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ESTRESSE DO PROFISSIONAL DE SAÚDE NO AMBIENTE DE TRABALHO: CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS

STRESS OF THE HEALTH PROFESSIONAL IN THE WORKPLACE: CAUSES AND CONSEQUENCES

Rosalvo de Jesus Oliveira Bacharel em enfermagem pela Universidade Regional da Bahia-UNIRB, PÓS Graduando em Enfermagem do Trabalho pelo Instituto Brasileiro de pós graduação e extensão-IBPEX.

Tarcísio Cunha Bacharel em Física e Mestre em Engenharia Biomédica, UFRJ. Professor de Metodologia, IBPEX.

RESUMO

O presente estudo tem como objetivo contribuir para o conhecimento sobre os processos que provocam estresse nos profissionais de saúde e também propor medidas de redução. Visa descrever as causas e avaliar as consequências do estresse destes profissionais atuantes. Relacionar também o processo de trabalho dos profissionais de saúde com o aparecimento do estresse identificando os fatores que podem contribuir para o aumento do estresse dos trabalhadores de saúde. O profissional de saúde faz parte de uma das classes trabalhadoras mais afetadas pelo estresse. Neste tipo de ambiente de trabalho encontram-se vários fatores que podem desencadear o estresse, dentre eles estão: as más condições de trabalho, a falta de material, conflito de trabalho em equipe, entre outros. O estresse está diretamente ligado ao processo de trabalho, a forma como o setor está organizado e como o trabalho se desenvolve. Na saúde as profissões que mais se destacam em relação ao estresse são: serviço social, enfermagem e medicina. O presente estudo mostra também que um profissional estressado pode trazer consequências graves para si e para as pessoas que são cuidadas por ele. E para minimizar essa situação é preciso que se adotem medidas de prevenção, dentre elas: condições de trabalho satisfatórias, a melhora no ambiente físico, palestras educativas sobre agentes estressores, seu enfrentamento e melhora das relações entre chefia e subordinados.

Palavras-chave: Estresse ocupacional, condições de trabalho, desgaste físico e emocional.

ESTRESSE DO PROFISSIONAL DE SAÚDE NO AMBIENTE DE TRABALHO: CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS

ABSTRACT

The present study aimed to contribute to the knowledge about the processes that cause stress in health professionals and propose mitigation measures. As well as describing the causes and assess the consequences of stress for health professionals in the profession, it relates the process work of health professionals with the onset of stress and identify factors that may contribute to the increased stress of health workers. The health care is part of one of the classes most affected by stress. In this type of work environment are several factors that can trigger stress: the poor working conditions, lack of material conflict of teamwork, among others. Stress is directly linked to the work process, how the industry is organized and how the work develops. Health professions that stand out in relation to stress are social work, nursing and medicine. The study also emphasized that a stressed professional can have serious consequences for themselves and for the people who are being cared by it. In addition, to minimize this situation it is necessary to adopt measures to prevent stress:

satisfactory working conditions, such as improved physical environment, educational lectures about stressors and their coping and improving relations between superiors and subordinates.

Keywords: Occupational stress, working conditions, physical and emotional.

INTRODUÇÃO

O estresse é um problema com ampla discussão atualmente, uma vez que apresenta riscos para o equilíbrio emocional do ser humano. Além disso, os profissionais de saúde são indivíduos bastante afetados pelo estresse ocupacional, visto que se expõem a grandes cargas de pressão no ambiente de trabalho. Devido a este fato, os pesquisadores procuram estudar as causas desse estresse e os efeitos negativos que esse problema pode trazer para a saúde física e mental do trabalhador, bem como o comprometimento da qualidade do serviço prestado por estes (GOMES, CRUZ e CABANELAS, 2009). O estresse no ambiente de trabalho é gerado pela inserção do trabalhador num contexto adverso, uma vez que o trabalho deveria ser fonte de satisfação, crescimento, realização pessoal. Entretanto, pode também trazer insatisfação, desinteresse e frustração de acordo com a maneira que o processo de trabalho está sendo desenvolvido (BATISTA E BIANCHI, 2006). Diante disso o presente trabalho objetiva contribuir para o conhecimento sobre os processos que provocam estresse nos profissionais de saúde e propor medidas de redução, bem como descrever as causas e avaliar as consequências do estresse dos profissionais de saúde no exercício da profissão; relacionar o processo de trabalho dos profissionais de saúde

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com o aparecimento do estresse e identificar os fatores que podem contribuir para o aumento do estresse dos trabalhadores de saúde. Este estudo justifica-se pela repercussão do estresse ocupacional tanto no âmbito individual como organizacional, uma vez que na área de saúde o profissional deve estar em boas condições físicas e emocionais para que possa desempenhar um serviço de qualidade. No entanto as pessoas que estão em fase tão delicada de suas vidas encontram, na prática, diversos profissionais de saúde apresentando altos níveis de estresse com muita frequência (FERREIRA e MARTINO, 2006).

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O estresse já é considerado pela legislação previdenciária brasileira desde 1999 como doença ocupacional (lei n. 3048 de 06/05/1999). Devido a demanda de profissionais acometidos, esse fato pode vir a tornar-se um grave problema de saúde pública (SILVA e MELO, 2006). O estresse em profissionais da saúde é um tema muito discutido e investigado contemporaneamente. Estudos revelam que os profissionais dessa área enfrentam cargas elevadas de pressão o que desencadeia diversos problemas de saúde para eles devido ao alto grau de estresse que enfrentam. Como afirma Batista (2011, p. 26): “Ao longo das três últimas décadas, o estresse no ambiente de trabalho é percebido como algo ameaçador ao indivíduo, ao invés de possibilitar o crescimento e a transformação do indivíduo. Devido a essa situação os investigadores procuram verificar quais as reais consequências que as grandes cargas de estresse podem trazer para a vida do profissional exposto a essa situação, e muitas são as descobertas reveladas nesses estudos. Segundo Grazziano (2008, p.18), “As exigências da vida moderna e do mercado de trabalho nas últimas décadas vem consumindo a energia física e mental dos trabalhadores, minando seu compromisso, sua dedicação e tornando-os descrentes quanto às suas conquistas e ao sucesso no trabalho”. Afirma ainda que essas mudanças trazem

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consequências negativas para o trabalhador como: aumento da carga de trabalho, insegurança pela instabilidade do emprego, redução de ganhos e perda de benefícios. Além dessas situações de estresse o profissional de saúde ainda enfrenta tensões decorrentes da própria profissão, como afirma Batista (2011, p. 26):

Nessa atividade, há uma estreita ligação entre o trabalho e o trabalhador, com a vivência direta e ininterrupta do processo de dor, morte, sofrimento, desespero, incompreensão, irritabilidade e tantos outros sentimentos e reações desencadeadas pelo processo doença.

Além disso, os profissionais de saúde enfrentam, situações conflituosas como controle supervisionado, excesso de trabalho e acúmulo de tarefas e isso pode causar desgaste físico e mental do profissional comprometendo a sua saúde, como reforça Camelo e Angerami (2007, p. 503): “observa-se que são delegadas aos profissionais múltiplas tarefas com alto grau de exigência e responsabilidade, as quais, dependendo do ambiente, da organização do trabalho e do preparo para exercer seu papel, podem criar tensão para si, equipe e a comunidade assistida”. Ainda com relação às situações estressantes no trabalho Grazziano (2008, p.18) comenta:

O stress relacionado ao trabalho pode levar ao desenvolvimento de várias doenças como a hipertensão arterial, doença coronariana, além de distúrbios emocionais e psicológicos, como a ansiedade, depressão, baixa auto estima entre outras, repercutindo diretamente no desempenho da organização ou empresa.

Segundo Santos e outros (2011, p. 182):

Profissionais da área de saúde, incluindo médicos, tem diminuído a capacidade de produção, realizando atividades com menor precisão, aumentando o absenteísmo, adoecido com maior frequência trabalhado tensos e cansados. E estão ansiosos e

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depressivos, com atenção dispersa, desmotivados e com baixa realização pessoal devido ao alto grau de estresse em suas atividades.

Diante desses fatos percebe-se a gravidade do estresse na vida profissional dos trabalhadores de saúde no desempenho das suas funções e como são grandes os prejuízos que um ambiente muito estressante pode trazer tanto para o próprio profissional, como para a comunidade.

MATERIAIS E MÉTODOS

Para o alcance dos objetivos optou-se pela revisão de literatura realizada por meio da consulta eletrônica nas bases de dados da biblioteca virtual SciELO Brasil (Scientific Electronic Library Online), revistas científicas, dissertações e teses. Os descritores utilizados foram:

estresse ocupacional, condições de trabalho, desgaste físico e emocional. Para melhor refinar os resultados foram definidos dois critérios de inclusão e exclusão foram utilizados apenas publicações entre os anos de 2000 e 2011 e somente trabalho que estivesse especificidade com o tema proposto e a problemática em questão. A análise preliminar do material foi feita por meio de leitura exploratória, selecionando assim o material que realmente se enquadrava nos objetivos deste estudo, excluindo aqueles que não se encontravam dentro dos critérios adotados. Em seguida foi realizada uma leitura mais aprofundada do material pré-selecionado, buscando informações relevantes para a discussão da temática em questão.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

O presente estudo do estresse em profissionais da área de saúde foi organizado em algumas categorias que passam a ser discutidas a seguir.

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CARACTERIZANDO O ESTRESSE

A denominação estresse não é nova e foi descrita pela primeira vez em 1936 por Hans Selye, porém, nos dias atuais é um termo bastante utilizado e comum aos profissionais de saúde (NEGELINSK e LAUTERT, 2011). Lentine, Sonoda e Biazin (2003, p.103) conceituam estresse como “a resposta fisiológica, psicológica e comportamental de uma pessoa, visando adaptação a mudanças ou situações novas, geradas por pressões externas ou internas”. Estes acrescentam ainda que o estresse profissional é aquele que está ligado a profissionalização e o desenvolvimento da sociedade, ou seja, está a cargo do trabalhador administrar a responsabilidade profissional e saber lidar com as situações conflituosas geradas pela sociedade e pelas pessoas (LENTINE, SONODA e BIAZIM, 2003). Ainda se referindo à caracterização do estresse, Costa, Lima e Almeida (2003, p. 64) acrescentam que estresse “é uma síndrome caracterizada por um conjunto de reações que o organismo desenvolve ao ser submetido a uma situação que dele exija um esforço para se adaptar”. Sendo assim, percebe-se a necessidade que tem o profissional em desenvolver as suas funções com satisfação e em um ambiente que favoreça o desenvolvimento das atividades com qualidade.

CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS

No ambiente de trabalho dos profissionais de saúde encontram-se vários fatores que favorecem o aparecimento do estresse e isso pode trazer problemas muito sérios para o trabalhador. Miquelim e outros (2004, p.26), explicam que a “fonte de estresse ou estressor é a denominação dada a algum evento que gera estresse. Existem vários tipos de estressores e muitas vezes o que estressa uma pessoa não estressa outra. Um estressor é qualquer evento que amedronte, confunda ou excite a pessoa”.

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Dependendo das condições de trabalho que o profissional da saúde conviva, pode desenvolver insatisfação e situações estressantes, isso vale para os mais diversos setores que os profissionais estejam inseridos. Linch, Guido e Umann (2010, p.544) afirmam que “o ambiente hospitalar pode constituir um importante estressor para os profissionais devido aos possíveis sofrimentos vivenciados nesse local, às condições de trabalho, às demandas requeridas pela assistência, e também pela grande responsabilidade exigida no trabalho”. Já nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com o advento do Programa Saúde da Família (PSF), houve uma mudança no modelo de saúde até então existente, por isso os profissionais tiveram que acompanhar essas mudanças, assumindo diversas atribuições que antes não existiam, se deparando com as mais diversas situações econômicas, sociais, biológicas e psicológicas, até mesmo dentro do domicílio do paciente (PEREIRA, 2011). Dentro dessas organizações pode haver vários fatores que podem causar estres nos profissionais. Em uma pesquisa realizada com profissionais da saúde, Linch, Guido e Umann (2010), destacaram alguns fatores desencadeadores do estresse: a precariedade nas condições de trabalho, a longa jornada do trabalhador e a sobrecarga de trabalho, e ainda apontam como principais estressores a falta de autonomia do profissional, a repetitividade de trabalhos, o conflito no trabalho em equipe e a falta de preparo e capacitação dos profissionais. Concordando com os autores supracitados, Santos e outros (2010), se referindo a equipe de enfermagem da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), acrescenta como fatores causadores de estresse a desvalorização profissional, dupla jornada de trabalho, remuneração, bem como o ambiente conflituoso deste setor de trabalho, como acidentes biológicos, convívio com pacientes críticos e morte. Com relação a dupla jornada de trabalho Santos e outros (2010, p.9) acrescenta que:

“muitos trabalhadores, por possuírem duplo vínculo empregatício, estão mais sujeitos ao estresse por terem que sair de uma instituição para a outra, muitas vezes sem a pausa necessária. Essa situação gera o desgaste físico, bem como prejuízo social para o trabalhador, pelo tempo escasso que tem para o convívio familiar.

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Ainda em relação ao trabalho na UTI, outros autores destacam este setor como bastante estressante e com diversos fatores que levam os profissionais a desenvolver um quadro de estresse. Dentro destes fatores, Coronetti e outros (2006 p.37) afirmam que o pouco preparo para lidar com a constante presença de mortes, as frequentes situações de emergência, a falta de pessoal e material, o ruído constante das aparelhagens; o despreparo para lidar com as frequentes mudanças do arsenal tecnológico [ Desta forma percebe-se que os fatores que levam os profissionais de saúde a desenvolver um quadro de estresse se assemelham. Seja nas Unidades Básicas de Saúde ou nos vários setores da unidade hospitalar, os profissionais estão sempre expostos a fatores que desencadeia o estresse no trabalhador. Com a instalação do quadro de estresse muitas consequências desastrosas podem surgir para o profissional de saúde, a unidade de trabalho, bem como para os pacientes. Sobre essa situação, Santos e outros (2010, p. 10) comentam que “trabalhadores que são expostos, de forma prolongada, aos fatores estressantes poderão ser vitimados por infarto, úlceras, psoríase, depressão e outros, podendo chegar à morte, em casos mais graves”. Em outros casos pode desencadear angina do peito, elevação da frequência cardíaca, da pressão arterial e do lipídio sérico, além da agregação plaquetária, aumentando o risco de trombose arterial (SANTOS, 2010). Complementando as informações sobre as consequências do estresse na vida do profissional de saúde Mangolin e outros (2004, p.22) acrescenta que essas situações estressoras “são capazes de produzir alterações iniciais náuseas, mal-estar, cefaleia, distúrbios gastrintestinais, úlceras gástricas que, perdurando, promovem reações mais complexas, como a interferência no fluxo de sangue e bombeamento cardíaco”. Em relação às alterações psíquicas, Santos e outros (2010, p. 9) comenta que “O desgaste causado pelo estresse pode levar o indivíduo ao estado de Burnout, termo que descreve a realidade de estresse crônico em profissionais que desenvolvem atividades que exigem alto grau de contato com as pessoas”. Murofuse, Abranches e Napoleão (2005, p. 259) complementam essa informação ao inferir que: consequências ao psíquico dos trabalhadores, geradas pelas mudanças

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implementadas, resulta no surgimento do termo Burnout, designando aquilo que deixou de funcionar por exaustão energética, expresso por meio de um sentimento de fracasso e exaustão”. Com esses problemas o profissional é levado a ter maior probabilidade de cometer negligências quanto a determinadas condutas, podendo assim, comprometer a qualidade da assistência prestada e causar danos a pessoa assistida. A jornada de trabalho em regime de plantão diminui o tempo do profissional, prejudicando o convívio social, principalmente com a família (SANTOS e outros, 2010). Sendo assim é perceptível a gravidade desse problema para os profissionais da saúde.

PROCESSO DE TRABALHO E ESTRESSE

A maneira que o setor de trabalho se organiza influencia muito no aparecimento ou não do estresse. Segundo Moreno e outros (2010, p. 142) “quando a organização do trabalho se estrutura de forma rígida, valorizando somente o aspecto econômico, o resultado será um desajuste, uma incompatibilização entre o trabalhador e processo de trabalho”. Em um estudo na unidade hospitalar com enfermeiros, Linch, Guido e Umann (2010, p. 544) concluem “que o estresse ocupacional decorrente de um processo de trabalho hospitalar, marcado por condições precárias de trabalho e pelo aumento da jornada de trabalho, tem fortes repercussões no cotidiano profissional e pessoal das enfermeiras entrevistadas”. Moreno e outros (2010, p. 142) acrescentam que “a inflexibilidade do processo institucional e as exigências a que são submetidos os profissionais podem comprometer a psique, por gerar insatisfação e ansiedade, o que traz repercussões nas relações sociais e os encaminham para a exclusão”. Esse fato mostra a estreita relação que tem o processo de trabalho com o aparecimento do estresse profissional. Em decorrência das constantes mudanças no processo de trabalho devido ao crescente avanço tecnológico, Guido (2003, p.1) infere que “profissionais envolvidos com os cuidados de saúde enfrentam a necessidade de adequar a crescente tecnologia à qualidade

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da assistência aos pacientes”. Neste caso o estresse aumenta a medida que o profissional tem que acompanhar as mudanças para desenvolver o seu trabalho. Intensificando a informação supracitada, Miquelin e outros (2004, p. 24) acrescentam:

“Neste atual contexto, observa-se que se fez necessário aos profissionais da saúde, uma alteração na sua forma de atuar em razão da exigência constante de atualização e adaptação aos processos de mudanças, para conseguir acompanhar de perto as inovações tecnocientíficas. Com essas informações entende-se a relação do processo de trabalho com o surgimento do estresse na vida do profissional de saúde. Quando mais o profissional atue em um ambiente conflituoso, mais chances ele terá de desenvolver o estresse.

PROFISSÕES MAIS ESTRESSANTES NA SAÚDE

Percebe-se neste estudo que a área de saúde por si só já é um setor propício para o desenvolvimento de um quadro de estresse, e isso se torna mais significativo para as profissões que necessitam estar constantemente em contato com os pacientes e familiares. Em uma pesquisa para avaliar o nível de estresse dos profissionais de saúde, Carvalho e Malagris (2007, p.219) comenta que nos resultados obtidos, dentre as profissões de saúde, “notou-se que as que apresentaram maior índice de estressados são as de serviço social, enfermagem e medicina. É possível supor a razão desse fato, ao levar-se em conta a prática de cada profissão, ou seja, as atividades características de cada uma. Outros autores dão mais destaque para a enfermagem, por ser uma profissão que passa mais tempo em contato com o paciente. Murofuse, Abranches e Napoleão (2005, p. 259) comentam que “a enfermagem foi classificada pela Health Education Authority como a quarta profissão mais estressante, no setor público, que vem tentando profissionalmente afirmar-se para obter maior reconhecimento social”. Além do contato prolongado com o paciente, o profissional de enfermagem enfrenta outras situações como: achatamento de salários, o que obriga os profissionais a ter mais de

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um emprego, levando-o a enfrentar uma situação desgastante devido a carga mensal extremamente longa (MUROFUSE, ABRANCHES e NAPOLEÃO, 2005). Sendo assim, além dos profissionais de saúde já serem propensos a adquirir o estresse, ainda há todos esses fatores que potencializam o aparecimento deste.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO DO ESTRESSE

Sabendo da relevância que tem o estresse na vida dos profissionais e o efeito negativo que este proporciona é importante que sejam desenvolvidas medidas de enfrentamento com o objetivo de diminuir os problemas existentes no ambiente de trabalho, minimizar as dificuldades, dar apoio aos trabalhadores, proporcionar melhores condições de vida dentro e fora do ambiente de trabalho e assim, melhorar a qualidade da assistência prestada ao indivíduo (MORENO e outros, 2010). Visando diminuir essas consequências, Paschoalini (2008, p.491) sugere como medidas de prevenção: “Palestras educativas sobre agentes estressores e o seu enfrentamento; Desenvolvimento de pesquisa de clima organizacional quanto à hierarquia e papéis profissionais”. Complementando as sugestões supracitadas, Miquelim (2004, p. 30) aponta algumas iniciativas para minimizar o aparecimento do estresse: “condições de trabalho mais satisfatórias como melhora no ambiente físico, nas escalas de trabalho diário, mensal e de férias; melhora das relações entre chefia e subordinados”. Santos e outros (2010, p. 14) acrescentam: Deve-se buscar a autonomia, ter participação ativa nas decisões da equipe multiprofissional e, acima de tudo, obter melhorias para evitar a sobrecarga de trabalho. Porém para que estas medidas adotadas sejam viáveis é preciso que se alguns pontos sejam observados. Para Moreno e outros (2010, p. 144), as ações preventivas só serão eficazes “quando este evento não for estigmatizado unicamente como responsabilidade individual ou pelo relacionamento profissional-usuário, e começar a ser entendido como um problema da relação indivíduo-processo de trabalho-organização”.

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Sendo assim, pode-se no mínimo estar diminuindo a possibilidade de aparecimento do estresse, adotando medidas de melhoria no ambiente de trabalho, para que o serviço possa estar sendo produzido e oferecido com mais qualidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estresse tem presença significativa na vida dos profissionais de saúde no desempenho da sua função, com consequências graves para o profissional e para seus assistidos. O estresse ocupacional é responsabilidade profissional do trabalhador em administrar e saber lidar com as situações conflituosas geradas pela sociedade e pelas pessoas. De acordo com o ambiente de trabalho em que esse profissional está inserido, pode haver fatores que podem contribuir para o aparecimento de um quadro de estresse. Os principais fatores que contribuem para que o aparecimento do estresse são:

Demandas requeridas pela assistência, precariedade nas condições de trabalho, falta de material, longa jornada do trabalhador, sobrecarga de trabalho e o despreparo para lidar com as frequentes mudanças no arsenal tecnológico. O profissional exposto a estes estressores pode sofrer consequências graves, prejudicando a si e a assistência prestada. Os autores destacam algumas consequências significativas para o profissional em meio a um quadro instalado de estresse: infarto, úlceras, psoríase, depressão, angina do peito, elevação da frequência cardíaca, da pressão arterial e do lipídio sérico. O desgaste causado pelo estresse pode levar o indivíduo ao estado da síndrome de burnout, termo que descreve a realidade de estresse crônico em profissionais que desenvolvem atividades que exigem alto grau de contato com as pessoas. Para minimizar o risco do aparecimento do estresse, sugerem-se algumas iniciativas:

condições de trabalho satisfatórias como melhora no ambiente físico; adequação nas escalas de trabalho diária, mensal e de férias dos profissionais; aperfeiçoamento das relações entre

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chefia e subordinados bem como dar apoio aos trabalhadores; proporcionar melhores

condições de vida dentro e fora do ambiente de trabalho, e assim melhorar a qualidade da

assistência prestada ao indivíduo.

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ESTRESSE DO PROFISSIONAL DE SAÚDE NO AMBIENTE DE TRABALHO: CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS

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