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SOCIEDADE BRASILEIRA DE

SOCIEDADE BRASILEIRA DE SERIE MANU

SERIE MANU

Copyright © 1997 Sociedade Brasileira de Eubiose Pesquisa, Redação, Revisão: Roberval Baptista Lobo, Tereza de Jesus Vallejo Oliveira, Élcio Rogério Barrak, Maria Christina Gaviolle, Luciano Gaviolle Neto e Wilson José Medeiros de Oliveira.

Capa: Adaptação da revista Dhâranâ ano LXII, Série Superação, na 5, 1989; arte original Inez F. L. Martins. Reprodução em grafite: Umberto Gandin Neto.

Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio, sem prévia autorização escrita da Sociedade Brasileira de Eubiose.

Tiragem: 500 Exemplares Edição: 01/2012 Impresso por: Gráfica União Tel.: (35) 3332-1089 São Lourenço - MG

MANU-APOSTILA N"01

GRAU MANU

AULA Na 01

A INICIA ÇÃ O DO PRIMEIRO GRA U

“A verdadeira Iniciação é aquela que obriga o homem a descobrir por s i mesmo (pela meditação) o que não pode, desde logo, ser desvendado diante de seus olhos, nublados pelos densos véus da matéria em que se acha envolvido. Daí a frase: 'Do ilusório conduz-me ao real, das trevas à luz, da morte á

imortalidade'”

(J.H.S.)

Sabem todos os Iniciados que não é possível alcançara Suprema Aspiração, a realização interior, se o discípulo não se apoiar numa tradição organizada, que lhe sirva de base, a fim de poder enfrentar as forças adversas do meio em que vive. Est; i tradição não deve ser exclusivamente de ordem social e moral, senão de ordem oculta. Os que sabem as coisas secretas falam veladamente na Comunhão das Almas Santas ou na Comunhão dos Santos, como diz a Igreja Católica, servindo de eco .i um conhecimento mais antigo, cujo sentido verdadeiro lhe escapa completamenL • Isto quer dizer que cada Aspirante à Verdade que tenta o Caminho Direto, caminho mais fino que o fio de uma navalha, precisa se apoiar numa força criada, através dos séculos, pelos seus inumeráveis predecessores nessa vereda espinhosa. Isto, porque cada homem que se faz Mestre Perfeito deixa no ambiente terreno o resultado de seus tremendos e perseverantes esforços, como um Poder Espiritual Consciente. Este poder se une aos dos demais Irmãos de todas as épocas, como um influxo vivo, verdadeira torrente espiritual dirigida para um determinado sentido, constituindo o Poder Espiritual de determinada Série de Seres que se sucederam ininterruptamente como Mestre e Discípulo, o que constitui o elemento fundamental de todas as iniciações. Este influxo, esta torrente espiritual, remonta à origem das coisas. Os verdadeiros Gurus, perfeitos conhecedores das Leis da evolução, dizem não ser possível ao homem alcançar a iluminação sem que este esteja ligado a esta torrente ininterrupta que comunica ao discípulo, graus que variam segundo as iniciações ascendentes. Estas Consagrações são definitivas, porque ligam o discípulo a um Poder infinitamente superior ao que nele possa existir de mais elevado. Nestas iniciações lhe são dados símbolos, palavras e determinados gestos, que são a linguagem que expressa este pacto, tacitamente assumido para com a tradição iniciática a que se ligou. Assim, ninguém pode evoluir até a libertação, num curto período de tempo, sem esse auxílio indispensável. Este auxílio é uma verdadeira transferência desta Torrente Espiritual, que o Mestre faz ao discípulo, quando lhe confere determinada Iniciação. Por isso mesmo, o Mahatma Kut-Humi diz que “os discípulos são envolvidos pelo ambiente do Mestre, para que todas as suas possibilidades, boas ou más, se manifestem”. Certos místicos do Oriente nos falam como já foi dito, no Círculo das Almas Perfeitas, com as quais os candidatos à Iniciação entram em contato para alcançarem proteção e auxílio em suas lutas sempre árduas e cheias de perigo. Este contato não é o resultado de nenhuma cerimônia de evocação de almas de seres falecidos, senão a elevação do Aspirante ao nível elevadíssimo das esferas espirituais onde gravitam estas Almas.

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Assim, quanto mais antiga for a tradição esotérica a que se liga o Postulante, mais fácil é sua luta pela conquista da iluminação. Quando, entretanto, se liga a tradições reconstituídas ou corrompidas, sua luta se torna mais árdua, não conseguindo, na maior parte dos casos, chegar ao seu elevado objetivo. Cada grau que o discípulo alcança é expresso na Linguagem Universal do Verbo por uma palavra que sintetiza todo o Poder da Torrente Espiritual a que está ligado. São as Palavras Sagradas, as palavras de passe. Elas são de um enorme poder no Mundo Oculto, por isso mesmo, só são comunicadas pelo Mestre ao Discípulo, de boca a ouvido, na hora da Sagração. Todas essas palavras se derivam de uma única, da Palavra Inefável, a Palavra Perdida, simbolizada pelo Al!M. O verdadeiro segredo ligado a esta Palavra constitui o fruto da mais elevada iniciação. Mas, para que um dia o discípulo possa alcançá-la, é indispensável o apoio espiritual da Tradição Oculta, a fim de que, assim fortalecido, possa enfrentar, com possibilidade de vitória, as forças antagônicas que tentam afastá-lo de seu objetivo. Como os Iniciados criaram um Poder Espiritual Ativo; a humanidade, na sua inconsciência, também gera um poder incomensurável, formado pelas suas ações, seus pensamentos, palavras e paixões de ordem inferior. Desse poder se servem algumas criaturas para a realização de seus desejos, ódios, vinganças etc., quando aprendem os processos de entrarem em contato com esta força através, também, de certas iniciações, tão conhecidas dos denominados Magos Negros. Esse Poder, formado pela coletividade, pelos seus impulsos contrários à Lei, considerado mau pelos espiritualistas, também tem uma consciência constituída pelos múltiplos agregados das ações nocivas dos homens em todos os planos de sua atividade; é o tão falado Guardião do Umbral, a terrível Potestade que deve ser vencida por todo o , candidato à Magia Branca. Como o discípulo, durante milênios sem conta, concorreu mais para este Poder do que para a Torrente Espiritual da Boa Lei, é claro que fica muito mais ligado a ele pelos poderosos laços das más ações que praticou do que pelas suas vagas aspirações ao Bem Supremo que caracteriza o outro pólo. É este o motivo pelo qual se torna difícil ao homem libertar-se da suserania do Guardião do Umbral. É nessa libertação preliminar que se resumem as provas iniciáticas a que é submetido o discípulo. Assim, o discípulo sozinho, tendo apenas por apoio o Poder Espiritual da Tradição a que se filiou, deve cortar, um por um, todos os laços que o prendiam ao Egrégora Negro. Podemos agora compreender porque os Iniciados não podem de modo algum interferir nesta luta de vida ou morte em que o discípulo se empenha. Com o choque que ele estabelece com o Guardião do Umbral, todas as más qualidades afloram ao campo consciente do discípulo, do mesmo modo que o contato com a Torrente Espiritual faz desabrochar as sementes do bem, que nele porventura existam, de forma a despertar na sua alma as duas tendências que se defrontam e se digladiam, até que uma delas sucumba para sempre.

Por isso disse Kut-Humi:

“O discípulo deverá, unicamente entregue a seus próprios esforços, escolher o caminho da direita ou da esquerda; fazendo-se por si só um Adepto da Boa Lei ou um Mago Negro, dependendo exclusivamente de si próprio a escolha do Caminho”.

um significado muito mais amplo do que a

simples ação ou efeito de começar. É um processo oculto de instrução que visa a rápida evolução do discípulo através do aprimoramento do c a rá te r e da cu ltu ra ,

Segundo o ocultismo, in ic ia ç ã o tem

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l

onde a educação é gradual e composta de ensinamentos ocultos, que advêm d.i Sabedoria Iniciática das Idades e de ensinamentos recebidos diretamenlo de Mestres e Iniciados. A postura do discípulo frente a estes ensinamentos é bem definida devo recebê-las sem preconceito e sem aceitação cega. Em outras palavras, se o discípulo duvida de um ensinamento oculto, acaba por interromper a entrada do verdadeiro conhecimento. Por outro lado, se simplesmente aceita, passivamente, ev.i ensinamentos, acaba por não reconhecer as possíveis falhas existentes durnntn .i sua exposição, podendo, portanto, ter um entendimento errôneo. O ideal seria qi 10 o discípulo raciocinasse, tônica do grau Manu, procurando, assim, digerir e comprov. h os ensinamentos, por meio de uma identificação, ao mesmo tempo, racional <■ intuitiva. Para isso, a melhor maneira seria utilizar a prática da meditação <> ensinamento oculto coloca dúvidas e, ao discípulo cabe esclarecê-las, de dentro paia fora, pela meditação (m e -d ita r, d ita r a m im ), observando sempre o respeito o .1 incansável procura pela verdade. Iniciação é a busca da verdade, e a “verdadeira iniciação é aquela que obriga o homem a descobrir a verdade por si mesmo”, verdade esta que não é dada, emprestada, achada e muito menos vendida, mas que deve ser conquistada polo:, próprios esforços de quem a procura. Os teósofos, gnósticos, místicos e outros movimentos divulgam a existência dos mundos espirituais e das faculdades e poderes superiores que o homem possui em latência, que são reais e possíveis de serem conhecidos através do ocultismo Esses conhecimentos são fantásticos e até inacreditáveis à primeira vista. O fato do algo ser oculto, misterioso ou desconhecido, não quer dizer que não exista, mas, simplesmente, que ainda não é explicado pelas leis físicas da ciência tradicional o que, pertencendo ao campo de uma ciência oculta, possuidora de leis próprias, somente poderá ser comprovado pelo verdadeiro estudante de ocultismo. Este não acredita nem duvida, por mais misterioso e absurdo que seja o assunto, mas, a princípio, admite que exista, para que através dos estudos e, ainda, pela prática ou vivenciação desses conhecimentos ensinados nos colégios iniciáticos, possa comprovar sua veracidade, obtendo a compreensão dos fenômenos ocultos não apenas porcuriosidade, mas, principalmente, por amorà verdade.

Existem cinco tipos de pessoas que procuram a iniciação: a curiosa, a cética, a indiferente, a fanática e a que busca a verdade.

1°)a curiosa: procura matar sua curiosidade e, como todo o processo é oculto, desiste; 2°) a cética: duvida de tudo, até de seu ceticismo, ficando, assim, perdida; 31*34S) a indiferente: chega à iniciação por causa de outros, e como tanto faz, sai como entrou; 4a) a fanática: é a pior, porque continua na iniciação, de onde tira poderosos alimentos para seu fanatismo que a afasta da realidade iniciática; 5a) a que busca a verdade: é a que realmente pode tornar-se iniciada nos mistérios menores, ligados à evolução da humanidade, e nos maiores, ligados às Hierarquias Espirituais, na razão dos 56 arcanos menores e dos 22 arcanos maiores doTarô. O processo iniciático trabalha no interior de cada um, visando transformar a vida-energia externa, em vida-consciência interna.

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O c o r p o f ís ic o é o suporte, a a lm a a sede e o e s p írito o objetivo da evolução. A mente é a ferramenta usada para abrir as barreiras da evolução: nossa ignorância, nosso egoísmo, nossos dogmas e nossos apegos. A transformação real ocorre na alma pela ação do nosso mental, o que está bem representado na mitologia pela luta de Teseu contra o Minotauro. Esse mito liga-se a Minos, rei de Creta, filho de Europa e Zeus, que sob a forma de um touro a havia raptado. Um dia, Minos solicitou a Possêidon, que fizesse sair do mar um touro para lhe sacrificar em homenagem. Possêidon o atende, fazendo surgir um lindo animal, que Minos guarda, não realizando o sacrifício. Possêidon, então, castiga a Minos, fazendo com que sua esposa Pasifae, filha do Sol, tivesse uma paixão irresistível pelo touro, e da união, concebesse um Ser monstruoso com corpo de homem e cabeça de touro, o Minotauro, que se alimentava de carne humana. Dédalo, que era arquiteto, a pedido de Minos, construiu no palácio de Cnossos um labirinto escuro, onde colocou o Minotauro. Estando Creta e Atenas em guerra, Minos pede a Zeus que lance uma peste contra seu inimigo, o povo de Atenas. Zeus atende seu pedido e, posteriormente, para que a peste cessasse, fizeram um acordo, no qual, Atenas deveria, de 9 em 9 anos, enviar 7 rapazes e 7 moças para servirem de alimento ao Minotauro. Num dos grupos estava Teseu, o qual fora treinado pelo centauro Quirão ou Kheiron, Ser com cabeça humana e corpo de cavalo. Teseu chega em Creta e encontra a filha de Minos e Pasifae, Ariadne, que se apaixona por ele e lhe dá um novelo de linha (fio condutor). Teseu amarrando uma extremidade do fio em seu corpo, e a outra deixando com Ariadne, penetra no labirinto, do palácio de Cnossos, onde luta e vence o Minotauro. Graças ao fio condutor consegue sair do labirinto como herói.

E s s e

m ito tem , entre o u tra s,

a

se g u in te

sim b o lo g ia :

- Teseu - Herói ou discípulo na luta da iniciação. - Minotauro - Ser com cabeça de touro e corpo de homem. Representa a animalidade ou emocional dominando o homem. O fato de se alimentar de carne humana simboliza a animalidade consumindo o próprio homem.

- Centauro - Ser com cabeça e tronco de homem e corpo de cavalo. Representa a mente dominando o animal ou emocional, postura que o Mestre passa ao discípulo Teseu. É o inverso do Minotauro em significação.

- Cnossos- Nosso corpo físico, suporte da evolução e da luta na iniciação.

- Labirinto - Nossa alma, verdadeiro labirinto, onde nos perdemos na escuridão de seu desconhecimento, sede da evolução e da iniciação. - Ariadne - Nossa consciência cósmica superior, nosso espírito, o objetivo da iniciação e do lento processo evolutivo da humanidade. O prêmio após vencer os desafios da alma.

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-Fio Condutor -

O fio de sütrâtmâ que liga nossa consciência física quaternária à no:,' i

consciência ternária superlorou Eu Superior, EGO, como Teseu ligado a Ariadne.

- Minos e Pasifae - Rei-sacerdote e sua contraparte, Casal Manúsico, pais de Ariadne ou da Raçi i Ariana. Na antropogênese oculta correspondem aos Manus da 4aSub-Raça Célticn da 5aRaça-Mãe Ariana.

- Touro - Símbolo da terra e do reino animal. O amor de Minos e de Pasifae pelo touro representa o amor das hierarquias pela Terra e seu fruto, a humanidade provinda do reino animal. Zeus ou Júpiter e Possêidon ou Netuno, as expressões maiores das hierarquias envolvidas no jogo do mental e emocional humanos.

O mito é riquíssimo em simbologia que na iniciação expressa a luta interior do

discípulo, usando a mente para vencer o emocional e evitar que este domine seu corpo. Mito significa oculto e mitologia o estudo ou conhecimento do oculto, verdadeiro arquivo histórico do envolvimento das hierarquias espirituais com a

humanidade. Os números 7 e 9 estão ligados às hierarquias e à iniciação. A evolução o Setenária e o nove é o número do Adepto ou Iniciado (Arcano 9 = o Ermitão).

Quando reencarnamos, trazemos de vidas anteriores tendências negativ. r, (nidânas) e tendências positivas ou qualidades (skandhas). Sempre nascemos com as duas tendências. Iniciação é a transformação de nidânas em skandhas.

Nidânas são forças vivas que não podem ser enfrentadas diretamente, mas transformadas em skandhas pelo processo iniciático. Preguiça, tentações inferiores e vícios são exemplos de nidânas, as quais, se enfrentadas diretamente, voltam diferentes e mais potentes. Para se vencer um vício é necessário haver uma transformação interna (descondicionamento e conscientização), ou melhor, despertar um skandha. Pelo amor e ajuda ao próximo conseguimos debelar os vícios, pois o vício liga-se muito ao egoísmo, e a fraternidade o extingue.

A prática da meditação, que é uma forma analógica de pensar, é tônica do

primeiro grau (Manu) e chave da iniciação etítbiótica, que é a mental.

A mística contemplativa, isoladamente, não leva à verdade. A devoção torna o

homem um Santo, porém, ignorante dos mundos espirituais. Embora consiga chegar aos mesmos, não os entende plenamente. Os Santos não mudaram o mundo, quem realmente o mudou foram os filósofos. Jesus era Santo e Filósofo, o que o diferencia de todos os homens santos. O discípulo deve buscar o equilíbrio entre mente e emoção, conduzindo a sua transformação mentalmente, não interessando a sua profissão ou escolaridade, pois todos têm o mesmo potencial para a iniciação. É lógico que o possuidor de uma mente traquejada tem, aparentemente, mais facilidade, mas dependendo da sua vaidade e orgulho, pode acabar inibindo a mente,

mesmo as mais desenvolvidas.

A

in ic ia ç ã o

não

v is a

d e sp e rta r

p o d e re s

su p e rio re s

e

to rn ar o

d is c íp u lo

c la r ia u d ie n te , c la riv id e n te o u s e n s it iv o . No processo podem ocorrer sintomas do

despertar dessas faculdades e, até, do seu completo desenvolvimento. Os sonhos poderão ser lembrados e o discípulo, de posse das chaves do conhecimento oculto,

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poderá saber interpretar os significados, simbólicos ou reais, das experiências ocorridas no plano astral. Paralelamente, o discípulo vai adquirindo a consciência de que tudo o que obtiver, pode e deve ser usado em seu aprimoramento iniciático, visando, antes de tudo, ajudar a humanidade e nunca a obter gratificações egoísticas. No caminho da iniciação é importante que o discípulo observe sempre três

regras:

1°) O iniciado se faz, não é feito por ninguém. Somente pelos próprios esforços é que o iniciado consegue transformar-se num Adepto. Existem regras ocultas que forçam um Mestre a aceitar um discípulo que realmente queira se iniciar, independentemente de sua raça, condição social, grau cultural ou outros, desde que ele preencha as condições básicas. Porém, essas mesmas regras impedem o Mestre de passar conhecimentos ocultos ao discípulo, se este não estiver preparado e não se esforçar para consegui-los.

2°) O sigilo deve ser absoluto, os Iniciados se calam.

Na maioria dos casos, quando o Mestre começa a se manifestar, interiormente o discípulo pode ficar eufórico e acabar por contar aos outros suas experiências. Isto rompe a ligação conseguida, que só voltará alguns anos depois, após esforços redobrados. O merecimento de receber algo oculto é apenas daquele que se esforça e tenha seguido as regras de iniciação. Cabe ao discípulo interpretar as experiências e usá-las para seu desenvolvimento, visando sempre ajudar a humanidade. Determinados conhecimentos ocultos, gradativamente, estão sendo passados para

a humanidade, porém, existem conhecimentos que, em hipótese alguma, podem

chegar aos homens, no atual nível evolutivo, pois podem comprometerotrabalho das hierarquias espirituais envolvidas com a evolução humana e provocar danos gravíssimos para o Projeto da Lei, ou ainda, no caso de envolver forças sutis da Natureza, provocar verdadeiros desastres ambientais, como os ocorridos na

Atlântida, que serão relatados nas aulas de antropogênese.

3") Quando o discípulo está preparado o Mestre aparece. Em outras palavras, KundalinT-shakti se manifesta. Esta força, ou energia divina, que dormita no corpo vital, liberta-se e corre os centros de força existentes nesse corpo, transportando a consciência humana comum para outros pontos de percepção e daí para outros planos supra sensíveis, além dos sentidos físicos. O Universo e a Eternidade adquirem dimensões e significados muito maiores do que aqueles que o ocultismo até então deixava transparecer. Existem práticas e maneiras de acelerar o processo, porém, são extremamente perigosas por envolverem energias poderosas. Caso não sejam controladas adequadamente, podem trazer prejuízos físicos, morais e mentais ao praticante que não estiver preparado pela iniciação. Quem segue e respeita as regras de um verdadeiro colégio iniciático não busca despertar essas energias. Procura sempre o autoconhecimento

e o auto-aperfeiçoamento, pois sabe que quando estiver pronto essas energias

despertarão naturalmente e sem nenhum perigo. A firme determinação na busca da verdade aproxima o discípulo do Mestre. Este o acompanha sempre, diuturnamente, próximo ou à distância, e o encontro se dá em seu interior pela identificação com seu

Eu Superior.

Bibliografia:

BLAVATSKY, H. P. G lossário Teosófico, Editora Ground Ltda., São Paulo, 2* ed., 1991. FERREIRA, A.C. A Iniciação. Dhâranâ, Ano LX, Série União, n° 4, p.41 -3,1986. RAMOS, A. C. Aulas ministradas no grau Manu, Departamento de São Paulo.

Aula pesquisada por Adhemar da

Cunha Ramos e Luciano Gaviolle Neto.

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AULA Ne 02

A TRÍPLICE INICIA ÇÃ O

A iniciação eubiótica, ensinada pelo Professor Henrique José de Sou/n, r conhecida como Tríplice Iniciação, pelas três regras vistas na aula anterior e, ainda, pelos aspectos trinos apresentados no quadro a seguir:

T R Í P L I C E

IN IC IA Ç Ã O

E U B IÓ T IC A

|

IN IC IA Ç Õ

E S

Indireta

Direta

 

R

eal

B

A S E S

M ente

E

m o ç ã o

Vo ntade

S

IT U

A Ç Õ

E S

E

s c o la

Teatro

 

Tem plo

V

IR T U D

E S

P

a c iê n c ia

H

u m ild ad e

P

e rse v e ra n ç a

P

O S IÇ Õ E S

A

n a lo g ista

E

c lé tic o

ou

H

arm o n ista

 

S

in c re tista

 

E

T A P A S

T ra n sfo rm a çã o

S

u p e ra ç ã o

M e tásta se

Cada

uma

das

três

colunas

agrupa

aspectos

que

têm

entre

si

um

relacionamento direto para fortalecer cada uma das três bases da iniciação, Mente Emoção-Vontade, como descrito nas próximas explicações.

IN IC IA Ç Õ E S

O ser humano está sujeito a três tipos de iniciação: a indireta, a direta e a real. *Indireta *

É a iniciação pela própria vida, onde o homem recebe as cargas de sofrimento e

de felicidade, geradas, respectivamente, pelos erros e acertos. É a mais sofrida, sendo aquela a que a humanidade está sujeita. Todos estão se iniciando ao longo dos ciclos de reencarnação, para atingir o padrão evolutivo finai do quarto reino hominal, conhecido na linguagem esotérica como Jívâtmâ.

*Direta*

É a que se processa através de um colégio iniciático, onde o discípulo interpreta

os ensinamentos segundo sua própria capacidade. É chamada de Simbólica devido aos símbolos que são usados nos graus e nos ensinamentos ocultos. As práticas de yogas, rituais, mantrans e instrução oculta, gradativamente aumentam o grau de consciência e capacitam o discípulo para entendera linguagem simbólica.

*Real*

o discípulo penetra e decifra os símbolos, deparando-

se, assim, com a verdade. A meditação constante nos símbolos iniciáticos é, portanto, a chave que abre a porta da verdade.

É a que ocorre quando

B A S E S

Nosso colégio iniciático possui três bases que sintetizam todo o trabalho que o discípulo deve executar para chegar ao encontro do portal, que dá entrada tanto aos

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mundos superiores como à sua própria realidade. As três bases são MENTE- EMOÇÃO-VONTADE, representadas como três vértices do triângulo eubiótico. O homem comum tem sua consciência ligada ao seu corpo físico, e sua vida está regulada pelo pensar-sentir-querer. Estas três funções não existem isoladamente no homem, mas sempre associadas a outras. O pensar estimula uma função do querer ou do sentir. O sentir, por sua vez, estimula uma função do pensar ou do querer, e o querer estimula uma função do pensar ou do sentir. Normalmente, não sabemos se queremos porque pensamos ou sentimos, se sentimos porque queremos ou se pensamos e, se pensamos porque sentimos ou queremos. Estas três funções, sendo simultâneas, estão embaralhadas no homem comum, e a iniciação visa separá-las numa primeira fase, a fim de serem estudadas e conhecidas; para, numa segunda fase, serem trabalhadas e dominadas.

para, numa segunda fase, serem trabalhadas e dominadas. Visa-se, assim, o equilíbrio das três funções para

Visa-se, assim, o equilíbrio das três funções para fortalecimento das três bases do processo iniciático, ou.seja: mente, emoção e vontade. * Mente * Através do pensar o discípulo trabalha a primeira base da iniciação que é a mente. Pelo processo oculto começa a isolar seu corpo mental, sede dos pensamentos concretos, e começa, também, a entendê-lo e dominá-lo. Quando o trabalho do mental concreto estiver desenvolvido, começa a vibrar o mental abstrato ou manas superior, primeiro aspecto do seu espírito. A mente deve ser desenvolvida em equilíbrio com a emoção e a vontade. Se for desenvolvido um forte pensar, associado a um fraco querer, pode-se cair no diletantismo mental, fazendo com que os pensamentos não se reflitam em ação ou em prática. Um forte pensar, associado a um fraco sentir, pode transformar o ser humano num monstro, que usa a mente sem sentimentos, geralmente para destruir, como no caso de criar armas cada vez mais poderosas e terríveis. Atualmente, a humanidade passa por essa fase; o nível tecnológico é bastante avançado aliado à miséria e ao sofrimento da maioria, era dos computadores e da fome. Se junto com a tecnologia, fruto do pensar, fosse desenvolvido o amor ao próximo, como expressão do sentir, e a ajuda mútua, como expressão do querer, assim, pelo agir, teríamos um mundo muito melhor e com o karma coletivo mais aliviado.

* Emoção * É através do sentir que o discípulo trabalha a segunda base da iniciação, a emoção. Pela análise dos sentimentos e consequente aprimoramento do sentir, começa o trabalho iniciático para isolar o corpo emocional, sede das emoções, a fim de que atuem, na sua plenitude, os fluxos energéticos que constituem o veículo emocional, determinando aquilo que conhecemos como emoção superior. As emoções, frutos do arranjo energético ou estado provocado no Ser pelos sentimentos, modificam os movimentos respiratório, circulatório e de secreções glandulares, bem como provocam repercussões nos estados de excitação ou depressão. Todo conhecimento do mundo está ligado ao processo sensório, ao mundo sensível percebido pelos sentidos. Com os ensinamentos ocultos, o discípulo, aos poucos, começa a equilibrar seu corpo emocional, sede de suas emoçõès e sentimentos; e começa, também, a entendê-lo e dominá-lo. Quando o trabalho com o

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emocional estiver plenamente desenvolvido, começa a vibrar a intuição ou buddhi, o segundo aspecto do espírito. Buddhi é a tônica de Henrique José de Souza e dos seres ligados ao sexto aspecto de Deus.

A emoção deve ser trabalhada com a mente e com a vontade. Um forte sentir,

associado a um fraco pensar, caracteriza o sujeito dominado pelo emocional. Um forte sentir, ligado a um fraco querer, animaliza o ser, deixando-o como vítima das paixões e prazeres de toda a espécie, como no caso dos viciados. Os vícios menores tendem a vícios maiores, e os maiores a se multiplicarem, como as cabeças da Hidra

de Lema vencida por Hércules, em um dos seus doze trabalhos iniciáticos. * Vontade *

Através do querer, o discípulo trabalha a terceira base da iniciação, que é ;i vontade, impulso superior que recebemos e que nos impele para a vida e para a evolução. A ação é intensificada pelo querer, que o ocultismo desenvolve, fazendo com que tudo seja comprovado experimentalmente ou colocado em prática, não apenas na teoria ou no sentimento. Quando se trabalha com o querer, expresso pelas ações ou pelo confrontamento do karma (pois karma, em sânscrito, significa ação), começa a vibrar a vontade superior ou Âtmâ, o terceiro aspecto do espírito.

A vontade deve ser trabalhada junto com o pensar e o sentir. Se o queror

predomina, e o pensar e o sentir não o acompanham, ocorrem sobras de energias e

de impulsos para a ação, caracterizando o tipo de Ser que age muito, que está sempre em atividade, fazendo tudo sem pensar. Inconseqüente de seus atos, faz

tudo sem sentir, prejudicando aos demais e, o que é pior, nem sequer se apercebendo

disso

cabeça dos outros.

É uma máquina de carne e ossos, frio e insensível, e bastante dependente da

No caminho da iniciação ocorrem transformações que, gradativamente, provocam o rompimento dos vínculos diretos entre o p e n s a r -s e n tir -q u e r e r , devido ao trabalho feito poryogas, meditações e conhecimentos ocultos. Então, o discípulo começa a experimentar seu corpo mental, como sendo uma unidade independente, refletindo-se no domínio e na concentração da mente, fenômeno denominado de “d h â r a n â ”. Fenômeno idêntico ocorre com seu corpo emocional, refletindo na

abstração dos sentidos, denominado “p ra ty â h â ra ” , e idem

refletindo nas ações, que com a prática de “p r â n â y â m a ” , fortalece os sistemas de

sustentação da vida.

O triângulo inferior do discípulo, m e n te -e m o ç ã o -v o n ta d e , se prepara em

ocorre no seu corpo vital,

â . É o despertar da

consciência eubiótica, em que o discípulo começa a ser realmente dono de seus corpos. Estas três bases devem ser desenvolvidas harmoniosamente e de forma equilibrada. Se a mente predomina, o Ser torna-se introspectivo, com interesse ilimitado de saber e conhecer, porém, com indiferença para com a vida, palco de sua evolução. Se a emoção predomina, torna-se altamente sentimental, tendendo a tornar-se um místico ou fanático religioso. Se a vontade predomina, torna-se egocêntrico, tirânico, desenfreado e sem controle nas suas contínuas e desmedidas ações.

É importante que o discípulo tenha uma vida sadia no corpo e na alma, e que

busca do triângulo superior, m a n a s s u p e r io r -b u d d h i-â tm

viva dentro de regras de ética e de moral, com serenidade e harmonia no seu proceder diário, evitando tudo que possa perturbá-lo exterior e interiormente. Os desequilíbrios afastam-no do caminho, pois iniciação é sempre o caminho do meio ou do equilíbrio.

Amenfedeve ser trabalhada pela instrução, a emoção pela educação dos sentimentos e a vontade pelo trabalho.

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S IT U A Ç Õ E S

O processo iniciático não envolve apenas o período de vigília, mas sim as 24

horas do dia. Quando dormimos, nas fases de sonho e de sono profundo também estamos sujeitos à iniciação e, gradativamente, vamos tendo consciência dos sonhos, os quais passam a ser lembrados e a terem significados, até possuirmos consciência no estado de sono profundo, uma das mais importantes experiências

ocultas. A iniciação se dá em três situações: na escola, no teatro e no templo.

*Escola *

É o colégio iniciático ou o meio através do qual ocorre o aprendizado, o lado

mental de nossa transformação. O conhecimento, como já foi mencionado, deve ser pensado e meditado e nunca recusado ou aceito à primeira vista.

* Teatro *

É o palco de nossa própria vida, onde estamos vivendo nesta personalidade,

expressão atual de uma mônada ou unidade de consciência em evolução. Neste teatro, fazemos papéis de filho, pai, mãe, profissional, estudante etc. e, até mesmo de discípulo de escola iniciática. É a parte emocional da nossa transformação, em que devemos procurar executar bem o nosso papel, seja ele qual for, com arte e sentimento, lembrando que a platéia é o nosso Espírito ou nosso Eu Superior e as Hierarquias Espirituais que acompanham nossa evolução. Ao cerrarem as cortinas,

na morte, deveremos receber aplausos pelos acertos e não vaias pelos erros. * Templo * Cada discípulo é um templo vivo onde se dá a integração de sua personalidade com sua individualidade. Yogas, mantrans, meditação e rituais enaltecem este templo onde se manifestam elevadas energias cósmicas. O ritual é o mito ou o oculto em ação. Aação é expressão da vontade e de seu aspecto superior, âtmâ. O templo é

o local de ação onde ocorrem os atos religiosos ou de re-ligar (verdadeiro sentido de religião) a consciência física com a espiritual, o que, do mesmo modo, deve ocorrer no templo vivo que é o próprio discípulo.

V IR T U D E S

O sucesso na iniciação é alcançado pela prática de três virtudes: a paciência, a

humildade e a perseverança.

* Paciência *

Esta qualidade é desenvolvida pelo trabalho da mente, que pode controlar a impaciência. Nos acontecimentos do dia a dia, o discípulo desperta esta virtude, que, por sua vez, resulta na calma e tranqüilidade interior, condição necessária para coordenar os pensamentos e praticar a meditação. Este exercício constante fortalece

o corpo mental e o faz controlar o emocional. A paciência é a grande virtude que permite suportar os males e os infortúnios da vida, o karma desta vida e das passadas.

*Humildade*

É a virtude com a qual manifestamos os sentimentos de nossas fraquezas,

importante para o auto-conhecimento. Sua prática desenvolve o respeito, a modéstia

e a submissão natural, que abafam o pernicioso orgulho. No ocultismo, a humildade

MANU - APOSTILA N“ 0,1

11

não representa pobreza e inferioridade, mas sirp, riqueza e superioridade. Poderá sei desenvolvida através do aprimoramento do;C"arãter (emocional), e pela prática do auto-conhecimento (mental), determinando, assim, o encontro de suas próprias limitações no contexto evolutivo.

*Perseverança **

É a qualidade que mantém o discípulo firme no seu caminho e constante nas

práticas de yogas e meditação. Pela perseverança, as dificuldades são superadas e a perfeição é alcançada com a repetição incansável. Todo obstáculo é um desafio e uma oportunidade de provar que está firme na busca da verdade.

Esta virtude é desenvolvida pelo querer, pela vontade e pela prática, ação, em

si mesmo, do conhecimento adquirido.

P O S IÇ Õ E S

O estudante de Eubiose frente ao conhecimento humano e ao oculto, deverá ter

três posições ou posturas. Deve ser analogista, eclético ou sincretista, e

harmonista.

*Analogista *

É usar o mental com análise e lógica, entre a dedução e a indução. Deduzindo

do geral para o particular ou pela indução de fatos particulares para uma conclusão geral, obtida como essência. É a constante aplicação da chave hermética que diz “o que está em cima é como o que está em baixo, e o que está em baixo é como o que

está em cima, para a realização de um só mistério”. Através desta postura ocorre o desenvolvimento do mental concreto e o uso ativado da razão.

* Eclético ou Sincretista *

Na iniciação o discípulo não se prende a dogmas; é eclético, usa as diversas fontes, seleciona e escolhe o que há de melhor e o que considera verdadeiro. Não segue um só sistema, faz o sincretismo de todos os sistemas, combinando os princípios filosóficos, científicos, religiosos, sociais etc. O resultado do sincretismo de todos os sistemas e de todo o conhecimento é a Teosofia ou Eubiose.

O templo de São Lourenço foi dedicado a todas as religiões até 24.05.57, o que

comprova este sincretismo. A partir dessa data foi dedicado ao culto de Melki-Tsedek,

o que equivale dizer, ao futuro Avatara Maitreya Buddha.

O desenvolvimento do emocional superior nos liberta dos apegos e dogmas. *Harmonista *

É a postura que busca sempre a harmonia, consigo mesmo, com todos os

seres, com a Natureza e com o Universo. Essa harmonia é conseguida pela procura, pelo entendimento e pela vivenciação das leis universais que regem toda a manifestação.

Eubiose é a síntese dessa harmonia, bem expressa pela definição do significado do termo E U B IO S E , ciência do bem viver (E U - como bem, e B IO S E - como vida). As leis se ligam ao equilíbrio, e o equilíbrio entre mente e emoção é a

vontade

E T A P A S

O processo iniciático se desenvolve em três etapas: a da transformação, da superação e da metástase.

,

12

MANU-APOSTILA N° 01

* Transformação * Transformar, filosoficamente significa deixar de ser o que é. Pelo fato do Homem atual não estar sintonizado às atuais exigências cíclicas da evolução, esta transformação implica dois trabalhos opostos:

em

í )

podemos resumir na palavra

“DESTRUERE”, que

consiste

debelar de nossa psique as incrustações advindas da formação do reino

hominal;

2°) resume-se na palavra “CONSTRUERE”, e que consiste em angariarmos para nossa psique valores que ainda não possuímos, mas que são imprescindíveis para colocar nossa alma em sintonia perfeita com a Obra do Eterno no presente ciclo. Somente cada um de nós, num exame introspectivo, poderá constatar as mazelas ainda existentes e as ausências de virtudes tão necessárias ao nosso aprimoramento. Esta avaliação dialética se processa em nossa interioridade, na voz do silêncio, onde não é possível mentir a nós próprios. Nossa atitude, presenciando nossa íntima realidade, deve equivaler a um “confiteor” (eu me confesso), que traga à tona de nossa consciência nossos vícios indesejáveis e o anseio de suprir as carências de virtudes ainda ausentes. Só esta atitude sincera diluirá os percalços impeditivos de nossa evolução, possibilitando nossa real transformação. Assim, o homem comum transformando as tendências negativas ou nidânas em tendências positivas ou skandhas, transforma-se em discípulo, e deste em iniciado. Encerremos este tópico com as palavras de Shri Aurobindo, transcritas na página 77 da revista A q u a r iu s , Ano II, n“ 8 ,1976:

“Todas as religiões têm salvado certo número de almas, todavia, nenhuma foi capaz de espiritualizar a humanidade. Por isso, não é o culto e a crença que são necessários, mas sim um esforço contínuo de transformação interior que resultará no desenvolvimento espiritual de cada um”. * Superação * É a superação dos sentidos, etapa esta que possibilita o despertar de percepções superiores, ultrapassando o mundo sensório, perceptível pelos sentidos e ingressando no mundo supra-sensível ou além dos sentidos. É a superação de nossa atual condição humana com o desenvolvimento de nossos corpos ou veículos superiores.

A Superação ou s u p e r + a ç ã o , precisa ser entendida a partir de nossa

compreensão do que seja a ação. Tudo o que fazemos, o que pensamos e como sentimos, constituem o espectro de nossas ações na matéria. O metabolismo deste espectro desenvolve-se conforme o “ quantum” de nosso caráter, isto é, do que trazemos de outras vidas e do que teremos que trabalhar nesta vida. Como, pela transformação, nosso caráter terá que diluir suas negatividades (nidânas) e angariar positividades (skandhas), o espectro de nossas ações irá variar também, diminuindo em suas negatividades e aprimorando-se em positividades, ou seja: esgotar o karma negativo, preparando seus próprios veículos para que em vidas futuras possamos agir com consciência, ou melhor, com-ciência, com conhecimento de causa. *Metástase * É a etapa onde ocorre a fusão da consciência física com a superior, o triângulo inferior encontra o triângulo superior, V o n ta d e -M e n te -E m o ç ã o se integram com  t m â -B u d d h i-M a n a s S u p e rio r. O discípulo sabe que é homem e que é Deus, que está no Mestre e que o Mestre está nele.

MANU - APOSTILA N° 01

I3

Metástase avatárica, biologicamente, significa a transferência da função de um órgão para outro, e analógicamente, do Mestre para o discípulo. Em outras palavras,

a

o

matéria, sem luz própria, deve iluminar-se, tornando-se, assim, também, uma fagulh; i

da Estrela-Guia, como as hierarquias, co-participante da família do Espírito. É o Jívâtmâ em plenitude.

É o homem-jiva que, pelos seus próprios esforços, realizou-se no trabalho de

sua iniciação.

É esta a iniciação de J.H.S. que propicia Avatárica.

a objetivação da Metástaso

natureza Jiva extensiva a toda a humanidade, passa a Jívâtmâ que alcançou Átmn,

sétimo princípio do homem. A humanidade Jiva, produto planetário da evolução d;i

O Jívâtmâ é, pois, o antigo Jiva tornado um Vaso de Eleição da Divindade.

Tomou-se, portanto, um Graal, por ter reunido em si o continente da Matéria e o

conteúdo do Espírito.

Bibliografia:

BLAVATSKY, H. P. G lossário Teosófico, Editora Ground Ltda., São Paulo, 2i'ed., 1991. GOMES, J.R. Iniciação de J.H.S. Apostila, p. 11-5,1990. RAMOS, A. C. Aulas ministradas no grau Manu, Departamento de São Paulo. Aula pesquisada por Adhemar da Cunha Ramos e Luciano Gaviolle Neto

REALIZAÇÃO

AULA N° 03

Adepto ou Homem Perfeito é o nome que se dá àquele que está em condições de guiar os demais à suprema síntese, ou à superação da Alma. Esta superação é a ligação da Alma ao Espírito. Na mitologia grega, Psiquê anda em busca de seu bem amado Eros. Psiquê ou alma tanto vale, e bem amado, o Espírito, a Consciência Imortal, o Deus feito carne e transformado em Espírito.

Yoga é como a prece, ou seja, sem sentir Deus em si mesmo jamais um discípulo se tornará um Adepto. Quereis uma prova mais definidora do que acabamos de expor? Ela está na sentença filosófica: "Aquele que ultrapassa o Âkasha é fonte de toda Riqueza". Mas o que é Âkasha? - Dá-se o nome de Âkasha ao Segundo Trono, ou a porta que separa o mundo divino do mundo terreno. Nesse caso, atravessando o discípulo o mundo que medeia

o terreno do divino, neste se acha.

O termo KAKIM, que se divide em três e não dois como julgam certas escolas,

apresenta-nos: o KA para o mundo terreno, o A K para o Âkasha, como indica o próprio radical, e o KIM, para o mundo divino. Esse exemplo também vale para as três

gunas, ou qualidades da matéria: T A M A S , R A J A S e S A T T V A . Com elas também se forma a Divina Tríade, obedecendo às cores a m a re lo (Âtmâ), azul (Buddhi) e vermelho (Manas). Quando se diz que Moisés atravessou com seu povo, e a pé enxuto, o “Mar Vermelho”, não passa de uma alegoria. Sim, porque o manu que foi Moisés, como guia de um povo, não podia permitir que este tocasse na matéria vermelha ou tamásica do mundo.

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MANU - APOSTILA N" 01

As más interpretações dos livros sagrados conduzem à superstição e ao fanatismo. Um verdadeiro Iniciado nos Grandes Mistérios da Vida (que é a própria Eubiose) não interpreta as coisas através da letra que mata, e sim do Espírito que vivífica.

A Infelizes dos que preferem subir a escada da vida por degraus uosos em vez de fazê-lo pelos retos e luminosos, em cujo final se :ha o Mágico Triângulo da Iniciação, que é o da Mônada Divina, a Bonsciência Imortal, o Deus de cada Homem.

Y O G A S

N A

IN IC IA Ç Ã O

Y o g a (do sânscrito) significa U N IÃ O . Assim sendo, consiste em exercícios para

o homem se unir ou se ligar ao Ser Supremo, como sua origem.

Segundo o Glossário Teosófico, de Helena Petrovna Blavatsky (Editora Ground Ltda., São Paulo, 2aed„ p. 762,1991.):

“A palavra yoga significa literalmente “união”, e é usada no sistema Patanjali para designar a união ou harmonia do Eu humano, ou inferior, com o Eu divino, ou superior, através da prática da meditação. Graças a esta união mística, o homem adquire um domínio completo sobre o corpo e a mente livra-se de todos os entraves do mundo material e desenvolve certas faculdades psíquicas maravilhosas, latentes na espécie humana e que são causa de fenômenos estranhos, que parecem verdadeiramente sobrenaturais ou milagrosos a todos os que desconhecem sua causa ”

palavra Yoga, além de significar “união”, tem vários outros significados:

conexão, harmonia, relação; via, método, sendeiro; poder místico ou misterioso:

encanto, feitiço, magia; mistério; devoção, doutrina, ensinamento etc. Em alguns

casos é sinônimo de mârga (sendeiro) e, assim, temos as expressões Karma yoga, Jnâna yoga e Bhakti yoga, que equivalem a: sendeiro da ação, sendeiro do conhecimento e sendeiro da devoção, respectivamente”.

A “

Da associação do espírito à parte superior da alma, tem-se a Razão. Da associação da parte inferior da alma com o corpo físico, tem-se a Paixão. O cérebro é mantido por energia espiritual, por isso gera idéias, e o coração é mantido por uma energia psíquica, por isso gera emoções. O equilíbrio entre Razão e Emoção sublima os pensamentos, equaliza as paixões (os apetites materiais) com os anseios espirituais determinando, portanto, um equilíbrio entre todas as energias que fluem e mantêm o corpo físico. Assim, também, as atividades físicas devem harmonizar esses atributos, a fim de que o corpo são do homem sirva de base a uma consciência

psíquica, onde se possa fixara consciência espiritual, para que, então, transformado,

o homem seja equilibrado, isto é, sábio, justo e perfeito. Todo ser normal possui em si as possibilidades de despertar na consciência seu Eu Interno. A Sociedade Brasileira de Eubiose (S.B.E.) procura indicar o caminho mais apropriado ao nosso temperamento, o qual conduz a esse objetivo. Mas é preciso não esquecer que a cada qual cabe segui-lo com os próprios pés. Cada

MANU - APOSTILA N" 01

1!)

discípulo é o construtor de seu próprio santuário. Não é a S.B.E., como Instituição, que vai transformar o discípulo em Mestre. Para isto requer que o discípulo atento bem às idéias que as aulas procuram exprimir, fazendo-se necessário praticar com entusiasmo e persistência os exercícios, ou yogas do novo ciclo deixadas por nosso mestre. Assim como na prática de algum tipo de esporte ou exercício físico se desenvolvem os músculos, com a prática de yogas se desenvolve a alma. No entanto, é necessário também seguir uma vida modelada nos mais altos imperativos morais. Todo este conjunto de normas leva o discípulo não ao psiquismo inconsciente e passivo, mas ao desabrochar consciente das faculdades do espírito, uma das quais é o poder da Vontade, com o qual o homem torna-se senhor e não escravo das forças da Natureza. “A prática de yogas deve obedecer a regras e preceitos que só um mestre ou instrutor pode dar, e só deve ser feitas sob controle de um Colégio Iniciático. E tudo isso de acordo ainda com os estados de consciência que a Mônada tem que atravessar na presente Ronda, de degrau em degrau, na escala setenária da sua própria evolução. Daí condenarmos a prática de exercícios tendentes a despertai estados anteriores ou desenvolvidos nas etapas de raças já percorridas, visto que tal prática importa em involução, como involução será daqui a milênios a prática do que agora se acha em franco desenvolvimento. Esse procedimento é comparável ao dc alguém que desejasse fazer uso, hoje, da imunda e velha roupa de que se serviu em outras épocas. "(Henrique José de Souza). Assim, por seus métodos, o yoga encurta o caminho da evolução. Sua finalidade é a união dos seres com a Divindade, possuindo, ainda, o mesmo sentido da palavra religião, ou seja, re-ligar. Na busca dessa união desenvolveu-se, nas escolas iniciáticas do Oriente, práticas de exercícios físicos e mentais que, com o passar dos tempos, foram sofrendo modificações, transformando-se nos diferentes tipos de yogas hoje conhecidos. Os princípios que nortearam os grandes mestres a fundamentarem essas práticas foram embasados nas leis da Natureza contidas na Sabedoria Iniciática das Idades, com o objetivo evolutivo de transformar vida-energia em vida-consciência.

A tríplice iniciação de J.H.S.

nos fala de:

C o r p o -A lm a -E s p ír it o ,

E s c o la -

E c lé tic o -H a r m o n is ta -

T e a tro -T e m p io ,T ra n s fo r m a ç ã o -S u p e ra ç ã o -M e tá s ta s e ,

A n a lo g is ta , J n â n a -B h a k t i-K a r m a (como métodos de yoga).

Os poderes do yoga, segundo Patanjali, são denominados yogângas, dos quais cinco ocupam a fase preparatória e levam o yogin a purificar-se, preparando-o para os três exercícios superiores, que ele só pratica após ter sublimado o corpo e a mente, desligando-se das coisas maiávicas ou ilusórias. Existem inúmeros tipos de yogas. Somente no Bhagavad-GTtâ existem 17 diferentes, um para cada capítulo. (Bhavavad-Gítâ, literalmente, quer dizer: “O Canto do Senhor”. É um episódio do Mahâbhârata [composto de 250.000 versos], o grande poema épico da índia. Contém um diálogo no qual Krishna, "condutor do carro", e Arjuna, seu cheia [discípulo], tem uma discussão sobre a mais elevada filosofia espiritual. Esta obra é eminentemente oculta ou esotérica). Para o yoga, o homem é considerado como constituído de corpo e mente, ligados pela unidade de consciência. Todos os seus envoltórios (veículos, instrumentos) são variações materiais e espirituais (lei da unidade), graus de atividade (lei da vibração, ritmo, polaridade), estados de consciência (lei da transformação, evolução, desenvolvimento) sempre modificáveis pelas mesmas leis.

16

MANU - APOSTILA N" 01

O yoga, como psicologia experimental, estuda o homem sob o duplo aspecto, sintetizado em corpo e mente: matéria e consciência. A mônada ou Jívâtmâ (Eu, Ego, Corpo Causai, Centelha Divina, Indivíduo, Homem Interno, Adam-Kadmon, Homem Celeste), unidade de consciência, sempre habita o interior de suas capas ou veículos. “Eu sou Prâna”, disseodeus Indra. Nesta frase, prâna significa a totalidade das forças vitais e equivalería à Consciência. A matéria se designa com o nome genérico de pradhâna, e o corpo, em oposição à mente, significa para o yogin prático toda a quantidade de matéria peculiar do mundo externo e que ele é capaz de separar de si, diferenciada de sua consciência individual. O Eu manifestado é uma quantidade variável. Durante suas experiências, vai eliminando suas vestes materiais: Eu não sou o meu corpo físico. A eliminação continua até que a Consciência, revestida apenas de um único átomo material, se integraliza com sua origem ou mônada.

M E T O D O L O G IA

A P L IC A D A

P E L O

Y O G A

* E U P E L O E U (conhecimento por intermédio de BUDDHI ou RAZÃO PURA). É o método metafísico e também filosófico. Introspectivo, usa a meditação e a abstração para obter o conhecimento direto, de natureza búddhica ou do mundo divino. Procura sempre utilizara faculdade búddhica. Metafísicos e filósofos empregam, de preferência, a faculdade búddhica, investigando nas profundezas de sua própria natureza, buscando em si mesmos as verdades que procuram desvendar. Admitem o conceito de que o Ego existe no seu interior, crentes, na certeza desta fé intuicional (SRADDHÂ), que transcende a razão, porque o EU, segundo este método, não pode ser realizado pelo raciocínio. E assim vão esses pesquisadores, por meditação e abstração, eliminando seus envoltórios ou instrumentos, até alcançarem a realização do EGO (Iluminação). O mental concreto inicia sempre os pensamentos dos metafísicos, filósofos, yogins, cientistas e de todos os homens, qualquer que seja sua orientação. No método metafísico (Eu pelo Eu) os siddhis (poderes) são obstáculos diretos. Por isso a vida monástica, o asceta adota o isolamento para evitar as sensações dos sentidos externos.

* E U P E L O N Ã O E U (conhecimento pela MENTE CONCRETA) - Método científico que emprega o mental concreto para compreender o Universo. Pesquisa o real entre o ilusório, o eterno entre o mutável e o Eu entre a diversidade de formas. O yogin aprende a conhecer a si mesmo. Examina as formas mutáveis em torno de si e da sua própria constituição, estudando sua essência e a de outros seres. Analisa as formas físicas, compreendendo que elas não são o EGO. Procede do mesmo modo com os planos astral e mental, constatando que as formas mutáveis não manifestam a imutabilidade do EU. Continuando o exame, atinge o plano búddhico e percebe sua procurada união. Pelo estudo da diversidade, verifica o conceito da unidade, que o conduz à compreensão do Eu verdadeiro. O praticante, por observação e experiência, método separativo, diagnóstico por eliminação, chega a idêntico resultado do método do pensamento puro obtido pela fé. Este processo utiliza os sentidos físicos, astrais, mentais e os siddhis (poderes). Os estados vibratórios mentais (vrittis) são constituídos por variações mentais, próprias ou impróprias à organização de pensamentos construtivos ou destrutivos. A mente trabalha constantemente, e o EGO necessita dominá-la a fim de evoluir, senão será seu escravo em vez de senhor. Deve pacificá-la para serenar a alma e o corpo, que são seus instrumentos de ação. A mente inferior, mental concreto, será então

MANU -APOSTILA NB01

1/

assim como um lago sereno e imóvel, onde o EGO poderá refletir sua consciência pura, evolutiva e de natureza divina.

O emprego do esforço contínuo ou prática constante (Abhyâsa), com ausênc ia

de paixões (Vairâgya), habitua o corpo e a alma a trabalharem serenamente. Como pensar é estabelecer relações, convém pensar somente naquilo que pacifica ,i mente. Este é o trabalho do yoga: transmutar desejos vulgares, ansiedades, receio:,, dúvidas, medo, ambições e egoísmo em aspirações sublimadas. Há necessidade dc• auto-determinação, vontade perseverante na eliminação de hábitos e costume:,, porque estão arraigados no íntimo do ser, senão elementos ilusórios. O progresso real surge da aplicação do yoga nos trabalhos da vida diária, isto é, executados com atenção concentrada, firmeza, honestidade e convicção de que este é um método que encurta o caminho da evolução. Matar desejos vulgares e egoístas não signifii „ i

destruir o amor puro. O homem é por instinto um animal gregário e uma criatura sociável. Os desejos são ansiedades dos veículos, e o amor, atributo do EGO: o I u individual aspira a unir-se a outro Eu individual. O Ego compreende que o amor ó ,i única força atrativa que a tudo unifica capaz de transformar homens em super homens. Os veículos vibram sempre, excitados pelas formas anteriores, fenômenos, idéias, pensamentos e sugestões do mundo exterior, e tais vibrações criam nove:, estados de consciência de acordo com a lei de ação e reação. As sensações, emoções e sensibilidade podem ser serenadas pela repetição de um mantram ou canto de um hino, cujo mecanismo altera as vibrações. O mantram substitui o emprego da vontade ou da imaginação e oferece uma sucessão de sons rítmicos, cujas vibrações sincronizam-se com as dos veículos. Neste processo há economia de energias voluntárias e imaginativas. Daí a frase: “Quem canta seus maios espanta”. Prestar atenção não significa o emprego do intenso esforço físico do pugilista para vencer o seu rival. A atenção é um ato instintivo, natural e espontâneo que, dirigido serena e ativamente, transforma-se em concentração, meditação e contemplação, que são os sucessivos passos do yoga. Quando percorre estes caminhos serenamente (mental pacificado) pode o corpo executar bem dois ou três atos ao mesmo tempo, automaticamente, enquanto o EGO cuida de idéias superiores. Quem procura trabalhar conscientemente, executa uma perfeita aprendizagem do yoga.

O yoga é acessível a toda criatura normal. Só não conseguem praticá-lo, de

maneira eficaz, os doentes, os incapazes mentais, os céticos, os pessimistas, os negligentes, os preguiçosos e os sensuais.

Aconsciência desenvolve as faculdades ou poderes, e assim purifica os corpos físico, astral e mental: pensar bem, falar bem e agir bem. Além disso, a imaginação (instrumento criador) deve escolher o campo dos fatos elevados (espirituais), como motivos de evolução iniciática. O discípulo tem que compreender sempre que é superior às atribulações; sempre desejar o que é justo, e orientar sua vida por qualidades e quantidades naturais de trabalho, diversão, alimentos, exercícios, sono e yoga. O verdadeiro aspirante à iniciação organiza seu viver e evita os venenos morais e materiais; não calunia nem deseja o alheio; não desonra, nem mata; não ingere tóxico, nem tão pouco cultiva a sensualidade.

O pensador argumenta, analisa e sintetiza, induze deduz, até ao mais alto grau

de raciocínio, além do qual nada mais encontra. Então, detém-se nesse ponto do seu pensar, espera com a mente fixa que desabroche a intuição. Entretanto, os imaginativos podem valer-se mais da devoção que do raciocínio. Encontram-se em um determinado ponto e pela vontade fixam nele a mente.

18

MANU-APOSTILA N° 01

“Quando se transcende a meditação, como uma semente, a mente espera equilibrada no silêncio vazio, envolta na nuvem (visão) do Ego. Neste silêncio, primeiramente brotam formas, cores e sons, para então florescer a voz da consciência e desabrochar a centelha crística adormecida no âmago”.

Bibliografia:

BLAVATSKY, H. P. G lossário Teosófico, Editora Ground Ltda. São Paulo, 2Jed., 1991. BLAVATSKY, H. P. Glossário Teosófico, Editora Ground Ltda., São Paulo, T ed., p. 78,761-2,1991. RAMOS, A. C. Aulas ministradas no grau Manu, Departamento de São Paulo. Aula pesquisada porAdhemarda Cunha Ramos e Luciano Gaviolle Neto.

AULA Np04

PRINCIPAIS TIPOS DE YOGAS

1 S) H A T H A -Y O G A

Expressão em que encontramos as palavras H a (Sol) e T h a (Lua), significando, portanto, a união do Sol e da Lua, ou seja, o equilíbrio das duas correntes vitais que sustêm o corpo físico. Esse equilíbrio possibilita a manifestação da terceira onda da Vida Imanente, aquela que traz a plenitude da consciência.

O Hatha-yoga tem por finalidade precípua dar saúde perfeita ao homem, bem

estar físico, tornando-o apto a superar todos os obstáculos fisiológicos, por maiores

que sejam. Em outras palavras, torna o Hatha-yogí capaz de equilibrar, no corpo físico, todas as energias que se manifestam na Natureza, de modo a permitir, nesse veículo mais denso, a livre expansão do Espírito. É o Hatha-yoga que desperta os órgãos do entendimento e da ação, ainda entorpecidos nas criaturas vulgares. O Hatha-yogí procura, inicialmente, subjugar por completo todas as manifestações físicas da vida. Concentra, em seguida, as potentíssimas energias assim acumuladas em determinados centros nervosos e glândulas de secreção interna, até que estes se façam plenamente ativos, capazes de responder a qualquer impacto da Natureza, por mais sutil que seja.

É indispensável, pois, para a conquista desse objetivo, viver em harmonia com

a Natureza, estudar cuidadosamente as estações do ano, o meio físico ambiente etc., e corrigir as deficiências naturais que possam surgira cada momento. Viver em harmonia com a Natureza é conhecer seu ritmo no aspecto esotérico, como o do nosso Sol que, como coração de nosso sistema Solar, se contrai e se dilata (sístole e diástole), emitindo e absorvendo substância-energia, de modo a criar uma circulação perfeita de forças vivas em nosso sistema solar. Essas forças sutis da Natureza, ou Tattwas são exotericamente em número de 5 e esotericamente em número de 7. Se o praticante de Hatha-yoga preocupar-se somente com as 5 forças inferiores poderá ter transtornos de ordens física ou psíquica. Quando é conhecido o aspecto integral das forças da Natureza, não há nenhum perigo na prática de Hatha- yoga, pois oyogí passa a viver dentro do verdadeiro ritmo solar. O Hatha-yoga, pela autr educação, fornece os meios de despertar, nas profundezas do organismo físic do discípulo, a poderosa energia cósmica que lhe permitirá a transformação completa de sua natureza interior. O Yoga chega, assim, a apressar, em escala extraordiná 1a, a evolução do discípulo, que consegue, às vezes, numa vida, o que normalmente exigiría o trabalho de muitas vidas Em condições usuais, garantindo-lhe o solo, a água e os sais minerais

MANU - APOSTILA Ne 01

10

necessários, a semente exigirá bastante tempo para se transformar numa planta Contudo, a moderna ciência agrícola consegue, lançando mão de vários processos, que não vale a pena enumerar, reduzir consideravelmente o tempo de germinação, O Yoga, do mesmo modo, apressa a transformação da semente, que é o discípulo, na planta plenamente desenvolvida, que é o Adepto ou Iluminado Perfeito, capaz de dai de si os frutos magníficos da espiritualidade. A energia de que necessita o discípulo para essa metamorfose é Kundalini. Só o despertar e o domínio sobre Kundalinl podem transformar a natureza interior do discípulo, própria do ciclo atual, naquela correspondente a um remoto ciclo do futuro. Entretanto, atentemos bem, não basta despertar Kundalini, é preciso dominá-la. Kundalini desperta deve ser apenas, o meio de atingir o fim almejado: a iluminação perfeita. Quando Kundalini desperta, mas não é dominado, torna-se uma força ceg.i, terrível, uma serpente de fogo, sibilante e raivosa, que destruirá o incauto que .1 arrancou de seu letargo, sem saber para onde conduzi-la. Daí o ditado oriental do

Hatha-yoga-pradípakâ: " K u n d a lin i lib erta o s á b io e e s c r a v iz a o n é s c io " . O Hath; 1

yoga nos dá, justamente, essa possibilidade de bem aproveitar Kundalini, garantindo-nos uma saúde perfeita e a ciência do ritmo, graças aos exercícios respiratórios e ao domínio do prâna. O discípulo consegue, assim, desintegrar aquela porção de matéria que, localizada no sacro, representa a purã'condensação ou cristalização da energia cósmica. Essa matéria é um tesouro de energia, da qual uma parte ínfima é gasta pelo homem comum, apenas numa vida. Aproveitada totalmente, é como uma bomba atômica. Eis, portanto, a verdadeira finalidade do Hatha-yoga primordial, ainda que mal apreciado pelos livros comuns: o despertar e o bem aproveitar, no sentido do progresso espiritual, a força espantosa de Kundalini.

O homem que palmilha, verdadeiramente, o caminho direto da iniciação, não

pode dispensar essa fase preliminar de preparação física. Uma vez preparado fisicamente, o discípulo é submetido a uma série de provas, de ordem moral e psíquica. Então, começa a aperfeiçoar, ou melhor, afeiçoar sua alma às exigências do progresso espiritual.

O Yoga ensinado na série Peregrino (Y o g a d o s 5 e le m e n to s), cuja finalidade é

a do equilíbrio dos corpos físico e etérico, visou o preparo do discípulo para a realização do yoga deste grau (Y o g a d o s C h a c r a s , que será explicado em aulas posteriores). Quanto a isto disse o professor Henrique José de Souza:

"Na Glândula Pineal ou Epífise dos homens existem sete e mais uma secções, cada qual com uma substância, que vasa na campánula do chacra que lhe corresponde. E como cada chacra tem seu NADI na coluna vertebral, cada Nadi possui como origem a referida substância. Dia virá em que o aparelho ou visão humana, poderá descobrir a freqüência luminosa ou velocidade deste ou daquele chacra, saberá qual a substância a que ao homem falta, e a introduzirá, por meio de uma injeção no chacra correspondente".

2 a) J N Â N A -Y O G A

É a ciência do conhecimento; ensina métodos para unir a personalidade à

individualidade, e o EGO à Divindade, sob a Lei da Unidade, cuja cadeia de manifestação é a única realidade que esclarece a mente. Adiferença entre animal e homem é a faculdade humana que sempre interroga a si mesmo: - QUEM SOU? - QUEM FUI? - QUEM SEREI? Se não tivesse mente, a esfinge humana nãopoderia formulartaisperguntas. Jnâna cuida do desenvolvimento mental, do desenvolvimento dos estados de consciência, estudando os planos denso e sutis de manifestação, conhecimentos estes indispensáveis à compreensão da harmonia existente entre a Lei e a

20

MANU-APOSTILA N°01

Multiplicidade. TEOSOFIA, Ciência divina, Sabedoria das Idades, Filosofia Divina, Religião

Sabedoria, não é uma seita, não limita o espírito, não adota teorias ou leis próprias: é

a instituição do caminho sempre indicado pelos grandes instrutores. É a única fonte

de saber puro da atualidade, capaz de impulsionar nossa evolução espiritual nesta

época de falência moral e religiosa.

A poderosa força das doutrinas religiosas do passado teve origem dupla: culto

dos antepassados e personificação dos poderes da Natureza.

O culto dos antepassados criou religiões egípcias, babilônicas, chinesas e

americanas. A antiga religião egípcia dogmatizou que a alma era uma duplicata sutil do corpo humano, muito parecida com ele, que continuava vivendo depois da morte.

Esse conceito fundamentou o uso da mumificação e ofertas para conforto e supostas necessidades vitais dos mortos. Acreditava-se, entretanto, que a vida do duplo só era possível quando o cadáver permanecia intacto. As pirâmides foram construídas para servirem de centros iniciáticos e de proteção aos cadáveres das pessoas evoluídas. Os babilônicos admitiam, nessa época, a mesma crença, porém com a diferença de que

o duplo havia perdido a faculdade de amar e obrigava os vivos, pelo medo, a auxiliá- los.

A literatura ária atesta que a religião tem origem no culto da Natureza. O Rig-

Vêda, considerado o mais antigo documento da Raça Ária, não menciona o culto dos mortos na índia, e sim o culto da Natureza. As mitologias grega, germânica, escandinava etc. provam que as religiões desses povos tiveram origem na personificação das forças naturais. Vivekananda pensa de modo eclético, que os dois fundamentos das religiões visam o mesmo fim:

tanto o culto dos mortos como os da Natureza procuram transcender as limitações dos sentidos.

O homem tem procurado sempre ver a realidade que se oculta atrás do véu da

matéria (Mâyâ). Do fenômeno natural do sonho, nasce o primeiro vislumbre de religião: é a primeira noção de imortalidade. Neste estado, a mente continua ativa como no de vigília. Que há de assombroso que a mente continue ativa depois da morte? Nem sempre os sonhos confirmam as experiências do estado de vigília, por isso as religiões das mais recuadas épocas investigaram profundamente os estados mentais (concentração, meditação, samâdhi) da imaginação e do êxtase. Os mensageiros divinos e profetas declararam sempre haver experimentado estados mentais que não eram os de sonho ou de vigília, e nos quais verificaram uma série de fatos relacionados com o reino espiritual: realizaram, no estado espiritual, verdades desconhecidas.

Na antiga índia os Mestres do yoga eram os Brahmans e Rishis.

B r a h m a n s : sacerdote pertencente à primeira e mais nobre das quatro castas

hindus.

R is h is : patriarcas divinos da mitologia hindu; instrutores das Sub-Raças em cada Raça humana (instrutor da Raça é o Manu); nome dado também aos iniciados. Judeus e cristãos confirmaram a mesma idéia. Vários comentadores consideraram a doutrina budista como religião materialista. Todas as religiões asseveram que a mente humana, em dado momento, transcende as limitações dos sentidos e os poderes do raciocínio, e que os fatos (verdades) desvelados pela

MANU-APOSTILA N201

21

supraconsciência têm sido suas bases espirituais.

Religião, ciência e filosofia são elos do conhecimento da cadeia unificada pela lei da hierarquia; são aspectos simbólicos de crenças, pesquisando a verdade pelo estudo de ciclos transformadores.

A filosofia divina pesquisa em planos opostos aos da física, donde as

divergências aparentes: a física procura a unidade no limite mínimo, e a filosofia busca a relação do infinito com o finito como causa primordial, unitária, para explicar;i verdade. As abstrações filosóficas se corporificam na abstração da Unidade, sob aspecto de Presença Absoluta, Ser Onipotente, Personalidade Abstrata denominai 1.1 DEUS, Essência Abstrata, imanenteem toda existência ou como Lei moral.

As religiões não são mais do que aspectos artísticos da Filosofia ( Eubiosc , mU •

de bem viver), assim como as técnicas, profissões e artes o são da ciência. Toda:

r

nações sempre tiveram por base um esquema político ideal, variável no tempo e no espaço, alicerçado em hipóteses, concepções abstratas ainda não experimentada ., quer no campo da ética, da moral, da sociologia e da política, como no das artes e

ciência, têm sido tão somente impulsos, resenhas egoístas.

As hipóteses sempre foram o ponto de partida dos sentidos externos, e as leis descobertas, sua confirmação posterior (a ciência utiliza constantemente seres e fenômenos, conhecendo apenas seus mecanismos, todavia, desconhece quase sempre suas leis originais).

O infinito só se manifesta parcialmente no plano denso, com feição superficial

do estado aparente, contudo, fenômenos sutis da consciência espiritual, ocultos no seio da matéria e da energia, geram as condições ambientes sustentadas por suas

leis.

A renúncia constitui a essência de todos os códigos de moral retigiosa e

filosófica. Ela abrange a abnegação, fraternidade, altruísmo, amor, justiça, ética O

aniquilamento individual da personalidade, destruição individual no plano material, doutrina do não EU, libertação do Ego superior ou espiritual, é a pedra de toque do ensino dos grandes instrutores.

A compreensão filosófica supraconsciente cria a ética real. A ética social,

limitada pela concepção da ciência objetiva (empirismo), é relativa ao ciclo evolutivo material de uma civilização que nasce, prospera e declina numa curta fase temporal, deixando apenas restos históricos de seu progresso, que são atestados de sua imperfeição.

Pelo exposto, vemos que Jnâna-yoga é o caminho da sabedoria e do discernimento. É a doutrina do olho usada por Gautama o Buddha. Através do conhecimento visa distinguir o real do ilusório. Procura identificar as leis que regem a vida universal, e que o sujeito e o objeto são duas expressões do Absoluto. Esse caminho, que corresponde ao grau Manu, cuida do desenvolvimento mental, do desenvolvimento dos estados de consciência, estudando os planos denso

e sutil da manifestação, conhecimentos estes indispensáveis à compreensão da

harmonia existente entre a Lei e a Multiplicidade. É, portanto, a linha usada pelos filósofos e livres pensadores, onde o Jnâna-yogi é feliz porque encontra a sua Divindade aqui mesmo na Terra, com todas as limitações que possuí. Quando atinge

a realização, sua felicidade é total e não parcial, porque compreende tudo, sabe o que

sente e o que vê e, assim, é útil aos seus irmãos, pois é capaz de traduzir o que vê. Os Santos deixaram apenas relatos de felicidade suprema, nada mais. É o caminho do

autoconhecimento.

O método de Jnâna-yoga (iniciação do primeiro grau) consiste de 7 etapas:

22

MANU - APOSTILA N° 01

V

E T A P A

R E A L :

* S H U B H A IC H A *

É uma condição interna de busca de algo transcendente. “Éaquele que achou o

caminho”. Em iniciação, quem atinge esta etapa luta sem apego, sem vaidade, sem orgulho.

2 1 E T A P A

R E A L :

* V IC H Â R A N A

*

É a adaptação do mental. A pessoa começa a ter contato com uma série de

conhecimentos ocultos e, por meio da meditação, ocorre a adaptação mental. Significa unir o mental concreto (rüpa - com forma) com o abstrato (arüpa - sem forma), separando-o da emoção (kâma). A mente deve comandar a emoção, mas sempre com o “cérebro no coração”, pois, a mente sem emoção torna o homem um monstro.

3 aE T A P A

R E A L :

* T A N U -M Â N A S I *

É a redução da atividade mental, ato de manter a mente tranqüila, disciplinada,

tornando-a independente de fatores externos inconscientes. Os pensamentos ficam claros e a meditação esclarece as verdades ocultas na letra que mata, na mitologia, nos símbolos, nas lendas e escritos ocultos. É o controle dos VRITTIS (turbilhões mentais), permitindo a manifestação do Eu superior.

4aE T A P A

R E A L :

* S A T T V Â P A T T I *

É a percepção das leis universais ocultas na vida e nos fenômenos. A intuição

começa a se manifestar livremente. As coisas são como realmente são e não como nossos enganosos sentidos mostram.

5 aE T A P A

R E A L -S U P E R IO R :

*A S A M S A K T I

*

É o desapego do mundo, o qual ocorre naturalmente e o discípulo age por princípios e não por interesses. Entretanto, o discípulo deve tomar cuidado para não terapego ao desapego.

6aE T A P A

R E A L -S U P E R IO R :

* P A D Â R T H A

B H Â V Â N A *

É a superação dos sentidos, da ilusão dos sentidos, do mundo em si; distingue

o real do ilusório, o espírito da matéria. A deusa Mâyâ (ilusão) não mais é capaz de enganar.

O discípulo adquire faculdades de percepção consciente. A idéia é uma constante em sua vida, participando dos planos superiores com consciência dos mundos das Leis e das Causas.

7 aE T A P A

R E A L -S U P E R IO R :

* T U R Y A G A

B H Ü M I *

É a fusão com a Divindade, a plena realização, o “O M -M A N I-P A D M E -H U M ” é

grau de consciência

o estado de (NIRVANA).

SAMÂDHI

onde se atinge

o mais

elevado

3 a) B H A K T I-Y O G A

É a união pela universalização do AMOR, ou seja, o misticismo e a devoção em

sua acepção mais elevada. Este sistema tem por fim a purificação completa da alma humana, tornando-a inteiramente sáttvica e, portanto, fazendo-a toda pureza,

bondade e renúncia. Difere do Hatha-yoga porque, em geral, não adota nenhum método que vise o bem estar físico, mas apenas sua identificação com a Alma Universal, através do Amor sem limites. Como conseguiristo? - Pelo desapego completo às coisas do mundo sensível, graças à introspecção e à meditação sobre as virtudes de uma determinada divindade.

MANU - APOSTILA Ne 01

23

O amor supõe a renúncia de si mesmo em benefício dos demais e, para

manifestar-se, requer a consciência de que todos os seres são irmãos, senão saídos

da mesma origem. Amor é como dizer reconhecimento da Unidade de tudo. Nos astros manifesta se em forma de força centrípeta. Todos os planetas se subordinam à unidade de seu sistema planetário. Nos minerais e substâncias químicas se manifesta como afinidade; nos animais, como instintos, atração sexual; no homem, como carinho, simpatia e, em graus mais elevados, como verdadeiro amor espiritual, na forma de idealismo ou de sacrifício.

A existência da repulsão, da destruição e do ódio não implica a não existênci; i

do amor. Tenha-se em consideração que o Universo se manifesta por meio de força:, criadoras, conservadoras e destruidoras, naquilo que se refere à ordem física. O mesmo Sol que cria uma planta conserva-a erguida durante um certo tempo e acaba por secá-la com os mesmos raios que lhe deram vida. Isto quer dizer que estas tal: ,

categorias de forças são uma em essência.

O Bhakti-yogí elege, via de regra, um ser divino, qualquer, que lhe possa servir

de exemplo e alvo de todos os seus esforços. Um ser, em suma, que tenha manifestado, neste mundo, todos os atributos divinos de compaixão, amor o desinteresse. Tendo-o sempre em mira, o Bhakti-yogí procura, pela meditação, identificar-se inteiramente com ele. É o que fazia o maravilhoso Bhakti-yogí Ramakrishna. É o que sempre fizeram, em relação a Cristo, todos os pietiala:, do Ocidente, e, quanto a Mafona, os sufis do mundo árabe.

O Bhakti-yogí procura, portanto, sentir-se como se fosse olo o m :i divino

tomado, por exemplo. Daí a vida solitária que levam os anacoiotn:. do

épocas. Pelo esforço continuado da meditação, chega a sentir, em '.ou piópiio ■.< i ,i

presença desses entes divinos, o que se pode exteriori/ar por moio do mii. ii'. relacionados com a sua passagem pela face da Terra. Daí os ostigrn. r. doo, mçjuo dou místicos cristãos, e a flor do loto que se desenha na fronte do\ adoiadore;, de Buddha. Bhakti-yoga é, portanto, o Yoga da devoção. I chamado de caminho do coração e liga-se ao elemento feminino*, dado a sua natureza amorosa devocional. Se o discípulo é místico e devoto, consegue alcançar a realização por meio da emoção nobre. É o caminho que foi usado quase que pela totalidade dos santos da igreja, que adoravam as suas crenças e se entregavam, de corpo e alma, a ações de caridade ou justiça e que, normalmente, culminavam com a morte ou o autoflagelo em função de outros. Este caminho não é o ideal, pois o discípulo, sem conhecimento, atinge planos elevados e não entende o que vivência. Os Santos nunca mudaram o mundo, quem o muda são os filósofos, pelo conhecimento. Os místicos utilizam-se do Estoicismo, criado pelo filósofo grego Zenão de Citio (aproximadamente 320 a."C.), que reza o desprezo pelos males físicos.

Ind.r.

.r.

O caminho da devoção é seguro, mas tem a desvantagem de não dar .o

conhecimento ao discípulo, levando-o, portanto, a uma crença que poderá desviá-lo da senda da iniciação.

4 o) K A R M A -Y O G A

A filosofia Sankhya estabelece no mundo físico três modalidades de força;

Sattva (equilíbrio), Rajas (atividade) e Tamas (inércia). Estas três forças existem no homem, predominando, alternadamente, ora uma, ora outra. O Karma-yoga ensina o emprego dessas gunas (qualidades da matéria), a fim de que possamos realizar atos próprios ao nosso desenvolvimento evolutivo (K a rm a significa ação e K a r m a -y o g a , reta-ação. É o processo de desapego, a libertação pela ação altruísta. Os Karma-

24

MANU-APOSTILA N" 01

yogís usam a máxima de Jesus: “Ama o teu próximo como a ti mesmo”).

A humanidade é uma organização hierárquica. A moral varia de um país para

outro. Há, entretanto, um conceito de moral universal, assim como uma norma de dever genérico, apesar de variável. O ignorante pensa que a verdade só transita por um único caminho, porém o sábio distingue vários planos de existência e percebe que

a moral e o dever variam sempre.

A doutrina da não resistência e a da resistência constroem e destroem

continuamente, transformando organizações.

O homem não deve odiar a si mesmo, a fim de manter a crença em si e,

consequentemente, em Deus. O dever e a moralidade variam com as circunstâncias, as exigências do karma e com o impulso das tendências que determinam as ações. Os fenômenos da existência, vida, oscilam entre os pólos positivo e negativo, variam dentro dos seus limites de potencial energético.

A idéia central de Karma-yoga é, portanto, a da resistência e não resistência. Os

fortes se abstêm de resistir e os fracos devem crer em si mesmos, conscientes do

poder do EGO, que orienta e soluciona os problemas evolutivos.

O homem luta e resiste até adquirir experiência, depois compreende o valor da

não resistência. Inatividade (inércia) é fraqueza e atividade é sinônimo de resistência. Depois que se consegue resistir aos males mentais e físicos, sentimos a calma e após sofrimentos e gozos, renunciamos.

A cooperação deve substituir sempre a competição.

Para alcançar o ideal, cada indivíduo deve escolhê-lo e realizá-lo.

As criaturas podem evoluir quaisquer que sejam suas atividades, quer sejam

solteiros, casados, ascetas, místicos, metafísicos, yoguís de várias disciplinas, todos trilhando seus caminhos escolhidos para atingir a realização. A prática eficiente de Karma-yoga exige moderação consciente, uso dos preceitos áureos.

O EGO do praticante de Karma-yoga é sempre senhor e não servo da

personalidade: usa de modo racional e natural os objetos, cultiva o amor. Seus inimigos classificam-no de herói, nunca se queixa nem se exalta, não diz que é pobre, rico, sábio ou ignorante, trabalha para adquirir conhecimento e fortuna.

A sabedoria e a fortuna constroem as civilizações. O iniciado Karma-yoga

procura a fortuna para aplicá-la em benefício do aperfeiçoamento da evolução coletiva, aprecia sua fama, porém não se envaidece, pois, é um religioso ligado a cadeia da hierarquia cósmica.

O ensino dos Vedas repete sempre o vocábulo intrepidez, porque o temor

significa debilidade. Cada qual é grande em seu próprio meio. A grandeza emana do trabalho executado no momento da necessidade (dever consciente), isento de egoísmo e com aspiração para alcançar a perfeição.

5 P) R Â J A -Y O G A

É o Yoga Real. Método de união do físico, pelo mental, com a consciência superior, desenvolvimento espiritual feito por quem o executa (exerce e sofre a ação). Método de concentração. É o uso da mente impulsionada pela vontade que domina os corpos do yogí e o leva ao encontro com a Divindade em seu interior e a adquirir os SIDDHIS (Poderes). Râja é real porque é o yoga mais nobre, o que sintetiza todos os outros. Busca conseguir uma mente completamente dominada, educada e perfeita. É lógico que, quando isso ocorre, os corpos Astral, Etérico e Físico também estão dominados. Embora sintetize todos os Yogas, geralmente o discípulo pratica outros, para finalizar

MANU - APOSTILA Ns 01

2!i

com o RÂJA, Yoga da Vontade. No nosso caso, devemos primeiro desenvolver JNÂNA, para terminarmos com RÂJA em graus posteriores de iniciação.

R E L A Ç Ã O

E N T R E

Y O G A S

E

O S

4

G R A U S

IN IC IÁ T IC O S

D A

S .B .E .

JNÂNA MENTE MANU

Uso da mente, tônica do Ciclo

BHAKTI

EMOÇÃO

YAMA

Ter a mente no coração

KARMA

AÇÃO

KARUNA

Agir, de modo fraternal/humanidade

RÂJA SABEDORIA ASTAROTH Uso da vontade, integração com a Obra O yoga ensina como se obter experiências espirituais e como se pode percorrei seu caminho pelo método científico. Emprega a análise, a síntese, o ecletismo e .i analogia, para ligar elos vitais da cadeia hierárquica da transformação universal. Sou método preferencial consiste na concentração dos raios mentais, focalizados num ponto definido, até a obtenção de uma finalidade.

C o n h e c e -te

e a s s im

c o n h e c e r á s

o

U n iv e rso .

As experiências de yoga são físicas e psico-mentais. Investiga as leis natur;ii:.

para que o yogí possa por elas viver orientado e assim compreenda e use o principio da unidade.

O verdadeiro yogí nao acredita em mistérios, crê na Unidade, porque dol; i lurii i deriva em infinita multiplicidade deformas, regidas poríeis invariáveis.

O Râja-yoga é uma síntese de todos os yogas e consta do H p.iw tr,

estágios:

1 9P A S S O :

= YA M A

n

Y a m a compreende cinco interdições que o discípulo dovn,ib:.loi m m li >praticai Aalta disciplina para dominaro aspecto animal do homem. - 1.1 abstenção de danificar qualquer ser vivo; -1.2 sinceridade; -1.3 abstenção de apropriar-se de bens alheios; -1.4 continência ou castidade; -1.5 desinteresse ou renúncia a tudo o que possa servir de recreação para os sentidos.

1.1 *AHIMSÂ *

É a não violência, não fazer mal a qualquer ser vivente, sejam animais, vegetais ou humanos, a menos que seja para sua alimentação.

1.2 *SATYA *

Não mentir, falando sempre a verdade com inteligência. Quem busca a verdade na iniciação não deve mentir.

1.3 *ASTEYA *

Falta de interesse e de ambição. Não privar os outros com o que não lhe pertence. Não é o simples roubo ou apropriação indébita de coisas materiais. Seu sentido é mais amplo e total, como idéias, glórias e méritos.

1.4 *BRAHMACHÂRYA *

Continência sexual; praticar o sexo para fins nobres e sempre por amor. O sexo é divino e considerá-lo imoral é ignorância, o que redundaria em dizer

26

MANU-APOSTILA N"01

que todos nós nascemos da imoralidade. O sexo com amor não é contra a espiritualidade, pelo contrário, é função normal no ser humano em evolução. O sexo deprava, equilibra ou eleva o ser humano, dependendo do uso que se fizer dele. O LAR quer seja constituído por um sacramento, por um compromisso oficial da Lei ou por compromissos íntimos e sinceros de um casal, deve estar de acordo com sua palavra:

L = lealdade; A = amor; R = renúncia.

É possível a transformação direta da energia sexual O J A S em energia ou força mental (é o caso de certas linhas de gnósticos).

2.1 *APARIGRÀHA*

Não ter apego, não ser avarento. Isto não significa que o discípulo deva ser trapista ou dar o que possui aos outros. Devemos evoluir em todos os aspectos, inclusive no material, mas sem apego. Cada um pode enriquecer quanto quiser à medida que enriquece aos outros com o trabalho digno, e nunca pela.exploração, principalmente da desgraça alheia.

Lembrar que na iniciação o importante é SER e não TER.

2 °

P A S S O :

= N IYA M A

São cinco prescrições que compreendem as seguintes regras:

- 2.1pureza mental e corporal;

- 2.2 alegria;

-2.3 mortificações (jejuns etc );

- 2.4 estudo dos textos sagrados;

-2.5o próprio abandono à Divindade.

2.1 *SAUCHAM*

Pureza interna e externa. É a pureza do corpo físico, não apenas o asseio propriamente dito, mas também, o da alimentação. Internamente ter pensamentos e emoções puras, evitando o ódio, a inveja, o despeito, a ambição, a vaidade e o desejar mal ao próximo.

2.2*SANTOCHA *

. Alegria, contentamento que torna a vida mais bela.

2.3* TAPAS* É o controle de si mesmo, pelo mental, em qualquer situação favorável ou desfavorável, no sucesso ou insucesso, na alegria e na dor; enfim, austeridade. 2.4*SVÂDHYÂYA *

Pensamento

constante

na

divindade,

estudo

das

escrituras

sagradas

e

compreensão dos desígnios de Deus. Meditar nos ensinamentos do grau. 2.5*ISHWARA-PRANIDHÃNA * Integração e harmonização com o Universo, agir conforme as leis da Natureza, ser a própria Lei, abandonar-se ao seu Ser Divino.

P A S S O :

= Â S A N A

Atitude corporal adequada à meditação. Posturas para o domínio do corpo físico, como medida preparatória para as demais etapas. Transformou-se na ciência hoje chamada de Hatha-yoga, que visa o equilíbrio físico e somático através dos movimentos e da absorção de prâna. Existem centenas de posturas para diversas finalidades, e cada uma delas visa alterar as correntes prânicas que circulam no

MANU - APOSTILA N°01

organismo humano.

4 oP A S S O :

=

P R Â N Â Y Â M A

H

Domínio e regulação da respiração, do alento (prãna). Em nosso caso, praticar o prânâyâma na posição (âsana) denominada de Purâsana, ou seja, sentar confortavelmente, com a coluna na vertical e as mãos sobre as coxas ou, também, na postura de Samanâsana, que consiste em sentar com as pernas cruzadas e as mãos sobre cada joelho.

5 oP A S S O :

=

P R A T Y Â H Â R A

Abstração ou retraimento dos sentidos e da mente, afastando-os dos objetos exteriores e atraindo-os para a mente. Graças a estes meios, purifica-se e sublima se

a mente e, então, o discípulo encontra-se apto a passar para os três graus suporion -. do Râja-yoga, que são os seguintes: DHÂRANÂ, DHYÂNAe SAMÂDHI.

6oP A S S O :

=

D H Â R A N Â

Intensa e perfeita concentração da mente em determinado objeto interno, com

a completa abstração do mundo dos sentidos, isto é, o sumo controle do pensamento, da inteligência e do mental.

P A S S O :

=

D H Y Â N A

É a meditação onde se consegue a Sabedoria pura que nenhum raciocínio profundo pode atingir, penetrando-se num estado superior ao do mental concroto, denominado Búddhico ou da intuição. É a chave que abre as portas de ouro, que concentra a mente em um objeto sem qualquer interferência da mente conei rl.i. nu seja: contínua e prolongada corrente de pensamento dirigida a um nb|filu determinado até chegar a absorver-se nele.

8oP A S S O :

=

S A M Â D H I

É a contemplação estática, em cujo grau superior chega :.r a peulei ulú a

consciência da própria individualidade, e a alma, unificada em inelavol In illludr com

o Eu Superior, abstrai-se e fica em completo isolamento, que lhe peimite liam.lerli sua esfera de ação para um plano muito mais elevado e sem limite'. Liberta-se da dor e da ignorância, ama a tudo e a todos atingindo o próprio estado de consciência da Divindade. É o objetivo máximo do yoga onde se atinge a plenitude da Consciência Cósmica. Esses três últimos exercícios são designados coletivamente com o nome de

A . No passado, a Sociedade Brasileira de Eubiose teve os nomes

S A M Y A M

S A M Y A M A e D H Â R A N Â . Este último permanece atualmente como nome de nossa

revista.

O S

O IT O

P O D E R E S

D O

Y O G A

(Oito Siddhis, oito vibhütis, oito atributos de Shiva)

Quando um discípulo se ilumina, pela transformação de nidânas em skandhas, surgem no chacra cardíaco mais duas pétalas, passando de doze para catorze, sendo uma verde (Fohat) e a outra vermelha (Kundalini). Na mitologia egípcia, S e t despedaçou o corpo de O s ír is em 14 pedaços e os escondeu em 14 lugares diferentes. ís is (esposa-irmã de O s ír is ) , em companhia de seu filho H o ru s , procura e reconstrói, através de fórmulas mágicas, o corpo de O s ír is que ressuscita.

Dionísio)

Na

mitologia

grega

corresponde

ao

mito de Z a g r e u

(primeiro

28

MANU - APOSTILA N" 01

Com essas duas pétalas, o chacra Vibhüti, logo abaixo do chacra cardíaco, fica ativado e cada uma de suas oito pétalas, em sintonia com cada um dos oito chacras (7+1), adquirem um poder (O Yoga dos Chacras será estudado posteriormente). Os oito poderes do yoga são os seguintes:

1°) ANIMÃ Poder de assimilar-se consigo próprio e de focar a consciência em um só ponto. É o poder de se tornar pequeno, correspondendo ao chacra frontal e ao estado de Dhâranâ, fazendo com que o possuidor deste dom possa penetrar no Universo microscópico. T ) MAHIMÂ Poder de aumentar a estatura, capacidade de expandir a consciência até o infinito. Dilatar no espaço (considerar que o material da alma é altamente expansível). 3°) LAGHIMÃ Poder de neutralizar a gravidade e a inércia, tornar-se leve como um floco de algodão e possuir a liberdade de flutuar pelo espaço. 4°) GARIMÂ Poder de tornar-se pesado, como os próprios corpos celestes, até a máxima densificação possível da matéria. 5°) PRÂKÂMYA Poder de realizar todos os desejos (é a vontade em si). Poder de movimentar quaisquer objetos simplesmente pela vontade. 6a) PRAPTI Poder de transferir a consciência através do tempo e pelo espaço. Poder de transportar-se pela vontade para onde quiser. Poder de adivinhar, profetizar e curar. T) ICHATVA Poder de criar ou de fazer surgir. 8a) ISHITÂ Poder de dominar a tudo, de alcançar a supremacia, tornar-se um dos chamados Rudras (Deuses dirigentes do mundo). Este é o oitavo dos poderes correspondendo a Shiva-Vasâyitâ, o poder da suprema identificação com a Divindade, poder para iniciar a criação de um Universo ou, então, corresponde a Kâmâ-Vasâyita, o poder de aniquilar os desejos, suprimir toda a sensação, capaz de lograr a absoluta indiferença denominada Paravairâgya, o total desapego, estado final do conhecimento perfeito. Os oito Siddhis correspondem às oito etapas da tradição secreta da Flor de Ouro do esoterismo chinês. O oito (8) é o próprio símbolo do infinito, como oitavo poder ou síntese dos outros sete. Corresponde aos oito símbolos do trigrama oculto de Fo-Hi.

Bibliografia:

BLAVATSKY, H. P. Glossário Teosófico, Editora Ground Ltda., São Paulo, 2a ed., p.761-2,1991. RAMOS, A. C. Aulas ministradas no grau Manu, Departamento de São Paulo. SOUZA, H.J. Verdadeiro Caminho da Iniciação, 4’ ed., 1978. VIEIRA JR., J.C.R. Aulas ministradas no grau Manu, Departamento de Campinas. -A B C da Eubiose, 1*ed., 1989. - Série D, aulas 29-30. -Série Mental. Aula pesquisada por Adhemar da Cunha Ramos, Maria Christina Gaviolle e Luciano Gaviolle Neto.

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Jefferson Henrique de Sou/.i

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