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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CAMPUS CORNÉLIO PROCÓPIO DIRETORIA DE GRADUAÇÃO E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL CURSO SUPERIOR DE ENGENHARIA ELÉTRICA

DANIEL WESTERMAN SPIER

MOTORES DE INDUÇÃO MONOFÁSICOS

CORNÉLIO PROCÓPIO

2014

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

3

1.1 TEORIA DO DUPLO CAMPO GIRANTE

4

1.2 TEORIA DO CAMPO CRUZADO EM UM MOTOR DE INDUÇÃO MONOFÁSICO6

2- MÉTODOS DE PARTIDA PARA MOTORES DE INDUÇÃO MONOFÁSICOS

8

2.1

MOTORES DE INDUÇÃO MONOFÁSICOS DE FASE DIVIDIDA

8

2.1.1

Aplicação de motores de fase dividida

10

2.2

MOTORES DE INDUÇÃO MONOFÁSICOS COM CAPACITOR DE PARTIDA

10

2.2.1

Aplicação de motores de indução monofásicos com capacitor de partida

11

2.3 MOTORES DE INDUÇÃO MONOFÁSICOS COM CAPACITOR PERMANENTE12

2.3.1

Aplicação de motores de indução monofásicos com capacitor permanente

12

2.4

MOTORES DE INDUÇÃO MONOFÁSICOS COM DUPLO CAPACITOR

13

2.4.1

Aplicação de motores de indução monofásicos com duplo capacitor

14

2.5

MOTORES DE INDUÇÃO MONOFÁSICOS DE POLOS SOMBREADOS

14

2.5.1

Aplicação de motores de indução monofásicos de polos sombreados

15

CONCLUSÃO

17

REFERENCIAS

18

INTRODUÇÃO

Motores de indução monofásicos, MIM, sofrem de uma grave deficiência. Já que há apena uma fase no estator, o campo magnético em um motor de indução monofásico não gira. Porém, ele pulsa, aumentando e diminuindo, mas sempre na mesma direção. Devido à falta de rotação no campo magnético do estator, o motor de indução monofásico não tem torque na partida. Este fato é visível examinando o motor quando o rotor do mesmo está parado. O fluxo do estator, primeiramente, aumenta e então diminui, todavia ele permanece na mesma direção. Uma vez que o campo magnético do estator não gira, não há movimento relativo entre o campo do estator e o rotor. Portanto, não há tensão, corrente e torque induzido no rotor. Na realidade, a tensão é induzida no rotor devido à ação transformadora , e já que o rotor está curto circuitado, a corrente flui no rotor. Contudo, o campo magnético do rotor esta alinhado com o campo magnético do estator, e este não produz torque no rotor. A equação 1 demonstra o torque induzido resultante devido a ação do campo magnético do rotor com o do estator.

Quando o rotor está bloqueado, o motor apresenta as mesmas características de um transformador com o secundário curto circuitado. O fato de que motores de indução monofásicos não tem torque de partida foi um grande empecilho quando os motores de indução começaram a ser produzidos. Quando os primeiros motores de indução começaram a ser produzidos em 1880 e 1890, o sistema elétrico era de 133hz monofásico. Com os materiais e técnicas disponíveis na época, era impossível construir um motor funcional.

Contudo, uma vez que o rotor começasse a girar, um torque induzido passa a ser produzido. Existem duas teorias básicas que explicam porque o rotor passa a produzir um torque quando começa a girar. Uma é chamada teoria do duplo campo girante, e a outra é chamada de teoria do campo cruzado.

1.1 TEORIA DO DUPLO CAMPO GIRANTE

A teoria do duplo campo girante de um motor de indução monofásico, basicamente descreve que um campo magnético estacionário pulsante pode ser separado em dois campos magnéticos girantes, de mesma magnitude, porém com direções opostas. O motor de indução responde a cada campo magnético separadamente, e o torque resultante na maquina será a soma dos torques devido a cada um dos dois campos magnéticos. A figura 1 mostra como um campo magnético estacionário pulsante pode ser separado em dois campos iguais, porém com sentidos opostos. A densidade de fluxo do campo estacionário é dada pela equação 2.

de fluxo do campo estacionário é dada pela equação 2. Figura 1 – Campo magnético pulsante

Figura 1 Campo magnético pulsante dividido em dois campos magnéticos de mesma magnitude, porém rotacionando em sentidos contrários.

(

)

(

)

E um campo magnético no sentido anti-horário pode ser descrito como:

(

)

(

)

Note que a soma dos campos magnéticos no sentido horário e anti-horário e igual ao campo magnético estacionário pulsante, B S .

A curva de torque de um motor de indução trifásico é mostrada na Figura 2. Já a

figura 3 apresenta a curva característica de um motor de indução monofásico. É possível notar que não há torque quando a velocidade é zero, ou seja, este motor não tem torque de partida.

é zero, ou seja, este motor não tem torque de partida. Figura 2 – Curva caraterística

Figura 2 Curva caraterística de um motor de indução trifásico.

Curva caraterística de um motor de indução trifásico. Figura 3 – Curva caraterística de um motor

Figura 3 Curva caraterística de um motor de indução monofásico.

Em um motor de indução monofásico, os dois campos magnéticos presentes tem a mesma corrente. Os dois campos contribuem para a componente final da tensão no

estator e, pode-se considerar que estão ligados em série entre si. Por causa da presença de ambos os campos magnéticos a rotação do campo no sentido horário (de resistência R 2 /s) limitará a corrente de estator do motor, responsável por produzir campos nos sentidos horário e anti-horário. Uma vez que a corrente do campo magnético girante no sentido anti-horário do estator é limitada a um valor pequeno e que o ângulo do campo magnético do rotor é muito grande, o torque devido ao campo magnético reverso é aproximadamente a velocidade síncrona. A figura 4 apresenta uma curva mais precisa para motores de indução monofásicos.

curva mais precisa para motores de indução monofásicos. Figura 4 – Curva de torque de um

Figura 4 Curva de torque de um motor de indução monofásico.

1.2 TEORIA DO CAMPO CRUZADO EM UM MOTOR DE INDUÇÃO MONOFÁSICO

A teoria do campo cruzado de um motor de indução monofásico tem uma visão totalmente diferente sobre o motor. Esta teoria se preocupa com as tensões e correntes que o campo magnético estacionário do estator pode induzir sobre o rotor quando este está em movimento. O campo magnético do rotor é de alguma maneira menor que do estator, devido às perdas no rotor, mas eles diferem quase que 90 graus, tanto em espaço quanto tempo. Se os campos forem adicionados em tempos diferentes, um deles vê que o campo magnético total está rotacionando no sentido anti-horário. Com um campo magnético presente em um motor, o motor desenvolverá um torque no sentido do

movimento, e este torque manterá o rotor girando. A figura 5 apresenta os campos magnéticos em função do tempo.

5 apresenta os campos magnéticos em função do tempo. Figura 5 – Valores dos campos magnéticos

Figura 5 Valores dos campos magnéticos em função do tempo.

2- MÉTODOS DE PARTIDA PARA MOTORES DE INDUÇÃO MONOFÁSICOS

Como descrito anteriormente, um motor de indução monofásico não tem torque de partida. Existem técnicas para partir estes motores, e os motores de indução monofásicos são classificados de acordo com a técnica de partida utilizada para produzir o torque de partida. Estas técnicas de partida diferem em custo e em torque gerado na partida. Todas as técnicas de partidas aplicam o mesmo método, que consiste em fazer um dos campos magnéticos girantes do motor mais forte que o outro, deste modo o motor começará a girar.

2.1 MOTORES DE INDUÇÃO MONOFÁSICOS DE FASE DIVIDIDA

O motor de fase dividida é um motor de indução com dois enrolamentos no estator, um enrolamento principal (M) e outro auxiliar para a partida (A). A figura 6 apresenta o circuito equivalente deste motor.

A figura 6 apresenta o circuito equivalente deste motor. Figura 5 – Circuito elétrico de um

Figura 5 Circuito elétrico de um motor de indução monofásico de fase dividida.

Estes enrolamentos são separados eletricamente em 90 graus em relação ao estator do motor, e o enrolamento auxiliar é construído para desligar assim que o motor atingir uma determinada velocidade, esse desligamento pode ser feito por ação da força centrífuga ou por acionamento eletrônico. O enrolamento auxiliar apresenta uma maior taxa de resistência/reatância quando comparado ao enrolamento principal, assim a corrente no enrolamento auxiliar conduz a corrente no enrolamento principal. Esta taxa R/X é usualmente atingida com o uso de fios menores para o enrolamento auxiliar. Os

fios são menores já que este enrolamento somente durante a partida, portanto não precisam suportar a corrente nominal continuamente. As figuras de 6 a 8 apresentam características do motor de fase dividida.

6 a 8 apresentam características do motor de fase dividida. Figura 6 – Motor de indução

Figura 6 Motor de indução monofásico de fase dividida.

6 – Motor de indução monofásico de fase dividida. Figura 7 – Curva das correntes nos

Figura 7 Curva das correntes nos enrolamentos.

de fase dividida. Figura 7 – Curva das correntes nos enrolamentos. Figura 8 – Curva característica

Figura 8 Curva característica de torque.

Já que a corrente do enrolamento auxiliar conduz a corrente do enrolamento principal, o campo magnético B A atinge o pico antes do enrolamento principal B M . Devido a este fato, existe uma rotação no sentido anti-horário do campo magnético.

2.1.1 Aplicação de motores de fase dividida

Os motores de fase dividida apresentam um torque de partida moderado com uma corrente de partida baixa. Estes motores apresentam um conjugado de partida igual ou um pouco superior que o nominal o que limita a sua aplicação em potências fracionárias e em cargas que exigem baixo conjugado de partida, como ventiladores e exaustores, pequenos polidores, esmeris, compressores herméticos, pequenas bombas centrifugas, lavadoras de pratos etc.

2.2 MOTORES DE INDUÇÃO MONOFÁSICOS COM CAPACITOR DE PARTIDA

Para algumas aplicações, o torque de partida fornecido por um motor de fase dividida é insuficiente para partir. Nestes casos, MIM com capacitor de partida podem ser usados. Os MIM com capacitor de partida também são motores de ase dividida, porém a diferença entre as fases é obtida devido à ação do capacitor conectado em série com o enrolamento auxiliar, como apresentado na figura 9.

com o enrolamento auxiliar, como apresentado na figura 9. Figura 9 – Diagrama esquemático de um

Figura 9 Diagrama esquemático de um motor de indução monofásico com capacitor de partida.

O devido dimensionamento do capacitor utilizado proporciona que a força magnetomotriz da corrente de partida no enrolamento auxiliar possa ser ajustada para ser igual ao do enrolamento principal, e que o ângulo de fase do enrolamento auxiliar possa estar adiantado em 90 graus em relação ao enrolamento principal. Já que os dois enrolamentos estão separados, fisicamente, em 90 graus, uma diferença de 90 graus na fase produz um campo magnético girante no estator, e o motor se comportará de modo similar a um motor de indução trifásico. Nestes casos, o torque de partida do motor pode ser maior que 300% de seu valor nominal. A figura 10 apresenta a curva característica do MIM com capacitor de partida.

a curva característica do MIM com capacitor de partida. Figura 10 – Curva característica de torque.

Figura 10 Curva característica de torque.

2.2.1 Aplicação de motores de indução monofásicos com capacitor de partida

Motores de indução monofásicos com capacitor de partida são mais caros que os de fase dividida e eles são usados em aplicações na qual um maior torque de partida é necessário. Suas aplicações mais comuns são em compressores, bombas, ar condicionado e equipamentos que precisam partir com uma determinada carga. Embora possuam potência nominal de 2 HP, o campo principal de atuação é de 1 HP, ou menos.

2.3 MOTORES DE INDUÇÃO MONOFÁSICOS COM CAPACITOR PERMANENTE

Nos MIM com capacitor permanente, o capacitor e o enrolamento auxiliar não são desligados após a partida, a construção pode ser simplificada pela omissão da chave, e o fator de potência, eficiência, torque pulsante melhoram. Por exemplo, o capacitor e o enrolamento auxiliar podem ser designados perfeitamente para aplicações bifásicas para qualquer carga. O campo no sentido contrário seria eliminado, resultando, assim, em uma melhora na eficiência. O torque pulsante no duplo estator também seria eliminado, o capacitor serve como um filtro para entradas monofásicas. O resultado é um motor silencioso. O torque de partida deve ser sacrificado devido à capacitância, ela compromete a partida, porém compensa quando o motor atinge valores nominais. A curva caraterística de torque e o diagrama esquemático são mostrados na figura 11.

e o diagrama esquemático são mostrados na figura 11. Figura 11 – Curva característica de torque

Figura 11 Curva característica de torque e diagrama esquemático de um MIM com capacitor permanente.

2.3.1 Aplicação de motores de indução monofásicos com capacitor permanente

Construtivamente, estes motores são menores e isentos de manutenção, pois não utilizam contatos e partes móveis. Devido ao baixo conjugado de partida, este tipo de motor é recomendado para aplicações que exigem partidas leves, como ventiladores, exaustores, sopradores, máquinas de escritório, bombas centrifugas, esmeris, pequenas serras furadeiras, condicionadores de ar, e pulverizadores. Por

causa de sua robustez, simplicidade, versatilidade de uso (permite reversão instantânea), além de seu desempenho ser mais eficiente que os demais.

2.4 MOTORES DE INDUÇÃO MONOFÁSICOS COM DUPLO CAPACITOR

Se dois capacitores forem usados, um será para a partida e outro durante a operação, teoricamente aperfeiçoar a partida e o funcionamento em regime permanente é possível. Um método para atingir esse resultado é apresentado na figura 12. O capacitor de menor valor, utilizado para manter o motor nas condições ótimas em regime permanente, será conectado em série com o enrolamento auxiliar do motor. O segundo capacitor, de valor muito maior utilizado para a partida, será conectado em paralelo com o capacitor menor. O capacitor de partida é desligado assim que o motor parte. A figura 13 apresenta a curva característica de torque para esse tipo de motor.

a curva característica de torque para esse tipo de motor. Figura 12 – Diagrama esquemático de

Figura 12 Diagrama esquemático de um motor de indução monofásico com capacitor duplo capacitor.

Figura 13 – Curva característica de torque. O capacitor de partida tem valor típico de

Figura 13 Curva característica de torque.

O capacitor de partida tem valor típico de 300 µF para motores de ½ HP. Já que este deve suportar correntes por um pequeno intervalo de tempo, ele é de um tipo de especial de capacitor AC eletrolítico feito justamente para essa aplicação. Já o capacitor referente ao regime permanente, neste caso, tem valor de 40 µF, e já que opera continuamente, o capacitor é de papel mergulhado em óleo.

2.4.1 Aplicação de motores de indução monofásicos com duplo capacitor

Devido ao seu alto custo, normalmente é fabricado apenas para potências superiores a 1 CV (Moura, 2009).

2.5 MOTORES DE INDUÇÃO MONOFÁSICOS DE POLOS SOMBREADOS

Um motor de indução de polos sombreados é um motor de indução que possui somente o enrolamento principal. Ao invés de ter um enrolamento auxiliar, ele possui polos salientes, e uma parte de cada polo é circundada por espiras curto-circuitadas, chamadas de espiras sombreadas. A figura 14 ilustra um MIM de polos sombreados.

Figura 14 – Motor de indução monofásico de polos sombreados. Um fluxo variante no tempo

Figura 14 Motor de indução monofásico de polos sombreados.

Um fluxo variante no tempo é induzido nos polos do enrolamento principal. Quando o fluxo varia, este induz tensão e corrente nas espiras que se opõem ao fluxo originalmente gerado. Esta oposição retarda as mudanças de fluxo sobre as partes sombreadas das espiras e, portanto, produz um leve desbalanceamento entre os campos magnéticos opostos do estator. A curva característica de torque é apresentada na figura 15.

curva característica de torque é apresentada na figura 15. Figura 13 – Curva característica de torque.

Figura 13 Curva característica de torque.

2.5.1 Aplicação de motores de indução monofásicos de polos sombreados

Motores de indução monofásicos de polos sombreados produzem menos torque de partida que qualquer outro tipo de sistema de partida de motores de indução. Eles são muito menos eficientes e tem um escorregamento muito maior que outros motores

de indução monofásicos. Tais polos são usados somente em pequenos motores, 1/20 HP para menos, com um torque de partida muito baixo. Nas aplicações que é possível usá-los, eles serão os mais baratos. Devido ao fato de eles dependerem das espiras sombreadas para partir, não há uma maneira fácil de inverter o sentido de rotação do motor. Para reverter o sentido, é necessário instalar duas espiras sombreadas em cada face do polo para poder selecionar o sentido de rotação.

CONCLUSÃO

Motores de indução monofásicos estão presentes em várias aplicações que exigem pequenas potências. Eles são classificados devido ao método usado para parti- los, e cada método tem prós e contras. Segundo Chapman, 1991, tais motores podem ser ranqueados em termos de partida e regime permanente, da seguinte maneira:

1 Duplo Capacitor;

2 Capacitor de Partida;

3 Capacitor Permanente;

4 Fase Divida;

5 Polos Sombreados

Naturalmente, o melhor motor também é o mais caro, e o pior o mais barato. Além disso, nem todos os métodos de partida estão disponíveis para todas as potências.

REFERENCIAS

CHAPMAN, S. J., Electric Machinery Fundamentals. 2 ed. McGraw-Hill, 1991.

FITZGERALD, A.; KINGSLEY, C.; UMANS, S., Electric Machinery. 5 ed. McGraw-Hill,

1990.

MOURA, D. L. Proposta de Substituição de Motor de Indução Monofásico por Motor de Indução Trifásico no Meio Rural. UNIFEI, 2009.