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30/07/13

LOTEAMENTOS IRREGULARES E CLANDESTINOS | Jasafadvogado

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LOTEAMENTOS IRREGULARES E CLANDESTINOS

Este trabalho tem a finalidade de apresentar uma abordagem sobre a da Lei de Parcelamento do Solo Urbano, tendo como principal objetivo destacar as irregularidades cometidas pelas pessoas envolvidas no processo de loteamento de solo urbano ou rural, sem aprovação e registro de tais empreendimentos.

O loteamento tem implicações sobre o bem-estar da coletividade em geral e não pode ser

conceituado como simples exercício do proprietário do solo em dividir a sua propriedade em várias parcelas, com o inequívoco fito de lucro, como se não repercutisse sobre o plano urbanístico do território do Município ou do Distrito Federal.

QUAL A DEFINIÇÃO DE LOTE?

Lote é todo terreno, cujas dimensões atendam às exigências mínimas da lei municipal, estadual e federal, que disponha de infra-estrutura básica, isto é, que disponha de redes de esgoto, de abastecimento de água e de energia elétrica, bem como de equipamentos para escoamento de águas pluviais, iluminação pública, etc. Lote seria, então, o menor pedaço de terra “legal”, que conta com uma infra-estrutura mínima.

PREVISÃO LEGAL – LEI N.º 6.766/79

O parcelamento do solo urbano é o processo urbanístico que tem por finalidade proceder à divisão

da gleba, para fins de ocupação.

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É disciplinado pela Lei nº 6.766, de 19 de dezembro de 1979, que teve sua redação alterada pelas

Leis nº 9.785/99, 10.932/04 e recentemente pela Lei nº 11.445/07.

Pela Lei 6.766/79, o parcelamento do solo urbano poderá ser feito mediante loteamento ou desmembramento.

O

loteamento vem a ser,

“a

subdivisão de gleba em lotes destinados a edificação, com abertura de novas vias de circulação,

de

logradouros públicos ou prolongamento, modificação ou ampliação das vias excedentes”

Em conformidade com o §1º, do artigo 2º da citada lei, o desmembramento também é a subdivisão

de gleba em lotes destinados a edificação, porém, “com aproveitamento do sistema viário existente,

desde que não implique na abertura de novas vias e logradouros públicos, nem no prolongamento, modificação ou ampliação dos já existentes”.

Portanto, a distinção fundamental entre loteamentos e desmembramentos consiste na alteração ou não do sistema viário existente.

A Lei nº 6.766/79 dispõe sobre todos os requisitos necessários para a criação de loteamento, estribada

no plano diretor, que é a legislação municipal destinada a fixar os usos permitidos e os índices urbanísticos de ocupação do solo, estabelecendo a política de desenvolvimento, ordenamento territorial e expansão das cidades.

Podem-se resumir as providências necessárias para a regularização ou a implantação legal de um loteamento urbano, conforme as exigências da Lei Federal nº. 6.766/79.

O loteador deve submeter o projeto do parcelamento à prévia aprovação do Distrito Federal ou

Município, obter o licenciamento ambiental, se o caso, e, depois de aprovado, promover o registro do loteamento no Cartório do Registro de Imóveis, quando, e somente a partir desse momento, poderão ser alienados os lotes a terceiros, como segue dos seguintes preceitos:

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Reza o artigo 12 da Lei nº. 6.766/79 (Lei de Parcelamento do Solo):

“O projeto de loteamento e desmembramento deverá ser aprovado pela Prefeitura Municipal, ou pelo Distrito Federal…”.

Dispõe o artigo 18 do mesmo estatuto:

“Aprovado o projeto de loteamento ou de desmembramento, o loteador deverá submetê-lo a registro imobiliário dentro de 180 (cento e oitenta dias), sob pena de caducidade da aprovação…”.

Já o artigo 37 do mesmo diploma legal assevera:

“É

vedado vender ou prometer vender parcela de loteamento ou desmembramento não registrado “.

O

parcelamento e ocupação do solo tem como objetivo desenvolver as atividades urbanas, bem

como a concentração equilibrada de pessoas e, tal parcelamento e ocupação deve ser estimulado e orientado pelo poder municipal para o bom desenvolvimento urbano, rural e industrial do próprio município, mediante controle do uso e aproveitamento do solo.

Os requisitos em tela constam dos incisos do artigo 4º da lei de parcelamento do solo, e prevêem, dentre outros, critérios concernentes o tamanho do lote (área mínima de 125 m2 e frente mínima de 5 m) e à urbanização consciente (proporcionalidade à densidade de ocupação prevista).

A legislação prevê, também, os casos em que não será permitido o parcelamento do solo, abrangendo nos incisos do parágrafo único do artigo 6º itens tais quais terrenos alagadiços ou sujeitos a inundações, terrenos aterrados com material nocivo à saúde pública e áreas de preservação ecológica, de forma a patrocinar a função social da propriedade.

A previsão legal do parcelamento do solo urbano inclui, os capítulos destinados ao projeto

de loteamento, sua aprovação e registro imobiliário, os contratos dele advindos, bem como tipifica

condutas imputadas como crime aos que de alguma forma agirem irregularmente.

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Assim, os projetos de loteamentos, para serem aprovados, devem respeitar as diretrizes para uso do solo urbano, definidas pelo Município, sendo que o empreendedor e interessado apresentar requerimento à Prefeitura, fazendo constar planta do imóvel e todas as informações elencadas pelo legislador no artigo 6º da Lei nº 6.766/79

Alem disso, deverá ser apresentadas certidões atualizadas de matrícula da gleba (artigo 9º), certidão negativa de tributos municipais e o competente instrumento de garantia.

E quando se trata de projeto de desmembramento, o empreendedor e vendedor, deverá apresentar requerimento à Prefeitura Municipal, acompanhado de certidão atualizada da matrícula da gleba e da planta do imóvel (artigo 10).

Depois de aprovado pelo poder municipal, o empreendedor e loteador deverá atender o disposto no artigo 18 da Lei nº 6.766/79: submeter ao Registro Imobiliário no prazode 180 (cento e oitenta) dias, sob pena de caducidade da aprovação.

Verifica-se que para se finalizar e ter aprovado loteamento através do parcelamento urbano, são necessário cumprir e respeitar várias etapas, ou seja, a autorizações do Município e órgãos ambientais (quando necessitar desmatamento), apresentação de documentos que comprovem a idoneidade do proponente, bem como croquis, plantas, etc.

Portanto o loteamento clandestino ou irregular é todo aquele que não tem autorização, seja porque os órgãos públicos competentes não têm conhecimento de sua existência ou, quando levado a seu conhecimento não adquire a aprovação para sua implementação e comercialização.

As atividades dos loteadores e empreendedores, devem ser fiscalizadas pelo poder Municipal, através de órgão competente, e além do poder municipal também submetidas ao controle do Ministério Público.

A ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO NOS CASOS ENVOLVENDO O PARCELAMENTO DO SOLO URBANO.

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O Ministério Público, é o órgão que tem uma função muito importante e dentre estas funções está a fiscalização co cumprimento da lei.

Nos em que tratam o parcelamento do solo urbano, e loteamento, são embasados na Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985, com a importante alteração feita pela Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001, que incluiu no rol dos direitos tutelados pela ação civil pública a ordem urbanística, vejamos abaixo o que diz a lei:

Art. 1º Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação popular, as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados:

l – ao meio-ambiente;

ll – ao consumidor;

III – à ordem urbanística;

IV – a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico;

V – a qualquer outro interesse difuso ou coletivo.

VI – por infração da ordem econômica.

O Ministério Público é legitimado para a defender a ordem jurídica, o regime democrático

e bem como os interesses sociais e individuais indisponíveis é oriunda do caput do artigo 127 da Constituição Federal de 1988.

Sendo certo que o CDC ampliou o rol dos direitos tutelados pela ação civil pública, incluindo “qualquer outro interesse difuso ou coletivo”.

No que diz a respeito da intervenção do Ministério Público no procedimento do parcelamento do solo urbano, a Lei nº 6.766/79 prevê 03 (três) hipóteses:

a) Manifestação,

parcelamento (artigo 19, §2º);

no prazo

de cinco

dias, no

procedimento de

impugnação ao

registro de

b) Notificação do loteador nos casos de loteamento não registrado ou não regularmente executado (artigo 38, §2º); e

c) Audiência, quando regularizado o loteamento, o loteador promova ação para levantar as

prestações depositadas em juízo (artigo 38, §3º).

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Atentamos que poder de polícia conferido ao Ministério Público não se restringe somente ao disposto na Lei 6.766/79, pois sua atuação pode se dar forma repressiva e preventiva na esfera cível e esfera criminal.

Para atuar, o Ministério Público, tem que ser provocado, pois não há como iniciar uma fiscalização ampla a ponto de se constatar a existência de loteamentos clandestinos, sem a ajuda da comunidade e de compradores de boa-fé, que foram lesados.

Assim a provocação pode partir de qualquer individuo, inclusive que podem ser os servidores públicos dos órgãos de fiscalização e registro de parcelamentos do solo ou funcionários de órgãos de meio ambiente, e principalmente aqueles que compram os lotes e depois descobriram que caíram em um possível golpe.

Uma vez instaurado o inquérito civil, o Promotor de Justiça poderá pedir a qualquer órgão, documentos que porventura necessitar para à instrução do procedimento tais como certidões, informações, exames, perícias.

As informações são obtidas junto à Prefeitura e ao Estado acerca da aprovação do parcelamento; junto ao Cartório do Registro de Imóveis acerca do registro do parcelamento e da titularidade do domínio da gleba.

Ainda poderá o representante do Ministério Público, poderá intimar os adquirentes de lotes, que deverão exibir os documentos relativos à compra, e poderá requisitar até mesmo oitiva de outras testemunhas; e principalmente do loteador ou empreendedor.

Após ouvida as testemunhas, o colhimento de provas e as informações necessárias, o

e ação criminal pelas

Promotor de Justiça estará de posse de elementos para a propor ação civil irregularidades.

Tem a ação civil pública por objetivo impor uma condenação em dinheiro ou o cumprimento de uma obrigação de fazer ou não fazer.

E a ação penal a condenação dos proprietários, vendedores, empreendedores e loteadores, que infligiram a lei.

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Assim, cabe ao Ministério Público papel importante no combate aos loteamentos clandestinos e irregulares, principalmente por meio de ações preventivas, que visem educar a população e coibir a prática de atos danosos à sociedade, e bastando para isso que a sociedade venha a denunciar e exigir que seus direitos como cidadãos sejam respeitados.

DOS POSSIVEIS CRIMES COMETIDO POR QUEM LANÇA LOTEAMENTO IRREGULAR

Ao infligir as normas de que trata a LEI Nº 6.766, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1979, os loteadores e empreendedores, cometem alguns crimes.

Vejamos porque:

Com a finalidade livre e consciente os loteadores que vendem frações e assinaram vários contratos de compra e venda de fração ideal de imóvel rural de loteamento irregular, tem pleno conhecimento dos vícios que envolvem a implantação do loteamento, bem como da sua irregularidade.

Quando o empreendimento não logrou ser licenciado pelos órgãos públicos competentes, tendo sido implantado ao desafio da Lei Federal n. 6.766/79, praticaram crime contra a administração pública.

A vejamos o texto da Lei 6.766/79, que assim dispõe:

Art. 50. Constitui crime contra a administração pública:

I – dar início, de qualquer modo, ou efetuar loteamento ou desmembramento do solo para fins urbanos, sem autorização do órgão público competente, ou em desacordo com as disposições desta lei ou das normas pertinentes do Distrito Federal, Estados e Municípios;

II – dar início, de qualquer modo, ou efetuar loteamento ou desmembramento do solo para fins urbanos sem observância das determinações constantes do ato administrativo de licença;

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III – fazer, ou veicular em proposta, contrato, prospecto ou comunicação ao público ou a interessados, afirmação falsa sobre a legalidade do loteamento ou desmembramento do solo para fins urbanos, ou ocultar fraudulentamente fato a ele relativo.

Pena: reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa de 5 (cinco) a 50 (cinqüenta) vezes o maior salário mínimo vigente no país.

Parágrafo único. O crime definido neste artigo é qualificado, se cometido:

I – por meio de venda, promessa de venda, reserva de lote ou quaisquer outros instrumentos que manifestem a intenção de vender lote em loteamento ou desmembramento não registrado no registro de imóveis competente;

II – com inexistência de título legítimo de propriedade do imóvel loteado ou desmembrado,

ressalvado o disposto no artigo 18, §§ 4º e 5º, desta Lei, ou com omissão fraudulenta de fato a ele

relativo, se o fato não constituir crime mais grave. (NR) (Redação dada ao inciso pela Lei nº 9.785,

de 29.01.1999, DOU 01.02.1999)

Art. 51. Quem, de qualquer modo, concorrer para a prática dos crimes previstos no artigo anterior desta lei incide nas penas a estes cominadas, considerados em especial os atos praticados na qualidade de mandatário de loteador, diretor ou gerente de sociedade.

Art. 52. Registrar loteamento ou desmembramento não aprovado pelos órgãos competentes, registrar o compromisso de compra e venda, a cessão ou promessa de cessão de direitos, ou efetuar registro de contrato de venda de loteamento ou desmembramento não registrado.

Pena: detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa de 5 (cinco) a 50 (cinqüenta) vezes o maior salário mínimo vigente no país, sem prejuízo das sanções administrativas cabíveis.

Ante a infração ao art. 50, inciso I e parágrafo único, inciso I, c.c. art. 37, todos da Lei n.º. 6766/79, e os demais como incursos no art. 50, inciso I e parágrafo único, inc. I, c.c. arts. 37 e 51, do mesmo diploma legal, os indivíduos que são responsáveis por loteamentos irregulares, deverão ser processado nos termos da lei.

Cabe aclarar que o mencionado a diploma extravagante, em seu artigo 51, cuidou de estender a responsabilidade pelo cometimento da infração a todos aqueles que, de qualquer modo, venham a concorrer ou somar esforços para a consecução do desiderato penalmente reprovável, tais como proprietários, vendedores, procuradores, corretores de imóveis, praticando atos tendentes à viabilização material do ilícito, inclusive no que toca à venda das frações desmembradas no loteamento irregular.

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Valendo ressaltar que no crime contra a Administração Pública basta apenas uma vítima, não há necessidade de que se demonstre o prejuízo e a questão da prova será bem mais fácil.

Assim, o interesse público fica tutelado, especialmente no que se refere ao desenvolvimento e o interesse representado pelos adquirentes de lotes.

Não só o crime de contra a administração pública, mas também o crime de Estelionato, uma vez que está obtendo para si vantagem ilícita em prejuízo alheio, vejamos o texto do artigo 171 do Código Penal:

Art. 171. Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento:

Pena – reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.

No que toca ao crime de estelionato, presentes, os elementos constitutivos do tipo, porquanto os loteadores, obtém para si vantagem ilícita em prejuízo alheio, mantendo alguém em erro mediante fraude.

Sendo certo que quando as irregularidades são cometida em concurso de pessoas, esta também consumado o crime de quadrilha, pois este crime se consuma pela simples associação e não pelo resultado da participação conjunta das pessoas associadas.

Vejamos o que dispõe o Código penal:

Quadrilha ou bando

Art. 288. Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para fim de cometer crimes:

Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.

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ALGUMAS PERGUNTAS E RESPOSTAS PARA QUE COMPROU OU DESEJA COMPRAR UM LOTE OU TERRENO.

Extraído do site :www.igf.com.br

Como devo proceder se gostar do lote e quiser comprá-lo?

Se não há impedimentos na Prefeitura e no Cartório, o melhor método para comprar um lote é fazer

uma proposta de compra ao corretor ou à administradora. É importante lembrar que proposta não é contrato, constituindo-se apenas num documento que firma a intenção de compra. Qualquer sinal pago ao corretor vale como parte da entrada (a prazo) ou do valor total (na compra à vista).

Como faço para obter a escritura?

Assim que estiver de posse dos recibos de pagamento devidamente quitados, do contrato e de todos

os seus documentos pessoais, é o momento de providenciar a escritura do imóvel. O documento deve

ser lavrado no tabelionato de notas. Em seguida, registrado no Cartório de Registro de Imóveis da região. A escritura é um documento fundamental, pois dá ao proprietário todas as garantias de propriedade do imóvel, evitando problemas futuros e até despesas extras.

Que deve constar, obrigatoriamente, na proposta de compra de um lote?

Na proposta é obrigatório constar: a) Qualificação e manifestação de vontade das partes;

b) Indicação do lote, conferindo sua localização com a planta aprovada pela prefeitura;

c) Valor total do lote e do sinal dado. Modo e forma de pagamento e forma de reajuste e o índice que

será utilizado (informe-se sobre os índices permitidos por lei);

d) Promessa de firmar contrato e prazo para aceitação da proposta (o ideal é não ultrapassar 30

dias).

Atenção: assine e date as vias da proposta ficando com uma delas. Saiba que no pagamento do sinal

as partes podem estabelecer o direito de arrependimento, não dando continuidade ao negócio. Se a

desistência parte do comprador ele perde o sinal dado. Se parte do vendedor ele deve devolver o sinal em dobro.

O que o comprador pode fazer ao descobrir que seu lote (e todo o loteamento) é irregular?(arts. 38 e

40)

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Resposta: Quando o comprador de um lote verifica a irregularidade do loteamento deve suspender imediatamente o pagamento das prestações ao “loteador”, passando a depositá-las no Registro de Imóveis, e notificar o “loteador” para que regularize o loteamento. Caso o “loteador” regulariza o loteamento, ele poderá levantar as prestações pagas, podendo o comprador voltar a pagar as prestações diretamente a ele.

PRESTE ATENÇÃO – Caso o “loteador” não regularize o loteamento, a Prefeitura poderá promover a regularização, para evitar lesão aos adquirentes dos lotes e aos padrões de desenvolvimento urbano. A regularização pela Prefeitura lhe dará direito ao levantamento das parcelas depositadas pelos compradores no Registro de Imóveis.

Caso a Prefeitura não o faça, o comprador deverá buscar ajuda e consultar um advogado, e fazer denuncia junto ao MINISTERIO PUBLICO.

O que pode acontecer com o comprador inadimplente?

(arts. 32, 35 e 39)

Resposta: A lei determina que o comprador que é notificado, mas não paga prestação vencida, num prazo de 30 dias da notificação (inadimplente), terá seu contrato rescindido, e o conseqüente cancelamento do registro. Podendo o “loteador”, inclusive, entrar com ação de reitegração de posse, exigindo que o comprador desocupe o imóvel.

Em caso de rescisão e cancelamento do registro por inadimplência do comprador, tendo este efetuado o pagamento de mais de um terço do valor ajustado, deverá ser restituído, pelo vendedor (“loteador”), da quantia paga. O entendimento da Justiça é o de que é inadmissível a perda das parcelas pagas e do direito à indenização por benfeitorias (melhorias que o comprador tenha feito no imóvel).

Por fim, é vedada a rescisão do contrato por inadimplência do comprador quando o loteamento não for regular, sendo obrigado o “loteador” a devolver as parcelas já pagas.

Quais as conseqüências de a compra de um lote ser considerada uma relação de consumo?

O “loteador”, considerado um fornecedor de produto (o lote), está sujeito às regras do Código de

Defesa do Consumidor. Dentre essas regras, está a vedação de cláusula “leonina” (aquela que coloca

o consumidor em desvantagem exagerada). Um exemplo de cláusula leonina em contrato de

compra e venda de lote é aquela que determina que as prestações pagas não serão devolvidas em caso de inadimplência do comprador/consumidor. Esta cláusula, por força do Código, é considerada nula (inexistente), tendo o loteador o dever de devolver todas as parcelas pagas.

Nesse sentido, há um julgado do Tribunal de Alçada do Paraná (ementa):

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“Compromisso de compra e venda – bem imóvel e pagamento em parcelas mensais – rescisão possível ante o inadimplemento do devedor, com conseqüente reintegração na posse – não obstante, ante a incidência do Código de Defesa do Consumidor (art. 53, “caput”) e da lei de parcelamento do solo urbano (art. 34), deve o adquirente obter a devolução das parcelas já pagas, com atualização monetária e ser ressarcido pelas benfeitorias necessárias e úteis – entendimento doutrinário. recurso conhecido e provido” (Apelação Cível – 0067003700 – São José dos Pinhais – juiz Moraes Leite – segunda Câmara Cível – j.: 16/10/96).

Quais medidas deve-se tomar antes de comprar um lote?

Antes de comprar um lote, é preciso fica atento a alguns detalhes, como:

a) não se deve comprar, nunca, um lote sem visitá-lo antes; isso evita que se compre um brejo, parte

de um lote, um morro, uma área preservada, aterrada ou de proteção a mananciais;

b) é importante localizar o terreno mostrado na planta aprovada pela prefeitura, e verificar se tem

saneamento básico e serviços como ruas abertas, luz, água, transporte coletivo, estabelecimentos comerciais próximos;

c) antes de comprar, vá a prefeitura; verifique se o loteamento está aprovado e se o cronograma de

obras está sendo cumprido. Se a área for de utilidade pública, poderá ser desapropriada. Se o terreno estiver localizado em zona urbana, o loteamento depende da aprovação de vários órgãos públicos. Caso vá comprar chácaras ou sítios, informe-se primeiramente na Delegacia Regional do Incra, para ter certeza que a área está em zona rural.

d) verificar no Cartório de Registro de Imóveis se o loteamento está registrado; lembre-se de pedir uma certidão de propriedade, com negativa de ônus e alienações. Isto prova que o imóvel está desembaraçado e quem é o verdadeiro proprietário.

Quais os procedimentos a tomar após estar com a escritura em mãos?

Quando o proprietário já possui a escritura, deve solicitar por escrito na Prefeitura a alteração do imposto territorial para seu nome, fornecendo o endereço para entrega das guias

Quais procedimentos deve-se tomar ao assinar o contrato de compra de um lote?

Assim que tiver posse da sua via do contrato, registre-a no Cartório de Registro de Imóveis da região. É obrigatório constar no contrato: nome, carteira de identidade, CPF (CGC para pessoa jurídica), nacionalidade, estado civil e residência do comprador e do vendedor; nome e localização do imóvel, número e data do registro, descrição, confrontações, área e demais características do imóvel; preço, prazo, valor do sinal, forma e local do pagamento; taxas de juros que serão aplicadas sobre o saldo

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devedor e sobre as prestações vencidas e não pagas; declaração das restrições urbanísticas da legislação local; caso seja encontrada diferença de metragem na área do imóvel (para mais ou para menos), deve constar como será feito o acerto.

Qual o procedimento que deve ser adotado para que o loteamento seja regular?

Antes mesmo da elaboração do projeto de loteamento, o “loteador” deverá solicitar à Prefeitura Municipal informações sobre a área que pretende lotear, para que a Prefeitura possa estabelecer diretrizes de uso do solo, determinar as áreas que deverão ser reservadas para implantação de equipamentos públicos (como postes de luz, redes de água e esgoto), dentre outras coisas.

Após a expedição dessas diretrizes, e da elaboração do projeto, o “loteador” deverá submetê-lo à aprovação da Prefeitura (salvo quando a aprovação for de competência do Estado, como o caso de uma gleba de terras situada entre dois municípios), determinando um prazo para que as obras sejam executadas.

Depois de aprovado o projeto, este deverá ser registrado no Registro de Imóveis, acompanhado dos documentos enumerados na lei (art. 18), tais como, o título de propriedade do imóvel, certidões negativas de tributos incidentes sobre o imóvel (atestam que o proprietário pagou todos os impostos referentes ao imóve, como o IPTU), etc.

Verificados todos os documentos e consultada mais uma vez a Prefeitura, será feito o registro do loteamento, com uma indicação para cada lote. Cabe ao “loteador” elaborar contratos de compra e venda de lotes, com observância dos requisitos da lei (art. 26), os quais serão submetidos a registro. Por fim, o comprador do lote terá direito ao registro do lote adquirido em seu nome, mas somente após a quitação das obrigações assumidas no contrato de compra e venda. Vale lembrar que a lei proíbe a venda de “parcelas de loteamento” (lotes) não registrados.

(arts. 6º a 26).

O que configura o crime contra a Administração Pública?

(art. 50) Resposta: Os crimes contra a Administração Pública se caracterizam pela não observância das determinações da Lei nº 6.766/79. Dentre as condutas criminosas, destacam-se: efetuar loteamento sem a respectiva autorização o Poder Público; ou a execução da obra em desacordo com os termos da autorização concedida; ou ainda vender lote em loteamento não registrado (irregurlar)

A Justiça Criminal tem entendido que comete crime contra a administração pública, punido pela lei

que disciplina o parcelamento do solo urbano, o agente que participa da implantação de loteamento para fins urbanos, sem autorização dos órgãos públicos competentes e registro no imobiliário ou que intermedia promessas de venda de lotes irregulares, em tratativas dos negócios com os pretendentes. (nesse sentido: Tribunal de Justiça de São Paulo – Apelação Criminal n. 207.507-3 – São Paulo – 4ª Câmara Criminal – Relator: Bittencourt Rodrigues – 13.05.97 – V. U.). Outro julgado entendeu que “a venda de “lotes disfarçados”, como se fossem gleba bruta, constitui crime penalmente punível, pois frauda as disposições da lei nº 6766/79, que regula o parcelamento do solo urbano e veda o loteamento clandestino” (Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo – Apelação nº 1.013.923 – 7ª Câmara – Relator: Luiz Ambra – j.: 25/07/96).

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BIBLIOGRAFIA

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BERÉ, Cláudia Maria. O papel do Ministério Público no parcelamento do solo urbano.

Biblioteca Virtual do Ministério Público do Estado de São Paulo. São Paulo, 27 jul. 2006.

Disponívelem:. Acesso em: 03 jul. 2007.

LEAL, Rogério Gesta. O parcelamento clandestino do solo e a responsabilidade municipal no Brasil:

estudo de um modelo. R. Direito, Santa Cruz do Sul, n. 2, p. 7-22, dez. 1994.

PINTO, Victor Carvalho. Ocupação irregular do solo urbano: o papel da legislação federal. Jus Navigandi, Teresina, ano 10, n. 1149, 24 ago. 2006. Disponível em: . Acesso em: 03 jul.

QUEIJO, Maria Elizabeth. Crimes relativos ao parcelamento e desmembramento do solo.

Revista Brasileira de Ciências Criminais, São Paulo, RT v. 39, jul. 2002, p. 189-213.

RIZZARDO, Arnaldo. Promessa de Compra e Venda e Parcelamento do Solo Urbano. São Paulo:

RT, 1998.

2 Respostas para “LOTEAMENTOS IRREGULARES E CLANDESTINOS”

Vando Disse:

30/07/13

LOTEAMENTOS IRREGULARES E CLANDESTINOS | Jasafadvogado

abril 16, 2013 às 1:27 pm Para que o loteador comece a VENDER os LOTES é necessário ter toda a infra-estrura pronta, como AGUA, ESGOTO, LUZ, GUIA de CALÇADA, ASFALTO…. Ou não ha necessidade de todos esses ítens? Grato

jasafadvogado Disse:

abril 17, 2013 às 1:07 pm Sim, é necessário todos os itens acima mencionados.