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CURSOS ON-LINE – DIREITO ADMINISTRATIVO EM EXERCÍCIOS

PROFESSOR MARCELO ALEXANDRINO

AULA 11: CONTRATOS ADMINISTRATIVOS

4. Contratos administrativos.
Antes da aula, um rápido comentário. O assunto “contratos administrativos” não
está no edital do concurso para AFRFB. Minha opinião é que, quem estiver se
preparando intensivamente para esse concurso, não deve estudar contratos
administrativos agora. O mesmo vale para os que estiverem estudando para o
cargo de TRFB. Caso o edital desse concurso também deixe de contemplar
“contratos administrativos”, o estudo desta aula deve ser deixado para um outro
momento (na data em que enviei este arquivo para o site o edital para TRFB ainda
não foi publicado).
Vamos à aula.

1 - (Cespe/Delegado PF/1997) Todos os acordos de vontade firmados pela


administração pública consideram-se contratos administrativos.

COMENTÁRIOS
Todos os contratos, públicos ou privados, são acordos de vontades. Portanto,
todos os contratos, em sua formação, são bilaterais.
Essa é a primeira e principal diferença entre atos e contratos: os primeiros são
declarações unilaterais de vontade e os últimos são bilaterais.
Quando estudamos atos administrativos, vimos que eles são espécie do gênero
ato jurídico. O que os particulariza é que são praticados pela Administração, nessa
qualidade, portanto, sujeitos predominantemente a regime de Direito público.
A mesma lógica vale para os contratos administrativos. Eles são espécie do
gênero contrato. O que os particulariza é o fato de a Administração figurar como
poder público, sujeitando-os, predominantemente, ao regime jurídico de Direito
público.
Deve-se notar, entretanto, que, mesmo sendo os contratos administrativos regidos
precipuamente por normas de Direito Público, sempre será necessária a livre
manifestação de vontade do particular para a formação do vínculo contratual. O
regime de Direito público é caracterizado pela existência de prerrogativas
especiais para a Administração detenha, as ditas cláusulas exorbitantes, que
estudaremos adiante.
Deve ficar claro, portanto, que o particular não pode ser obrigado a, contra sua
vontade, procurar a Administração para celebrar um contrato, ainda que se trate
de um contrato regido pelo Direito público. A iniciativa de contratar deve sempre
ser livre; após a assinatura do contrato, aí sim, as partes passam a estar
vinculadas às suas cláusulas e às disposições legais a ele relativas (com algumas

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ressalvas relativas à Administração, decorrentes de algumas cláusulas
exorbitantes que estudaremos à frente).
Os contratos administrativos estão disciplinados nos art. 54 a 80 da Lei
8.666/1993. Atenção, esses artigos devem ser nossa fonte principal de
estudo. É imprescindível, em qualquer caso, para o estudo dos contratos
administrativos a leitura direta dos artigos da Lei, especialmente dos que veremos,
ou serão citados e/ou transcritos ao longo de nosso estudo.
A doutrina classifica os contratos celebrados pela Administração em:
a) Contratos da Administração.
São os contratos firmados pela Administração Pública nos quais ela não figura
como poder público. São, por isso, contratos regidos predominantemente pelo
Direito privado. Os exemplos mais simples são a maioria dos contratos firmados
pelas EP e SEM econômicas, ou a elas relacionados, como, por exemplo, a
celebração de um contrato de abertura de conta corrente no Banco do Brasil, ou
um contrato de compra e venda de ações da Petrobrás em que o vendedor seja a
União.
b) Contratos administrativos.
São os contratos firmados pela Administração Pública nessa qualidade, por isso,
regidos predominantemente pelo Direito público.
Sua característica própria é a existência de prerrogativas para a Administração,
denominadas “cláusulas exorbitantes”.
O item está errado (E).

2 - (Cespe/Fiscal INSS/2001) As chamadas cláusulas exorbitantes dos contratos


administrativos não se aplicam a todos os contratos celebrados pela administração
pública.

COMENTÁRIOS
Como dito na questão anterior, a Administração pode firmar “contratos
administrativos”, aos quais se aplicam plenamente as cláusulas exorbitantes, que
são normas de Direito público que conferem prerrogativas especiais À
Administração contratante, e “contratos da Administração”, que são regidos
predominantemente pelo Direito privado.
A doutrina costuma afirmar que aos “contratos da Administração” não se aplicam
as cláusulas exorbitantes. Isso, entretanto, pode ser visto apenas como uma regra
geral. É só uma regra geral porque o art. 62, § 3º, inciso I, da Lei 8.666/1993
afirma que algumas das cláusulas exorbitantes aplicam-se no que couber, “aos
contratos de seguro, de financiamento, de locação em que o Poder Público seja
locatário, e aos demais cujo conteúdo seja regido, predominantemente, por norma
de direito privado”.

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A verdade é que há “contratos da Administração”, como uma compra e venda de
ações de qualquer sociedade anônima em que o vendedor seja a União, ou um
contrato de abertura de conta corrente bancária com a Caixa Econômica Federal,
para os quais a análise desse “no que couber” levará à conclusão de que “nada
cabe”, isto é, apesar do previsto no citado art. 62, § 3º, inciso I, da Lei 8.666/1993,
há, sim, contratos celebrados pela Administração aos quais não se aplicam
cláusulas exorbitantes (além disso, repito, a doutrina muitas vezes simplesmente
ignora esse dispositivo da Lei 8.666/1993 e afirma, de modo genérico, que aos
“contratos da Administração” não se aplicam as cláusulas exorbitantes).
Item certo (C).

3 - (CESPE/Min. Público do TCU/2004) Não se aplicam disposições de direito


privado aos contratos administrativos, os quais, além de cláusulas exorbitantes
que os diferenciam dos contratos de direito comum, são regulados por legislação
específica.

COMENTÁRIOS
A afirmação constante desse item contraria diretamente o art. 54 da Lei
8.666/1993. Esse artigo é freqüentemente a base de questões de concursos. Sua
redação é esta:
“Art. 54. Os contratos administrativos de que trata esta Lei regulam-se pelas suas
cláusulas e pelos preceitos de direito público, aplicando-se-lhes, supletivamente,
os princípios da teoria geral dos contratos e as disposições de direito privado.”
Está correto afirmar que são as cláusulas exorbitantes que peculiarizam os
contratos administrativos. O que é incorreto é afirmar que eles não estão sujeitos a
disposições de Direito privado.
Portanto, aplicam-se a qualquer contrato administrativo, supletivamente,
disposições de Direito privado.
Item falso (F).

4 - (ESAF/PFN/2004) O regime jurídico dos contratos administrativos confere à


Administração, em relação a eles, diversas prerrogativas, entre as quais não se
inclui
a) fiscalizar-lhes a execução.
b) aplicar sanções motivadas pela inexecução total ou parcial do ajuste.
c) rescindi-los, unilateralmente, nos casos especificados em lei.
d) alterar, unilateralmente, as cláusulas econômico-financeiras e monetárias dos
contratos administrativos.

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e) modificá-los, unilateralmente, para melhor adequação às finalidades de
interesse público, respeitados os direitos do contratado.

COMENTÁRIOS
Essa questão nos leva a estudar as denominadas cláusulas exorbitantes e a
verificar quais são os limites das prerrogativas especiais da Administração.
As cláusulas exorbitantes estão basicamente no art. 58 da Lei 8.666/1993. Esse
artigo arrola as mais importantes cláusulas exorbitantes. Além dele, entretanto, é
necessário conhecer alguns outros. Transcrevo os mais importantes (grifei):
“Art. 56. A critério da autoridade competente, em cada caso, e desde que
prevista no instrumento convocatório, poderá ser exigida prestação de garantia
nas contratações de obras, serviços e compras.
§ 1o Caberá ao contratado optar por uma das seguintes modalidades de
garantia:
I - caução em dinheiro ou em títulos da dívida pública, devendo estes ter sido
emitidos sob a forma escritural, mediante registro em sistema centralizado de
liquidação e de custódia autorizado pelo Banco Central do Brasil e avaliados pelos
seus valores econômicos, conforme definido pelo Ministério da Fazenda;
II - seguro-garantia;
III - fiança bancária.
§ 2o A garantia a que se refere o caput deste artigo não excederá a cinco por
cento do valor do contrato e terá seu valor atualizado nas mesmas condições
daquele, ressalvado o previsto no parágrafo 3o deste artigo.
§ 3o Para obras, serviços e fornecimentos de grande vulto envolvendo alta
complexidade técnica e riscos financeiros consideráveis, demonstrados através
de parecer tecnicamente aprovado pela autoridade competente, o limite de
garantia previsto no parágrafo anterior poderá ser elevado para até dez por
cento do valor do contrato.
§ 4o A garantia prestada pelo contratado será liberada ou restituída após a
execução do contrato e, quando em dinheiro, atualizada monetariamente.
§ 5o Nos casos de contratos que importem na entrega de bens pela
Administração, dos quais o contratado ficará depositário, ao valor da
garantia deverá ser acrescido o valor desses bens.
.......................
Art. 58. O regime jurídico dos contratos administrativos instituído por esta Lei
confere à Administração, em relação a eles, a prerrogativa de:
I - modificá-los, unilateralmente, para melhor adequação às finalidades de
interesse público, respeitados os direitos do contratado;

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II - rescindi-los, unilateralmente, nos casos especificados no inciso I do art. 79
desta Lei;
III - fiscalizar-lhes a execução;
IV - aplicar sanções motivadas pela inexecução total ou parcial do ajuste;
V - nos casos de serviços essenciais, ocupar provisoriamente bens móveis,
imóveis, pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato, na hipótese da
necessidade de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais pelo
contratado, bem como na hipótese de rescisão do contrato administrativo.
§ 1o As cláusulas econômico-financeiras e monetárias dos contratos
administrativos não poderão ser alteradas sem prévia concordância do
contratado.
§ 2o Na hipótese do inciso I deste artigo, as cláusulas econômico-financeiras do
contrato deverão ser revistas para que se mantenha o equilíbrio contratual.”
Além dessas, ainda há a chamada “inoponibilidade da exceção do contrato não
cumprido”, que é uma inoponibilidade relativa, e cuja disciplina estudaremos a
seguir.
Faço, abaixo, um resumo das principais características de cada uma das cláusulas
exorbitantes que precisamos conhecer (a “rescisão unilateral” não será vista
agora, porque acho mais didático analisá-la no âmbito do estudo das hipóteses e
conseqüências da rescisão dos contratos).

1) EXIGÊNCIA DE GARANTIA
− Garantia (art. 56)
Características:
a) exigência discricionária;
b) tem que estar prevista no instrumento de convocação;
c) a escolha da modalidade cabe ao contratado;
d) modalidades:
i) caução em dinheiro ou em títulos da dívida pública, devendo estes ter sido
emitidos sob a forma escritural, mediante registro em sistema centralizado de
liquidação e de custódia autorizado pelo Banco Central do Brasil e avaliados pelos
seus valores econômicos, conforme definido pelo Ministério da Fazenda
(Observação: dêm especial atenção a essa modalidade de garantia, porque ela
foi recentemente modificada, pela Lei 11.079/2004; antes, qualquer título da dívida
pública podia ser usado como caução; agora, só os títulos que atendam às
exigências aqui descritas; notem que não mais podem ser usados títulos de papel,
mas só os escriturais.);
ii) seguro-garantia;
iii) fiança bancária.

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O percentual de garantia exigido não excederá 5% do valor do contrato; essa é a
regra geral. Nos contratos de grande vulto, alta complexidade e elevado risco
financeiro, poderá ser elevado a até 10% do valor do contrato.
Nas PPP o valor da garantia é de até 10% do valor do contrato (Lei
11.079/2004, art. 5º, VIII).
Em qualquer caso, inclusive no das PPP, se a Administração entrega bens, dos
quais o contratado será depositário, o valor desses bens deverá ser acrescentado
ao da garantia.
O prazo de validade da garantia deve coincidir com o prazo de duração do
contrato, até a liberação da responsabilidade do particular.

2) PODER DE ALTERAÇÃO UNILATERAL DO CONTRATO


As cláusulas passíveis de alteração unilateral são as ditas “de serviço”, “de
execução” ou “regulamentares”.
Não podem ser alteradas unilateralmente as cláusulas econômicas (que
asseguram a remuneração do particular).
Devido a essa prerrogativa de alteração unilateral do contrato por uma das partes
(a Administração), diz-se que aos contratos administrativos não se aplica
integralmente princípio do pacta sunt servanda. Esse princípio implica a obrigação
de cumprimento das cláusulas contratuais conforme foram estabelecidas
inicialmente e um dos mais importantes princípios dentre os que regem os
contratos privados. Entendam bem, os contratos administrativos também estão
sujeitos ao pacta sunt servanda; acontece que há uma atenuação da rigidez desse
princípio, em decorrência da possibilidade de alteração unilateral do contrato pela
Administração.
A alteração unilateral pode ser qualitativa ou quantitativa.
a) Qualitativa.
Modificação do projeto ou das especificações, para melhor adequação técnica aos
seus objetivos. Não está sujeita a limites objetivos, mas a alteração nunca pode
ser de tal monta que implique desnaturação ou modificação substancial do objeto
original do contrato, sob pena de caracterizar “fraude” à licitação (afinal, a licitação
é realizada para a celebração de um contrato com um específico objeto, e são as
características desse objeto que determinam os potenciais interessados em
licitar).
b) Quantitativa.
Modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou diminuição
quantitativa de seu objeto.
Está sujeita a limites objetivos:
(i) 25% de acréscimo ou supressão nas obras, serviços ou compras;

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(ii) 50 % de acréscimo no caso específico de reforma de edifício ou de
equipamento.
É importante observar que o poder de alteração unilateral do contrato de que a
Administração dispõe restringe-se às cláusulas de execução.
Contrariamente, a Administração não tem o poder de alterar unilateralmente as
cláusulas econômicas do contrato.
E mais, a alteração unilateral das cláusulas de execução do contrato implica,
simultaneamente, obrigação, para a mesma Administração, de manutenção do
equilíbrio econômico-financeiro do contrato.
Essa é uma garantia do particular e representa um limite ou um contraponto à
cláusula exorbitante que permite à Administração alterar unilateralmente o
contrato (art. 58, §§ 1º e 2º).
O particular, ao formular sua proposta, estabelece uma relação entre os encargos
que se dispõe a assumir e a remuneração que a eles deve corresponder. A
proposta é a formalização de uma relação de equilíbrio (encargos-benefícios),
elaborada pelo particular. Essa relação é denominada equilíbrio econômico-
financeiro do contrato. Esse equilíbrio inicialmente estabelecido não pode ser,
em nenhuma hipótese, alterado unilateralmente pela Administração.
A obrigação de manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato não se
restringe aos casos em que a própria Administração modifica unilateralmente suas
cláusulas de execução. Essa obrigação é ainda mais ampla. A Administração está
obrigada a restaurar o equilíbrio econômico-financeiro original da contratação
sempre que ele for rompido em virtude de evento não imputável ao particular.
São exemplos disso os seguintes dispositivos da Lei 8.666/1993:
Art. 65, § 5º - “Quaisquer tributos ou encargos legais criados, alterados ou
extintos, bem como a superveniência de disposições legais, quando ocorridas
após a data da apresentação da proposta, de comprovada repercussão nos
preços contratados, implicarão a revisão destes para mais ou para menos,
conforme o caso”.
Art. 65, § 6º - “Em havendo alteração unilateral do contrato que aumente os
encargos do contratado, a Administração deverá restabelecer, por aditamento, o
equilíbrio econômico-financeiro inicial.”

3) FISCALIZAÇÃO DA EXECUÇÃO DO CONTRATO


Segundo a Lei 8.666/1993, deverá ser designado um representante da
Administração especialmente para acompanhar e fiscalizar a execução do
contrato (art. 67).
O poder-dever de fiscalização e acompanhamento da execução do contrato é
permanente e abrange todo o período de execução do contrato.

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É importante enfatizar que a fiscalização não exclui ou reduz a
responsabilidade do contratado pelos danos que, por culpa ou dolo, a execução
venha a causar a terceiros (art. 70).
Quanto a esse assunto “responsabilidade por danos ou encargos decorrentes da
execução do contrato”, é interessante conhecer o art. 71 da Lei 8.666/1993:
“Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários,
fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato.
§ 1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas,
fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por
seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a
regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de
Imóveis.
§ 2º A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos
encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art.
31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.”
Essa responsabilidade solidária da Administração pelos encargos previdenciários
resultantes da execução do contrato é uma exceção importante para concurso.
Também é importante para concurso lembrar do art. 38, § 6º, da Lei 8.987/1995:
“§ 6º Declarada a caducidade, não resultará para o poder concedente qualquer
espécie de responsabilidade em relação aos encargos, ônus, obrigações ou
compromissos com terceiros ou com empregados da concessionária.”
É claro que pode haver controvérsia sobre o cabimento, ou não, da aplicação
supletiva da regra de responsabilidade solidária da Administração pelos encargos
previdenciários resultantes da execução do contrato nos casos de decretação de
caducidade. Entretanto, para concurso, devemos nos ater simplesmente à
literalidade da Lei 8.987/1995: no caso dos contratos de concessão de serviços
públicos (e de permissão também), decretada a caducidade, não resulta para o
poder concedente nenhum encargo.

4) OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA
Quando o objeto do contrato for a prestação de um serviço essencial, a
Administração pode “ocupar provisoriamente bens móveis, imóveis, pessoal e
serviços vinculados ao objeto do contrato, na hipótese da necessidade de
acautelar apuração administrativa de faltas contratuais pelo contratado, bem como
na hipótese de rescisão do contrato administrativo” (art. 58, V).
Pois bem, vemos que há duas situações distintas em que é prevista a ocupação
temporária:
1ª) Como medida acautelatória, para a apuração de irregularidade na execução
do contrato.
Nessa hipótese, o contrato está em plena execução, e a ocupação temporária é
realizada para apurar irregularidade. A apuração pode, ou não, resultar na

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rescisão unilateral do contrato. Essa hipótese, nos contratos de concessão e
permissão de serviços públicos, equivale à que a Lei 8.987/1995 chama de
“intervenção”, disciplinada nos arts. 32 a 24 dessa Lei.
2ª) imediatamente após a rescisão unilateral do contrato administrativo.
Nessa hipótese, ocorre, antes, a rescisão unilateral do contrato administrativo. Por
causa do princípio da continuidade dos serviços públicos, a Administração, então,
assume imediatamente o objeto do contrato e, para assegurar que não haverá
descontinuidade, procede à ocupação temporária de todos os recursos materiais e
humanos do contratado necessários para continuar, direta ou indiretamente, sua
execução.
Essa segunda hipótese conjuga-se com o art. 80, incisos I e II, da Lei 8.666/1993.
Esses dispositivos estatuem que as hipóteses que ensejam rescisão do contrato
por ato unilateral da Administração acarretam a assunção imediata do objeto do
contrato, no estado e local em que se encontrar, por ato próprio da Administração,
bem como a ocupação e utilização do local, instalações, equipamentos, material e
pessoal empregados na execução do contrato, necessários à sua continuidade.

5) RESTRIÇÕES AO USO DA CLÁUSULA “EXCEPTIO NON ADIMPLETI


CONTRACTUS”
Nos contratos onerosos regidos pelo Direito privado é permitido a qualquer dos
contratantes suspender a execução de sua parte no contrato enquanto o outro
contratante não adimplir a sua.
A essa suspensão da execução do contrato pela parte prejudicada com a
inadimplência do outro contratante dá-se o nome de oposição da exceção do
contrato não cumprido (exceptio non adimpleti contractus).
Pois bem, em relação aos contratos administrativos, a doutrina sempre defendeu a
inoponibilidade, contra a Administração, dessa exceção do contrato não cumprido,
ou seja, não seria lícito ao particular interromper a execução da obra ou do serviço
objeto do contrato, mesmo que a Administração permanecesse sem pagar pela
obra ou pelo serviço. Invoca-se, para justificar tal prerrogativa, o princípio da
continuidade do serviço público. Ao particular prejudicado somente caberia
indenização pelos prejuízos suportados, cumulada ou não com rescisão contratual
judicial por culpa da Administração.
Essa posição extremamente rigorosa em prejuízo do contratado acabou sendo
substancialmente atenuada pela Lei 8.666/1993.
Atualmente, somente podemos falar em uma relativa ou temporária
inoponibilidade da exceção do contrato não cumprido. Isso porque a oposição,
pelo particular, dessa cláusula implícita, passou a ser expressamente autorizada
quando o atraso do pagamento pela Administração seja superior a 90 (noventa)
dias, possibilitando esse atraso, ainda, a critério do contratado, a rescisão por
culpa da Administração com indenização do particular.

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Em outras palavras, quando a Administração injustificadamente atrasar por mais
de 90 dias o pagamento de parcela devida ao contratado, este poderá suspender
a execução do contrato, ou, se preferir, obter a rescisão judicial ou amigável do
contrato. Se o contrato for rescindido por esse motivo, o contratado terá direito a
ser ressarcido dos prejuízos comprovados que houver sofrido, tendo ainda direito
à devolução da garantia, aos pagamentos devidos pela execução do contrato até
a data da rescisão e ao pagamento do custo da desmobilização (art. 79, § 2º).
É muito importante conhecer essa regra acerca da exceção do contrato não
cumprido, que se encontra no inciso XV do art. 78 da Lei 8.666/1993 (grifei):
“Art. 78. Constituem motivo para rescisão do contrato:
...............
XV – o atraso superior a 90 (noventa) dias dos pagamentos devidos pela
Administração decorrentes de obras, serviços ou fornecimento, ou parcelas
destes, já recebidos ou executados, salvo em caso de calamidade pública, grave
perturbação da ordem interna ou guerra, assegurado ao contratado o direito de
optar pela suspensão do cumprimento de suas obrigações até que seja
normalizada a situação;”
Nesse mesmo art. 78, há uma outra regra, que, até hoje, eu nunca vi ser referida
em concurso como possibilidade de oposição da exceção do contrato não
cumprido. Mas, se atentarmos para a parte final do dispositivo, veremos que é,
sim, uma segunda possibilidade, prevista na Lei 8.666/1993, de oposição da
exceção do contrato não cumprido. Confiram (grifei):
“Art. 78. Constituem motivo para rescisão do contrato:
...............
XIV - a suspensão de sua execução, por ordem escrita da Administração, por
prazo superior a 120 (cento e vinte) dias, salvo em caso de calamidade pública,
grave perturbação da ordem interna ou guerra, ou ainda por repetidas suspensões
que totalizem o mesmo prazo, independentemente do pagamento obrigatório de
indenizações pelas sucessivas e contratualmente imprevistas desmobilizações e
mobilizações e outras previstas, assegurado ao contratado, nesses casos, o
direito de optar pela suspensão do cumprimento das obrigações assumidas
até que seja normalizada a situação;”
Observem que, em ambos os casos transcritos, a exceção do contrato não
cumprido não é oponível se houver calamidade pública, grave perturbação da
ordem interna ou guerra.
Mais uma observação importante: a exceção do contrato não cumprido não é
oponível pela concessionária (ou permissionária) em contratos de concessão (ou
permissão) de serviços públicos. Isso decorre do disposto no parágrafo único do
art. 39 da Lei 8.987/1995:

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“Art. 39. O contrato de concessão poderá ser rescindido por iniciativa da
concessionária, no caso de descumprimento das normas contratuais pelo poder
concedente, mediante ação judicial especialmente intentada para esse fim.
Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput deste artigo, os serviços prestados
pela concessionária não poderão ser interrompidos ou paralisados, até a decisão
judicial transitada em julgado.”
Por último, prestem atenção para o fato de que, no caso de inadimplemento do
particular, a Administração sempre pode opor imediatamente a exceção do
contrato não cumprido e, automaticamente, deixar de cumprir suas obrigações
para com o contratado inadimplente (suspendendo os pagamentos a ele devidos,
por exemplo, sem prejuízo das demais sanções aplicáveis em decorrência do
inadimplemento do particular).

6) APLICAÇÃO DIRETA DE PENALIDADES CONTRATUAIS


A aplicação de sanções administrativas pela Administração, em caso de
irregularidades do particular na execução do contrato independe de prévia
intervenção do Judiciário, salvo para as cobranças resistidas pelo particular,
quando ele não houver prestado garantia, ou esta for insuficiente.
As sanções administrativas previstas na Lei 8.666/1993 são as seguintes:
a) Multa de mora, por atraso na execução (art. 86).
b) Advertência (art. 87, I).
c) Multa, por inexecução total ou parcial (art. 87, II).
d) Suspensão temporária da possibilidade de participação em licitação e
impedimento de contratar com a Administração.
A Administração, ao aplicar essa penalidade, deve estipular a duração da
suspensão, a qual não poderá superar o prazo de dois anos (art. 87, III).
e) Declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração
Pública.
O impedimento de licitar ou contratar com a Administração permanecerá enquanto
perdurarem os motivos determinantes da punição ou até que seja promovida a
reabilitação perante a própria autoridade que aplicou a penalidade.
A reabilitação somente pode ser requerida após dois anos da aplicação dessa
sanção (art. 87, § 3º) e será concedida sempre que o contratado ressarcir a
Administração pelos prejuízos resultantes da inexecução total ou parcial do
contrato (art. 87, IV).

7) POSSIBILIDADE DE RESCISÃO UNILATERAL DO CONTRATO

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Como eu disse acima, estudaremos essa última cláusula exorbitante quando
estudarmos as hipóteses e conseqüências da rescisão contratual em geral, não
apenas a rescisão unilateral.
Voltando a nossa questão, vemos que ela pede a alternativa de que não conste
uma prerrogativa da Administração. Nas alternativas “a”, “b”, “c”, e “e” estão
enumeradas cláusulas exorbitantes que acabamos de estudar.
Na alternativa “d”, está o limite ou a contrapartida do poder de alteração unilateral,
que, como vimos, é um direito do contratado e uma obrigação da Administração. A
Administração não pode alterar, unilateralmente, as cláusulas econômico-
financeiras e monetárias dos contratos administrativos; além disso, é obrigada a
restabelecer o equilíbrio econômico originalmente fixado sempre que este for
rompido por algum motivo não atribuível ao contratado.
Gabarito, letra “d”.

5 - (ESAF/CGU/2004) Nos contratos administrativos regidos pela Lei nº 8.666/93,


a Administração dispõe de certas prerrogativas especiais, mas mesmo assim, não
pode ela
a) aplicar sanções.
b) descumprir condições do edital.
c) modificá-los.
d) ocupar bens do contratado.
e) rescindi-los.

COMENTÁRIOS
Essa questão também enumera, em suas letras “a”, “c”, “d”, e “e”, cláusulas
exorbitantes.
Pela letra “b”, que é o gabarito, ficamos sabendo que a Administração não pode
descumprir as condições do edital. Essa regra está expressa no art. 41 da Lei
8.666/1993:
“Art. 41. A Administração não pode descumprir as normas e condições do edital,
ao qual se acha estritamente vinculada.”
Trata-se, a rigor, mais de uma regra relacionada ao estudo das licitações do que
propriamente ao dos contratos administrativos.
Como vimos ao estudar o regime jurídico administrativo, a regra é a
obrigatoriedade, para toda Administração, de realizar licitação antes de contratar
obras, compras, alienações e serviços. Obviamente, para que os potenciais
interessados em licitar possam saber se realmente lhes interessa participar do
certame, é necessário que eles conheçam o contrato que a Administração
pretende celebrar.

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A convocação pública para participação no procedimento licitatório é feita por meio
do edital (na modalidade convite a convocação é feita diretamente mediante um
outro instrumento convocatório chamado carta-convite). Do edital já deve constar
uma minuta do futuro contrato a ser celebrado.
É por isso que devemos dizer que a Administração acha-se estritamente vinculada
ao edital, não só no que diz respeito ao procedimento licitatório, mas também no
que tange às condições de celebração e execução do contrato administrativo.
Gabarito, letra “b”.

6 - (Cespe/Defensor Público União/2001) A natureza especial do contrato


administrativo, caracterizado pela presença das chamadas cláusulas exorbitantes
do direito comum, permite a uma das partes, a administração, alterar
unilateralmente a avença, vinculando o contratado à nova obrigação, quando
houver modificação do respectivo projeto. Nessa situação, o contratado deve
cumprir a nova regra, sendo-lhe garantida, todavia, a manutenção do equilíbrio
econômico-financeiro do contrato.

COMENTÁRIOS
Cláusulas exorbitantes do direito comum é sinônimo de “cláusulas exorbitantes”. A
idéia é justamente a de que essas cláusulas conferem prerrogativas que não
existem no Direito comum (Direito privado), por isso, “exorbitam” do Direito
comum.
Avença é sinônimo de contrato.
Já vimos que a alteração unilateral do contrato, obrigatória para o contratado,
dentro dos limites legais, é realmente uma cláusula exorbitante, ou seja, uma
prerrogativa especial da Administração Pública, decorrente do regime de Direito
público que rege os contratos administrativos.
Vimos, também, que o poder de alteração unilateral restringe-se às cláusulas de
execução, de serviço ou regulamentares (essas três expressões são sinônimas);
em contrapartida, a Administração tem a obrigação de assegurar a manutenção do
equilíbrio econômico-financeiro do contrato.
Item certo (C).

7 - (CESPE/Auditor INSS/2003) O regime jurídico dos contratos administrativos


instituído pela Lei de Licitações e Contratos não confere à administração, em
relação a eles, a prerrogativa de, no caso dos serviços essenciais, ocupar
provisoriamente bens móveis, imóveis, pessoal e serviços vinculados ao objeto do
contrato.

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COMENTÁRIOS
Como vimos, a denominada “ocupação temporária” ou “ocupação provisória” é
uma das cláusulas exorbitantes, prevista no art. 58, V, da Lei 8.666/1993:
“Art. 58. O regime jurídico dos contratos administrativos instituído por esta Lei
confere à Administração, em relação a eles, a prerrogativa de:
..............
V - nos casos de serviços essenciais, ocupar provisoriamente bens móveis,
imóveis, pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato, na hipótese da
necessidade de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais pelo
contratado, bem como na hipótese de rescisão do contrato administrativo.”
Item errado (E).

8- (ESAF/Gestor Público/MARE/1999) Nos termos do regime jurídico que lhes


é próprio, os contratos administrativos
a) descumpridos pelo contratado podem acarretar-lhe, conforme o caso, a
suspensão temporária ou definitiva do exercício de atividades no âmbito territorial
da Administração contratante.
b) formalizam-se por instrumento público, lavrado em Cartório de Notas e,
após, arquivados nas repartições interessadas.
c) podem adotar a forma escrita ou a verbal, conforme hipóteses previstas em
lei.
d) podem conter exigência de garantias do contratado, cabendo à
Administração, em cada caso, escolher a mais conveniente, dentre as previstas
em lei.
e) podem ser rescindidos unilateralmente pela Administração, que, em
qualquer caso, deverá ressarcir os prejuízos do contratado, até o limite dos
recursos orçamentários previstos no contrato.

COMENTÁRIOS
Tanto o CESPE como a ESAF cobram com uma freqüência desproporcional o
conhecimento da regra que prevê, em uma única hipótese, a celebração de
contrato verbal com a Administração Pública.
A regra, evidentemente, é a celebração de contrato escrito. A única hipótese em
que é possível um contrato administrativo verbal é na celebração de contrato de
pequenas compras de pronto pagamento (compras de até R$ 4.000,00), feitas em
regime de adiantamento. Essa única hipótese está no parágrafo único do art. 60
da Lei 8.666/1993:
“Art. 60. Os contratos e seus aditamentos serão lavrados nas repartições
interessadas, as quais manterão arquivo cronológico dos seus autógrafos e

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registro sistemático do seu extrato, salvo os relativos a direitos reais sobre
imóveis, que se formalizam por instrumento lavrado em cartório de notas, de tudo
juntando-se cópia no processo que lhe deu origem.
Parágrafo único. É nulo e de nenhum efeito o contrato verbal com a
Administração, salvo o de pequenas compras de pronto pagamento, assim
entendidas aquelas de valor não superior a 5% (cinco por cento) do limite
estabelecido no art. 23, inciso II, alínea ‘a’ desta Lei, feitas em regime de
adiantamento.”
Gabarito, letra “c”.
A alternativa “a” menciona uma sanção administrativa que não existe como
decorrência de inexecução contratual. As sanções administrativas passíveis de ser
aplicadas por irregularidade na execução de contratos administrativos são as
previstas nos arts. 86 e 87 da Lei 8.666/1993:
a) Multa de mora, por atraso na execução (art. 86).
b) Advertência (art. 87, I).
c) Multa, por inexecução total ou parcial (art. 87, II).
d) Suspensão temporária, por até dois anos, da possibilidade de participação em
licitação e impedimento de contratar com a Administração.
e) Declaração de inidoneidade, por no mínimo dois anos, para licitar ou contratar
com a Administração Pública.
A alternativa “b” contraria o caput do art. 60 da Lei 8.666/1993, acima transcrito.
Os contratos administrativos são lavrados e arquivados nas próprias repartições
da Administração, exceto se forem relativos a direitos reais sobre imóveis, caso
em que devem ser formalizados por instrumento público lavrado em cartório de
notas.
A alternativa “d” está errada porque quem escolhe a modalidade de garantia é o
contratado. Quem exige a garantia, mediante ato discricionário (segundo a Lei
8.666/1993, art. 56), desde que ela esteja prevista no edital, é a Administração.
Entretanto, uma vez exigida a garantia, quem escolhe a modalidade, dentre as
três únicas possíveis, já estudadas, é o contratado.
A alternativa “e” está errada porque só há ressarcimento dos prejuízos do
contratado quando a rescisão do contrato decorre de causa a ele não imputável
(Lei 8.666/1993, art. 79, § 2º).
Gabarito, letra “c”.

9 - (ESAF/Analista Comércio Exterior/2002) O valor legalmente admitido, pela


legislação de licitação, para o contrato verbal com a Administração, de pequenas
compras, para pronto pagamento, em regime de adiantamento, não pode ser
superior a:
a) R$ 8.000,00

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b) R$ 6.000,00
c) R$ 4.000,00
d) R$ 2.000,00
e) R$ 1.000,00

COMENTÁRIOS
Essa questão foi absurda. Antes dela, eu imaginava que uma banca séria nunca
seria capaz de perguntar algo tão ridículo e inútil como o valor estabelecido para
celebração de contrato verbal ou para qualquer outra coisa! Mas foi. Certamente,
o candidato que não soubesse de cor o valor limite para contrato verbal seria um
péssimo Analista de Comércio Exterior!
Como vimos na análise da questão anterior, a única hipótese de celebração de
contrato verbal com a Administração está no parágrafo único do art. 60 da Lei
8.666/1993. O valor é R$4.000,00.
Gabarito, letra “c”.

10 - (ESAF/Analista MPU/2004) De regra, os contratos administrativos, regidos


pela Lei nº 8.666/93, devem ter sua duração adstrita à vigência dos respectivos
créditos orçamentários, mas entre as exceções incluem-se os relativos à
prestação de serviços, a serem executados de forma continuada, que poderão tê-
la
a) prorrogada, por iguais e sucessivos períodos, até 60 meses.
b) fixada em 10 anos.
c) prorrogada, por iguais e sucessivos períodos, até 48 meses.
d) fixada em 5 anos.
e) prorrogada, por iguais e sucessivos períodos, até 10 anos.

COMENTÁRIOS
Essa questão trata de um assunto também relevante no estudo dos contratos
administrativos: o “prazo de duração” desses contratos.
O primeiro ponto essencial é saber que é sempre proibida a celebração de
qualquer contrato administrativo com prazo de vigência indeterminado.
Vejamos, agora, as normas relativas aos prazos de duração dos contratos
administrativos, que se encontram, principalmente, no art. 57 da Lei 8.666/1993.
A regra geral é: o prazo de duração dos contratos administrativos restringe-se à
vigência dos respectivos créditos orçamentários (art. 57, caput). Os créditos

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orçamentários são anuais. Sua vigência coincide com a do ano civil (1º de janeiro
a 31 de dezembro).
Exceções:
a) Projetos previstos no plano plurianual, o qual tem a duração de quatro anos (art.
57, inciso I).
b) Serviços contínuos.
Nesse caso, o contrato pode ser prorrogado sucessivamente, por períodos iguais,
com a duração total limitada a sessenta meses. Essa duração total, entretanto, é
prorrogável, excepcional e justificadamente, por até 12 meses (art. 57, inciso II, e
§ 4º).
c) Aluguel de equipamentos e utilização de programas de informática.
Nesse caso, a duração do contrato pode estender-se pelo prazo de até 48 meses
(art. 57, inciso IV).
Transcrevo os dispositivos de interesse:
“Art. 57. A duração dos contratos regidos por esta Lei ficará adstrita à vigência
dos respectivos créditos orçamentários, exceto quanto aos relativos:
I - aos projetos cujos produtos estejam contemplados nas metas estabelecidas no
Plano Plurianual, os quais poderão ser prorrogados se houver interesse da
Administração e desde que isso tenha sido previsto no ato convocatório;
II - à prestação de serviços a serem executados de forma contínua, que poderão
ter a sua duração prorrogada por iguais e sucessivos períodos com vistas à
obtenção de preços e condições mais vantajosas para a administração, limitada a
sessenta meses;
III - (Vetado).
IV - ao aluguel de equipamentos e à utilização de programas de informática,
podendo a duração estender-se pelo prazo de até 48 (quarenta e oito) meses
após o início da vigência do contrato.
................
§ 3o É vedado o contrato com prazo de vigência indeterminado.
§ 4o Em caráter excepcional, devidamente justificado e mediante autorização da
autoridade superior, o prazo de que trata o inciso II do caput deste artigo poderá
ser prorrogado por até doze meses.”
Cabe, ainda, observar que, no caso das PPP, o prazo de vigência do contrato não
pode ser inferior a 5 (cinco), nem superior a 35 (trinta e cinco) anos, incluindo
eventual prorrogação (Lei 11.079/2004, art. 5º, I).
Gabarito, letra “a”.

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11 - (CESPE/Min. Público do TCU/2004) Os contratos administrativos não podem
ser prorrogados.

COMENTÁRIOS
O assunto “prorrogação dos contratos administrativos” está todo concentrado nos
§§ 1º e 2º do art. 57 da Lei 8.666/1993. Transcrevo os dispositivos que, a meu ver,
precisam ser conhecidos:
“§ 1o Os prazos de início de etapas de execução, de conclusão e de entrega
admitem prorrogação, mantidas as demais cláusulas do contrato e assegurada a
manutenção de seu equilíbrio econômico-financeiro, desde que ocorra algum dos
seguintes motivos, devidamente autuados em processo:
I - alteração do projeto ou especificações, pela Administração;
II - superveniência de fato excepcional ou imprevisível, estranho à vontade das
partes, que altere fundamentalmente as condições de execução do contrato;
III - interrupção da execução do contrato ou diminuição do ritmo de trabalho por
ordem e no interesse da Administração;
IV - aumento das quantidades inicialmente previstas no contrato, nos limites
permitidos por esta Lei;
V - impedimento de execução do contrato por fato ou ato de terceiro reconhecido
pela Administração em documento contemporâneo à sua ocorrência;
VI - omissão ou atraso de providências a cargo da Administração, inclusive quanto
aos pagamentos previstos de que resulte, diretamente, impedimento ou
retardamento na execução do contrato, sem prejuízo das sanções legais
aplicáveis aos responsáveis.
§ 2o Toda prorrogação de prazo deverá ser justificada por escrito e previamente
autorizada pela autoridade competente para celebrar o contrato.”
Além disso, nós vimos na questão anterior que os contratos para prestação de
serviços contínuos podem ser prorrogados sucessivamente até completar
sessenta meses, admitida mais uma prorrogação excepcional e justificada por
doze meses. Fora os contratos de PPP, que também podem ser prorrogados (os
de concessões e permissões de serviços públicos em geral também podem ser
prorrogados, mas, para eles, não existem regras uniformes, nem de duração, nem
de prorrogação).
Item errado (E)

12 - (ESAF/Procurador DF/2004) O Secretário da Defesa Civil contrata, após


licitação, a compra de uma frota de veículos especializados em retirar neve das
estradas. Esse contrato é:
a) irrevogável, porque obedeceu ao princípio da licitação.

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b) revogável, porque o Estado não está obrigado a cumprir os contratos que
celebra com particulares.
c) só pode ser desfeito por determinação legislativa.
d) só pode ser desconstituído, por ordem judicial.
e) é nulo por inexistência de motivos.

COMENTÁRIOS
Nessa questão, a meu ver, houve um certo “excesso de criatividade” da ESAF.
Seja como for, ela serve para falarmos sobre nulidade e anulação dos contratos
administrativos.
Os mais importantes dispositivos da Lei 8.666/1993 que mencionam nulidade do
contrato administrativo, ou sua anulação, são o art. 14, art. 49, § 2º, o art. 50 e o
art. 59 (este último é o mais importante), a saber:
“Art. 14. Nenhuma compra será feita sem a adequada caracterização de seu
objeto e indicação dos recursos orçamentários para seu pagamento, sob pena de
nulidade do ato e responsabilidade de quem lhe tiver dado causa.
..............
Art. 49. A autoridade competente para a aprovação do procedimento somente
poderá revogar a licitação por razões de interesse público decorrente de fato
superveniente devidamente comprovado, pertinente e suficiente para justificar tal
conduta, devendo anulá-la por ilegalidade, de ofício ou por provocação de
terceiros, mediante parecer escrito e devidamente fundamentado.
§ 1o A anulação do procedimento licitatório por motivo de ilegalidade não gera
obrigação de indenizar, ressalvado o disposto no parágrafo único do art. 59 desta
Lei.
§ 2o A nulidade do procedimento licitatório induz à do contrato, ressalvado o
disposto no parágrafo único do art. 59 desta Lei.
.............
Art. 50. A Administração não poderá celebrar o contrato com preterição da ordem
de classificação das propostas ou com terceiros estranhos ao procedimento
licitatório, sob pena de nulidade.
.............
Art. 59. A declaração de nulidade do contrato administrativo opera
retroativamente impedindo os efeitos jurídicos que ele, ordinariamente, deveria
produzir, além de desconstituir os já produzidos.
Parágrafo único. A nulidade não exonera a Administração do dever de indenizar o
contratado pelo que este houver executado até a data em que ela for declarada e
por outros prejuízos regularmente comprovados, contanto que não lhe seja
imputável, promovendo-se a responsabilidade de quem lhe deu causa.

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Observem que não existe, na Lei 8.666/1993, menção a “revogação” de contrato
administrativo, o que seria mesmo um absurdo, porque contratos não se revogam
(não são atos unilaterais discricionários), mas se rescindem. Apesar desse
absurdo, a Lei 8.987/1995, que trata das concessões e permissões de serviços
públicos, depois de afirmar que a permissão de serviço público é um contrato de
adesão, diz que ele é precário e revogável unilateralmente (art. 40).
Observem, também, que, no caso das licitações, é prevista, sim, a revogação do
procedimento licitatório.
A Lei 8.666/1993, nada especifica sobre os procedimentos para a anulação dos
contratos administrativos. As únicas regras mesmo estão no acima transcrito art.
59.
Voltando a nossa questão, vemos que a letra “a” fala que o contrato é “irrevogável,
porque obedeceu ao princípio da licitação”. Ora, contrato não pode ser revogado
porque é acordo bilateral de vontades, não porque houve licitação (se assim não
fosse, nos casos de dispensa e inexigibilidade de licitação os contratos seriam
“revogáveis”).
A letra “b” está errada porque fala em contrato “revogável”, além do completo
absurdo de que “o Estado não está obrigado a cumprir os contratos que celebra
com particulares”.
A letra “c” criou uma regra que sequer existe, até onde eu saiba (somente no caso
de “encampação” é que existe uma exigência de autorização em lei específica,
mas, mesmo assim, não é uma determinação).
A letra “d” está errada porque, em todos os casos em que seja devida a anulação,
a Administração pode anular o ato ou contrato por força própria, com base direta
em seu poder de autotutela.
Só sobrou a letra “e”.
O contrato é nulo. A alternativa fala que a causa da nulidade é a inexistência de
motivos.
Entendam, falta o motivo fático. Isto é, mesmo que exista norma legal prevendo a
celebração de contrato para compras em geral, que tenham sido atendidas as
normas legais relativas à competência e forma de contratação, há inexistência do
pressuposto de fato que seria a existência de neve, cuja retirada fosse necessária.
Na verdade, eu achei essa interpretação meio duvidosa. A meu ver, poderíamos
pensar que houve, principalmente, um vício de finalidade, tanto da finalidade geral
(porque essa contratação é contrária ao interesse público), quanto da finalidade
específica, porque a norma que prevê contratação de compras, sejam quais
forem, pressupõe compras que atendam a necessidades da Administração ou dos
administrados.
Talvez o certo seja afirmar que houve vício de motivo e de finalidade. Quanto à
nulidade do contrato, penso ser indiscutível. Além, disso, por eliminação, só nos
restaria mesmo a letra “e”.

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Gabarito, letra “e”.

13 - (ESAF/Procurador DF/2004) A declaração de nulidade do contrato


administrativo:
a) só pode ser declarada até o início das obras.
b) opera a partir do ato declaratório, ressalvando-se o que já foi executado.
c) produz efeito retroativo, desconstituindo os efeitos já produzidos, mas obrigando
a Administração a indenizar os prejuízos que o contratante sofreu, desde que a
causa da nulidade não lhe seja imputável.
d) só pode ser declarada por decisão judicial.
e) só pode ser declarada em ação civil pública.

COMENTÁRIOS
Essa questão trata também de nulidade dos contratos administrativos. Ela pode
ser resolvida diretamente pela leitura dos comentários à questão anterior e do art.
59 da Lei 8.666/1993:
“Art. 59. A declaração de nulidade do contrato administrativo opera
retroativamente impedindo os efeitos jurídicos que ele, ordinariamente, deveria
produzir, além de desconstituir os já produzidos.
Parágrafo único. A nulidade não exonera a Administração do dever de indenizar o
contratado pelo que este houver executado até a data em que ela for declarada e
por outros prejuízos regularmente comprovados, contanto que não lhe seja
imputável, promovendo-se a responsabilidade de quem lhe deu causa.”
O gabarito é letra “c”.

14 - (ESAF/Especialista em Pol. Públ. e Gest. Gov/MPOG/2002) Constituem


motivo para a rescisão unilateral do contrato administrativo por parte do Poder
Público, exceto:
a) atraso injustificado no início da obra, serviço ou fornecimento.
b) razões de interesse público, de alta relevância e de amplo conhecimento.
c) subcontratação total ou parcial do seu objeto, não prevista no edital e no
contrato.
d) dissolução da sociedade ou falecimento do contratado.
e) decretação da concordata do contratado.

COMENTÁRIOS
Essa questão nos reporta ao estudo da rescisão dos contratos administrativos.

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As causas gerais de rescisão dos contratos administrativos estão listadas nos
incisos do art. 78 da Lei 8.666/1993.
Há hipóteses que ensejam a rescisão unilateral pela Administração e outras que
ensejam rescisão judicial ou rescisão amigável (administrativa, mas por acordo
entre as partes).
Há hipóteses de rescisão devidas a causas imputáveis ao contratado, ou seja, por
culpa do contratado (todas essas acarretam rescisão unilateral pela
Administração), outras devidas a causas imputáveis à Administração, ou seja, por
culpa da Administração. Há, ainda, hipóteses de rescisão por interesse público
superveniente e por caso fortuito ou força maior.
Vejamos as hipóteses:
I) Causas que possibilitam a rescisão unilateral pela Administração (art. 78,
incisos I a XII e XVII e XVIII):
1) não cumprimento de cláusulas contratuais, especificações, projetos ou prazos;
2) cumprimento irregular de cláusulas contratuais, especificações, projetos e
prazos;
3) lentidão do seu cumprimento, desde o momento em que se possa comprovar a
impossibilidade da conclusão da obra, do serviço ou do fornecimento, nos prazos
estipulados;
4) atraso injustificado no início da obra, serviço ou fornecimento;
5) paralisação da obra, do serviço ou do fornecimento, sem justa causa e prévia
comunicação à Administração;
6) subcontratação total ou parcial do seu objeto, a associação do contratado com
outrem, a cessão ou transferência, total ou parcial, bem como a fusão, cisão ou
incorporação, não admitidas no edital e no contrato;
7) desatendimento das determinações regulares da autoridade designada para
acompanhar e fiscalizar a sua execução, assim como as de seus superiores;
8) cometimento reiterado de faltas na sua execução;
9) a decretação de falência ou a instauração de insolvência civil do contratado;
Observação: é permitido à Administração, no caso de concordata do contratado,
manter o contrato, podendo assumir o controle de determinadas atividades de
serviços essenciais. Observem que, embora essa previsão, constante do art. 80, §
2º, da Lei 8.666/1993, não tenha sido revogada, a concordata deixou de existir em
nosso ordenamento jurídico com a entrada em vigor a nova lei de falências (Lei
11.101/2005), em 09.06.2005. Minha opinião é que, para concurso público, o art.
80, § 2º, continua aplicável, porque podem existir, hoje, pessoas jurídicas em
concordata cuja decretação tenha sido anterior a 09.06.2005.
10) dissolução da sociedade ou o falecimento do contratado;
11) alteração social ou a modificação da finalidade ou da estrutura da empresa,
que prejudique a execução do contrato;

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12) razões de interesse público, de alta relevância e amplo conhecimento,
justificadas e determinadas pela máxima autoridade da esfera administrativa a que
está subordinado o contratante e exaradas no processo administrativo a que se
refere o contrato;
13) ocorrência de caso fortuito ou de força maior, regularmente comprovada,
impeditiva da execução do contrato;
14) utilização de mão de obra de menores de dezoito anos em trabalho noturno,
perigoso ou insalubre e, em qualquer trabalho, de menores de dezesseis anos,
salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos.
Observação: esta última hipótese de rescisão está no inciso XVIII do art. 78 da Lei
8.666/1993, que foi acrescentado em 1999. Quando ele foi acrescentado, o
legislador aparentemente esqueceu de referir-se a ele, também, nas hipóteses de
rescisão unilateral pela Administração, que estão previstas no art. 79, inciso I, da
Lei. A doutrina defende a possibilidade de rescisão unilateral quando ocorrer essa
causa de rescisão, porque se trata de causa imputável ao contratado. Mas, repito,
a Lei é omissa. Minha opinião é que isso não deve ser perguntado em concurso,
justamente porque a Lei é omissa. Mas, se for, penso que devemos considerar
correta a afirmação de que enseja rescisão unilateral.
II) Causas que possibilitam a rescisão amigável ou judicial (art. 78, incisos XIII
a XVII):
1) a supressão, por parte da Administração, de obras, serviços ou compras,
acarretando modificação do valor inicial do contrato além do limite permitido na lei;
2) a suspensão de sua execução, por ordem escrita da Administração, por prazo
superior a 120 (cento e vinte) dias, salvo em caso de calamidade pública, grave
perturbação da ordem interna ou guerra, ou ainda por repetidas suspensões que
totalizem o mesmo prazo, independentemente do pagamento obrigatório de
indenizações pelas sucessivas e contratualmente imprevistas desmobilizações e
mobilizações e outras previstas, assegurado ao contratado, nesses casos, o
direito de optar pela suspensão do cumprimento das obrigações assumidas até
que seja normalizada a situação;
3) o atraso superior a 90 (noventa) dias dos pagamentos devidos pela
Administração decorrentes de obras, serviços ou fornecimento, ou parcelas
destes, já recebidos ou executados, salvo em caso de calamidade pública, grave
perturbação da ordem interna ou guerra, assegurado ao contratado o direito de
optar pela suspensão do cumprimento de suas obrigações até que seja
normalizada a situação;
4) a não liberação, por parte da Administração, de área, local ou objeto para
execução de obra, serviço ou fornecimento, nos prazos contratuais, bem como
das fontes de materiais naturais especificadas no projeto;
5) ocorrência de caso fortuito ou de força maior, regularmente comprovada,
impeditiva da execução do contrato.

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Observação: a ocorrência de caso fortuito ou de força maior tanto pode ensejar
rescisão unilateral pela Administração quanto rescisão amigável ou judicial. Em
qualquer caso, é claro que não há nem culpa da Administração, nem culpa do
contratado.
Vejamos, agora, as conseqüências da rescisão dos contratos administrativos.
I) Conseqüências da rescisão unilateral (exceto nas hipóteses de caso fortuito
ou força maior e de interesse público superveniente):
Além das sanções administrativas já estudadas (arts. 86 e 87), acarreta:
a) assunção imediata do objeto do contrato, no estado e local em que se
encontrar, por ato próprio da Administração;
b) ocupação e utilização do local, instalações, equipamentos, material e pessoal
empregados na execução do contrato, necessários à sua continuidade (ocupação
provisória);
c) execução da garantia contratual, para ressarcimento da Administração, e dos
valores das multas e indenizações a ela devidos;
d) retenção dos créditos decorrentes do contrato até o limite dos prejuízos
causados à Administração.
Observação: a aplicação das medidas previstas nos itens a e b fica a critério da
Administração, que poderá dar continuidade à obra ou ao serviço por execução
direta ou indireta.
II) Conseqüências da rescisão quando não há causa imputável ao contratado
(são todas as causas em que a rescisão decorre de fato imputável à
Administração, ou seja, rescisão por culpa da Administração, mais as hipóteses de
interesse público superveniente e de caso fortuito ou força maior; as
conseqüências, que na verdade constituem direitos do contratado, estão previstas
no art. 79, § 2º):
a) será ressarcido dos prejuízos regularmente comprovados que houver sofrido;
b) devolução de garantia;
c) pagamentos devidos pela execução do contrato até a data da rescisão;
d) pagamento do custo da desmobilização.
Observação: na ocorrência de caso fortuito ou de força maior, embora não exista
culpa, nem da Administração, nem do contratado, as conseqüências previstas na
Lei 8.666/1993 são as mesmas que decorrem das causas de rescisão por culpa
da Administração. Isso é muito criticado pela doutrina, mas, para concursos, é o
que devemos afirmar.
Voltando a nossa questão, vemos que as alternativas “a” a “d” reproduzem,
parcialmente, incisos do art. 78 da Lei 8.666/1993. A letra “e” fala na concordata
do contratado. Vale a observação que já fiz: a concordata é mencionada no art.
80, § 2º, da Lei 8.666/1993 como fato que não obriga À rescisão do contrato pela
Administração. Embora a concordata tenha deixado de existir coma nova lei de

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falências, minha opinião é que, para concurso público, o art. 80, § 2º, continua
aplicável, porque podem existir, hoje, pessoas jurídicas em concordata cuja
decretação tenha sido anterior ao início de vigência da nova lei de falências.
Gabarito, letra “e”.

15 - (Cespe/Advogado CEB/2000) Uma das principais características dos


contratos administrativos é a presença de cláusulas exorbitantes, que permitem
conferir à administração pública posição de supremacia em relação àqueles que
com ela contratam. Referindo-se a esse aspecto, julgue os itens que se seguem.
1. Poderá a administração modificar unilateral e ilimitadamente o contrato
administrativo.
2. De acordo com a legislação pertinente, há situações em que os contratos
administrativos podem ser rescindidos unilateralmente, mesmo que o contratado
esteja cumprindo fielmente as suas obrigações.
3. Verificando-se vício na formalização do contrato, a administração deverá
promover sua anulação, independentemente de ação judicial.
4. Na hipótese de se verificar atraso nos pagamentos devidos pela administração,
somente se esse superar o prazo de noventa dias, poderá o contratado optar pela
suspensão da execução do contrato ou pela sua rescisão.
5. Poderá a administração aplicar sanções administrativas aos contratados,
independentemente de ação judicial, desde que assegure o contraditório e a
ampla defesa.

GABARITO
Essa questão do CESPE trata de alguns dos mais importantes pontos
concernentes aos contratos administrativos, todos já estudados aqui. Vejamos
cada item.
Item 1
A alteração unilateral das cláusulas de execução é, de fato, uma das cláusulas
exorbitantes. Entretanto, a prerrogativa de alterar os contratos tem limites. No
caso da alteração quantitativa, há limites expressos e objetivos (25% de acréscimo
ou supressão nas obras, serviços ou compras; 50 % de acréscimo no caso
específico de reforma de edifício ou de equipamento). No caso da alteração
qualitativa, os limites são implícitos: não pode haver desnaturação ou modificação
substancial do objeto do contrato.
Item errado (E).
Item 2
Vejam o inciso XII do art. 78 da Lei 8.666/1993:
“Art. 78. Constituem motivo para rescisão do contrato:

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.........
XII - razões de interesse público, de alta relevância e amplo conhecimento,
justificadas e determinadas pela máxima autoridade da esfera administrativa a que
está subordinado o contratante e exaradas no processo administrativo a que se
refere o contrato;”
O art. 79, inciso I, da Lei 8.666/1993 estabelece que o inciso XII do art. 78 enseja
rescisão unilateral pela Administração.
Item certo (C).
Item 3
Já falamos sobre a anulação dos contratos administrativos. Ela está regrada, sem
maiores detalhamentos, no art. 59 da Lei 8.666/1993. Seu regime jurídico é o
mesmo da anulação dos atos administrativos, isto é, anulam-se os contatos com
vício de legalidade, com base no poder de autotutela, e a anulação pode ser feita
pela própria Administração, de ofício ou provocada, ou pelo Poder Judiciário,
provocado.
Item certo (C).
Item 4
Esse item trata da regra do inciso XV do art. 78, em que é autorizada a oposição,
pelo contratado, da exceção do contrato não cumprido, quando a Administração
atrasa pagamento por mais de noventa dias, exceto nos casos de calamidade,
convulsão interna ou guerra.
“Art. 78. Constituem motivo para rescisão do contrato:
.........
XV - o atraso superior a 90 (noventa) dias dos pagamentos devidos pela
Administração decorrentes de obras, serviços ou fornecimento, ou parcelas
destes, já recebidos ou executados, salvo em caso de calamidade pública, grave
perturbação da ordem interna ou guerra, assegurado ao contratado o direito de
optar pela suspensão do cumprimento de suas obrigações até que seja
normalizada a situação;”
Item certo (C).
Item 5
Já vimos que a aplicação direta, pela Administração, de sanções administrativas, é
uma das cláusulas exorbitantes. A necessidade de contraditório e ampla defesa
nem precisaria estar prevista no art. 87 e em outros dispositivos da Lei
8.666/1993, pois ela é um direito fundamental auto-aplicável, previsto no art. 5º,
inciso LV, da Constituição.
Item certo (C).

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16 - (CESPE/ Titular de Serviços Notariais e de Registro do TJDFT/2000) São
algumas das características essenciais dos contratos administrativos a não-
aplicabilidade plena do princípio pacta sunt servanda, a possibilidade de alteração
unilateral de alguma de suas cláusulas mesmo contra a vontade de um dos
contratantes, a aplicabilidade do princípio exceptio non adimpleti contractus, a
necessidade de manutenção do equilíbrio econômico-financeiro, a possibilidade
de aplicação de sanções unilateralmente e sem necessidade de recurso ao Poder
Judiciário.

COMENTÁRIOS
Algumas das características apontadas merecem um rápido comentário.
Vimos anteriormente que o pacta sunt servanda obriga ao cumprimento das
cláusulas contratuais conforme foram estabelecidas inicialmente. Os contratos
administrativos estão sujeitos ao pacta sunt servanda, mas, por causa da
possibilidade de modificação unilateral do contrato pela Administração, é correto
dizer que não há aplicabilidade plena desse princípio aos contratos
administrativos.
Estudamos, também, que a exceptio non adimpleti contractus é, sim, aplicável aos
contratos administrativos. Quando a Administração deixa de efetuar, por mais de
90 dias, os pagamentos a que estava obrigada, o contratado pode suspender a
execução do contrato (art. 78. inciso XV). Além disso, se o contratado deixa de
cumprir o contrato, a Administração pode, imediatamente, opor a exceção do
contrato não cumprido, liberando-se de adimplir a sua parte. Portanto, é correto
afirmar que aos contratos administrativos aplica-se a exceptio non adimpleti
contractus.
As outras características arroladas no item já foram exaustivamente estudadas.
Item certo (C).

17 - (CESPE/ Titular de Serviços Notariais e de Registro do TJDFT/2000) O caso


fortuito e a força maior são eventos imprevisíveis e insuperáveis, que alteram
radicalmente as condições do contrato, geralmente impedindo-lhe a continuidade
da execução; não obstante, pode haver situações em que o caso fortuito ou a
força maior deva acarretar simplesmente a prorrogação do prazo contratual,
depois de removidas as causas da impossibilidade de prosseguimento da
execução contratual.

COMENTÁRIOS
Esse item permite tratarmos de um último assunto, que aparece muito pouco,
quase nunca, em questões de concursos: a chamada “teoria da imprevisão”.
A teoria da imprevisão resume-se à idéia de que a superveniência de eventos
imprevisíveis e extraordinários, que impossibilitem o cumprimento do contrato, ou

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tornem sua execução muito mais difícil ou onerosa, acarreta uma das seguintes
conseqüências:
a) possibilita a rescisão sem culpa do contratado;
b) possibilita a prorrogação do prazo de execução do contrato sem aplicação de
qualquer sanção ao contratado; ou
c) obriga ao restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro do contrato.
Diz-se que a aplicação da teoria da imprevisão decorre de uma cláusula que é
implícita em todos os contratos administrativos: a cláusula rebus sic stantibus.
Essa cláusula traduz a idéia de que, no momento em que o contrato foi firmado,
seu equilíbrio e suas condições de execução foram estabelecidos tendo em conta
os fatos conhecidos e previsíveis; fatos supervenientes e imprevisíveis que
modifiquem significativamente esse equilíbrio ou essas condições possibilitam o
seu restabelecimento, mediante alteração do contrato (prorrogação ou
restabelecimento do equilíbrio econômico-financeiro do contrato), ou mesmo sua
rescisão sem culpa do contratado.
A cláusula rebus sic stantibus desdobra-se nos seguintes eventos, normalmente
apontados pela doutrina:
1) Caso fortuito e força maior.
2) Fato do príncipe.
É qualquer determinação estatal geral, imprevisível, que impeça ou onere
substancialmente a execução do contrato, autorizando sua revisão, ou mesmo
sua rescisão, na hipótese de tornar-se impossível seu cumprimento.
Imaginem, por exemplo, que o particular celebra um contrato de fornecimento com
a Administração de um bem que forçosamente tem que ser importado. Quando o
contrato é celebrado, o imposto de importação é de 15%. Seis meses depois do
início da execução do contrato, por uma crise econômica qualquer, o imposto de
importação é aumentado para 75%. Temos um caso típico de fato do príncipe.
3) Fato da Administração.
É definido como uma ação ou omissão do Poder Público, especificamente
relacionada ao contrato, que impede, retarda ou torna excessivamente onerosa
sua execução, autorizando sua revisão, ou mesmo sua rescisão, na hipótese de
tornar-se impossível seu cumprimento.
Temos exemplos de fatos da Administração nos incisos XIV, XV e XVI do art. 78
da Lei 8.666/1993.
4) Interferências imprevistas.
São citadas por Hely Lopes Meirelles como elementos materiais que surgem
durante a execução do contrato, dificultando extremamente sua execução e
tornando sua execução excessivamente onerosa. Tais elementos preexistem ao
contrato. Não impedem sua execução. Determinam a revisão para
restabelecimento da equação econômico-financeira inicial.

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Nosso item trata de caso fortuito e força maior. Não tentei definir esses eventos
porque há infinita divergência na doutrina. O certo é que, no âmbito da teoria da
imprevisão, ambos têm os mesmos efeitos: ensejam a revisão, rescisão ou
prorrogação do contrato.
A hipótese prevista no item está indiretamente prevista no art. 57, § 1º, inciso II, da
Lei 8.666/1993:
“§ 1o Os prazos de início de etapas de execução, de conclusão e de entrega
admitem prorrogação, mantidas as demais cláusulas do contrato e assegurada a
manutenção de seu equilíbrio econômico-financeiro, desde que ocorra algum dos
seguintes motivos, devidamente autuados em processo:
....................
II - superveniência de fato excepcional ou imprevisível, estranho à vontade das
partes, que altere fundamentalmente as condições de execução do contrato;”
Item certo (C).
Com isso, terminamos o estudo dos contratos administrativos.

LISTA DAS QUESTÕES APRESENTADAS

1 - (Cespe/Delegado PF/1997) Todos os acordos de vontade firmados pela


administração pública consideram-se contratos administrativos.

2 - (Cespe/Fiscal INSS/2001) As chamadas cláusulas exorbitantes dos contratos


administrativos não se aplicam a todos os contratos celebrados pela administração
pública.

3 - (CESPE/Min. Público do TCU/2004) Não se aplicam disposições de direito


privado aos contratos administrativos, os quais, além de cláusulas exorbitantes
que os diferenciam dos contratos de direito comum, são regulados por legislação
específica.

4 - (ESAF/PFN/2004) O regime jurídico dos contratos administrativos confere à


Administração, em relação a eles, diversas prerrogativas, entre as quais não se
inclui
a) fiscalizar-lhes a execução.
b) aplicar sanções motivadas pela inexecução total ou parcial do ajuste.
c) rescindi-los, unilateralmente, nos casos especificados em lei.
d) alterar, unilateralmente, as cláusulas econômico-financeiras e monetárias dos
contratos administrativos.

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e) modificá-los, unilateralmente, para melhor adequação às finalidades de
interesse público, respeitados os direitos do contratado.

5 - (ESAF/CGU/2004) Nos contratos administrativos regidos pela Lei nº 8.666/93,


a Administração dispõe de certas prerrogativas especiais, mas mesmo assim, não
pode ela
a) aplicar sanções.
b) descumprir condições do edital.
c) modificá-los.
d) ocupar bens do contratado.
e) rescindi-los.

6 - (Cespe/Defensor Público União/2001) A natureza especial do contrato


administrativo, caracterizado pela presença das chamadas cláusulas exorbitantes
do direito comum, permite a uma das partes, a administração, alterar
unilateralmente a avença, vinculando o contratado à nova obrigação, quando
houver modificação do respectivo projeto. Nessa situação, o contratado deve
cumprir a nova regra, sendo-lhe garantida, todavia, a manutenção do equilíbrio
econômico-financeiro do contrato.

7 - (CESPE/Auditor INSS/2003) O regime jurídico dos contratos administrativos


instituído pela Lei de Licitações e Contratos não confere à administração, em
relação a eles, a prerrogativa de, no caso dos serviços essenciais, ocupar
provisoriamente bens móveis, imóveis, pessoal e serviços vinculados ao objeto do
contrato.

8- (ESAF/Gestor Público/MARE/1999) Nos termos do regime jurídico que lhes


é próprio, os contratos administrativos
a) descumpridos pelo contratado podem acarretar-lhe, conforme o caso, a
suspensão temporária ou definitiva do exercício de atividades no âmbito territorial
da Administração contratante.
b) formalizam-se por instrumento público, lavrado em Cartório de Notas e,
após, arquivados nas repartições interessadas.
c) podem adotar a forma escrita ou a verbal, conforme hipóteses previstas em
lei.
d) podem conter exigência de garantias do contratado, cabendo à
Administração, em cada caso, escolher a mais conveniente, dentre as previstas
em lei.

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e) podem ser rescindidos unilateralmente pela Administração, que, em
qualquer caso, deverá ressarcir os prejuízos do contratado, até o limite dos
recursos orçamentários previstos no contrato.

9 - (ESAF/Analista Comércio Exterior/2002) O valor legalmente admitido, pela


legislação de licitação, para o contrato verbal com a Administração, de pequenas
compras, para pronto pagamento, em regime de adiantamento, não pode ser
superior a:
a) R$ 8.000,00
b) R$ 6.000,00
c) R$ 4.000,00
d) R$ 2.000,00
e) R$ 1.000,00

10 - (ESAF/Analista MPU/2004) De regra, os contratos administrativos, regidos


pela Lei nº 8.666/93, devem ter sua duração adstrita à vigência dos respectivos
créditos orçamentários, mas entre as exceções incluem-se os relativos à
prestação de serviços, a serem executados de forma continuada, que poderão tê-
la
a) prorrogada, por iguais e sucessivos períodos, até 60 meses.
b) fixada em 10 anos.
c) prorrogada, por iguais e sucessivos períodos, até 48 meses.
d) fixada em 5 anos.
e) prorrogada, por iguais e sucessivos períodos, até 10 anos.

11 - (CESPE/Min. Público do TCU/2004) Os contratos administrativos não podem


ser prorrogados.

12 - (ESAF/Procurador DF/2004) O Secretário da Defesa Civil contrata, após


licitação, a compra de uma frota de veículos especializados em retirar neve das
estradas. Esse contrato é:
a) irrevogável, porque obedeceu ao princípio da licitação.
b) revogável, porque o Estado não está obrigado a cumprir os contratos que
celebra com particulares.
c) só pode ser desfeito por determinação legislativa.
d) só pode ser desconstituído, por ordem judicial.
e) é nulo por inexistência de motivos.

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13 - (ESAF/Procurador DF/2004) A declaração de nulidade do contrato


administrativo:
a) só pode ser declarada até o início das obras.
b) opera a partir do ato declaratório, ressalvando-se o que já foi executado.
c) produz efeito retroativo, desconstituindo os efeitos já produzidos, mas obrigando
a Administração a indenizar os prejuízos que o contratante sofreu, desde que a
causa da nulidade não lhe seja imputável.
d) só pode ser declarada por decisão judicial.
e) só pode ser declarada em ação civil pública.

14 - (ESAF/Especialista em Pol. Públ. e Gest. Gov/MPOG/2002) Constituem


motivo para a rescisão unilateral do contrato administrativo por parte do Poder
Público, exceto:
a) atraso injustificado no início da obra, serviço ou fornecimento.
b) razões de interesse público, de alta relevância e de amplo conhecimento.
c) subcontratação total ou parcial do seu objeto, não prevista no edital e no
contrato.
d) dissolução da sociedade ou falecimento do contratado.
e) decretação da concordata do contratado.

15 - (Cespe/Advogado CEB/2000) Uma das principais características dos


contratos administrativos é a presença de cláusulas exorbitantes, que permitem
conferir à administração pública posição de supremacia em relação àqueles que
com ela contratam. Referindo-se a esse aspecto, julgue os itens que se seguem.
1. Poderá a administração modificar unilateral e ilimitadamente o contrato
administrativo.
2. De acordo com a legislação pertinente, há situações em que os contratos
administrativos podem ser rescindidos unilateralmente, mesmo que o contratado
esteja cumprindo fielmente as suas obrigações.
3. Verificando-se vício na formalização do contrato, a administração deverá
promover sua anulação, independentemente de ação judicial.
4. Na hipótese de se verificar atraso nos pagamentos devidos pela administração,
somente se esse superar o prazo de noventa dias, poderá o contratado optar pela
suspensão da execução do contrato ou pela sua rescisão.
5. Poderá a administração aplicar sanções administrativas aos contratados,
independentemente de ação judicial, desde que assegure o contraditório e a
ampla defesa.

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16 - (CESPE/ Titular de Serviços Notariais e de Registro do TJDFT/2000) São


algumas das características essenciais dos contratos administrativos a não-
aplicabilidade plena do princípio pacta sunt servanda, a possibilidade de alteração
unilateral de alguma de suas cláusulas mesmo contra a vontade de um dos
contratantes, a aplicabilidade do princípio exceptio non adimpleti contractus, a
necessidade de manutenção do equilíbrio econômico-financeiro, a possibilidade
de aplicação de sanções unilateralmente e sem necessidade de recurso ao Poder
Judiciário.

17 - (CESPE/ Titular de Serviços Notariais e de Registro do TJDFT/2000) O caso


fortuito e a força maior são eventos imprevisíveis e insuperáveis, que alteram
radicalmente as condições do contrato, geralmente impedindo-lhe a continuidade
da execução; não obstante, pode haver situações em que o caso fortuito ou a
força maior deva acarretar simplesmente a prorrogação do prazo contratual,
depois de removidas as causas da impossibilidade de prosseguimento da
execução contratual.

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