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UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

Joice Suellen Aguiar Atique

O PROBLEMA DA RELAÇÃO FÉ-RAZÃO:

UMA PERSPECTIVA CRISTÃ

São Paulo

2009
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UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

Joice Atique

O PROBLEMA DA RELAÇÃO FÉ-RAZÃO:

UMA PERSPECTIVA CRISTÃ

Monografia apresentada à Escola Superior de


Teologia da Universidade Presbiteriana
Mackenzie, como requisito parcial para
obtenção do título de Bacharel em Teologia.

Orientador: Prof dr. Antônio. José. N. Filho

São Paulo

2009
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AGRADECIMENTOS

À Deus, meu sustentador, que me deu força, ânimo e sabedoria na administração


do tempo para a conclusão desta pesquisa.
À Escola Superior de Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e ao
excelente corpo docente que, além de me proporcionar conhecimento bíblico e
histórico, surpreendeu-me com as novas perspectivas teológicas.
Ao professor Hélder Cardin, que me motivou a prosseguir no estudo da teologia.
Aos meus companheiros de ministério Izilda e Silvio Barbosa, que mesmo não
acompanhando meus trabalhos acadêmicos são usados por Deus diariamente para o meu
sustento.
Ao meu orientador neste trabalho, Prof Dr. Antônio. José. N. Filho.
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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO............................................................................................................06

1. ALGUMAS DISCUSSÕES SECULARES SOBRE FÉ E RAZÃO .....................08


1.1 FILÓSOFOS GREGOS ............................................................................................08
1.1.1 Sócrates .....................................................................................................09
1.1.2 Platão ........................................................................................................10
1.1.3 Aristóteles .................................................................................................10
1.2 ILUMINISMO E ROMANTISMO ..........................................................................11
1.3 MODERNISMO .......................................................................................................12
1.4 PÓS-MODERNISMO ..............................................................................................13

2. ARGUMENTOS RACIONAIS ACERCA DA EXISTENCIA DE DEUS...........15


2.1 SÓCRATES ..............................................................................................................15
2.2 PLATÃO ..................................................................................................................15
2.3 ARISTÓTELES ........................................................................................................16
2.4 AGOSTINHO ...........................................................................................................17
2.5 TOMÁS DE AQUINO .............................................................................................17
2.6 RENÉ DESCARTES ................................................................................................18
2.7 ANSELMO DE CANTUÁRIA ................................................................................19
2.8 CHARLES HARTSHORNE ....................................................................................20
2.9 WILLIAM PALEY ...................................................................................................20

3. A PERSPECTIVA CRISTÃ SOBRE FÉ E RAZÃO ........................................... 22


3.1 A EXPOSIÇÃO BÍBLICA ...................................................................................... 22
3.2 JUSTINO MÁRTIR E TERTULIANO ................................................................... 23
3.3 A VISÃO CRISTÃ NOS SÉCULOS XX E XXI .................................................... 27
3.3.1 Cornélius Van Til .................................................................................... 27
3.3.2 Karl Barth ............................................................................................... 28
3.3.3 Francis Schaeffer .................................................................................... 30
3.3.4 Debate científico e metafísico ................................................................. 31
3.4 A EXPOSIÇÃO BÍBLICA ...................................................................................... 34

CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................................38

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................40
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INTRODUÇÃO

A presente pesquisa refletirá a respeito do problema da relação fé-razão dentro


da perspectiva cristã tendo como foco os principais pensadores sobre o assunto e
também as Escrituras Sagradas. Pretende-se como objetivo geral pesquisar sobre os
temas relacionados a fé e razão, e como objetivo específico. Destaca-se: Estudar
algumas perspectivas seculares mais influentes sobre o assunto, analisar tentativas
racionais de provar a existência de Deus sem precisar da fé e, por fim, compreender a
perspectiva cristã sobre o problema através de alguns de seus maiores idealizadores e
também da própria revelação divina.
As perspectivas seculares sobre a relação fé-razão vivem em constante
mudanças, podemos então confiar na opinião do pós-moderna? Ou esta é apenas mais
uma especulação que passará com o século XXI? As teorias racionais sobre a existência
de Deus são coerentes? E, se são, podem levar o homem ao Deus do cristianismo?
Existe apenas uma perspectiva cristã sobre o assunto? Como o problema está sendo
colocado desde os pais da igreja até o presente século? E, por fim, como a Bíblia nos diz
que deve ser a relação entre a fé e a razão? Sendo assim, o objetivo desta pesquisa é
refletir sobre estes aspectos da relação fé-razão.
A história nos mostra que o conceito de fé e pensamento racional muda junto
com os séculos; e que cada geração tem certeza das suas ‘verdades’. Por isso basear
nossos valores nos fundamentos aceitáveis não é seguro, pois tal idéia cairá junto com o
nosso século, mostrando-se frágil e superficial; apenas mais uma especulação que
passará com o século XXI. As teorias racionais sobre a existência de Deus são muitas
vezes coerentes, e servem até certo ponto para reafirmar o que já conhecemos pela fé.
Mas são incapazes de convencer um descrente de que Jesus Cristo é o Senhor, portanto
não devem ser usadas com tal intuito. As perspectivas cristãs são basicamente duas: os
que colocam a fé acima da razão e os que colocam a razão no mesmo patamar da fé.
Estas duas opiniões são confrontados desde a igreja primitiva até os dias de hoje. A
Bíblia, porém, ensina que a fé cristã é a base segura da razão verdadeira; que de certa
maneira o pensamento lógico é um servo da fé no Deus vivo.
Muitos cristãos têm dificuldade ao evangelizar por não saberem se devem
primeiro tentar convencer o descrente que a sua fé não é irracional, ou se deveria falar
prontamente sobre a morte e ressurreição de Cristo. Outros, entram em crises por não
conseguirem conciliar as teorias científicas mais aceitas com aquilo que esta nas
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Escrituras, não sabendo, então, como defender a sua fé diante das pressões intelectuais
seculares. Alguns ainda aceitam que a Palavra de Deus pode estar errada em alguns
pontos, apenas para tentarem conciliá-la com o pensamento deste século. Nota-se a
necessidade de pesquisar mais sobre o relacionamento de fé-razão para que o cristão
sinta-se segura na Palavra de Deus, e não acuado pelos ensinamentos do mundo.
Sabendo, assim, como pregar um evangelho baseado na Palavra de Deus, e não em vãos
argumentos racionalistas.
Esta pesquisa partirá da abordagem dedutiva, a partir de fatos históricos e
estudos de grandes filósofos, pensadores, cientistas e teólogos, antigos e do nosso
tempo. Procurar-se-á entender o pensamento de tais homens e relacioná-los com a
revelação de Deus para chegarmos a algumas considerações finais. O procedimento
utilizado será comparativo, e as investigações terão caráter teórico e de pesquisa
bibliográfica.
Será usada a Bíblia Sagrada nas traduções Atualizada, Corrigida e Nova Versão
Internacional; de acordo com o que for mais claro para o contexto da pesquisa. Na
fundamentação bibliográfica desta pesquisa, destacam-se também as seguintes obras:
McGrath, Teologia – sistemática, histórica e filosófica; Brown, Filosofia e Fé Cristã;
Stott, Crer é também pensar e Geisler, Introdução à filosofia: uma perspectiva cristã.
Muitas outras obras também farão parte desta pesquisa e constam nas Referências
Bibliográficas.
Esta pesquisa não tem como objetivo ser exaustiva, o que não seria possível pelo
limitado tamanho da pesquisa e o fato de haver muitas obras e pensadores que foram
importantes para o problema da relação fé-razão. Assim, foram citados apenas os nomes
necessários para entendermos algumas das posições que mais influenciaram a
perspectiva cristã. Os argumentos bíblicos, filosóficos e lógicos poderiam ser mais
extensos, mais não estaria dentro dos objetivos e delimitações da presente pesquisa.
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1 ALGUMAS DISCUSSÕES SECULARES SOBRE FÉ E RAZÃO

Antes de passarmos para a visão cristã sobre o problema da relação fé-razão


vamos observar o que pensavam sobre o assunto algumas das grandes mentes que
influenciaram o pensamento da humanidade durante a história.
Entender a visão de mundo de outras épocas é essencial para que aprendamos a
julgar os nossos próprios pensamentos.

1.1 FILÓSOFOS GREGOS

Após a vitória da guerra contra os persas, Atenas entra em um período de grande


prosperidade. E como era mercado e porto, ali se reuniam pessoas de vários povos e
culturas, onde se atritavam visões de mundo e crenças. Neste contexto os homens
começaram a buscar respostas que, na sua visão, eram menos sobrenaturais. Foram os
primeiros filósofos.
Esta filosofia nasceu física, como consequência, séculos depois, Demócrito –
460 a 360 d.C. – desenvolveu um pensamento materialista afirmando que não existe
nada além de átomos e espaços. Os sofistas, professores ambulantes de ‘sabedoria’,
questionavam tudo o que era possível questionar, apregoaram o ceticismo e acabaram
por minguar a fé grega nos muitos deuses e deusas. Isto trouxe um problema para
Atenas: Como preservar a moralidade, e mesmo o Estado, apesar da descrença? Alguns
mestres se prepuseram a resolver a questão.

1.1.1 Sócrates

Como observou Will Durant foi “a sua resposta a essas perguntas que deu a
Sócrates a morte e a imortalidade.” (1991, p.29). Sócrates talvez recebesse o apoio dos
mais velhos se levasse seus discípulos de volta à antiga crença nos deuses e deusas. Mas
ele tinha a convicção de que isto era suicídio intelectual, era retroceder. O filósofo
acreditava em um Deus único que o livraria da morte completa.
Sócrates cria que sua sabedoria advinha da religião, e assim dizia:

“Meus queridos atenienses, saúdo-vos! Porém obedecerei antes a Deus do que a


vós, e enquanto eu tiver alento e forças não deixarei de filosofar e de advertir-vos e
aconselhar-vos. Pois isto me ordena Deus; e creio que a cidade não tem maior bem
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do que este serviço que presto a Deus” (citado por Giuseppe Staccone,
1991, p. 19).

Assim, para Sócrates, não havia uma divisão entre a fé em um Deus único e a
razão, estas duas ideias eram tão próximas que chegavam a se confundir. A razão levava
a fé, e a verdadeira fé vinha da razão.

1.1.2 Platão

Platão – 427 a 347 a.C. – foi profundamente impactado por Sócrates. Afirmava,
como observa Giuseppe Staccone (1991, p. 22), que o verdadeiro saber não estava
naquilo que se pode provar e testar empiricamente, mas no mundo das ideias.
O filósofo argumentava a favor da procura de Deus através da razão: “Afirma-se
que não se deve fazer indagações a respeito do Deus supremo e de todo o universo, nem
investigar curiosamente as suas causas, porque seria ímpio. Parece-me que o certo é
justamente o contrário” (citado por Giuseppe Scappo, 1991, p.22).
Foi Platão que criou o termo Teologia – theós + logos – que depois foi assumido
por Aristóteles.
Um aspecto bastante importante nos seus escritos é a teoria das formas; na qual
ele afirma que a realidade visível pode ser explicada como imagens de formas como o
Bem, que por sua vez é a suprema personificação do divino. Assim, a alma é uma
projeção de um mundo superior e transcendente onde habita o bem.
A noção do logos, que dava lógica ao universo, foi bastante explorada por
teólogos a partir do primeiro século da era cristã. Estes relacionaram esta visão
platonista com a divindade. Clemente de Alexandria afirmou:

“Platão diz: ‘Quem são os verdadeiros filósofos? Aqueles que desejam enxergar a
verdade’. E em Fedro, ele refere-se à Verdade como ideia. Essa ideia, porém, não é
outra senão o pensamento de Deus, ao qual os pagãos chamaram de seu logos. Ora,
o logos procede de Deus como a causa da criação.” (citado por McGrath, 2005,
p.272)

Ao definir as diretrizes para um Estado ideal Platão dá grande ênfase a uma base
psicológica e fisiológica; mas afirma também que uma nação que não acredita em Deus
não pode ser forte. Para o filósofo, um Deus visto apenas como uma força cósmica ou
como uma razão para o universo não serviria. Deus teria que ser pessoal para dar ao
povo a fé, a coragem e a força que necessitavam para passar pela dura realidade da vida.
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Deveria ser um Deus vivo. E a esperança também dependia de uma vida após a morte, a
imortalidade daria força para aguentar a morte dos entes queridos e seria agente
moderador das paixões e ganâncias humanas.
Além da base moral, a fé em um Deus pessoal também capacitaria o povo a
entender que no Estado ideal “Deus vos fez de forma diferente. Alguns têm o poder do
comando (...) outros para serem auxiliares (...) outros ainda, que deverão ser agricultores
e artesãos.” (citado por Alister McGrath, 2005, p. 415).
Portanto, através de sua filosofia teológica Platão acreditava ser possível e
necessário justificar a fé através da razão.

1.1.3 Aristóteles

Aristóteles – 348 a 322 a.C.- foi discípulo de Platão, mas por discordar em várias
áreas do seu mestre acabou fundando a sua própria academia, o Liceu. Uma das grandes
influências de Aristóteles no mundo da teologia foi o seu princípio do “tudo o que se
move é movido por outra coisa” (citado por McGrath, 2007, p. 273), que foi usado por
Tomás de Aquino para desenvolver alguns argumentos a favor da existência de Deus
que serão comentados mais adiante neste trabalho.
Aristóteles tratou sobre o problema de Deus na Física e na Metafísica. Como
comenta Giuseppe Sttacone, na física o filósofo afirma que existe algo que deu
movimento a tudo o que há no universo, e na metafísica afirma que este algo é um Deus
ativo e inteligente.
Portanto, na busca de uma teologia filosófica Aristóteles chega a conclusões
metafísicas através da razão. Seguindo o exemplo de Sócrates e Platão, ele se afasta do
politeísmo místico que era alcançado pela fé cega e sem explicação, e busca uma
explicação racional. Mas o filósofo, assim como seus mestres, também ultrapassa os
limites da razão, mesmo sem contradizê-la, tentando dar mais informações sobre o Ser
supremo do que os próprios métodos racionais permitiam.
A racionalização do conhecimento foi a marca destes pensadores que não
abandonaram certas crenças. Foram dirigidos pela razão, ruíram a mística crença grega,
mas não ignoraram a própria fé.
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1.2 ILUMINISMO E ROMANTISMO

O termo ‘Les lumières’ - as luzes - data do século XVIII, o movimento abrangeu


o período de 1720 a 1780, e não se caracterizava tanto por aquilo que pensava, mas pela
forma como pensava.
Apesar do nome este século englobou uma grande variedade de idéias contrárias
a razão, como a maçonaria e o mesmerismo. Mas a ênfase estava na capacidade humana
de, sozinha, conhecer, interpretar e entender o mundo. Assim a mente é totalmente
capaz de nos dar tudo o que precisamos intelectualmente.
Aqui é bom explicar a diferença entre razão e racionalismo. Razão é a
capacidade humana de pensar, argumentar, calcular, analisar evidências e chegar a
conclusões. Racionalismo é a crença de que a razão pode fornecer todas as respostas à
humanidade. Assim, se a mente não compreende algo, é porque este algo está incorreto
ou não existe; toda a verdade tem origem no pensamento humano, idéia da qual Platão
discordava quando buscava a verdade no logos.
Emanuel Kant, expoente do racionalismo iluminista, afirmava que deveríamos
viver como se houvesse um Deus, mesmo que racionalmente não pudéssemos provar
sua existência, porque a razão prática – moral – necessita disto. O título do seu livro ‘A
religião dentro dos limites da razão somente’ demonstra como deveria ser esta crença,
tudo o que fosse fora da razão deveria ser ignorado, como milagres e ressurreições.
Esta teoria Iluminista foi fortemente criticada no final do século com o
crescimento dos ideais de John Locke. Mesmo o próprio Kant demonstrou ter
consciência das limitações da razão pura na obra “Crítica da razão pura” (1781), onde
criticou o que chamou de ‘razão especulativa’ a favor da ‘razão prática’. O
comportamento racionalista continuou até o seculo XIX como uma forte crítica a fé.
Na última década do século XVIII o racionalismo puro, que antes fora
considerado a mais profunda forma de liberdade intelectual, passou a ser visto como
uma limitação a capacidade humana de interpretar o universo. Este sentimento foi
expresso principalmente no meio artístico e literário. Bons exemplos são os irmãos
Friendrich e August W. Schlegel, eles afirmavam que o iluminismo tentara reduzir o
mistério do universo a fórmulas puras.
McGrath expressa bem a critica do romantismo ao racionalismo:
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“Essa redução da realidade a uma série de raciocínios simplistas parecia, aos


românticos, uma distorção censurável e grosseira (...) A mente humana não pode
nem mesmo compreender esse mundo finito, quanto mais o infinito além dele”
(2007, p133).

O poeta inglês William Wordsworth afirma que a imaginação “é apenas um


outro nome que se dá ao poder absoluto à percepção cristalina, à magnitude da mente, e
à razão em seu estado mais sublime.” (citado por McGrath, 2007, p133)
Soren Kierkegaard – 1813 a 1855 –, considerado o pai do existencialismo
moderno, afirmava que a mente humana é totalmente incapaz de chegar às verdades
divinas. Isto porque o homem está em um estado de rebeldia que o impede de enxergar
a Deus, o qual se torna uma ofensa aos desejos carnais e um paradoxo à sua razão. Para
o pensador não há forma de se provar a existência de Deus historicamente, mas o
importante não é a sua historicidade, e sim sua contemporaneidade. A fé é o caminho
para a verdade, e não a razão.
Ao testar o racionalismo puro do iluminismo a humanidade percebeu que era
pretensão tentar achar o universo inteiro dentro da mente humana; ele teria que ser
buscado também de forma empírica, através do que vivemos, sentimos e cremos.

1.3 MODERNISMO

Sob aspectos teológicos o modernismo pode ser visto como uma tentativa de
conciliar a crença com o iluminismo, com o propósito explicar a fé da religião de forma
centrada no homem. Neste sentido as maiores inspirações foram Maurice Blondeu e
Henri Bérgson.
O filósofo judeu Benedito Spinoza é, de acordo com Norman L. Geisler (1996,
p. 204) o exemplo mais claro e radical de ‘razão somente’ que se pode achar na história
da filosofia. Ele acreditava que a verdade só pode ser conhecida se for comprovada por
axiomas evidentes em si mesmos, o que não puder ser comprovado desta maneira deve
ser considerado irracional. Spinoza concluiu que era irracional acreditar nos milagres e
nas ressurreições descritas na Bíblia: “Podemos, portanto, ter absoluta certeza de que
todo evento que é corretamente descrito na Escritura necessariamente aconteceu, como
tudo o mais, de acordo com leis naturais” (citado por Geisler N., 1996. p.205).
A influência do modernismo na fé se enfraqueceu com a primeira guerra
mundial, e foi perdendo mais força até a metade da década de 1930. A decepção tem
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explicação simples; a teologia liberal, fruto do modernismo, dava ênfase à experiência


humana na religião, era centrada no homem e não em Deus. Assim, ela perdeu a
credibilidade quando a própria humanidade evidenciou seus pontos fracos na Primeira
Grande Guerra.
Como confiar em uma fé na experiência humana quando vemos que a
humanidade toma caminhos tão catastróficos? Fica claro então que a verdadeira fé tem
que ser baseada em Deus. Estudos teológicos não podem se apoiar apenas na razão ou
na experiência humana. Precisamos de algo maior, que ultrapasse o nosso tempo,
sobreviva à nossa história, independa de nós, que simplesmente exista! E, assim, dê
sentido à existência de todo o resto.
Porém a memória da humanidade tende a ser fraca, e o modernismo foi
retomado no período pós guerra.

1.4 PÓS-MODERNISMO

A ideia básica do pós-modernismo é que tudo é subjetivo e nada é absoluto;


opondo-se a visão universalista do Iluminismo. Uma boa ilustração é a desconstrução
defendida por Ferdinand Saussure e outros; na qual interpretamos o que lemos baseados
em nossa cultura e visão de mundo, portanto o que o autor pretende afirmar com o texto
não é tão importante quanto o que o leitor decide entender dele. Em outras palavras, não
há sentido fixo no que é escrito, cada um decide o que quer entender dele.
No campo da fé o pós-modernismo nos leva ao relativismo e ao pluralismo.
Mark Taylor, por exemplo, é contra a noção de verdade. Muitas discussões perdem o
sentido quando cada um tem a sua verdade; a existência ou não existência de Deus é
uma delas. O pós-modernismo também impõe desconfiança às religiões que utilizam
escritos considerados sagrados.
Assim como o romantismo tentou combater o iluminismo, agora o pós-
modernismo vem como resposta ao modernismo, que por sua vez era contrário ao
romantismo. Como foi referido, os ideais mudam com os séculos; e se a nossa geração
estiver correta, e realmente não existir uma verdade, estamos condenados a vagar por
ideias que se opõem sem nunca chegar a uma conclusão concreta, pois esta não existe.
A humanidade não cresce indo de um extremo a outro assim como um pêndulo nunca
sai do lugar, mesmo que esteja em constante movimento.
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Portanto não é racional confiar aquilo no que acreditamos aos modismos


intelectuais. A razão de um século pode ser totalmente contrária à do século anterior,
mas a razão humana é capaz de ver a fé como uma realidade possível em todas as
épocas.
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2 ARGUMENTOS RACIONAIS SOBRE A EXISTÊNCIA DE DEUS

Cabe ao estudo fazer referencia à algumas tentativas racionais de desenvolver


argumentos a favor da existência de Deus. Muitos destes pensadores não são cristãos,
mas seus argumentos são utilizados neste meio.

2.1 Sócrates

Sócrates argumenta que da mesma maneira como no homem o corpo é dirigido


pela alma espiritual, também o universo material é comandado por algo invisível e
espiritual. Desta maneira Sócrates julga que a alma é uma prova da existência de Deus:

“Crês possuir em ti algo inteligente, e que em nenhuma outra parte se encontra


inteligência? (...) Como podes crer que a inteligência a obtiveste por obra de
afortunado acaso somente para ti, sem que se encontre em alguma outra parte, e
que essas massas imensas e essa infinita multidão de coisas se acham dispostas em
tão bela ordem por obra de uma força estúpida e cega?” (citado por Giuseppe
Staccone, 1991, p. 20)

Ele também argumenta que a finalidade das coisas do mundo também é uma
evidencia da existência de Deus. Pois o homem não pode contemplar as diferentes
criaturas que existem no mundo com seus diferentes papéis no universo e ainda assim
duvidar que são providências divinas.
Giuseppe Staccone (1991, p.20) porém observa que a visão de Sócrates não é a
de um Deus pessoal cristão, a teologia do filósofo parece ser uma projeção de sua
antropologia, assim, o homem não deve adoração ou culto a Deus, mas o adora quando
busca a virtude e a sabedoria.

2.2 Platão

Como já vimos Platão foi profundamente impactado por Sócrates. Por isso
também os seus argumentos a favor da existência de divindades não se diferenciam
muito dos do seu mestre.
Este filósofo também acreditava que a alma era uma evidência da existência de
Deus, pois, nas palavras de Giuseppe Staccone, “o procedimento ascendente e dialético
da alma, que, partindo da realidade empírica, e subindo por graus sucessivos de
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conhecimento, chega afirmar a existência de um mundo superior e transcendente, que é


o mundo das divindades” (1991, p. 22).
Platão também constrói um argumento a partir do movimento do mundo,
concluindo que é necessária a existência de uma alma cósmica que cause este
movimento. Da mesma maneira a ordem e harmonia do universo também são
demonstrações da existência de uma divindade inteligente.
Assim como Sócrates, Platão não chegou ao Deus sumo e pessoal. Mas a
diferença entre os dois é que enquanto o primeiro era monoteísta, a teologia de Platão
era na verdade uma tentativa de dar base ao politeísmo grego.

2.3 Aristóteles

Aristóteles acreditava na necessidade da existência de um Deus para explicar o


movimento. Observamos que o mundo está em movimento, este pode referir-se tanto às
rotas dos corpos celestes – que Aristóteles desconhecia – quanto às constantes
mudanças naturais. Tudo está em movimento.
Como observa G. Sttacone, a filosofia grega movia-se entre duas afirmações
contraditórias: ‘O que é, é; o que não é, não é.’ e ‘O ser não é mais que o não ser’. O
conceito de ato e potencia foi a resposta de Aristóteles a esta dualidade. Assim, tudo
está em contínuo movimento da potência para o ato, do que não é para o que deve ser;
potencia é uma realidade intermediária entre o ser e o não ser.
A questão então é: Quem iniciou este movimento? O filósofo afirmou que “tudo
o que se move deve ser movido por outro” (citado por Giuseppe Staccone, 1991, p. 24).
Também acreditava que este primeiro motor era ativo e inteligente, mas não pessoal.
Era uma substância eterna que ele chamou de Ato Puro, a causa final do movimento do
mundo.
Para o filósofo era inaceitável a falta de um agente que começou o movimento.
Uma regressão infinita não resolveria o problema, o que se move teve que ser
impulsionado por algo. Apenas um ser perfeito e eterno poderia ser este agente, Deus é
a razão pela qual o mundo se movimenta.
Mas, como observa Will Durant, este Deus aristotélico é um rei sem poderes.
Não tem vontades, propósitos e ação. Segue o princípio da contemplação, sem interferir
em coisa alguma “retirado em sua torre de marfim da luta e da contaminação das coisas;
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afastado, sob todos os aspectos (...) da delicada e solícita paternidade do Deus cristão”
(1991, p. 73).
Tertuliano afirmou:

“Infeliz Aristóteles! Que inventou para estes homens a dialética, a arte de edificar e
de demolir; uma arte tão evasiva as suas posições, tão forçada nas suas conjeturas,
tão áspera nos seus argumentos, tão produtora de contendas (...) retraindo tudo e
realmente não tratando de nada!” (citado por Geisler N., 1996, p. 207)

2.4 Agostinho

Apesar de advertir que primeiro é preciso crer para depois entender, Agostinho –
354 a 430 – formulou um argumento racional a favor da existência de Deus.
A mente humana é capaz de entender algumas verdades imutáveis, como as leis
matemáticas. Mas a mente humana não é imutável. Uma vez que verdades imutáveis
não podem ter como base uma mente mutável, então deve haver uma Mente Imutável.
Agostinho identifica esta mente ‘imutável necessária’ como Deus. Ainda asseverando
que a Fé é requisito necessário para o conhecimento deste Deus.

2.5 Tomás de Aquino

Tomás de Aquino – 1225? a 1274 – identificava sinais da existência de Deus na


experiência humana. Partia da pressuposição de que o mundo reflete a natureza de
Deus, portanto é possível achar traços do Criador no mundo. Suas observações são
relacionadas com a filosofia de Aristóteles, e estão divididas em Cinco Vias:
A primeira via baseia-se na mesma observação aristotélica de que o mundo está
em movimento. A questão novamente é que o que está em movimento depende algo que
o colocou em movimento. Deve existir uma causa que iniciou este processo de
constante mudança. Descartando a possibilidade de causas infinitas devemos aceitar que
algo está no começo destes movimentos. E este algo só poderia ser Deus.
A segunda via na verdade engloba a primeira e refere-se às causas e
consequências que envolvem o mundo. Assim como no movimento – a consequência –
precisa haver algo que o provocou – a causa – da mesma maneira tudo o que há no
mundo que advêm de uma relação de causa e consequência precisa de uma causa maior,
que seria Deus.
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A terceira via diz respeito a seres cuja existência necessita de explicação, por
exemplo, o ser humano. Precisamos de algo que justifique a nossa existência, um ser
cuja explicação é desnecessária, que simplesmente e necessariamente exista: Deus.
A quarta via afirma que a existência de valores humanos como virtude e verdade
indicam que existi algo capaz de dar origem a estes valores, algo que seja virtuoso e
verdadeiro. Assim, estes valores comuns aos seres humanos não foram inventados, mas
originam-se em Deus.
A quinta via é a observação de que há traços de um criador inteligente, pois o
que existe parece ter sido projetado para um propósito. Tudo o que é projetado com
certo propósito é assim feito por um ser inteligente. Chegamos a conclusão que Deus
projetou todas as coisas com um propósito. No século XVIII William Palley contribuiu
grandemente para este argumento.
Os cinco argumentos de Tomás de Aquino têm uma estrutura parecida,
retrocedem até uma causa maior e a reconhecem como Deus.

“Vimos o modo com que certas coisas, como os corpos naturais, atuam
conforme um propósito, mesmo não tendo conhecimento algum. O fato desses
corpos quase sempre atuarem da mesma maneira, visando à obtenção do bem
máximo, torna isso bastante evidente e demonstra que eles alcançam seu fim por
meio de um desígnio, e não por mero acaso. Ora, coisas que não possuem em si
conhecimento algum somente apresentam a tendência de atingir um fim por
intermédio da ação de algo que possua conhecimento e também compreensão para
tanto, como no caso de uma flecha lançada por um arquiteto, Portanto existe um ser
inteligente que dirige todas as coisas de acordo com o seu propósito. Esse ser nós
chamamos de Deus” (citado por McGrath, 2005, p. 300)

2.6 René Descartes

Descartes é geralmente mencionado como um dos maiores filósofos puramente


racionalistas. Seu argumento sobre a existência de Deus data de 1642, e é bastante
complexo:

“estou convencido de que a existência não pode ser separada da essência divina (...)
Assim, pensar em Deus (isto é, pensar em um ser extraordinariamente perfeito)
como algo que não possui existência (isto é, que não possui uma certa perfeição)
não é menos absurdo do que pensar em uma montanha sem um vale (...) Não sou
livre para pensar em Deus à parte de sua existência (isto é, pensar em um Deus
extraordinariamente perfeito à parte da suprema perfeição) como sou livre para
imaginar um cavalo com ou sem asas... é necessário que atribua a ele todo tipo de
perfeição (...) Essa necessidade garante claramente que, quando disser
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posteriormente que a existência é um aperfeiçoamento, esteja certo em concluir que


o Ser Primeiro e Supremo existe” (Meditations on first Philosophy, p.274)

2.7 Anselmo de Cantuária

Anselmo – 1033 a 1109 – nasceu na Itália e se e foi arcebispo de Cantuária. Sua


maior contribuição para a discussão acerca da existência de Deus foi o que veio a ser
chamado de ‘argumento ontológico’ – investigação do ser. O próprio Anselmo não usou
estas palavras e nem considerava um argumento, mas uma reflexão sobre o seu
conhecimento prévio de Deus e como isto indicava sua existência.
A ideia é parecida com o argumento já visto de René Descartes, e também tem
difícil compreensão. Se Deus é definido como ‘aquele a respeito de quem não se
concebe nada maior’ isto implica na sua existência. Pois seria contradição conceituar
algo como maior que tudo se este algo não existe.
A própria idéia sobre ‘aquele a respeito de quem não se concebe nada maior’
seria maior do que este ser. Nas palavras de Anselmo:

“Esta (a definição de Deus) é de fato tão verdadeira que não se pode concebê-
la como falsa. Pois é perfeitamente possível pensar em algo cuja inexistência
não se possa conceber. E isso deve ser algo superior àquilo cuja inexistência
seja concebível. Logo, se isso (aquele a respeito de quem não se concebe nada
maior) for concebido como inexistente, portanto essa própria coisa (aquele a
respeito de quem não se concebe nada maior) não é algo a respeito do qual não
se conceba algo maior. No entanto, este raciocínio representa uma contradição.
Logo, é verdade que existe algo a respeito do qual não se concebe nada maior,
sendo impossível concebê-lo como inexistente.” (citado por McGrath, 2005,
196)

Gaulino, um monge beneditino, contrargumentou na obra ‘Uma réplica em favor


dos insensatos’ aplicando o pensamento de Anselmo a uma ilha perfeita. Assim, se você
consegue pensar em uma ilha perfeita ela deveria existir. O que não acontece na
realidade.
Apesar de Gaulino aparentemente ter refutado a ideia de Anselmo, a questão
continua em discussão até hoje. Pois faz parte da definição de Deus ser “aquele a
respeito de quem não se concebe nada maior” faz parte de sua essência; o que não
acontece com ilhas ou outros objetos de nossa imaginação.
19

2.8 Charles Hartshorne

Charles Hartshorne desenvolveu o argumento de Anselmo a fim de torná-lo


menos suscetível às críticas. Baseando o conceito de Deus não em um Ser Perfeito, mas
em um Ser Necessário, tem-se que a existência deste Ser Necessário deve ser
impossível; possível, mas não necessária; ou necessária. Visto que não pode ser
impossível, ou acabaria em uma contradição interna, nem desnecessária, pois seria uma
contradição dizer que um Ser Necessário não é necessário. Logo, um Ser Necessário
necessariamente existe.
Críticas vieram aos pressupostos deste argumento. Argumenta-se que não é
porque se pode conceber que Deus necessariamente exista que Ele necessariamente
existe. Porém, como observou o N. Geisler (1996, p.232), esta colocação parece evitar
todas as críticas colocadas ao argumento de Anselmo, uma vez que o conceito não se
aplica a ilhas perfeitas e a existência não está sendo usada como propriedade.

2.9 William Paley

William Paley – 1743 a 1805 – foi um teólogo inglês e filósofo natural que deu
grande contribuição à já mencionada ‘quinta via’ de Aquino.
Paley ficou muito impressionado com as descobertas de Newton sobre a
mecânica celeste e desenvolveu um argumento sobre a existência de Deus baseado neste
aparente planejamento inteligente do mundo.
Usando como exemplo um relógio, o filósofo observa que a única resposta
sensata para explicar a existência daquele objeto era assumir a existência de um
relojoeiro que o criou. Pois as diversas peças e mecanismos de um relógio foram
propositalmente produzidos e organizados de tal maneira que o seu funcionamento fosse
tão perfeito a ponto de podermos contar até os minutos com ele. Visto tamanha
complexidade não seria sensato afirmar que tal objeto veio a existir por mero acaso.
Paley refere-se às válvulas do coração para demonstrar a complexidade da
criação, mas nós podemos pensar em um organismo unicelular dos mais simples. Este
ser com a capacidade de se alimentar, reproduzir, produzir proteínas, queimar energia e
acumular informação hereditária no material genético, é um dos mais simples da
natureza, mas é muito mais complexo que um relógio ou, contextualizando, que um
ipod. Assim, não podemos afirmar que seres unicelulares vieram a existir sem um ser
20

inteligente que o criasse se não podemos conceber o mesmo de um celular de alta


tecnologia. Paley reconhece este criador inteligente como Deus.
21

3 A PERSPECTIVA CRISTÃ SOBRE FÉ E RAZÃO

Há uma dificuldade de explicar a teologia cristã dentro dos caminhos limitados


pela mente humana. Gerações de cristãos vêm tentando explicar esta relação entre fé e
razão. Alguns afirmando que a razão do mundo deve ser totalmente ignorada e que
Deus é encontrado apenas pela Fé, outros afirmando que a razão é um caminho que
oferece evidencias que podem levar a fé em Deus.
Estudaremos algumas passagens bíblicas referentes ao assunto assim como a
posição de alguns grandes nomes do cristianismo primitivo até o século atual; também
veremos algumas das principais discussões sobre Religião e Ciência no século XX e
XXI.

3.1 JUSTINO MÁRTIR E TERTULIANO

Não havia consenso entre a relação da fé com a razão entre os pais do


cristianismo. A maior divergência foi entre dois grandes nomes deste período: Justino
Mártir e Tertuliano.
Justino acreditava nas Escrituras como revelação divina e também cria que a
razão estava implantada em todos os seres humanos, independente da raça, cultura ou
época em que vivem. Também fazia afirmações sobre seu grande desejo de conhecer a
natureza e a filosofia.
Ele tenta explicar a possibilidade de se conhecer a Deus sem a Revelação,
apenas pelo pensamento racional, recorrendo ao conceito platônico de parentesco entre
a alma do homem e Deus, que já foi comentado no presente trabalho.
Chegou até mesmo a afirmar que os filósofos gregos eram verdadeiramente
cristãos, apesar de terem sido considerados ateus pelos de sua época. Em certa época de
sua vida, como narra Staccone, Justino abandona Platão e dedica-se com entusiasmo ao
estudo das Escrituras: “Justino encontra na fé cristã o conhecimento de Deus, que em
vão procurava nas filosofias. Com a revelação e a fé complementa-se a procura racional,
e o que antes era fragmentário e limitado, torna-se agora completo e perfeito” (1991,
p.35).
A tese que Justino é que a razão e a fé se complementam, portanto os filósofos
gregos chegaram a conhecer alguma verdade sobre Deus. Era necessário, porém
22

distinguir o conhecimento total, dado pela fé e a revelação, e o conhecimento parcial e


obscuro, dado pela busca racional; distinção que Justino não traça.
Razão e fé são para Justino duas etapas de um percurso que leva o homem a
Deus; e ainda afirmou:“Todos aqueles que viveram conformes com a razão são cristãos
impávidos e tranquilos” (citado por Staccone, 1991, p.37)
Clemente de Alexandria seguia o mesmo raciocínio, mas ia além: “Antes da Lei
do Senhor a filosofia era necessária para os gregos para a justiça” (citado por Geisler N.,
1996, p. 205). Este não apenas exaltava a razão, mas a colocava no mesmo grau de
importância e poder da revelação divina.
Tertuliano, porém, afirmava que a fé na revelação deveria vir antes da razão,
acima dela. Isto não significa que ele fosse contra a razão. Como observou N. Geisler
(1996, p.206), Tertuliano falava da necessidade de ter uma visão racional, e criticava
aqueles que criam sem examinar o que criam, mas afirmava que a filosofia era inútil,
uma vez que a verdade sobre Deus não poderia ser alcançada através dela.
Para Tertuliano o único caminho para alcançar a verdade seria a fé na revelação
divina. Sua afirmação mais conhecida diz respeito a esta separação: “O que mesmo tem
Atenas a ver com Jerusalém? Que concordância há entre a academia e a igreja?” (citado
por Geisler N., 1996, p. 207).
Acreditava que o homem de fé não precisa de lógica ou ciência, basta-lhe
a fé. E ainda que: quanto mais inaceitáveis parecem algumas afirmações à razão
humana, mais certas são à fé.
O seu conceito de fé é bastante fechado, afirma que as doutrinas bíblicas não
devem ser investigadas, mas apenas conhecidas. Pois a curiosidade intelectual é
perigosa. A revelação é suficiente, o resto é curiosidade vã. Sua posição é que não há,
nem deve haver, uma relação entre a busca humana pelo racional e a fé, pois elas se
excluem.
A mesma discussão dos pais da igreja atravessou os séculos e ainda acompanha
o cristianismo na pós-modernidade.

3.2 A VISÃO REFORMADA

A teologia protestante advém da Reforma do século XVI. Martinho Lutero foi a


primeira figura de destaque deste movimento. Seu último sermão em Wittenberg
23

marcou a história como um discurso contra a razão, a qual chamou de ‘Meretriz do


Diabo’; este fato contribuiu para o pensamento de que a razão nada tem a ver com a fé.
Mas Colin Brown (1989, p.35) observa que na realidade o problema do
reformador era com aqueles teólogos que preferiam estudar Aristóteles a ler a Bíblia,
seu verdadeiro alvo era o abuso da razão. Serve lembrar que Lutero escolheu a vida de
monge visando à salvação de sua alma, mas encontrou grande tormento no mosteiro por
não encontrar a paz com Deus através da vida regrada e dos estudos filosóficos que a
Igreja Papal prezava.
O próprio Lutero utilizava argumentos racionais e lógicos em seus estudos, o
que demonstra que ele de forma alguma era contra o pensamento racional. Na Ordem
dos Agostinianos conquistou prestígio como intelectual, e em 1508 já era professor da
Universidade de Wittenberg, recebendo o título de Doutor em Teologia.
Assim, o reformador não era adepto de uma fé sem fundamentos, mesmo antes
de iniciar a Reforma já tinha dúvidas sobre princípios sem base bíblica que a igreja
utilizava. Nichols narra:

“Para livrar seu pai do purgatório, subiu de joelhos a escada da Santa Sé, a
escadaria que se diz ter sido trazida da casa de Pilatos; repetindo, em cada
degrau, o Pai Nosso. Ao chegar ao topo, surgiu-lhe uma pergunta: quem sabe
se tudo isto é verdade?” (citado por Lopes, 2003, p.42).

O problema de Lutero não era com o pensamento racional, mas com a razão
dissociada da fé em Jesus Cristo, que não leva a lugar algum. Afirmou que

“é perigoso desejar investigar e aprender a pura divindade pela razão humana


sem Cristo o mediador, conforme têm feito os sofistas e os monges, além de
ensinarem os outros a fazer assim (...) A nós foi dado o verbo encarnado, que
foi colocado na manjedoura e pendurado no madeiro. Este verbo é a sabedoria
e o Filho do Pai, e Ele nos declarou qual é a vontade do Pai para conosco.
Aquele que deixa este filho , para seguir seus próprios pensamentos e
especulações, é esmagado pela majestade de Deus.” (citado por Brown,
1989, p. 35)

Lutero também traçou um pensamento educacional forte, pois entendia que a


educação é fundamental para a realização do verdadeiro cristianismo. A favor desta
chega a afirmar que a educação seria necessária mesmo se o cristianismo ou as verdades
de Deus não existissem, pois o mundo precisa de pessoas com conhecimento:
24

“Ainda que não houvesse alma, ou céu, nem inferno, seria necessário haver
escola para a segurança dos negócios deste mundo, como a história dos gregos
e romanos claramente nos ensina. O mundo tem necessidade de homens e
mulheres educados, para que os homens possam governar o país
acertadamente e para que as mulheres possam criar convenientemente seus
filhos, dirigir os seus criados e os negócios domésticos.” (citado po Lopes,
2003, p. 49)

A abordagem de Calvino foi demonstrada de modo mais sistemático, como era


típico do reformador líder em Genebra, mas é semelhante a de Lutero.
Dois aspectos contribuíram para o preparo educacional de Calvino: estudou na
Universidade de Paris, encontrando-se com Guillaume Cop, e conheceu as ideias
protestantes por meio de seu primo Pierre Olivetan.
Ao concluir seus estudos humanísticos seu pai enviou-o para a Universidade de
Orleans, a fim de estudar direito transferiu-se para a Universidade de Bourges, em 1929.
Entre 1532 e 1533 Calvino adotou as idéias da Reforma. Em 1534 foi forçado a
abandonar a frança com Cop, reitor da universidade de Paris. Guilherme Farel
estabeleceu a Reforma em Genebra e convidou-o para ajudar.
Calvino foi ordenado ministro de ensino em Genebra em 1536, ano em que
terminou as ‘Institutas da Religião Cristã’, com apenas 26 anos de idade. Em seu livro
ele afirmava que as Escrituras eram a única regra de fé e prática
Calvino também tinha um conceito educacional, apesar de que nunca foi um
filósofo da educação, mas dedicou-se a criação de escolas e compreendeu a importância
do ensino para a concretização de sua obra em Genebra. Como observou Wilson Castro
Ferreira:

“Não se pode ver a obra de Calvino atentamente sem se perceber que não somente
Educação está no âmago de seu programa e do seu grande sonho, a Igreja de
Cristo, mas que também era parte integrante, inerente e indispensável, segundo o
seu entender, da economia do Reino de Deus entre os homens, com vistas ao mais
alto propósito – a glorificação do seu Criador (...) Não há para Calvino uma
separação entre o ensino, quer seja de ciência, língua e história, e o ensino
religioso, porque todo o ensino visa ao aperfeiçoamento do homem para a sua
vocação, e essa vocação ou chamado divino tem por fim o cumprimento de um
papel na sociedade na qual o indivíduo se realiza, pois, além das bênçãos que
recebe para si na vida cotidiana, atinge o mais alto propósito da existência humana:
a glória de Deus” (citado por Lopes, 2003, p. 65)

Fazia parte de sua preocupação a busca de uma boa educação, esta deveria ser
iniciada com as crianças e supervisionada pela igreja. O ensino deveria refletir a glória
de Deus, e o conteúdo das aulas nunca poderia ser baseado somente nos escritos pagãos,
sendo a base central o ensino as Escrituras Sagradas.
25

Para Calvino de um lado há um conhecimento geral do Deus revelado a todo


homem, uma consciência profunda da divindade, que é evidenciada pela glória do
Criador refletida na criação. A despeito disto o homem se afundou tanto no pecado que
se tornou incapaz de encontrar Deus através apenas da busca racional.
Alguns críticos afirmam que esta abordagem leva a uma fé irracional, uma vez
que não pode ser comprovada cientificamente. Mas a existência de Deus não é uma
questão de demonstração lógica, mas de consciência interior.
Calvino comprara as Escrituras a óculos que deixam as verdades nítidas. Assim,
se alguém não reconhece a Bíblia como verdadeira, também não pode aceitar a verdade
vinda dela. Mas a experiência de quem a conhece é evidencia suficiente para satisfazer a
razão destas pessoas. Desta maneira a revelação é a solução de Deus para que o homem
chegue até ele.
Outro personagem importante nesta relação da Reforma com a educação foi
Filipe Melanchton, que exerceu influência fundamental na questão religiosa e
educacional da Reforma Alemã.
Todas as escolhas da Alemanha se modificaram de acordo com o conselho dele.
Os professores mais ilustres desta época foram seus alunos, e também tinha muito
prestígio entre a nobreza. Trabalhou na universidade de Wittenberg durante 42 anos e a
modelou de acordo com as ideias humanistas e protestantes.
Seu objetivo principal era fornecer uma formação para benefício dos
reformados, cria que a finalidade da escola é promover a piedade evangélica. Concebia
que as autoridades civis deveriam financiar as escolas e nomear professores dotados de
boa cultura clássica, cujo fator principal seria a descoberta da verdade das Escrituras.
Assim a razão estimulada através da educação serviria a fé cristã reformada.
Apesar da grande preocupação e contribuição na área da educação, o objetivo
dos reformadores não era procurar evidencias lógicas para suas afirmações, mas sim
estimular uma reforma na vida moral e intelectual das pessoas partindo do pressuposto
de que a Bíblia é a revelação da Verdade. Argumentos lógicos e filosóficos não eram
prioridade: “A reforma protestante do século XVI foi um movimento eminentemente
religioso e teológico; estando ligada à insatisfação espiritual de dezenas de pessoas”
(Maya, 2004, p. 75)
Assim, na visão dos reformadores a fé cristã não precisa de outras bases, nem
deve procurá-las, é preciso crer para entender. E crendo é preciso basear toda prática
26

moral e o estudo racional nas Escrituras. A razão deve ser estimulada para que possa
servir à fé.

3.3 A VISÃO CRISTÃ NOS SÉCULOS XX E XXI

Por muito tempo foi pressuposto que o único caminho para a apologética cristã
fosse alguma forma de teologia natural suficientemente convincente a ponto de agradar
até um descrente.
Três pensadores marcaram a teologia do século XX por descordarem desta ideia
alegando que a teologia natural não funciona como ponto de partida para um
pensamento sobre Deus, que a base para uma apologética verdadeira deveria ser o
próprio Deus e Sua revelação. Vamos observar os ensinamentos destes homens.

3.3.1 Cornelius Van Til

Cornelius Van Til identificava-se com a tradição conservadora da teologia


holandesa reformada. Alegava que a teologia natural falha por, mesmo em seus
melhores momentos, passar longe de indicar o Deus vivo e pessoal da crença cristã.
Para o pensador, isto se dá por seu ponto de partida ser inconsistente. Todos os
filósofos e pensadores não cristãos debateram na verdade uma ficção da mente humana,
e não o Deus verdadeiro do modo como Ele achou por bem se revelar. Os homens
procuraram por Deus não apenas de maneira errada, mas nos lugares errado.
Apesar disto Van Til afirma que o poder de Deus e sua divindade estão
claramente visíveis a todos. Não como uma teoria que aponta o fato de que um Deus
exista, ou que provavelmente Deus existe. Mas como uma certeza interior sobre o Deus
vivo e pessoal do qual estamos separados por causa do pecado.
Por isto não há desculpas para os que se recusam a aceitar este Deus. Em suas
palavras, os homens confrontados pelo evangelho:

“não podem reagir a ele de modo neutro; devem aceita-lo ou suprimi-lo porque não
querem acreditar nele. Paulo sabe que aqueles que se apegam a sabedoria do
mundo o fazem contra aquilo que melhor sabem, e com uma consciência pesada.
Cada fato do teísmo e cada fato do cristianismo aponta um dedo acusador contra o
pecador e diz: ‘Você está violando a aliança, arrependa-se e seja salvo.” (citado por
Colin Brow, 1989, p. 157)
27

Para Cornelius o relacionamento da fé cristã com a razão do mundo não deve ser
neutro e suave, mas uma colisão. A tarefa do pensador cristão não é achar um ponto de
concordância com a sabedoria do mundo, mas mostrar que esta está errada em suas
pressuposições.
Mas, como teólogo reformado, ele não crê que alguém pode aceitar o Deus
verdadeiro apenas por ter sido convencido com bons argumentos, indiferente de suas
pressuposições. O não-cristão apenas aceitará o evangelho se esta for a vontade de
Deus, se Ele remover a cegueira de seus olhos através do poder do Espírito Santo.
Colin Brown observa que desde Aquino até Van Til muitos escritores têm feito
têm usado a afirmação de Paulo: “O que se pode conhecer de Deus é manifesto entre
eles pois Deus lho revelou. Sua realidade invisível tornou-se inteligível, desde a criação
do mundo, através das criaturas, de sorte que não têm desculpa.” (Romanos 1.19-20) E
poucos têm explicado que revelação é esta e como funciona. Cornelius não é exceção.
Possivelmente o apóstolo se referia ao fato de que a natureza e a história nos mostra
“que tipo de Deus Deus é” (Colin Brown, 1989, p. 159).
Para Van Til é necessário demonstrar que toda razão que não é fundamentada na
Fé no Deus vivo é equivocada.

3.3.2 Karl Barth

Karl Barth nasceu na Europa continental e foi criado na Igreja reformada na ala
protestante liberal. Já em seu primeiro pastorado tornou-se descontente com a
abordagem liberal das Escrituras e no decorrer dos anos mudou consideravelmente sua
interpretação teológica, isto deveu-se principalmente ao estudo da Bíblia e de escritores
protestantes clássicos.
Barth ensina um Deus que é totalmente transcendente e que não pode ser
identificado com nada mais. Assim o conhecimento de Deus não é separado do
Evangelho. Não se pode chegar a Deus através de caminhos escolhidos pelo homem,
como o da razão. Deus escolheu se revelar através da Sua palavra e de Seu Filho. Nas
palavras de Bartn:

“O conhecimento de Deus ocorre no cumprimento da revelação da Sua Palavra


pelo Espírito Santo e, portanto, na realidade e na necessidade da fé e da
obediência a ela. Seu conteúdo é a existência daquele a quem devemos temer
acima de todas as coisas porque podemos amá-lo acima de todas coisas; Ele
28

permanece sendo um mistério para nós porque Ele mesmo Se fez tão claro e
certo para nós” (citado por Colin Brown, 1989, p. 160)

Desta maneira o conhecimento de Deus só pode surgir do próprio Deus e é


mediado por Seu Filho.
Barth também afirma que este conhecimento é um mistério, ilumina a nossa
experiência, mas ao mesmo tempo sempre deixa uma parte obscura. Este encontro com
Deus é a única prova necessária, e a verdade da Palavra de Deus é evidente em si
mesmo.
Por sua transcendência a Divindade é outra em relação ao homem e também aos
processos da natureza, apesar disto Ele se importa com os assuntos humanos ao ponto
de tomar a iniciativa de se revelar. Isto indica que a defesa do cristianismo deve vir de
dentro dele. Desta maneira o pensador insiste que o único ponto de partida para levar-
nos até Deus não é a razão humana, mas sim a maneira que o próprio Deus usou para se
revelar.
Alguns argumentam que isto não é um argumento objetivo, que se trata de uma
apelação irracional à revelação por não haver evidências externas deste Deus. Se
racional significa acreditar somente naquilo que pode ser comprovado no laboratório
então Barth é culpado, assim como são todos os físicos, químicos e biólogos.
A isto Barth responde que a teologia:

“1 Como todas as outras assim chamadas ciências, é um esforço humano para


atingir um objetivo específico do conhecimento 2 Como todas as outras ciências,
segue um caminho específico e consistente do conhecimento 3 Como todas as
outras ciências, tem condições de prestar contas por este caminho, a si mesma e a
todas as pessoas – todos que são capazes de esforçar-se por atingir este objetivo e,
portanto, de seguir este caminho” (citado por Colin Brown, 1989, p. 164)

Isto porque se pode dizer que uma idéia racional é aquela que foi justificada pela
experiência, mesmo que não tenha sido demonstrada por argumento lógico. Assim a
abordagem de Barth não é irracional, pois é fundamentada na experiência com a Palavra
de Deus; a razão não é ignorada, mas seu uso é decidido por Deus.
Karl Barth não viveu o suficiente para terminar sua obra, que é uma exata
resposta a esta insatisfação teológica do modernismo. Um termo aplicado as suas ideias
é “teologia dialética”. Para Barth existe entre Deus e a humanidade uma relação de
contradição, pois a teologia não é uma resposta às indagações humanas; e sim uma
resposta humana ao que Deus tem nos revelado.
29

Para Barth todas as tentativas de se chegar até Deus através da razão são inúteis,
pois o homem obscureceu e distorceu a revelação natural, aquela que poderia ser
observada nas leis da natureza, por exemplo. Em seu livro chamado ‘Nein’ – Não! – ele
argumenta que Deus sobrenaturalmente convence o homem da sua verdade.
Esta visão tornou-se muito importante para a teologia na década de 1930. Mas
recebeu algumas criticas também. Para alguns o fato de Barth enfatizar a transcendência
de Deus diante das questões humanas atribuía à divindade uma aparência de indiferença
e consequentemente o tornava irrelevante para os homens. Havia anseio por um Deus
que fosse ao mesmo tempo o centro da teologia e interessado no homem ao ponto de se
importar com suas indagações.
Porque somos apenas homens nenhum modelo de raciocínio pode ser exaustivo,
seja ele teológico ou científico, toda visão de mundo é mudada de acordo com a
experiência. A razão deve ser dirigida pela experiência da fé para ter uma base segura.

3.3.3 Francis Schaeffer

Francis Schaeffer é um pensador evangélico que procura compreender


profundamente a cultura secular. Acredita que a falta de sentido afirmada pelo homem
moderno é uma conseqüência do seu pensamento puramente racionalista que tenta
separar o natural do sobrenatural. O pensador liga esta tentativa à descrição que Aquino
fez sobre a separação entre a natureza e a graça.
Sobre o Iluminismo Schaeffer observa que foi um momento no qual a separação
se tornou completa, não havia mais vestígios de revelação em qualquer área. Mas a
parte não racionalista do homem consegue expressão até hoje, seja através da arte
melancólica, do abuso de vidas desregradas e autodestrutivas ou até de certo
misticismo.
Místico foi como o pensador definiu o otimismo humanista:

“O elemento significativo é que o homem racionalista, humanista, começou


afirmando que o cristianismo não é suficientemente racional. Agora fez ele meia
volta, em um amplo círculo, e acabou na condição de místico – ainda que místico
de um tipo especial. É ele um místico sem ter ninguém com que buscar
comunhão.” (citado por Brown, 1989, p. 165)
30

Schaffer, assim como Barth e Van Til, desafia as premissas do racionalismo


puro. Afirma que o cristianismo tem espaço para expressar seus valores, uma vez que
contradiz a visão racionalista que não funciona na prática e coloca em desespero o
homem moderno.
A resposta cristã funciona na vida do homem como um todo, não apenas no
aspecto intelectual. O forte desta posição é apresentar um conceito total da vida,
integrando a fé com a razão.
Argumenta também que da mesma maneira que o universo se iniciou de forma
pessoal é coerente que o homem baseie seus pensamentos em um relacionamento
pessoal com o Criador. Quando negamos a relação do homem com Deus temos que
relacioná-lo com outra parte. Para Schaffer, por hoje não ser adequado relacionar o
homem com os animais, estamos relacionando-o com as máquinas.
A alternativa a este pensamento é afirmar que o homem é produto de um
processo impessoal ocasionado pelo tempo e o acaso, mas para o pensador isto não é
aceitável porque contradiz a Revelação do criador.
Há algumas críticas a esta posição, quanto ao fato que Schaeffer não comprova a
existência de Deus, mas apenas a dá por certa; e também tem como premissa a Bíblia,
sem nunca contestá-la. Isto deve ser chamado de crença por não ser averiguável no
momento.
A resposta do pensador é que estes itens de crença são comprovados na
experiência da vida. Assim como uma hipótese científica, que apresenta uma teoria
ainda não comprovada com o objetivo de esclarecer o que ainda não foi entendido. Uma
hipótese aceita é aquela que é coerente com o maior número de fatos observáveis.
Como hipótese o racionalismo fracassa quando tenta dar sentido a existência
humana coletiva e individual, assim como em suas experiências históricas e pessoais. Já
o sistema de crença cristão bíblico é bastante coerente com a realidade experimentada.
Por outro lado, ao adotar um alto conceito das Escrituras, Schaeffer não vê
impedimento à constante pesquisa científica, filosófica e histórica. Mas afirma que a
forte base bíblica é um estímulo por dar senso de direção, um ponto de partida
confiável. A fé é um estimulo a razão, que por sua vez deve ter por base a própria fé.

3.3.4 Debate Científico e Metafísico


31

Richard Dawkins é o líder dos ateus atuais. Ele afirma em seu livro ‘Deus, um
delírio’ (2008) acreditar que a ciência deve ser o suficiente, pois não há outra forma
segura de se adquirir conhecimento. Mas também alega que devemos viver como se a
vida não fosse uma luta pela sobrevivência genética, devemos esquecer nossos instintos
naturais causados pela evolução e tratar as pessoas com amor.
Quanto a esta dualidade John Polkinghorne faz uma interessante observação:

“Temos o direito de exigir coerência entre o que as pessoas escrevem em seus


estudos e o modo como vivem. Acredito que ninguém vive como se a ciência fosse
o bastante. Nossa avaliação do mundo deve ser rica o suficiente para compreender
toda a gama de confluência do humano com a realidade.” (2001, p. 12)

Polkinghorne continua afirmando que as declarações puramente racionais


influenciam nossa visão metafísica, mas não a determinam por não serem suficientes
para explicar todos os questionamentos humanos. Uma cosmovisão baseada puramente
no que pode ser comprovado por métodos científicos deixa de lado quase tudo o que
torna a vida humana digna de se viver.
Como observa Hermisten Maya não existe apenas o saber considerado científico,
o conhecimento proveniente da fé ultrapassa a capacidade racional de explicação e
demonstração; pois Deus não deve ser julgado pela demonstração racional, Ele a
transcende. Mesmo que descobrissem alguma prova irrefutável da existência de Deus
isto não levaria os homens aos pés da cruz. A fé é um dom de Deus, não uma conquista
da razão.
E ‘irrefutáveis’ é um termo que realmente não combina com a ciência. O século
XX foi cenário de uma grande discussão sobre a filosofia científica. Esta, em seus
métodos e realizações, mostrou-se muito mais sutil do que supunham. Questões foram
levantadas sobre a refutação das teorias altamente aceitas pelos cientistas.
Primeiro foi a não sustentabilidade de uma separação entre a teoria e a prática,
pois a experimentação está presa a uma interpretação dos aspectos científicos
observados, questiona-se o mundo físico a partir de um determinado ponto de vista.
Outro problema é que a teoria sempre depende dos dados experimentais, pois pretendem
falar em termos universais do que acontece em todos os tempos e lugares, mas estão
presas ao ambiente e ao tempo da experiência.
Alguns mais radicais como o sociólogo Barry Barnes propõem que
32

“toda geração de conhecimento e desenvolvimento cultural deveriam ser vistos


como infinitamente dinâmicos e suscetíveis de alteração da mesma forma como é
sua própria a atividade humana como qualquer mudança atual ou avanço sendo
uma questão de concordância, não de necessidade” (citado por Polkinghorne
J., 2001, p. 22).

Apesar de esta posição ser precipitada e recorrer em certo subjetivismo, não se


nega que os fatores sociais influenciam a ciência, decidindo quais experimentos são
considerados dignos de serem feitos e quais conceitos teóricos estão em destaque. Estes
fatores influenciam a todos dentro da comunidade científica.
Então qual é o objetivo da ciência? Popper respondeu que “é encontrar
explicações satisfatórias do que quer que nos apresente e nos impressione como estando
a precisar de explicação” (Popper, 1987, p. 152). Assim como o filosofo, o cientista está
sempre a caminho do conhecimento, este é seu objetivo.
Como observa Maya (2004, p.217), o que dá valor à ciência não é o saber, mas a
desconfiança do que ela afirma saber. Constantemente questionando seus enunciados a
ciência se aperfeiçoa.
Como deve ser o relacionamento entre ciência e religião? Galbraith afirmou que:
“Ciência e religião trabalham numa associação instável protegidas pela afirmação
freqüente de que não há conflito irreconciliável entre ambas. Ninguém se engane: o
efeito da ciência sobre o poder religioso (...) tem sido enorme.” (1989, p.178)
Apesar de a ciência estar comprometida a não se envolver com nenhum sistema
de crenças, os pressupostos dos cientistas influenciam as suas pesquisas, como já vimos
neste trabalho. Tentar alegar neutralidade é ingenuidade, pois os homens não vivem
como se a ciência fosse tudo o que há, mesmo que aleguem isto; nenhum homem está
livre de esperanças, crenças e desejos.
Quanto ao relacionamento da ciência com o cristianismo especificamente,
Francis Schaeffeer afirmou que nos seus primórdios a ciência moderna foi moldada pelo
cenário do cristianismo, e também que: “A mentalidade bíblica é que deu origem à
ciência” (1976, p. 31). Alfred Nort Whitehead disse: “A ciência moderna surgiu porque
estava cercada por uma estrutura de referências cristãs” (1976, p. 51).
Maya (2004, p. 221) observa que quando um sistema religioso se atrela a uma
determinada concepção científica, este sistema é influenciado e sofre consequências.
Alan Richard argumenta que “São Tomás havia cristianizado a Aristóteles com tanto
êxito, que quando a autoridade deste nos campos da Astronomia ou da Física se pôs na
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tela do juízo, foi como se a fé cristã mesma tivesse sido atacada impiamente” (1975, p.
12).
Bacon, que criticou o método dedutivo de Aristóteles defendendo o método da
indução, afirmava que a fé estava acima da razão, o cristianismo acima da ciência. As
pesquisas científicas nada podem contra a Revelação de Deus, portanto deveriam
colocar-se no lugar de servas da verdade proclamado pelo cristianismo. Chega a afirmar
que os teólogos que são contra o uso da ciência para fortalecer o cristianismo agem
como se:
“no recesso de suas mentes e no segredo de suas reflexões, desconfiassem e
duvidassem da firmeza da religião e do império da fé sobre a razão e, por isso,
temessem o risco da investigação da verdade na natureza. Contudo, bem
consideradas as coisas, a filosofia natural, depois da palavra de Deus, é a melhor
medicina contra a superstição, e o alimento mais substancioso da fé. Por isso, a
filosofia natural é justamente computada como a mais fiel serva da religião.”
(citado por Maya, 2004, p.222)

Jonas Kepler compreendeu bem esta servidão da razão para com a fé, e afirmou
que, enquanto descobria as leis dos movimentos dos planetas, sentia-se como um sumo
sacerdote, obrigado a não alterar nenhum mínimo detalhe das suas observações
científicas; pois, assim como a Palavra de Deus não poderia ser alterada porque
transmitia verdades sobre Jeová, também a ciência revela o poder e a eterna sabedoria
do criador. (Hooykaas, 1988, p.137)

3.4 A EXPOSIÇÃO BÍBLICA

As posições dos cristãos sobre o relacionamento entre fé e razão são tentativas


de interpretação da Revelação de Deus. Vamos então observar algumas das muitas
passagens bíblicas que se referem ao assunto.
Como observa John Stott (2001, p. 13) que um dos aspectos mais nobres da
semelhança de Deus com o homem é a capacidade de pensar. Assim como todo o resto,
devemos pensar para a glória de Deus. Ele quer ser glorificado pelo nosso pensamento,
como mostra ao convidaro rebelde povo de Israel: “Vinde, pois, arrazoemos, diz o
Senhor” (Isaías 1.18).
No Antigo Testamento Deus afirma o seu povo se comportava como “filhos
néscios, não entendidos” (Jeremias 4.22), e declara que “o meu povo está sendo
destruído, porque lhe falta o conhecimento” (Oséias 4.6). Assim, Deus não quer uma fé
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irracional, puramente mística. Ele quer uma glorificação baseada na Sua Palavra com
todo o afinco do estudo e da observação. Este é o único tipo de pensamento lógico
verdadeiro, o que procede das verdades já expostas por Jeová.
Nos Evangelhos Jesus afirma: “Todas as coisas me foram entregues por meu Pai,
e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho, e
aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (Mateus 11.27) e “Se vós me conhecêsseis a
mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto”
(João 14.7). Assim, Jesus ensina que de maneira alguma é possível que alguém conheça
a Deus sem antes conhecer o Cristo.
Brown (1989) observa que Jesus não facilitava a entrega de sua mensagem, era
necessária uma dedicação pessoal para entendê-la. É somente para aqueles que o
seguem que ele dá o entendimento, é através da fé que a razão é encontrada.
Paulo de Tarso em suas cartas e também na narração de Atos ensinou muito
sobre a relação entra fé e razão. Alertava contra a sabedoria do mundo que considerava
loucura o Cristo crucificado, afirmando que já que o mundo não conseguiu conhecer a
Deus através da sabedoria, esta busca se tornou insana:

“Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos
salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, E
aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está o sábio? Onde está o escriba?
Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria
deste mundo? Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus
pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.”
(1Coríntios 1).

Assim, o apóstolo reafirma o ensinamento de Jesus de que o único e verdadeiro


caminho para Deus é a cruz de Cristo, que, de acordo com a razão aceita pelo mundo, é
loucura.
Paulo chega a referir-se diretamente a filosofia pagã: “Tomai cuidado para que
ninguém vos escravize com a vã sedução de uma filosofia fundamentada na tradição de
homens, segundo os elementos do mundo, e não segundo Cristo” (Colossenses 2.8). Ele
alega que apesar de existirem evidências racionais da existência de Deus, muitos dos
que dizem buscar a sabedoria na verdade tornam-se tolos por negarem os sinais do
poder de Deus:

“O que se pode conhecer de Deus é manifesto entre eles – isto é, os pagãos – pois
Deus lho revelou. Sua realidade invisível – seu eterno poder e sua divindade –
tornou-se inteligível, desde a criação do mundo, através das criaturas, de sorte que
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não têm desculpa. Pois tendo conhecido a Deus, não o honraram como Deus, nem
lhe renderam graças; pelo contrário, eles se perderam em vãos arrazoados, e seu
coração insensato ficou nas trevas. Jactando-se de possuir a sabedoria, tornaram-se
tolos e trocaram a glória de Deus incorruptível por imagens do homem corruptível,
de aves, quadrúpedes e répteis.” (Romanos 1.19-23)

Paulo também fez um discurso apresentando a Cristo a partir da concepção


divina de filósofos: “Nele vivemos, nos movemos e existimos, como alguns dos vossos
já disseram” (Atos 17.28). Lembrando aqui da Filosofia dos antigos filósofos gregos ele
faz um caminho semelhante ao de Aquino e usa a razão aceita pelo mundo como uma
captação para a mensagem da cruz, mas os estudiosos param de ouvi-lo quando a
ressurreição de Cristo é colocada: “Quando ouviram falar de ressurreição de mortos, uns
escarneceram, e outros disseram: A respeito disso te ouviremos noutra ocasião.” (Atos
177.32). Tal atitude exemplifica a questão já colocada, que em pontos essenciais a
sabedoria de Deus é considerada loucura pelo mundo.
O apóstolo faz a seguinte descrição desta batalha de ideias: “Destruímos os
raciocínios presunçosos e todo poder altivo que se levanta contra o conhecimento de
Deus. Tornamos cativo todo pensamento para levá-lo a obedecer a Cristo” (2 Coríntios
10.4-5).

João afirma que o verdadeiro conhecimento de Deus está em crer no Filho e


guardar a Palavra:

“Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e


nele não está a verdade (...) E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo. Não vos
escrevi porque não soubésseis a verdade, mas porque a sabeis, e porque nenhuma
mentira vem da verdade. Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o
Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho. Qualquer que nega o
Filho, também não tem o Pai; mas aquele que confessa o Filho, tem também o Pai.”
(1 João 2).

Mais uma vez as Escrituras afirmam que não há conhecimento de Deus através
de qualquer outra caminho que não seja a Fé em Cristo. Uma vez que Deus é a Verdade,
não há outro caminho para a razão verdadeira sem ser pela fé verdadeira.
Sobre este capítulo Champlin afirma que há alguns aspectos sobre o
conhecimento de Deus: ele é intelectual, no sentido de que nos ajuda a ver com mais
nitidez e nos dá capacidade para entender verdades que antes eram obscuras; também é
intuitivo, porque é baseado na experiência do homem com Deus; é místico também,
pois envolve uma iluminação da alma para crer em verdades profundas acerca de Deus
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– como a autoridade da revelação e a encarnação e ressurreição de Jesus; e, por fim, o


conhecimento de Deus também é moral, conhecemos realmente a Deus quando não
apenas cremos em sua Revelação, mas obedecemos aos seus mandamentos.
Desta maneira, não é possível dizer que se pode conhecer a Deus através do
pensamento racional, já que o conhecimento da divindade envolve muitos outros
aspectos. Estes, para se concretizarem, dependem da revelação sobre a Verdade, do
poder do Espírito Santo e da fé concedida por Ele.
O autor de Hebreus define fé como “a certeza de coisas que se esperam, a
convicção de fatos que se não vêem (...). Pela fé, entendemos que foi o universo
formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não
aparecem.” (capítulo 11). Assim, o que nos propicia a entender os mistérios do universo
físico é a convicção daquilo que é intangível. A fé é a base não apenas do raciocínio
lógico, mas também das leis da natureza.
Com isto, a busca racional de conhecimento deve refletir a glória de Deus, e a
razão não deveria basear-se somente nos escritos pagãos, a base central á a revelação de
Deus, as Escrituras Sagradas, como a firma o apóstolo Paulo: “Em tudo o que fizerdes,
seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a
Deus Pai” (Colossenses 3.17).
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Considerações finais

Alguns pensadores acreditam em uma fé que pode ser sustentada pela razão, mas
que não esta limitada aquilo que a razão pode conhecer. Para eles a fé vai além da razão,
principalmente nos quesitos revelação e experiência pessoal.
Outros têm a ideia de que se a fé é racional, deve ser possível conhecê-la
totalmente por meio da razão. Defendendo uma fé baseada em um sentido inato de Deus
e no dever moral do ser humano. Isto reduz a fé apenas ao que poderia ser de alguma
maneira comprovado pelos homens. É colocar a razão acima da fé e de qualquer
revelação dada por Deus ou experiência com este.
Assim, o que a fé afirmasse só poderia ser acatado como verdade se confirmasse
o que a razão já estava dizendo. Aliás, uma comunicação direta com Deus poderia ser
descartada, já que poderíamos enxergar a verdade através dos nossos próprios méritos.
Seria possível chegar a Deus sem a ajuda dele, e na verdade indiferentes a quaisquer
caminhos que ele quisesse nos oferecer.
Esta posição levada as suas conseqüências máximas resultou no direito da razão
de julgar a fé naquilo que esta fora dos limites da própria razão. A ideia é: Se pelo
raciocínio humano nós não podemos provar nem refutar algo, então este algo deve ser
falso. As áreas misteriosas e profundas da fé começaram a ser negadas pelo simples fato
de que a nossa mente não consegue explicá-las sozinha.
Este pensamento tem sido tão disseminado que a maioria o aceita sem
discussões. É a pretensão humana de que o universo todo deve estar contido em sua
mente, e o que ali não é encontrado simplesmente não existe.
Mas, pensando na complexidade do pouco que conhecemos na física, na
sociologia e na antropologia, por exemplo, parece racional dizer que talvez haja
algumas partes deste imenso universo que a nossa limitada mente não consegue
compreender. Para a maioria esta ideia não serve, pois não atesta a superioridade da
razão; e nem dá o direito ao homem de julgar todas as coisas.
É uma batalha de idéias, com pressupostos de improvável comprovação
científica de todos os lados. A fé cristã, ao contrário do que os racionalistas afirmam,
não é credulidade nem ingenuidade. A fé verdadeira é um pensamento racional baseado
no pressuposto de que existe um Deus pessoal e onipotente que se revelou nas
Escrituras. Em profunda certeza a fé confia que Deus é digno de todo crédito.
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Vimos que nenhum argumento, por melhor e mais convincente que seja, pode
levar o homem aos pés da cruz. Mas não podemos desmerecer o pensamento lógico
sobre Deus como sendo desnecessário, pelo simples fato de ser insuficiente.
Devemos parar de discutir nossa fé baseados na razão, e começar a discutir
nossa razão baseados na fé. Não importa quão louco e inapropriado isto parece ao
mundo, que, por sua vez, é incapaz de enxergar as crenças que envolvem seus próprios
pressupostos. Cremos que o Evangelho é “o poder de Deus para a salvação” (Romanos
1.16), portanto devemos basear todo o nosso pensamento lógico nele.
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