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Èsù não é o diabo..


É fundamental que se desfaça a falsa imagem que associa o terceiro elemento Exú [Èsù] ao
aterrador e maléfico 'diabo' [diabolus] dos cristãos. Para isso se faz necessário trazermos a
sua apreciação a etimologia do nome 'diabo' bem como sua origem, para que no momento
subseqüente possamos fazer o mesmo com Exú, fazendo-se assim uma conclusiva e
derradeira desambiguação de idéias, onde erroneamente se equiparam uma figura e outra.

As duas primeiras concepções são referentes ao diabo judaico-cristão e a Exú relacionados


a alguns cultos provenientes de religiões afro-brasileiras, as duas concepções se
assemelham, porém ambas divergem frontalmente da terceira e quarta concepções que tem
sua origem na Isese Yorùbá [Tradição yorùbá]. Se nos dois primeiros ícones uma imagem
diabólica é evocada, isso certamente não ocorre nos dois ícones posteriores.
Compreendemos então que esta ambigüidade é um grande equivoco de concepção, este
engano estereotipado foi difundido graças a ignorância dos primeiros missionários que
avaliaram de forma errônea a figura jocosa e ambivalente de Èsù.

Em primeiro plano é bom que se defina a palavra 'diabo':

- Diabo [do latim diabolus, por sua vez do grego ‘diábolos’, "caluniador", ou "acusador"] é
o título mais comum atribuído à entidade sobrenatural maligna da tradição cristã. É tratado
como a representação do mal, em sua forma original de um anjo querubim, responsável
pela guarda celestial, que foi expulso dos Céus por ter criado uma rebelião de anjos contra
Deus com o intuito de tomar-lhe o trono. Com seu parecer ainda desconhecido, muitas são
as tentativas de reproduzi-lo. O mais popular o levaria a ter uma cor vermelha, com feições
humanas, mas com chifres, rabo pontiagudo e um tridente na mão, para remeter a um cetro.

Outra forma também comum quanto ao parecer corresponde à de um ser metade humano,
metade bode, com o pentagrama invertido inscritos no corpo [Baphomet*].

Aqui apresentaremos a figura mais popular de ‘Baphomet’, elaborado pelo Mestre Ocultista
Eliphas Levi, que utiliza esta ilustração em sua obra, Dogma e Ritual da Alta Magia.
Para os esotéricos, Baphomet ou o Bode de Mendes, é uma imagem erroneamente
associada ao mito de Diabos e dos Belzebus.
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Na verdade, é uma composição hieroglífica eivada [constituída] de simbolismos. Em magia


hermética [incompreensível ao leigo], "o bode representa o fogo e é, ao mesmo tempo, o
símbolo da geração".

dito que aquilo que esta oculto não pode ser percebido pelos olhos do profano.. Se você
pretende compreender realmente a essência do Ifismo, dedique-se a interpretar aquilo que
não esta explicito, mas sim implícito.

A linguagem bem como a simbologia hermética tem por finalidade transmitir mensagens
subliminares com um conteúdo que só pode ser decodificado pelos que possuem a ‘chave’.
Não falamos da algo físico, mas sim de algo que nos permite não somente ver, mas
enxergar..

Bi owé, bí owé ni Ifá soro..


[Como Provérbios, na forma de exemplos, é como Ifá nos fala].
- Interpretação: Aqui fica óbvio que a transmissão binária de informações passadas
aos bàbálawos por Ifá, se dá através de uma simbologia [Os Odù Ifá] e que esta
simbologia para ser devidamente compreendida deve ser decodificada. Um clássico
exemplo de texto hermético.

Retornando ao ponto, ler nem sempre é sinônimo de compreender, escutar nem sempre é
sinônimo de ouvir. Portanto tome algum cuidado com aquilo que vê, bem como o que lê,
mas principalmente com a ‘pressa’ em fazer um determinado juízo de valores.

Ìberè kì íjékí ènìà kó sìnà, enití kò le bèrè ní npón ara rè lójú..


[As perguntas livram o homem dos erros, aquele que não pergunta entrega-se aos
problemas..]
- Interpretação: Sempre que alguém nos transmite um ensinamento, devemos ter
cuidado com o que nos é ensinado. Buscar entender e fundamentar a novidade
aprendida é uma obrigação para que não venhamos a passar por tolos a qualquer
momento.
- Leia, releia, busque as mensagens subliminares do texto, e quando achar que
compreendeu, leia novamente, pois somos praticantes de uma ‘Filosofia de Vida’
que transmite seu conteúdo de forma binária e nada é tão simples quanto a princípio
nos parece, geralmente não é apenas um simples ‘sim ou não’, então é aconselhável
permitir-se um ‘talvez’.

- Em determinado fragmento do Ese Òyèkú'logbè, Ifá nos diz que:


Òrò ìkòkò Ifá ni yóó yoju u rè sí gbangba o..
[Todos os assuntos escondidos Ifá exporá e os trará à frente..]

A título de exemplo, e em referencia direta ao assunto ‘hermetismo’, vamos trazer para sua
apreciação a controversa figura ‘Baphomet’, que se para uns personifica a escuridão
maléfica, para outros personifica a luz do entendimento. Demonstrando assim que o
processo de ‘ocultar conteúdo’ ocorre a todo o momento, e somente olhos preparados
podem compreender e decodificar o enigma. Vejamos pois..
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Baphomet é uma 'criatura simbólica' e 'ambivalente' com cabeça de bode, e corpo humano;
simbolizando o bem e o mal, a luz e as trevas, o céu e a terra, o feminino e o masculino. Foi
considerado um demônio uma vez que esse símbolo está associado às ciências ocultistas.

Provavelmente foi o seu caráter ambivalente, irreverente e jocoso, a motivação que levou
os primeiros missionários brancos ancorados na áfrica, mais precisamente em terras yorùbá,
a associa-lo erroneamente com o Irùnmolè 'Èsù [Exú]'. más isso é algo que abordaremos
um pouco mais a frente..

Baphomet - Este nome corresponde a uma abreviação cabalística invertida, [Baphomet /


Tem Ohp Ab] de 'Pactos Templi omnium hominum pacis abbas', que significa 'O pai do
templo da paz de todos os homens'.

O bode é um dos três animais simbólicos da magia hermética na qual se resumem todas as
tradições do Egito e da Índia, ele representa o fogo, e é, ao mesmo tempo, o símbolo da
geração.

1. O bode, que é representado no nosso frontispício, traz na fronte o signo do pentagrama,


com a ponta para cima, o que é suficiente para fazer dele um símbolo da luz;

2. Faz com as mãos o sinal do ocultismo, e mostra em cima a lua branca de Chesed, e
embaixo a lua preta de Geburah. Este sinal exprime o perfeito acordo da misericórdia com a
justiça.

3. Um dos seus braços é feminino, o outro é masculino, como no andrógino de Khunrath,


cujos atributos tivemos de reunir aos do nosso bode, pois é um único e mesmo símbolo.

4. Solve et Coagula - Nos homens, 'solve' é tudo que precisa ser dissolvido. É do âmbito do
perdão e da misericórdia, 'coagula' é tudo o que precisa ser juntado, fortalecido. É do
âmbito do encorajamento e da focalização de objetivos. Concentração. Através do
conceito de solve, destruímos nossas concepções tradicionais sobre o mundo e as pessoas.
Abandonamos também as práticas que antes considerávamos corretas, mas que quando
conhecemos um novo mundo tornam-se totalmente equivocadas. Solve é aplicada aos
nossos preconceitos, nossa ignorância, ao senso-comum, à superficialidade das nossas
opiniões.

Depois vem, então, coagula, nossa capacidade de reunir dos destroços dos nossos
conhecimentos obsoletos, pequenos vestígios de sabedoria. E passamos a construir tudo de
novo, partindo do zero e da experiência.

5. O facho da inteligência que brilha entre os seus chifres é a luz mágica do equilíbrio
universal; é também a figura da alma elevada acima da matéria, embora esteja presa à
própria matéria, como a chama está presa ao facho. A tocha na cabeça de Baphomet,
representa o elemento Fogo.
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6. A cabeça horrenda do animal exprime o horror do pecado [a transgressão / iniqüidade],


de que só o agente material, único responsável, deve para sempre sofrer a pena: porque a
alma é impassível por sua própria natureza, e só chega a sofrer, materializando-se.

7. O Caduceu, que está em lugar do órgão gerador, representa a vida eterna


*.caduceu - Bastão de ouro, com duas serpentes defrontadas e enroscadas em torno dele,
sob um par de asas em que se termina a extremidade superior [Trocado com Apolo, pela
flauta, passa a ser o símbolo de Hermes ou Mercúrio, como emissário dos deuses, protetor
dos rebanhos e condutor das almas]. Caduceu de Hermes, representando a Kundalini (a
força produzida pela junção das energias dos chackras masculinos com os chackras
femininos).

8. O ventre coberto de escamas representa o elemento água

9. O círculo que está em cima é a atmosfera

10. As penas que vêm depois são o emblema volátil

11. A humanidade é representada pelos dois seios femininos, representam ainda, a


fertilidade e a maternidade.

12. Os braços andróginos desta esfinge das ciências ocultas

13. Os pés de bode representam a Terra

14. Asas representam o Ar

15. O cubo [ou o quadrado], que ele está em cima, tem como simbolismo a Matéria [ou o
físico]. Representando aí o domínio sobre a matéria [sobre o plano físico].

Extensivamente dado e descrito o exemplo Baphomet, ficou fácil perceber que a figura
escabrosa na verdade ocultava mensagens subliminares que evocavam a evolução humana.

O grotesco serviu como nuvem de fumaça, afastando o não iniciado do ‘conteúdo’ verídico,
e aqui mais uma vez cabe a máxima yorùbá: A verdade só se revelará aos que estiverem
realmente aptos a compreende-la.

Tanto quanto o ícone ‘Baphomet’, a grafia Ifista[exemplo: Ògúndá'Méjì] resguarda do


leigo a divina mensagem transmitida de forma a ser inteligível aos que não possuem a
chave decodificadora..

Ògúndá'Méjì
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Deus deu a humanidade incontáveis bênçãos para que ele pudesse evoluir encontrando a
perfeição, mas isso não foi feito de forma atabalhoada, há a necessidade de seguir todo um
processo, por isso dizemos: - Há um tempo certo para o jiló germinar..

Como se pode observar a figura ‘diabólica’ é uma criação das religiões de cunho judaico-
cristão, e estas nada tem a ver com Ifismo. Um exemplo disso, esta em João 14:30, bem
como em Efésios 6:11, 12:

- João 14:30
30 Já não falarei muito mais com vocês, pois o governante do mundo está chegando, e ele
não tem nenhum poder sobre mim.

- Efésios 6:11, 12
11 Vistam a armadura completa de Deus, para que possam se manter firmes contra as
artimanhas do Diabo; 12 pois temos uma luta, não contra sangue e carne, mas contra os
governos, contra as autoridades, contra os governantes mundiais desta escuridão, contra as
forças espirituais malignas nos lugares celestiais.
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Estas duas passagens bíblicas atestam literalmente que 'o Diabo existe'. Ele é o 'governante
do mundo', uma criatura espiritual que se tornou má e se rebelou contra Deus. Mas é bom
que se diga a título de ilustração que mesmo entre os cristãos o conceito de 'diabo' não é
uma unanimidade, afinal se para uns ele é a personificação do mal, para outros ele é um ser
real..

Mas esta discussão não nos cabe, pois foge ao intento deste modesto trabalho, que é o de
desconstruir a associação da figura tenebrosa ‘diabo’, com a de ‘Èsù’ a quem definimos
como o 'Dileto filho de Deus’, o ‘Círculo Infinito e Antropofágico’ que ‘Uno se reparte ao
Infinito’.

A palavra 'Èsù / Exú' proveniente do idioma yorùbá literalmente traduzida significa 'esfera /
círculo', ou seja, algo que possui início e termino indefinido, ou melhor, dizendo, algo onde
o princípio ‘Alfa’ e o fim ‘Omega’ se fundem num moto-contínuo infinito..

Tendo sido definida a 'origem' do diabo judaico-cristão, percebe-se que ela nada tem a ver
com a imagem e significado do primordial ‘Èsù’ daqueles que professam e praticam o
Ifismo.
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[Òsé’Òtúrá / Òsé’Eleru]

E quem é efetivamente Èsù segundo a ótica do Ifismo?

Èsù é ‘Lóògemo òrun a nla kálù’ [Èsù, o indulgente filho de Deus, cuja grandeza se
manifesta em toda parte], Osétùrá ni oruko bàbá mò ó [Òsétúrá é o nome pelo qual você é
chamado por seu pai]. Nós que seguimos a Filosofia de Vida Ifista conhecemos e
reconhecemos o ‘Terceiro elemento’ ou seja, o 'Princípio de Movimento e Interligação', os
atos de ‘Expansão e Contração’, como aquele que foi gerado pelos princípios masculino e
feminino primordiais, e a ele damos o nome de Èsù [Círculo infinito].

A crença Yorùbá sobre o seu surgimento..

O ar e as águas moveram-se conjuntamente e uma parte deles mesmos transformou-se em


lama. Dessa lama originou-se uma bolha ou montículo, a primeira matéria dotada de
forma, um rochedo avermelhado e lamacento.
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[Fragmento de Latertita]

Olódùmarè admirou esta forma e soprou sobre o montículo, insuflando-lhe seu hálito e deu-
lhe vida. Esta forma, a primeira dotada de existência individual, um rochedo de Laterita, era
‘Èsù Yangi’ Oba bàbá Èsù.

Olóòrun criou Èsù a partir da lama [Eerúpé], deu-lhe a primogenitura, ou seja, transformou-
o no nosso grande Agbá [Ancestre], tornando-o o ‘Irúnmólè*’ responsável por transmitir
aos seres e as coisas seu àse de dinamização, transformação, mobilidade e
desenvolvimento.

[Olódùmarè – Olódù + Omo + erè]

*. Irúnmólè - São os 400 Òrìsà criados por Olódùmarè, que vieram ao mundo guiados por
Ògún [a guerra]. São considerados 'entes superiores' que podem conviver no planeta terra
junto ao homem sem causar-lhe a extinção, sua real denominação é
'ÒkànlénírinwóIrúnmolè'.

Olóòrun determinou que tudo que venha a existir possua Èsù, ou seja, possua o àse do
movimento. Èsù é, então, a energia que está presente em tudo que existe. Èsù Yangi é
chamado "O Senhor da Laterita Vermelha", más por ser o primeiro Imole é também o Èsù
Agbá, ou seja "O Senhor Ancestral", ou Èsú Igba Keta "O Senhor da Terceira Cabaça"
produto resultante da interação dos dois genitores primordiais o masculino e feminino.
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Então é por isso que ele é chamado Obá Bàbá Èsù "O Rei e Pai de todos os Èsù". Más
nossa intenção é tratar somente do aspecto "Yangi" enquanto protoforma.

Como sabemos, o Imole ‘Èsù’ é o princípio básico de movimento, restituição, e


transformação, é o elemento de ligação entre as divindades e os homens, é o Àse [Poder de
realização] descendente resultante da interação entre os princípios "masculino [iwá] e o
princípio "feminino [Aba]" primordiais, e é este o aspecto de Èsù que gostaria de abordar,
ou seja, o ‘primordial’ ou Èsù Yangi.

O Senhor da Laterita Vermelha, Èsù Ancestre, Èsù Igbá Keta, Èsù Agbá ou o "Obá Bàbá
Èsù]. Èsù Yangi foi quem primeiro adquiriu uma forma material( laterita ) feito então, da
mesma matéria que foi usada para formar a humanidade Eerúpé [Lama = Água + Minerais].

Èsù Yangi é a sua primeira forma e a mais importante é a que lhe confere o "status" de
Imole ou "Divindade" nos Ritos da Criação, segundo a crença do povo Yorùbá:
Conta-se que o ar e as águas moveram-se conjuntamente e uma parte deles mesmos
transformou-se em lama. Dessa lama originou-se uma bolha ou montículo, a primeira
matéria dotada de forma, um rochedo avermelhado e lamacento. Olòórun admirou esta
forma e soprou sobre o montículo, insuflando-lhe seu hálito e deu-lhe vida. Então esta foi a
primeira forma dotada de existência "individual", e é por isso que a ‘Laterita’, é a
representação de Èsù Yangi". Sendo então Èsù Yangi um elemento Ancestral "Ara
Òrun"[Ser do Além] por excelência.

Em conclusão, más o que vem a ser geologicamente a ‘Laterita’?

A "Laterita é um tipo de solo" muito alterado com "grande" concentração de hidróxidos de


ferro e alumínio. Este processo de alteração do solo é designado por "laterização". Assim
sendo, ela é o resultado de um longo processo de transformação do solo, iniciando-se com a
ação do vento, da chuva sobre as pedras formando rachaduras e por uma série de outras
alterações que resultam nela.

Um exemplo prático da concepção correta de Èsù pode ser vista ao imaginarmos a teoria do
‘Big Bang’, onde do caos inicial surge o movimento de contração que em seguida dá lugar
ao explosivo movimento de expansão que originou a existência.
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Este momento é recriado toda vez que o Bàbálawo após espargir o Ìyèròsùn [Pó consagrado
que o Bàbá Awo usa para aspergir sobre o Òpón Ifá, permitindo-se assim que se grave /
raspe o signo ‘Odù’] em seu Tabuleiro [Òpón Ifá] que também é denominado Aláaìkú [o
que sempre não morrerá].

[Òpón Ifá / Aláaìkú]

Èsù é ainda definido como, Igba Keta / Senhor da Terceira Cabaça, Odara / Senhor da
Felicidade, Osije / O Mensageiro Divino, Enu Gbarijo / Boca Coletiva, L'Onan / Senhor
dos Caminhos, El'Ebo / Senhor das Oferendas, e Odùso / O Vigia dos Odùs, também
conhecido por Akin Oso / O Guerreiro Mágico.
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Tendo sido trazidas a luz às origens tanto do ‘diabo’ quanto de ‘exú’ bem como de ‘Èsù’,
acreditamos que não mais haja duvidas quanto à compreensão de que não há qualquer
possibilidade de equivalência entre o ‘diabo e Èsù’.

A título de ilustração acho ser pertinente esclarecer um pouco melhor a origem deste
equivoco interpretativo, então vamos lá..

Ao chegar o elemento estrangeiro em terras yorùbá e encontrar Sacerdotes de Èsù dançando


voluptuosamente com falos [pênis] de madeira escondida sob as vestes, os puritanos
consideraram como sendo algo amoral e demoníaco e de imediato associaram a
sensualidade da dança ao demônio, ou coisa do diabo. Na verdade o falo que tanto os
escandalizou, tinha e tem por simbologia a ‘fecundação’ e conseqüente manutenção da
vida, não havendo, portanto nenhuma concepção de imoralidade. A pseudo-indecência
estava sim na cabeça ignorante e retrógrada dos que não se davam contas de que aquele
pênis ereto era na verdade uma referencia a ‘manutenção da vida’. Tanto o é que se um
homem não ejacula fecundando uma mulher a vida não se perpetua. Pois do ‘caos’
exemplificado pelo movimento de vai e vem que ocorre durante o ato sexual, a vida ‘união
do esperma ao óvulo’, surge..] Se a cópula que origina a vida é algo imoral, o que é
moralidade? Obviamente estamos diante de uma aberração, e percebemos que bastava uma
visão menos provinciana e o engano não teria ocorrido. Toda ‘pureza’ ou ‘imoralidade’
esta na cabeça de quem interpreta!

Conclusão é interessante que se tenha o devido cuidado ao interpretar algo que pertence a
uma cultura não ocidentalizada, pois se incorre no perigo de aquilatar de maneira errada
aquilo que se presencia. Nem tudo o que ‘parece’ efetivamente é..

Èsù é o instrumento divino que equilibra a balança do destino, ele é a correção


personalizada, sendo, portanto a antítese do ‘trambiqueiro venal’ que aceita suborno para
burlar as divinas leis, ao contrário disso ele é ‘Olopa’ [Policial / Senhor da Roupa] ou seja,
Guardião da Tradição e dos bons costumes yorùbá. Aquele que ‘acha’ que Èsù compactua
com o erro, o desconhece por completo..

Obs: - Aos afoitos que lêem apenas o primeiro e último parágrafos sem se dar ao trabalho
de verificar a veracidade do que aqui exponho, informo que esta é minha visão enquanto
Sacerdote que professa o Ifismo, minha visão pode diferir da visão do Candomblecista e do
Umbandista e não há problema algum nisso, pois jamais pretendi ser o ‘Senhor da
Verdade’, até porque a verdade apesar de ser única possui infinitas interpretações..

Obrigado por seu tempo e paciência.,


Àború boyè bosíse
Fagbenusola

*. Fonte: Passagens bíblicas / Wikipedia / Corpus literário de Ifá / Dogma e Ritual da Alta
Magia - Eliphas Levi, 1848] / Bàbálawo Fagbenusola.

Contato: fagbenusola@gmail.com