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Utilização de Geo Leca na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco

UTILIZAÇÃO DE GEO LECA NA REABILITAÇÃO DE UM ENCONTRO DA PONTE SOBRE O RIO BOCO

USE OF GEO LECA ON THE REHABILITATION OF A BRIDGE ABUTMENT OVER RIVER BOCO

Domingos Moreira, GEG, Portugal, dmoreira@geg.pt Ricardo Leite, GEG, Portugal, ricleite@geg.pt Paulo Lopes Pinto, DEC-FCT-Universidade de Coimbra, GEG, Portugal, ppinto@geg.pt Raquel Pais, GEG, Portugal, rpais@geg.pt António Campos e Matos, GEG, Portugal, acmatos@geg.pt

1. Introdução

O presente trabalho refere-se à Reabilitação / Reforço do Encontro Poente (E1) da Ponte

Sobre o Rio Boco, na auto-estrada A25, no Lanço Pirâmides Barra, em Aveiro. Nesta obra

foi

utilizada Geo Leca como uma componente fundamental da solução adoptada.

O

encontro poente da Ponte Sobre o Rio Boco, na referida auto-estrada A25, apresentava

assentamentos elevados, da ordem dos vários decímetros. Foi realizado pelo GEG, a pedido da AENOR, o projecto para a reabilitação / reforço do mesmo.

Com este objectivo, foi inicialmente definida uma campanha de sondagens, ensaios in-situ e laboratoriais, de modo a caracterizar os solos de fundação e assim tentar compreender quais os motivos dos assentamentos e anomalias observados e o seu grau de evolução, bem como definir soluções para prevenir os problemas daí decorrentes.

A primeira fase do estudo consistiu na análise dos resultados da prospecção efectuada e na modelação da execução do aterro existente. Procurou-se estimar os assentamentos por este induzidos, bem como a sua progressão no tempo. Concluiu-se pela conveniência de intervir, na medida que parte relevante dos assentamentos totais não teria ainda ocorrido.

As soluções indicadas para este tipo de intervenções são essencialmente de dois tipos:

redução das cargas transmitidas ou reforço do solo de fundação.

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Na segunda fase do estudo, em conformidade, foram desenvolvidas duas soluções distintas de reabilitação / reforço para o encontro E1. A primeira consiste no alívio de carga ao nível do aterro, com substituição por materiais mais leves, de modo a limitar os assentamentos totais expectáveis para a nova situação a valores muito semelhantes aos já ocorridos. A segunda solução proposta consiste no reforço dos solos de fundação sob o maciço de terra armada, materializado por colunas de “jet-grout”, a executar no interior do maciço de fundação.

A solução escolhida, por se revelar mais vantajosa do ponto de vista técnico/económico,

envolve a utilização de um aterro de Geo Leca.

O conceito de solução consiste no aproveitamento da menor massa volúmica da Geo Leca

para reduzir as cargas descarregadas na camada consolidável de fundação. Desta forma, a maior carga actualmente aplicada funciona como uma pré-carga, dentro da mesma configuração geométrica, relativamente à situação final de aterro com Geo Leca. Aproveitou- se portanto a circunstância feliz de os assentamentos totais para a carga reduzida a longo prazo serem praticamente idênticos aos já ocorridos com a maior carga aplicada.

Além do desenvolvimento normal da solução em relação à questão fundamental e causadora das patologias/avarias estruturais, ou seja, dos assentamentos continuados do aterro, foi também incluída a substituição do tramo de margem da ponte. Esta decisão resulta das condições aquém do desejável em que se encontra esse tramo de margem e também da simplificação construtiva que permite na execução do aterro com Geo Leca.

2. Descrição das Estruturas Existentes

A Ponte sobre o Rio Boco localiza-se na actual auto-estrada A25, no lanço Pirâmides

Barra, em Aveiro, e foi construída há pouco mais de 14 anos, aquando do prolongamento do

IP5 nesse troço.

Trata-se de uma ponte com um tabuleiro em laje vigada, com vigas pré-fabricadas, com 175m de desenvolvimento total e 29,50m de largura. A parte principal do tabuleiro é suportada por 6 pilares centrais e em pilares de transição. A estrutura é contínua, entre os pilares de transição de cada margem. A concepção das extremidades da ponte é idêntica à da ponte mais antiga, paralela à existente. Cada extremidade é, no essencial, materializada por um tramo de margem isostático, em laje maciça, que vence o vão entre os pilares de

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transição e o encontro. A parte em betão do encontro é reduzida a uma pequena sapata, suportada por um muro de terra armada. As juntas de dilatação da ponte não se localizam nos encontros mas sim nos pilares de transição. Esta solução é estruturalmente interessante porque, de facto, isola o tabuleiro contínuo de assentamentos que possam ocorrer no encontro. No entanto, a grandeza dos assentamentos foi tal que originou avarias no muro em terra armada, adiante descritas, além de causar transtornos à circulação e impor condições de funcionamento severas para as juntas de dilatação.

O tramo de margem junto a E1, pela sua muito menor altura estrutural, permitiu a

implantação de um arruamento inferior (Figura 1).

a implantação de um arruamento inferior (Figura 1). Figura 1 – Aspecto geral do encontro E1
a implantação de um arruamento inferior (Figura 1). Figura 1 – Aspecto geral do encontro E1

Figura 1 Aspecto geral do encontro E1

Os vãos correntes são de 25,0m. Os pilares são constituídos por elementos de secção

circular, nos apoios no leito do Rio Boco, e por elementos de secção rectangular, nos pilares

de transição, que já se localizam nas margens. As fundações são do tipo indirecto.

3. Situação Existente

Foi identificada, em 2001, na Ponte Sobre o Rio Boco, a existência de patologias ao nível do tramo de margem poente e do encontro E1. Tais patologias consistem na rotação do tramo

de margem em torno do seu apoio no pilar de transição, em resultado do assentamento do

encontro (Figura 2). Traduzem-se ainda pela deslocação e fissuração das escamas do nível

superior do muro em terra armada (Figura 3).

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No decorrer deste alerta foram criadas medidas de prevenção, visando a manutenção temporária. Paralelamente, foi encetado um processo de observação/monitorização dos assentamentos verificados neste encontro.

dos assentamentos verificados neste encontro. Figura 2 – Rotação nas extremidades do tramo de margem
dos assentamentos verificados neste encontro. Figura 2 – Rotação nas extremidades do tramo de margem

Figura 2 Rotação nas extremidades do tramo de margem poente e do encontro E1

nas extremidades do tramo de margem poente e do encontro E1 Figura 3 – Deslocação e
nas extremidades do tramo de margem poente e do encontro E1 Figura 3 – Deslocação e

Figura 3 Deslocação e Fissuração das Escamas de Terra Armada

Os assentamentos iniciaram-se, manifestamente, ainda durante a construção da obra. Um indício seguro deste facto é o marcado desalinhamento das vigas de bordadura com o tabuleiro.

4. Diagnóstico. Segurança das Estruturas Existentes

A apresentação de uma explicação e diagnóstico para o estado de uma estrutura com avarias não tem como objectivo a satisfação de uma curiosidade, mas sim, e principalmente, o de basear correctamente as soluções de reforço e reabilitação projectadas. Nos pontos seguintes, procura-se desenvolver uma explicação plausível para as avarias ocorridas, embora se admita que alguma da especulação que se torna necessário tomar, para

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encontrar uma relação lógica de “causa-efeito”, poderia ser também usada para outras variantes de diagnóstico. Em resumo, os pontos em que se baseia o presente diagnóstico são:

os pontos em que se baseia o presente diagnóstico são: Assentamento muito significativo (cerca de 0,50m),

Assentamento muito significativo (cerca de 0,50m), no alinhamento extremo do tramo de margem do encontro E1. Este assentamento ter-se-á iniciado ainda durante a construção. Ver Figura 4;

iniciado ainda durante a construção. Ver Figura 4; Figura 4 – Assentamento no alinhamento extremo do
iniciado ainda durante a construção. Ver Figura 4; Figura 4 – Assentamento no alinhamento extremo do

Figura 4 Assentamento no alinhamento extremo do tramo de margem de E1

Depreende-se que parte significativa do assentamento agora observado se deu durante a construção da obra de arte. Observa-se, na Figura 5, que as vigas de bordadura parecem ter sido montadas de forma a compensar o assentamento entretanto ocorrido no encontro;Assentamento no alinhamento extremo do tramo de margem de E1 Figura 5 – Desalinhamento da base

a compensar o assentamento entretanto ocorrido no encontro; Figura 5 – Desalinhamento da base das vigas

Figura 5 Desalinhamento da base das vigas de bordadura com o subleito do tramo de margem.

O assentamento prosseguiu após a conclusão da obra. Um indício claro deste facto, e das

O assentamento prosseguiu após a conclusão da obra. Um indício claro deste facto, e das medidas correctivas entretanto tomadas, é o desalinhamento das guardas de segurança com as vigas de bordadura, visível na Figura 4;

Observa-se destaque e fissuração das escamas superiores do muro em terra armada. Ver Figura 3;

Observa-se destaque e fissuração das escamas superiores do muro em terra armada. Ver Figura 3;

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na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco Em consequência do assentamento no

Em consequência do assentamento no encontro, a rotação do tramo de margem de E1 é bastante pronunciada. Ver Figura 2 e Figura 6.

de E1 é bastante pronunciada. Ver Figura 2 e Figura 6. Figura 6 – Pormenor da

Figura 6 Pormenor da rotação nas extremidades do tramo de margem de E1

Pode então concluir-se que o muro em terra armada do encontro E1 apresenta

assentamentos muito consideráveis, tendo uma parte significativa destes ocorrido ainda durante a construção da obra de arte. O tramo de margem é rotulado no pilar de transição, como se vê na Figura 6, e contínuo com a viga de fundação que apoia no maciço de terra armada. A cota da base desta viga é bastante inferior à da rótula no pilar de transição. Verificando-se um assentamento do apoio do encontro, a rotação do tramo de margem produz, em consequência, um deslocamento horizontal não negligenciável da base da viga

de fundação, no sentido da margem para o rio. É, em nossa opinião, esta componente que

motiva e justifica a fissuração importante da parte superior das escamas de topo do muro

em terra armada. Por outro lado, o facto de a linha de fissuração se encontrar acima das armaduras superiores (tirantes) do muro é um indício favorável no que diz respeito ao estado global de segurança deste elemento estrutural.

5. Considerações Geológicas e Geotécnicas

5.1. Litologia

A Ponte Sobre o Rio Boco está implantada numa zona dominantemente aluvionar nas

imediações de Aveiro, caracterizada por aluviões actuais (a). Segundo a carta geológica

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16A Aveiro, esta aluvião repousa sobre os Arenitos e Argilas de Aveiro (C5), de idade Cretácica. (ver Figura 7).

Argilas de Aveiro (C5), de idade Cretácica. (ver Figura 7). Figura 7 – Extracto da carta
Argilas de Aveiro (C5), de idade Cretácica. (ver Figura 7). Figura 7 – Extracto da carta

Figura 7 Extracto da carta geológica de Portugal à escala 1:50 000, Folha 16A - Aveiro, com a localização aproximada da Ponte.

5.2. Campanha de prospecção

Com o intuito de obter informações sobre os materiais de fundação do encontro da ponte em estudo (Encontro Poente, E1), foi proposta e realizada uma campanha de prospecção que compreendeu um total de 3 sondagens mecânicas, 65 ensaios SPT, recolha de 9 amostras indeformadas, realização de 2 ensaios de corte rotativo e de 4 ensaios de penetração estática com medição das pressões neutras. Foram ainda realizados 6 ensaios edométricos.

5.3. Sondagens

De acordo com os diagramas das sondagens, constatou-se que os materiais interceptados são constituídos por aluviões que se estendem até uma profundidade média de 29m, a partir da qual se encontram as Argilas de Aveiro.

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Quadro 1 – Sondagens e Ensaios “in situ”

Sondagem

Realizada

Profundidade

Nível freático

 

SPT (un)

Em

(m)

(m)

   

S1

Maio 2006

39.0

4,5

25

S2

Maio 2006

31,5

0,0

19

S3

Maio 2006

31,5

1,8

21

A observação mais detalhada dos diagramas das sondagens revelou que os materiais aluvionares variam na sua composição, ora mais arenosos, ora mais argilosos. De um modo geral, são caracterizados por intercalações de areias finas a médias, silto-lodosas, com lodos argilo-siltosos pontualmente com a presença de restos de conchas.

Na Figura 8 encontram-se representados os metros de perfuração nos diferentes materiais. Constata-se imediatamente a variedade dos mesmos.

Materiais intersectados

16,0 14,5 14,0 13,2 12,5 12,0 9,5 10,0 7,4 7,1 8,0 6,6 6,5 6,0 4,8
16,0
14,5
14,0
13,2 12,5
12,0
9,5
10,0
7,4
7,1
8,0
6,6
6,5
6,0
4,8
6,0
3,2
3,2
3,0
4,0
2,0
1,5
1,0
2,0
0,0
Metros de Perfuração

Aterro/betuminoso/pavimento

Areia fina silto-lodosa2,0 0,0 Metros de Perfuração Aterro/betuminoso/pavimento Areia fina lodosa Areia fina a média, siltosa com

Areia fina lodosaAterro/betuminoso/pavimento Areia fina silto-lodosa Areia fina a média, siltosa com fragmentos de conchas e

Areia fina a média, siltosa com fragmentos de conchas e seixo pequenoAreia fina silto-lodosa Areia fina lodosa Areia fina a média Silte lodoso Lodo argiloso Argila

Areia fina a médiaa média, siltosa com fragmentos de conchas e seixo pequeno Silte lodoso Lodo argiloso Argila siltosa

Silte lodosofragmentos de conchas e seixo pequeno Areia fina a média Lodo argiloso Argila siltosa Areia fina

Lodo argilosode conchas e seixo pequeno Areia fina a média Silte lodoso Argila siltosa Areia fina a

Argila siltosaseixo pequeno Areia fina a média Silte lodoso Lodo argiloso Areia fina a média, lodosa Areia

Areia fina a média, lodosafina a média Silte lodoso Lodo argiloso Argila siltosa Areia fina a média, lodosa com fragmentos

Areia fina a média, lodosa com fragmentos de conchas e seixo pequenoLodo argiloso Argila siltosa Areia fina a média, lodosa Areia fina a média, siltosa Areia média

Areia fina a média, siltosaa média, lodosa com fragmentos de conchas e seixo pequeno Areia média a grosseira argilo-lodosa com

Areia média a grosseira argilo-lodosa com fragmentos de conchasde conchas e seixo pequeno Areia fina a média, siltosa Areia fina com lentículas lodosas Lodo

Areia fina com lentículas lodosassiltosa Areia média a grosseira argilo-lodosa com fragmentos de conchas Lodo argilo-siltoso Lodo silto argiloso Argilito

Lodo argilo-siltosomédia a grosseira argilo-lodosa com fragmentos de conchas Areia fina com lentículas lodosas Lodo silto argiloso

Lodo silto argilosomédia a grosseira argilo-lodosa com fragmentos de conchas Areia fina com lentículas lodosas Lodo argilo-siltoso Argilito

Argilitoargilo-lodosa com fragmentos de conchas Areia fina com lentículas lodosas Lodo argilo-siltoso Lodo silto argiloso

Figura 8 Distribuição dos metros de perfuração pelos diferentes materiais interceptados

Apesar das variações, pode distinguir-se dois tipos de aluviões: uma aluvião com características dominantes arenosas e uma outra com características lodosas. Na Figura 9, estão representados os metros de perfuração para cada uma dessas aluviões, assim como para o aterro (que engloba também o pavimento e betuminoso), a argila siltosa e os argilitos

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do Cretácico. Na mesma figura verifica-se que a aluvião lodosa domina sobre a aluvião arenosa.

que a aluvião lodosa domina sobre a aluvião arenosa. Figura 9 – Distribuição dos metros de

Figura 9 Distribuição dos metros de perfuração pelos principais grupos litológicos identificados

5.4. Ensaios de Penetração SPT

Uma primeira análise geral dos resultados dos ensaios de Penetração Dinâmica Descontínua (SPT) realizados, revela um domínio de NSPT <30 perfazendo cerca de 75% dos ensaios, destacando-se os resultados compreendidos entre 10-30 pancadas com 35,4% (ver Figura 10).

40,0 35,4 35,0 30,0 NSPT<4 23,1 NSPT entre 4-10 25,0 NSPT entre 10-30 20,0 16,9
40,0
35,4
35,0
30,0
NSPT<4
23,1
NSPT entre 4-10
25,0
NSPT entre 10-30
20,0
16,9
NSPT entre 30-50
13,8 13,8
15,0
NSPT entre 50-60
7,7
10,0
Nega 1ª fase
5,0
0,0
Percentagem (%)

Figura 10 Resultados dos N SPT de acordo com os diferentes intervalos definidos.

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Fazendo uma distribuição dos resultados obtidos pelos diferentes materiais interceptados (ver Figura 11), verifica-se que os valores de N SPT inferiores a 10 pancadas concentram-se na aluvião lodosa e os valores entre 10-30 pancadas distribuem-se, de modo semelhante, entre as aluviões lodosa e arenosa.

Os valores de N SPT mais elevados foram obtidos nas argilas siltosas e nos argilitos do Cretácico.

20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Aluvião Aluvião Argila Argilitos
20
18
16
14
12
10
8
6
4
2
0
Aluvião
Aluvião
Argila
Argilitos
Aterro
Lodosa
arenosa
Siltosa
Percentagem (%)

NSPT<4Argilitos Aterro Lodosa arenosa Siltosa Percentagem (%) NSPT entre 4-10 NSPT entre 10-30 NSPT entre 30-50

NSPT entre 4-10Aterro Lodosa arenosa Siltosa Percentagem (%) NSPT<4 NSPT entre 10-30 NSPT entre 30-50 NSPT entre 50-60

NSPT entre 10-30Lodosa arenosa Siltosa Percentagem (%) NSPT<4 NSPT entre 4-10 NSPT entre 30-50 NSPT entre 50-60 Nega

NSPT entre 30-50Lodosa arenosa Siltosa Percentagem (%) NSPT<4 NSPT entre 4-10 NSPT entre 10-30 NSPT entre 50-60 Nega

NSPT entre 50-60Lodosa arenosa Siltosa Percentagem (%) NSPT<4 NSPT entre 4-10 NSPT entre 10-30 NSPT entre 30-50 Nega

Nega 1ª faseLodosa arenosa Siltosa Percentagem (%) NSPT<4 NSPT entre 4-10 NSPT entre 10-30 NSPT entre 30-50 NSPT

Figura 11 Distribuição dos valores de N SPT pelos diferentes materiais interceptados.

Considerando apenas os ensaios realizados nos materiais argilosos, num total de 25, verifica-se que dominam os solos argilosos duros (N SPT entre 8-15) (ver Figura 12), em particular nas sondagens S2 e S3. Seguem-se os solos argilosos muito moles (N SPT <2) interceptados na maioria na sondagem S1, com maior expressão entre os 24m e os 33.5m de profundidade.

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Consistência dos materiais argilosos 45,0 40,0 40,0 35,0 NSPT <2 30,0 NSPT entre 2-4 24,0
Consistência dos materiais argilosos
45,0
40,0
40,0
35,0
NSPT <2
30,0
NSPT entre 2-4
24,0
25,0
NSPT entre 4-8
NSPT entre 8-15
20,0
NSPT entre 16-30
15,0
12,0
12,0
NSPT >30
8,0
10,0
4,0
5,0
0,0
Percentagem (%)

Figura 12 Distribuição dos valores de N SPT para os materiais argilosos (total de 25 ensaios).

Atendendo agora aos ensaios realizados nos materiais com composição dominante arenosa, num total de 26, verifica-se que dominam os solos medianamente compactos (N SPT entre 10-30), seguidos dos solos arenosos compactos a muito compactos (N SPT entre 30-50) (ver Figura 13). Os solos arenosos muito soltos a soltos concentram-se mais à superfície, com excepção de uma camada que foi interceptada nas três sondagens aproximadamente à cota -15.0m. Esta camada apresenta uma espessura que varia entre 1,5m e 2,5m.

Compacidade dos materiais arenosos 45 42 40 35 NSPT <4 30 NSPT entre 4-10 23
Compacidade dos materiais arenosos
45
42
40
35
NSPT <4
30
NSPT entre 4-10
23
25
NSPT entre 10-30
NSPT entre 30-50
20
15
NSPT entre 50-60
15
12
NSPT >60
8
10
5
0
0
Percentagem (%)

Figura 13 Distribuição dos valores de N SPT para os materiais arenosos (total de 26 ensaios).

A avaliação da distribuição dos ensaios SPT em profundidade representada na Figura 14, revela uma concentração de valores N SPT <10 até profundidades próximas dos 30m, na

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sondagem S1. As sondagens S2 e S3 também apresentam valores de N SPT mais concentrados entre as 8 e as 20 pancadas e até profundidades da ordem dos 25m.

NSPT 0 10 20 30 40 50 60 0,0 5,0 10,0 15,0 S1 20,0 S2
NSPT
0
10
20
30
40
50
60
0,0
5,0
10,0
15,0
S1
20,0
S2
25,0
S3
30,0
35,0
40,0
45,0
Profundidade

Figura 14 Distribuição dos valores de N SPT em profundidade.

5.5. Ensaios edométricos e de corte rotativo

Com o intuito de avaliar as características de deformabilidade dos solos aluvionares compressíveis, realizaram-se 6 ensaios edométricos. No Quadro 2, apresenta-se os resultados mais relevantes dos ensaios edométricos.

Quadro 2 Resumo dos resultados dos ensaios edométricos

Amostra

Proveniência

Variação do Índice de Vazios

c v (cm 2 /s)

C c / C r

A368/06

S 2 (19,0 - 19,6m)

1,40 - 0,70

0,0017 - 0,0051

0,37 / 0,07

A369/06

S 3 (3,9 - 4,2m)

1,52 - 0,66

0,0005 - 0,004

0,33 / 0,097

A370/06

S 3 (6,6 - 6,9m)

1,56 - 0,75

0,012 - 0,014

0,37 / 0,18

A371/06

S 3 (14,0 - 14,6m)

1,64 - 0,91

0,007 - 0,01

0,65 / 0,15

A397/06

S 1 (8,0 - 8,3m)

1,67 - 0,91

0,0023 - 0,019

0,60 / 0,23

A398/06

S 1 (9,0 - 9,3m)

1,58 - 0,86

0,0022 - 0,0070

0,60 / 0,13

c v é o coeficiente de consolidação;

C c é o índice de compressibilidade;

C r é o índice de recompressibilidade.

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Relativamente aos ensaios de corte rotativo, foram realizados apenas dois ensaios na unidade lodosa muito mole. Obteve-se resistências de pico entre 18 e 50 kPa e resistências residuais entre 8 e 20kPa.

5.6. Modelo Geológico-Geotécnico

Com base nas sondagens realizadas, foi efectuado um perfil litoestratigráfico e um zonamento do maciço em profundidade. As camadas atravessadas foram agrupadas em cinco zonas geológico-geotécnicas principais, tendo como base a caracterização macroscópica da amostragem e os resultados dos ensaios SPT e CPTU (ver Figura 15, Figura 16 e Figura 17).

ensaios SPT e CPTU (ver Figura 15, Figura 16 e Figura 17). Figura 15 – Planta

Figura 15 Planta de localização da prospecção

De modo simplificado, o modelo Geológico-Geotécnico adoptado para este estudo tem obviamente por base a caracterização geológica-geotécnica, resultado da prospecção realizada, e consiste no seguinte:

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Quadro 3 Modelo geológico adoptado

Cota

Espessura

Tipo de solo

(kN/m 3 )

(kN/m 3 )

sat

sat

E' s

E

u

Cota Espessura Tipo de solo (kN/m 3 ) sat E' s E u D

D

(m)

(kN/m 3 )

(MPa)

(MPa)

(MPa)

+1 a -2

3,0

Areia

17

19

20

 

0,30

27

-2 a -5

3,0

Lodo argiloso

14

15

 

2,5

0,49

43

-5 a -12

7,0

Areia lodosa

17

19

80

 

0,30

54

-12 a -14

2,0

Lodo argiloso

16

18

 

10

0,49

171

-14 a -17

3,0

Areia

17

19

40

 

0,30

27

-17 a -27

10,0

Lodo argiloso

16

18

 

2,5

0,49

43

-27 a -29

2,0

Argila siltosa

17

19

 

20

0,49

342

< -29

 

Argilito

17

19

 

80

0,49

1369

E’ s é o módulo de deformabilidade drenado secante; E u é o módulo de deformabilidade não-drenado; é o coeficiente de Poisson; D é o módulo edométrico ou confinado.

de Poisson; D é o módulo edométrico ou confinado. Seminário Geo Leca – LNEC – 27

Utilização de Geo Leca na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco

na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco Figura 16 – Perfil litoestratigráfico

Figura 16 Perfil litoestratigráfico

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na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco Figura 17 – Zonamento geológico-geotécnico

Figura 17 Zonamento geológico-geotécnico

Utilização de Geo Leca na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco

6. Estimativa dos Assentamentos

Considerou-se que o aterro é constituído por aproximadamente 7,5 m de solo com baridade

constituído por aproximadamente 7,5 m de solo com baridade igual a =18 kN/m 3 . O

igual a =18 kN/m 3 . O acréscimo de tensão vertical será igual a

kN/m 3 . O acréscimo de tensão vertical será igual a v =7,5*18=135 kN/m 2 .

v =7,5*18=135 kN/m 2 .

A estimativa dos assentamentos foi inicialmente elaborada admitindo, simplificadamente, uma análise unidimensional. Dado que o aterro tem uma largura aproximada de 30 m e o argilito se encontra a cerca de 30 m de profundidade, a aproximação será válida para pontos sob o centro do aterro, que tenderão a apresentar os assentamentos mais elevados.

6.1.1. Assentamentos imediatos

A largura do aterro é de cerca de 30 m, pelo que os assentamentos provocados no centro do aterro serão próximos dos assentamentos confinados:

h v H i D i i
h
v
H
i
D
i
i

=6,1 cm

6.1.2. Assentamentos por consolidação primária

Os assentamentos por consolidação primária foram calculados admitindo que as camadas de lodo argiloso se encontram normalmente consolidadas. Assim, com base nos resultados dos ensaios edométricos, o cálculo dos assentamentos por consolidação primária está presente no Quadro 4 e, para cada camada, são iguais a:

H h cp 1 e 0
H
h
cp
1
e
0

C log

c

' vf ' v 0
'
vf
'
v
0

Utilização de Geo Leca na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco

Quadro 4 Cálculo dos assentamentos por consolidação primária

Cota

H (m)

Tipo de solo

(kN/m 3 )

(kN/m 3 )

sat (kN/m 3 )

sat

(kN/m 3 )

e

0

C

c

' v0
'
v0

(kPa)

' v (kPa)
'
v
(kPa)
' vf
'
vf

(kPa)

h cp (cm)
h
cp
(cm)

+1 a -2

3,0

Areia

17

19

   

13,5

134,9

148,4

 

-2 a -5

3,0

Lodo argiloso

14

15

1,520

0,33

34,5

133,6

168,1

27,0

-5 a -12

7,0

Areia lodosa

17

19

   

73,5

125,2

198,7

 

-12 a -14

2,0

Lodo argiloso

17 18

 

1,640

0,65

113,0

113,0

226,0

14,8

-14 a -17

3,0

Areia

18 19

     

134,5

105,6

240,1

 

-17 a -27

10,0

Lodo argiloso

17

18

1,400

0,37

188,0

87,7

275,7

25,6

-27 a -29

2,0

Argila siltosa

18

19

   

237,0

73,9

310,9

 

< -29

 

Argilito

21

22

           
 
h c p (cm) =

h cp (cm) =

67,5

6.1.2.1. Tempo necessário para terminar a consolidação primária

O tempo necessário para que 90% da consolidação primária ocorra é igual a:

t

T H 2 0,848 H 2 0 0
T H
2
0,848 H
2
0
0

c

v

c

v

onde H 0 é a maior distância que a água tem que percorrer para abandonar o estrato. No

caso presente, as duas primeiras camadas são duplamente drenadas e a terceira é

simplesmente drenada.

Quadro 5 Cálculo do tempo de consolidação

Cota

Espessura

Tipo de solo

c

v

H

0

 

c

v

t

90

(m)

(cm

2 /s)

(m)

(m

2 /ano)

(anos)

+1 a -2

3,0

Areia

       

-2 a -5

3,0

Lodo argiloso

0,002

 

1,5

 

6,307

 

0,3

-5 a -12

7,0

Areia lodosa

       

-12 a -14

2,0

Lodo argiloso

0,0097

 

1,0

30,590

 

0,0

-14 a -17

3,0

Areia

       

-17 a -27

10,0

Lodo argiloso

0,0043

10,0

13,560

 

6,3

-27 a -29

2,0

Argila siltosa

       

< -29

 

Argilito

       

Utilização de Geo Leca na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco

No Quadro 5, é possível verificar que as duas camadas superiores terminam o processo de consolidação primária muito rapidamente. Já a camada mais profunda necessita de cerca de 6,3 anos para que o grau de consolidação médio seja de 90%.

Como a obra de arte terá sido construída em 1995, decorreram, até à elaboração do diagnóstico e do Estudo Prévio, cerca de 11 anos, pelo que o factor tempo, T, para a camada de lodo mais profunda será igual a:

T

c v 2
c
v
2

H

t 13,56 11

0

2
2

10

1, 492

Portanto, o grau de consolidação médio,

U

Z para este factor de tempo é superior a 95%.

Neste ponto será importante referir que as expressões utilizadas foram desenvolvidas para consolidação unidimensional e coeficiente de compressibilidade volumétrica independente da tensão efectiva, o que manifestamente não é o caso. Os resultados permitem no entanto enquadrar a análise numérica por elementos finitos, que será apresentada no ponto 6.2.

6.1.3. Assentamentos por consolidação secundária

Os assentamentos por consolidação secundária podem ser determinados através do respectivo coeficiente de consolidação, C’ .

do respectivo coeficiente de consolidação, C’ . t H C ' log t h cs 1
t H C ' log t h cs 1 1
t
H C ' log t
h cs
1
1

Sendo t 1 o tempo correspondente ao fim da consolidação primária (dependendo da representação utilizada poderá ser igual a t 100 , quando obtida no gráfico e -log(t) , ou a t 90 para o gráfico e -(t)0.5 ), e t o momento para o qual se calcula o assentamento.

Para o ensaio A368/06, pode obter-se o valor de C’ =0,0066. Trata-se de um valor

obter-se o val or de C’ =0,0066. Trata-se de um valor classificado como “médio”. Existem registos

classificado como “médio”. Existem registos de valores de C’ =0,01 para aluviões orgânicas típicas do litoral português. É então possível estimar que para a camada inferior os assentamentos ocorridos até hoje são iguais a:

11 6,3
11
6,3
h cs
h cs

10 0,01 log

0,024

m

até hoje são iguais a: 11 6,3 h cs 10 0,01 log 0,024 m 2, 4

2, 4

cm

No horizonte de 50 anos, os valores para esta camada serão iguais a:

Utilização de Geo Leca na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco

50 6,3
50
6,3
h cs
h cs

10 0,01 log

0,090

m

da Ponte sobre o Rio Boco 50 6,3 h cs 10 0,01 log 0,090 m 9,0

9,0

cm

O valor encontrado corresponde a 6,6 cm de acréscimo relativamente aos assentamentos

verificados até agora. Haverá ainda a contabilizar os assentamentos por consolidação secundária das camadas superiores, que no entanto se estima que sejam pequenos.

6.2. Análise Numérica

O problema em questão foi também estudado através de uma análise numérica, com recurso ao método dos elementos finitos. Para tal foi utilizado o programa de cálculo Plaxis V.8, o qual permite a consideração da consolidação na análise.

O modelo de cálculo adoptado está apresentado na Figura 18. Foi considerado estado plano

de deformação e tirou-se partido da simetria do problema, pelo que a malha representa apenas metade do domínio. Admitiu-se o zonamento geotécnico apresentado na figura. Para o aterro de terra armada foi admitido um comportamento linear-elástico. Para as camadas do material mais deformável foi considerado o modelo de Cam-Clay (Soft-soil é a designação adoptada no Plaxis). Para os restantes materiais adoptou-se o modelo de Mohr- Coulomb.

Os parâmetros utilizados neste estudo resultaram da prospecção Geológico-Geotécnica realizada e estão apresentados nos Quadro 6, Quadro 7 e Quadro 8.

Quadro 6 Materiais linear-elásticos

 

Nome

 

Tipo

  Nome   Tipo sat k_x   k_y     E  
sat

sat

k_x

 

k_y

 
  Nome   Tipo sat k_x   k_y     E  
 

E

 

(kN/m 3 )

(kN/m 3 )

(m/dia)

(m/dia)

(kN/m 2 )

Aterro

 

Drenado

18

18

1

 

1

0.30

 

30 000

 

Quadro 7 Materiais com modelo Mohr-Coulomb

 

Nome

 

Tipo

 
Nome   Tipo   sat k_x k_y   E c '
sat

sat

k_x

k_y

Nome   Tipo   sat k_x k_y   E c '
 

E

c

'
'
Nome   Tipo   sat k_x k_y   E c '

(kN/m 3 )

(kN/m 3 )

(m/dia)

(m/dia)

(kN/m 2 )

(kPa)

(º)

(º)

G2B

 

Drenado

17

19

1.0E-01

1.0E-01

0.30

 

20

000

1

32

0

G4

 

Drenado

17

19

1.0E-01

1.0E-01

0.30

 

80

000

1

35

0

G3C

 

Drenado

18

19

1.0E-01

1.0E-01

0.30

 

40

000

1

35

0

G3B

N

drenado

18

19

4.0E-05

4.0E-05

0.32

 

40

000

100

0

0

G5

N

drenado

21

22

4.0E-05

4.0E-05

0.30

 

80

000

200

0

0

Utilização de Geo Leca na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco

Quadro 8 Materiais com modelo Cam-Clay

Nome

Tipo

Nome Tipo   sat k_x k_y   *   * c '
 
sat

sat

k_x

k_y

 
*
*
 
*
*

c

'
'
Nome Tipo   sat k_x k_y   *   * c '

(kN/m 3 )

(kN/m 3 )

(m/dia)

(m/dia)

(kPa)

(º)

(º)

G1A

Drenado

14

 

15

8.0E-05

8.0E-05

 

0.0569

0.0335

1

25

0

G3A

Drenado

17

 

18

1.5E-04

1.5E-04

 

0.0670

0.0250

1

25

0

 

Nome

n_ur [ - ]

K0 nc [ - ]

 

M

 

[ - ]

G1A

0.15

0.58

1.114904

G3A

0.15

0.58

1.266478

O coeficiente de permeabilidade dos materiais arenosos foi admitido igual a k = 1,2E -6 m/s, o qual foi considerado um valor razoável para este tipo de solo. A permeabilidade dos lodos e argilas foi determinado a partir dos resultados dos ensaios edométricos, de acordo com a seguinte expressão:

c

v

k k c m m v v w v w
k
k
c
m
m
v
v
w
v
w

Foram ainda adoptados os valores representativos do valor médio de tensão efectiva vertical de cada camada.

do valor médio de tensão efectiva vertical de cada camada. G2B G1A G4 G3A G3C G3A

G2B

G1A

G4

G3A

G3C

G3A

G3B

G5

Figura 18 Modelo utilizado para o estudo

Assentamento (m)

Utilização de Geo Leca na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco

O faseamento construtivo considerado na modelação foi o seguinte:

Quadro 9 Faseamento construtivo

Fase

Descrição

0

Tensões iniciais (K 0 )

1

Construção do aterro até 3,5 m de altura

2

Pausa de 30 dias

3

Construção do aterro até 7,0 m de altura

4

Consolidação até que o excesso de pressão intersticial seja inferior a 1 kPa

Os resultados obtidos apresentam um assentamento máximo de cerca de 70 cm, sendo necessário pouco mais de 6 anos para se obter 90% deste valor. Estes valores encontram- se perfeitamente enquadrados pelos resultados do cálculo analítico e corroborados pela realidade.

No presente, 11 anos após a construção do aterro, o assentamento obtido é de 67 cm, o que corresponde a 95% do assentamento máximo calculado.

0.000

-0.100

-0.200

-0.300

-0.400

-0.500

-0.600

-0.700

-0.800

Ponte do Boco

Actualidade

Tempo (anos)

0

5

10

15

20

25

30

35

0 5 10 15 20 25 30 35
0 5 10 15 20 25 30 35
0 5 10 15 20 25 30 35
0 5 10 15 20 25 30 35

Figura 19 Evolução do assentamento sob o ponto médio do aterro

Nas figuras seguintes apresenta-se a evolução dos deslocamentos e do excesso da pressão intersticial para diversas fases de cálculo consideradas.

Utilização de Geo Leca na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco

na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco Figura 20 – Deslocamentos imediatamente

Figura 20 Deslocamentos imediatamente após a conclusão do aterro

Deslocamentos imediatamente após a conclusão do aterro Figura 21 – Deslocamentos após 11 anos Seminário Geo

Figura 21 Deslocamentos após 11 anos

Utilização de Geo Leca na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco

na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco Figura 22 – Excesso de

Figura 22 Excesso de pressão intersticial imediatamente após a conclusão do aterro

intersticial imediatamente após a conclusão do aterro Figura 23 – Excesso de pressão intersticial

Figura 23 Excesso de pressão intersticial imediatamente após 11 anos

A evolução das pressões intersticiais é particularmente elucidativa das camadas que condicionam o comportamento do maciço. A camada mais superficial (G1A) e a mais profunda (G3A) apresentam acréscimos significativos de pressão intersticial logo após a

Utilização de Geo Leca na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco

construção do aterro. Devido à menor espessura e, consequentemente, ao menor caminho de drenagem, a primeira dissipa este excesso mais rapidamente do que a mais profunda. Após 11 anos, o excesso de pressão calculado é ainda superior a 8 kPa, o que está a causar, de acordo com esta modelação, ainda assentamentos por consolidação primária.

De acordo com o representado também no gráfico da evolução dos assentamentos (Figura 19), a consolidação dos solos demorará aproximadamente 30 anos, até que o excesso das pressões intersticiais seja inferior a 1 kPa.

Das várias soluções possíveis, a solução prevista para limitar os assentamentos é a redução do peso do aterro, através da sua substituição parcial com materiais leves (aterro leve). Com o intuito de estudar a viabilidade e o impacto deste tipo de solução, foi realizada uma análise adicional, com o seguinte faseamento:

Quadro 10 Faseamento construtivo com substituição por aterro leve

Fase

Descrição

0

Tensões iniciais (K 0 )

1

Construção do aterro até 3,5 m de altura

2

Pausa de 30 dias

3

Construção do aterro até 7,0 m de altura

4

Consolidação durante 11 anos

5

Substituição por aterro leve, com redução de 24 kN/m 2

6

Consolidação até que o excesso de pressão intersticial seja inferior a 1 kPa

Os resultados mostram uma recuperação de cerca de 5 cm, devido à redução da carga, bem como uma redução do tempo necessário para que o excesso de pressão intersticial seja inferior a 1 kPa. O empolamento calculado deverá ser superior ao que se irá verificar no local, uma vez que o módulo de descarga dos materiais estudados com através do modelo de Mohr-Coulomb será inferior ao real (neste modelo o módulo de descarga é igual ao de carga). No entanto, o benefício desta solução é o de reduzir o tempo necessário para o fim da consolidação primária. Na prática, a solução funciona como uma pré-carga, durante 11 anos, seguida de uma redução da tensão introduzida no maciço.

Assentamento (m)

Utilização de Geo Leca na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco

0.000

-0.100

-0.200

-0.300

-0.400

-0.500

-0.600

-0.700

-0.800

0

5

Ponte do Boco

Tempo (anos)

10

15

20

25

30

35

Aterro existente Com Aterro Leve
Aterro existente Com Aterro Leve

Aterro existente

Com Aterro Leve

Aterro existente Com Aterro Leve
Aterro existente Com Aterro Leve
Aterro existente Com Aterro Leve
Aterro existente Com Aterro Leve
Aterro existente Com Aterro Leve
Aterro existente Com Aterro Leve

Figura 24 Evolução do assentamento sob o ponto médio do aterro, com e sem aterro leve

sob o ponto médio do aterro, com e sem aterro leve Figura 25 – Deslocamentos após

Figura 25 Deslocamentos após 21 anos (com aterro leve)

Utilização de Geo Leca na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco

na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco Figura 26 – Excesso de

Figura 26 Excesso de pressão intersticial imediatamente após 21 anos (com aterro leve)

6.3. Conclusões

Face aos dados disponíveis e aos resultados das análises efectuadas é possível concluir que a consolidação primária dos terrenos subjacentes ao encontro deverá encontrar-se na sua fase final. No entanto, o grau de precisão da estimativa dos parâmetros necessários para os cálculos deixa em aberto a hipótese de ainda estarem por ocorrer alguns assentamentos, embora certamente muito inferiores aos constatados até à data. Em ambiente geotécnico, e tratando-se de parâmetros convencionados com um determinado protocolo de avaliação, é inevitável alguma imprecisão na sua determinação, até porque os valores variarão certamente de ponto para ponto. Poderão estar ainda a ocorrer assentamentos por consolidação secundária.

No que se refere à modelação da solução prevista, com a substituição parcial do aterro por materiais leves, resulta o empolamento do terreno devido ao alívio da carga, havendo não só uma recuperação do assentamento mas principalmente a redução do tempo necessário para o alívio das pressões intersticiais. Esta solução tem como principal vantagem o facto de utilizar o aterro actual como uma pré-carga efectiva durante 11 anos, e que agora, ao ser aliviada, estabilizará os assentamentos e o processo de consolidação.

Utilização de Geo Leca na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco

7. Solução de Reabilitação Adoptada

7.1. Aterro Leve

Nesta solução, propõe-se que seja efectuado um alívio da carga transmitida ao maciço de fundação. Esta solução permite desagravar o estado de tensão no maciço, transitando as camadas argilosas de um estado de consolidação normal para um estado de sobreconsolidação, como se o actual aterro tivesse funcionado como uma pré-carga.

O alívio da carga é materializado pela substituição, na camada superior, de material de

aterro por um material tipo “Geo Leca”.

A “Geo Leca” é uma argila expandida, com partículas de forma aproximadamente esférica.

Possui uma baridade mais baixa do que os materiais de enchimento naturais, o que, acessoriamente, irá reduzir os impulsos nas estruturas existentes.

Quadro 11 Propriedades Requeridas para Aceitação do Produto

 

10,0 20,0

mm

Granulometria

(11 95)

(% massa passado acumulado)

Massa volúmica aparente seca (Baridade)

275

±15

kg/ m 3

Massa volúmica seca da partícula

480

kg/ m 3

Percentagem de partidos

26

9

% massa

Resistência ao esmagamento

0,70

N/mm 2

Absorção de água

<38

% massa seca

Preconiza-se assim que sejam substituídos os materiais correspondentes a uma espessura

de aterro entre 2,0m e 2,5m. Adoptando, de modo conservativo, uma altura de substituição

de 2.0m, resulta um decréscimo de carga de aproximadamente (18 kN/m³ x 2,0m 3 kN/m³

x 2,0m) = 30 kN/m², correspondente a uma redução de carga transmitida pelo aterro, ao nível da fundação, superior a 20%.

A substituição será efectuada numa extensão de 10,0m a partir do eixo da fundação do

tramo de margem. Este desenvolvimento corresponde a cerca de 1,5 vezes a altura do maciço de terra armada. Serão colocadas geogrelhas de reforço e um geotêxtil de separação nas interfaces da camada de material leve com as restantes camadas, de forma

a evitar a penetração destes materiais no interior da “Geo Leca”. Sobre esta camada será

Utilização de Geo Leca na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco

colocado aterro compactado e as diversas camadas de pavimento, com uma espessura total de, aproximadamente, 0,70m.

A substituição dos solos do aterro implica que sejam desmontadas as camadas superiores

do muro de terra armada, incluindo as escamas danificadas. De forma a criar melhores condições de segurança relativamente ao apoio do tramo de margem, prevê-se a sua substituição por uma peça semelhante mas com uma extensão ligeiramente superior. Desta

forma, consegue-se melhorar a estabilidade do paramento do muro de terra armada e reduzir os impulsos máximos na base do maciço de terra armada, uma vez que se efectua uma melhor distribuição de cargas.

7.2. Tramo de margem

Conforme foi referido anteriormente, e de forma a criar melhores condições de segurança, relativamente ao apoio do tramo de margem, prevê-se a substituição da laje existente.

7.2.1. Solução estrutural

O tabuleiro do tramo de margem da ponte sobre o Rio Boco é uma estrutura sem

continuidade com a que vence os restantes vãos.

O seu comportamento é assimilável a uma laje de transição, já que tem um apoio rígido,

rotulado, no pilar de transição (P1) e um apoio flexível no maciço em terra armada que materializa o encontro.

O tabuleiro é constituído por uma laje em betão armado, com uma espessura constante de

0,50m, apoiado, em toda a extensão, numa sapata contínua com secção em T invertido. A parte vertical do T pode ser descrita como uma parede. Tem por objectivo vencer o desnível entre o tabuleiro e a fundação. Do lado do rio, optou-se por manter a solução de articulação em betão, de modo a não introduzir momentos flectores na cabeça do pilar de transição da ponte sobre o Rio Boco. Desta forma, mantém-se o conceito estrutural que conduziu ao dimensionamento dessa peça, não introduzindo esforços adicionais de outra natureza.

O novo tabuleiro é dividido em duas partes desiguais, pelo separador. Cada uma delas

suporta uma das faixas de rodagem principais, apresentando assim larguras de 13.8m e 15.65m. O separador central, tipo New-Jersey, é colocado sobre o tabuleiro mais estreito. A junta entre tabuleiros é de 0,02m e pretende-se, ao apoiar o perfil rígido apenas num tabuleiro, garantir a sua estabilidade que, assim, não é afectada por deformações diferenciais, correntes para diferentes situações de carga.

Utilização de Geo Leca na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco

Para os passeios, cuja geometria é igualmente mantida, preconiza-se o enchimento com betão de agregados leves ( =9kN/m 3 ). Esta solução é de todo conveniente, dado que os lancis têm 0,30m de altura e as inclinações transversais do tabuleiro (betão) e do passeio tendem a agravar este valor junto à viga de bordadura. O pavimento dos passeios será materializado por betonilha esquartelada, com 0,03m de espessura.

por betonilha esquartelada, com 0,03m de espessura. 8. Faseamento Construtivo O faseamento construtivo é o

8. Faseamento Construtivo

O faseamento construtivo é o usual para este tipo de obras e intervenções, considerando essencialmente o seguinte processo de trabalhos principais: demolição, escavação, aterro e execução da estrutura. Não podemos, no entanto, negligenciar o facto da especificidade da obra, no que se refere ao local de intervenção. Estando localizada numa auto-estrada em serviço, A25, devem ser cuidadosamente analisados os trabalhos de desvios de trânsito e sinalização de modo a minimizar a interferência com o tráfego e a maximizar a segurança durante a execução. Assim, o processo construtivo pode resumir-se a:

1. Colocação da sinalização e separadores. Desvio do trânsito da primeira zona em intervenção;

2. Separação, por corte ao longo do eixo, do tramo de margem;

3. Demolição

ou

intervencionar;

desmontagem

da

parte

que

fica

na

primeira

zona

a

4. Realização das sondagens necessárias para averiguação do estado de conservação dos tirantes do muro de terra armada e, caso necessário proceder à substituição integral do muro existente na zona em reabilitação;

5. Escavação, ao abrigo de uma contenção provisória, do aterro que irá ser substituído por material leve e da parte superior do muro ou de todo o muro se estiver em más condições de segurança;

6. Execução de um prisma de solos seleccionados, com 0.50m de altura, na zona de fundação do novo tramo de margem e dos muros laterais associados. Execução da sapata e do muro. Montagem do cimbre, cofragem e armaduras. Betonagem do tramo de margem;

Utilização de Geo Leca na reabilitação de um encontro da Ponte sobre o Rio Boco

7. Colocação do aterro leve, de acordo com as especificações técnicas respectivas, na área escavada até as cotas pretendidas;

8. Execução, sobre o material de aterro leve, do solo compactado e das restantes camada de pavimento até as cotas finais;

9. Basculamento do trânsito para a zona reabilitada, com a consequente alteração da sinalização e separadores;

10. Execução das tarefas 3 a 8 na segunda zona a intervencionar;

11. Arranjos finais, restabelecimento das infra-estruturas desviadas e reposição das condições iniciais de circulação.

9. Agradecimentos

Os autores gostariam de agradecer à AENOR e ao E.P. Estradas de Portugal o empenho no acompanhamento e aceitação deste estudo, com o qual contribuíram para o desenvolvimento da concepção de uma solução arrojada mas que se espera de elevado desempenho.