles, esse infeliz mas necessário casamento” (p. 138)

Para pensarmos sobre estereótipos

Bandido formado?

Para pensarmos sobre estereótipos Bandido formado? Bandido sanguinário?

Bandido sanguinário?

Para pensarmos sobre estereótipos Bandido formado? Bandido sanguinário?

Em resumo, na década de 1980, as guerras internas ocorreriam entre

Bandidos sanguinários

“De gatilhos mortíferos nos

seus dedos a fetiches em suas cinturas ou nas fotos passadas de mão em mão,

essas armas são o bem mais

precioso para os jovens bandidos. Entre eles, “ter disposição para matar” é um sinal de coragem, entre os trabalhadores, um sinal de covardia” (p. 141)

Bandidos formados

“O bandido além de garantir a

inviolabilidade de sua área, pode ser reconhecido pelo trabalhador nos casos em que

ofensas pessoais sofridas por este precisem ser vingadas. Diante da inevitável

humilhação e da ausência de

proteção policial ou jurídica, o bandido se transforma no vingador de seu povo” (p. 141)

Mas os bandidos parecem muito semelhantes quando vistos de fora

Mas os bandidos parecem muito semelhantes quando vistos de fora
Mas os bandidos parecem muito semelhantes quando vistos de fora

O tráfico é uma opção para o jovem que tem problemas com o mercado de trabalho

para o jovem que tem problemas com o mercado de trabalho Comprador e revendedor de drogas

Comprador e revendedor de drogas

com o mercado de trabalho Comprador e revendedor de drogas Imunidades institucionais Traficante local (gerente da
com o mercado de trabalho Comprador e revendedor de drogas Imunidades institucionais Traficante local (gerente da

Imunidades institucionais

Comprador e revendedor de drogas Imunidades institucionais Traficante local (gerente da quadrilha) Vapores (recebe a
Comprador e revendedor de drogas Imunidades institucionais Traficante local (gerente da quadrilha) Vapores (recebe a

Traficante local (gerente da quadrilha)

institucionais Traficante local (gerente da quadrilha) Vapores (recebe a droga no local e a vende aos

Vapores (recebe a droga no local e a vende aos fregueses)

Vapores (recebe a droga no local e a vende aos fregueses) Aviões (aponta o freguês e

Aviões (aponta o freguês e vigia a polícia)

fregueses) Aviões (aponta o freguês e vigia a polícia) “Num con texto de pouco crescimento econômico,

Com isso, nas áreas pobres

Ser bandido se torna sinônimo de ser traficante ou distribuidor de drogas e andar armado a partir dos anos 1980

Releitura do ethos da masculinidade tradicional, incluindo a “avaliação moral da coragem do parceiro e de sua posição no tráfico” (p. 142) como variáveis importantes

Matar e morrer significa “o envolvimento num círculo de dívidas de sangue, criando vingadores entre os parentes da vítima” (p.

143)

O ato de matar é sempre avaliado em um momento posterior

“Matar quem não está na guerra é

considerado perversidade” (p. 143)

A guerra existe pelo domínio da boca

O restante pode ser resolvido na força

O policial é “o inimigo de fora e de dentro da localidade a um só tempo” (p. 157)

É preferível um bandido formado a um policial bem intencionado

O uso da violência deve ser controlado

Quando difuso, dá ensejo a uma série de linchamentos, por afetar o senso de justiça (p. 165)

A vítima não é um anônimo, é alguém com um passado

A ser defendido em uma série de situações

Por isso, a polícia, como bandido sanguinário, precisa justificar as suas mortes

Por isso, a polícia, como bandido sanguinário, precisa justificar as suas mortes

A guerra como limitação ao tipo de

“crime organizado” da favela

O traficante tem a capacidade de exercício da violência (tal como o Estado)

Mas deve construir a sua legitimidade em cada relacionamento com trabalhadores, outros bandidos e policiais

Não há centralização

“Suas bases lócus de poder não são tampouco garantidas por

uma cadeia de relações clientelísticas confiáveis, protetoras e de

longa duração, como na máfia” (p. 167)

Estigma de ser pobre determina as demais relações sociais

Mais susceptível à ação violenta da polícia (p. 168)

E a polícia nesta equação?

E a polícia nesta equação?

Seu papel é gerar violência ou

organização do crime?

Seu papel é gerar violência ou organização do crime?

Mas, e a garantia de direitos?

Mas, e a garantia de direitos?

Ainda não existe

A redemocratização não trouxe esta preocupação com a reforma da polícia

A polícia continua a ser uma ocupação típica de classes pobres, se adequando às duas identidades

principais desses indivíduos

O uso de métodos violentos como forma de

administração de conflitos como o que aproxima a

polícia dos bandidos

Marginalização da criminalidade:

o pobre viveria o dilema de escolher entre

Ser bandido

Ter dinheiro e fama

Poder da arma de fogo

Rápida destruição

Ser discriminado pelos iguais (pertencer a uma outra categoria de pessoa, dependendo das regras locais de

reciprocidade ou justiça)

Almejam os bens que a sociedade de consumo lhes oferece

Não lutam por relações mais justas entre ricos e pobres

Ser trabalhador

Ter moral, ser provedor

Ser subalterno e explorado

Ser consumido lentamente

Ser discriminado pelos desiguais (por ser pobre, ainda que honesto)

Se contentam com menos bens do

que a “sociedade de consumo”

Reificam a relação injusta existente entre ricos e pobres

Bandidos, policiais e trabalhadores: https://www.youtube.com/watch?v=EAMIhC0klRo
Bandidos, policiais e trabalhadores:
https://www.youtube.com/watch?v=EAMIhC0klRo

Da década de 1980 até hoje

“a importância e os limites das explicações m crossociais sobre a criminalidade violenta, como a
“a importância e os limites das explicações m crossociais sobre a criminalidade violenta, como a pobreza e a exclusão social, deve ser vista
nas suas interações com os mecanismos transnacionais do crime organizado em torno do tráfico de drogas e de armas de fogo que
desenvolveu uma interação perversa com a pobreza e a juventude vulnerável de muitos países.” (p. 32)

O que explica este cenário?

Mais jovens pobres se tornaram bandidos

Com a mudança geracional, há mais gente ingressando no tráfico de drogas?

A violência é parte apenas da criminalidade praticada pobre

Sociabilidade violenta como dimensão que esgarça a eficácia coletiva levando todos ao crime?

Incapacidade de fazer distinção moral entre práticas

legais e ilegais

Usa-se a violência no lugar de uma simples conversa?

Em todos os casos

São interpretações que “se referem a práticas sociais que mudaram a forma de pensamento, sentimento e ação, portanto admitindo a dimensão da subjetividade dos homens jovens envolvidos nas tramas do tráfico de drogas ilegais no Brasil, fazendo-os agir de

forma cada vez mais brutal e mais insensível para com o sofrimento

alheio. Todos apontam para a dimensão do poder, ou a busca do domínio sobre o outro, como a motivação e o objetivo básicos de tais práticas.” (p. 332)

A constituição de uma sociedade pacífica exige “o monopólio legítimo da violência pelo Estado foi efetivado por modificações nas características pessoais de cada cidadão: o controle das emoções e da violência física, o fim da autoindulgência excessiva, a diminuição do

prazer de infligir dor ao alheio.” (p. 333)

Será que estamos

na contramão da história?

Será que estamos na contramão da história? “um etos de cinismo e descrenç a de valores

“um etos de cinismo e descrença de valores morais, muito claros entre aqueles que optam pelas práticas criminosas, de qualquer classe social.” (p. 42)

Em certa medida, este é o argumento

de Alba Zaluar

Retrocesso nos códigos de conduta e no

autocontrole individual que fizeram aumentar

a criminalidade em percentuais bastante

elevados (p. 334)

Armamento da população civil

Fragmentação do poder estatal

Penetração do crime organizado na vida

econômica, social e política do país

No Brasil, a violência se dissemina

Por que não existe um momento lúdico para o aprendizado da importância de contenção da frustração/raiva

Violência entre torcidas organizadas

Conflitos entre escolas carnavalescas

“Pode-se dizer que, nos esportes e desfiles competitivos, opera-se no

registro da igualdade diante das regras, de um senso de justiça

informal que se aprende ao longo da socialização, muito mais do que na corrida pela ascensão social.”

“Nesse processo, aprende-se a respeitar as regras do jogo, das quais um dos objetivos é poupar a vida alheia”

Como explicar essa situação?

Como explicar essa situação?

O Criminoso como alguém que não tem controle das suas próprias emoções

“processo de redemocratização inconcluso, parcial e excludente que combina diferentes estágios na consolidação do estado de direito” (p. 338)

Mecanismos de disciplina institucionalizados de maneira diferenciada dificultaria o desenvolvimento do autocontrole

Demonstrado, segundo Gottfredson e Hirschi, na “impulsividade,

insensibilidade, imprudência e a tendência a agir mais física do que mental ou verbalmente (p. 338)

Papel da família e da convivência em espaços mais abertos, especialmente, para a diferenciação do que é justo e do que é injusto

» Essa abordagem se aplica mais às agressões físicas do que aos demais crimes

Uma opção a esta abordagem

Seria o reconhecimento de que as fontes de autoridade (e disciplina) são muitas vezes contestáveis -> heterogeneidade cultural e conflito geracional

A eficácia coletiva não existiria nas áreas pobres em razão da ausência de acordo sobre um modelo único de comportamento

Nas últimas décadas, são três modelos bem claros: trabalhadores,

bandidos e malandros (representados, cada vez, na figura dos políticos?)

Tudo se torna mais complexo porque o papel de disciplina da família e das organizações vicinais é, muitas vezes, substituído pela polícia

» Emergência da figura do policial social

Quem é o policial social?

Quem é o policial social?

Segundo esta perspectiva,

O que explica as diferentes taxas de criminalidade é a institucionalidade de mecanismos disciplinares

Na nossa cultura clientelista, em que tudo pode ser resolvido pela vida

do jeitinho, é difícil inclusive delimitar as fronteiras do “crime” e, por

conseguinte, “do criminoso”

Tudo se torna ainda mais complexo quando verificamos que as instituições do sistema de justiça atuam em uma perspectiva eminentemente injusta

os grandes bandidos ainda o o investigados com o mesmo empenho que os bandidos de menor calibre, tampouco julgados e condenados” (p. 348)

» E, “Nas áreas pobres, pela falta de acesso à justiça e de regularização fundiária, mais facilmente os agentes da segurança privada se tornam tiranos que impõem

decisões extralegais ou ilegais aos moradores por conta do poder que advém das

armas com as quais afastam assaltantes e traficantes do local por eles vigiado.” (p.

351)

Favelas D ominadas por

M apa 2

Facções d o Tr áf ico,

M ilícias e UPPs em

D ezembro

d e 2010

d o Tr áf ico, M ilícias e UPPs em D ezembro d e 2010 Fo

Fo nte: Levantamento do nio s em favelas do Ri o de Janeir o 2005-201 1 Nu pevi/ Uerj.

Talvez a maior incongruência

Seja o uso da milícia como forma de redução dos conflitos armados com a polícia

No final, é como se tivéssemos apenas relações ilegais nas áreas pobres do Rio de Janeiro

A polícia só protege quando recebe um “adicional”

O bandido protege mais do que a polícia tradicional

Seria a malandragem o nosso maior problema social?

Afinal

Afinal … Coronéis, Partidos Políticos e Parlamentares fazendo uso político da polícia Se antes tínhamos A

Coronéis, Partidos Políticos e Parlamentares fazendo

… Coronéis, Partidos Políticos e Parlamentares fazendo uso político da polícia Se antes tínhamos A própria
… Coronéis, Partidos Políticos e Parlamentares fazendo uso político da polícia Se antes tínhamos A própria
… Coronéis, Partidos Políticos e Parlamentares fazendo uso político da polícia Se antes tínhamos A própria
… Coronéis, Partidos Políticos e Parlamentares fazendo uso político da polícia Se antes tínhamos A própria

uso político da polícia

Políticos e Parlamentares fazendo uso político da polícia Se antes tínhamos A própria polícia negociando os

Se antes

tínhamos

A própria polícia negociando os seus serviços de maneira política
A própria polícia
negociando os
seus serviços de
maneira política

Agora

temos

Referências

ZALUAR, Alba. Juventude violenta: processos, retrocessos e novos percursos. Dados. Rio de Janeiro, v. 55, p. 327-365, 2012.

Democracia Inacabada: o fracasso da Segurança Pública. Estudos Avançados. USP, v. 21, p. 31-49, 2007.

Trabalhadores e bandidos: identidade e discriminação.

In: A máquina e a revolta. São Paulo: Brasiliense, 1985. (Pp. 132 a

172).

LIMA, Renato Sérgio de; RATTON, José Luiz (org). As ciências sociais

e os pioneiros nos estudos sobre crime, violência e direitos

humanos no Brasil. São Paulo: Fórum Brasileiro de Segurança Pública; Urbania; ANPOCS, 2011. (Entrevista com a autora)