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CONCILIUM, Petrópolis, VOZES, 1993/2
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Algumas faces de «Cristo» na Ásia Descrizione: A história da evangelização revela um processo de fabricação de caricaturas de Cristo exportadas pelas teologias que acompanharam sistemas socio-políticos da expansão europeia. A realidade da Igreja universal e católica tem sido na prática reduzida à singularidade ocidental. A Asia precisa de Cristo ressurgido e desacorrentado.
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“CRISTO NA ASIA?
V, Elizondo/L. Boff
T, R. de Souza
S, Rayan
P, -L, Kwok
A. Pieris
F. Wilfred
C. H, Abesamis
F, D’Sa
M. J. Mananzan
M. Thanh
P.Nemeshegyl_Teotonio R. de Souza
ALGUMAS FACES DE
“CRISTO” NA ASIA
Jesus tornou-se de inicio uma experiéncia salvifica para
alguns asidticos semitas-judeus para diversos outros. Foi pro-
clamado como o Cristo (Messias, Ungido) no Novo Testamento
e, a partir dai, pelas Igrejas pés-apostélicas. Contudo, o Novo
‘Testamento nao contém um modelo cristolégico ortodoxo unico.
Sua cristologia era “inclusiva e pluriforme”, para usar uma
expressio do biblista George Soares-Prabhu na recente Assem-
bléia Geral da EATWOT em Nairébi (jan. 1992). As Igrejas
pés-apostélicas nfo sé nao tinham consenso acerca de suas
cristologias, mas até manifestavam um violento desacordo acerca
delas, como mostram as turbulentas controvérsias da era cons-
tantiniana e pés-constantiniana. Seria, portanto, incorreto redu-
zir as manifestag6es salvificas de Deus na histéria de todo 0 povo
semita e muitos outros filhos de Deus na Asia e no resto do mundo
as imagens e as vezes as caricaturas de Cristo fabricadas e
exportadas pelas teologias dogmaticas compreensiveis ou acei-
tdveis ao espirito ocidental e aos sistemas sécio-politicos que thes
dao sustentagao.
O complexo de minoria dos judeus e igualmente o comple-
xo de minoria da civilizagdo ocidental, particularmente a partir
Go periodo das “descobertas” ¢ inicios do “capitalismo mundial”,
so grandemente responsaveis por uma doentia globalizagao de
Cristo, que voluntaria ou involuntariamente procura despojé-lo
de sua “encarnagao” e reduzi-lo, ao invés, a uma “singularidade
universal”, Esse Cristo devia ser uma encarnacao dos valores e
estilos de vida aceitdveis & Igreja ou Igrejas “missionarias” do
Ocidente, em vez de responder a compreensdo de Jesus dos
nativos e seu grito em prol da vida. Numa cristologia aberta Jesus
poderia livremente assumir um ou mais titulos diferentes de
quaisquer outros tomados de empréstimo aos titulos conhecidos
do Ocidente ou necessitados de sua aprovacgao. Houve algumas
excegdes ao longo da histéria, mas timidas e impudentemente
9 [73]suprimidas. Mas a partir do Vaticano II esperava-se que as
excegdes se tornassem uma norma que ajudaria a reconhecer a
autenticidade das experiéncias de Cristo dos povos asiaticos e a
aceitar os varios nomes que estes povos deram a essas experién-
cias, em vez de desconfiar delas e sujeitd-las 4 “arte pura”
teolégica e as doutrinas excessivamente sutis do Ocidente.
A tradicional mentalidade capitalista dos judeus, que se
tornou co-natural ao desenvolvimento do espirito ocidental e
suas estruturas sécio-politico-econémicas, procurou apresentar
Cristo ao resto do mundo, inclusive 4 Asia, como mais outra
mercadoria monopolizada de seu mercado global. Em conse-
qiiéncia, seu Cristo continua sendo, em grande parte, um intruso
e nado um Cristo asidtico. As Igrejas que pregam um tal Cristo
permaneceram em grande parte Igrejas na Asia, e nado consegui-
ram tornar-se Igrejas da Asia. Em vez de aliar-se as grandes
religides da Asia como colaboradoras na missao junto aos mi-
Ihées de pobres, as Igrejas missionarias na Asia véem nelas rivais
que ameacam a “singularidade” de sua missdo e a “singu-
laridade” de seu produto-Cristo. Enquanto estas Igrejas nao
morrerem-com-Cristo para sua busca de riqueza e poder, prova-
velmente nao poderdo ressuscitar com ele e comunicar a vida de
seu Espirito ressuscitado aos milhdes de pobres da Asia que
sofrem as forgas da morte em sua vida didria. Os “fundos
estrangeiros” e o poder polftico que estd por tras das estruturas
eclesidsticas ocidentais nado conseguiram, apés séculos, conquis-
tar mais do que uma parcela insignificante das massas religiosas
e profundamente espirituais da Kia. O conceito e — pior ainda -
a realidade da Igreja universal e catélica estao muitas vezes, na
pratica, reduzidos a uma universalidade de poder jurisdicional e
mostram-se visivelmente no modo como este poder é usado para
punir quaisquer questionamentos a sua autoridade ou as suas
politicas, que muitas vezes esto visivel e invisivelmente a servigo
das estruturas e interesses capitalistas mundiais. Houve um
tempo em que a guerra fria e 0 concomitante equilibrio de forgas
permitiam a aparéncia de uma Igreja que comegava novamente
a colocar-se a altura de sua origem e missdo proféticas. Mas os
acontecimentos recentes e a Nova Ordem por eles prometida
est4o mostrando também seu impacto na Igreja. O produto-Cristo
desta situagéo poderd mais uma vez reanimar e exacerbar os
velhos conflitos e rivalidades, de modo que a realidade da
encarnagdo de Cristo na Asia continua sendo um mistério,
dificultando para os asidticos dele viverem e haurirem forga.
10 [174]
I. O CRISTO SIR[ACO DOS CRISTAOS DE SAO TOME
Por mais que se acentue a importancia das tradigdes orais
nas culturas orientais e a confiabilidade dos métodos de conser-
var tais tradig6es com uma sacralidade a elas associada, em
contraposi¢ao as culturas ocidentais que floresceram num am-
biente que lhes possibilitou apoiar-se em materiais escritos,
pode-se levantar legitimas dividas quanto a historicidade da
chegada de Sao Tomé em pessoa & India. Pelo menos a tradigaio
que fala de Sao Tomé convertendo familias bramanes mostra-se
anacrénica porque a arianizacdo do Kerala e a estratificagéo em
castas sé ocorreriam alguns séculos mais tarde. Nao obstante os
ind{cios existentes de comércio dos romanos com a {ndia penin-
sular e a presenga de colénias judaicas ali para explicar a chegada
do Apéstolo, houve uma longa tradigdo de influéncias sobre esse
subcontinente através das fronteiras terrestres ao noroeste. A
campanha de Alexandre Magno 4 regiaio do Indo e as influéncias
helen{sticas na arte e cultura indianas sao um desses exemplos.
E muito provavel que o conflito entre o império romano e o
império persa nos primeiros séculos da era crista, e o problema
de lealdade daf resultante para as Igrejas do Oriente Médio no
inicio do século V, foram os fatores que levaram algumas dessas
Igrejas, inclusive as dependentes de Antioquia, a afirmar sua
autonomia fundando-se em tradigées apostdlicas. Assim a Igreja
sirio-oriental ou caldéia evoluiu como centro auténomo de ex-
pansao eclesidstica e teve que pagar o prego de ser tachada de
“nestoriana” pelas Igrejas rivais do Ocidente. Conseqiientemente,
também as primeiras “heresias” cristoldgicas e o “cisma oriental”
precisam ser entendidos no contexto do conflito entre o papado
sediado em Roma com seu complexo de inferioridade cultural-
polftica e as autoridades eclesidsticas que atuavam no ambito do
esplendor imperial de Bizancio. Roma procurou compensar seu
complexo superafirmando-se juridicamente. Deve-se também
tomar cuidado com o uso constante do termo “Oriente” nas
primitivas histérias eclesidsticas escritas no Ocidente. Nao se
trata tanto do Oriente, mas do oriente do Ocidente! Era o Oriente
mediterraneo do mundo cultural greco-bizantino. Talvez o ver-
dadeiro Oriente tenha comecado a manifestar sua identidade
através da lingua sirfaco-caldéia, tormando com isso suas catego-
rias “monofisitas” menos compreensf{veis ao Ocidente latino e
grego. A Igreja sfria dissolveu-se, tornando-se a Igreja monofisita
s{rio-ocidental ou jacobita em reag4o ao Concilio de Calcedénia,
¢ a Igreja s{rio-oriental ou Nestoriana apés o Concilio de Efeso.
11 [175]AEscola de Nisibis-Edessa foi talvez o maior centro de saber
e de dinamismo espiritual do cristianismo primitivo. Moldou o
cristianismo primitivo no Oriente. Edessa (a moderna Urfa na
Turquia) situava-se na rota de comércio entre a Siria ea Arménia.
Mercadores vindos da China e da [ndia passavam por Edessa para
0 Ocidente. Também Nisibis (hoje Nusaybin na Siria e localizada
aNE de Mosul) era um importante centro comercial e estratégico
do ponto de vista militar. Mudou de maos muitas vezes entre
persas e romanos. A escola teolégica de Nisibis-Edessa (chamada
assim por flutuar entre estes dois lugares conforme as mudangas
dos senhores pol{ticos) foi estabelecida logo apés 0 Concilio de
Nicéia e nem Alexandria nem Antioquia, e muito menos Roma,
chegaram sequer perto dela em fama.
Enquanto a Igreja monofisita enfrentou a intolerancia tanto
do cristianismo bizantino quanto do Islamismo, a Igreja sirio-
oriental mostrou grande atividade missiondria, nado apenas no
reino da Pérsia entre a populacao iraniana de religiao masdefsta,
mas até longe na {ndia e Asia Central e até na China. Possivel-
mente as perseguicdes persas e mais tarde as pressées isl4micas
impeliram muitos grupos dos cristaos s{rios que atribufam ori-
gens apostdlicas (So Tomé) a sua Igreja a prosseguir rumo ao
Oriente a partir do século IV. A tradigo da vinda de Sao Tomé
de Cand e outros a partir da Sfria esta bem conservada entre os
cristios de Sao Tomé do sul da india. Mas aventou-se também
sua ligago com a China via fndia. A descoberta de uma inscrigao
lapidar em Hsianfu, que foi capital do norte da China, mostra a
existéncia do cristianismo na China nos séculos VII-VIII. A inscri-
cdo em chinés e sirfaco, somada & existéncia de colénias judaicas
contatos comerciais entre China e [ndia, incluindo Mylapore e
a Costa de Coromandel, parece aumentar a credibilidade da
existéncia de elos entre os cristdos sirfacos e a India e a China.
Havia também os monges budistas que iam da India para a China
nos séculos II e III, e conhecemos Hiuen-Tsang, sdbio chinés e
monge budista que veio & corte de Harsha no século VII e
demorou-se muitos anos na India. Sé no século IX é que o
imperador chinés impés severas restrig6es a todas as religides
estrangeiras.
Os dirigentes dos cristaos de Sao Tomé repetem com
orgulho que seu cristianismo pré-latino é indiano no tocante a
cultura, cristdo no tocante religido e oriental no tocante ao
culto, Estas afirmagées podem ser muito justas em confronto com
© cristianismo latino, embora o primeiro cardeal da Igreja siro-
12 [176]
malabar nao tenha hesitado em chamé-la Igreja “zero-malabar”,
em reagdo a certas tendéncias na comunidade a revitalizar as
tradigées sirfacas de preferéncia a indianizar sua liturgia. Fato
curioso: alguns autores recentes da comunidade referiram-se &
afinidade étnica entre os sumérios (caldeus) e os dravidas (do
sul da {ndia). Nao é claro se este argumento faz parte de uma
ldgica visando a dissipar a “procedéncia estrangeira” da conexao
s{ria! Seja como for, ao contrario do cristianismo s{rio-indiano
da China primitiva, que desapareceu sem causar nenhum impac-
to visfvel, a comunidade na Fadia tem manifestado um impulso
missiondrio cada vez mais vigoroso, espalhando-se pelo subcon-
tinente e outros pafses de diaspora da comunidade. Aproxima-
damente 70% do pessoal missiondrio na {ndia provém da
comunidade crista de So Tomé com oito eparquias no norte da
{ndia. A origem da expansao nao é muito diferente da ligagdo do
cristianismo primitivo com a didspora judaica pelo mundo, e de
sua gradual libertacao das rafzes émicas. Esse processo de
libertago cultural do cristianismo de Sao Tomé e sua irrestrita
abertura a outras culturas regionais da {ndia deve ainda mani-
festar-se mais decididamente. Somente uma lideranga cultural e
uma hierarquia regionais nas comunidades de rito sirfaco e uma
coibicAo eficaz do sutil processo de romanizacao que parece estar
se infiltrando em suas estruturas poderiam assinalar uma mu-
danca decisiva nesta orientagdo e preparar o caminho para o
surgimento de um rito indiano com diversidade regional compé-
sita. Desapareceriam ent&o tanto a caricatura sfria quanto a
caricatura latina de Cristo.
II. O CRISTO LATINO DOS COLONIZADORES OCIDENTAIS
Os portugueses chegaram a {ndia impelidos pelo progresso
da navegacao e do comércio ocednico que ameagava margina-
lizar ainda mais seu pa{fs recém-formado. A burguesia portuguesa
conseguiu canalizar inteligentemente 0 espfrito das cruzadas que
antes os capacitara a alcancar a independéncia nacional. Foi uma
luta pela sobrevivéncia nacional num pequeno e ja saturado
mercado interno da Europa. S6 se poderia consegui-lo quebrando
os monopélios das cidades-estado italianas que tinham estabele-
cido um modus vivendi e um modus operandi mutuamente van-
tajosos com os mugulmanos que haviam bloqueado o espaco vital
da Europa rumo ao oriente desde o século VII. Acoroa e anobreza
de Portugal puderam mobilizar suas massas pobres para agiien-
13° [177]tarem duro nas viagens de “descobertas” e de fundagao de um
império com o chamariz da riqueza e com as esperangas de
recompensa eterna por sua piedade e sacrificios suportados ao
derrotar os “inimigos da cruz”! Era uma piedade dos portugueses
que, naquele tempo, mal e mal conheciam corretamente alguns
fragmentos do texto biblico. Era uma resposta fundamentalista
ao fundamentalismo islamico que ameagava sua existéncia. Nao
se podia esperar que os portugueses, com esse tipo de formacao
e descritos por um ilustre romancista portugués (E¢a de Queirés)
como “plebe beata, suja e feroz” (e o resto da Europa nao era
muito melhor no tacanho mundo dieval de seu tempo),
compreendessem as sutilezas da religiao hindu e das filosofias
hindus. Contagiados, ainda por cima, pelo fanatismo da Contra-
Reforma dos anos ‘40 do século XVI, entregaram-se a uma orgia
de destruigéo de templos e de legislagao anti-hindu, tornando
social e economicamente diffceis, se nao imposs{veis, em seu
Estado da {ndia, as condigées de vida dos neoconvertidos. Afirmar
que isso nao foi “violéncia”, como o fazem muitos apologistas dos
métodos missiondrios portugueses, seria 0 mesmo que discutir
sobre violéncia contra animais brutos, nao contra pessoas huma-
nas. Era um Cristo triunfante dos colonizadores ocidentais triun-
fantes! Apenas alguns missiondrios provenientes de
cidades-estado cosmopolitas da Italia (ao contrario dos missio-
ndrios dos estados nacionais da Europa) estavam em condigées
de mostrar uma abertura cultural em relacao as culturas da {ndia,
China e outros pafses ndo-europeus.
No processo de revelagao deste Cristo colonialista foi con-
denado também o Cristo anterior dos cristaos de Sao Tomé. Ja
se tornara um Cristo manchado com o paganismo das culturas
nativas, ou, mais exatamente, um Cristo que nao servia aos
interesses econémico-polfticos de seus fiéis portugueses. Foi um
conflito que quebrou a unidade dos cristaos de Séo Tomé em
1653, com sua determinacao de resistir a latinizagéo com o
juramento da Cruz de Koonan. A latinizagaéo mediante o Padroa-
do visava a canalizar as conhecidas forcas militares e comerciais
dos cristaos de S40 Tomé de Malabar, pondo-as a servigo do
comérico de especiarias e do Império de Portugal. A luta dos
cristéos de Sao Tomé por sua identidade continua, e espera-se
que também eles nao esquegam — como o esqueceram muitas
vezes os cristaos de rito latino — que nao foi buscando a auto-
identidade e depois impondo-a a outros, mas foi perdendo-a em
solidariedade encarnacional com os oprimidos e com os privados
14 [178]
de auto-identidade, que Jesus foi ressuscitado e proclamado
Cristo Senhor! Um Cristo colonial é, portanto, uma contradigao
nos préprios termos, pela qual se procura prestar culto a um
Cristo individual e tinico, esquecendo que a encarnagao significou
solidariedade com a humanidade inteira e com a criacao.
Ill. UM CRISTO DESACORRENTADO
Cristo nao pode ser posse de ninguém. Ninguém pode
gabar-se de té-lo para si. Ele é um Cristo livre, solto, desacorren-
tado, que rompeu todos os grilhées e representa uma experiéncia
de Deus para além de todos os nomes, uma experiéncia a que
aspiraram muitas velhas espiritualidades e religides da Asia e do
mundo, e nem sempre em vao. A experiéncia de Deus nao deveria
precisar de mdscaras ou disfarces. Os que reivindicam o poder
de ligar no céu o que ligam na terra sdo provavelmente aqueles
de quem Jesus na Cruz disse que nado sabem o que fazem e rezou
para que fossem perdoados. Ele advertiu também: “Virao do
oriente e do ocidente, do norte e do sul para sentar-se 4 mesa no
reino de Deus. Ha ultimos que serao primeiros e ha primeiros
que sero tiltimos” (Le 13,29-30); e: “Nem todo aquele que me
diz ‘Senhor, Senhor entrard no reino dos céus... Eu lhes confes-
sarei: nunca vos conheci, afastai-vos de mim” (Mt 7,21-23).
‘Tradugio de
Gentil Avelino Titton
NOTA BIBLIOGRAFICA
Este artigo nao traz notas de rodapé porque o Autor teve
de escrevé-lo em circunstancias que nao lhe permitiam acesso a
nenhum material escrito. No entanto, algumas das obras do A. e
algumas das outras obras mencionadas a seguir podem ser
consultadas com proveito para conferir detalhes fatuais ou apro-
fundar a reflexdo sobre questées levantadas neste ensaio. O A.
reconhece-se devedor a George Soares-Prabhu na forma de
algumas intuicées e bibliografia desenvolvidas aqui mais porme-
norizadamente.
Para uma boa visao geral sobre as abordagens atuais da
cristologia, cf. J.A. FITZMYER, Scripture and Christology: A Sta-
tement of the Biblical Commission with Commentary, Nova lorque,
15 [179]Paulist, 1986. Uma proveitosa andlise sobre a cristologia neotes-
tamentdria recente encontra-se em Semeia 30 (1985) e em J.
SOBRINO, Christology at the Crossroads, Londres, SCM, 1978.
Walter BAUER, Orthodoxy and Heresy in Earliest Christia-
nity, Londres, SCM, 1972, apresenta uma classica descrigao das
origens da “ortodoxia”, mostrando que esta representa a forma
de cristianismo apoiada e ativamente propagada pela Igreja de
Roma, mas nunca totalmente aceita alhures.
Para mais informagées sobre os cristaos de Séo Tomé e para
compreender as controvérsias dos ritos na India Christian Orient
(publicado por religiosos CMI no Kerala a partir de 1980) é muito
util. As obras de AM. MUNDADAN, especialmente seu Indian
Christians Search for Identity and Struggle for Autonomy, Banga-
lore, 1984, apresentam andlises mais equilibradas do grupo
siro-malabar do que as fornecidas pela maioria dos autores
pertencentes a esse rito.
BOXER, C.R., The Portuguese Seaborne Empire, Londres,
1977; Idem, The Church Militant and Iberian Expansion, Baltimo-
re, 1978; O pai dos Cristdos, ed. J. Wicki, Lisboa, 1969; Teotonio
R. DE SOUZA, Medieval Goa, Nova Délhi, 1979; M.D. DAVID
(ed.), Western Colonialism in Asia and Christianity, Bombaim,
1988, contém algo das recentes pesquisas sobre as atitudes dos
portugueses e da Igreja colonial em geral, na Asia.
16 [180]
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