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FILOSOFIA Professor Dênis da Silva Carvalho
FILOSOFIA
Professor Dênis da Silva Carvalho

As transformações da moral

Relação entre sociedade e indivíduo pode ser considerada dialética, pois ocorre uma relação mútua influência entre dois polos:

por um lado, o indivíduo, um ser singular, é levado,

através da educação, à universalidade expressa nos costumes e normas morais. Isso significa que cada indivíduo assimila os princípios morais consolidados como próprios do ser humano até então. por outro lado, os indivíduos, não assimilando passivamente esses princípios, podem contestá-los ou interferir em sua formulação, de acordo com as novas condições histórico-sociais, e acabar por transformar as normas e costumes morais.

Ética na História
Ética na História

Concepções filosóficas sobre o bem e o mal

Construção

histórica

Moral
Moral

Construção social

Ética na História
Ética na História

Antiguidade: a ética grega

A questão da ética começou a ser motivo de preocupação na época de Sócrates, considerado “pai da moral”. É importante observar como os principais filósofos gregos trataram essa questão.

Os sofistas afirmavam que não existem normas e verdades universalmente válidas. Tinham, portanto, uma concepção ética relativista ou subjetivista. Ao contrário dos sofistas, Sócrates sustentou que existe um saber

universalmente válido, que decorre do conhecimento da essência

humana, a partir da qual se pode conceber a fundamentação de uma moral universal. E o que é essencial no ser humano?A sua alma racional. O homem é, essencialmente, razão. E é na razão que se devem,

portanto, fundamentar as normas e costumes morais. Por isso, dizemos

que a ética socrática é racionalista. O homem que age conforme a razão age corretamente.

Ética na História
Ética na História

Antiguidade: a ética grega

Platão desenvolveu o racionalismo ético iniciado por Sócrates, aprofundando a diferença entre corpo e alma. Argumentava que o corpo, por ser a sede dos desejos e paixões, muitas vezes desvia o homem de seu caminho para o bem. Assim, defendeu a necessidade de purificação

do mundo material, para se alcançar a Idéia de Bem.

Segundo Platão, o homem não consegue caminhar em busca da perfeição agindo sozinho.Necessita, portanto, da sociedade, da polis. No plano ético, o homem bom é também o bom cidadão. Depois do período clássico grego, o estoicismo desenvolveu uma ética baseada na procura da paz interior e no autocontrole individual, fora dos contornos da vida política. Assim, o princípio da ética estoica

é a apathéia: a atitude de aceitação de tudo o que acontece, porque

tudo faria parte de um plano superior guiado por uma razão universal que a tudo abrangeria.

Ética na História

Antiguidade: a ética grega

A ética do epicurismo, de forma semelhante, tinha como princípio a ataraxia: a atitude de desvio da dor e procura do prazer espiritual, que contribui

para a paz de

espírito e o autodomínio. Minimizando a influência dos fatores exteriores sobre o bem-estar espiritual,

Epicuro observou: “O essencial para nossa

felicidade é nossa condição íntima e dela somos senhores”.

Ética na História
Ética na História

A ética do equilíbrio de Aristóteles

Reflexão ética racionalista, porém sem o Aristóteles dualismo corpo-alma platônico. Questão fundamental, para
Reflexão ética racionalista, porém sem o
Aristóteles
dualismo corpo-alma platônico.
Questão fundamental, para Aristóteles:
Para o quê tendemos?
fundamental, para Aristóteles: Para o quê tendemos? FELICIDADE A felicidade maior para Aristóteles se

FELICIDADE

A felicidade maior para Aristóteles se encontraria na vida teórica, que promove o que há
A felicidade maior para Aristóteles
se encontraria na vida teórica, que
promove o que há de mais
especificamente humano: a razão.

“A virtude moral é um meio-termo entre dois vícios, um dos quais

envolve o excesso e outro

deficiência, e isso

natureza é visar à mediania nas paixões e nos atos.

sua

porque

a

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco, livro II.

Ética na História

Idade Média: a ética cristã

Ética Cristã

na História Idade Média: a ética cristã Ética Cristã Ética Grega Divergem em dois pontos: •

Ética Grega

Divergem em dois pontos:

O abandono do racionalismo a ética cristã

abandonou a idéia de que é pela razão que se alcança a

perfeição moral e centrou a busca dessa perfeição no amor a Deus e na boa vontade.

A emergência da subjetividade acentuando a tendência já esboçada na filosofia de estoicos e epicuristas, a ética cristã tratou a moral do ponto de vista

estritamente pessoal, como uma relação entre cada

indivíduo e Deus, isolando-o de sua condição social e atribuindo à subjetividade uma importância desconhecida até então.

Ética na História

Idade Média: a ética cristã

Santo Tomás de Aquino (século XIII)
Santo Tomás de Aquino (século XIII)

Recuperou da ética aristotélica a ideia de felicidade como fim último dos homens, mas cristianizou essa noção quando identificou Deus como a fonte dessa felicidade.

Ética na História

A ética do livre-arbítrio de Santo Agostinho

Santo Agostinho (século III)
Santo Agostinho (século III)

Liberdade

de Santo Agostinho Santo Agostinho (século III) Liberdade Livre-arbítrio: a noção de que cada indivíduo pode
Livre-arbítrio: a noção de que cada indivíduo pode escolher livremente entre aproximar- se de Deus
Livre-arbítrio: a noção de que cada indivíduo pode escolher livremente entre aproximar-
se de Deus ou afastar-se Dele.
Diante disso, acentuou-se o papel da subjetividade humana nas coisas do mundo. O
livre-arbítrio é o meio pelo qual o homem realiza a sua liberdade, usando-a para o bem
ou para o mal.

Ética na História

Idade Moderna: a ética antropocêntrica

Humanismo
Humanismo
Iluminismo
Iluminismo
Período Moderno
Período
Moderno

Nova

autonomia humana.

concepção

moral,

centrada

na

moral deve ser fundamentada não mais em valores religiosos, mas em valores oriundos da compreensão acerca do que seja a natureza humana.

Concepção de natureza racional, que encontra em Kant a formulação mais bem-

sucedida.

Ética na História

A ética do dever de Kant

Kant
Kant

o indivíduo que obedece a uma norma moral atende

à liberdade da razão, isto é, àquilo que a razão,

no uso de sua liberdade, determinou como correto.

Dever= liberdade
Dever= liberdade
que a razão, no uso de sua liberdade, determinou como correto. Dever= liberdade Razão humana Razão

Razão humana

que a razão, no uso de sua liberdade, determinou como correto. Dever= liberdade Razão humana Razão
que a razão, no uso de sua liberdade, determinou como correto. Dever= liberdade Razão humana Razão

Razão legisladora

Ética na História

Idade Contemporânea: a ética do homem concreto

A reflexão ética na Idade Contemporânea (séculos XIX e XX) se desdobrou em uma série
A reflexão ética na Idade Contemporânea
(séculos XIX e XX) se desdobrou em uma série
de concepções distintas acerca do que seja a
moral e sua fundamentação. Seu ponto comum
é a recusa de uma fundamentação exterior,
transcendental para a moralidade, centrando
no homem concreto a origem dos valores e
das normas morais.

Ética na História

A fundamentação histórico-social de Hegel

Hegel (1770-1831)

fundamentação histórico-social de Hegel Hegel (1770-1831) Ética: história e relação do indivíduo com a sociedade

Ética: história e relação do indivíduo com a sociedade são fundamentais para as decisões morais.

com a sociedade são fundamentais para as decisões morais. Moral: conteúdos diferenciados ao longo da história

Moral: conteúdos diferenciados ao longo da história das

sociedades, e a vontade individual seria apenas um dos

elementos da vida ética de uma sociedade em seu conjunto. A moral seria o resultado da relação entre o indivíduo e o conjunto social. E em cada momento histórico, a moral se manifestaria

tanto nos códigos normativos como, implicitamente, na cultura e nas instituições sociais.

Ética na História

A fundamentação ideológica de Marx

Moral: produção social que atende a

determinada demanda da sociedade. E essa demanda deve contribuir para a regulação das relações sociais. Transformação das relações sociais ao

longo do tempo: transformam-se os

indivíduos e as moralidades que regulam

essas relações. Diante disso, Marx compreende a moral como uma forma de consciência, própria a cada momento do desenvolvimento da existência social.

Marx (1818-1883)
Marx (1818-1883)

Moral, para Marx, seria:

ideologia dominante em

sociedade, pois difunde determinados valores que são necessários à manutenção dessa sociedade. É a fundamentação

ideológica da moral.

determinados valores que são necessários à manutenção dessa sociedade. É a fundamentação ideológica da moral.
Ética na História
Ética na História

A ética discursiva de Habermas

Habermas (1929)
Habermas (1929)

Ética discursiva: fundada no diálogo e no

consenso entre os sujeitos. O que se buscaria nesse diálogo é a razão que, tendo sido reconhecida pelos participantes do diálogo, sirva como fundamentação última para a ação

moral.

sirva como fundamentação última para a ação moral. Aposta de Habermas na linguagem e na capacidade

Aposta de Habermas na linguagem e na

capacidade de entendimento entre as pessoas na

busca de uma ética democrática e não autoritária, baseada em valores validados e aceitos consensualmente.