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MINISTÉRIO DAS CIDADES, ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO E AMBIENTE

DIRECÇÃO-GERAL DO ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO E DESENVOLVIMENTO URBANO

PROGRAMA NACIONAL DA POLÍTICA DE ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO

3º RELATÓRIO

TRANSFORMAÇÕES NA OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO:

RETROSPECTIVA E TENDÊNCIAS

RELATÓRIO TRANSFORMAÇÕES NA OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO: RETROSPECTIVA E TENDÊNCIAS VOL. V - POVOAMENTO FEVEREIRO 2004

VOL. V - POVOAMENTO

FEVEREIRO 2004

VOL. V

Povoamento

ÍNDICE

 

Pág.

4. Povoamento

 

6

4.1.

Enquadramento de Portugal na UE e na Península Ibérica

 

7

4.1.1.

Quadro documental e legislativo – Principais referências

 

7

 

i)

Referências documentais e orie ntações de política relacionadas com a estruturação e ordenamento do território europeu

8

ii)

Referências documentais e orientações de política para os espaços urbanos e rurais na UE, com implicações no ordenamento do território

13

iii)

“Policentrismo”

e

“relações

urbano-rurais”,

dois

conceitos

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fundamentais no quadro de orientações de política

 

4.1.2.

Portugal no contexto do sistema urbano e territorial da UE e da Península Ibérica

18

4.2

Retrospectiva espacial e tendências de ocupação do território

 

28

4.2.1. Referências documentais e orientações de política em Portugal

28

4.2.2. Várias Leituras do Sistema Urbano Nacional

 

37

4.2.3. Evolução e caracterização do sistema de povoamento

 

51

4.2.4. Processo de urbanização e reconfiguração dos sistemas urbanos e regionais

54

 

i) Uma tendência crescente de urbanização do território

 

54

ii) Acessibilidades e reconfiguração dos sistemas urbanos e regionais

65

4.2.5.

Urbanização e dinâmica habitacional

 

74

 

4.2.5.1 Enquadramento de Portugal na UE e na Península Ibérica

74

4.2.5.2 Retrospectiva espacial e tendências de evolução em Portugal

82

4.2.6.

Dos espaços em despovoamento às cidades em meio rural

 

91

4.3.

Identificação e breve discussão das questões que emergem para o ordenamento do território

99

Bibliografia

 

109

ANEXOS

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  2
 

2

VOL. V

Povoamento

Índice de quadros

 

Pág.

Quadro 1: Referências documentais e orientações de política Quadro 2: Evolução da Taxa de Urbanização na UE-15, 1960 -2000, (%) Quadro 3: PIB P/capita (ppc) para algumas NUT II. Evolução 1986-2000 Quadro 4 : População de algumas aglomerações europeias com mais de 1 Milhão de hab., 2003 Quadro 5: População residente por classe de dimensão dos lugares, 1981 e 2001 (%) Quadro 6: Evolução da População Urbana e Rural, 2000 Quadro 7: Número de Centros Urbanos e Percentagem de População Residente em Centros Urbanos (Lugares com mais de 10000 habitantes) - Evolução 1960-2001 Quadro 8: População dos três maiores centros urbanos, desde o séc. XVI (% população total) Quadro 9: Evolução da População Residentes nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e

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Porto,1960-2001

Quadro 10: Cidades PROSIURB, 1981-1991 Quadro 11: Cidades PROSIURB, 2001 Quadro 12: Evolução da Taxa de Actividade 1981-2001 Quadro 13: Algumas iniciativas no âmbito da Política de Habitação durante os anos noventa Quadro 14: Alojamentos Familiares Clássicos Quadro 15: Taxas de variação de Alojamentos Familiares Clássicos e de Famílias (%) Quadro 16: Relação entre o número de Alojamentos Familiares Clássicos e o número de Famílias Quadro 17: Dimensão média da família Quadro 18: População Residente por Alojamento Clássico Quadro 19: Alojamentos de uso sazonal (%) Quadro 20: Alojamentos vagos (%)

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Alojamentos de uso sazonal (%) Quadro 20: Alojamentos vagos (%) 62 62 73 82 83 84

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VOL. V

Povoamento

 

Índice de figuras

 

Pág.

Figura 1: Triângulo de objectivos do EDEC, para um desenvolvimento do território equilibrado e sustentável Figura 2: Centro -Periferia da Europa Figura 3: Estrutura do Povoamento Policêntrico e Hierarquia Urbana na Europa Figura 4: Configurações Espaciais Rurais -Urbanas na Europa Figura 5: População das Cidades da UE em 2000 Figura 6: Tipologia de espaços urbanos na UE, 2000 Figura 7: Tipologia das Áreas Urbanas Funcionais, 2000 -2001 Figura 8: Policentrismo nos Países Europeus: peso da capital no total da população de cada país Figura 9: Sistema Urbano Ibérico, 1999 Figura 10: Grau de especialização das cidades europeias, 2000 Figura 11: Modelo Policêntrico das Periferias Marítimas Europeias, 2002 Figura 12: Cidades Elegíveis no Sub-Programa 1 do Programa PROSIURB Figura 13: Cidades POLIS, 2003 Figura 14: Acções Específicas de Valorização de Pequenas Cidades Figura 15: Programa de Iniciativa Comunitária LEADER II, Entidades Locais Credenciadas Figura 16: Tipologias de áreas rurais Figura 17: Configuração do Sistema Urbano Português, 1993 Figura 18: Síntese do Sistema Urbano Continental, 1996 Figura 19: Síntese do Sistema Urbano Nacional - DGOTDU, 1997 Figura 20: Uma visão recente do Sistema Urbano Nacional, 2002 Figura 21: Sistema Urbano da Região Norte Figura 22: Sistema Urbano da Região Centro Figura 23: Sistema da CCRLVT Figura 24: Esquema de Polarização Metropolitana – AML, 2002 Figura 25: Estrutura polinucleada da Área Metropolitana de Lisboa Figura 26: Sistema urbano do Alentejo Figura 27: Sistema Urbano da Região do Algarve Figura 28: População Residente em Lugares* com mais de 2000 habitantes, Portugal Continental, 2001 Figura 29: Tipologias de Áreas Urbanas, 1991 Figura 30: Designação das Cidades Oficiais de Portugal Continental em 2002 Figura 31: Data de Criação das Cidades em Portugal Continental Figura 32: População Residente nas Cidades de Portugal Continental em 2001 Figura 33: Variação da População por Concelho e nas Cidades de Portugal Continental entre 1991 e 2001 Figura 34: Rede de Cidades e Estrutura Urbana por Freguesia em Portugal Continental em

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2001

Figura 35: Percentagem de deslocações casa-trabalho realizadas em automóvel particular,

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1991-2001

Figura 36: Índice de Interdependência e de Geração Concelhio em 1991 Figura 37: Índice de Interdependência e de Geração Concelhio em 2001 Figura 38: Alojamentos por 1000 habitantes, 2001 Figura 39: Alojamentos construídos por 1000 habitantes em 1980, 1990, 2000 Figura 40: Estrutura do parque habitacional segundo o ano de construção, 2001 Figura 41: Área média dos alojamentos novos construídos em 1998/2001 (m 2 )

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Figura 42: Número médio de divisões dos alojamentos novos construídos em 1998/2001 Figura 43: Percentagem de alojamentos arrendados ou cooperativos, 1999 Figura 44: Variação inter censitária do número de alojamentos clássicos (%)

78

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Figura

45: Variação do Número de Alojamentos, 1991 - 2001

85

Figura 46: Percentagem de Alojamentos com Uso Sazonal, 2001 Figura 47: Densidade de Alojamentos por Concelhos em 1991

87

89

Figura 48: Densidade de Alojamentos por Concelhos em 2001 Figura 49: Densidade Populacional por Concelho, 1950-2001

90

92

Densidade de Alojamentos por Concelhos em 2001 Figura 49: Densidade Populacional por Concelho, 1950-2001 90 92

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Povoamento

Figura 50: Relação entre a percentagem de “Áreas com ocupação agrícola” e as “Áreas

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artificiais”, Continente, 1991 Figura 51: Relação ente a percentagem de “áreas artificiais” (em 1991) e a variação do nº de

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alojamentos entre 1991-01, Continente Figura 52: Competitividade da Agricultura e Dinâmica Sócio -Económica

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Figura 53: Mosaico Populacional, 1991

98

52: Competitividade da Agricultura e Dinâmica Sócio -Económica 96 Figura 53: Mosaico Populacional, 1991 98 5

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VOL. V

Povoamento

4. POVOAMENTO

A análise do povoamento nas suas várias dimensões constitui um domínio fundamental para a definição de um sistema urbano para o desenvolvimento territorial integrado, harmonioso e sustentável do país, conforme estabelece o artigo 18º do Decreto-Lei nº 380/99 de 22 de Setembro.

Acresce que a racionalização do povoamento, segundo o mesmo decreto, é um dos 7 objectivos estabelecidos para o Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território o que exige uma leitura da distribuição da população nas entidades territoriais de diferentes dimensões, das cidades às pequenas aglomerações rurais e a identificação das principais tendências de ocupação do território.

A análise compreenderá três grandes dimensões, que se complementam:

evolução e caracterização do sistema de povoamento, a partir de dados gerais, o que compreende uma análise da distribuição da população segundo a dimensão dos lugares;

evolução do processo de urbanização e de reconfiguração dos sistemas urbanos, o que compreende: uma análise evolutiva da população residente nas áreas urbanas, assim como uma caracterização do sistema urbano nacional e dos vários sistemas urbanos regionais.

Esta segunda dimensão de estudo incluirá ainda duas leituras paralelas, complementares à abordagem do sistema urbano:

i) uma leitura sobre a mobilidade da população como elemento determinante na configuração das bacias de emprego e na formação dos sistemas urbanos;

ii) uma abordagem de síntese do sector da habitação, sabendo que a dinâmica verificada nas últimas décadas, é tradutora, não só do processo de urbanização do território mas também, das mudanças no modelo social e de consumo da população portuguesa;

de urbanização do território mas também, das mudanças no modelo social e de consumo da população

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VOL. V

Povoamento

evolução do povoamento nos espaços rurais, o que compreende a análise de dois aspectos relevantes para o ordenamento do território: o primeiro corresponde ao processo de despovoamento dos lugares de menor dimensão a par do processo de crescimento das cidades de pequena e média dimensão inseridas em espaços rurais; o segundo, naturalmente decorrente do anterior, corresponde à análise das relações urbano-rurais em Portugal.

4.1.

Enquadramento de Portugal na UE e na Península Ibérica

4.1.1.

Quadro documental e legislativo – Principais referências

No quadro da União Europeia têm vindo a ser desenvolvidos um conjunto de documentos e programas que perseguem objectivos de organização e estruturação do território europeu no sentido de alcançar um processo de desenvolvimento sustentável, que permita afirmar Europa como um espaço económico competitivo e social e territorialmente coeso. Os documentos que seguidamente se apresentam, e as recomendações/orientações que sugerem, destacam-se pelo contributo que fornecem para a definição de um sistema de povoamento mais racional e, desta forma, para definição de uma política de ordenamento do território dos diversos Estados- Membros.

Neste contexto, consideram-se dois grandes grupos de referências documentais e orientações de política. O primeiro conjunto a considerar na presente análise, corresponde às orientações relacionadas com a estruturação e ordenamento do território, destacando-se o Esquema de Desenvolvimento do Espaço Europeu (EDEC) e o European Spatial Planning Observation Network 2006 (ESPON 2006), entre outras iniciativas.

O segundo conjunto de referências assume um carácter mais restrito, dirigindo-se especificamente aos espaços urbanos e rurais. Contudo, é importante sublinhar que só se apresentam referências a documentos e instrumentos, que incidindo sobre os

Contudo, é importante sublinhar que só se apresentam referências a documentos e instrumentos, que incidindo sobre

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VOL. V

Povoamento

espaços urbanos e sobre os espaços rurais, assumem relevância para a evolução do povoamento e para o ordenamento do território europeu. São assim, excluídas todas as orientações em matéria de política urbana assim como as orientações sectoriais, que de forma indirecta podem ter influência nesses mesmos espaços.

Quadro 1: Referências documentais e orientações de política

Dimensões de análise:

 

Referências documentais e orientações de política relacionadas com a estruturação e ordenamento do território

Referências documentais e orientações de política relacionadas com os espaços urbanos e rurais

 

Nível

Nacional

 

Nível

Nacional

Comunitário

 

Comunitário

Evolução

do

sistema

de

   

EDEC

Lei

de

bases

povoamento

ESPON 2006

Ordenamento

do Território

PNPOT – DL.

EDEC

ENDS

380/99

 

Processo de

 

Cidades e Sistema Urbano

 

PROSIURB

urbanização e

ESPON 2006

Lei de bases do Ordenamento do Território

URBAN II

de

 

Mobilidade

da

POLIS

 

reconfiguração

população

EEDS

 

dos sistemas

 

Habitação

 

PMOT`s

 

urbanos

 

INTERREG III

PNPOT

DL.

 

380/99

Povoamento nos espaços rurais:

PAC

AGRIS-

 

AGROS

-Despovoamento urbanização do espaço rural -Relações urbano-rurais

versus

LEADER +

RURIS AIBTs nos PO Regionais

i) Referências documentais e orientações de política relacionadas com a estruturação e ordenamento do território europeu

Na última década, em especial a partir da assinatura do Tratado de Maastricht, em 1992 verificou-se um rápido aprofundamento da união económica e monetária, como evolução lógica do mercado comum, uma ampliação e reforma das políticas comuns, um alargamento geográfico da União. A par desta evolução deu-se no quadro mundial um aprofundamento do processo de globalização e de aumento da competitividade que tem caracterizado o sistema económico mundial, tornando mais evidentes as diferenças territoriais, falando vários autores numa re- hierarquização dos sistemas

tornando mais evidentes as diferenças territoriais, falando vários autores numa re- hierarquização dos sistemas 8

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VOL. V

Povoamento

económicos e territoriais, em particular dos sistemas urbanos, reflectindo em muitos casos aumentos das disparidades.

A evolução da reflexão sobre a forma de organização e estruturação do espaço

europeu, embora iniciada no final dos ano s 60 com o “Plano Europeu de Ordenamento do Território" da responsabilidade do Parlamento Europeu, é tributária destas alterações contextuais, evoluindo e aprofundando-se na década de 90 a partir do estudo “Europa 2000 – Perspectivas de Desenvolvimento do Território Comunitário - uma Abordagem Preliminar” apresentado, em 1991, até ao EDEC (Esquema de Desenvolvimento do Espaço Europeu), aprovado, em Potsdam, em Maio de 1999, no Conselho informal dos ministros responsáveis pelo ordenamento do território.

Foi a partir este pano de fundo que as questões relacionadas com a estruturação do território na perspectiva do ordenamento e da coesão territorial foram ganhando uma importância crescente nas orientações estratégicas e nos planos e programas de acção à escala europeia. Paralelamente ao acréscimo de importância do ordenamento do território, as cidades e, num sentido mais abrangente as áreas urbanas, foram igualmente encontrar resposta em matéria de política urbana e regional.

Do conjunto de orientações, políticas e instrumentos de ordenamento e desenvolvimento territorial à escala europeia, podemos destacar alguns que incidiram sobre o território nacional e que num futuro próximo continuarão a servir de enquadramento à configuração de uma estratégia nacional.

Neste contexto, o Esquema de Desenvolvimento do Espaço Comunitário (EDEC) 1 deve ser aqui assinalado, enumerando-se os três grandes objectivos que o norteiam: i) coesão económica e social; ii) a preservação do património natural e cultural; iii) uma competitividade mais equilibrada do território europeu.

As linhas de orientação para as políticas de desenvolvimento definidas no EDEC são:

o desenvolvimento de um "sistema urbano equilibrado e policêntrico e o reforço de uma nova relação cidade-campo", objectivo fundamental no processo de ordenamento do território europeu. Por um lado, trata-se de

1 European Spatial Development Perspective (ESDP)

de ordenamento do território europeu. Por um lado, trata-se de 1 European Spatial Development Perspective (ESDP)

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VOL. V

Povoamento

identificar e promover o desenvolvimento de novas áreas urbanas, equilibrando a distribuição de recursos e população. Por outro lado, trata-se de definir um novo quadro de relações territoriais, que contrarie a tendência de marginalização a que ficaram sujeitos alguns territórios, criando novas áreas centrais. Através do estabelecimento de um novo quadro de relações entre as aglomerações urbanas e as áreas rurais procuram-se atingir territórios mais coesos, capazes de conseguir a convergência regional, pela diminuição das desigualdades intra-regiões, atenuando-se a clivagem entre áreas urbanas e rurais;

atenuando-se a clivagem entre áreas urbanas e rurais; Fonte: CE , , 1999 Figura 1: Triângulo

Fonte: CE, , 1999

Figura 1: Triângulo de objectivos do EDEC para um desenvolvimento do território equilibrado e sustentável

promoção de sistemas de transportes e comunicações que favoreçam um desenvolvimento policêntrico, como condição fundamental para a integração das cidades e das regiões na UEM. A “igualdade de acesso a infra-estruturas e ao conhecimento”, deve ser atingida gradualmente através de respostas regionalmente adaptadas;

e o “desenvolvimento e conservação do património natural e cultural através de uma gestão prudente”, contribuindo para afirmação de identidades regionais e a manutenção da diversidade natural e cultural das regiões e cidades na era da globalização (pp. 20, EC, 1999).

e a manutenção da diversidade natural e cultural das regiões e cidades na era da globalização

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VOL. V

Povoamento

Outra etapa importante a assinalar, foi a aprovação dos “princípios orientadores para o desenvolvimento territorial susntentável do continente europeu”(“Guiding Principles for Sustainable Spatial Development of the European Continent”), em 2000, na Conferência de Ministros Responsáveis pelo Ordenamento do território realizada em Hanover, foram, que a seguir se enumeram (CEMAT, 2000):

1. Promover a coesão territorial através de um desenvolvimento social e económico mais equilibrado das regiões e de uma maior competitividade;

2. Incentivar o desenvolvimento gerado pelas funções urbanas e melhorar a relação cidade-campo;

3. Promover uma acessibilidade mais equilibrada;

4. Desenvolvimento do acesso à informação e ao conhecimento;

5. Reduzir os danos ambientais;

6. Valorizar e proteger os recursos naturais e o património natural;

7. Valorizar o património cultural como factor de desenvolvimento;

8. Explorar os recursos energéticos com segurança;

9. Incentivar um turismo sustentável e de grande qualidade;

10. Minimizar o impacto das catástrofes naturais.

Foram assim propostas medidas de ordenamento do território para as seguintes “áreas/regiões da Europa”, consideradas especialmente sensíveis: paisagens humanizadas, áreas urbanas, zonas rurais, regiões de montanha, regiões costeiras e insulares, eurocorredores, leitos de cheia e zonas inundáveis, zonas industriais e militares desactivadas e regiões fronteiriças.

Reflectindo a evolução económica e social da Europa, o segundo relatório da Coesão Económica e Social, de Janeiro de 2001, apresenta pela primeira vez a dimensão territorial da coesão (para além da dimensão económica e social), realçando-se o papel do ordenamento para a diminuição das disparidades regionais. Segundo o referido relatório, a coesão entre Estados Membros foi maior que a coesão entre regiões, verificando-se, entre 1988 e 1998, que as disparidades entre os países reduziram em 35% contra apenas 20% das regiões.

Na sequência do documento, adoptado em 1999 em Potsdam, pelos Ministros

responsáveis

pelo

Ordenamento

do

Território

da

UE,

surge

a

necessidade

de

 

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responsáveis pelo Ordenamento do Território da UE, surge a necessidade de   11

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Povoamento

aprofundar alguns temas e estudos analisados no EDEC, destacando-se em particular as implicações do processo de alargamento.

Na continuidade do EDEC, e tendo por pano de fundo o cenário de alargamento da UE, surge o ESPON 2006 Programme - Research on the Spatial Development of an Enlarging European Union, integrado no INTERREG III, que cobre um alargado campo de temas que procuram responder:

à identificação dos factores decisivos para o desenvolvimento de um modelo policêntrico;

ao desenvolvimento de indicadores e tipologias que permitam caracterizar o território europeu; à monitorização dos efeitos das várias políticas com vista à obtenção de um território mais equilibrado e policêntrico;

e a desenvolver instrumentos de diagnóstico com vista ao contornar das fraquezas e ao aproveitar das potencialidades que permitam recuperar áreas urbanas em crise, áreas rurais, relação entre áreas urbanas e rurais, importância das redes de transporte, entre outros temas.

Paralelamente aos documentos e ao quadro de orientações anteriormente citados, existem outros programas e iniciativas que de forma indirecta estão ligados ao ordenamento do espaço europeu:

É neste domínio que surge o INTERREG III 2 (2000-2006), iniciativa comunitária que aumenta o seu campo de intervenção relativamente ao INTERREG II. Portugal alarga assim, a sua participação, não só pela inclusão de novos territórios (R. A. Açores e R.

2 À semelhança do INTERREG II, a actual iniciativa procura fomentar a cooperação transfronteiriça, transnacional e interregional, objectivo que visa em última instância, a promoção da coesão económica e social da Comunidade Europeia. Para além da cooperação transfronteiriça, procura -se, através da cooperação transnacional e da cooperação inter-regional, reforçar as parcerias com os países candidatos e outros países vizinhos, contribuindo para uma maior integração das várias regiões. O INTERREG III tem três vertentes:

VERTENTE A - COOPERAÇÃO TRANSFRONTEIRIÇA;

 

VERTENTE B - COOPERAÇÃO TRANSNACIONAL - baseada no INTERREG IIC, nas

redes

transeuropeias

(RTE)

e

no

Esquema

Europeu

do

Espaço

Comunitário

(EDEC),

destacando-se aqui os projectos com vista à elaboração de estratégias operacionais de desenvolvimento territorial à escala transnacional, o que poderá incluir a cooperação entre cidades e entre zonas urbanas e rurais, de forma a alcançar um desenvolvimento policêntrico e sustentável.

VERTENTE C - COOPERAÇÃO INTER-REGIONAL – inclui a cooperação relativa às PME, ao desenvolvimento de estruturas regionais e locais, e à protecção e recuperação do ambiente tendo em vista o desenvolvimento sustentável.

regionais e locais, e à protecção e recuperação do ambiente tendo em vista o desenvolvimento sustentável.

12

VOL. V

Povoamento

A. Madeira) como pelo alargamento do número de países com quem pode estabelecer cooperação, contribuindo para a formação de redes com diferentes níveis de organização espacial. Refira-se como nota, que é no âmbito do INTERREG III que surge o ESPON 2006 Programme - Research on the Spatial Development of an Enlarging European Union, realçando-se a importância do programa para a definição

de um quadro de orientações dirigido para a correcção das assimetrias regionais e para

o ordenamento do território alargado da União.

Uma referência pontual para a Estratégia de Desenvolvimento Sustentável da UE 3

apresentada em 2001, que, entre outros aspectos, sublinha a necessidade de promover

a sustentabilidade das áreas urbanas e rurais.

ii) Referências documentais e orientações de política para os espaços urbanos e rurais na UE, com implicações no ordenamento do território

Em matéria de iniciativas ou de políticas com incidência nas cidades, é possível inventariar um conjunto de iniciativas, de entre as quais se destacam as de carácter mais recente e com maior pertinência para a definição de uma política de ordenamento para o território nacional (Anexo 2). De entre as várias iniciativas, uma referência particular à Iniciativa Comunitária URBAN (URBAN I 1994-1999 e URBAN II 2000-2006) destinada a áreas urbanas em crise, cujo balanço de actuação deverá servir de enquadramento ao desenho de novas políticas de acção em meio urbano. Em Portugal, as zonas URBAN II alvo de intervenção são: Porto/Gondomar, Vale de Alcântara (Lisboa) e Damaia/Buraca (Amadora).

Relativamente aos espaços rurais, o primeiro aspecto a salientar, é a mudança de orientação nos objectivos das políticas. A Política Agrícola Comum (PAC), reflecte essas mudanças, pois evoluiu de uma estratégia eminentemente de apoio à produção, para uma política de desenvolvimento rural, onde a produção é vista num sentido mais

3 A ENDS tem quatro grandes domínios estratégicos:

garantir o desenvolvimento equilibrado do

território; melhorar a qualidade do ambiente; produção e consumo sustentáveis; e em direcção a uma sociedade solidária e do conhecimento.

do ambiente; produção e consumo sustentáveis; e em direcção a uma sociedade solidária e do conhecimento.

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VOL. V

Povoamento

alargado (como o apoio à comercialização e promoção de produtos) e surge em paralelo a outras questões relevantes como a diversificação das actividades económicas, o crescimento da função residencial, a protecção ao património natural, paisagístico e cultural, passando pelo desenvolvimento de novas relações entre os espaços rurais, entre outras iniciativas.

Paralelamente à PAC, cabe referir a Iniciativa Comunitária LEADER, actualmente LEADER+ 4 , orientada para o desenvolvimento local em espaços rurais, cujos objectivos específicos para Portugal são: mobilizar, reforçar e aperfeiçoar a iniciativa, a organização e as competências locais; incentivar e melhorar a cooperação entre os territórios rurais; promover a valorização e a qualificação dos espaços rurais, transformando estes em espaços de oportunidades; garantir novas abordagens de desenvolvimento, integradas e sustentáveis; dinamizar e assegurar a divulgação de saberes e conhecimentos e a transferência de experiências ao nível europeu.

iii) “Policentrismo” e “relações urbano-rurais”, fundamentais no quadro de orientações de política

dois

conceitos

No âmbito da reflexão e definição de estratégias de estruturação e ordenamento do território europeu emergem dois conceitos com peso crescente nos discursos e nas orientações de política de ordenamento do território que importa destacar: o “policentrismo” e as “relações urbano-rurais”.

O conceito de policentrismo, referenciado por Kunzmann e Wegener (1991) como o “grape model”, assume forma com o EDEC, e ganha uma nova força num contexto de alargamento onde se perspectiva uma aumento das disparidades entre os vários territórios. As referências à “banana azul” (DATAR, 1989) foram substituídas pelo “pentágono”, novo centro da Europa alargada a leste, sendo que o conceito de

4 Todos os territórios rurais da UE serão elegíveis para o LEADER +.,Porém deverão ser delimitados territórios de pequena dimensão formando um conjunto homogéneo do ponto de vista geográfico, económico e social. A população destes territórios não deverá exceder 100 000 habitantes em zonas de maior densidade populacional (da ordem dos 120 habitantes/KM 2) nem ser inferior a 10 000 habitantes. Em Portugal podem beneficiar todas as regiões rurais com excepção dos centros urbanos com mais de 15 000 habitantes.

Em Portugal podem beneficiar todas as regiões rurais com excepção dos centros urbanos com mais de

14

VOL. V

Povoamento

policentrismo surge como resposta aos desequilíbrios territoriais, devendo ser entendido a várias escalas:

à escala europeia, no ensino de definir territórios competitivos à escala global;

à escala macro-regional, no sentido de estabelecer um sistema de regiões metropolitanas, policêntrico e equilibrado, assim como clusters de cidades e redes de cidades, em articulação com a política das transeuropeias; é neste contexto que Lisboa e Porto, jogam um papel relevante no quadro da Península Ibérica que deverá ser alvo de reflexão na definição dos cenários prospectivos a desenvolver nas fases seguintes;

à escala intra-regional, de forma a promover estratégias de desenvolvimento

espacial assentes em redes de cidades, incluindo estratégias de cooperação transnacional e transfronteiriça; é neste contexto que se insere a análise do sistema urbano nacional e a aposta na rede de pequenas e médias cidades como pontos-chave para a configuração de sistemas urbanos alternativos às Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto. e, por último, à escala intra-urbana numa melhor definição e organização dos espaços urbanos, em particular dos sistema metropolitanos.

No que diz respeito às relações urbano-rurais, as referências surgem associadas ao facto de se terem alterado as funções e características tradicionais das áreas urbanas e rurais, dando lugares a novas formas de organização do território.

Embora a temática surja frequentemente nos discursos e na orientações ligadas ao ordenamento do território, verifica-se uma inexistência de políticas especificamente orientadas, mantendo-se a dicotomia entre políticas urbanas e rurais e havendo na maioria dos casos uma divergência de objectivos.

No que diz respeito às relações urbano-rurais, as referências surgem associadas ao facto de se terem alterado as funções e características tradicionais das áreas urbanas e rurais, dando lugares a novas formas de organização do território.

Embora a temática surja frequentemente nos discursos e na orientações ligadas ao ordenamento do território, verifica-se uma inexistência de políticas especificamente orientadas, mantendo-se a dicotomia entre políticas urbanas e rurais e havendo na maioria dos casos uma divergência de objectivos.

a dicotomia entre políticas urbanas e rurais e havendo na maioria dos casos uma divergência de

15

VOL. V

Povoamento

VOL. V Povoamento Fonte: CE (1991) Figura 2: Centro-Periferia da Europa Fonte : Baudelle, Guy; Guigou,

Fonte: CE (1991)

Figura 2: Centro-Periferia da Europa

Fonte: CE (1991) Figura 2: Centro-Periferia da Europa Fonte : Baudelle, Guy; Guigou, Jean-Louis (2003) Figura

Fonte : Baudelle, Guy; Guigou, Jean-Louis (2003)

Figura 3: Estrutura do Povoamento Policêntrico e Hierarquia Urbana na Europa

Baudelle, Guy; Guigou, Jean-Louis (2003) Figura 3: Estrutura do Povoamento Policêntrico e Hierarquia Urbana na Europa

16

VOL. V

Povoamento

No EDEC, relativamente às “parcerias rural- urbano” são apontadas 4 linhas de orientação específicas que importa levar em linha de conta nos cenários prospectivos e nas orientações a delinear para o país:

aceleração do processo de reestruturação agrícola e à diversificação da economia em áreas rurais; mobilização dos recursos endógenos, preservando as potencialidades naturais, culturais e patrimoniais; desenvolvimento das economias das pequenas e médias cidades;

promoção do desenvolvimento sustentável em áreas metropolitanas e em regiões fortemente urbanizadas.

Adaptado de MORICONI - Ebrard, Geopolise Eurostat, 1994
Adaptado de MORICONI - Ebrard, Geopolise Eurostat, 1994
Adaptado de MORICONI - Ebrard, Geopolise Eurostat, 1994 Regiões Dominadas por Grandes Metropolis Regiões

Regiões Dominadas por Grandes Metropolis Regiões Policêntricas com Elevada Densidade Urbana e Rural

Areas Rurais Sob Influências Urbanas Regiões Policêntricas com Elevada Densidade Urbana

Areas Rurais com Médias e Pequenas Cidades Areas Rurais Remotas

Rurais com Médias e Pequenas Cidades Areas Rurais Remotas Fonte: Nordregio Report 4 (2000) Figura 4:

Fonte: Nordregio Report 4 (2000)

Figura 4: Configurações Espaciais Rurais-Urbanas na Europa

Areas Rurais Remotas Fonte: Nordregio Report 4 (2000) Figura 4: Configurações Espaciais Rurais-Urbanas na Europa 17

17

VOL. V

Povoamento

É importante clarificar a diferença entre “relações urbano-rurais” e “p arcerias urbano- rurais”. O primeiro conceito tem um carácter mais alargado, que inclui relações de concorrência e de complementaridade, o segundo, aponta no sentido da definição de políticas que respondam às actuais tendências de urbanização dos espaços

Cabe assim salientar a atenção a dar às pequenas e médias cidades, atribuindo-se-lhe o papel de condutoras de processos locais e regionais de desenvolvimento dos territórios envolventes às áreas rurais (incluindo-se aqui desde as áreas rurais mais marginais e profundas, às áreas rurais com boa acessibilidade e urbanizadas). Se este raciocínio é válido em particular para os territórios não metropolitanos, nos territórios metropolitanos, as relações urbano-rurais não deixam de ser também importantes, nomeadamente através da valorização de espaços para recreação, desenvolvimento de uma agricultura competitiva de abastecimento às áreas urbanas e de valorização da paisagem, quer em sistemas liderados por uma metrópole (caso de Lisboa ou Madrid), quer em sistemas urbanos de carácter policêntrico (caso holandês e italiano).

De referir que no EDEC, as referências ao policentrismo e às relações urbano-rurais, constituem orientações a ser levadas em conta pela políticas dos vários países da UE, não vinculando qualquer política à escala europeia.

4.1.2. Portugal no contexto do sistema urbano e territorial da UE e da Península Ibérica

Feita a análise dos principais documentos, legislação e quadro de orientações de âmbito europeu que foram e serão determinantes para a evolução do território nacional, procura-se agora apresentar um conjunto de dados que permitam “localizar” Portugal no contexto do sistema urbano e territorial da UE e da Península Ibérica.

Apesar da relativa estabilização dos quantitativos populacionais da UE, mantém-se a tendência de urbanização, embora em ritmos diferenciados, mais intensa nos países com menores níveis de urbanização, tais como Portugal, Áustria e a Suíça. Portugal está entre os países que, entre 2000 e 2005, registarão maiores taxas de decréscimo da

e a Suíça. Portugal está entre os países que, entre 2000 e 2005, registarão maiores taxas

18

VOL. V

Povoamento

população rural (-3,61%) e, consequentemente, de acréscimo da população urbana (1,93%) (UN, 2002).

Quadro 2: Evolução da Taxa de Urbanização na UE-15, 1960-2000, (%)

Países

1960

1970

1975

1980

1985

1990

1995

2000

Áustria

50

52

53

55

55

55

56

67

Bélgica

66

88

95

95

96

97

97

97

Dinamarca

74

80

83

84

85

85

85

85

Espanha

43

55

61

64

69

75

77

78

Finlândia

38

51

59

60

60

62

63

59

França

63

70

73

73

74

74

73

76

Grécia

43

53

55

58

59

59

-

60

Holanda

76

77

83

88

89

89

89

90

Irlanda

46

52

54

56

56

57

58

59

Itália

48

64

66

67

68

67

67

67

Luxemburgo

62

68

68

78

84

86

89

92

Portugal *

23

26

28

30

32

34

36

66

R. Unido

80

78

78

88

83

89

90

90

RDA

72

74

75

76

77

85

87

88

RFA

77

80

83

85

86

Suécia

73

81

83

83

84

83

83

83

Fonte: ONU * Refira-se que até 1995, apenas são considerados pela ONU, centros com mais de 100 000 habitantes; o Funchal, a AML e a AMP. O total da população urbana corresponde ao total de habitantes em centros urbanos com mais de 10 000 habitantes, o que remete para uma taxa de urbanização de 35,6%., em 1995

que remete para uma taxa de urbanização de 35,6%., em 1995 Nota: Informação relativa a 180

Nota: Informação relativa a 180 aglomerações

Fonte: ROZENBLAT, C. Et al (2003)

Figura 5: População das Cidades da UE em 2000

relativa a 180 aglomerações Fonte: ROZENBLAT, C. Et al (2003) Figura 5: População das Cidades da

19

VOL. V

Povoamento

Fonte: NORDREGIO REPORT 4 (2000)
Fonte: NORDREGIO REPORT 4 (2000)

Figura 6: Tipologia de espaços urbanos na UE, 2000

Apesar da tendência de urbanização que caracterizou o país nos últimos 30 anos e que assentou no desenvolvimento da rede de pequenas e médias cidades, as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto permanecem como os dois principais centros de residência da população portuguesa.

de Lisboa e do Porto permanecem como os dois principais centros de residência da população portuguesa.

20

VOL. V

Povoamento

Num estudo recente apresentado no âmbito do ESPON Programme 2006 (ESPON Programme 2006, 2003a), verificamos que Portugal, apresenta duas “metrópoles” (Metropolitan European Growth Areas, MEGAs), situação que se atendermos à extensão territorial e á dimensão populacional é equiparável à da Espanha, que possui cinco, mas distinta da Irlanda ou da Grécia, onde apenas se conta uma aglomeração de grande dimensão.

onde apenas se conta uma aglomeração de grande dimensão. Fonte: ESPON (2003a) Figura 7: Tipologia das

Fonte: ESPON (2003a)

Figura 7: Tipologia das Áreas Urbanas Funcionais, 2000-2001

aglomeração de grande dimensão. Fonte: ESPON (2003a) Figura 7: Tipologia das Áreas Urbanas Funcionais, 2000-2001 21

21

VOL. V

Povoamento

É no segundo nível de cidades, as chamadas “áreas urbanas funcionais de carácter nacional/transnacional”, que se evidenciam maiores debilidades, nomeadamente se compararmos a rede de cidades com o mesmo potencial existente nos países do norte e centro da Europa. Se o primeiro nível permite a integração de Portugal num sistema policêntrico à escala europeia, a debilidade do segundo nível, constitui um obstáculo ao estabelecimento de redes de nível inferior.

O gráfico seguinte procura mostrar o grau de policentrismo nos vários países europeus. A posição de Portugal é muito semelhante à da Grécia, onde tal como Atenas, correspondem a grandes aglomerações que congregam mais de 1/3 da população total. Composições semelhantes em termos de peso na população total, estão Talin, Riga, Valletta e a pequena cidade do Luxemburgo. Numa posição oposta, evidenciando estruturas urbanas mais policêntricas, estão a Alemanha, a Itália, a Espanha, a Bélgica e a Holanda.

a Alemanha, a Itália, a Espanha, a Bélgica e a Holanda. Fonte: ESPON (2003a) Figura 8:

Fonte: ESPON (2003a)

Figura 8: Policentrismo nos Países Europeus: peso da capital no total da população de cada país

Tendo como pano de fundo os resultados do Segundo Relatório sobre a Coesão Económica e Social (2001), assistimos a uma perda de importância relativa de Portugal, incluindo das duas metrópoles, situação que é mais notória no quadro ibérico.

importância relativa de Portugal, incluindo das duas metrópoles, situação que é mais notória no quadro ibérico.

22

VOL. V

Povoamento

Se considerarmos a evolução dos valores de PIB/capita (ppc) para algumas NUT II, verificamos que apesar do aumento registado no PIB/capita, existe um reposicionamento relativo em relação a Espanha e, em particular a Madrid, muito desfavorável. No caso de Lisboa, apesar da melhoria de posições no ranking das regiões europeias (em 1990, encontrava-se em 119º lugar, ascendendo a 115º lugar em 2000), aumentou fortemente o distanciamento em relação a Barcelona e a Madrid, que descolaram, convergindo mais fortemente para os valores europeus. No caso da região Norte, as posições têm vindo progressivamente a piorar.

Quadro 3: PIB P/capita (ppc) para algumas NUT II. Evolução 1986-2000

 

Cidades integradas nas NUT II

PIB P/capita (ppc) UE15=100

Ranking

 

Regiões – NUTS II

1986

1995

2000

1986

1995

2000

Reg. Bruxelles-Cap.

Bruxelas

163,3

217,6

222,2

3

1

1

Hamburgo

Hamburgo

184,8

185,4

181,5

1

2

3

Île de France

Paris

162,4

160,3

158,3

4

4

4

Viena

Viena

148,5

155,7

157

6

5

5

Estocolmo

Estocolmo

132,6

129,6

147

11

18

8

Greater London

Londres

147,5

138,5

147

7

10

9

Comunidad de Madrid

Madrid

85,9

102,9

110

126

69

43

Catalunha

Barcelona

82,3

95,5

99,5

143

97

73

Berlin

Berlin

128,1

111,2

95,6

16

42

94

Lisboa e Vale do Tejo

Lisboa

79,2

90,7

90,9

149

119

115

Comunidad Valenciana

Valência

70,9

74,2

79,2

158

168

151

Norte

Porto

51,1

59

56

184

204

212

Nota: Para os anos 1995 e 2000 não foram consideradas as NUT II de Inner-London e Outer-London mas a NUT I London (Greater London em 1986)

Fonte: CE, Relatórios sobre a Coesão Económica e Social

Em termos populacionais, a posição relativa de Lisboa e do Porto é a mesma da anterior, como se pode verificar pela posição obtida no ranking das aglomerações com mais de 1 Milhão de Habitantes. De entre as 418 aglomerações mundiais com mais de 1 Milhão de habitantes, Lisboa, encontrava-se em 120º lugar, atrás de Madrid (55º), Barcelona (79º), enquanto o Porto surge em 311º lugar do referido rankin g, à frente de Sevilha, Helsínquia e Dublin.

(79º), enquanto o Porto surge em 311º lugar do referido rankin g, à frente de Sevilha,

23

VOL. V

Povoamento

Quadro 4: População de algumas aglomerações europeias com mais de 1 Milhão de hab., 2003

Aglomeração

População em 2003

Lugar no Ranking

Tóquio

33750000

Cidade do México

21850000

Nova Iorque

21750000

Londres

11900000

20º

Paris

9850000

24º

Ruhr

5800000

45º

Madrid

5200000

55º

Berlim

4150000

73º

Barcelona

3800000

79º

Milão

3800000

80º

Atenas

3500000

93º

Roma

3300000

99º

Lisboa

2900000

120º

Bruxelas

2500000

147º

Budapest

2400000

154º

Amestardão

2150000

168º

Frankfurt

1925000

190º

Viena

1875000

196º

Estocolmo

1700000

222º

Copenhaga

1400000

287º

Porto

1325000

311º

Sevilha

1225000

337º

Helsínquia

10785000

384º

Dublin

1025000

401º

Edmonton, Fresno, Gaziantep, Hannover, João Pessoa, Johor Baharu, Lomé, Namp'o, Ranchi, Shizuoka, Solãpur

1000000

408º a 418º (último lugar do ranking)

Nota: Não contam da lista todas as aglomerações europeias com mais de 1 Milhão de habitantes, mas apenas foram consideradas algumas aglomerações para demonstrar a posição relativa das metrópoles de Lisboa e do Porto.

Fonte: home page: www.citypopulation.de (consulta em 25 de Janeiro de 2004)

Esta leitura à escala mundial, reproduz-se à escala europeia e ibérica, como se pode constatar pelas figuras seguintes.

leitura à escala mundial, reproduz-se à escala europeia e ibérica, como se pode constatar pelas figuras

24

VOL. V

Povoamento

VOL. V Povoamento Fonte: GASPAR, J. (1999) Figura 9: Sistema Urbano Ibérico, 1999 Um estudo recente

Fonte: GASPAR, J. (1999)

Figura 9: Sistema Urbano Ibérico, 1999

Um estudo recente publicado pela Délégation à l'aménagement du territoire et à l'action régionale (da autoria de ROZENBLAT, C. Et al, 2003), vem introduzir outra leitura da hierarquia urbana à escala europeia. O referido estudo mostra a posição demográfico- funcional das Áreas Metropolitanas no contexto europeu, apresentando- as como “pouco especializadas e com um fraco número de sedes de empresas internacionais” 5 , classificando Lisboa em 13º lugar (na mesma classe das aglomerações de Barcelona, Berlim, Roma, Bruxelas, Viena, Munique e Estocolmo) e o Porto em 54º lugar (na mesma classe de aglomerações como Leeds, Nantes e Salónica), numa lista de 180 aglomerações europeias.

5 Posição que decorre da leitura conjunta de 15 indicadores: evolução da população 1950-1990, população, tráfego portuário de mercadorias, tráfego aéreo de passageiros, acessibilidade, grandes grupos europeus, serviços financeiros, feiras e salões internacionais, congressos internacionais, museus, dormidas para fins turísticos, sítios culturais, estudantes, edição de revistas científicas, organismos de investigação.

para fins turísticos, sítios culturais, estudantes, edição de revistas científicas, organismos de investigação. 25

25

VOL. V

Povoamento

VOL. V Povoamento Nota: Informação relativa a 180 aglomerações Fonte: ROZENBLAT, C. Et al (2003) Figura

Nota: Informação relativa a 180 aglomerações Fonte: ROZENBLAT, C. Et al(2003)

Figura 10: Grau de especialização das cidades europeias, 2000

Os resultados do estudo desenvolvido pela Célula de Prospectiva das Regiões Marítimas (2002), reforçam a leitura anterior, mostrando a posição relativa de Lisboa e do Porto numa Europa policêntrica, liderada por Madrid no quadro da Península Ibérica. Lisboa, aparece classificada como um centro emergente 6 de nível 2 (em termos comparativos, Barcelona é um centro emergente de nível 1), enquanto o Porto, se enquadra numa categoria denominada “sistemas dilema” de nível 2, situação que

6 O estudo aponta 5 categorias de territórios:

1. “Portas Periféricas” – Sistemas mais competitivos, com um papel relevante nos processos de decisão. Caso de Madrid;

2. “Estrelas emergentes” – sistemas mais competitivos, que poderão jogar um importante papel na construção do policentrismo europeu, uma vez que reúnem condições para se articularem com outros nós do sistema europeu e mundial. São o caso das capitais;

3. “Sistemas dilema” – categoria que integra os sistemas cujo o futuro é incerto, sendo que a sua evolução dependerá da capacidade de se tornarem mais competitivos, através do aumento da produtividade e da qualificação dos recursos humanos;

4. “Sistemas promissores” – sistemas urbanos relativamente competitivos, onde persistem algumas fraquezas em matéria de produtividade e de qualidade dos recursos humanos. São âncoras do desenvolvimento dos territórios periféricos a ter em conta na articulação com outros sistemas;

5. “Sistemas mais periféricos” – correspondem aos sistemas mais fracos.

na articulação com outros sistemas; 5. “Sistemas mais periféricos” – correspondem aos sistemas mais fracos. 26

26

VOL. V

Povoamento

contrasta com o País Basco ou Saragoça, que aparecem classificados como “sistemas promissores”.

que aparecem classificados como “sistemas promissores”. Fonte: MARITIME PERIPHERIES FORWARD STUDIES UNIT (2002.

Fonte: MARITIME PERIPHERIES FORWARD STUDIES UNIT (2002.

Figura 11: Modelo Policêntrico das Periferias Marítimas Europeias, 2002

PERIPHERIES FORWARD STUDIES UNIT (2002. Figura 11: Modelo Policêntrico das Periferias Marítimas Europeias, 2002 27

27

VOL. V

Povoamento

4.2 Retrospectiva espacial e tendências de ocupação do território

4.2.1. Referências documentais e orientações de política em Portugal

As primeiras referências consistentes ao desenvolvimento regional remontam ao III Plano de Fomento (PRESIDÊNCIA DO CONSELHO, 1968) preparado para o período de 1968 a 1973. À semelhança de outros países da Europa Ocidental verificava-se, nesse momento, um aumento das desigualdades regionais, em Portugal, espelhadas em diferentes dinâmicas de crescimento existentes no litoral, em particular Lisboa e Porto, e no interior do país. A “harmonização do crescimento à escala regional” foi o objectivo central definido sendo para tal necessário promover 7 :

“o equilíbrio da rede urbana, com a finalidade de dotar as populações de equipamentos socio-económicos mínimos, concentrados a distâncias razoáveis”;

“a expansão descentralizada da indústria e dos serviços, concretizada pela

utilização de pólos de crescimento”; e a “progressiva especialização da agricultura regional, de acordo com as aptidões dos solos e as influências climáticas, numa óptica de concentração do investimento” 8 , demonstrando-se a necessidade de reforçar a funcionalidade de outras cidades não metropolitanas, para o que se propunha o desenvolvimento ou a criação de centros urbanos com equipamentos socio-económicos compatíveis com a hierarquia da rede urbana (das cidades capitais aos centros de menor dimensão em territórios rurais).

A adesão de Portugal à Comunidade Europeia marcou o início de um novo período nas políticas de planeamento e desenvolvimento regional. Os programas e iniciativas enquadrados nos I, II e actual III Quadro Comunitário de Apoio de 1989-93, 1994-99, e 2000-2006 respectivamente, ao mesmo tempo que reforçaram a componente sectorial dos investimentos, reorientaram a política regional e urbana.

7 Para que se estes objectivos fossem atingidos, pressupunha a criação de novas condições e novas formas de regulamentação, as chamadas “regiões-plano ou regiões -programa”. Previa-se a criação de quatro no Continente (Norte, Centro, Lisboa e Sul), mais a Madeira e os Açores.

8 III Plano de Fomento, Capítulo I, Parte III, “Evolução recente e situação actual dos desequilíbrios regionais na metrópole”, 1968

Capítulo I, Parte III, “Evolução recente e situação actual dos desequilíbrios regionais na metrópole”, 1968 28

28

VOL. V

Povoamento

Contudo, é nos anos noventa que se assiste a uma clara valorização das políticas de ordenamento e desenvolvimento local e regional no território nacional.

Neste contexto, a aprovação da Lei de Bases da Política de Ordenamento do Território e de Urbanismo (Lei Nº 48/98, de 11 de Agosto), foi um passo importante para o processo de ordenamento do território português e para a consolidação de um sistema urbano mais equilibrado e competitivo.

A referida lei enumera como objectivo principal “assegurar uma adequada

organização do território nacional, na perspectiva da sua valorização, designadamente

no espaço europeu, tendo como finalidade o desenvolvimento económico, social e

cultural integrado, harmonioso e sustentável do País, das diferentes regiões e

aglomerados urbanos “ (Artigo 1º).

No âmbito do desenvolvimento local e regional verificou-se, ao longo dos três Quadros Comunitários de Apoio uma gradual focalização das intervenções e dos programas em domínios e em espaços específicos, dando sequência aos problemas identificados e aos objectivos definidos pelos diversos Planos de Desenvolvimento Regional. As intervenções nas áreas urbanas reflectem esta situação, com a passagem de intervenções centradas em estratégias sectoriais para uma maior territorialidade das operações.

No que respeita às políticas urbanas esta aproximação torna-se evidente no âmbito do

QCA II, através da definição da Intervenção Operacional Renovação Urbana, e do

desenvolvimento, em paralelo com o Quadro, do Programa de Consolidação do

Sistema Urbano Nacional e de Apoio à Execução dos PDM (genericamente designado

por PROSIURB, Despachos MPAT 6/94 e 7/94), aprovado em 1994, que constituiu

um passo importante em matéria de política urbana associada ao processo de desenvolvimento regional.

Os objectivos do PROSIURB, programa que vigorou até 1999, foram o de promover o

crescimento e consolidação de centros urbanos que desempenhavam um papel estratégico no sistema urbano.

Dividido em dois sub-programas, no primeiro foram eleitas quarenta cidades médias baseadas nos seguintes critérios: "uma população superior a 10 000 habitantes; um

quarenta cidades médias baseadas nos seguintes critérios: "uma população superior a 10 000 habitantes; um 29

29

VOL. V

Povoamento

nível de equipamentos, no mínimo, supraconcelhio; centros que desempenham um papel estratégico na organização do território nacional, ou seja, sejam susceptíveis de actuar como catalizadores de áreas envolventes, de estruturar espaços sub-regionais e desempenham (ou possam vir a desempenhar) um papel significativo no âmbito das redes internacionais". Por outro lado, foi dada uma atenção particular "aos centros urbanos que se articulem em redes ou sistemas, potenciando assim iniciativas e sinergias de forma concertada e articulada" (LOBO, 1997, pp. 79).

de forma concertada e articulada" (LOBO, 1997, pp. 79). Fonte: MPAT (1994) in LOBO, 1997 Figura

Fonte: MPAT (1994) in LOBO, 1997

Figura 12: Cidades Elegíveis no Sub-Programa 1 do Programa PROSIURB

1997, pp. 79). Fonte: MPAT (1994) in LOBO, 1997 Figura 12: Cidades Elegíveis no Sub-Programa 1

30

VOL. V

Povoamento

De natureza distinta do anterior, mas igualmente especificamente orientado para a

rede de cidades, o Programa das Cidades Digitais, criado pelo Ministério da Ciência

e Tecnologia em 1997, teve como objectivos principais: a melhoria da qualidade de

vida urbana, o combate à interioridade, o reforço da competitividade económica e do emprego e o apoio à integração social dos cidadãos com necessidades especiais. As acções desenvolvidas foram diversas 9 e serviram de ensaio para um futuro programa,

já consignado no III Quadro Comunitário de Apoio, no Programa Operacional

Sociedade da Informação (POSI).

O Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (2000-2006) - Visão

Prospectiva (MEPAT) identifica também os problemas e estrangulamentos associados

à desigual distribuição da população, às características da rede urbana portuguesa e ao fraco desenvolvimento das áreas rurais. Os baixos níveis de prestação de serviços às populações e actividades são apontados como obstáculos para os processos de desenvolvimento regional do país pois não só, são um entrave à difusão de informação e à possibilidade de participação nas redes europeias, como impossibilitam os restantes territórios, nomeadamente as pequenas e médias cidades

de se afirmarem como pólos alternativos às duas áreas metropolitanas. Por outro lado,

reconhece-se que a pequena dimensão das cidades médias tem sido um obstáculo à sua afirmação como pólos regionais; "as cidades médias são demasiado pequenas para seguramente reterem o seu lugar e papel no sistema urbano", limitação que seria ultrapassada se as cidades se organizassem em rede ou desenvolvessem parcerias de forma a "aumentar fortemente a atractividade do conjunto" (MEPAT, 1999, pp. 54).

Assim, no futuro, perspectivam-se objectivos de desenvolvimento do sistema urbano nacional que permitam o seu reposicionamento no contexto europeu:

O reforço e a reorganização das AM’s em áreas policêntricas;

A qualificação e estruturação dos contínuos urbanos do litoral que contrariem os efeitos de polarização das AM’s ;

9 Domínios das Acções: Autarquia on-line; Reforço do programa internet na escola; Rede digital comunitária; Acessibilidade à Sociedade de Informação; Bibliotecas digitais; Inserção de cidadãos com necessidades especiais; Promover os cuidados de saúde; Comércio Electrónico; Os Médias na cidade digital; Gestão de transportes.

Promover os cuidados de saúde; Comércio Electrónico; Os Médias na cidade digital; Gestão de transportes. 31

31

VOL. V

Povoamento

A dinamização dos centros urbanos em áreas em perda e a criação e a consolidação de eixos de cidades no interior do país, organizados em função das vias de comunicação;

Avanço das redes de concertação e de cooperação transfronteiriça, redes que podem constituir um factor de dinamismo da actividade do interior do país

Obter um sistema urbano mais coeso onde os centros de dimensão média se articulem com as AM’s.

Neste contexto, o III Plano de Desenvolvimento Regional - 2000-2006 (MEPAT, 1999), para além do Programa Operacional do Ambiente (cujo um dos objectivos é a "Melhoria do Ambiente Urbano"), tem nas Intervenções Operacionais Regionais orientações estratégicas que visam a "Qualificação e Competitividade das Cidades Médias" 10 , intervindo nos domínios económico, territorial e social, no sentido de evitar a segregação e a exclusão.

Partindo da concertação estratégica e financeira dos Programas Operacionais Regionais e do Programa Operacional Ambiente, desenhou-se uma intervenção centrada nas pequenas e médias cidades portuguesas, para o período 2000-2006, nomeada por Programa de Requalificação Urbana e Valorização Ambiental das Cidades, abreviadamente Programa POLIS (Despacho Nº 47/A/MAOT/99). Este, tem como objectivo principal "melhorar a qualidade de vidas nas cidades, através de intervenções na vertente urbanística e ambiental, melhorando a atractividade e competitividade de pólos urbanos que têm um papel relevante na estruturação do sistema urbano nacional"(MA, 1999, pp. 1).

Todavia este programa POLIS não está vocacionado para a formação e consolidação de eixos ou de sistemas urbanos, identificados como unidades dinâmicas do sistema urbano nacional e, apesar da amplitude dos montantes envolvidos (160 milhões de

10 Os objectivos prioritários são:

garantir o acesso a determinados serviços e padrões de qualidade de vida e de ambiente;

organizar o território, promovendo a competitividade dos nós estratégicos para a estruturação

dos espaços em termos regionais e nacionais, reforçando a sua posição ao nível europeu; combater a segregação funcional e social dos

territórios urbanos; e o apoio a estratégias concertadas de qualificação e de desenvolvimento urbano;

dos territórios urbanos; e o apoio a estratégias concertadas de qualificação e de desenvolvimento urbano; 32

32

VOL. V

Povoamento

contos), a grande maioria das verbas ficaram comprometidas na Componente 1, restringindo desde logo as acções a desenvolver (MARQUES DA COSTA, 2000).

logo as acções a desenvolver (MARQUES DA COSTA, 2000). Figura 13: Cidades POLIS, 2003 Efectivamente considerando

Figura 13: Cidades POLIS, 2003

Efectivamente considerando que entre os objectivos do POLIS se contam a melhoria da atractividade e da competitividade dos pólos urbanos que têm um papel relevante na estruturação do sistema urbano nacional, parecia importante contemplar acções que fomentassem a apresentação de projectos que, não só contribuíssem para o

importante contemplar acções que fomentassem a apresentação de projectos que, não só contribuíssem para o 33

33

VOL. V

Povoamento

desenvolvimento das cidades mas, também, para o desenvolvimento de complementaridades funcionais e territoriais.

Paralelamente aos instrumentos e às políticas regionais e locais, as cidades, personalizadas nos municípios, desenvolveram estratégias próprias. Assim se enquadra a participação e adesão de alguns municípios território continental à Carta de Aalborg ou a elaboração de algumas Agendas Locais, claramente em número insuficiente, e que importa promover, pela importância que representam para o ordenamento e para a concretização de uma estratégia de desenvolvimento sustentável do território.

Analisando o estado de desenvolvimento dos vários instrumentos de intervenção no plano da valorização territorial, associados ao III Quadro Comunitário de Apoio,

verificou-se a emergência de três domínios que, permitindo uma maior coerência ao processo de planeamento e desenvolvimento territorial, careciam de explicitação apropriada. São eles:

a valorização das Pequenas Cidades;

a valorização de Áreas Rurais;

a valorização das Áreas Urbanas Fragilizadas.

É neste âmbito que em 2001, se desenvolveram três estudos, correspondentes aos três domínios anteriorme nte identificados (MP, 2001a, MP, 2001b e DGDR, 2000), Enquanto o primeiro e o segundo, se articulariam com o Eixo II das Programas Operacionais Regionais (nas chamadas Acções Integradas de Base Territorial - AIBT), o terceiro estudo constituiu-se como a base de fundamentação para a escolha das áreas a serem alvo de intervenção da Iniciativa Comunitária URBAN II.

Efectivamente as AIBTs surgiram nos Programas Operacionais fundamentalmente vocacionadas para os “espaços rurais” e para a diversificação das suas bases económicas, nomeadamente suportadas nas actividades turísticas com excepção das acções em curso no Norte Litoral. Contudo, no quadro de acelerada mobilidade da população, bens e serviços a que hoje se assiste, parece que o desenvolvimento rural não deverá ser separado de uma bem explicitada política de desenvolvimento urbano, em particular, uma política de fortalecimento da rede de pequenas e médias cidades.

de desenvolvimento urbano, em particular, uma política de fortalecimento da rede de pequenas e médias cidades.

34

VOL. V

Povoamento

1 N 3 2 5 5 4 P. O. Norte 6 1 Minho-Lima 2 Vale
1
N
3
2
5
5
4
P.
O. Norte
6
1 Minho-Lima
2 Vale do Sousa
3 Douro
7
4 Entre Douro e Vouga
P.
O. Centro
5
5
Vale do Côa
6 Serra da Estrela
7 Pinhal Interior
P.
O. Alentejo
8
8 Norte Alentejano
9 Zona dos Mármores
P.
O. Algarve
9
10
Áreas de Baixa Densidade
Programa Pequenas Cidades
Pequenas Cidades Integradas
no Programa das Áreas Urbanas
Fragilizadas
10
0
40 Km

Fonte: MP (2001a)

Figura 14: Acções Específicas de Valorização de Pequenas Cidades

Acções Específicas de Valorização de Pequenas Cidades 1 2 N 9 12 3 8 4 10
1 2 N 9 12 3 8 4 10 5 13 6 11 14 7
1
2
N
9
12
3
8
4
10
5
13
6
11
14
7
22
15
16
24
23
17
20
27
42
28
18
19
25
26
21
29
33
32
35
30
34
31
36
37
39
38
41
40
0
40 Km

ENTRE-DOURO-E-MINHO

1 - ADRIMINHO

2 - ADRIL

3 - ATAHCA

4 - PROBASTO

5 - ADER-SOUSA

6 - DOLMEN

7 - ADRIMAG

8 - SOL-DO-AVE

TRÁS-OS-MONTES

9 - ADRAT

10 - DESTEQUE

11 - DOURO HISTÓRICO

12 - CORANE

13 - DOURO SUPERIOR

14 - BEIRA DOURO

BEIRA LITORAL

15 - ADDLAP

16 - ADD

17 - ADICES

18 - DUECEIRA

19 - TERRAS DE SICÓ

20

21

42

- ADELO

- ADAE

- ADIBER

BEIRA INTERIOR

22 - RAIA HISTÓRICA

23 - PRÓ-RAIA

24 - ADRUSE

25 - ADRACES

26 - PINHAL MAIOR

27 - RUDE

28 - ADERES

RIBATEJO E OESTE

29 - ADIRN

30 - APRODER

31 - CHARNECA

32 - LEADER OESTE

33 - TAGUS

ALENTEJO

34 - LEADERSON

35 - ADER-AL

36 - MONTE

37 - TERRAS DENTRO

38 - ESDIME

39 - ROTA DO GUADIANA

ALGARVE

40 - IN LOCO

41 - VICENTINA

Fonte: MP (2001b)

Figura 15: Programa de Iniciativa Comunitária LEADER II, Entidades Locais Credenciadas

35

VOL. V

Povoamento

VOL. V Povoamento Fonte: MP (2001b) Figura 16: Tipologias de áreas rurais Essa articulação não encontra

Fonte: MP (2001b)

Figura 16: Tipologias de áreas rurais

Essa articulação não encontra resposta no quadro da política nacional, uma vez que o único instrumento dirigido às cidades é o POLIS, também integrado no Eixo II dos Programas Operacionais, mas de forma “autónoma”, muito mais virado para uma valorização do espaço público como forma de melhorar a qualidade de vida das cidades e aumentar a sua sustentabilidade.

do espaço público como forma de melhorar a qualidade de vida das cidades e aumentar a

36

VOL. V

Povoamento

4.2.2.Várias Leituras do Sistema Urbano Nacional

Recentemente, várias leituras acerca do sistema urbano nacional têm sido apresentadas, mas destacamos três pela sua actualidade e pertinência:

Urbanização e Coesão Social em Portugal (MEPAT- GAERE, 1996) bem como no “HABITAT II - Portugal” (MEPAT, 1996), documento apresentado em Junho de 1996 em Istambul na “Conferência sobre Estabelecimentos Humanos”; Refira-se que a base desta visão foi apresentada pela primeira vez em 1993 (J. GASPAR, 1993a);

Sistema Urbano Nacional – Cidades Médias e Dinâmicas Territoriais (DGOTDU, 1997) e que consta igualmente no Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e Social, 2000-2006 (PNDES) (MEPAT, 1999). Posteriormente, e numa abordagem complementar da anterior, surgiu recentemente, um novo estudo intitulado Sistema Urbano Nacional - Rede Complementar (DGOTDU, 2002), onde se analisam o conjunto dos pequenos centros (sedes de municípios), depois de analisadas as metrópoles e as cidades médias, sendo o estudo finalizado com a publicação de um volume de síntese intitulado Sistema Urbano Nacional – Síntese (DGOTDU, 2003a), onde se apresentam quatro cenários contrastados de evolução do sistema urbano nacional; e as propostas das Comissões de Coordenação apresentadas em planos de desenvolvimento regional ou nos documentos prospectivos do PNDES regionais (CCRN, 1998, CCRC, 1998, CCRLVT, 1998, CCRAlentejo, 1998 e CCRCAlgarve, 1998).

Na primeira, para além das as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, enquadram-se um vasto número de cidades que desenvolvem entre elas relações de interdependência configurando “concentrações polinucleadas” e que definem a “metropolitanização” do território litoral. Para além desta área, conta-se o litoral algarvio, cuja ocupação do território assenta num sistema de ocupação urbana quasi-contínua, que permitiu o desenvolvimento de vários pólos com uma forte especialização funcional.

urbana quasi-contínua , que permitiu o desenvolvimento de vários pólos com uma forte especialização funcional. 37

37

VOL. V

Povoamento

VOL. V Povoamento Fonte: GASPAR, J. (1993) Figura 17: Configuração do Sistema Urbano Português, 1993 Para

Fonte: GASPAR, J. (1993)

Figura 17: Configuração do Sistema Urbano Português, 1993

Para além destas cidades, reconhece-se a existência de outras que definem faixas de ligação entre o litoral e a fronteira espanhola. Casos de Lamego e Vila Real (potencial eixo) até Chaves; Viseu (e cidades envolventes) até à Guarda, o potencial eixo de Castelo Branco-Fundão-Covilhã-Guarda e a sul, Évora a Elvas - Campo Maior e Vila

até à Guarda, o potencial eixo de Castelo Branco-Fundão-Covilhã-Guarda e a sul, Évora a Elvas -

38

VOL. V

Povoamento

Real de Santo António. Apenas quatro cidades se enquadram num contexto de despovoamento urbano (Bragança, Mirandela, Portalegre e Beja).

urbano (Bragança, Mirandela, Portalegre e Beja). Fonte: Grupo de Trabalho do Esquema de Desenvolvimento do

Fonte: Grupo de Trabalho do Esquema de Desenvolvimento do Espaço Europeu, 1996

Figura 18: Síntese do Sistema Urbano Continental, 1996

Esta leitura do sistema urbano é favorável às cidades não metropolitanas, quer no Litoral, onde beneficiam particularmente da melhoria da acessibilidade e do processo de desconcentração produtiva das grandes aglomerações, quer no Interior, onde se

da acessibilidade e do processo de desconcentração produtiva das grandes aglomerações, quer no Interior, onde se

39

VOL. V

Povoamento

desenvolveram ao longo das vias de comunicação estratégicas e, assim, conseguiram potenciar as suas vocações produtivas e territoriais (casos de Viseu, Évora, Elvas).

Na segunda leitura do sistema urbano (DGOTDU, 1997) as cidades não metropolitanas surgem numa posição um pouco distinta da anterior. O quadro de “metropolitanização” que definia o litoral é substituído pela identificação de “espaços dinâmicos” cujos limites conduzem a três áreas:

o espaço litoral de Viana do Castelo até Aveiro-Ílhavo-Ovar; o espaço que compreende Leiria-Marinha Grande até ao limite sul da AML, mas que exclui o triângulo Abrantes-Tomar-Torres Novas;

e o litoral algarvio.

Assim, com excepção de Coimbra e da Figueira da Foz, as restantes cidades do litoral aparecem enquadradas pelas aglomerações metropolitanas.

As "cidades âncora" e as "cidades porta" são apontadas neste trabalho como cidades que desenvolvem funções de intermediação e, portanto, como cidades médias. Mirandela, Chaves, Bragança, Viseu, Guarda, Portalegre, Évora e Beja, entre outras, são classificadas como “cidades âncora”, o que significa “centros estruturadores e indutores do desenvolvimento de territórios alargados” (DGOTDU, 1997, pp.417) e, como tal, cidades com um papel de intermediação.

Por outro lado, Faro é considerada “cidade-porta”, definida como uma “cidade com forte relacionamento internacional, com acesso a redes de transferência de know-how e de inovação, inserida em espaços potenciadores de competitividade ou que assumem posição importante em segmentos de mercado internacionais, envolvendo nestes processos o território que polarizam”, o que significa que são cidades com protagonismo nos processos de internacionalização urbanos e territoriais” (DGOTDU, 1997, pp.417-8). Esta função confere igualmente um grau de intermediação.

urbanos e territoriais” (DGOTDU, 1997, pp.417-8). Esta função confere igualmente um grau de intermediação. 40

40

VOL. V

Povoamento

VOL. V Povoamento Fonte: DGOTDU (1997) Figura 19: Síntese do Sistema Urbano Nacional - DGOTDU, 1997

Fonte: DGOTDU (1997)

Figura 19: Síntese do Sistema Urbano Nacional - DGOTDU, 1997

Quanto a Viana do Castelo, Braga, à conurbação polinucleada de, Guimarães, Famalicão, Santo Tirso, Trofa e Fafe e a sul, as cidades de São João da Madeira, Santa Maria da Feira, Oliveira de Azeméis, o eixo Marinha Grande - Leiria, entre outras, surgem como “pólos de redes internacionais”, outro critério importante para as eleger como cidades com funções de intermediação.

de redes internacionais”, outro critério importante para as eleger como cidades com funções de intermediação. 41

41

VOL. V

Povoamento

A salientar ainda, o relatório da DGOTDU recentemente publicado (2003a), intitulado Sistema Urbano Nacional – Síntese, onde se procura apresentar uma síntese dos estudos anteriormente feitos, ao mesmo tempo que actualiza parte da informação e das orientações definidas anteriormente.

da informação e das orientações definidas anteriormente. Fonte: DGOTDU (2003a) Figura 20: Uma visão recente do

Fonte: DGOTDU (2003a)

Figura 20: Uma visão recente do Sistema Urbano Nacional, 2002

definidas anteriormente. Fonte: DGOTDU (2003a) Figura 20: Uma visão recente do Sistema Urbano Nacional, 2002 42

42

VOL. V

Povoamento

A comparação do mapa de síntese apresentado no documento Síntese do Sistemas

Urbano Nacional – Cidades Médias e Dinâmicas Territoriais (DGOTDU, 1997) com

o apresentado no actual estudo (Síntese do Sistemas Urbano Nacional –Síntese,

DGOTDU, 2003a) permite evidenciar algumas diferenças: reforço da polarização de Coimbra e de Viseu; reafirmação do triângulo Santarém, Cartaxo e Almeirim; reconfiguração dos elementos que compõem o sistema algarvio, e um “recuar” na análise dos sistemas urbanos das regiões Norte Litoral e Centro Litoral Norte, que aparecem neste documento numa perspectiva individual.

Neste trabalho são também apresentados 4 cenários prospectivos para o país, que serão posteriormente analisados.

De referir o documento publicado em finais de 2002, que incidindo sobre a rede complementar (as sedes de município) procura fazer um diagnóstico das dinâmicas destes pequenos centros e dos territórios envolventes, no sentido de identificar os factores críticos ao seu desenvolvimento (DGOTDU, 2002).

Confrontando as visões anteriores com as perspectivas regionais descritas em vários documentos divulgados pelas Comissões de Coordenação Regionais, encontramos

algumas diferenças, naturalmente explicadas pelo facto de se confrontarem duas escalas de análise distintas (e relembre-se que o último mapa apresentado é posterior

às visões definidas por cada região nos diagnósticos prospectivos). Enquanto as duas

primeiras incidem sobre a escala nacional, as visões das Comissões de Coordenação

traduzem a perspectiva regional e, como tal, valorizam o papel de algumas aglomerações que à escala nacional não assumem a mesma relevância.

A Região Norte (CCRN, 1998), para além das cidades classificadas segundo os

critérios do MEPAT, considera igualmente relevantes pequenos aglomerados que, em alguns casos, não têm o estatuto de cidade, mas que desempenham funções com capacidade de polarização supra-concelhia: Amarante; Barcelos; Vila Nova de Foz Côa-Torre de Moncorvo; Mogadouro-Miranda do Douro; Ponte de Lima-Ponte da Barca-Arcos de Valdevez e Valença.

de Foz Côa-Torre de Moncorvo; Mogadouro-Miranda do Douro; Ponte de Lima-Ponte da Barca-Arcos de Valdevez e

43

VOL. V

Povoamento

VOL. V Povoamento Fonte: CCRN Figura 21: Sistema Urbano da Região Norte A Região Centro (CCRC,

Fonte: CCRN

Figura 21: Sistema Urbano da Região Norte

A Região Centro (CCRC, 1998) privilegia uma leitura do sistema urbano em sistemas sub-regionais mais alargados que os anteriormente apontados:

Viseu e a constelação envolvente que inclui Mangualde, São Pedro do Sul e Tondela; o eixo Castelo Branco-Belmonte-Fundão-Covilhã-Guarda;

o sistema Aveiro-Ílhavo-Vagos-Albergaria-Águeda-Oliveira do Bairro;

o eixo Coimbra (incluindo Lousã, Mealhada, Cantanhede e Miranda do Corvo) -Figueira da Foz; o eixo Leiria-Marinha Grande.

Podemos concluir que na leitura da CCR Centro, as cidades médias, reforçadas pela configuração de sistemas ou eixos, ganham protagonismo, assumindo-se como elementos estratégicos para a afirmação da região no contexto nacional e internacional, em termos económicos, sociais e culturais. É neste contexto que se insere o caso de estudo apresentado nos capítulos seguintes (o eixo Castelo Branco- Belmonte-Fundão-Covilhã-Guarda) cujas primeiras referências remontam a 1990 (CCRC, elaborado por CEDRU/ADIRA, 1990).

Belmonte-Fundão-Covilhã-Guarda) cujas primeiras referências remontam a 1990 (CCRC, elaborado por CEDRU/ADIRA, 1990). 44

44

VOL. V

Povoamento

VOL. V Povoamento Fonte: CCRC Figura 22: Sistema Urbano da Região Centro Quanto à Região de

Fonte: CCRC

Figura 22: Sistema Urbano da Região Centro

Quanto à Região de Lisboa e Vale do Tejo (CCRLVT, 1998), para além da AML identificam-se três sub-sistemas: o Oeste, o Médio Tejo e a Lezíria do Tejo, cuja organização interna, permite valorizar um conjunto de pequenos aglomerados que desenvolvem funções de intermediação.

interna, permite valorizar um conjunto de pequenos aglomerados que desenvolvem funções de intermediação. 45

45

VOL. V

Povoamento

São os casos do triângulo Tomar, Torres Novas e Abrantes, que integram Ourém e Vila Nova da Barquinha, no Médio Tejo e do Cartaxo e Almeirim, que não sendo contemplados no PROSIURB, são parte integrante do sistema de Santarém.

contemplados no PROSIURB, são parte integrante do sistema de Santarém. Fonte: CCRLVT Figura 23: Sistema da

Fonte: CCRLVT

Figura 23: Sistema da CCRLVT

contemplados no PROSIURB, são parte integrante do sistema de Santarém. Fonte: CCRLVT Figura 23: Sistema da

46

VOL. V

Povoamento

Outro documento que importa levar em conta na presente análise é PROT-AML (aprovado em 2002), documento fundamental para a Área Metropolitana de Lisboa e que tem como prioridades essenciais a sustentabilidade ambiental, a qualificação metropolitana, a coesão sócio-territorial e a organização do sistema metropolitano de transportes.

e a organização do sistema metropolitano de transportes. Fonte: CCRLVT (2002) Figura 24: Esquema de Polarização

Fonte: CCRLVT (2002)

Figura 24: Esquema de Polarização Metropolitana – AML, 2002

metropolitano de transportes. Fonte: CCRLVT (2002) Figura 24: Esquema de Polarização Metropolitana – AML, 2002 47

47

VOL. V

Povoamento

Das quatro prioridades essenciais 11 que fundamentam o PROT-AML destaque-se a “Qualificação Metropolitana”, prioridade que deverá ter em conta a contenção da expansão urbana e de um modelo/estrutura territorial que procura a “recentragem e ordenamento da AML em articulação com o Estuário do Tejo, salvaguardando os recursos naturais e as áreas protegidas; o desenvolvimento de novas orientações metropolitanas; o complemento e a consolidação de uma estrutura de acessibilidade em rede; o ordenamento logístico” (CCRLVT, 2002).

em rede; o ordenamento logístico” (CCRLVT, 2002). Fonte: CCRLVT, 2002 Figura 25: Estrutura polinucleada da

Fonte: CCRLVT, 2002

Figura 25: Estrutura polinucleada da Área Metropolitana de Lisboa

11 As 4 prioridades são: “Sustentabilidade Ambiental; Qualificação Metropolitana; Coesão socio- territorial; Organização do sistema metropolitanos de transportes.

Qualificação Metropolitana; Coesão socio- territorial; Organização do sistema metropolitanos de transportes. 48

48

VOL. V

Povoamento

A perspectiva apresentada pela Comissão de Coordenação do Alentejo (CCRAlentejo, 1998) reafirma também a necessidade de incluir na análise algumas pequenas aglomerações que são importantes na estruturação do seu território. São os casos de Moura, Castro Verde, Santiago do Cacém e Estremoz, aglomerados que complementam os níveis superiores da rede regional definida por Portalegre, Elvas, Évora e Beja.

rede regional definida por Portalegre, Elvas, Évora e Beja. Fonte: CCRAlentejo Figura 26: Sistema urbano do

Fonte: CCRAlentejo

Figura 26: Sistema urbano do Alentejo

rede regional definida por Portalegre, Elvas, Évora e Beja. Fonte: CCRAlentejo Figura 26: Sistema urbano do

49

VOL. V

Povoamento

A leitura do sistema urbano regional da Região do Algarve (CCRAlgarve, 1998) baseia-se em critérios relacionados com as pequenas distâncias entre os centros urbanos e com o aumento dos movimentos pendulares. Estes dois factores desenham um “eixo urbano litoral, globalmente pouco estruturado, onde é possível identificar duas redes com expressão significativa: Faro-Olhão-Loulé-S. Brás de Alportel e Portimão-Lagos-Lagoa-Silves” (CCRAlgarve, 1998, pp. 12). O sistema Faro-Olhão, também identificado no PROSIURB, sai aqui reforçado pela presença de Loulé e São Brás de Alportel, que se integram na estrutura de relações da capital algarvia.

se integram na estrutura de relações da capital algarvia. Fonte: CCR Algarve Figura 27: Sistema Urbano

Fonte: CCR Algarve

Figura 27: Sistema Urbano da Região do Algarve

na estrutura de relações da capital algarvia. Fonte: CCR Algarve Figura 27: Sistema Urbano da Região

50

VOL. V

Povoamento

4.2.3. Evolução e caracterização do sistema de povoamento

A urbanização é um dos fenómenos mais visíveis no território nacional nos últimos

quarenta anos. Paralelamente ao crescimento e consolidação das áreas metropolitanas, verificou-se um crescimento das pequenas e médias cidades, que contribuíram de forma significativa para uma modificação da rede urbana e do sistema de povoamento nacional.

A evolução na estrutura do povoamento tem apontado no sentido do reforço dos

lugares de maior dimensão, ou seja, uma manifesta concentração nas vilas e cidades em detrimento das aldeias ou outras localidades de menor dimensão de cariz rural. Entre 1981 e 2001, a percentagem de população residente em lugares com menos de

2000 habitantes decresceu de 51,4% para 41,9%, enquanto os residentes em lugares

com mais de 10000 habitantes, cresceram de 30,6%, em 1981, para 37,9% em 2001.

Quadro 5: População residente por classe de dimensão dos lugares, 1981 e 2001 (%)

   

1981

   

2001

 

<

2 a

5 a

>

   

<

2 a

5 a

>

   

2000

4999

9999

10000

Isolada

Total

2000

4999

9999

10000

Isolada

Total

Continente

51,4

8,4

4,8

30,6

4,8

100,0

41,9

9,2

8,0

37,9

3,1

100,0

Norte

63,3

5,5

2,9

22,0

6,3

100,0

47,6

7,1

6,8

36,3

2,3

100,0

Centro

75,5

7,3

1,9

11,8

3,6

100,0

64,4

8,8

3,5

19,8

3,5

100,0

Lisboa

14,7

10,5

7,7

66,5

0,6

100,0

14,2

11,0

10,7

63,3

0,9

100,0

Alentejo

48,2

18,3

10,5

12,6

10,4

100,0

40,0

14,6

18,3

18,6

8,4

100,0

Algarve

45,0

6,8

9,1

24,1

15,0

100,0

46,2

9,1

3,6

35,5

5,6

100,0

Fonte: INE, RGP 1981 e Censo 2001

Este reforço é igualmente efectivo nos lugares de dimensão compreendida entre os

5000 e os 10000 habitantes, escalão em que se inclue um significativo número de

cidades, em particular as localizadas no Norte e Centro Litoral, expressando o reforço

da concentração a favor de uma rede de pequenas e médias cidades no país.

Neste contexto, assiste-se a um decréscimo da população rural, que tem sido mais acentuado que o verificado em outros países da Europa cuja matriz do povoamento é mais urbanizada. Um estudo da ONU (UN, 2002) estima que a variação da população

Europa cuja matriz do povoamento é mais urbanizada. Um estudo da ONU (UN, 2002) estima que

51

VOL. V

Povoamento

residente em espaços rurais no período 2000-2005, seja de -3,6%, enquanto países como a França e a Suécia registarão para o mesmo período variações negativas inferiores a 0,5%.

Quadro 6: Evolução da População Urbana e Rural, 2000

 

População (%)

Variação 2000-2005 (%)

Países

Urbana

Rural

Urbana

Rural

EU-15

Austria

67

33

0.15

-0.60

Bélgica

97

3

0.15

-2.25

Dinamarca

85

15

0.16

0.16

Espanha

78

22

0.28

-1.08

Finlândia

59

41

0.07

0.07

França

76

24

0.58

-0.34

Grécia

60

40

0.46

-0.62

Holanda

90

10

0.46

-0.65

Irlanda

59

41

1.43

0.27

Itália

67

33

0.11

-0.62

Luxemburgo

92

8

1.55

-3.10

Portugal

66

34

1.93

-3.61

Reino Unido

90

10

0.25

-0.50

Alemanha

88

12

0.17

-1.55

Suécia

83

17

-0.10

-0.27

Outros da Europa Ocidental

 

Noruega

75

25

0.74

-0.77

Suiça

67

33

0.00

-0.1

Paísess do Alargamento

Chipre

70

30

-

-

República Checa

75

26

-0.03

-0.33

Estonia

69

31

-1.08

-1.27

Hungria

65

35

-0.06

-1.34

Letónia

60

40

-0.56

-0.56

Lituânia

69

31

-0.03

-0.69

Malta

91

9

-

-

Polónia

63

37

0.25

-0.68

Eslováquia

58

42

0.42

-0.40

Eslovénia

49

51

-0.10

-0.14

Países Candidatos

Bulgária

67

33

-0.94

-1.05

Turquia

66

3

1.94

0.07

Roménia

55

45

0.08

-0.68

Fonte: UNITED NATIONS (2002)

-1.05 Turquia 66 3 1.94 0.07 Roménia 55 45 0.08 -0.68 Fonte: UNITED NATIONS (2002) 52

52

VOL. V

Povoamento

Habitantes

#S 2000 - 5000 #S 5000 - 10 000 #S > 10 000 50 km
#S
2000
- 5000
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5000
- 10 000
#S
> 10 000
50 km
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