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FAETEC/ETESC REDAÇÃO TÉCNICA PROFESSOR: ADRIANO OLIVEIRA

OS TIPOS OU MODOS DE ORGANIZAÇÃO DO TEXTO

Na escola, normalmente, apresentam aos alunos a existência de 3 modos básicos de

organização do texto: narração, descrição e dissertação. Ainda, são poucos os que se atentam para os

estudos da linguística textual que aponta para a existência de mais tipos de organização. Além disso,

ensinam-se, muitas vezes, nas escolas, os modos como unidades isoladas, o que na prática não

corresponde, uma vez que é possível encontrar todos esses modos na tessitura de um texto.

Assim, num artigo, por exemplo, é possível observar que o pesquisador narra os fatos que o

levaram a realizar a pesquisa, descreve o seu objeto de investigação, incita o leitor, por meio de

questionamentos, quanto aos problemas possíveis de suas pesquisas e conclui com argumentos que

fundamentam o seu ponto de vista ou sua hipótese. Dessa forma, num mesmo gênero textual o artigo

foi possível mobilizar quatro modos de organização do texto ao mesmo tempo: a narração, a

descrição, a injunção e argumentação.

Para escrevermos um texto, em qualquer um dos gêneros disponíveis, em nossa sociedade,

teremos de mobilizar ou operar com os modos de organização do texto, os quais se apresentam em um

número reduzido (quatro ou mais, de acordo com a perspectiva do autor escolhido) quando comparados

aos gêneros (em número infinito).

Para o nosso trabalho, utilizaremos a definição de Marcuschi (2007) para explicitar o conceito de

“tipos textuais”, porém adotaremos o quadro de Azeredo (2008) para a nossa produção.

Marcuschi (2007: 22), para diferenciar “gêneros” de “tipos textuais” declara: Usamos a expressão

‘tipo textual’ para designar uma sequência teoricamente definida pela ‘natureza linguística’ de sua

composição [aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas].

Os tipos ou modos não são textos empíricos, mas sequências linguísticas, ou de enunciados no

interior de um gênero e aparecem não isoladamente em um gênero, mas, em boa parte das vezes,

paralelamente num mesmo gênero. Esse fenômeno Marcuschi (2008:166) denomina “heterogeneidade

tipológica”. A carta pessoal é um exemplo de como os tipos podem ocorrer ao mesmo tempo.

Os modos ou tipos textuais, de acordo com Azeredo (2008: 86-89), apresentam-se em:

1) NARRAÇÃO

Chamamos narração à sequenciação própria da enunciação de fatos que envolvem personagens

movidos por certos propósitos e respectivas ações encadeadas na linha do tempo, seja por simples

sucessão cronológica, seja também por relações de causa e efeito. (Azeredo, 2008: 86-87)

Na narração predominam os verbos de ação (sobretudo no pretérito [im]perfeito). É comum

encontrarmos a narração, predominantemente, em gêneros como contos de fadas, fábulas, relatos de

experiência pessoal, crônicas, notícias, reportagens, conto, novela, romance, publicidades

(principalmente, televisivas) etc. Vejamos o exemplo a seguir:

TEXTO (1a)

SISSICA (Luís Fernando Veríssimo Novas Comédias da Vida Privada)

Não sei se fecha com a estatística geral, mas, naquela sala de espera do aeroporto, entre trinta pessoas, uma tinha telefone celular. E ele tocou.

Alô? Eu. Oi, querida.

As outras vinte e nove pessoas continuaram fazendo o que se faz numa sala de espera de aeroporto

quando o avião atrasa. Lendo, tentando dormir, olhando fixo para nada. E fingindo que não ouviam a conversa.

Não, ainda estou no aeroporto. O avião atrasou. Sei lá. Devo chegar pela meia-noite.

Um homem mais velho sacudiu a cabeça com leve irritação. Saco, ser obrigado a ouvir a conversa dos outros daquele jeito. E não poder ouvir o que estavam dizendo do outro lado.

Você vai me esperar acordada? Ah, é? Quero só ver. Qual, aquele curtinho? Ai meu Deus. Já estou

vendo. E o que é que você vai me dar? Hein? Houve uma certa inquietação em torno do homem que falava. Um certo mexe-mexe nas cadeiras e arrastar de pés. Um casal que já conversara muito e ficara em silêncio retomou a conversa, animadamente, agora falando mais alto. Alguns olharam para as duas freiras que, a poucos metros do homem do celular, mantinham os olhos baixos e não se mexiam.

O quê? Estou levando, sim. Está aqui na maleta. E com pilha nova. É. Te prepara, Sissica.

Ao som de “Sissica” o homem mais velho empinou a cabeça num espasmo involuntário e duas outras

pessoas levantaram-se rapidamente e dirigiam-se para o bar, para a livraria, para qualquer ponto longe daquele celular e do seu dono. As freiras continuavam de olhos postos no chão.

Cê vai fazer o quê? Ah, é? Tá bom. Só acho que hoje eu não vou poder, não. Tou com um furúnculo. Uma mulher soltou uma espécie de grito e depois tentou disfarçar com tosse. O homem mais velho

também se levantou, olhou para o relógio, exclamou “Não é possível” e foi procurar alguém da companhia para reclamar do atraso. Afastou-se quase correndo.

Sei lá. Apareceu hoje. E acho que está supurando. Tá um roxo meio esverdeado. Mais pessoas saíram

de perto, procurando o que fazer. O casal aumentou o volume da sua conversa, tentando falar mais alto do que o

homem. Outros também começaram a falar. Pessoas que nunca tinham se visto antes agora puxavam conversa uma com a outra e todas falavam ao mesmo tempo. Mas o homem do celular falava mais alto.

Onde? É, lá mesmo. Bem na dobra.

Uma das freiras olhou para o alto com um sorriso triste enquanto a outra se encurvou para olhar o chão

mais de perto. Um homem, fora de si, veio perguntar se as duas não gostariam de ir ao banheiro. Ele as acompanharia. As duas sacudiram a cabeça. Ficariam firmes, o Senhor lhes daria força.

Como é que eu sei que ta roxo? Eu olhei, né Sissica. Com um espelho. Rá, cê pensou o quê?

Várias pessoas estavam agora de pé, tomadas de uma súbita revolta com aquela demora no embarque.

Caminhavam de um lado para o outro. Por que o avião não saía?

Cê pensa que eu pedi pra camareira olhar, é? Dá uma olhadinha aqui no meu furúnculo, minha filha, pra ver que cor é. É só levantar o Houve uma debandada. Algumas pessoas se precipitaram para o balcão de informações e começaram a bater com os punhos no balcão, exigindo embarque imediato ou explicações.

Outras se dispersaram pelo aeroporto, em pânico. Só as duas freiras continuaram sentadas, com os olhos fechados e uma expressão de martírio, entre doce e dolorida, no rosto. Finalmente o homem despediu-se da Sissica, guardou o celular no bolso e disse para as freiras:

Minha filhinha. Estou levando um joguinho eletrônico para ela e

Então o homem se deu conta de que a sala de espera estava vazia e perguntou:

Ué, já chamaram?

Atividade: Identifique alguns elementos de cunho narrativo, que compõem a crônica de Veríssimo.

Tipo de narrador:

Espaço:

Personagens:

Tempo:

Tema:

Situação inicial:

Complicador:

Desfecho:

Níveis de linguagem ([in]formal)

TEXTO (1b)

O LEÃO E OS TRÊS TOUROS (Esopo)

campo.

Um Leão, escondido no mato, espreitava-os na esperança de fazer deles seu jantar, mas receava atacá-los

enquanto estivessem em grupo.

Três

touros,

amigos

desde

longa

data,

pastavam

juntos

e

tranquilos

no

Finalmente, por meio de ardilosas e traiçoeiras palavras, ele conseguiu criar entre eles a discórdia e

separá-los.

Assim, tão logo eles pastavam sozinhos, atacou-os sem medo algum, e um após outro, foram sendo

devorados sempre que sentia fome.

Moral da História: União é força.

(Disponível em: http://sitededicas.uol.com.br/fabula19a.htm. Acesso em: 14/03/2011).

TEXTO (1c): O SAPO E O BOI (Esopo) Há muito, muito tempo existiu um boi

TEXTO (1c):

O SAPO E O BOI (Esopo)

Há muito, muito tempo existiu um boi imponente. Um dia o boi estava dando seu passeio da tarde quando um pobre sapo todo mal vestido olhou para ele e ficou maravilhado. Cheio de inveja daquele boi que parecia o dono do mundo, o sapo chamou os amigos.

Olhem só o tamanho do sujeito! Até que ele é elegante, mas grande coisa; se eu quisesse também era.

Dizendo isso o sapo começou a estufar a barriga e em pouco tempo já estava com o dobro do seu tamanho normal.

Já estou grande que nem ele? perguntou aos outros sapos.

Não, ainda está longe!- responderam os amigos.

O sapo se estufou mais um pouco e repetiu a pergunta.

Não disseram de novo os outros sapos -, e é melhor você parar com isso porque senão vai acabar se

machucando. Mas era tanta vontade do sapo de imitar o boi que ele continuou se estufando, estufando, estufando até estourar.

Moral: Seja sempre você mesmo. Disponível em: http://www.metaforas.com.br/infantis/fabulasdata.asp . Acesso em: 14/03/2011.

Atividade: Crie uma nova versão para a narrativa do texto (1b) ou (1c). Se sua escolha for pelo texto

(1b), não deixe de acrescentar diálogos. Atente para estrutura do gênero: personagens “animais”,

“doutrinamento” (moral da história), “título” (bem criativo!!!) para a história, verbos no “passado” –

quando em diálogo, os verbos podem passar a outros tempos e modos, como presente do indicativo,

por exemplo. Você pode optar por: definir o espaço e o tempo das ações, acrescentar outras

personagens e escolher o tipo de narrador (1ª ou 3ª pessoa). O narrador deve relatar os fatos em

linguagem padrão. Procure atribuir, se possível, comicidade a sua narrativa.

(Trabalho a ser desenvolvido em grupo de 4 a 5 componentes).

Procure atribuir, se possível, comicidade a sua narrativa. (Trabalho a ser desenvolvido em grupo de 4

2)

DESCRIÇÃO

Chamamos descrição ao tipo de construção textual em que se encadeiam os traços que servem para caracterizar a composição de um ambiente, de um ser vivo, de um objeto, de um conceito, de um evento. Azeredo (2008: 87-88)

No modo descritivo, observam-se os verbos de ligação (no presente do indicativo ou pretérito imperfeito do indicativo) e expressões qualificativas (por meio de adjetivos, locuções adjetivas e substantivos). Em publicidades, no entanto, é comum encontrarmos a descrição com verbos elípticos. Geralmente, encontramos esse modo de organização em gêneros como crônicas, contos, poemas, notícias, romances, reportagens, mapas, cartazes, gráficos, currículos. A seguir, temos um exemplo de texto, predominantemente, composto pela descrição:

TEXTO (2a):

A GUERRA DO FIM DO MUNDO

O homem era alto e tão magro que parecia sempre de perfil. Sua pele era escura, seus ossos proeminentes e seus olhos ardiam como fogo perpétuo. Calçava sandálias de pastor e a túnica azulão que lhe caía sobre o corpo lembrava o hábito desses missionários que, de quando em quando, visitavam os povoados do sertão batizando multidões de crianças e casando os amancebados. Era impossível saber sua idade, sua procedência, sua história, mas algo havia em seu aspecto tranquilo, em seus costumes frugais, em sua imperturbável seriedade que, mesmo antes de dar conselhos, atraía pessoas. (VARGAS LLOSA, M. A guerra do fim do mundo. 8. ed. São Paulo: Francisco Alves, 1982).

TEXTO (2b):

atraía pessoas. (VARGAS LLOSA, M. A guerra do fim do mundo. 8. ed. São Paulo: Francisco

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Atividade: Compare os textos (2a) e (2b) e comente: a) Como se destacam, em ambos,

Atividade: Compare os textos (2a) e (2b) e comente:

a) Como se destacam, em ambos, o modo descritivo de organização do discurso?

b) A descrição pode ser objetiva ou subjetiva. Em qual dos textos predomina a descrição subjetiva?

Por quê? Apresente um exemplo.

c) Quanto à estrutura dos gêneros (conto, cartaz publicitário), comente suas diferenças a partir do:

Narrador:

Recursos gramaticais (formas verbais, qualificativos e pontuação):

Estrutura do texto (paragrafação, introdução, desenvolvimento, conclusão).

d) A descrição pode ser referente a ambientes, fatos, pessoas e objetos. Qual (quais) desses

elementos aparece(m) descrito(s) nos textos (2a) e (2b)?

e) A partir dos textos (2c) e (2d), realize o que se pede.

Texto (2c): A dengue: o qué.

A dengue é uma doença infecciosa febril aguda causada por um vírus da família Flaviridae e é transmitida através do mosquito Aedes aegypti, também infectado pelo vírus. Atualmente, a dengue é considerada um dos principais problemas de saúde pública de todo o mundo.Em todo o mundo, existem quatro tipos de dengue, já que o vírus causador da doença possui quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4.No Brasil, já foram encontrados da dengue tipo 1, 2 e 3. A dengue de tipo 4 foi identificada apenas na Costa Rica.A dengue pode se apresentar clinicamente - de quatro formas diferentes formas: Infecção Inaparente, Dengue Clássica, Febre Hemorrágica da Dengue e Síndrome de Choque da Dengue. Dentre eles, destacam-se a Dengue Clássica e a Febre Hemorrágica da Dengue. (Fonte: http://www.combateadengue.com.br/. Acesso em: 11/01/2011)

Texto (04): Cartaz de campanha contra a dengue

Texto (04): Cartaz de campanha contra a dengue Disponível em: http://www.google.com.br/imgres . Acesso em:

Disponível em:

Tente sensibilizar seus amigos, parentes e vizinhos para o combate eficaz contra o mosquito da dengue. Para isso, elabore, em dupla, com um companheiro de turma, um cartaz de campanha, de forma criativa e chamativa. Nele, descreva, rapidamente a doença, os lugares favoritos do mosquito e os sintomas, usando, claro adjetivos ou locuções adjetivas. Faça uso de figuras! (desenho, fotografias, recorte de revista ou jornal).

3)

INJUNÇÃO

A injunção consiste no emprego de formas da linguagem com que o enunciador explicita sua intenção de levar o destinatário, ouvinte ou leitor, a praticar atos ou ter atitudes. (Azeredo, op. cit.: 88-89)

Geralmente, o modo injuntivo se apresenta em formas verbais imperativas, mas é comum, também, em cartas, trazer saudações e vocativos, os quais se configuram em formas de incitação do leitor. Os gêneros que abrigam esse modo do texto são variados: receitas médicas e culinárias, cartas, publicidades. O texto seguinte ilustra esse modo de organização:

Texto (3a): Chuleta na pressão

Modo de preparo: Em uma panela de pressão coloque o óleo para esquentar quando já estiver bem quente frite a

chuleta já temperada de modo que doure não precisa ficar bem frita por dentro mas dourada. Depois de todas as

chuletas já fritas desligue a panela e forre o fundo da mesma panela (sem lavar) com uma camada de cebola uma

de tomate uma de carne repetindo até que vá toda a cebola, o tomate, e a carne. Coloque o sal e a pimenta a

gosto. Feche na pressão deixando cozinhar por 35 min. ou até que toda agua seque não vai agua. Depois é só

degustar. Bom apetite!

Atividade: Localize (sublinhando) as sequências injuntivas nos textos (3a) e (3b)

Texto (3b)

Texto (3b) Fonte: Folder dos Cartões de Crédito Santander, 2009.

Fonte: Folder dos Cartões de Crédito Santander, 2009.

4)

ARGUMENTAÇÃO

Muito preferem intitular esse modo de organização do discurso como “dissertação”. Na tríade da

tradição escolar há uma tendência em identificá-lo dessa forma. Contudo, tomamos o ponto de vista

de Azeredo (2008: 86) que concebe do seguinte modo a dissertação: O conceito de dissertação

como modo de desenvolvimento de um tema em torno do qual articulamos ideias e pontos de vista presta-se melhor à definição de um gênero textual o ensaio. Preferimos, de acordo com o autor,

denominar ao modo que organiza nossos ideias, argumentos, posições na defesa de uma certa opinião ou hipótese de ARGUMENTAÇÃO.

A argumentação consiste no encadeamento de proposições com vista à defesa de uma opinião e ao convencimento do interlocutor. (Azeredo, op. cit.: 88).

A argumentação tem por princípio a defesa de uma tese, uma opinião, um ponto de vista, uma ideia. Para tanto, o produtor não só mobiliza uma série de argumentos, fatos, opiniões de outros autores ou autoridades, resultados de experimentos etc. a favor do que pretende defender, como se utiliza de uma série de elementos gramaticais na elaboração de seu texto. Desse modo, o uso de conectivos como as conjunções subordinativas condicionais (se, caso), concessivos (embora, mas, mesmo que), conclusivos e explicativos (portanto, por isso, pois) será bastante explorado, sobretudo, o das conjunções adversativas, ora, também conhecidas como “operadores argumentativos” (mas, porém, contudo, no entanto, por outro lado etc.) Esse é o modo de organização textual que mais nos interessará, uma vez que trabalharemos constantemente com ele em nossas produções acadêmicas. Como será a dissertação o gênero escolhido por nós, mas com o predomínio do modo argumentativo, focaremos nossas atividades, portanto, no texto DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO. A esse respeito, dedicar-nos-emos com mais detalhes nesse tópico.

4.1 O TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO

O texto dissertativo-argumentativo, diferentemente dos textos predominantemente 1 descritivos e

narrativos, em lugar de apresentar uma sequência de ações ou características de um objeto, trata de apresentar uma sequência de argumentos, nele, o autor expõe suas ideias a respeito de um certo

assunto. Vejamos o exemplo em um parágrafo retirado de um texto dissertativo-argumentativo:

A água é uma das principais condições para a existência de vida, porém a sua simples ocorrência num dado local não é suficiente para que aí se desenvolva a vida. A água pode existir em grandes quantidades, como nas superfícies geladas das regiões polares, não podendo, contudo, ser utilizada por

1 Isso significa que num texto dissertativo pode haver passagens descritivas e narrativas, e num texto narrativo pode haver passagens dissertativas e descritivas e num texto descritivo pode haver passagens dissertativas e narrativas, portanto, dificilmente haverá um texto exclusivamente com uma tipologia textual somente.

estar solidificada na forma de cristais de gelo. Assim, torna-se importante a disponibilidade da água

para ser utilizada pelos seres vivos.

(In: TUFANO, D. Estudos de Redação. São Paulo: Moderna, 1985)

Como podemos perceber o texto supracitado apresenta etapas em sua estrutura. Observe que o

texto começa com a afirmação de que a água “é uma das principais condições para a existência da

vida”, mas, logo a seguir, o autor adverte: “porém a sua simples ocorrência num dado local não é

suficiente para que aí se desenvolva a vida”. Essa última frase contém o “tópico frasal” ou a “ideia

central”, que vai ser explora pelo autor no resto do parágrafo. Em seguida, encontramos dispostas as

ideias e argumentos de apoio, que justificam a ideia central: nesse caso, o exemplo dado é das regiões

polares, onde existe quantidade e água, mas em estado sólido, não sendo, por isso, disponível.

Desenvolvida a ideia central, o produtor fecha o parágrafo com uma “conclusão” (Assim, torna-se

4.1.1

Organização do texto dissertativo-argumentativo

TÍTULO: é uma expressão curta, objetiva, normalmente, sem verbos, relacionada com o tema.

TEMA: assunto sobre o qual você irá escrever, ou ideia que será defendida na composição.

INTRODUÇÃO: propõe a ideia-núcleo da dissertação, devendo ser clara, precisa e preparatória.

Localiza e caracteriza o fato.

DESENVOLVIMENTO: consiste em ordenar, progressivamente, os dados, opiniões, aspectos

que o tema envolve e também fundamentá-los por meio de razões, exemplos e provas. Nesta

parte, apresentam-se os argumentos “pró” e/ou “contra” acerca de uma ideia.

CONCLUSÃO: nesta parte, o produtor do texto encerra seu texto de forma sintética e clara

expondo sua posição assumida (e oferecendo a possibilidade de solução para o problema

levantado).

4.1.2

Estrutura do texto dissertativo-argumentativo

Basicamente, divide-se esse texto em três partes fundamentais:

INTRODUÇÃO: do tema e apresentação da tese. Construída, de modo geral, por um parágrafo.

DESENVOLVIMENTO: do tema. Elenco dos argumentos. Normalmente, apresenta mais de um parágrafo.

CONCLUSÃO: do tema, com uma [possível] solução para o problema levantado.

4.1.2.1 Como elaborar, na prática, um texto dissertativo-argumentativo: passo a passo

1º Identifique o tema a ser dissertado. Leia-o e compreenda-o, o quanto puder.

2º Tente parafrasear o tema, ou seja, reescreva-o com suas palavras.

3º Transforme o tema em pergunta.

POR QUE + TEMA = ARGUMENTOS A FAVOR DA TESE

4º As respostas serão os argumentos os quais utilizará para compor os parágrafos do desenvolvimento de seu texto.

APLICAÇÃO 01

Tema: No terceiro milênio, o homem ainda não conseguiu resolver graves problemas sociais.

Por quê +Tema reescrito:

POR QUÊ os problemas sociais ainda são entraves para o homem do terceiro milênio?

a) Argumento 01: Porque falta ao homem a consciência social.

b) Argumento 02: Porque a acomodação diante dos problemas ainda existe.

c) Argumento 03: Porque há motivos políticos, sociais e religiosos envolvidos.

A humanidade e seus velhos problemas

TÍTULO

Os problemas sociais ainda são entraves para o homem do

 

terceiro milênio, pois lhe falta consciência social, além de uma

INTRODUÇÃO

acomodação diante deles, tudo isso agravado por motivos políticos,

APRESENTAÇÃO DO TEMA

sociais e religiosos.

REESCRITO + CONECTOR (

QUE, POIS, POR ISSO, ASSIM,

DESSE MODO, UMA VEZ QUE,

POR CAUSA DE ETC.) +

ARGUMENTOS

Uma má distribuição das riquezas leva a uma grave injustiça

DESENVOLVIMENTO DO

social, enquanto alguns desperdiçam fortunas, muitos passam

PRIMEIRO ARGUMENTO

fome.

A indiferença perante a pobreza, a miséria, a falta de moradias,

DESENVOLVIMENTO DO

o desemprego cria gerações revoltadas, o que leva os problemas

SEGUNDO ARGUMENTO

sociais a se perpetuarem.

 

DESENVOLVIMENTO DO

TERCEIRO ARGUMENTO

(Nesta parte, é interessante abrir

com um argumento contra a

Muitos afirmam que as diferenças humanas tornam a sociedade

ideia defendida. Em seguida,

dinâmica. Porém, há diferenças que acentuam a exclusão, como as

apresentar o terceiro argumento

dissidências políticas, a falta de diálogo entre as religiões, os quais

a favor do ponto de vista

fazem

o

home

tornar-se

mais

sectário

e,

consequentemente,

defendido e contra o argumento do início do parágrafo. Para fazer a coesão entre os argumentos, use os OPERADORES ARGUMENTATIVOS: MAS, PORÉM, NO ENTANTO, CONTUDO, TODAVIA, NÃO OBSTANTE.

egoísta.

O terceiro milênio, portanto, chegou para a humanidade com os mesmos problemas dos séculos atrás. Com isso, é necessário despertar a humanidade para que resgate valores humanísticos, éticos e sociais até então adormecidos.

REAFIRMAÇÃO DO TEMA + CONCLUSÃO

Fique atento!

Na conclusão são bem vindos os conectores conclusivos, como portanto, assim, logo, então. Ou expressões como: em virtude disso, em virtude do exposto, diante disso, dessa forma/desse modo, com isso.

NÃO USE: “conclui-se que

pois todos já

”,

“Diante disso, chega-se à conclusão de que

”,

sabem que se trata de um parágrafo conclusivo.

A quantidade de parágrafos do DESENVOLVIMENTO dependerá da quantidade de argumentos que você apresentar. Procure, apresentar, pelo menos, dois argumentos.

A ANTITESE é um argumento contrário à ideia que você está defendendo em seu texto. No entanto, ele não precisa aparecer no terceiro parágrafo, contrariando o terceiro argumento. Pode aparecer no primeiro ou no segundo, desde que seja contrário ao argumento seguinte. É importante ressaltar que você pode apresentar vários argumentos antitese que quiser, com também tem a opção de não apresentá-los em seu texto. Porém, saiba: o argumento antítese, embora não obrigatório, oferece ao texto dissertativo, maior força ARGUMENTATIVA.

APLICAÇÃO 02

Tema: O racismo é um dos comportamentos ignóbeis capaz de levar a autodestruição do homem. Por que + tema reescrito:

Por que o racismo é, entre os comportamentos vis humanos, o que é capaz de fazer com que o homem se autodestrua?

a) Argumento 01: Porque o racismo gera desigualdades sociais

b) Argumento 02: Porque em nome do racismo o homem se sente superior ao outro e promove a guerra.

Racismo: um problema do homem para com o próprio homem

É inegável que o racismo é um, entre os comportamentos vis humanos, capaz de fazer o homem autodestruir-se, já que o racismo traz consigo desigualdades sociais e faz com que o homem se sinta melhor ou superior que o outro, promovendo a guerra. Alguns já afirmam que, no Brasil, o racismo está acabando, porém o contracheque tem mostrado o contrário. Os jornais, frequentemente, divulgam a notícia de que, no mercado de trabalho, o salário de um trabalhador negro ainda é bem menor do que o de um trabalhador branco. Consequentemente, um branco, por ganhar mais, terá mais acesso aos bens e serviços o que tornará sua qualidade de vida possivelmente maior do que a de um negro. Outro problema motivado pelo racismo está nas guerras, promovidas por um grupo, o qual se sente superior, contra outro, visto como inferior. Em nome da chamada “raça pura”, justificou-se o extermínio de centenas de milhares de judeus em campos de concentração. O mesmo se diga do regime político sul-africano, conhecido como apartheid, que previa a tortura, a prisão e, inclusive, a morte daquele que ousasse “invadir” o espaço dos brancos. Diante do exposto, percebemos que, entre as armas de poder de destruição, está o racismo, tão vil e dissimulado. É importante que a sociedade, sobretudo os grupos, vítimas de ações racistas, motivem atitudes de solidariedade entre as pessoas, lutem por leis que combatam o racismo e eduquem as próximas gerações para formarem sociedades antirracistas e compostas pela única raça que existe, a raça humana.

Atividade: com base nos temas, apresentados, abaixo, escolha UM e disserte de acordo com as técnicas aprendidas. Atenção! Ao fazer sua escolha por um tema, considere o seguinte: você deve procurar ler textos relacionados ao tema, capazes de gerar argumentos para a sua dissertação.

a) A existência da água é um dos elementos fundamentais para o desenvolvimento da vida.

b) O esporte constitui-se uma forma de convivência humana pacífica.

c) A publicidade não só vende produtos, como também vende sonhos.

d) Os perigos que oferecem as redes sociais.

e) A televisão desempenha importante papel na vida da criança.

REFERÊNCIAS

AZEREDO, J. C. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. 2. ed. São Paulo: Publifolha, 2008.

GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna. 26. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2007.

LAGE, N. Estrutura da notícia. São Paulo: Ática, 2006. [Série Princípios]

MARCUSCHI, L. A. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO, A. P. et. al. (orgs.). Gêneros textuais e ensino. 5. ed. São Paulo: Lucerna, 2007.