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UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE - CCBS CURSO DE FISIOTERAPIA

Kamila Pinho Teixeira Nívea Araújo Masuyama Roberta de Araújo Costa Folha

ÂNGULO Q E TRATO ILIOTIBIAL: um estudo de correlação

Belém - PA

2008

Kamila Pinho Teixeira

Nívea Araújo Masuyama

Roberta de Araújo Costa Folha

ÂNGULO Q E TRATO ILIOTIBIAL: um estudo de correlação

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Fisioterapia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade da Amazônia, como requisito para obtenção do grau de Bacharel em Fisioterapia, orientado pela professora Mônica Cardoso da Cruz.

Belém - PA

2008

Kamila Pinho Teixeira

Nívea Araújo Masuyama

Roberta de Araújo Costa Folha

ÂNGULO Q E TRATO ILIOTIBIAL: Um Estudo de Correlação

Apresentado em:

Conceito:

2008

/

/

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Fisioterapia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade da Amazônia, como requisito para obtenção do grau de Bacharel em Fisioterapia, orientado pela professora Mônica Cardoso da Cruz.

Banca Examinadora

Prof. Mônica Cardoso da Cruz Orientadora

Ft. Marineuza Jardim

Ft. Diogo Protázio

Belém – PA

Aos nossos pais e amores, que foram fundamentais para o sucesso deste trabalho.

AGRADECIMENTOS – Kamila Teixeira

À Deus, pela oportunidade de vida que me foi dada, pela chance de buscar minha

evolução e pelas provações e fraquezas que me ajudou e ainda ajuda a superar. Ao meu noivo Marcelo Baccino, por ter o magnífico dom da compreensão e paciência, por todo o apoio desde a minha entrada na universidade até aqui, encorajando-me e dando-me

força nos momentos mais difíceis, e por ser alguém que me estimula a crescer cientifica, ética, profissional e pessoalmente.

À minha irmã Kelly por sempre ter estado ao meu lado e por ter se mostrado disposta

a ajudar na minha formação.

Ao meu “pincipezinho” Leonardo Lincoln que, mesmo inconscientemente, me ajudou tirando cargas de estresse com sua alegria, fantasia, e ingenuidade de criança.

À minha família, por fazer parte da torcida por essa conquista.

À minha amigona Nívea, pela linda amizade e cumplicidade construída ao longo

desses anos de universidade.

À companheira Roberta que, com um humor único, conseguiu tirar-nos risos nos

momentos de desespero na execução deste trabalho. Aos meus verdadeiros amigos da Unama que, além de me “aturarem” todos os dias, sempre mostraram compreensão, apoio, dedicação e incentivo à busca dos meus sonhos. Agradeço a eles também pela mão estendida nos momentos de dificuldades, pelas horas de estudo, pelos conhecimentos transmitidos e pela alegrias convividas.

Agradeço aos professores que me ensinaram com humildade, prazer e dedicação o que sei e que mostraram os caminhos pelos quais teremos a oportunidade de seguir. Às pessoas que participaram do nosso TCC, ajudando-nos nesta pesquisa. Ao meu modelo de ética, profissionalismo, competência e sapiência que é a professora Mônica Cruz, a qual, além de nos orientar brilhantemente, nos animou, nos empolgou e nos incentivou a crescer, compartilhou seus conhecimentos, e permitiu concretizar o projeto desta pesquisa. Ao Professor Mauro Fontelles que deu um fantástico suporte e incentivo em todos os momentos deste trabalho. E, finalmente, aos meus pais, que sempre foram meu porto seguro, que me deram a vida e me ensinaram a vivê-la com dignidade, que acreditam no meu potencial, que com amor

e carinho iluminam os meus caminhos e que se doam inteiramente à felicidade de seus filhos. Um muito obrigada é muito pouco. Amo vocês!

AGRADECIMENTOS – Nívea Masuyama

Ao meu Deus maravilhoso pela sabedoria que me deu para que eu me tornasse

profissional. Ao meu querido e amado esposo Hiroto por ter acreditado em minha capacidade e ter me dado a oportunidade de me tornar fisioterapeuta. Aos meus filhinhos lindos Leonardo e Giulia que na minha ausência tiveram paciência comigo e sempre me alegravam em meus momentos de estresse. Amo vocês! Aos meus pais Raimundo e Maria das Graças, meus irmãos e familiares pelo amor e dedicação.

À minha adorada amiga e companheira de TCC Kamila pela amizade e pelo apoio nos

momentos mais difíceis.

À amiga de TCC Roberta pelos bons momentos de estudo juntas e bons momentos na

execução deste trabalho. Aos nossos colegas alunos do curso de fisioterapia da Unama que contribuíram muito

direta ou indiretamente para a realização desse trabalho. Aos meus verdadeiros amigos por terem me dado força, incentivo, apoio e compreensão nos momentos difíceis, fazendo com que eu não sucumbisse à vontade de desistir. Ao professor Mauro Fontelles pelo maravilhoso apoio que nos deu nessa jornada.

À nossa “teacher maravilhosa” Mônica Cruz pela paciência, dedicação e inigualável

contribuição em minha vida acadêmica.

À todos os professores da universidade que estiveram presentes ao longo de minha

vida na universidade.

AGRADECIMENTOS – Roberta Folha

Agradeço a Deus, pela força, saúde e cada dia vivido. Por colocar em meu caminho

pessoas maravilhosas que me ajudaram a construir este trabalho e concluir estes quatro anos de curso. Agradeço os meus pais, Roberto e Soraia Folha, duas pessoas que fundamentaram meu caráter, que sempre mostraram o certo e o errado e me permitiram escolher. Que respeitam minhas decisões e se mantém ao meu lado, em qualquer que seja a situação. Que sempre investiram no meu futuro e sempre me incentivaram, acreditando no meu potencial. Vocês certamente são os melhores pais que eu poderia ter, e os melhores amigos que tenho. Agradeço o meu irmão Gabriel Folha, que, mesmo sem saber, me incentiva a ser uma pessoa cada vez melhor, buscando ser um bom exemplo, uma referência de pessoa a ele. Apesar das implicâncias, te amo muito! Agradeço o meu namorado, Raphael Pereira, que me conquista todos os dias com seu

Alguém por quem tenho grande admiração, com

quem superei alguns obstáculos e vivo muitas alegrias. Obrigada pelo apoio, incentivo, pelos mimos, por tornar minhas jornadas de pesquisa mais agradáveis e pela cumplicidade demonstrada não só neste trabalho, mas tantas outras conquistas. Agradeço aos meus avos, tios, primos, por todo o apoio, incentivo, comemorações e, principalmente, por sempre acreditarem em mim. Aos meus amigos, pela compreensão nos momentos de estresse e ausência em confraternizações, pelo apoio e incentivo, pelos conselhos e comemorações, pelo companheirismo, pelo conhecimento compartilhado e pela colaboração que puderam dar a este trabalho e aos quatro anos de curso. Aos professores, aos supervisores de estágio, aos pacientes, agradeço por contribuírem de forma ímpar em minha formação acadêmica. À orientadora desta pesquisa, Prof.ª Mônica Cruz, um exemplo de profissional, que além de nos orientar, sempre nos fez acreditar que podemos fazer melhor. Ao prof. Mauro Fontelles, pela excelente contribuição. À todos os voluntários, pois sem eles este trabalho seria inviável. Às minhas queridas companheiras de TCC, grandes amigas que se entregaram a este trabalho, que superaram dificuldades e se mostraram pessoas admiráveis. Conseguimos, queridas!

carinho, compreensão, dedicação, amizade

“A melhor maneira de nos prepararmos para o futuro é concentrar toda a imaginação e entusiasmo na execução perfeita do trabalho de hoje.” Dale Carnegie

RESUMO

A postura ereta se estabelece graças à adaptação de tecidos moles, por isso, se faz necessário um bom equilíbrio nas tensões destes tecidos para que a estrutura óssea se mantenha bem posicionada. O complexo do joelho, como é circundado de tecidos moles, tanto pode sofrer repercussões da tensão destes tecidos como pode interferir no comportamento tensional dos mesmos, como por exemplo, um joelho desalinhado em valgo, é tratado por alguns autores como associado a um encurtamento do TIT, já que este é uma estrutura de tecido conjuntivo diretamente relacionada ao joelho. Sendo assim, esta pesquisa tem como objetivo geral verificar se há correlação entre ângulo Q e banda iliotibial em acadêmicos de Fisioterapia da UNAMA com idade entre 20 e 30 anos. Para isso, foi realizada a mensuração do ângulo Q através de fotogrametria utilizando o Software de Avaliação Postural (SAPo), bem como foi verificado o comprimento do trato iliotibial através do teste de Ober Modificado. Os dados foram analisados, primeiramente, de forma generalizada, sem divisão por grupo e, posteriormente, com os valores de ângulos Q organizados por grupos (ângulo Q aumentado, normal e diminuído). Esta pesquisa teve como resultado a presença de relação inversamente proporcional entre as variáveis quando as mesmas não estavam separadas por grupos, sendo que, quando os dados encontravam-se organizados por grupo, não obteve-se significância estatística no estudo de correlação entre ângulo Q e comprimento do trato iliotibial.

Palavras-chave: Ângulo Q. Trato iliotibial. Fotogrametria. Teste de Ober modificado.

ABSTRACT

The upright posture is established through the adaptation of soft tissues, and is necessary a good tension balance in these tissues to the bone structure remains well positioned. The knee complex, which is surrounded by soft tissues, both may suffer repercussions of the tissue tensions as can interfere in the conduction of such tension, for example, a knee valgus is treated by some authors as a misaligned linked to a shortening of the iliotibial tract, since this is a structure of a connective tissue directly related to the knee. This research aims to verify the correlation between the Q angle and the length of iliotibial band on Physiotherapy academics of UNAMA aged between 20 and 30 years old. Was accomplished the Q angle measurement through photogrammetry, using the Software de Avaliação Postural (SAPo), as well as the length of the iliotibial tract through the Ober test modified. The data were analyzed, first in general, without division by group, and later with the values of Q angle organized by groups (increased, normal and dropped Q angle). This research resulted in the presence of inversely proportional relationship between variables when the data were not separated by groups, and when the data ware organized on groups, was not returned statistical significance in the study of correlation between Q angle and length of iliotibial band.

Keywords: Q angle. Iliotibial Tract. Phtotogrammetry. Ober test modified.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Ambiente de captação da imagem

37

Figura

2:

Nível pélvico acoplado

38

Figura 3: Posicionamento para realização do Teste de Ober Modificado

38

Figura 4: Correlação entre o comprimento do TIT e o ângulo Q nos indivíduos do sexo

masculino

Figura 5: Correlação entre o comprimento do TIT e o ângulo Q nos indivíduos do sexo

feminino

Figura 6: Correlação entre comprimento do TIT e o ângulo Q diminuído (joelho varo) dos

indivíduos do sexo

Figura 7: Correlação entre comprimento do TIT e o ângulo Q aumentado (joelho valgo) dos

44

Figura 8: Correlação entre comprimento do TIT e o ângulo Q normal (joelho normal) dos

indivíduos dosexo

Figura 9: Correlação entre comprimento do TIT e ângulo Q diminuído (joelho varo) dos

indivíduos do sexo

Figura 10: Correlação entre comprimento do TIT e ângulo Q aumentado (joelho valgo) dos

indivíduos do sexo

Figura 11: Correlação entre comprimento do TIT e o ângulo Q normal (joelho normal) dos

indivíduos do sexo

Figura 12: Correlação entre comprimento do TIT e ângulo Q diminuído (joelho varo) dos

47

Figura 13: Correlação entre comprimento do TIT e ângulo Q aumentado (joelho valgo) dos

indivíduos do sexo masculino e

Figura 14: Correlação entre comprimento do TIT e ângulo Q normal (joelho normal) dos

48

48

46

46

45

44

indivíduos do sexo

42

42

43

indivíduos do sexo masculino e

indivíduos do sexo masculino e

Figura 15: Distribuição percentual dos ângulos Q nos indivíduos do sexo feminino,

considerando Hamill & Knutzen (1999) e IC95% calculado

Figura 16: Distribuição percentual dos ângulos Q nos indivíduos do sexo masculino,

50

50

considerando Hamill & Knutzen (1999) e IC95% calculado

Figura 17: Distribuição percentual dos ângulos Q nos indivíduos do sexo feminino e

50

masculino, considerando Hamill & Knutzen (1999) e IC95% calculado

LISTA DE QUADROS E TABELAS

Quadro 1: Valores médios ± desvio padrão do ângulo Q conforme o grupo e o membro

40

Quadro 2: Diferença entre os valores do ângulo Q para os indivíduos dos sexos masculino e

feminino

Quadro 3: Valores médios ± desvio padrão do comprimento do TIT conforme o grupo e o

membro estudado

Quadro 4: Diferença entre os valores do comprimento do TIT para os indivíduos dos sexos

masculino e

Tabela 1: Comparação entre os resultados das correlações feitas a partir do intervalo proposto

49

por Hamill & Knutzen (1999) e os resultados das correlações feitas segundo o

40

41

41

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

 

25

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

27

2.1 ALINHAMENTO

POSTURAL

27

2.2 ALINHAMENTO DOS MEMBROS INFERIORES NO PLANO FRONTAL

28

2.3 ÂNGULO Q E TRATO ILIOTIBIAL

29

2.4 MÉTODOS DE EXAME DO ÂNGULO Q

31

2.4.1 Goniometria

31

2.4.2 Biofotogrametria

31

2.5

METODOS DE EXAME DO COMPRIMENTO DO TIT

32

2.5.1 Teste de Ober convencional

32

2.5.2 Teste de Ober modificado

32

3 MATERIAIS E MÉTODO

34

3.1 LOCAL

 

34

3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA

34

3.3 GRUPOS ESTUDADOS

35

3.4 PROCEDIMENTOS

35

3.5 ANÁLISE ESTATÍSTICA

39

4 RESULTADOS

 

40

5 DISCUSSÃO

51

6 CONCLUSÃO

56

7 REFERÊNCIAS

57

APÊNDICE

I

61

APÊNDICE

II

62

APÊNDICE

III

63

APÊNDICE

IV

64

25

1 INTRODUÇÃO

Uma postura normal é mantida ativamente por tecidos moles, que, quando em desequilíbrio tensional, são capazes de interferir no posicionamento adequado dos ossos, sendo a recíproca verdadeira. Tal condição pode gerar uma postura patológica, resultando em uma série de disfunções (5, 23, 26, 27, 30, 37) . O ângulo Q pode estar envolvido nesta relação entre desequilíbrio tensional e desalinhamento ósseo, como, por exemplo, em disfunções patelofemorais, que ocorrem com maior freqüência em pessoas com joelho valgo (20) . Hall & Brody (2001) alegam ainda que o Ângulo Q relaciona-se com uma série de lesões articulares, principalmente no plano frontal do joelho, e afirmam que um joelho valgo gera uma sobrecarga no compartimento lateral do joelho, predispondo a doenças articulares degenerativas, alongamento fisiológico do Ligamento Colateral Medial e luxação patelar. O Trato Iliotibial (TIT), por sua vez, é um componente do conjunto de tecidos moles, que tem grande importância na estabilidade estática e dinâmica do joelho, exerce função proprioceptiva e, em conjunto com o deltóide pélvico, é importante na postura e equilíbrio monopodálico (7, 27) . Devido seus grandes papéis funcionais, o TIT pode sofrer lesões por uso excessivo ou sobrecargas, como fascite do TIT, síndrome do atrito do TIT, bursite do trocanter maior, disfunção patelofemoral e padrões defeituosos de movimentos nas articulações do quadril e tibiofemoral (16) . Gama et al (2007) afirma que o joelho sofre influências de todas as estruturas ósseas e tecidos moles que por ele passam e que o ângulo Q aumentado acarreta encurtamento das estruturas músculo-ligamentares, como por exemplo, o trato iliotibial. Então, se uma postura normal é mantida por tecidos moles, alterações na tensão do TIT podem levar a um desalinhamento postural, no caso, no joelho, articulação pela qual o TIT atravessa. No entanto, há que se pensar acerca da afirmação de que o ângulo Q aumentado gera encurtamento do TIT, pois sabe-se que este atua como abdutor em ambas as articulações, quadril e joelho, e que quando há um geno-valgo, a perna está em posição “abduzida”, enquanto que o fêmur está mais angulado medialmente (em adução), indicando que o TIT, na condição de abdutor de ambos, pode não estar encurtado em sua magnitude tendo em vista o fato de que o encurtamento ocorre na direção em que o movimento é produzido, neste caso, na abdução.

26

Partindo dessa lógica e de uma análise cinesiológica, uma redução do ângulo Q levaria a um alongamento do TIT na região do joelho, pois este tecido fascial cruza lateralmente esta articulação tendendo a produzir uma abdução não fisiológica. E no quadril, o TIT encurtaria, já que nesta articulação o mesmo age como abdutor. O contrário ocorreria se o ângulo Q estivesse aumentado. Sendo assim, este estudo justifica-se pela necessidade de compreensão da real relação entre o ângulo Q e o TIT. O presente estudo teve como objetivo geral verificar a correlação entre ângulo Q e banda iliotibial em acadêmicos do curso de Fisioterapia da Universidade da Amazônia (UNAMA) com idade entre 20 e 30. Objetivou-se também quantificar a média do ângulo Q encontrada e estabelecer seu intervalo de normalidade na população estudada. Caso haja relação entre as variáveis estudadas, verificar se esta é positiva ou negativa e quão forte ela é, através de análises estatísticas.

27

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 ALINHAMENTO POSTURAL Durante o processo de hominização, foi necessária uma série de ajustes na estrutura do corpo a fim de que a espécie humana, agora com uma nova morfologia, pudesse manter o corpo em equilíbrio e resistir à força gravitacional. Ocorreu a verticalização da pelve, a extensão da coluna e, simultaneamente a essa reconfiguração corporal no espaço, houve adaptações dos tecidos moles como encurtamento do bíceps femoral e alongamento do glúteo máximo, por exemplo. Isto é, os tecidos moles do corpo tiveram de se adaptar a uma nova condição de modo a manter a nova postura simétrica e estável (27) . Com a aquisição da postura bípede, o centro de gravidade do homem tornou-se mais elevado e sua base de apoio menos alargada conferindo-lhe maior instabilidade e, obviamente, influenciando no equilíbrio do corpo (16) . Então, como afirma Souchard (2006, p.37) “o equilíbrio do homem é tão precário quanto o de um cigarro colocado sobre uma de suas extremidades”, logo para mantermos uma boa postura ereta gastando o mínimo de energia, contamos com um bom arranjo entre o corpo e seu centro de gravidade que será mantido pelo tônus postural dos músculos anti-gravitários e pela resistência elástica fibromuscular, onde ambas objetivam manter o alinhamento ósseo, e conseqüentemente uma postura adequada. Para a Academia Americana de Ortopedia, a postura nada mais é que um harmônico arranjo das partes do corpo e, para que um indivíduo possua uma postura considerada normal, os diferentes segmentos corporais como cabeça, tórax e o abdômen devem estar devidamente equilibrados uns sobre os outros, de modo que o peso seja suportado pela estrutura óssea com o mínimo de esforço, tensão e estresse nos músculos e ligamentos (5, 23) . O suporte desses segmentos é mantido passivamente por tecidos moles, ossos e articulações e ativamente pelos músculos. Mas para isto, os vetores das forças musculares sobre esses segmentos devem se equivaler às forças externas que ameaçam a manutenção da postura, de forma a evitar a mudança posicional dos segmentos e consequentemente o desequilíbrio (30) . Dentre os elementos de suporte passivo citados anteriormente, Chaitow (2001) faz referência à fáscia, que é um tecido conjuntivo (tecido mole) que reveste, sustenta, divide, envolve, e integra toda a estrutura e função dos tecidos moles do corpo, sendo capaz de se contrair e relaxar elasticamente, sustentar e estabilizar todas as estruturas, auxiliando de forma significativa o equilíbrio postural.

28

Estes tecidos moles – importantes na conservação da postura – sofrem ajustes e adaptações quando necessário, em que todas as camadas se alongam, se encurtam e se torcem nas direções umas das outras durante movimentos ou mesmo na função postural de maneira a moldar-se aos novos padrões (26) . Isto reflete o fato de que a influência óssea sofre direta repercussão dos tecidos moles que a envolvem, apóiam e movimentam, onde a tensão nestes tecidos pode até mesmo levar a anormalidades nas estruturas esqueléticas e conseqüentemente repercutindo na funcionalidade (5) . A partir da compreensão de que a postura ereta se estabelece graças à adaptação de tecidos moles e, sabendo que a todo momento o homem está sujeito à força gravitacional, entende-se que se faz necessário um bom equilíbrio nas tensões dos tecidos moles para que a estrutura óssea se mantenha bem posicionada, pois, caso contrário, assim como os tecidos se adequaram à postura ereta, os mesmos também se adaptam a uma postura patológica. Fato este que não seria conveniente, uma vez que ocorrerá maior gasto energético e desequilíbrios

tensionais (5, 23, 26, 27, 30, 37) .

Em resumo, alterações no alinhamento ósseo repercutem na condição tensional de nossos tecidos moles, assim como alterações comprimento, tônus e resistência dos tecidos moles repercutem no alinhamento ósseo (5, 23, 26, 27, 30, 37) .

2.2 ALINHAMENTO DOS MEMBROS INFERIORES NO PLANO FRONTAL Nos membros inferiores (MMII) existe um eixo mecânico que alinha os centros articulares do quadril, joelho e tornozelo: do centro da cabeça femoral ao centro da linha articular fêmoro-tibial e desta ao centro da polia do tálus (4, 31) . O fato dos quadris estarem mais afastados entre si do que os tornozelos, faz com que o referido eixo seja ligeiramente oblíquo para baixo e para dentro formando um ângulo de 3º com a vertical (4, 21) . Tal eixo confunde-se com o eixo tibial, fator que permite a conclusão de que a tíbia não é posicionada perpendicularmente à horizontal, além de formar um ângulo de cerca de 6º com o eixo longitudinal do fêmur, o qual situa-se em torno de 9º a 10º da vertical, ou seja, a diáfise femoral angula-se medialmente em adução para colocar a cabeça do fêmur embaixo da linha de sustentação de peso da cabeça femoral e, para compensar esta angulação da diáfise, o côndilo medial do fêmur é, em média, 17mm mais longo que o côndilo lateral (9, 14, 15, 16, 21, 31) . Então, o joelho, por conter o fêmur e a tíbia, dois ossos relacionados às articulações do quadril e tornozelo respectivamente, recebe continuamente repercussões dessas articulações, que, quando dispendem esforços, influenciam no funcionamento do joelho. Um exemplo

29

desta questão de influências posturais no joelho está no conhecimento da informação de que a obliqüidade para medial do fêmur é maior em mulheres que em homens por conta da conformação pélvica feminina, que é maior (4, 36) . A angulação medial do fêmur é medida pelo ângulo Q, parâmetro que está relacionado ao alinhamento dos membros inferiores no plano frontal (13) .

2.3 ÂNGULO Q E TRATO ILIOTIBIAL Afirma-se que o ângulo Q, também conhecido como ângulo frontal do joelho e ângulo quadricipital, é formado pela medida do ângulo entre o eixo diafisário do fêmur e o da tíbia (13) , sendo avaliado pela intersecção de duas linhas: uma que liga a espinha ilíaca ântero- superior (EIAS) ao centro da patela e outra que liga o centro da patela até a tuberosidade anterior da tíbia (2, 18, 24, 33, 36) . Há diferença entre os valores deste ângulo entre os sexos masculino e feminino, em que o do homem varia de 10° a 14° e o da mulher varia de 15° a 17° (18) , cujo aumento pode ocorrer devido a um geno-valgo, patela alta, pés pronados, pelve larga, aumento da anteversão femoral ou torção tibial externa. O contrário está relacionado a uma redução em seu valor (20,

22) .

Segundo Melo de Paula (2004), o aumento do ângulo Q é um possível fator etiológico da dor anterior do joelho e, joelhos com valores aumentados ou diminuídos do ângulo Q, estão relacionados com aumento na pressão de contato na articulação patelo-femoral, o que podem constituir causas potenciais de condromalácia. Um aumento do ângulo Q cria um maior vetor em valgo, uma força anormal que pode conduzir a uma série de lesões (2, 32) . Bricot (2001) afirma que as forças anormais patológicas podem gerar alterações estáticas a nível articular, capsular, osteoligamentar, muscular, tendíneo, aponeurótico, dentre outras e, essas alterações, têm várias conseqüências a longo e curto prazo. Toma-se como exemplo o fato de que, na posição estática bipodal, quando se tem um pé varo, o tálus em varo provoca a rotação externa dos eixos tibiais e femorais, gerando uma tendência ao joelho varo e/ou hiperpressão patelar. No entanto, quando se tem um pé plano, o calcâneo mantém-se em valgo causando uma rotação medial nos eixos tibiais e femorais, gerando uma tendência a joelho valgo e fuga patelar no sentido medial (3) . Mendonça et al (2005) explica o comportamento do retropé varo durante a marcha, que culmina em rotação medial nos eixos tibiais e femorais assim como explicado no parágrafo anterior sobre a posição estática. Ainda acrescenta a informação de que esses

30

ajustes e compensações geram alterações musculoesqueléticas, como encurtamento do trato iliotibial (TIT). Tortora (2002) afirma que o TIT é formado pelos tendões do músculo Tensor da Fascia Lata e Glúteo Maximo (deltóide pélvico). Para Maman & Fonseca (2003), Trato Iliotibial é um ligamento de grande resistência e alguma elasticidade formado por tecido conjuntivo que compõe o tecido fascial. Localizado na face lateral da coxa, o TIT é um ligamento complexo, exclusivo da espécie humana e incomum por cruzar duas articulações – origina-se na crista ilíaca, atravessa o trocânter maior sem fixar-se diretamente nele, estende- se ao tubérculo lateral da tíbia, cabeça da fíbula, côndilo lateral do fêmur e ao septo intermuscular femoral lateral, e insere-se no tubérculo de Gerdy, borda lateral da patela e fibras anteriores do tendão do bíceps femoral (7, 27) . Essa estrutura tem grande importância para os equilíbrios estático e dinâmico, visto que atua como estabilizador das articulações do joelho e quadril durante a marcha e, em conjunto com o glúteo máximo e tensor da fáscia lata (TFL), auxilia na postura e equilíbrio monopodálico. O TIT é capaz de contribuir para a integridade do fêmur, dividir carga com a atividade muscular para a manutenção de posturas, manter bom alinhamento e estabilizar o joelho no plano frontal por suas fixações e capacidade proprioceptiva (7, 27) . Hall & Brody (2001), sugerem que estes grandes papéis funcionais do TIT o tornam propenso a lesões por uso excessivo e por sobrecarga, sendo as mais comuns: fascite do TIT, síndrome do atrito do TIT, bursite do trocânter maior, disfunção patelo-femoral e padrões defeituosos de movimento nas articulações do quadril e tibiofemoral. O trato iliotibial é mais espesso na porção distal e tem maior resistência comparado com a resistência do TIT proximal e, quando encurtado, resulta em abdução do fêmur, tracionando os ossos da pelve e gerando alterações posturais (27) . Mais uma vez, como exemplificado nos parágrafos anteriores, encontramos uma situação em que tecidos moles estão nitidamente relacionados ao alinhamento ósseo. Observa-se então, que tanto o TIT como o ângulo podem estar envolvidos em desalinhamentos posturais, e que este tecido fascial é uma estrutura adjacente as peças ósseas envolvidas na formação do ângulo quadricipital. Logo, conhecendo a relação que se estabelece entre o alinhamento ósseo do corpo e os tecidos moles; considerando-se a idéia de que o corpo sofre ajustes e compensações posturais e, admitindo-se a possível relação entre trato iliotibial e ângulo Q a partir das descrições acima, ficam as perguntas: qual o comportamento tensional do TIT perante as alterações do ângulo Q? Este trato encontra-se mais tenso na condição de joelho valgo ou varo? E ainda mais: existe realmente uma

31

repercussão sobre a tensão do TIT a partir da alteração do ângulo ou a tensão perdida numa extremidade é recuperada na outra de modo que não haja variação clinicamente detectável ao exame clinico? As respostas cabem a esta pesquisa.

2.4 MÉTODOS DE EXAME DO ÂNGULO Q A avaliação do ângulo Q determina as condições de valgo e varo do joelho, indica o alinhamento da articulação femoropatelar e o vetor da força lateral aplicada à patela, e é muito importante em disfunções da articulação patelo-femoral, mecânica patológica do joelho e alinhamento postural inadequado. O ângulo Q pode ser mensurado de diversas formas, incluindo radiografias e exames clínicos com utilização do goniômetro, seja de forma supina, em ortostatismo ou sentado com joelhos flexionados e rotação tibial (2, 13, 18, 32) .

2.4.1 Goniometria

De acordo com Sacco et al (2007), goniometria é um método avaliativo de alta confiabilidade para medidas de ombro e joelho, e o instrumento utilizado (goniômetro) tem baixo custo e simples manuseio, permitindo fácil mensuração. O procedimento para a

mensuração do ângulo Q por meio da goniometria se dá com o indivíduo em decúbito dorsal, com os membros inferiores relaxados e na posição anatômica. O eixo do goniômetro é mantido sobre o centro da patela, o braço fixo ao longo do fêmur, em direção as EIAS, e o braço móvel sobre o tubérculo tibial (20, 32) . Jensen & Cabral, 2006, comparou este procedimento avaliativo em posição supina e em ortostatismo e não encontrou diferenças significantes entre elas.

2.4.2 Biofotogrametria Iunes et al (2005) diz que,

Segundo a American Society of Photogrammetry, fotogrametria é “a arte, ciência e tecnologia de obtenção de informação confiável sobre objetos físicos e o meio ambiente através de processos de gravação, medição e interpretação de imagens fotográficas e padrões de energia eletromagnética radiante e outras fontes”.

Isto é, é um método combina a fotografia digital com softwares que permitem a mensuração de ângulos e distâncias horizontais e verticais, como, por exemplo, o Software para Avaliação Postural (SAPo), Corel Draw, dentre outros. A fotogrametria facilita a quantificação das variáveis morfológicas com dados confiáveis e facilita o processo de arquivamento e acesso aos registros arquivados (35) .

32

É um recurso acessível aos fisioterapeutas que utilizam a fotografia e que possuem

equipamentos básicos como uma câmera digital e um computador, de modo que se possa

realizar avaliação postural e mensurar as alterações encontradas (19) .

O procedimento de avaliação da fotogrametria computadorizada através do SAPo se

dá a partir do registro de fotografias do corpo inteiro do sujeito avaliado com pontos marcados nas referências anatômicas desejadas. Após a calibração da foto no próprio software e dos pontos digitalizados, o SAPo fornece as medidas solicitadas para a avaliação postural. Jensen e Cabral (2006) afirmam que não se tem comprovado qual o melhor método e posição para mensurar o ângulo Q, mas a postura do indivíduo, a contração do músculo quadríceps femoral, a posição do joelho e a posição do pé durante a medição deste ângulo pode alterar significativamente o resultado.

2.5 METODOS DE EXAME DO COMPRIMENTO DO TIT Faria et al (2005) e Faria et al (2006) relatam que, até o presente momento, as ferramentas disponíveis para mensurar o comprimento do TIT são o teste de Ober convencional e o teste de Ober modificado, sendo estes muito utilizados, aceitos e recomendados para a obtenção do comprimento dessa estrutura.

2.5.1 Teste de Ober convencional

O teste de Ober convencional é realizado com o indivíduo em decúbito lateral, com o

membro a ser avaliado posicionado por cima. Enquanto o membro inferior próximo a maca mantém-se com joelho e quadril em flexão, a pelve é estabilizada e realiza-se uma abdução e alguma extensão passiva do membro avaliado, com o joelho flexionado ou em extensão. Em seguida, o avaliador abaixa este membro lentamente até este encostar-se à maca, caso isto não ocorra, considera-se que o TIT esteja encurtado. Existem algumas dúvidas quanto à confiabilidade do teste de Ober como medida para tensão do TIT (8, 10, 32) .

2.5.2 Teste de Ober modificado

O teste de Ober foi modificado primeiramente por Kendall em 1953 com o objetivo de

quantificar o resultado do teste, recebendo o nome de “teste de ober modificado”, posteriormente Melchione e Sullivan apresentaram uma pequena modificação deste segundo teste. O teste de ober modificado mantem o mesmo posicionamento do teste de ober, no entanto, é assegurado por goniômetros, permite um maior controle da estabilização pélvica

33

utilizando um nível pélvico e quantifica a medida do teste utilizando um inclinômetro. (FARIA et al, 2005)

34

3 MATERIAIS E MÉTODO

Para a realização desta pesquisa, contou-se com o aceite da professora Mônica Cardoso da Cruz para orientar o grupo de pesquisa (Apêndice I); com o aceite do professor Dr. Mauro José Pantoja Fontelles para co-orientar o trabalho (Apêndice II); da autorização da clínica escola de Fisioterapia da Universidade da Amazônia (UNAMA) – FISIOCLÍNICA (Apêndice III) e, mediante a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), a pesquisa foi iniciada. Nesta, os voluntários componentes da amostra foram esclarecidos sobre os riscos e benefícios e, concordando com os procedimentos a que seriam submetidos, autorizaram sua participação na pesquisa ao assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Apêndice IV) de acordo com a Resolução do Conselho Nacional de Saúde (CNS) 196/96, que consta de todas as informações acerca da pesquisa.

3.1 LOCAL

A presente pesquisa trata-se de um estudo observacional analítico do tipo coorte transversal, a qual foi realizada no laboratório de Fisiologia Cardiorrespiratória da Clínica Escola de Fisioterapia da UNAMA – FISIOCLÍNICA, localizada na Avenida Alcindo Cacela nº 359, bairro do Umarizal. Todos os procedimentos descritos, relativos à coleta dos dados, seguiram a orientação de um protocolo previamente estabelecido segundo orientações obtidas durante a execução do projeto piloto.

3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA

Neste estudo foi definida como população os alunos regularmente matriculados no curso de Fisioterapia da UNAMA, dentre os quais selecionou-se uma amostra não probabilística, de conveniência, cuja escolha dos sujeitos foi realizada de modo seqüencial, com o intuito de minimizar o viés de seleção. A amostra contou com 60 alunos voluntários, com idade compreendida entre 20 e 30 anos, sendo 40 do sexo feminino e 20 do sexo masculino, perfazendo um total de 120 membros inferiores (MMII) avaliados. Os voluntários assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) para que pudessem participar da pesquisa.

Para o cálculo da amostra e considerando os testes estatísticos a serem empregados na análise dos dados, tomou-se como base o coeficiente de regressão de 0,5, poder do teste de 95% e nível alfa de 5%. Foram excluídos do presente estudo os alunos que apresentaram

35

quadro álgico ou qualquer outro sinal de inflamação em estruturas dos MMII, no momento da avaliação, assim como patologia ou limitação física que impediam a realização dos movimentos necessários à avaliação; pacientes portadores de lesões neurológicas centrais e periféricas, indivíduos com história prévia de cirurgia nos MMII, e aqueles que possuíam malformações congênitas em tronco e/ou MMII.

3.3 GRUPOS ESTUDADOS

Estudou-se nos indivíduos da amostra, a correlação entre o ângulo Q (ângulo formado pelo eixo diafisário do fêmur e o eixo diafisário da tíbia) e o comprimento do TIT. Para isso, avaliou-se o ângulo Q mediante a utilização do Software de Avaliação Postural (SAPo); e

quantificou-se, em graus, o comprimento do TIT por meio do teste de Ober modificado descrito por Melchione e Sullivan apud Faria et al (2005). Os indivíduos selecionados foram subdivididos em grupos de acordo com os valores dos ângulos Q. Tais valores encontrados na amostra, foram classificados em ângulo Q aumentado, ângulo Q normal e ângulo Q diminuído, obedecendo ao intervalo de normalidade de 10° a 14° para homens, e 15° a 17° para mulheres, proposto por Hamill & Knutzen (1999), sendo feita, também, uma segunda classificação de acordo com o intervalo de confiança de 95% (IC95%) de 11,06° a 15,38° para homens, e 16,74° a 20,17° para mulheres, calculado a partir dos dados coletados no presente estudo. Sendo assim, os grupos de indivíduos são:

O grupo ângulo Q normal (grupo Q N ) - constituído de indivíduos que apresentam valor do ângulo Q normal, cujo valor, segundo Hamill & Knutzen (1999), está compreendido entre 10° e 14° para os homens, e entre 15° e 17° para as mulheres. E, de acordo com o IC95% calculado, varia de 11,06° a 15,38° para homens, e 16,74° a 20,17° para mulheres. Grupo ângulo Q aumentado (grupo Q A ) - formado por indivíduos do sexo masculino que possuem ângulo Q maior que 14°, e do sexo feminino com ângulo Q maior que 17° (18) . Segundo o IC95%, o grupo Q A apresenta valores de ângulo Q maiores que 15,38° para homens e maiores que 20,17° para as mulheres. O grupo ângulo Q diminuído (grupo Q D ) - compõe-se de homens com ângulo Q menor que 10°, e mulheres com ângulo Q menor que 15° (18) . No entanto para o IC95%, este grupo compõe-se de homens com ângulo Q menor que 11,06°, e de mulheres com ângulo Q menor que 16,74°.

36

Os procedimentos do estudo foram divididos em duas etapas, a saber: medição do ângulo Q e avaliação do comprimento do TIT. É importante ressaltar que, em ambas as etapas, cada pesquisador exerceu a mesma função do início ao final da pesquisa, a fim de evitar vieses. a) Medição do ângulo Q – Nesta etapa foram utilizados como materiais 01 fio de prumo de ½ kg, 01 marca transversal no chão feita de EVA (etil vinil acetato) medindo 7x30cm, 01 tripé VPT 10 (Tron®), 01 câmera digital de 7.2 Megapixel (Sony®), estadiômetro (Welmy®), 01 trena (Marberg®), 01 fio de prumo (Ramada®), marcadores anatômicos e o Software para Avaliação Postural (SAPo) versão 0.67. A medição do ângulo Q seguiu o protocolo estabelecido pelo SAPo, que é uma ferramenta de fotogrametria utilizada principalmente para avaliar o alinhamento dos segmentos corporais através de registro de fotografias do corpo inteiro do indivíduo, em diferentes planos, em que os pontos anatômicos de referência devem estar previamente marcados. O passo inicial para quantificar o valor do ângulo Q do aluno voluntário foi a captura de sua imagem através de uma fotografia digital, a qual permitiu observar o plano frontal do indivíduo, onde estavam demarcados três pontos: espinha ilíaca ântero-superior (EIAS), centro da patela e tuberosidade anterior da tíbia. Para isso, o mesmo trajava um short, de modo que os pontos a serem marcados ficassem desnudos. Tomou-se o cuidado de registrar a foto com o voluntário em posição ortostática, o qual foi instruído a manter o segundo dedo do pé alinhado a uma marca transversal no solo, cuja finalidade era evitar que a rotação da perna ou da coxa influenciasse na medição do ângulo. Para a produção do ambiente (Figura 1), pendurou-se o fio de prumo no teto e o indivíduo posicionou-se ao seu lado. A câmera digital ficou a uma altura correspondente à metade da estatura do sujeito e, para assegurar este posicionamento da câmera, utilizou-se o estadiômetro, onde foi quantificada a estatura do indivíduo que foi dividida por dois. Em seguida, com auxilio da trena, a câmera foi disposta a três metros de distância do mesmo. É importante dizer que, na foto, a imagem do sujeito e do fio de prumo foram enquadrados para que houvesse a calibração da imagem no programa. Após a captura da imagem, enviou-se a foto para o programa, onde, com base na vertical mostrada pelo fio de prumo e nas demarcações dos pontos anatômicos, foi calibrada a imagem e calculado o ângulo Q do sujeito.

37

37 Figura 1: Ambiente de captação da imagem (Fonte: das autoras) b) Avaliação do comprimento do

Figura 1: Ambiente de captação da imagem (Fonte: das autoras)

b) Avaliação do comprimento do TIT – nesta etapa foram utilizados como materiais 01 inclinômetro (Level®), 01 nível pélvico (construído pelas autoras), 01 maca (ISP®), 02 goniômetros (Carci®) e esparadrapos micropore hipoalergênico (Cremer®). Fez-se a avaliação de acordo com o teste de Ober modificado proposto por Melchione e Sullivan, o qual consiste em uma versão mais quantitativa do teste de Ober convencional.

(10) .

No teste de Ober modificado (Figura 3), o posicionamento de decúbito lateral é mantido e a perna inferior fica fletida no quadril e no joelho para retificar a coluna lombar. A pelve do paciente é estabilizada com uma das mãos do terapeuta, enquanto a outra segura na perna. O joelho mantém uma pequena flexão de 5° para, então, a coxa ser abduzida e estendida a fim de que o membro aduza em seguida. Logo, a fim de assegurar este posicionamento, utilizaram-se goniômetros. A flexão de joelho a 5°, durante a realização desta nova versão do teste, se justifica, segundo Kendall et al apud Faria et al (2005, p.34), pelo fato de que nesta posição “há menos distensão medialmente na área da articulação do joelho, menos tensão sobre a patela e menos interferência por um reto femoral contraído”. Para quantificar o teste, usou-se um inclinômetro para informar o grau de adução do membro testado. Empregou-se também um nível pélvico, cuja função foi auxiliar na manutenção da estabilização da pelve para que não houvesse erro no resultado do teste de Ober modificado devido a uma inclinação da mesma.

38

O inclinômetro utilizado, o qual possui uma base magnética, foi acoplado a uma régua

de metal e posicionado na região lateral da coxa do membro avaliado, a 2cm do epicôndilo

lateral do fêmur. Dessa maneira, após alcançado o posicionamento final do teste, leu-se e registrou-se o valor em graus fornecido pelo equipamento.

O nível pélvico (Figura 2) é um instrumento que, para ser construído, conta com o uso

de uma régua de plástico transparente e dois níveis de bolha utilizados na construção civil.

Um dos níveis foi colocado paralelamente à régua, enquanto o outro ficou perpendicular à mesma. Empregou-se este equipamento da seguinte forma: palparam-se as espinhas ilíacas póstero-superiores (EIPS) do paciente, depois alinhou-se o nível pélvico a estas e acoplou-o ao paciente com uma fita adesiva hipoalergênica. Este equipamento permite auxiliar a manter

a

pelve alinhada a partir do momento em que um nível de bolha encontra-se no plano sagital e

o

outro no plano frontal.

no plano sagital e o outro no plano frontal. Figura 2: Nível pélvico acoplado (Fonte: das

Figura 2: Nível pélvico acoplado (Fonte: das autoras)

Figura 2: Nível pélvico acoplado (Fonte: das autoras) Figura 3: Posicionamento para realização do Teste de

Figura 3: Posicionamento para realização do Teste de Ober Modificado (Fonte: das autoras)

39

3.5 ANÁLISE ESTATÍSTICA O estudo estatístico considerou a análise descritiva dos grupos estudados, assim como a comparação das variáveis entre os grupos. Todos os dados obtidos foram armazenados em um banco de dados utilizando-se o programa Excel – versão 2007 (Microsoft Co. USA), para computador pessoal. Nas análises bivariadas, a significância estatística foi avaliada através do teste t de Student. Por outro lado, nas análises de comparações múltiplas, a relevância estatística foi avaliada pela aplicação da Análise de Variância (ANOVA de um critério – Teste F). Na presença de diferenças entre os grupos, estas foram identificadas pelo método de Tukey. Nas análises de correlação entre o ângulo Q e o comprimento do TIT, foi empregado o coeficiente de correlação de Pearson, com cálculo do coeficiente de determinação e do valor p. Adotou-se o nível de significância de 5% (p 0,05) e os resultados estão dispostos sob forma de quadros, gráficos, tabelas e figuras, sendo apresentados por grupo, quando necessário, e expressam, quando não especificado o contrário, a média ± desvio padrão da média de cada grupo, além dos valores p, os quais foram obtidos mediante a utilização do programa estatístico Bioestat 5.0 Microcal Origin 5.0 e Microsoft Excel versão 2007.

40

4 RESULTADOS

Para a realização da presente pesquisa, foram avaliados os membros inferiores (MMII)

de 60 indivíduos, sendo 40 do sexo feminino, com média de idade de 21,80 ± 2,64 anos; e 20

indivíduos do sexo masculino com média de idade de 22,05 ± 2,60 anos, não havendo

diferença estatisticamente significativa na idade entre ambos os sexos (p = 0,72).

A estatura média da amostra variou de acordo com o sexo, sendo 158,88 ± 5,14cm

para o sexo feminino e 173,07 ± 6,86cm para o sexo masculino, havendo uma diferença

importante entre os dois grupos (p < 0,0001).

A partir da coleta dos valores do ângulo Q em graus, foram avaliadas as diferenças

entre os MMII direito e esquerdo dos homens e das mulheres, as quais não foram

estatisticamente significantes (Quadro 1). Foi realizada também a comparação do ângulo Q

entre ambos os sexos, onde foi observada uma diferença estatística relevante (Quadro 2).

Quadro 1: Valores médios ± desvio padrão do ângulo Q conforme o grupo e o membro estudado.

   

ÂNGULO Q

IC95%

 

GRUPO ESTUDADO

MEMBRO

(GRAUS)

calculado

p valor*

 

Direito

12,92 ± 7,40

9,67 - 16,16

 

MASCULINO

Esquerdo

13,53 ± 6,64

10,42 - 16,63

p

= 0,785

 

Direito

17,52 ± 7,95

15,06 - 19,98

 

FEMININO

Esquerdo

19,46 ± 7,69

17,08 - 21,84

p

= 0,270

* Teste t de student bi-caudal

Quadro 2: Diferença entre os valores do ângulo Q para os indivíduos dos sexos masculino e feminino.

 

ÂNGULO Q

IC95%

 

GRUPO ESTUDADO

(GRAUS)

calculado

p valor*

MASCULINO

14,33 ± 6,95

11,06 - 15,38

 

FEMININO

18,49 ± 7,83

16,74 - 20,17

0.0005

* Teste t de student bi-caudal

Com os valores do comprimento do TIT, coletados em graus, também foram avaliadas

as diferenças entre os MMII, direito e esquerdo, dos homens e das mulheres, não sendo

evidenciada diferença estatística entre as variáveis em questão (Quadro 3). Esclareceu-se

41

ainda, a diferença de comprimento do TIT entre os sexos, que foram consideradas iguais

estatisticamente (Quadro 4).

Quadro 3: Valores médios ± desvio padrão do comprimento do TIT conforme o grupo e o membro estudado.

GRUPO

 

COMPRIMENTO DO TIT (GRAUS)

IC95%

 

ESTUDADO

MEMBRO

calculado

p valor*

 

Direito

22,95 ± 5,08

20,72 - 25,17

 

MASCULINO

Esquerdo

20,90 ± 4,96

18,72 - 23,07

p

= 0,204

 

Direito

22 ± 5,34

20,34 - 23,65

 

FEMININO

Esquerdo

20,85 ± 4,52

19,44 - 22,25

p

= 0,302

* Teste t de student bi-caudal

Quadro 4: Diferença entre os valores do comprimento do TIT para os indivíduos dos sexos masculino e feminino.

GRUPO

COMPRIMENTO DO TIT (GRAUS)

IC95%

 

ESTUDADO

calulado

p valor*

MASCULINO

21,92 ± 5,06

20,35 - 23,49

 

FEMININO

21,42 ± 4,95

20,33 - 22,51

p = 0,605

* Teste t de student bi-caudal

A partir da coleta dos valores de ângulo Q e do comprimento do TIT, foram estudadas

as correlações entre estas variáveis, para o sexo masculino e feminino. A figura 4 expressa,

para o sexo masculino, os valores da associação entre as duas variáveis, calculados pelo

coeficiente de correlação de Pearson, onde se evidencia, entre elas, uma correlação negativa.

A força de associação entre as variáveis mostrou-se de maneira moderada e estatisticamente

significativa, em que o comprimento do TIT aumenta ao passo que o ângulo Q diminui. Além

disso, observa-se na figura que 16% do valor do ângulo Q é influenciado pelo comprimento

do TIT.

42

r = -0,40 r 2 = 0,16 p = 0.009 25 âng. Q = 25,38
r = -0,40
r 2 =
0,16
p = 0.009
25
âng. Q
=
25,38 - 0,55 T IT
20
15
10
5
0
-5
10
15
20
25
30
Ângulo Q (graus)

C om prim ento do T IT (graus)

Figura 4: Correlação entre o comprimento do TIT e o ângulo Q nos indivíduos do sexo masculino.

A figura 5, por sua vez, retrata a mesma correlação para o sexo feminino, apresentando características similares à do sexo masculino: uma correlação negativa, de força moderada e estatisticamente significante, onde também comprimento do TIT aumenta conforme o valor do ângulo Q reduz, valendo acrescentar que 14% do valor do ângulo Q é explicado pelo comprimento do TIT.

r = -0,38 40 r 2 = 0,14 p = 0,0003 30 Â ng. Q
r = -0,38
40
r 2 = 0,14
p = 0,0003
30
 ng. Q
= 31,65 - 0,61 TIT
20
10
0
-10
10
15
20
25
30
35
40
Ângulo Q (graus)

C om prim ento do T IT (graus)

Figura 5: Correlação entre o comprimento do TIT e o ângulo Q nos indivíduos do sexo feminino.

43

As figuras 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13 e 14 expõem a correlação entre o grupo de ângulo Q e seus respectivos valores de comprimento do TIT tanto para o intervalo sugerido pelo referido autor como para o IC95% calculado nesta pesquisa. A figura 6 apresenta a correlação para o grupo de homens cujo ângulo Q esteja diminuído e seus respectivos comprimentos do TIT. Em ambos os intervalos tomados como referência, observa-se uma correlação negativa, de fraca associação e sem relevância estatística.

H a m ill & K n u tz e n ( 1 9 9
H
a m ill
&
K n u tz e n
( 1 9 9 9 )
IC 9 5 %
c a lc u la d o
r
=
-0 ,2 2
r
=
-0 ,2 2
r 2
=
0 ,0 4
r 2
=
0 ,0 4
p
=
0 ,4 5
p
=
0 ,4 3
3
2
â
n g .
Q
=
9 ,7 3
-
0 ,1 8
T IT
â
n g .
Q
=
1 0 ,3 5
-
0 ,1 9
T IT
3
0
2
8
2
6
2
4
2
2
2
0
1
8
1
6
1
4
- 8
-6
-4
-2
0
2
4
6
8
1 0
1 2
1 4
C o m p r im e n to
d o
T IT
( g r a u s )
Ângulo Q diminuído (graus)
Joelho varo

Figura 6: Correlação entre comprimento do TIT e o ângulo Q diminuído (joelho varo) dos indivíduos do sexo masculino.

Na figura 7 observa-se a correlação entre ângulo Q aumentado de indivíduos do sexo masculino e seus respectivos comprimentos do TIT. Tal associação entre as referidas variáveis apontou uma relação positiva e sem significância estatística, tanto no IC95% quanto no intervalo proposto pelo autor referenciado.

44

H a m ill & K n u tz e n ( 1 9 9
H a m ill
&
K n u tz e n
( 1 9 9 9 )
IC 9 5 %
c a lc u la d o
r
=
0 ,1 9
r
=
0 ,1 9
r 2
=
0 ,0 3
r 2
=
0 ,0 3
p =
0 ,4 9
p =
0 ,4 9
â n g .
Q
=
1 8 ,1 4
+
0
,
1
1
T IT
â n g .
Q
=
1 8 ,1 4
+ 0 ,1 1
T IT
2
8
2
6
2
4
2
2
2
0
1
8
1
6
1
4
1
2
1 4
1 6
1 8
2 0
2 2
2 4
2 6
C o m p r im e n to
d o
T IT
( g r a u s )
Ângulo Q aumentado (graus)
Joelho valgo

Figura 7: Correlação entre comprimento do TIT e o ângulo Q aumentado (joelho valgo) dos indivíduos do sexo masculino.

No grupo masculino, a correlação entre ângulos Q normais e comprimento do TIT é evidenciada na figura 8, o qual expõe uma relação diretamente proporcional e sem importância estatística, considerando os dois intervalos de normalidade utilizados.

H a m ill & K n u tz e n ( 1 9 9
H a m ill
&
K n u tz e n
( 1 9 9 9 )
IC 9 5 %
c a lc u la d o
r
=
0 ,2 1
r
=
0 ,3 5
r 2
=
0 ,0 4
r 2
=
0 ,1 2
p
=
0 ,4 9
p
=
0 ,2 8
3
0
â
n g .
Q
=
1 1 ,8 4
+
0 ,0 5
T IT
â
n g .
Q
=
1
1
,7 1
+
0 ,0 7
T IT
2
8
2
6
2
4
2
2
2
0
1
8
1
6
1
4
1
2
1
0
1 0
1
1
1 2
1 3
1 4
1 5
1 6
C o m p r im e n to
d o
T IT
( g r a u s )
Ângulo Q normal (graus)
Joelho normal

Figura 8: Correlação entre comprimento do TIT e o ângulo Q normal (joelho normal) dos indivíduos dosexo masculino.

Analisando no sexo feminino, através da figura 9, a correlação entre ângulo Q diminuído e comprimento do TIT, encontra-se uma relação inversamente proporcional,

45

moderadamente forte e estatisticamente significante, considerando ambos intervalos adotados, onde 23% do valor do ângulo Q é explicado pelo comprimento do TIT, no que diz respeito ao cálculo feito com base no intervalo do autor, e 24% do valor do ângulo Q é explicado pelo comprimento do TIT, no que se refere ao resultado obtido com base no IC95%.

H a m ill & K n u tz e n (1 9 9 9
H
a m ill
&
K n u tz e n
(1 9 9 9 )
IC 9 5 %
c a lc u la d o
r
=
-0 ,4 8
r
=
-0 ,4 9
r 2
=
0 ,2 3
r 2
=
0 ,2 4
p =
0 ,0 1
p =
0 ,0 0 5
4
0
â n g .
Q
=
1 9 ,2 5
-
0 ,4 1
T IT
â n g .
Q
=
2 1 ,1 0
-
0 ,4 5
T IT
3
5
3
0
2
5
2
0
1
5
1
0
-1 0
-5
0
5
1 0
1 5
2 0
C o m p rim e n to
d o
T IT
(g ra u s )
Ângulo Q diminuído (graus)
Joelho varo

Figura 9: Correlação entre comprimento do TIT e ângulo Q diminuído (joelho varo) dos indivíduos do sexo feminino.

A figura 10 exibe, em mulheres, a correlação entre joelhos com ângulo Q aumentado em mulheres e seus respectivos comprimentos do TIT, onde nota-se uma relação negativa e sem relevância estatística levando em conta os dois intervalos utilizados.

46

H a m ill & K n u tz e n (1 9 9 9
H
a m ill
&
K n u tz e n
(1 9 9 9 )
IC 9 5 %
c a lc u la d o
r
=
- 0 ,1 7
r
=
-0 ,1 6
r 2
=
0 ,0 2
r 2
=
0 ,0 2
p
=
0 ,2 4
p
=
0 ,3 6
3
2
â
n g .
Q
=
2 7 ,2 6
-
0 ,1 8
T IT
â
n g .
Q
=
2 8 ,3 4
-
0 ,1 3
T IT
3
0
2
8
2
6
2
4
2
2
2
0
1
8
1
6
1
4
1
2
1 5
2 0
2 5
3 0
3 5
4 0
C o m p rim e n to
d o
T IT
( g r a u s )
Ângulo Q aumentado (graus)
Joelho valgo

Figura 10: Correlação entre comprimento do TIT e ângulo Q aumentado (joelho valgo) dos indivíduos do sexo feminino.

Na figura 11 evidencia-se a correlação entre ângulo Q normal de mulheres e os relativos comprimentos do TIT. A associação em questão trata-se de uma relação positiva considerando o intervalo de normalidade proposto por Hamill & Knutzen (1999), e uma relação negativa no que diz respeito ao IC95% calculado no estudo, no entanto, destaca-se o fato de não haver significância estatística nas correlações citadas.

H a m ill & K n u tz e n ( 1 9 9
H a m ill
&
K n u tz e n
( 1 9 9 9 )
IC 9 5 %
c a lc u la d o
r
=
0 ,7 3
r
=
- 0
,0 8
r 2
=
0 ,5 3
r 2
=
0 ,0 0 6
p
=
0 ,0 6
p
=
0 ,7 4
2
8
â
n g .
Q
=
1 2 ,4 4
+
0 ,1 7
T IT
â
n g .
Q
=
1 8 ,9 6
-
0 ,0 3
T IT
2
6
2
4
2
2
2
0
1
8
1
6
1
4
1 4 .0
1 4 .5
1 5 .0
1 5 .5
1 6 .0
1 6 .5
1 7 .0
1 7 .5
1 8 .0
1 8 .5
1 9 .0
1 9 .5
2 0 .0
2 0 .5
C o m p r im e n to
d o
T IT
( g r a
u s )
Ângulo Q normal (graus)
Joelho normal

Figura 11: Correlação entre comprimento do TIT e o ângulo Q normal (joelho normal) dos indivíduos do sexo feminino.

47

A figura 12 mostra a associação entre os ângulos Q diminuídos de homens e mulheres e seus relativos comprimentos do TIT, onde se observa uma correlação inversamente

proporcional entre as variáveis, com uma associação moderadamente forte e com relevância estatística para ambos os intervalos empregados. Considerando o resultado obtido com base no intervalo proposto pelo referenciado autor, 18% do valor do ângulo Q é explicado pelo comprimento do TIT, enquanto que, na correlação realizada a partir do cálculo do IC95%, alcançou-se a informação de que o comprimento do TIT influencia em 20% o valor do ângulo

Q.

H a m ill & K n u tz e n ( 1 9 9
H
a m ill
&
K n u tz e n
( 1 9 9 9 )
IC 9 5 %
c a lc u la d o
r
=
- 0 ,4 3
r
=
- 0 ,4 5
r 2
=
0
,1 8
r 2
=
0
,2
p
=
0 ,0 0 5
p
=
0 ,0 0 2
Â
n g .
Q
=
1 7 ,5 5
-
0 ,4 0
T IT
â
n g .
Q
=
1 9 ,6 7
-
0 ,4 5
T IT
4
0
3
5
3
0
2
5
2
0
1
5
1
0
- 1 0
- 5
0
5
1 0
1 5
2 0
C o m p r im e n to
d o
T IT
( g r a u s )
Ângulo Q diminuído (graus)
Joelho varo

Figura 12: Correlação entre comprimento do TIT e ângulo Q diminuído (joelho varo) dos indivíduos do sexo masculino e feminino.

Analisando-se na figura 13 a correlação entre ângulo Q aumentado, nos sexos masculino e feminino, com seus concernentes comprimentos do TIT, a partir dos dois intervalos adotados, encontrou-se uma relação negativa entre as variáveis, a qual não é estatisticamente relevante.

48

H a m ill & K n u tz e n (1 9 9 9
H a m ill
&
K n u tz e n
(1 9 9 9 )
IC 9 5 %
c a lc u la d o
r
=
- 0 ,0 7
r
=
- 0 ,0 0 4
r 2
=
0 ,0 0 4
r 2
=
0 ,0 0 0 0 1
p
=
0 ,5 7
p
=
0 ,9 7
3
2
â
n g .
Q
=
2 4 ,1 9
-
0 ,0 7
T IT
â
n g .
Q
=
2 4 ,0 7
-
0 ,0 0 4
T IT
3
0
2
8
2
6
2
4
2
2
2
0
1
8
1
6
1
4
1
2
1 0
1 5
2 0
2 5
3 0
3 5
4 0
C o m p r im e n to
d o
T IT
( g r a u s )
Ângulo Q aumentado (graus)
Joelho valgo

Figura 13: Correlação entre comprimento do TIT e ângulo Q aumentado (joelho valgo) dos indivíduos do sexo masculino e feminino.

A associação entre o ângulo Q normal dos homens e mulheres e seus relativos comprimentos do TIT, como demonstrado na figura 14, é uma relação negativa, que não possui importância estatística no que diz respeito aos intervalos considerados.

H a m ill & K n u tz e n ( 1 9 9
H
a m ill
&
K n u tz e n
( 1 9 9 9 )
IC 9 5 %
c a lc u la d o
r
=
- 0 , 0 0 7
r
=
- 0 ,0 7
r 2
=
0 , 0 0 0 0 4
r 2
=
0 ,0 0 4
p
=
0 ,9 7
p
=
0 ,6 9
3
0
â
n g .
Q
=
1
4 , 2 1
-
0 ,0 0 0 3
T IT
â
n g .
Q
=
1 7 ,4 3
-
0 ,0 5
T IT
2
8
2
6
2
4
2
2
2
0
1
8
1
6
1
4
1
2
1
0
9 1 0
1
1
1 2
1 3
1 4
1 5
1 6
1 7
1 8
1 9
2 0
2 1
2 2
C o m p r im e n to
d o
T IT
( g r a u s )
Ângulo Q normal (graus)
Joelho normal

Figura 14: Correlação entre comprimento do TIT e ângulo Q normal (joelho normal) dos indivíduos do sexo masculino e feminino.

49

A tabela 1 sintetiza os resultados dos gráficos acima, a fim de facilitar a compreensão

de que, os resultados das correlações montadas de acordo com o intervalo de normalidade

sugerido por Hamill & Knutzen (1999), e os resultados das correlações realizadas segundo o

IC95% calculado na presente pesquisa, foram estatisticamente os mesmos. Houve, em ambos,

significância estatística apenas nas correlações mostradas nas linhas 04 e 07.

Tabela 1: Comparação entre os resultados das correlações feitas a partir do intervalo proposto por Hamill & Knutzen (1999) e os resultados das correlações feitas segundo o IC95%.

 

CORRELAÇÕES

Hamill & Knutzen

 

(1999)

IC95% calculado

 

Relação*

p

Relação

p valor

valor**

01. Ângulo Q DIMINUÍDO x TIT HOMENS

- 0,45

- 0,43

02. Ângulo Q AUMENTADO x TIT HOMENS

+ 0,49

+ 0,49

03. Ângulo Q NORMAL x TIT HOMENS

+ 0,49

+ 0,28

04. Ângulo Q DIMINUÍDO x TIT MULHERES

- 0,01***

- 0,005***

05. Ângulo Q AUMENTADO x TIT MULHERES

- 0,24

- 0,36

06. Ângulo Q NORMAL x TIT MULHERES

+ 0,06

- 0,74

07. Ângulo Q DIMINUÍDO x TIT HOMENS E MULHERES

- 0,005***

- 0,002***

08. Ângulo Q AUMENTADO x TIT HOMENS E MULHERES

- 0,57

- 0,97

09. Ângulo Q NORMAL x TIT HOMENS E MULHERES

- 0,97

- 0,69

* - : relação negativa

** Coeficiente de correlação de Pearson *** Correlações estatisticamente significativas

+ : relação positiva

A partir da distribuição dos valores de ângulo quadricipital nos grupos ângulo Q

aumentado, normal e diminuído, tanto para o intervalo de Hamill & Knutzen (1999) quanto

para o intervalo de confiança 95%, calculou-se a porcentagem de cada grupo na amostra.

A seguir, nas figuras 15, 16 e 17, está a distribuição percentual dos grupos ângulo Q

diminuído, normal e aumentado dentro do intervalo recomendado por Hamill & Knutzen

(1999) e do IC95% calculado no presente estudo, respectivamente.

50

50 Figura 15: Distribuição percentual dos ângulos Q nos indivíduos do sexo feminino, considerando Hamill &

Figura 15: Distribuição percentual dos ângulos Q nos indivíduos do sexo feminino, considerando Hamill

& Knutzen (1999) e IC95% calculado

considerando Hamill & Knutzen (1999) e IC95% calculado Figura 16: Distribuição percentual dos ângulos Q nos

Figura 16: Distribuição percentual dos ângulos Q nos indivíduos do sexo masculino, considerando Hamill

& Knutzen (1999) e IC95% calculado

considerando Hamill & Knutzen (1999) e IC95% calculado Figura 17: Distribuição percentual dos ângulos Q nos

Figura 17: Distribuição percentual dos ângulos Q nos indivíduos do sexo feminino e masculino, considerando Hamill & Knutzen (1999) e IC95% calculado.

51

5 DISCUSSÃO

Iunes et al (2005) afirma que a avaliação postural é de fundamental importância para o planejamento de um tratamento fisioterapêutico, então, apesar do ângulo Q ser um parâmetro relacionado ao alinhamento postural dos MMII no plano frontal e suas alterações serem comumente encontradas na clínica fisioterapêutica, pouco se tem comprovado sobre suas causas e tratamento, o qual muitas vezes é realizado de forma empírica. Conhecendo a anatomia do TIT, indaga-se se alterações em seu comprimento resultaria em desalinhamento o joelho, ou se alterações do ângulo Q provocariam mudanças no comprimento da banda iliotibial. Este estudo mostra uma relação um tanto quanto obscura entre essas variáveis. Na busca desta pesquisa pela resposta sobre a real relação entre ângulo Q e comprimento do TIT, identificou-se, nos valores de ângulo Q encontrados, uma diferença estatisticamente significante entre homens e mulheres, mostrando uma média de ângulo Q maior em mulheres (18,49 ± 7,83 graus) do que em homens (14,33 ± 6,95 graus). Fulkerson (2000) cita valores próximos a estes, encontrados em estudos de autores como: Aglietti e Col. (17º±3 graus para mulheres e 14±3 graus para homens), Hsu e Col. (18,8±4,7 graus para mulheres e 15,6±3,5 graus para homens), Woodland (17±0,72 graus para mulheres e 13,6±0,72 graus para homens). Esta disparidade entre ângulo Q feminino e masculino justifica-se em função da pelve da mulher ser mais larga em relação à do homem (8, 15, 20, 22, 34) , e devido a EIAS ser mais lateral nas mulheres, levando ao aumento do ângulo Q

(25) .

Foram encontrados na literatura diversos valores de normalidade para o ângulo Q e, Fulkerson (2000), mostra estar de acordo com este fato quando relata que a variação dos valores normais propostos por múltiplos autores é ampla. Devido a isto, além ter sido adotado, no presente estudo, o intervalo de normalidade sugerido por Hamill & Knutzen (1999), foi realizado o cálculo do IC95% para ângulos Q dos homens e ângulos Q das mulheres da amostra, o qual mostrou um intervalo muito próximo ao do referido autor. Tal fato se revela verdadeiro quando observam-se que, as correlações feitas de acordo com o intervalo do autor e as correlações feitas segundo o IC95%, mostraram estatisticamente os mesmos resultados (tabela 1). Considerando, no presente trabalho, os valores de normalidade do ângulo Q apontados por Hamill & Knutzen (1999), foi encontrado 38% de homens com ângulo Q aumentado contra 60% de mulheres que apresentam este mesmo padrão. Estes dados revelam que os

52

casos de joelhos valgos, em mulheres, são muito mais freqüentes que em homens, ocorrência esta que está de acordo com o que propõem Jensen & Cabral (2006). No que diz respeito à análise dos valores de comprimento do TIT obtidos neste estudo, identificaram-se médias estatisticamente iguais entre os grupos feminino e masculino, entretanto, valores de referência para esta variável não foram achados na literatura, o que prova a carência de estudos e informações acerca do tema. Quanto à correlação entre ângulo Q e comprimento do TIT, encontraram-se, nesta pesquisa, dois resultados diferentes. O primeiro dos resultados apareceu quando as variáveis não estavam separadas por grupo e manifestavam uma relação verdadeira, onde, 14% e 16% dos valores de ângulo Q feminino e masculino, respectivamente, são explicados pelo comprimento do TIT e vice-versa, fato que expõe uma associação moderadamente forte entre as variáveis. Esta relação mostra-se negativa, isto é, inversamente proporcional, onde o TIT encontra-se alongado quando o ângulo Q está diminuído, sendo a recíproca verdadeira (Figuras 1 e 2). Evidenciou-se o segundo resultado quando as variáveis já estavam organizadas em grupos de acordo com os valores de ângulo Q (ângulo Q diminuído, normal e aumentado), onde observou-se relação estatisticamente significante em apenas duas das nove correlações originadas dos grupos de ângulo Q. Esclarecendo-se melhor este segundo resultado, no primeiro dos dois casos onde houve significância estatística, a correlação mostrou-se importante entre ângulo Q diminuído (joelho varo) de mulheres e seus respectivos comprimentos do TIT (Figura 6), sendo esta uma relação inversamente proporcional, com associação moderadamente forte entre as variáveis, visto que o comprimento do TIT explica cerca de 23% a 24% do valor do ângulo Q. Já no segundo caso, ao juntarem-se os valores dos ângulos Q diminuídos dos homens aos valores dos ângulos Q diminuídos das mulheres, e correlacionarem-nos com seus respectivos comprimentos do TIT (figura 9), verificou-se também uma correlação inversamente proporcional entre as variáveis e com força moderada de associação entre as mesmas, uma vez que cerca de 18% a 20% do valor do ângulo Q é explicado pelo comprimento do TIT. Então, a partir dessas informações, constatou-se que, as correlações onde estavam inseridos os dados dos ângulos Q femininos diminuídos, foram as que tiveram significância estatística, fazendo surgir a hipótese de que estes dados viciaram o resultado mostrado na figura 9. Além disso, o fato de não ter-se obtido significância estatística na correlação entre ângulo Q diminuído dos homens e seus relativos comprimentos do TIT (Figura 3), pode,

53

também, ter ligação com o argumento de que a mulher possui maior flexibilidade em suas estruturas músculo-ligamentares que o homem (1) . Devido ao acontecimento de poucas correlações terem mostrado significância estatística, pode-se inferir que o TIT, em resposta à variação do ângulo Q, sofra ajustes e compensações de forma que a tensão perdida numa extremidade é recuperada na outra de modo que não haja variação clinicamente detectável. Esta hipótese pode ser válida quando se reflete sobre o fato de que o TIT, além de cruzar o joelho lateralmente e possuir no mesmo a tendência de produzir uma abdução, o que favorece o seu posicionamento em valgo, é mais espesso e resistente em sua porção distal (27) . Então, neste padrão postural, o TIT provavelmente possui um encurtamento já fixado nesta porção, forçando uma compensação do TIT no nível do quadril, o que justifica a ausência de alteração no comprimento geral do TIT. Já no joelho varo, há a possibilidade de haver deformação na região espessa do TIT, culminando no aumento do comprimento deste de forma que isto seja perceptível ao exame clínico. Então, ao retomar-se a afirmação de que a mulher possui maior flexibilidade que o homem, pensa-se que, no joelho varo, a porção inferior do TIT se distende mais no sexo feminino do que no masculino, o que resultaria em um maior comprimento do TIT nas mulheres que possuem o referido padrão postural. Existe outra hipótese que justifique a mínima significância estatística no segundo resultado obtido no estudo: a ocorrência de problemas provenientes desde o conceito fundamental do ângulo Q, que diverge entre autores, até o seu método de avaliação, raramente descrito em pesquisas, o que inviabiliza o cálculo correto dos intervalos de normalidade, implicando em erros nos resultados de estudos. Isso contribui significativamente para a relação entre ângulo Q e comprimento do TIT ainda ser um caso obscuro. A literatura mostra diferentes definições sobre ângulo Q, dentre as quais está Kapandji apud Gama et al (2007), que define ângulo Q como sendo um ângulo formado pela medida entre o eixo diafisário do fêmur e o eixo diafisário da tíbia; Hall & Brody (2001), que reforçam esta idéia ao afirmar que, a angulação medial do fêmur associada a uma tíbia quase vertical, geram o ângulo Q, e Rash (1991) que, por sua vez, diz que o ângulo quadricipital é o desvio entre a linha de tração do músculo quadríceps femoral e o ligamento patelar. É importante destacar que foram sugeridas definições diferentes para um mesmo ângulo e, como as duas primeiras definições diferem-se da última, esperar-se-iam pelo menos duas formas diferentes de avaliação do ângulo Q: uma que considerasse o centro da patela e as linhas de tração do quadríceps e do ligamento patelar, e uma outra que levasse em conta as diáfises do fêmur e da tíbia. No entanto, todos os autores referidos no parágrafo anterior

54

sugeriram o mesmo método de mensuração do ângulo Q: utilizar o ângulo formado pela intersecção de duas linhas: uma que liga a EIAS ao centro da patela, e outra que liga o centro da patela até a tuberosidade anterior da tíbia. Compreende-se, então, que há controvérsias no conceito básico do ângulo Q, por isso, questiona-se a mencionada forma de avaliação deste ângulo, pois, além não haver um consenso, algo definido como exato no que diz respeito ao fundamento do ângulo, a única forma de mensuração encontrada na literatura é passível de influências da posição patelar, torção tibial e outras variações anatômicas, segundo Jensen & Cabral (2006). Sugere-se ainda a probabilidade de a EIAS nem sempre coincidir com o eixo diafisário do fêmur, caso que, se for verdadeiro, invalida a forma, praticamente universal, de avaliar o ângulo Q, indicada pela literatura. Se uma das finalidades de mensurar o ângulo Q é quantificar o valgo ou o varo para, a partir de então investigar outros fatores, é interessante buscar o conceito destas terminologias para facilitar a compreensão deste ângulo. Hall (2000, p.195) define valgo como “condições de desvio medial no alinhamento de um segmento corporal, da extremidade proximal para distal”; e conceitua varo como “condições de desvio lateral no alinhamento de um segmento corporal, da extremidade proximal para distal”. Ao partir-se do princípio de que o alinhamento de um segmento é ditado pelo posicionamento das peças ósseas, pode-se deduzir que seria a definição sugerida por Kapandji apud Gama et al (2007) e Hall (2001) a mais conveniente. Logo, a forma ideal de medição do ângulo deveria ser através do traçado dos eixos longitudinais do fêmur e da tíbia. Caberia, então, a outros estudos buscar qual seria a forma mais fidedigna de medição do ângulo quadricipital. Além desta contradição identificada na literatura, Jensen & Cabral (2006) mostram, em seu estudo, que a presença de joelhos valgos nem sempre indica aumento no valor do ângulo Q. Interroga-se então: pode-se dizer que joelho com ângulo Q aumentado é a mesma coisa que joelho valgo? Como pode ser que não, se quanto maior o desvio medial do fêmur em relação à tíbia, maior é o valgo e o ângulo Q? A conclusão a que Jensen & Cabral (2006) chegaram, pode ter surgido em função de falhas na mensuração do ângulo Q, uma vez que diferenças e alterações anatômicas entre os indivíduos é algo inevitável e que constantemente ocorre.

Durante a coleta dos dados, inclusive, observou-se a grande variabilidade anatômica entre os voluntários avaliados e, dentre as variações, encontraram-se pessoas com as EIAS mais próximas ao eixo mediano do corpo, e outras com as EIAS mais lateralizadas; assim

55

como foram evidenciadas patelas lateralizadas, patelas altas, tuberosidade anterior da tíbia (TAT) lateralizada e TAT medializada. Jensen & Cabral (2006) dizem que o ângulo Q, por ser apenas um dos elementos utilizados para a avaliação do joelho, não deve ser enfatizado ao extremo, pois sua avaliação pode ser afetada por uma série de fatores como: mecanismo anormal do músculo quadríceps, desequilíbrio muscular, torção tibial, anteversão femoral, posicionamento patelar, dentre outros, referindo também que é por isso que a presença de joelhos valgos nem sempre indica aumento do valor do ângulo Q. Além dessas informações, Mendonça et al (2004) acrescenta que a palpação das estruturas ósseas irregulares é um procedimento muito subjetivo e que pode interferir na confiabilidade das medidas. A partir das informações supracitadas, pensa-se que, em função da grande variabilidade anatômica encontrada na execução do estudo, os resultados do mesmo podem ter sofrido interferências. Além disso, outro fator que pode ter influenciado na pesquisa é o método de avaliação do ângulo Q utilizado: a fotogrametria, método que conta com a subjetividade referente à palpação óssea e que, segundo Sacco et al (2007), possui fidedignidade suspeita. Este autor respalda sua afirmação com um estudo, de sua própria autoria, comparando a avaliação postural de MMII através de goniometria e fotogrametria (utilizando o SAPO), e observou que o segundo método não é fidedigno para avaliar o ângulo Q. Melo de Paula (2004), afirma ainda que poucos estudos apresentam descrições detalhadas dos métodos de medida do ângulo Q e do posicionamento dos pacientes, o que diminui a confiabilidade e a reprodutibilidade dos mesmos, sendo esse um dos motivos para não haver aceitação universal de valores normais ou anormais de ângulo Q. Além do mais, as camadas de tecidos moles existentes sobre os pontos anatômicos demarcados podem influenciar na posição dos marcadores e, ainda que o protocolo proposto pelo SAPO seja seguido criteriosamente, a captação da imagem pode ser imprópria, pois esta sofre influencia da luz ambiente, por exemplo, que pode não ser adequada. Faz-se importante, então, deixar claro que os resultados obtidos nesta pesquisa não permitem afirmar que existe relação entre o ângulo Q e o comprimento do TIT, visto que há suspeitas de que os protocolos de mensuração do ângulo Q, propostos na literatura (incluindo o utilizado neste estudo), não sejam confiáveis. Então, os achados desta pesquisa apontam a necessidade de mais estudos sobre as variáveis em questão, iniciando pela busca de uma mensuração do ângulo Q mais segura, a fim de que se possa solucionar não só a curiosa relação entre ângulo Q e TIT, como também outras questões que envolvam estes dois quesitos.

6 CONCLUSÃO

56

A amostra estudada mostrou uma média de ângulo Q maior no grupo feminino que no masculino, fato este em conformidade com o que se encontra na literatura. Já no que diz respeito ao comprimento do TIT, não há distinção quanto aos valores médios entre os sexos e a literatura carece de mais informações sobre o assunto. Assim como mostram as bibliografias, identificou-se, também, uma grande porcentagem de ângulo Q feminino aumentado quando se compara ao grupo do sexo masculino, tendo sido estabelecido um intervalo de normalidade de ângulo Q para cada sexo, com valores semelhantes aos encontrados na literatura. Na busca por resposta ao objetivo geral, encontrou-se como resultado, para ambos os sexos, a presença de uma relação negativa (inversamente proporcional) e moderadamente forte entre as variáveis, quando estas não estavam separadas por grupos, sendo que, quando os dados encontravam-se organizados em grupo, não obteve-se significância estatística no estudo de correlação entre ângulo Q e comprimento do trato iliotibial. Então, com estes diferentes achados na pesquisa, ficou claro que a relação entre ângulo Q e trato iliotibial ainda é uma incógnita.

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26. LEWIT, Karel. A Manipulação na Reabilitação do Sistema Locomotor. 3ed. São

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Ângulo Q por Intermédio da Fotometria Computadorizada. Revista Brasileira de Fisioterapia, São Paulo, v.8, n.1, p. 39-43 jan/abr, 2004.

29. MENDONÇA, L. D. M. et al. Comparação do alinhamento anatômico de membros

inferiores entre indivíduos saudáveis e indivíduos com tendinose patelar. Revista Brasileira de Fisioterapia, São Carlos, v. 9, n. 1, p. 101-107, 2004.

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Nigel;

Derek;

SOAMES,

Roger.

Anatomia

Humana

e

32. PALMER, M.; EPLER, M. Fundamentos das Técnicas de Avaliação Muscoloesquelética. 2ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

33. PERES, Simone et al. Avaliação Bidimensional da Postura de Atletas de Alto Rendimento. Colégio Brasileiro de Atividade Física, Saúde e Esporte, Rio de Janeiro, v.6, p.247-250, 2007.

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60

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Avaliação Postural de Membros Inferiores. Revista Brasileira de Fisioterapia, São Paulo,

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37. SOUCHARD, P. E. Reeducação Postural Global: método do campo fechado. 6ed. São

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38. TORTORA, Gerard; GRABOWSKI, Sandra. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9 ed.

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Belém, de de 2008. APÊNDICE I 61 De: Profa. Mônica Cardoso da Cruz Ao: Coordenador

Belém,

de

de 2008.

APÊNDICE I

61

De: Profa. Mônica Cardoso da Cruz Ao: Coordenador do Curso de Fisioterapia da UNAMA Wagner Cavalcante Muniz

Assunto: Carta de Aceite de Orientação

Senhor Coordenador,

Venho informar que aceito orientar o Trabalho de Conclusão de Curso intitulado “Ângulo Q e Trato Iliotibial: um estudo de correlação” das acadêmicas Kamila Pinho Teixeira (matrícula 0511900279), Nívea Araújo Masuyama (matrícula 0511900554) e Roberta de Araújo Costa Folha (matrícula 0511900473) durante o ano de 2008, seguindo as normas desta instituição, e, desde já, afirmo que conheço o pré-projeto e solicito o seu encaminhamento para sua execução.

Mônica Cardoso da Cruz

Professora orientadora

Kamila Pinho Teixeira

Aluna concluinte

Nívea Araújo Masuyama

Aluna concluinte

Roberta de Araújo Costa Folha

Aluna concluinte

Belém, de de 2008. APÊNDICE II 62 De: Profa. Mauro José Pantoja Fontelles Ao: Coordenador

Belém,

de

de 2008.

APÊNDICE II

62

De: Profa. Mauro José Pantoja Fontelles Ao: Coordenador do Curso de Fisioterapia da UNAMA Wagner Cavalcante Muniz

Assunto: Carta de Aceite de Co-orientação

Senhor Coordenador,

Venho informar que aceito co-orientar o Trabalho de Conclusão de Curso intitulado “Ângulo Q e Trato Iliotibial: um estudo de correlação” das acadêmicas Kamila Pinho Teixeira (matrícula 0511900279), Nívea Araújo Masuyama (matrícula 0511900554) e Roberta de Araújo Costa Folha (matrícula 0511900473) durante o ano de 2008, seguindo as normas desta instituição, e, desde já, afirmo que conheço o pré-projeto e solicito o seu encaminhamento para sua execução.

Mauro José Pantoja Fontelles

Professor co-orientador

Kamila Pinho Teixeira

Aluna concluinte

Nívea Araújo Masuyama

Aluna concluinte

Roberta de Araújo Costa Folha

Aluna concluinte

APÊNDICE III DECLARAÇÃO 63 Eu, Valéria Marques Normando, declaro que permito a liberação do Laboratório

APÊNDICE III

DECLARAÇÃO

63

Eu, Valéria Marques Normando, declaro que permito a liberação do Laboratório de Fisiologia do Exercício da Clínica Escola de Fisioterapia da UNAMA – Fisioclínica, localizado na Av. Alcindo Cacela, 395, bairro do Umarizal, Belém – Pará, Durante os meses de maio, junho, agosto e setembro de 2008, às segundas-feiras (de 11h50 às 13h30 e 17h10 às 19h40), quartas-feiras (de 11h50 às 14h30) e sextas-feiras (de 17h10 às 19h40), para o desenvolvimento da pesquisa sobre o tema “Ângulo Q e Trato Iliotibial: um estudo de correlação” das acadêmicas Kamila Pinho Teixeira (0511900279), Nívea Araújo Masuyama (0511900554) e Roberta de Araújo Costa Folha (0511900473), devidamente matriculadas na Universidade da Amazônia – UNAMA sob responsabilidade da Professora-orientadora Mônica Cardoso da Cruz (CREFITO 12 / 21070-F). Para a realização da pesquisa, será utilizada uma amostra de alunos de ambos os sexos, os quais deverão ter idade compreendida entre 20 e 30 anos, regularmente matriculados no curso de fisioterapia da UNAMA. A pesquisa tem como objetivo geral estudar a correlação entre o valor do ângulo Q e o comprimento do trato iliotibial da amostra.

Responsável

Belém, 27 de março de 2008.

APÊNDICE IV

64

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

ÂNGULO Q E TRATO ILIOTIBIAL: um estudo de correlação

Você está sendo convidado(a) a participar do projeto de pesquisa acima citado. O documento abaixo contém todas as informações necessárias sobre a pesquisa que estamos fazendo. Sua colaboração neste estudo será de muita importância para nós, mas se desistir a qualquer momento, isso não causará nenhum prejuízo a você.

, residente e domiciliado

, portador da Cédula de

, abaixo

na identidade, RG

assinado(a), concordo de livre e espontânea vontade em participar como voluntário(a) do estudo “ÂNGULO Q E TRATO ILIOTIBIAL: um estudo de

correlação”.

Eu,

, e nascido(a) em

/

/

Estou ciente que:

I)

A

pesquisa será realizada na Clínica Escola de Fisioterapia da Universidade da

Amazônia – Fisioclínica, cujo objetivo é verificar se existe alguma relação entre o

valor do ângulo Q e o comprimento do trato iliotibial;

II)

Nos procedimentos terei de preencher uma ficha de avaliação que constará de

dados pessoais e perguntas impessoais acerca de lesões, sintomas e cirurgias, sendo importante frizar que caso não queira, não serei obrigado a responder as questões;

III)

Serei fotografado(a) pelas pesquisadoras afim de obter dados necessários para

a

pesquisa. A foto será enviada ao computador que, através de um programa,

calculará o valor do ângulo Q;

IV)

Para o registro das fotos, terei de trajar um short e, caso não venha a me sentir à vontade, terei o direito de convidar alguém a acompanhar-me;

65

minha perna a ser avaliada de forma que se obtenha um valor em graus dado por um aparelho que será acoplado à perna;

VI) Em caso de apresentação de trabalho, a foto a ser utilizada não será minha, e sim das próprias pesquisadoras;

VII) Esta pesquisa não objetiva me submeter a um tratamento, assim como não terei gastos com os procedimentos nem serei remunerado ou recompensado para participar da mesma, sendo a minha participação totalmente voluntária;

VIII) No momento em que desejar, tenho liberdade de desistir ou interromper minha colaboração neste estudo, sem que sejam necessárias justificativas. E, caso a desistência aconteça, não ocorrerá nenhum prejuízo a mim, nem à minha saúde e bem estar físico;

IX) Minha participação nesta pesquisa contribuirá para acrescentar à literatura

dados referentes ao tema, auxiliando no norteamento da avaliação e protocolos de tratamento.

X) Concordo que os resultados sejam divulgados em publicações científicas, desde que meus dados pessoais não sejam mencionados;

XI) Caso eu desejar, poderei pessoalmente tomar conhecimento dos resultados parciais e finais desta pesquisa.

(

) Desejo conhecer os resultados desta pesquisa.

(

) Não desejo conhecer os resultados desta pesquisa.

Belém,

de

de

2008

Declaro que obtive todas as informações necessárias, bem como todos os eventuais esclarecimentos quanto às dúvidas por mim apresentadas.

Voluntário

Testemunha 1:

Nome / RG / Telefone

Testemunha 2:

Responsável pelo Projeto:

(nome) Telefone para contato:

Nome / RG / Telefone

66