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PA18456 EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 2ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE MOGI-GUAÇU

PA18456

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 2ª VARA CÍVEL DA COMARCA DE MOGI-GUAÇU SP.

*10010942520158260362*

Processo nº 1001094-25.2015.8.26.0362

BRADESCO VIDA E PREVIDÊNCIA S/A, devidamente qualificada nos autos da Ação de Cobrança que lhe move SIDNEI APARECIDO FRANCISCÃO, por seus advogados que a esta subscrevem, vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência, apresentar sua CONTESTAÇÃO, fazendo-o pelas razões de fato e de direito a seguir aduzidas:

PREJUDICIAL DE MÉRITO - PRESCRIÇÃO

i. O Autor fundamenta sua pretensão na concessão do auxílio acidentário pelo INSS, benefício deferido em 25/04/2012, sendo que ele permaneceu inerte por mais de 2 (dois) anos, até solicitar administrativamente a indenização, em janeiro de 2015.

MÉRITO

ii. O Autor é portador de doença que não se confunde com acidente pessoal, sendo que ele não comprova o acidente de moto descrito na petição inicial;

iii. O eventual direito de indenização da única cobertura por doença prevista na apólice (“Invalidez Funcional Permanente Total por Doença – IFPD”) pressupõe a perda da existência independente do segurado ou que o mesmo seja portador de doença em fase terminal listada nas Condições Gerais do Seguro;

iv. A cobertura de IFPD não se relaciona com a atividade laborativa do segurado;

v. Ausência de relação do benefício concedido pelo INSS com os seguros privados;

vi. Limite da responsabilidade contratual no valor do capital segurado;

PROCESSO DIGITAL

ContestaçãoProcesso nº 1001094-25.2015.8.26.0362 Marcelo de Almeida Carvalhais - OAB/SP nº162.650 Victor José Petraroli Neto - OAB/SP nº31.464

vii. Da inexistência de danos morais a serem indenizados; viii. Da impossibilidade de inversão do

vii.

Da inexistência de danos morais a serem indenizados;

viii.

Da impossibilidade de inversão do ônus da prova;

ix.

Da impugnação aos juros e correção;

x.

A demanda é totalmente improcedente.

SÍNTESE DA INICIAL

Aduz o Autor ser empregado junto a empresa Mahle Metal Leve S/A., que mantém um seguro de vida em grupo junto à seguradora ré em benefício de seus funcionários, com capital segurado correspondente a 24 vezes seu salário.

Alega que sofreu acidente de moto e que, após a alta médica, requereu junto à Ré pagamento da indenização securitária prevista no mencionado seguro, porém sem êxito, eis que fora negada, conforme carta enviada pela seguradora que junta aos autos.

Desta forma, ingressa com a demanda requerendo a procedência de seu pleito a fim de condenar a Ré ao pagamento referente ao capital segurado, no valor de R$ 57.839,28, com acréscimo de juros e correção monetária desde o pedido administrativo; indenização por danos morais em valor a ser arbitrado, bem como a condenação da Ré ao pagamento das custas, despesas processuais e honorários advocatícios.

Contudo,

conforme

restará

demonstrado,

não

assiste

direito ao Autor, devendo a presente ação ser julgada totalmente improcedente. Vejamos.

PREJUDICIAL DE MÉRITO PRESCRIÇÃO

Há no caso em questão uma a prejudicial de mérito, PRESCRIÇÃO, que impõe a extinção da demanda em questão, com resolução de mérito, nos termos do artigo 269, inciso IV, do Código de Processo Civil.

Emérito Julgador, a Lei é absolutamente clara, e não

comporta qualquer interpretação, veja:

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Art. 206. Prescreve: § 1o Em um ano: II - a pretensão do segurado contra

Art. 206. Prescreve:

§ 1o Em um ano:

II - a pretensão do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele, contado o prazo:

b) quanto aos demais seguros, da ciência do fato gerador da pretensão;

Veja que no caso dos autos, o Autor CONFESSA na petição inicial que teve ciência a respeito de sua alegada invalidez em 25/04/2012, conforme documento do INSS (fls. 23) que ele próprio colaciona.

Logo, não há dúvidas de que o Autor está ciente do fato gerador de sua pretensão desde abril de 2012.

No entanto, permaneceu o Autor INERTE por

mais de 2 (dois) anos até a realização do pedido administrativo e, posteriormente, do ajuizamento da presente demanda, que somente ocorreu em fevereiro de 2015.

FATO

Abr/2012

que somente ocorreu em fevereiro de 2015 . FATO Abr/2012 PRESCRIÇÃO Abr/2013 DISTRIBUIÇÃO Fev/2015 OU SEJA,

PRESCRIÇÃO

Abr/2013

em fevereiro de 2015 . FATO Abr/2012 PRESCRIÇÃO Abr/2013 DISTRIBUIÇÃO Fev/2015 OU SEJA, EMÉRITO JULGADOR, QUANDO

DISTRIBUIÇÃO

Fev/2015

OU SEJA, EMÉRITO JULGADOR, QUANDO DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO, A PRETENSÃO DO AUTOR JÁ ESTAVA PRESCRITA!

De fato, mesmo tendo ciência inequívoca a respeito do fato gerador da pretensão, o Autor quedou-se inerte, deixando transcorrer in albis o prazo para a propositura da demanda.

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a Jurisprudência, preveem, expressamente, o prazo prescricional de 1 (um) ano , no artigo 206,

a

Jurisprudência, preveem, expressamente, o prazo prescricional de 1 (um) ano, no artigo 206, parágrafo primeiro, inciso II, “b”. No mesmo sentido, a Súmula nº. 101 do STJ, in verbis: A ação de indenização do segurado em grupo contra a seguradora prescreve em um ano”.

Para

tais

tipos

de

demanda,

o

Código

Civil

e

E nem se diga que a solicitação administrativa para o pagamento da indenização, protocolada junto à Ré mais de 1 (um) ano após o “sinistro”, teria o condão de alterar modificar o termo inicial da prescrição.

Ora, se se passar a considerar que este tipo de investida “renova” o prazo prescricional, as pretensões tornar-se-ão imprescritíveis, na medida em que a parte sempre poderá, a qualquer tempo, realizar um novo questionamento e a partir dele caracterizar uma “nova” pretensão resistida ou não atendida.

Mas, como as pretensões imprescritíveis são exceções no nosso ordenamento jurídico, a artimanha do Autor, que pretende fazer da exceção uma regra, jamais deverá contar com a anuência do Poder Judiciário.

Por essas razões, o termo inicial da prescrição a ser considerado no caso em questão deverá ser a data do “sinistro”, como bem dispõem

os julgados abaixo:

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PROCESSO DIGITAL Contestação – Processo nº 1001094-25.2015.8.26.0362 Marcelo de Almeida Carvalhais - OAB/SP
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Sendo assim, de rigor que Vossa Excelência pronuncie a prescrição, julgando extinta a demanda, com

Sendo assim, de rigor que Vossa Excelência pronuncie a prescrição, julgando extinta a demanda, com fulcro no artigo 269, inciso IV, do CPC.

DO MÉRITO

Caso a prejudicial de mérito seja afastada, o que se admite apenas para argumentar, a Ré passará a demonstrar que a demanda está fada ao insucesso. Veja-se.

O AUTOR É PORTADOR DE DOENÇA QUE NÃO SE CONFUNDE COM ACIDENTE PESSOAL

O Autor afirma que sofreu acidente do trabalho, motivo pelo qual entende fazer jus a indenização securitária prevista em apólice de seguro de vida em grupo contratada junto a Ré.

Assim, preliminarmente faz-se necessário esclarecer dois pontos primordiais para o correto deslinde do feito, quais sejam:

NÃO SE CONFUNDE SEGURO PRIVADO COM INSS;

ACIDENTE PESSOAL NÃO É DOENÇA OCUPACIONAL, SENDO ESTA ÚLTIMA RISCO EXPRESSAMENTE EXCLUÍDO DA APÓLICE.

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previsto nos contratos: O conceito de ACIDENTE que está devidamente Bem como a exclusão da

previsto nos contratos:

O

conceito

de

ACIDENTE

que

está

devidamente

nos contratos: O conceito de ACIDENTE que está devidamente Bem como a exclusão da doença profissional:

Bem como a exclusão da doença profissional:

devidamente Bem como a exclusão da doença profissional: Na realidade, analisando-se a documentação que acompanhou
devidamente Bem como a exclusão da doença profissional: Na realidade, analisando-se a documentação que acompanhou

Na realidade, analisando-se a documentação que acompanhou a inicial, percebe-se que o Autor é portador de LER/DORT. Ou seja, o Autor não sofreu acidente do trabalho, como alegou na petição inicial, ele é portador de DOENÇA PROFISSIONAL equiparada a acidente do trabalho pelo INSS, equiparação não se aplica ao seguro privado, conforme expressa previsão na apólice.

Neste sentido, brilhante jurisprudência de nosso Tribunal:

Seguro de Vida e Acidentes Pessoais - Acidente e doença são fatos e conceitos distintos. Logo, incapacidade parcial resultante de doença, ainda que derivada do trabalho, não será coberta pelo seguro em grupo de vida e acidente, se a apólice não a previu - Recurso não provido.

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( ) Não houve, porém, acidente. Ampla, no sentido de que alude a todo acidente,

(

)

Não houve, porém, acidente. Ampla, no sentido de que alude a todo acidente, incluindo o do trabalho, a apólice não é de seguro de acidente do trabalho e, pois, não alude à doença parcial.

Acidente não é doença. São conceitos que se diferenciam na essência, ainda que

a consequência de ambos seja a incapacidade, total ou parcial. Aliás, tanto um

não se confunde com a outra, que a legislação especial de acidente de trabalho

os equiparou.

Fossem sinônimos, tivessem idêntico significado, a lei não precisaria equipará- los, para fim único de indenização acidentária especial. Afinal, não se equipara por lei o que na essência já é a mesma coisa, já tem um só significado. Daí que, se a lei equiparou doença do trabalho a acidente do trabalho, é porque na essência, como se mostra intuitivo, uma e outro são distintos entre si.

A apólice reforça a distinção, ao definir tanto acidente quanto doença, de modo

que, respeitado entendimento em contrário, não se justifica dúvida, uma vez que

pequenos microtraumas somados continuam sendo sempre pequenos microtraumas, que eventualmente dão azo a doença e a incapacidade, mas não se convertem em acidente. Assim também, a exposição a substâncias, a produto nocivos ou a gases, a submissão a condições agressivas de trabalho, a ruídos, a

posições viciosas: dão azo à doença do trabalho e à indenização da incapacidade segundo a lei especial, mas não configuram acidente, evento único, imediato, direto, autônomo e hábil, por si só e sem repetição ou prolongamento temporal,

a gerar incapacidade.(TJ/SP. Ac. Un. da 29ª Câm. Dto. Privado. Apelação nº. 9091436-43.2007.8.26.0000. Rel. Des.Silvia Rocha. J. em 16.05.2012)

Nem se alegue, por outro lado, que o autor faria jus à indenização por invalidez parcial por acidente. Ainda que tendinopatia e tenossinovite de punhos - LER, tenham relação causal com sua atividade laboral, melhor sorte não assistiria ao autor. A concessão de auxílio doença ao autor pelo INSS em razão de doença

profissional, não se equipara, para fins de pagamento da indenização securitária de seguro privado facultativo, ao acidente de trabalho nos termos do art. 20 da Lei nº 8.213/91. Não se desconhece os precedentes deste Tribunal que equiparam as doenças profissionais aos acidentes de trabalho, inclusive para fins de pagamento de indenização de seguros privados facultativos. Esta Colenda Câmara, porém, tem entendimento firme no sentido de não ser possível essa equiparação de doença profissional a acidente de trabalho na seara dos seguros privados facultativos, por ser essa equiparação, própria da disciplina do seguro social contra acidentes do trabalho. Não se olvide que a Resolução n. 117/2004 do Conselho Nacional de Seguros Privados, que alterou e consolidou as regras

de funcionamento e os critérios para operação das coberturas de risco oferecidas

em plano de seguro de pessoas e deu outras providências, aplicável às coberturas

de risco, e de implementação imediata às apólices renovadas ou emitidas a partir

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do início de sua vigência (art. 2º da Resolução n. 117/2004 do Conselho Nacional de

do início de sua vigência (art. 2º da Resolução n. 117/2004 do Conselho Nacional de Seguros Privados), 1º de julho de 20005 (art. 71 da mencionada Resolução), prescreve que para seus fins, se excluem do conceito de acidente, as lesões decorrentes, dependentes, predispostas ou facilitadas por esforços repetitivos ou microtraumas cumulativos, ou que tenham relação de causa e efeito com ele e as lesões classificadas como: Lesão por Esforços Repetitivos LER, Doenças Osteo-musculares Relacionadas ao Trabalho DORT, Lesão por Trauma Continuado ou Contínuo LTC, ou similares que venham a ser aceitas pela classe médico-científica e as suas consequências pós-tratamentos, inclusive cirúrgicos, em qualquer tempo; e as situações reconhecidas por instituições oficiais de previdência ou assemelhadas, como “invalidez acidentária”, nas quais o evento causador da lesão não se enquadre integralmente na caracterização de invalidez por acidente pessoal (alíneas “b.3” e “b.4” do art. 5º da Resolução n. 117/2004 do Conselho Nacional de Seguros Privados.). (TJ/SP. Ac. Un. da 27ª Câm. Dto. Privado. Apelação nº. 0138416-27.2009.8.26.0100. Rel. Des. Morais Pucci. J. em 02.09.2014)

Note-se que o que está em discussão é um contrato de seguro de vida em grupo com coberturas bem definidas.

A apólice limitou e particularizou os riscos que desejava assumir, sendo que a moléstia do Autor não está prevista na cobertura securitária como acidente.

A razão disso é que um risco ou alteração da vigência do contrato depois de feita a apólice não estão considerados no cálculo do prêmio. Isso porque tal risco não existia na época em que o prêmio foi calculado. Por isso, esses acréscimos não constam na nota técnica-atuarial remetida à Superintendência de Seguros Privados. Também por isso, esse novo risco ou prazo não estão cobertos por um fundo de reservas técnicas suficientes, que garanta as indenizações devidas em caso de se converter em sinistro.

Destarte, se a seguradora deve consignar os riscos que o contrato pretende cobrir é porque a lei e o Direito autorizam que alguns riscos não sejam cobertos pelo contrato.

Por essas razões, diferentemente do que consta da petição inicial, não há como considerar a hipótese de acidente pessoal no caso em questão, de modo que a demanda deverá ser julgada totalmente improcedente.

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DA NÃO OCORRÊNCIA DA INVALIDEZ FUNCIONAL PERMANENTE TOTAL POR DOENÇA Relata o Autor que está

DA NÃO OCORRÊNCIA DA INVALIDEZ FUNCIONAL PERMANENTE TOTAL POR DOENÇA

Relata o Autor que está incapacitado para o trabalho.

Ocorre que a suposta invalidez por doença narrada pelo Autor não encontra guarida no contrato de seguro em questão.

A garantia em discussão é a INVALIDEZ FUNCIONAL TOTAL POR DOENÇA (IFPD) e encontra-se conceituada nas Condições Gerais e Especiais da Apólice de Seguro:

nas Condições Gerais e Especiais da Apólice de Seguro: Frisa-se que este tipo de seguro visa

Frisa-se que este tipo de seguro visa à antecipação da garantia básica de morte, em casos de doenças extremamente graves, crônicas e irreversíveis, ou seja, para casos bem específicos tidos como realmente incuráveis, e que incapacitem o segurado de exercer a sua vida de forma independente, o que não é o caso dos autos.

Assim, a invalidez funcional, para ser caracterizada, deve acarretar a PERDA DA EXISTÊNCIA INDEPENDENTE DO SEGURADO, o que significa a perda da autonomia do indivíduo, conforme condição prevista na regulamentação e no contrato.

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Nesse sentido dispõe o artigo 17 da Circular SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) nº 302/05:

Nesse sentido dispõe o artigo 17 da Circular SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) nº 302/05:

Da Cobertura de Invalidez Funcional Permanente Total por Doença - Art. 17. Garante o pagamento de indenização em caso de invalidez funcional permanente total, conseqüente de doença, que cause a perda da existência independente do segurado. § 1o Para todos os efeitos desta norma é considerada perda da existência independente do segurado a ocorrência de quadro clínico incapacitante que inviabilize de forma irreversível o pleno exercício das relações autonômicas do segurado, comprovado na forma definida nas condições gerais e/ou especiais do seguro (grifo nosso).

Pelas definições acima, não basta que a doença sofrida pelo Autor seja de impossível recuperação ou reabilitação no momento da constatação, mas é essencial, no caso da cobertura contratada, que seja caracterizada a invalidez funcional total, ou seja, a perda da existência independente do Autor. O que não ocorre no caso em questão, no qual se verifica que a alegada invalidez do Autor, se existente, é parcial por doença a qual não encontra amparo no contrato de seguro firmado entre as partes.

É importante destacar que a escassa documentação colacionada pelo Autor não se mostra suficiente para demonstrar que ele está inválido na condição estabelecida pelo contrato de seguro em questão (INVALIDEZ TOTAL).

outros

elementos são fundamentais para a caracterização da cobertura. A invalidez deve, além de causar a perda da autonomia do segurado, ser permanente e total, ou seja, não deve ser passível de tratamento médico. Deve ficar demonstrado que todos os recursos terapêuticos foram esgotados e que não há mais qualquer possibilidade de recuperação ou reabilitação do segurado.

Além

da

perda

da

existência

independente,

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Cumpre esclarecer que a invalidez funcional aqui mencionada não possui qualquer relação com a atividade

Cumpre esclarecer que a invalidez funcional aqui mencionada não possui qualquer relação com a atividade laborativa do segurado. O termo FUNCIONAL constante da definição refere-se às funções do corpo, à condição física de exercer atividades normais independente de auxílio externo, ou seja, o pagamento da indenização relativo à cobertura contratada não está relacionado com sua atividade de trabalho.

Assim, conforme ilustra o quadro abaixo, disciplina a

SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) na Circular SUSEP 302/05, em seus artigos 15 e 17, a distinção entre Invalidez Funcional Permanente e Total, e a Invalidez Laborativa

Permanente e Total

Estipulante,

por empregadora do Segurado.

Doença,

cobertura

essa

não

contratada

pelo

LABORATIVA (art. 15, § 1º e 2º) Garantia não contratada

FUNCIONAL (art. 17, § 1º e 2º)- Garantia contratada

Não se pode esperar recuperação ou reabilitação, com recursos terapêuticos disponíveis no momento de sua constatação, para a atividade laborativa principal do segurado.

Perda da existência independente do segurado pela ocorrência de quadro clínico incapacitante que inviabilize de forma irreversível o pleno exercício das relações autonômicas na forma definida nas condições gerais/especiais do seguro.

Atividade laborativa principal é aquela através da qual o segurado obteve maior renda, dentro de determinado exercício anual definido nas condições contratuais.

Para efeitos da cobertura de IFPD, consideram-se inválidos de forma permanente, os segurados portadores de doença em fase terminal atestada por profissional legalmente habilitado.

Acrescente-se também que as condições especiais do produto preveem os critérios para caracterizar a existência de determinadas moléstias como funcionais permanentes e totais. Para tanto, há previsão das doenças em que se pressupõe a perda da existência independente. São doenças gravíssimas e estão relacionadas em lista previamente estabelecida nas Condições Especiais da IFPD, conforme relação contida na cláusula que prevê a cobertura da GARANTIA DE INVALIDEZ FUNCIONAL PERMANENTE TOTAL POR DOENÇA das condições especiais:

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Ressalta-se que, conforme clausula 4ª do mesmo capítulo acima transcrito, ainda há a possibilidade de
Ressalta-se que, conforme clausula 4ª do mesmo capítulo acima transcrito, ainda há a possibilidade de

Ressalta-se que, conforme clausula 4ª do mesmo capítulo acima transcrito, ainda há a possibilidade de verificação de outros quadros clínicos tidos como incapacitantes, desde que haja uma avaliação do quadro do segurado, de acordo com a Tabela de Avaliação de Invalidez Funcional IAIF, desde que o segurado apresente uma graduação de 60 pontos num total de 80 pontos possíveis. Tal avaliação, que deve ser realizada mediante perícia médica criteriosa, com o objetivo de constatar se a alegada invalidez do Segurado pode ser considerada como perda da existência independente. Devendo ficar constatado que o segurado, de fato, perdeu autonomia para sua vida diária, aliando os critérios médicos ao número de pontos (anexo 01). O produto não é baseado em critérios subjetivos, mas, sim, séria analise da condição física e existencial do segurado.

Veja, Excelência, que, pelos documentos médicos acostados aos autos, resta claro que o Autor não perdeu sua autonomia, ao contrário mantém suas relações interpessoais, sem necessidade de ajuda de terceiros!!!

Dessa

forma,

não

havendo

invalidez

funcional

por

doença caracterizada, não há que se falar em dever de indenizar da ré!

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DA AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DO BENEFÍCIO CONCEDIDO PELO INSS COM A INVALIDEZ FUNCIONAL PERMANENTE TOTAL

DA AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DO BENEFÍCIO CONCEDIDO PELO INSS COM A INVALIDEZ FUNCIONAL PERMANENTE TOTAL POR DOENÇA DO SEGURO

Necessário esclarecer ainda que as normas técnicas e administrativas do INSS são totalmente diferentes das estabelecidas pela SUSEP, pois, o que o INSS toma por base para a concessão de benefício previdenciário, entre outros aspectos, é a atividade laboral exercida pelo segurado.

A jurisprudência do STJ há muito reconhece a diferenciação dos institutos em inúmeros casos de deferimento de prova pericial por não reconhecer a presunção absoluta da concessão de aposentadoria do INSS para efeito de recebimento da indenização securitária privada [1] .

Em recente decisão monocrática proferida em recurso especial dessa ré seguradora, a Ministra Nancy Andrighi manifestou entendimento pacificado neste sentido:

“COBRANÇA. SEGURO DE PESSOA. INVALIDEZ DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA DE INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA. INVALIDEZ PERMANENTE. APOSENTADORIA PELO INSS. PRESUNÇÃO APENAS RELATIVA DA INCAPACIDADE.

1. A concessão de aposentadoria pelo INSS faz prova apenas relativa da invalidez, daí a possibilidade da realização de nova perícia com vistas a comprovar, de forma irrefutável, a presença da doença que acarreta a incapacidade total e permanente do segurado.

2. Recurso especial provido.” (REsp 1.440.909/SC - Decisão Monocrática. DJE 25.06.2014)

[1] STJ 3ª Turma Resp nº 1.150.776 Min. Ricardo Villas Bôas Cueva 19.06.2012; Min. Sidnei Beneti, AgRg no Ag 1086577 / MG, j; 28-04-2009

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Da mesma forma, a Circular SUSEP nº 302/2005 também estabelece no art. 5º, parágrafo único:

Da mesma forma, a Circular SUSEP nº 302/2005 também estabelece no art. 5º, parágrafo único: ― A aposentadoria por invalidez concedida por instituições oficiais de previdência ou assemelhadas não caracteriza por si só o estado de invalidez permanente de que tratam as Seções III, IV e V deste Capítulo.

Portanto, não há que se confundir os dois institutos, devendo, para o caso dos autos, ater-se aos preceitos norteadores do seguro privado, sendo irrelevante para o deslinde da presente demanda a hipótese do Autor estar ou não recebendo algum benefício previdenciário.

DA ESTIPULAÇÃO NOS CONTRATOS DE SEGURO DE VIDA EM GRUPO

O contrato discutido nos autos Seguro de Vida em Grupo envolve a participação da empresa empregadora do Autor na qualidade de estipulante por intermédio da qual foi contratado o seguro de vida em grupo.

Tal fato pode ser evidenciado por meio do certificado de seguro juntado pelo Autor e pelas condições gerais e particulares que oram se acostam com esta defesa.

Nesta sistemática contratual fica o segurado vinculado de modo restrito às obrigações assumidas pela estipulante em contrato específico conforme dispõe o artigo 3º, § 2º da Resolução CNSP 107, de 2004 da SUSEP [1] :

Artigo 3º, § 2º da Resolução CNSP 107, de 2004 da SUSEP:

“Art

(

)

. Constituem obrigações do estipulante:

[1] Altera e consolida as normas que dispõem sobre estipulação de seguros, responsabilidades e obrigações de estipulantes e seguradoras.

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§ 2º. Deverão ser estabelecidos, em contrato específico firmado entre a sociedade seguradora e o

§ 2º. Deverão ser estabelecidos, em contrato específico firmado entre a sociedade seguradora e o estipulante, os deveres de cada parte em relação à contratação do seguro, nos termos deste artigo.”

Nos termos da Resolução do Conselho Nacional de Seguros Privados nº 107/2004, dentre outras obrigações impostas ao estipulante há a que determina fornecer ao segurado, sempre que solicitado, toda e qualquer informação relacionada ao contrato de seguro, por agir em nome e por conta de um interesse coletivo.

O estipulante assume, nesta relação contratual, a posição de mandatário do segurado ficando por este investido dos poderes de representação para as questões relacionadas ao contrato de seguro, sendo ele o verdadeiro administrador do contrato securitário em nome de um grupo coletivo (segurados) perante a seguradora.

Por esta atribuição, é o estipulante investido dos poderes de representação dos segurados perante a seguradora, quem deve encaminhar todas as comunicações ou avisos inerentes ao contrato de seguro, inclusive alterações de importâncias seguradas, inclusões e exclusões de segurados, renovações e cancelamentos de apólices, bem como os esclarecimentos e especificações dos termos e regras do contrato.

Verifica-se, portanto, que não há como prosperar a alegada ausência de informação sobre os termos e regras do contrato de seguro ora em comento visto que cabe ao estipulante, na qualidade de representante e mandatário dos segurados, prestar todas as informações pertinentes a apólice.

Caso tenha havido falta de informação por parte do Estipulante, caberá a ele responder por esta falha perante o Autor, não havendo que se falar, pois, em responsabilização da Ré.

Neste sentido:

“SEGURO EM GRUPO. MODIFICAÇÃO DE COBERTURA. DEVER DE INFORMAÇÃO DO ESTIPULANTE. HAVENDO

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ContestaçãoProcesso nº 1001094-25.2015.8.26.0362 Marcelo de Almeida Carvalhais - OAB/SP nº162.650 Victor José Petraroli Neto - OAB/SP nº31.464

MODIFICAÇÃO NA COBERTURA DO SEGURO, PRECIPUAMENTE QUANDO RETIRADA GARANTIA QUE ANTERIORMENTE SE ASSEGURAVA, DEVE

MODIFICAÇÃO NA COBERTURA DO SEGURO, PRECIPUAMENTE QUANDO RETIRADA GARANTIA QUE ANTERIORMENTE SE ASSEGURAVA, DEVE INFORMAR O ESTIPULANTE AO SEGURADO, PENA DE RESPONSABILIZAR-SE PELA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR”. (TJRS, Apelação Cível, 598055465).

Diante do quanto exposto, deve ser afastada a indevida alegação de falta de informação por parte da seguradora.

DO CAPITAL SEGURADO

O capital segurado contratado para a apólice nº. 852.247, corresponde a 24 vezes o salário do segurado.

Frisa-se que o valor a ser utilizado para cálculo do capital

segurado é o salário base do segurado.

Isto

porque

remuneração, que possuem conceitos distintos.

Sobre

salário

jurisprudência assim estabelece:

não

se

deve

ressalta-se

no

confundir

dizer

salário

com

da

doutrina

e

“SALARIO = Contra prestação paga diretamente. Distingue-se salário (importância paga pelo empregador) de remuneração (conjunto dos proventos que o empregado recebe ,direta ou indiretamente em virtude do trabalho prestado) Valentim Carrion - Comentários a CLT- 32ª.Edição fls. 138.

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Assim, Remuneração é o salário (salário-base) acrescido a outros valores recebidos pelo empregado, como comissões,

Assim, Remuneração é o salário (salário-base) acrescido

a outros valores recebidos pelo empregado, como comissões, gorjetas, vale-transporte, participação nos lucros, gratificações.

Nesse ponto, registra-se que a limitação acerca do valor

do capital segurado se deve ao fato de que o capital em questão está totalmente ligado ao prêmio

pago pelo segurado, não podendo a seguradora cobrir quaisquer riscos se estes não foram

considerados para a elaboração do cálculo do prêmio.

Portanto, na remota hipótese de procedência, o valor da inesperada indenização deverá ser apurado conforme prevê contrato e levando-se em consideração a data do sinistro, sendo certo que o valor indicado na petição inicial não deverá ser considerado na hipótese de divergência.

DOS JUROS E DA CORREÇÃO MONETÁRIA

Ad argumentandum, na remota hipótese de Vossa Excelência entender pela procedência da demanda, imperioso esclarecer que a indenização a ser devida deve ser atualizada nos termos da lei, posto que o disposto no § 2º, do art. 1º, da Lei nº 6.899/81, determina o cálculo da correção monetária a partir do ajuizamento da ação.

Assim, quanto ao tema em questão, não se discute que a correção monetária seja devida, que integra o valor principal, e que apenas compensa a inflação, o que se discute é a data da incidência, ou seja, o dies a quo da fluência da correção monetária.

Quanto aos juros, estes devem ser fixados de acordo com o ordenamento jurídico, de modo que deverão ser computados a partir da citação, ocasião em que a contestante ficou ciente da ação proposta e, ainda assim, nos moldes previstos na legislação vigente.

Determina expressamente o artigo 219 do C.P.C.: “A citação válida torna prevento o Juízo, induz litispendência e faz litigiosa a coisa e, ainda

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quando ordenada por Juiz incompetente CONSTITUI EM MORA O DEVEDOR e interrompe a prescrição”. Merecendo

quando ordenada por Juiz incompetente CONSTITUI EM MORA O DEVEDOR e interrompe a prescrição”.

Merecendo

acolhimento

este

pleito,

apenas

“ad

argumentandum tantum”, a correção monetária deverá incidir a partir do ajuizamento e os juros

de mora a partir da citação da ora contestante, o que desde já se requer.

DO NÃO CABIMENTO DO PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS

Com relação ao pedido de indenização por danos morais formulado pelo Autor, tem-se que este, em hipótese alguma, deverá ser acolhido. Veja- se.

Inicialmente, cumpre salientar que a hipótese destes autos versa sobre suposto, porém inexistente, descumprimento contratual.

Ocorre que, como é cediço, simples inadimplemento contratual, cujas consequências estão bem dispostas na legislação civil, não enseja dano moral, razão pela qual, tão só por este motivo, o pleito em questão não pode ser acolhido.

Mas não é só.

Além de tratar-se a hipótese em discussão de suposto inadimplemento contratual, situação que já é suficiente para ensejar o afastamento do pedido de indenização por danos morais, não há como se vislumbrar nenhum dano moral ao Autor.

Sabe-se que o instituto do dano moral visa reparar os danos causados ao direito de personalidade do individuo correspondente a um valor fundamental, conforme leciona o ilustre Professor Yussef Said Cahali: “é a privação ou diminuição daqueles bens que têm um valor precípuo na vida do homem e que são a paz, a tranquilidade de espírito, a liberdade individual, a integridade individual, a integridade física, a honra e os demais sagrados afetos, classificando-se desse modo, em dano que afeta a parte

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social do patrimônio moral (honra, reputação, etc.), dano moral que molesta a parte afetiva do

social do patrimônio moral (honra, reputação, etc.), dano moral que molesta a parte afetiva do patrimônio moral (dor, tristeza, saudade, etc.), dano moral que provoca direta ou indiretamente dano patrimonial (cicatriz deformante, etc.), e dano moral puro (dor, tristeza, etc)".

De se questionar aqui, qual direito de personalidade

E a resposta flui com naturalidade: Nenhum,

do Autor foi ferido pela conduta da Ré? Excelência!

Acatar o pleito indenizatório do Autor é decidir pela banalização do instituto do dano moral, situação que deve ser reprimida pelo Poder Judiciário.

A indenização por dano moral é destinada a proporcionar ao lesado uma sensação positiva equivalente à sensação dolorosa que suportou, a dor que esse dano causou. O constrangimento que o Autor aduz ter sofrido não justifica o pedido de indenização em danos morais realizado.

A Constituição Federal em seu artigo 5º assegura a indenização por danos morais sofridos, se estes de fato se efetivam, ou seja, se de fato houver motivos que afetem a moral do ser humano. O que não pode tornar-se um hábito na esfera do Poder Judiciário é a total banalização deste sério e importante instituto.

Analisando-se na história a origem do instituto criado para indenizar os “danos morais”, vislumbram-se situações repudiantes, que eram punidas por atingirem efetivamente o âmago do indivíduo. Hoje, no entanto, existe uma tendência em simplificar de tal forma os sentimentos tidos como feridos ou aviltados, que uma situação corriqueira é usada para justificar a ocorrência de dano moral.

Ora, o dano moral só existe quando ocorre ofensa à honra subjetiva do ser humano, que se caracteriza pela dignidade, decoro e autoestima, sempre que o seu bom nome, reputação ou imagem, forem atingidos no meio social em que vive, ou no comercial, por algum ato ilícito, trazendo-lhe, em consequência, dor intima.

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De fato, a indenização reparatória de danos morais não pode ser entendida como uma forma

De fato, a indenização reparatória de danos morais

não pode ser entendida como uma forma de enriquecimento sem causa, não pode repor algo que

jamais existiu.

E, em relação ao valor, a jurisprudência dominante tem

entendido, reiteradamente, que para fixar o valor da indenização por dano moral, o juiz deverá

agir com cautela, a fim de evitar que a condenação converta-se em fonte de enriquecimento

ilícito e obtenção de vantagem indevida para a parte adversa.

de

quantum indenizatório, eis o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça:

Corroborando

com

a

necessidade

controle

do

PROCESSO CIVIL - AGRAVO REGIMENTAL RESPONSABILIDADE CIVIL - INSCRIÇÃO INDEVIDA EM ÓRGÃOS DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE - REEXAME DE PROVAS - SÚMULA 7/STJ - DANOS -

MORAIS

-

QUANTUM

-

RAZOABILIDADE

DESPROVIMENTO.

) (

controle do Superior Tribunal de Justiça, sendo certo que, na sua fixação, recomendável que o arbitramento seja feito com moderação, proporcionalmente ao grau de culpa, ao nível socioeconômico dos autores e, ainda, ao porte econômico dos réus, orientando-se o juiz

pela

Como cediço, o valor da indenização sujeita-se ao

pelos

critérios

sugeridos

pela

doutrina

e

jurisprudência, com razoabilidade, valendo-se de sua

experiência e do bom senso, atento à realidade da vida e às peculiaridades de cada caso.

) (

(STJ, AgRg no Ag 657289 / BA, Rel. Ministro JORGE SCARTEZZINI, QUARTA TURMA, DJ 05.02.2007)

Agravo regimental desprovido.”

Assim, sendo acolhido o pedido de danos morais, o

que se admite apenas para fins de argumentação, o valor a ser arbitrado deverá ser

razoável, seguindo os parâmetros e diretrizes recomendados pela jurisprudência pátria.

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E mais, no tocante à correção monetária, deve se aplicar o disposto na Súmula nº

E mais, no tocante à correção monetária, deve se aplicar o disposto na Súmula nº 362, originada pelo projeto 775 do Superior Tribunal de Justiça, que prevê: “A CORREÇÃO MONETÁRIA DO VALOR DA INDENIZAÇÃO DO DANO MORAL INCIDE DESDE A DATA DO ARBITRAMENTO”.

Ademais, se houver fixação em salários mínimos, não deverá incidir correção monetária, pois, se a correção monetária é a adequação da moeda no tempo, o salário mínimo já tem esse condão, tendo em vista que é majorado anualmente.

Quanto aos juros, estes devem ser fixados de acordo com o ordenamento jurídico, devendo ser computados a partir do arbitramento, nos moldes previstos na legislação vigente.

Nesse sentido, recentemente decidiu o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 494.183 SP (2002/155865-3), de relatoria da i. Ministra Maria Isabel Gallotti:

de relatoria da i. Ministra Maria Isabel Gallotti: Sendo assim, na remota hipótese de acolhimento do

Sendo assim, na remota hipótese de acolhimento do pedido de indenização por dano moral, devem ser seguidos os parâmetros ditados acima.

DA IMPOSSIBILIDADE DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

Requerer Referida pretensão, toda, não merece prosperar.

o

Autor

seja

invertido

o

ônus

da

prova.

O Autor tem o dever de provar os fatos constitutivos de seu direito, conforme dispõe o artigo 333 do CPC, não tendo sido tal artigo derrogado pelo art.

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6º do Código de Defesa do Consumidor, que só possibilita a inversão do ônus da

6º do Código de Defesa do Consumidor, que só possibilita a inversão do ônus da prova, quando houver verossimilhança na alegação ou quando o consumidor for hipossuficiente.

Desde o Direito romano aplicava-se o Princípio semper onus probandi ei incumbit quid dicit, significando que o ônus da prova incumbira a quem afirma.

E não há que se falar em presunção de hipossuficiência, menos ainda confundir-se tal conceito com o de vulnerabilidade, que não se aplicam no caso em tela.

Sendo assim, não há que prevalecer o pleito em questão.

DAS PROVAS

Requer desde já a Seguradora Ré seja:

(i) expedido ofício ao INSS solicitando informações acerca de eventuais pedidos de afastamento em nome do Autor; (ii) expedido ofício à Estipulante para que informe o período em que o Autor nela laborou, bem como informe o seu histórico de afastamentos. (iii)Prova Pericial: necessária à realização de perícia médica no Autor, para verificar eventual grau incapacitante, bem como, qual é o percentual indenizatório em razão dessa perda, redução ou impotência definitiva (total ou parcial);

Protesta também pela produção de: Prova documental suplementar que se torne imprescindível no decorrer da instrução para solução equânime da lide; e Demais provas em Direito admitidas sem exclusão de qualquer delas.

DO PEDIDO

Consoante todo o exposto, requer-se:

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(i) seja pronunciada a PRESCRIÇÃO , EXTINGUINDO-SE A DEMANDA COM A ANÁLISE DO MÉRITO ,

(i) seja pronunciada a PRESCRIÇÃO, EXTINGUINDO-SE A DEMANDA COM A ANÁLISE DO MÉRITO, conforme prejudicial de mérito invocada;

(ii) no caso de afastamento da prejudicial de mérito, seja a presente ação JULGADA IMPROCEDENTE, devendo, em consequência ser o Autor condenado ao pagamento dos honorários advocatícios no percentual a ser fixado por Vossa Excelência, custas processuais e demais cominações legais, eis que em assim o fazendo, uma vez estará sendo aplicada a mais lídima e costumeira JUSTIÇA.

Por fim, a Ré requer que todas as publicações e ou intimações relativas ao presente processo, sejam efetuadas única e exclusivamente em nome dos subscritores da presente, conforme permissivo constante no tomo I, capítulo IV, item 62, das Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça, sob pena de nulidade processual.

Nestes termos, pede deferimento. São Paulo, 8 de abril de 2015.

VICTOR JOSÉ PETRAROLI NETO OAB/SP 31.464

ANA RITA R. PETRAROLI OAB/SP 130.291

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ANEXO 01 INSTRUMENTO PARA AVALIAÇÃO DE "QUADRO CLÍNICO INCAPACITANTE NÃO CRITERIZADO" ATRIBUTOS PONTOS GRAUS

ANEXO 01

INSTRUMENTO PARA AVALIAÇÃO DE "QUADRO CLÍNICO INCAPACITANTE NÃO CRITERIZADO"

DE "QUADRO CLÍNICO INCAPACITANTE NÃO CRITERIZADO" ATRIBUTOS PONTOS GRAUS 0 10 20 E E S S

ATRIBUTOS

CLÍNICO INCAPACITANTE NÃO CRITERIZADO" ATRIBUTOS PONTOS GRAUS 0 10 20 E E S S C C

PONTOS

GRAUS

0

NÃO CRITERIZADO" ATRIBUTOS PONTOS GRAUS 0 10 20 E E S S C C A A

10

NÃO CRITERIZADO" ATRIBUTOS PONTOS GRAUS 0 10 20 E E S S C C A A

20

NÃO CRITERIZADO" ATRIBUTOS PONTOS GRAUS 0 10 20 E E S S C C A A
NÃO CRITERIZADO" ATRIBUTOS PONTOS GRAUS 0 10 20 E E S S C C A A

EESSCCAALLAA DDEE RREELLAAÇÇÕÕEESS EEXXIISSTTEENNCCIIAAIISS

11ºº GGrraauu:: OO SSEEGGUURRAADDAA MMAANNTTÉÉMM SSUUAASS RREELLAAÇÇÕÕEESS IINNTTEERRPPEESSSSOOAAIISS CCOOMM CCAAPPAACCIIDDAADDEE DDEE CCOOMMPPRREEEENNSSÃÃOO EE CCOOMMUUNNIICCAAÇÇÃÃOO;; DDEEAAMMBBUULLAA LLIIVVRREEMMEENNTTEE;; SSAAII ÀÀ RRUUAA SSEEMM SSUUPPEERRVVIISSÃÃOO;; EESSTTÁÁ CCAAPPAACCIITTAADDOO AA DDIIRRIIGGIIRR VVEEÍÍCCUULLOOSS AAUUTTOOMMOOTTOORREESS;; MMAANNTTÉÉMM SSUUAASS AATTIIVVIIDDAADDEESS DDAA VVIIDDAA CCIIVVIILL,, PPRREESSEERRVVAANNDDOO OO PPEENNSSAAMMEENNTTOO,, AA MMEEMMÓÓRRIIAA EE OO JJUUÍÍZZOO DDEE VVAALLOORR ??

22ºº GGrraauu:: OO SSEEGGUURRAADDAA AAPPRREESSEENNTTAA DDEESSOORRIIEENNTTAAÇÇÃÃOO;; NNEECCEESSSSIITTAA DDEE AASSSSIISSTTÊÊNNCCIIAA ÀÀ LLOOCCOOMMOOÇÇÃÃOO EE//OOUU PPAARRAA SSAAIIRR ÀÀ RRUUAA;; CCOOMMUUNNIICCAA--SSEE CCOOMM DDIIFFIICCUULLDDAADDEE;; RREEAALLIIZZAA PPAARRCCIIAALLMMEENNTTEE AASS AATTIIVVIIDDAADDEESS DDOO CCOOTTIIDDIIAANNOO;; PPOOSSSSUUII RREESSTTRRIIÇÇÕÕEESS MMÉÉDDIICCAASS DDEE OORRDDEEMM RREELLAATTIIVVAASS OOUU PPRREEJJUUÍÍZZOO IINNTTEELLEECCTTUUAALL EE//OOUU DDÉÉFFIICCIITT CCOOGGNNIITTIIVVOO ??

33ºº GGrraauu:: OO SSEEGGUURRAADDAA AAPPRREESSEENNTTAA--SSEE RREETTIIDDOO AAOO LLAARR;; TTEEMM PPEERRDDAA NNAA MMOOBBIILLIIDDAADDEE OOUU NNAA FFAALLAA;; NNÃÃOO RREEAALLIIZZAA AATTIIVVIIDDAADDEESS DDOO CCOOTTIIDDIIAANNOO;; PPOOSSSSUUII RREESSTTRRIIÇÇÕÕEESS MMÉÉDDIICCAASS IIMMPPEEDDIITTIIVVAASS DDEE OORRDDEEMM TTOOTTAALLIITTÁÁRRIIAA OOUU AAPPRREESSEENNTTAA AALLGGUUMM GGRRAAUU DDEE AALLIIEENNAAÇÇÃÃOO MMEENNTTAALL ??

I E E N N A A Ç Ç Ã Ã O O M M E

EESSCCAALLAA DDEE CCOONNDDIIÇÇÕÕEESS CCLLÍÍNNIICCAASS EE EESSTTRRUUTTUURRAAIISS

11°° GGrraauu:: OO SSEEGGUURRAADDAA AAPPRREESSEENNTTAA--SSEE HHÍÍGGIIDDOO;; CCAAPPAAZZ DDEE LLIIVVRREE MMOOVVIIMMEENNTTAAÇÇÃÃOO;; NNÃÃOO AAPPRREESSEENNTTAA EEVVIIDDÊÊNNCCIIAA DDEE DDIISSFFUUNNÇÇÃÃOO EE//OOUU IINNSSUUFFIICCIIÊÊNNCCIIAA DDEE ÓÓRRGGÃÃOOSS,, AAPPAARREELLHHOOSS OOUU SSIISSTTEEMMAASS,, PPOOSSSSUUIINNDDOO VVIISSÃÃOO EEMM GGRRAAUU QQUUEE LLHHEE PPEERRMMIITTAA DDEESSEEMMPPEENNHHAARR SSUUAASS TTAARREEFFAASS NNOORRMMAAIISS ??

22°° GGrraauu:: OO SSEEGGUURRAADDAA AAPPRREESSEENNTTAA DDIISSFFUUNNÇÇÃÃOO((ÕÕEESS)) EE//OOUU IINNSSUUFFIICCIIÊÊNNCCIIAA((SS)) CCOOMMPPRROOVVAADDAASS CCOOMMOO RREEPPEERRCCUUSSSSÕÕEESS SSEECCUUNNDDÁÁRRIIAASS DDEE DDOOEENNÇÇAASS AAGGUUDDAASS OOUU CCRRÔÔNNIICCAASS,, EEMM EESSTTÁÁGGIIOO QQUUEE OO OOBBRRIIGGUUEE AA DDEEPPEENNDDEERR DDEE SSUUPPOORRTTEE MMÉÉDDIICCOO CCOONNSSTTAANNTTEE ((AASSSSIISSTTIIDDOO)) EE DDEESSEEMMPPEENNHHAARR SSUUAASS TTAARREEFFAASS NNOORRMMAAIISS DDIIÁÁRRIIAASS CCOOMM AALLGGUUMMAA RREESSTTRRIIÇÇÃÃOO ??

33°° GGrraauu:: OO SSEEGGUURRAADDAA AAPPRREESSEENNTTAA QQUUAADDRROO CCLLÍÍNNIICCOO AANNOORRMMAALL,, EEVVOOLLUUTTIIVVAAMMEENNTTEE AAVVAANNÇÇAADDOO,, DDEESSCCOOMMPPEENNSSAADDOO OOUU IINNSSTTÁÁVVEELL,, CCUURRSSAANNDDOO CCOOMM DDIISSFFUUNNÇÇÕÕEESS EE//OOUU IINNSSUUFFIICCIIÊÊNNCCIIAASS EEMM ÓÓRRGGÃÃOOSS VVIITTAAIISS,, QQUUEE SSEE EENNCCOONNTTRREE EEMM EESSTTÁÁGGIIOO QQUUEE DDEEMMAANNDDEE SSUUPPOORRTTEE MMÉÉDDIICCOO MMAANNTTIIDDOO ((CCOONNTTRROOLLAADDOO)),, QQUUEE AACCAARRRREETTEE RREESSTTRRIIÇÇÃÃOO AAMMPPLLAA AA EESSFFOORRÇÇOOSS FFÍÍSSIICCOOSS EE QQUUEE CCOOMMPPRROOMMEETTAA AA VVIIDDAA CCOOTTIIDDIIAANNAA,, MMEESSMMOO QQUUEE CCOOMM IINNTTEERRAAÇÇÃÃOO DDEE AASSSSIISSTTÊÊNNCCIIAA EE//OOUU AAUUXXÍÍLLIIOO TTÉÉCCNNIICCOO ??

GRAUS

Í Í L L I I O O T T É É C C N N

0

Í L L I I O O T T É É C C N N I

10

L L I I O O T T É É C C N N I I

20

L I I O O T T É É C C N N I I C
L I I O O T T É É C C N N I I C

EESSCCAALLAA DDEE EESSTTAADDOOSS CCOONNEEXXOOSS -- CCUUIIDDAADDOOSS PPEESSSSOOAAIISS EE AALLIIMMEENNTTAAÇÇÃÃOO

GRAUS

11°° GGrraauu:: OO SSEEGGUURRAADDAA RREEAALLIIZZAA,, SSEEMM AASSSSIISSTTÊÊNNCCIIAA,, AASS AATTIIVVIIDDAADDEESS DDEE VVEESSTTIIRR--SSEE EE DDEESSPPIIRR--SSEE;; DDIIRRIIGGIIRR--SSEE AAOO BBAANNHHEEIIRROO;; LLAAVVAARR OO RROOSSTTOO;; EESSCCOOVVAARR SSEEUUSS DDEENNTTEESS;; PPEENNTTEEAARR--SSEE;; BBAARRBBEEAARR--SSEE;; BBAANNHHAARR--SSEE;; EENNXXUUGGAARR--SSEE,, MMAANNTTEENNDDOO OOSS AATTOOSS DDEE HHIIGGIIEENNEE ÍÍNNTTIIMMAA EE DDEE AASSSSEEIIOO PPEESSSSOOAALL,, SSEENNDDOO CCAAPPAAZZ DDEE MMAANNTTEERR AA AAUUTT