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Paulo Bonavides TEORIA CONSTITUCIONAL DA DEMOCRACIA PARTICIPATIVA Por um Direito Constitucional de luta e resisténcia Por uma Nova Hermenéutica Por uma repolitizagao da legitimidade MALHEIROS EDITORES Teoria Consttuctonal da Democracia Participativa (Por um Direto Consitucional de lta e resséncia Por uma Nova Hermenéutica Por uma repoitzacio da lgiimidade) © Pato Bonsunes Direitos reservados desta edo por MALHEIROS EDITORES LTDA Rua Paes de Araijo, 29, conunto 171 CEP 04531-940 ~ Sto Paulo — SP Tel; (1) 3842-9205 Fax: (Oxxl1) 3849-2495 URL: wonw:maeiroseditores com br mail: malheitosedtores@zaz-com br Composivio PC Editorial Leda cope CCrlagao: Vina Licia Amato Arte: PC Eaitorial Lida, Inpresso no Brasil Printed in Brazil ‘03-2001 A Gorreeno Tees Jowon, cawor da "Carta aos Brasileiros” ce advogado do liberdade, da cidadania e da Constiuigdo, Ihomenagem de Paco Boxssoes SUMARIO Iniroducto 7 Capitulo 1-0 Direto Consttucional da Democracia Participative tim dria delta eresistncla 2 Capita 2- A Democraca Petipa e os bloqulas da classe dominante 30 Cpitala 3A ideotgia da globalizacdo eo antagonismo neoliberal 2 Constiuigao 66 Capitulo ¢~A gloaltzagdo ea soberania~ aspects consiucionais... 87 Capitulo $A inconsttucionlidade materiale. ierpretagio do art 16 da Constiulgdo 108 Capitalo 5-0 Exado Sociale sua evolgdo rumo di democracla perdcipaiva M3 Copitlo 7 Garcia Pelayo eo Estado Socal dos paises em desenvol- mento: caso do Brasil. 168 Capito 8A evolu consttcional do Brasil. 190 Cops 9-0 pensamentojusflosfice de Fredrick Maller: ‘fundamento de ma Nova Hermeneutca 206 Capindo 10 A Constuio aberta eo Dirctos Fundamentals... 218. Capitulo 11 A dignidade da pessoa humana 20 Capito 12 A presuncdo de consitucionaidade das ese interpre. tacio conforme a Consiuicio CCoptlo 13 Citncia Politica Capito 14 La Sociologia Juridica Copilo 15 ~ Espace pico erepresemacio pola 23s 268 20 an INTRODUCAO Clonaresen era Consncionat do Dnocraca Patpat- swt dams seqéncia e conclusto um conjunta de ins e refle- Ges que comegamos a expore eprfiundar em nosso Cwso de Direito Constiucional, que tiveram depois continuidade, de forma nio me- nos explicit e combativa, na Coletinea inttulada Do Pats Consttcio- nal ao Pais Neocolonial? Os tes livros tomados conjugadamente compBem uma trilogia volvide para a liberdade, a igualdade e a justia. Outro fim nto alme- Jam sendo desbravar eiuminar eaminhos que eonduzam a uma demo- ‘raca paticipativa, aquela demoeracia de emancipagio dos povos da periferia, conforme poder oletor logo averigua, A tese central da obra consist, pois, em reivindicar um Direito ‘Constiucional da liberdade, oxigenado de principios ¢ valores jd in- Corporados nas nossasrizese tradigGes de resistncia a golpes de Es- tado, estados de sitio, intervengdes federase dtaduras, todos vibrados « todos instalados quando a chamada democraciarepresentaiva ~pee- passada da crise consttunte que estalou no bergo da nacionalidade lo comespondeu com seus mein juridcos e seu dever consttucional 0s anseios nacionais de alforria do povo e da sociedde. Fis, assim, a uma posigio libertiria de pensamento inaugurada em tese de eitedra, que teve por titulo Do Estado liberal ao Estado social.) nunca nos arredamos dessa posiglo. Por isso afigurou-s-nos, agora eptimo eal rasladar também para as pginas desta Coletines 110 ed, Mateos Etores, Sto Palo, 000, 2-2, Mabaros Etre, So Paulo, 201 5. Ge, Maes Eanes, So Paulo, 196, a Introdugo & sexta edo daquela monografia académica, bem como dois Preficos da mesma, onde verdaderameate haviamos esbogado ja ‘0s primeiros ensaios rudimentares de uma jomada de idtias na dies dda democracia patcipativa e do Estado social Eo fizemos com o confessad propésito de anenar os direitos fn- to nds 0 vemos, todavia, entre quants se empenham em fazélo uma ferramenta de sustentago da identidade nacional e dos poderes de so- berania. E, do mesmo passo, entre agueles que se declaram leas & um sistema de normas superirese fundamentais, um sistema eujo Ditito ‘ai ao campo de batala eno retraced ner na doutrina nem nos con ceitos. E esta. a missio a causa, tarefa ques the impendeatibur. [Em verdade, no podemos nem devemos pensar unicamente com «as categoras ideologies politcas do Primeiro Mundo, porquantoes- tas nos aparelham, no rar, aruina social, a dependéneia, a recolon zagio ea tercirizagio ideolgca de valores. Esses valores nem sem- Dre sio os nossos. De tal Sorte que com eles apenas as elites do stars {quo costumam identifcarse ou compromete-se Se os punbais do neoliberalismo assassnarem a doutrina de uma to redentora forma de justia dstributiva, que 0 Estado socal, aN ‘9 reapirs para fazer o milagre de sua ressurreigio. O mesmo se diga ‘com respeto & Constiuigdoe &soberania. Demoeracia participativa ¢ Estado socal constituem, por conse ine, axiomas que ho de permanecer involves einvuineraveis, se ‘0s povos continents da América Latin estiverem no decide props- sito de batalhar por um futuro que reside to-somente na democracia, 1a liberdade, no desenvolvimento, ‘Toda a substineia teériea do nosso pensamento em materia cons ‘iteional e politica fica, de conseguinc,condensada nesta paginas da ‘manera mals clara e sucnta possvel, conslidando ao mesmo tempo teses de que jamais nos afastamos, Sdo as mesmas daqueles que, por dever de cidadania¢ lealdade ds instiuigdes da democraia, porfiam no mesmo campo de oposgio, lua resisténca tormenta alienante, avassaladora ecolonalista do neoliberalisno e da globalizagao, Dizer que a democraci &direito da qurta geraglo, qual 0 fiz em Foz de Iguagu, na Conferéncia final da XIV Conferéncia Nacional de ‘Advogados, em 1992, no basta Faz-se mister i além. Urge, assim, tomar explicit os meiostée- ticos de realizagdo e sustentagao desse dretoprincpial nos paises da periferia, onde as ts geragies ou dimensbes de direitos fundamentas, ‘io logrram ainda conretizarse na regio da normatividade. essa indubitavelmente,a grande tragédiajurdica dos poves do Terevito Mundo, Tém a teoria mas nio tém a praxis, E a prixis pars vingar diante da ofensivaletal dos neoliberis precisa de reforma ou renovagio de modelos tedrcos. isto 0 que se prope com 0 Dirito Constnicional de lus, com a Nova Hermenéutca, coma repolitizao da legtimidade, Tudo quanto ‘cup, pois, 0 espaco desta piginas assnala © pensamento que nos viou, a constante que nos inspirou ao elaborar esta obra. Com efeito, Io estamos a eseever a proposta nem a minuta de ui tratado de paz com a ideologia neoliberal sendo que Ihe fazemos uma declaragio de vera, Declaragdo formal, mesma. E a tomamos extensiva a quantos, se bandearam para as faegdes globalizadoras e puseram em isco de vida a Constiuicio, a soberana, a identidade nacional. A esta altura no podemos deixar deassinalar que hi quatro prin cipios cardeaiscompondo aestrutura constitucional de democraciapar~ tiipatva, eada qual com sua peculiaridade conceitual na contextura desse sistema, ‘Sio eles, respectivamente, o principio da dignidade da pessoa ‘mana, o principio da soberania poplar, © principio da soberanianacio- tal ¢ 0 principio da unidade da Constitugio, todos de suma importia- cia para a Nova Hermenguticaconsttucional, de que tanto ja n0s ocu- ppamos em nosso Curso quando versamos a interpretagio da Constti oe dos direitos fundaments. ‘Com relagfo ao principio da dignidade da pessos humana, funds ‘menta ele a totalidade dos direitos humanos pestivados como direitos fundamentais no ordenamento juridico-constitucional Esse principio aumenta cada vez mais de importncia uo veritiar ‘se que resume econsubstancia por inter o teoraxildgico e pincpio- gio dos direitos fundamentais das quatro dimensdes ji conhecidas e proclamadas. Por ele as Constitigdes da liberdade se guiam e se inspiram; & le, em verdad, o espirito mesmo da Constiuito, feta primacialmen- te para homem endo para quem gover. E,enfim, o valor das valores na sociedade democritca e panic ative 420 principio da soberania popular compendia as regras bisicas| 4e governo e de organizacio estutural do ordenamento juridico, se ItRoDUGAO u 4o, a0 mesmo passo, fone de todo o poder que leitima aautoridade € se exerce nos limites consensus do eontrato social, Encara 0 princi- pio do govero democriticoe soberano, exjo sujitoe destinatiro na ‘oncretude do sistema € 0 eidado, Atribu-se, por conseguine, nese liveo, extrema importincia & defesa salvaguarda do mais ameagado e comprometido dos prin ‘ios que organizam a vida nacional epreservam a nossa identidade de- ‘mocritica, a sabe, o principio da soberania popular ~ de iltimo, nas ‘duas Casas do Congresso Nacional, to desfigurada, io atraigoado, tio ferido pela covarda dos quadros representatives, os quas, em alianga ‘comm o Executivo, consentem que est leve a cabo a taefa de despedt ‘ar Constinigo eas leis. Em sums, principio da soberania popular & «cara de navegagion da cidadania rumo 48 conguistas democrtias, tanto para esta como para as faturas geragies, Deis principio, explicito na Constituiglo, infere-se outro, de ns tureza nio menos substantiva, ou se, o principio da soberania nacio- ral, com que s afirma de manera imperatva ecategorca a indepen- ‘ncia do Estado perante as demais organizagbes estatisreferidas & cesferajurdie internacional ‘A soberania nacional nesta acepe0 nada tem porém que ver com ‘outra douttina professada durante a Revolugdo Francesa e que invora- ‘yaa Nagdo de manera deveras ambigua por fundamento do poder su- remo e base de legitmasao do sistema representative, ‘A Naso, sede ali de um poder do qual o povo no era ainda tis lar eftivo, se fazi 0 6rgio por exceléncia que retalava eeseamotea- ‘v2.2 univesalidade do sufigio com inibir 0 principio da igualdade © tolher a coneretizagio de propia soberania popular, enquanto parcela expressva da vontade de cada cidadio, ou sea, daguele cidado part ‘ie na formagio da le eda autoridade governativa E tudo isso aconteca porque a Nago era confusamente identi cada numa visio abitrria ¢ ambigua com o fercero estado, isto €, com « burguesiarevoluconsra, como 0 prolearado 0 fora, depois, com © Estado socilista da revolugio sovitica Finalmente o principio da unidade da Constitugdo se destaca por lemento hermenéitico de elucidagio de clausulas constitucionis. CCompreende tanto a unidade egica— hierarquia de normas oriun- 4a darigidez constiticional ~ como a unidadeaxiol6giea— ponderasio de valores, proveniente da necessidade de concretizarpricipias ins- ‘exlpidos na Consttigio. ‘A unidade logica se exprime através de uma unidade formal de normas dispostas em seqiéciahierrquica, ‘Com eespito&nidade axiologica, manifesta-se ela mediante uma unidade material de valores e princpios, que sio a essénia,o esprit, a substncia mesma da Carta Magna, ‘Os quatro prncipiosacima expendidos e dectnados somente ho de prosperar numa sociedade aberta, ond 0s instrumentos © mecanis: ‘mos de governo nfo Sejm obreptciamente monopolizadose contol dos por uma casta politica cos membros, revelia do povo, se alte nar e permeiam no exerccio da autoridade civil e goverativa ~sem- ‘rea servigo de iatressesconcentrados ¢ com esteio na forg do capil Atuam eles em fungdo da ordem capitalist, no da cosa pblica, De tal sorte que para lograr esse escuso objetivo se valem, a0 mesmo pssso, do mais poderosoinstramenta de descaraeterizaglo da verdede © de legitmidade na tociedade regida pelo capital, Reportamo-nos 20s, ‘meios de comunicagdo a saber, as grandes empresas de oenas, as vas- tas cadeas de rio, as poderosas redes de tlevisto, as quis, submis 48 a0 eapital e ao poder que les ministram copiosossubsidios de pu blicidade paga, se trnsformam numa usin ov laboratiio onde se fa- brea o sofia da opinido piblica(opnido publiada einformagio di vlgada) ese egtimam as mais absurdas poiticas de governo, contre ‘anda o iteresse nacional e destruindo as células morais do ene civi- ‘co que éa polis. ‘A.midia escravizada ao capital deforms, entorpece e anula vontade, olive racicinio, alive conscigncia do ser politico, rebax do a cidadio nominal, a cidadio sidit, a cidadio vasslo — que enor- ‘me contradigdo isto representa! E ass as ditaduras consttucionas, sobem ao poder enele e eonservam ostentando a imagem da pseudo- democraca edo pseudo-tegime representative (© povo que ndo & povo, a multdio que nao & gente, a massa que se deixou domestiar, classe média que jf no tem influigdo no poder jaz oprimida,oprofetariado que pede cada ver mais x eapacidade de Tata ¢ perseguido no salirio configuram o retrato social de fala repi- blica onde desde muito no sobrerrestam sendo tagos ou vestigios de cidadania {A razio mutilada do homern-povo sem pensamento autodetermi- nativo e com a vontade anulada pela torente de valores dirigidos que The foram passados na onda informativainassimilave,fixa 0 sombrio {quadro de uma nagdo moralmente dssolvida, decomposta, onde os se- shores da midi, freando a repercussio dos fatose deturpando a infor- ‘mage, sio também os senhores daquele poder suscetvel de aniguilar ce interceptar, peo silénco impostae pelas omissbes prpositads,to- {40808 canais de comunicagao das liderangas democraicas com o povo, ‘no podendo este, assim, ser libertado das pressdes reacionrias e dt permanente agressdo capitalista as direitos da terceira geraio, Tendo ao seu dspor @ miquina da informagio com que intentam dar sparéncia de leptimidade a0s Seu interesses, os estamentos de do- ‘minagio tim tudo com que perpetuar a servidio sociale 0 confisco dos, direitos de expressio, Ha algum tempo, em debate com os magistrads de meu pais, dis- se que a midia brasileira estavaprisoneia no cdcere das elites que cera preciso liberti-a eresiusla ao povo, ou sea, 4 legitimidade de sua vontade ‘Vamos, portanto, descerar os ferolhos do ergéstulo e abrir na ‘Constituigio uma artéria nomativa de contole, que aflance pelo con- ‘curso da midiaemancipada a livre expressio material das iéias © do [pensamento a saber, um canal por ode possam circular sem estorvas ‘sem alienagbese sem embargos formagio da alma coetiva os pode Fes incorporados nas iberdades plies e nos dieites fundamen. ‘Aquelaasseriva, mais do que nunca, na hora de teoriar demo- ‘racia participative, ¢ de imensa veracidade para o Pals. Coasttuconalizar & midia como um dos poderes da repiblica ~ ‘mas poder demecritico e legitimo —é, por sem diva, 0 mais urgente «inarredivelrequisito da democraia participative Poder-se-, at, dizer pressuposto ou codigo sine qua non de ins- talagdodessereyime, se oquisermas como realidade, eno como farsa cu burl confarme tem aconteido com o sistema representative ‘A teoria consttucional da democraciaparticipativa & portant, © artefto politica e juridico que em termes de identidade hi de exiar en ‘tends o Brasil do povo,o Brasil da democracia nacional enacionlis- ‘a, 0 Brasil que nos sonegaram. ‘Compendi-se, assim, um novo Estado de Direito retraido dos pri- vilégios da classe dominante, que dever ser abolios, ereftatrio & ‘hegernonia dos corpos represetativos sem representa eset le midade ~enfim, algo significativo de uma abertre mais ampla no tn verso de nossa organizasio politica e social, ‘Seri este futuro e eformado Estado de Dircto a réplica da cons- cincia popula, disposta a desatar os lags jé seculares da deplrdvel, é_-TRORIA CONSTITUCIONAL BA DEMOCRACIAPARTICATIVA dependéncia em que femos invariavelmente vivido, mergulhados na submissao 20 capital estrngeiroe 20 seu imperaisino de expanséo € confisco das riquezas nacionss. io tem sentido teorizar aquels democracia nem propugnar este [Estado de Dirsito se ndo houver um alvo superior, volvid para a pro- blemitica histrica da sociedade brasileira, sociedade agredida siste- ‘maticamente, de maneira cada vez mais vioentae awoz, por forgas ex- temas de dominasio, 0 Pais sabe, em diiculdade, identitiar esas fogas, porquanto se acham elas mancomunadas corn as mesmas elites que escreveram ro passado e continuam escrevendo no presente péinas de oprdbrio e tuaigao. Todas as épocas colonia, impersiserepublicanas da nossa his- ‘ia estampam oselo ou trazem o festemuno dessa capitulo, £ estima e vergoaha e vilipéndio de uma decadéncia em curso, {que teréremate unicamente se despertarmos os Srgios da nagio vive para uma apo revolucionéria de combate e resisténcia As formas clés- Sica de opressio, Faz-se mister, por conseguint,o abrag de solidaiedade do estu- ‘dante com 0 trabaihador, da classe média como estamento obreir, da ago com a sociedade, a fim de que se poss, de uma vez por todas, extirpar as raizes da crise constitunte, que outra coisa no significa nem representa Seno o quebrantamento ea depravagio do contrato so «ial por formulas polities e desmoralizadas de govern, adversas 205, imeresses, s exigéniase aos valores danacionalidade¢ do povo, no- rmeadamenteaqueles cristlizades na sua soberaniae conserv4gio A letras juridicas carecem, pois, de renovago e ramos. A teoria consttucional da democracia pancipativa segue a wilh renovadora {que fri o povo senkor de seu futuro e de sua soberana, coisa que ele ‘unc foi nem seri enguanto governarem em seu nome privando-o de {overnar-se por si mesmo, (0 povo da demoeraciapaticiativa € 0 povo que luminous eabega 4e Lincoln quando ele definiu demoeracia-o govern do povo, para 0 pov e pelo povo, Hi demagogianisso? Nao. Ha verdae eceteza. (0s hipaecritas da classe dominante ocultaram nas vests represen- tativas da vontade popular, falseada durante séculos, sua sagrada alian- «a.com o capitalism, Usufrutuirios de um poder usurpado, intentam hoje, mediante a Jmplantagdo ideoldgica do neolberalismo,revogar adialéticae a his- InTRoDUGAO s ‘iri, paralisando o mendo na etemidade de globalizago como starus ‘quo da injustice das desigualdades soca, A escravido pode hastear pois essa bandeira a liberdadee a democracia jamais Em suma,€ de assinalar que para uma certa corrente de publi tas empenhados em propagar a doutzina globalizadora do neoiberalis- ‘mo, determinados conceitos, quas os de soberania, Estado, Nagi © Constituigao estariam recebendo ja extrema-ungio na teotia contem- porinea do Poder edo Dieeita, Com efeto, © fuxo deinteresese elagbes que dominam a esfera global inaugura uma nova fase daltiea no campo da economia capita lista, deeretando, de maneira supostamente ieversvel, 0 declinio ea prxima ruina daquelas iéias-chavese doginas insttuionas, 0 Estado constitueional,o Estado napo, 0 Estado soberano, 0 Es tado de Direito da idade moderna tém sobrevvido com dificuldade is crises universais do capitlismo, Trata-se,em verdade, de um modelo de economia cujos abalos se {iazem sentir com mais dao, orga einensidade nos pases do Terceiro ‘Mundo, onde provocam um cortejo de tragéias ¢ violEncias, que vio {de agressdes politica, intervengdes militares, golpes de Estado e dita- dduras a capitulagdes econdmicas efinanceras,jé na iminnca de de- ‘sembocarem num processo ativoe imediato de recolonizagao. Todas esas comoges introduzem, de conseguint, a flosofia de forca injustigae pivilepio,tpica daquee sistema de dominacio que invade o mundo contemporaneo na dimensio globalizadora eneolibe ral, 0 fazem com o mesmo espritoreacioniri erestaurador da Santa Alianga, durante a segunda década do século XIX, aps o colapso dos exéreitos de Napoleso Com efeito, ¢ de asinalar que na Franga revolucionéria, em sua fase durea de expansio, o poder conguistador, depois desfalecido, con dduzira na cabega de seus comandants disciplna do soldado, mas na retaguarda socal 0 que prevaleera fora 0 pensamento regenerador da Revolugio Francesa e da pis burguesa acompantando a marcha dos sranadeiros [A Santa Alianga pés-napolednica significava, portant, a viteia parente do absolutism restaurado mas derépito que se estampava na ‘ormula politica dos tronos consituionas e das Cartas outorgadas. [No fundo o que preponderava, contudo, era 0 sono de liberdade os filesofos contratualistas dominando a cena constitucional edissol- vendo, com 0 compromisso das Cartas, fereza do proto autoritrio, repressivo e restaurador das realezas de direitodivino. ‘A recaida no passa havia sido impossvel, Tinha por dbice maior 6 fat histéreo que fora a Revolugio Francesa, Expatiar ¢exilar no rochedo de Santa Helena o autor do Céigo ‘no constituria nenhuma dificaldade; mas revogar dale civil os pri ipios ali introduzidos ndo cabia no poder nem na jursdigio das mo- nargulas nostlgcas, confederadas num pacto de fea: e foi este © CCongresso de Viena, impotent para deter o triunfo juscivilista do Cé- digo, que inaugurava a Sociedade constrida pela burguesia segundo a8 ideas da Revolugio, Cimentava-se, portanto, um sistema de organiza socal confor- ime valores novos, sem nenhuma analogia, compromisso ou vinculo com o ancién régime. Tomando, porém, as nossos tempos de globalizaio, 0 Consenso de Washington tem no chefe do FMI im Mettemick que no faz a d- plomacia dos tratados mas a politice de forga das sentencasfinanceiras ‘com que 0 capitalsmo avassala,derrota e até mesmo destri a econo- mia de paises onde of dieitos da tereira geragio jamais chegam se- ‘lo por imagem retérica de um discurso compendiado na falsidade de promessas desenvolvimentistas bem como na fouxidio da teses ci titucionaidade material, se fez histérica na ocasio em que o poder consttuinte dos fundadores da monarquia buscava, convulsivamente, ‘se positvar, manifestando-se em dois polos dstnos, dos quis um teve ‘que capitular, em 1823, com dissolugdo de nossa primeira assembléia soberana, (0 primeito plo personiicava-oa Assembléia Nacional Consituin- te; segundo, a figura do Imperador. Entre ns, durante a fase imperil, fem termos positives de vignca, a hegemonia ficou sempre com a consttuionalidade material. ‘Mas isso constituia uma enorme excegi, da qual nio se tem not cia noutros ordenamentos.E era excepto, porquanto a consitucionali- dade formal, ou formalismo consttuconal,imperava absoluta no sé- ‘lo XIX, em razio do positivism que dominou tanto a doutrina como praxis dos sistemas constitucionss Durante o século XX esse mesmo formalismo chega 20 auge, © se faz cada ver mais agido na esfera da rigidez constitucional, com a dou trina de Kelsen Suscita ele, pela suspeita de indifereaga aos contedidos e valores ‘da matérialepslada em sede consttucional, uma cera edissimmulada animadversio & constitucionalidade material enquanto eritério de jur- cidade. Daqui derivam graves abalos e ruinosos efeitos para a pre- fervagio da democracia, 9 conquista da liberdade, a conservagto do Estado de Dieito ‘A idade contemporinea assiste, todavia, a uma crise de consti- ‘ucionalidade formal, para a qual nos debates da Topica, durante a dé- ‘eda de 60, num vigoroso tom polémico, jadvertira Forsthot, empe rihado em refazer as bases minadas do posiivisma clissco. Este se achava comprometid, em definitive, pela inadequagio de sua metédi- fae ermentutcajusprivatist, que ForsthofT mesmo reconbeciae pro- ‘lamava incompative com 0 constitucionalismo do Estado Social. Uma verdade sem a qual nio teria brotado a Nova Hermenéuties, nem as CConsttugdes subido a um grau tio elevado de juridicidade, unicamen- te possivel por obra da revolugo normativa que se operou na esfera os principios. Com efeito, o positivismo se mostraraincapacitado para solver, ‘nos distritos hemenéuicos de sua jurisdiqdo metodologica, as grandes ‘questes de dreitopblico de nosso tempo, levantadas pela rupura dos modelos clssicos e pela decadéncia das instiuigdes liberas da soce dade burguesa. [No faremos,a seguir, 2 autopsia dese caver, que & tora for malista das Consituiges. Em sua feiglo primitiva ela fi concebida segundo o rigor positvista da dourinaalemd, ou conforme a puteza Imetodoldgica mas esterilizante da escola dos jurstasaustiacos de Viena E nfo a faemos porque o que se nos afigura, de imedito,digno de maior atengio, € apontar e aferir a materalidade constticional ‘como 0 fendmeno juriico mais signifiativo deste fim de século. CConvertida em pedra angular do novo Direito Consitucional, ele surge se expande & sombra de novos concetos ~ desde 0s da Nova Heemmendutica at aqueles que restituem 8 legitimidade 0s seus foros de supremacis, Foros dante usurpados pelo conecito meramente for- mal de legalidae, por onde se iltavam, pervrtendo a nogdo de Est do de Direto, concepySes audaciosas e auteriticas,lesivas a todas as timensies dos direitos fundamentais eds liberdades do ser humo, ‘Com ist, constitucionalidade material avultaem aos linha de racigcinio como o elemento-chave de resposta ds eises que ameagam bala, submerge dissolver os ordenamentos constitucionas da Li- berdade do Dieito inspirados a Jastigae, por conseguinte, nos axio- ras do Estado Social Se no deslocarmos para a materialidade constitucional 0 eentro de gravidade das interpretagdes constiucionas, nio bi futuro para & Constitigso, Retomando, pos, o fio interrompido dessa evolu, veriicamos que & constitucionaidade material, eo tanto em termos de dostrina AINCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL v1 ‘como de coneretizagio ou positivasio no estrito ambito do Direito CConsttuconal, jé fez consideriveis progressos. Hoja vista, a esse respeito, a materalidade constitucional asomi 4d outra vez de maneiraimpressionante ns ciusulas de intangbilida- de, positivism lhesestorvava a execued consttucional ‘Convertidas em normas inferires — @ que era um paradoxo ~ & sleunhadas pejorativamente de programaticas, eaminhavam fora do terreno da concretude,rebaixadas a preceitos abstatos, do mas infimo guia jurdico. _Enquanto permancceu semelbante quad na evolugioconsttcio ral deste século, a constitucionalidade material jamais péde volver a0 ‘rau de jurdicidade que a formula, extaordinaramente orginal, dos ‘elhos constituntes liberais da fundagio do Império Ihe conferiu, com justo e merecid relevo, consoante jf se asinalow ‘A desconfianga social dos poderes conservadores congelava ‘mormas programiticas os direitos fundamentais da segunda gerago. ‘Um escndalojuridico do qual nem todas as Consttugdes se livaram. Fazia-se, assim, inoperivel o que devera ser o tecido mais nobre das CConstituiges: © Estado social em toda a plenitude de sus contextura (0 né da dificuldade e da omissio em coneretizar aquelas norms somente se desatou quando as correntes antipositvisas deste fim de seulo fundaram una Nova Hermenéutics, recirando os principios antes designados simplesmente por prineipios gerais de Direito ~ da esfera menor dos Cédgos, onde jaziam como a mas frie subsidis- fine insignificante das pegeshermenduticas do sistem, para a regio | ais clevada eaberta das Constiuiges,cujo espago oxigenado entra ‘am a ocupar, até se fixarem com aquela densidade normativa que 0s ‘onverteu em senhoressupremos da juridcidade constitucional. De tal, sorte que, por derradeiro, os principios governam a Consiuigdo,¢ @ ‘governam nos terms absolutes que a legitimidade impae. 9, Promana a inconsttucionlidade material da coliso da realida- de exizaconstitucional ~ uma realidade socal circunjacentee subjacen- te Constituigio ~ com as normas programaticas da Lei Mair. ‘A inconstitucionalidade material, o jurista nfo a deteeta propria ‘mente na Consiuiglo, porquanto est, enquanto texto, Ihe € exterior em termos normais © ordinizos. O tipo de inconstitucionalidade em tela — urge, todavia asseverar ~ advém basicamente do descumprimento e omissio dos precetos, ‘onstnucionais de eunho programitico. Em rigor, se fz posivelconsrur conceit e tomo exeai vel, factvele operacional se expurgarmos das normas principiais da Consttugio seu cariter de programaticidade e the reconecemos, 30 sesmo pass, sia normatividade culminate. Sem embargo, ndo basta, apenas, asseverar que os prineipios ou as normas programitieas possuem juridicidadee aplcabilidae: fiz-se ‘mister i mais long, i além, para acrescetar que, formando o Everest da hirarguia constitucional, $0 0s principios muito mais densos e«- «0s de jurdicidade que quasquer ousas normas em cireuagao no of ‘denamento juridco da sociedade Nessa qualidade, e com esse quilate, comandam eles inistints- ‘mente eada parte da Constiugao, assim, 0s princpios as vértebras de todo o sistema constitu- ional Sem eles a Constituigdo navegara deriva. Niolograria jamais consistncia; ao seria lei nem dirito, mas unicamente aque igndbil farrapo de papel da ioniasocialista de Lassalle, insigne precurso, © ro 0 fundador, da teoria material da Constituigao Representando, todavia, a excelstude normative das disposigdes constucionis,sio 0s prncipios a mola-mestra dessa tora, mani- ‘ela do poder legit, a ideis-orga que ampara todo o sistema de or- ‘ganizagio social; ville, de timo, configura uma inconstiucions- Iidade material, quer a viola affonte diteta ou indiretamente, exter ‘na ou internamente,o corpo normativo do Esttuto Supremo, 10, Deduzidas as raades acima exposias acerca dos eoneitos de ‘onstitucionaidade einconstitcionaidade materiis, ¢ de todo o pox- to possivellograr a certeza de que o art. 14 da Constiuio Federal admite, paalelamente, dois procedimentos interpretativos. © primeieo procedimento acha-se, a esta altura, grandemente ul teapassado, Porém a jurisprudéncia, e considerivel parte da doutrina, infelizmente, ainda se atm aele com rara enacidade E método vazado no estilo deduivsta, slogistico, de subsungio <6 norma; método cujasraizes privatistas denotam, desde o comes0, ‘us inteirainadequago ao trasladat-st para o dominio das graves ques- ‘es consitucionai, aquelas que entendem com os fundamentos e @ legiimidade da ordem juriica ou com a concretizagio das elausulss abertas da Constitigi. Diante de tis quesdes,¢procedimento interpretative de todo ine- ficaz para thes dae solugio, conforme buscaremos demonstrat na se anc das presents reflendes AINCONSTITUCIONALIDADEMATERIAL bs 0 segundo procedimento hermenéutica deriva da teoria material {a Constiuigdo, ea ele portence o futuro das Constitugdes, Urge ullizi-o, pare demonsirer que o mesmo toma imediatamen. te eficaz 8 norma do art. 14 da Consiga, dirimindo a controvérsia susctada acerca da aplicagio dos mecanismos consttucionais da de- ‘mocracia semidieta em nosso ordenameno, Com efit, se fcarmosjungidos a metodologia tradicional, como, alii, tem acontecido na rea judeante, a clusula qu institu’ aguelas tenieas de exercicio da soberaniapermanecerd, em razio da reserva 4e le al posta, ndefinidamente tolhida em sua splicagdo, Aquela reserva legal tem sido, até agora, um dbice intransponivel 4 concretizagio do sobreditopreceito consttucional, (Como a lei subsidiria no se faz, nisso vai adrede um empenho vido & 0 descompasse, a desproporgdo, 0 fosso entre a iia e areal dade com respeito a0 Estado social e 8 democracia. No Brasil, democracia do Estado socal, como Forma participati- ‘va quase nauffagada, ainda & direito da primeira geragdo ou forma de sgoverno em estado radimentar, odeads de escolhs, transgressdes © bloqeeios. ‘Achase, por conseguinte, muito distante de lograr, na contextura social, a conctegdo das expectativas politica juridicas do regime es- tampado no texto da Constitugto, ‘A demoeracia nasceu com a partcipagdo dos governados no exet- cicio do poder piblico, ssociads & categoria tradicional eclissica dos chamados direitos fundamentais da primeira geraglo.Percoreu, a se ‘uit o caminho da subjetividae, concretizando-se em esfers indivi ‘ualstas como direito de dimensto subjetiva, onde permanece, tendo por titlar ou sujeito 0 individuo, a sabe, ocidadio, o ent politico. ‘odavia a democraciaparicipaiva que se ineorpara ao Estado so- cial tende a adquirr nas ConsttugGes do Estado de Direito uma di- measio princplal a tasladar-se da esfera programitica, onde era ida, para a esfera da postvidade onde, por see principio, & norma de Do ponto de vista qualitativo, ao assum, pois, a dimensio abjet- ‘ae go mesmo passo superlativa, de valor social e humane, a democra- sia, enquanto dirito fundamental da quarta geragio, varia de titular dade axiolgicae se transport do eidado para 0 género human. A politizaco da espécie assim persnificada faz do homem o cixo a referéncia de toda a dignidade paricipativa que cimenta as bases do novo Estado social, com a democracia convertida, doravante, em instrumento de lbertagdo. Mas instumento que se deseja palpive, efetivo, eoerefoe ndo abstato; a um tempo ago e palava,verdade © ogi, valor efto, eoriaeprixs, dia e realidad, razio e concreglo, Temos, pois, a intuigdo de que, se vivo fora este seria © Estado social de Garcia Pelayo, 0 constitucionalista que tanta simpatia nutiu pelos povos da América Latina e a quem rendemos a homenager des- tas linhas, ¢ de um pensamento valvido sempre para os valores de iualdade ede justiga social Capitulo 8 A EVOLUCAO CONSTITUCIONAL DO BRASIL acando a evoluglo constitcional do Brasil devemes concentra todo o ineresse indagativoe toda diligénca eluidativa numa se- aiéncia de peculiaridads, de ordem histria e doutrindra, ue aco. Pnharam e caracterizaram 0 perfil das instituigBes examinadas, desig nadamente com respeito& concretizagao formal e material da erature de poder e da tabua de direitos eujo conjunto faz 8 ordenagio normati= ‘a bisica de um Estado de poderes limitados. De tal sorte que a reflex hi de ocorer ao redor de temas chaves ‘como poder consttuinte e Constituigio, separagao de podete, organ _zacio unitira e organizagdofederativa do Estado e direitos do bomen, ‘ua universalidade e fundamentlidade, por exprimir parte esencial 4e todo pensamento politico concretizado em termes constitucionss, ‘lo pode deixar de ser assnalado com todo o destaque devo, © Brasil desta ails histrica coresponde assim a um modelo 4e puis constitucional que até aos nossos das e busca constr, num Tonga travesia de obsticulos. [AS antigas colniashispnias recém-emancipadas ou em proces- s0 de emancipago, 20 cntrrio, ompam com 0 passado europed, 0% Seja, com 0 velho mundo, deixando de consagrar assim as institigdes da liberdade derivadas do mundo inglés ou francés para rcolherem © adotarem 2 grande sugestio republican, federativa e presidencial de Filadélfia, que seus constituintes thes sopravam; mas facassaram por imtero eriando replicas fragmentadas,federagies desfeitas © go- sets presen dssolvidos em auras de oressoe cal |ABVOLUGAOCONSTITUCIONAL DO BRASIL 1 'S6.com o advento da repiblica cerca de setenta anos depois & que 0 Brasil mudava o norte de sua navegegdo politica e aportava no mes ‘mo modelo malogrado das replicas vizinhas. ‘A primeira época constitucional do Brasil, nos seus primers, {ina su trjetri a0 longo do Primeito Reinado, garda estes vin- ceulos com Portugal, redundando numa singular comunhio de textos, consttucionis, produto da mesma outorea imperial nos dois paises; ‘0 Brasil a Coasttuigio de 1824, em Portugal a Carta de 1826, e6pia, dagucla que D. Pedro nos concedea e que ele fez chegar & Regéacia, 4e Lisboa peas mios do embaixador inglés Foi, diaa-se de passugem, un texto, em matéria de limitagio de poderes, relativamente bem sucedido, tanto Ié como aqui, no obstante 10 seu baixo grauteérico de legtimidade e suas discrepancias com a intereza democritica ¢ representativa do século revolucioniio que proclamaa os dteitos do homem e sagrara a inviolbilidade constitu ‘ional da separacio de poderes. ‘A lina originaissima das nossasnascentes constitucionss se en- raza em fatos histricos que, de inicio, campanham 0s dois poves,, ase juridicas do sistema, E onde tl acontece, bi ditadura,e mio hi ‘governo, Ha despotismo, ¢nlo hi Constituigdo. Hi obediéncia,e no, fi consenso. Ha legalidade, eno hi legitimidade. E a Tegalidade que [hb € todavia frga, que enfraquece a dignidade da pessoa humana, 2 {ustiga dos direitos sociis, a sobrevivéncia da democraca, a defess © protegdo do Estado soberano, Cabe, portanto, na Seqiéncia dessasreflexdes, fazer esta tiplice indagagio: ‘Até quando a Amactinia permanecers exposta is lesdes da sabe rania nacional? Até quando a politica ingovernavel governaré a replica? ‘Até quando 0 sindio da massa falda no poder liquiard as cons do patriménio pblic cifradas nas privaizagdesalienadoras da riques 2a nacional? |AEVOLUCKO.CONSTITUCIONAL. 00 BRASIL 0s Sto tés indagagdes erucias que comprometem todos 0s princi pos de sustentagd elegtimidade consttuconal pertnentes repabli- ‘a criad pela Consttigdo de 1988. 0 ordenamento juridico vem sendo destrogado em grande parte pelo golpe de Estado institucional desferido por meio de Medidas Pro- visorias que expulsam do exercicio do poder legitimo os dois 6rgios paralelos da soberania nacional, o Legisativo eo Judiciro. E assim 0 Govern, sem dar satisfagi0 a0 povo, & opin, ao Pais e & Sociedade, cexecuta 8 implacivel politica da recoloizagéo, Aqui termina, minha Senhorase meus Senhores, a evolugdo cons- tituional do Brasil termina com as omisses da fala elite represen tiva,cimplicesilenciosa dos atos que destoem a democracia eo regi ‘me. Mas io termina aia Tut do povo brasileiro. A alvorada da demo- ‘racia patcipativa se desenba nas lias do horizonte politico eespar- ge luz sobre as esferastebricas onde se consti um novo consttucio nalsmo de lutae resisténcia, abragado com o povo, com a cidadania, ‘com a5 atas da Inconfidéncia, com a meméria da Confederasao Jo Equador, com a campana abolcionistade Castro Alves, Nabucoe Ru Barbosa, com a Diretas-Iée com as jomadas do impeachment que on- tem mostraram como a liderangas podem sucumbir.O que jamais po- era sucumbir&0 povo brasileiro Esta assembleia, este auditéro, eta academia de letras pasaim @ ‘certo de que a Nagio vive e sobrevivee mantém intact aconseign- fia de seus valores, com os quis hé de forjar as armas do confront. © povo, portant, dirt sim a democracia ¢ nio a recolonizag. esta a mensagem dos nossos 500 anos de presenga nos fastos da Historia io volveremos a0 passado porque somos 0 verdadeiro Brasil do ‘ano 2000, o Brasil que esti no Yosso sentimento constitcional © na ‘vossa alma e voeagio de lberdade Capitulo 9 0 PENSAMENTO JUSFILOSOFICO DE FRIEDRICH MOLLER: FUNDAMENTO DE UMA NOVA HERMENEUTICA preparasio terica de ua demoeraciapaticipativa pass de ne- ceessidade, pela riago das pemissas metodologieas de uma nova inermenéuticaconstiticional, funded em valores principios e, 20 mes ‘mo passo, numa reelaboragio doutinria ecientfca da norma juriica, Essa dimensio nova, sobremodo original ¢acha, por inti, co ‘ida na obra do flisofo alemio Friedrich Miller, cujo pensamento comeya a iar aizs no meio juriico nacional, coma taduelo de al- ‘guns ensaiosfundamentis deste insigne Mesce de Heidelberg. [A seguir, coligmose eproduzimos nesta coletinea dots trabahos nossos de divulgaséo do nome, ds idéiase dos conceitos do pensador cuja obra, fascinante e fecunds, abre horizontes novos a democracia, a0 Diretoe a Iberdade, porque busca desvendaro que subjaz nas es {eras de concretude da ordem nacional ede sua base de poder. Primeiro, estampamos 0 artigo que teve por titulo “Friedrich Mal lero Fildsofo da segunda metade do século, publicado no jomal O Es tado de S. Paulo, edo de 29 de abril de 1986 (esse artigo fo prece- ido de outro, publicado na Revista de Direto Constituconal e Cién- ia Politica do IBDC (Istituto Brasileiro de Diteto Coasttucional) 2, Rio de Janeiro, 1984, Foense, sob a nota “Em dia com 0s livros — ‘Teoria Estruturante do Direito de Friedrich Miller). (0 segundo trabalho & um Parecer, que consta da 3edigéo do ivro Reflexées: Politica e Direito, em que fizemos aplicagao, num caso con eto, da metodologa interpretativa de Mile. COPENSAMENTONUSEROSOFICODE FRIEDRICH MOLLER 27 1 Dos jurists alemies contemporineos & o Prof. Friedrich Mller. dda Universidade de Heidelberg, inguestionavelmente um dos mais fe- cundoseoriginais, pela contribuigdo que tem ofeevido na eseratdri- cen. renovagio da Ciéncia do Direto, ‘Suas investgagSes criticasabrangem todo o campo filoséfico do Direito, mas reciem com mais intensidade no dominio da Metodolo~ «da Teoria do Direito e da Consttuigio. Nio € Miler um exposi= tor, mas um pensidor. Perence ao quadro dos juristasalemies de nos- s0 tempo que intentam fundamentar uma teoria material do Direito, sfasando-se assim, por inteto, das correntes formalistas, nomeads mente do nornatvismo Kelseniano, Todos os jurists dessa tori par- tem de conelusdes acerca da insuficiéncia do positvismo no que tange 4 uma fundamentagéo do Direito em sintonia com os eonteddos nor Imativos.Sene-senele a necessidade de fuged altemativa de um dis sit atéehegarseulmindncas de uma reflexdo acerca de toda aproble- mmtca contemporinea do Estado, em ordem a ministrar subsidios que fazem compreender a diego, os rumos, os meios, os istrumentas con ACONSTITUICAD ABERTA EOS DIRETOSFUNDAMENTAIS 217 que dobrar, se possivel, 0 eabo tormentoso de constitucionalismo de nossa época E fascinante, pois, a abrangéncia, latitude, a exposigio minuden- ‘e,a intligincis critica dos problemas acumlados a0 redor do tema, {Ue © Autor versa com a profiigncia de uma formagio juridca com: pletad aperfeigoada em algumas das melhores universdades etran ageiras. Esse lastro de cultura, essa bagagem de erudigdo hauride em estudos especializados, sobremodo Ihe entiquece 0 curiculo ele em [resta, a0 mesmo passo, o cunho cientifico e aidoneidade de sua tare- {a investigatéria ‘A sativa pesinente & Consttugio aber ¢ aos direitos funds ‘meniais configura, pois, na obra de Siqueira Castro um desafo floss fico-juridico & perspicuidade teria dos pensadores brasieitos para ‘onstrirem, na esfea do Dieito, uma formula constitucional de orga nizagdo do poder que faca a protegio e a efiecia dos diteitos funda rmentsis das tes derradeiras geragbes ‘As exgéncias de estabildade do sistema, em termos de pa Social destinadas @ garantir um desenvolvimento nacional mais humano ¢ ‘mais acorde aos princpios que regem & demacrcia, justia ea digni= dade da pessoa humana, consoante o estatuido nos artigos 18 « 3 da Carta Magna, onde se formulam os fundamentos e objtivos de nossa Repiblica Federativa, pndem, por inteito, da conere;ao dos sobredi- tos direitos. E aqui vale lembrar, na ordem do processo consttucional 2 originalissima proposigho do consitucionalista Paulo Lépo Saraiva que, numa conferéncia proferida na Universidade de Coimbra, se re- Porto a necessidade de instituir um mandado de garantia social, o qual 5 n0s afigura instrument por exceléncia com que afiangarorespei- tos chusulasdeclratrias daqueles direitos fundamentas na estat ado Estado socal contemporineo,sobretudo nos pases em desenvol- vimento, dentro, porém, dos limites de razoabilidade das prestagdes rmateriisimpetradas ao Estado. 86 assim Justgapord termo aos com portamentos omissivos de governantes e legisladores ordinérios em materia consttucional de execugao dos sobreditos direitos (© mandalo de garanta social se compadece, pos, como veiculo processual, com a prix e a doutina que inspira todo o livro de Si- ‘quera Casio, por representar um instrumento da Constitugao aberta ‘que garantedistos Tundamentais E, se objesto houvesse ao emprego de tl recurso, em razio de limitagdes materias do Estado, conforme ji se assinalou, nem por isso fora afastvel ou despiciendo aquele remédi juridicoprocessual cuja dogo, tomamos artery, frei os quads de uma vnclado de razaad,sostdo por conceguin 40 picpo da proprio nalade Em sum, asta sci, sempre presente nunc nes ox lines eno eons ponderaiose herent Je ala probla Concrt,aplicnlose 20 mesmo metodlogianonmava © esta fame de Fiche ~a0 nto ver oasis efeeuno dos [slsooscotemporineos deve ser, inaedavelent a base de tein de tes os Eaadoseontiinas do Tercevo Mun. Som unig scl mio ht Estado de Dito ne democracia ques: Brevi on pes da pion Dagui se infer quanto o Estado soil cata endo, como ex- eos de poder ona fundamental da soit, porte Pao ito dos povossubvesenvolsios Ni poem ets presin Se uma Consign prospectvadgete, rgeandin evince, corn pels onsite wearanose mexcaos de rime me tee ds scl, epstvad no mas elevado gu ene ni, pels furs det Mair de 1988 O shanna dese mol seme yaa Sh poos continents da Amin Latina 0 sul do eu projet de Theato: por consegui, oi das Jenaeisesetanas concrete ‘ores dua independ pela a atalin Bi cere de Guze- ics anos portiando por ena da era foral. A deserin, ago, quivl do mesmo pss, nergbo oasis neoliberal Jos ftobtzidors, na cudade das eves da mcasadecondesais form cpttismo franc eeapsvlava dh cons mas ator Ratna eng ao suposto denna da elnino, saa per invites declan fo stn temas aqule projet; lg, pant, excite inaceivel ‘esis ou a humaniade que agoniza ou capitalisno gue se dean: niente ito prove eb praia pele Sicesoscotenprines do meseado gilts, cea mo nopotsa, end se concent 0 capital se aplin desgulade, s¢ tervals ambi, por a coca cj init expansio ‘Sterne oor menos cance do ue fr mas pesado © Td ds opesses sacs eo contac 4 emprep, da edad tere, da Const, da dgidade dos Poders mos paises subd senvohides (ati do Exeutvo, somites do Jado ea lnc do Legato cnram um iso Estado contol «uma faa de00- ‘ei epresenata,Nio ba Estado costs em democrs® |ACONSTTUICADAIERIA EOS DIRETTOSFUNDANENTAIS 210 ‘epresentativa nun Pals que durante dez anos, desde a promulgagao de sua Carta Magna, se tem governado por mais de quatro mil medidas provisrias! E uma dtadura constitucional que faz inveja aos generais da “redentora" de 1968, Com efeito, 0 Estado de Direito & Estado de Justiga. NBo é mers ‘mente sistema de les, porque as leis, segundo a doutissima ligdo de Suarez Freitas, podem srijustas. Podem ser por igual severas de mais, Araconianas,trdncas, erutis. Leis que nie libertam mas oprimem como nas dtadurss. O arbitrio pode corzomper © degradar 0 Estado das Leis eo Estado das Consttulgdes, mas ninca o Estado justo, feito Precisamente do respeito i lei e & Constiuigo, a legaidade e& consti- Tucionalidade, 0 Direito¢ justo porque ¢ legit; sa lei pode ser injusta por que nem sempre € legitima, ‘A Media Provisora ja anda na casa das quatro mil - 0 mais es- ‘rondoso escindalo de uma replica constitucional ~ e nem sequer & lei, mas ato de poder, com teor normativo,consentido ou delegado 20 Executvo pela Constiuiglo, nos termes do at. 62. Quando nio atende 20s requisitos constituconsis de urgéncia e relevancis, conforme acontece na praxis do regime, e 0 Poder Exect- v0 a reedita, configura ela a quinta-esséncia da ilegaidade, da ilegc- smidade e da inconstiucionalidade “Tornamos, por conseguint, a dizer noutos temos: send apenas ‘medida, no Ie, posto que tenba forga de lei. Quem & expede ~ 0 Executive ~ 0 faz em carter provisério, abedecendo a0 mandamento 4o texto consttucioal.O abuso de tais Medidas, porém, as converteu, 1 Brasil, em instrumento por exceléncia da ditadura consttucional, ressuscitndo a repiblica de decreos-leis, abolida desde a queda do Estado Novo de 1937 e, uma vez reinstalada em 1964, varia de nos so sistema pelo constitunte de 1988, que jamais imaginou haver pro- sriado um monsto, ‘A inobservancia do ditame coastitucional de forma e conteido to- the, assim, a passagem qualtativa elegitimante da Medid Proviséria 20 gran de lei propriamente dita, o que s6 pode ocorrer por via con- tressual, endo toda reed uma usurpagdo de poder que fere a Cons (0 Dieito ou liberta ou nfo € Direito, Nao the econhecemos outre angio, outraflosofia, outro escopo, outa validez. Ni importa disci tiethe a origem, mas 0 fim; fim na coneretude social contemporsn, sobretudo quando se atenta que a baixam sombrasespessas sobre 9 futuro da liberdade eo destino dos poves. Aquele fim &a voeaglo das ConsttugBes. Nao podem elas, em paises da periferi,aparar-se, por conseguine, do constitucionalismo dirigente, vineulante,programati 0. Fazélo seria condeni-ls &ineficicia, a absolescéncia, i fatalida- de, desatando-as de seus lgos com o Estado socal "No Brasil, designadamente, demolir o Estado social, qual se vem Fazenda, & revogar ts décadas de constiucionalismo, Uma insensa- ‘ez, um desservigo, um retrocesso! Mais e mais aumenta em nossos dias, em razBo desse crime de govern, que é erime de Estado, 0 fos que separa o Pais desenvolvi- do, onde mandam as casts privilegiadas do Pais humilhadoe subde- senvolvido, onde padecem as massasesmagadas pela miséra absolut, Convivéneia absurda que, caso nio termine, um dia implodié a nagio! Estado hosil ou infenso & questo social, 0 seu Direto no segue 1s fates, nfo acompanha a evolugio da ciéncia, no gera os novos di reito fundamentis, no chega 20 campo das elages humanas, onde eles emergem e se fizem imperatives, por conseqincis de surpreen- (20, Ali se diz, tocante reserva legal, que ale dispora sobre apo- Senadoria em cargos ou empregos tempariios; aqui se dispde que no mbito da lesslagio concorrente, a competéncia da Unido Timitar-se-i ‘a estabelecernormas gers. 4. Mas ambas as abjegdes caem, se atentarmes, em primeira Iu- gar, que o constiuinteeStadualelaborou norma de cariter genético ‘qundo snda no hava lei federal eriandoo regime das aposentadorss, {speviis, De tal sorte que, sem mandamentos constitucionais a esse ‘espeito, tudo se cinge to-somente a uma mera reserva de lei, com ex- pectativa de concretizacio pendente; o que, sem davida, conveshamos, {bra legtimamente ao legislador constituinte do Estado-membeo uma artéria de capactagdo com que exeritar,livremente, no dominio da previdéncia social, sua competénciaplena de legisiar,arimado uo § 3° do art. 24 da Constituigdo Federal. Segundo reza este, inexstindo lei federal sobre normas geri, exercerio os Estados “a competéncia le eisltiva plea”. (ra a inciativa do poder constninr estadual de primero gras, no caso da Para, no s6 se fez 8 sombra desse precitoconstituco- ral, como teve 0 reforgo do § 18 do art. 25 da Constiuigdo Federal que reserva aos Estados as competéncias que Ihe néo seam vedadas na Ca. ta Magna [Nao resta vida, por conseguinte, ue a competéacia plena para legisla, inclusive sobre normas geais, na auséncia de legslago fede ral, foi confrida aos Estados pelo sobredito § 3c s6 quando a lgisa ‘lo federal se fizz, estabelecendo normas gers, & que a competéncia, ‘estadualconcorrente refuiriesferasuplementar, consoante odispos- to no § 2¢ do supramencionado art. 24 A legitimidade do an. 270 da Lei Fundamental paraibanaé incon cussa ea Lein. 23880, que regulou o disposto ness artigo, também © € Unicamente suspender-se- a eficicia dos conteidos legisltivos daquele artigo e daquela lei, se a lepislagdo federal superveniente Ihe for contriria, qual se deduz do § 4 doar. 24 da Constiuiglo Federal io padece divida, por conseguinte, que, & mingua dele federal Aispondo sobre norms geras acerca da aposentadoriaparlamenta, ta ‘competénca no era vedada 20s constiintes da Carta Magna estadal combinando-se ts artigos do texto constitucional, a saber, o art. 22 inciso II, o art.25,§ !¥e0 art. 149, parigrafo nico, para legiimar 4 agio legsltiva do consttunte paraibano. O parigrafo constitucionl ‘esse iltimo artigo, em obedincia@ indole federatva do sistema e 20 ‘estatuto de suas autonomias, eonsente aos Estados-membros insttir sistemas de previdincia eassistincia social, De sorte que no é inconstitucional 0 a. 270 da Consiuigdo p= raibana nem tampouco a Lei a. $.258/90, que le deu execugio © se ‘quénea integrativa. Ambas, a Constituigdo ea lei ~a primeira, insti do a previdéncia perlamentar; a segunda, regulamentando-a ~ no, ‘ransgrediram nenlium preceto eonstitucional de competénca 5. Vamos porém is quests de mérito. Leyislando no caput do art. 270 sobzesposentadora do ilar de mandaio eetvo, o constitute Parsbano de 1989 conferivlhe aposentadoriaproporcional ao tempo |APRESUNCAO DECONSTETUCIONALIDADEDASLEIS 241 de sevigo E estendeu também este dieito os titulares municipais do sobeedito mandato Com isto ~ € mais uma vee tomar a cena 0s incriminadores de {nconstitucionalidades ~ teria havidointerferéncia na ea de autono- ‘mia do Municipio. Tal porém nio procede. Nenhuma Constituigao hou- ve mais generosa que a nossa com os enes municipas, (Ort, 1da Lei Maior, 2 constitui-loe membros da uni indisso- lvel da Repiblica Fedeativa do Basi, Ihesconcedeu dignidade fe- vo ~ padece o menor arrniio de legiinidade ou suscita divides tio fortes que persuadssem'a judicatura a expulsé-a do circulo de consti- tucionalidade do ordenamento vigente, I. O principio da presuncdo de consiucionalidade das leis 10, Nos Estados Unidos, a doutrna, os arestos dos tibunais, os grandes hermeneutas, a tradcio jurisprudencial, a Suprema Corte eas, Cortes Estaduais fundaram e Fizeram Morescer, desde Marshal, a Cia cia das Consttuiges, Dali se irmadiu o axioma universal de que ni se presume incons- situcionaidade; presumes, sim, constitucionalidade, legalidade ~ 0 “favor legis, que cobre e protege a autordade do legislador. No se con- ‘sent, em caso de divida, por mera conjectura de infrigéncia & Consti- tuiglo, que leis nasidas, via de repr, de procedimentos formas, leg tims coretos, ejam inapicadss, ignoradas ou invalidsdas €a€ mes ‘mo varidas do ordenamento juridco nas instanciasinferiorese super ‘es da adminstracio piblica, sem que primeiro se Ihes demonste a ‘micula da inconsiucionalidade insanvel; €o sejam unicamente por ‘obra de um intoleriveljuizo prévio que ciftaprepoténcia,arbitrio, ingensatez ¢, de cero modo, insensibilidade & guatdae proieglo dos direitos. 0 que se aparetha tocante as normas do art. 270 da Constituigdo da Paraiba e da Lei Estadual n, 5.23890, cuja constiucionalidade se nos afigurainconcussa; todavia, por estarem sub judice, urge invocer, ‘em salvaguarda de sua eficicia,validee eapicabilidade, 0 prinipio da presungdo de consitucionalidade das leis, cujas raizes profundas no ‘ubsolo do constitucionaismo foram detadas por juristas do qulate de Marshall, Song, Willoughby, Washington, Cooley etantos outos, em js ligdes avuliam, copiosos, 0s exemplos que abonam o sobredito, postalado aremos principio a esse inventario de exceros,cujos concitos fazem fé ¢ atoridade na matéria,invocando as palavastragadas pelo ‘mais insigne de todos, o Juiz Marshall, da Suprems Conte dos Estados Unidos, pai do controle de constitucionalidade, ¢ aquele cujs votos ‘tumineram sempre as questies mais espinhosas do direto pablico amerieano na época em que exerceu sua magstratra constitucional. Num dos mais famasos pleitos em que atuou, 0 caso “Fletch v Peck”, Marshall assentow esta doutrina memorivel de presungio de consttucionalidade: “A questo de averiguar se uma lei €nula por re= ppugnincia & Constiuiglo tem sido em todos os tempos uma questo, cextremamente delicada, ue raramente, sendo jamais, hide ser decidi- dda deforma afirmativa im caso duvideso” “The question, whether 3 law be void for its repugnancy tothe constitution, iat al times a ques tion of much delicacy, which ought seldom, if evento be decided in, the affirmative in a doubtfl case, John Marshal, apud Willoughby, ob. cit, p38) “Todavia, nfo se deteve ai Marshall eprosseguiu: “Mas nfo € com ‘base em leve implicagdo ou vaga conjectura que se declara have 0 le- islativo excedido os seus poderes, de tal sorte que seus tos hajam de ‘ser considerados nulos” ("But itis not on slight implication thatthe legislature isto be pronounced to have transcended its powers, and is ‘cis to be considered as void”, John Marshall, Complete Constituio- nal Decisions, edited by John M. Dillon, Chicago, 1903, p. 198). 'Nomesmo julgado, continua o insigne magistrado,sria do cons- titcionalismo de todas as épocas: “A oposigdo ente & Constitigio e 8 Tei deve ser tal que o juz simta uma clara e profunda convicgdo de {que so incompativeis entre si.” ("The opposition between the const tution andthe Taw shouldbe suc that he judge fees a clea and strong, conviction of ther incompatibility with eachother" John Marshall, ob cit, p. 198). ‘Quando se ocupou de cliusula constitucional dos “poderesimpli- citos” “implied powers"), Marshall assim se pronuneiou textwalmen- te, sustentando, outa vez, # mixima da presungao de constitucionali- dade dos atoslegslatvos, segundo refere Willoughby: "Como regra, esa cldusula tem sido Tibealmente interpreta, eisto em razio, como {i se disse, de haver o legislative patenteado sempre sua vocagao de ‘assumir todo poder possivel eos seus ats fuiem invarivelmente nos ‘mibunas a presungdo de constituionalidade, salvo se se demonstra © contririo mediante as mais robustas prova.” (“AS a rule the clause has been liberally interpreted and this, forthe reason, a already been sd, thatthe legislature is always eager to assume all power poss ble, and its acts are always presumed to be constitutional by cours unless shown to be not so, by the strongest proofs”, Westel W. Willow: ‘hy, The Supreme Court of the United States ~ lis History and In- ‘uence on our Constitutional System, Baltimore, The John Hopkins Pres, 1890, . 36). [No caso “Brovn v. The State of Maryland”, tomon Marshal a cor. roborar a mesma doutrin, conforme certfica Cael Evans Boyd: “Tem se afimado, com verdade, que a presungio ¢ em favor de todo ato e- isativo,e que o énus da prova recap inter, sobre quem The con- testa a constitucionalidade.” ("It has been taly sad, that the presump- tion is in favor ofthe legislative ac, and thatthe whole burden of proof lies on him who denies its constitutional” (Ion Marsball in Cases ‘on American Constitutional Law , edited by Carl Evans Boyd, 2ed, Chicago, 1997, p. 136) Consolidando com o mesmo rigor a tese de Marshall, © Justice Song traz novamente lembranca que ponderives razées elevaram & estatura de um principio, formula pela Suprema Cort por todos os Trina que se fazem respeitar nos Estados Unidos, “que nto se deve Aeclarar nolo um ato legislative, salvo se @violagdo da Constiuiglo fr to manifesta que nfo dee fuga a divida razovel” ((.) that an at of the legislation isnot be declared void unless the violation ofthe Constitution isso manifest as to leave no room for reasonable doubt") (© juz Strong exprimia & opinito da Corte no caso "Knoz v. Lee” © “parker . Davis" decidido em 1871 ‘Assinala Willoughby noutra demands legal julgada pela Suprema ‘Corte que Strong fora ai bem mais inisivo ao dizer: "O respeitoreve- rencial por um ramo corelato do poder exige que o Juditério deve presumir, até que se prove claramente o contro, que no houve ne= Inhuma transgressto dos poderes do Congresso © que todos os seus ‘membros atm debaixo da obrigago de um juramento de fdeidade & Consttugdo” (“A decent respect fora co-ordinate branch of gover ment demands thatthe judiciary should presume, uotil the contrary is, clearly shown that there has been no transgression af powers by Con- tres, all the members of whieh, act under the obligation of an oath of fidelity tothe constitution”, Strong apud Willoughby, ob cit p. 38), Prossegue Strong asseverando que nio basta suscitar divida ~ como fizeram os contestadores das leis mencionadas ~ par frmar a incons- titcionalidade dos stoslegislativos £ to peremptora, tio enérica, tio firme a adesto de Strong & ted by the law-making power i should clearly appear thatthe act can- rot be supported by any reasonable intendment or allowable presump- tion", J. Haris, apud T. M. Cooley, ob. cit, p. 221) 11, Dos grandes juizes da linhagem de Marshal, passemos agora «a trésnotiveiselssicos do Direito Consttuconal, eujas obras tiveram nore influxo no pensamento juridico do continente, familiares que foram aos nossos grandes constitoconalstas, como Rui Barbosa, Bar- bulho e Carlos Maximilian, enre outros. ‘Com efeito, Willoughby, Cooley e Black eduesram geragies de jurists eo fizeram versando a temitica mais profunda e complexa dos problemas consttucioais,Trasladaram também aos seus Hivos o prin pio da presuncio de consiucionaidade das leis. Haja vista a esse Feapeitoo que os diz Willoughby cuj igdoé a mesma de Marshall, Depois de assinalar que “todo ato legslativo & presumidamente vlido™, Willoughby com 0 Seu nome consogrado nas lets do consti- ‘que no infirma o ato de astoridade” (Carlos Maximilian, Hermenéur ex eAplicagdo do Dreto, Editor Forense, 9 ed, tit, pp. 308 ¢ 307), IIL 0 principio de inerpretagio conforme a Const 13, Outro principio de considerivel infuxo e peso no animo do juleador a0 exarar a decisio de mérito acerca da consitcionalidade do art. 270 da Constituigdo da Paraiba ha de ser indubitavelmente 9 principio da interpreta coaforme a Constituigio, Por isto vamos dar the o largo tatamente que merece, como jd o fizemos respeitante 20 Instituto da presungio da consiucionalidade das leis. Com efeto, quem caminha do prinipio da presungo de constii- timagio. Ou sea, de certa maneira, uma & Arstteles, a outta, Bacon; isto no sentido da realidae e da coneregio positia, ‘A derradeira promove uma redugio formalist e coloca, assim, fora do plano da Cigncia Politica todos os bens espiriuas © todos os elementos ideolgicos da herange filosofcs,E, com essa redupio, tra i meméria aquilo que ja fora empreendido no Direito pela teoria pura © normativista de Hans Kelsen, 0 meste da Escola de Viena, Ou figura do noutras palaras:Fez-se da Cigneia Politica, cineia dos fatose dos comportamentos, como dante se fizera do Diretocigneia das normas das condutas. ‘As dus posigdes extremas acima referidas se conservam em si- lencioss e fra oposigio, De um lado, vamos reitrar, para mais fil compreensio do as- sunt, se acha a velha Ciéncia Politica do modelo clssico, arrimada & tradigio continental europa, que se fundamenta, come vimos, na obra 4e Aristtles, onde tina por vocagio e empenko superior a busca © 0 ‘estabelesimento do bem coms Este o estagiia o contemplava na edticagdoe conservago da polis. Essa Citncia Politica de cuno aris- totelico sobrevive, ands latente ou explicit, na produgio espriuale filosofiea dos pensadores cuja presenga na histria € a continuidade investigativa da rao, empenhada em descobrite impor novos cami nos ou novas tse reflexdo politica, outro ado, a nova Cigncia Politica, fundada no século XX por Const hw nga de ele resis tua he ercmplo ms refexdes ease soiolopeas de Eich ‘goctegrourios ss papi fats desta Caen un ato estanpad. a ‘penta em Estados de Socnlogr 2, pbbeag ds Acad de 6, dejo Co- ‘nt Asocid(Asocinte Board) fees par ‘Er id slow suilogs Mige Figueroa Romi, Migel Here Fig ron Pea Dav O tab, ing" Soil rc”. pats Fear Moet seman nos caps assed, Sem sailors ‘OMINoes dmendc em toons mata da Contours sil El Grunadlegung der Sosiologie des Rechts representa, pues, la pi mera obra capital que se escrbid en materia de Sociologia Iuriica, contindose de 1913, época de su aparicin, el comienzo de la nueva ciencia, cordinada en una sintesis de prinipios noreadores, que se debe aplicarcorrectamente al estudio del derecho, Ehrlich se sirvié de la abservacin y del método inductive, inten tando estudiar el derecho como hecho experimental puesto objet mente en su conexin con los demas hechos sociales. Visto que el de- ‘echo ejere funcién social, a norma juridca slo sera iteligible sis explicamos por el condcionamiento de tod la fenomenologia proce: sada en la sociedad. Se hace necesiro, por lo tanto, segin expone Ebr. lich, un conoeimientoexacto de los hechas eistnuciones sociales, una vez que tales hechos e instituciones, como sus interesesy sus necesida- des, seaban obligatriamente por determina la verdadera esencia de las realidades jurdicas, comunicando al derecho consistenca, vide, contenido, susianca, vader y adhesion CCabe ala Sociologia, por consecuencia,procede una investiga- dn del derecho, de caricterempirico, que tenga en cuenta los presi- ‘uesos sociales én que se bas I elaboraciénjuridica, No obstante as objeceiones que se fueran hechas, Ehrlich eman-