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PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 1

LFG_2º Semestre_2009

Prof. Renato Brasileiro

1ª Aula - 30/07/09

Obs.: o INTENSIVO I vai até prisão.

I N Q U É R I T O P O L I C I AL

1. Conceito:

É um procedimento administrativo inquisitório e


preparatório, consistente em um conjunto de diligências
realizadas pela polícia investigativa para a apuração da infração
penal e de sua autoria, presidido pela autoridade policial, a fim
de que o titular da ação penal possa ingressar em juízo1.

Basicamente o IP é uma série de diligências aonde serão


feitas perícias, oitivas de testemunhas, acareações e
reconhecimentos. Faz-se uma séria de diligências e sempre com o
objetivo de identificarmos o autor do crime e provável
materialidade do delito.

Quando você termina o IP, é como se fechasse um


caderninho e o entregasse ao titular da ação penal – ação penal
pública  MP; ação penal privada  o ofendido ou seu
representante legal, para que possam, de posse desses elementos,
ingressarem em juízo.

1
O conceito é um pouco extenso, mas daí se tira tudo o que é importante para o IP.
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 TERMO CIRCUNSTANCIADO  esse TC2 vai ser


lavrado em relação às "impo" (infração penal de menor potencial
ofensivo).

Infração de Menor Potencial Ofensivo:


Ofensivo impo é todo
crime cuja pena máxima seja igual ou inferior a 2 anos. Porém,
esse conceito está incompleto, falta acrescentar mais duas
informações importantes:

1°) Cumulada ou não com multa - antes havia a


discussão se quando viesse a multa junto seria também impo;

2°) Submetida ou não a procedimento especial -


antigamente também havia essa discussão.

Exemplo: desacato  pena: 6 meses a 2 anos. Nesse


caso não precisa instaurar IP. Faz-se um TC, o cidadão é
imediatamente encaminhado ou assume o compromisso de
comparecer ao juizado e a questão será ali resolvida, com os
institutos despenalizadores ali previstos.

2. Natureza Jurídica do IP:

O importante é ter em mente que o IP, na verdade,


funciona como um procedimento administrativo. Essa é a NJ
do IP.

Qual é a relevância disso? Cai em prova? Não cai assim


diretamente. Isso é abordado em prova da seguinte maneira:

Imaginemos um delegado de polícia estilo “xerife do


velho oeste”. Um crime foi praticado e ele tem ideia de quem seja o

2
Em alguns Estados chamado de TCO – Termo Circunstanciado de Ocorrência.
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autor desse crime, saiba onde ele mora e tenha 3 testemunhas que
viram o crime.

O sujeito está dentro de casa e o “xerifão” imagina que a


arma do crime esteja também dentro de casa. O delegado, não
pede ao juiz um Mandado de Busca e Apreensão, entra na casa do
sujeito – sem o Mandado – e pega a arma.

A apreensão dessa arma, sem autorização judicial, é


prova obtida por meio lícito ou prova obtida por meio ilícito? É bem
tranquilo que a apreensão dessa arma é uma prova obtida por meio
ilícito.

 Agora vem a questão que cai em prova: será que o


fato dessa prova ter sido obtida por meio ilícito3, vai trazer
alguma consequência para o processo? O processo penal
que vai ter origem a partir daí vai ser contaminado por uma
nulidade?

Esse é o questionamento que é feito.

 Nulidade só existe durante o processo; o IP é um


procedimento administrativo, por isso, não há que se falar em
nulidade4. No exemplo, a infração é grave. Todavia, hoje, se você
conseguir demonstrar no processo que, apesar dessa prova ilícita,
outras provas estavam presentes (lembrem que havia 3
testemunhas que presenciaram o crime), o sujeito poderá ser
condenado. A apreensão da arma não poderá ser usada porque se
deu de maneira ilícita, mas essas outras provas poderão ser usadas
para a condenação.

3
Uma grave violação cometida pelo delegado - abuso de autoridade, sem dúvida alguma.
4
Não há que se falar em nulidade num ato administrativo.
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Veja o ditado do prof.: eventuais vícios existentes no IP,


não afetam a ação penal a que deram origem.

Como é um procedimento administrativo, eventual


vício que ocorra no IP, não vai contaminar a ação penal, na
há que falar em nulidade.

3. Finalidade do IP:

A finalidade, o objetivo do IP nada mais é que a


apuração do crime e a apuração da autoria.

Por que é preciso a autoria e a materialidade?

 Atente: o processo penal, por si só, já é


extremamente complicado para uma pessoa. Por exemplo, uma
pessoa que está estudando para concurso, se tiver um IP contra ela
já complica, imagine um processo penal. Portanto:

Pode-se instaurar um processo penal contra


alguém sem um mínimo de prova? Com certeza que não.

Uma das condições para que se dê início ao processo


penal é a chamada "Justa Causa" que é esse mínimo de
elementos quanto à autoria e à materialidade.

Para darmos um exemplo, há dois anos, um Ministro do


STJ estava sendo acusado de assédio sexual contra uma
funcionária. Ela ofereceu uma queixa-crime e o STF estava
discutindo se daria início ou não ao processo.

O Supremo analisou se tinha JUSTA CAUSA, ou seja, se tinha


um mínimo de provas quanto à autoria e quanto à materialidade. O
problema, no caso concreto, é que única prova existente era a
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palavra da vítima. Será que a palavra dela, isoladamente, é


suficiente para dar início ao processo?

O Supremo entendeu que a palavra dela, isoladamente,


não seria suficiente para dar início a um processo.

4. Presidência do IP:

A autoridade policial, ou seja, o delegado de polícia.

 Em regra, essa autoridade policial será a do local da

consumação do delito.
delito

IPC: Se houver uma perseguição e o agente for preso


em outra localidade, o APF será lavrado pela autoridade policial
desse local, mas quem vai investigar o delito é a autoridade do
local da infração. E quem vai julgar será a autoridade judiciária do
também do local da infração.

 Atenção: antes de saber quem vai investigar um


crime, temos que ver a natureza desse crime. O ideal quando se
perguntar quem vai investigar tal crime é perguntar de quem é a
competência para julgar tal crime. Por exemplo, se é da Justiça
estadual ou da Justiça Federal. Aí vêm as exceções:

 Exceções:

1) Crime de competência da Justiça Militar Estadual


 crime militar praticado por policial militar. Nesses casos de crime
de competência da justiça militar estadual quem investiga é a
própria Polícia Militar, através do IPM5. Quem vai exercer as funções

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Inquérito Policial Militar
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de "autoridade policial" para presidir o IP será um oficial da PM que


será designado. Esse oficial é chamado de encarregado.

2) Crime de competência da Justiça Militar da União


 por exemplo, em Caçapava/SP, o PCC invadiu um quartel e
subtraiu 7 fuzis militares. Nesse caso, quem vai investigar? O
raciocínio é bem semelhante, quem vai será as Forças Armadas. No
exemplo, o Exército também vai instaurar um IPM que também vai
ser presidido por um oficial - encarregado -.

3) Crime de competência das Justiças


Federal e Eleitoral  quem vai investigar será a Polícia
Federal. Crime federal ou crime eleitoral  Polícia Federal.

4) Crimes de competência da Justiça


Estadual  aqui o erro que o aluno comete é dizer que quem
investiga é a polícia civil, parando por aí. A resposta está
incompleta!

 Cuidado = em alguns crimes de competência da


Justiça estadual a PF também pode investigar.

Esse é um erro muito comum: achar que a PF investiga


aquilo que é julgado pela Justiça Federal e a polícia civil investiga o
que é julgado pela Justiça estadual.

Cuidado! A PF tem atribuições mais amplas que a Polícia


estadual. Veja o art. 144, § 1° /CF.

§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e
estruturado em carreira, destina-se a:" (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses
da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas6, assim como outras infrações cuja
6
Competência da Justiça Federal.
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prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser
em lei;

II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho,


sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência;

III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)

IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.

Percebam que o que está na primeira parte do inciso I são


crimes de competência da Justiça Federal. Mas veja que a PF tem
mais atribuições na sequência do inciso I (marcado em laranja).

A lei a que se refere o dispositivo é a Lei


10.446/02.7 Essa lei prevê alguns crimes que serão investigados
pela PF por conta dessa repercussão interestadual e internacional.

Vejamos o art. 1º dessa Lei 10.446/02:

Art. 1o Na forma do inciso I do § 1o do art. 144 da Constituição, quando houver repercussão


interestadual ou internacional que exija repressão uniforme, poderá o Departamento de Polícia Federal do
Ministério da Justiça, sem prejuízo da responsabilidade dos órgãos de segurança pública arrolados no art.
144 da Constituição Federal, em especial das Polícias Militares e Civis dos Estados, proceder à
investigação, dentre outras, das seguintes infrações penais:
I – seqüestro, cárcere privado e extorsão mediante seqüestro (arts. 148 e 159 do Código Penal), se o
agente foi impelido por motivação política ou quando praticado em razão da função pública exercida pela
vítima;
II – formação de cartel (incisos I, a, II, III e VII do art. 4o da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990); e
III – relativas à violação a direitos humanos, que a República Federativa do Brasil se comprometeu a
reprimir em decorrência de tratados internacionais de que seja parte; e
IV – furto, roubo ou receptação de cargas, inclusive bens e valores, transportadas em operação
interestadual ou internacional, quando houver indícios da atuação de quadrilha ou bando em mais de um
Estado da Federação.
Parágrafo único. Atendidos os pressupostos do caput, o Departamento de Polícia Federal
procederá à apuração de outros casos, desde que tal providência seja autorizada ou determinada pelo
Ministro de Estado da Justiça.

Sem prejuízo da responsabilidade dos órgãos de

segurança pública  não vai impedir que os outros órgãos


também investiguem.

7
Quem for fazer prova para a PF tem que ter essa lei em mente.
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 Cuidado com o Inciso III – crime que envolve grave


violação a direitos humanos, em regra é julgado pela justiça
estadual. Basta lembrar o caso da Dorothy Steng assassinada no
Pará. Em regra é julgado na justiça estadual; existe a possibilidade
do deslocamento da competência da justiça estadual, mas tem um
procedimento; tem de ser iniciativa do Procurador-Geral.

Inciso IV é muito investigado pela PF.

PU – ou seja, a PF, desde que haja autorização do


Ministro da Justiça, pode investigar quaisquer outros crimes que
tenham repercussão interestadual e internacional. Exemplos:
tráfico e crimes pela internet são muito investigados pela PF porque
geralmente a quadrilha ñ se restringe a um só Estado.

 Cuidado – crimes da competência da justiça


estadual não só a polícia civil, mas a PF também poderá
investigar.

Qual é a diferença entre polícia judiciária e polícia


investigativa?
investigativa

Quando estudamos inquérito geralmente lemos que


quem preside o inquérito é a polícia judiciária. Será que é polícia
judiciária mesmo ou não?

POLÍCIA JUDICIÁRIA  é a polícia que auxilia o Poder


Judiciário no cumprimento de suas ordens.

Ñ é que existam duas polícias; a mesma polícia (Civil ou


Federal) ora atua como polícia judiciária e ora como polícia
investigativa.
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Exemplo de polícia judiciária  Mandado de prisão. A


polícia civil recebe uma ordem para cumprir um mandado de prisão
emitido por um juiz. Quando ela cumpre essa ordem e efetua
prisão, ela está agindo como polícia judiciária porque está
auxiliando o Poder Judiciário.

POLÍCIA INVESTIGATIVA é a polícia quando atua na


apuração de infrações penais e de sua autoria.

Essa distinção não existe no CPP porque no CPP quem


investiga é a polícia judiciária - art. 4°/CPP8 -.  Cuidado com isso
porque o CPP não adota essa distinção, mas o CPP é de 1940 e
depois dele veio a Constituição de 1988 e essa distinção foi
encampada pela Constituição; a Constituição Federal diferencia as
atribuições de polícia judiciária das atribuições de polícia
investigativa.

Veja novamente o art. 144, § 1°, I/CF  o inciso I fala


em "apurar as infrações penais”. Atento à distinção colocada,
quando a PF está apurando as infrações penais está agindo como
polícia investigativa.

Inciso IV9 - vejam que a Constituição usa a expressão


polícia judiciária de maneira diversa, aqui dizendo o seguinte: se
um juiz federal expedir uma ordem, quem irá cumpri-la, em regra,
será a PF que, aqui, atuará como polícia judiciária.

Portanto, a CF diferencia polícia judiciária de


polícia investigativa.

8
Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas
circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. (Redação dada pela Lei nº
9.043, de 9.5.1995).
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IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.
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 Cuidado: no âmbito do STJ essa distinção já é usada;


no STF não, continua usando polícia judiciária para se referir a tudo.

5. Características do IP:

5.1 - Peça escrita - art. 9°/CPP.

Art. 9o Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito
ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.

Pode gravar o IP num DVD?

 Cuidado o CPP ainda fala que o IP será uma peça


escrita10, mas acrescentar na prova que alguns doutrinadores
já estão sustentando a possibilidade de aplicação, no IP, do
art. 405, § 1°/CPP.

§ 1o Sempre que possível11, o registro dos depoimentos do investigado, indiciado, ofendido e


testemunhas será feito pelos meios ou recursos de gravação magnética, estenotipia, digital ou técnica
similar, inclusive audiovisual, destinada a obter maior fidelidade das informações. (Incluído pela Lei nº
11.719, de 2008).

Esse dispositivo foi alterado no ano passado e foi previsto


para a audiência. Agora a audiência pode ser gravada de acordo
com o citado dispositivo. Mas, alguns doutrinadores estão dizendo,
se podemos gravar a audiência, também podemos gravar os
depoimentos.

5.2 - Caráter Instrumental: em regra, o IP é o


instrumento utilizado pelo Estado para colher elementos de
informação quanto à autoria e materialidade da infração penal.

O IP é a regra, mas outras investigações poderão ser


feitas.

10
Mas tramita no Congresso um projeto de reforma do CPP.
11
O legislador reconheceu que nem sempre isso é possível.
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Por exemplo, CPI pelo menos, em tese, pode investigar;


Conselho de Ética; o COAF (combate a lavagem de capitais); MP?
(próxima aula).

5.3 - O IP é dispensável - caso o titular da ação penal


obtenha elementos de informação a partir de uma fonte autônoma,
poderá dispensar a realização do IP.

Geralmente o CPP chama essa fonte autônoma de peças


de informação. Peças de informação é algum instrumento que lhe
dá prova do crime e indícios de autoria. Exemplo: crimes contra a
honra praticados pela mídia.

Exemplo - art. 39, § 5°/CPP.

§ 5o O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se com a representação forem


oferecidos elementos que o habilitem a promover a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia no
prazo de quinze dias.

5.5 - Caráter Sigiloso  pelo menos de acordo com a


lei. Ver art. 20/CPP.

Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou


exigido pelo interesse da sociedade.

Apesar do caráter sigiloso, isso não é absoluto. Juiz e


promotor de justiça têm acesso aos autos do IP.

E o advogado?

Até pouco tempo atrás prevalecia, inclusive no STJ, que o


advogado não poderia ter acesso ao IP. O STJ dizia que o IP tinha
caráter inquisitorial e que o acesso do advogado aos autos iria
prejudicar as investigações.
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Prevalece hoje que a CF, em seu art. 5°, LXIII assegura


a assistência de advogado e, apesar de o texto falar em "preso",
não é só o preso que tem direito; a pessoa que está sendo
investigada ou é suspeita, também tem direito a advogado.

LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado,
sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;

Se o investigado tem direito a assistência de advogado,


este precisa ter acesso aos autos do IP para poder patrocinar a
assistência do seu cliente, mas ele não pode acessar. Como ele vai
patrocinar a defesa? Como vai ingressar com HC se ele não acesso
aos autos do inquérito?

Além disso, não esquecer do estatuto da OAB (Lei


8906/94), art. 7°, XIV também assegura o acesso aos autos pelo
advogado.

Então, além da Constituição, também o Estatuto da


OAB assegura o acesso do advogado aos autos.

O advogado tem acesso a toda e qualquer


informação?

O advogado tem acesso às informações já introduzidas


nos autos, mas não em relação às diligências em andamento.

Esse é o melhor entendimento porque concilia a


assistência do advogado do investigado e o interesse estatal.

Por exemplo, se uma testemunha já foi ouvida e o


depoimento está no inquérito, o advogado terá acesso a esse
depoimento, mas se for decidida uma interceptação telefônica, a
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isso ainda o advogado não terá acesso porque isso vai frustrar essa
diligência.

Sobre isso o STF editou a Súmula Vinculante (SV) n° 14:

Súmula Vinculante 14

É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de


prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de
polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.

E se o delegado negar o acesso aos autos do IP,


qual o remédio?

Tem SV sobre o assunto. Se tem SV sobre o tema e o


delegado (autoridade pública) está obstando o acesso, primeira
resposta: ingressar com uma Reclamação porque há o
descumprimento de uma SV12.

Mas, na prática, essa reclamação vai demorar, embora


tecnicamente seja o correto. Assim, o Mandado de Segurança
seria o remédio mais util. Porém,  CUIDADO porque se você impetrar
o MS deve fazê-lo em nome próprio - advogado - e não do seu
cliente, porque é a sua prerrogativa de advogado que está sendo
desrespeitada.

Se o advogado ingressar com HC?

Se o cliente está preso, tranquilamente cabe HC. Se o


cliente estiver solto –  cuidado: para o STF sempre que puder
resultar, ainda que de modo potencial, prejuízo à liberdade
de locomoção será cabível o HC. O STF tem ampliado demais a
aplicação do HC.

12
Reclamação está boa para cair em prova porque tem SV.
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No MS o advogado impetra em nome próprio. No caso do


HC o paciente será o seu cliente porque é ele quem está sofrendo
o prejuízo.

 Questão do TRF – 5ª Região: Quebra de sigilo

bancário decretada de maneira ilegal pode ser questionada


por HC?13

Quando a Constituição se refere a HC, está lá “liberdade


de locomoção”. Então as pessoas fazem o seguinte raciocínio: HC 
liberdade de locomoção. O sigilo bancário preserva a sua liberdade
de locomoção?

O sigilo bancário preserva o quê? Através de seu sigilo


bancário se obtém várias informações sobre você. Então o sigilo
bancário tutela a sua vida privada, a sua intimidade. Como é vida
privada, intimidade, o seu raciocínio te levaria a dize que seria caso
de MS.

14
Todavia, o STF entende que também cabe HC porque
esse sigilo bancário, que foi afastado de maneira ilegal, pode ser
juntado aos autos de um inquérito e desse IP pode resultar prejuízo
à liberdade de locomoção, por isso o Supremo tem admitido HC
nesse caso também.

5.5 - Caráter Inquisitorial ou Inquisitivo  no IP não


há contraditório, não há ampla defesa.

Essa característica gera atenção dependendo do concurso


a ser feito. Por exemplo, prova para o MP: devemos defender que
não há contraditório, ampla defesa, que prevalece o interesse do

13
Essa pergunta é campeã!
14
Ou seja, não estaria errada a impetração de HC para o STF.
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Estado. Majoritário na doutrina/jurisprudência. É também a


melhor resposta.

 IPC: Para a prova da Defensoria ou OAB, no curso do


inquérito pode haver momentos de violência e coação ilegal, razão
pela qual deve se assegurar o contraditório e a ampla defesa. Não
é a posição majoritária!

Ver julgado do STJ - HC 69405 - caminha na linha acima


transcrita.

HC 69405 / SP - Ministro NILSON NAVES


Inquérito policial (natureza). Diligências (requerimento/possibilidade). Habeas corpus
(cabimento).
1. Embora seja o inquérito policial procedimento preparatório da ação penal (HCs 36.813, de
2005, e 44.305, de 2006), é ele garantia "contra apressados e errôneos juízos" (Exposição de
motivos de 1941).
2. Se bem que, tecnicamente, ainda não haja processo – daí que não haveriam de vir a pêlo
princípios segundo os quais ninguém será privado de liberdade sem processo legal e a todos
são assegurados o contraditório e a ampla defesa –, é lícito admitir possa haver, no curso do
inquérito, momentos de violência ou de coação ilegal (HC-44.165, de 2007).
3. A lei processual, aliás, permite o requerimento de diligências. Decerto fica a diligência a
juízo da autoridade policial, mas isso, obviamente, não impede possa o indiciado bater a
outras portas.
4. Se, tecnicamente, inexiste processo, tal não haverá de constituir empeço a que se garantam
direitos sensíveis – do ofendido, do indiciado, etc.
5. Cabimento do habeas corpus (Constituição, art. 105, I, c).
6. Ordem concedida a fim de se determinar à autoridade policial que atenda as diligências
requeridas.

5.6 - Caráter Informativo  o IP visa à colheita de


elementos de informação em relação à materialidade do delito e
também em relação à autoria do crime.

Questão: qual é a diferença entre elementos de


informação e prova?

 Cuidado com essa questão porque o art. 155 do CPP foi


alterado em 2008. Portanto, deve cair em prova. O dispositivo faz a
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distinção entre prova e elementos de informação, sendo prova =


aquilo que é produzido sob o crivo do contraditório.

Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório
judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na
investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. (Redação dada pela Lei nº
11.690, de 2008)
Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições
estabelecidas na lei civil. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)

Diferenças:
Diferenças

1ª) Elementos de informação são os colhidos em uma


fase investigatória; a prova, como diz a própria lei, é aquela que
é produzida na fase judicial.

2ª) Os elementos de informação não são colhidos na


presença do juiz, isto é, sem a participação do juiz. A prova deve
ser produzida na presença do juiz, com um detalhe importante que
tem caído em prova: desde 2008 temos o princípio da
identidade física no processo penal = o juiz que conduziu a
instrução deve sentenciar.

3ª) Nos elementos de informação não há ampla defesa


nem contraditório. Portanto, não é preciso a presença do advogado
de defesa na oitiva de testemunha no IP. Na fase judicial há
contraditório e ampla defesa.

4ª) A finalidade dos elementos de informação são


importantes para a formação da opinio delicti = é a opinião ou
convicção do titular da ação penal; também tem a finalidade muito
importante - para a fundamentação das medidas cautelares
(não se pode prender ninguém sem o mínimo de elementos quanto
à autoria e à materialidade).
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E para condenar, pode-se usar elementos de informação?


Lembre que a CF assegura o contraditório e a ampla defesa. Em
regra, a sentença condenatória deve estar amparada pela prova
porque esta foi colhida com o contraditório e a ampla defesa
(porém, o juiz pode olhar o inquérito).

Ver art. 155/CPP. O STF sempre entendeu que o juiz pode


usar os elementos colhidos no IP, desde que não o faça de
maneira exclusiva.

Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório
judicial, não podendo fundamentar sua decisão EXCLUSIVAMENTE nos elementos informativos colhidos
na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. (Redação dada pela Lei nº
11.690, de 2008)
Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições
estabelecidas na lei civil. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)

Exclusivamente  elementos informativos


isoladamente considerados não são idôneos a fundamentar
uma condenação. Porém, não devem ser ignorados, podendo
se somar à prova produzida em juízo, servindo como mais um
elemento na formação da convicção do juiz.

Ver: RE 287658; RE - AGR 425734.

RE 287658 / MG -Min. SEPÚLVEDA PERTENCE

EMENTA: I. Habeas corpus: falta de justa causa: inteligência. 1. A


previsão legal de cabimento de habeas corpus quando não houver "justa causa"
para a coação alcança tanto a instauração de processo penal, quanto, com maior
razão, a condenação, sob pena de contrariar a Constituição. 2. Padece de falta de
justa causa a condenação que se funde exclusivamente em elementos informativos
do inquérito policial. II. Garantia do contraditório: inteligência. Ofende a garantia
constitucional do contraditório fundar-se a condenação exclusivamente em
testemunhos prestados no inquérito policial, sob o pretexto de não se haver
provado, em juízo, que tivessem sido obtidos mediante coação.

RE 425734 AgR / MG - Min. ELLEN GRACIE


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EMENTA : AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. OFENSA AO ART.


5º, INCISOS LIV E LV. INVIABILIDADE DO REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA
STF Nº 279. OFENSA INDIRETA À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INQUÉRITO.
CONFIRMAÇÃO EM JUÍZO DOS TESTEMUNHOS PRESTADOS NA FASE INQUISITORIAL.
1. A suposta ofensa aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da
ampla defesa passa, necessariamente, pelo prévio reexame de fatos e provas, tarefa
que encontra óbice na Súmula STF nº 279. 2. Inviável o processamento do
extraordinário para debater matéria infraconstitucional, sob o argumento de
violação ao disposto nos incisos LIV e LV do art. 5º da Constituição. 3. Ao contrário
do que alegado pelos ora agravantes, o conjunto probatório que ensejou a
condenação dos recorrentes não vem embasado apenas nas declarações prestadas
em sede policial, tendo suporte, também, em outras provas colhidas na fase judicial.
Confirmação em juízo dos testemunhos prestados na fase inquisitorial. 4. Os
elementos do inquérito podem influir na formação do livre convencimento do juiz
para a decisão da causa quando complementam outros indícios e provas que passam
pelo crivo do contraditório em juízo. 5. Agravo regimental improvido.

5.7 - Peça Indisponível  indisponibilidade significa


que o delegado não pode arquivar IP; ele não é o titular da ação
penal, então, quem vai requerer o arquivamento é o MP e o juiz vai
arquivar. Ver art. 17/CPP.

Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.

5.8 - Temporário  em regra, se o acusado está preso,


o prazo para conclusão do IP é de 10 dias; acusado solto = 30 dias.

Se o acusado está preso, esse prazo de 10 dias


pode ser prorrogado? E se o acusado está solto, pode ser
prorrogado?

Se o acusado está preso, esse prazo não pode ser


prorrogado - MAJORITÁRIO -. Caso haja um excesso de prazo
abusivo, estará caracterizado o excesso (constrangimento ilegal à
liberdade de locomoção), autorizando o relaxamento da prisão.

Se o réu estiver solto, a prorrogação é possível e vai dar


origem ao chamado IP "ao ao" ("ao juiz".... "ao promotor"... "ao
delegado").
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 19
LFG_2º Semestre_2009

Quanto tempo pode durar esse "ao ao"? De acordo com


o CPP não tem prazo para a prorrogação.

A novidade vem a ser: O STJ, ano passado, decidiu, em


relação a um investigado que estava solto, com inquérito estava
tramitando durante 7 anos (!), o STJ determinou o trancamento
do IP, utilizando a garantida da duração razoável do processo.
Isso foi pioneiro!

6. Formas de Instauração de IP:

6.1 - De Ofício  ou seja, a autoridade policial tomou


conhecimento. A peça inicial do IP será uma Portaria.

6.2 - Requisição  de juiz e de MP. Cuidado, isso é o


que diz a lei, mas o que se diz de um juiz que requisita um IP, ele
vai condenar ou não? Esse juiz, evidentemente vai condenar. Por
isso a doutrina diz que o ideal é que o juiz não requisite
instalação de inquérito.

Isso se dá para: preservar a imparcialidade do


magistrado e preservar o sistema acusatório.

A peça inaugural é a própria Requisição.

O delegado é obrigado a instaurar?

Mesma coisa: depende do concurso: para o MP 


diante dessa requisição o delegado está obrigado a instaurar;
Requisição aqui é sinônimo de ordem!

Para a prova de delegado da PF: não existe hierarquia


entre MP e delegado (o delegado não é subordinado ao promotor de
justiça). Quando o delegado atenda à requisição, ele atua em
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 20
LFG_2º Semestre_2009

observância ao princípio da obrigatoriedade da ação penal


pública.

6.3 - Requerimento do ofendido ou seu


representante legal  o delegado não está obrigado a instaurar.
Não o fazendo cabe o recurso inominado dirigido ao Chefe de
Polícia. Atualmente o "Chefe de Polícia" vai depender do Estado,
em alguns é o "Delegado Geral" e em outro é o "Secretario de Seg.
Pública", na PF é o "Superintende Geral da PF".

Instaurado o IP, o ato inaugural é uma Portaria.

6.4 - Notícia oferecida por qualquer do povo  hoje


em dia o melhor exemplo são as investigações feitas pela imprensa.

 Cuidado, essa notícia oferecida por qualquer do povo é


conhecida como delatio criminis.

É possível a chamada delatio criminis


inqualificada?

Vulgarmente a delatio criminis inqualificada é conhecida


como denúncia anônima. É possível denúncia anônima (delatio
criminis inqualificada), porém, deve o delegado verificar a
procedência das informações antes de instaurar o inquérito.
Assim você compatibiliza tanto a denúncia quanto preserva a
pessoa que foi denunciada.

O ato de início é também uma Portaria.

Art.5°, § 3°/CPP:

Art. 5o Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:


PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 21
LFG_2º Semestre_2009

§ 3o Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba
ação pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a
procedência das informações, mandará instaurar inquérito.

6.5 - Auto de Prisão e Flagrante  o APF em si vai dar


início ao IP.

Essas cinco formas são cabíveis em relação a todo


e qualquer delito?

Por exemplo, crime contra a honra - pode instaurar IP?

 Cuidado: essas cinco formas são cabíveis em relação


aos crimes de ação penal pública incondicionada, por
exemplo, homicídio, furto, roubo.

Em se tratando de crime de ação penal privada e de


ação penal pública condicionada à representação e também à
requisição do Min. da Justiça, aí somente mediante
requerimento da vítima ou de seu representante legal ou da
própria requisição do Min. Justiça.

Por exemplo, crimes sexuais como o estupro, se não


houver manifestação da vítima o IP não pode ser instaurado!

Isso é importante para fins de análise de HC e


definição de autoridade coatora.

Temos que saber quem instalou (ou requereu) o IP:

À exceção da Requisição, em todas as demais a


autoridade coatora será o delegado. HC contra delegado de polícia
deve ser encaminhado ao juiz de 1a instancia.

E se for o promotor a autoridade coatora, para onde vai


o HC:
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 22
LFG_2º Semestre_2009

Minoritário  juiz de 1a instancia. Minoritário porque


quando você julga um HC pode, desse julgamento, resultar o
reconhecimento da prática de um crime.

Majoritário  HC contra membro do MP deve ser


encaminhado ao respectivo tribunal. Exemplo: HC contra
promotor do Distrito Federal é julgado por quem? No DF e
Territórios há um detalhe: esse membro do MP é membro do MP da
União e estes são julgados pelo TRF –  CUIDADO -.

7. NOTITIA CRIMINIS:
CRIMINIS

7.1 - Conceito  notitia criminis é o conhecimento pela


autoridade policial, espontâneo ou provocado, acerca de um fato
delituoso.

7.2 - Espécies:

a) De Cognição Imediata  a autoridade policial toma


conhecimento do fato delituoso por meio de suas atividades
rotineiras. Não há provocação.

b) De Cognição Mediata  nesse caso, a autoridade


policial toma conhecimento do fato delituoso por meio de
instrumento escrito.

c) De Cognição Coercitiva ou Obrigatória  é aquela


que se dá por intermédio do APF.

8. IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL:

A identificação criminal envolve 2 procedimentos:

- a identificação fotográfica – art. 5º, LVIII/CF;


PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 23
LFG_2º Semestre_2009

- a identificação datiloscópica.

A pessoa está obrigada a se submeter à


identificação criminal?

A identificação criminal antes da CF/88 era


obrigatória, mesmo que a pessoa se identificasse civilmente.
Prova disso é a S568/STF.

SÚMULA Nº 568
A identificação criminal não constitui constrangimento ilegal, ainda que o indiciado já tenha sido
identificado civilmente.
Isso antes da Constituição!

Com a CF/88 esse tema sofreu modificação porque a


Constituição em seu art. 5°,LVIII vai alterar esse panorama.

LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas
hipóteses previstas em lei;

A regra agora é não se submeter à identificação


criminal.

O que será questionado agora é: Quais são as leis que


autorizam a identificação criminal?

Na ordem cronológica são:

1ª) Art. 109/ECA: Lei 8069/90  o ECA permite a


identificação do menor, caso haja alguma desconfiança, isto é, se
houver uma dúvida fundada, o menor pode ser ali identificado
criminalmente.

Art. 109. O adolescente civilmente identificado não será submetido a identificação compulsória pelos
órgãos policiais, de proteção e judiciais, salvo para efeito de confrontação, havendo dúvida fundada.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 24
LFG_2º Semestre_2009

2ª) Art. 5° L9034/95 - Organizações Criminosas =


identificação compulsória:

Art. 5º A identificação criminal de pessoas envolvidas com a ação praticada por organizações
criminosas será realizada independentemente da identificação civil.

Traz a identificação criminal compulsória para o cidadão


envolvido com organizações criminosas.

2ª) Lei 10.054/00 - lei específica sobre identificação


criminal  Em 2000 surge uma lei específica sobre identificação
criminal. Vejamos o art. 3º:

Art. 3o O civilmente identificado por documento original não será submetido à identificação criminal,
exceto quando:
I – estiver indiciado ou acusado pela prática de homicídio doloso, crimes contra o patrimônio praticados
mediante violência ou grave ameaça, crime de receptação qualificada, crimes contra a liberdade sexual ou
crime de falsificação de documento público;
II – houver fundada suspeita de falsificação ou adulteração do documento de identidade;
III – o estado de conservação ou a distância temporal da expedição de documento apresentado
impossibilite a completa identificação dos caracteres essenciais;
IV – constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações;
V – houver registro de extravio do documento de identidade;
VI – o indiciado ou acusado não comprovar, em quarenta e oito horas, sua identificação civil.

O detalhe importante é o seguinte:

O inciso I – que fala sobre os crimes em que será possível


a identificação criminal – ele fala em homicídio doloso, então., mas
não falou nada nos casos de organizações criminosas.

A lei específica não repetiu a previsão anterior. Portanto:

Para o STJ o art. 5º Lei 9034/95 (Organizações


criminosas) teria sido revogado pela Lei da Identificação criminal.

 Muito cuidado com isso, pois como a lei específica


sobre identificação criminal não ressalvou essa hipótese da
organização criminosa, o STJ entende que esse artigo foi revogado
(V. STJ – RHC 12965):
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LFG_2º Semestre_2009

RHC 12965 / DF - Ministro FELIX FISCHER

PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL DOS


CIVILMENTE IDENTIFICADOS. ART. 3º, CAPUT E INCISOS, DA LEI Nº 10.054/2000.
REVOGAÇÃO DO ART. 5º DA LEI Nº 9.034/95.
O art. 3º, caput e incisos, da Lei nº 10.054/2000, enumerou, de forma incisiva, os casos nos
quais o civilmente identificado deve, necessariamente, sujeitar-se à identificação criminal, não
constando, entre eles, a hipótese em que o acusado se envolve com a ação praticada por
organizações criminosas. Com efeito, restou revogado o preceito contido no art. 5º da Lei nº
9.034/95, o qual exige que a identificação criminal de pessoas envolvidas com o crime
organizado seja realizada independentemente da existência de identificação civil.Recurso
provido.

9 – INDICIAMENTO:
INDICIAMENTO

Indiciar é atribuir a alguém a prática de uma infração


penal. Indiciar é aponta.

Há quem compete o indiciamento? A autoridade


policial.

O indiciamento é um ato privativo da autoridade


policial.

Cuidado – Qual é a ≠ entre o indiciamento direto e


o indiciamento indireto?

O indiciamento direto é aquele feito na presença do


investigado.

Quando o investigado está ausente  indiciamento


indireto.

 O que cai em prova é: Quem pode ser indiciado?

Em regra, qualquer pessoa pode ser indiciada.

Mas, temos exceções:


PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 26
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1ª) Os membros da Magistratura e do MP não podem


ser indiciados. E se a autoridade policial estiver investigando e
surgir o nome de um membro do MP/Magistratura, como proceder?

 Cuidado  o delegado não pode intimá-los para


comparecer à delegacia! Automaticamente a autoridade policial
tem de remeter os autos ao PGJ (se for promotor) ou ao
Presidente do TJ (magistrado) ou TRF (juiz federal).

Depois, o delegado pode até continuar com as


investigações, mas já vai ter uma supervisão do órgão de cúpula,
um relator vai ser designado.

2ª) Parlamentares – podem ser indiciados? Com


relação ao juiz e ao promotor, tem previsão legal: LOM (Lei
Orgânica da Magistratura) e na LONMP (Lei Orgânica Nacional do
MP), mas e parlamentares?

Hoje, o entendimento pacificado no STF é o de que


parlamentares (e isso vale para todos que tenham foro por
prerrogativa de função) não poderão ser indiciados sem prévia
autorização de um Ministro Relator, ficando também
condicionada à essa autorização a instauração do IP.

O Supremo então decidiu que não podemos investigar


parlamentar sem a autorização do STF; não podemos indiciar sem a
autorização desse Ministro Relator. É a posição que prevalece!
Ver: Inq. 2411/STF e Pet. 3825

Inq 2411 QO / MT - Min. GILMAR MENDES

EMENTA: Questão de Ordem em Inquérito. 1. Trata-se de questão de


ordem suscitada pela defesa de Senador da República, em sede de inquérito
originário promovido pelo Ministério Público Federal (MPF), para que o Plenário do
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 27
LFG_2º Semestre_2009

Supremo Tribunal Federal (STF) defina a legitimidade, ou não, da instauração do


inquérito e do indiciamento realizado diretamente pela Polícia Federal (PF). 2.
Apuração do envolvimento do parlamentar quanto à ocorrência das supostas
práticas delituosas sob investigação na denominada "Operação Sanguessuga". 3.
Antes da intimação para prestar depoimento sobre os fatos objeto deste inquérito, o
Senador foi previamente indiciado por ato da autoridade policial encarregada do
cumprimento da diligência. 4. Considerações doutrinárias e jurisprudenciais acerca
do tema da instauração de inquéritos em geral e dos inquéritos originários de
competência do STF: i) a jurisprudência do STF é pacífica no sentido de que, nos
inquéritos policiais em geral, não cabe a juiz ou a Tribunal investigar, de ofício, o
titular de prerrogativa de foro; ii) qualquer pessoa que, na condição exclusiva de
cidadão, apresente "notitia criminis", diretamente a este Tribunal é parte
manifestamente ilegítima para a formulação de pedido de recebimento de denúncia
para a apuração de crimes de ação penal pública incondicionada. Precedentes: INQ
no 149/DF, Rel. Min. Rafael Mayer, Pleno, DJ 27.10.1983; INQ (AgR) no 1.793/DF, Rel.
Min. Ellen Gracie, Pleno, maioria, DJ 14.6.2002; PET - AgR - ED no 1.104/DF, Rel. Min.
Sydney Sanches, Pleno, DJ 23.5.2003; PET no 1.954/DF, Rel. Min. Maurício Corrêa,
Pleno, maioria, DJ 1º.8.2003; PET (AgR) no 2.805/DF, Rel. Min. Nelson Jobim, Pleno,
maioria, DJ 27.2.2004; PET no 3.248/DF, Rel. Min. Ellen Gracie, decisão monocrática,
DJ 23.11.2004; INQ no 2.285/DF, Rel. Min. Gilma r Mendes, decisão monocrática, DJ
13.3.2006 e PET (AgR) no 2.998/MG, 2ª Turma, unânime, DJ 6.11.2006; iii) diferenças
entre a regra geral, o inquérito policial disciplinado no Código de Processo Penal e o
inquérito originário de competência do STF regido pelo art. 102, I, b, da CF e pelo
RI/STF. A prerrogativa de foro é uma garantia voltada não exatamente para os
interesses do titulares de cargos relevantes, mas, sobretudo, para a própria
regularidade das instituições. Se a Constituição estabelece que os agentes políticos
respondem, por crime comum, perante o STF (CF, art. 102, I, b), não há razão
constitucional plausível para que as atividades diretamente relacionadas à
supervisão judicial (abertura de procedimento investigatório) sejam retiradas do
controle judicial do STF. A iniciativa do procedimento investigatório deve ser
confiada ao MPF contando com a supervisão do Ministro-Relator do STF. 5. A Polícia
Federal não está autorizada a abrir de ofício inquérito policial para apurar a conduta
de parlamentares federais ou do próprio Presidente da República (no caso do STF).
No exercício de competência penal originária do STF (CF, art. 102, I, "b" c/c Lei nº
8.038/1990, art. 2º e RI/STF, arts. 230 a 234), a atividade de supervisão judicial deve
ser constitucionalmente desempenhada durante toda a tramitação das
investigações desde a abertura dos procedimentos investigatórios até o eventual
oferecimento, ou não, de denúncia pelo dominus litis. 6. Questão de ordem resolvida
no sentido de anular o ato formal de indiciamento promovido pela autoridade
policial em face do parlamentar investigado.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 28
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Pet 3825 QO / MT - Min. SEPÚLVEDA PERTENCE

EMENTA: Questão de ordem em Petição. 1. Trata-se de questão de


ordem para verificar se, a partir do momento em que não se constatam, nos autos,
índicios de autoria e materialidade com relação à única autoridade dotada de
prerrogativa de foro, caberia, ou não, ao STF analisar o tema da nulidade do
indiciamento do parlamentar, em tese, envolvido, independentemente do
reconhecimento da incompetência superveniente do STF. Inquérito Policial remetido
ao Supremo Tribunal Federal (STF) em que se apuram supostas condutas ilícitas
relacionadas, ao menos em tese, a Senador da República. 2. Ocorrência de
indiciamento de Senador da República por ato de Delegado da Polícia Federal pela
suposta prática do crime do art. 350 da Lei nº 4.737/1965 (Falsidade ideológica para
fins eleitorais). 3. O Ministério público Federal (MPF) suscitou a absoluta ilegalidade
do ato da autoridade policial que, por ocasião da abertura das investigações
policiais, instaurou o inquérito e, sem a prévia manifestação do Parquet, procedeu
ao indiciamento do Senador, sob as seguintes alegações: i) o ato do Delegado de
Polícia Federal que indiciou o Senador violou a prerrogativa de foro de que é titular
a referida autoridade, além de incorrer em invasão injustificada da atribuição que é
exclusiva desta Corte de proceder a eventual indiciamento do investigado; e ii) a
iniciativa do procedimento investigatório que envolva autoridade detentora de foro
por prerrogativa de função perante o STF deve ser confiada exclusivamente ao
Procurador-Geral da República, contando, sempre que necessário, com a supervisão
do Ministro-Relator deste Tribunal. 4. Ao final, o MPF requereu: a) a anulação do
indiciamento e o arquivamento do inquérito em relação ao Senador, devido a
ausência de qualquer elemento probatório que aponte a sua participa ção nos fatos;
e b) a restituição dos autos ao juízo de origem para o exame da conduta dos demais
envolvidos. 5. Segundo o Ministro Relator Originário, Sepúlveda Pertence, o pedido
de arquivamento do inquérito, solicitado pelo Procurador-Geral da República, com
relação ao Senador, seria irrecusável pelo Tribunal, porque, na linha da
jurisprudência consolidada do STF, o juízo do Parquet estaria fundado na
inexistência de elementos informativos que pudessem alicerçar a denúncia. Voto do
relator pelo arquivamento do inquérito com relação ao Senador indiciado e proposta
de concessão de habeas corpus, de ofício, em favor do também indiciado JOSÉ
GIÁCOMO BACCARIN, de modo a estender-lhe os efeitos do arquivamento do
inquérito. 6. Com relação ao pedido de anulação do indiciamento do Senador por
alegada ausência de competência da autoridade policial para determiná-lo, o Min.
Sepúlveda asseverou: i) a instauração de inquérito policial para a apuração de fato
em que se vislumbre a possibilidade de envolvimento de titular de prerrogativa de
foro do STF não depende de iniciativa do Procurador-Geral da República, nem o
mero indiciamento formal reclama prévia decisão de um Ministro do STF; ii) tanto a
abertura das investigações de qualquer fato delituoso, quanto, no curso delas, o
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 29
LFG_2º Semestre_2009

indiciamento formal, são atos da autoridade que preside o inquérito; e iii) a


prerrogativa de foro do autor do fato delituoso é critério atinente, de modo
exclusivo, à determinação da competência jurisdicional originária do Tribunal
respectivo, quando do oferecimento da denúncia ou, eventualmente, antes dela, se
se fizer necessária diligência sujeita à prévia autorização judicial. Voto pelo
indeferimento do pedido de anulação do indiciamento do Senador investigado por
entender como válida a portaria policial que instaur ou o procedimento
persecutório. 7. Ademais, segundo o Min. Pertence, o inquérito deveria ser
arquivado com relação ao Senador e a ordem de habeas corpus ser concedida, de
ofício, com relação a JOSÉ GIÁCOMO BACCARIN. Quanto à concessão da ordem de
ofício, o Min. Pertence entendeu que JOSÉ GIÁCOMO BACCARIN encontrava-se em
idêntica situação objetiva à do Senador, pois, em tese, também teria cometido o
crime de falsidade ideológica para fins eleitorais. Desse modo, inexistindo
elementos informativos que pudessem alicerçar a denúncia com relação ao Senador,
ao co-autor JOSÉ GIÁCOMO também deveria ser conferido idêntico tratamento. 8.
Após o voto do relator indeferindo o pedido de anulação formal do indiciamento do
Senador, o Ministro Marco Aurélio suscitou questão de ordem no sentido da
prejudicialidade da ação. Ante a conclusão de que não se teriam indícios de autoria
e materialidade da participação do Senador, o tema do indiciamento estaria
prejudicado. Questão de Ordem rejeitada por maioria pelo Tribunal. 9. Segunda
Questão de Ordem suscitada pelo Ministro Cezar Peluso. A partir do momento em
que não se verificam, nos autos, índicios de autoria e materialidade com relação à
única autoridade dotada de prerrogativa de foro, caberia, ou não, ao STF analisar o
tema da nulidade do indiciamento do parlamentar, em tese, envolvido,
independentemente do reconhecimento da incompetência superveniente do STF. O
voto do Ministro Gilmar Mendes, por sua vez, abriu divergência do Relator para
apreciar se caberia, ou não, à autoridade policial investigar e indiciar autoridade
dotada de predicamento de foro perante o STF. Considerações doutrinárias e
jurisprudenciais acerca do tema da instauração de inquéritos em geral e dos
inquéritos originários de competência do STF: i) a jurisprudência do STF é pa cífica
no sentido de que, nos inquéritos policiais em geral, não cabe a juiz ou a Tribunal
investigar, de ofício, o titular de prerrogativa de foro; ii) qualquer pessoa que, na
condição exclusiva de cidadão, apresente "notitia criminis", diretamente a este
Tribunal é parte manifestamente ilegítima para a formulação de pedido de
recebimento de denúncia para a apuração de crimes de ação penal pública
incondicionada. Precedentes: INQ nº 149/DF, Rel. Min. Rafael Mayer, Pleno, DJ
27.10.1983; INQ (AgR) nº 1.793/DF, Rel. Min. Ellen Gracie, Pleno, maioria, DJ
14.6.2002; PET - AgR - ED nº 1.104/DF, Rel. Min. Sydney Sanches, Pleno, DJ
23.5.2003; PET nº 1.954/DF, Rel. Min. Maurício Corrêa, Pleno, maioria, DJ 1º.8.2003;
PET (AgR) nº 2.805/DF, Rel. Min. Nelson Jobim, Pleno, maioria, DJ 27.2.2004; PET nº
3.248/DF, Rel. Min. Ellen Gracie, decisão monocrática, DJ 23.11.2004; INQ nº
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2.285/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, decisão monocrática, DJ 13.3.2006 e PET (AgR)
nº 2.998/MG, 2ª Turma, unânime, DJ 6.11.2006; iii) diferenças entre a regra geral, o
inquérito policial disciplinado no Código de Processo Penal e o inquérito originário
de competência do STF regido pelo art. 102, I, b, da CF e pelo RI/STF. A prerrogativa
de foro é uma garantia voltada não exatamente para os interesses do titulares de
cargos relevantes, mas, sobretudo, para a própria regularidade das instituições em
razão das atividades funcionais por eles desempenhadas. Se a Constituição
estabelece que os agentes políticos respondem, por crime comum, perante o STF
(CF, art. 102, I, b), não há razão constitucional plausível para que as atividades
diretamente relacionadas à supervisão judicial (abertura de procedimento
investigatório) sejam retiradas do controle judicial do STF. A iniciativa do
procedimento investigatório deve ser confiada ao MPF contando com a supervisão
do Ministro-Relator do STF. 10. A Polícia Federal não está autorizada a abrir de
ofício inquérito policial para apurar a conduta de parlamentares federais ou do
próprio Presidente da República (no caso do STF). No exercício de competência
penal originária do STF (CF, art. 102, I, "b" c/c Lei nº 8.038/1990, art. 2º e RI/STF,
arts. 230 a 234), a atividade de supervisão judicial deve ser constitucionalmente
desempenhada durante toda a tramitação das investigações desde a abertura dos
procedimentos investigatórios até o eventual oferecimento, ou não, de denúncia
pelo dominus litis. 11. Segunda Questão de Ordem resolvida no sentido de anular o
ato formal de indiciamento promovido pela autoridade policial em face do
parlamentar investigado. 12. Remessa ao Juízo da 2ª Vara da Seção Judiciária do
Estado do Mato Grosso para a regular tramitação do feito.

2ª Aula - 12/08/09

INQUÉRITO POLICIAL - Cont.

Art. 21 do CPP  não foi recepcionado pela CF.

Como a incomunicabilidade é vedada no estado de


defesa, a conclusão é que também deve ser vedada em um Estado
normal de Direito (ver o art. da CF sobre estado de defesa).
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 31
LFG_2º Semestre_2009

Não pode ser decretada a incomunicabilidade do preso.

PRAZO PARA CONCLUSÃO


CONCLUSÃ DO IP:

Vale a pena ficar atento porque uma coisa é quando o


acusado está preso  prazo de 10 dias para conclusão do IP;
estando o acusado solto = 30 dias.

Esse prazo de 30 dias, em relação ao acusado solto,


pode ser prorrogado.

No caso do prazo de 10 dias, a doutrina entende que se


houver um excesso abusivo, por exemplo, 6 meses, a
consequência será o relaxamento da prisão.

Contagem desse prazo:

É prazo penal ou é prazo processual penal?

Há diferença - prazo penal - o dia do início é levado em


consideração; prazo processual = começa a contar no dia seguinte.

 CUIDADO: Esse é um prazo processual penal. Não


confundir com o prazo da prisão que é penal.

Exceções:

LEI REU REU


PRESO SOLTO
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 32
LFG_2º Semestre_2009

CPPM 20 dias 40 dias


(1)
JUSTIÇA FEDERAL 15 dias 30 dias
DROGAS – art. 51(2) 30 dias 90 dias
Crimes contra Economia Popular 10 dias 10 dias
art. 10,§1º(3)

(1) ATENÇÃO: na Justiça Federal esse prazo pode ser


duplicado. Em se tratando de acusado preso esse prazo pode
chegar a 30 dias.

(2) ATENÇÃO: Esses dois prazos podem ser duplicados.


Ou seja, podemos chegar a 60 dias para o réu preso e a 180 dias
para o réu solto.

OBS.: em IP sobre Drogas dificilmente vamos ter réu


solto.

(3) CUIDADO: como a lei não distingue, esse prazo fica


valendo para réu solto e réu preso.

14. CONCLUSAO DO IP:

Vai se dar através da elaboração de um Relatório da


autoridade policial  subscrito pelo Delegado de Polícia.

Objetivos do Relatório:

- Deve ser uma peça essencialmente descritiva.

- Deve a autoridade policial evitar fazer qualquer juízo 


esse juízo de valor, quem tem que fazer é o titular da ação penal.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 33
LFG_2º Semestre_2009

- Na medida em que o próprio IP é dispensável, podemos


a concluir que o relatório também é uma peça dispensável.

Concluído o IP, elaborado o relatório, de acordo com o


CPP, o IP vai ser remetido para o Poder Judiciário.

CUIDADO: Em alguns Estados da Federação, por força


de Portarias dos TJ's, o IP já é remetido diretamente ao órgão do MP
- Centrais de Inquérito -.

É o que acontece no Paraná, Bahia, RJ, Ceará, por


exemplo.

OBS.: Uma das propostas de leis que tramitam no


Congresso vai consagrar essa regra da remessa direta do IP ao
órgão do MP.

Vamos trabalhar com a regra do CPP - IP indo para


o Judiciário:
Judiciário

Chegando ao Poder Judiciário - duas possibilidades:

1°) Se o crime for de ação penal pública  o juiz abre


vista ao MP;

2°) Se o crime for de ação penal privada  o juiz


determina que os autos permaneçam em cartório aguardando a
iniciativa da vítima.

VISTA AO MP - POSSIBILIDADES:
POSSIBILIDADES

1a) Oferecer denúncia;

2a) Requerimento de diligências  desde que


indispensáveis ao oferecimento da denúncia.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 34
LFG_2º Semestre_2009

Ver art. 16/CPP.

Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à autoridade policial,
senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.

3a) Promoção de Arquivamento;

4a) Argüição a incompetência do juízo - por exemplo,


você é promotor estadual e vê que o crime é federal  você vai
pedir a remessa para um juiz federal.

5a) Suscitar um conflito de competência ou um


conflito de atribuições  é diferente da argüição de
incompetência; aqui os autos chegaram de outro juízo e você
suscita o conflito dizendo não ser o competente.

OBS. Oferecimento da denúncia vai ser vista junto com


Ação Penal.

2a) REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIAS:


DILIGÊNCIAS

Quando o MP pede essas diligências ele sempre solicita a


remessa dos autos à autoridade policial.

 E se o juiz indeferir essa remessa dos autos à


autoridade policial?

a) O remédio correto seria a correição parcial,


geralmente prevista nos Regimentos Internos (isso é o que vamos
colocar na prova).

b) Requisitar diretamente à autoridade policial a


realização das diligencias, ou seja, ao invés de pedir ao juiz que
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 35
LFG_2º Semestre_2009

requisite as diligências, o promotor tem esse poder, a Constituição


lhe garante esse poder.

São essas duas possibilidades.

4) CONFLITO DE COMPETÊNCIA:
COMPETÊNCIA

O Conflito de competência pode ser de duas espécies:

- POSITIVO  é raríssimo. Dois ou mais juízes


entendem-se competentes para a causa.

- NEGATIVO  Dois ou mais juízes consideram-se


incompetentes para o julgamento da causa. É o mais comum.

Está no art. 114/CPP  usa a expressão conflito de


"jurisdição"; tecnicamente essa expressão não é correta porque a
jurisdição é una.

Art. 114. Haverá conflito de jurisdição:


I - quando duas ou mais autoridades judiciárias se considerarem competentes, ou incompetentes, para
conhecer do mesmo fato criminoso;
II - quando entre elas surgir controvérsia sobre unidade de juízo, junção ou separação de processos.

Hipótese:

Juiz Estadual + Juiz Federal = Conflito negativo  na hora


de decidir o tribunal é obrigado a remeter para um desses dois
suscitados ou ele pode remeter para um 3° juiz?

 CUIDADO: Ao decidir um conflito de competência


nada impede que o tribunal remeta os autos a um terceiro juízo
não envolvido no conflito.

Os Manuais não abordam isso porque é raríssimo de


acontecer.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 36
LFG_2º Semestre_2009

QUEM DECIDE CONFLITO DE COMPETÊNCIA?

 TJ/SP X Juiz estadual de SP - quem decide conflito entre

eles?

O TJ é o órgão jurisdicional superior ao juiz estadual.


Como entrar em conflito com seu superior hierárquico? Nesse
exemplo não existe conflito de competência. Se temos um
órgão hierarquicamente superior, não podemos falar em conflito de
competência.

1ª Hipótese:

1) Juiz estadual/SP X Juiz federal/SP  juiz est.


subordinado ao TJ/SP; o juiz fed. subordinado ao TRF = não pode ser
nenhum deles. Subimos na hierarquia  será o STJ que é
superior aos dois.

 PEGADINHA: o juiz estadual  de acordo com o art.


109, § 3°/CF, existe a possibilidade de que esse juiz estadual esteja
exercendo competência federal delegada. Isso acontece, por
exemplo, nas causas previdenciárias.

Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:

§ 3º - Serão processadas e julgadas na justiça estadual, no foro do domicílio dos segurados ou


beneficiários, as causas em que forem parte instituição de previdência social e segurado, sempre que a
comarca não seja sede de vara do juízo federal, e, se verificada essa condição, a lei poderá permitir que
outras causas sejam também processadas e julgadas pela justiça estadual.

Quando houver conflito de competência estando esse juiz


estadual no exercício de competência federal delegada, ele
estará subordinado ao TRF. Portanto, nesse caso serão dois
juízes federais - quem decidirá será o TRF da 3a Região (SP).

2ª Hipótese:
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 37
LFG_2º Semestre_2009

Juiz Fed./SP X STM  sempre que houver um Tribunal


Superior envolvido, a competência será do STF.

CONFLITO DE ATRIBUIÇÕES:
ATRIBUIÇÕES

Enquanto o conflito de competência é o conflito que se


estabelece entre dois órgãos jurisdicionais, o conflito de
atribuições vai se dar entre órgãos do MP.

OBS: Isso hoje é muito comum em virtude de as


investigações estarem sendo feitas pelo MP.

Quem decide conflito de atribuições?

1) MP/SP X MP/SP = PGJ  conflito entre membros do


mesmo Estado = Procurador Geral de Justiça.

2) MPF/SP X MPF/RJ = Câmara de Coordenação e


Revisão do MPF  conflito entre órgãos do MP Federal = quem
decide é essa Câmara com recurso para o PGR (Proc. Geral da
República).

3) MP Militar X MPF  PGR

 OBS: Cuidado que o MPU (MP da União) é composto


por 4 ramos:

MPF

MPM (Militar)
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 38
LFG_2º Semestre_2009

MPDFT (DF e Territórios)

MPT (Trabalho)

4) MP/CE X MP/BA ou MPF X MP/RS  Prevalece


com vários julgados que a competência será do STF.

Fundamento: art. 102, I, "f"/CF.

Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-
lhe:

I - processar e julgar, originariamente:

f) as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o Distrito Federal, ou entre uns e
outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta;

Ver dois julgados: PET 3528 (STF); ACO (STF) 1179.

Pet 3528 / BA - Min. MARCO AURÉLIO

COMPETÊNCIA - CONFLITO DE ATRIBUIÇÕES - MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL VERSUS


MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. Compete ao Supremo a solução de conflito de atribuições a
envolver o Ministério Público Federal e o Ministério Público Estadual. CONFLITO NEGATIVO DE
ATRIBUIÇÕES - MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL VERSUS MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL - ROUBO E
DESCAMINHO. Define-se o conflito considerado o crime de que cuida o processo. A circunstância de,
no roubo, tratar-se de mercadoria alvo de contrabando não desloca a atribuição, para denunciar,
do Ministério Público Estadual para o Federal.

ACO 1179 / PB - Min. ELLEN GRACIE

DIREITO PROCESSUAL PENAL. CONFLITO NEGATIVO DE ATRIBUIÇÕES.


CARACTERIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DO STF. POSSÍVEL CRIME DE DESACATO CONTRA JUIZ DO
TRABALHO. FATO OCORRIDO EM RAZÃO DE SUA FUNÇÃO. ART. 331, CP. 1. Suposto conflito de
atribuições entre membros do Ministério Público do Estado da Paraíba e do Ministério Público
Federal, relacionados aos fatos investigados no procedimento investigatório instaurado pela
Procuradoria da República em Campina Grande/PB. 2. Com fundamento no art. 102, I, f, da
Constituição da República, deve ser conhecido o presente conflito de atribuição entre os membros
do Ministério Público do Estado da Paraíba e do Ministério Público Federal diante da competência
do Supremo Tribunal Federal para julgar conflito entre órgãos de Estados-membros diversos. 3. O
juiz federal de Campina Grande reconheceu, expressamente, que a competência para eventual ação
penal é da justiça federal e, por isso, realmente não há que se cogitar de conflito de jurisdição (ou
de competência), mas sim de conflito de atribuições. 4. Servidora da Justiça do Trabalho Maria do
Socorro teria tentado se valer de sua função pública, baseada na ordem de serviço referida, para
não se submeter à fila existente no local, ocasião em que o juiz do trabalho também resolveu fazer
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 39
LFG_2º Semestre_2009

o mesmo. Assim, no momento em que a servidora afirmou que o juiz somente mandava "no seu
gabinete, aqui deve ser tratado como cidadão comum...", manifestou desprestígio à função pública
exercida pelo magistrado, revelando nexo causal entre a conduta e a condição de juiz do trabalho
da suposta vítima. 5. Em tese, houve infração penal praticada em detrimento do interesse da União
(CF, art. 109, IV), a atrair a competência da justiça federal. 6. Atribuição do Ministério Público
Federal para funcionar no procedimento, exercitando a opinio delicti. 7. Entendimento original da
relatora, em sentido oposto, abandonado para participar das razões prevalecentes. 8. Conflito não
conhecido, determinando-se a remessa dos autos ao Superior Tribunal de Justiça.

15. ARQUIVAMENTO DO IP:

OBS: Tema muito importante para provas de


MP/Delegado.

Trata-se de uma decisão judicial, mediante requerimento


do MP.

A autoridade judiciária é quem vai determinar o


arquivamento do IP mediante requerimento do MP.

Cabe arquivamento do IP em crime de ação penal


privada?

Em tese cabível é; podemos imaginar que o ofendido faça


um pedido de arquivamento, mas alguém vítima de um crime de
ação penal privada vai pedir isso?

Porém podemos dizer que o arquivamento do IP pode


acontecer por:

requerimento do MP;

requerimento do ofendido.

Juiz não pode, jamais, arquivar IP de ofício, pois não


sendo ele o titular da ação penal, não pode agir de ofício.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 40
LFG_2º Semestre_2009

Da mesma forma o MP não pode arquivar o IP, precisa


submeter à decisão judicial.

FUNDAMENTOS PARA O ARQUIVAMENTO DO IP:


IP

1) Atipicidade da conduta:

Ex.: Princípio da Insignificância; STF - decidiu que a "cola


eletrônica" não é crime: não é estelionato e também não seria
falsidade.

2) Excludente da ilicitude:

 CUIDADO: a regra, em relação ao MP, é sempre o


Princípio do In dubio pro societate  se o promotor está na
dúvida se houve ou na a conduta = o promotor deve oferecer a
denúncia; só se estiver plenamente convencido da excludente é
que ele deve pedir o arquivamento.

3) Excludente de culpabilidade:

Por exemplo, coação moral irresistível, inexigibilidade de


conduta diversa, salvo nos casos de inimputabilidade - esses têm
que ser denunciados para serem submetidos à Medida de
Segurança.

4) Presente uma Causa extintiva da punibilidade.

5) Ausência de Elementos de Informação quanto à


autoria e à materialidade: 99% dos casos de arquivamento
decorrem daqui e geralmente o problema é a autoria.

COISA JULGADA E O ARQUIVAMENTO:


ARQUIVAMENTO
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 41
LFG_2º Semestre_2009

Importante diferenciarmos a CJ Formal da CJ Material. CJF


- é a imutabilidade da decisão no processo em que foi proferida.

CJM - torna a decisão imutável fora do processo no qual a


decisão proferida.

 Cuidado - houve decisão recente do STF que modificou


um entendimento já pacificado - os livros podem estar
desatualizados.

Tipos de Arquivamento e CJ:

1) Atipicidade da conduta  CJF e M;

2) Excludente de ilicitude  CJFM = sempre foi esse o


posicionamento da doutrina e da jurisprudência. Todavia,
CUIDADO porque recentemente em fev ou março desse ano o STF
entendeu que arquivamento com base em excludente da
ilicitude só faz CJF.

A relevância dessa discussão: surgindo novas provas, a


denúncia pode ser oferecida.

HC - 95211

O Min. Ricardo Lewandowski suscitou questão de ordem no sentido de que os autos fossem
deslocados ao Plenário, porquanto transpareceria que as informações as quais determinaram a reabertura
do inquérito teriam se baseado em provas colhidas pelo próprio Ministério Público. Contudo, a Turma
entendeu, em votação majoritária, que, antes, deveria apreciar matéria prejudicial relativa ao fato de se
saber se a ausência de ilicitude configuraria, ou não, coisa julgada material, tendo em conta que o ato
de arquivamento ganhara contornos absolutórios, pois o paciente fora absolvido ante a constatação da
excludente de antijuridicidade (estrito cumprimento do dever legal). Vencido, no ponto, o Min. Ricardo
Lewandowski que, ressaltando o contexto fático, não conhecia do writ por julgar que a via eleita não seria
adequada ao exame da suposta prova nova que motivara o desarquivamento. No mérito, também por
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LFG_2º Semestre_2009

maioria, denegou-se a ordem. Aduziu-se que a jurisprudência da Corte seria farta quanto ao caráter
impeditivo de desarquivamento de inquérito policial nas hipóteses de reconhecimento de
atipicidade, mas não propriamente de excludente de ilicitude. Citando o que disposto no aludido
Verbete 524 da Súmula, enfatizou-se que o tempo todo fora afirmado, desde o Ministério Público capixaba
até o STJ, que houvera novas provas decorrentes das apurações. Ademais, observou-se que essas novas
condições não afastaram o fato típico, o qual não fora negado em momento algum, e sim a ilicitude que
inicialmente levara a esse pedido de arquivamento. Vencidos os Ministros Menezes Direito e Marco
Aurélio que deferiam o habeas corpus por considerar que, na espécie, ter-se-ia coisa julgada
material, sendo impossível reabrir-se o inquérito independentemente de outras circunstâncias. O
Min. Marco Aurélio acrescentou que nosso sistema convive com os institutos da justiça e da segurança
jurídica e que, na presente situação, este não seria observado se reaberto o inquérito, a partir de preceito
que encerra exceção (CPP, art. 18). HC 95211/ES, rel. Min. Cármen Lúcia, 10.3.2009. (HC-95211)

3) Excludente da culpabilidade  CJFM - Doutrina


majoritária.

4) Causa extintiva da punibilidade  cuidado porque


tecnicamente falando não há análise do mérito. Todavia,
reconhecida a presença de uma causa extintiva da punibilidade
esse IP NÃO PODE SER REABERTO.

E no caso de certidão de óbito falsa?

Para concurso defender: para o STF como a decisão se


baseou em fato juridicamente inexistente, nada impede

5) Ausência de elementos de informação  CJF. Se


conseguir prova nova, posso continuar.

PROVAS NOVAS :

Prova nova é aquela substancialmente inovadora, ou


seja, aquela capaz de produzir uma alteração do contexto
probatório.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 43
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Surgindo provas novas o MP pode dar início à ação penal.


Ver Súmula 524/STF - vai trabalhar exatamente com isso.

 Cuidado, para que o MP dê início à ação penal ele


precisa de provas novas, mas e para que ocorra o
desarquivamento do IP, o que é preciso?

É preciso da notícia de provas novas. Para o


desarquivamento basta a notícia de prova nova, para a ação penal
preciso mesmo da prova nova. Ver HC 84186 e HC 80560.

HC 80560 / GO - Min. SEPÚLVEDA PERTENCE

EMENTA: Inquérito policial: decisão que defere o arquivamento: quando faz coisa
julgada. A eficácia preclusiva da decisão que defere o arquivamento do inquérito policial, a pedido
do Ministério Público, é similar à daquela que rejeita a denúncia e, como a última, se determina em
função dos seus motivos determinantes, impedindo " se fundada na atipicidade do fato " a
propositura ulterior da ação penal, ainda quando a denúncia se pretenda alicerçada em novos
elementos de prova. Recebido o inquérito " ou, na espécie, o Termo Circunstanciado de Ocorrência "
tem sempre o Promotor a alternativa de requisitar o prosseguimento das investigações, se entende
que delas possa resultar a apuração de elementos que dêem configuração típica ao fato (C.Pr.Penal,
art. 16; L. 9.099/95, art. 77, § 2º). Mas, ainda que os entenda insuficientes para a denúncia e opte pelo
pedido de arquivamento, acolhido pelo Juiz, o desarquivamento será possível nos termos do art. 18
da lei processual. O contrário sucede se o Promotor e o Juiz acordam em que o fato está
suficientemente apurado, mas não constitui crime. Aí " a exemplo do que sucede com a rejeição da
denúncia, na hipótese do art. 43, I, C.Pr.Penal " a decisão de arquivamento do inquérito é definitiva e
inibe que sobre o mesmo episódio se venha a instaurar ação penal, não importa que outros
elementos de prova venham a surgir posteriormente ou que erros de fato ou de direito hajam
induzido ao juízo de atipicidade.

O arquivamento com base na ausência de elementos de


informação é feita com base na cláusula rebus sic stantibus, ou
seja, modificado o panorama probatório é possível o
desarquivamento do IP.
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16. PROCEDIMENTO DO
ARQUIVAMENTO:

Esse procedimento varia de acordo com a Justiça.

1°) JUSTICA ESTADUAL:


ESTADUAL

MP  juiz = promotor vai fazer a sua promoção de


arquivamento (pedido) endereçada ao juiz.

Imaginemos que o juiz não concorde com o arquivamento


e determine a realização de diligencias. É correto?

Não, o juiz não pode, na fase investigatória, ficar


determinando a realização de diligencias. Ao juiz, na fase
investigatória, reserva-se um papel distante.

Ao juiz não é dado determinar a realização de diligencias


em caso o faça, o caminho é o promotor ingressar com uma
correição parcial contra o magistrado; trata-se de um ato abusivo.

Pedido o arquivamento - possibilidades:

a) caso o juiz concorde cm o pedido de arquivamento vai


se dar a homologação e o IP será arquivado.

b) Juiz discorda do pedido de arquivamento --> vamos


usar o art. 28 do CPP - determina a remessa dos autos ao PGJ. Caso
o juiz não concorde com o arquivamento  remete ao PGJ.

Aqui se aplica o princípio chamado de Princípio da


Devolução  caso o juiz não concorde com o pedido de
arquivamento, cabe a ele devolver a apreciação do caso à Chefia
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 45
LFG_2º Semestre_2009

do MP, ao qual compete a decisão final sobre o oferecimento


ou não da denúncia.

Quando o juiz remete os autos ao PGJ, ele não deixa de


exercer uma função anômala de fiscal do princípio da
obrigatoriedade - CUIDADO -. 

Chegando os autos ao PGJ - Possibilidades:

1a) Oferecer denúncia

2a) Requisitar diligencias

3a) Designar outro órgão do MP para oferecer


denúncia - cuidado  o  PGJ não pode obrigar aquele
promotor que pediu o arquivamento a oferecer denúncia porque ele
estaria violando a sua independência funcional.

Esse outro órgão do MP é obrigado a oferecer a denúncia?

Para a maioria da doutrina ele age por delegação, é


longa manus do PGJ e por isso ele é obrigado a oferecer
denúncia.

Na prática isso é resolvido como o famoso "promotor do


28" = promotor que atua diretamente com o PGJ e sempre que o
PGJ tem que designar alguém, designa esse.

4a) Insistir no arquivamento  hipótese na qual o juiz


está obrigado a arquivar.

Ver o art. 28/CPP.

Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o


arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar
improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral,
e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no
pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 46
LFG_2º Semestre_2009

Ver julgado STF HC 92885.

HC 92885 / CE - Min. CÁRMEN LÚCIA

EMENTA: HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. CRIME DE HOMICÍDIO


QUALIFICADO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DO PROMOTOR NATURAL E DE
AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA PARA O OFERECIMENTO DA DENÚNCIA. INEXISTÊNCIA DE
CONSTRANGIMENTO ILEGAL. 1. Nenhuma afronta ao princípio do promotor natural há no pedido de
arquivamento dos autos do inquérito policial por um promotor de justiça e na oferta da denúncia por
outro, indicado pelo Procurador-Geral de Justiça, após o Juízo local ter considerado improcedente o
pedido de arquivamento. 2. A alegação de falta de justa causa para o oferecimento da primeira
denúncia foi repelida pelo Tribunal de Justiça estadual, sendo acatada tão-somente a tese de sua
inépcia. 3. Não se pode trancar a segunda denúncia, quando descritos, na ação penal,
comportamentos típicos, ou seja, quando factíveis e manifestos os indícios de autoria e
materialidade delitivas. Precedentes. 4. Habeas corpus indeferido.

2) JUSTIÇA FEDERAL / MILITAR DA UNIÃO E JUSTIÇA


DO DF:

Aqui tem uma peculiaridade porque quem vai atuar é o


MPF (Procuradores da República); no MPM - Promotores e
Procuradores da Justiça Militar; DF - MPDFT (Promotores do DF e
Territórios).

Nessas situações não vamos ter o PGJ para remeter os


autos.

Imaginemos um Procurador da República (MPF) formula


uma promoção de arquivamento submetida a um juiz federal.

Se o juiz não concordar a remessa dos autos será para a


Câmara de Coordenação e Revisão do MPF. CUIDADO  essa
Câmara vai se manifestar de maneira opinativa, ou seja, ela é
ouvida e dá seu parecer, mas essa não é a decisão final porque
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 47
LFG_2º Semestre_2009

depois os autos são remetidos ao PGR a quem compete a


decisão final.

Justiça Militar da União:

Promotor da JMU  promoção de arquivamento ao juiz-


auditor. Se o juiz-auditor discorda  remete os autos à Câmara de
Coordenação e Revisão do MPM. Essa Câmara vai dar um parecer
opinativo. A decisão final é do Procurador Geral da Justiça
Militar.

Peculiaridade - cuidado: caso o juiz-auditor concorde


com o pedido de arquivamento  é obrigado a remeter os autos ao
Juiz-Auditor Corregedor. Esse JAC pode concordar. Caso ele
concorde com o arquivamento  arquiva-se o IP.

Se o JAC não concordar com o arquivamento ele pode


fazer uma representação (é um recurso) ao STM. O STM pode
concordar com o arquivamento = arquiva-se o IP.

Se o STM der provimento a esse recurso, significa dizer


que ele não concordou com o arquivamento, ele determina a
remessa à Câmara de Coordenação e Revisão do MPM. A Câmara
vai dar sua opinião - parecer opinativo - após o que os autos são
remetidos ao PGJM a quem compete a decisão final.

3) JUSTIÇA ELEITORAL:

OBS: Não temos um órgão próprio de MP Eleitoral. Nas


comarcas do interior quem atua é o MP Estadual.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 48
LFG_2º Semestre_2009

Caso o juiz eleitoral não concorde com o pedido de


arquivamento, fará a remessa dos autos ao Procurador Regional
Eleitoral, que é um Procurador Regional da República atuando
perante o TRE.

4) Arquivamento nas Hipóteses de Atribuição


Originaria do PGJ ou PGR:

Se a decisão de arquivamento se der por parte do


PGJ/PGR (nas hipóteses de atribuição originaria ou quando se tratar
de insistência de arquivamento) não será necessário submeter
essa decisão ao respectivo tribunal.

Como não há a intervenção do Judiciário, nesse caso


teremos uma mera decisão administrativa

Dois julgados: STF Inq 2054 e STJ HC 64564.

No caso de decisão do PGJ - cuidado - cabe pedido de


revisão ao Colégio de Procuradores (órgão estruturado no
âmbito do MPE) a quem compete a decisão final sobre o assunto -
art. 12, XI da Lei 8625/93 (LONMP).

17. ARQUIVAMENTO IMPLÍCITO:


PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 49
LFG_2º Semestre_2009

Por exemplo, no IP há dois suspeitos Tício e Mévio; na


hora da denúncia o promotor só denuncia Tício e nada fala sobe o
Mévio - doutrina diz que isso é arquivamento implícito.

Não é admitido; não podemos admitir que uma


manifestação do MP não seja fundamentada.

Arquivamento Implícito  ocorre quando o titular da


ação penal deixa de incluir na denúncia algum fato investigado
(arquivamento implícito objetivo) ou algum dos indiciados
(arquivamento implícito subjetivo), sem expressa manifestação
ou justificativa desse procedimento.

Não é admitido pela doutrina e jurisprudência,


cabendo ao juiz devolver os autos ao MP para que se manifeste de
maneira fundamentada, sob pena de aplicação do art. 28/CPP.

18. ARQUIVAMENTO INDIRETO:

Ocorre quando o juiz diante do não oferecimento de


denúncia por parte do MP fundado em razoes de incompetência
recebe essa manifestação (de incompetência) como se tratasse de
um arquivamento, aplicando por analogia o art. 28/CPP.

19. RECURSOS CABIVEIS NAS HIPOTESES DE


ARQUIVAMENTO:

1a) Art. 12, XI - Lei 8625/93 - LONMP  Colégio de


Procuradores;
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LFG_2º Semestre_2009

Art. 12 - O Colégio de Procuradores de Justiça é composto por todos os Procuradores de Justiça,


competindo-lhe:
XI - rever, mediante requerimento de legítimo interessado, nos termos da Lei Orgânica, decisão de
arquivamento de inquérito policial ou peças de informação determinada pelo Procurador-Geral de
Justiça, nos casos de sua atribuição originária;

2a) Art. 7° da Lei 1521/51 (Crimes contra a Economia


Popular ou contra a Saúde Pública)  recurso de ofício, ou seja,
sempre que o juiz arquiva um IP contra esses crimes, ele precisa
submeter a sua decisão ao seu superior hierárquico.

Art. 7º. Os juízes recorrerão de ofício sempre que absolverem os acusados em processo por crime
contra a economia popular ou contra a saúde pública, ou quando determinarem o arquivamento dos autos
do respectivo inquérito policial.

3a) Contravenções do jogo do bicho e corridas de cavalos


fora do hipódromo  recurso em sentido estrito = art. 6°, PU da
Lei 1508/51.

Art. 6º Quando qualquer do povo provocar a iniciativa do Ministério Público, nos têrmos do Art. 27 do Código
do Processo Penal, para o processo tratado nesta lei, a representação, depois do registro pelo distribuidor
do juízo, será por êste enviada, incontinenti, ao Promotor Público, para os fins legais.

Parágrafo único. Se a representação fôr arquivada, poderá o seu autor interpôr recurso no
sentido estrito.

Esses são os recursos. Em regra podemos concluir que a


decisão de arquivamento é irrecorrível, salvo nessas hipóteses
acima.

20. TRANCAMENTO DO IP:

É uma medida de natureza excepcional, somente sendo


possível nas seguintes hipóteses:

1a) Quando estiver extinta a punibilidade.


PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 51
LFG_2º Semestre_2009

2a) Quando ficar evidenciada a atipicidade formal ou


material da conduta. Ex: cola eletrônica não é crime para o STF -
não podemos instaurar IP para apurar o que não é crime.

3a) Quando não houver quaisquer indícios iniciais acerca


da prática de um crime (STF - HC 89398).

HC 89398 / SP - Min. CÁRMEN LÚCIA

EMENTA: HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. AUTORIDADE COATORA.


PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SUSPENSÃO DE ATOS
INVESTIGATÓRIOS. MATÉRIA JORNALÍSTICA. INEXISTÊNCIA DE COAÇÃO OU AMEAÇA DE COAÇÃO.
PRECEDENTES. HABEAS CORPUS DENEGADO. 1. O presente habeas corpus, que visa ao trancamento
de eventual inquérito e ação penal, não se justifica, quando se cuida de fatos simplesmente
noticiados em reportagens jornalísticas sem referência a ato da autoridade tida como coatora. O
trancamento de inquéritos e ações penais em curso - o que não se vislumbra na hipótese dos autos
- só é admissível quando verificadas a atipicidade da conduta, a extinção da punibilidade ou a
ausência de elementos indiciários demonstrativos de autoria e prova da materialidade.
Precedentes. 2. O Ministério Público é o órgão competente constitucionalmente para o desempenho
da persecução penal, e não há constrangimento ilegal algum na eventual apreciação de
documentos fornecidos ao Procurador-Geral da República pela Comissão Parlamentar de Inquérito.
Ainda que se considerasse a possibilidade concreta e verdadeiramente iminente de instauração de
procedimento criminal contra o Paciente, o que não se dá na espécie, é certo que a autoridade
coatora não seria o Procurador-Geral da República, mas sim autoridade policial ou mesmo órgão
ministerial atuante na primeira instância, em razão de fazer jus o Paciente a foro especial, nem se
enquadrar em circunstâncias outras capazes de atrair a atuação direta do chefe do Ministério
Público Federal. Precedentes. 3. Habeas corpus denegado.

21. INVESTIGACAO PELO MP:

Magistratura - dizer que é possível porque essa tem sido


a opinião dos tribunais.

Argumentos Argumentos favoráveis


Contrários
- Atenta contra o - Teoria/Doutrina dos
sistema acusatório: a partir doPoderes Implícitos - surgida na
momento que você possibilitaSuprema Corte Americana em um
que o MP investigue cria umprecedente de 1819 (MCc Culloch X
desequilíbrio entre acusação eMaryland) --> a Constituição, ao
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 52
LFG_2º Semestre_2009

defesa. conceder uma atividade-fim a


determinado órgão ou instituição,
implícita e simultaneamente
concede a ele todos os meios
necessários para atingir aquele
objetivo. Ver Info 538 do STF - HC
91661.
- MP é dotado do - Polícia judiciária não se
poder de requisição. Sendoconfunde com polícia investigativa.
assim, cabe ao MP requisitarSomente as funções de polícia
diligencias ou, se entenderjudiciária é que são exercidas com
necessário, requisitar aexclusividade pelas polícias
instauração de IP. Porem, o MPestaduais e federal. Polícia
não pode presidir um IP. Ainvestigativa não é exclusiva - veja
presidência do IP é atribuiçãoCOAF, CPI e MP.
exclusiva da polícia judiciária.
- Falta de previsão - Procedimento
legal e instrumento para aInvestigatório Criminal
investigação. (regulamentado pelo CNMP -
Resolução n° 13)  é o instrumento
de natureza administrativa e
inquisitorial, instaurado e presidido
por um membro do MP com
atribuição criminal, e terá como
finalidade apurar a ocorrência de
infrações penais de natureza
pública, fornecendo elementos para
o oferecimento ou não de denúncia.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 53
LFG_2º Semestre_2009

PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO: O procedimento


investigatório criminal é o mesmo procedimento do IP, mas
presidido pelo MP.

CONCLUSAO DO IP: Três possibilidades:

1a) Denúncia;

2a) Arquivamento;

3a) Declinação de atribuição, por exemplo, vê que é um


crime de competência de outra Justiça.

 Cuidado, essa decisão arquivamento deve ser


submetida a alguém?

Caso o órgão do MP conclua pelo arquivamento, sua


promoção será submetida ao juízo competente, na forma do art. 28,
ou ao órgão superior interno.

Posição da Jurisprudência:

Para o STJ é perfeitamente possível a investigação pelo


MP - ver Súmula 234/STJ.

Súmula: 234
A participação de membro do Ministério Público na fase investigatória criminal não acarreta
o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia.

O STF já vem admitindo o recebimento de denúncia com


base em elementos colhidos em inquérito civil presidido pelo MP
(RE 464893; HC 91661 = último julgado do Supremo sobre o
assunto).

RE 464893 / GO - Min. JOAQUIM BARBOSA


PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 54
LFG_2º Semestre_2009

EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PENAL. PROCESSUAL PENAL. MINISTÉRIO


PÚBLICO. OFERECIMENTO DE DENÚNCIA COM BASE EM INQUÉRITO CIVIL PÚBLICO. VIABILIDADE.
RECURSO DESPROVIDO. 1. Denúncia oferecida com base em elementos colhidos no bojo de
Inquérito Civil Público destinado à apuração de danos ao meio ambiente. Viabilidade. 2. O
Ministério Público pode oferecer denúncia independentemente de investigação policial, desde que
possua os elementos mínimos de convicção quanto à materialidade e aos indícios de autoria, como
no caso (artigo 46, §1°, do CPP). 3. Recurso a que se nega provimento.

HC 91661 / PE - Min. ELLEN GRACIE

HABEAS CORPUS. TRANCAMENTO DE AÇÃO PENAL. FALTA DE JUSTA CAUSA.


EXISTÊNCIA DE SUPORTE PROBTATÓRIO MÍNIMO. REEXAME DE FATOS E PROVAS.
INADMISSIBILIDADE. POSSIBLIDADE DE INVESTIGAÇÃO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. DELITOS
PRATICADOS POR POLICIAIS. ORDEM DENEGADA. 1. A presente impetração visa o trancamento de
ação penal movida em face dos pacientes, sob a alegação de falta de justa causa e de ilicitude da
denúncia por estar amparada em depoimentos colhidos pelo ministério público. 2. A denúncia foi
lastreada em documentos (termos circunstanciados) e depoimentos de diversas testemunhas, que
garantiram suporte probatório mínimo para a deflagração da ação penal em face dos pacientes. 3.
A alegação de que os pacientes apenas cumpriram ordem de superior hierárquico ultrapassa os
estreitos limites do habeas corpus, eis que envolve, necessariamente, reexame do conjunto fático-
probatório. 4. Esta Corte tem orientação pacífica no sentido da incompatibilidade do habeas corpus
quando houver necessidade de apurado reexame de fatos e provas (HC nº 89.877/ES, rel. Min. Eros
Grau, DJ 15.12.2006), não podendo o remédio constitucional do habeas corpus servir como espécie
de recurso que devolva completamente toda a matéria decidida pelas instâncias ordinárias ao
Supremo Tribunal Federal. 5. É perfeitamente possível que o órgão do Ministério Público promova a
colheita de determinados elementos de prova que demonstrem a existência da autoria e da
materialidade de determinado delito. Tal conclusão não significa retirar da Polícia Judiciária as
atribuições previstas constitucionalmente, mas apenas harmonizar as normas constitucionais (arts.
129 e 144) de modo a compatibilizá-las para permitir não apenas a correta e regular apuração dos
fatos supostamente delituosos, mas também a formação da opinio delicti. 6. O art. 129, inciso I, da
Constituição Federal, atribui ao parquet a privatividade na promoção da ação penal pública. Do seu
turno, o Código de Processo Penal estabelece que o inquérito policial é dispensável, já que o
Ministério Público pode embasar seu pedido em peças de informação que concretizem justa causa
para a denúncia. 7. Ora, é princípio basilar da hermenêutica constitucional o dos "poderes
implícitos", segundo o qual, quando a Constituição Federal concede os fins, dá os meios. Se a
atividade fim - promoção da ação penal pública - foi outorgada ao parquet em foro de
privatividade, não se concebe como não lhe oportunizar a colheita de prova para tanto, já que o
CPP autoriza que "peças de informação" embasem a denúncia. 8. Cabe ressaltar, que, no presente
caso, os delitos descritos na denúncia teriam sido praticados por policiais, o que, também, justifica
a colheita dos depoimentos das vítimas pelo Ministério Público. 9. Ante o exposto, denego a ordem
de habeas corpus.

3ª Aula - 25/08/09

PONTO 2:
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 55
LFG_2º Semestre_2009

AÇÃO PENAL
PERSECUÇÃO CRIMINAL: Conjunto de atividades
desenvolvidas pelo Estado a fim de alguém seja processado
criminalmente.

Duas fases:

1ª – Fase Investigatória

2ª – Fase Processual

Fato Ação Penal

Delituoso F. Investigatória F. Processual

DIREITO PENAL  é o direito de pedir a tutela


jurisdicional relacionada a um caso concreto.

CARACTERÍSTICAS:

1ª) Direito Público  a atividade jurisdicional que se


pretende provocar é de natureza pública.

 Obs.: Numa prova evitem a expressão “ação privada”


porque a ação penal é pública. O melhor é dizer “ação penal de
iniciativa privada”.

 Cuidado – você propõe a ação em relação a alguém


e não contra esse alguém porque a ação penal é contra o Estado.

2ª) Trata-se de um direito subjetivo  o titular tem o


direito de exigir a prestação jurisdicional.

3ª) Direito autônomo  não se confunde com o direito


material que se pretende tutelar.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 56
LFG_2º Semestre_2009

4ª) Direito de ação também tem caráter abstrato 


independe da procedência ou improcedência do pedido.

5ª) Direito específico  porque relacionado a um caso


concreto.

PONTO 3:

CONDIÇÕES DA AÇÃO PENAL


Essas condições são necessárias para o exercício regular
do direito de ação.

Subdividem-se em duas espécies:

CONDIÇÕES GENÉRICAS  são aquelas que devem estar


presentes em toda ação penal.

CONDIÇÕES ESPECÍFICAS  vai depender da espécie de crime.


Portanto, presentes em algumas ações penais.

CONDIÇÕES GENÉRICAS: Duas correntes:

1ª) Corrente Conservadora:

Influenciada pela Escola Paulista. Busca trazer condições


semelhantes entre o processo civil e o processo penal. Está sendo
cada vez mais criticada. Trazida pela Ada Pellegrini Grinover.

- POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO  o pedido formulado


deve encontrar amparo no ordenamento jurídico, ou seja, deve se
referir a uma providência admitida pelo direito objetivo.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 57
LFG_2º Semestre_2009

- LEGITIMIDADE PARA AGIR (legitimatio ad causam)  é a


pertinência subjetiva da ação. Ou seja, se você sai do processo
penal e vai para o processo civil é muito fácil enxergar isso. Por
exemplo, quem pode propor ação de indenização? O prejudicado. A
legitimatio = quem é que pode entrar com a ação. Quem vai ter
legitimidade no pólo ativo? E no pólo passivo?

Pólo Ativo Ação P. Pública MP

Ação P. Privada Ofendido

Exemplo: crime sexual – estupro  a regra sempre foi


ação privada. Todavia, com a mudança na lei, a regra agora é ação
penal pública condicionada à representação. Portanto, hoje, se
uma mulher entra com queixa contra um crime sexual, ela não
possui mais legitimidade para agir.

Pólo Passivo  o provável autor do fato delituoso maior


de 18 anos.

Duas situações:

a) O sujeito diz que não é o autor, que é inocente  isso é


análise de mérito. Exemplo de exame do autor no pólo passivo 
homônimo – por exemplo. João da Silva. No dia do interrogatório
você vê que é outra pessoa. Outro exemplo, carteira de identidade
falsificada  você oferece denúncia contra a pessoa errada.

 PROVA: o MP oferece denúncia contra um


cidadão. No dia do interrogatório percebe-se que se trata de
homônimo. O que fazer?
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 58
LFG_2º Semestre_2009

Para pedir a absolvição você tem que adentrar no mérito,


porém falta ao homônimo a legitimidade para a ação e, portanto,
adentrar ao mérito. Portanto, não é essa a resposta.

Rejeição da denúncia por conta de ilegitimidade do


pólo passivo.

 Mas e se a ação já estiver em andamento?

Pacelli  se você verifica a ausência de uma condição


do processo você pode utilizar o processo civil e decretar a extinção
do processo por ausência de uma condição da ação – art. 267,
VI/CPC.

Cuidado, portanto, porque o CPC pode utilizado em


processo penal subsidiariamente.

 Outro exemplo de prova:

Disputa eleitoral  dois candidatos a senador. Crimes


contra a honra durante a propaganda eleitoral. Crimes contra a
honra  Queixa?

Crimes contra a honra praticados durante a propaganda


eleitoral são crimes eleitorais. Portanto, de ação penal pública
incondicionada. Portanto, em caso de queixa, caberia extinção
por falta de legitimidade passiva.

LEGITIMAÇÃO ORDINÁRIA X LEGITIMAÇÃO


EXTRAORDINÁRIA
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 59
LFG_2º Semestre_2009

LEGITIMAÇÃO ORDINÁRIA  alguém postula em nome próprio


a defesa de um interesse próprio. Essa é a regra. Art. 6º/CPP.

LEGITIMAÇÃO EXTRAORDINÁRIA  Alguém age em nome próprio


na defesa de interesse alheio. Cuidado, aluno costuma dizer que
legitimação extraordinária é o MP em ação penal pública. ERRADO!
Quando a Constituição, no art. 129 coloca a ação penal pública nas
mãos do MP ele é o legitimado ordinário. A ação penal pública,
portanto, é legitimação ordinária.

Exemplos de legitimação extraordinária:

1º) Ação Penal Privada  o direito de punir pertence


ao Estado, mas o próprio Estado transfere a titularidade da ação ao
ofendido. Portanto, a vítima estará defendendo o interesse alheio
pois o direito de punir pertence ao Estado.

2º) Ação Civil Ex Delicto proposta pelo MP em favor de


vítima pobre. Art. 68/CPP.

Art. 68. Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (art. 32, §§ 1o e 2o), a execução
da sentença condenatória (art. 63) ou a ação civil (art. 64) será promovida, a seu requerimento, pelo
Ministério Público.

Essa ação trata de indenização, portanto, interesse


disponível – será que o MP pode oferecer ação em interesse
disponível após a CF/88?

STF  se você declarar o art. 68 inconstitucional você


trará um prejuízo ao cidadão pobre. Portanto, para o STF esse art.
68 é dotado de inconstitucionalidade progressiva, ou seja,
enquanto não houver Defensoria Pública na comarca o MP tem
legitimidade para propor a ação civil ex delicto em favor de vítima
pobre (Ver RE 135328).
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 60
LFG_2º Semestre_2009

 Em que consiste a chamada “LEGITIMAÇÃO ATIVA


CONCORRENTE”?

Mais de uma parte está legalmente autorizada a agir.


Quem entrar primeiro com a ação afasta o outro.

Exemplos:

a) Os casos de sucessão processual  o titular morre e


o direito de prosseguir com a ação será dos sucessores. Art. 31/CPP.

Art. 31. No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão judicial, o direito
de oferecer queixa ou prosseguir na ação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.

A doutrina acrescenta também o companheiro.

Sucessão processual  CCADI (Cônjuge, Companheiro,


Ascendente, Descendente, Irmão).

b) Ação Penal Privada Subsidiária da Pública 


nesta, depois do decurso do prazo do MP, tanto a vítima pode
ingressar com uma queixa subsidiária quanto o MP pode oferecer
denúncia.

c) Crime contra a honra de servidor público em


razão de suas funções  Súmula 714/STF. Não basta ser crime
contra a honra contra o servidor público; tem que ser Propter
Officium = guardar relação com a função pública. Nesse caso,
segundo o STF temos duas opções: ingressar com uma ação penal
pública ou ingressar com uma ação penal pública condicionada à
representação.

SÚMULA Nº 714

É CONCORRENTE A LEGITIMIDADE DO OFENDIDO, MEDIANTE QUEIXA, E DO MINISTÉRIO


PÚBLICO, CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO DO OFENDIDO, PARA A AÇÃO PENAL POR CRIME CONTRA A
HONRA DE SERVIDOR PÚBLICO EM RAZÃO DO EXERCÍCIO DE SUAS FUNÇÕES.
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LFG_2º Semestre_2009

 Colocar um asterisco na Súmula 714. Colocar


“LEGITIMAÇÃO ALTERNATIVA”: para o STF (Inq 1939) se o ofendido
oferecer representação ao MP, escolhendo a via da ação pública,
estará preclusa a instauração de ação penal privada. Por outro
lado, enquanto não oferecida a representação a única via possível é
a ação penal privada, pois o MP depende do implemento da
representação. Portanto, trata-se de hipótese de LEGITIMAÇÃO
ALTERNATIVA.

Inq 1939 / BA - Min. SEPÚLVEDA PERTENCE

EMENTA: I. Ação penal: crime contra a honra do servidor público, propter officium:

legitimação concorrente do MP (LEGITIMAÇÃO ALTERNATIVA), mediante representação do


ofendido, ou deste, mediante queixa: se, no entanto, opta o ofendido pela representação ao MP,
fica-lhe preclusa a ação penal privada: electa una via... II. Ação penal privada subsidiária:
descabimento se, oferecida a representação pelo ofendido, o MP não se mantém inerte, mas requer
diligências que reputa necessárias. III. Processo penal de competência originária do STF:
irrecusabilidade do pedido de arquivamento formulado pelo Procurador-Geral da República, se
fundado na falta de elementos informativos para a denúncia.

Próxima condição da ação:

- INTERESSE DE AGIR: há uma discussão na doutrina =


binômio ou trinômio?

O interesse de agir é composto por:

Necessidade

Adequação

Utilidade
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LFG_2º Semestre_2009

Necessidade  a necessidade é presumida no processo


penal, pois não há pena sem processo, salvo na hipótese dos
Juizados.

Adequação  não é discutida no processo penal, pois a


adequação consiste na simples existência de um processo penal
condenatório.

Utilidade  consiste na eficácia da atividade


jurisdicional para satisfazer o interesse do autor.

 Exemplo campeão: PRESCRIÇÃO VIRTUAL/HIPOTÉTICA/EM


PERSPECTIVA  é uma prescrição que você vê antecipadamente, ou
seja, você olha para o futuro e já percebe que vai dar prescrição.

Exemplo: 10/03/06  crime de furto (art. 155, caput –


pena 1 a 4), à época do fato o agente era menor de 21anos.

Em 25/04/09  IP com vista para o MP.

O agente tem todas as circunstâncias judiciais favoráveis


 pena aplicada (em potencial, olhando para o futuro) = 1ano 
prescrição em 4 anos, todavia, ele era menor de 21 anos 
prescrição em 02 anos.

Ou seja, quando o IP chegou ao MP já havia transcorrido


os dois anos, se o promotor levar adiante o processo, lá na frente
vai ocorrer a prescrição. Portanto, oferecer denúncia é trabalhar à
toa. Também não pode o MP pedir a extinção da punibilidade com
base em prescrição porque esta prescrição virtual não tem previsão
legal.
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Assim, deve o MP pedir o arquivamento dos autos ou a


extinção do processo sem julgamento do mérito em virtude da
ausência de interesse de agir.

 Essa prescrição em perspectiva NÃO É admitida


pelos tribunais superiores – STF e STJ –.

Próxima condição da ação penal:

- JUSTA CAUSA:

O nome a ser lembrado e citado é o do prof. AFRÂNIO


SILVA JARDIM. Ele tem um livro sobre ação penal pública e o
princípio da obrigatoriedade.

JUSTA CAUSA  é um lastro probatório mínimo


indispensável para o início de um processo penal.

O próprio processo penal já é muito degradante, por isso


não se pode admitir acusações infundadas.

Exemplo do Ministro do STJ que estava sendo acusado de


assédio sexual tendo como prova única e exclusivamente a palavra
da vítima – ser a que podemos dar início a uma ação penal só com
isso? O STF entendeu que a palavra da vítima, isoladamente
considerada, não seria suficiente para dar início ao processo.

Na antiga Lei de Imprensa a JUSTA CAUSA vinha prevista de


maneira expressa – art. 44, § 1º –. § 1º A denúncia ou queixa será rejeitada quando não
houver justa causa para a ação penal, bem como nos casos previstos no art. 43 do Código de Processo
Penal.

No CPP – ver o art. 395 que foi alterado no ano passado.

Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008).
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I - for manifestamente inepta; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou (Incluído pela Lei
nº 11.719, de 2008).

III - faltar justa causa para o exercício da ação penal. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

Parágrafo único. (Revogado). (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

O fato de o legislador ter colocado a JUSTA CAUSA em


destaque é porque ela não é uma condição do processo civil, só
existe no processo penal.

CONDIÇÕES GENÉRICAS - 2ª corrente – DOUTRINA


MODERNA:

As condições genéricas da ação penal eram extraídas do


revogado art. 43/CPP – esse artigo foi revogado pela Lei 11.719/08,
mas apesar disso a doutrina continua utilizando-o para trazer as
condições genéricas: COLOCAR O ARTIGO

1ª) Prática de fato aparentemente criminoso;

2ª) Punibilidade concreta – o juiz deve verificar se


existe ou não uma causa extintiva da punibilidade;

3ª) Legitimidade da parte – legitimatio ad causam.

4ª) Justa Causa.

CONDIÇÕES ESPECÍFICAS DA AÇÃO:

Sinônimo de condições específicas de PROCEDIBILIDADE.

São exigidas apenas em alguns crimes. Exemplos:


PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 65
LFG_2º Semestre_2009

1º) REQUISIÇÃO DO MINISTRO DA JUSTIÇA;

2º) LAUDO PERICIAL NOS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL;

3º) QUALIDADE DE MILITAR NO CRIME DE DESERÇÃO;

4º) EXAME PRELIMINAR DE NATUREZA DA SUBSTÂNCIA NOS CRIMES


DE DROGA

5º) REPRESENTAÇÃO D OFENDIDO

 CUIDADO com a sentença declaratória de


falência nos crimes falimentares – sua natureza jurídica na
antiga lei era uma condição de procedibilidade; com a nova lei de
falências hoje, é condição objetiva de punibilidade.

 O crime de lesão corporal leve – art. 129,


caput/CP – era um crime de ação penal pública
incondicionada. Hoje continua sendo?

Não, porque a partir da Lei 9099/95 o crime de lesão


corporal leve passou a depender de representação.

Art. 88. Além das hipóteses do Código Penal e da legislação especial, dependerá de
representação a ação penal relativa aos crimes de lesões corporais leves e lesões culposas.

Essa representação é benéfica para o acusado. Por isso,


quando surgiu essa lei, a doutrina e jurisprudência passaram a
entender que, nos casos de processos ainda não iniciados, era
necessária a representação. Para os processos em andamento,
doutrina e jurisprudência entenderam que a representação deveria
ser oferecida, sob pena de o processo não prosseguir.

 Qual a diferença entre ma condição de


procedibilidade para uma condição de “prosseguibilidade”?
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 66
LFG_2º Semestre_2009

Na condição de procedibilidade o processo ainda não


teve início e para que a ação penal possa ser oferecida é necessário
o implemento de uma condição.

A condição de prosseguibilidade o processo já está


em andamento e para que o processo possa prosseguir é
necessário o implemento de uma condição.

Hoje, em 2009, no crime de lesão corporal a


representação é uma condição de procedibilidade, ou seja, para
que o processo tenha início é preciso a representação.

Isso pode cair em prova por conta da nova Lei 12.015/08,


que dá nova redação ao art. 225/CP.

Hoje, crimes sexuais a regra é ação penal pública


condicionada à representação. É o caso do médico de São Paulo
que está sendo procesado por 54 estupros  hoje é ação penal
pública, então esperaram a nova lei entrar em vigor e pegaram as
representações das vítimas para dar início à ação.

A partir de agora crime sexual com violência real –


ação penal pública condicionada à representação  a lei, nesse
ponto, é benéfica para o acusado, pois antes era ação penal pública
incondicionada. Portanto, agora, a representação é condição de
procedibilidade ou de prosseguibilidade?

Em regra, a representação é condição de procedibilidade,


mas em relação aos processos penais de estupro cometidos com
violência real que estão em andamento a representação passou a
ser condição de prosseguibilidade, caso ela não seja oferecida
em 6 meses = extinção da punibilidade.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 67
LFG_2º Semestre_2009

PONTO 4:

CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES PENAIS


4.1 – AÇÃO PENAL PÚBLICA  titular = MP

4.2 – AÇÃO PENAL PRIVADA

4.1 – AÇÃO PENAL PÚBLICA  titular = MP

4.1.1. – AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA:

Nessa ação penal o MP não depende de implemento de


condição.

Essa é a regra  quando a lei não disser nada = crime de


ação penal pública incondicionada.

4.1.2 – AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA  o MP depende


do implemento de uma condição para ingressar em juízo.

Exemplo – crime contra a honra do Presidente da


República  depende de requisição do Ministro da Justiça.

4.1.3 – AÇÃO PENAL PÚBLICA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA: duas


hipóteses:

1ª) Art. 2º, § 2º do DL 201/67  trata dos crimes de


responsabilidade dos prefeitos. O prefeito é julgado perante o TJ e
quem oferece denúncia contra o prefeito é o PGJ.

Se o MP estadual não fizer nada, você pode requerer ao


PGR que o faça. Pergunta: este dispositivo está de acordo
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LFG_2º Semestre_2009

com a CF/88? Não, porque esse dispositivo coloca o MP Federal em


superioridade ao MP estadual.

Para a doutrina esse dispositivo não foi recepcionado


pela Constituição/88, pois atenta contra a autonomia do MP
estadual.

2º) CÓDIGO ELEITORAL  caso o promotor estadual, agindo


por delegação em crimes eleitorais, permaneça inerte, pode o
Procurador Regional Eleitoral oferecer denúncia subsidiária. Ver art.
357, § § 3º e 4º do Código Eleitoral.

4.2 - AÇÃO PENAL DE INICIATIVA PRIVADA:

OBS: o direito de punir é do Estado.

Espécies:

4.2.1 – Ação Penal Exclusivamente Privada:

É possível a sucessão processual. Por exemplo, se ocorrer


a morte da vítima, o seu direito de ação é transferido ao CCADI.

4.2.2 – Ação Penal Privada Personalíssima:

Não é possível a sucessão processual. Só a vítima pode


entrar em juízo

No caso da ação penal privada personalíssima a


morte da vítima extingue a punibilidade.
punibilidade

Exemplo: adultério (exemplo antigo). O exemplo que


subsiste é o do art. 236/CP:
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 69
LFG_2º Semestre_2009

Art. 236 - Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou ocultando-lhe
impedimento que não seja casamento anterior:

Parágrafo único - A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode ser
intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o
casamento.

4.3 – Ação Penal Privada Subsidiária Da Pública 


somente é cabível diante da inércia do MP.

5. AÇÃO PENAL NOS CRIMES CONTRA A


HONRA:

A regra é que seja sempre de AÇÃO PENAL PRIVADA.

EXCEÇÕES:

1ª) Se o crime for praticado durante a propaganda


eleitoral  crime eleitoral  todos os crimes eleitorais são de
ação penal pública incondicionada.

2ª) Crime contra a honra do Presidente da


República ou Chefe de Governo estrangeiro  ação penal
pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça.

3ª) Crime contra a honra de servidor público em


razão de suas funções (propter officium)  Súmula 714/STF.
Duas possibilidades:

- Ação Penal Privada;

- Ação Penal Pública Condicionada à Representação.

4ª) Injúria Real  por exemplo, um tapa nas nádegas


configura o quê? Temos que analisar a intenção do agente. Pode
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 70
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ser importunação ofensiva, brincadeira de mau gosto, etc. Um tapa


no rosto de um homem muito mais que uma lesão, configura uma
injúria real porque o que se quer é atingir a honra do homem.
Ver o art. 140, § 2º.

§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio
empregado, se considerem aviltantes:

Se praticado por “vias de fato” = ação penal privada; se


praticado mediante lesão corporal = ação penal pública; se resultar
lesão corporal leve = ação penal pública condicionada à
representação.

 Cuidado para não confundir com o RACISMO. Racismo


é uma oposição indistinta a uma raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional.

Quando você, por exemplo, dirige uma ofensa a uma


pessoa determinada, por exemplo, “seu crioulo” = injúria real.

Racismo  ação penal pública incondicionada. Ver STJ –


RHC 19166.

6 – EMBRIAGUEZ AO VOLANTE:

O CTB em seu art. 291, PU (na redação antiga):

Parágrafo único. Aplicam-se aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa, de


embriaguez ao volante, e de participação em competição não autorizada o disposto nos arts. 74, 76 e 88 da
Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995.

De acordo com o art. 291, PU tanto o crime de


embriaguez ao volante e participação em competição não
autorizada (pega), como esse PU mandava aplicar o art. 88 da Lei
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 71
LFG_2º Semestre_2009

9099/95, esses dois delitos seriam crimes de ação penal pública


condicionada à representação.

Isso era um absurdo porque esses dois crimes são crimes


de perigo = não tem uma vítima determinada, então, quem iria
oferecer a representação? A doutrina sempre entendeu que não
seria possível a aplicação do art. 88; esses dois crimes seriam
delitos de ação penal pública incondicionada.

Esse problema foi resolvido com a nova redação do § 1º:

§ 1o Aplica-se aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa o disposto nos arts. 74, 76 e
88 da Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995, exceto se o agente estiver: (Renumerado do parágrafo
único pela Lei nº 11.705, de 2008)

Hoje esses dois crimes são de ação penal pública


incondicionada.

7 – CRIMES AMBIENTAIS:

A ação penal é pública incondicionada.

 Posso denunciar uma pessoa jurídica pela prática


de crime ambiental?

A Constituição prevê essa responsabilidade, bem como a


lei de crimes ambientais.

Jurisprudência  posso oferecer denúncia contra


pessoa jurídica pela prática de crimes ambientais, mas desde que
no pólo passivo também seja incluída uma pessoa física.

De acordo com o STJ a teoria que vem se adotando é a


chamada TEORIA DA DUPLA IMPUTAÇÃO  imputação tanto à
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 72
LFG_2º Semestre_2009

pessoa jurídica quanto à pessoa física que se beneficiou da


situação. Ver STJ – RMS 20601.

RMS 20601 / SP - Ministro FELIX FISCHER

PROCESSUAL PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CRIMES CONTRA


O MEIO AMBIENTE. DENÚNCIA. INÉPCIA. SISTEMA OU TEORIA DA DUPLA IMPUTAÇÃO.
NULIDADE DA CITAÇÃO. PLEITO PREJUDICADO.
I - Admite-se a responsabilidade penal da pessoa jurídica em crimes ambientais desde que
haja a imputação simultânea do ente moral e da pessoa física que atua em seu nome ou em
seu benefício, uma vez que "não se pode compreender a responsabilização do ente moral
dissociada da atuação de uma pessoa física, que age com elemento subjetivo próprio" cf. Resp
nº 564960/SC, 5ª Turma, Rel. Ministro Gilson Dipp, DJ de 13/06/2005 (Precedentes). II - No
caso em tela, o delito foi imputado tão-somente à pessoa jurídica, não descrevendo a denúncia
a participação de pessoa física que teria atuado em seu nome ou proveito, inviabilizando,
assim, a instauração da persecutio criminis in iudicio (Precedentes). III - Com o trancamento
da ação penal, em razão da inépcia da denúncia, resta prejudicado o pedido referente à
nulidade da citação. Recurso provido.

Nesse caso, a pessoa jurídica como pode figurar como


paciente em HC? Cuidado, a pessoa pode ser impetrante de HC.
Pessoa jurídica não pode ser paciente em HC porque não é
dotada de liberdade de locomoção, mesmo nesses casos de
dupla imputação. Ver STF – HC 92921.

HC 92921 / BA - Min. RICARDO LEWANDOWSKI

EMENTA: PENAL. PROCESSUAL PENAL. CRIME AMBIENTAL. HABEAS CORPUS PARA


TUTELAR PESSOA JURÍDICA ACUSADA EM AÇÃO PENAL. ADMISSIBILIDADE. INÉPCIA DA DENÚNCIA:
INOCORRÊNCIA. DENÚNCIA QUE RELATOU a SUPOSTA AÇÃO CRIMINOSA DOS AGENTES, EM VÍNCULO
DIRETO COM A PESSOA JURÍDICA CO-ACUSADA. CARACTERÍSTICA INTERESTADUAL DO RIO POLUÍDO
QUE NÃO AFASTA DE TODO A COMPETÊNCIA DO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. AUSÊNCIA DE
JUSTA CAUSA E BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. EXCEPCIONALIDADE DA ORDEM DE TRANCAMENTO DA
AÇÃO PENAL. ORDEM DENEGADA. I - Responsabilidade penal da pessoa jurídica, para ser aplicada,
exige alargamento de alguns conceitos tradicionalmente empregados na seara criminal, a exemplo
da culpabilidade, estendendo-se a elas também as medidas assecuratórias, como o habeas corpus.
II - Writ que deve ser havido como instrumento hábil para proteger pessoa jurídica contra
ilegalidades ou abuso de poder quando figurar como co-ré em ação penal que apura a prática de
delitos ambientais, para os quais é cominada pena privativa de liberdade. III - Em crimes
societários, a denúncia deve pormenorizar a ação dos denunciados no quanto possível. Não impede
a ampla defesa, entretanto, quando se evidencia o vínculo dos denunciados com a ação da empresa
denunciada. IV - Ministério Público Estadual que também é competente para desencadear ação
penal por crime ambiental, mesmo no caso de curso d'água transfronteiriços. V - Em crimes
ambientais, o cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta, com conseqüente extinção de
punibilidade, não pode servir de salvo-conduto para que o agente volte a poluir. VI - O trancamento
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 73
LFG_2º Semestre_2009

de ação penal, por via de habeas corpus, é medida excepcional, que somente pode ser concretizada
quando o fato narrado evidentemente não constituir crime, estiver extinta a punibilidade, for
manifesta a ilegitimidade de parte ou faltar condição exigida pela lei para o exercício da ação
penal. VII - Ordem denegada.

4ª Aula - 28/08/09

 OBS: CONFLITO DE COMPETÊNCIA:


COMPETÊNCIA

Juiz do Juizado Especial Federal/SP X Juiz


Federal/SP  quem decide o conflito? Quem funciona como juízo
recursal do Juizado = Turma Recursal; quem funciona como juízo
recursal do Juiz Federal é o TRF – 3ª Região. Portanto, são juízos
vinculados a tribunais diversos. Por isso quem decide esse
conflito de competência é o STJ – Súmula 348/STJ.

NOTÍCIA DO STF referente ao RE 590409. O Supremo


mudou essa questão da competência. Para o Supremo compete ao
respectivo TRF dirimir conflito de competência entre juiz federal e
juiz do Juizado Especial Federal, quando ambos estiverem
vinculados ao mesmo tribunal. Decisão nova, saiu ontem
(27/08/09).

RE 590409 RG / RJ - Min. RICARDO LEWANDOWSKI

EMENTA: CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DE CONFLITO DE


COMPETÊNCIA ENTRE JUIZADO ESPECIAL FEDERAL E JUÍZO FEDERAL. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA
QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.

Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional


suscitada, vencidos os Ministros Carlos Britto, Eros Grau e Menezes Direito. Não se manifestou o Ministro Cezar
Peluso.

 Cuidado com pegadinha de concurso porque esses


juízes precisam ser do mesmo tribunal. Por exemplo, se for um
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 74
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juiz de Juizado Especial/SP e Juiz Federal do Paraná, quem julgaria


seria o STJ, sem dúvida.

8 – AÇÃO PENAL NOS CRIMES SEXUAIS:

 Em relação a essa ação é importante ficar atento às


alterações trazidas pela Lei 12.015/09 que entrou em vigor em 07
de agosto de 2009.

Art. 225/CP:

Antes da Lei 12.015/09 a regra era de que a ação nos


crimes sexuais seria de ação penal privada.

Art. 225 - Nos crimes definidos nos capítulos anteriores, somente se procede mediante queixa.
§ 1º - Procede-se, entretanto, mediante ação pública:
I - se a vítima ou seus pais não podem prover às despesas do processo, sem privar-se de recursos
indispensáveis à manutenção própria ou da família;
II - se o crime é cometido com abuso do pátrio poder, ou da qualidade de padrasto, tutor ou curador.
§ 2º - No caso do nº I do parágrafo anterior, a ação do Ministério Público depende de representação.

Agora, após a Lei 12.015/09  regra: ação penal


pública condicionada à representação.

Art. 225. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste Título, procede-se mediante ação penal
pública condicionada à representação. (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)

Parágrafo único. Procede-se, entretanto, mediante ação penal pública incondicionada se a vítima é
menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa vulnerável. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

As exceções a essa regra eram:

EXCEÇÕES

ANTES DA LEI 12.015 DEPOIS LEI 12.015


Vítima pobre: ação penal Vítima pobre: ação penal
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 75
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pública condicionada à pública condicionada à


representação. representação.

Abuso do poder familiar: Abuso do poder familiar: não


pública incondicionada. disse nada a respeito. Todavia,
esse crime é cometido contra
vítima menor de 18 anos = ação
penal pública incondicionada
– PU, art. 225/CP.
Emprego de violência real15: Emprego de violência real: a
ação penal pública ação penal seguiria a regra:
incondicionada. Súmula 608/STF ação penal pública condicionada
 refere-se à ação penal nos à representação (a lei não diz
chamados crimes complexos16 nada).
– art. 101/CP –.
Violência presumida17: ação Estupro de Vulnerável ou
penal privada. menor de 18 anos18: ação
penal pública incondicionada –
art. 225, PU/CP (nova redação –
Lei 12.015/09).

OBS: Novas redações do CP:

Art. 217-A:

15
Emprego de força física sobre o corpo da vítima, por exemplo, soco, pontapé. Arma de fogo não é
violência real, é grave ameaça.
16
Crime complexo = resulta de duas figuras típicas  roubo: grave ameaça + subtração = crime complexo.
A ação penal de iniciativa pública será considerada extensiva nessa hipótese, de acordo com o art. 101/CP.
17
Art. 224/CP.
18
Ver a nova redação do art. 215/CP porque vai confundir com o art. 217-A.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 76
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DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL


(Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)

Estupro de vulnerável (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze)
anos: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

§ 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por
enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por
qualquer outra causa, não pode oferecer resistência. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

§ 2o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

§ 3o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

Pena - reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

§ 4o Se da conduta resulta morte: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.(Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

Art. 215:

Violação sexual mediante fraude

Art. 215 - Ter conjunção carnal com mulher honesta, mediante fraude:
Art. 215. Ter conjunção carnal com mulher, mediante fraude: (Redação dada pela Lei nº 11.106, de
2005)
Pena - reclusão, de um a três anos.
Parágrafo único - Se o crime é praticado contra mulher virgem, menor de 18 (dezoito) e maior de 14
(catorze) anos:
Pena - reclusão, de dois a seis anos.

Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude
ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: (Redação dada pela
Lei nº 12.015, de 2009)

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)

9. AÇÃO PENAL NO CRIME DE LESÃO


CORPORAL LEVE PRATICADO COM VIOLÊNCIA
DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER: Lei 11.340
(Maria da Penha).
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 77
LFG_2º Semestre_2009

Art. 5º:

Art. 5o Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer
ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e
dano moral ou patrimonial:

I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de


pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;

II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se
consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;

III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a
ofendida, independentemente de coabitação.

Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual.

Qualquer ação ou omissão que cause sofrimento,


inclusive sexual ou psicológico pode caracterizar agressão.

 Cuidado: namoro entra em violência doméstica?


Ver inciso III do art. 5º. O STJ, inicialmente disse que namoro não
estaria, mas depois mudou a orientação e disse que namoro deve
ser analisado caso a caso. O início de namoro, segundo o professor,
ainda não seria violência doméstica.

Abstraindo a violência contra a mulher, a ação penal no


crime de lesão corporal leve será pública condicionada à
representação, por força da Lei 9099/95.

LEI MARIA DA PENHA: art. 129, § 9º/CP:

Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:


§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com
quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de
coabitação ou de hospitalidade: (Incluído pela Lei nº 10.886, de 2004)
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano. (Incluído pela Lei nº 10.886, de 2004)

§ 9o Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou


com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de
coabitação ou de hospitalidade: (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006)

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006)

O problema está no art. 41 da Lei Maria da:


PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 78
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Art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente
da pena prevista, não se aplica a Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995.

O legislador foi contundente: não se aplica a lei dos


juizados. Se não podemos aplicar a Lei dos Juizados, o crime agora
seria de ação penal pública incondicionada. Nesse sentido
parece caminha a maioria da doutrina.

Todavia, o art. 16 da Lei Maria da Penha traz uma


incongruência. Para a doutrina o art. 16 seria aplicável a outros
crimes que dependesse de representação, à exceção do crime de
lesão corporal leve.

Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata esta
Lei, só será admitida a renúncia à representação perante o juiz, em audiência especialmente designada
com tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público.

Posição do STJ: inicialmente prevalecia no STJ que a


ação penal seria pública incondicionada (HC 96992).
Posteriormente, todavia, o STJ tem julgados no sentido de que a
ação penal seria pública condicionada à representação, com
fundamento no art. 16, o que em tese possibilitaria a reconciliação
do casal (HC 106805, 113608).

HC 96992 / DF - Ministra JANE SILVA (DESEMBARGADORA CONVOCADA DO


TJ/MG)

PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. LESÃO CORPORAL SIMPLES


OU CULPOSA PRATICADA CONTRA MULHER NO ÂMBITO DOMÉSTICO. PROTEÇÃO DA FAMÍLIA.
PROIBIÇÃO DE APLICAÇÃO DA LEI 9.099/1995. AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA.
ORDEM DENEGADA.
1. A família é a base da sociedade e tem a especial proteção do Estado; a assistência à família
será feita na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a
violência no âmbito de suas relações. (Inteligência do artigo 226 da Constituição da
República). 2. As famílias que se erigem em meio à violência não possuem condições de ser
base de apoio e desenvolvimento para os seus membros, os filhos daí advindos dificilmente
terão condições de conviver sadiamente em sociedade, daí a preocupação do Estado em
proteger especialmente essa instituição, criando mecanismos, como a Lei Maria da Penha, para
tal desiderato. 3. Somente o procedimento da Lei 9.099/1995 exige representação da vítima
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 79
LFG_2º Semestre_2009

no crime de lesão corporal leve e culposa para a propositura da ação penal. 4. Não se aplica
aos crimes praticados contra a mulher, no âmbito doméstico e familiar, a Lei 9.099/1995.
(Artigo 41 da Lei 11.340/2006). 5. A lesão corporal praticada contra a mulher no âmbito
doméstico é qualificada por força do artigo 129, § 9º do Código Penal e se disciplina segundo
as diretrizes desse Estatuto Legal, sendo a ação penal pública incondicionada. 6. A nova
redação do parágrafo 9º do artigo 129 do Código Penal, feita pelo artigo 44 da Lei
11.340/2006, impondo pena máxima de três anos a lesão corporal qualificada, praticada no
âmbito familiar, proíbe a utilização do procedimento dos Juizados Especiais, afastando por
mais um motivo, a exigência de representação da vítima. 7. Ordem denegada.

HC 113608 / MG - Ministro OG FERNANDES

Lei Maria da Penha. Delito de lesões corporais de natureza leve (art. 129, § 9º do CP). Ação
penal dependente de representação. Possibilidade de retratação da representação. Extinção da
punibilidade pela decadência. 1. O art. 16 da Lei nº 11.340/06 é claro ao autorizar a retração,
mas somente perante o juiz. Isto significa que a ação penal, na espécie, é dependente de
retratação. 2. Outro entendimento contraria a nova filosofia que inspira o Direito Penal,
baseado em princípios de conciliação e transação, com o objetivo de humanizar a pena e
buscar harmonizar os sujeitos ativo e passivo do crime.

10. AÇÃO PENAL POPULAR:

Alguns doutrinadores, por exemplo, Ada Pellegrini


Grinover, dizem que seria possível a ação penal popular no Brasil.
O primeiro exemplo de ação penal popular citado por parte da
doutrina seria o HC. Todavia, o HC não é propriamente uma ação
penal, é sim uma ação libertária de caráter constitucional.

A segunda hipótese de ação penal popular trabalha por


parte da doutrina seria a faculdade de qualquer cidadão
oferecer denúncia contra determinados agentes políticos
por crime de responsabilidade.

 Cuidado com essa possibilidade. Por exemplo, ver o


art. 14 da Lei 1.079 – o art. 14 usa a expressão denunciar e usa
também a expressão crime de responsabilidade. O desavisado pode
pensar que o cidadão pode denunciar o Presidente por crime de
responsabilidade. Nesta hipótese, não se trata de denúncia no
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 80
LFG_2º Semestre_2009

sentido técnico da palavra e sim uma notitia criminis relativa à


prática de infração político-administrativa.

11. AÇÃO PENAL SECUNDÁRIA:

Quando as circunstâncias do caso concreto fazem variar a


modalidade de ação penal a ser intentada, temos o que a doutrina
chama de ação penal secundária.

12. AÇÃO PENAL ADESIVA:

Tourinho conceitua ação penal adesiva como aquela


que ocorre no Direito Alemão  nos crimes de ação penal privada é
possível que o MP promova a ação penal, desde que visualize um
interesse público. Nesse caso, o ofendido ou quem o represente
pode intervir no processo como assistente.

13. PRINCÍPIOS DA AÇÃO PENAL:

PRINCÍPIOS DA AÇÃO PRINCÍPIOS DA AÇÃO


PENAL PÚBLICA PENAL PRIVADA
PRINCÍPIO DA INÉRCIA DA JURISDIÇÃO: PRINCÍPIO DA INÉRCIA DA JURISDIÇÃO:
Ne Procedat Iudex Ex Officio. Ne Procedat Iudex Ex Officio.
Com a adoção do sistema Com a adoção do sistema
acusatório, ao juiz não é dado acusatório, ao juiz não é dado
iniciar um processo de ofício. Ver iniciar um processo de ofício.
art. 26/CPP e art. 531/CPP Esse processo judicialiforme
(redação antiga). Isso era NÃO foi recepcionado pela
denominado de processo CF/88 por força do art. 129,
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 81
LFG_2º Semestre_2009

judicialiforme. Era o que I/CF.


acontecia nas contravenções
penais e nos crimes culposos de
lesão corporal e homicídio.

Esse processo judicialiforme


NÃO foi recepcionado pela
CF/88 por força do art. 129,
I/CF.
PRINCÍPIO DO NE BIS IN IDEM19: PRINCÍPIO DO NE BIS IN IDEM:
ninguém pode ser processado ninguém pode ser processado
duas vezes pela mesma duas vezes pela mesma
imputação. Consta imputação. Consta
expressamente da Convenção expressamente da Convenção
Americana de Direitos Humanos, Americana de Direitos Humanos,
art. 8º, item 4. art. 8º, item 4.
PRINCÍPIO DA INTRANSCENDÊNCIA: a PRINCÍPIO DA INTRANSCENDÊNCIA: a
ação penal não pode passar da ação penal não pode passar da
pessoa do autor do delito. pessoa do autor do delito.
PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE: em PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE OU

alguns países é conhecido como CONVENIÊNCIA: mediante critérios


legalidade processual  de oportunidade ou conveniência
presentes as condições da ação o ofendido pode optar pelo
e havendo justa causa, o MP é oferecimento ou não da queixa.
obrigado a oferecer Se o particular não quiser
denúncia. No Brasil o MP não exercer seu direito de queixa
tem como seguir os critérios de pode: 1º) deixar transcorrer o
prazo decadencial de 06
19
Cuidado: decisão absolutória ou declaratória extintiva da punibilidade, mesmo que proferida com vício de
incompetência é capaz de transitar em julgado e produzir seus efeitos, dentre eles o de impedir que o
acusado seja novamente processado perante a Justiça competente em relação à mesma imputação.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 82
LFG_2º Semestre_2009

conveniência e oportunidade. meses20; 2º) Renúncia; 3º)


Arquivamento do IP.
EXCEÇÕES: 1ª) Transação Penal –
art. 76/L9099; 2ª) Acordo de
Leniência ou Acordo de
Brandura ou Doçura – é uma
espécie de colaboração
premiada nos crimes contra a
ordem econômica – art. 35-C da
L8834/94. 3ª) Termo de
Ajustamento de Conduta
(TAC) nos crimes ambientais
– LACP – enquanto o TAC estiver
sendo cumprido, não pode haver
denúncia; 4ª) Parcelamento do
débito tributário – art. 9º da
L10.684/03. Se o processo já
estava em andamento, fica
suspenso; se ainda não houve
denúncia, o MP fica impedido de
oferecê-la se houver
parcelamento.

PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE: se o PRINCÍPIO DA DISPONIBILIDADE: se a


MP é obrigado a oferecer ação penal privada está sujeita a
denúncia, não pode, portanto, critérios de oportunidade ou
desistir da ação penal pública. É conveniência, dela poderá dispor
um desdobramento lógico do o querelante. Ele pode dispor das

20
A decadência opera a extinção da punibilidade.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 83
LFG_2º Semestre_2009

anterior. Dois artigos vão seguintes formas: 1ª)Perdão do


consagrá-lo no CPP: arts. 42 e ofendido (depende de
576. EXCEÇÃO: Suspensão aceitação); 2ª) Perempção – é
condicional do processo – art. a perda do direito de prosseguir
89 da L9099/95 –. Ex.: crime de no exercício da ação penal
furto é julgado pelo juízo comum, privada em virtude da desídia do
mas como tem pena mínima de querelante. 3ª) Desistência da
01 ano, cabe suspensão. (1) ação nos procedimentos dos
crimes contra a honra –
também depende da aceitação
do querelado.
DIVERGÊNCIA: uns entendem que PRINCÍPIO DA INDIVISIBILIDADE: o
vige o PRINCÍPIO DA DIVISIBILIDADE, processo de um obriga ao
outros entendem que vige a processo de todos. Se houver
INDIVISIBILIDADE: para prova de mais de 2 agentes, a vítima não
concurso = Princípio da pode escolher a quem processar,
Divisibilidade. Para os tribunais tem de processar TODOS. Sendo
superiores, o MP pode denunciar assim, a renúncia concedida a
alguns dos co-réus, sem prejuízo um dos co-autores estende-se
do prosseguimento das aos demais. Perdão concedido a
investigações em relação aos um dos co-autores também se
demais. É a posição que estende aos demais querelados,
prevalece. INDIVISIBILIDADE: para porém, desde que haja
LFG e também é esta a posição aceitação. Quem fiscaliza esse
de Fernando Capez, havendo princípio na ação penal
elementos de informação o MP é provada? O fiscal desse
obrigado a denunciar TODOS os princípio será o MP. Como? Art.
suspeitos. Daí porque se dizer 48/CPP. O MP não pode aditar
que o princípio seria o da a queixa crime para incluir co-
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 84
LFG_2º Semestre_2009

Indivisibilidade. autores, pois para tanto não


tem legitimidade. Deve,
portanto, pedir a intimação do
querelante para que o faça sob
pena de a renúncia concedida a
um dos co-autores estende-se
aos demais.

 (1) Cabe suspensão condicional do processo em


relação ao crime do art. 5º da Lei 8137/90? Cuidado com esse
crime porque é raríssimo você encontrar a pena de multa vindo
como pena alternativa, como é o caso. Portanto, mesmo que a pena
mínima seja superior a 01 ano, será cabível a suspensão
condicional do processo quando a pena de multa estiver cominada
de maneira alternativa (STF).

Art. 5° Constitui crime da mesma natureza:

I - exigir exclusividade de propaganda, transmissão ou difusão de publicidade, em detrimento de


concorrência;

II - subordinar a venda de bem ou a utilização de serviço à aquisição de outro bem, ou ao uso de


determinado serviço;

III - sujeitar a venda de bem ou a utilização de serviço à aquisição de quantidade arbitrariamente


determinada;

IV - recusar-se, sem justa causa, o diretor, administrador, ou gerente de empresa a prestar à


autoridade competente ou prestá-la de modo inexato, informando sobre o custo de produção ou
preço de venda.

Pena - detenção, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, ou multa.

Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no prazo de 10 (dez) dias, que
poderá ser convertido em horas em razão da maior ou menor complexidade da matéria ou da
dificuldade quanto ao atendimento da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso IV.

14. REPRESENTAÇÃO DO OFENDIDO:


PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 85
LFG_2º Semestre_2009

Representação é a manifestação do ofendido ou de seu


representante legal no sentido de que tem interesse na persecução
penal do fato delituoso.

14.1 - NATUREZA JURÍDICA: em regra a representação


funciona como uma condição específica de procedibilidade, em
relação aos processos que ainda não tenham tido início. Se o
processo já está em andamento (por exemplo, art. 91 da Lei
9099/95) a representação é uma condição de PROSSEGUIBILIDADE.

14.2 – DIRIGIBILIDADE:

De acordo com a lei a representação poderá ser dirigido


ao juiz, ao MP ou à autoridade policial.

Para a jurisprudência não é necessário formalismo na


hora da representação.

Em relação à representação vige o princípio da


autonomia da vontade da vítima. A ação penal é pública, mas
se ela depender de representação terá essa peculiaridade –
autonomia da vontade da vítima.

14.3 – PRAZO PARA A REPRESENTAÇÃO:

Assim como a queixa-crime, a representação está


sujeita ao prazo decadencial de 06 meses.

 Qual início da fluência? Em regra, a partir do


conhecimento da autoria. Excepcionalmente em relação ao crime
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 86
LFG_2º Semestre_2009

do art. 236/CP, o prazo decadencial começa a fluir a partir do


trânsito em julgado da decisão que anule o casamento.

Art. 236 - Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou ocultando-lhe
impedimento que não seja casamento anterior:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

Parágrafo único - A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode ser intentada
senão depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o
casamento.

 Como é feita a contagem desse prazo?

Por exemplo, crime sexual em 28/08/09  a contagem


será feita de acordo com o art. 10/CP porque a decadência é
causa de extinção da punibilidade, logo, é prazo material
que se conta pelo CP = 27/02/10 (6 meses).

Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os anos pelo
calendário comum. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

DECADÊNCIA DO DIREITO DE AÇÃO PENAL PRIVADA SUBSIDIÁRIA DA

PÚBLICA:

Ação penal privada subsidiária da pública como tem


natureza pública, a perda do direito não gera a extinção da
punibilidade porque o fato da perda do direito não vai impedir o
MP de denunciar, por esta razão, alguns doutrinadores a chamam
de DECADÊNCIA IMPRÓPRIA porque não gera a extinção da punibilidade.

 MP  Autos  06/04/04  quando vai se dar a


decadência da ação penal privada subsidiária da pública?

Primeiro, se a ação é subsidiária o MP tem um prazo para


oferecer denúncia. Esse prazo é processual de 15 dias. Ou seja,
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 87
LFG_2º Semestre_2009

no exemplo, 21/04/04 – feriado – se estamos diante de feriado e


prazo processual  o prazo processual é prorrogado até o 1º dia
útil subseqüente. Portanto, 22/04/04 é o último dia do prazo do MP.

Quando surge o direito do particular entrar com a queixa


subsidiária? No dia seguinte: 23/04/04 (porque se é subsidiária tem
que aguardar o término do prazo do MP). O particular tem 6 meses
para oferecer a queixa subsidiária. Agora é prazo penal! Então,
em 22/10/04 vai se dar a decadência do direito de ação penal
privada subsidiária da pública. Nesse caso, não vai se dar a
extinção da punibilidade porque o MP vai poder continuar a
oferecer denúncia.

14.5 - LEGITIMIDADE PARA O OFERECIMENTO DA REPRESENTAÇÃO E

DA QUEIXA-CRIMES:

1ª hipótese  pessoa maior de 18 anos;

2ª hipótese  vítima menor de 18 anos  quem vai


oferecer a representação e a queixa é o seu representante legal.
Quem é o representante legal do menor? Representante legal
é qualquer pessoa que de algum modo seja responsável pelo
menor. Por exemplo, avó, um tio cm que o menor resida.

 E se houver colidência de interesses entre o


menor e o seu representante legal? Por exemplo, o crime é
praticado pelo representante legal? Se houver colidência de
interesses nomeia-se curador especial – art. 33/CPP –.

Esse curador especial é obrigado a oferecer a queixa ou a


representação? Não, vige a conveniência, a autonomia da vontade,
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 88
LFG_2º Semestre_2009

e o curador vai exercer esse juízo, vai analisar o que atende mais
aos interesses do menor.

 A decadência do direito do representante legal


atinge o direito do menor? Duas correntes:

1ª) A decadência para o representante legal acarreta


desde logo a extinção da punibilidade, mesmo que o menor não
tenha completado 18 anos. É a posição de Pacelli, LFG.

2ª) Nucci e Capez  cuidando-se de incapaz, não se


pode falar em decadência pois o direito de queixa não poderia ser
exercido pelo menor.

3ª hipótese  menor de 18 anos, mentalmente enfermo


ou retardado mental = nomeação de curador especial.

4ª hipótese  vítima com 17 anos e casada – duas


possibilidades: nomeação de curador especial ou aguarda-se
que ela complete 18 anos.

5ª hipótese  morte da vítima – operando-se a morte


da vítima vai se dar a chamada “sucessão processual”. Essa
sucessão processual está prevista no art. 24, § 1º/CPP. Aí também
está incluído o companheiro (doutrina).

Art. 24. Nos crimes de ação pública, esta será promovida por denúncia do Ministério Público, mas
dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do ofendido ou
de quem tiver qualidade para representá-lo.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 89
LFG_2º Semestre_2009

Parágrafo único. No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão judicial, o
direito de representação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.

§ 1o No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão judicial, o direito de
representação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. (Parágrafo único renumerado
pela Lei nº 8.699, de 27.8.1993)

Três observações importantes:

1ª) Essa ordem é preferencial.

2ª) Prevalece a vontade de quem deseja dar início ao


processo. Por exemplo, se o cônjuge não quiser, mas um
ascendente quiser, pode dar início ao processo.

3ª) O prazo decadencial do sucessor começa a contar:

a) Se tomou conhecimento da autoria do delito na mesma


data que a vítima, tem direito ao prazo restante;

b) Se não tinha conhecimento da autoria, seu prazo será


contado a partir do momento em que atingir esse conhecimento.

5ª Aula – 07/09/09

14. 6 – RETRATAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO:

Art. 25/CPP:

Art. 25. A representação será irretratável, depois de oferecida a denúncia

Essa retratação é possível até o oferecimento da


denúncia.

Art. 16 da Lei Maria da Penha  “renúncia” = abrir mão


de alguma coisa. Neste artigo o certo seria “retratação”.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 90
LFG_2º Semestre_2009

Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata esta Lei,
só será admitida a renúncia à representação perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal
finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público.

Quando o at. 16 usa a expressão “renúncia” o faz de


maneira equivocada, pois estamos diante de uma retratação. Na lei
Maria da Penha, portanto, essa retratação pode ocorrer até o
recebimento da peça acusatória.

14. 7 – RETRATAÇÃO DA RETRATAÇÃO:

Nada mais é do que uma nova representação. É possível,


desde que feita dentro do prazo decadencial.

14.8 - EFICÁCIA OBJETIVA DA


REPRESENTAÇÃO:

A representação é para cada crime. A representação feita


contra um dos co-autores estende-se aos demais. Porém, feita a
representação em relação a um fato delituoso, não se estende a
outros delitos.

Ver STJ – HC 57200:

HC 57200 / RS - Ministro GILSON DIPP

CRIMINAL. HC. CALÚNIA. REPRESENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE MENÇÃO DOS ENVOLVIDOS.


DESNECESSIDADE. ATO INFORMAL. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. TRANCAMENTO DA AÇÃO
PENAL. IMPROPRIEDADE DO MEIO ELEITO. AUSÊNCIA DE
JUSTA CAUSA NÃO-EVIDENCIADA DE PLANO. MATÉRIA FÁTICA. ORDEM DENEGADA.
I. Hipótese em que a representação omite um dos envolvidos no evento delituoso.
II. A doutrina e a jurisprudência são uníssonas no sentido de não se exigir formalidades ao
exercício do direito de representação, predominando a idéia de informalidade do ato, sendo
bastante a manifestação do desejo de processar, conforme ocorrido in casu.
III. No momento em que se exerce o direito de representação, não se exige a narrativa
completa do fato e nem a indicação de todos os envolvidos no evento, dada a sua eficácia
objetiva e subjetiva.
IV. "Se a representação é instituída em benefício da vítima e independe de formalidades, vale
ela contra todos os autores do ilícito, ainda que não constem seus nomes da peça, salvo se
houve restrição expressa do ofendido."
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 91
LFG_2º Semestre_2009

V. Ausência de decadência do direito de representação, dada a regularidade da promoção


exercida dentro do prazo fatal de seis meses.
VI. Denúncia que imputou ao paciente a prática do delito de calúnia cometido contra Promotor
de Justiça.
VII. A falta de justa causa para a ação penal só pode ser reconhecida quando, de pronto, sem
a necessidade de exame valorativo do conjunto fático ou probatório, evidenciar-se a
atipicidade do fato, a ausência de indícios a fundamentarem a acusação ou, ainda, a extinção
da punibilidade, hipóteses não verificadas in casu.
VIII. O habeas corpus constitui-se em meio impróprio para a análise de alegações que exijam
o reexame do conjunto fático-probatório, se não demonstrada, de pronto, qualquer ilegalidade
nos fundamentos da exordial acusatória. IX. Ordem denegada.

15. REQUISIÇÃO DO MINISTRO DA JUSTIÇA:

A requisição tem NATUREZA JURÍDICA de CONDIÇÃO ESPECÍFICA DE

PROCEDIBILIDADE.

Exemplo: Crime contra a honra do Presidente da


república – art. 145, PU/CP:

Art. 145 - Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa, salvo quando,
no caso do art. 140, § 2º, da violência resulta lesão corporal.

Parágrafo único - Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do n.º I do art. 141,
e mediante representação do ofendido, no caso do n.º II do mesmo artigo.

 OBS: Requisição – condição – não é sinônimo de

ordem: o MP não está obrigado a denunciar.

PRAZO: não está sujeita a prazo decadencial, mas o crime


praticado está sujeito à prescrição.

 É possível a retratação da requisição? Duas


correntes:

1ª corrente – Fernando Capez e Paulo Rangel 


entendem que não é possível a retratação.

2ª corrente – LFG, Guilherme NUCCI  admitem a


retratação ETA o oferecimento da denúncia.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 92
LFG_2º Semestre_2009

16. Ação Penal Privada Subsidiária Da


Pública:

Ela somente é cabível em face da inércia do MP (só cabe


quando o MP não fizer nada).

 É cabível em todo e qualquer delito?

Em regra, só é possível o oferecimento de queixa


subsidiária quando o crime possuir um ofendido individualizado.

Duas exceções:

1ª) CDC – arts. 80 e 82:

Art. 80. No processo penal atinente aos crimes previstos neste código, bem como a outros
crimes e contravenções que envolvam relações de consumo, poderão intervir, como assistentes do
Ministério Público, os legitimados indicados no art. 82, inciso III e IV, aos quais também é facultado propor
ação penal subsidiária, se a denúncia não for oferecida no prazo legal.

Art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados concorrentemente: (Redação dada pela Lei
nº 9.008, de 21.3.1995)

I - o Ministério Público,

II - a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal;

III - as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta, ainda que sem personalidade
jurídica, especificamente destinados à defesa dos interesses e direitos protegidos por este código;

IV - as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que incluam entre seus fins
institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos por este código, dispensada a autorização
assemblear.

§ 1° O requisito da pré-constituição pode ser dispensado pelo juiz, nas ações previstas nos arts. 91 e
seguintes, quando haja manifesto interesse social evidenciado pela dimensão ou característica do dano, ou
pela relevância do bem jurídico a ser protegido.

2ª) Lei de Falência (Lei 11.101/05) – art. 184.

Art. 184. Os crimes previstos nesta Lei são de ação penal pública incondicionada.

 A vítima tem eu ser individualizada.

PODERES DO MP:
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 93
LFG_2º Semestre_2009

1) O poder que o MP tem é de repudiar a queixa,


oferecendo denúncia substitutiva.

2) Aditara queixa, tanto em seus aspectos formais como


materiais.

Ele pode aditar circunstância de tempo / lugar

É amplo incluir outros co-autores

3) Se o querelante for negligente, o MP reassume o pólo


ativo da ação (ação penal indireta) – art. 29/CPP:

Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal,
cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos
os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de
negligência do querelante, retomar a ação como parte principal.

PRAZO  é de 6 meses, contados a partir do momento em


que ficar caracterizada a inércia do MP.

15 dias

06/04/09 21/04/09 22/04/09

Vista ao Feriado Último dia

MP do IP do MP

23/04/09 22/10/09

Surge aqui o direito de Decadência imprópria - não gera a


extinção da Propor a ação Subsidiária da pública punibilidade

17. EQUISITOS DA PEÇA ACUSATÓRIA:

Denúncia  A. P. Pública
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 94
LFG_2º Semestre_2009

Queixa  A. P. Privada

Art. 41/CPP:

Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas
circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a
classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.

A – A EXPOSIÇÃO DO FATO CRIMINOSO COM TODAS AS SUAS

CIRCUNSTÂNCIAS  consiste na narrativa do fato delituoso com todas


as circunstâncias do caso concreto.

 OBS: CRIME CULPOSO  deve o MP dizer em que consiste


a imprudência, negligência ou imperícia.

Se a denúncia não expõe o fato delituoso, ela inviabiliza o


exercício do direito de defesa.

 Uma narrativa defeituosa vai produzir a inépcia


da peça acusatória? Para a Jurisprudência a inépcia deve ser
arguida até o momento da sentença.

 Posso oferecer denúncia sem data / lugar em que


o crime aconteceu? Sim.

ELEMENTOS ESSENCIAIS X ELEMENTOS ACIDENTAIS


É aquele elemento que deve É aquele elemento ligado a
estar presente em toda e circunstância de tempo ou de
qualquer peça acusatória, pois é espaço, cuja ausência nem
necessário para identificar o sempre afeta o exercício do
fato típico praticado pelo direito de defesa. A ausência
agente. A falta do elemento do elemento acidental vai dar
essencial vai dar ensejo a ensejo a nulidade relativa.
nulidade absoluta.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 95
LFG_2º Semestre_2009

 Em que Consiste a “Cripto imputação”? é a


atribuição de um fato delituoso a determinada pessoa caracterizada
por grave deficiência na narrativa do fato delituoso (denúncia mal
redigida, mal elaborada).

 DENÚNCIA GENÉRICA – Duas correntes:

1ª corrente – Posição Favorável  em se tratando de


crimes societários, não há inépcia da peça acusatória pela ausência
de indicação individualizada da conduta de cada indiciado, sendo
suficiente que os acusados sejam, de algum modo, responsáveis ela
condução da sociedade (STF – HC 92912).

HC 92921 / BA - Min. RICARDO LEWANDOWSKI

EMENTA: PENAL. PROCESSUAL PENAL. CRIME AMBIENTAL. HABEAS CORPUS PARA


TUTELAR PESSOA JURÍDICA ACUSADA EM AÇÃO PENAL. ADMISSIBILIDADE. INÉPCIA DA DENÚNCIA:
INOCORRÊNCIA. DENÚNCIA QUE RELATOU a SUPOSTA AÇÃO CRIMINOSA DOS AGENTES, EM VÍNCULO
DIRETO COM A PESSOA JURÍDICA CO-ACUSADA. CARACTERÍSTICA INTERESTADUAL DO RIO POLUÍDO
QUE NÃO AFASTA DE TODO A COMPETÊNCIA DO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. AUSÊNCIA DE
JUSTA CAUSA E BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. EXCEPCIONALIDADE DA ORDEM DE TRANCAMENTO DA
AÇÃO PENAL. ORDEM DENEGADA. I - Responsabilidade penal da pessoa jurídica, para ser aplicada,
exige alargamento de alguns conceitos tradicionalmente empregados na seara criminal, a exemplo
da culpabilidade, estendendo-se a elas também as medidas assecuratórias, como o habeas corpus.
II - Writ que deve ser havido como instrumento hábil para proteger pessoa jurídica contra
ilegalidades ou abuso de poder quando figurar como co-ré em ação penal que apura a prática de
delitos ambientais, para os quais é cominada pena privativa de liberdade. III - Em crimes
societários, a denúncia deve pormenorizar a ação dos denunciados no quanto possível. Não impede
a ampla defesa, entretanto, quando se evidencia o vínculo dos denunciados com a ação da empresa
denunciada. IV - Ministério Público Estadual que também é competente para desencadear ação
penal por crime ambiental, mesmo no caso de curso d'água transfronteiriços. V - Em crimes
ambientais, o cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta, com conseqüente extinção de
punibilidade, não pode servir de salvo-conduto para que o agente volte a poluir. VI - O trancamento
de ação penal, por via de habeas corpus, é medida excepcional, que somente pode ser concretizada
quando o fato narrado evidentemente não constituir crime, estiver extinta a punibilidade, for
manifesta a ilegitimidade de parte ou faltar condição exigida pela lei para o exercício da ação
penal. VII - Ordem denegada.

2ª corrente  quando se tratar de crimes societários a


denúncia não pode ser genérica: se a denúncia não descreve a
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 96
LFG_2º Semestre_2009

conduta individualizada de cada agente, deve ser tida como inepta.


Ver STF: HC 80549 e HC 85327.

HC 80549 / SP - Min. NELSON JOBIM

EMENTA: HABEAS CORPUS. PENAL. PROCESSO PENAL TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA


GENÉRICA. RESPONSABILIDADE PENAL OBJETIVA. INÉPCIA. Nos crimes contra a ordem tributária a
ação penal é pública. Quando se trata de crime societário, a denúncia não pode ser genérica. Ela
deve estabelecer o vínculo do administrador ao ato ilícito que lhe está sendo imputado. É
necessário que descreva, de forma direta e objetiva, a ação ou omissão da paciente. Do contrário,
ofende os requisitos do CPP, art. 41 e os Tratados Internacionais sobre o tema. Igualmente, os
princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Denúncia que imputa co-
responsabilidade e não descreve a responsabilidade de cada agente, é inepta. O princípio da
responsabilidade penal adotado pelo sistema jurídico brasileiro é o pessoal (subjetivo). A
autorização pretoriana de denúncia genérica para os crimes de autoria coletiva não pode servir de
escudo retórico para a não descrição mínima da participação de cada agente na conduta delitiva.
Uma coisa é a desnecessidade de pormenorizar. Outra, é a ausência absoluta de vínculo do fato
descrito com a pessoa do denunciado. Habeas deferido.

HC 85327 / SP - Min. GILMAR MENDES

EMENTA: 1. Habeas corpus. Crimes contra a Ordem Tributária (Lei no 8.137, de


1990). Crime societário. 2. Alegação de denúncia genérica e que estaria respaldada exclusivamente
em processo administrativo. Ausência de justa causa para ação penal. Pedido de trancamento. 3.
Dispensabilidade do inquérito policial para instauração de ação penal (art. 46, § 1o, CPP). 4.
Mudança de orientação jurisprudencial, que, no caso de crimes societários, entendia ser apta a
denúncia que não individualizasse as condutas de cada indiciado, bastando a indicação de que os
acusados fossem de algum modo responsáveis pela condução da sociedade comercial sob a qual
foram supostamente praticados os delitos. Precedentes: HC no 86.294-SP, 2a Turma, por maioria,
de minha relatoria, DJ de 03.02.2006; HC no 85.579-MA, 2a Turma, unânime, de minha relatoria, DJ
de 24.05.2005; HC no 80.812-PA, 2a Turma, por maioria, de minha relatoria p/ o acórdão, DJ de
05.03.2004; HC no 73.903-CE, 2a Turma, unânime, Rel. Min. Francisco Rezek, DJ de 25.04.1997; e
HC no 74.791-RJ, 1a Turma, unânime, Rel. Min. Ilmar Galvão, DJ de 09.05.1997. 5. Necessidade de
individualização das respectivas condutas dos indiciados. 6. Observância dos princípios do devido
processo legal (CF, art. 5o, LIV), da ampla defesa, contraditório (CF, art. 5o, LV) e da dignidade da
pessoa humana (CF, art. 1o, III). Precedentes: HC no 73.590-SP, 1a Turma, unânime, Rel. Min. Celso
de Mello, DJ de 13.12.1996; e HC no 70.763-DF, 1a Turma, unânime, Rel. Min. Celso de Mello, DJ de
23.09.1994. 7. No caso concreto, a denúncia é inepta porque não pormenorizou, de modo adequado
e suficiente, a conduta dos pacientes. 8. Habeas corpus deferido.

 Em prova OBJETIVA  não cabe denúncia


genérica.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 97
LFG_2º Semestre_2009

Para EUGÊNIO PACELLI:

ACUSAÇÃO GERAL ≠ ACUSAÇÃO GENÉRICA


Ocorre quando o órgão da Ocorre quando a acusação
acusação imputa a todos os imputa vários fatos típicos,
acusados o mesmo fato imputando-os
delituoso, independentemente genericamente a todos os
das funções por eles exercida na integrantes da sociedade.
empresa. Não há inépcia da peça Aqui são vários fatos
acusatória. delituosos e por isso há
inépcia da peça acusatória.

B – IDENTIFICAÇÃO DO ACUSADO:

 Cabe denúncia contra pessoa incerta?

“Pessoa incerta”  e a pessoa fisicamente certa sobre a


qual não há elementos quanto à identificação.

Art. 41/CPP:

Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a
qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e,
quando necessário, o rol das testemunhas.

Pela leitura do art. 41 seria possível, mas o CPP é de


1941, hoje, é inviável.

Apesar de o art. 41 estar em pleno vigor, deve-se ficar


atento à revogação do art. 363, II, o qual possibilitava a citação por
edital de pessoa incerta. Hoje não cabe mais citação de pessoa
incerta; então, por essa revogação não cabe mais denúncia de
pessoa incerta.

Art. 363. A citação ainda será feita por edital:


PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 98
LFG_2º Semestre_2009

I - quando inacessível, em virtude de epidemia, de guerra ou por outro motivo de força maior, o lugar
em que estiver o réu;
II - quando incerta a pessoa que tiver de ser citada. REVOGADO.

C – CLASSIFICAÇÃO DO CRIME:

Não se trata de requisito obrigatório. No processo penal o


acusado defende-se dos fatos que lhe são imputados, pouco
importando a classificação formulada.

EMENDATIO LIBELLI:

Por exemplo, a narrativa da denúncia traz um roubo


impróprio praticado com violência presumida. Classificação  art.
155/CP. Sentença  nada impede de o juiz condenar por roubo –
art. 157, caput. O juiz vai corrigir a classificação  EMENDATIO LIBELLI.

EMENDATIO LIBELLI  não haverá alteração em relação ao


fato delituoso, limitando-se o juiz a modificar a classificação
formulada na denúncia ou queixa – art. 383/CPP.

Art. 383. O juiz, sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa, poderá atribuir-
lhe definição jurídica diversa, ainda que, em conseqüência, tenha de aplicar pena mais grave. (Redação
dada pela Lei nº 11.719, de 2008).

§ 1o Se, em conseqüência de definição jurídica diversa, houver possibilidade de proposta de


suspensão condicional do processo, o juiz procederá de acordo com o disposto na lei. (Incluído pela Lei nº
11.719, de 2008).

§ 2o Tratando-se de infração da competência de outro juízo, a este serão encaminhados os autos.


(Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

 Qual é o seu momento?

Prevalece na doutrina que a EL não pode ser feita no


 melhor
início do processo, mas somente na hora da sentença (
resposta na prova objetiva).
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 99
LFG_2º Semestre_2009

2ª corrente (Prova para DPU)  sustenta que não é


possível que o autor seja privado do exercício de direitos quando a
classificação formulada for claramente excessiva (princípio da
correção do excesso).

MUTATIO LIBELLI:

Por exemplo: Denúncia – narrativa  Furto. Classificação


 art. 155/CP.

Durante a instrução processual  violência (as


testemunhas confirmam que houve violência).

Sentença  art. 157 – o juiz condena pelo roubo. E isto


não pode ocorrer, porque ele não pode condenar alguém enquanto
o fato não for imputado.

Aí o MP vai fazer o aditamento e classificar para o


art.157.

Defesa  será ouvida;

Sentença  aí o juiz pode condenar pelo crime de roubo.

MUTATIO LIBELLI  ocorre quando o fato delituoso que


restou comprovado durante a instrução é DIVERSO daquele narrado
na peça acusatória. Na verdade, surge durante o processo prova de
elementar ou circunstância não contida na peça acusatória,
devendo então, o MP editar a peça acusatória com posterior oitiva
da defesa.

D – ROL DE TESTEMUNHAS:
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 100
LFG_2º Semestre_2009

Não é requisito obrigatório. Alguns crimes dispensam o


rol de testemunhas.

O não oferecimento do rol de testemunhas vai ocorrer a


preclusão, mas o juiz pode se valer da busca da verdade (para ouvir
as testemunhas do juízo. Aí vai ouvir sem problema algum).
Princípio da Verdade Real.

Procedimento Ordinário  8 testemunhas;

Procedimento Sumário  5 testemunhas;

Procedimento Sumaríssimo  3 / 5 testemunhas.

Prevalece que são 8 testemunhas por fato delituoso.

 O juiz pode indeferir a testemunha da defesa? Ao


juiz não é dado indeferir a oitiva de testemunhas valendo-se de
prognóstico da irrelevância de seu depoimento.

E – A denúncia dever ser em vernáculo  redigida


em português.

F – A denúncia deve ser subscrita pelo promotor.

 A ausência de assinatura será considerada mera


irregularidade caso a cota apresentada pelo promotor esteja
devidamente assinada.

17 – PROCURAÇÃO NA QUEIXA-CRIME:

Essa procuração deve conter poderes especiais (evitar


que você amanhã, como advogado, possa responder por
denunciação caluniosa).
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 101
LFG_2º Semestre_2009

Essa procuração tem que ter menção ao fato delituoso.


Para a jurisprudência basta citar o dispositivo legal.

Nessa procuração deve constar o nome do querelado- art.


44/CPP –:

Art. 44. A queixa poderá ser dada por procurador com poderes especiais, devendo constar do instrumento
do mandato o nome do querelante e a menção do fato criminoso, salvo quando tais esclarecimentos
dependerem de diligências que devem ser previamente requeridas no juízo criminal.

PROCURAÇÃO DEFEITUOSA:

Prevalece na jurisprudência o entendimento de que a


correção do vício pode ser sanada a qualquer momento, mediante a
ratificação dos atos processuais (STF – HC 84397).

HC 84397 / DF - Min. SEPÚLVEDA PERTENCE

EMENTA: I. Ação penal privada: crime de exercício arbitrário das próprias razões (C.
Penal, art. 345, parágrafo único): decadência: C.Pr.Penal, art. 44. 1. O defeito da procuração
outorgada pelas querelantes ao seu advogado, para requerer abertura de inquérito policial, sem
menção do fato criminoso, constitui hipótese de ilegitimidade do representante da parte, que, a
teor do art. 568 C.Pr.Pen., "poderá ser a todo o tempo sanada, mediante ratificação dos atos
processuais" (RHC 65.879, Célio Borja); 2. Na espécie, a presença das querelantes em audiências
realizadas depois de findo o prazo decadencial basta a suprir o defeito da procuração. II. Recurso:
supressão de instância. 1. A jurisprudência do Tribunal é no sentido de que, se o juiz,
induvidosamente competente, rejeita a denúncia por um dos fundamentos do art. 43 C.Pr.Penal, o
provimento do recurso contra a decisão que a rejeita implica o recebimento da denúncia, não
representando supressão de instância: precedentes. 2. No caso - apelação (L. 9.099/95, art. 82)
dirigida especificamente à decisão que, com fundamento nos arts. 43, III e 44, ambos do
C.Pr.Penal, reconhecera a ausência de regular representação da parte -, resulta do provimento da
apelação, o mesmo efeito obtido no recurso em sentido estrito, qual seja o recebimento da queixa.
3. Daí, contudo, não se extrai que - dada a devolutividade à Turma Recursal de todas as questões
suscitadas -, superada uma delas, não se devessem analisar as demais.

18 – PRAZO PARA O OFERECIMENTO DA PEÇA


ACUSATÕRIA):21

21
Só cai em prova objetiva.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 102
LFG_2º Semestre_2009

Réu preso = 05 dias;

Réu solto = 15 dias.

 CUIDADO COM AS LEIS ESPECIAIS:


ESPECIAIS

LEI DE DROGAS 10 dias


CÓDIGO ELEITORAL 10 dias
ABUSO DE AUTORIDADE 48 horas
CPPM 5 dias (preso); 15
dias (solto)
CRIME CONTRA A ECONOMIA 02 dias
POPULAR
LEI DE IMPRENSA 10 dias

 Quais são as conseqüências da perda desses


prazos?

1ª) Cabimento de ação penal privada subsidiária da


pública;

2ª) Perda do subsídio – art. 801/CPP:

Art. 801. Findos os respectivos prazos, os juízes e os órgãos do Ministério Público, responsáveis pelo
retardamento, perderão tantos dias de vencimentos quantos forem os excedidos. Na contagem do tempo de
serviço, para o efeito de promoção e aposentadoria, a perda será do dobro dos dias excedidos.

3ª) Caso o excesso seja abusivo, a prisão deve ser


objeto de relaxamento, sem prejuízo da continuidade do processo.

19 – DENÚNCIA ALTERNATIVA:

Ocorre quando vários fatos são imputados de maneira


alternativa ao agente.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 103
LFG_2º Semestre_2009

Duas espécies:

1ª) IMPUTAÇÃO ALTERNATIVA ORIGINÁRIA  ocorre quando a


alternatividade está contida na própria peça acusatória. Não é
admitida pela doutrina por violar o PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA.

2ª) IMPUTAÇÃO ALTERNATIVA SUPERVENIENTE  ocorre nas


hipóteses de Mutatio Libelli, quando o MP adita a peça acusatória
sempre prevaleceu o entendimento de que, havendo aditamento
por conta de Mutatio Libelli, seria possível a condenação do agente
tanto pela imputação originária quanto imputação superveniente.

Com a nova redação do art. 384, § 4º do CPP, já há


doutrinadores dizendo que havendo o aditamento, o juiz estará
vinculado ao mesmo, não mais podendo condenar o acusado pela
imputação originária.

§ 4o Havendo aditamento, cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas, no prazo de 5 (cinco)
dias, ficando o juiz, na sentença, adstrito aos termos do aditamento. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

20 – RECEBIMENTO DA PEÇA ACUSATÓRIA:

De acordo com a jurisprudência não precisa ser


fundamentada.

Análise bem sucinta:

1º) Regularidade da peça acusatória;

2º) Presentes os pressupostos processuais / condição da


ação;

3º) Presença de Justa Causa.


PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 104
LFG_2º Semestre_2009

 Qual é o momento? Deve a peça acusatória ser


recebida logo após o seu oferecimento, salvo se houver previsão
legal de defesa preliminar.

1) Oferecimento da denúncia / queixa.

 DEFESA PRELIMINAR  só em alguns procedimentos.

2) Recebimento da peça acusatória.

PROCEDIMENTOS DA DEFESA PRELIMINAR:

 Crimes Funcionais afiançáveis – art. 514/CPP:

Art. 514. Nos crimes afiançáveis, estando a denúncia ou queixa em devida forma, o juiz
mandará autuá-la e ordenará a notificação do acusado, para responder por escrito, dentro do prazo de
quinze dias.

 Lei de Drogas;

 Juizados Especiais – art. 81 da Lei 9099/95:

Art. 81. Aberta a audiência, será dada a palavra ao defensor para responder à acusação, após o que o Juiz
receberá, ou não, a denúncia ou queixa; havendo recebimento, serão ouvidas a vítima e as testemunhas de
acusação e defesa, interrogando-se a seguir o acusado, se presente, passando-se imediatamente aos
debates orais e à prolação da sentença.

§ 1º Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, podendo o Juiz limitar
ou excluir as que considerar excessivas, impertinentes ou protelatórias.

§ 2º De todo o ocorrido na audiência será lavrado termo, assinado pelo Juiz e pelas partes, contendo
breve resumo dos fatos relevantes ocorridos em audiência e a sentença.

§ 3º A sentença, dispensado o relatório, mencionará os elementos de convicção do Juiz.

 Lei de Imprensa – Lei 5.250/67;

 Competências Originárias dos Tribunais;

 Lei de Improbidade Administrativa – Lei 8429/92.

 Quando houver defesa preliminar recebimento da


peça acusatória tem que ser fundamentada.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 105
LFG_2º Semestre_2009

21 – REJEIÇÃO DA PEÇA ACUSATÓRIA:

Ou não recebimento da peça acusatória.

1º) Inépcia da peça acusatória  a não observância


dos requisitos obrigatórios.

2º) Ausência dos pressupostos processuais:

De EXISTÊNCIA;

DEMANDA – veiculada pela peça acusatória;

JURISDIÇÃO – competência e imparcialidade do


juízo;

Existência de PARTES que possam estar em


juízo;

De VALIDADE – dizem respeito à inexistência de


litispendência, coisa julgada ou de outros vícios
processuais.

3º) Ausência das condições da ação penal.

4º) Ausência de Justa Causa

A rejeição da peça acusatória, ela só faz coisa


julgada formal. Removido o defeito, nova peça acusatória pode
ser oferecida.

 Qual o recurso cabível contra a rejeição?

RESE - art. 581/CPP:

Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença:

I - que não receber a denúncia ou a queixa;


PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 106
LFG_2º Semestre_2009

Na Lei 9099/95  APELAÇÃO – art. 82:

Art. 82. Da decisão de rejeição da denúncia ou queixa e da sentença caberá apelação, que poderá
ser julgada por turma composta de três Juízes em exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede
do Juizado.

6ª Aula – 08/09/09

AÇÃO PENAL (Cont.)

22. RENÚNCIA:
RENÚNCIA

Conceito  É um ato unilateral do ofendido ou de seu


representante legal abrindo mão do direito de propor a ação penal
privada.

A renúncia está ligada ao Princípio da Oportunidade


ou Conveniência da ação penal.

A renúncia não se confunde com o perdão, pois a


renúncia, ao contrário do perdão, não depende de aceitação.

Em virtude do Princípio da Indivisibilidade se o indivíduo


quiser processar um dos co-autores ele é obrigado a processar
todos. Portanto, em razão do Princípio da Indivisibilidade a renúncia
concedida a um dos co-autores estende-se aos demais.

A RENÚNCIA vai se dar antes do início da ação penal.

A renúncia pode ser:


PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 107
LFG_2º Semestre_2009

Expressa  é aquela feita por declaração inequívoca do


ofendido – art. 50/CPP. Cuidado, o PU perdeu a sua razão
de ser com o advento do CC-02. A renúncia expressa é
raríssima.

Art. 50. A renúncia expressa constará de declaração assinada pelo ofendido, por seu
representante legal ou procurador com poderes especiais.

Parágrafo único. A renúncia do representante legal do menor que houver completado


18 (dezoito) anos não privará este do direito de queixa, nem a renúncia do último excluirá o
direito do primeiro.

Tácita  ocorre pela prática de ato


incompatível com a vontade de processar. Exemplo:
convite para ser padrinho de casamento. O próprio
casamento – cuidado – art. 107/CP: antes da Lei
11.106/05 o casamento do agente com a vítima em
crimes sexuais, era causa extintiva da punibilidade.

Se o casamento acontecesse em 2008 haveria a


extinção da punibilidade? Sim porque em 2008 esse crime
sexual era de ação penal privada. Hoje, em 2009, se estivermos
diante de estupro de vulnerável, a ação penal é pública
incondicionada. Portanto, hoje, esse casamento não seria mais
causa extintiva da punibilidade.22

 O recebimento de indenização, em regra, não


significa renúncia, salvo na hipótese de composição civil dos
danos.

Ver art. 104/CP:

Art. 104 - O direito de queixa não pode ser exercido quando renunciado expressa ou tacitamente.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
22
No exemplo do casamento, o agente manteve conjunção carnal com a moça sob influência de álcool.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 108
LFG_2º Semestre_2009

Parágrafo único - Importa renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato incompatível com
a vontade de exercê-lo; não a implica, todavia, o fato de receber o ofendido a indenização do dano causado
pelo crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Lei 9099 - Art. 74:

Art. 74. A composição dos danos civis será reduzida a escrito e, homologada pelo Juiz mediante
sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser executado no juízo civil competente.

Parágrafo único. Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação penal pública
condicionada à representação, o acordo homologado acarreta a renúncia ao direito de queixa ou
representação.

Em regra, só é cabível falar em renúncia na ação penal


privada.

 Seria cabível a renúncia na ação penal pública?


Em regra não, pois a renúncia está ligada ao direito de queixa.
Todavia, há EXCEÇÃO: NA HIPÓTESE DA COMPOSIÇÃO CIVIL DOS DANOS – ART.

74/L9099 – VISUALIZA-SE A POSSIBILIDADE DE RENÚNCIA AO DIREITO DE

REPRESENTAÇÃO.

A RENÚNCIA NÃO ADMITE RETRATAÇÃO.

23. PERDÃO DO OFENDIDO NA AÇÃO PENAL


PRIVADA:

Conceito  é o ato pelo qual o ofendido ou seu


representante legal desiste de prosseguir com o processo já em
andamento, perdoando o seu ofensor, com a conseqüente extinção
da punibilidade caso o perdão seja aceito.

O PERDÃO está ligado ao Princípio da Disponibilidade.

O PERDÃO depende de aceitação.


PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 109
LFG_2º Semestre_2009

O PERDÃO, por força do Princípio da Indivisibilidade, caso


seja concedido a um dos querelados, estende-se aos demais,
desde que eles aceitem –  CUIDADO –.

O PERDÃO só pode ser concedido durante o curso do


processo.

Esse perdão do ofendido na ação penal privada NÃO se


confunde com o perdão judicial. Este é concedido pelo juiz e o
melhor exemplo é o homicídio culposo – art. 121, § 5º/CP:

§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as conseqüências da


infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. (Incluído
pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977)

 Até qual momento se pode perdoar o querelado?


Até o trânsito em julgado da sentença condenatória.

Art. 106/CP:

Art. 106 - O perdão, no processo ou fora dele, expresso ou tácito: (Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)

I - se concedido a qualquer dos querelados, a todos aproveita; (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

II - se concedido por um dos ofendidos, não prejudica o direito dos outros; (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

III - se o querelado o recusa, não produz efeito. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

§ 1º - Perdão tácito é o que resulta da prática de ato incompatível com a vontade de prosseguir
na ação. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 2º - Não é admissível o perdão depois que passa em julgado a sentença condenatória.


(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Cuidado com o inciso II: O perdão dado por uma das


vítimas, não atinge o direito das demais vítimas em
prosseguir na ação penal.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 110
LFG_2º Semestre_2009

O PERDÃO depende de Aceitação que pode ser:

Expressa

Tácita

 O silêncio do querelado significa aceitação ou


não? O silêncio do querelado significa ACEITAÇÃO. Ver art. 58/CPP:

Art. 58. Concedido o perdão, mediante declaração expressa nos autos, o querelado será intimado a dizer,
dentro de três dias, se o aceita, devendo, ao mesmo tempo, ser cientificado de que o seu silêncio
importará aceitação.

Parágrafo único. Aceito o perdão, o juiz julgará extinta a punibilidade.

24. PEREMPÇÃO:

Conceito  É a perda do direito de prosseguir no


exercício da ação penal exclusivamente privada ou
personalíssima,em virtude da desídia do querelante.

Perempção nada mais é do que uma sanção ao


querelante preguiçoso, relapso. Cuidado para não confundir com
DECADÊNCIA  que é a perda do direito de ação penal privada ou
de representação pelo seu não exercício no prazo legal.

Na perempção você já deu início à ação e perde o direito


de continuar; na Decadência você perde o direito de iniciar a
ação penal.

A RENÚNCIA, o PERDÃO e a PEREMPÇÃO são institutos da AÇÃO

PENAL PRIVADA. Se o crime é de ação penal pública o MP é o titular da


ação – ver art. 60/CPP –:

Art. 60. Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-se-á perempta a ação
penal:
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 111
LFG_2º Semestre_2009

HIPÓTESES DE PEREMPÇÃO – Art. 60:

Art. 60. Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-se-á perempta a ação penal:

I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias
seguidos;

II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em juízo, para
prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-
lo, ressalvado o disposto no art. 36;

III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato do processo a
que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais;

IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor.

Inciso I  precisa intimar o querelante? Eugênio


Pacelli entende que sim. Todavia, também há doutrinadores que
dizem que esta é um sanção automática.

Inciso II  se os sucessores (CADI) não se habilitarem no


processo em 60 dias, vai se dar a perempção. É preciso a
intimação dos sucessores ou a perempção funciona como
sanção automática? Há doutrinadores que dizem que é
necessário intimar. Mas, intimar quem? O cônjuge? O descendente?
O Ascendente ou o irmão? Para o professor, é óbvio que essa
sanção é automática e não seria necessária a intimação dos
sucessores.

Inciso III  vamos dividir em duas partes: a qualquer ato do

processo a que deva estar presente - qual é a consequência da ausência


do querelante à audiência de conciliação nos procedimentos de
crimes contra a honra? Essa ausência deve ser entendida como o
não interesse de conciliar, é como se o querelante estivesse
dizendo ao juiz que não quer acordo com o querelado. Ou seja, o
não comparecimento não vai dar ensejo à perempção.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 112
LFG_2º Semestre_2009

Ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais 


dois questionamentos:

1º) Esse pedido de condenação precisa ser expresso?


Esse pedido de condenação não precisa ser expresso.
2º) qual é a consequência da ausência do advogado do
querelante à sessão de julgamento do júri? OBS: querelante no júri
acontece em duas hipóteses: - na ação penal privada subsidiária da
pública; - no litisconsórcio ativo entre o MP (no crime de ação penal
pública) e o querelante (no crime de ação penal privada).
Respondendo à questão: se o advogado do querelante
não estiver presente não vai haver sustentação oral para pedir a
condenação do agente. Na primeira hipótese o MP reassume; já na
hipótese de litisconsórcio ativo, o MP ai fazer a sustentação no
crime de ação penal pública, mas no crime de ação penal privada
vai haver a perempção, pois não haverá advogado para pedir a
condenação.

Inciso IV  é um caso mais difícil, podemos pensar em


crimes contra a honra. Caso a pessoa jurídica venha a ser extinta
sem deixar sucessor vai gerar a extinção da punibilidade.
Art. 61:
Art. 61. Em qualquer fase do processo, o juiz, se reconhecer extinta a punibilidade,
deverá declará-lo de ofício.

Parágrafo único. No caso de requerimento do Ministério Público, do querelante ou do réu, o juiz


mandará autuá-lo em apartado, ouvirá a parte contrária e, se o julgar conveniente, concederá o prazo de
cinco dias para a prova, proferindo a decisão dentro de cinco dias ou reservando-se para apreciar a matéria
na sentença final.

Matéria de ordem pública, o juiz declara de ofício, não


precisando ser provocado.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 113
LFG_2º Semestre_2009

JURISDIÇÃO E
COMPETÊNCIA
1. MECANISMOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS:

a) AUTOTUTELA: Caracteriza-se pelo emprego da força bruta


para a satisfação de interesses. É admitida no Direito? Em regra, a
autotutela vai caracterizar o crime de exercício arbitrário das
próprias razões. Excepcionalmente essa autotutela é admitida, o
próprio Estado, a título excepcional, autoriza que se faça justiça
com as próprias mãos.

Exemplos: legítima defesa, estado de necessidade 


prisão em flagrante é exemplo de autotutela, até mesmo quando a
prisão é efetuada pela autoridade policial porque quando prende,
ela não tem autorização judicial nessa hipótese.

b) AUTOCOMPOSIÇÃO: a busca pelo consenso. Pode se dar de


3 formas:

b.1) Art. 98, I/CF:

I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a conciliação, o
julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial
ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumariíssimo, permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a
transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro grau;

Infração de menor potencial ofensivo  são todas as


contravenções e crimes cuja pena máxima não seja superior a 02
anos, cumulada ou não com multa, e submetidos os crimes ou não
a procedimento especial. Exemplo: Desacato – pena de 6 meses a
02 anos  JECRIM – acordo.

c) JURISDIÇÃO: Juris (Direito) + Dictio (Dizer).


PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 114
LFG_2º Semestre_2009

CONCEITO  jurisdição é uma das funções do Estado,


exercida precipuamente pelo Poder Judiciário, mediante a qual este
se substitui aos titulares dos interesses em conflito para de modo
imparcial aplicar o direito objetivo ao caso concreto.

Jurisdição  o juiz, de modo imparcial, se substitui aos


terceiros em conflito e vai aplicar o direito ao caso concreto.

Um dos OBJETIVOS DA JURISDIÇÃO é a PACIFICACAO SOCIAL.

2. PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL:

É um dos princípios mais importantes relacionados ao


assunto.

CONCEITO  deve ser compreendido como o direito que


pessoa acusada da prática de um delito tem de saber, previamente,
por qual juiz será julgada. Visa impedir o julgamento da causa por
juiz ou tribunal cuja competência não esteja previamente à prática
do fato delituoso definida na Constituição Federal.

Esse princípio do juiz natural não está na Constituição


com essas palavras, mas a doutrina e a jurisprudência vão extraí-lo
de dois incisos constitucionais: art. 5º, XXXVII e LIII:

XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;

Juízo ou Tribunal de exceção é aquele criado após a


prática do fato delituoso especificamente para julgá-lo. Não existe
no nosso ordenamento, mas em países estrangeiros sim, por
exemplo, Ruanda e Iugoslávia (para julgar Milosevic), também o
Tribunal de Nuremberg. O objetivo da criação do TPI (Tribunal Penal
Internacional) foi acabar com esses tribunais de exceção, pois o TPI
é tribunal permanente.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 115
LFG_2º Semestre_2009

 Justiça Militar é tribunal de exceção? As justiças


especializadas não são tribunais de exceção¸pois estão
previstas na própria Constituição.

LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade


competente;

O Princípio do Juiz Natural também foi previsto na


Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da
Costa Rica) em seu art. 8º, no 1.

No ordenamento brasileiro somente se considera JUIZ


NATURAL o órgão judiciário cujo poder de julgar derive de fontes
constitucionais.

Frederico Marques  juiz natural é o que está previsto na


Constituição. Portanto, no ordenamento brasileiro JUIZ NATURAL é
sinônimo de JUIZ CONSTITUCIONAL.

De acordo com a doutrina, desse princípio derivam três


regras de proteção:

1ª) Só podem exercer jurisdição os órgãos


instituídos pela Constituição.

2ª) Ninguém pode ser julgado por órgão instituído


após a prática do fato delituoso (Tribunal de exceção).

3ª) Entre os juízes préconstituídos vigora uma


ordem TAXATIVA de competência, que impede qualquer hipótese
de discricionariedade para a escolha do juiz. Por exemplo, a
DISTRIBUIÇÃO.

Três pontos a serem destacados:


PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 116
LFG_2º Semestre_2009

2.1 – LEI PROCESSUAL QUE MODIFICA


COMPETÊNCIA:
COMPETÊNCIA

Tem aplicação imediata ou só se aplica aos crimes


cometidos após a sua entrada em vigor. O exemplo é a Lei
9.299/96 – essa lei alterou o CPM – antes dessa lei caso um militar
em serviço cometesse um crime doloso contra a vida de um civil,
esse crime seria julgado pela Justiça Militar. Em 1996 retiraram esse
crime da Justiça Militar (essa lei é conhecida como “lei Rambo”).
Depois dessa lei, caso o militar matasse um civil, ainda que m
serviço, esse crime seria de competência do Tribunal do Júri.

Imaginemos 1995:

Justiça militar de 1ª instância  48 processos de militares


que mataram civis

Justiça militar de 2ª instância (TJM)  20 processos.

Entra em vigor a lei. O que fazer com os 48 processos da


1ª instância e com os 20 da 2ª instância?

Lei de natureza processual tem aplicação imediata.


Portanto, os 48 processos da 1ª instância irão para o Tribunal do
Júri enquanto os 20 que estavam na 2ª instância faz o quê? São
Paulo, por exemplo, tem TJM (o RJ não), nesses casos em que há
TJM os processos permanecem no TJM. Se não tiver, com o RJ, por
exemplo, vai para o TJ.

Para a doutrina lei que altera a competência somente


poderia ser aplicada aos crimes cometidos após sua vigência.
Defensores: Ada Pelegrini e Tourinho Filho. Porém, para a
jurisprudência lei que altera a competência tem aplicação
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 117
LFG_2º Semestre_2009

imediata aos processos em andamento, salvo se já houvesse


sentença relativa ao mérito (na 1ª instância), hipótese em que o
processo deveria seguir na jurisdição em que ela foi prolatada.

Portanto, à lei processual aplica-se o art. 2º do CPP:

Art. 2o A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a
vigência da lei anterior.

Ver STF HC 76510.

HC 76510 / SP - Min. CARLOS VELLOSO

EMENTA: PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. CRIMES DOLOSOS CONTRA


A VIDA PRATICADOS POR MILITAR OU POLICIAL MILITAR, CONTRA CIVIL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA
COMUM. LEI 9.299, DE 7/8/96. EXAME DE PROVA: IMPOSSIBILIDADE. PRETENSÃO DE JULGAMENTO
PELO TRIBUNAL DO JÚRI: IMPOSSIBILIDADE. PRISÃO DOS RÉUS: LEGALIDADE. I. - Com a
promulgação da Lei 9.299/96, os crimes dolosos contra a vida praticados por militar ou policial
militar, contra civil, passaram a ser da competência da Justiça comum. II. - A alegação de que os
réus agiram em legítima defesa implicaria o revolvimento de toda a prova, o que não se admite nos
estreitos limites do habeas corpus. III. - Hipótese em que já tendo sido proferida sentença de
primeiro grau e estando pendente de julgamento a apelação dos réus, não há falar em novo
julgamento, pelo Tribunal do Júri, em razão da promulgação da Lei 9.299/96. A controvérsia ficou
restrita, no caso, à competência para o julgamento do recurso. IV. - HC indeferido.

EXEMPLO ATUAL:
ATUAL Tráfico de Drogas internacional
praticado em Município que não seja sede de Vara Federal –
Lei

Por exemplo, Município não tem Vara Federal, mas é sede


de Vara estadual. Tráfico de drogas ocorrido em 2005  De acordo
com a antiga Lei de Drogas (art. 27 da Lei 6368/76) caso não
houvesse Vara federal no Município, o tráfico de drogas
internacional seria julgado pela justiça estadual, com recurso para o
respectivo TRF.  Esse art. 27 já caiu mais de três vezes em prova
da UNB.

Cuidado com isso – ATENÇÃO para o art. 70, PU da Lei


11.343/06. Esse artigo trouxe uma mudança completa em relação
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 118
LFG_2º Semestre_2009

ao assunto. Agora, mesmo que não haja Vara federal na cidade,


você vai ter que saber a qual subseção da Justiça federal aquele
Município está subordinado e lá ele será processado.

2.2 – CONVOCAÇÃO DE JUÍZES DE 1ª INSTÂNCIA


PARA SUBSTITUIR DESEMBARGADORES:
DESEMBARGADORES

Se o Desembargador tiver que se afastar por mais de 30


dias o juiz será convocado.

 Essa convocação de juízes viola ou não o


Princípio do Juiz Natural?

Existe previsão legal para essa convocação? Esse é o


primeiro ponto a ser abordado. Existe previsão legal: art. 118 da
LC 35/79 – justiça estadual – e no âmbito da justiça federal art. 4º
da Lei 9788/99.

Uma segunda vertente é no sentido de, por exemplo, no


TJ existe uma Câmara composta por 3 desembargadores. Dois
estão afastados e são substituídos por dois juízes convocados e um
desembargador. Inicialmente entendeu o STJ que o julgamento não
poderia ser feito por uma Turma ou Câmara composta
majoritariamente por juízes convocados. Ver HC 98796/STJ. Se
fosse o contrário – 2 desembargadores e 1 juiz seria possível.

HC 98796 / SP - Ministra LAURITA VAZ

HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. ROUBO TENTADO. CONDENAÇÃO EM PRIMEIRO GRAU.


JULGAMENTO DE RECURSO DE APELAÇÃO INTERPOSTO PELA DEFESA. IMPROVIMENTO.
ÓRGÃO COLEGIADO. COMPOSIÇÃO MAJORITÁRIA POR JUÍZES CONVOCADOS. VIOLAÇÃO AO
PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL. PRECEDENTES. EXCESSO DE PRAZO CONFIGURADO.
1. Embora não exista impedimento à convocação, autorizada por lei complementar estadual,
de Juízes de primeiro grau para compor órgão julgador do Tribunal de Justiça, não pode o
órgão revisor ser formado majoritariamente por Juízes convocados, sob pena de violação ao
princípio do Juiz Natural.
2. É dos Desembargadores titulares a jurisdição sobre os recursos criminais de competência do
Tribunal de Justiça Estadual. A Constituição Federal admite a composição de órgão revisor
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 119
LFG_2º Semestre_2009

formado por Juízes de primeiro grau somente para o julgamento dos recursos que versarem
sobre crimes de menor complexidade e infrações de menor potencial ofensivo, de competência
da Turma Recursal dos Juizados Especiais.
3. Como o Paciente já cumpriu toda a pena corporal imposta pelo acórdão, preso
cautelarmente, deve lhe ser concedido alvará de soltura, diante do evidente excesso de prazo
na formação da culpa decorrente da anulação do julgamento do apelo defensivo que ora se
consolida.
4. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça.
5. Ordem concedida para anular o julgamento do recurso de apelação, determinando novo
julgamento por Câmara composta majoritariamente por Desembargadores titulares, e
determinar a expedição de alvará de soltura em favor do ora Paciente, se por outro motivo não
estiver preso, para que possa aguardar o julgamento do recurso de apelação em liberdade.

Posteriormente, entendeu a 3ª Seção do STJ que é


perfeitamente válido o julgamento feito por Turma formada por
maioria de juízes convocados (STJ – HC 126390).

HC 111919 / SP - Ministra LAURITA VAZ

HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. FURTO SIMPLES TENTADO. JULGAMENTO DE


RECURSO DE APELAÇÃO INTERPOSTO PELA DEFESA. CÂMARA CRIMINAL EXTRAORDINÁRIA,
COMPOSTA POR JUÍZES DE PRIMEIRO GRAU CONVOCADOS. INOBSERVÂNCIA DA LEI
COMPLEMENTAR PAULISTA N.º 646/90. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL.
1. Não ofende o princípio do juiz natural a convocação de juízes de primeiro grau para, nos
casos de afastamento eventual do desembargador titular, compor o órgão julgador do
respectivo Tribunal, desde que observadas as diretrizes legais federais ou estaduais, conforme
o caso. Precedentes do STF e do STJ.
2. Na hipótese em tela, o Tribunal de Justiça paulista procedeu a convocações de juízes de
primeiro grau para formação de Câmaras Julgadoras, valendo-se de um sistema de
voluntariado, sem a observância da regra legal instituída (Lei Complementar n.º 646/90 do
Estado de São Paulo), qual seja, a de realização de concurso de remoção, tornando nula a
atuação do magistrado de primeiro grau convocado nessas circunstâncias.
3. Ordem concedida para anular o julgamento do recurso de apelação, determinando a sua
renovação por Turma Julgadora, com a observância da lei de regência.

Essa convocação será considerada válida, mas desde que


não seja feita por meio de um sistema de voluntariado.

2.3 – CRIAÇÃO DE VARAS ESPECIALIZADAS PARA O


PROCESSO E JULGAMENTO DE LAVAGEM DE CAPITAIS:
CAPITAIS

Lavagem de capitais demanda conhecimento


especializado.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 120
LFG_2º Semestre_2009

Em 2003 o Conselho da Justiça Federal edita uma


Resolução (R314) determinando aos tribunais a criação de Varas
especializadas pelos TRF’s. Depois dessa Resolução todos os
tribunais criaram Varas Especializadas.

É possível que o Tribunal especialize uma Vara já


existente em Lavagem de Capitais? É possível remeter os
processos que já estavam em andamento para essa Vara?

Essa especialização de Varas no âmbito da Justiça federal


tem expressa autorização legal (art. 11/L5010/66).

Como houve alteração da competência em razão da


matéria, nada impede a remessa dos processos em andamento nas
demais Varas à Vara especializada. Ver art. 87 do CPC.

Para o STJ, não há falar em violação ao princípio do juiz


natural (ver CC 57838). Para o STF, apesar da ilegalidade da
Resolução 314, pois o Conselho da Justiça Federal somente possui
atribuições administrativas, permanecem válidas as Resoluções dos
TRF’s (HC 88660/STF esse julgado foi aguardado com muita
ansiedade, pois o Supremo demorou muito a se manifestar sobre
isso).

3. C O M P E T Ê N C I A :

3.1 - CONCEITO  competência é a medida e o limite da


jurisdição, dentro dos quais o órgão jurisdicional pode aplicar o
direito.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 121
LFG_2º Semestre_2009

Jurisdição, como função do Estado, é uma só – princípio


da Unidade da Jurisdição – todavia, hoje não há como imaginarmos
um magistrado tendo atribuição para tudo.

3.2 ESPÉCIES DE COMPETÊNCIA:


COMPETÊNCIA

A) RATIONE MATERIAE: estabelecida de acordo com a


natureza da infração penal. Exemplo: crimes militares; crimes
eleitorais; crimes federais.

B) RATIONE PERSONAE: é estabelecida em razão da função


que a pessoa exerce; é o que se conhece como competência por
prerrogativa de função – cuidado para não usar a expressão
“foro privilegiado” –. Não é a pessoa que determina a competência,
portanto, o ideal seria usar a expressão RATIONE FUNCIONAE porque
não é a pessoa que vai determinar a competência, mas sim a
função que ela exerce. Perdeu a função, perdeu a competência.

C) RATIONE LOCI: competência territorial ou competência de


foro. No processo penal ela, em regra, é determinada pelo local da
consumação do delito ou, subsidiariamente, pelo domicílio do
acusado.

D) FUNCIONAL: a competência será fixada conforme a


função que cada um dos órgãos jurisdicionais exerce no processo. A
doutrina aponta três espécies de competência funcional:

D.1 – Competência Funcional por Fase do processo  de


acordo com a fase em que o processo estiver um órgão jurisdicional
diferente exercerá a competência. Por exemplo, Tribunal do Júri 
1ª fase = atuação do juiz sumariante; 2ª fase  conselho de
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 122
LFG_2º Semestre_2009

sentença e juiz. Outro exemplo: competência outorgada ao juiz do


processo e ao juízo das execuções.

D.2 – Competência Funcional por Objeto do Juízo  cada


órgão jurisdicional exerce a competência sobre determinadas
questões a serem decididas no processo. Exemplo – Júri  juiz
presidente (de um lado) + Conselho de sentença (de outro lado).
Depende da questão a ser decidida: os jurados decidem sobre o
crime; o juiz de direito decide as questões de direito, por exemplo,
nulidades que possam ocorrer durante o julgamento.

D.3 – Competência Funcional por Grau de Jurisdição  é


aquela que divide a competência entre órgãos jurisdicionais
superiores e inferiores. Exemplo: em regra a pessoa é processada
em 1ª instância e a competência recursal é do tribunal.

Alguns doutrinadores diferem competência funcional


horizontal e competência funcional vertical. Na competência
funcional horizontal os órgãos jurisdicionais estão no mesmo
plano hierárquico. Na competência funcional vertical os
órgãos jurisdicionais estão em planos hierárquicos distintos.

Aula 07 - 09/10/09

Alterações legislativas:
legislativas

• Lei 12.033  O crime de injúria racial passa a ser


de ação penal pública condicionada a representação (e não
mais de ação penal privada).

• Lei 12.037  Em seu art. 9º revogou a Lei 10.054


(Lei de Identificação Criminal). Na antiga lei, havia um rol de crimes
em que a identificação criminal seria obrigatória, o que hoje não
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 123
LFG_2º Semestre_2009

mais existe. Vide o art. 3º desta lei:

Art. 3º Embora apresentado documento de identificação, poderá ocorrer identificação criminal


quando:

I – o documento apresentar rasura ou tiver indício de falsificação;

II – o documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado;

III – o indiciado portar documentos de identidade distintos, com informações conflitantes entre si;

IV – a identificação criminal for essencial às investigações policiais, segundo despacho da


autoridade judiciária competente, que decidirá de ofício ou mediante representação da autoridade policial,
do Ministério Público ou da defesa; (única hipótese que exige autorização judicial)

V – constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações;

VI – o estado de conservação ou a distância temporal ou da localidade da expedição do documento


apresentado impossibilite a completa identificação dos caracteres essenciais.

Parágrafo único. As cópias dos documentos apresentados deverão ser juntadas aos autos do
inquérito, ou outra forma de investigação, ainda que consideradas insuficientes para identificar o indiciado.

Além disso, o art. 7º da nova lei prevê a possibilidade de


o investigado requerer que suas fotos sejam retiradas dos autos do
inquérito.

4. Competência Absoluta e Relativa:

Competência
Competência Relativa
Absoluta
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 124
LFG_2º Semestre_2009

Tutela o interesse
Interesse de ordem preponderante das
pública. Além disto, partes. Não se fala em
alguns doutrinadores, “interesse das partes”,
como Eugenio Pacelli, pois, mesmo nos casos
Natureza do
citam como outra de competência relativa,
interesse
característica da continua havendo o
protegido
competência absoluta o interesse do Estado, de
fato de suas regras forma que ao interesse
estarem previstas na das partes tão somente
CRFB. se dá uma importância
maior.
Como é ditada pelo
interesse público, a Trata-se de competência
competência absoluta é prorrogável ou
improrrogável ou derrogável, ou seja,
imodificável, ou seja, pode ser modificada.
não é passível de
modificação quer pela Podem ser alteradas
vontade das partes, por conexão e
quer pela vontade do continência.
juiz. (Ex.: O julgamento
Possibilidade dos deputados federais
de alteração é feito perante o STF,
não admitindo sua
realização por outro
órgão.)
Como a conexão e a
continência
modificativas de
competência, não
podem alterar uma
regra de competência
absoluta.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 125
LFG_2º Semestre_2009

Conseqüências A inobservância de O máximo que pode


da não regra de competência acontecer é uma
observação absoluta irá produzir nulidade relativa, a
uma nulidade qual possui 2
absoluta, a qual conta características que se
com 2 principais contrapõem à nulidade
características: absoluta, quais sejam:

a) Pode ser argüida a a) Deve ser argüida no


qualquer momento. momento oportuno,
Após o trânsito em sob pena de preclusão.
julgado de sentença Assim, deve-se
condenatória ou questioná-la até o
absolutória imprópria, a oferecimento da
nulidade absoluta resposta à acusação,
poderá ser impugnada nos termos do art. 396-
por meio de revisão A, CPP, não havendo
criminal ou de habeas mais que se falar em
corpus. defesa prévia – “Na
resposta, o acusado
Obs.: Para parte poderá argüir
minoritária da doutrina, preliminares e alegar
sentença proferida por tudo o que interesse à
juiz absolutamente sua defesa, oferecer
incompetente seria documentos e
inexistente (Ada justificações, especificar
Pelegrini) Todavia, não é as provas pretendidas e
esta a posição que arrolar testemunhas,
prevalece. Portanto, qualificando-as e
sentença absolutória requerendo sua
ou declaratória intimação, quando
extintiva da necessário”.
punibilidade, ainda
que proferida por juiz b) O prejuízo deve ser
absolutamente comprovado. Tal
incompetente é capaz prejuízo, porém, é algo
de transitar em abstrato, o que impede a
julgado e produzir declaração da nulidade.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 126
LFG_2º Semestre_2009

efeitos, dentre eles o


de impedir que o
acusado seja novamente
acusado pela mesma
imputação. Neste
sentido: HC 86.606 –
STF.

b) O prejuízo é
presumido, basta que
se afirme ter havido
violação a uma regra de
competência, a qual
deriva da CRFB.

Conhecimento Pode ser reconhecida ex Diferentemente do que


ex officio officio pelo juiz, se dá em sede de
enquanto exercer a processo civil, a
jurisdição no processo. incompetência relativa
também pode ser
conhecida de oficio pelo
juiz, nos termos do art.
309, CPP (“Se em
qualquer fase do
processo o juiz
reconhecer motivo que o
torne incompetente,
declará-lo-á nos autos,
haja ou não alegação da
parte, prosseguindo-se
na forma do artigo
anterior”).
Diante da adoção do
Princípio da Identidade
Física do Juiz no
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 127
LFG_2º Semestre_2009

Processo Penal, a
incompetência relativa
somente poderá ser
reconhecida ex officio
até o início da instrução
processual. Tal se
justifica pois, se a
incompetência relativa
fosse reconhecida
quando da sentença, o
novo juiz que recebesse
a causa teria de renovar
toda a instrução.

⇒ Competência Ratione
Loci
⇒ Competência por
⇒ Competência Ratione distribuição
Materiae; ⇒ Competência por
⇒ Competência Ratione prevenção (súmula 706,
Exemplos
Funcionae (Personae); STF – “É relativa a
⇒ Competência nulidade decorrente da
Funcional. inobservância da
competência penal por
prevenção.”)
⇒ Conexão e continência

HC 86606 / MS - Min. CÁRMEN LÚCIA


PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 128
LFG_2º Semestre_2009

EMENTA: HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PERSECUÇÃO PENAL NA JUSTIÇA


MILITAR POR FATO JULGADO NO JUIZADO ESPECIAL DE PEQUENAS CAUSAS, COM TRÂNSITO EM
JULGADO: IMPOSSIBILIDADE: CONSTRANGIMENTO ILEGAL CARACTERIZADO. ADOÇÃO DO
PRINCÍPIO DO NE BIS IN IDEM. HABEAS CORPUS CONCEDIDO. 1. Configura constrangimento
ilegal a continuidade da persecução penal militar por fato já julgado pelo Juizado Especial de
Pequenas Causas, com decisão penal definitiva. 2. A decisão que declarou extinta a
punibilidade em favor do Paciente, ainda que prolatada com suposto vício de incompetência
de juízo, é susceptível de trânsito em julgado e produz efeitos. A adoção do princípio do ne
bis in idem pelo ordenamento jurídico penal complementa os direitos e as garantias
individuais previstos pela Constituição da República, cuja interpretação sistemática leva à
conclusão de que o direito à liberdade, com apoio em coisa julgada material, prevalece sobre
o dever estatal de acusar. Precedentes. 3. Habeas corpus concedido.

 Caso concreto: Crime de estelionato praticado entre


1996 e 1997, em continuidade delitiva. Denúncia oferecida em
2001 e recebida pela Justiça Federal. Sentença condenatória
proferida em 2005, fixando pena de 3 anos e 6 meses. Apenas a
defesa apela, recurso que é recebido pelo TRF em 2007. Qual
decisão foi proferida pelo TRF?

1996/1 2001
997 Denúncia 2005
2007
Estelion e Sentença
Apelação
ato Recebime Condenat
da defesa
nto pela ória
recebida
Justiça
pelo TRF
Federal Pena:
R: Neste mister, dispõe a3a6m.
súmula 107, STJ: “Compete à Justiça
Comum Estadual processar e julgar crime de estelionato praticado mediante falsificação das guias de

recolhimento das contribuições previdenciárias, quando não ocorrente lesão a autarquia federal.”.

Dessa forma, tratando-se uma hipótese de competência


absoluta (ratione materiae), o TRF, ao julgar a apelação,
reconhecerá a nulidade ab initio do processo, anulando o
recebimento da denúncia, bem como a sentença outrora proferida,
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 129
LFG_2º Semestre_2009

eis que feita por juiz incompetente. Feito isto, os autos serão
remetidos à Justiça Estadual. Em tese, embora o correto seria o
novo oferecimento e recebimento de denúncia, na prática esta é
apenas ratificada. No entanto, como foi oferecido recurso apenas
pela defesa, vigora o Princípio da Vedação à Reformatio In Pejus,
sendo necessário verificar se não houve a ocorrência da prescrição.

5. FIXAÇÃO DA COMPETÊNCIA:

5.1. Competência de Justiça: Qual a justiça


competente? (Militar, Eleitora, Federal, Estadual)

5.2. Competência originária: O acusado tem foro por


prerrogativa de função?

5.3. Competência de foro / territorial: Qual a comarca


competente? (Comarca: Justiça Estadual, Seção/ Subseção: Justiça
Federal)

5.4. Competência de juízo: Qual a vara competente?


(Varas especializadas, etc.)

5.5. Competência de juiz / Competência interna: Qual o


juiz competente?

5.6. Competência recursal: Para onde o recurso será


remetido?

6. “JUSTIÇAS” COM COMPETÊNCIA CRIMINAL:

6.1. Justiça especializada:


PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 130
LFG_2º Semestre_2009

 Justiça Militar da União/dos Estados

 Justiça Eleitoral

 Justiça do Trabalho (EC 45/04)

 Justiça Política (Extraordinária – Ex.: Julgamento pelo


STF de crimes de responsabilidade praticados pelo Presidente da
República)

6.2. Justiça comum:

 Justiça Federal

 Justiça Estadual (competência residual)

7. JUSTIÇA MILITAR DA UNIÃO:

Dos Estados
(Art. 125, §4º, CRFB)
Da União
“Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os
(art. 124, CRFB)
militares dos Estados, nos crimes militares definidos em lei
e as ações judiciais contra atos disciplinares militares,
“À Justiça Militar compete processar e
ressalvada a competência do júri quando a vítima for civil,
julgar os crimes militares definidos em lei.”
cabendo ao tribunal competente decidir sobre a perda do
posto e da patente dos oficiais e da graduação das
praças.

Julga crimes própria e Também julga crimes própria e


impropriamente militares.
impropriamente militares.
Ex1: Abuso de autoridade praticado por
Os crimes propriamente militar em serviço. Este não é um crime
militar, sendo previsto em legislação
militares caracterizam uma
especifica. Sendo assim, o processamento
infração específica e funcional e julgamento serão feitos pela Justiça
do militar. Apesar da crítica da Comum (Federal, se praticado por militar
federal, ou Estadual, se praticado por
doutrina, o STF (HC 438) já
autoridade estadual). Neste sentido,
entendeu como a condição de súmula 172, STJ (“Compete à Justiça
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 131
LFG_2º Semestre_2009

militar é uma elementar do Comum processar e julgar militar por


crime, comunica-se a terceiro, crime de abuso de autoridade, ainda que
praticado em serviço.”).
desde que ele tenha
consciência, a exemplo do que Ex2: Tortura praticada por militar. Também
ocorre com os crimes próprios é um crime comum, eis que não previsto
no CPM.
de funcionário público. (Ex.:
Art. 175, CPM –“Praticar Ex3: Disparo de arma de fogo ou porte
violência contra inferior.”) ilegal de arma de fogo de uso restrito das
Forças Armadas. São previstos no Estatuto
do Desarmamento, razão pela qual não
Os crimes impropriamente são crimes militares e, portanto, são
militares são as infrações cuja processados pela Justiça Comum.
prática é possível por qualquer
Ex4: Crime cometido por militar fora de
cidadão (civil ou militar), serviço, usando arma da corporação. Antes
porém, passa a ser crime da Lei 9.299/96 (“Lei Rambo”), tal infração
militar porque praticado em era considerada crime militar. Entretanto,
após o advento da lei, tal conduta passou
uma das condições do art. 9º,
a ser crime comum.
CPM (Ex.: Art. 251, CPM – Em razão disto, deve-se ter cuidado com
“Obter, para si ou para outrem, a súmula 47, STJ (“Compete à Justiça
Militar processar e julgar crime cometido
vantagem ilícita, em prejuízo
por militar contra civil, com emprego de
alheio, induzindo ou mantendo arma pertencente a corporação, mesmo
alguém em erro, mediante não estando em serviço.”), que está
ultrapassada.
artifício, ardil ou qualquer outro
meio fraudulento”. – A redação Ex5: Crime de promover ou facilitar fuga
é a mesma do art. 171, CP. A de preso de estabelecimento penal. Se o
diferença está no fato de o estabelecimento penal for de natureza
comum, o crime será de natureza comum.
crime ter sido cometido nas
Todavia, se o estabelecimento for de
circunstancias elencadas no natureza militar, o crime será militar.
art. 9º.) Neste sentido dispõe a súmula 75, STJ –
“Compete à Justiça Comum Estadual
processar e julgar o policial militar por
crime de promover ou facilitar a fuga de
preso de estabelecimento penal.”.

Ex6: Acidente de transito causado por


viatura militar, com vítima civil. Neste
sentido dispõe a súmula 6, STJ – “Compete
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 132
LFG_2º Semestre_2009

à Justiça Comum estadual processar e


julgar delito decorrente de acidente de
transito envolvendo viatura de policia
militar, salvo se autor e vitima forem
policiais militares em situação de
atividade.”.

No entanto, para a doutrina, mesmo que a


vítima seja civil, o crime será militar, com
fundamento no art. 9º, II, “c”, CPM.
(“Consideram-se crimes militares, em
tempo de paz: II - os crimes previstos
neste Código, embora também o sejam
com igual definição na lei penal comum,
quando praticados: c) por militar em
serviço ou atuando em razão da função,
em comissão de natureza militar, ou em
formatura, ainda que fora do lugar sujeito
à administração militar contra militar da
reserva, ou reformado, ou civil.”)

Corroborando o entendimento da doutrina:


CC 34.749 – STJ.
Julga ações judiciais contra atos
disciplinares militares.
Não tem competência
cível. Obs.: A ação civil por ato de improbidade
administrativa é de competência da Justiça
Comum.
Nos termos do art. 125, §4º da CRFB, a
Justiça Militar dos Estados julga apenas
os militares dos Estados (policiais
militares e integrantes do Corpo de
Pode julgar qualquer
Bombeiros).
pessoa, tanto militares quanto
civis. A competência da Justiça
Em alguns Estados, além dos policiais
Militar da União é determinada
militares, existe também a figura dos
tão somente em razão da
policiais rodoviários estaduais.
matéria (crimes militares).

Não são militares do Estado: Militares das


Forças Armadas, Guardas civis, PM
voluntários.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 133
LFG_2º Semestre_2009

Competência Ratione Materiae (crimes


militares);
Competência Ratione Personae (militares
dos estados).
Competência Ratione Materiae
(crimes militares). Obs.: A competência é aferida quando da
pratica do crime. Assim, pode-se ter um
civil no banco dos réus da Justiça Militar,
quando um militar pratica crime durante
sua função, mas não está mais no cargo.
Órgão Jurisdicional: Pode ser um
Conselho de Justiça ou um Juiz de
Direito do Juízo Militar, que também faz
Órgão Jurisdicional: Conselho parte do Conselho.
de Justiça (composto por 4
militares e um juiz auditor – juiz Competência do juiz singular: Compete o
cível com atribuição militar) julgamento dos crimes militares cometidos
contra civis e as ações judiciais contra atos
disciplinares militares. Os demais crimes
militares serão julgados pelo Conselho.
Juízo ad quem: STM, que,
Juízo ad quem: O juízo dependerá de
embora seja um tribunal
cada Estado, pois em alguns há o TJM
superior, funciona como 2ª
(RS, MG, SP). Nos demais Estados, o juízo
instância, assim como os
ad quem será exercido pelo TJ Estadual.
Tribunais dos Estados.
MP: MPM, que é uma das
MP: MP Estadual.
ramificações do MPU.

Obs.: PM e civil invadem quartel e subtraem arma de


fogo. O civil deverá ser julgado pela Justiça Comum Estadual,
enquanto o PM será julgado pela Justiça Militar Estadual. (Súmulas
53 e 90, STJ – “Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar civil acusado de pratica de
crime contra instituições militares estaduais. / Compete à Justiça Militar Estadual processar e julgar o
policial militar pela pratica do crime militar, e à Justiça Comum pela pratica do crime comum simultâneo
àquele.”)

Obs2: Crime militar praticado por PM em outro Estado da


Federação (Ex1: Perseguição em rodovia interestadual; Ex2: Força
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 134
LFG_2º Semestre_2009

Nacional de Segurança, que é composta por militares e policiais de


vários Estados da União, tratando-se de uma força nacional e não
da União.). Neste caso, o militar será julgado perante a sua
Justiça Militar Estadual, nos termos da súmula 78, STJ (“Compete à
Justiça Militar Estadual processar e julgar policial de corporação estadual, ainda que o delito tenha sido
praticado em outra unidade federativa”).

8. Justiça Eleitoral: Compete à Justiça Eleitoral o


julgamento dos crimes eleitorais e conexos. Os crimes eleitorais são
aqueles previstos no Código Eleitoral e aqueles definidos na
legislação especial como crimes eleitorais. (Ex.: Dois candidatos
durante propaganda eleitoral trocam ofensa (injúria). Esses crimes
contra a honra praticados durante a propaganda são crimes
eleitorais e deverão ser julgados pela Justiça Eleitoral.)

Obs.: Quais crimes conexos não podem ser julgados pela


justiça eleitoral? Crimes militares (Justiça Militar), crimes federais
(Justiça Federal, art. 109 CRFB), crime doloso contra a vida
(Tribunal do Júri). Isto porque esses casos estão previstos
expressamente na Constituição Federal.

9. Justiça do Trabalho (art. 114 CRFB): A EC 45/2004


alterou o art. 114, inciso IV, CRFB, de modo que compete à Justiça
do Trabalho julgar os mandados de segurança, habeas corpus e
habeas data, quando o ato questionado envolver matéria
sujeita à sua jurisdição trabalhista. Apenas neste caso cabe a
justiça do trabalho julgar o HC. (Ex.: Prisão decretada por juiz do
trabalho de depositário infiel, agora de acordo com o STF esta
prisão já não existe mais e o HC perdeu o seu objeto.)
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 135
LFG_2º Semestre_2009

Quando da análise, em sede de medida cautelar, da ADI


3684 o STF manifestou entendimento no sentido de que a EC 45
não atribuiu competência criminal genérica à justiça do trabalho.

EMENTA: COMPETÊNCIA CRIMINAL. Justiça do Trabalho. Ações penais. Processo e julgamento.


Jurisdição penal genérica. Inexistência. Interpretação conforme dada ao art. 114, incs. I, IV e IX, da CF,
acrescidos pela EC nº 45/2004. Ação direta de inconstitucionalidade. Liminar deferida com efeito ex tunc.
O disposto no art. 114, incs. I, IV e IX, da Constituição da República, acrescidos pela Emenda
Constitucional nº 45, não atribui à Justiça do Trabalho competência para processar e julgar ações penais.

10. Justiça Política ou Extraordinária: É a


exercida pelo Senado Federal, Assembléias Legislativas, Câmaras
Municipais no tocante aos denominados crimes de
responsabilidade. Ex: Art. 52, inciso I, CRFB (“Compete privativamente ao Senado
Federal: I- processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de
responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha do Exército e da
Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles”).

A doutrina divide os crimes de responsabilidade em:

a) Crimes de responsabilidade em sentido amplo: São


aqueles cuja qualidade de funcionário público é uma elementar do
tipo penal (art. 312 a 327, CP – “Dos Crimes Praticados por Funcionário Público
Contra a Administração em Geral”)

b) Crimes de responsabilidade em sentido estrito: São


aqueles que somente determinados agentes políticos podem
praticar. Não têm natureza jurídica de infração penal, mas sim de
infração político administrativa. A sanção é a perda do cargo,
inabilitação para o cargo. O art. 52, inciso I, CRFB trata de
responsabilidade em sentido estrito.
PROCESSO PENAL_Renato Brasileiro 136
LFG_2º Semestre_2009

Obs.: O Senado tem competência criminal? Não, seria


uma competência político-administrativa. Tanto é que o Conselho
de Ética quase sempre absolve por interesse político.

11. Competência criminal da Justiça Federal


(próxima aula)