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Entrevista

Rogério Fernandes

Administrador

“A INATEL é feita por pessoas e para as pessoas…”

R esponsável pelas áreas financeira e administrativa da Fundação, Rogério Manuel Fernandes, 36 anos, não se furta às questões mais sensíveis da vida da Inatel. “Se fosse fácil não era para nós” é o lema

deste gestor com especializações na área financeira e de controlo de gestão. Modernizar, reduzir custos e melhorar receitas é a via traçada pelo mais jovem administrador da Fundação que, entre um quotidiano de reuniões,

análises, negociações, estudos e decisões – por vezes dolorosas – falou à TL da situação económico - financeira de uma instituição de importância transcendente no desporto, cultura e lazer populares, feita – sublinha – “por pessoas para as pessoas”.

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Como vai a INATEL responder, em termos orça- mentais, à grave crise que o País atravessa? Desde o início do mandato, a actual Administração tomou como referência a expectativa de que, em termos económicos e financeiros, a situação nacio- nal se iria agravar. Infelizmente, neste ponto, está- vamos certos. Ora, actuando a Inatel na área da eco- nomia social, seria inevitável que tal circunstância afectasse a sua actividade. Tomámos, em 2009, as medidas que consideramos necessárias para poten- ciar as receitas em termos de curto prazo, como, por exemplo, a abertura das Unidades de Linhares da Beira e as dos Açores; acordamos parcerias com outras entidades, numa lógica de incremento do número de associados; renegociamos contratos existentes; avançamos para a centralização de negociação de compras, etc. Neste ano, apostamos, fortemente, na dimi- nuição da despesa. Apesar de o orçamento 2010

ter sido estruturado numa perspectiva de cresci- mento, sobretudo no investimento - a aposta na requalificação das estruturas e equipamentos é essencial – promovemos novos ajustamentos orça- mentais no campo da despesa. Mas isto sem afec- tar a eficiência dos serviços prestados, valor que deve ser protegido e potenciado. Esses ajustamento em que áreas ocorrerão? Dou-lhe um exemplo. A Publicidade e Marketing foi objecto de um incremento orçamental no senti- do de permitir não só a articulação da comuni- cação e da imagem da Fundação como “um todo”, de forma harmonizada – designadamente ao nível das agências distritais - mas também com vista a potenciar a captação de mais associados. Em contraciclo económico, esta captação é uma tarefa não só difícil, como complexa. Certo é, porém, que, este ano, conseguimos manter a base de associados sem decréscimos significativos, face

ao período homólogo de 2009, e estamos a actuar no sentido de um crescimento efectivo.

ao período homólogo de 2009, e estamos a actuar no sentido de um crescimento efectivo. Atingido esse objectivo, poderemos então corrigir a folga orçamental eventualmente existente. E noutras áreas? Também os haverá, certamente. Os ajustamentos ocorrerão em toda a organização da Fundação, desde a estrutura administrativa e financeira à hote- laria e turismo, passando pela cultura e pelo des- porto e pelas agências. A quebra elevada em termos de ingressos em actividades culturais pesará, por exemplo, no investimento previsto para a cultura. Dou-lhe outro exemplo: os trabalhos especiali-

zados efectuados por empresas terceiras, designa- damente as consultorias externas. Foi uma rubrica que procurámos reduzir fortemente. É lógico que há tarefas que não podemos, ou não possuímos técnicos especializados para realizá-las. Mas o princípio será o de apostar na formação dos profis- sionais da Fundação. Queremos colmatar essas necessidades internamente, valorizando simulta- neamente os nossos trabalhadores. Tais ajustamentos não implicarão cortes no pessoal? Não. Admitimos, sim, racionalizar recursos, começando pelo controlo efectivo do número de trabalhadores da organização, nos seus vários

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domínios, o que não existia antes. É natural, dada

a sazonalidade da actividade de certas áreas da

Fundação, casos da hotelaria ou da época desporti- va, a admissão de alguns trabalhadores para col- matar necessidades pontuais. A prioridade é a defesa do quadro de trabalhadores da Inatel. Aumentou, entretanto, o número de pré-reformas… Sim, mas por manifestação de vontade expressa dos trabalhadores e negociadas de forma indivi- dual com cada um, atendendo à situação específi- ca e nunca em situações em que, para a mesma função, se tenha de contratar um quadro externo. É um processo que necessita de um acompanha- mento constante, tendo em vista o rejuvenescimen-

to da idade média dos trabalhadores e que decorre,

ainda, da necessidade de termos quadros com mais formação e especialização técnica. Procurar-se-á, no entanto, acautelar a necessidade de substituição do trabalhador que pretende a pré-reforma. Ou seja, a referida pré-reforma só será acordada caso tenhamos um recurso interno adequado para a função. Os resultados operacionais da

Inatel no final de 2009 situam- se em valores negativos de oito milhões de euros. São fruto, apenas, da crise que o País atravessa? Os resultados operacionais actuais são reflexo de um proble- ma estrutural do ex-Inatel IP. A transformação ocorrida em 2008, com a passagem a Fundação de direito privado e de utilidade

pública, visou, entre outras coi- sas, permitir uma maior agilidade de gestão que, enquanto Instituto Público, não era possível. Não é um processo imediato. Será um tra- balho continuado no sentido da auto sustentabilida- de. Com passos firmes e certos! E para isso é lógico que os resultados operacionais têm de melhorar sig- nificativamente. Isto é algo que tem que ser compre- endido por todos: órgãos sociais, trabalhadores, sin- dicatos e o próprio Estado. O Estado será sensível a essa questão? Seria impensável que o Estado reduzisse as verbas destinadas ao apoio das actividades da Inatel, com este tipo de conjuntura económica e, sobretudo,

Inatel, com este tipo de conjuntura económica e, sobretudo, “ O tempo que vivemos não se

O tempo que vivemos não se compadece com certos processos burocratizados no tratamento das questões…

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quando a mesma cumpre funções sociais da res- ponsabilidade do próprio Estado nas áreas do Desporto, da Cultura e da Inclusão Social.

Trabalhamos para conseguir melhorias no mais curto espaço de tempo possível. Mesmo na actual conjuntura, o princípio da redução de custos e incremento da receita está bem patente na nossa actuação.

A adaptação das estruturas financeiras/recursos

à nova realidade institucional é, portanto, um dos desafios da Inatel…

É a questão chave. A Inatel tem uma cultura organi-

zacional enraizada numa longa história e tradição.

Faz parte da natureza humana a resistência à mudança. Sair da zona de conforto é sempre arris- cado e nem sempre agradável, e todos nós temos a nossa zona de conforto… Qualquer mudança que ocorra tem que ser feita de forma gradual. Daí a importância das palavras do nosso Presidente quan-

do diz que “estamos a fazer uma revolução silencio- sa”, com calma, com prudência, com passos firmes.

É um momento de transição em que todos temos

que nos aperceber da mudança dos paradigmas.

A concorrência é, entretanto, maior…

A Inatel está agora confrontada com uma necessi- dade de “estar no mercado”, “actuar no mercado”, mas sempre no respeito por aquilo que é a sua ver- tente principal: as pessoas. Aliás a crise veio dar uma importância acrescida às entidades que intervêm na economia social, como é o nosso caso. Costumo dizer que a Inatel é uma organização feita por pessoas para as pessoas! Daí que em qualquer processo de transformação as alterações tenham

que ser efectuadas de forma sustentada. Os recur- sos financeiros são mais escassos e as legítimas

exigências dos beneficiários têm que ser acautela- das, incrementando os seus benefícios. Essa nova realidade de “entidade privada” da Fundação Inatel impõe, portanto, a uma gestão mais empresarial…

É verdade em parte! Temos de conciliar a aplicação

dos recursos existentes com a maximização dos efeitos pretendidos, nomeadamente em sede de valências aos associados. Aliás, vale aqui recordar as palavras do Ministro Vieira da Silva, na posse desta Administração: “não é pretendido o lucro mas também não é pretendido o prejuízo sistemá- tico”. Daí que, queiramos ou não, as obrigações estatutárias implicam uma maior racionalização económico-financeira visando obter o máximo

retorno dos investimentos efectuados no sentido da auto sustentabilidade, ou seja, conseguir me- lhores resultados operacionais.

O Estatuto actual facilita esse processo…

Mas serão necessários alguns ajustamentos que permitam maior agilidade na gestão. O tempo que vivemos não se compadece com certos processos burocratizados no tratamento das questões e que tornam incomportável o custo de oportunidade de certas decisões.

Voltando à questão inicial: poderá considerar-se saudável a estrutura económico-financeira da

Fundação?

É um problema que não se coloca. Temos uma

estrutura de activos sólida, bons rácios de liquidez, autonomia financeira e solvabilidade e reduzida exposição a terceiros. Mas, insisto, a prazo, a questão passa por uma efectiva melhoria de resul- tados do conjunto da organização. Registe-se, ainda, que, em termos de gestão, herdamos encargos elevados no domínio das des- pesas primárias, referentes ao Fundo de Pensões. Trata-se, em nosso entender, de uma responsabili- dade a assumir pelo Estado, à semelhança do que ocorreu em instituições idênticas. Já expusemos, em sintonia com o Conselho Geral da Inatel, esta situação ao Governo.

A Fundação continua dependente de subsidiação

estatal…

É certo, mas com um peso relativo de 25 % no total da despesa de investimento e exploração. E é irre- al pensar numa redução imediata dessas verbas. Porque o peso das mesmas agravaria significativa- mente os resultados no curto prazo. Uma redução gradual é algo com que estamos a contar até con- seguirmos a independência dessas verbas. Os programas governamentais de turismo social não resolvem esse problema? Essa é uma ideia errada. A Inatel não tem lucros com os programas governamentais, mas apenas a cobertura de alguns custos fixos em sede da estru- tura. Aliás, se atentarmos no Turismo Sénior, o maior programa, gerido pela Fundação, apenas um quarto dos participantes é destinado às nossas uni- dades hoteleiras. O número relevante de 75% dos participantes fica alojado em outras unidades hote- leiras privadas. São programas que respeitam o Principio do Equilíbrio sendo que a compartici- pação do Estado para a realização dos mesmos é equilibrada com os custos associados a receitas

obtidas. Resultado: saldo zero. Sabe-se, no entanto, que esses programas tam- bém beneficiam o Estado… Um estudo elaborado pela Universidade de Aveiro sobre o Turismo Sénior concluiu que, só em termos

de impacto fiscal, o Estado recupera mais de meta- de do financiamento, além de o programa permitir

a criação ou manutenção de cerca de 1.000 postos

de trabalho por todo o País. E o seu efeito repercu-

tido no Valor Acrescentado Bruto, gerado directa- mente na economia portuguesa, é cerca de quatro

vezes superior ao valor do subsídio do Estado. É, por isso, um investimento excepcional para o País, assumindo a Inatel o orgulho e mérito de pos- suir o conhecimento (know-how) necessário para a sua complexa gestão. Que medidas estão a ser tomadas para minimizar as dificuldades orçamentais? Várias e em vários domínios. Em primeiro lugar, como já indiquei,

as directamente relacionadas com a redução de custos e opti- mização de alguns procedimen- tos de contratação. A unidade hoteleira de Cerveira será objecto de uma pro- funda requalificação que envol-

verá um investimento de quase cinco milhões de euros e que cer- tamente se traduzirá num impac- to futuro muito elevado. Estamos a falar de uma região do país que, pelas suas especificidades, pode ser promotora da actividade turística nacio-

nal. Trata-se, aliás, de um projecto apoiado no pro- grama QREN. No âmbito do QREN temos, neste momento, aprovados 3,6 milhões de euros de incentivos dis- tribuídos por quatro candidaturas: Piscina Termal de Manteigas, unidades de Porto Santo e Cerveira,

e Agência de Évora – Palácio do Barrocal, esta últi-

ma para implementação do arquivo histórico e recuperação de uma das alas do edifício. Foram assinados protocolos com importantes entidades… Estabelecemos, de facto, parcerias com entidades de referência nacional que reflectem um acréscimo de benefícios para os associados, nomeadamente nas áreas do lazer, desportivas, financeiras, de tele- comunicações e combustíveis. Concretizámos parcerias complementares à acti-

O novo Portal da Fundação Inatel será um passo determinante para uma presença condigna na Internet.

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vidade nomeadamente para o aluguer de viaturas desde já possível nas nossas Unidades Hoteleiras e nas Agências e no usufruto de percursos pedestres em circuitos seleccionados e disponíveis nas regiões circundantes às nossas unidades hoteleiras. E estamos a ultimar o lançamento previsto para Outubro do novo Portal da Fundação Inatel que será um passo determinante para uma presença condigna em termos da Internet. Referiu a questão do Portal. Como adequar a modernização tecnológica, nomeadamente infor- mática, numa instituição com a vasta estrutura e os recursos da Fundação Inatel?

Essa adaptação tem que ser efectuada de forma gra- dual, atendendo aos recursos existentes, quer finan- ceiros quer humanos. Mas apesar dos percalços nor- mais neste tipo de processos, estou convicto que tem corrido bem com muito realizado

em curto espaço de tempo. Quando tomamos posse, corremos o risco, devido a difi- culdades com o modelo de gestão “SAP”, de não conseguir encerrar as contas anuais num prazo dila- tado. Era uma situação que não

podíamos aceitar e, como tal, centrámos todos os esforços na reformulação desse modelo e na estabilização e reor- ganização da parte financeira. Esta tarefa implicou um grande empenhamento dos reduzidos recursos humanos e financeiros existentes na área. Nos dois anos da nossa intervenção, além da

redução, significativa, dos custos com os desen- volvimentos informáticos, temos agora uma pro- gramação concreta de trabalhos centrada na área operacional da Fundação. Não foi só “fazer”, mas sim “fazer de novo”, par- tindo do zero. Mas cumprimos todos os prazos estatutários com contas auditadas e certificadas tanto as referentes a 2008 como já as de 2009, além da optimização ao nível do controlo dessas mes- mas contas… Controlo de contas? Sim, houve um grande trabalho desenvolvido e uma forma muito articulada entre as áreas da con- tabilidade e da informática que permite que actual- mente tenhamos relatórios mensais da actividade total da Fundação alguns dias depois do final do mês em análise. Para alguns isto pode parecer de

Com o Turismo Sénior, só em termos de impacto fiscal, o Estado recupera mais de metade do financiamento…

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somenos importância mas, se atentarmos nas apli- cações de controlo orçamental que já estão imple- mentadas e com informação ao dia, a evolução é grande quando comparada com o passado. Essas duas equipas estão, pois, de parabéns. Como é que está a ser abordada a questão da for- mação profissional? Esta matéria, como sabe, é algo que tem para mim e para o C.A. especial importância. Reforçámos signi- ficativamente o orçamento destinado a esta área de forma a dotarmos a organização de recursos mais preparados para os desafios de futuro. O Plano de Formação para 2010 contempla diversas áreas, adap- tadas à realidade da Fundação, não só nos domínios técnicos, como comportamentais. Já em 2010, pre- tendemos atingir um número de mais de 500 parti- cipações em acções de formação com um volume de cerca de 15.000 horas de formação o que representa um crescimento de cerca de 30% face a 2009. Houve adesões ao programa Novas Oportu- nidades? É outro exemplo positivo a registar. Consta- támos que mais de 70% dos trabalhadores pos- suíam habilitações inferiores ao 12º ano. E destes, mais de metade, habilitações inferiores ao 9º ano. Formalizámos em Outubro de 2009 a adesão à ini- ciativa Novas Oportunidades, constituindo-nos como entidade parceira do programa. Temos neste momento, no âmbito dessa adesão, cerca de 25 tra- balhadores inscritos por sua iniciativa. E foi, com grande honra e satisfação, que participei na cerimónia de entrega de diplomas aos participan- tes do programa no passado mês de Julho, onde a Fundação Inatel foi referenciada exequo com enti- dades como a TAP, a Jerónimo Martins e a Martifer. Alguma iniciativa especial nos 75 anos da Fundação… São poucas as instituições existentes no nosso País com esta longevidade… e, para assinalar a efemé- ride, haverá no último trimestre, uma confraterni- zação, na unidade hoteleira da Caparica, com todos os trabalhadores. Os demais actos comemorativos, embora importantes, não terão o significado deste, o que nem poderia deixar para uma Administração que aposta sobretudo no capital humano, nos seus tra- balhadores, que são o recurso mais valioso da organização. Eugénio Alves (texto) José Frade (fotos)