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69 may -jun 20 16 Sabor Flavour
69
may
-jun
20 16
Sabor
Flavour

PORTUGAL CONT. 6,00€ · BE/FR/GR 10,90€ ES/IT 10,00€ · AU/DE/NL 12,00€ · UK £7,50€ · Suisse 14,00CHF · Morocco 96MAD

Artist with Attitude

Inês Gonçalves

Joana Jervell

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A t t i t u d e Inês Gonçalves Joana Jervell 66 Inês Gonçalves ©
A t t i t u d e Inês Gonçalves Joana Jervell 66 Inês Gonçalves ©

Inês

Gonçalves

© Ricardo Mealha
© Ricardo Mealha

Partilhando histórias Sharing stories

www.ineSgonSalveS.com

Fotógrafa e autora de vários documentários premiados por diversas ocasiões, Inês Gonçalves confessa-se atraída pelas pessoas e pelas suas histórias, transportando-nos a narrativas únicas, não raras vezes preciosos testemunhos sociológicos e etnográficos. A viver em São Tomé e Príncipe desde 2011, entrega-se a uma pesquisa e aprendizagem profundas a cada novo desafio, desvendando pessoas e temáticas tão distintas quanto apaixonantes.

As a photographer and the author of various award-winning documentaries, Inês Gonçalves confesses that what most attracts her are people and their stories, transporting us to unique narratives, that are often offer precious sociological and ethnological testaments. Living in São Tomé and Príncipe since 2011, she completely commits to profound research and learning with every new challenge, revealing and exploring people and themes that are distinct and captivating in equal measure.

— Quando e como surgiu o interesse pela fotografia?

— When and how did your interest in photography

Aos dezoito anos fui estudar arte para Londres, depois

come about?

surgiu a ideia da fotografia. Hoje em dia misturo as memórias, não consigo lembrar-me bem porque comecei

At the age of eighteen I went to study art in London,

and after that the idea of photography appeared.

a

fotografar

Foi porque tinha que ser, já fotografo tanto

Nowadays, my memories blend together and I can

e

há tantos anos que é como se fizesse parte de mim.

no longer remember exactly why I started taking

O que a levou a explorar a área da realização, já em Portugal?

photographs… It just had to be. I have taken so many photographs and over so many years that it’s as if it has become a part of me.

— Nunca acreditei na expressão “uma fotografia

vale mais que mil palavras”: sempre senti que faltava

compreender o que as pessoas têm a dizer. Comecei a filmar por causa do som, das vozes, da construção da história.

— Que memórias guarda do trabalho sobre o ‘Tchiloli’

realizado no âmbito da V Bienal de Arte e Cultura de São Tomé?

— Tinha visto um documentário sobre o Tchiloli há muito tempo e quando me convidaram para participar na

Bienal pensei logo que gostaria de fazer um trabalho sobre a Tragédia do Marquês de Mântua e o Imperador Carlos Magno, interpretada por actores santomenses.

Sempre me interessaram os efeitos da colonização portuguesa em culturas tão diferentes como na Índia - já tinha feito o livro ‘Goa − História de um Encontro’ com

a Catarina Portas − e, neste sentido, tratou-se de uma

sequência lógica. O Tchiloli retrata como se cruzaram estas duas culturas, a europeia e a africana. Depois da exposição, regressei e fiz um documentário; passei tanto tempo à volta do tema que fiquei conhecida em São Tomé como “a branca da tragédia”, que é como se chama ao Tchiloli por aqui − “a Tragédia”.

é como se chama ao Tchiloli por aqui − “a Tragédia”. Série Tchiloli — What led

Série Tchiloli

— What led you to explore the area of film directing,

back in Portugal?

— I’ve never been a believer in the expression “an image

speaks a thousand words”; I’ve always felt a need to hear what the people have to say. I started working with film because of the sound, the voices, the building of the story.

— What memories do you have of your work on ‘Tchiloli’

carried out within the scope of V Biennial of Art and Culture of São Tomé?

— I’d seen a documentary about Tchiloli a long time ago

and when I was invited to take part in the Biennial, I immediately thought about how I’d like to do something about the Tragedy of the Marquis of Mantua and the Emperor Charlemagne, played by actors from São Tomé. I’ve always been interested in the effects of Portuguese colonisation on cultures that are so different, such as in India – I’d already done a book “Goa, the History of an Encounter” with Catarina Portas – and, in this sense, it was just a logical continuation. Tchiloli portrays how these two cultures − the European and the Africa − crossed paths. After the exhibition, I went back and made a documentary, I spent so much time on this theme, that I ended up being called the “white woman of tragedy” in São Tomé, which is how Tchiloli is referred here – “the Tragedy”.

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— O que a motivou a estabelecer-se definitivamente em São Tomé e Príncipe? Muitas pessoas
O que a motivou a estabelecer-se definitivamente em
São Tomé e Príncipe?
Muitas pessoas que vêm a São Tomé acabam por voltar,
é
muito comum, eu fiz isso durante alguns anos até que
decidi ficar. Acho que devemos alinhar a nossa vida com
aquilo em que acreditamos. Valorizo o que tenho de uma
maneira diferente; a vida aqui é mais intensa e muito
próxima da natureza. Gosto muito do trabalho que faço cá.
De Lisboa tenho saudades da minha casa e dos amigos.
O que nos pode contar sobre livro “Sabores da Nossa
Terra” recentemente publicado?
Gosto muito de gastronomia e sempre considerei uma
óptima maneira conhecer outras culturas através
daquilo que comem. Por existir pouca informação
escrita sobre a gastronomia em São Tomé e Príncipe,
acabou por ser um trabalho intenso de investigação,
falámos com muitas cozinheiras, pois aqui as receitas
tradicionais transmitem-se por via oral nas famílias.
São Tomé e Príncipe tem uma grande floresta da qual
provêm imensas folhas usadas para confecionar pratos
tradicionais − alguns levam mais de 30 folhas diferentes
e
demoram oito horas a cozinhar em forno de lenha.
uma cozinha muito original e com vários alimentos
considerados de tratamento ou de prevenção.
É
Em que projectos está a trabalhar agora?
Estou a fazer um livro com o chef João Carlos Silva,
sobre a sua gastronomia e a sua ligação aos produtos
da terra. Ao mesmo tempo trabalho com o programa do
Governo de São Tomé e Príncipe sobre a comunicação
da alimentação escolar. Um tema apaixonante.
Série Cabo Verde
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Artist with Attitude

Série Tchiloli

Livro 'Goa - História de um encontro'

— What inspired you to settle permanently in São Tomé and Príncipe?

— Many of those who come to São Tomé end up coming

back; it’s very common. I did this for some years until I decided to settle here. I think we should adjust our life to what we believe in. Here, I value the things I have in a different way; life here is more intense and closer to nature. I really enjoy the work I do here. The things I miss from Lisbon are my home and my friends.

— What can you tell us about the book “Sabores da

Nossa Terra” (Flavours from our land) which you recently published?

— I love gastronomy and I’ve always considered an excellent

way of learning about other cultures is to look at what they eat. Because there isn’t much written material about the

gastronomy of São Tomé and Príncipe, it ended up being a very intense research experience. We spoke to many cooks here, since traditional recipes are transmitted orally down through families. São Tomé and Príncipe has a large forest area which provides an enormous variety of leaves used in the preparation of traditional dishes – some of which use more than 30 different types of leaves and can take up to eight hours to cook in a wood oven. It is a very original cuisine and includes many ingredients that are considered useful in the treatment and prevention of diseases.

— What projects are you working on now?

— I’m working on a book with the chef João Carlos Silva, on his cuisine and its connection to locally produced products. I’m also working on a São Tomé and Príncipe government programme on communication about food in schools. It’s a really exciting theme.

"Comecei a filmar por causa do som, das vozes, da construção da história."

" I started working with film because of the sound, the voices, the building of the story."

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