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EDUCAÇÃO FÍSICA INFANTIL: CONHECENDO O DESENVOLVIMENTO MOTOR

Priscila Reinaldo Venzke

Ana Eleonora Sebrão Assis

RESUMO

Este trabalho é resultado da pesquisa realizada para a construção do referencial teórico do relatório final do Estágio Supervisionado I em Educação Física, realizado com a turma de pré-escola, na Escola Municipal de Ensino Fundamental 15 de Novembro, que se localiza em Santa Auta – 5° distrito de Camaquã - RS. O estágio foi realizado com 25 crianças na faixa etária dos 5 anos, na maioria filhos de trabalhadores rurais nas plantações de fumo, com baixo poder aquisitivo. O conteúdo da pesquisa é o desenvolvimento motor das crianças dos zero aos 14 anos.

Palavras-chave: desenvolvimento motor, Educação Física Infantil, Prática de docência

INTRODUÇÃO

Segundo Goldberg desenvolvimento motor é o processo de mudanças no comportamento motor que envolve tanto a maturação do sistema nervoso central, quanto a interação com o ambiente e os estímulos dados durante o desenvolvimento da criança (2002). O professor de Educação Física deve estar apto para entender o desenvolvimento motor de seus alunos, e também, suas individualidades próprias do período de desenvolvimento que corresponde a faixa etária de seus alunos. O professor deve ser capaz de perceber e observar o desempenho e atitudes propostas em aula. Embora as diferenças individuais estejam bem definidas e muitas vezes visíveis uma turma não pode ser dividida em pequenos grupos, este não é o objetivo da Educação Física, mas sim o seu oposto. Neste caso levar em consideração as características e peculiaridades da faixa etária das crianças torna-se um aliado na elaboração de aulas atraentes. Assim, estudar o processo de desenvolvimento motor é tão importante quanto conhecer os conteúdos da Educação Física, pois não os aplicaremos corretamente se não ficarmos atentos à idade das crianças que atendemos. Este trabalho tem como referência básica os estudos de Gallahue e Ozmun (2005), que aprofundaram cada fase do desenvolvimento motor e nos proporcionaram o conhecimento das possibilidades das crianças em cada idade do seu desenvolvimento.

Acadêmica da disciplina Estágio Supervisionado em Educação Física I do Curso de Educação Física da Universidade Luterana do Brasil. Docente do Curso de Educação Física e da Universidade Luterana do Brasil e orientadora deste trabalho.

EDUCAÇÃO FÍSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Como educação do movimento compreende-se a realização de atividades motoras que visam o desenvolvimento das habilidades (correr, saltar, saltitar, arremessar, empurrar, puxar, balançar, subir, descer, andar), da capacidade física (agilidade, destreza, velocidade, velocidade de reação) e das qualidades físicas (força, resistência muscular localizada,

resistência aeróbica e resistência anaeróbica). Portanto a educação do movimento prioriza o aspecto motor na formação do educando. No ambiente educacional esse trabalho pode ser distribuído ao longo de todo período escolar, a ênfase, entretanto, ocorre nas séries finais do ensino fundamental quando as características psicológicas e fisiológicas dos alunos correspondem às especialidades desta proposta (MATTOS, 1999). De acordo com Nanni (1998), os movimentos básicos, as habilidades fundamentais e especializadas quando desenvolvidas sob o aspecto “lúdico”, favorecem para a participação ativa da criança, aprendendo a liberar e expressar suas emoções pela exploração do movimento, do espaço e do tempo rítmico. Oferecer a criança oportunidade de mover-se, usando da sua criatividade, significa estabelecer experiências que propiciarão desenvolver habilidades motoras fundamentais por meio de padrões básicos de movimentos. Os professores de educação física não podem se limitar ao desenvolvimento de habilidades, já que devem ser conhecedores de que o corpo é uma totalidade (FALKENBACH, 2002), ele transmite e se comunica sem a necessidade das palavras.

O que vai diferenciar a presença de um professor de Educação Física dos demais

atendentes na Educação Infantil é a comunicação, a compreensão, a leitura, a interação e o envolvimento, a promoção da evolução da criança por intermédio das manifestações corporais, do movimento, do jogo e das atividades lúdicas. Essas capacidades são exercitadas pelos profissionais que, conscientes da importância das primeiras comunicações não verbais – através do tônus – entram em comunicação corporal com as crianças.

AS FASES DO DESENVOLVIMENTO MOTOR

O indivíduo progride através do processo que ocorre a partir da fase motora reflexa

para as fases de movimentos rudimentares e fundamentais e, finalmente para a fase de

movimentos especializados, onde este processo é influenciado pelas necessidades da tarefa, da biologia do indivíduo e das condições do ambiente.

1. FASE MOTORA REFLEXA

Gallahue afirma que:

Os primeiros movimentos que o feto faz são reflexos. Os reflexos são movimentos involuntários, controlados subcorticalmente, que formam a base para as fases do desenvolvimento motor. A partir da atividade reflexa, o bebê obtém informações sobre o ambiente imediato. As reações do bebê do toque, à luz, a sons e a alterações na pressão provocam atividade motora involuntária. (2005, p. 57)

Os reflexos primitivos podem ser agrupadores de informação, na medida em que auxiliam a estimular o desenvolvimento; caçadores de alimentação e reações protetoras, pois,

o

reflexo de sugar e de procurar pelo olfato, são considerados mecanismos de sobrevivência.

O

recém-nascido seria incapaz de obter alimentação sem estes reflexos. A segunda forma de movimento involuntário compõe a fase dos reflexos posturais, onde

os movimentos são similares a comportamentos voluntários posteriores, mas são totalmente involuntários.

2. FASE DOS MOVIMENTOS RUDIMENTARES

Esta fase consiste nos primeiros movimentos voluntários, desde o nascimento até dois anos de idade. Segundo Gallahue: “os movimentos rudimentares são determinados pela maturação e caracterizam-se por uma sequência de aparecimento altamente previsível. Esta sequência é resistente a alterações em condições normais”. (2005, p. 58). O ritmo em que essas habilidades aparecem depende de fatores biológicos, ambientais e da tarefa e varia de criança para criança. As habilidades motoras rudimentares do bebê representam as formas básicas de movimento voluntário que são necessárias para a sobrevivência. Elas envolvem movimentos estabilizadores, como obter o controle da cabeça, do pescoço e dos músculos do tronco; as tarefas manipulativas de alcançar, agarrar e soltar; e os movimentos locomotores de arrastar-se, engatinhar e caminhar. Esta fase pode ser dividida em dois estágios:

Estágio de inibição de reflexos: inicia-se no nascimento, onde os reflexos

dominam os movimentos de bebê, logo, estes movimentos são crescentemente influenciados pelo córtex em desenvolvimento. Os reflexos primitivos e posturais são substituídos por comportamentos motores voluntários. Os movimentos apresentam falta de controle, embora intencionais, parecem descontrolados e grosseiros. Estágio de pré-controle: inicia-se por volta de um ano de idade, onde, ascrianças começam a ter precisão e controle maiores em seus movimentos. Neste estágio, as crianças aprendem a obter e a manter seu equilíbrio, a manipular objetos e a locomover-se.

3. FASE DOS MOVIMENTOS FUNDAMENTAIS

De acordo com Gallahue:

As habilidades motoras fundamentais da primeira infância são conseqüência da fase de movimentos rudimentares do período neonatal. Esta fase do desenvolvimento motor representa um período no qual as crianças pequenas estão ativamente envolvidas na exploração e na experimentação das capacidades motoras de seus corpos. É um período para descobrir como desempenhar uma variedade de movimentos estabilizadores, locomotores e manipulativos, primeiro isoladamente e, então, de modo combinado. (1995, p. 60)

As crianças aprendem a reagir com controle motor e competência motora a vários estímulos, obtendo um crescimento no controle para desempenhar movimentos discretos, em série e contínuos. Alguns movimentos fundamentais devem ser desenvolvidos nos primeiros anos da infância como as atividades locomotoras, como correr e pular; manipulativas de arremessar e apanhar; e estabilizadoras de andar com firmeza e o equilíbrio em um pé só. As condições do ambiente desempenham importante papel no grau máximo de desenvolvimento que os padrões de movimentos fundamentais atingem. Esta fase é dividida em três estágios:

Estágio inicial: representa as primeiras tentativas da criança orientadas para o bjetivo de desempenhar uma habilidade fundamental. ( dois anos) Estágio elementar: envolve mais controle e melhor coordenação nos movimentos fundamentais. (três ou quatro anos) Estágio maduro: é caracterizado por movimentos eficientes, coordenados e controlados. (cinco ou seis anos) 3.1 Condições Motoras

A criança cognitiva e fisicamente normal progride de um estágio para outro, de maneira seqüencial, influenciada tento pela maturação como pela experiência. Podemos dizer que,

a progressão para estágios mais amadurecidos de um padrão de movimento fundamental depende de vários fatores experimentais, incluindo oportunidades para a prática, encorajamento e ensino em ambiente propício ao aprendizado. (GALLAHUE, 2005, p.226)

As condições naturais do ambiente como temperatura, iluminação, podem influenciar nos aspectos quantitativos e qualitativos da tarefa motora. O desempenho, também pode ser influenciado pelas condições artificiais, como tamanho e forma de objetos. Além disso, condições como velocidade, trajetória e peso do objeto podem influenciar o êxito. O objetivo da tarefa é fator importante que influencia o desenvolvimento da tarefa motora fundamental.

3.2 Diferenças Desenvolvimentistas

O desempenho de tarefas motoras fundamentais, estão relacionadas a idade e também estão presentes numerosas variações entre as crianças, entre os padrões e “dentro” de cada padrão. As diferenças “entre crianças” estão no ritmo que variará dependendo tanto dos fatores ambientais como hereditários. Quando o ensino, o encorajamento e as oportunidades para as práticas estiverem ausentes, as diferenças entre crianças aumentará. As diferenças entre padrões são notados em todas as crianças, onde, estas não progridem de forma igual no desenvolvimento de suas habilidades motoras fundamentais. As diferenças “dentro” dos padrões são um fenômeno curioso. Em determinado padrão, a criança pode exibir uma combinação de elementos iniciais, elementares e maduros em cada segmento de seu corpo.

3.3 Movimentos Estabilizadores Fundamentais

A estabilidade é o aspecto mais fundamental do aprendizado de movimentar-se porque todo movimento envolve um elemento de estabilidade. (GALLAHUE, 2005) Portanto, todas as atividades locomotoras e manipulativas, em parte, são movimentos estabilizadores. Para que as crianças possam executar todo tipo de movimento sob qualquer condição precisam que as suas habilidades estabilizadoras sejam flexíveis. Os componentes

principais da estabilidade são os movimentos axiais e várias posturas de equilíbrio estático ou dinâmico como: erguer-se, sentar-se, rolar e esquivar-se. Movimentos axiais: são movimentos do tronco ou dos membros que direcionam o corpo, enquanto este permanece em posição estática. Os movimentos axiais são, por exemplo, inclinar-se, alongar-se, girar, curva-se, alcançar e empurrar, onde, combinados com outros movimentos criam habilidades motoras mais elaboradas.

3.4 Movimentos Locomotores Fundamentais

A locomoção é um aspecto fundamental no aprendizado do movimentar-se, eficiente e efetivamente, pelo ambiente. Gallahue afirma que: “Os movimentos locomotores fundamentais envolvem a projeção do corpo no espaço em plano horizontal, vertical ou diagonal”. (2005, p.252). São considerados movimentos locomotores fundamentais atividades como caminhar, correr, pular e saltar obstáculos. Esses movimentos, em seu desempenho, devem ser bastante flexíveis, para que possam ser alterados à medida que o ambiente exija, sem que o objetivo do ato seja prejudicado. A criança deve ser capaz de: usar qualquer movimento para alcançar o objetivo; mudar de um tipo de movimento para outro, quando a situação exigir; e alterar cada movimento conforme as condições do ambiente mudem. (GALLAHUE, 2005)

3.5 Movimentos Manipulativos Fundamentais

Sobre os movimentos manipulativos fundamentais, podemos destacar Gallahue que afirma o seguinte: “A manipulação motora rudimentar envolve o relacionamento de um indivíduo com objetos e é caracterizada pela aplicação de força nos objetos e a recepção de força deles. (2005, p.256) Os movimentos fundamentais como arremessar, chutar, bater e rolar uma bola são exemplos de movimentos propulsores, que se caracterizam pelas atividades onde um objeto é movimentado para longe do corpo. Movimentos amortecedores envolvem atividades, onde, o corpo ou parte dele, é colocado no caminho de um objeto em movimento, com o objetivo de fazê-lo parar ou desviar dele. São exemplos, movimentos fundamentais como apanhar e aparar. Os movimentos manipulativos caracterizam-se pela combinação de dois ou mais movimentos.

As crianças são capazes de explorar a relação dos objetos em movimento no espaço, pela manipulação dos mesmos.

4. FASE DOS MOVIMENTOS ESPECIALIZADOS

Gallahue afirma que:

As habilidades motoras especializadas são resultado da fase de movimentos fundamentais. Na fase especializada, o movimento torna-se uma ferramenta que se aplica a muitas atividades motoras complexas presentes na vida diária, na recreação

e nos objetivos esportivos. Este é um período em que as habilidades estabilizadoras, locomotoras e manipulativas fundamentais são progressivamente refinadas, combinadas e elaboradas para o uso em situações crescentemente exigentes. (2005,

p. 61)

Esta fase depende de muitos fatores da tarefa, individuais e ambientais. Pode ser dividida em três estágios:

Estágio transitório: as crianças entre sete ou oito anos geralmente entram em um estágio de habilidades motoras transitório, onde elas começam a combinar e a aplicar habilidades motoras fundamentais do desempenho de habilidades especializadas no esporte e em ambientes recreacionais. As habilidades transitórias são simplesmente aplicações de padrões de movimentos fundamentais em formas mais específicas e mais complexas. Neste estágio, pais e professores, devem proporcionar para o seu aluno o maior número possível de atividades, para aumentar seu controle e competência motora. Estágio de aplicação: este estágio que ocorre, aproximadamente dos onze aos treze anos, pode ser definido como,

sofisticação cognitiva crescente e certa base ampliada de experiências tornam o indivíduo capaz de tomar numerosas decisões de aprendizado e de participação

baseadas em muitos fatores da tarefa, individuais e ambientais. (GALLAHUE, 2005,

p. 62)

No estágio de aplicação os indivíduos começam a evitar ou a buscar a participação em atividades específicas. Este é o momento para refinar e usar habilidades mais complexas. Estágio de utilização permanente: este estágio começa por volta dos quatorze anos de idade e continua por toda a vida. É caracterizado pelo uso de todos os movimentos adquiridos pelo indivíduo por toda a vida.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como mostrei neste trabalho fica mais fácil entender que o objetivo da Educação

Física é desenvolver o potencial da criança, incluindo-se as habilidades cognitivas, afetivas,

sociais e motoras. Acredito que através de um planejamento e conhecimento dos movimentos

e fases da criança, pode-se contribuir para um melhor desenvolvimento psicomotor na

infância. Assim fica claro que a criança precisa ter experiências corporais múltiplas, sempre

de acordo com sua capacidade de execução e prática, pois do contrário, o que deveria ser

prazeroso passa a ser “doloroso”.

Ter acesso ao conhecimento do desenvolvimento motor permite ao professor de

Educação Física planejar e oferecer atividades significativas e fundamentais para o

crescimento saudável de seus alunos.

Acredito que para ensinar eficientemente é preciso acompanhar às crianças e analisar

suas necessidades e interesses.

Dessa forma, entender a relação entre a idade da criança com a fase e característica

motora pelas quais passam, constitui-se para um melhor acompanhamento do

desenvolvimento motor. Assim, destacamos a importância do conhecimento dos profissionais

de Educação Física, no que tange a avaliação motora da criança, como forma de melhor

acompanhar seu desempenho e detectar possíveis problemas de ordem motora, além de poder

influenciar no processo de desenvolvimento que ocorre desde a concepção.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GALLAHUE, Ozmun. Compreendendo o desenvolvimento motor de bebês, crianças, adolescentes e adultos. São Paulo: Photer, 2005.

http://guiadobebe.uol.com.br/bb4a5/index.htm

http://adam.sertaoggi.com.br/encyclopedia/

GOLDBERG C., SANT AV. Desenvolvimento motor normal. In: Tecklin JS. Fisioterapia pediátrica. São Paulo: Artmed; 2002. 13-34.

MATTOS, M.G. et al. Educação Física Infantil: construindo o movimento na escola. 2.ed.

São Paulo: Phorte, 1999.

NANNI, D. Dança Educação: Pré –escola à Universidade. 2.ed. Rio de Janeiro: Sprint,

1998.

FALKENBACH, A.P. Educação Física para crianças de 0 a 3 anos de Idade. In:

CREF2/RS – Notícias. ano 3, n.05, março 2002.