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LÉSBICAS SEM CONFETES

Astridy Gurgel

Regina Marques atravessou a rua para pegar sua condução de volta para casa após um longo dia de trabalho.

Não era alta, tinha uma estatura média. Um metro e sessenta e nove de altura. Era gordinha de quadris acentuados. Tinha as pernas grossas e seios fartos. Os cabelos grandes passando dos ombros estavam soltos agora.

Estava parada no ponto de ônibus com os olhos voltados para o

trânsito confuso e caótico daquele início de noite. No meio de inúmeras pessoas que se aglomeravam ali ela afastou--se para deixar as pessoas que corriam empurrando para entrar nos ônibus de outras linhas que pararam naquele instante. Atrás dele veio outro e outro só o dela que não aparecia. Regina deu um pulo se afastando quando sentiu uma mão deslizando por sua bunda neste instante.

-- ‘pa! Que trem doido que é esse? Uai sô! Nossinhora! – Ela reclamou voltando--se para ver quem estava tocando nela. Deu de cara com um homem alto, que a encarou numa atitude de desafio. Ela o olhou apertando os olhos – Vai bolinar

sua mãe idiota!

Ele a encarou fechando a cara e respondendo irritado.

-- Sai fora sapatão! Essa cidade está infestada de botinão!

-- Eu te conheço? Botinão o que seu cretino? Oiprocevê! Nóóó! O que tá pegando seu tarado? – Perguntou sem abaixar a bola para ele.

O homem levantou a mão para bater nela, mas Regina abaixou rapidamente passando para trás dele. Como era muito alto e desajeitado, enquanto ele se movia para se voltar a procura dela, ela chutou a batata da perna

dele com a ponta da bota de bico fino. Ele perdeu o equilíbrio dobrando o corpo e caindo de joelhos com um grito de dor.

-- Ohhhhhhh! Vagabunda! Eu te pego! Eu te quebro!

Regina saiu correndo para o outro lado do ponto. Viu seu ônibus aproximando e entrou correndo feito uma bala. Sentou no primeiro banco que viu olhando para o outro lado. Não olhou para fora, só ouvia os gritos do homem a xingando de vários nomes feios. O ônibus arrancou e ela suspirou sentindo um alívio imediato.

Enquanto o ônibus andava pelas ruas movimentadas, ela olhava

pela janela distraída. Deu sorte de conseguir sentar, geralmente fazia o trajeto todo de volta para casa em pé. O ônibus deu uma freada de repente e como estava distraída Regina foi arremeçada para frente violentamente. Bateu a cabeça no vidro que a separava do motorista.

-- Aiiiiii! – Ela gemeu voltando o corpo para o banco com um gemido de dor – Que inferno isto gente! Devia ter cinto de segurança neste onzz.

-- Eles estão é caindo aos pedaços! – Gritou um rapaz mais no fundo do ônibus – … cada fureca velha! Essas empresas de ônibus são umas FDP!

-- Alguém se machucou ai? – O motorista perguntou olhando para os passageiros em pé pelo espelho retrovisor. – Uma moto me fechou aqui. Estes motoqueiros não estão nem ai para o sinal.

-- Quer matar a gente seu navalha? Anda com essa joça! – Outro rapaz grito do meio do ônibus.

-- Nem sei como saio viva deste inferno todos os dias! Vai com essa droga logo em frente seu molenga! – Gritou outra dona do fundo do ônibus.

Regina estava passando a mão na testa onde sentia estar crescendo

um galo naquele instante.

-- Ave Maria! – Ela gemeu baixo sentindo uma dor forte no alto da testa.

O ônibus arrancou e o resto da viagem ela seguiu incomodada com aquela dor.

****

Quando chegou ao seu bairro saltou subindo a rua da sua casa depressa. Destrancou a porta, entrando rapidamente. Foi direto até a geladeira. Pegou a forma de gelo virando na pia. Agarrou a toalha colocando algumas pedras nela. Sentou na cadeira fazendo a compressa depressa.

-- Amor? Já está em casa? – Chamou neste instante por Irene, pois a casa estava silenciosa demais.

Irene apareceu com os cabelos curtos molhados. Calçava uma sandália havaiana com bandeirinha do Brasil. Vestia um shortinho curto e uma camiseta cavadinha.

-- Oi querida! Meu bem o que foi isto? – Perguntou aproximando dela preocupada.

-- O onzz deu uma freiada repentina e bati a cabeça no vidro. Está doendo, aiii! ”iquió! – Contou mostrando o machucado na cabeça.

-- Espera – Irene falou abrindo a gaveta e pegando uma faca – Primeiro tem que apertar ai com a faca para o galo parar de crescer.

-- De jeito maneira! Vou morrer de dor. Já está latejando demais. Redá pra lá com essa faca.

-- Fica quietinha que não vai demorar nada.

Irene retirou a mão dela com o gelo pressionando a faca em cima do galo com força.

-- Aiiii! Nossinhora! Aiiiiiiiiiiiiiiii!

-- Calma, já vai acabar – Irene prometeu apertando de novo –

Pronto! Agora me deixar ver.

Pediu olhando o galo com atenção.

-- Foi feio está batida hein amor? Vou colocar a compressa de gelo mais um pouco ai para você – Falou passando a cuidar dela.

-- Tive um dia que nem te conto. Ave Maria!

-- Eu imagino! Muito movimento no restaurante?

-- Muito mermo! Para variar os engraçadinhos de sempre com aquelas mãos bobas toda hora. E aqueles bandibicha que vão fazer bololô pra infernizar nossas cabeças foram lá hoje. Sujam as

mesas todas, entornam tudo e ainda ficam batendo na mesa para incomodar todo mundo.

-- Estes caras são fanfarrões amor. Mas ganhou boas gorjetas?

-- Ganhei sim! Já está bom amor. Vou tomar um banho e fazer nosso jantar.

Irene deu um beijo na boca de Regina falando carinhosa.

-- Sei que seu dia foi difícil querida. Quer jogar cartas depois do jantar?

-- Hoje estou um caco amor. Só quero ver um pouco de televisão e te namorar um pouco.

-- Tudo bem. Vai lá querida que eu te espero aqui.

Irene tomou um banho reconfortante. Vestiu um short, colocou uma blusinha e calçou sua sandália indo para a cozinha.

-- Estou me sentindo outra. Nem acredito! – Contou indo até a geladeira para pegar a carne que tinha deixado descongelando quando saiu cedo. – Amor? Você pegou o kidicarne que deixei descongelando mais cedo?

-- Peguei querida! … que mãe veio aqui com os rapazes

-- Ah não! De novo sua mãe veio

aqui em casa com aqueles homofóbicos dos seus irmãos? Mas que coisa Irene! Era o último kidicarne que tinha na nossa geladeira.

-- Eles vieram do CEAGESP e até irem para casa estavam morrendo de fome e

-- Santa paciência! – Regina falou cruzando os braços – Sua mãe cozinhou de novo aqui em casa? Já vi tudo!

-- Amor?

-- Irene tenha dó de mim! Seus irmãos me detestam! Sua mãe me odeia! Eles vêm na minha casa come minha comida de sapatão?

-- Não vamos brigar por causa de comida agora, né?

-- Não estou brigando por causa de comida! Nunca briguei por causa de comida Irene! Olha, estou cansada da sua família folgada! Morro de tanto trabalha naquele restaurante das sete às seis da noite. Pra ocê é fácil que trabalha no supermercado aqui do bairro e vem em casa almoçar todos os dias. Ocê tem duas horas de prazo de almoço, eu tenho uma! Tenho que fazer limpeza no restaurante depois das quatro. Ocê só confere seu caixa e vem para casa. Quando sua família vêm come da nossa comida nós deixamo de se sapatões né?

Cambada de exploradores! Cêbêsta sô!

-- Querida eu sinto muito. Eles apareceram de repente

-- Num abrisse a porta!

-- Mas é minha família

-- Ah deixa essa droga pra lá! Vou fazer macarrão para nós. Ainda tem macarrão não têm? Tem mastumate também?

-- Tem sim.

-- Macarrão com sardinha é muito bão. Sardinha é ótimo pra saúde – Ela falou colocando uma panela no fogão com água para ferver o

macarrão.

Irene foi para a salinha ligando a televisão. Regina fez o jantar rapidamente. Serviu a mesa a chamando para jantar com ela na cozinha.

Irene sentou dando um sorriso para ela.

-- Liguei para você hoje e não me atendeu.

-- Tava uma loucura no restaurante. Já te contei que o bandibicha foi lá infernizar a gente. Nem vi sua chamada. Desculpa!

-- Não teve tempo de olhar nem

quando saiu de lá?

-- Amor? Pensa, por favor! O

pondiôns fica do outro lado da rua tava lotado. Um safado passou a mão na minha bunda e sai para ele. Ocê sabe que comigo eu mato

o pau e mostro a cobra! Na minha

bunda homem nenhum tasca a mão! Dei um belo bicudo nele! O onzz veio e entrei correndo.

Depois o onzz freiou bruscamente

e arrebentei minha testa. Ocê

ainda acha que dava tempo de olhar meu celular? Nossinhora querida, eu faço o melho que eu posso. Vamo jantar?

-- Tudo bem.

Passaram a jantar em silêncio.

Regina comia pensando no que faria para pagar a prestação da casa que venceria no final da semana. O dinheiro que juntou das gorjetas era a conta de pagar a luz e a água que estavam atrasadas.

-- Querida? Sexta--feira sai meu adiantamento de salário. Será que a gente podia sair um pouco? Desde que compramos essa casa e mudados que não fomos à parte alguma.

-- Amor? Ocê sabe que o dinheiro que temos está todo comprometido. Enquanto não acabarmos de paga a mobilha que compramo vamo fica apertada demais.

-- Eu te falei que seria melhor não comprar a casa. Podíamos estar pagando um aluguel mais barato que a prestação que estamos pagando.

-- … amor? ”iquió, pois nóis estamo pagando a prestação de uma casa que será nossa. Ocê não entende a diferença entre pagar o aluguel de uma pra a prestação de uma casa?

-- Mas a gente mal tem dinheiro para comer amor.

-- Mas nós comemos bem sim. Fazemo a lista no início do mês e compramo de tudo. No fim do mês as coisas vão acabando mesmo.

Ainda tem fila boia que vive vindo aqui faze umas boquinhas! Desculpe querida, mas sua família abusa muito.

-- Nossa vida vai ser isto então? Pagar? Pagar e pagar?

-- Querida olha uma coisa! A vida de todo mundo é paga, paga sim! Estamo com duas contas de água e luz atrasadas

-- Tudo bem, sei que estamos. Tem que ter paciência mesmo. – Irene comentou terminando de comer mais quieta. Quando terminou ela serviu um café bebendo devagar. Afastou a xícara olhando para a bolsa de Regina com um sorriso – Você lembrou--

se de comprar cigarros para nós?

-- Meu bem, temo que economizar

-- Mas nem um cigarro? Poxa! Vou pedir para Joana então. Quando eu receber meu adiantamento pago para ela.

-- Não vai pedi cigarro para ninguém Irene! Cigarro é vício e cada mantém o seu!

-- Você por acaso manda em mim?

-- Não mando e nem quero mandar! Amanhã eu trago cigarro pra ocê. Eu não vou pode fumar enquanto estive neste aperto. Isto num vai ser para sempre, tenha

paciência, por favo! Sei que é difícil, mas temo que aguenta.

-- Tudo bem! E a minha consulta ginecológica no posto de saúde? Você conseguiu marcar?

-- Consegui sim amor. Cheguei a tempo de pegar a penúltima ficha. Também dez para seis da manhã é o fim se não conseguisse. Eles deviam começa a distribui essas fichas às sete da manhã que é um horário mais normal. Tinha pessoas que chegaram lá às duas da manhã. Sem conta os que dormiram na fila.

-- Desculpe te fazer ir tão cedo para essa fila, você saiu de casa as cinco, mas o ano passado não

fui ao ginecologista e você é que fica falando sobre isto na minha cabeça. Eu não tenho nada fisicamente e

-- Uai! Não precisa ter nada! Num te falo sempre que são exames necessários pra nossa saúde? Pelo menos o papanicolau para vê se nosso útero tá saudável. Também o exame das mamas e os exames clínicos normais. Nem custa nada amor. A consulta é tão rápida e o médico mal olha na nossa cara, mas o que importa é que temo que nos cuidar sim.

-- Eu sei querida, você já me fez entender isto. Vou escovar os dentes e deitar. Você vai arrumar as coisas aqui ainda?

-- Que jeito né querida? Se eu num arrumar vira uma zona. Você num gosta de lavar vasilhas mesmo.

-- Já sei, já sei! – Irene retrucou irritando--se e saindo logo da cozinha.

****

No dia seguinte Regina saiu às seis da manhã de casa. Tomou o ônibus indo para o restaurante. O ônibus levava em média uma hora e meia com os engarrafamentos do trânsito. O restaurante abria as oito e servia café da manhã até as dez. Nem dava tanto movimento pela manhã, mas a proprietária

Gertrudes era cabeça dura. Era difícil lidar com ela, mas Regina adotava uma política de ignorar os comentários e a pegação no seu pé da patroa.

Trabalhou a manhã toda sem parar. Às duas da tarde conseguiu sentar para almoçar com Simone nos fundos da cozinha. Ela perguntou percebendo a expressão preocupada de Regina.

-- Ainda não conseguiu juntar o dinheiro para a prestação da casa Regina?

-- Ainda não! Este mês tá osso duro Simone.

-- Acho que você está se

sacrificando demais.

-- O dinheiro que eu tinha na

poupança dei de entrada na Caixa.

O problema foram os móveis e

olha que a geladeira e o fogão eu comprei num topa tudo para fica mais em conta. Quando estive menos apertada vou substituindo por novos. Preciso encontra outra forma de completa o salário daqui Simone. Aquele bufê que você trabalhou não costuma contrata para servir nestas festas de fim de semana?

-- Eles contratam, mas nem sei quanto estão pagando agora.

-- Arruma esse bico pra mim e

para Irene. Pelo menos dois fins

de semana por mês. Você acha que consegue? Confófô eu vô.

-- Vou falar com a dona para você. Não se preocupe Regina, farei de tudo que estiver ao meu alcance para te ajudar. Não gosto de te ver neste aperto.

-- Valeu amiga! – Agradeceu dando um sorriso aliviado.

-- De qualquer forma, vou tentar arrumar uma coisa melhor para você ganhar dinheiro e sair deste aperto. Agora me fala da sua vizinha Joana. Ela ainda está sem namorada?

-- Joana? Acho que tá sim. Você continua a fim dela?

-- Ah eu sou louca por ela desde que a vi pela primeira vez, mas ela me esnoba toda vez que me vê.

-- Nú Simone! Ocê tá pensando só em transa com ela?

-- Nada disto, eu quero namorar sério com ela! Faz muito tem que vivo babando nela.

-- Não baba demais não porque eu acho Joana muito difícil – Regina aconselhou amigável.

-- Já percebi que ela é difícil. Marca um churrasco com ela para este domingo na sua casa. Eu levo a carne e pago a cerveja.

-- Assim fico sem graça e você sabe que num tenho dinheiro para dividir com você agora. Só posso entra com um pôquím.

-- Se faz questão de dividir, quando sua situação melhorar, você faz um churrasco e eu vou de convidada no futuro.

-- Ê trem bão, mas vou conversa com Irene, ok? Moramo junta e num gosto de combina as coisa sem tomar opinião com ela. Se bem que ela vai adora, nunca vi gosta tanto de churrasco e cerveja feito ela – Comentou sorrindo divertida.

-- A entendo muito bem, nós trabalhamos tanto e ganhamos tão

pouco. Só temos conta para pagar e no fim do mês ficamos lisas. A gente vive é na senzala! Quando deixamos o tronco temos mais é que queimar uma carninha, tomar uns birinaites e namorar com a mulher que a gente gosta.

-- Uma muié pra namora gostoso é a parte que eu mais aprecio. Por isto fui logo mora com Irene. Gosto da minha mulher na minha cama todos os dias.

-- Não dei essa sorte ainda, mas Joana que me aguarde.

-- Aprendeu algum ditado novo pra me passar?

-- Ouvi um ótimo: “As nuvens são

como chefes

desaparecem, o dia fica lindo.”

Quando

-- Foi boa demais. Olha a minha:

“A mulher que não tem sorte com homem não sabe a sorte que tem.”

-- Gostei! Tenho outra: “Quando você é rico, você é odiado; quando você é pobre, você é desprezado.”

-- Nossinhora, essa foi boa mesmo. Agora minha última, tá na nossa hora de entrar – Regina comentou rindo – “Quem casa com a beleza casa--se com um problema.” Gosto desta? Fui fundo num fui?

-- E como? Onde leu as suas?

-- Uai! Corri os zóio no livrinho de ditados e provérbios ali da banca. A moça que trabalha lá me deixa vê. … rapidim. – Recolhendo seu prato e se erguendo desta vez. – Borá lá! A patroa já chego na porta duas vez de cara fechada. Crendeuspai, Ave Maria nela!

-- Não te falei? Assinaram a Lei Áurea, mas a escravidão é a mesma todos os dias.

-- Vida de trabalhadora é assim mermo, nem estranho mais. Quero mais é meu dindin no bolso no fim do mês. Minha felicidade é volta pra casa, faze a janta, vê televisão abraçada com Irene e dispois ir ser feliz nos braços dela. – Regina

comentou sorridente. – Se bem que nos últimos dois dias vortei um caco pra casa. Hoje eu relaxo largada – Comentou feliz.

-- Que vidinha mais ou menos, hein? Você tem muita sorte! Mulher fiel hoje em dia é difícil de achar. Sabe que fiquei de paquera com uma garota e um dia fomos a um baile Funk. Eu toda bobona fui pegar uma cerveja pra gente tomar e quando voltei à garota tava no maior rala a bunda com outra no meio do povão. Sabe essas danças de encaixar por trás e roçar a bunda na maior? Pô! Fiquei de cara com ela!

-- Que situação! E o que ocê fez?

-- Cheguei nela e ela nem se tocou. As duas ficaram dançando olhando na minha cara sem a maior vergonha. Que isto agora? A mulher estava na minha e virou assim do nada. Eu hein! Parei com esses bailes. Depois que bati os olhos em Joana fiquei cega. Adoro vê--la passar aqui diante do restaurante todo dia. Minha paquera com ela é só na base do olhar. Eu tenho para mim que ela me acha masculina e por isto me evita.

-- Já percebi amiga! Você tem um jeito diferente. Ocê num é masculina, é diferente mermo – Regina comentou quando elas estavam colocando os aventais para voltar a servir as mesas –

Mas acho seu jeito legal. Suas roupas são transadas, seu cabelo é lindo. As pessoas encarnam te chamando de sapatão, num é?

-- Ah Regina eu sou muito mulher amiga. Não sei nada disto de ser sapatão não, o povo é que me chama disto pelas costas. Eu sou mais mulher que muita hetero por ai. Não tenho frescura na cama de não faço isto, não quero assim, aqui não, isto ai quando rola é ruim demais! Cama não é lugar de fazer doce não. Sou feliz do jeito que sou! – Simone comentou rindo divertida.

-- Ainda bem. Agora vamu picá mula? Borá trabalha!

A patroa apareceu quando elas entraram dirigindo--se a duas.

-- Simone e Regina? Vocês já sabem que Valéria vai sair de licença maternidade não é?

-- Sabemos sim – Simone respondeu pegando a bandeja.

-- Vou ter que contratar uma garçonete nova e vocês é que vão treiná--la. Mas só vou olhar isto na semana que vem.

-- Sim Senhora! – Simone respondeu respeitosa.

-- Tudo bem Dona Gertrudes! – Regina também concordou completamente séria.

-- Então está certo! E você manera neste seu sotaque Mineiro quando atender as mesas porque tem cliente que não entende patavina do que você fala Regina.

-- Sim Senhora Dona Gertrudes.

-- Ou me chama de dona ou de senhora! Que coisa! –Ela reclamou indo para a cozinha.

****

Regina deu mais sorte nesta noite, pegou o ônibus assim que chegou ao ponto. Cochilou no trajeto de volta para casa.

Assim que entrou em casa, Irene

apareceu beijando--a longamente nos lábios.

-- Como foi seu dia?

-- Foi tranquilo, mas muito cansativo. E o seu?

-- Trabalhei feito burro de carga, mas tudo bem! Desculpe por ontem, sei que você está fazendo o melhor para que a gente não passe necessidade.

-- Tudo bem! – Regina sorriu feliz beijando--a nos lábios apaixonada – “iquió! – Falou afastando dela e abrindo a bolsa – Trouxe um maço de cigarros pra ocê. Ganhei umas gorjetas boas hoje.

-- Mas você disse que devíamos parar um tempo

-- Eu sei o que disse, mas não quero que ocê se sacrifique. Eu me contento com um cigarro depois do janta ou depois de te ama. – Falou piscando para ela.

-- Obrigada amor! – Irene sorriu feliz dando um abraço nela.

-- Num tem nada amor. Vou toma um banho e já venho aquece nosso janta. Comprei a comida lá no restaurante hoje, tava sem vontade de cozinha. Assim terei mais tempo com ocê.

Regina foi para o quarto e Irene a seguiu depois de acender um

cigarro aliviada. Quando entrou no quarto Regina estava entrando no banheiro. Foi até lá comentando feliz.

-- Sei que este vício de cigarro é péssimo, mas adoro um cigarro.

-- Eu sei! Olha, Simone quer faze um churrasco aqui no domingo. Tudo bem pra ocê?

-- Tudo bem, mas e quanto aos gastos? A gente não tem grana para isto.

-- Ela disse que vai pagar tudo. Ela tá a fim de Joana, ocê sabe!

-- Coitada! Acho difícil ela conquistar Joana fácil. Se bem que

Simone tem uma pegada muito boa. Joana, no entanto é difícil demais. Sem contar que Simone é meio sapata, né querida?

-- Num acho nada disto. Mas num tem muito have não Irene. A aparência das pessoas é coisa que engana tanto. Eu num julgo ninguém pela aparência não. Cêbêsta sô! Ocê conheceu bem a pegada de Simone. Então num fala do prato que já comeu.

-- Sei disto, mas aquele jeito meio machinho de Simone é um tanto complicado. Joana deve estar achando que ela gosta de brinquedinhos e nem todas as lésbicas gostam disto.

-- Pra sabe do que a muié gosta tem que rola cama mermo, uai! Na intimidade as pessoas são sempre uma surpresa. Ou boa ou ruim. Némézz?

-- Acho engraçado que você mora em São Paulo há alguns anos e não perde este seu sotaque mineiro.

-- Uai! Vou ter que falar poirta em vez de porta? Não falo cantando como os paulistanos. Não tenho nada contra, cada pessoa fala de acordo com sua região. O povo mineiro é um povo muito quieto e na dele. Acho até que o nosso jeito de fala é bem bonitinho.

-- Sei! Mineiro como quieto! –

Irene comentou rindo dela.

-- Dizem que sim, sei lá!

-- Sei lá nada! Você comia quieta aquela sua vizinha quando nos conhecemos. E a moça da feira também.

-- ‘pa! Rolava um lance, só isto! Quando a gente tá solteira é normal rola essas coisas. Cêbêsta sô! – Respondeu sorrindo.

-- Nem vem que sei que a fama de mineiro comer quieto é porque come mulher dos outros na calada.

-- Nossinhora! Que horror! Imagina que absurdo! Agora vou

falar igual Paulista: “Bissurdo” – Regina respondeu rindo a valer enquanto ensaboava o corpo – Com quem fiquei ou num fiquei é passado, esquece disto.

-- Tudo bem, mas olha Joana não gosta de sapata mesmo não, ela já me falou isto muitas vezes.

-- Então porque ocê num falo pra ela que já namorou com Simone e que ela num é sapata coisa nenhuma? Amor? Deixa que se elas não se entenderem é coisas delas. Num acho Simone masculina coisa nenhuma. Agora xepracá e dá uma esfregadinha nas minhas costas, vem? – Regina pediu virando de costas.

Irene sorriu aproximando dela com um ar maldoso.

-- Nossa! Virando essa bundinha para mim assim o jantar vai atrasar.

-- Vai? Ê trem bão uai! Pega na buchinha, pega amor – Pediu toda manhosa.

Irene pegou a bucha ensaboando e começando a passar nas costas dela. Suas mãos deslizavam pelas costas, descendo até as nádegas. Esfregaram as pernas, subindo novamente até as nádegas onde passou a correr a bucha delicadamente.

-- Você tem uma bundinha que me

deixa doidinha. – Irene falou no ouvido dela.

-- Ocê gosta? Olha que vou fazer igual à Janete: “Você gosta? Gosta quanto? Como que você gosta? Gosta muito? Muito mesmo?” – Regina perguntou imitando a personagem enquanto mexia os quadris rindo para provocá--la.

-- Sem vergonha!

-- Aiii! … gostoso dimái da conta quando me chama de sem vergonha! – Regina falou toda derretida.

Irene tirou depressa a blusa e o short entrando rapidamente no Box. Mergulhou a boca na de

Regina, enquanto suas mãos acariciavam os seios dela. Os beijos enlouqueciam as duas naquele instante. Irene empurrou--a contra a parede enfiando a perna entre as dela. Sua coxa roçava o sexo dela enquanto a beijava enlouquecida de desejo.

-- Você me deixa louquinha Regina. Faz isto para me provocar, porque está doidinha para ser minha.

-- Tô mermo. Tô queimando. Sua putinha tá ardendo de vontade. Fala que gosta quando sou sua putinha. Fala, confessa! – Pediu descendo a mão e entrando na bucetinha dela

-- Eu amo quando você vira minha putinha. Ai safada! Me come

assim, ai, aiiii Me dá tudo

Gostosa

Vem

Ai

.

-- Vou come sua bucetinha, sua bundinha, sua boquinha, tudo sua gostosa – Irene sussurrou no ouvido dela – Depois vou fica de quatro pra ocê me galopar, ocê quer?

-- Que me endoidar?

-- Eu te endoido sim porque ocê é minha, toda minha! Fala que é minha – Regina pediu aumentando

o ritmo dos dedos entre as pernas

dela.

-- Sou sua, sou sua, aiiii, aiiii,

ohhhhhhhhhhhhhhh

explodiu gozando naquele instante.

-- Irene

-- Estou com sede – Regina confessou entre os lábios dela.

-- Está é? – Irene perguntou empurrando a cabeça dela para baixo. Regina ajoelhou entre as pernas dela passando a língua encantada na bucetinha. Irene abriu mais as pernas gemendo

alto de prazer – Ai que tesão de

língua, chupa gostoso

Lambe bem

Regina não perdeu tempo. Passou a chupá--la enlouquecida. O que ela mais gostava era de chupar

Irene sem parar. Se pudesse ficaria horas entre as pernas dela só para ouvir os gemidos deliciosos que ela dava enquanto a chupava. Ficou ali, correndo a língua e entrando nela incansável até o corpo dela estremecer todo entre seus lábios e ela gozar deliciosamente na sua boca. Assim que ela gozou, Regina se ergueu comentando assanhadamente.

-- Êta trem bom! Coisa gostosa é te beber assim. Vamos pra cama, vamos? – Convidou puxando--a pela mão – Vem que eu quero te ama bem gostoso na nossa cama.

Regina e Irene foram para o quarto envolvidas naquele clima excitante. Regina deitou na cama chamando--a com os dedos. Irene aproximou com um sorriso maldoso nos lábios.

-- Xepracá – Regina convidou provocante.

-- Quando você fica excitada assim tenho vontade de ficar o tempo todo na cama com você – Confessou deitando sobre ela. Roçou o corpo no dela tremendo de desejo – Você é uma gata, uma fera no cio. Vai me dar essa bundinha vai?

Regina virou na hora rebolando para ela.

-- Vem, beija minha bundinha. Passa a língua nela. Dá beijinhos nela – Pediu gemendo alto – Aiiii Delícia, assim, beijinhos molhados. Sua boca me endoida, toca em mim, toca? Dá cá seus dedos maravilhosos

-- Sem vergonha – Irene gemeu enquanto lambia o reguinho dela e deslizava os dedos até o clitóris.

-- Ah

Ah

Ah

Ah

-- Geme minha putinha e rebola para mim, rebola! Rebola sem vergonha!

-- Estou rebolando amor, entra em baixo de mim e me chupa. Quero

gozar na sua boca. Não estou aguentando mais

Irene girou o corpo entrando em baixo dela, passando a chupá--la naquele instante. Regina roçava a língua contra a boca dela desorientada. Não conseguia mais controlar sua excitação. Assim gozou soltando um grito de prazer.

-- Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii Amor

Irene caiu esgotada do lado dela. Regina respirou fundo recomendando animada.

-- Relaxa querida, descansa que a madrugada te espera.

-- Você não é fácil não Regina – Irene comentou começando a rir.

-- Uai o que eu posso faze? Sou muié de cama e mesa!

-- Cama e mesa demais da conta, isto sim! Nossa preciso de um cigarro agora! – Irene comentou saindo da cama.

-- Quero um tamém. Depois de faze amo adoro.

-- Eu sei meu bem!

Irene deitou novamente ao lado dela contando animada.

-- Carlos e Andre passaram no supermercado hoje. Contei do

churrasco e eles mandaram uma peça de carne e duas embalagens de cerveja. Falaram que fazem questão de contribuir.

-- Danadibão! Isso é que é gente normal! Eles tão bem amor?

-- Andre me disse que as coisas estão mais ou menos. Disse que conta aqui no churrasco. Mas estava com uma carinha bem chocha.

-- Hum! Será que Carlos apronto bololô com ele?

-- Não sei, vamos ver! Por que será que gay trai tanto amor?

-- Ah! Acho que isso é fábula

Irene! Tem muito gay que num trai! Eu acho que quando eles se amam de verdade num rola traição não.

-- Sei lá, nos banheiros masculinos tem a maior pegação.

-- Pegação tem é em sauna amor! No banheiro é só no desespero. Falando nisto vou liga pra Nivia. Tô com saudade dela.

-- Espero que Simone goste de ter tanta gente no churrasco dela.

-- … claro que ela vai gosta! … a nossa turma, uai! Vô lá aquecer nosso jantar. No forno né? Por que nunca sobra dinheiro pra comprar o tal microondas. Ave Maria! Temo

que melhora de situação! – Suspirou vestindo seu robe e indo para cozinha.

****

No dia seguinte Regina contou para Simone que os amigos e uma amiga iriam a churrasco. Simone ficou muito animada com a notícia.

Nesta noite, quando Regina chegou em casa Joana estava saindo no portão da casa dela. -- Oi Regina! Irene me falou do churrasco! Comprei duas cervejas litrão para a gente tomar agora. Está a fim?

-- Uai! Cêbêsta Joana! Vamo

entrando! – Sorriu entrando com ela.

Levou Joana direto para a cozinha convidando para sentar. Foi à sala beijar Irene que estava deitada no sofá vendo televisão.

-- Oi amor! Joana trouxe cerveja. Vem?

-- Nossa! Que delícia! Era tudo que eu estava pedindo a Deus! – Irene sorriu beijando--a e indo para cozinha com ela.

Regina pegou os copos e um vidro de azeitonas. Virou as azeitonas no prato comentando com Joana.

-- Descurpa! Ocê me pegou desprevenida.

-- Que isto Regina? Qualquer coisa para beliscar já está ótimo. Senta aqui e vamos beber para relaxar.

-- Lógico que vô senta uai! – Regina sorriu sentando e servindo os copos – Ocê gostou da ideia do churrasco no domingo Joana?

-- Gostei, mas estou achando que é armação da Simone para me pegar. Ah gente, eu não gosto de sapatão!

-- Nada disto Joana, é só o jeito dela vestir. Isto é preconceito seu, relaxa!

-- Mas se não gosto amiga! Eu gosto é das meninas que esbanjam feminilidade como eu.

-- Ah meninas? Sei! Quem te falô que Simone num é menina? – Regina perguntou começando a rir – Me diz uma coisa Joana. Por que ocê está solteira até hoje? Ocê tem vinte e cinco anos, não é?

-- …! Ora, por quê? As mulheres não querem saber de casar não minha filha! Você acha que elas querem cozinhar? Passar? Lavar? Costurar? …! Costurar sim, porque mulher que sabe costurar não se acha mais! Conto nos dedos à que sabe costurar hoje em dia! O negócio está feio! E têm mais, elas detestam varrer casa! Mostra uma

vassoura e elas correm três dias sem parar! Agora elas só querem ficar na internet pegando mulher. O mundo ficou assim! Mulher boa para casar era Amélia, mas Amélia já morreu! Vou te falar a verdade, essas mulheres de hoje me chocam! Eu fiquei com uma que me falou que quer é boa vida. Está procurando é mulher para pagar as contas dela! Muitas têm essa mentalidade. Deus que me livre! Não estou atrás de encosto não! Eu acho assim, as duas tem que fazer de tudo numa casa. Igual a você e Irene. Divisão de tarefas que é o certo.

-- Concordo, mas ocê tá querendo uma mulher ou uma empregada? – Regina perguntou rindo dela.

-- Não faz graça Regina, você me entendeu. Quero uma parceira, apenas isto. – Joana respondeu tranquila.

-- Concordo com você nisto de divisão de tarefas. Eu namorei uma garota que não sabia nem quebrar um ovo. Minha avó falava que quem não sabe fritar um ovo não sabe cozinhar. Quem não sabe quebrar o ovo fritar é que não vai saber – Irene comentou rindo com Joana.

-- E ai? Você continuou namorando com ela? – Joana perguntou admirada.

-- Nem pensar, não passou no

controle de qualidade. A gente percebe logo nessas pequenas coisas. Namorei outras três que também não deram certo. Não saber picar uma cebola batidinha? Sabe aquelas cebolas em rodela horrorosas que a gente já comeu nos tira gosto dos bares ai da cidade? Tipo filé ou fígado acebolado?

-- Sei!

-- … aquilo! Uma coisa horrorosa! Quem é que pica uma cebola daquele jeito? Você come aquilo e tem que ficar o dia todo sem beijar por causa do bafômetro de cebola! Sai fora! Teve uma que estávamos fazendo um almoço no domingo e decidi fazer couve com

angu. Em dia de chuva couve com angu é uma delícia. Ai Joana, eu pedi para ela picar a couve bem fininha. Menina ela picou de uma largura que fiz foi salada de couve. Não falei foi nada! Fiquei só olhando a falta de jeito! Pensei comigo: “Não vai dar certo.”

-- Não daria certo mesmo! ‘, a última que namorei sério ficava só na internet. Um dia cheguei na ponta do pé em casa e ela estava lá naquelas salas de bate papo. Estava falando um monte de abobrinha lá com uma menina e eu fiquei bem quieta sacando a parada atrás dela. Aquilo que eu nem respirava para ela não me notar ali. Gente? De uma hora para a outra a mulher pediu o MSN

dela. Foi batata! Ela deu! Na hora a mulher adicionou e entrou chamando no MSN. Fiquei durinha sem acreditar. A mulher perguntou se ela estava com tesão. Olha para vocês verem que safadagem. Na maior ela falou que estava. A mulher mandou convite para Webcam e ela aceitou. Nossa! O que foi aquilo? Já apareceu peladona e de pernas abertas.

-- Cêbêsta sô! Tá falando sério? – Regina perguntou chocada.

-- Estou falando para vocês! E sabe o que a safada da minha namorada fez? Já desceu a mão abrindo as pernas para se tocar.

-- E ocê?

-- Agarrei--a pelos cabelos na hora. Fui com ela para a sala e dei o cartão vermelho! Expulsão dentro da aérea de campo! Não deixei nem abrir a boca. Não agredi e graças a Deus não quebrei meu computador por causa daquela vagabunda descarada!

-- Nossinhora dos Pecadores! – Regina comentou incrédula. – Tô boba! Virge Maria!

-- Tive outras assim, tretou rolou estavam na sala de bate papo caçando assunto. Sempre nas salas de bate papo de Gays, lésbicas e afins.

-- Tem isto? Num sei nada de internet não – Regina perguntou começando a rir.

-- Eu tive que comprar um not book por causa do meu trabalho. Lógico que paguei de dez vezes no cartão de credito. Menina tem de tudo! Tem trans, tem namoro, sexo, encontro, azaração e perdição! Perdição sou eu que estou dizendo – Ela comentou caindo na gargalhada.

-- Espera ai, essas salas de bate papo são todas assim? – Irene perguntou curiosa – Eu nunca entrei nestas salas de bate papo. Não entendo nada disto.

-- Acredito que deve ter salas

sérias com toda certeza. O problema é que se a gente entra logo nestas de pegação leva um susto e não volta mais. Eu entrei pra nunca mais. Nunca mais nem lembrei disto. Só lembrava quando pegava as namoradas virando os olhos na frente do computador. Eu hein! Cansei! Por isto estou sem namorar há mais de um ano. Tomar chifre pela internet é foda amigas! Quer dizer, tomar chifre é foda de todo jeito, mas espera ai, não pode ver uma perna aberta que já está acariciando a seda? Tenha dó de mim!

-- Acariciando a seda num conhecia não. Aonde ocê aprende essas coisas Joana? – Regina perguntou dobrando de tanto rir

dela.

-- Comigo mesma! Toco nela e parece uma seda de tão macia. Vocês nunca pensaram nisto não? – Perguntou sorrindo com as duas -- Só sei de uma coisa. Mulher para namorar sério ou casar virou coisa rara. Sei que existem muitas sérias ainda por este mundo, mas estou achando que fiquei cega já que não as enxergo em parte alguma – Completou sem parar de rir.

-- Espera ai gente, ocês tão pegando pesado com as muié. Tem muita muié pra casar sim, uai! Tem é que da a sorte de conhece a felizarda – Regina interferiu rindo também – Tem que

escolhe a dedo. Eu escolhi muito bem, Irene sabe faze de tudo – Comentou olhando Irene com carinho.

-- Sei mesmo, eu que cuidava da casa enquanto meus pais saiam para trabalhar. Tomei conta de três irmãos e não foi fácil. Homem larga as roupas jogadas para todo lado, fazem tanta bagunça, meu Deus! Mas me sai muito bem – Irene contou orgulhosa.

-- Cuidar de casa com irmãos eu sei muito bem o que é isto! Cresci numa casa com cinco irmãos e só eu de mulher. E o banheiro? Eles urinavam no chão todas as vezes que iam fazer xixi. O que é aquilo? Até meu pai tinha pinto torto. …

pinto torto sim, não vejo outra explicação. Ou então eles têm preguiça de segurar na hora que vão ao banheiro. Minha mãe vivia falando: “Calma minha filha, homem é assim mesmo.” Mas não é mesmo! Tem muito gay que eu conheço que não urina no chão não. Como também tem muito homem cuidadoso! Isto é coisa de homem largado que acha que mulher é escrava e tem mais é que limpar a sujeira deles. Uma noite acordei com uma confusão danada. Meus irmãos tinham ido para uma festa juntos. Quando entrei na sala um tinha acabado de passar mal. Olhei para os dois que estavam rindo dele e em coro os dois fizeram ao mesmo tempo:

“Ua!” Tudo no chão! Para

completar os outros dois que entraram atrás deles também fizeram: ”Ua!” Gente, limpar aqueles “Ua!” dos cinco me deixou uma fera. Sofri muito com aqueles cinco. Quando eles saiam no fim de semana era batata! Resultado:

“Ua!”

-- Gente? Mas vou morrer de tanto rir hoje – Regina comentou quase rolando de rir na cadeira.

-- Vida de pobre é dureza! Se tivesse empregada não teria sofrido tanto. Falando nisto, já tentei falar com aquela Vereadora que fez as maiores campanhas aqui na época das eleições prometendo saneamento básico e asfaltamento das ruas e ela nunca

me recebeu. Olha que eu sou polícia, hein! Imagina só que absurdo! Está em reunião! Toda vez que vou até lá está em reunião. Já notou que reunião de político numa acaba?

-- Ah Joana, eles não estão em reunião coisa nenhuma, a verdade é que se escondem e não estão nem ai para os eleitores! Mas com relação à vereadora Leia Dos Anjos você tem razão, a rua em peso votou nela. A rua só não, o bairro inteiro votou e ela desapareceu! Você ainda está em greve?

-- Estou sim! Essa paralisação desta vez vai ser muito maior. A insatisfação é geral. Por quê? Você

quer que eu vá lá com você?

-- Sim, amanhã no meu prazo de almoço. Ocê me encontra na porta do restaurante e nóis vamo até lá tenta fala com ela. Tava pensando nisto mermo. Este esgoto a céu aberto aqui na rua tá cada vez pior. O mau cheiro vem aumentando a cada dia. Temo que cobra ou isto vai fica assim pra sempre.

-- … lógico que eu vou com lá com você cobrar a promessa de campanha dela.

-- Vocês acham que vai adiantar gente? – Irene perguntou incrédula. – Estes políticos não cumprem nada e o povo não pode

fazer nada.

-- Irene aqui da nossa rua eu vou corre atrás sim. Se cada um cobrasse pra sua rua ou para o seu bairro os políticos num ficava prometendo tanta coisa que sabe que num vão cumpri.

-- Leila Dos Anjos costuma almoçar em um restaurante na rua do supermercado. Eu a vejo sempre por lá. Se vocês não conseguirem falar com ela na Câmara dos Vereadores, quando ela for ao restaurante eu ligo para vocês.

-- Tudo bem, nós vamos cercá--la de todo jeito – Joana sorriu se erguendo – Já está tarde e vocês

trabalham amanhã. Gostei muito do nosso papo. Que saudade do meu trabalho, mas enquanto essa greve durar vou ter que ficar atoa em casa.

-- Isto logo se resolve! A cidade num vai pode ficar sem policiamento por muito tempo. E aquela sua promoção para detetive da divisão homicídios Joana? Ocê ainda tem esperança de conseguir?

-- Tenho sim amiga! Patrulhar as ruas é legal, mas não é o que eu quero profissionalmente. Entrei para polícia para ser detetive. Este é o meu sonho! Se Deus quiser vou conseguir! Beijos meninas! Fui!

Regina fechou a porta voltando e já recolhendo os copos.

-- Joana é tão legal. … uma grande amiga de verdade. – Irene falou ajudando a ajeitar a cozinha.

-- Ela é uma amigona nossa mesmo. Vamos amor? Está super tarde. Se não perdemos hora amanhã.

****

No dia seguinte Joana chegou ao restaurante à uma hora da tarde. Acendeu um cigarro fumando distraída. Um conhecido passou de carro acenando para ela. Estava acenando de volta quando Simone

parou na sua frente.

-- Oi Joana! Que bom te ver.

Joana olhou para ela observando o uniforme de saia e blusa como caia bem no corpo dela. Não parecia nem um pouco masculina com aquele uniforme feminino.

-- Tudo bem Simone? Estou aguardando Regina aqui.

-- Ela está esperando as outras duas garçonetes voltarem do prazo do almoço para sair. Posso te fazer companhia?

-- Já está fazendo! – Joana comentou desviando os olhos dela.

Simone era alta e tinha um corpo elegante. Os cabelos passam um pouco dos ombros. Eram macios e muito bem cuidados. Tinha um tom bonito de pele. O rosto de traços delicados e bonito. Uma boca atraente. Os olhos eram castanhos e muito vivos. Estes olhos estavam desenhando o corpo de Joana neste instante.

-- Poderia parar de me olhar assim, por favor? – Joana pediu se sentindo sem lugar.

Joana era muito mais que atraente. O corpo esbelto chamava atenção. Ela tinha um ar sensual e provocante. Da mesma altura de Simone, ela estava usando um vestido branco curto que delineava

seu corpo arrancando olhares das pessoas que passavam por ali. Os cabelos grandes e negros caiam soltos voando rebeldes quando o vento soprava mais forte. O rosto dela tinha traços que lembravam uma índia. A boca grande e apetitosa estava crivada de forma nervosa enquanto ela afastava os cabelos que voavam cobrindo seus olhos a todo o momento. Estava tão sensual que Simone mal se mexia hipnotizada diante dela.

-- Será que Regina vai demorar? – Perguntou impaciente.

-- Não muito. Quer ir lá ao nosso vestiário? Tenho uma presilha no meu armário que posso te emprestar para prender seu

cabelo. Está ventando demais hoje

– Simone ofereceu encantada com

a visão dela.

-- Está certo, aceito! Do contrário vou parecer uma louca daqui há pouco. Então vamos lá.

Passaram pelos fundos do restaurante chegando ao vestiário. Simone foi ao armário pegando logo a presilha. Entregou para Joana com um sorriso.

-- Obrigada!

Joana agradeceu virando para o espelho grande sobre a pia ajeitando os cabelos com um suspiro.

-- Adoro ter cabelo grande, mas dá um trabalho! – Falou olhando no espelho. Assim que terminou ela viu Simone parada atrás dela. Voltou--se a olhando sem jeito. – Pronto!

-- Ficou linda!

-- Podemos ir

-- Espera! – Simone falou empurrando--a de forma inesperada contra a parede.

Joana levou um susto enorme sem saber como reagir. Estava pensando em empurrá--la e sair correndo dali, mas Simone estava paralisada com as duas mãos

imóveis sobre sua barriga. Joana a olhava com a respiração entrecortada. A respiração de Simone também estava sim. O peito dela arfava enquanto ela respirava com certa dificuldade. Ela estava olhando para os seios de Joana como se estivesse em transe. Neste momento como se despertasse deste transe ela ergueu os olhos fitando os de Joana. Foi neste instante que seus dedos deslizaram subindo lentamente dá barriga até tocar os dois seios de forma extremamente suave.

-- Não

Joana praticamente gemeu este “não” olhando admirada as mãos

que mal se moviam sobre seus seios. Os dedos dela estavam roçando levemente os biquinhos dos seus seios. O corpo de Joana reagiu aquele toque arrepiando imediatamente e os biquinhos eriçaram praticamente enfiando-- se entre os dedos delicados que os tocava.

-- Ah!

De uma forma que Joana não entendeu ela simplesmente não conseguia reagir para afastá--la de si. Seu corpo todo estava desperto agora. Suas estranhas estavam ardendo. Simone aproximou o rosto roçando os lábios no pescoço dela. Os lábios subiam e desciam pela pele macia do pescoço de

Joana. Ela podia sentir a ponta da língua deslizando sensualmente. A boca de Simone chegou ao seu ouvido mordendo suavemente a ponta da orelha.

-- Ah!

Joana fechou os olhos sentindo aquela boca que parecia não estar fazendo nada enquanto roçava sua orelha respirando deliciosamente contra ela. A língua lambeu sua orelha enquanto o corpo roçava excitadamente contra o seu. As mãos dela continuavam sobre seus seios acariciando da mesma forma.

O corpo de Joana queimava inteiro agora. Então a voz de Simone

soou roucamente em seu ouvido.

-- Seu cabelo ficou lindo. Vamos?

Simone simplesmente se afastou indo até o armário trancando a porta. Olhou para Joana, que estava olhando--a completamente incrédula neste instante.

-- Eu te espero aqui fora se ainda não terminou – Falou sorrindo para Joana e saindo.

Assim que ela saiu Joana relaxou o corpo falando para si mesma.

-- Mas o que foi isto meu Deus? Como vou sair assim neste estado?

Ela sabia o quanto estava excitada e ao mesmo tempo surpresa por estar tão excitada por causa de Simone. Justo ela que chamava Simone de sapatão e vivia fugindo dela.

Recobrou o controle indo até a pia. Lavou o rosto completamente abismada. Simplesmente não acreditava no que tinha acabado de viver nos braços dela. Secou o rosto se olhando no espelho e saiu cruzando com ela na porta. Simone a olhou com uma expressão tranquila. Parecia que nem tinha acontecido nada entre elas. Isto irritou Joana, por isto ela falou baixo.

-- Não conte para ninguém o que

acabou de acontecer. Porque simplesmente não aconteceu nada! Atrevida! – Dito isto ela seguiu indo para frente do restaurante onde estivera antes. Quando chegou lá viu Regina parada esperando por ela.

-- Oi Regina! Ainda bem que chegou, achei que não vinha mais. Vamos logo, se não você vai se atrasar para seu trabalho. – Falou já seguindo pela calçada com ela.

-- Oi Joana! Borá pro pondiôns! Minha patroa é fogo! Crendeuspai! Fiquei presa lá dentro até agora. – Respondeu correndo com ela para pegar o ônibus.

Assim que entraram no ônibus e

sentaram, Regina olhou para Joana percebendo o quanto ela estava pálida.

-- Nossinhora! O que ocê tem? Está passando mal?

-- Não. Tudo bem. – Joana respondeu ajeitando melhor no banco – Me bateu um calor, só isto!

-- Tá quente mesmo. Venta, parece que vai chove e vem este calo sem explicação.

-- ….

-- Liguei para o gabinete da Vereadora e a secretária me disse que ela estava em reunião. … uma

vergonha mesmo!

-- Então vão dizer que ela está em reunião quando chegarmos lá.

-- Bolei um plano meio doido e

vamo fazer assim

segredando baixo o plano no ouvido dela.

– Falou

Joana olhou--a admirada quando ela terminou de explicar seu plano.

-- E se ela não for lésbica?

-- Cêbêsta! Xô contá pro cê, tem uma lésbica adormecida dentro de cada muié, isto não importa. Quero nem sabe se ela é ou num é lésbica! Importa é que ocê a

distraia pra que eu possa agi. Vai se rapidim.

Vinte minutos depois elas desceram do ônibus entrando na Câmara. Perguntaram ao segurança na entrada se a Vereadora estava trabalhando àquela hora. Ele confirmou que ela estava no gabinete dela. Foram direto ao gabinete da vereadora. Assim que entraram Joana foi à mesa da secretária para distraí-- la. Colocou as duas mãos na mesa dela, inclinou o corpo de maneira que seus seios apareceram e falou com um sorriso provocante.

-- Boa tarde! Liguei há pouco! Preciso falar com a Vereadora se for possível.

A mulher a olhou completamente surpresa com a visão dos seios bem diante do seu rosto.

-- A Vereadora está em reunião! Você já esteve aqui e lhe disse que é preciso marcar hora. Ela está marcando para o segundo semestre, os três próximos meses estão com todos os horários tomados. A Vereadora é muito ocupada. As coisas não são assim não! – Informou pegando a agenda.

-- Não seja insensível moça.

-- Como?

-- Está sendo insensível porque

meu caso não pode esperar tanto. Sabia que eu votei nela? Custa me arrumar cinco minutos? Sou rápida! Olhe com carinho ai para mim. Cinco minutinhos ou dez. Faça este favor.

Por mais incrível que possa parecer, Regina já tinha seguido por um pequeno corredor que levava a porta da sala da Vereadora. Ela bateu levemente na porta e ouviu a voz vinda lá de dentro.

-- Pode entrar Valdete!

Regina girou a maçaneta entrando de uma vez na sala. Parou olhando chocada a cena. A Vereadora estava deitada numa poltrona

confortável assistindo um filme numa televisão de plasma enorme.

-- Trouxe o gelo e os salgadinhos?

Regina não conseguiu responder. Olhava para a televisão que nunca tinha visto na vida. Não tão grande e linda como aquela. Parecia que estava no cinema.

Laila Dos Anjos se voltou levando um susto enorme ao ver que não era a secretária e sim uma mulher estranha. Ela saltou do sofá perguntou nervosa.

-- Mas quem é você? Quem autorizou sua entrada aqui? Que absurdo!

-- Sou uma eleitora sua e vim resolve uma questão rápida com a Senhora.

-- Pode dar a volta e sair agora! Quem te deixou entrar aqui? Vou chamar agora a segurança

-- ”iquió dona Dos Anjos me faça um favor, se acalme e converse cumigo. Porque daqui vô no primeiro jornal fazê um escândalo bem grande se num me der dois minuto do seu tempo! – Regina ameaçou pegando o celular da bolsa e tirando algumas fotos dela e da televisão de plasma dela – Seus eleitores vão dora sabe o tipo de reunião que acontece aqui!

Laila afastou--se soltando o

telefone surpresa.

-- Não aceito ameaças. Não vejo problema nenhum em assistir um filme. Você só pode ser louca! O que você quer aqui? Tem que marcar hora para falar comigo

-- … verdade, eu sei! Mas sou garçonete e num posso ficar esperando meses pra fala dois minutos com a Senhora. A minha rua num tem asfalto e a rede de esgoto é a céu aberto. O bairro quase todo tá nesta situação. Fez campanha lá e nos prometeu resolve o problema. Votei na senhora! Todos lá votaram. Já se passou um ano e nada foi feito! Pode me dar papel e caneta? Vou anota o nome da minha rua e do

meu bairro. Num quero tomar seu tempo e nem atrapalha seu filme.

-- Você é muito abusada! – Laia falou pegando um bloco de anotações e uma caneta na mesa. Passou para ela olhando--a com mais atenção. Recordou dela neste instante. Estava sempre nos comícios que fez na periferia.

-- Abusada não! Sou uma cidadã e num gosto de bololô! Já disse que votei na senhora. Preciso que seja feita a rede de esgoto e em seguida o asfaltamento, apenas isto! Isto é coisa simples! Deixei aqui meu endereço e o número do meu celular. Sabe me dize para quando essa questão vai ser resolvida?

-- Eu deveria mandar te prender!

– Laila respondeu pegando o bloco

com a caneta que Regina estendia para ela neste instante.

-- Mandaria me prender por mode

de quê? Se manda eu pico a mula

– Respondeu tranquila.

-- Invasão de domicilio público, é lógico!

-- Domicilio p--ú--b--l--i--c--o? Ou seja, permitido ao público! Eu sou o público Vereadora! Num tenho nada com a sua vida, tô cuidando da minha!

Laila suspirou lendo os dados que Regina anotou percebendo que

não era algo tão difícil de fazer. Olhou para ela falando com desagrado.

-- Está certo Senhora Regina, vou tomar as providências o mais rápido que eu puder. Mas fique sabendo que a senhora é uma mulher muito mal educada, mandona, atrevida e indesejável!

-- Brigada por tantos elogios! Admito que eu fui abusada e mal educada, mas infelizmente pra fazer político cumprir a palavra tem que ser na marra! Preciso ir agora, mas aguardo uma ligação da Vereadora pra sabe do início das obras no meu bairro. Já paguei com meu voto, então tamos quites! Muito brigada e um

ótimo filme pra a senhora!

-- Se todos os meus eleitores fizerem isto que você acabou de fazer te garanto que desisto de ser Vereadora!

Regina se voltou olhando--a com um sorriso debochado.

-- Meu nome é Regina Marques e pra merecer meu voto tem que cumpri o que me prometeu uai. Sempre anulo meuS votos nas eleições. Cadiquê prefiro anula a sentir raiva depois. Na última eleição decidi acredita na senhora e lhe dei meu voto. Vim cobra apenas por essa razão! O povo permite, por isto merece os Políticos que tem. Ninguém vai

faze o que eu fiz! Ninguém tá nem ai pra nada! Não se preocupe com isto! Tchau!

Quando ela entrou na sala da secretária a mulher saltou da cadeira a olhando assustada.

-- Que absurdo que é este? Quem te autorizou a entrar ai? – A mulher perguntou rodeando a mesa correndo e parando na passagem que dava para a sala da Vereadora horrorizada. – Vou chamar os seguranças agora mesmo!

Regina sorriu voltando--se para Joana muito tranquila.

-- Borá amiga!

-- Valdete? – A voz Vereadora soou neste instante quando ela apareceu ali. Ela olhou para Regina e viu Joana se erguendo neste instante do sofá. Deu de ombros falando séria – Venha a minha sala imediatamente!

As duas saíram chegando logo a rua. Joana perguntou ansiosa.

-- Então? Deu certo? Ela te ouviu?

-- Ela ficou uma arara, mas me ouviu muito bem. Nossinhora, num conta pra ninguém o que fizemo porque num quero ser processada por essa loucura. Se cola colou. – Falou correndo para o ponto de ônibus.

-- Ainda bem que você entrou logo porque aquela secretária não é lésbica e ela ficou irritada demais comigo! Mandou--me sentar para atender ao telefone que começou a tocar sem parar. Sorte nossa! – Comentou rindo divertida. – Olha, vou pegar o nosso ônibus. À noite vou à sua casa para saber dos detalhes. Tchau Regina! Meu ônibus está vindo ali. Tchau! – Falou saindo correndo.

-- Inté!

Quando Regina e Simone estavam se preparando para deixar o

trabalho às seis da tarde neste dia, Simone deu a boa notícia para ela.

-- A dona do bufê me ligou avisando que vai precisar de duas garçonetes para as recepções que ela tem agendado. Pediu para você ligar amanhã para combinar com ela. Ela é gente boa. Se trabalhar bem e ela gostar vai te chamar sempre.

-- Que beleeezzz! Vou ligar sim. Muito obrigada pela força. Amanhã eu te vejo. Maravilha que amanhã já é sábado. Porque domingo será nossa folga e vamos nos divertir no churrasco. ‘! Falamos ontem para Joana e ela confirmou que vai.

-- … mesmo? Que notícia maravilhosa. Vou dormir mais feliz hoje. Então até amanhã!

****

Joana foi à casa de Regina saber sobre a conversa com a Vereadora indo embora em seguida.

Depois Regina e Irene jantaram e foram para a sala assistir novelas.

O domingo amanheceu com um sol maravilhoso. Regina e Irene acordaram mais cedo para arrumar o quintal para o churrasco. Depois foram até a casa de Joana pedir três cadeiras emprestadas. Lá Regina pediu

desculpas por incomodá--la. Com o empréstimo das cadeiras.

-- Que bobagem Regina, em dia de festa tem que improvisar mesmo. Aqui em casa tem muitas cadeiras porque era gente demais. Oito pessoas comigo. Vamos levar essas cadeiras para lá. Vai precisar de copos, pratos e mais talheres? Olha tudo que precisar que vou te arrumar. Adoro os churrascos que a gente faz na sua casa. Irene? Quero ouvir aquelas músicas sertanejas deliciosas que dá para a gente dançar muito – Pediu olhando para Irene.

-- Pode deixar, já separei uns CDs ótimos para a gente dançar.

No momento que saíram na rua pra entrar para a casa delas, elas pararam, pois a mãe de Irene estava descendo da camionete com os três irmãos dela.

-- Oi filha! Viemos te ver e passar o dia com você. – Dora falou ignorando Regina e Joana de propósito. E olhando as cadeiras ela perguntou curiosa – Para que tantas cadeiras? Vai ter festa hoje? Se vai ter chegamos em boa hora.

-- Mãe desculpe, mas hoje não vai dar. Estamos esperando convidados e

-- Que isto filha? Somos de casa! Sou eu sua mãe e seus irmãos, se lembra? – Dora Perguntou

passando por elas e empurrando o portão para entrar na maior cara de pau.

Regina lançou um olhar apertado para Irene a ponto de explodir.

-- Mãe? Por favor? Estou pedindo para a senhora. Infelizmente hoje é um péssimo dia. Nós programamos um churrasco então não vai dar mesmo.

-- Ora deixa disto filha, onde come alguns comem vários. E família não é convidado, família é especial – Dora respondeu rindo tranquilamente.

-- Qual é maninha? Se tem churrasco estou dentro mesmo –

Túlio comentou cheio de si passando por elas também com uma expressão superior.

-- Êta! Parem ai! Não se atrevam a entrar em minha casa! Irene já avisou que hoje não vai dar. – Regina interveio sem aguentar mais.

Dora estacou se voltando e perguntando debochada.

-- O que é isto filha? O sapatão é que manda na sua casa?

-- Sou sapatão com muito orgulho! Agora podem dar meia, faz favor!

Dora encarou Regina pela primeira

vez falando secamente.

-- Se a casa é da minha filha

temos todo o direito de entrar! Já

vi que Mineiro quando fica nervoso

trata logo de falar direito. O sotaque some como por encanto. – Comentou debochada.

-- Ispia isto Joana! – Regina falou

lançando um olhar para Joana que assistia a cena surpresa -- Aqui é casa de sapatões! Vão procurar outra casa para explorarem! Fora daqui! Fora!

-- Regina calma

soltando a cadeira e aproximando dela apavorada.

– Irene pediu

-- Calma nada Irene! Este bandi

de abutres virem aqui hoje era só

o que faltava. Eles não gostam de

sapatões então não são bem vindos aqui. E cabô! Vão saindo! Vão saindo! – Falou perdendo a paciência e entrando na frente de Dora e do filho – Na minha casa, comigo aqui, vocês não entram!

-- Vai deixar ela nos expulsar daqui? – Dora perguntou fitando Irene com a cara fechada.

-- Préstenção! – Regina estourou pegando o braço de Irene e puxando--a para dentro. Depois puxou Joana fechando o portão na cara deles de uma vez. Só então

encarou Dora falando satisfeita – Irene é minha mulher e ela num é

a boba que vocês pensam não.

Vão incomodar quem agüenta o abuso de vocês. Minha casa num é restaurante! A vida tá muito difícil para vocês ficarem nessa gigolagem para cima de nóis. Na casa de sapatão tem muita comida, graças a Deus! – E virando para Joana e Irene pediu delicada – Vamos entrar gente, tem urubu demais aqui na porta. Não gostam de sapatão, mas vem comer na casa do sapatão! Eu hein! Respeito é bom e esse povão não sabe o que é isto!

Assim que chegaram ao quintal Regina sentou na cadeira começando a chorar. Irene abraçou--a falando preocupada.

-- Amor eu sei que minha mãe

pega pesado, mas é minha mãe e por isto eu a deixo entrar de vez enquanto.

-- Irene o problema é a falta de respeito da sua mãe e dos seus irmãos. O problema é que a sua mãe me odeia! Isto num faz a menor diferença pra mim! … você que eu amo. … maravilhoso quando a sogra gosta da gente, mas se num gosta é problema dela. Sou uma pessoa descomplicada. Num guardo mágoa nem me importo com o que as pessoas pensam de mim. Me chamar de sapatão num me ofende nem me incomodada! Agora tem o jeito como se chama! A forma como ela perguntou: “O sapatão é que manda na sua

casa?” Ora Irene, ela que se dane! Cêbêsta sô! Eu num devo nada pra ela. Dentro da minha casa mando eu e cabô! Imagine se vô sentar pra comer na mesma mesa com uma pessoa que me odeia? Mas é nunquinha! Num é pela comida meu amor, é pelo disparate da presença dela entre nóis. Existem pessoas que odeiam nossa homossexualidade. Odeiam a gente e não nos perdoa. Temo que ficar bem longe deste tipo de gente. Podem ser nossos pais, nossos irmãos, qualquer parente ou pessoa próxima ou amiga. Ninguém é obrigado a nos aceitar, mas se não aceita quero é distância delas.

-- Eu acho o seguinte, é sogra

tudo bem que temos que respeitar e tratar bem, mas ser chamada de sapatão, ser ofendida e humilhada nem eu aguentava. – Joana comentou acariciando os cabelos de Regina – Você fez muito bem de não deixá--la entrar na sua casa.

-- Eu também acho que você fez bem amor, minha mãe está perdendo a noção. Estou completamente chocada com a maneira como ela te tratou. – Irene comentou sem jeito.

-- Ela sempre me tratou assim Irene. Num aceito mais!

-- A sua mãe também não gosta de mim Regina

-- Minha mãe num gosta de você, admito, mas nunca te maltrato! Sempre te cumprimentô, secamente, mas cumprimentô. Desculpe querida, mas educação vem de berço. Minha mãe finge que num sabe que sou lésbica. Ela fala para as amigas que moro com uma amiga para dividir despesas porque a vida tá difícil demais. Ela nunca falou mal de você. Aliás, ela num fala sobre você. Prefiro mesmo que seja assim. Num tenho essas ilusões de levar você à casa de minha família para eles te aceitarem. Pra que isto? Pra quê queremos que nossos pais aceitem nossa muié? Por que eles têm que aceitar nossa orientação sexual? Por que as pessoas têm

que nos aceitar? Aceitar--nos pra quê? Ninguém dá nada pra gente, que isto? Cada vez me convenço mais que isto num tem nada haver! Nóis tem é que lutar pelo nosso espaço, isto sim! Temos que lutar pelos nossos direitos de cidadãs. Temos que lutar para que as leis que vão nos beneficiar sejam aprovadas por aqueles deputados lá do Congresso. O resto? Família, sociedade, igreja, vizinhos, existem e devem ficar no canto deles e nóis no nosso.

-- Apoiado! Concordo totalmente com você Regina. Falou bonito! Agora esse muié que você fala é feio demais, mas nós entendemos – Joana comentou solidaria – Agora vou tomar um banho e me

aprontar. Daqui a pouco estou de volta. Olhe o que vai precisar e me fala que eu trago Regina. Beijos para vocês! – Falou saindo depressa.

-- Também vou tomar um banho Irene e tentar levantar meu astral. Essa da sua mãe foi foda, nossinhora! -- Regina falou entrando na casa chateada.

Ao meio dia Simone chegou quase que ao mesmo tempo em que Nivia. Nivia também levou carne e cervejas. Em seguida Joana apareceu com talheres, pratos e umas travessas.

-- Regina eu trouxe tudo que faltava. -- Joana falou entrando no

quintal. Seus olhos caíram em Simone neste instante. Ela ficou admirada ao ver como ela estava vestida descontraidamente. Usava um short curto preto bem feminino. Uma camiseta branca larguinha e sandália baixinha. Usava um cordão lindo, anéis e um relógio incrível. Os cabelos estavam penteados com gel. Ela estava na churrasqueira colocando as carnes no espeto.

Regina percebeu a analise que Joana estava fazendo em Simone comentando baixo com ela.

-- Tá vendo como as aparências engana a gente Joana?

-- Hum? – Joana desconversou se

fingindo de desentendida – Irene? Tem uma cerveja bem geladinha ai? Estou numa sede! – Depois encarou Regina comentando tranquila – Ela é muito interessante, nunca falei que não era.

-- Num falô? Ela é uma gata, isso sim!

-- Também! – Joana concordou olhando Simone de novo – Ela faz sucesso com as meninas?

-- Muito sucesso!

-- Pois é, deve fazer mesmo, imagino! E os meninos? Não vem mais? – Perguntou desviando os olhos de Simone.

-- Já devem estar chegando. Andre fica horas se aprontando.

-- Gay é assim mesmo!

-- Nem todos, Carlos reclama horrores das demoras dele ao se aprontar.

-- Pois é Regina, você também tem sua mulher, convivência não é um mar de rosas, tem sempre as pequenas coisas que nos incomodam. Ou passamos por cima ou vivemos lamentando. Se bem que acho que Carlos reclama demais. Mas isto não é da minha conta. – Joana comentou tomando um bom gole da cerveja que Irene lhe passou naquele momento –

Nossa! Essa cerveja está deliciosa.

Ela sentou lançando um novo olhar para o corpo de Simone. Ela estava inclinada sobre a churrasqueira. A bunda estava arrebitada numa posição tentadora. Joana se imaginou por atrás descendo a boca pelas nádegas dela. Forçaria o corpo dela, colocando--a de quatro e faria loucuras incansáveis com ela.

-- Você gosta bem ou mal passada? – Simone perguntou neste momento voltando--se para Joana.

-- Mal passada e sangrando. – Joana respondeu voltando da sua

fantasia sexual.

-- Já, já vou lhe dar umas fatias bem gostosas – Simone respondeu sorrindo para ela.

Joana ficou olhando o sorriso lindo dela admirada. Estava vendo Simone com outros olhos. Estranhava demais este fato porque antes achava mesmo que ela era masculina e estava certa que nunca sentirá atração por ela. Agora estava ali pensando como iria tocar o corpo dela.

Neste momento Carlos e Andre chegaram trocando beijinhos com todas. Eles sentaram recebendo copos de cervejas geladas. O cabelo de Andre estava lindo com

uma escova feita recentemente. Joana comentou atenta.

-- Você que faz sua escova Andre?

-- … querida, tem que ser. No salão nunca fazem como eu gosto – Andre comentou orgulhoso balançando os cabelos lindos de fato. Eram louros, grandes, chegavam quase ao peito dele. Mas ele era forte, alto, tinha um rosto bonito e o corpo malhado.

-- Ele adora ficar bem feminina e depois reclama quando o chamam de bicha pela rua – Carlos contou rindo debochado.

-- Ora, porque um homem se cuida tem que ser bicha? Se eu

não fosse gay trataria meus cabelos da mesma forma. Sou quase uma moça e sou muito feliz por ser assim. – Andre comentou orgulhoso.

-- Não estou te criticando amor – Carlos respondeu acariciando os cabelos dele.

-- … meu bem, mas você acha que dou pinta demais e isto não é verdade. Tenho culpa de ser vaidosa? Adoro minhas plumas e olhe que uso pouco os meus vestidos porque você reclama demais quando estou de vestido!

-- Lógico! O dia que você saiu de vestido o povo ficou todo de boca aberta por onde passamos. Mas

entre quatro paredes você usa o que bem quer – Carlos respondeu sorrindo feliz.

-- Pois é, olha meninas, tenho um vestido maravilhoso que comprei na Rua Vinte e Cinco de Maio. … um show a parte, nem empresto nem alugo! Nas nossas noites de magia visto para Carlos e ele adora!

-- Claro que adoro! Você fica lindo com aquele vestido.

-- Ai! Fale que fico linda! Sinto-- me mulher demais quando uso aquele vestido.

-- Gente você é um escândalo, Andre! – Joana comentou

divertida.

-- Isto é uma coisa tão deliciosamente pessoal Joana, você nem faz ideia! Todas as minhas fantasias só apimentam nossa relação, não é amor?

-- E como! – Carlos concordou beijando a boca dele.

Simone aproximou chegando ao lado de Joana com o espeto da carne que dava água na boca. Sua coxa roçou contra a de Joana que sentiu um calafrio na hora. Enquanto ela cortava a carne, Joana olhava as coxas dela com água na boca.

-- Coma a carne, não a mulher! –

Andre comentou chamando atenção de Joana que despistou pegando um pedaço de carne saboreando com gosto – Nossa, o tempero está no ponto! Estou sendo vigiada? Que horror! -- Joana comentou baixo com Andre sorrindo feliz.

-- Que bom que gostou! – Simone sorriu voltando para a churrasqueira satisfeita.

-- Ela é boa de churrasco mesmo. – Joana elogiou animada.

-- Boa de churrasco e de cama! – Andre falou encarando Joana – Você já provou?

-- O quê? Eu não? Tá doido?

-- Estou doida nada linda! Duas meninas que transaram com ela falam muito bem, viu bobinha!

-- Coisa feia transar com alguém e sair comentando. Acho isto horrível! – Joana respondeu incomodada.

-- Ah linda, mas quem faz propaganda perde logo. As duas dançaram rapidinho! Simone é uma ótima pessoa. Ela tem uns vestidos lindos. Essa coisa de roupa é só o estilo que a pessoa gosta. Na intimidade a gente leva cada susto. Já namorei homens machos que na cama eram verdadeiras mulheres. Não é porque um homem coloca vestido

na intimidade que queira dizer que ele seja só a mulher, é só uma fantasia gostosa. Eu adoro fantasias. O que conta mesmo é o desejo que a gente sente. E logicamente o amor que é o bombom de cada relação.

-- Acho cama danadibão e concordo que o desejo conta muito nesta hora. – Regina opinou atenta a conversa.

-- Você já transou com um sapatão? – Nivia perguntou entrando na conversa neste instante.

-- Eu? – Regina perguntou divertida – Na verdade não.

-- Eu já! – Nivia falou dando um sorriso – Era muito masculina na aparência, mas na cama era mulher como todas nós. Sabe que isto é tudo coisa de cabeça. A gente julga muito as pessoas pela aparência em vez de valorizar a pessoa. … porque tem mesmo uma espécie de broqueio na mente da gente. Mas quando conseguimos vencer isto é sempre bom demais.

-- Já que falou me conta uma coisa. Você trabalha no exército. Têm muitas entendidas soldado?

-- Têm algumas sim. Tipo isto mesmo, você olha para um pelotão de mulheres que são soldados e aquela farda deixa

qualquer uma com aspecto masculino, mas nem todas são entendidas. Às vezes nem tem nenhuma entendida. … tudo muito relativo, não dá para julgar as pessoas pelas roupas que elas vestem.

-- Concordo! – Regina falou.

-- Eu também concordo – Andre admitiu.

-- Sabe uma coisa que não aguento? – Irene perguntou inconformada.

-- O que? – Carlos perguntou curioso.

-- Não aguento quando me

perguntam quem é o homem na cama referindo--se e mim e a Regina. Homem na cama? Se nós somos duas mulheres como podemos ser homem na cama? Gente? Ignorância é algo que não me desce.

-- Isto é ignorância, burrice, maldade e preconceito, isto sim! – Joana comentou – Mas não perguntam isto só para vocês não. … batata, sempre que as pessoas vêem duas mulheres namorando a primeira coisa que perguntam é:

Quem é o homem e quem é a mulher? Meu pai do céu! E a gente ainda perde nosso tempo respondendo!

-- Eu não respondo mais a este

tipo de pergunta – Carlos comentou – Porque me perguntam direto isto. Olham para Andre e vem logo perguntar se eu sou o homem e ele a mulher. Bofe então adora perguntar. E as mulheres? Que tédio! Cansei disto! Agora mando logo se catar! Já passou de invasão de privacidade. Eu confesso que tenho pouca paciência com mulher.

-- Mas isto também é porque o povo acha que gays e lésbicas gostam de se exibir, pode reparar que é bem por ai! -- Nivia comentou atenta.

-- Ah gente sei lá, que é abuso é sim! – Joana sorriu lançando um olhar para Simone. Ela estava

entrando na casa. Ela levantou falando que iria ao banheiro.

****

Joana entrou procurando Simone. Ela estava na cozinha descascando quatro cebolas.

-- Quer ajuda ai? – Joana perguntou se aproximando dela.

-- Sim, seria ótimo! Você pode lavar essas oito batatas grandes aqui para mim?

-- Claro que posso! – Joana comentou sorrindo ao se aproximar dela – Você é boa de cozinha pelo que estou vendo.

-- Eu me viro. – Simone respondeu olhando as mãos dela quando pegou a batata passando a lavar naquele instante.

-- Não vai descascar as batatas? … só para lavar elas?

-- Sim. Vou assar com as casas.

-- Ah.

A água descia pelas mãos dela e

Simone estendeu sua mão deslizando pela dela suavemente. Joana sentiu o corpo reagindo na

hora. Estacou as mãos permitindo

a carícia da mão dela sobre a sua.

-- Suas mãos são lindas.

-- Você acha?

-- Acho.

-- São mãos comuns. – Joana comentou sorrindo sem jeito.

-- Não são não. – Simone respondeu chegando por trás dela. Colou seu corpo as costas dela gemendo em seu ouvido – Você é deliciosa.

--

As mãos enlaçaram a cintura de Joana enquanto ela roçava a bunda de Joana excitada.

-- Você me deixa ensopada. – Simone confessou no ouvido dela.

Sua boca mordiscou a nuca ao mesmo tempo em que passava a língua pela pele dela – Vamos ali ao banheiro um pouquinho?

-- Ai

Podem nos ver

-- Ninguém vai ver. – Simone respondeu lambendo a orelha dela. – Quero te dar uma coisa gostosa.

-- Ta. Coisa gostosa? Mal posso esperar. Espero--te lá – Joana falou sem aguentar indo rapidamente para o banheiro.

****

Simone entrou logo depois dela. Quando entrou Joana estava

encostada a parede. Seus olhos cintilavam tamanha era a excitação que ela sentia. Simone colou o corpo ao dela roçando seus lábios no dela. Mordiscou lentamente os dois, deslizando a boca sobre a dela. Passou a língua com sensualidade ao mesmo tempo que chupava os lábios mansamente. Suas mãos desceram acariciando os seios dela daquela forma carinhosa e excitante que tinha feito na primeira vez em que a tocou. Então ergueu os olhos mergulhando os nos de Joana. Olhou--a profundamente respirando com dificuldade neste instante. O desejo a dominava de tal forma, que não agüentou beijando--a em plena boca. A boca

de Simone era deliciosa, Joana constatou entregando--se ao beijo desvairada. Correspondeu sugando a língua dela fora de si. Quanto mais se beijavam mais adorava o beijo e mais roçava seu corpo contra o dela. Joana estava tão excitada que enlaçou o pescoço dela, trazendo--a mais para seu corpo. Pegou a mão dela levando--a até sua calçinha sem conseguir se controlar mais.

-- Ai

enlouquecendo, como você beija bem, que loucura de beijo, me deixou excitadíssima! Acaricia meu –

corpo. Toca gostoso em mim Joana pediu toda derretida.

Você está me

-- Joana? – Simone a chamou

confusa neste instante.

-- Ai gostoso demais. – Joana confessou rebolando contra a mão dela que estava parada sobre sua

calcinha – Quero sua língua, quero sua língua dentro de mim agora.

Chupa--me não é?

… isto que você quer

-- Ah? – Simone perguntou olhando as pernas dela se abrindo completamente surpresa.

Joana tirou rapidamente a calçinha diante dos olhos de Simone. Empurrou a cabeça dela até que ela abaixou ficando de joelhos a sua frente. Em seguida entre abriu as pernas roçando a bucetinha contra a boca dela.

-- Toma

Vem

Simone olhou as pernas entre abertas passando a língua nos lábios sequiosa. Uma vontade imensa de mergulhar a boca nela a dominou, mas ela recuou pegando a calcinha de Joana naquele instante. Passou por uma perna e pela outra a vestindo rapidamente nela. Joana a olhou incrédula perguntando chocada.

-- Mas o que você está fazendo?

-- Desculpe, não era isto que eu queria te dar, sinto muito. – Simone falou sem jeito afastando--se dela.

-- Meu Deus, mas

explodiu sem acreditar que aquilo estava acontecendo com ela.

– Joana

-- Desculpe--me Joana, você entendeu tudo errado

-- Ah entendi errado? Vai fazer hora com a cara de outra! – Joana perdeu a cabeça dando um tapa no rosto dela sentindo--se terrivelmente ofendida e rejeitada – Faz o favor de não contar para ninguém que rolou este beijo entre a gente porque vou negar até a minha morte! Fica longe de mim! – Avisou abrindo a porta e saindo correndo do banheiro sem olhar para trás.

****

Ela chegou ao quintal sentando agitada. Pegou seu copo de cerveja bebendo alguns goles. Regina percebeu a expressão irritada dela sentando do seu lado preocupada.

-- Joana? O que foi amiga? Aconteceu alguma coisa? Cadiquê essa cara fechada?

Joana a fitou abrindo um sorriso forçado.

-- Não aconteceu nada, está tudo bem!

-- … que ocê chegou aqui parecendo furiosa

-- Não foi nada. Essa linguiçinha parece deliciosa. – Comentou pegando uma e comendo de uma vez.

-- Tudo bem se num quer falar – Regina respondeu se erguendo e entrando na casa. Simone estava terminando de descascar a última cebola. – Oi Simone! Por modequê não pediu ajuda?

-- Não Regina, eu fiz em um minuto.

-- Joana esteve aqui? Ocês conversaram?

-- Sim, ela lavou as batatas para mim

-- E ocês discutiram dispois? Cadiquê?

-- Não discutimos não! Depois ela foi lá para fora. Quer que eu leve mais duas cervejas? – Perguntou fugindo dos olhos dela.

-- Deixa que eu pego, brigada! Simone?

-- Oi?

-- Aconteceu alguma coisa sim. Joana num está no normal dela, ela tá furiosa mesmo. Ocê avançou o sinal num foi? Tentou beijá--la a força, né? Só pode ser porque ela tá mordida demais.

-- Não, eu não fiz isto, claro que

não tentei beijá--la a força. Teve um beijo, mas foi com consentimento dela. Mas ela não quer que ninguém saiba, acho que tem vergonha de mim. Proibiu-- me de contar. Então não fala que te falei, por favor! Foi complicado, mas está tudo bem.

-- Complicado por modequê se não a forçou?

-- Porque foi

quero mais falar disto. Vou voltar

a cuidar da carne, está tudo bem.

Esquece deste assunto, por favor!

– Simone pediu deixando a cozinha.

Olha, esquece, não

Simone voltou para a churrasqueira preparando as batatas e as cebolas rapidamente. Colocou para assar tirando em seguida um espeto de carne que fatiou com agilidade. Levou até a mesa percebendo o olhar de Joana fixo em sua pessoa. Sustentou os olhos dela pegando a garrafa de cerveja sobre a mesa após deixar a travessa com a carne ali. Serviu um copo estendendo a garrafa e servindo o copo de Joana.

-- A cerveja está boa, não acha Joana?

Joana ficou olhando--a como se não acreditasse que estava puxando conversa com ela.

-- Vou sentar um pouco do seu lado. – Simone comentou indo para perto dela e puxando uma cadeira tranquilamente – Quer fazer um brinde Joana?

-- Brinde a quê? A sua cara de pau? Atrevida! Olha que estou uma fera com você. Me fez pagar o maior mico!

-- Você sabia que algumas casas têm sido assaltadas aqui no bairro? – Simone perguntou como se ela não tivesse dito nada importante.

-- … sabia! – Joana respondeu a contra gosto.

-- Não sabe quando a greve de vocês vai acabar? A casa da minha tia também foi assaltada. Essas greves da polícia deixam a população em maus lençóis.

-- Ah é? Você acha? Nós ganhamos um salário que não dá para pagar nem nosso velório se morremos, sabia disto?

-- O salário base de vocês é de dois mil e cem reais. Não está tão mal. Pior somos nós, eu e Regina ganhamos um salário mínimo e meio e não podemos fazer greve.

-- Você acha dois mil e cem reais muito para enfrentar bandido todos os dias? – Joana perguntou sem acreditar.

-- De fato é muito pouco. – Simone concordou pensando no perigo da profissão dela.

-- … por isto que fiz a prova para ser detetive. Quero ir para a divisão de homicídios. O salário é excelente. Se eu for vou “tirar o pé da jaca.” A questão é ganhar essa promoção.

-- De quanto é este salário?

-- Chora! Quinzes vezes mais o que eu ganho. Por ai, não tenho certeza do valor exato! – Joana contou animadíssima -- Se for fazendo cursos de especialização o salário vai só aumentando.

-- Nossa! Tudo isto?

-- Exatamente! Não entrei para a polícia pelo salário. O que eu sempre quis ser foi detetive. Mas para ser detetive tem que ser policial para passar por todos os treinamentos que a carreira de detetive criminal exige. Por essa razão optei por PM2. Para os homens é mais fácil, eles podem se alistar na Legião Estrangeira. Assim fica mais fácil encontrar uma vaga. Até fiz vestibular para direito e estudei até o segundo ano, mas não tive dinheiro para continuar pagando a faculdade. Por isto tranquei a matrícula.

-- Entendi. Mas se você tiver condições mais no futuro pode

terminar sua faculdade.

-- Exatamente! Se tiver condições eu termino mesmo.

-- Nós não ganhamos praticamente nada para aguentar grosseria de clientes quase dez horas por dia. O que complementa meu salário são os bicos que eu faço

-- Que bico que você faz? O de deixar mulher na mão? – Joana perguntou cutucando--a maldosamente.

-- Desculpe, mas não te deixei na mão. Te chamei lá dentro apenas para te dar um beijo.

Joana olhou--a surpresa enquanto bebia um gole de sua cerveja.

-- Só um beijo?

-- Sim, um beijo.

-- Devia então ter me parado quando viu que eu me entusiasmei. Também seu beijo nem foi grandes coisas! Já tive beijos maravilhosos! Beijos mesmo, não aquilo que você chama de beijo.

-- Você correspondeu ao meu beijo.

-- Lógico, ainda não estou morta.

-- Gostou tanto que se

entusiasmou.

-- Hahahahaha! Vai crendo nisto!

-- Ficou louca quando chupou minha língua

-- … meu fraco, uma língua me deixa assim, meio de pernas bambas – Joana comentou sorridente.

-- Qualquer língua?

-- Como qualquer língua? Está querendo me ofender?

-- Lógico que não. Acabou de dizer que língua é seu fraco – Simone comentou começando a rir.

-- Quando a língua está na sedinha me deixa louca mesmo. O que você está querendo hein Simone? Para quê inventou esse churrasco? Teve a oportunidade de me ter e não quis. Então qual é a sua?

Simone olhou para seu copo de cerveja ficando séria. O que queria mesmo era pegar a mão dela e beijar todos os dedos lindos que ela tinha, mas ali diante de todos ganharia um novo tapa.

-- Eu quero ir ao cinema amanhã à noite com você Joana. Você quer ir comigo? -- Simone perguntou criando coragem ao buscar os olhos dela neste instante.

Joana começou a rir sem aguentar. Mas ficou séria olhando--a novamente perguntando confusa.

-- Esta falando sério? Quer mesmo ir ao cinema comigo amanhã?

-- Estou sim Joana. Quero muito ir ao cinema com você.

-- Meu Deus! Faz tempos que não vou ao cinema. Nem lembro mais como é. As cadeiras ainda são aquelas desconfortáveis?

-- Agora são mais macias.

-- Melhor né? Porque ficar tanto tempo sentada dá até dor nas costas.

-- Depende da companhia, eu acho!

-- Sei lá. Mas e depois do cinema?

-- Podemos comer um pão com linguiça no barzinho do centro. O que você acha?

-- Pão com linguiça? Ainda bem que não falou em pão com ovo! Nossa Senhora!

-- A gente pode comer um hambúrguer ou um cachorro quente então. Fica melhor assim?

-- Melhorou. – Joana respondeu acendendo um cigarro agitada – Você tem carro?

-- Nem carro nem bicicleta.

-- Tudo bem, eu também só ando de ônibus.

-- Que bom que não se importa de ir de ônibus.

-- Por que me importaria? Ando a cavalo a semana toda. – Joana comentou divertida – Pelo menos não pego trânsito.

-- Eu sei! Você fica linda com aquela farda quando está montada naquele cavalo.

-- Já vi você me olhando quando passo perto do restaurante durante o expediente. O meu parceiro já notou seus olhares e

vive me gozando.

-- Não sabia, sinto por isto. – Simone comentou olhando--a encantada -- A forma como prende seus cabelos e a maquiagem que você usa, realça muito a beleza do seu rosto.

-- Está enchendo minha bola é? Quer ganhar confete?

-- Não, obrigada! – Simone respondeu sorrindo feliz – Quando você passa diante do restaurante até sento para apreciar o espetáculo. Você monta super bem. O sol brilha em seus cabelos refletindo nas lentes dos seus óculos de sol. Seu corpo acompanha os movimentos do

cavalo de uma maneira incrível, nem parece que você está se movendo sobre ele. Suas coxas firmes nem se mexem enquanto cavalo trota levantando poeira do chão. Até sua bota brilha impecavelmente enfiada nos estribos. Suas mãos seguram as rédeas com firmeza, mas sem fazer o menor esforço. Acho tão lindo.

Joana sorriu comentando admirada após ouvir as observações dela.

-- Não é difícil manter equilíbrio a passo. Você é uma boa observadora. As suas descrições foram muito interessantes. A polícia montada faz mais a

aguarda, para sorte minha. Não corro mais atrás de bandidos, mas já corri muito.

-- Um policial pode ser alvejado no chão ou sobre um cavalo. Para os bandidos é polícia então não querem nem saber.

-- … a pura verdade. Mas me diga, você anda lendo coisas sobre a polícia?

-- Muitos polícias almoçam no restaurante. Alguns são conversados e gostam de contar sobre as ações em que se vêem envolvidos. Enquanto sirvo as mesas escuto o que quero e o que não quero.

-- Também presencio muitas coisas desagradáveis e tristes no meu trabalho. Nada é um mar de rosas.

-- Será que as garçonetes de restaurantes luxuosos servem clientes melhores? Talvez pelo nível social mais elevado os clientes tenham mais gentileza. Será Joana?

-- Uma pessoa pode ter posição social, pode ter muito dinheiro e ser sem classe. Influência de algumas vezes e de outras não, acho que isto tem haver com caráter. Talvez com a criação e até mesmo com meio em que a pessoa vive. Dizem que educação vem de berço, também acho que é

assim.

-- Eu não sei, acho que se uma pessoa é educada ela continua educada sendo pobre ou rica.

-- Mas tem gente pobre que fica rica e passa a pisar em gente pobre. O dinheiro não faz bem para gente deste nível.

-- Eu nunca nem convivi com gente rica, falo de morar. Sempre morei na mesma casa. Só viajei para Santos e para o Espírito Santos.

-- Você foi para Vitória ou para Guarapari?

-- Fui para Guarapari de excursão

umas três vezes. Já fui duas vezes com Regina. Ela é ótima nestas viagens. … muito legal. Levamos frango com farofa para a praia. Isto é coisa de Mineiro. – Comentou sorrindo divertida – Regina é muito econômica. Compramos as latas de cerveja, colocamos no isopor com gelo e levamos para a areia. Você nunca foi?

-- Em Guarapari não, sempre fui para Cabo Frio! Adoro a praia do forte.

-- A praia do morro também é ótima.

-- Nunca foi ao Rio de Janeiro? A praia de Copacabana é demais.

Sem contar que o Rio é muito lindo.

-- Não fui não, mas com Regina só se viajava para Guarapari. Ela diz que se quiser ver mineiro é só ir à praia do morro.

-- O que ocês tão falando o meu nome ai? – Regina perguntou sentando ao lado de Joana.

-- Estou falando das nossas viagens para o Espírito Santo. – Simone contou animada.

-- Nossinhora! … tudo de bom! Falando nisto já tamos pagando a excursão à prestação. Ocê quer ir para conhecer Joana? Gente? Andre e Carlos? Vamos para

Guarapari com a gente? Vamos eu, Irene, Nivia, Simone e ocês, espero! Não aceito recusa! A casa que costumamos ficar é ótima!

-- Você lembra aquele ano que alugamos uma casa horrível? – Irene perguntou entrando na conversa – Fiquei boba!

-- Nem me lembre disto, ô saga que foi aquela viagem! Arrumamos outra casa bem longe da praia do morro. Andávamos igual gente morta de sede no deserto. Já começávamos a beber as cervejas em lata no meio do caminho para num desmaiar até chegar na praia – Regina contou divertida. – Ai Simone conheceu uma menina que tinha uma picape e que nos

buscava e levava todos os dias para a praia. Ocê deu uns amassos nela, num deu Simone?

O rosto de Simone ficou vermelhinho na hora.

-- Eu não. Não tive nada com ela. – Respondeu olhando de rabo de olho para Joana. Ela estava séria a fitando com ar de dúvida – Não rolou nada, foi só amizade de copo de cerveja, nada mais. Na praia a gente faz umas turmas boas para beber e divertir, só isto.

-- Pois é, só sei que aquela sua amiga salvou a gente!

Simone foi para a churrasqueira neste instante para fugir do olhar

intenso de Joana. Espetou duas carnes colocando na brasa. Neste instante ouviu a voz de Joana atrás dela.

-- Estou desconfiada que você seja uma pegadora.

-- Eu? Mas o que é isto? Jamais! – Simone comentou voltando--se para ela com um sorriso.

-- Cuidado que detesto mulher galinha!

-- Mas o que é isto Joana? Cruz credo!

-- Quer saber a verdade? Você é uma incógnita para mim. Mal te vejo em bares ou lá na praça onde

a turma se reuni sempre. Você simplesmente desaparece. Sei que trabalha no restaurante e que mora na casa que sua avó te deixou. Mas por onde anda e o que faz quando deixa o trabalho acho que ninguém sabe.

-- Ora, eu acabei de te dizer que faço bicos. Apenas corro atrás de dinheiro como tudo mundo faz. Com o salário que ganho manter minha casa e sobreviver não é fácil.

-- Faz bico em que?

-- Tipo motoboy entregando pizzas nos fins de semana.

-- Sei! E durante a semana?

-- Trabalhos esporádicos. – Respondeu desta vez pegando o copo de cerveja agitada.

-- Você não faz entrega de drogas não né?

-- Mas é claro que não Joana! Por quem me toma? Que absurdo!

-- Desculpe, mas se vou sair com você tenho que saber com quem estou saindo. Já vi muitos amigos e amigas policias se ferrando por andar com gente que não devia. O mundo está perigoso demais. Estamos vivendo em um tempo de gente que só quer levar vantagem. Prefiro não pisar em campo minado. Qualquer escândalo e eu

perco meu emprego, entendeu?

-- Entendi perfeitamente! Sempre que estiver comigo estará com Deus! – Simone comentou virando o espeto da carne tranquilamente.

Joana olhou em volta mordendo os lábios ansiosa. Seus olhos voltaram a observar Simone com atenção. “Será que ela sabe lavar roupa? Passar? Costurar? Costurar ela não devia saber, lógico que não!” Pensava sem deixar de analisá--la.

Simone começou a cortar uma carne mostrando para ela.

-- Olhe, tirei do jeito que você disse que gosta.

-- Obrigada! – Joana agradeceu aproximando e passando a comer alguns pedaços. Enquanto comia, observava como ela cortava com extrema agilidade.

-- Já trabalhou em cozinha de restaurante?

-- Já trabalhei em churrascaria. Pagavam muito pouco, por isto saí de lá.

-- Estou vendo sua agilidade com a faca.

-- Sou boa de cozinha. – Simone sorriu olhando--a por um instante.

-- Quem é que costura suas

roupas Simone?

-- Eu mesma. Costuras simples eu mesma resolvo. Reparos que dependem de máquina de costura mando fazer em lojas de consertos.

-- Ah! Que interessante! Quem te ensinou a costurar?

-- Minha avó! Ela me colocou numa aula de costura quando tinha dez anos de idade.

-- Isto é que é criação! Não existem mais avós como antigamente. – Joana comentou satisfeita – Bem, vou sentar com o pessoal. Sua carne está deliciosa.

-- Deliciosa como você?

-- Não fala assim que eu sinto um calorrrr. – Joana respondeu num tom debochado – Tchau atrevida!

O celular de Simone tocou neste instante. Ela atendeu na mesma hora.

-- Sim?

-- Oi Simone! Estamos precisando de você hoje. Sei que está no churrasco, mas é só para sair com ela para jantar e passear no shopping. Se puder ler depois para ela, você sabe que ela adora. Preciso sair com meu marido e vamos voltar tarde. Se ficar para dormir te pago uma diária

completa.

-- Está certo, mas só devo chegar ai depois das sete da noite. Tudo bem para a Senhora?

-- Está perfeito! Liguei para o asilo mais cedo e me informaram que você não tinha ido lá hoje por causa do churrasco.

-- De fato avisei lá. Algumas funcionárias costumam faltar e sempre me ligam para cobrir alguém. Então está combinado, pode me esperar. Tchau e obrigada!

Desligou colocando o celular no bolso. Viu neste momento o olhar atento de Joana vendo--a guardar

o celular no bolso. “Nossa! Agora ela não perde um único movimento meu.” Pensou acendendo um cigarro enquanto escondia um sorriso de satisfação.

****

No decorrer do dia foram ficando cada vez mais animados, tanto os homens quando as mulheres. Nivia tirou Simone para dançar a música “Ai Se Eu Te Pego.” Joana recostou na cadeira devorando o corpo dela enquanto ela fazia a coreografia com perfeição. Irene sentou perto dela neste instante comentando admirada.

-- Para quem não gosta de sapatão você está me

surpreendendo.

-- Que isto Irene? Eu hein! O que é bonito é para se ver. Só estou vendo a dança delas. Simone dança bem demais. O que é isto? Aquelas mexidas de quadril dela são de matar!

-- Não demora e você vai sentir tesão por ela! Quanto que você quer apostar Joana?

-- Vê lá! … ruim hein Irene! Mas não vou mesmo! Você sabe o que não é sentir nada por uma pessoa? Minha seda nem trisca! Porque uma mulher quando mexe com a gente tem o poder de nos excitar. Tipo agora, estou aqui a olhando dançar com essa

sensualidade toda e não estou sentindo nada! Nossa, mas é nada mesmo! Se fosse outra, confesso que eu estaria a perigo! Ai, ai Irene, você está redondamente enganada. Simone não me desperta o menor interesse. – Explicou dando um sorriso confiante.

Irene ergueu a palma da mão na frente do rosto dela pedindo com um ar de deboche.

-- “Fala para minha mão.” Aposto que ela vai acreditar em você. Vou lá virar a carne antes que queime porque ela agora caiu na dança. – Comentou levantando com o copo na mão.

-- Vai Irene! Vai e relaxa porque essa dança está boa demais – Joana respondeu sem tirar os olhos do corpo de Simone que estava dando um show de dança com Nivia e Andre agora – ‘ meu Deus! Essa mulher assim me acaba! Que coisa mais provocante e gostosa!

-- Oi Joana! E ai? A festa está ficando boa, né?

-- Regina do céu! Estava pensando nisto agora mesmo. Como que Simone dança bem! O que quê isto? Menina ela arrasa qualquer sedinha. Psiu! Não conta para Irene que falei isto, só pensei alto aqui.

-- Tá rolando um clima entre ocês num tá?

-- Hum? Não sei disto não. Quem está falando é a cerveja, não é culpa minha não.

-- Ah ta! … a cerveja que tá deixando sua sedinha louca, já vi tudo. Vem? – Regina comentou fazendo sinal para que ela fosse dançar também – Vem boba! Vamos nos divertir.

-- Se eu for

Se eu for dançar, ai,

ai, ai! Ah meu Deus! – Joana falou baixo consigo mesma – Estou ficando doida! Essa mulher está me deixando quente, mas

quente

controla enquanto é tempo! –

Toma juízo Joana, se

Falou se erguendo de uma vez. Foi para o meio do quintal onde estavam todos dançando falando para Regina com um sorriso – Dançar é bom demais, adoro!

-- Então se entrega Joana. Solta o corpo e deixa a loura falar – Regina aconselhou dançando animada na frente dela.

Estava tocando uma música sertaneja dançante. Joana soltou o corpo passando a dançar livremente. Estava assim quando sentiu duas mãos enlaçando sua cintura por atrás. Virou o rosto vendo Simone sorridente dançando atrás dela.

-- Me dá o prazer desta dança?

Joana virou para ela sorrindo animada.

-- Dou! Mas você dança é bem! Estou adorando seu show. Aprendeu a dançar assim aonde?

-- Ah por ai! Nas festas que vou todo mundo dança ai danço junto. Vou aprendendo com um e com outro. – Simone contou rodando-- a em seus braços com uma sensualidade que deixou Joana mais deslumbrada. Enquanto dançam Joana não entendia o que Simone tinha que a deixava cada vez mais acessa, surpresa e atraída por ela. Depois daquele dia em que a prendeu contra a parede do vestiário do restaurante não

parou mais de pensar nela. Sentia a ponta dos dedos dela ainda em seus seios. A boca em seu pescoço, em sua orelha e agora ardendo em seus lábios. Olhava para ela e tinha vontade de beijá-- la. Queria unir seus lábios e entregar seu corpo para ela. Sentia um desejo que não estava mais conseguindo esconder de si mesma. As emoções que brotavam dentro dela durante aquela dança eram inexplicavelmente inebriantes. Aquela incrível dança sensual em que seus corpos se roçavam enquanto rodopiavam pelo quintal estava sendo maravilhosa. O fogo da churrasqueira, os olhos de fogo de Simone devorando seus lábios, suas mãos passando pelo seu

corpo, agarrando e soltando sua cintura, a respiração dela diante de seu rosto, a boca resvalando pelo seu ouvido, às coxas firmes deslizando pelas suas, os seios colando--se aos seus, os biquinhos eriçando, a excitação a ponto de explodir praticamente levando--a a cometer uma loucura

Irene aproximou delas neste momento tocando o ombro de Simone.

-- Hei Joana? Agora é minha vez de dançar com Simone.

Irene falou quebrando o encanto

ao fazer Simone soltar sua cintura para sair dançando com ela.

Joana amuou ficando incomodada com aquela interrupção de Irene. No entanto André a puxou para dançar comentando observador.

-- Não faça essa cara de decepção. Todo mundo adora dançar com Simone. Ela dança super bem, é apenas isto!

-- Não sei do que você está falando.

-- Mulher, mulher! Olhando sua carinha foi como se tivessem tirado o doce da boca de uma criança. Somos amigas, não precisa disfarçar comigo.

-- Estou profundamente incomodada com isto Andre. Você me conhece e sabe que não sinto atração por lésbicas com aparências mais masculinas.

-- Ela não é sapatão e mesmo que fosse, o que tem? … uma mulher como você. Adora a mesma seda que você adora. … péssimo este preconceito que existe entre entendidas femininas e masculinas. Vocês se estranham. Não bastasse todo o preconceito que aguentam de todo mundo, ainda existe esse preconceito entre vocês.

-- … o mesmo preconceito que existe entre vocês homens mais

femininos e homens mais masculinos, só muda o sexo. Você sabe o que estou sentindo, não me critique, por favor! – Ela pediu angustiada – Lutar contra meus sentimentos não está sendo fácil.

-- Simone é a fim de você há muito tempo querida. Você é que sempre fez pouco dela. Mas agora inesperadamente ela conseguiu chamar sua atenção. O que ela fez para conseguir essa proeza?

-- Ela é a fim de mim há muito tempo mesmo? – Perguntou surpresa.

-- … sim e nunca escondeu isto de ninguém. Lá do salão eu a vejo sentando para te ver passar em

seu cavalo negro todas as tardes por volta das duas. Ela faz deste momento um ritual. Acende um cigarro devorando sua imagem com uma admiração que faz gosto de ver. Desde quando? Você não sabe? Você não a vê te devorando com aqueles olhos de fogo derramando paixão?

-- Nossa! Fiquei até arrepiada agora. – Joana comentou de fato sentindo o corpo todo arrepiando ao lembrar--se dos olhos lindos de Simone sentada vendo--a passar diante do restaurante.

-- … minha amiga, nós enxergamos só o que queremos ver! Quem disse que vida de pobre não tem encantamento?

-- Só porque monto naquele cavalo lindo? Ah Andre! Isto é uma bobagem! – Comentou sorrindo sem graça.

-- Amiga, deixa de ser desmancha prazeres! Você montada naquele cavalo mais parece uma visão destas que vemos nos filmes. Sabe? Tipo uma guerreira, uma princesa?

-- Agora você foi longe demais! Só rachando os bicos mesmo. – Ela respondeu desmanchando--se de rir dele.

-- Ah Linda! … assim que Simone te vê! Nem vem que não tem!

-- Ok! Tudo bem! Andre? Conhece uma daquelas meninas que disse que transou com ela?

-- Por quê? Vai querer alinhavar a intimidade dela com as outras?

-- Vou querer alinhavar nada, mas quero saber como ela é na intimidade sim. Elas não contaram por ai? Não colocam a boca no trombone? Então podem me contar também.

-- Fale com a Suzana, ela é mais conversada. Está sempre tomando cerveja no bar perto do salão. Paga uma cerveja para ela que solta direitinho à língua.

-- Vou pagar mais de uma para ela

me contar tudo.

-- Malvada!

-- Interessada me define melhor! – Sorriu rodando nos braços dele.

-- Carlos me traiu!

-- Não?

-- Foi!

-- Com quem?

-- Com um bofe lá da borracharia. Nem sei se usou camisinha. Estou que não me aguento.

-- Imagino! Mas vocês estão bem não é?

-- Dei na cara dele! Dei quatro vezes para ele deixar de ser franguinha. Quase terminei, mas ah, quer saber? Estou linda, vaporosa e má! Só eu que como ele agora! Está de castigo! Não dou, não mesmo! Está cortando um dobrado. Como diz a Regina:

“Mato o pau e mostro a cobra.”

-- Não, o ditado “é mato a cobra e mostro pau.” – Joana comentou sorrindo dele.

-- Eu sei, mas Regina fala ao contrário daquele jeito mineiro dela. Falando nisto ela e Irene estão passando por um aperto financeiro danado.

-- Estou sabendo. Já ofereci dinheiro emprestado para a Regina, mas ela não aceitou. Não tenho muito, mas sempre guardo algum na poupança.

-- Simone arrumou um bico para elas trabalharem em umas recepções da alta. Vou pagar as contas de água e luz que estão vencidas para ajudar.

-- Boa ideia! Vou pegar um dinheiro na minha poupança e pagar a viagem delas a Guarapari. Isto deve aliviá--las um pouco.

-- Vou fazer Carlos ajudar. Ele agora está perdido comigo. Vou pedir para Simone e Nivia ajudarem também. … só uma fase,

depois elas vão se estruturar. Estão pagando os móveis ainda. Montar casa não é fácil. Li no jornal hoje cedo que a greve de vocês vai acabar. Você leu também?

-- Li não! Leu aonde? – Perguntou feliz.

-- No “Estado de São Paulo” antes de vir para cá. Vocês conseguiram um aumento de quinze por cento. Melhor isto que nada.

-- Lógico que sim! Se eu não fosse tão controlada tinha passado um aperto danado.

-- Sua mãe ainda não fala com você?

-- Fala nada. Faz de conta que morri. Também, se depender de me casar com um homem para ela falar comigo não vamos conversar nunca mais. Sinto demais, mas minha vida é minha vida. Quero lá saber com quem ela deita?

-- E seu pai nessa história? Ele não opina nada?

-- Meu pai é um ébrio e não liga nada. Nem os chifres que toma ele se da conta. Estou vendo o dia que isto vai acabar em tragédia.

-- Nem me fala! Deus que te livre disto!

-- Amém! Mas os vizinhos são

fogo, né Andre! Qualquer dia alguém vai abrir a boca. Tragédia na casa dos outros é como abelha na sopa de pobre. Neguinho come sem sentir o gosto. Será que rico tem os mesmos problemas que a gente tem Andre?

-- Sei lá amiga, não acho que o problema de ninguém seja igual. Pode ser parecido, mas as circunstâncias são diferentes.

-- …, nisto pode até ser. Já chorei muito pela situação dos meus pais! Chorar não muda nada! Cansei de dar minha cara a tapa. “Quem muito abaixa o rabo aparece.” – Joana comentou sorrindo.

-- Você é engraçada! Vou dançar com Nelson agora. Depois sento lá na mesa com você para conversarmos mais.

Regina tirou Nivia para dançar mais animada agora. Nivia sorriu comentando baixo.

-- Simone está a cada dia mais louca por Joana. O problema é esse preconceito de Joana. Até comigo ela é meio arisca. Como saber como uma mulher é sem passar uma noite com ela? … difícil, isto!

-- Simone ta despertando o interesse dela. Num sei como conseguiu, mas Joana não tira os zóio dela.

-- Estou vendo e achando ótimo! Ah, aquela colega do exército que te falei na semana passada, lembra?

-- Lembro?

-- Me deu um agarro no banheiro ontem que perdi o centro do meu universo.

-- Uai! Foi mesmo?

-- Pois foi! Agora ela é louca, se pegassem a gente seriamos expulsas! Lá dentro não quero mesmo.

-- E ai? O trem rolou?

-- Rolou? Ta doida? Botei--a para correr. Quando estava vindo para cá hoje a vi sentada na varanda de uma casa. Nem sabia que ela era daqui. Mas ela é uma uvinha. Fico doidinha quando ela pisca para mim.

-- Podia ter convidado ela pro nosso churrasco.

-- Ah sei lá! Nem a conheço direito. Vou investigar mais sobre ela. Estou numa precisão que você não sabe. Até uns beijos já acalmavam minha falta.

-- Êta! Ocê ta numa falta mesmo!

-- E você e Irene? Estão felizes vivendo juntas?

-- Está delicioso! Ela é um amor comigo. Quando a gente mora junto é tudo tão gostoso.

-- Até vir à rotina. Não estou gorando, viver junto tem arte, você sabe né?

-- Sei sim, deixa comigo, eu me aprumo com ela!

-- Falando nisto trouxe um presente para você.

-- ‘pa! – Regina comentou olhando o envelope que ela tirou do bolso.

-- Depois você olha e não reclama. – Falou enfiando o envelope na mão dela -- Adoro você! Preciso ir

ao banheiro. Não demoro.

Regina foi dançar com Simone e Irene com Carlos. Joana sentou com Andre pegando mais uma cerveja.

Carlos desviou os olhos de Andre comentando sem graça com Irene.

-- Estou de castigo. Pisei feio na bola com Andre.

-- Pulou a cerca?

-- Pulei e ele não me perdoa. Na cama ainda rola, mas só cinqüenta por cento. Estou me sentindo péssimo. Pior é que ele está certo. Sem contar que ele ameaçou de me encher de chifre. Ai eu

enlouqueço. Sabe quando você erra e não pode nem se justificar?

-- Também distribuir comida fora de casa é complicado Carlos. Você queria o quê?

-- Queria nada, os tapas que ganhei na cara já foram demais!

-- Você tomou calado?

-- Tomei né, fazer o quê? Sem contar o vagabunda, galinha, vadia, safada, permissiva e por ai vai. Vou te contar, a gente mesmo que é que cria nossos problemas.

-- Será? Neste seu caso até concordo. Estou com problema no meu trabalho.

-- Ah é? Conta!

-- O gerente está me rondando. Sabe quando você vê que o cara está quase te agarrando?

-- Sei! Não acredito! Já contou para Regina?

-- Não porque começou há piorar essa semana, mas vou contar. Está ficando demais.

-- Estes homens também não sossegam o passarinho.

-- Olha quem fala! – Irene riu na cara dele.

-- Oh, mas é verdade! Se meter

com mulher entendida. Regina endoida com ele.

-- Se endoida, nem quero pensar.

-- Gente? Tô servindo sorvete. Quem quise pega na cozinha comigo. – Regina anunciou entrando na casa.

-- Meninas? Estou combinando aqui com Joana, no próximo domingo a bagunça boa vai ser lá em casa. Vamos fazer no terraço. Vaquinha de vinte reais lá no salão comigo. As compras ficam por conta de Irene e Joana. – Andre anunciou empolgado.

-- Andre? Mas e o almoço na casa de mãe?

-- Ora! Você almoça com sua mãe e quando voltar participa da bagunça. – Andre respondeu balançando os ombros.

-- Mas você disse que ia

-- Não vou mais! Diz para sua mãe convidar o Rico da borracharia. Assim ele aproveita e troca o óleo de novo para você. Dá uma geral uma revisão completa, sabe né?

-- Não estou a fim de bafão não! – Carlos avisou entrando na casa atrás de Regina.

-- “Ajoelhou tem que rezar” minha linda! Comigo é assim, não sou mulher de ficar calada! Não sou

mesmo!

-- Calma Andre! – Joana pediu segurando a mão dele – Não faz assim.

-- Ta! Eu paro agora que já fiz. Vingança boa essa de fazê--la passar envergonha. Safada que ela é! – Respondeu falando baixo.

-- Já vingou agora fica quieta.

-- Já estou me fingindo de morta. – Andre falou caindo na gargalhada.

-- Gente? Estou indo nesta! – Nivia falou acenando para Andre, Irene, Simone e Joana – A gente se vê domingo que vem na sua

casa Andre. Vazei! Beijos!

-- Churrasco bom vai ser no terraço lá de casa. Vou saracotear até! Ai meu Deus, essa minha vida de princesa me mata! – Andre comentou divertido.

-- Aposto que vai ser uma delícia o churrasco no seu terraço. – Joana respondeu beijando o rosto dele.

-- Você é muito linda! Vou pegar minhas coisas também. Meu blash, meu batom, meu kit maquiagem completo, meu lenço, meus óculos e minha bolsa fashion. As meninas estão cansadas. Você vai ficar? – Andre perguntou se erguendo enquanto recolhia tudo – Preciso fazer a linha fina! Vou pedir

desculpas para Regina!

-- Vai lá. Despeço--me de você na porta. – Joana combinou aproximando de Simone. – Adorei o churrasco. Qualquer dia fazemos um lá em casa também.

-- Vai ser ótimo. Combinado para amanhã? Te pego as sete na sua casa, posso?

-- Vem me buscar em casa? Que luxo! Claro que pôde! Boa noite e obrigada!

-- Obrigada você Joana, Tchau!

Depois que todos se despediram, Irene e Regina ajeitaram a bagunça, tomaram um banho e

foram deitar.

****

No dia seguinte ao meio dia Joana foi até o bar atrás de Suzana. Passou pelo salão para dar um beijo em Andre indo atrás da moça. Joana entrou no bar vendo Suzana tomando cerveja numa mesa sozinha. Pegou uma garrafa aproximando da mesa dela.

-- Oi Suzana!

-- E ai policial? Tudo bem?

-- Tudo bem! – Joana sorriu puxando uma cadeira e sentando diante dela – Podemos beber juntas? Cerveja para um só

esquenta rápido.

-- Manda ai!

Joana serviu o copo dela perguntando tranquila.

-- Está de férias?

-- Estou! Ou seja, estou sem fazer nada. Só butecando e olhando as mina! Semana que vem volto para o batente. Assim fico livre da falação da minha mãe na minha cabeça. Ela é do tempo que mulher não podia sentar em bar sozinha. Que isto? Isto foi no tempo que Carlota Joaquina foi embora do Brasil sem levar nem poeira no sapato. Desde que nós mulheres conquistamos nosso

espaço que isto acabou. Olha você ai, é da policia e ninguém estranha.

-- … verdade, as coisas mudaram muito, graças a Deus! Mas me fala ai, qual é a boa? Está pegando alguém?

-- Ih! Estou só na espreita. Só pinta ficante. Estou querendo namorar um pouco.

-- Achei que você estava namorando com Simone. Ouvi dizer que vocês estavam juntas.

-- Que nada! Bem que quis namorar com ela, mas ela não quis. Acho que ela gosta de uma mulher ai, mas ela não me deu a

real não.

-- Mas foi bom ficar com ela?

-- Nu! Bom é apelido! Quando ela quiser, a hora que ela quiser rola de novo. ‘, beija que é uma doideira. Na cama ela é melhor ainda.

-- … mesmo? Não me diga! Mas como que pode?

-- Nem te conto. A gente nem acredita porque ela tem aquele jeitinho que parece masculino, mas meu Cristo! Vai nessa! Engana viu! Ela é de uma doçura que papai não empresta para ninguém. Que quê é aquilo? Olha que ligo para ela direto. Ela é

delicada, gentil, mas não me dá outra chance. Mas vou morrer tentando.

-- Não acredito! – Joana comentou fazendo cara de boba.

-- Pode acreditar. Tive só uma noite com ela. Uma noite que não vou esquecer nunca mais. Ela tem um fôlego e uma pegada que não acreditei. Me pegou de um jeito que só faltou me virar do avesso. Até hoje foi a única mulher que me deixou de perna bamba.

-- Te deixou de perna bamba? Ai! Ai! Ai! Que coisa Suzana, como que a gente engana com as pessoas.

-- E não é? ‘! Nunca mais julgo ninguém pela aparência. Aquela ali se eu não tivesse vivido jamais iria acreditar. Mas enfim, ela não se deixa pegar. Tem também aquele lance das companhias que ela anda que acho estranho demais.

--

Que lance? Que companhias?

--

Ah eu costumo vê--la sempre

no shopping aonde trabalho com

cada madame rica! … cada carrão que as mulheres têm! Uma vez a

vi com uma velhinha. Na semana

seguinte estava com outra diferente. Sei lá, fiquei pensando se ela não fica com essas mulheres. Nú! Ela mata aquelas donas se for verdade. Não, porque tem que ter muita vitalidade para

encarar cama com Simone.

-- Será que ela transa com essas Senhoras? – Joana perguntou horrorizada. – Não é impossível!

-- Não sei! Até perguntei na noite que a gente ficou, mas ela desconversou na boa. Mas tenho minhas cismas. Sem contar o celular dela. Chama toda hora.

-- Quer outra cerveja?

-- Está podendo hein? Manda ai! Aqui não perde nem uma gota. Hoje em dia nem injeção dão de graça!

Joana buscou outra cerveja servindo novamente o copo dela.

-- Mas me conta direito como ela é na cama. Ela faz oral gostoso?

-- Faz muito gostoso demais.

-- Só ela que faz? Quero dizer, ela gosta também?

-- Gosta! Ela adora sexo oral também. Ela é exigente, sabe? Muito quente. Provocadora, sensual

-- Sensual?

-- Nú! Demais! Basta vê--la dançando que você tem uma ideia do jeito dela na intimidade. Um dia dancei com ela no baile Funk, ah que tesão que ela me deixou! Foi

nesta noite que transamos. Não deu outra!

-- Depois disto você não conseguiu mais ficar com ela?

-- Que nada! Só rolou porque tomamos umas cervejas e ela ficou alegrinha. Mas fui eu que a agarrei. Ela nem queria, mas no estado que eu estava não ia deixar passar. Não dou dez porque dez seria desmerecê--la.

-- Ah ta! Poxa, está na minha hora! – Joana comentou olhando para seu relógio admirada – Obrigada pela companhia! Outro dia a gente se encontra para tomar outra cerveja. Tchau Suzana!

-- Tchau! Obrigada pelas cervas. Papo doido o nosso. Tá valendo se quiser jogar conversa fora de novo! Até mais!

****

No fim do expediente Irene foi buscar sua bolsa no vestiário dos funcionários. Assim que se voltou o gerente estava parado atrás dela com uma expressão estranha.

-- Vem na minha sala Irene. Quero falar com você.

-- Pode ser amanhã? Estou com pressa agora.

-- Não, vai ser rápido. Só quero te

passar umas orientações.

Irene o seguiu a contra gosto. A bolsa estava pendura do ombro e ela o olhava de rabo de olho desconfiada. Foi como ela imaginou, assim que entrou ele encostou--se à porta falando exaltado.

-- Você está me deixando louco.

-- Que isto? Eu hein! Se for para isto me deixa sair porque não gosto de homem, nunca gostei e nem vou gostar!

-- Não gosta porque não provou. Vocês sapatões não sabem o que estão perdendo. Vem cá – Falou agarrando a cintura.

-- Hei! Sai pra lá crocodilo! Que falta de respeito. – Irene xingou empurrando--o de si. Ele bateu as costas contra a mesa e ela saiu correndo da sala sem olhar para trás.

-- Você está demitida! Demitida! Sapatão! Sapatão! Ta pensando o quê? Agredir seu superior dá justa causa! Você vai ver, vai ver só

Quando Regina entrou em casa, levou o maior susto ao encontrá-- la chorando. Irene contou a ela tudo que aconteceu aos prantos. Quando ela terminou Regina a levou para o quarto falando carinhosa.

-- Fica calma. Ocê precisa tomar um banho e vai deitar para relaxar. Vou te ajudar a vestir. Depois vou fazer nosso jantar.

-- Mas você não vai fazer nada não né amor? Promete que não vai.

-- Num me falta vontade, mas vou me controlar!

-- Então vou tomar meu banho.

-- Vai sim meu amor. – Regina sorriu beijando o rosto dela – Tá tudo bem, num fica tão tensa assim. Infelizmente aconteceu isto com ocê, mas tudo vai ser resolver. Cê tá assim agora e te entendo, mas espia que amanhã

vai ta melhor.

-- Ele me demitiu amor – Falou desesperada – Justo agora que estamos neste aperto, eu não sei o que vamos fazer agora. Além de estar me sentindo péssima, ainda sei que isto vai complicar nossa vida toda.

-- Irene? Esquece disto agora. Vem toma seu banho. Amanhã pensamos nisto. Sabe aquele filme “E O Vento Levou?” – Perguntou indo abraçada com ela para o banheiro.

-- O que tem o filme?

-- Uai! Naquele filme, a Scarlet sempre que tinha um problema,

falava exatamente isto: “Amanhã eu penso nisto.” Ocê vai fazer a merma coisa. Vai tomar seu banho, relaxar, jantar e dormir bem abraçadinha a mim? Cadiquê tô do seu lado. Ta bem?

-- Está bem amor.

-- Então toma ai este banho que vô lá fazer nosso jantar rapidinho. Se precisar de mim, me chama que venho numa carreira só.

-- Tudo bem.

Quando chegou a cozinha Regina fechou a porta encostando--se a ela desabando num choro que controlou ao máximo na frente de Irene. Sua vontade era de ir ao

supermercado naquele instante e voar em cima do ordinário safado que tentou agarrar Irene. Após chorar um pouco ela lavou o rosto depressa abrindo a geladeira e começando a fazer o jantar. Controlava--se a custo, mas sabia que tinha que manter a cabeça fria. Iria com Irene no dia seguinte no Supermercado. Se ela não fosse o safado poderia acusá--la de abandono de emprego. Se tivesse mesmo sido demitida teria seus direito reservados como todo trabalhador. Aquilo não ficaria assim, ele iria ver que não era o dono do mundo.

Regina terminou o jantar chamando Irene para comer. Ela apareceu com os olhos marejados

de lágrimas.

-- Fiz batata frita e bife que ocê gosta amor. Sente aqui comigo.

-- Sento sim – Irene respondeu sentando.

-- Sobrou cerveja. Que tomar uma comigo?

-- Adoraria!

-- Tá bom – Regina respondeu abrindo duas latas e passando um copo para ela. Sentou diante dela dando um sorriso – Se sente um pouco melhor?

-- Sim, obrigada – Irene respondeu bebendo um gole da

cerveja.

-- Liguei pra a dona do bufê hoje. Ela nos contratou para a primeira recepção. Vai fazer um teste com a gente. Se nus sairmos bem ela vai chamar sempre. Não é legal?

-- Sim, muito. Quanto ela paga?

-- R$100,00. Dá alimentação e o transporte.

-- Poxa! Por uma recepção? Nossa, está ótimo!

-- Némermo? Ela disse que costuma ter eventos durante o dia e a noite. Se conseguirmos vamos sair deste aperto logo.

-- Se trabalharmos em dois eventos ganhamos dobrado?

-- Claro! Cadiquê R$ 100,00 é o cachê por eventos.

-- Então está ótimo.

-- Na verdade a gente ganha é mal demais Irene!

-- Tô boba!

-- Moramos e trabalhamos na periferia! Mas gostei dimais.

-- Sei. Mas ainda assim estou achando que é muito dinheiro.

-- … mermo, mas pagam isto para a gente servi em festa. Quem dá

festa é rico e rico gosta de ser bem servido. Uma faxineira por aqui cobra de R$ 80,00 a R$ 100,00 a diária. Isto nu nosso bairro amor. No centro imagina quanto num cobram? E tem gente que paga numa boa. Eu num vou estudar mais. Terminei o segundo grau e quero apenas um emprego que possa ganhar um pouco melhor e fico satisfeita. Eu fiz o curso profissionalizante de garçonete no SENAC. Será que sonho pequeno? O meu sonho era viver com ocê. Era ter uma vida tranquila, sem estes aperto financeiro aqui no nosso cantinho. Porque essa casa é nossa, nóis a compramos. Estamos urrando para pagar, mas estamos pagando. Sou uma pessoa simples e num quero

todo o dinheiro do mundo, só quero o bastante para viver dignamente do seu lado.

-- Devem existir muitas mulheres como nós não é Regina? Que só querem um salário digno e um pouco de paz com seu amor. Não acho que você sonha pequeno, acho que é isto que te faz feliz. Muita gente quer ser doutor, doutora, isto e aquilo. Mas uma coisa já aprendi. Quanto mais se ganha mais se gasta. Status custa caro. Quanta gente anda por ai de nariz em pé devendo horrores em bancos e em cartões de créditos? Não quero essa vida para nós. Eu sempre fui pobre e não será agora que vou querer ser rica. Não quero riquezas, quero como você uma

vida digna. Esteja certa que lutarei com você para termos isto.

-- Que bom ouvi isto Irene. Ontem Nivia me deu R$ 200,00.

-- Por que ela te deu R$ 200,00?

-- Préstenção! Nossas amigas e amigos sabem do nosso aperto e decidiram nos ajudar. Andre falô que vai paga nossas contas de água e luz atrasada. Joana me disse hoje que vai pagar nossa viagem para Guarapari.

-- Gente, mas eles não tem obrigação de fazer isto.

-- Num tem, mas querem fazer. Num tô em condições de recusar

uma ajuda que eles decidiram dar por conta própria.

-- Como eles souberam da nossa situação? Você contou?

-- Mês passado pedi um dinheiro emprestado pra Andre. Tive que explicar o motivo. Precisei contar, uai!

-- Você não me falou que pediu dinheiro para ele.

-- Irene eu faço tudo para num te preocupar.

-- Eu sei, mas quero que você divida tudo comigo. Nós estamos juntas nesta Regina.

-- Eu sei. Mas ocê chora e sofre e eu sô mais objetiva. Por falta de dinheiro num adianta chorar, tem que arrumar o dinheiro e pronto. Roubar é que num vou! Pedi emprestado pra ele e já paguei com uma parte que ganhei das gorjeta.

-- Tudo bem meu amor. Você está certa, sou emotiva demais – Irene comentou pegando a mão dela e beijando. -- Eu amo você.

-- Eu também te amo Irene, amo muito. Acredito de verdade que vamos ficar bem. Agora vem, vamos deitar – Chamou indo para o quarto com ela.

Simone estava parada diante do portão de Joana na hora marcada. Ela saiu se desculpando neste instante.

-- Desculpe pelo atraso. Decidiram acabar com a greve e tive que ir à reunião no Sindicato dos Policiais Civis. Fui avisada na última hora. Estava uma loucura aquilo lá.

-- Tudo bem Joana. – Simone comentou olhando o vestido vermelho lindo que ela estava usando.

-- Podemos ir – Joana comentou fechando o portão e caminhando

ao lado dela. -- Volto ao trabalho amanhã.

-- Que ótimo! Vou poder--te ver passando – Simone respondeu animada.

-- Ah sim! Você gosta de me ver passando montada diante do restaurante. Vou voltar a ganhar gozeira do meu colega. – Joana comentou sorridente.

-- Pois é, não dá para evitar o espetáculo!

Elas continuaram caminhando por mais algumas ruas até chegar ao cinema. Simone comprou as entradas na bilheteria.

Olhou para Joana apontando o carrinho de pipoca diante do cinema.

-- Quer pipocas?

-- Quero sim, adoro pipoca!

Simone comprou dois pacotes entrando com ela no cinema. Sentaram e Joana comentou baixo.

-- Qualquer dia eu quero ir num daqueles cinemas lá de São Paulo. Dizem que as cadeiras são forradas com veludo. Deve ser um luxo! Você já foi a algum?

-- Já fui sim Joana. … tudo muito bonito e confortável.

-- … mesmo? Só vi em fotos de revistas e na internet. Engraçado que moramos tão pertinho e acabamos não indo.

-- Eu te levo quando você quiser, é só me falar! Você quer?

-- Vou adorar! Olha! O filme já vai começar.

Calaram--se prestando atenção no filme. Comiam as pipocas de olho na tela. Joana olhou algumas vezes para Simone disfarçadamente. Achou que ela tentaria beijá--la ou pegar na sua mão, entretanto ela não fez nada.

Quando elas deixaram o cinema

comentando o filme, na rua Simone perguntou olhando para o relógio.

-- Está com fome Joana?

-- Estou sim. Pipoca não enche barriga.

-- Ainda é cedo. Quer comer um cachorro quente antes de ir?

-- Quero muito! Vamos lá.

O trailer que vendia cachorro quente ficava na rua de baixo. Elas foram até lá comentando ainda sobre o filme. Quando chegaram Simone pediu duas cervejas e dois cachorros quentes.

Sentaram numa mesinha de ferro destas fornecidas pelas companhias de cerveja. Nem forro tinha. Joana passou a mão na mesa comentando baixo.

-- Nossa! A mesa está numa poeira danada. Não coloca os braços que vai te sujar.

-- Vou pedir um pano para limpar, espera!

Simone pediu o pano para o rapaz que atendia limpando ela mesma a mesa. Depois ela sentou comentando com um sorriso.

-- Temos que ser práticas. Ricardo trabalha sozinho e não dá conta de fazer tudo.

-- Eu sei e adoro o dogão que ele faz. – Comentou tomando um gole da cerveja – Está geladerríma! Sabe que gostei muito de ir ao cinema com você?

-- Também gostei de ir com você – Simone respondeu sorrindo para ela.

-- Não quero que ninguém saiba que estamos saindo juntas. – Joana comentou séria.

-- Por quê? … porque você me acha masculina, é isto?

-- Ah! … e não é! O povo vai falar e não quero fofoca com meu nome. Eu sou lady e o povo cai em

cima de quem anda com

-- Pode falar – Simone pediu olhando--a fixamente.

-- Oh! … o seguinte, eu sou lésbica sim, mas quero ficar com uma mulher feminina como eu. Eu não curto butche.

-- Você está sendo preconceituosa me julgando sem me conhecer – Simone respondeu tranquilamente.

-- Ah pêra ai né Simone! Eu gosto de mulher. Se uma mulher aparecer com um pênis de silicone na minha frente eu acabo com espetáculo. Neste ponto sou preconceituosa sim! Nem vem que

não tem!

-- Você fala como se soubesse tudo sobre mim – Simone comentou desta vez, sorrindo para o dono do trailer que apareceu entregando os cachorros quentes para elas.

-- Não sei tudo sobre você – Joana respondeu começando a comer o cachorro quente. Mastigou um pouco, depois comentou incomodada – Você andou com aquela Suzana e ela fala demais, viu!

-- … mesmo? Nunca usei uma coisa desta! Você está imaginando bobagens! Por acaso Suzana te falou que usei pênis de silicone

com ela? – Simone perguntou começando a sorrir – Isto é complicado, existem mulheres que falam demais. Gostam de se gabar. Não é correto fazer anúncio de intimidade.

-- Então você não devia transar com este tipo de mulher, oras!

-- Justamente por isto faz muito tempo que não transo mais. Agora me diga uma coisa Joana, porque você está tão preocupada com sexo e com o que os outros vão falar? Nós só viemos ao cinema. Não estou te entendendo.

-- Bom, se você não quer nada comigo então estou ficando doida – Joana comentou sorrindo desta

vez – Se tem uma coisa que conheço é de mulher Simone. Você pode estar indo devagar. Pode fazer essa linha de passo no mês que vem, mas sei o que você quer.

-- Curioso isto, porque também sei o que você quer – Simone respondeu comendo seu cachorro quente – Está uma delícia – Comentou colocando maionese – Bom apetite princesa!

-- Para você também – Joana respondeu mais relaxada.

Quando terminaram Simone levou Joana até a porta da casa dela.

-- Agora está segura. Adorei nossa

sessão de cinema. Tenha uma ótima noite.

-- Só isto? – Joana perguntou surpresa.

-- … tarde e temos que trabalhar amanhã.

-- Você podia pedir para entrar um pouco. Pede, vai! Quero muito que você entre – Joana respondeu chateada.

-- Se eu entrar na sua casa as pessoas vão falar mal de você. Não quero te prejudicar. … só por isto! Boa noite! – Respondeu descendo a rua decidida.

-- Mas

Então boa noite! – Joana

respondeu entrando agitada em sua casa.

Regina foi com Irene no dia seguinte ao supermercado. Assim que elas chegaram o gerente foi logo falando alterado.

-- Não tem nada para fazer aqui. Você foi demitida ontem!

-- Bom dia! – Irene respondeu educadamente – Vim pegar minhas coisas no meu armário. Sei que fui demitida, mas tenho meus direitos e vou levar minha carteira de trabalho nos recursos humanos da empresa. Não vejo porque procurar a justiça sabendo que

farão o acerto direitinho comigo.

-- Então vá logo pegar suas coisas!

Regina estava pé, de braços cruzados, olhando fixamente para o gerente com os olhos apertados.

-- Isto já não é problema meu! – Ele respondeu sem olhar para Irene.

Irene entrou e Regina falou para o homem com coragem.

-- A ofenda de novo! Chame minha muié de sapatão, chame!

-- Vou chamar os seguranças, isto sim! – Ele respondeu chamando

mesmo os seguranças.

Os dois rapazes apareceram na hora. Ao ver Regina eles pararam surpresos. O gerente ordenou irritado:

– Essa mulher está sendo inconveniente! Convidem a sair daqui.

Um deles aproximou de Regina falando gentil.

-- Oi Regina!

-- Oi Junior! – Regina respondeu sem olhar para ele.

-- Acho melhor

você sair

-- Num tô fazendo nadica de nada! Tô esperando minha muié pega as coisa dela. Ontem ela foi escorraçada, hoje ela vai sai sem ser molestada e muito menos desrespeitada!

-- Ninguém molestou ninguém aqui! – O gerente falou irritado.

-- Num molestou, mas tento! Ta achando que só porque é gerente pode agarra uma funcionária a força? Pode não sô!

-- Não sou obrigado a ficar ouvindo inverdades! Vou tomar um café até este circo acabar. Resolvam isto rapidamente! – O gerente ordenou saindo do supermercado.

Assim que ele saiu Regina murmurou entre dentes.

-- Cretino! Tarado!

Irene apareceu neste instante.

-- Podemos ir. Peguei tudo meu e já me despedi do pessoal. Nunca mais volto aqui.

-- Vamô amor! – Regina respondeu acenando para os seguranças e seguindo com ela. Na esquina ela falou preocupada – Vá pra casa e arruma toda a sua documentação e vá ao departamento de pessoal com eles. Te ligo mais tarde para sabe como correu as coisa. Preciso pega

o onzz. Tchau amor! Boa sorte!

-- Obrigada amor! Tchau!

Depois do almoço, Simone estava fumando do lado de fora do restaurante com Regina quando avistou Joana surgindo montada no cavalo com outro policial.

-- Olha para isto Regina. Essa mulher de farda é uma coisa de louco. Dá--me uma tremura. Uma vontade de pular na garupa daquele cavalo e levá--la para uma cabana. Ai meu Deus!

-- Joana é mermo muito charmosa

e elegante. Ela monta muito bem.

-- Fico pensando como ela deve ser na cama. Deve cavalgar feito uma amazona. Tenho tantas fantasias com ela que fico até sem rumo.

-- Vocês se beijaram ontem depois do cinema?

As duas acenaram para Joana neste momento. Ela estava passando diante delas. Ela inclinou a cabeça sorrindo para as duas seguindo enfrente.

-- Nem pensar, ela é cheia de preconceitos. Ela me disse que não gosta de butche!

-- Mas ocê num é butche! Onde

que ela arrumo isto?

-- Sei lá! Tenho um estilo masculino, mas isto não quer dizer que não seja feminina. Até as minhas cuecas são femininas.

-- Amiga! Comprei umas cuequinhas lindas na semana passada. Aquelas de modelo mais feminino. Nossinhora, mas estão cada vez mais caras!

-- O problema é o preço, mas vou comprando aos poucos. Agora vamos trabalhar por que a chefa já chegou ali na porta com a cara fechada.

-- Vamos lá.

A noite quando Regina chegou, Irene contou tudo a ela. O jantar estava pronto. Elas estavam sentando para jantar quando bateram na porta.

Joana entrou com um largo sorriso.

-- Tudo bem com vocês?

-- Tudo bem! Entra! Vem janta com noís.

-- Vou aceitar sim. Li sua mensagem sobre a demissão de Irene. Não respondi por que meus créditos acabaram.

-- Ela foi demitida sim. O pior foi o motivo. Aquele cretino

Joana sentou passando a jantar com elas, enquanto ouvia toda a história. Após saber de todos os detalhes, ela comentou aliviada.

-- Sua sorte é que não foi demitida por justa causa. Como não tem outra renda própria, vai ter direito as cinco parcelas do seguro desemprego. Até lá vamos tentar te arrumar outro emprego. Vou ajudar vocês no que eu puder.

-- Obrigada Joana! Mas me fala ai, você gostou de ir ao cinema com Simone?

Joana sorriu encolhendo os

ombros neste instante.

-- Ah eu gostei! O filme foi ótimo!

-- Você tá a fim dela?

-- Eu? Gente! Claro que não! A gente saiu tipo amiga. Comemos um dogão e tomamos uma cerveja. Ela me deixou aqui na porta de casa e foi embora.

-- Ela não pediu para entrar um pouco na sua casa? – Irene perguntou atenta.

-- Isto ela pediu! Pediu demais tadinha, mas não deixei! Sabe como é, o povo fala demais. Deus me livre de falarem que estou transando com ela. Porque o povo

inventa! O povo inventa demais!

-- Num tô entendo ocê Joana – Regina comentou confusa – Simone é lésbica. Ocê também é. Que preconceito que é esse?

-- Vai me tirar Regina? – Joana perguntou sem jeito.

-- Cê besta Joana! Espera ai né, Simone é gatinha. Ela é super na dela. Ela gosta docê. Não vejo problema ninhum. Por mode quê as lésbicas têm que ter este tipo de preconceito, hein?

-- Nós vamos discutir isto agora? Todo mundo tem preconceito Regina. Os gays têm contra nós e nós temos contra eles. Agora eu

gosto de mulher esbanjando sensualidade e Simone é meio butche.

-- Não é não! – Irene negou taxativa.

-- Gente? Por favor, ela é sim! Vocês são cegas? Basta olhar para ela. Ela

Uma batida na porta interrompeu a fala de Joana. Irene foi abrir. Simone sorriu dando um abraço nela.

-- Desculpe não ter vindo antes. Tinha um bico, mas vim correndo. Sinto muito pelo que aconteceu. Trouxe umas cervejas para a gente tomar. Você precisa se descontrair

– Falou entrando com ela.

Simone estava usando uma calça preta. A blusa era cinza, com um colete preto por cima. Estava de botas de bico fino. Ela estacou sorrindo para Joana.

-- Oi Joana! Que surpresa te encontrar aqui.

-- …! Vim dar uma força para as meninas – Joana comentou olhando--a de cima a baixo admirada.

Pela camisa de seda cinza pode ver o cordão de prata que ela usava. Os brinquinhos da orelha eram pequenos e discretos. O cheiro do perfume dela invadiu a

sala perturbando Joana. Ela olhou para a sacola na mão dela perguntando:

-- O que trás ai? Cervejas?

-- Sim. – Respondeu colocando a sacola sobre a mesa. – Posso colocar na geladeira?

-- Eu coloco procê – Regina ofereceu sorrindo para ela – Vou pegar os copos também. Essa cerveja litrão é tudo de bão. Lá em Minas tá fazendo o maior sucesso. Mineiro come quieto na redonda.

-- Aqui em São Paulo também está vendendo muito. – Simone comentou puxando uma cadeira e sentando perto de Joana. Suas

pernas roçaram sem querer. Joana consertou o corpo na cadeira pegando um cigarro agitada.

-- Eu também só compro litrão agora lá em casa – Joana contou virando para Regina – Para beber sozinha esquenta rápido, mas deixo na porta da geladeira.

O perfume de Simone ficou mais notável. Joana suspirou pensando na razão da simples presença dela mexer tanto com seus sentidos. Voltou olhando a boca dela. Ela usava um batom mais claro, mas que acentuava a boca deixando--a mais desejável. Uma vontade de beijá--la deixou--a mais incomodada.

Ela aceitou o copo de cerveja que Regina serviu agradecendo.

-- Irene? Irene?

-- Tem gente te chamando lá fora Irene – Joana comentou ouvindo os gritos vindos da rua.

-- Nossa Senhora! Acho que é meu irmão – Irene falou se erguendo.

-- Vou com ocê ver o que ele quer – Regina comentou saindo da casa com ela.

Simone olhou em volta para ver se estavam sozinhas.

-- Eu quase te liguei hoje – Contou se voltando para Joana.

-- …? Por que não ligou?

-- Não sabia se você iria gostar

-- Você não sabia? Claro que eu teria adorado se tivesse me ligado! Não percebeu como fiquei chateada por você não ter entrado ontem quando me trouxe em casa? Eu me senti uma boa se quer saber!

-- Mas você disse

-- O que importa o que eu disse? Não sabe que não se deve dar ouvidos para mulher confusa? Não percebe como estou confusa?

-- Sinto muito, eu não sabia que

estava tão confusa. Eu vim aqui ver as meninas, mas confesso que no fundo tive esperança de te encontrar por aqui.

-- Eu também tive esperanças de te encontrar aqui. – Joana confessou olhando para os lábios dela sem resistir – Você fica linda de batom. Meu Deus Simone, você ta pirando minha cabeça – Confessou perdida.

-- Não Joana! Não estou fazendo nada – Simone respondeu inclinando--se até ela. Roçou seus lábios murmurando baixo – Quer me beijar?

-- Não me enlouquece assim – Ela pediu num gemido.

-- Sua boca tem um gosto bom – Simone contou roçando novamente os lábios nos dela.

-- Ai meu Deus

agora prendendo o pescoço dela e beijando--a sem resistir mais. Ergueu--se na hora puxando--a para a sala. Lá colou suas bocas novamente beijando sem o menor

controle. Simone estava como ela, correspondendo ao beijo com loucura. Joana levou à mão a blusa dela excitada. Acariciou os dois seios dela gemendo sem

controle – Ah em mim

– Joana falou

Que loucura! Toca

-- Calma – Simone pediu roçando a boca no ouvido dela.

-- Vem na minha casa? Quero te sentir melhor – Pediu agarrada a ela – Estou que não me aguento

-- Então para transar com você eu sirvo?

-- Como é? – Joana perguntou surpresa.

-- Você me chamou de butche. Disse que gosta de menina feminina e agora está louca de tesão por mim? Só me quer para transar, por que você não fica com mulheres como eu.

-- Espera ai Simone – Joana pediu ansiosa – Está tudo muito confuso na minha cabeça. Sei lá, tipo você

me desorienta! Quero dizer, quando eu te beijo não faz diferença o que você seja, entende? … muito tesão! Muita pressão! Muita vontade! Estou louca para ficar com você. Sei que é uma contradição, por ter dito que não fico com butche, mas

-- Não tenho preconceito contra ninguém – Simone comentou desvencilhando dela – Se eu me apaixonasse por uma butche não teria problemas com isto.

-- Você não teria problemas? Como não teria problemas? Pois é muito complicado assimilar. Quero dizer, entender que eu possa me sentir atraída por uma mulher masculina não é fácil.

-- Joana? Eu não sou masculina! Sou feminina, sou feminina até demais. Agora, gosto de me vestir com liberdade. Roupa não faz uma pessoa. Se um machão se vestir de mulher ele vai se tornar mulher? Isto não tem nada haver. Você radicaliza o que vê. Não é legal descriminar as pessoas. Nós já sofremos tanto preconceito dessa sociedade aloprada, então acho que uma mulher pode até dizer que ela é butche. Ela pode se sentir um homem, vestir roupas de homem e ter até uma alma masculina, no entanto ela vai continuar sendo lésbica. Ela vai continuar gostando de mulher e sendo mulher. … assim que eu penso. Lésbicas gostam da

sedinha e pronto!

-- Não acho que eu tenha dito algo demais. Você não entende os meus sentimentos – Joana se defendeu sentida – Por acaso você tem visto a evolução da homossexualidade? Sabia que tem que procurar no dicionário gay para definir todas as categorias que existem agora?

-- Categorias? Não vejo assim, o que vejo é que estão rotulando as pessoas. Gays são os homens que se relacionam com outros homens e lésbicas são as mulheres que se relacionam com outras mulheres. Vestindo--se de homem ou de mulher, eles e elas gostam do mesmo sexo. Independente da

rotulagem, não tem como mudar essa realidade do nosso mundo.

-- Eu sei, mas a gente tem que entender o que é um crossdresser, Queer, Intersexual, Drag Queen ou uma Drag King. Por que me desculpe eu sei definir Gay, Lésbica, Travesti e Bissexual. Estes novos nomes vou ter que aprender. Eu não sei, por exemplo, qual é a diferença entre orientação sexual para identidade de gênero?

-- Ah não sabe?

-- Não eu não sei! Você sabe? Então me explica, por favor!

-- A orientação sexual é com quem a pessoa tem prazer, não é

mesmo?

-- Sim! E identidade de gênero?

-- Identidade de gênero é como a pessoa se sente, se feminina ou masculina. Tem haver com o sentir dela intimamente. Isto é identidade de gênero.

-- Onde você aprendeu isto?

-- Eu li Joana. Sou lésbica e leio tudo relacionado ao nosso universo. O que você falou ai que não está entendo é simples, nós estamos acostumadas com a sigla GLS. Gays, lésbicas e simpatizantes. Agora mudou para LGBTTTIAQ. Nós vamos ter que nos adaptar e entender do que

eles estão falando. Porque a gente começa a ter a impressão que estão falando Alemão – Simone sorriu neste momento perguntando – Não é isto que você fica pensando? Que estão falando Alemão?

-- Sim, porque cada dia aparecem novos nomes também para definir as lésbicas. Daqui a algum tempo se uma mãe perceber que a filha dela é lésbica, pode querer levar em um especialista para ele definir se ela é uma sapa, uma drag king, uma butche, uma franchona, Tomboy, Fancha, Tuxa, Tête, Bolacha, Dyke, Preula, Lesbian Chic, meu Deus! Não lembro os outros, mas têm muitos mais.

-- A maioria para mim quer dizer lésbicas mesmo, é que ficam inventando nomes diferentes. Isto sem contar o dialeto falado pelas lésbicas. Ficou complicado mesmo. Vamos terminar de tomar nossa cerveja, as meninas estão entrando.

-- Oiprocevê! – Regina entrou falando irritada.

-- O que houve Regina? – Joana perguntou aproximando dela.

-- O irmão de Irene ficou sabendo da demissão dela e veio me acusa. Pode uma coisa desta? Falô que a culpa é minha por que fui eu que a fiz vira lésbica. Alguém vira lésbica? Só na cabeça daquele

ignorante mesmo. Nossinhora! A primeira mulher que Irene transou foi Simone e eles nem chegaram, a saber, disto.

-- O que? – Joana perguntou chocada – Você foi à primeira mulher que Irene transou? – Perguntou incrédula.

-- Foi sim Joana, nós namoramos por quatro meses – Irene explicou tranquila.

-- Por que vocês nunca me contaram isto?

-- Uai! Num sei! Que trem doido que é este? Que importa isto agora? – Regina perguntou sentando agitada – Vamô esquece

este assunto porque num quero ficar pensando naquele chato. … dimái da conta!

-- Você é uma rebuciranda? – Joana perguntou olhando chocada para Simone.

-- Eu? Claro que não! – Simone respondeu surpresa.

-- Uai sô! Num sei o que é rebuciranda não gente! Que isso? – Regina perguntou sem entender.

-- São lésbicas que já ficaram com essa e com aquela. Tipo que já transaram com todas as amigas lésbicas. – Simone explicou pegando um cigarro – Namorei com Irene, só isto.

-- Você namorou com Irene. Já ficou com aquela Suzana e outra garota. Então

-- Joana para com isto. Simone é tranquila. Ela num teve todas essas muié que você tá pensando – Regina comentou buscando uma nova cerveja – Acontece que entre as lésbicas rola isto mermo de namora uma ex de alguém. Mas tamém nóis num somos tantas. Num existe muita oferta no mercado. Oiprocevê! – Completou rindo de Joana.

-- Sei disto, desculpa ai! Fiquei chocada com essa revelação de repente. – Joana comentou se controlando.

-- Tudo bem, esquece ai! – Simone respondeu pegando a garrafa e servindo o copo delas.

-- Vocês duas estão namorando? – Irene perguntou encarando Joana.

-- Não! Nós somos amigas, já falei para vocês.

-- Você acabou de ter um ataque de ciúmes. Só por isto que eu perguntei.

-- Ataque eu?

-- Presta atenção Joana. O passado das pessoas num importa.

-- Passado não importa? Não importa? Ah sei! Sei viu amiga! Não importa uma ova! Tem gente que o passado condena e muito! Vai nesta que não importa. Se uma pessoa é bandida e matou dez no passado não importa é? Ui! Ui! Ui! Olho muito bem por onde ando.

-- Que trem bobo que é este Joana? Você disse que é só amiga de Simone. Deixa de bobajada! Cêbêsta sô!

-- Mas este seu sotaque é de amargar – Joana comentou rindo dela.

-- Minha muié não reclama né amor? – Regina perguntou

beijando a boca de Irene.

-- Claro que não. Seu sotaque é muito fofo amor. Tem hora que não entendo, mas tudo bem.

-- Vocês estão lembradas no churrasco na casa de Andre no domingo? – Simone perguntou lembrando o convite de Andre.

-- Estamos sim, mas o clima entre os dois está daquele jeito que vocês viram. Minha amiga está fazendo Carlos cortar um dobrado. Passei no salão hoje e ela me contou que Carlos está tentando adoçar a boca dela de todo jeito. Carlos não sabe o que foi arrumar para ele. Andre é fogo. – Irene comentou.

-- Gente me explica este lance que eu não entendo entre os dois. Carlos é o tipo machão e Andre é

a mulher. … Andre quem come ele?

-- Segundo eu sei os dois comem

– Simone comentou – Assim Andre me disse um dia.

-- Uai! Tem muito homem por ai que é bonito, tipo musculoso e tal, mas que o pinto não acorda. Né?

-- O pinto não acorda? Acabou com eles! – Joana comentou caindo na gargalhada – Essa foi demais!

-- O homem num tem ereção

Joana, é isto! Num vamos rir disto não que é problema ruim de ter. – Regina explicou pedindo séria.

-- Achei graça do modo que você falou ai Regina. Mas o que a gente escuta é que os gays mais afeminados é que dá a bundinha né gente? – Joana comentou ainda confusa.

-- No geral é assim, mas tem exceções. Andre é uma delas. Vocês já assistiram filme pornô gay?

-- Eu não – Joana falou curiosa.

-- Nem eu – Irene também negou.

-- Eu já vi alguns. – Simone

comentou tranquila.

-- O que tem? – Joana perguntou mais curiosa.

-- Nestes filmes a gente vê os caras que o pênis não sobe. Geralmente ele sô chupa o outro. … disto que estou falando.

-- … mesmo? Não sabia. Ainda bem que com mulher não acontece essas coisas.

-- Uai, sei lá! Tem muié que nunca teve um orgasmo. Diz o povo que deve de sê esse trem de fundo psicolórgico. Cada um com seu problema. Só sei que na cama dá de tudo. Já ouvi fala de bandibicha que nunca beijou na boca. O cara

só procura para comer mermo. Principalmente homem casado.

-- …, mas tem homem casado que gosta é de dar. Disto a gente sabe muito bem – Simone acrescentou séria.

-- Também já ouvi falar disto. Eles viram bonitinho. – Irene concordou – Um amigo meu me disse que faz tempos que não fica com homem nenhum. Porque só aparecia homem casado a fim dele. E sempre ele que tinha que comer os caras. Depois era aquela relação de um lado só. Ele queria sair para jantar fora, ir ao cinema, fazer essas coisas simples e o celular do carro estava sempre desligado. Só aparecia quando

queria transar. Este tipo de relação ninguém agüenta por muito tempo.

-- Não vamos negar que sexualmente os homens são bem egoísta né gente. – Joana comentou olhando para o relógio.

O celular de Simone tocou neste

instante. Ela o tirou do bolso do blazer pedindo desculpas a elas para atender.

-- Alô?

-- Oi Simone! – Norma Santiago falou do outro lado -- Preciso de você. Minha irmã ficou muito deprimida e estranha depois daquele acidente. Não sei mais o

que faço. Não posso colocar a criada e a governanta para cuidar dela. Meu marido e meu irmão não sabem como fazê--lo. Só posso contar com você.

-- Sinto muito! Achei que ela estivesse melhor.

-- Não está não. Está muito pior. Você pode vir?

-- Irei sim. Até logo! – Falou desligando. – Gente? Preciso ir! – Simone falou olhando para elas – Apareceu um bico de última hora.

-- Ocê trabalha demais! Proncêvai? – Regina perguntou séria.

-- Eu sei. Vou fazer um bico. O

dinheiro é muito bom. Bem, então boa noite para vocês. Boa noite Joana!

-- Boa noite Simone! – Joana respondeu inconformada por ela estar indo embora de repente.

-- Vejo vocês amanhã! – Simone comentou saindo rapidamente.

Simone deixou a casa de Regina com o coração triste. Queria demais ficar mais tempo com Joana, mas não podia recusar aquele trabalho. Eram os bicos que completavam seu salário. A família Santiago sempre ligava

para contratá--la e eles pagavam muito bem. A irmã de Norma Santiago, Andréia havia sofrido um acidente de carro onde perdeu o bebê. Quando ela saiu do hospital dois dias depois tinha ficado por quatro noites seguidas fazendo companhia a ela, pois a família ficou muito preocupada. Tinha sido muito fácil, porque ela passou aquelas noites apenas dormindo. Aproveitou para ler um pouco e assistir televisão, quando não apagava na poltrona até o dia amanhecer. No último dia que esteve com ela, Andréia estava completamente apática.

Antes não tinha ninguém em seu coração, por isto ia sem sentir aquele aperto no peito que estava

sentindo agora. A verdade é que precisava de Joana em sua vida. Queria tê--la e nada a faria desistir dela.

Simone saltou do ônibus na esquina caminhando para a casa de Norma Santiago. Ela a recebeu agradecendo por ter ido e explicando o quanto andava preocupada com a irmã. Ela se recusava a sair do quarto e não queria falar com ninguém da casa.

-- Chamei você para que ela não fique tão sozinha. O médico receitou aquele tranquilizante, cuide para que ela tome e tenha uma noite tranquila. Talvez você possa ler para ela ou convencê--la a assistir um filme para distrair a

cabeça. Tudo bem?

-- Tudo bem dona Norma. Farei o possível para que ela se sinta melhor. Vou subir agora, com licença! Boa noite!

-- Boa noite Simone e mais uma vez obrigada por ter vindo tão prontamente.

-- Ok. – Simone respondeu subindo as escadas tranquilamente.

Assim que Simone entrou no quarto de Andréia Santiago, ela ergueu os olhos do diário em que estava escrevendo aliviada.

-- Você veio Simone! Bendita seja!

– Ela falou soltando o diário e

correndo até a porta. Trancou--a rapidamente voltando--se para Simone.

-- Boa noite Andréia! Vim assim que sua irmã me ligou. Como se sente?

-- Em perigo! – Respondeu

olhando para os lados assustada.

– Precisava de você por isto fingi

estar deprimida. Sabia que Norma te chamaria logo.

-- Do que está falando? Você está apenas passando por um momento difícil. Perdeu seu bebê, mas com o tempo vai se

conformar.

-- Eu rezo pela alma do meu bebê. Não tive tempo nem de chorar por ele. Você não faz ideia do que estou vivendo! – Ela respondeu indo até a janela. – Estou correndo perigo Simone. Preciso da sua ajuda.

-- Por favor, não fale assim. Vou te dar seu calmante

-- Não! Não posso tomar calmante. Se tomar ficarei indefesa.

-- Sente aqui. Vamos ver um filme. – Simone convidou pegando um DVD e colocando.

Andréia aproximou ajeitando--se na cama.

Neste momento fitou Simone falando baixo.

-- Ninguém sabe o que está acontecendo Simone. O acidente de carro que sofri, não foi um acidente. Tentaram me matar!

-- … mesmo? Mas quem tentou te matar? – Perguntou olhando--a sem acreditar no que ela estava dizendo.

-- Vou te contar, mas não poderá contar para ninguém! O pai do meu filho se chama Rutauske Gallar. Ele é um espião Russo que fugiu para não ser morto. Levou a

irmã que também era espiã, Caterina Gallar com ele. Rutauske fugiu da Rússia com códigos secretos. Ele os roubou assim que sofreu o primeiro atentado. Foi para a França onde viveu escondido por um mês. Então os dois vieram para o Brasil. Assim que chegaram se separaram aqui em São Paulo. Ela só ligou para ele duas vezes de um orelhão público, portanto não sabemos onde ela está morando. Eu o conheci num bar uma noite. Depois continuamos nos encontrando. Ele estava sempre tenso quando nos encontrávamos na rua. Um dia confessou quem era. Pediu minha ajuda e decidi ajudá--lo. Ele estava morando num Hotel no centro de São Paulo.

Por cinco meses pudemos nos encontrar com tranquilidade. Até que no mês passado ele foi localizado. Ele fugiu para não ser morto. Tomamos o cuidado de não mais nos encontrar e uma semana depois dois carros perseguiram o meu. Foi na fuga que perdi o controle e capotei meu carro. Não consegui mais falar com Rutauske, mas sei que estou correndo perigo. Eles devem achar que ele me deu os códigos para esconder. Por isto estão atrás de mim.

-- Não sabia disto. – Simone comentou olhando para ela surpresa sem entender direito a razão de estar lhe dizendo aquelas coisas.

-- Ninguém sabe disto! Fui proibida de contar para qualquer um. Tive que mentir dizendo que perdi o controle da direção.

-- Que coisa! Nunca ouvi uma história tão impressionante – Simone comentou sentindo pena dela. Devido à depressão causada pela morte do bebê ela devia estar tendo essas fantasias inacreditáveis.

-- … uma história impressionante sim, mas agora eles estão atrás dos códigos e matarão qualquer um que estiver no caminho deles para consegui--los.

-- Devia falar com a polícia

-- Se eu falar com a polícia Rutauske acabará morto. Ele só tem a mim para ajudá--lo.

-- Bem Rutauske?

A sua família sabe deste

-- Ninguém sabe disto, já lhe disse! … um segredo mortal! Nunca contei quem era o pai do meu filho!

-- Como conseguiu esconder por tantos meses isto deles?

-- Fale baixo! – Ela pediu olhando para a porta – Não foi fácil, mas Rutauske me ajudou bastante. Ele é espião, sabe como disfarçar--se muito bem. Você não faz nem ideia das habilidades de um

espião. Olhe, preciso demais da sua ajuda – Ela falou indo até a bolsa rapidamente – Pegou um pacote de dinheiro voltando para perto de Simone que a olhava admirada – Aqui tem vinte mil reais. Preciso que localize Catarina Gallar. Essa é a foto dela.

-- Como é? Não posso aceitar este dinheiro. Como vou achar essa Caterina numa cidade como São Paulo? Não sei fazer este tipo de coisa não Andréia!

-- Você não faz entregas de pizzas? Não trabalha como acompanhante de pessoas solitárias? Você é despachada, você vai conseguir sim Simone! … um trabalho como outro qualquer!

-- Mas é diferente isto Andréia. Concordo que tudo é trabalho, mas não sou detetive e não sei se essa história é real. Você passou por um colapso nervoso. Teve um acidente grave. Esteve apática, entrou em depressão, perdeu seu bebê e

-- Fale baixo! – Ela pediu agitada – Sei que você é lésbica! Caterina também é! Por isto acho que você poderá encontrá--la com mais facilidade nestes bares gays. Com essa foto vai reconhecê--la em qualquer lugar.

-- Está certo! Se eu aceitar o que faço se a encontrar? – Simone perguntou olhando para o dinheiro

confusa e tentada. – … muito dinheiro e não quero confusão na minha vida.

-- Rutauske dividiu os códigos com a irmã. Assim, se o encontrassem não poderiam matá--lo. O mesmo se daria com ela. Fez isto para proteger suas vidas. Eles querem todos os códigos de uma vez. Você precisa encontrá--la e convencê--

la a entregar os códigos para

salvar a vida do irmão.

-- Que história mais doida! Olhe

Andréia, estou com muito medo disto daí. Sou apenas uma garçonete. Esse negócio de

espiões e códigos me assusta. Só

vi essas coisas em filmes. Não

quero problemas com polícia e

muito menos estou querendo morrer. Além do mais, espiões não perdoam traições. Se for como nos filmes eles eliminam os traidores. Se pegarem este Rutauske e a irmã dele vão matar os dois

-- Ninguém vai saber que você está me ajudando nisto se você não contar. Eles não saberão de você. Seu silêncio será sua garantia de vida.

-- Meu Deus! – Simone falou assustada.

-- Pegue o dinheiro e a foto e guarde em sua bolsa. Eu jamais falarei seu nome para ninguém. Guarde este número de celular. … o único que tenho para fazer

contato com Rutauske. Mas só poderei ligar se conseguir os códigos para ele. … arriscado demais ligar atoa.

-- Estou achando isto muito arriscado – Simone comentou pegando o papel, o dinheiro e a foto com um suspiro – Eu acho que estou me metendo numa fria.

-- Escute bem uma coisa. Este assunto morre agora. Não te chamarei mais aqui até que Rutauske e a irmã estejam fora de perigo. Só volte aqui se conseguir os códigos. Nós nunca tivemos essa conversa se Rutauske morrer e a polícia se envolver nisto. Entendeu?

-- Sim. Entendi! Mas quero saber da procedência deste dinheiro. … dinheiro limpo?

-- Lógico que é dinheiro limpo! Este dinheiro é meu, do meu trabalho! Agora destranque a porta, por favor, e vamos ver o filme como se nada tivesse acontecido.

Simone mal conseguiu prestar atenção no filme. Aquilo era uma loucura. Como iria encontrar aquela tal Russa em São Paulo? Andréia não estava louca não! Ela não lhe parecia nem louca e muito menos perturbada. O dinheiro, a foto e o número do celular do tal Russo mostrou que ela estava falando sério. Mesmo assim,

passou parte da noite acordada naquela poltrona. Quando o dia amanheceu, foi ao banheiro sem fazer barulho. Quando voltou ao quarto Andréia sentou na cama sussurrando baixo.

-- Procure não fazer alarde mostrando a foto da Russa por ai. Só te dei a foto para você reconhecê--la. Tente encontrá--la no seu meio. Ela deve estar usando um nome falso. Boa sorte! Até breve!

-- Até breve! – Simone respondeu saindo rapidamente dali.

Nivia Ferreira deixou o quartel às

cinco da tarde conversando com Isabela Lopes.

-- Vamos Nivia? Nós vamos só tomar um chop. Minha amiga está me esperando ali no meu carro.

Nivia olhou para o carro vendo a mulher sentada ao volante, olhando para elas.

-- … a sua amiga Fernanda da qual me falou ontem?

-- … ela mesma.

-- Tudo bem, então vamos!

No carro Isabela apresentou

Fernanda para Nivia.

-- … um prazer conhecê--la! – Fernanda respondeu apertando a mão dela e ligando o carro.

-- O prazer é meu.

Fernanda voltou--se para Isabela perguntando com um sorriso.

-- Quer ir naquele barzinho entendido?

-- Nele mesmo. Vamos beber amigas! – Respondeu animada.

Regina e Simone estavam deixando o trabalho naquele

instante. Regina comentou observando Simone preocupada.

-- Ê aê? Ocê passou o dia acabrunhada. O que tá acontecendo?

-- Aconteceu uma coisa estranha demais Regina. Preciso contar para você. Temos que conversar num lugar reservado. Ninguém pode saber disto. Acho melhor não contar nem para Irene, ok?

-- Nossinhora! Quanto segredo! Ave Maria! Confófô num vô nem quere ouvi! – Comentou assustada.

-- Você é a minha melhor amiga! Não confio em mais ninguém para

dividir isto. Isto não é brincadeira. … algo muito sério! Vamos tomar um café rápido ali naquele bar. Tem um reservado lá onde poderemos conversar. … uma coisa muito perigosa!

-- Perigosa? Perigosa? Nossinhora Das Sete Dores! Cê tá doida? Vamô coisa o trem lá então!

Regina foi rapidamente para o bar com ela. Meia hora depois correu para o ponto onde conseguiu pegar seu ônibus que estava saindo.

Regina entrou em casa dando um abraço apertado em Irene.

-- Tudo bem amor? Cê passou

bem o dia?

-- Me ocupei com as coisas da casa. Lavei as roupas e arrumei a casa. Tirei a poeira como você gosta. Deixei tudo brilhando. Também fui ao departamento de pessoal do Supermercado. Eles confirmaram que fui liberada de cumprir o aviso prévio.

-- Aquele corno só te libero porque deve de ter ficado com medo docê comentar o que ele te fez com os funcionários. Mas tudo bem, já vi o nome de uma advogada do Ministério público hoje. Ocê vai processá--lo por assedio sexual. Cêbêsta sô!

-- Vou mesmo! Se ele acha que

vou me calar se danou!

-- Amor? Vamo dar umas vorta? Tem uns barzinhos novos que a gente nunca foi. Quero dar um role com ocê. Vamo aproveita que ocê tá livre e nos divertir um pouco. Sei o quanto ocê gosta de um barzinho. Némézz?

-- …, mas e dinheiro amor?

-- Vamo chama Joana e Simone. Rachamo a despesa e fica barato pra nóis. As meninas tão se curtindo, lembra?

-- Lembro sim. ”tima ideia! Adorei! Agora, elas estão mesmo se curtindo, mas Joana não admite nada na nossa frente.

-- Se ela se apaixona ela para com essa bobeira.

-- Para mim ela já está apaixonada. Ela fica vidrada em Simone. Ficou toda murcha ontem depois que ela foi embora. Você não notou?

-- Notei sim. Vô toma um banho. Convide Joana e vá se aprontando que num vô demora. Conta pra ela que Simone vai. Garanto que ela aceita na hora – Sugeriu sorrindo.

-- Pode deixar. Bom banho para você.

Assim que Irene fez e convite contando que Simone iria, Joana correu para se aprontar.

Elas desceram a rua juntas meia hora depois. Joana comentou admirada.

-- Mal acredito que vocês estão saindo durante a semana.

-- Simone conto que tem vários bares entendidos novos. Vamo conhecer uai! – Regina explicou olhando os ônibus que passavam naquele instante.

-- Acho doido! Por mim tudo bem! Se pintar bafão a gente sai fora, ta gente? Não posso ter problemas no trabalho. Essa vida é dura.

Custamos a arrumar um emprego. Depois que arrumamos temos que ter cuidado com o lugar aonde vamos. Quando pinta confusão saio de fininho. Já saí agachada de um baile onde rolou uma briga infernal. Nem Facebook eu tenho para não ter problema. Ou seja, a ficha tem que ficar limpa o tempo todo. Agora tomam conta do que fazemos até nas redes sociais. Brincadeira isto! Fora do local de trabalho podemos fazer que nos da na telha. Só que não é assim, tem cubão para tudo quanto é lado – Joana falava com as duas enquanto esperavam o ônibus. – Nós vamos para qual bar, hein?

-- Vamo ao “Juke Joint” na Rua Frei Caneca. – Regina respondeu

fazendo sinal para o ônibus que se aproximava.

-- Ah meu Deus! Andre já falou sobre este bar. Não é um que funciona em um porão? – Irene perguntou correndo para o ônibus com elas.

-- … este mermo! Simone tá nos esperando lá.

Elas foram conversando animadas até chegar ao bar. Assim que entraram Simone sorriu mostrando a mesa para elas. Joana sentou ao lado dela comentando feliz.

-- Que surpresa boa saber que te encontraria aqui.

-- Pedi a Regina para te chamar. Irene adora barzinhos e Regina resolveu se animar e sair mais essa semana com ela.

-- Vou adorar essas saídas – Joana comentou animada.

-- Vou buscar nossas bebidas – Simone comentou indo pegar as bebidas.

Após pedir as bebidas ela ficou parada esperando. Enquanto aguardava seus olhos corriam para todos os lados. Olhava todas as frequentadoras muito atenta.

Joana que a observava, teve a impressão que ela estava procurando por alguém. Quando

ela voltou para a mesa. Ela perguntou logo.

-- Você está esperando mais alguém?

-- Claro que não – Simone respondeu passando a cerveja para ela – Estava olhando as pessoas.

-- Você estava olhando as mulheres, isto sim! Não nego que gosto de olhar gente diferente, mas não sou taradona de ficar comendo a mulherada com os olhos não.

-- Você é muito perspicaz Joana – Simone comentou brindando na garrafa Long Neck dela – Não

estava olhando mulher alguma em especial. Estava olhando as pessoas, nada demais!

-- Não estava? Tudo bem! Só acho isto o fim! – Joana explicou acendendo um cigarro – Até admito que tenha muita mulher bonita por aqui. – Comentou olhando em volta. – Ah meu Deus! Aquela ali é a minha fecha! A delegada Denise aqui! OH! Ela é lésbica? Que coisa! Ela é casada e tem quatro filhos! Nunca se quer imaginei uma coisa destas. Nu! Tô boba! Não vou nem olhar! Não quero confusão não – Joana comentou voltando--se para Simone rindo a valer – Nem Facebook eu tenho e minha chefa é uma Pedagoga!

-- Pelo que estou vendo, tem várias Pedagogas aqui – Simone comentou rindo com ela.

Joana ficou conversando com Simone de costas para não ser vista pela chefa. Percebendo o constrangimento dela, Simone sugeriu que fossem para outro barzinho. Joana concordou na hora.

-- Preciso só ir ao banheiro antes de sairmos. Alguém quer ir?

Como ninguém queria ir, ela foi sozinha. Elas ficaram conversando, até que uma mulher aproximou da mesa dirigindo--se a Simone.

-- Oi linda! Quer dançar comigo?

Joana voltou neste momento ouvindo o convite da delegada. Simone se ergueu sorrindo para a mulher que era justamente a delegada Denise.

-- Desculpe, nós estamos de saída!

-- Ok! Tudo bem! – Ela sorriu em resposta se virando e dando de cara com Joana.

Elas ficaram cara a cara se olhando. Joana se recobriu do choque de dar de cara com ela cumprimentando como se não a tivesse visto durante o dia no trabalho.

-- Delegada Denise! Boa noite!

-- Boa noite policial Joana! Vem sempre aqui?

-- … a minha primeira vez delegada.

-- Eu também estou conhecendo hoje. Estou gostando muito deste bar.

-- Eu também gostei daqui!

-- Sei! – A Delegada respondeu a

olhando fixamente – Bom noite policial!

Boa

-- Boa noite delegada! – Respondeu olhando para as

amigas – Vamos gente?

Elas saíram juntas na mesma hora. Na Rua, Joana comentou levando a mão ao peito.

-- Vocês não fazem ideia como essa mulher é punho firme no comando.

-- Acho que para ser uma delegada precisa ser mesmo, né Joana?

-- Acho que sim! Também não vou julgar a forma de ser dela. Ser delegada não é fácil. Todo mundo julga a polícia. Se os ladrões atacam temos que prendê--los. Se prendemos a justiça solta. Ficamos neste impasse com a

opinião pública. O povo já não sabe quem é bom e quem é mau. Eu sei que estou do lado do bem, mas tenho a sensação que apenas eu sei disto! Aonde vamos agora?

-- Vamô pra outro bar. Vamô pega um táxi se não vai fica tarde dimais da conta. – Regina respondeu fazendo sinal para um taxista.

Neste instante na casa de Andre, Carlos estava azucrinando a cabeça dele querendo sexo.

-- Quando você ficou com aquele Lúcio eu não agi assim com você.

-- Pois é querido, mas quando fiquei com Lúcio a gente não estava morando junto ainda.

-- … a mesma coisa se você ficou com ele Andre!

-- Olha aqui Seu Carlos! Eu sou muito homem para assumir tudo que faço. Quando fiquei com ele eu te contei. Além do mais, tive o bom senso de transar de camisinha.

-- Ah? Agora você é homem? Como se você se comporta feito uma mulher?

-- Meu amor? A mulher está em mim! Sou uma mulher vibrante, excitante, liberada, correta, justa

e muito sensível! Minha alma é feminina, meu corpo é feminino, meu coração é feminino, minha cabeça é feminina, até o cheiro que exala dos meus poros é feminino! Sou uma mulher no corpo de um homem! … tão simples de entender! Na cama sou o macho quando você gosta e precisa. E sou a mulher quando você me quer mulher! Entende amor? Sou uma dualidade em um só corpo. Convivo muito bem com os meus dois lados. Sou muito bem resolvida! Agora quando levo chifre viro homem na hora. Tirando isto sou mulher porque ser mulher é a gloria! Você não pode negar que sou uma ótima esposa para você. Faço comidas deliciosas para matar sua fome. Também

dou para você com muita alegria, agora, me traiu, vai ficar querendo sim! Sou poderosa! Sei que sou poderosa! Os homens vivem atrás de mim. Esse rabinho aqui meu bem, todo mundo quer. Você não dá valor, sinto muito por você. ‘ e me deixa, porque estou fazendo a relação das coisas que vou comprar para o churrasco de domingo. Vê lá se vou para a cama deixar você roer a corda. Está enganada bonitinha! Se me trair de novo outros homens é que vão roer a corda comigo.

-- Era só o que faltava você ainda me ameaçar.

-- Não te estou ameaçando Carlos! Vê lá se vou ameaçar você meu

bem. Estou te avisando para você não vir depois me acusar de ser vadia, permitiva e indecorosa. Agora vai cuidar da sua vida que hoje não estou para ser abalada!

-- Mas Andre

-- Carlos pare com isto! Sei muito bem que você está doido para transar. Só que eu não vou transar com você hoje! Você sabe que eu detesto essa putaria que existe no meio gay. Você deu para aquele cara e deve ter comido ele também. Não gosto de nem lembrar! Tenho ímpetos de dar na sua cara sem vergonha de novo. … por isto que não frequento sauna! Porque detesto pegação! Não frequento estes lugares e você vai

transar com o mecânico da borracharia? Borracharia que fica no fim da rua onde tenho o salão? Ora! Seu assanhado!

-- Já te falei que nem sei como isto foi acontecer

-- Como que não sabe? Eu sei! Vocês abaixaram a calça e transaram. Vocês transaram dentro da borracharia. Está lembrando agora? Foi assim que aconteceu. Você fez sexo com ele! Fui cruelmente traída! Só faltou o povo todo da Rua ver esse espetáculo. Meu marido dando plantão na borracharia. Se a mulher daquele cara vier aqui na porta você se entenda com ela. Por que eu meu bem, não vou

bater boca com ninguém para te defender de safadeza. Você errou! Você que assuma seu erro. Agora vou para o banho porque fiquei abalada mesmo!

-- Andre? Espere! As pessoas traiem, isto acontece, me perdoa!

No segundo bar onde estavam Joana foi ao banheiro com Irene. Regina comentou na hora para Simone.

-- Joana tá achando que ocê tá procurando alguma muié. Disfarça! Olha com naturalidade pras pessoas. Pôquím sô!

-- Eu sei. E que nunca fiz isto. Nunca precisei procurar ninguém.

-- Essa história me assusta dimais. Eu aceitei, mas tô muito cabreira. Tô me sentindo num filme de espionagem. Parece inté coisa de filme mermo, eu e ocê procurando uma espiã Russa? Bilisca eu pra eu vê se é verdade mermo. Num sei não!

-- Temos que achar logo essa mulher e esquecer deste assunto.

-- Estes códigos, o que ocê acha que são?

-- Não faço à menor ideia, mas deve ser coisa muito importante

para estarem atrás deles deste jeito meses depois que os dois fugiram da Rússia.

-- Essa Russa deve fala nosso idioma num é? Bom, porque nóis duas num falamo Russo e daí se ela num fala nossa língua danou-- se.

-- Segundo eu sei espiões falam vários idiomas. O fato é que espiões estão sempre sozinhos. Se algo lhe acontecer não terá ninguém para ajudá--lo. Pode morrer a qualquer momento. Por isto dificilmente casam ou se relacionam com alguém amorosamente. O Russo deve ter se envolvido com Andréia como um disfarce, justamente porque

não iriam procurar um homem com um caso amoroso.

-- Ave Maria Simone, ocê num tá cum medo não? Esse trem vai caba virando um rabo de foguete.

-- Estou sobressaltada, não posso negar.

-- A cabeça desta Russa tá a prêmio e a nossa tamém se alguém soube, né? Crendeuspai! Mas esse dinheiro vai me ajuda em tantas coisas. Deus queira que num morra ninguém. Se vier alguém atrás de nós vamô nos defende com o quê? Com uma vassoura? E se tivermos que fugir? Vamo fugir pro pondiôns?

-- Não pense nisto! Temos só que encontrar a Russa e acabar com isto. As meninas estão voltando. – Comentou sorrindo para Joana e Irene.

-- Estou ficando com sono e temos que trabalhar amanhã, já são uma da manhã – Joana comentou olhando para o relógio.

-- E mêss! Vamô pega um táxi. Porque onzz uma hora desta vai demora a passa – Regina concordou pegando sua bolsa.

****

O ponto de ônibus estava deserto,

mas conseguiram um táxi em seguida. Um táxi dividido por quatro pessoas ficou bem barato. Quando desceram na rua delas, Regina e Irene beijaram as duas entrando na casa.

Simone sorriu para Joana falando baixo.

-- Está entregue. Tenha uma boa noite!

-- Assim? Sem um único beijo? Não vai nem me deixar cheirar este seu perfume delicioso de perto? – Joana perguntou pegando a mão dela.

-- Você mesma disse que estava tarde.

-- Não é tarde para um beijo – Ela sorriu puxando Simone com ela para dentro.

Simone entrou com ela sentindo o coração acelerado no peito. Joana fechou a porta voltando--se para ela ansiosa.

-- Você está me dando um castigo danado. Não vê como vivo seca em você?

-- Já falamos disto Joana – Simone respondeu olhando--a colar o corpo ao seu.

-- Este é o nosso problema, andamos falando demais. Toca em mim, toca – Pediu roçando o corpo

no dela.

-- Eu não quero nada assim Joana

-- Não quer nada assim por quê? Não gosta de sexo? Estamos a fim uma da outra. Qual o problema?

-- Uma transada e acabou? … isto que você quer Joana? – Simone perguntou olhando para os lábios dela hipnotizada.

-- Eu quero você! Seu perfume é delicioso demais. – Joana confessou lambendo a orelha dela – Estou louquinha para ser sua. Não banca a difícil, por favor.

Simone beijou--a neste instante

sem segurar mais o desejo. Suas línguas sedentas perderam--se uma na outra de forma gulosa.

Ali na sala seus corpos se colaram enquanto elas gemiam desnorteadas pelo desejo. Porque naquele instante a única coisa que sentiam era o desejo gritando dentro delas. Simone empurrou Joana contra a parede beijando--a mais avidamente. Chupava sua língua alucinadamente. Desceu as mãos até os seios dela acariciando--os afoita, então afastou puxando o vestido dela pela cabeça.

-- Ai

Assim! Fica bem louca que

vou dar muito para você Simone. Você esta me deixando doida,

ensopada, oh

-- Ta doida de tesão? Eu também estou! Quero você Joana! Quero muito te tocar – Simone confessou descendo a mão até a calcinha dela. Simplesmente parou olhando para baixo e a rasgou de uma vez.

-- Oh! Meu Deus! Minha calcinha

nova

peça minúscula caindo rasgada ao chão – Ohhhhh! Você me quer nua, né? Delícia! Vem! Vou dar o que você quer – Pediu rebolando o corpo no dela.

– Joana falou olhando a

-- Vai dar sim. Vai dar bem gostoso. Não me provocou? – Perguntou tirando a calça comprida e a calcinha

rapidamente. Em seguida arrancou a blusa prometendo – Então vou te dar o que você quer agora.

-- Provoquei sim! Vem que eu aguento. Você é bem selvagem,

hein? Pega com força, gosto disto. Gosto que me agarre com força e que me use, me chupe, assim que

gosto de transar. Ai gostosa

Que boca

Joana gemeu sentindo a boca de Simone indo a cada hora em um dos seus seios. Neste instante Simone a puxou para o chão e Joana caiu sem conseguiu se apoiar batendo as costas no piso.

-- Oh! Aiiii! Meu Deus! Calma ai Sem tanta afobação. Não vou fugir

não – Ela riu vendo Simone montando em seu corpo. Mordeu a boca de Joana sussurrando no seu limite.

-- Aiii! Eu te quero mulher. Te quero agora! Ai! Gostosa! Vou te chupar toda!

-- Oh! Eu quero, eu quero. Eu

preciso, eu quero

gemeu vendo--a descer abrindo suas pernas afoita.

– Joana

Simone a olhou falando bem safada.

-- Noite de estreia Joana! Vamos empatar. – Falou girando o corpo e oferecendo a bucetinha a ela. Em seguida mergulhou na de Joana

passando a língua excitada e quente com um prazer que não escondeu.

-- Oh

Ah

Noite de estreia? Não

conhecia essa – Joana gemeu falando. Então a agarrou pela cintura, puxando o corpo dela e a bucetinha para sua boca. Mergulhou a língua nela vibrando de prazer ao sentir a língua que a chupava desvairada.

-- Oh

e a chupava ao mesmo tempo.

Oh

Ah

– Joana gemia

Simone girou o corpo com ela neste instante, confundindo--a. Joana não entendeu o que ela estava fazendo. Ela queria ficar por baixo de Joana para chupá--la

melhor.

-- Não! Não foge

confusa sem entender o que ela estava fazendo.

– Joana pediu

Mas Simone deitou empurrando o rosto dela para o meio de suas pernas enquanto mergulhava a língua dentro dela novamente.

-- Ohoh gozar

aguentando mais

gritou sentindo o prazer vindo louco neste instante.

Eu já vou

Já vou

Aiiii

Não estou

– Joana quase

Simone percebendo que ela estava perdida gemendo sem chupá--la, tratou de dançar contra a língua dela para ir junto. Joana explodiu

gozando intensamente.

-- Ah Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa aaaaaaaaaa

--

Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

Joana rolou para o lado dela, recuperando a respiração ofegante. Olhou para Simone vendo o sorriso lindo nos lábios dela.

-- Nossa! Essa coisa de estreia foi ótima. Adorei! Gostei de empatar – Comentou rindo com ela.

-- Não acha que deu empate? –

Simone perguntou beijando a boca dela com desejo.

-- Acho sim! Você é deliciosa Simone.

-- Deliciosa é você. Quero mais! Vamos para sua cama. Noite de estreia tem que ser com muito prazer – Convidou erguendo abraçada com ela.

Joana foi para o quarto com ela excitadíssima. Deitou na cama puxando Simone para cima de seu corpo. Neste instante o som de tiros na rua chegou até elas.

-- Ah meu Deus! – Joana gemeu caindo em si.

-- Que droga! Daqui a pouco isto aqui vai estar cheio de policia – Simone comentou afastando dela – E melhor eu ir.

-- Você está certa. Dá--me só mais um beijo aqui. – Pediu puxando--a para seus braços.

Elas beijaram--se por mais algum tempo e Simone acenou saindo rapidamente do quarto. Deixou a casa dela olhando para os lados na rua. Um grupo de pessoas em volta de três corpos caídos ao chão.

-- Vocês viram quem atirou?

-- Alguns rapazes! Eles correram para aquele lado – Uma mulher

contou aproximando para ver melhor os corpos estirados ao chão.

-- Já chamaram a polícia.

-- Deve ter sido por vingança

Simone desceu a rua dobrando a esquina. Seguiu rapidamente para sua casa que ficava a cinco quarteirões dali. Quando entrou, trancou a porta indo rapidamente para seu quarto.

****

No dia seguinte Regina comentou com Simone sobre o tiroteio na rua. A madrugada tinha sido barulhenta com a movimentação

da polícia e dos curiosos no local do crime.

-- Na hora que ouvi os tiros pensei: Vamu te que picá mula! – Regina contou olhando--a apavorada.

-- Deixa disto Regina! Aquele tiroteio não teve nada haver com a gente. Além disto, como iriam nos achar? Relaxe! Você precisa se acalmar.

-- Tudo bem, tô tentando relaxa. Nem falamo, hein? Aquela delegada ontem ficou a fim docê.

-- Nem me fale. Ela me olhou de um jeito.

-- Nossinhora e ela tem porte. Viu a elegância dela?

-- Claro que vi! De polícia já basta Joana. Estou apaixonada por Joana. Ela é a única mulher que me interessa. – Comentou pegando a bandeja com as travessas para servir uma mesa.

-- Chega de conversa ai na hora do trabalho moças! – A dona do restaurante falou aproximando delas neste momento – Os clientes estão esperando! Vamos com isto! Vamos!

Regina olhou para Simone comentando baixo.

-- Cê besta! Vamu trabalha.

Tiquimdinada que a gente ta aqui e ela já começa a xinga. Crendeuspai nessa patroa!

Quando deixaram o trabalho Simone e Regina foram direto para casa. Combinaram de encontrar em um bar duas horas depois.

Regina entrou em casa sorridente. Abraçou Irene beijando--a na boca excitada.

-- Senti saudades docê.

-- Eu também senti amor.

-- Vamo sai, mas antes eu quero ocê. Vem – Regina chamou indo para o quarto com ela.

Regina deitou com Irene arrancando as roupas excitada. Elas rolaram na cama amando--se loucamente.

Meia hora mais tarde Regina se afastou dela com um sorriso.

-- Agora eu consigo sai com ocê sem ficar louca pra te pega. Vamo toma um banho? Num se esquece de pegar a toalha tradaporta.

-- Quando você vem com este sotaque tenho que pensar direito para entender o que você está falando.

-- Oiprocevê. – Regina respondeu rindo dela a caminho do banheiro.

****

Neste momento Joana estava preparando para deixar o trabalho. Terminou de se trocar, quando a policial Claudia entrou para lhe dar um recado.

-- Joana? Já soube da novidade? -- Não! Que novidade?

-- Quatro polícias foram promovidos a detetives hoje. Seu nome está entre eles!

-- O quê? Eu consegui? Não acredito! Que maravilha!

-- Faz quanto tempo que você fez a prova escrita?

-- Quase dois anos! Que surpresa incrível!

-- Parabéns! A delegada Denise está te chamando na sala dela agora.

Joana entrou na sala da delegada ainda sob o impacto da notícia que recebeu de sua promoção.

-- Policial Joana! – A delegada a cumprimentou apontando uma cadeira para que sentasse.

-- Obrigada! – Respondeu sentando.

-- Já soube da sua promoção?

-- Acabei de saber!

-- Parabéns!

-- Obrigada!

-- Você vai para a divisão de homicídios. Era essa divisão que almejava?

-- Sim delegada, essa mesma!

-- Eu também estou indo para a divisão de homicídios. Espero contar com a mesma dedicação sua por lá que teve enquanto foi policial aqui.

-- Com toda certeza! Mal posso acreditar.

-- Você fez por merecer essa

promoção. Como deve saber vamos trabalhar em casos de homicídios, lesão corporal, tentativa de homicídio, chacinas e todos os crimes contra a vida. Como pode ver, será algo bem diferente do patrulhamento de ruas a que está acostumada.

-- Já trabalhei nas ruas delegada. Estou na corporação há três anos.

-- Sim, eu sei! Analisei sua ficha. Falando nisto, vi que trancou a matrícula no segundo período de direito. Poderia terminar essa faculdade agora. Isto irá te dar mais chances de subir dentro da corporação. Converse com o pessoal que estou certa que vão te dar ótimas dicas.

-- Farei isto com toda certeza!

-- Era apenas isto! Pode retirar seus pertences daqui amanhã cedo e se despedir de seus colegas. Até amanhã e novamente meus parabéns!

-- Obrigada e até amanhã!

****

Joana chegou sorridente ao bar onde Simone, Irene e Regina esperavam por ela.

-- Gente vocês não vão acreditar! Fui promovida a detetive. Adeus patrulhamento de ruas! Vou trabalhar com o que eu sempre

quis. Vou investigar homicídios.

-- Isto significa ver presuntos todos os dias? Eu não sirvo para isto – Irene comentou admirada.

-- O que não serve para mim é patrulhar ruas. Vou sentir falta da égua que monto.

-- Vai trabalhar de carro agora?

-- Vou! Só assim mesmo para pobre andar de carro – Ela comentou sorrindo com elas.

-- O salário de investigador criminal é excelente. Meus parabéns! – Simone comentou feliz por ela.

-- Obrigada Simone! Você não faz ideia como estou feliz. Faz dois anos que fiz a prova. Já estava perdendo as esperanças. Acho que tive uma forcinha da minha delegada. Detalhe: Ela vai chefiar a divisão de homicídios para onde estou indo. – Contou sorrindo mais agora. – O pior neste caso é que tenho um pressentimento.

-- Acha que foi porque ela descobriu que você é lésbica?

-- Deixa pra lá! Não quero pensar nisto porque não quero me chatear. – Respondeu chamando a garçonete e pedindo uma rodada dupla de cerveja. – Hoje vamos só comemorar.

****

Aquela noite foi animada e festiva. Elas foram ainda para mais dois bares. Regina e Simone embora se divertissem curtindo a noite e as conversas animadas, observavam todas as mulheres que entravam e saindo disfarçadamente.

Elas saíram também na quinta e na sexta--feira. Simone evitou ir até o portão de Joana para evitar maiores intimidades.

No sábado Simone levou o maior choque quando passou pela banca de revistas próxima ao restaurante. Quando bateu os olhos no jornal pendurado lá estacou lendo o título da matéria

chocada:

“Chacina na Zona Sul! Família e empregados assassinados cruelmente.”

-- Meu Deus! – Falou baixo pegando o dinheiro e comprando o jornal rapidamente.

Simone leu em pé a li mesmo a matéria sobre os assassinatos após ver a foto de Norma Santiago morta. Tinham morrido também o marido dela, o irmão, o motorista e a criada. Andréia e a cozinheira estavam internadas em hospital em estado grave.

Nenhum vizinho escutou nenhum tiro na casa, o que fez com que os

investigadores concluíssem que os assassinos usaram silenciadores.

Não ouve roubo na casa, descartando a possibilidade de latrocínio.

Simone enfiou o jornal de baixo do braço entrando rapidamente no restaurante. Assim que a viu, Regina perguntou assustada.

-- O que foi que assucedeu? Ocê tá branca feito cera. Redá pra lá e me conta.

-- Vamos conversar lá dentro – Respondeu indo para os fundos onde trocavam de roupas rapidamente. Chegando lá, Simone trancou a porta falando

agitada.

-- Aconteceu uma chacina! Veja você mesma! – Contou entregando o jornal para ela.

Regina leu a matéria com as mãos trêmulas. Quando terminou ergueu os olhos olhando--a boquiaberta.

-- Nossinhora! Vão vir atrás da gente! Tamô mortas! ”iquió, eu num quero morrer não – Falou com os olhos arregalados.

-- Calma! – Simone pediu andando de um lado ao outro com um ar pensativo.

-- Vão corta nossas cabeças

-- Eles não cortam cabeças Regina. Eles dão tiros à queima roupa.

-- Oh! Tamô perdidas! Tamô perdidas! – Gemeu levando a mão a boca – Tenho sangue no olho não! Vou tirar o cavalinho da chuva. Ainda bem que fiz amo com Irene, acho que foi a última vez – Falou apavorada.

-- Psiu! Preciso pensar! Não entra em pânico logo agora! Calma! – Simone pediu cobrindo a boca dela neste instante.

-- Oh! Oh! – Regina gemeu sem poder emitir nenhum som.

-- Fica quieta! – Simone pediu afastando dela e pegando um cigarro nervosa.

-- Como fomos nus meter nisto? Nóis somo só duas garçonetes Simone! Faz três noites que tamô caçando a tal Russa sem achar! Pensa no mundão que é essa cidade! Tem povo dimais aqui sô! … o mermo que caça “Uma agulha no palheiro.” Essa Russa já pode tá inté morta por ai. Essa família toda foi morta. Núúúú! Esse povo mata sem dó! Temo que nos protege! Vou perde a Tramontina

-- Que isto de tramontina Regina?

-- Não sabe? Nossinhora do céu!

Tudo bem, você num é Mineira! Perder a tramontina é sair do sério, perder a calma!

-- Mais? Você já perdeu a Tramontina desde o primeiro instante que leu a notícia! – Simone comentou rindo dela -- Só temos que achar a Russa e vamos achar.

-- Vamo acha como? Essa Russa já deve de te sido desovada sem cabeça por ai! Ocê num vê o que tá acontecendo? Tamô na berlinda! Como pode fica tão calma? Vou acaba badacama.

-- Badacama nada! E simples! Ninguém sabe sobre nós – Simone respondeu confiante.

-- Préstenção! Manhã ou dispois pode se a notícia das nossas mortes neste jornal. Eu quero tudo, de menos morre. Bem que desconfiei que isto estivesse mais pra bacia das almas. Dinheiro fácil dá nisto. Nunca fui filha de pai assombrado.

-- Pai assombrado? Como assim? Poxa Regina, não fale expressões de Minas que eu boi